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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Vakan – Vagabond (2018)


Vakan – Vagabond (2018)
(MS Metal Records – Nacional)


01. Orbis
02. Beyond Mankind
03. Russian Roulette
04. Moving On
05. Euphoria
06. Diary of P. Stuart
07. Interlude: Eremita
08. The Flow of Matter
09. Presumption of Guilt – ótima, variada
10. Vagabond Pt I – Princes and Principles
11. Vagabond Pt II – Utopia
12. Vagabond Pt III – 1st Law: Chaos
13. Vagabond Pt IV – Epitome, Epitaph

O Rio Grande do Sul sempre gerou ótimas bandas nas vertentes mais extremas do Metal, mas eventualmente podemos observar bons nomes oriundos de estilos mais tradicionais vindos de lá. Surgido no ano de 2010, na cidade de Santa Maria, o quarteto Vakan é um nome que se encaixa com perfeição nesse caso. Formado por Matheus Oliveira (vocal), Alexandre Marinho (guitarra), Natanael Couto (baixo) e Lucas Oliveira (bateria), lançaram um EP em 2012, Freeze!, e no final do ano passado finalmente soltaram seu debut, Vagabond.

Apresentando um Heavy/Power que não nega a influência de medalhões como Iron Maiden, Judas Priest e Helloween, fogem da simples emulação inserindo elementos de música regional em sua sonoridade, que surgem de maneira muito equilibrada e bem encaixados nas canções. Suas canções mostram boa coesão, energia, técnica na medida e bons desempenhos individuais dos músicos envolvidos. É uma música que se deixa escutar com bastante facilidade, e que cativa os fãs do estilo sem muito esforço. Ajuda muito nisso não só as melodias agradáveis, como também a variedade, já que conseguem equilibrar bem passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas.


Após a introdução com “Orbis”, temos uma sequência de 4 canções bem diretas e enérgicas, que ajudam demais na boa impressão que o álbum deixa. “Beyond Mankind” não nega as suas influências de Iron e Judas, com boas melodias, refrão marcante e bom trabalho vocal. “Russian Roulette” é outra que se destaca pelo bom trabalho de guitarra, assim como “Moving On”. Euphoria possui boas melodias e um ótimo refrão. Daí para frente, a banda começa a se diferenciar da concorrência, com a introdução de ritmos regionais em sua música. E vale dizer que fazem isso com competência ímpar, sem exageros. “Diary of P. Stuart” mescla bem esses elementos com o Heavy/Power da banda, contando inclusive com um acordeom, o que se repete no interlúdio “Eremita”. Guiada por um violão “The Flow of Matter” é uma das canções mais belas de todo álbum, enquanto “Presumption of Guilt” se mostra bem variada. Mas o ponto alto sem dúvida, são as 4 partes da faixa-título, que encerra o álbum. Passagens pesadas se misturam com outras acústicas e com influência de música regional, resultando em uma música riquíssima e muito variada.

A produção ficou por conta da banda e de Leo Mayer, sendo que este último também foi o responsável pela mixagem e masterização. Dentro das dificuldades que conhecemos do nosso underground, o resultado é bom, equilibrando peso, clareza e crueza, não comprometendo o CD. Talvez um pouco menos de crueza no próximo trabalho, mas isso faz parte do processo de crescimento de uma banda. Já a capa foi obra de Rafael Sarmento. Com Vagabond, o Vakan se credencia como uma das bandas mais promissoras do cenário nacional, valendo ficar muito atento aos seus próximos passos. Se você curte Heavy/Power de qualidade, não vai se arrepender de escutar Vagabond.

NOTA: 83

Vakan é:
Matheus Oliveira (vocal);
Alexandre Marinho (guitarra);
Natanael Couto (baixo);
Lucas Oliveira (bateria).

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Riot V - Armor of Light (2018)


Riot V - Armor of Light (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


CD1
01. Victory
02. End Of The World
03. Messiah
04. Angel’s Thunder, Devil’s Reign
05. Burn The Daylight
06. Heart Of A Lion
07. Armor Of Light
08. Set The World Alight
09. San Antonio
10. Caught In The Witches Eye
11. Ready To Shine
12. Raining Fire
13. Unbelief
14. Thundersteel (2018 version)

CD 2 (Live at Keep It True Festival 2015)
01. Ride Hard Live Free (live)
02. Fight Or Fall (live)
03. On Your Knees (live)
04. Johnny’s Back (live)
05. Metal Warrior (live)
06. Wings Are For Angels (live)
07. Sign Of The Crimson Storm (live)
08. Bloodstreets (live)
09. Take Me Back (live)
10. Warrior (live)
11. Road Racin’ (live)
12. Swords And Tequila (live)
13. Thundersteel (live)

Com 43 anos de história na bagagem (contando o hiato entre 1984 e 1986), e álbuns clássicos como Narita (79), Fire Down Under (81), o magistral Thundersteel (88), The Privilege of Power (90) e Immortal Soul (11), o Riot certamente merecia um reconhecimento muito maior do que o obtido. Infelizmente no meio musical nem sempre a justiça prevalece. Fora isso, escolhas erradas e mudanças de formação constantes acabaram por prejudicar a caminhada dos americanos.

