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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)


Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Unbroken
02. No More Hollywood Endings
03. Eden
04. Unfairy Tales
05. Endless Summer
06. The Hero
07. Piece of Me
08. I Wish
09. Raise Your Fists
10. The Golden Horde
11. World on Fire
12. Bent and Broken (bônus track)
13. My Last Dream (bônus track)

Desde que surgiu para o mundo, como vencedor do Wacken Metal Battle Contest, em 2010, o Battle Beast começou sua escalada progressiva rumo ao topo, com 3 ótimos álbuns, Steel (11), Battle Beast (13) e Unholy Savior (15). Infelizmente, naquele que parecia o seu melhor momento, o guitarrista e principal compositor, Anton Kabanen, rompeu com a banda alegando divergências irremediáveis, e partiu para um novo projeto, o Beast in Black. As inseguranças e dúvidas geradas com sua partida e em como a banda lidaria com isso, começaram a ser dissipadas com o bom Bringer of Pain (17), seu trabalho mais acessível até então, dadas as doses maiores de influências Pop e Hard/AOR. O peso continuava lá, mas o caminho futuro estava mais que indicado.

Dessa forma, No More Hollywood Endings, seu 5º trabalho de estúdio, é um passo mais do que lógico e esperado, e não deve surpreender ninguém o fato de ser ainda mais acessível e comercial que seu antecessor. Mas calma, isso não quer dizer que a banda abandonou suas raízes metálicas, pois elas ainda se fazem muito presentes. A realidade é que o sexteto finlandês consegue unir de forma muito inteligente, peso e acessibilidade, além de claro, qualidade. É como se estivéssemos diante de um híbrido do Nightwish com o Sabaton e o The Night Flight Orchestra. Elementos sinfônicos são utilizados para dar um clima pomposo e épico, enquanto os teclados de Janne Björkroth dão aquele ar de Hard/AOR as canções. Ao mesmo tempo, o peso das guitarras de Juuso Soinio e Joona Björkroth – quando estas suplantam a força dos teclados –, e da parte rítmica de Eero Sipilä (baixo) e Pyry Vikki (bateria), nos fazem lembrar que estamos diante de um álbum de Heavy Metal. Noora Louhimo é um caso a parte, pois seus vocais são o diferencial do Battle Beast, o que os tira da vala das bandas comuns. Poderosa, variada e acima da média, ela é, me perdoem pelo trocadilho, o coração da besta de batalha finlandesa. 


A abertura, com “Unbroken”, deixa bem clara a proposta atual do Battle Beast. Os elementos sinfônicos dão pompa a canção, as guitarras transmitem energia, peso, enquanto os teclados nos jogam em uma espiral de Hard/AOR, tudo isso acompanhado de um refrão grudento. Se eu tivesse que definir o álbum em apenas uma música, essa seria minha escolha. A cativante “No More Hollywood Endings” se destaca principalmente pelos vocais, melodias marcantes e bom uso dos sintetizadores, enquanto “Eden” é outra que cativa pelas melodias, pela intensidade e pelo peso, já que é um desses momentos onde as guitarras suplantam os teclados. E o refrão, é desses para cantar juntos. Os anos 80 surgem com toda força nas duas canções seguintes, “Unfairy Tales”, com uma leve pegada mais pop, e principalmente com “Endless Summer”, uma daquelas baladas cafonas que as bandas de Glam do período faziam com perfeição. O diferencial é que os vocais de Noora salvam a música da breguice. “The Hero” é uma canção forte, com boas guitarras e teclados, enquanto a ótima “Piece of Me”, com seus vocais mais agressivos e ótimos riffs, me remeteram aos melhores momentos da carreira solo de Doro. “I Wish” é uma balda com certa pompa e melancolia, mas que não empolga muito; “Raise Your Fists” é um Heavy correto e com bons riffs, enquanto a bombástica “The Golden Horde” nos remete as raízes Power Metal da banda. Encerrando a versão normal do álbum, temos “World on Fire”, com sua boa energia e melodias cativantes. A versão nacional ainda conta com mais 2 faixas, que saíram na versão em digipack europeia, a açucarada “Bent and Broken”, e a forte “My Last Dream”.

A produção e mixagem foram realizadas por Janne Björkroth, enquanto a masterização ficou por conta de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Entombed A.D., Sonata Arctica), que já havia trabalhado com a banda em seu debut, Steel. O resultado é muito bom, já que aliou uma clareza cristalina com peso, sem deixar aquele ar artificial. Já a capa e todo o layout do encarte, foi mais uma vez obra de Jan "Örkki" Yrlund (Delain, Impaled Nazarene, Korpiklaani, Manowar). Conseguindo equilibrar seu lado mais pesado com o mais acessível, o Battle Beast prova de uma vez por todas com No More Hollywood Endings, que consegue sim, caminhar muito bem sem a força criativa de Anton Kabanen. Mostrando muito daquela força e energia do passado – mesmo com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns –, um futuro muito promissor se descortina diante dos olhos do sexteto finlandês. Agora, é esperar o próximo passo e descobrir se conseguem manter o nível aqui apresentado.

NOTA: 84

Battle Beast é:
- Noora Louhimo (vocal);
- Juuso Soinio (guitarra);
- Joona Björkroth (guitarra);
- Eero Sipilä (baixo);
- Janne Björkroth (teclado);
- Pyry Vikki (bateria).

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)


Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)
(Independente - Nacional)


01. Dawnland
02. Tracking the Great Spirit
03. Inner Vision
04. The Scout
05. Prophecy of the Red Skies
06. Distorted Reflection
07. Arrive, Survive, Awaken, Thrive
08. Palaver
09. Stalking Wolf

Surgido em Portland, nos Estados Unidos, no ano de 2008, o Sunrunner se consolidou com o lançamento de 3 bons álbuns, Eyes of the Master (11), Time in Stone (13) e Heliodromus (15). Genericamente poderíamos rotulá-los como Prog Metal, mas isso seria limitar ao extremo uma música que vai muito além disso. Ao estilo já citado, adicionam generosas doses de Classic Rock, Heavy Tradicional, Rock Progressivo e até mesmo toques de Jazz e Folk, fugindo completamente daquela fórmula batida adotada por muitos, que optam por emular nomes como Dream Theater e Symphony X. As referências aqui são grupos como Black Sabbath, Thin Lizzy, Iron Maiden, Jethro Tull, Rush e Yes, o que acaba dando um ar mais retrô a sua sonoridade, sendo esse o grande diferencial da banda.

Além de marcar a estreia do vocalista brasileiro Bruno Neves, que se junta ao trio original composto por Joe Martignetti (guitarra), David Joy (baixo) e Ted MacInnes (bateria), Ancient Arts of Survival se mostra um trabalho mais direto, pesado e menos experimental que seu antecessor,  Heliodromus. Mas não se engane, pois, o Sunrunner em momento algum renuncia a atmosferas mais densas e intrincadas, mas o faz através de guitarras bem pesadas, que transbordam energia. Os vocais de Bruno se mostram fortes, melódicos e bem emocionais, apesar de em alguns momentos, sofrer um pouco com a produção, algo que vou me aprofundar um pouco mais a frente. Joe executa um trabalho primoroso com sua guitarra, entregando riffs de qualidade e solos bem interessantes, enquanto o poderoso baixo de David e a precisa bateria de Ted, dão a música do quarteto, a diversidade que ela necessita.


Logo após a curtíssima “Dawnland”, com elementos de Folk e que serve de introdução, temos a ótima “Tracking the Great Spirit”, pesada, com ótimos riffs e saída diretamente dos anos 70, soando como uma mescla de Black Sabbath com Rush. “Inner Vision” trafega pelo Heavy Metal e esbanja peso nas guitarras, mas sem abrir mão de elementos do Progressivo e até mesmo algumas breves passagens jazzisticas, que são um belo diferencial. A ótima “The Scout” não esconde as influências de NWOBHM, enquanto a épica “Prophecy of the Red Skies” é muito bem-arranjada, além de se destacar pelas ótimas linhas de baixo. “Distorted Reflection” é um breve interlúdio acústico, sendo seguida por “Arrive, Survive, Awaken, Thrive”, uma instrumental sombria, com um clima setentista e que abusa da densidade, algo que também observamos em “Palaver”. Encerrando, com seus quase 20 minutos de duração, a bombástica “Stalking Wolf”, onde conseguem mesclar com muita precisão, Heavy, Progressivo, Folk e até mesmo Power Metal.

