Mostrando postagens com marcador Heavy Metal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Heavy Metal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cirith Ungol – Forever Black (2020)

Cirith Ungol – Forever Black (2020)
(Metal Blade/Hellion Records – Nacional)


01. The Call
02. Legions Arise
03. The Frost Monstreme
04. The Fire Divine
05. Stormbringer
06. Fractus Promissum
07. Nightmare
08. Before Tomorrow
09. Forever Black

Existiu um tempo onde o Cirith Ungol foi tachado – de forma totalmente injusta – de “pior banda de Heavy Metal do mundo” por alguns setores da crítica especializada. Pasmem, isso ocorria por um motivo que hoje pode parecer bizarro, a sua originalidade. Surgido em 1972, na cidade de Ventura, na California, os americanos apresentaram em seu debut, Frost and Fire (81), uma sonoridade carregada de particularidades. Musicalmente, mesclavam elementos de bandas de Hard Rock dos anos 70, com NWOBHM e Black Sabbath. O resultado foi uma espécie de Proto-Doom, um Epic Heavy Metal com letras baseadas em fantasia, e estrutura musical oriunda da música clássica. Você leitor vai dizer que isso é algo extremamente comum atualmente, mas acredite, em 1981 não era. Fora isso, outros dois fatores tiveram peso: a escolha de timbres feita pela banda, que era bem peculiar e fugia do padrão usual na época, e o vocal bem distinto de Tim Baker, grave, agudo e anasalado, na linha “ame ou odeie”.

Foram 4 álbuns lançados, o já citado Frost and Fire, King of the Dead (84), One Foot in Hell (86) e Paradise Lost (91), mas quase nenhum sucesso comercial no período. Foi o preço pago por fazer o que queriam, e não o que era comercialmente aceito. Mesmo assim, podemos dizer que lançaram as bases não só do que viria a ser o Doom Metal, como também do Epic e do Power Metal tipicamente americanos, de bandas como Liege Lord, Brocas Helm, Omen, Tyrant e afins. Ironicamente, só após o seu término é que passaram a receber o devido reconhecimento, ganhando uma aura de cult e injustiçada. Quase 25 anos depois do término, em 2015, o baixista do Night Demon, Jarvis Leatherby, organizou um ensaio ao lado do baterista Robert Garven e do guitarrista Jim Barraza, e contando com a presença de Tim como espectador. Com vários convites para participação em festivais, a chama do Cirith Ungol reacendeu e resolveram retornar. O guitarrista Greg Lindstrom aceita participar da volta, mas o baixista Michael "Flint" Vujejia declinou, e seu posto passou a ser ocupado, merecidamente, por Jarvis. O quinteto então cai na estrada para uma série de shows, incluindo aí uma passagem no Brasil, onde encerraram o último dia da edição de 2019 do Setembro Negro.

A cobrança por parte dos fãs de um novo álbum de inéditas se tornou algo comum, e sem medo de arriscar o seu legado, o Cirith Ungol resolveu atender o anseio dos mesmos. Eis que agora temos em mãos Forever Black, o 5ª trabalho de estúdio dos americanos, após um longo hiato de 29 anos. A primeira coisa que chama a atenção é a atemporalidade de sua música, já que você nem se dá conta de que se passaram quase 3 décadas desde Paradise Lost. É como se estivéssemos novamente nos anos 80, a era de ouro do Heavy Metal, uma verdadeira viagem no tempo. O vocal de Tim continua único, e pode causar estranhamento em uma época onde os vocalistas são quase padronizados. Os fãs vão amar, os detratores continuarão a criticar, o mundo continuará girando e Cirith Ungol continuará sendo Cirith Ungol. As guitarras de Jim e Greg são absurdamente boas, pesadas, e entregam não só riffs esmagadores, como solos de muita qualidade, enquanto o baixo de Jarvis faz um ótimo trabalho. Já a bateria de Robert continua sendo o ponto de equilíbrio da banda, o centro da sonoridade do Cirith.


Como esperado, um clima épico perpassa todas as canções aqui presentes, que como de praxe, soam sombrias e diversificadas. Após uma breve introdução instrumental, temos a espetacular “Legions Arise”, veloz, enérgica, com riffs fortes, baixo galopante e tudo mais que um fã espera da banda. Na sequência, “The Frost Monstreme” tem boa cadência, um certo ar setentista, ótimo trabalho de bateria e a epicidade que todos adoramos. “The Fire Divine” é dura, com um ótimo refrão, bélica e vai te fazer se sentir em um campo de batalha, enquanto “Stormbringer” é aquela “balada” épica e pesada, com as guitarras se destacando e um dos solos mais bonitos de todo álbum. “Fractus Promissum”, tem uma queda para os anos 70, e traz em si a essência do que é o Heavy Metal; “Nightmare” é pesada, sombria e épica, e “Before Tomorrow” esbanja peso. Encerrando o trabalho, a cruel, opressiva e venenosa “Forever Black”.

Gravado no The Captain's Quarters, com produção da banda e de Armand John Anthony (Night Demon), o resultado é bom, pois deixa tudo claro e audível, mas com aquela crueza que sempre foi característica das produções passadas. Na capa, mantendo a tradição, mais uma vez temos Elric de Melnibone, personagem criado por Michael Moorcock, e que não só adorna as capas dos álbuns, como se faz presente em diversas letras durante toda a carreira. Você pode argumentar que em Forever Black, o Cirith Ungol apenas se limitou a fazer aquele mesmo som do passado, mas sinceramente, quem aqui queria ouvir algo diferente disso? Os fãs queriam o bom e velho Cirith de volta, e é exatamente o que eles encontram aqui, e em sua melhor forma. Se a ideia era abrir um sorriso enorme no rosto de todos os seus fãs, devo dizer que obtiveram êxito nessa missão. Um dos melhores álbuns que você escutará em 2020.

NOTA: 91

Cirith Ungol é:
- Tim Baker (vocal)
- Greg Lindstrom (guitarra)
- Jim Barraza (guitarra)
- Jarvis Leatherby (baixo)
- Robert Garven (bateria)

Facebook
Instagram
Bandcamp
Twitter


terça-feira, 7 de abril de 2020

Biff Byford - School of Hard Knocks (2020)


Biff Byford - School of Hard Knocks (2020)
(Silver Lining Music/Hellion Records - Nacional)


01. Welcome to The Show
02. School of Hard Knocks
03. Inquisitor
04. The Pit and The Pendulum
05. Worlds Collide
06. Scarborough Fair (Simon & Garfunkel cover)
07. Pedal to The Metal
08. Hearts of Steel
09. Throw Down the Sword (Wishbone Ash cover)
10. Me and You
11. Black and White

O status de lenda que Biff Byfford possui é indiscutível, e os mais fanáticos por determinada donzela que me perdoem, mas se tem uma voz que representa a NWOBHM em toda a sua essência, essa é a dele. Dada toda a sua importância e carreira frente ao Saxon, é surpreendente que seu primeiro álbum solo tenha demorado mais de 40 anos para ser lançado. O momento para isso é bem sintomático, já que ano passado o vocalista descobriu uma doença cardíaca e teve que passar por uma operação de emergência.

School of Hard Knocks é uma expressão idiomática que se refere ao conhecimento que adquirimos com as dificuldades que vivemos em nossa existência. É a famosa “escola da vida”, aquelas coisas que você não aprende na educação formal, mas apenas tomando as pancadas diárias que a existência nos proporciona. Um título perfeito para um trabalho onde Biff Byford não só reflete sobre a sua vida e experiências, como também fala um pouco da história do norte da Inglaterra, região onde nasceu, cresceu e vive. Musicalmente, por mais que em muitos momentos ele finque os pés de maneira firme naquela sonoridade clássica do Saxon, não tem medo de arriscar e sair dessa fórmula padrão, expandindo as fronteiras de sua música. Para isso, se cercou de músicos de inegável talento, contando com o apoio do guitarrista Fredrik Åkesson (Opeth), o baixista Gus Macricostas (ex-Battleroar) e o baterista Christian Lundqvist (The Poodles), além das participações especiais do guitarrista Phil Campbell (Motörhead, Phil Campbell & The Bastard Sons), do baixista Nibbs Carter (Saxon), do tecladista Dave Kemp (Wayward Sons) e dos bateristas Alex Holzwarth (Rhapsody of Fire and Turilli / Lione Rhapsody) e Nick Barker (Brujeria, ex-Cradle of Filth, ex-Dimmu Borgir).