O retorno da formação que gravou o clássico Thundersteel no ano de 2008, acabou por gerar um ótimo fruto, quase tão grandioso quanto este, que foi Immortal Soul. Então uma tragédia se abateu sobre a banda, com o falecimento de seu fundado e compositor, o guitarrista Mark Reale, e o Riot se encontrou em um dilema. Continuar ou não? Seus membros mais antigos, o guitarrista Mike Flyntz (desde 1989) e o baixista Don Van Stavern (entre idas e vindas, desde 1986), após muito conversarem com a família de Mark, resolveram seguir em frente, mas adicionando um V ao nome. Dessa forma, o legado de Reale seguiria intocado, sem que precisassem virar as costas para o passado, e assim homenageariam o falecido amigo.

Já sem o vocalista Tony Moore e o baterista Bobby Jarzombek, e contando com Todd Michael Hall (Harlet, Jack Starr's Burning Starr) nos vocais, o guitarrista Nick Lee (Moon Tooth) e Frank Gilchriest (Liege Lord, ex-Virgin Steele), que já havia passado pela banda, na bateria, lançaram o ótimo Unleash the Fire (14), mostrando assim que haviam acertado ao escolherem pela continuidade. Agora, 4 anos depois, temos aqui o 2º capítulo da história do Riot V, ou 16º da do Riot, fica a sua escolha, tal impressão acaba só se confirmando. Mantendo a formação do trabalho anterior, o que temos é um belíssimo álbum de Heavy/Power, mas que em algumas passagens, enfatiza um pouco do passado Hard da banda. É como se estivéssemos diante de um compilado de toda a sua carreira.


Os vocais de Todd Michael Hall se mostram ótimos, e se encaixam com perfeição na proposta musical do Riot. As guitarras de Mike e Nike brilham, não só pelos ótimos duetos, como também por entregarem riffs realmente memoráveis e solos marcantes. A parte rítmica, com Don e Frank, nos entrega o que esperamos dela, com muita competência, por mais que em alguns momentos a bateria soe um pouco exagerada além da conta. Mas pasmem, Armor of Light é primeiramente um álbum de Power Metal, e isso é algo esperado em uma produção do estilo. O legal aqui é que conseguem equilibrar muito bem as passagens mais agressivas com outras mais melódicas, e isso acaba convergindo para uma música que cativa com muita facilidade. A única ressalva que faço é que, em um álbum com 14 músicas e 55 minutos, uma pequena inconstância é observada a partir de sua segunda metade. Não temos aqui nada efetivamente ruim, mas algumas canções mais medianas, que poderiam ter tido sua inclusão repensada aqui, por mais que não afetem de forma drástica o resultado do álbum.

A primeira metade é definitivamente matadora. “Victory” tem tudo para se tornar clássica, com riffs afiados, ótimas melodias (que remetem sim, a “The Trooper” do Iron Maiden), vocal marcante e ótima bateria. “End Of The World” se destaca por seus riffs e solos, que vão cativar o ouvinte com facilidade, enquanto “Messiah” é certamente a melhor canção do estilo que você escutará em 2018, e poderia estar sem drama algum em Thundersteel, já que tem uma energia que remete ao mesmo. “Angel’s Thunder, Devil’s Reign” é um Heavy/Power ótimo para se cantar junto, com o punho para o alto, e possui um belo trabalho de guitarras. Um hino! “Burn The Daylight” é um Hard classudo, com uma pegada que me remeteu ao Rainbow da fase Dio (“Kill yhe King”?), e tem um refrão desses para cantar junto. “Heart Of A Lion” é um Power com ótimos vocais e guitarras, e  “Armor Of Light” encerra a primeira metade de forma matadora. É outra para você levantar o punho para o alto e cantar junto o refrão.


Agora chegamos ao “calcanhar de Aquiles” do trabalho, que é sua segunda metade. Ela não é ruim, de forma alguma, afinal temos canções de muita qualidade aqui, mas frente ao brilhantismo da primeira metade, fica um certo gosto estranho na boca. “Set The World Alight” tem uma levada mid-tempo e possui boas harmonias de guitarra, é agradável de escutar, mas fica faltando algo para realmente decolar. “San Antonio” é mais veloz, mas padece do mesmo problema, mesmo com algo de Rainbow nas guitarras e um refrão legal. “Caught In The Witches Eye” é um Hard com pegada voltada para os anos 80 e tem algo da carreira solo de Dio, com um groove muito legal e um riff bem pesado. “Ready To Shine” é outra que pende mais para uma levada mid-tempo e sim, tem algo de Queen bem presente. Escute e vai entender. “Raining Fire” traz de volta aquela energia do início do álbum, e soa agressiva e esmagadora. É um dos destaques dessa metade do álbum. Encerrando, temos a boa “Unbelief” e uma nova versão, simplesmente matadora, para “Thundersteel”.