Os instrumentais e vocais de apoio foram gravados no Acadia Recording Company, em Portland, Estados Unidos, com produção de Joe Martignetti, enquanto os vocais tiveram seu processo de gravação e produção executados no Brasil, no Stone Studio, em Frutal, Minas Gerais, por Lucas Heitor. O resultado em si, soa bem orgânico e com uma pegada mais analógica, que foge das produções plastificadas dos dias atuais. Faço apenas uma pequena ressalva na questão dos vocais. Por mais que Bruno seja um ótimo vocalista, em alguns momentos tive a sensação de pequena defasagem na produção dos seus vocais, se comparada ao restante do disco. Nada que no fim, comprometa o resultado, e que provavelmente se deu pelo fato dos processos ocorrerem em países diferentes. A bela capa é obra de Jan Michael Barlow. Ao final, temos em mãos um belíssimo álbum de Heavy Metal, que procura fugir dos clichês que nos acostumamos a ouvir por aí, e que se utiliza bem de diversas referências para criar uma sonoridade própria. Altamente recomendado.

NOTA: 84

Sunrunner é:
- Bruno Neves (vocal);
- Joe Martignetti (guitarra);
- David Joy (baixo);
- Ted MacInnes (bateria).

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sábado, 5 de outubro de 2019

Blasphematorium - Blasphematorium (2019)


Blasphematorium - Blasphematorium (2019)
(Tales From The Pit Records/Your Poison Records/Violent Records/Steel Sword Records/Tevas Nascemos Distro/Underground Voice Records/Totem Records)


01. The Four Horsemen
02. Monolith to Foolishness
03. Decay of Men
04. Found in the Dark
05. Fornication Be Thy Name
06. The Blasphematorium
07. The Dark Council

Em um mundo cada vez mais midiático, existem artistas que optam por manter suas identidades ou rostos em segredo. Talvez o maior exemplo disso, atualmente, seja Banksy. No meio da música, isso nunca foi novidade, já que no passado, nomes como Kiss e Daft Punk, e mais recentemente, o Slipknot, se utilizaram por um tempo desse estratagema. Marketing, uma forma de focar apenas na arte, um ato de resistência em uma realidade recheada de subcelebridades, ou simples escolha artística? Não existe uma resposta exata para tal fato. Onde quero chegar com isso tudo? Surgido no ano de 2018, em São Paulo, o Blasphematorium é mais um nome que opta pelo anonimato, já que seus músicos não só escondem seus nomes por detrás de pseudônimos, como também seus rostos são um mistério.

Musicalmente, sua sonoridade é muito bem definida, e remete diretamente ao que convencionou-se chamar de 1ª geração do Black Metal, ou seja, aquelas bandas que mesclavam estilos como o Heavy Tradicional e o Speed Metal, usando de uma estética anticristã. O resultado é uma música veloz, abrasiva e muito pesada, com vocais mais urrados, guitarras com riffs ríspidos, um baixo marcante e uma bateria muito boa. Além disso, elementos daquele Doom mais épico e tradicional, que remetem diretamente ao Cirith Ungol, podem ser observados, e ajudam a, em muitos momentos, criar um clima mais sombrio. Em si, o Blasphematorium não apresenta uma sonoridade inovadora, mas consegue ter uma identidade própria, não soando como simples cópia de bandas mais consagradas no estilo.


O ataque começa com a apocalíptica “The Four Horsemen”, com claras influências de Metal Tradicional, riffs ríspidos e um belo trabalho da dupla baixo/bateria. “Monolith to Foolishness” é mais cadenciada e possui aqueles riffs cavalgados, bem típicos dos anos 80, além de soar bem sombria, muito pelo belo trabalho vocal. O solo, bem melódico, é outro ponto de destaque e serve de contraponto para a abrasividade das guitarras. “Decay of Men” é outra onde as melodias Heavy se destacam, com ótimos riffs, bases pesadas e um baixo marcante. “Found in the Dark” apresenta guitarras bem ríspidas, além de boas mudanças de tempo, com destaque para as passagens mais cadenciadas, que dão a canção uma aura mais escura. “Fornication Be Thy Name” tem uma pegada bem Metal Tradicional, por mais que trechos mais arrastados tragam um peso maior para a mesma, e entrega não só boas melodias, como também um ótimo solo, sendo seguido pela igualmente melódica “The Blasphematorium”, com seu ótimo trabalho de guitarra. São quase irmãs gêmeas. Encerrando, a arrastada e opressiva “The Dark Council” traz o foco para aquele Doom mais épico.

A produção está totalmente dentro do padrão esperado para a proposta sonora apresentada, já que apesar de deixar os instrumentos bem audíveis, possui a crueza e a aura impura e blasfêmica que a música pede. Isso também pode ser notado na capa, que deixa bem escancarada o que pretendem passar com suas canções. O Blasphematorium não apresenta nenhuma inovação sonora, mas esse em momento algum é o foco da banda, e isso não têm absolutamente nada de errado. Sua maior qualidade é, como já citado, possuir personalidade, já que por mais que em muitos momentos suas influências possam ser notadas, de forma alguma soam como cópia ou emulação. Ríspido, cru e agressivo, foram buscar inspiração nos primórdios do Black Metal, e acabaram por lançar um dos trabalhos nacionais mais legais de 2019.

NOTA: 88

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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lacuna Coil - Black Anima (2019)


Lacuna Coil - Black Anima (2019)
(Century Media Records - Importado)


01. Anima Nera
02. Sword of Anger
03. Reckless
04. Layers of Time
05. Apocalypse
06. Now or Never
07. Under the Surface
08. Veneficium
09. The End Is All I Can See
10. Save Me
11. Black Anima

Sempre existirão os saudosistas para afirmar que nos tempos de Unleashed Memories (01) e Comalies (02), as coisas eram melhores. Sinceramente, não vejo nada de errado nisso, pois música é uma coisa muito pessoal, e a forma como ela atinge cada um vai variar de pessoa para pessoa. Particularmente, até gosto da fase puramente Gothic Metal da banda, por mais que eu visse seu som como algo muito padrão, sem fugir muito do que era apresentado pelos demais nomes da época, ao menos no que tange as atmosferas. Já musicalmente, sempre consegui enxergar algo mais “pop” em sua sonoridade, tanto que achava o Lacuna Coil uma banda “boazinha” demais. Por mais que possuísse aquela aura mais sombria das bandas de Gothic, faltava mais peso e “maldade” para sua música. Friso, isso é uma visão muito particular minha.

Talvez por isso, eu não tenha me sentido tão incomodado com as mudanças implementadas pós-Comalies, tanto que meu maior problema com Karmacode (06) e Shallow Life (09) não se dá pela sonoridade mais moderna e “americanizada”, mas sim pelas composições pouco inspiradas dos mesmos. Vejo ambos como trabalhos de transição, onde os italianos estavam buscando dar uma cara para sua música. Felizmente, com Dark Adrenaline, as coisas começaram a se acertar e, aos poucos, o Lacuna Coil foi se encontrando. Evoluir nunca é simples, sempre vai existir uma parcela de dor no processo, e quando se trata de música, a coisa se maximiza, pois, você não lida apenas com suas próprias emoções, mas também com as dos fãs. Obviamente esse processo de amadurecimento não foi simples para nenhum dos lados, e marcas ficaram.