O álbum abre com a ótima e animada “Welcome to the Show”, que certamente vai fazer a alegria dos fãs de Saxon. Na sequência, ainda nessa mesma vibe, temos “School of Hard Knocks”, que conta com Phil Campbell na guitarra, além de ótimos riffs e solo, e um refrão que pega fácil. Após uma breve vinheta acústica, intitulada “Inquisitor”, Biff mostra que não tem medo de experimentar, e se envereda pelos lados do Prog Metal, com a pesada “The Pit and The Pendulum”, recheada de boas harmonias e mudanças de tempo, e a intensa “Worlds Collide”, outra que se destaca pelo peso dos riffs, além de possuir um ótimo solo. Em ambas, a parte rítmica é formada por Nibbs Carter e Nick Barker. “Scarborough Fair” é uma antiga música folclórica de Yorkshire, que ganhou fama com a dupla Simon & Garfunkel. Biff faz um ótimo trabalho, com destaque para a parte vocal, que transmite muita emoção. A direta e intensa “Pedal to The Metal”, com participação do baterista Alex Holzwarth, soa como um encontro entre Saxon e Judas Priest, enquanto “Hearts of Steel” poderia estar em qualquer trabalho da banda de Bifford nos anos 80. “Throw Down the Sword”, cover do Wishbone Ash – uma banda que se o leitor não conhece, vale a pena correr atrás –, se destaca principalmente pelas ótimas melodias, enquanto a balada “Me and You” se mostra introspectiva e agridoce. Encerrando, temos a pesada e cadenciada “Black and White”.

Não se limitando a fazer o usual, e explorando novos territórios, Biff Byford entrega um trabalho que prima pela solidez e por divertir o ouvinte. Os fãs de Saxon certamente não irão se decepcionar, já que vários são os momentos de conexão com a banda, mas School Of Hard Knocks não é indicado apenas para esses, mas sim para todos que amam boa música. Na escola da vida e do Heavy Metal, Biff Byfford é daqueles professores com pós-doutorado, com muito a ensinar aos que estiverem dispostos a aprender.

NOTA: 88

Formação:
Biff Byford (vocal/guitarra)
Fredrik Åkesson (guitarra)
Gus Macricostas (baixo)
Christian Lundqvist (bateria)

Participações especiais:
Phil Campbell (guitarra na faixa 2)
Nibbs Carter (baixo nas faixas 4 e 5)
Nick Barker (bateria nas faixas 4 e 5)
Alex Holzwarth (bateria na faixa 7)
Dave Kemp (teclado e sax na faixa 10)

Homepage
Facebook
Twitter
Spotify
Instagram
YouTube



Ozzy Osbourne - Ordinary Man (2020)

Ozzy Osbourne - Ordinary Man (2020)
(Epic Records - Importado)


01. Straight to Hell    
02. All My Life
03. Goodbye
04. Ordinary Man (Feat. Elton John)
05. Under the Graveyard    
06. Eat Me
07. Today Is the End        
08. Scary Little Green Men
09. Holy for Tonight
10. It's a Raid (Feat. Post Malone)
11. Take What You Want (Feat. Post Malone & Travi$Scott)

2019 não foi um ano fácil para Ozzy Osbourne. Problemas de saúde o deixaram fora de combate, causando o cancelamento de todos os seus shows programados, e o impedindo de fazer o que mais gosta, estar no palco. Para agravar mais a situação, logo no início de 2020, a notícia de que havia sido diagnosticado com Parkinson. Foi dentro desse contexto tão pesado, que ainda em 2019, sua filha Kelly chegou até ele, perguntando o que ele achava de gravar uma música com o rapper Post Malone. Essa união, a princípio bem esquisita, acabou sendo amarrada pelo produtor de Post, Andrew Watt, e resultou na música “Take What You Want”, que também contou com a participação de outro rapper, Travi$Scott. Pela primeira vez em 30 anos, um single contando com Ozzy, voltou a figurar no Top 10 da Billboard.

Voltar a ter esse contato com a música reacendeu a chama em Ozzy, que após conversar com Andrew Watt, resolveu entrar em estúdio e gravar um álbum. Antes de tudo, preciso abrir um parêntese aqui. Ao leitor, pode causar certa estranheza o fato de um produtor de artistas pop tenha participado desse processo, mas nem tudo é o que parece. Apesar de nos últimos 5 anos vir trabalhando com artistas como Justin Bieber, Selena Gomez, Camila Cabello, Cardi B, Lana Del Rey, e vários outros nomes famosos do mundo Pop, sua carreira começou no Rock. Aos mais esquecidos, Andrew era o guitarrista do California Breed, projeto capitaneado por ninguém menos que Gleen Hughes e Jason Bonhan, e que lançou um ótimo álbum autointitulado em 2014. Nele, além de mostrar um talento absurdo, apesar da relativa pouca idade (tinha apenas 23 anos), mostrava possuir influências de nomes clássicos da história da música pesada, como Hendrix, Page, dentre outros. Essa informação pode ajudar a entender muito do que acabamos por escutar em Ordinary Man, o 12º trabalho de inéditas do Príncipe das Trevas, que surge após um hiato de 10 anos.

Para a gravação de Ordinary Man, o Madman em vez de trazer sua banda para o estúdio, resolveu se cercar de bons amigos. Sendo assim, as guitarras ficaram a cargo de Andrew, o baixo foi todo gravado por Duff Mckagan e a bateria por Chad Smith. Amigos de peso, não é? Não satisfeito, ainda convidou Slash, Elton John, Tom Morello e Post Malone, para participações especiais. Convenhamos, não é uma mistura das mais homogêneas, mas o resultado acabou sendo surpreendentemente bom. Musicalmente, temos uma viagem por toda a carreira de Ozzy, partindo do Sabbath setentista, passando por sua carreira solo, e terminando no ponto onde 13 – o último trabalho do Black Sabbath – parou. Fora isso, em algumas canções, sua música é transposta para os dias de hoje, com um toque mais moderno na produção.


A abertura se dá com a já conhecida “Straight to Hell”, pesada, com bons riffs, refrão forte e que fecha com um ótimo solo, cortesia de Slash. “All My Life” é densa e tem guitarras bem pesadas, além de um refrão bem fácil de pegar, sendo seguida pela igualmente densa e sabbathica “Goodbye”. Sinceramente, para reclamar de “Ordinary Man”, a pessoa tem que estar de muita má vontade. Reflexiva e melancólica, e uma das baladas mais bonitas do álbum, e a participação especial de Elton John só deixou tudo melhor. Destaque para os dois belos solos de Slash. “Under the Graveyard” é uma semibalada muito bonita, e que poderia estar no 13 sem qualquer estranhamento. “Eat Me” é forte, pesada, bem grooveada e com uma pegada bem moderna, além de ser bem legal;

“Today Is the End” é mais cadenciada e densa, e sinceramente, não empolga, sendo um dos pontos fracos do álbum, enquanto “Scary Little Green Men” volta a elevar a qualidade, apesar de soar um pouco mais atual, muito disso devido ao bom trabalho de guitarra. “Holy for Tonight” é outra bonita balada, com um ar bem saudosista, com uma bela melodia, corais e um solo bem legal. Tem algo dos anos 70 aqui, mas trazido para os dias de hoje pela produção. A sequência final conta com a veloz e pesada “It's a Raid”, com suas guitarras distorcidas e participação de Post Malone nos vocais, algo que não atrapalha em nada a canção, por mais que também não acrescente nada, e a culpada por Ordinary Man existir, “Take What You Want”, música de Malone que foi responsável por Ozzy e Andrew se aproximarem. Só isso justifica sua presença aqui, pois musicalmente ela soa totalmente deslocada de todo o contexto do álbum.

Se você é fã da carreira de Ozzy Osbourne, esse é um álbum feito sob medida para você, dada as diversas referências contidas nele a carreira do Madman, tanto no período do Black Sabbath quanto na sua fase solo. Nesse ponto, o fato de Andrew ter não só produzido o trabalho, como também co-escrito, com a ajuda de Ozzy, Duff e Chad, ajudou muito no resultado, já que fez com que o Príncipe das Trevas saísse de sua zona de conforto dos últimos trabalhos. É o melhor álbum de sua profícua carreira? Sinceramente não, mas é digno de toda a sua importância na história da música pesada, e se significar o final de sua caminhada musical – ao menos em estúdio -, terá sido um belo ponto final!

