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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Destruction - Born to Perish (2019)


Destruction - Born to Perish (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Born To Perish
02. Inspired By Death
03. Betrayal
04. Rotten
05. Filthy Wealth
06. Butchered For Life
07. Tyrants Of The Netherworld
08. We Breed Evil
09. Fatal Flight 17
10. Ratcatcher
11. Hellbound (bonus track)

O status de lenda do Thrash Metal mundial conquistado pelo Destruction, não pode e nem deve ser discutido. Estamos falando de uma das bandas mais influentes e seminais do estilo, membro do Big 4 Teutônico, ao lado de Kreator, Sodom e Tankard, e responsável por clássicos indiscutíveis nos anos 80, como o EP Sentence of Death (84), além dos maravilhosos Infernal Overkill (85) e Eternal Devastation (86). É verdade que após o “retorno” em 2000, com All Hell Breaks Loose, alternaram entre ótimos lançamentos, como The Antichrist (01), trabalhos medianos, como Inventor of Evil (05), e outros sem muita inspiração, caso do fraco Spiritual Genocide (12), mas com Under Attack as coisas aparentemente voltaram a entrar nos eixos.

Descontando a fase compreendida entre 1994 e 1998 – que rendeu dois EP’s, Destruction (94) e Them Not Me (95), e um álbum, The Least Successful Human Cannonball (98) –, desconsiderada pela banda no que tange sua discografia oficial, e os dois álbuns de regravações, Thrash Anthems I (07) e II (17), Born to Perish é o seu 13º trabalho de estúdio, e continua do ponto em que seu antecessor parou. Marca também mudanças importantes na formação da banda, com a entrada do baterista Randy Black (Primal Fear, Annihilator, Rebellion), que substituiu Vaaver, e a inclusão de um segundo guitarrista, Damir Eskić (ex-Gonoreas), transformando-os novamente em um quarteto, algo que não ocorria desde os anos 90.

Mantendo a pegada de Under Attack, o Destruction continua o processo de aproximação com suas raízes, mas sem perder suas características mais modernas, que adquiriu desde o retorno. Tecnicamente falando, a entrada de Randy e Damir elevou o nível da banda, já que ambos são muito talentosos e agregaram qualidade. Os vocais de Schmier soam mais odiosos e corrosivos a cada lançamento, mostrando que o tempo só faz bem a sua voz. Mike dispensa apresentações, mas é indiscutível que a inclusão de Eskić tornou o que era ótimo, ainda melhor. As canções ganham uma nova dimensão, e a parede de guitarras chega a ser opressora em alguns momentos, sem contar os ótimos solos que surgem aqui e ali. Sem dúvida, temos os melhores riffs da banda em anos aqui. Quando a Randy, talvez seja o baterista mais capaz a comanda o kit da banda nessas quase 4 décadas, e seu trabalho é preciso e grandioso.


A sequência inicial é destruidora. De cara, temos a agressiva “Born To Perish”, um desses sons clássicos da banda, e perfeito para bater cabeça, seguida pela sombria “Inspired By Death”, com seus riffs fortes e afiados, e a direta “Betrayal”, uma canção capaz de empolgar até mesmo um zumbi, graças as suas ótimas guitarras e vocais variados. O álbum segue com “Rotten”, canção um pouco genérica, mas com riffs violentos e linha de baixo bem marcante; “Filthy Wealth”, com uma pegada bem Motörhead, e a densa “Butchered For Life”, que foge um pouco do padrão da banda. “Tyrants Of The Netherworld” recupera muito da fúria primal da banda, sendo impossível não lembrar dos tempos de Sentence of Death, muito pela crueldade dos seus riffs. Sem dúvida, um dos destaques aqui. “We Breed Evil” é furiosa, e conta com riffs duros e violentos; “Fatal Flight 17” é veloz e tem ótimas guitarras, e “Ratcatcher”, apesar de um pouco repetitiva, tem uma ótima linha de bateria. De bônus, temos uma ótima versão para “Hellbound”, clássico dos ingleses do Tygers of Pan Tang.

As produções mais recentes do Destruction pecavam pelo excesso de saturação, algo que foi finalmente corrigido em Under Attack e Thrash Antems. A produção, mixagem e masterização ficaram mais uma vez a cargo de V. O. Pulver (Burning Witches, Nervosa, Pänzer). O resultado é muito bom. A capa é obra de Gyula Havancsák (Accept, Blind Guardian, Grave Digger, Tankard). Estamos diante de um novo clássico, de um álbum que pode ser colocado frente a frente com os trabalhos do período inicial da banda? Não. Mas de forma algum significa que este não seja um bom trabalho, digno da história do Destruction. Sólido, bruto, e apresentando uma banda revigorada, Born to Perish, é um grito de resistência, uma prova de que Schmier, Mike e cia, ainda tem muita lenha para queimar.