A partir de Broken Crown Halo (14), o Lacuna Coil foi trazendo gradativamente, elementos de seu passado de volta, mas sem renunciar as suas convicções musicais. Isso acabou gerando aquele que, para mim, não só é seu trabalho mais pesado e sombrio, mas também o melhor, Delirium (16). É ele o ponto de partida para o que escutamos em Black Anima. Reforçando ainda mais essa proposta, que reúne o Groove, agressividade e peso atual, com aquele clima mais dark de outrora, acabam obtendo um resultado que vai além do seu antecessor, em todos os sentidos. Podemos observar, por exemplo, que Andrea está cantando ainda mais agressivo, enquanto Cristina consegue soar ainda mais épica em alguns momentos, sem abrir mão da introspecção em diversas passagens. A guitarra de Diego Cavallotti é responsável por bons riffs e solos, além de soar muito pesada, peso esse que também se faz muito presente na parte rítmica, com o sempre competente Marco Coti-Zelati e o estreante Richard Meiz na bateria. Aliás, esse último foi uma belíssima aquisição para a banda, e substitui Ryan Folden a altura.

Em entrevista recente, Cristina disse que Black Anima foi todo composto durante a turnê, e considerando que as canções que mais gostam de tocar nos shows são justamente as mais pesadas, ele naturalmente acompanhou essa pegada. Fora isso, do ponto de vista lírico, abordaram as dificuldades, dores e perdas que todos temos na vida. O resultado é algo denso, agressivo e muito enérgico, que se reflete no clima gerado pelas canções. Aqui vemos o lado mais sombrio e obscuro da alma do Lacuna Coil, e acreditem, isso é muito bom. A pegada mais atual, com elementos de Modern Metal e Groove continua forte e muito presente, mas ouso dizer que algumas canções aqui poderiam estar em trabalhos mais antigos da banda. Esse é um aspecto que pode vir a agradar um pouco aqueles que são mais saudosistas e ainda não desistiram da banda. Cabe dizer que mesmo esses momentos, soam atuais, já que a banda dá a sua roupagem atual para tais canções.

“Anima Nera” soa mais como um prelúdio, com a voz de Cristina e um instrumental despido de peso ao fundo. Ainda sim, consegue criar um clima sombrio, preparando o ouvinte para o que vem pela frente. “Sword of Anger” faz jus ao seu título, ejá incia com Andrea rosnando de forma furiosa. Aliás, cabe notar que seus vocais mais limpos se fazem cada vez menos presentes. Em alguns momentos ocorrem duetos entre ele e Cristina, que soam bem legais, e o clima de raiva que emana da canção é ótimo. Na sequência, temos os dois singles já lançados pela banda. Em primeiro lugar, temos a ótima “Reckless”, com um bom trabalho vocal de Scabbia, refrão marcante, guitarras pesadas e um ótimo solo, e depois a raivosa “Layers of Time”, onde passagens mais rápidas alternam com outras mais cadenciadas, além de possuir uma bateria brutal. “Apocalypse” é a primeira das canções aqui presentes que remetem ao passado da banda, e poderia muito bem, estar presente em um dos 3 primeiros álbuns, dado seu clima denso e pegada mais dark.


Não se deixe enganar pelo começo mais melancólico de “Now or Never”, pois não demorar muito para ela explodir em peso, com destaque para o trabalho dos vocais, guitarra e bateria, sendo seguida pela acelerada “Under the Surface” e seus bons riffs. “Veneficium” é outra que vai remeter os ouvintes ao passado da banda, com seu clima denso, seu peso arrastado, sua atmosfera operística – enriquecida pelos coros em latim – e a sensação de dor que transmite. É sem dúvida, uma das melhores canções que o Lacuna Coil fez em sua carreira de mais de 2 décadas. “The End Is All I Can See”, é arrastada, profunda e chega a soar opressiva em alguns momentos, ainda que seja a que menos empolga em todo o álbum. Ainda sim, isso não é nenhum demérito. Na sequência que encerra o trabalho, mais uma faixa bem acelerada, “Save Me”, com boas guitarras e uma bateria bem pesada, e a assustadora e arrastada “Black Anima”, com suas melodias ameaçadoras e vocais agressivos de Andrea.

Partindo do princípio de que time que se ganha, não se mexe, optaram por repetir o que já havia dado certo em Delirium. Sendo assim, a produção ficou a cargo de Marco Coti-Zelati, coma mixagem sendo realizada por Marco Barusso, e masterização por Marco D'Agostino. O resultado é ótimo, já que conseguiu aliar clareza, peso, agressividade e organicidade. Já a bonita capa foi obra de Micah Ulrich. Durante toda a sua carreira, o Lacuna Coil primou por fazer o que tinha vontade, e isso deu a eles o direito de poder se aventurar por novos territórios, sem medo de julgamentos que pudessem vir a sofrer. Black Anima é o resultado direto disso. Esse não é um álbum fácil, que vai conquistar o ouvinte com a facilidade de seu antecessor,e em se tratando de música, algo muito pessoal e que mexe com emoções, certamente causará reações divergentes. Mostrando diversidade, e apresentando uma música pesada e sombria, alcançaram, no meu ponto de vista, o melhor resultado de sua carreira, e vão agradar em cheio os que apreciam um Metal com pegada mais moderna. Já os mais saudosistas, bem, esses terão que continuar sonhando com um retorno puro as raízes.

NOTA: 87

Lacuna Coil é:
- Christina Scabbia (vocal);
- Andrea Ferro (vocal);
- Diego Cavallotti (guitarra);
- Marco Coti-Zelati (baixo/teclado);
- Richard Meiz (bateria).

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Die Apokalyptischen Reiter - Der Rote Reiter (2017)


Die Apokalyptischen Reiter - Der rote Reiter (2017)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Wir sind zurück
02. Der rote Reiter
03. Auf und nieder
04. Folgt uns
05. Hört mich an!
06. The Great Experience of Ecstasy
07. Franz Weiss
08. Die Freiheit ist eine Pflicht
09. Herz in Flammen
10. Brüder auf Leben und Tod
11. Ich bin weg!
12. Ich nehm' dir deine Welt
13. Ich werd' bleiben

Como tudo nesse mundo, o Heavy Metal também foi afetado de diversas formas pela popularização da internet. Uma delas, foi como a música se tornou global, já que hoje, com um simples clique, você consegue ter acesso a bandas dos mais diversos países, mesmo aqueles mais obscuros em se tratando do estilo. Ainda sim, ou talvez por toda essa facilidade, muita coisa acaba passando batida. Esse é o caso dos Cavaleiros do Apocalipse alemães, o Die Apokalyptischen Reiter, que mesmo estando na estrada a quase 25 anos, é quase uma desconhecida fora de seu país de origem. Sendo assim, cabe uma breve apresentação aos leitores que ainda não tiveram contato com a horda.

Surgido no ano de 1995, no estado da Thuringia, o Die Apokalyptischen Reiter – nome alemão para os 4 Cavaleiros do Apocalipse –, lançou seu debut, Soft & Stronger, em 1997. Na sequência, emplacaram mais 2 álbuns, Allegro Barbaro (99) e All You Need Is Love (00). Sua música tinha os pés bem fincados no Death Metal Melódico, mas abria espaço para elementos Folk que ajudavam a diferenciar a banda. Com a boa repercussão, assinaram um contrato com a Nuclear Blast, fato que marcou uma virada em sua história, já que as mudanças foram muito mais profundas do que uma simples troca de gravadora. Sua estreia na nova casa, Have I Nice Trip (03), deu início a um processo de evolução sonora, onde outros estilos foram sendo agregados a sua base Death, gerando algo que hoje é difícil de rotular. Os lançamentos seguintes, Samurai (04), Riders on the Storm (06), Licht (08), Moral & Wahnsinn (11) e Tief. Tiefer (14), não só consolidaram tal sonoridade, como também os colocaram entre os maiores nomes da música pesada alemã.