NOTA: 84

Formação:
- Ozzy Osbourne (vocal)
- Andrew Watt (guitarra)
- Duff McKagan (baixo)
- Chad Smith (bateria)

Participações especiais:
- Slash (guitarra nas faixas 1 e 4)
- Tom Morello (guitarra na faixa 8)
- Elton John (vocal e piano na faixa 4)
- Post Malone (vocais nas faixas 10 e 11)
- Travis Scott (vocal na faixa 11)
- Charlie Puth (teclado na faixa 1)
- Nathan Perez (teclados nas faixas 5 e 8)
- Louis Bell (teclado na faixa 10)

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube
Spotify
Apple Music
Amazon Music




terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Anvil - Legal at Last (2020)


Anvil - Legal at Last (2020)
(AFM Records - Importado)


01. Legal at Last
02. Nabbed in Nebraska
03. Chemtrails
04. Gasoline
05. I'm Alive
06. Taking to the Wall
07. Glass House
08. Plastic in Paradise
09. Bottom Line
10. Food for the Vulture
11. When All's Been Said and Done
12. No Time (bonus track)

Lá se vão 42 anos de história – desde que surgiram com o nome de Lips, em 1978 –, e uma carreira marcada pela resiliência. Forjado no fogo do Hard’n’Heavy, através das mãos de Steve "Lips" Kudlow (vocal/guitarra) e Robb Reiner (bateria), o canadense Anvil lutou contra todas as adversidades possíveis, e forte como o aço, nunca renunciou a suas convicções musicais. O documentário Anvil! The Story of Anvil, de 2009, mostrou a todos que a vida nunca foi um mar de rosas para a banda, mas, ao mesmo tempo, ajudou a popularizar o seu nome, os colocando finalmente na posição de destaque que sempre mereceram. Desde então, o trio – completado atualmente pelo baixista Chris Robertson -, lançou quase um álbum a cada 2 anos.

Inevitavelmente, dado o curto espaço entre os lançamentos, e ao fato de dificilmente o Anvil mudar sua sonoridade, uma variação de qualidade acabou ocorrendo entre os trabalhos, e por mais que nenhum deles tenha sido efetivamente fraco, alguns não empolgaram tanto os fãs. Agora, com seu 18º álbum de estúdio, Legal at Last, o trio canadense quer mostrar que ainda continua forte, e que as décadas de carreira não foram o suficiente para arrefecer a paixão que possuem pelo Metal. Como já dito, não se trata de uma banda de ousar muito em sua sonoridade, então espere apenas o Anvil sendo Anvil, apresentando um Hard/Heavy com pitadas de Speed, pesado, básico e muito bem-feito. É mais do mesmo? Sim, mas não é exatamente isso que seus fãs esperam escutar?

O álbum abre a velocidade do som, com a rápida e pesada “Legal at Last”, onde flertam fortemente com o Speed e o Motörhead. Na sequência, a pesada e cativante “Nabbed in Nebraska”, dessas canções moldadas para você cerrar o punho e cantar junto o refrão. Destaque para o ótimo trabalho da parte rítmica. Com as guitarras permanentemente plugadas no talo, voltam a acelerar com a forte “Chemtrails”, sendo seguida pela cadenciada “Gasoline”, onde a guitarra de Lips não nega a influência de Black Sabbath em momento algum. Um álbum do Anvil não é um álbum do Anvil, se não tiver uma daquelas músicas que escancara tanto as influências da banda que chega a soar como um plágio. Sendo assim, tente não pensar em “Cat Scratch Fever'”, de Ted Nugent, ao escutar o riff da rocker e divertida “I'm Alive”. Lips deveria pagar royalties por essa. 



“Taking to the Wall” é uma das canções mais pesadas do álbum, e chega com a força de um juggernaut, passando por cima de tudo; “Glass House” possui um dos melhores riffs de todo trabalho e um ótimo refrão, mas falta um pouco de força nos vocais, enquanto “Plastic in Paradise” é outra a contar com riffs sabbathicos. “Bottom Line” esbanja energia, e tem alguns ecos de Motörhead aqui e ali, algo que também podemos observar na ótima “Food for the Vulture”, uma dessas canções 100% Anvil, e que deixa escancarado o DNA da banda. A idolatria pelo Black Sabbath se mostra mais forte do que nunca em “When All's Been Said and Done”, penúltima faixa do trabalho, que encerra com uma faixa bônus, “No Time”, veloz, rápida e verdadeiramente empolgante.

No quesito produção, mais uma vez a banda voltou a trabalhar com a dupla Martin "Mattes" Pfeiffer e Jörg Uken (responsável pela mixagem), com resultados muito bons, já que tudo ficou muito claro e audível. Alguns fãs mais antigos se incomodam com tamanha polidez, e certamente preferiam um som um pouco mais sujo, mas sinceramente, não penso que esse seja um fator comprometedor. A capa, em parte inspirada no fato do Canadá ter modificado a sua legislação com relação a maconha, em parte querendo dizer que hoje em dia não tem mais nada de errado em gostar de Anvil, é obra de W. Cliff Knese. Sem inventar, Lips e cia entregam o esperado, através de um Heavy Metal básico, pesado, simples e enérgico. Se você é fã, não tem erro, pode quebrar seu cofre, contar libra por libra, e adquirir esse trabalho para sua coleção, mas se você faz parte daquela turma que reclama do trio lançar sempre o mesmo álbum, não existe absolutamente nenhuma alternativa que não seja passar longe de Legal at Last. É o Anvil sendo Anvil, e isso já basta!


NOTA: 85

Anvil é:
- Steve "Lips" Kudlow (vocal/guitarra)
- Chris Robertson (baixo)
- Robb Reiner (bateria)


Homepage
Facebook
Instagram
Twitter


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Dogma Blue - Quietus (2019) (EP)


Dogma Blue - Quietus (2019) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Disorder
02. Quietus
03. No Garden
04. Dissolution
05. Mucamba

Obstante na atualidade o Heavy Metal não estar entre os estilos musicais mais populares, ainda sim a abnegada paixão de seus fãs, faz com que todos os dias uma nova banda surja em algum lugar desse mundo. Obviamente que no Brasil isso não é diferente. O Dogma Blue é uma banda relativamente nova, surgida em Curitiba/PR, em abril de 2018, mas mesmo assim, pouco mais de 1 ano após sua criação, não quis perder muito tempo e tratou de soltar seu EP de estreia. Vou ser sincero, normalmente fico com os dois pés atrás quando uma banda se apressa para já soltar material em tão pouco tempo, e isso não foi diferente quando coloquei as mãos no CD do quinteto curitibano.

Esse temor foi desaparecendo a medida que a audição do EP foi se dando. Óbvio, não é um trabalho perfeito, pois mesmo que tenhamos músicos experientes na formação, ainda sim se trata de uma banda dando seus primeiros passos. É natural que nessa situação, estejam descobrindo os rumos que desejam seguir e amadurecendo sua sonoridade, nem pode ser diferente disso. A questão é que mesmo assim, nos deparamos com um material que mostra qualidade e muito potencial para crescimento. Musicalmente, trafegam entre o Heavy e o Hard, com algumas outras influências salpicadas aqui e ali. O instrumental apresentado é muito bom, com as guitarras nos entregando bons riffs e melodias, além de solos de qualidade inquestionável. A parte rítmica mostra boa técnica e é a responsável por imprimir peso as canções. Quanto aos vocais, trafegam entre tons mais limpos e aquela rouquidão que em alguns momentos, pode remeter o ouvinte ao Motörhead. É legal, mas a verdade é que em alguns momentos, acaba não funcionando 100%.


De cara, temos a motörheadiana “Disorder”, um Heavy veloz com pitadas de Thrash, vocais sujos, guitarras ríspidas e um belo solo, algo que observamos em todas as canções daqui para frente. Sem dúvida, um dos grandes destaques desse EP. Na sequência, a mais cadenciada “Quietus”, com bons riffs, bom trabalho de guitarra e bastante peso. Aqui, em alguns momentos, o vocal destoa um pouco do instrumental, algo que já citei lá acima, mas não é nada que alguns ajustes não resolvam. Isso também ocorre na canção seguinte, “No Garden”, o que faz dela um pouco cansativa em certos momentos, mas nada que as passagens mais grooveadas de guitarra que surgem aqui e ali não resolvam. Ainda com uma pegada mais cadenciada, temos “Dissolution”, mais densa e pesada, mas com boas melodias, e encerrando, “Mucamba”, um Hard/Heavy bem direto e onde voltam a apostar um pouco mais na velocidade em alguns momentos. Aqui o vocal funcionou muito bem.