A produção, mixagem e masterização ficaram por conta de Chris Collier (Prong, Metal Church, Last in Line) e ficou com uma qualidade muito boa, apesar de um pouco polida demais. Faltou uma pequena dose de organicidade, mas está dentro do padrão das produções atuais, com tudo limpo e cristalino. A bela capa foi obra Mariusz Gandzel (Crystal Viper), com arte adicional e layout de Timo Pollinger (Pain, Hypocrisy, Nightwish). E vale dizer que junto com Armor of Light, temos um CD bônus com a apresentação da banda no Keep It True Festival de 2015, que foi simplesmente fantástica. Um verdadeiro presente para os fãs da banda, que pode ouvir toda a força do Riot V em cima de um palco. Ok, a inconstância já citada pode incomodar levemente, mas não afeta de forma profunda a experiência que é escutar esse novo trabalho dos americanos, que acima de tudo prima pela qualidade das músicas, que empolgam e divertem qualquer um. Possivelmente o melhor álbum de Power Metal que escutará esse ano.

NOTA: 89

Riot V é:
- Todd Michael Hall (vocal);
- Mike Flyntz (guitarra);
- Nick Lee (guitarra);
- Don Van Stavern (baixo);
- Frank Gilchriest (bateria).

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Axel Rudi Pell - Knights Call (2018)


Axel Rudi Pell - Knights Call (2018)
(SPV/Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


01. The Medieval Overture (Intro)
02. The Wild And The Young
03. Wildest Dreams
04. Long Live Rock
05. The Crusaders Of Doom
06. Truth And Lies
07. Beyond The Light
08. Slaves On The Run
09. Follow The Sun
10. Tower Of Babylon

Já são quase 30 anos de carreira, e Axel Rudi Pell e sua banda lançam seu 17º trabalho de inéditas, isso sem contar as compilações The Ballads (já são 5), o álbum de covers Diamonds Unlocked (07) e os 3 álbuns ao vivo. Com uma média de quase 1 trabalho lançado por ano, podemos ter noção de que, mesmo sem receber o reconhecimento que lhe é devido, o guitarrista alemão possui uma base de fãs muito fiel e consistente, que lhe permitiu manter uma carreira estável e viver daquilo que mais ama. E detalhe, nunca se preocupou em seguir tendências, sempre se mantendo fiel a sua proposta original, de fazer Heavy Metal.

Eu sempre julguei que Axel merecia maior sorte em sua carreira, afinal, lançou alguns trabalhos realmente clássicos, como Nasty Reputation (91), Black Moon Pyramid (96), Magic (97), The Masquerade Ball (00) e Circle of the Oath (12). Mesmo álbuns como Between the Walls (94), Shadow Zone (02), Mystica (06) e The Crest (10), estão acima da média do que escutamos na música pesada nas últimas 3 décadas. Nunca, nesse tempo todo, lançou algo que fosse menos que bom, mas certamente, por como já citado, não seguir tendências musicais, sempre acabou meio que relegado a um nicho muito específico.

Sendo assim, não é mistério o que vamos encontrar em Knights Call. É Heavy/Power com alguma inclinação para o Classic Rock e o Hard/AOR, centrado no trabalho da guitarra e nos solos, baixo estrondoso, bateria pesada, teclado climático e ao menos uma ótima balada. Também ajuda muito no resultado alcançado, o fato do guitarrista se cercar de músicos reconhecidamente talentosos, como é o caso de Johnny Gioeli (vocal), Volker Krawczak (baixo), Bobby Rondinelli (bateria) e Ferdy Doernberg (teclado), e que se mostram entrosadíssimos, com uma sincronia absurda. Claro que não podemos negar o fato de nada de novo ser apresentado, e em alguns momentos você ter aquela sensação de que já ouviu determinada canção em algum trabalho anterior, mas a verdade é que essa reciclagem é tão bem-feita, que você na maioria das vezes acaba não se importando. E convenhamos, é exatamente isso que um fã de Axel Rudi Pell quer escutar.


Após uma breve introdução, que sinceramente, me soa completamente desnecessária, temos a ótima “The Wild And The Young”, que nos entrega tudo aquilo que esperamos, ou seja, ótimos riffs e solos, refrão elegante, além de um desempenho vocal muito bom. “Wildest Dreams” mantém a  pegada, mas com os teclados de Ferdy dando uma inclinação mais setentista a canção (impossível não lembrar de Deep Purple) e a parte rítmica se destacando demais. “Long Live Rock” é meio clichê, não dá para negar, mas soa muito legal, principalmente pelos riffs e solos de qualidade e pelo bom refrão. “The Crusaders Of Doom” é daquelas faixas mid-tempo que Axel sempre faz tão bem, e simplesmente épica em seus 8 minutos. “Truth And Lies” é uma instrumental com pegada setentista, algo de Progressivo e solos que vão prender os fãs. “Beyond The Light” é aquela balada padrão, bem emocional e com vocais fortes, que conta com um belíssimo solo. “Slaves On The Run” é um Hard simples, que remete aos anos 80 e possui boas melodias, enquanto “Follow The Sun” se destaca pela energia e pelo bom refrão. Encerrando o álbum, outra canção épica, “Tower Of Babylon”, apresentando aquela sonoridade clássica da banda, outro ótimo solo e elementos de música oriental.