Musicalmente falando, gosto de chamar o Die Apokalyptischen Reiter – em tom de brincadeira, vale dizer – de Caos Metal. O termo caos pode soar um tanto negativo para quem lê, mas vejo como algo positivo, pois disse Nietzsche, “é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz a uma estrela cintilante.”. É exatamente isso que o quinteto formado por Fuchs (vocal/guitarra), Ady (guitarra), Volk-Man (baixo), Dr. Pest (teclado) e Sir G. (bateria) faz. Misturando elementos de Heavy, Death, Folk, Power, Thrash, Neu Deutsche Harte, Metal Sinfônico, e até mesmo Jazz, criam uma música criativa, melódica, cativante e que prima pela versatilidade. Vindo de um álbum que preocupou os fãs, não por ser propriamente fraco, mas por ser irregular, precisavam provar que não haviam perdido a mão. Der rote Reiter prova que continuam afiados, já que mesmo com uma pequena queda de qualidade no final, conseguem manter um nível muito alto nas composições.


De cara, temos a rápida e cativante “Wir sind zurück”, com boas melodias e um refrão marcante, sendo seguida pela sombria “Der rote Reiter”, que soa, sem brincadeira, como se o Amon Amarth estivesse fazendo uma jam com o Rammstein. Aqui elementos de Death se misturam com NDH gerando uma canção pesada, bruta e densa. “Auf und nieder” tem uma pegada mais Rock, cercada por uma certa aura Folk e um refrão que cativa com facilidade; “Folgt uns” remete ao passado Death da banda, com ótimas melodias e riffs, além de possuir um belo solo, enquanto “Hört mich an!” volta a misturar elementos mais extremos com aquele Metal Industrial tipicamente alemão, e os vocais de Fuchs remetendo aos de Till Lindemann em alguns momentos. “The Great Experience of Ecstasy” mistura brutalidade com alguns elementos sinfônicos nos vocais e no instrumental, que a tornam um dos pontos altos de todo o trabalho. “Franz Weiss” carrega mais no Folk Metal, assim como “Die Freiheit ist eine Pflicht”, mas essa trazendo para si alguns elementos de NDH. “Herz in Flammen” apresenta guitarras com riffs típicos do Death Melódico; “Brüder auf Leben und Tod” esbanja peso e agressividade, e “Ich bin weg!” tem guitarras cativantes e um pé no Punk. Na sequência final, duas faixas bem sombrias e melancólicas, “Ich nehm' dir deine Welt” e “Ich werd' bleiben”.

A produção ficou a cargo do trio composto por Fuchs, Alexander Dietz (Deep Purple, Gamma Ray, Heaven Shall Burn) e Eike Freese (Dark Age, Hansen & Friends, Myrath), sendo que os dois últimos também foram responsáveis pela mixagem e masterização. Tudo claro, limpo, agressivo e audível, já que apesar de muita coisa acontecer ao mesmo tempo, o ouvinte consegue distinguir tudo com clareza. Já a capa foi obra de Fuchs e Patrick Wittstock (Deadlock, Heaven Shall Burn, Scar Symmetry). É o melhor trabalho dos alemães? Ainda penso que esse título pertence dobradinha formada por Samurai (04) e Riders on the Storm (06), mas Der rote Reiter recoloca o Die Apokalyptischen Reiter no caminho certo, e se apresenta como uma ótima porta de entrada para quem ainda não conhece a banda.

NOTA: 84

Die Apokalyptischen Reiter é:
- Fuchs (vocal/guitarra)
- Ady (guitarra)
- Volk-Man (baixo)
- Dr. Pest (teclado)
- Sir G. (bateria)

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Axecuter - Surrounded by Decay (2019)


Axecuter - Surrounded by Decay (2019)
(VSF Records - Nacional)


01. Surrounded By Decay
02. Rise and Fall
03. Separate Ways
04. Darkness In Bottles
05. Dying Source
06. Collecting Enemies
07. Darwin was Right
08. Metal in Wrong Hands
09. Spend The Dollar
10. Passage Back To Hell

Surgida no ano de 2010, em Curitiba/PR, a Axecuter se tornou com o passar dos anos, uma das principais referências do cenário nacional quando falamos de bandas com aquela pegada mais oitentista, graças a sua mescla de Metal Tradicional, Power/Speed e Thrash Metal. Nesses 9 anos, além do debut, Metal Is Invincible  (13), lançaram alguns EP’s, splits e o ao vivo A Night of Axecution (18), consolidando sua sonoridade, e os levando até o ponto onde se encontram hoje, com o segundo trabalho, Surrounded by Decay. Esse é sem dúvida alguma, seu álbum mais maduro até então, e a prova cabal de que amadurecimento não significa perder suas características, como muitos por aí acreditam.

Todas aquelas características que nos acostumamos a escutar nos lançamentos do Power Trio formado por Danmented (vocal/guitarra), Rascal (baixo) e Verdani (bateria), continuam presentes, transformando sua audição em uma verdadeira viagem aos anos 80. Caso você nunca tenha escutado o Axecuter, vai se deparar com uma mescla daquela sonoridade europeia de nomes como Venom, Kreator, Sodom e Celtic Frost, com aquele som mais típico de bandas americanas e canadenses do período, como o Razor, Exciter, Cirith Ungol e Manilla Road – a banda já contou com participações especiais de nomes como o saudoso Mark Shelton, Mantas e Tony Dolan em trabalhos anteriores –, só que dessa vez acrescido, de uma dose de boas melodias, oriundas de grupos como Grave Digger e Running Wild.


Após a ótima instrumental “Surrounded By Decay”, temos a diversificada Rise and Fall, com seus bons riffs, ótimo trabalho de baixo, e um pé bem fincado naquela sonoridade germânica típica do Sodom e do Kreator. “Separate Ways” tem uma pegada mais Heavy/Speed, se mostrando bem variada e destacando o trabalho de Verdani, a rápida “Darkness In Bottles” tem algo de Kreator, graças aos vocais de Danmented e “Dying Source”, apesar da fúria presente nos riffs, apresenta um solo bem melódico, e muito bom. O Thrash surge com toda a sua força em “Collecting Enemies”, uma dessas canções moldadas para quebrar pescoços, sendo seguida pela pesada “Darwin was Right”, com um ótimo refrão. A ótima e cadenciada “Metal in Wrong Hands” é outra com refrão de fácil assimilação; “Spend The Dollar” se mostra bem direta, e encerrando o trabalho, temos a épica e diversificada “Passage Back To Hell”.

A produção de Ivan Pellicciotti (Vulcano, Surra, Great Vast Forest, Chemical Disaster) é a prova que sim, existem formas de aliar uma produção com uma pegada oitentista e orgânica, com a clareza das produções atuiais. A capa – reparem na alfinetada dada não só nas fases atuais de bandas clássicas, como no momento atual de nosso cenário –, foi uma obra conjunta de Marcio Aranha (Blasthrash, Heritage, Woslom) e Paulo Kalvo, como o encarte sendo elaborado por Thiago Boller (Em Ruínas, Vingança Suprema, Abatter). Mantendo a sinceridade e a paixão de sempre pelo Metal oitentista, e evoluindo, mas sem abrir mão um milímetro sequer de suas convicções, o Axecuter se mostra em seu melhor momento, sendo responsável por um dos principais lançamentos do Metal Nacional nesse ano de 2019. Imperdível!