A produção ficou a cargo da banda, com a mixagem e a masterização sendo realizadas por Paulo Bueno (Motorocker, Cadillac Dinossauros). O resultado é bom e ficou dentro da média, com instrumentos claros, audíveis, certa crueza e boa dose de organicidade. A capa é obra de Jean Michel, que já trabalhou com nomes como Metal Church, Keep of Kalessin e Michael Sweet. Apresentando um potencial de crescimento latente, o Dogma Blue é um nome que merece ser observado bem de perto nos próximos anos, pois com o tempo, tem tudo para se firmar entre os principais nomes do estilo no país. Tudo é uma questão de aparar algumas arestas.

NOTA: 7,9

Dogma Blue é:
- Marcelo Paes (vocal)
- Tales Ribeiro (guitarra)
- Rodrigo Kolb (guitarra)
- Roberto Greboggy (baixo)
- André Prevedello (bateria)

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
Spotify

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

The Rods - Brotherhood of Metal (2019)


The Rods - Brotherhood of Metal (2019)
(SPV/Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


01. Brotherhood of Metal
02. Everybody's Rockin'
03. Smoke on the Horizon
04. Louder Than Loud
05. Tyrant King
06. Party All Night
07. Tonight We Ride
08. 1982
09. Hell on Earth
10. The Devil Made Me Do It
11. Evil in Me

O que seria uma banda cult? Um nome pouco ou totalmente desconhecido do grande público, mas com trabalhos de qualidade inegável? Bandas que apesar de pouco conhecidas, influenciaram toda uma cena surgida posterior a sua existência? Qualquer banda dos anos 80, de qualidade ou não, que tenha fracassado fragorosamente, mas tenha resolvido voltar nos dias atuais? Conheço diversas definições para o termo. Não sei se para o caro leitor, alguma dessas definições se encaixa nesse caso, mas eu sempre enxerguei o The Rods como uma banda cult. Surgida em 1980, teve entre seus fundadores, o vocalista e guitarrista David "Rock" Feinstein, primo de ninguém menos que Ronnie James Dio, com que tocou junto no ELF, e foi responsável por um dos álbuns mais legais e clássicos da primeira metade dos anos 80, o ótimo Wild Dogs (82).

Mas esse não foi o único acerto do The Rods nos anos 80. Praticando um Heavy/Hard de muita qualidade, com alguns elementos do que viria a ser a vertente americana do Power Metal, foram responsáveis por outros grandes álbuns, como In The Raw (83) e Let Them Eat Metal (84). Em 1987, o The Rods encerrou suas atividades, mas dentro da onda de reuniçoes ocorrida nos últimos anos, retornaram no ano de 2010. Desde então esse é o seu terceiro trabalho de estúdio. Em Brotherhood of Metal, o trio formado por David "Rock" Feinstein (guitarra, vocal), Garry Bordonaro (baixo, vocal) e Carl Canedy (bateria, vocal), não inventa e mantém os dois pés muito bem fincados na sonoridade oitentista. Até a capa é uma releitura mais moderna da de Wild Dogs. Então se procura modernidade, esse não é um trabalho indicado para você.


“Brotherhood of Metal” abre os trabalhos com um bom trabalho de guitarra, riffs fortes e solo de qualidade, sendo seguida por “Everybody's Rockin'”, um Hard/Heavy que mescla muito bem aquele som do início dos anos 80 com o Classic Rock tipicamente “rainbowniano”. “Smoke on the Horizon” é mais uma que se destaca pelos riffs, e tem aquele Hammond chupado do Deep Purple, e que funciona muito bem. O início de “Louder Than Loud” me remeteu diretamente a Dio, enquanto “Tyrant King” poderia ser uma música do Judas Priest, dado a semelhança do trabalho de guitarra. Tipton e Downing certamente abririam um sorriso a escutando. “Party All Night” tem uma pegada bem Hard e baixo grooveado, “Tonight We Ride” Soa como um encontro de Saxon com Priest, e a nostálgica “1982” - ano em que Wild Dogs foi lançado – traz boas guitarras e uma letra que conta a história da banda. A sequência que encerra o álbum é composta por “Hell on Earth”, outra com forte influência de Judas e um bom refrão, “The Devil Made Me Do It”, com uma pegada mais Hard, e a épica “Evil in Me”, que se destaca pelos ótimos riffs.

A produção é da própria banda, com mixagem e masterização realizadas por Chris Collier (Last in Line, Metal Church, Prong, Riot Y). O resultado é muito bom, pois apesar de toda a clareza, não descaracterizou o som da banda, mantendo aquela aura oitentista, mas sem soar datada. Já a capa, como já dito, uma releitura do que vemos em Wild Dogs, foi obra de Eric Philippe (Rhapsody of Fire, Sonata Arctica, Stratovarius, Virgin Steele). Sem reinventar nada e entregando aos seus fãs exatamente o que eles esperam, o The Rods lança mais um bom trabalho, que agrega qualidade a sua discografia e vai agradar em cheio a todos os headbangers mais saudosistas.

NOTA: 80

The Rods é:
- David “Rock” Feinstein (guitarra/vocal)
- Garry Bordonaro (baixo/vocal)
- Carl Canedy (bateria/vocal)

Homepage
Facebook
YouTube
Spotify

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)


Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Unbroken
02. No More Hollywood Endings
03. Eden
04. Unfairy Tales
05. Endless Summer
06. The Hero
07. Piece of Me
08. I Wish
09. Raise Your Fists
10. The Golden Horde
11. World on Fire
12. Bent and Broken (bônus track)
13. My Last Dream (bônus track)

Desde que surgiu para o mundo, como vencedor do Wacken Metal Battle Contest, em 2010, o Battle Beast começou sua escalada progressiva rumo ao topo, com 3 ótimos álbuns, Steel (11), Battle Beast (13) e Unholy Savior (15). Infelizmente, naquele que parecia o seu melhor momento, o guitarrista e principal compositor, Anton Kabanen, rompeu com a banda alegando divergências irremediáveis, e partiu para um novo projeto, o Beast in Black. As inseguranças e dúvidas geradas com sua partida e em como a banda lidaria com isso, começaram a ser dissipadas com o bom Bringer of Pain (17), seu trabalho mais acessível até então, dadas as doses maiores de influências Pop e Hard/AOR. O peso continuava lá, mas o caminho futuro estava mais que indicado.

Dessa forma, No More Hollywood Endings, seu 5º trabalho de estúdio, é um passo mais do que lógico e esperado, e não deve surpreender ninguém o fato de ser ainda mais acessível e comercial que seu antecessor. Mas calma, isso não quer dizer que a banda abandonou suas raízes metálicas, pois elas ainda se fazem muito presentes. A realidade é que o sexteto finlandês consegue unir de forma muito inteligente, peso e acessibilidade, além de claro, qualidade. É como se estivéssemos diante de um híbrido do Nightwish com o Sabaton e o The Night Flight Orchestra. Elementos sinfônicos são utilizados para dar um clima pomposo e épico, enquanto os teclados de Janne Björkroth dão aquele ar de Hard/AOR as canções. Ao mesmo tempo, o peso das guitarras de Juuso Soinio e Joona Björkroth – quando estas suplantam a força dos teclados –, e da parte rítmica de Eero Sipilä (baixo) e Pyry Vikki (bateria), nos fazem lembrar que estamos diante de um álbum de Heavy Metal. Noora Louhimo é um caso a parte, pois seus vocais são o diferencial do Battle Beast, o que os tira da vala das bandas comuns. Poderosa, variada e acima da média, ela é, me perdoem pelo trocadilho, o coração da besta de batalha finlandesa. 