Como de praxe desde Shadow Zone, a produção foi dividida entre Axel e o experiente Charlie Bauerfeind (Blind Guardian, Halford, Gamma Ray, Angra, Helloween, Saxon), e o resultado é o esperado, ou seja, muito bom. Como em time que está ganhando não se mexe, mais uma vez a capa foi obra do britânico Martin McKenna, se encaixando perfeitamente na proposta lírica da banda. Entregando aos seus fãs aquilo que eles querem, mais uma vez Axel Rudi Pell lança um álbum o seu padrão de qualidade já conhecido, e que se não surpreende, ao menos rende quase 1 hora de muito boa diversão. E convenhamos, é para isso que a música serve.

NOTA: 86

Axel Rudi Pell é:
- Johnny Gioeli (vocal);
- Axel Rudi Pell (guitarra);
- Volker Krawczak (baixo);
- Bobby Rondinelli (bateria);
- Ferdy Doernberg (teclado).

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Jag Panzer - The Deviant Chord (2017)


Jag Panzer - The Deviant Chord (2017)
(SPV /Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)

01. Born Of The Flame
02. Far Beyond All Fear
03. The Deviant Chord
04. Blacklist
05. Foggy Dew
06. Divine Intervention
07. Long Awaited Kiss
08. Salacious Behavior
09. Fire Of Our Spirit
10. Dare

Em um mundo perfeito, o Jag Panzer receberia muito mais reconhecimento e estaria entre os maiores nomes do Metal mundial. Exagero? Não acho. Apesar dos hiatos entre 1988-1993 e 2011-2013, já se vão mais de 3 décadas desde que surgiram em 1981, com o nome de Tyrant, e nessa extensa carreira possuem, além de um trabalho que beira a perfeição e está entre os melhores da história do estilo, Ample Destruction (84), álbuns do porte de The Fourth Judgement (97), Thane to the Throne (00) e Casting the Stones (04), não menos que excelentes.

A verdade é que, excetuando o equívoco cometido com Dissident Alliance (94), estamos falando de uma discografia que sempre primou pela alta qualidade. The Deviant Chord, seu 10º trabalho de estúdio, surge após um hiato de 6 anos desde The Scourge of the Light (11) e tem como curiosidade o fato de contar com 4/5 da formação clássica da banda, ou seja, aquela que gravou o magnânimo Ample Destruction (só o baterista Rikard Stjernquist não tocou no álbum, mas está na banda desde 1987), já que o guitarrista Joey Tafolla voltou a integrar suas fileiras nesse retorno do Jag Panzer em 2013.

Musicalmente, todo fã sabe exatamente o que vai encontrar aqui: Heavy Metal Tradicional com toques de Power da melhor qualidade, com Harry "The Tyrant" Conklin cantando de forma tão brilhante como no início da carreira (incrível como a qualidade dele se mantém), Mark Briody e Joey Tafolla destruindo nas guitarras, com ótimos riffs e solos, enquanto John Tetley e Rikard Stjernquist formam uma das melhores partes rítmicas do estilo, mostrando coesão, peso e muita força. 


Já na abertura, uma dobradinha de quebrar pescoços: “Born Of The Flame” e “Far Beyond All Fear”, com um pé no Power, ótimo trabalho das guitarras e uma energia que remete aos trabalhos do início de carreira. A cadenciada “The Deviant Chord” se mostra bem variada e se destaca principalmente pelos ótimos solos, enquanto “Blacklist” mantém o bom nível do álbum, com Harry Conklin mostrando porque é uma das principais vozes do estilo. A primeira metade se encerra com uma versão para a tradicional canção do folclore irlandês, “Foggy Dew”, que transborda energia.

A segunda metade abre com “Divine Intervention”, com riffs que vão remeter alguns ao trabalho do Judas Priest, sendo seguida pela belíssima balada “Long Awaited Kiss”. “Salacious Behavior” equilibra muito bem elementos de Heavy e Power, além de possuir uma pegada que em alguns momentos remete a Dio. Na sequência, “Fire Of Our Spirit” escancara a influência da NWOBHM na sonoridade da banda, com melodias que lembram os bons momentos do Iron Maiden nos anos 80. Fechando com chave de ouro, “Dare”, que com muito peso e riffs poderosos, tem tudo para se tornar um hino da banda.

A produção ficou a cargo de John Herrera, que também cuidou da mixagem (ao lado de Ryan Johnson) e da masterização do álbum. O resultado final ficou muito bom, claro, audível, pesado, e conseguiu que a banda não soasse datada, dando um ar moderno à sua sonoridade mais tradicional. Já a capa, umas das mais legais de 2017, foi feita por Dušan Marković (A Sound of Thunder, Dragonhearth, Mystic Prophecy). Mantendo seu aproveitamento lá em cima, o Jag Panzer lançou um dos grandes álbuns do estilo em 2017, e que é daquelas aquisições obrigatórias para os fãs de Heavy Metal.