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)



Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)
(Independente – Nacional)


CD 01
01. Death Chaos – Through the Eyes of Brutality
02. Ravenous Mob – The Enemy Undying
03. Living Louder – The Crow
04. Reffugo – Reffugo
05. Born To Kill – Goodbye Soldier
06. WarAge – Torture
07. Rhegia – Shadow Warrior
08. Lusferus – Luciférico Hino
09. Anguere – Cadeia
10. Tiberius Project – You Bitch!
11. Libertad – Closed Fists
12. Sentinelas do Rei – Rios do Deserto
13. Novo Chão – Terra Dos Homens
14. War Machine – A New Kind
15. War Eternal – Burning Alive

CD 02
01. Krakkenspit – Fear My Name
02. Medicine For Pain – Vendida Como Bonecas
03. Heavenless – The Reclaim
04. Torturizer – Slaughtersouse
05. DialHard – Now You’re Free
06. Epitah – Something Better Than God
07. Cromata – Resigned in Blood
08. Mamute – The End
09. The Damned Human Flash – Inferno
10. In Soulitary – Hollow
11. LoneHunter – Eternal Time
12. Zero Hora – Batina do Papa
13. CxDxM – Como Um Muro Inatingível
14. Obscured by The Clouds

Nem sempre, quando algo chega ao fim, significa que não tenha dado certo. Após 4 anos e 11 edições, a Coletânea Roadie Metal chega ao seu último volume, mas antes que você, fã de Metal Nacional, comece a se lamentar, adianto que esse fim se refere ao seu atual formato, que está sendo aposentado. Daqui para frente elas serão lançadas apenas digitalmente, e segmentada por regiões – a primeira delas foi voltada para o estado de Goiás –, o que vai permitir a mesma ampliar ainda mais o seu alcance, pois, mais bandas terão a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao público.

No primeiro Cd, algumas bandas dispensam muitas apresentações, pela qualidade demonstrada não só em volumes anteriores, como também por lançamentos próprios. São os casos do Death Chaos (Death Metal), Ravenous Mob (Thrash Metal), Living Louder (Hard Rock), Lusferus (Death/Black), Anguere (Hardcore) e Rhegia (Heavy Metal). Outros nomes que devem ser citados são Reffugo (Death Metal), Born To Kill (Thrash/Heavy) e WarAge (Heavy Metal). Estes se mostram mais do que prontos para voos mais altos, pois, apresentam um trabalho já maduro e com muita qualidade. Mostram a força que o Metal brasileiro possui, e que não ficamos devendo nada ao que é feito ao nível mundial. Um pouco abaixo desses nomes, mas apresentando um trabalho consistente, estão o Thrash Metal do Tiberius Project e do Libertad e o Heavy Metal do War Machine, por mais que esse último ainda emule um pouco além da conta o Iron Maiden. O Death Metal do War Eternal mostra boa qualidade, e com pequenos ajustes pode render ainda mais, enquanto o Heavy Metal do Sentinelas do Rei até tem bons momentos, mas o vocal não funciona muito bem em algumas passagens. O ponto fora da curva aqui é o Novo Chão, que precisa trabalhar melhor sua sonoridade e produção. Existe potencial ali, mas precisa ser melhor prospectado.

No segundo CD, de cara podemos destacar o Heavenless (Death Metal) e In Soulitary (Heavy Metal), duas das melhores bandas de Metal do país. Se destacam muito também Krakkenspit (Heavy Metal), Medicine For Pain (Thrash/Groove), Torturizer (Thrash Metal), DialHard (Hard Rock), Mamute (Doom Metal), The Damned Human Flash (Death Metal), LoneHunter (Symphonic Death Metal) e Zero Hora (Punk Rock). O Epitah (Heavy Metal) mostra um trabalho de qualidade, e podemos dizer que falta muito pouco para consolidar definitivamente seu som, enquanto o Cromata (Death Metal) e o CxDxM (Punk Rock) estão no caminho certo, e mostram possuir boas qualidades. Obscured by The Clouds, por mais que tenha potencial, precisa trabalhar muito, tanto produção quanto sonoridade, e assim lapidar mais o seu Psychodelic Metal, ainda mais se considerarmos o alto nível da cena, no Brasil e no exterior.

A parte gráfica, criada e concebida por Umberto Miller, é muito bem-feita, com destaque para a bela capa e o encarte, onde contam informações de todas as bandas presentes. Já no que tange a produção, por se tratar de uma coletânea, obviamente temos altos e baixos, mas vale dizer que nesse sentido, boa parte dos trabalhos se encontra em um nível bom, e poucos realmente ficam devendo nesse quesito. No fim, temos mais uma bela inciativa da Roadie Metal, que fecha essa etapa de sua história com chave de ouro. Só podemos agradecer pelas mais de 300 bandas apresentadas nesses últimos 4 anos, e desejar que continuem prestando esse belo serviço aos fãs do Metal feito no Brasil.

NOTA: 78

Roadie Metal
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terça-feira, 2 de abril de 2019

Heretic – To the False (2017)


Heretic – To the False (2017)
(Independente – Nacional)


01. Unobtainium
02. The Whip of God
03. Sitar Sauvage (feat. Mario Duplantier)
04. Trail of Sins
05. Until the Day It Comes
06. The End
07. Hymn to Sirius
08. Asaty
09. Truth (instrumental)
10. Rising Power

A evolução do Heretic é algo que não me cansa de impressionar. Entre seu segundo álbum, Leitourgia (15), e To The False, seu quinto trabalho de estúdio, se passaram apenas 3 anos, mas o crescimento e amadurecimento do projeto capitaneado por Guilherme Aguiar foi imenso. Fugindo do lugar-comum de boa parte das bandas nacionais, adotaram a proposta ousada de praticar música instrumental, mesclando uma base Prog Metal com elementos externos ao estilo, mais precisamente, Jazz e música oriental. Obviamente, o resultado nunca foi de fácil assimilação, afinal, quanto maior a amplitude musical, mais difícil se torna a sua absorção, mas nunca deixaram de fazer música de extrema qualidade. Mesmo com resultados tão positivos, o Heretic não se acomodou e resolveu dar um passo ousado, introduzindo vocais a suas canções, o que já foi observado no EP Heretika (16).

Essa espinhosa missão ficou a cargo de Erich Martins, e cabe dizer que o mesmo se saiu muito bem, já que sua voz se encaixou com perfeição na proposta da banda. Isso deixou as músicas um tanto mais “simples”, dentro do que a intrincada proposta do grupo permite, já que estamos falando de uma música altamente técnica, pesada, e de diferentes tonalidades, dado o forte componente étnico presente. O trabalho das guitarras, a cargo de Guilherme e dos convidados Lucas Cão e Luis Maldonalle, mantém o alto nível já apresentado, com ótimos riffs e solos. O trabalho da parte rítmica continua fenomenal, com o baixo de Laysson Mesquita soando irrepreensível e a bateria de Gustavo Naves trazendo a diversidade necessária as canções. Quanto a instrumentação étnica, ela está muito bem encaixada nas canções, e dão um ar exótico as mesmas.


Todas as 10 músicas aqui presentes apresentam um alto nível de qualidade, mas ainda sim existem alguns destaques inevitáveis. “Unobtainium” é dessas canções que cativam com facilidade, graças a forma como equilibra o peso com a instrumentação étnica, além de possuir bons riffs e um refrão marcante; “The Whip of God” abusa da agressividade, mas sem abrir mão das boas melodias; “Sitar Sauvage” é uma instrumental diversificada, e se encaixaria com perfeição nos trabalhos anteriores da banda, além de contar com a participação do baterista Mario Duplantier, do Gojira. O bom equilíbrio entre peso, melodia e música oriental também se faz presente nas agressivas “Until the Day It Comes”, com ótimos arranjos; “Hymn to Sirius”, uma das mais sólidas de todo trabalho; “Asaty”, bem diversificada; e “Rising Power”, que encerra o álbum.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Guilherme Aguiar, e o resultado ficou bom, com todos os instrumentos bem audíveis. Ainda soa uma pouco mais crua do que o necessário, mas nada que chegue a comprometer a qualidade. Para completar, o CD vem em um digipack belíssimo, muito caprichado. Lapidando ainda mais sua proposta, e mostrando uma música mais coesa, o Heretic esbanja criatividade em To the False, se colocando como uma banda única dentro do cenário nacional. Cabe dizer que ano passado lançaram mais um álbum, Barbarism, e que no momento já se encontram preparando seu próximo trabalho.