A abertura, com “Unbroken”, deixa bem clara a proposta atual do Battle Beast. Os elementos sinfônicos dão pompa a canção, as guitarras transmitem energia, peso, enquanto os teclados nos jogam em uma espiral de Hard/AOR, tudo isso acompanhado de um refrão grudento. Se eu tivesse que definir o álbum em apenas uma música, essa seria minha escolha. A cativante “No More Hollywood Endings” se destaca principalmente pelos vocais, melodias marcantes e bom uso dos sintetizadores, enquanto “Eden” é outra que cativa pelas melodias, pela intensidade e pelo peso, já que é um desses momentos onde as guitarras suplantam os teclados. E o refrão, é desses para cantar juntos. Os anos 80 surgem com toda força nas duas canções seguintes, “Unfairy Tales”, com uma leve pegada mais pop, e principalmente com “Endless Summer”, uma daquelas baladas cafonas que as bandas de Glam do período faziam com perfeição. O diferencial é que os vocais de Noora salvam a música da breguice. “The Hero” é uma canção forte, com boas guitarras e teclados, enquanto a ótima “Piece of Me”, com seus vocais mais agressivos e ótimos riffs, me remeteram aos melhores momentos da carreira solo de Doro. “I Wish” é uma balda com certa pompa e melancolia, mas que não empolga muito; “Raise Your Fists” é um Heavy correto e com bons riffs, enquanto a bombástica “The Golden Horde” nos remete as raízes Power Metal da banda. Encerrando a versão normal do álbum, temos “World on Fire”, com sua boa energia e melodias cativantes. A versão nacional ainda conta com mais 2 faixas, que saíram na versão em digipack europeia, a açucarada “Bent and Broken”, e a forte “My Last Dream”.

A produção e mixagem foram realizadas por Janne Björkroth, enquanto a masterização ficou por conta de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Entombed A.D., Sonata Arctica), que já havia trabalhado com a banda em seu debut, Steel. O resultado é muito bom, já que aliou uma clareza cristalina com peso, sem deixar aquele ar artificial. Já a capa e todo o layout do encarte, foi mais uma vez obra de Jan "Örkki" Yrlund (Delain, Impaled Nazarene, Korpiklaani, Manowar). Conseguindo equilibrar seu lado mais pesado com o mais acessível, o Battle Beast prova de uma vez por todas com No More Hollywood Endings, que consegue sim, caminhar muito bem sem a força criativa de Anton Kabanen. Mostrando muito daquela força e energia do passado – mesmo com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns –, um futuro muito promissor se descortina diante dos olhos do sexteto finlandês. Agora, é esperar o próximo passo e descobrir se conseguem manter o nível aqui apresentado.

NOTA: 84

Battle Beast é:
- Noora Louhimo (vocal);
- Juuso Soinio (guitarra);
- Joona Björkroth (guitarra);
- Eero Sipilä (baixo);
- Janne Björkroth (teclado);
- Pyry Vikki (bateria).

Homepage
Twitter
Instagram
Facebook
YouTube
Spotify



quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Spotify

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)


Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)
(Independente - Nacional)


01. Dawnland
02. Tracking the Great Spirit
03. Inner Vision
04. The Scout
05. Prophecy of the Red Skies
06. Distorted Reflection
07. Arrive, Survive, Awaken, Thrive
08. Palaver
09. Stalking Wolf

Surgido em Portland, nos Estados Unidos, no ano de 2008, o Sunrunner se consolidou com o lançamento de 3 bons álbuns, Eyes of the Master (11), Time in Stone (13) e Heliodromus (15). Genericamente poderíamos rotulá-los como Prog Metal, mas isso seria limitar ao extremo uma música que vai muito além disso. Ao estilo já citado, adicionam generosas doses de Classic Rock, Heavy Tradicional, Rock Progressivo e até mesmo toques de Jazz e Folk, fugindo completamente daquela fórmula batida adotada por muitos, que optam por emular nomes como Dream Theater e Symphony X. As referências aqui são grupos como Black Sabbath, Thin Lizzy, Iron Maiden, Jethro Tull, Rush e Yes, o que acaba dando um ar mais retrô a sua sonoridade, sendo esse o grande diferencial da banda.

Além de marcar a estreia do vocalista brasileiro Bruno Neves, que se junta ao trio original composto por Joe Martignetti (guitarra), David Joy (baixo) e Ted MacInnes (bateria), Ancient Arts of Survival se mostra um trabalho mais direto, pesado e menos experimental que seu antecessor,  Heliodromus. Mas não se engane, pois, o Sunrunner em momento algum renuncia a atmosferas mais densas e intrincadas, mas o faz através de guitarras bem pesadas, que transbordam energia. Os vocais de Bruno se mostram fortes, melódicos e bem emocionais, apesar de em alguns momentos, sofrer um pouco com a produção, algo que vou me aprofundar um pouco mais a frente. Joe executa um trabalho primoroso com sua guitarra, entregando riffs de qualidade e solos bem interessantes, enquanto o poderoso baixo de David e a precisa bateria de Ted, dão a música do quarteto, a diversidade que ela necessita.


Logo após a curtíssima “Dawnland”, com elementos de Folk e que serve de introdução, temos a ótima “Tracking the Great Spirit”, pesada, com ótimos riffs e saída diretamente dos anos 70, soando como uma mescla de Black Sabbath com Rush. “Inner Vision” trafega pelo Heavy Metal e esbanja peso nas guitarras, mas sem abrir mão de elementos do Progressivo e até mesmo algumas breves passagens jazzisticas, que são um belo diferencial. A ótima “The Scout” não esconde as influências de NWOBHM, enquanto a épica “Prophecy of the Red Skies” é muito bem-arranjada, além de se destacar pelas ótimas linhas de baixo. “Distorted Reflection” é um breve interlúdio acústico, sendo seguida por “Arrive, Survive, Awaken, Thrive”, uma instrumental sombria, com um clima setentista e que abusa da densidade, algo que também observamos em “Palaver”. Encerrando, com seus quase 20 minutos de duração, a bombástica “Stalking Wolf”, onde conseguem mesclar com muita precisão, Heavy, Progressivo, Folk e até mesmo Power Metal.

Os instrumentais e vocais de apoio foram gravados no Acadia Recording Company, em Portland, Estados Unidos, com produção de Joe Martignetti, enquanto os vocais tiveram seu processo de gravação e produção executados no Brasil, no Stone Studio, em Frutal, Minas Gerais, por Lucas Heitor. O resultado em si, soa bem orgânico e com uma pegada mais analógica, que foge das produções plastificadas dos dias atuais. Faço apenas uma pequena ressalva na questão dos vocais. Por mais que Bruno seja um ótimo vocalista, em alguns momentos tive a sensação de pequena defasagem na produção dos seus vocais, se comparada ao restante do disco. Nada que no fim, comprometa o resultado, e que provavelmente se deu pelo fato dos processos ocorrerem em países diferentes. A bela capa é obra de Jan Michael Barlow. Ao final, temos em mãos um belíssimo álbum de Heavy Metal, que procura fugir dos clichês que nos acostumamos a ouvir por aí, e que se utiliza bem de diversas referências para criar uma sonoridade própria. Altamente recomendado.

NOTA: 84

Sunrunner é:
- Bruno Neves (vocal);
- Joe Martignetti (guitarra);
- David Joy (baixo);
- Ted MacInnes (bateria).

Homepage
Facebook
YouTube
Instagram
Spotify


sábado, 5 de outubro de 2019

Blasphematorium - Blasphematorium (2019)


Blasphematorium - Blasphematorium (2019)
(Tales From The Pit Records/Your Poison Records/Violent Records/Steel Sword Records/Tevas Nascemos Distro/Underground Voice Records/Totem Records)


01. The Four Horsemen
02. Monolith to Foolishness
03. Decay of Men
04. Found in the Dark
05. Fornication Be Thy Name
06. The Blasphematorium
07. The Dark Council

Em um mundo cada vez mais midiático, existem artistas que optam por manter suas identidades ou rostos em segredo. Talvez o maior exemplo disso, atualmente, seja Banksy. No meio da música, isso nunca foi novidade, já que no passado, nomes como Kiss e Daft Punk, e mais recentemente, o Slipknot, se utilizaram por um tempo desse estratagema. Marketing, uma forma de focar apenas na arte, um ato de resistência em uma realidade recheada de subcelebridades, ou simples escolha artística? Não existe uma resposta exata para tal fato. Onde quero chegar com isso tudo? Surgido no ano de 2018, em São Paulo, o Blasphematorium é mais um nome que opta pelo anonimato, já que seus músicos não só escondem seus nomes por detrás de pseudônimos, como também seus rostos são um mistério.