NOTA: 8,5

Jag Panzer é:
- Harry "The Tyrant" Conklin (vocal);
- Mark Briody (guitarra);
- Joey Tafolla (guitarra);
- John Tetley (baixo);
- Rikard Stjernquist (bateria).

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Hansen & Friends - Thank You Wacken (Live) (CD + DVD)


Hansen & Friends - Thank You Wacken (Live) (CD + DVD)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. Born Free
02. Ride the Sky (Hellowen cover)
03. Contract Song
04. Victim of Fate (Hellowen cover)
05. Enemies of Fun
06. Fire and Ice
07. Burning Bridges
08. Follow the Sun
09. I Want Out (Hellowen cover)
10. Future World (Hellowen cover)
11. All or Nothing
12. Save Us (Hellowen cover)

Ano passado, Kai Hansen resolveu comemorar suas 3 décadas de amor e serviços brilhantemente prestados ao Heavy Metal soltando seu 1º álbum solo, XXX: Three Decades in Metal (resenha aqui), contando com uma série de participações especiais. Mas como isso aparentemente era pouco, resolveu também fazer uma apresentação no Wacken (festival com o qual possui forte ligação, tendo tocado no mesmo pela primeira vez em 1994), e foi dela que nasceu o CD/DVD intitulado Thank You Wacken, que a Shinigami, em parceria com a earMUSIC, nos faz o favor de lançar em versão nacional.

Antes de tudo, o que temos aqui é uma celebração que envolve um artista não só absurdamente talentoso, como também carismático, e um público que o idolatra. Também pudera, o cara não só é o pai do Power Metal como também é criador talvez das duas maiores bandas do estilo, o Helloween e o Gamma Ray, fora seu dedo em nomes como Iron Savior e Unisonic. Hansen possui um legado que deve ser muito respeitado, goste você ou não.

E é em cima desse legado que ele aposta aqui. Das 12 músicas, 7 saíram de seu trabalho solo, enquanto outras 5 são clássicos dos seus tempos de Helloween. Também se cercou de músicos para lá de talentosos. Além da banda formada por Eike Freese (guitarra, Dark Age), Alexander Dietz (baixo, Heaven Shall Burn), Michael Ehré (bateria, Gamma Ray) e Corvin Bahn (teclado, Crystal Breed e Gamma Ray ao vivo), tivemos as participações para lá de especiais de Clémentine Delauney (vocal, Visions of Atlantis), Frank Beck (vocal, Gamma Ray) e sim, ele, Michael Kiske (esse dispensa qualquer apresentação). Em suma, Kai estava muito bem acompanhado em cima do palco.


Uma coisa é indiscutível. As músicas de seu trabalho solo, que já eram boas, conseguiram soar mais fortes e enérgicas ao vivo. Veja os casos de “Born Free”, “Enemies of Fun”, “Fire and Ice” (com um belo dueto entre Kai/Clémentine), “Burning Bridges” e “All or Nothing” (outra a contar com Clémentine), que conseguiram empolgar o público. E vale dizer que esse show foi gravado em 5 de agosto de 2016, sendo que XXX: Three Decades in Metal saiu apenas em setembro, ou seja, estamos falando de músicas que eram desconhecidas dos presentes. Quanto aos clássicos do Helloween executados, aí chega a ser covardia. A forma como “Ride the Sky”, “Victim of Fate”, “Save Us” (ambas com participação de Frank e Clémentine), “I Want Out” e “Future World” inflama a todos é algo impressionante, principalmente as duas últimas, com Kiske nos vocais. Uma bela prévia do que veremos na Pumpkins United World Tour (que passa pelo Brasil em outubro). De quebra, ainda temos um DVD com a apresentação na íntegra, onde podemos constatar todo o clima e interação entre artista e público. Decididamente, ele consegue capturar com precisão toda a energia do show.

Com uma banda entrosada e afiadíssima, e participações especiais que enriquecem mais ainda o trabalho final, o que temos de resultado final é uma verdadeira celebração à carreira de um dos músicos mais talentosos de todo o cenário do Heavy Metal. Com muita entrega de todos, energia e muita diversão, temos aqui um material imperdível. E só existe uma forma de encerrar essa resenha: muito obrigado, Kai Hansen!

NOTA: 8,5

Kai Hansen é:
- Kai Hansen (vocal/guitarra);
- Eike Freese (guitarra);
- Alexander Dietz (baixo);
- Michael Ehré (bateria);
- Corvin Bahn (teclado).