NOTA: 84

Heretic (gravação):
- Erich Martins (vocal);
- Guilherme Aguiar (guitarras, sintetizadores, tabla indiana, flauta, esraj, oud, darbouka, bouzouki, orquestrações);
- Laysson Mesquita (baixo);
- Gustavo Naves (bateria);
- Luis Maldonalle (guitarra solo);
- Lucas Cão (tabla indiana e guitarra na faixa 1);
- Mario Duplantier (bateria na faixa 3).

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terça-feira, 12 de março de 2019

Burn Incorporated – Supernova (2018) (EP)


Burn Incorporated – Supernova (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. Hate
02. Lonely
03. Until My End
04. Supernova

Uma das coisas que mais escuto por aí, é que o Metal precisa se renovar, mas para tal, se faz necessário o surgimento de novos valores. A juventude deve voltar a abraçar o Rock/Metal. O Burn Incorporated surgiu na cidade de Monte Alto/SP, no ano de 2014, através das mãos do baterista Vincenzo Nuciteli, que na época possuía, acreditem, apenas 10 anos. Como boa parte das bandas iniciantes, o foro era fazer covers de nomes consagrados, mas com o tempo, e uma formação mais estabilizada, resolveram partir para as músicas próprias. Em 2018 lançaram seu EP de estreia, Supernova.

Musicalmente, nos deparamos com uma mescla de Metal Tradicional, Classic Rock e Prog Metal, pesada, com um ar mais moderno e que se destaca pela boa técnica dos envolvidos, apesar da juventude de todos. Conseguem entregar boas melodias, e bons arranjos, com a guitarra de Gabriel alonso apresentando bons riffs e solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Raphael Alonso e pelo prodígio Vincenzo Nuciteli mostra segurança e boa técnica. Os vocais de Hariel Davela (que já não faz mais parte do BURN, Inc.) possuem qualidade, mas destoam um pouco se comparado ao desempenho dos demais, já que fica devendo um pouco em algumas passagens mais pesadas.


A abertura se dá com “Hate”, sem dúvida a faixa mais agressiva e enérgica do trabalho, com boas guitarras e bateria. Na sequência temos a ótima “Lonely”, um Hard/Heavy um pouco mais acessível e com ótimo desempenho da parte rítmica, fora o bom refrão. Sem dúvida alguma a melhor canção do EP. Em, “Until My End”, com seus quase 10 minutos, o quarteto mostra sua influência de Progressivo, com muita variedade, e passagens que vão das limpas até as mais pesadas. A ressalva deve ser feita aos vocais, que em alguns momentos não funcionam muito bem. Encerrando, a instrumental “Supernova”, onde mostram toda a sua qualidade como instrumentistas, mas sem pedantismo, fora as boas melodias presentes.

Gravado no Fonzare Studio (Pradópolis/SP), o EP teve produção, mixagem e masterização realizadas por Fábio Fonzare. O resultado é uma sonoridade clara e pesada, que funcionou bem para a banda. Um pouco de crueza a menos ajudaria? Possivelmente, mas nada que chegue a comprometer a audição. Já a parte gráfica, muito bonita, ficou por conta do sempre talentoso Gustavo Sazes (Angra, Arch Enemy, Kamelot, Krisiun, Morbid Angel), mostrando a preocupação da banda em entregar um pacote que soe bem profissional. Supernova acaba por mostrar o potencial que existe por detrás do Burn Incorporated, nos apresentando um nome promissor e que, com o devido amadurecimento, algo que só o tempo e a estarda podem fazer, tem tudo para se colocar entre os principais nomes da nossa cena.

NOTA: 8,0

Burn Incorporated (gravação):
- Hariel Davela (vocal);
- Gabriel Alonso (guitarra);
- Raphael Alonso (baixo);
- Vincenzo Nuciteli (bateria).

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Vakan – Vagabond (2018)


Vakan – Vagabond (2018)
(MS Metal Records – Nacional)


01. Orbis
02. Beyond Mankind
03. Russian Roulette
04. Moving On
05. Euphoria
06. Diary of P. Stuart
07. Interlude: Eremita
08. The Flow of Matter
09. Presumption of Guilt – ótima, variada
10. Vagabond Pt I – Princes and Principles
11. Vagabond Pt II – Utopia
12. Vagabond Pt III – 1st Law: Chaos
13. Vagabond Pt IV – Epitome, Epitaph

O Rio Grande do Sul sempre gerou ótimas bandas nas vertentes mais extremas do Metal, mas eventualmente podemos observar bons nomes oriundos de estilos mais tradicionais vindos de lá. Surgido no ano de 2010, na cidade de Santa Maria, o quarteto Vakan é um nome que se encaixa com perfeição nesse caso. Formado por Matheus Oliveira (vocal), Alexandre Marinho (guitarra), Natanael Couto (baixo) e Lucas Oliveira (bateria), lançaram um EP em 2012, Freeze!, e no final do ano passado finalmente soltaram seu debut, Vagabond.

Apresentando um Heavy/Power que não nega a influência de medalhões como Iron Maiden, Judas Priest e Helloween, fogem da simples emulação inserindo elementos de música regional em sua sonoridade, que surgem de maneira muito equilibrada e bem encaixados nas canções. Suas canções mostram boa coesão, energia, técnica na medida e bons desempenhos individuais dos músicos envolvidos. É uma música que se deixa escutar com bastante facilidade, e que cativa os fãs do estilo sem muito esforço. Ajuda muito nisso não só as melodias agradáveis, como também a variedade, já que conseguem equilibrar bem passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas.


Após a introdução com “Orbis”, temos uma sequência de 4 canções bem diretas e enérgicas, que ajudam demais na boa impressão que o álbum deixa. “Beyond Mankind” não nega as suas influências de Iron e Judas, com boas melodias, refrão marcante e bom trabalho vocal. “Russian Roulette” é outra que se destaca pelo bom trabalho de guitarra, assim como “Moving On”. Euphoria possui boas melodias e um ótimo refrão. Daí para frente, a banda começa a se diferenciar da concorrência, com a introdução de ritmos regionais em sua música. E vale dizer que fazem isso com competência ímpar, sem exageros. “Diary of P. Stuart” mescla bem esses elementos com o Heavy/Power da banda, contando inclusive com um acordeom, o que se repete no interlúdio “Eremita”. Guiada por um violão “The Flow of Matter” é uma das canções mais belas de todo álbum, enquanto “Presumption of Guilt” se mostra bem variada. Mas o ponto alto sem dúvida, são as 4 partes da faixa-título, que encerra o álbum. Passagens pesadas se misturam com outras acústicas e com influência de música regional, resultando em uma música riquíssima e muito variada.

A produção ficou por conta da banda e de Leo Mayer, sendo que este último também foi o responsável pela mixagem e masterização. Dentro das dificuldades que conhecemos do nosso underground, o resultado é bom, equilibrando peso, clareza e crueza, não comprometendo o CD. Talvez um pouco menos de crueza no próximo trabalho, mas isso faz parte do processo de crescimento de uma banda. Já a capa foi obra de Rafael Sarmento. Com Vagabond, o Vakan se credencia como uma das bandas mais promissoras do cenário nacional, valendo ficar muito atento aos seus próximos passos. Se você curte Heavy/Power de qualidade, não vai se arrepender de escutar Vagabond.

NOTA: 83

Vakan é:
Matheus Oliveira (vocal);
Alexandre Marinho (guitarra);
Natanael Couto (baixo);
Lucas Oliveira (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Heavy Metal/Metal Tradicional

Heavy Metal/Metal Tradicional


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!
 