Musicalmente, sua sonoridade é muito bem definida, e remete diretamente ao que convencionou-se chamar de 1ª geração do Black Metal, ou seja, aquelas bandas que mesclavam estilos como o Heavy Tradicional e o Speed Metal, usando de uma estética anticristã. O resultado é uma música veloz, abrasiva e muito pesada, com vocais mais urrados, guitarras com riffs ríspidos, um baixo marcante e uma bateria muito boa. Além disso, elementos daquele Doom mais épico e tradicional, que remetem diretamente ao Cirith Ungol, podem ser observados, e ajudam a, em muitos momentos, criar um clima mais sombrio. Em si, o Blasphematorium não apresenta uma sonoridade inovadora, mas consegue ter uma identidade própria, não soando como simples cópia de bandas mais consagradas no estilo.


O ataque começa com a apocalíptica “The Four Horsemen”, com claras influências de Metal Tradicional, riffs ríspidos e um belo trabalho da dupla baixo/bateria. “Monolith to Foolishness” é mais cadenciada e possui aqueles riffs cavalgados, bem típicos dos anos 80, além de soar bem sombria, muito pelo belo trabalho vocal. O solo, bem melódico, é outro ponto de destaque e serve de contraponto para a abrasividade das guitarras. “Decay of Men” é outra onde as melodias Heavy se destacam, com ótimos riffs, bases pesadas e um baixo marcante. “Found in the Dark” apresenta guitarras bem ríspidas, além de boas mudanças de tempo, com destaque para as passagens mais cadenciadas, que dão a canção uma aura mais escura. “Fornication Be Thy Name” tem uma pegada bem Metal Tradicional, por mais que trechos mais arrastados tragam um peso maior para a mesma, e entrega não só boas melodias, como também um ótimo solo, sendo seguido pela igualmente melódica “The Blasphematorium”, com seu ótimo trabalho de guitarra. São quase irmãs gêmeas. Encerrando, a arrastada e opressiva “The Dark Council” traz o foco para aquele Doom mais épico.

A produção está totalmente dentro do padrão esperado para a proposta sonora apresentada, já que apesar de deixar os instrumentos bem audíveis, possui a crueza e a aura impura e blasfêmica que a música pede. Isso também pode ser notado na capa, que deixa bem escancarada o que pretendem passar com suas canções. O Blasphematorium não apresenta nenhuma inovação sonora, mas esse em momento algum é o foco da banda, e isso não têm absolutamente nada de errado. Sua maior qualidade é, como já citado, possuir personalidade, já que por mais que em muitos momentos suas influências possam ser notadas, de forma alguma soam como cópia ou emulação. Ríspido, cru e agressivo, foram buscar inspiração nos primórdios do Black Metal, e acabaram por lançar um dos trabalhos nacionais mais legais de 2019.

NOTA: 88

Facebook
YouTube

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lacuna Coil - Black Anima (2019)


Lacuna Coil - Black Anima (2019)
(Century Media Records - Importado)


01. Anima Nera
02. Sword of Anger
03. Reckless
04. Layers of Time
05. Apocalypse
06. Now or Never
07. Under the Surface
08. Veneficium
09. The End Is All I Can See
10. Save Me
11. Black Anima

Sempre existirão os saudosistas para afirmar que nos tempos de Unleashed Memories (01) e Comalies (02), as coisas eram melhores. Sinceramente, não vejo nada de errado nisso, pois música é uma coisa muito pessoal, e a forma como ela atinge cada um vai variar de pessoa para pessoa. Particularmente, até gosto da fase puramente Gothic Metal da banda, por mais que eu visse seu som como algo muito padrão, sem fugir muito do que era apresentado pelos demais nomes da época, ao menos no que tange as atmosferas. Já musicalmente, sempre consegui enxergar algo mais “pop” em sua sonoridade, tanto que achava o Lacuna Coil uma banda “boazinha” demais. Por mais que possuísse aquela aura mais sombria das bandas de Gothic, faltava mais peso e “maldade” para sua música. Friso, isso é uma visão muito particular minha.

Talvez por isso, eu não tenha me sentido tão incomodado com as mudanças implementadas pós-Comalies, tanto que meu maior problema com Karmacode (06) e Shallow Life (09) não se dá pela sonoridade mais moderna e “americanizada”, mas sim pelas composições pouco inspiradas dos mesmos. Vejo ambos como trabalhos de transição, onde os italianos estavam buscando dar uma cara para sua música. Felizmente, com Dark Adrenaline, as coisas começaram a se acertar e, aos poucos, o Lacuna Coil foi se encontrando. Evoluir nunca é simples, sempre vai existir uma parcela de dor no processo, e quando se trata de música, a coisa se maximiza, pois, você não lida apenas com suas próprias emoções, mas também com as dos fãs. Obviamente esse processo de amadurecimento não foi simples para nenhum dos lados, e marcas ficaram.


A partir de Broken Crown Halo (14), o Lacuna Coil foi trazendo gradativamente, elementos de seu passado de volta, mas sem renunciar as suas convicções musicais. Isso acabou gerando aquele que, para mim, não só é seu trabalho mais pesado e sombrio, mas também o melhor, Delirium (16). É ele o ponto de partida para o que escutamos em Black Anima. Reforçando ainda mais essa proposta, que reúne o Groove, agressividade e peso atual, com aquele clima mais dark de outrora, acabam obtendo um resultado que vai além do seu antecessor, em todos os sentidos. Podemos observar, por exemplo, que Andrea está cantando ainda mais agressivo, enquanto Cristina consegue soar ainda mais épica em alguns momentos, sem abrir mão da introspecção em diversas passagens. A guitarra de Diego Cavallotti é responsável por bons riffs e solos, além de soar muito pesada, peso esse que também se faz muito presente na parte rítmica, com o sempre competente Marco Coti-Zelati e o estreante Richard Meiz na bateria. Aliás, esse último foi uma belíssima aquisição para a banda, e substitui Ryan Folden a altura.

Em entrevista recente, Cristina disse que Black Anima foi todo composto durante a turnê, e considerando que as canções que mais gostam de tocar nos shows são justamente as mais pesadas, ele naturalmente acompanhou essa pegada. Fora isso, do ponto de vista lírico, abordaram as dificuldades, dores e perdas que todos temos na vida. O resultado é algo denso, agressivo e muito enérgico, que se reflete no clima gerado pelas canções. Aqui vemos o lado mais sombrio e obscuro da alma do Lacuna Coil, e acreditem, isso é muito bom. A pegada mais atual, com elementos de Modern Metal e Groove continua forte e muito presente, mas ouso dizer que algumas canções aqui poderiam estar em trabalhos mais antigos da banda. Esse é um aspecto que pode vir a agradar um pouco aqueles que são mais saudosistas e ainda não desistiram da banda. Cabe dizer que mesmo esses momentos, soam atuais, já que a banda dá a sua roupagem atual para tais canções.

“Anima Nera” soa mais como um prelúdio, com a voz de Cristina e um instrumental despido de peso ao fundo. Ainda sim, consegue criar um clima sombrio, preparando o ouvinte para o que vem pela frente. “Sword of Anger” faz jus ao seu título, ejá incia com Andrea rosnando de forma furiosa. Aliás, cabe notar que seus vocais mais limpos se fazem cada vez menos presentes. Em alguns momentos ocorrem duetos entre ele e Cristina, que soam bem legais, e o clima de raiva que emana da canção é ótimo. Na sequência, temos os dois singles já lançados pela banda. Em primeiro lugar, temos a ótima “Reckless”, com um bom trabalho vocal de Scabbia, refrão marcante, guitarras pesadas e um ótimo solo, e depois a raivosa “Layers of Time”, onde passagens mais rápidas alternam com outras mais cadenciadas, além de possuir uma bateria brutal. “Apocalypse” é a primeira das canções aqui presentes que remetem ao passado da banda, e poderia muito bem, estar presente em um dos 3 primeiros álbuns, dado seu clima denso e pegada mais dark.