Participações Especiais
- Clémentine Delauney (vocal nas faixas 4, 6, 11 e 12/backing vocals)
- Frank Beck (vocal na faixa 4/backing vocals)
- Michael Kiske (vocal nas faixas 9 e 10)

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Hellish War - Defender Of Metal (2001/2017)


Hellish War - Defender Of Metal (2001/2017)
(Independente - Nacional)


01. Into The Battle
02. Hellish War
03. We Are Living For The Metal
04. Defender Of Metal
05. The Sign
06. Gladiator
07. Into The Valhalla
08. Sacred Sword
09. Memories Of A Metal
10. Feeling Of Warriors
11. The Law Of The Blade

Quando falamos de Metal Tradicional no Brasil, um dos primeiros nomes que vem à tona certamente é o veterano grupo campineiro Hellish War, na luta desde 1995 e com 3 cd’s de estúdio já lançados, além de um trabalho ao vivo. Nesses mais de 20 anos de árdua labuta em prol do Metal Nacional, nunca esmoreceram, apesar de todas as dificuldades que são enfrentadas por quem se aventura pelas sinuosas estradas do underground metálico.

Mas tudo tem um começo, e aqui temos o início da caminhada do Hellish War. Ainda me lembro das propagandas da Megahard Records na Rock Brigade, no início dos anos 2000, onde tive meu primeiro contato com Defender Of Metal, debut do grupo campineiro. Dali surgiu a curiosidade de escutar aquele CD que, só pelo título, já deixava claro ser uma ode ao estilo que tanto amamos. E realmente ele o era e não sem justiça, o tempo acabou por fazer dele um dos principais trabalhos do estilo quando se trata de Metal Tradicional não só no Brasil, como na América Latina como um todo.

Decididamente esse é um álbum para saudosistas. Tudo nele remete aos anos 80, desde a sonoridade, que mescla a escola germânica (principal referência aqui) com a britânica do estilo, como também a parte lírica, que chega até mesmo a soar um tanto imatura com seus excessos de palavras como “Battle”, “Metal”, “Sword” ou “Warriors”, algo bem típico quando nos recordamos do cenário metálico oitentista. São clichês que certamente incomodarão aos mais críticos, mas que arrancarão sorrisos daqueles que viveram o período, ou mesmo dos mais novos que idolatram o passado. 


Os vocais de Roger Hammer podem não ser soberbos, mas soam fortes, enérgicos e sinceramente, isso vale mais do que alcançar aquelas notas inimagináveis. Remetem a nomes como Chris Boltendahl (Grave Digger), Rock 'n' Rolf (Running Wild) e Hansi Kürsch (Blind Guardian). As guitarras de Vulcano e Daniel Job executam um ótimo trabalho, com riffs velozes e marcantes, além de bons solos, enquanto a parte rítmica, com o baixista Gabriel Gostautas e o saudoso baterista Jayr Costa (a quem esse relançamento é dedicado), mostra não só boa técnica, como segura o peso das canções. E os refrões? Bem, são grudentos como devem ser.

Claro, as músicas estão cheias de clichês do estilo, não apresentam nada de novo, mas ainda assim mantêm o nível e são capazes de empolgar os fãs do estilo. Entre os maiores destaques, eu apontaria “Hellish War”, um Speed Metal tipicamente alemão e que poderia estar em qualquer bom álbum do período, “We Are Living For The Metal”, um Power Metal com forte influência de Helloween e que possui um daqueles refrões moldados para se cantar a plenos pulmões nos shows, a forte e empolgante “The Sign”, as “maidenianas” “Gladiator” e “Sacred Sword” (essa épica com mais de 10 minutos de duração) e a pesada “The Law Of The Blade”.

Em matéria de produção, a qualidade é boa, ainda mais se tratando de um trabalho gravado em 2001. Soa crua, mas totalmente audível. A capa com seu guerreiro pronto para lutar em prol do Metal também é clichê do estilo, mas ainda assim legal e remete totalmente aos anos 80. E para provar a relevância de Defender Of Metal, basta citar que anos depois o mesmo foi lançado posteriormente no mercado europeu, onde é considerado por muitos como um trabalho cult. Como já dito, um dos principais trabalhos do Metal Tradicional lançado no Brasil e que mais uma vez está ao alcance de todos os fãs do bom e velho Metal oitentista.

NOTA: 8,0

Hellish War (gravação):
- Roger Hammer (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- Gabriel Gostautas (baixo);
- Jayr Costa (bateria).

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Axel Rudi Pell - Game of Sins (2016)

 
Axel Rudi Pell - Game of Sins (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Lenta Fortuna (Intro)
02. Fire
03. Sons in the Night
04. Game of Sins
05. Falling Star
06. Lost in Love
07. The King of Fools
08. Till the World Says Goodbye
09. Breaking the Rules
10. Forever Free
11. All Along the Watchtower (Bob Dylan cover)

Existem alguns músicos que, apesar de absurdamente talentosos, recebem menos atenção do que deveriam por esses lados de cá. Axel Rudi Pell me parece um deles. Guitarrista e compositor de talento, o alemão consolidou sua carreira a partir de 1989, com alguns trabalhos simplesmente clássicos, como Nasty Reputation (91), Black Moon Pyramid (96), Magic (97), The Masquerade Ball (00) e mais recentemente, Circle of the Oath (12).