01. Saxon - Thunderbolt 
 

02. A Sound Of Thunder - It Was Metal 
 

03. Judas Priest - Firepower 
 

04. Riot V - Armor of Light 
 

05. Leather - II 
 

06. Ghost - Prequelle
 

07. Tribulation - Down Below
 

08. Melyra - Saving You From Reality
 

09. Shadows Legacy - Lost Humanity 
 

10. U.D.O. - Steelfactory  
 
 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Sun Diamond - Sun Diamond (2017)


Sun Diamond - Sun Diamond (2017)
(Independente - Nacional)


01. Frozen Bones
02. Detached
03. Let Me Drunk (and R.I.P)
04. Go To The Yard
05. She Took the High Road
06. To Call Home
07. Money Wars
08. Blackstar
09. My Bunker

Surgida em Recife no ano de 2014, o Sun Diamond é mais um nome vindo do fortíssimo cenário nordestino, que sempre revela ótimos nomes para a música, seja em estilos mais pesados, ou nos mais “populares”. Mas convenhamos, em se tratando de uma região tão rica culturalmente e com um povo tão batalhador e trabalhador, não poderíamos esperar menos. Que olhemos com mais atenção e carinho para o cenário e público da região, pois, merecem mais-que-tudo. Loas a região à parte, vamos ao que interessa.

Apesar de ser uma banda relativamente nova, o Sun Diamond já chega ao seu debut, nos apresentando uma mescla bem interessante de Heavy Tradicional e Hard Rock, que apesar de transparecer suas influências, já consegue apresentar certa identidade. Sua música se mostra bem trabalhada, com boa técnica, algumas mudanças de andamento, além de bom peso (cortesia da parte rítmica com o baixista Miguel Guerra e o baterista Lucas Alves), riffs e solos consistentes, entregues pela dupla Eduardo Teixeira e Leo Campanha, e melodias que podem cativar o ouvinte.

Mas existe um porém que não pode ser ignorado, e que afeta sim um pouco o resultado: os vocais. Não que Aílton Neto seja ruim, mas se não bastasse seu timbre não ser dos mais agradáveis (mas nesse caso já é uma questão de gosto pessoal), em diversos momentos resolve insistir com vocais mais agudos, que me perdoe, na maior parte do tempo soam irritantes. Sério, não sei ao vivo, mas no CD não funcionou mesmo, a ponto de, em alguns momentos, eu me sentir tentado a parar a audição. Se não o fiz, é porque o instrumental da banda conseguiu me fazer relevar esse detalhe. Mas foi difícil.


São 9 músicas que possuem um nível bem homogêneo de qualidade, mas com alguns inevitáveis destaques. “Frozen Bones” se mostra bem enérgica, apesar de alguns momentos em que o vocal irrita, enquanto “Detached” tem um pé no Hard Rock, mas sem abrir mão do lado Heavy da banda. “Go To The Yard” é um Heavy/Hard que empolga, com um trabalho bem legal das guitarras, além de ter um refrão bem legal. “She Took the High Road” tem um pé no Classic Rock e em alguns momentos o instrumental pode remeter ao Black Sabbath. Ok, os primeiros segundos de “Money Wars” me lembraram da introdução de alguma música do Green Day, e isso se repete em um ou outro momento, mas na maior parte do tempo temos um Heavy Tradicional de respeito.

A produção se mostra bem simples, mas funcional e não chega a comprometer, possuindo uma boa dose de crueza. Particularmente penso que poderiam ter refinado um pouco mais as coisas, mas ainda sim a mesma se encaixa dentro da proposta sonora da banda. A capa também se mostra bem simples, deixando claro que o ponto central do trabalho é sua música. O Sun Diamond nos entrega um bom trabalho de estreia, consistente, coeso, e que mostra potencial para voar bem mais alto. Tudo é questão de aparar algumas arestas, algo esperado em uma banda tão nova.

NOTA: 7,4

Sun Diamond é:
- Aílton Neto (vocal);
- Eduardo Teixeira (guitarra);
- Leo Campanha (guitarra);
- Miguel Guerra (baixo);
- Lucas Alves (bateria).

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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Heaviest – The Wall Of Chaos-T (2018)


Heaviest – The Wall Of Chaos-T (2018)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Like Those Ones a
02. Thieves Of Live
03. Blood
04. Can’t You See?
05. Fire It Up
06. Hunted
07. Kill The King
08. All Of This
09. The End
10. Wake Up
11. E-Crime Suicide

A cena do Metal no Brasil tem certa repulsa ao que é moderno, já que tendência conservadora do headbanger em nosso país se reflete de diversas formas. Existe um forte culto, principalmente aos anos 80 e a primeira metade dos 90, as bandas e sonoridades surgidas nessa época. Para uma parcela considerável dos fãs, o que é novo ou moderno, sempre recebe o rótulo de “modinha”, sempre é tratado como algo menor ou sem qualidade. Não existe um equilíbrio entre passado, presente e futuro, e isso acaba refletindo diretamente na cena, que fica estagnada por se prender a um saudosismo e conservadorismo exacerbados.

O debut do Heaviest, Nowhere (15), se destacou justamente por fugir da fórmula padrão de boa parte das bandas nacionais. Nele foi possível escutar um Heavy Metal moderno, com toques de Groove, naquela pegada muito próxima do que é feita por bandas oriundas dos Estados Unidos, como Disturbed, Stone Sour ou Five Finger Death Punch, algo raro de se ouvir por essas paragens. Isso claro gerou uma expectativa grande pelo seu próximo trabalho, que aumentou com as mudanças de formação ocorridas na banda. Mario Pastore deixou os vocais da banda, que foram assumidas por Alax Willian, além de passarem a contar apenas com uma guitarra, após a saída de Márcio Eidt.

Bem, se o debut te agradou, pode relaxar, pois, mesmo com mudanças tão profundas, o Heaviest conseguiu manter sua sonoridade intocada. Os vocais de Alax conseguem soar até mais versáteis que os de Pastore, permitindo que invistam em uma maior diversidade musical. Não sentiram também a falta de uma guitarra, já que Guto Mantesso realiza um belo trabalho nesse sentido, pois, ouvimos não só uma sonoridade bem moderna, como também riffs bem pesados e bons solos. Renato Dias (baixo) e Vitor Montanaro (bateria) formam uma parte rítmica bem sólida, forte, pesada e diversificada.


De cara, já mostram ao que vieram com a ótima “Like Those Ones”, intensa, com um bom groove e um solo que se destaca. Na sequência temos a pesada “Thieves Of Live”, com bons riffs e melodias, e “Blood”, onde variam bem o andamento e os vocais de Alax se destacam acima da média. “Can’t You See?” é bem pesada, tem um que de Pantera e participação do guitarrista Matias Kupiainen (Stratovarius), enquanto “Fire It Up” tem bons riffs e vai agradar em cheio os apreciadores do debut. “Hunted” mescla bem o moderno e o tradicional, se destacando pelas melodias e pelo dueto vocal entre Alax e Zak Stevens. “Kill The King” se destaca pela agressividade e pelo peso, que sobram durante toda a sua execução. Já “All Of This” tem um belo solo de Lucas Bittencourt e melodias vocais agradáveis. A sequência final se dá com as pesadas “The End”, “Wake Up” e “E-Crime Suicide”, com bons riffs e melodias.

A produção ficou toda a cargo de Guto Montesso, com co-produção de ninguém menos que Roy Z. O resultado é uma sonoridade moderna e pesada, mas também clara e totalmente audível. Embalado em um digipack muito bonito, tem o seu trabalho gráfico todo realizado por Alax William, com um ótimo resultado. Mostrando não ter sentido as mudanças em sua formação, o Heaviest mostra um Metal moderno, que se caracteriza pelas boas melodias e pela força de sua música, sem abrir mão em momento algum do peso e da agressividade. Continuando nesse caminho, em breve vão se colocar entre os principais nomes do estilo no Brasil.

NOTA: 82

Heaviest é:
- Alax William (vocal);
- Guto Mantesso (guitarra);
- Renato Dias (baixo);
- Vitor Montanaro (bateria).