Não se deixe enganar pelo começo mais melancólico de “Now or Never”, pois não demorar muito para ela explodir em peso, com destaque para o trabalho dos vocais, guitarra e bateria, sendo seguida pela acelerada “Under the Surface” e seus bons riffs. “Veneficium” é outra que vai remeter os ouvintes ao passado da banda, com seu clima denso, seu peso arrastado, sua atmosfera operística – enriquecida pelos coros em latim – e a sensação de dor que transmite. É sem dúvida, uma das melhores canções que o Lacuna Coil fez em sua carreira de mais de 2 décadas. “The End Is All I Can See”, é arrastada, profunda e chega a soar opressiva em alguns momentos, ainda que seja a que menos empolga em todo o álbum. Ainda sim, isso não é nenhum demérito. Na sequência que encerra o trabalho, mais uma faixa bem acelerada, “Save Me”, com boas guitarras e uma bateria bem pesada, e a assustadora e arrastada “Black Anima”, com suas melodias ameaçadoras e vocais agressivos de Andrea.

Partindo do princípio de que time que se ganha, não se mexe, optaram por repetir o que já havia dado certo em Delirium. Sendo assim, a produção ficou a cargo de Marco Coti-Zelati, coma mixagem sendo realizada por Marco Barusso, e masterização por Marco D'Agostino. O resultado é ótimo, já que conseguiu aliar clareza, peso, agressividade e organicidade. Já a bonita capa foi obra de Micah Ulrich. Durante toda a sua carreira, o Lacuna Coil primou por fazer o que tinha vontade, e isso deu a eles o direito de poder se aventurar por novos territórios, sem medo de julgamentos que pudessem vir a sofrer. Black Anima é o resultado direto disso. Esse não é um álbum fácil, que vai conquistar o ouvinte com a facilidade de seu antecessor,e em se tratando de música, algo muito pessoal e que mexe com emoções, certamente causará reações divergentes. Mostrando diversidade, e apresentando uma música pesada e sombria, alcançaram, no meu ponto de vista, o melhor resultado de sua carreira, e vão agradar em cheio os que apreciam um Metal com pegada mais moderna. Já os mais saudosistas, bem, esses terão que continuar sonhando com um retorno puro as raízes.

NOTA: 87

Lacuna Coil é:
- Christina Scabbia (vocal);
- Andrea Ferro (vocal);
- Diego Cavallotti (guitarra);
- Marco Coti-Zelati (baixo/teclado);
- Richard Meiz (bateria).

Homepage
Instagram
Facebook
Twitter


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Die Apokalyptischen Reiter - Der Rote Reiter (2017)


Die Apokalyptischen Reiter - Der rote Reiter (2017)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Wir sind zurück
02. Der rote Reiter
03. Auf und nieder
04. Folgt uns
05. Hört mich an!
06. The Great Experience of Ecstasy
07. Franz Weiss
08. Die Freiheit ist eine Pflicht
09. Herz in Flammen
10. Brüder auf Leben und Tod
11. Ich bin weg!
12. Ich nehm' dir deine Welt
13. Ich werd' bleiben

Como tudo nesse mundo, o Heavy Metal também foi afetado de diversas formas pela popularização da internet. Uma delas, foi como a música se tornou global, já que hoje, com um simples clique, você consegue ter acesso a bandas dos mais diversos países, mesmo aqueles mais obscuros em se tratando do estilo. Ainda sim, ou talvez por toda essa facilidade, muita coisa acaba passando batida. Esse é o caso dos Cavaleiros do Apocalipse alemães, o Die Apokalyptischen Reiter, que mesmo estando na estrada a quase 25 anos, é quase uma desconhecida fora de seu país de origem. Sendo assim, cabe uma breve apresentação aos leitores que ainda não tiveram contato com a horda.

Surgido no ano de 1995, no estado da Thuringia, o Die Apokalyptischen Reiter – nome alemão para os 4 Cavaleiros do Apocalipse –, lançou seu debut, Soft & Stronger, em 1997. Na sequência, emplacaram mais 2 álbuns, Allegro Barbaro (99) e All You Need Is Love (00). Sua música tinha os pés bem fincados no Death Metal Melódico, mas abria espaço para elementos Folk que ajudavam a diferenciar a banda. Com a boa repercussão, assinaram um contrato com a Nuclear Blast, fato que marcou uma virada em sua história, já que as mudanças foram muito mais profundas do que uma simples troca de gravadora. Sua estreia na nova casa, Have I Nice Trip (03), deu início a um processo de evolução sonora, onde outros estilos foram sendo agregados a sua base Death, gerando algo que hoje é difícil de rotular. Os lançamentos seguintes, Samurai (04), Riders on the Storm (06), Licht (08), Moral & Wahnsinn (11) e Tief. Tiefer (14), não só consolidaram tal sonoridade, como também os colocaram entre os maiores nomes da música pesada alemã.

Musicalmente falando, gosto de chamar o Die Apokalyptischen Reiter – em tom de brincadeira, vale dizer – de Caos Metal. O termo caos pode soar um tanto negativo para quem lê, mas vejo como algo positivo, pois disse Nietzsche, “é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz a uma estrela cintilante.”. É exatamente isso que o quinteto formado por Fuchs (vocal/guitarra), Ady (guitarra), Volk-Man (baixo), Dr. Pest (teclado) e Sir G. (bateria) faz. Misturando elementos de Heavy, Death, Folk, Power, Thrash, Neu Deutsche Harte, Metal Sinfônico, e até mesmo Jazz, criam uma música criativa, melódica, cativante e que prima pela versatilidade. Vindo de um álbum que preocupou os fãs, não por ser propriamente fraco, mas por ser irregular, precisavam provar que não haviam perdido a mão. Der rote Reiter prova que continuam afiados, já que mesmo com uma pequena queda de qualidade no final, conseguem manter um nível muito alto nas composições.


De cara, temos a rápida e cativante “Wir sind zurück”, com boas melodias e um refrão marcante, sendo seguida pela sombria “Der rote Reiter”, que soa, sem brincadeira, como se o Amon Amarth estivesse fazendo uma jam com o Rammstein. Aqui elementos de Death se misturam com NDH gerando uma canção pesada, bruta e densa. “Auf und nieder” tem uma pegada mais Rock, cercada por uma certa aura Folk e um refrão que cativa com facilidade; “Folgt uns” remete ao passado Death da banda, com ótimas melodias e riffs, além de possuir um belo solo, enquanto “Hört mich an!” volta a misturar elementos mais extremos com aquele Metal Industrial tipicamente alemão, e os vocais de Fuchs remetendo aos de Till Lindemann em alguns momentos. “The Great Experience of Ecstasy” mistura brutalidade com alguns elementos sinfônicos nos vocais e no instrumental, que a tornam um dos pontos altos de todo o trabalho. “Franz Weiss” carrega mais no Folk Metal, assim como “Die Freiheit ist eine Pflicht”, mas essa trazendo para si alguns elementos de NDH. “Herz in Flammen” apresenta guitarras com riffs típicos do Death Melódico; “Brüder auf Leben und Tod” esbanja peso e agressividade, e “Ich bin weg!” tem guitarras cativantes e um pé no Punk. Na sequência final, duas faixas bem sombrias e melancólicas, “Ich nehm' dir deine Welt” e “Ich werd' bleiben”.

A produção ficou a cargo do trio composto por Fuchs, Alexander Dietz (Deep Purple, Gamma Ray, Heaven Shall Burn) e Eike Freese (Dark Age, Hansen & Friends, Myrath), sendo que os dois últimos também foram responsáveis pela mixagem e masterização. Tudo claro, limpo, agressivo e audível, já que apesar de muita coisa acontecer ao mesmo tempo, o ouvinte consegue distinguir tudo com clareza. Já a capa foi obra de Fuchs e Patrick Wittstock (Deadlock, Heaven Shall Burn, Scar Symmetry). É o melhor trabalho dos alemães? Ainda penso que esse título pertence dobradinha formada por Samurai (04) e Riders on the Storm (06), mas Der rote Reiter recoloca o Die Apokalyptischen Reiter no caminho certo, e se apresenta como uma ótima porta de entrada para quem ainda não conhece a banda.