Game of Sins é nada mais, nada menos, do que seu 17º trabalho de estúdio e aqui, como de praxe, ele não inventa. O ouvinte encontrará aquela velha fórmula de canções um pouco mais longas, com raiz no Heavy Tradicional, e que trafegam com uma naturalidade impressionante entre o Power Metal e o Hard Rock. Além disso, temos os ótimos vocais de Johnny Gioeli, uma parte rítmica coesa e firme, com seu fiel escudeiro desde os tempos de Steeler, Volker Krawczak (baixo) e o experiente Bobby Rondinelli (bateria, com passagens por Black Sabbath, Warlock, Doro, Rainbow, Quiet Riot e Blue Öyster Cult) e complementando, os teclados sempre muito bem encaixados de Ferdy Doernberg.

Curiosamente, a maior virtude de Game of Sins, também acaba sendo seu calcanhar de aquiles. Por apostar em uma fórmula já mais que conhecida, muitas canções aqui presentes acabam por nos remeter a material de seu passado e as vezes, até mesmo a outras presentes no mesmo trabalho. Um exemplo são as semelhanças entre a faixa-título e “Till the World Says Goodbye”. Se por um lado, entrega aos seus fãs exatamente o que eles esperam, por outro o resultado soa um pouco repetitivo e burocrático. Me chamou a atenção também o fato de os solos estarem mais contidos, apesar de ainda possuírem uma qualidade inquestionável.


“Fire”, que verdadeiramente abre o trabalho, é uma típica faixa de abertura dos trabalhos de Axel. Bom peso, melodias que remetem ao Power Metal, além de riffs e refrão bem familiares. Já a faixa seguinte, “Sons in the Night”, tem aquele apelo mais Hard, com bons riffs e refrão grudento, daqueles que você já sai cantando na primeira audição. A faixa título tem uma pegada mais épica e soa bem diversificada, agradando muito. Mas é isso. O restante do álbum vai seguindo essa fórmula, o que depois de algum tempo, começa a soar um pouco cansativo. Claro, temos alguns momentos muito bons, como a pesada e poderosa “Falling Star”, a cativante e grudenta “The King of Fools” e a balada “Forever Free” (Axel tem o dom para as mesmas, isso é indiscutível), mas fica aquela sensação que faltou algo a mais. Vale dizer que a versão nacional vem com uma faixa bônus, “All Along the Watchtower”, cover de Bob Dylan que saiu apenas em edições limitadas na Europa, e que ficou bem legal.

A produção, como sempre feita por Axel, é de ótima qualidade. A mixagem ficou por conta do mestre Charlie Bauerfeind (Helloween, Blind Guardian, Angra, Hammerfall, Gamma Ray, Saxon, Rage) e a masterização, como ocorre desde Eternal Prisoner (92), foi realizada por Ulf Horbelt (Arch Enemy, Moonspell, Dark Tranquillity, Sodom, Paradise Lost, Krisiun). Já a bela capa, mais uma vez foi obra do ilustrador inglês Martin McKenna (vale a pena uma visita a seu site).

Ao final, Game of Sins é uma faca de dois gumes. Se por um lado, entrega exatamente o que seu público deseja, por outro acaba soando um pouco cansativo por repetir sempre a mesma fórmula. Quando a inspiração está em dia, isso pouco incomoda, mas como faltou a mesma em alguns momentos aqui, o trabalho perdeu um pouco de sua força. Admito, mesmo com tais falhas, que esse é um álbum que possui qualidade, pois apesar de tudo, consegue cativar o ouvinte com suas ótimas melodias e com o talento inquestionável de Axel Rudi Pell. No fundo, talvez o seu verdadeiro problema seja estar inserido em uma discografia que é praticamente impecável.

NOTA: 7,5

Axel Rudi Pell é:
- Johnny Gioeli (vocal);
- Axel Rudi Pell (guitarra);
- Volker Krawczak (baixo)
- Bobby Rondinelli (bateria)
- Ferdy Doernberg (teclado)

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sethirus – King Of Dust (2014)




Sethirus – King Of Dust (2014)
(Independente – Nacional)

01. Chaos Creator
02. The Eye of Horus
03. Spread the Fear
04. King of Dust
05. Faces in the Sand
06. Fight to Live
07. Righteous Blood
08. Assyrians Fury
09. Pharaoh's Nightmare

O underground nacional é esquizofrênico. Ao mesmo tempo em que em uma parte considerável do país os shows de bandas autorais andam as moscas, não recebendo o devido valor por parte do público, por outro lado a quantidade de ótimas bandas surgidas em todos os cantos do país é algo impressionante. Nesse ponto, talvez estejamos vivendo nosso melhor momento.

Justamente por isso, às vezes até mesmo para mim, que vivo a pesquisar novos nomes o tempo todo, algumas bandas acabam passando batidas em um primeiro momento, mesmo possuindo grande qualidade. Esse foi o caso dos cearenses do Sethirus, grupo oriundo de Fortaleza, surgido em 2008 e que lançou no ano passado seu debut, intitulado King Of Dust.