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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Arandu Arakuaa - Mrã Waze (2018)


Arandu Arakuaa - Mrã Waze (2018)
(Independente - Nacional)


01. Sy-gûasu (grande mãe, no idioma Tupi)
02. Gûaîupîá (espírito dos pajés bons, no idioma Tupi)
03. Îasy (lua, no idioma Tupi)
04. Danhõ’re (cantar, no idioma Xavante)
05. Huku Hêmba (espirito da onça, no idioma Akwẽ Xerente)
06. Ko Kri (água fria, no idioma Krahô)
07. Jurupari (deus dos sonhos, no idioma Tupi)
08. Gûaînumby (beijar-flor, no idioma Tupi)
09. Îagûara Kûara (toca da onça, no idioma Tupi)
10. Abaré Angaíba (padre mau, no idioma Tupi)
11. Rowahtu-ze (ensinamento, no idioma Akwẽ Xerente)

Domingo, enquanto retornava de uma viagem, ia definindo em minha cabeça as resenhas dessa semana, e uma delas já estava decidida desde o início: o novo álbum do Arandu Arakuaa. Mal sabia eu que naquele mesmo momento, um dos bastiões da nossa cultura, o Museu Nacional, era consumido por completo pelo fogo. Um retrato do descaso com o qual se trata a questão da cultura nesse país, uma política de Estado que perpassa todos os governos nas últimas décadas. Vocês sabiam que boa parte dos estudos realizados no último século, a respeito das sociedades indígenas em nosso país, se encontravam em suas dependências? A coleção de etnologia indígena brasileira do MN abrangia mais de 30 mil objetos oriundos de mais de 100 grupos indígenas de nosso país. Era o reflexo de toda riqueza e diversidade de nossa cultura nativa. Incluía-se ai, um acervo linguístico, com registros documentais e sonoros, inclusive de línguas que não possuem mais falantes vivos, e as únicas múmias indígenas encontradas no país. Tudo isso se perdeu para sempre.

Cultura nunca foi algo realmente importante para esse país, e o descaso com o assunto sempre foi algo escancarado, e não apenas por parte dos nossos governantes. Sim coleguinha, porque se eles agem de tal forma, é por saberem que não sofrerão consequências de tal fato nas urnas, afinal, a população brasileira, em sua maioria, não dá a mínima para o assunto. Se formos fazer um recorte mais específico e falarmos exclusivamente de nossa cultura nativa, a coisa se torna mais grave. A ignorância de nossa população nesse sentido se torna ainda mais latente quando abordamos a questão indígena. Seja sincero prezado leitor, o que você realmente conhece a respeito da cultura de nossos Índios, que já estavam aqui muito antes de qualquer colonizador europeu colocar os pés em nossas terras. Acredito que, tirando aquelas lendas que aprendemos nas escolas, quando somos crianças, o conhecimento será praticamente nulo.


Só por tudo isso, uma banda como o Arandu Arakuaa já merecia ser muito respeitada. Sua mistura de elementos indígenas e regionais com Heavy Metal, suas músicas cantadas em Tupi, Xavante, Akwẽ Xerente e Krahô, resultam não só em uma das sonoridades mais originais que você vai escutar em matéria de música, mas também é um brado de resistência. Resistência sim, a um projeto de aniquilação que já dura mais de 500 anos, que ainda hoje extermina populações e culturas inteiras, seja através de massacres ordenados por fazendeiros e madeireiros, seja por conversões religiosas — sim, em pleno século XXI, ainda existem aqueles que enxergam os indígenas como primitivos e selvagens que precisam ser catequizados —, seja pela marginalização de sua população, que vivem de forma precária e vistos como cidadãos de segunda classe. Já notaram como os índices de mortalidade infantil, mortes por doenças infecciosas e parasitárias, e taxas de suicídio são muito maiores entre as populações indígenas? É bem provável que não. Mas quer saber, todos deveríamos notar.

Existe um conceito por trás de Mrã Waze, 3º álbum do Arandu Arakuaa, que sinceramente não consegui resumir de uma forma que não perdesse a essência. Sendo assim, vou usar as palavras do release enviado pela banda para um melhor entendimento: “O conceito do disco versa sobre a relação do homem com a natureza, o uso das medicinas de cura nas quais os pajés trabalham com as forças da natureza e os espíritos dos animais, além de toda a mística da lua e do sol. A mensagem central é “todos unidos em matéria e espírito”, assim formando uma grande unidade, onde não há separação entre o plano físico e o espiritual e, consequentemente, se atinge o equilíbrio entre o homem, os animais, a natureza, enfim, todo o cosmos.”. É em cima disso, que o quinteto liderado por Zândhio Huku (vocal, guitarra, viola caipira, instrumentos indígenas) e que conta ainda com Saulo Lucena (baixo, vocal), Lís Carvalho (vocal, pífano), Guilherme Cezario (guitarra) e João Mancha (bateria, percussão) — esses 3 últimos estreantes —, lançou um dos melhores álbuns de 2018.

Mrã Waze é certamente o trabalho mais maduro, diversificado e coeso do grupo brasiliense. As passagens mais pesadas, oriundas do Heavy Metal, se alternam com aquelas mais introspectivas e tribais, vindas das músicas indígena e regional, mas com um equilíbrio que ainda não havia sido presenciado até então. Tudo soa muito harmonioso, porque não, místico. É muito legal ver como esse lado voltado para nossas raízes, aflora cada vez mais na música do Arandu Arakuaa, e a maior presença de elementos de instrumentos indígenas e da viola caipira vão arrancar sorrisos dos fãs. Tudo aqui é de uma riqueza musical e cultural poucas vezes vista. As letras podem ser cantadas em línguas indígenas, mas isso em momento algum te impede de, em muitos momentos, estar cantando junto com a banda. Em vários momentos isso ocorreu comigo. Vale inclusive destacar a diversidade vocal aqui presente, que é simplesmente absurda.


A abertura se dá com “Sy-gûasu”, totalmente voltada para os elementos indígenas e regionais, e que soa quase como um ritual religioso voltado para dar equilíbrio ao ouvinte. Na sequência, temos a agressiva “Gûaîupîá”, que equilibra muito bem esses momentos com as passagens mais melódicas e introspectivas, além de ter ótimos vocais femininos. “Îasy” tem uma pegada mais tribal, além de um ótimo trabalho de guitarra, enquanto em “Danhõ’re” o uso da viola caipira e de elementos percussivos fala mais alto, com um resultado muito legal. “Huku Hêmba” é outra que equilibra muito bem melodias e agressividade, e “Ko Kri” traz novamente a força do lado regional da banda.  “Jurupari” esbanja peso e agressividade, mas sem abrir mão das passagens introspectivas e percussivas. Essa introspecção também é o mote de “Gûaînumby” e suas belíssimas melodias. Aqui o brilho vai para a viola de Zândhio e os vocais de Lís. “Îagûara Kûara” é bem técnica e pesada, algo que podemos observar também em  “Abaré Angaíba”. E para fechar o álbum, a ótima  “Rowahtu-ze”, com seu ótimo trabalho vocal e excelente utilização da viola e dos elementos de percussão indígenas.

Gravado no Broadband Studio, o álbum teve sua produção, mixagem e masterização realizadas por Caio Duarte (Dynahead, Miasthenia, Omfalos), com um resultado muito bom. Ficou muito bem equilibrada e com aquela clareza necessária para você escutar toda a diversidade musical aqui presente, mas sem perder a organicidade. Já a belíssima capa foi obra da artista Anjayra M, e é um retrato perfeito do conteúdo musical do CD. De sonoridade rica e diversificada, o Arandu Arakuaa se torna cada vez mais uma banda única, não só no cenário nacional, como no mundial, e merece a muito um reconhecimento muito maior do que têm. Se tem alguma dúvida a respeito disso, escute Mrã Waze e se depare com um dos melhores álbuns de Metal que você escutará esse ano.

NOTA: 91

Arandu Arakuaa é:
- Zândhio Huku (vocal, guitarra, viola caipira, instrumentos indígenas);
- Lís Carvalho (vocail, pífano);
- Guilherme Cezario (guitarra);
- Saulo Lucena (baixo, vocal);
- João Mancha (bateria, percussão).

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