NOTA: 84

Die Apokalyptischen Reiter é:
- Fuchs (vocal/guitarra)
- Ady (guitarra)
- Volk-Man (baixo)
- Dr. Pest (teclado)
- Sir G. (bateria)

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram



quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Axecuter - Surrounded by Decay (2019)


Axecuter - Surrounded by Decay (2019)
(VSF Records - Nacional)


01. Surrounded By Decay
02. Rise and Fall
03. Separate Ways
04. Darkness In Bottles
05. Dying Source
06. Collecting Enemies
07. Darwin was Right
08. Metal in Wrong Hands
09. Spend The Dollar
10. Passage Back To Hell

Surgida no ano de 2010, em Curitiba/PR, a Axecuter se tornou com o passar dos anos, uma das principais referências do cenário nacional quando falamos de bandas com aquela pegada mais oitentista, graças a sua mescla de Metal Tradicional, Power/Speed e Thrash Metal. Nesses 9 anos, além do debut, Metal Is Invincible  (13), lançaram alguns EP’s, splits e o ao vivo A Night of Axecution (18), consolidando sua sonoridade, e os levando até o ponto onde se encontram hoje, com o segundo trabalho, Surrounded by Decay. Esse é sem dúvida alguma, seu álbum mais maduro até então, e a prova cabal de que amadurecimento não significa perder suas características, como muitos por aí acreditam.

Todas aquelas características que nos acostumamos a escutar nos lançamentos do Power Trio formado por Danmented (vocal/guitarra), Rascal (baixo) e Verdani (bateria), continuam presentes, transformando sua audição em uma verdadeira viagem aos anos 80. Caso você nunca tenha escutado o Axecuter, vai se deparar com uma mescla daquela sonoridade europeia de nomes como Venom, Kreator, Sodom e Celtic Frost, com aquele som mais típico de bandas americanas e canadenses do período, como o Razor, Exciter, Cirith Ungol e Manilla Road – a banda já contou com participações especiais de nomes como o saudoso Mark Shelton, Mantas e Tony Dolan em trabalhos anteriores –, só que dessa vez acrescido, de uma dose de boas melodias, oriundas de grupos como Grave Digger e Running Wild.


Após a ótima instrumental “Surrounded By Decay”, temos a diversificada Rise and Fall, com seus bons riffs, ótimo trabalho de baixo, e um pé bem fincado naquela sonoridade germânica típica do Sodom e do Kreator. “Separate Ways” tem uma pegada mais Heavy/Speed, se mostrando bem variada e destacando o trabalho de Verdani, a rápida “Darkness In Bottles” tem algo de Kreator, graças aos vocais de Danmented e “Dying Source”, apesar da fúria presente nos riffs, apresenta um solo bem melódico, e muito bom. O Thrash surge com toda a sua força em “Collecting Enemies”, uma dessas canções moldadas para quebrar pescoços, sendo seguida pela pesada “Darwin was Right”, com um ótimo refrão. A ótima e cadenciada “Metal in Wrong Hands” é outra com refrão de fácil assimilação; “Spend The Dollar” se mostra bem direta, e encerrando o trabalho, temos a épica e diversificada “Passage Back To Hell”.

A produção de Ivan Pellicciotti (Vulcano, Surra, Great Vast Forest, Chemical Disaster) é a prova que sim, existem formas de aliar uma produção com uma pegada oitentista e orgânica, com a clareza das produções atuiais. A capa – reparem na alfinetada dada não só nas fases atuais de bandas clássicas, como no momento atual de nosso cenário –, foi uma obra conjunta de Marcio Aranha (Blasthrash, Heritage, Woslom) e Paulo Kalvo, como o encarte sendo elaborado por Thiago Boller (Em Ruínas, Vingança Suprema, Abatter). Mantendo a sinceridade e a paixão de sempre pelo Metal oitentista, e evoluindo, mas sem abrir mão um milímetro sequer de suas convicções, o Axecuter se mostra em seu melhor momento, sendo responsável por um dos principais lançamentos do Metal Nacional nesse ano de 2019. Imperdível!

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

Facebook
Bandcamp
YouTube

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)



Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)
(Independente – Nacional)


CD 01
01. Death Chaos – Through the Eyes of Brutality
02. Ravenous Mob – The Enemy Undying
03. Living Louder – The Crow
04. Reffugo – Reffugo
05. Born To Kill – Goodbye Soldier
06. WarAge – Torture
07. Rhegia – Shadow Warrior
08. Lusferus – Luciférico Hino
09. Anguere – Cadeia
10. Tiberius Project – You Bitch!
11. Libertad – Closed Fists
12. Sentinelas do Rei – Rios do Deserto
13. Novo Chão – Terra Dos Homens
14. War Machine – A New Kind
15. War Eternal – Burning Alive

CD 02
01. Krakkenspit – Fear My Name
02. Medicine For Pain – Vendida Como Bonecas
03. Heavenless – The Reclaim
04. Torturizer – Slaughtersouse
05. DialHard – Now You’re Free
06. Epitah – Something Better Than God
07. Cromata – Resigned in Blood
08. Mamute – The End
09. The Damned Human Flash – Inferno
10. In Soulitary – Hollow
11. LoneHunter – Eternal Time
12. Zero Hora – Batina do Papa
13. CxDxM – Como Um Muro Inatingível
14. Obscured by The Clouds

Nem sempre, quando algo chega ao fim, significa que não tenha dado certo. Após 4 anos e 11 edições, a Coletânea Roadie Metal chega ao seu último volume, mas antes que você, fã de Metal Nacional, comece a se lamentar, adianto que esse fim se refere ao seu atual formato, que está sendo aposentado. Daqui para frente elas serão lançadas apenas digitalmente, e segmentada por regiões – a primeira delas foi voltada para o estado de Goiás –, o que vai permitir a mesma ampliar ainda mais o seu alcance, pois, mais bandas terão a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao público.

No primeiro Cd, algumas bandas dispensam muitas apresentações, pela qualidade demonstrada não só em volumes anteriores, como também por lançamentos próprios. São os casos do Death Chaos (Death Metal), Ravenous Mob (Thrash Metal), Living Louder (Hard Rock), Lusferus (Death/Black), Anguere (Hardcore) e Rhegia (Heavy Metal). Outros nomes que devem ser citados são Reffugo (Death Metal), Born To Kill (Thrash/Heavy) e WarAge (Heavy Metal). Estes se mostram mais do que prontos para voos mais altos, pois, apresentam um trabalho já maduro e com muita qualidade. Mostram a força que o Metal brasileiro possui, e que não ficamos devendo nada ao que é feito ao nível mundial. Um pouco abaixo desses nomes, mas apresentando um trabalho consistente, estão o Thrash Metal do Tiberius Project e do Libertad e o Heavy Metal do War Machine, por mais que esse último ainda emule um pouco além da conta o Iron Maiden. O Death Metal do War Eternal mostra boa qualidade, e com pequenos ajustes pode render ainda mais, enquanto o Heavy Metal do Sentinelas do Rei até tem bons momentos, mas o vocal não funciona muito bem em algumas passagens. O ponto fora da curva aqui é o Novo Chão, que precisa trabalhar melhor sua sonoridade e produção. Existe potencial ali, mas precisa ser melhor prospectado.

No segundo CD, de cara podemos destacar o Heavenless (Death Metal) e In Soulitary (Heavy Metal), duas das melhores bandas de Metal do país. Se destacam muito também Krakkenspit (Heavy Metal), Medicine For Pain (Thrash/Groove), Torturizer (Thrash Metal), DialHard (Hard Rock), Mamute (Doom Metal), The Damned Human Flash (Death Metal), LoneHunter (Symphonic Death Metal) e Zero Hora (Punk Rock). O Epitah (Heavy Metal) mostra um trabalho de qualidade, e podemos dizer que falta muito pouco para consolidar definitivamente seu som, enquanto o Cromata (Death Metal) e o CxDxM (Punk Rock) estão no caminho certo, e mostram possuir boas qualidades. Obscured by The Clouds, por mais que tenha potencial, precisa trabalhar muito, tanto produção quanto sonoridade, e assim lapidar mais o seu Psychodelic Metal, ainda mais se considerarmos o alto nível da cena, no Brasil e no exterior.

A parte gráfica, criada e concebida por Umberto Miller, é muito bem-feita, com destaque para a bela capa e o encarte, onde contam informações de todas as bandas presentes. Já no que tange a produção, por se tratar de uma coletânea, obviamente temos altos e baixos, mas vale dizer que nesse sentido, boa parte dos trabalhos se encontra em um nível bom, e poucos realmente ficam devendo nesse quesito. No fim, temos mais uma bela inciativa da Roadie Metal, que fecha essa etapa de sua história com chave de ouro. Só podemos agradecer pelas mais de 300 bandas apresentadas nesses últimos 4 anos, e desejar que continuem prestando esse belo serviço aos fãs do Metal feito no Brasil.

NOTA: 78

Roadie Metal
Facebook