O trabalho já começa a impressionar de cara, com uma belíssima capa feita pelo mestre Carlos Fides e na qual você consegue absorver toda a temática adotada nessa estréia. King Of Dust é um álbum conceitual, que aborda a história de Taharka, Faraó da XXV dinastia egípcia, tendo reinado entre 690 a.C. e 664 a.C. e resistido bravamente e o quanto pode as invasões dos Assírios. Um tema interessantíssimo e muito bem trabalhado aqui. Mas e a música, você deve estar se perguntando. Bem, a aposta aqui é em uma sonoridade que mescla de forma muito competente Heavy, Power, Speed e Thrash, resultando em um som pesado, agressivo, mas também com boa dose de melodia. A diversidade é o ponto central do trabalho do Sethirus, como por exemplo, na parte vocal, aonde o mesma vai desde o mais melódico até o agressivo/gutural, sendo um dos diferenciais aqui. Outro ponto interessante são as guitarras, já que além de despejarem riffs bem agressivos, podemos observar algumas passagens com influências orientais, o que casa totalmente com a proposta lírica do Sethirus. Já a “cozinha” tem boa técnica e soa pesada. Em resumo, você vai encontrar aqui desde passagens mais melódicas e épicas até aqueles momentos tipicamente Thrash feitos para moer pescoços. Os maiores destaques aqui ficam por conta de “Chaos Creator”, “The Eye of Horus”, “King of Dust”, “Faces in the Sand” e “Assyrians Fury”.

A produção foi totalmente independente e têm boa qualidade. Tudo limpo, audível, mas sem exageros, tendo lá uma dose saudável de “sujeira”. Com uma música acima de tudo pesada e agressiva, o Sethirus estreou com o pé direito, mostrando ser um dos nomes mais promissores do atual cenário nacional. É desses cd’s para bater cabeça até cansar.

NOTA: 8,0

Sethirus é:

- Augusto Carone (Vocal)
- Edy Alenquer (Guitarra)
- Joel Marinho (Guitarra)
- Rony "Jesus" (Baixo)
- Bruno M (Bateria)





quarta-feira, 22 de abril de 2015

Alefla - End of the World (2015)




Alefla - End of the World (2015)
(MS Metal Records - Nacional)

01. Beginning Of The End
02. Watching Over Me
03. Believe Now
04. End Of The World
05. Wind Blows… Time Flows
06. Battlefield
07. Seven Sign
08. Miracle
09. Hope To Live
10. Killing Sparrow
11. Eyes Of The Soul
12. Walking Through The Night

Na maior parte do tempo, me pergunto o porquê da má vontade de uma parte considerável dos headbanger brasileiros para com as bandas nacionais de trabalho autoral, já que muitas não ficam nada a dever com relação a nomes de porte médio do exterior, em alguns casos até mesmo inferiores, que conseguem ter bom público no Brasil. Não entenda isso como um daqueles discursos ufanistas feitos por certos setores da nossa cena, de que o apoio a toda banda nacional deve ser irrestrito. De forma alguma cometeria tal insanidade, já que sim, existem nomes por esses lados que realmente são fracos, mas vou sempre defender o respeito e valorização das bandas que possuem qualidade. E olha, essas não são poucas.

A esse grupo, podemos a partir de hoje incluir a paulistana Alefla. End of the World é seu trabalho de estréia e a proposta aqui é praticar uma mescla de Metal Tradicional com Power Melódico que, se não apresenta grandes novidades, pode ser considerado muitíssimo bem feito. Tentando situar o ouvinte de alguma forma, tente imaginar uma mistura do Stratovarius dos bons tempos com o Iron Maiden, mas com uma dose de personalidade própria. O primeiro ponto que me chamou a atenção aqui é a maturidade demonstrada pelo Alefla, já que se o ouvinte não souber que se trata de um debut, vai pensar que estamos diante de uma banda com diversos cd’s já lançados. A parte vocal também me chamou muito a atenção, já que apesar de contarem com uma vocalista de muito boa qualidade, Fla Moorey, diversos duetos são realizados com o guitarrista Alexandre Nascimento, que mostra possuir ótima voz. Isso acaba dando uma dinâmica bem legal às faixas onde tal artifício é utilizado, saindo assim do lugar comum do estilo. Musicalmente, temos o esperado, ou seja, bons riffs e solos, melodias de qualidade, alguns refrões que grudam na mente, bastante peso e uma parte rítmica de qualidade, que dá a diversidade necessária ao álbum. Elogie-se aqui o fato de não apelarem para aquela fórmula batida de músicas velozes e bumbo duplo. Destaques para “Watching Over Me”, “Wind Blows… Time Flows” (com participação de Tito Falaschi, que também produziu o álbum), “Battlefield”, “Seven Sign”, “Hope To Live”, “Eyes Of The Soul” e “Walking Through The Night”.

A produção é de muito boa qualidade, sendo possível escutarmos todos os instrumentos perfeitamente. Sem duvida alguma, mais um belo trabalho de Tito Falaschi. Demonstrando muita maturidade para um primeiro álbum e potencial para crescer, o Alefla mostra a sua cara e se credencia a uma vaga no primeiro escalão do Metal nacional nos próximos anos.

NOTA: 8,0