NOTA: 85

Destruction é:
- Schmier (vocal, baixo)
- Mike (guitarra)
- Damir Eskić (guitarra)
- Randy Black (bateria)

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Red Razor – The Revolution Continues (2019)


Red Razor – The Revolution Continues (2019)
(Under Machine Records/Helena Discos/Resistência Underground/Escória Distro/Antichrist Hooligans Distro/Tales From the Pit - Nacional)


01. The Revolution Continues
02. For Those About To Thrash
03. Violent Times
04. Born In South America
05. R.I.P. Democracy
06. Sour Power
07. Brewtal Mosh
08. The Sadist

Quando do lançamento de seu debut, Beer Revolution, em 2015, os catarinenses da Red Razor chamaram a atenção não só pelo seu ótimo Thrash Metal, que misturava a escola americana e alemã do estilo, como também pelo bom humor das letras, algo que ficava bem claro na capa e nos títulos das músicas. Isso refletia muito o período em que tais canções haviam sido compostas. A questão é que de lá para cá, muita coisa mudou em um curto espaço de tempo. Tudo se tornou mais obscuro, pesado, com o crescimento de tendências totalitaristas/fascistas, não só no Brasil como no mundo todo. Isso inevitavelmente acabou refletindo na música e nas letras do quarteto formado por Fabrício Vale (vocal/guitarra), Daniel Rosick (guitarra), Gustavo Kretzer (baixo) e Igor Thiesen (bateria).

Do ponto de vista musical, a Red Razor continua com aquele Thrash de pegada bem old school, que remete aos anos 80, agressivo, rápido e enérgico, mas, em alguns momentos, podemos notar algumas doses controladas de Death Metal, que ajudam a tornar tudo ainda mais pesado e diversificado. Isso me chamou mais a atenção no trabalho vocal, que soa bem mais variado e agressivo do que na estreia. Quanto as letras, aquela pegada mais festeira que trata de cerveja, muita cerveja, continua se fazendo presente, mas abre espaço para um maior engajamento político. Temas como a violência contra populações periféricas, exploração colonial e ascensão do fascismo se fazem presentes, algo mais do que necessário nesses tempos sombrios que vivemos. Então, se você é da turma do “Metal não tem que misturar com política”, já fique mais do que avisado.


De cara, temos a robusta “The Revolution Continues” com seu ótimo trabalho de guitarras e baixo, e sua letra que é uma ode as pequenas cervejarias artesanais, e um libelo contra as grandes corporações cervejeiras. “For Those About To Thrash” já deixa bem explicitado em seu título, o que o ouvinte encontrará. É uma homenagem ao estilo, que poderia ter saído de qualquer bom álbum dos anos 80. “Violent Times” soa tão agressiva quanto o tema do qual trata – guerras imperialistas, intolerância, violência contra populações periféricas –, e possui além de bons riffs, um refrão muito forte. A dura “Born In South America” não só esbanja peso, musical e lírico, com sua letra que critica fortemente o colonialismo, em uma verdadeira aula de história, como tem um dos melhores refrões que você escutará esse ano. Uma faixa como “R.I.P. Democracy”, que trata da ascensão do fascismo e da vilanização da democracia por setores reacionários, não poderia ser menos que brutal, com toques de Death metal e destaque para o trabalho da bateria. A divertida e nervosa “Sour Power” é mais uma homenagem às cervejas artesanais, enquanto a veloz “Brewtal Mosh” homenageia a todos nós, fãs do bom e velho Metal, que damos duro o dia inteiro e apoiamos as cenas locais. Encerrando, “The Sadist”, com sua letra que trata do serial killer alemão Peter Kürten, conhecido como “Vampiro de Dusseldorf”, além de energia e peso de sobra.

Na produção, mais uma vez a mixagem e masterização ficaram nas mãos de Alexei Leão (Burning in Hell, Khrophus, Rhestus), com resultados muito bons, já que apesar de tudo estar bem audível, tem uma organicidade que falta em boa parte das produções de hoje. The Revolution Continues soa vivo. No âmbito da parte gráfica, se no anterior haviam trabalhado com o mestre Ed Repka, aqui optaram pelo trabalho de Andrei Bouzikov (Dust Bolt, Havok, Municipal Waste, Nervosa, Toxic Holocaust), que foi o responsável pela bela capa, enquanto o design do encarte foi realizado por Lucas “From Hell” (Evilcut). Mesclando bom humor, engajamento político, vocais agressivos, riffs rápidos, afiados, e uma parte rítmica forte e explosiva, o Red Razor passou com louvor no teste do segundo álbum, mostrando que está mais que pronta para assumir um lugar de frente no cenário do Metal Nacional. A revolução já tem sua trilha sonora!

NOTA: 87

Red Razor é:
- Fabricio Valle (vocal/guitarra);
- Daniel Rosick (guitarra);
- Gustavo Kretzer (baixo);
- Igor Thiesen (bateria).

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Possessed – Revelations of Oblivion (2019)


Possessed – Revelations of Oblivion (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Chant Of Oblivion
02. No More Room In Hell
03. Dominion
04. Damned
05. Demon
06. Abandoned
07. Shadowcult
08. Omen
09. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple Of Samael

O que dá o status de lenda para uma banda? Vender milhões de cópias de seus álbuns? Ter um avião só seu, para te carregar mundo afora em turnês que duram anos? Lotar estádios e fechar noites de grandes festivais? Ter um álbum a mais de 500 semanas na Billboard 200? Possivelmente a resposta é positiva para todas essas perguntas. Ainda sim, você não precisa disso tudo para se tornar uma lenda e ter seu nome gravado a ferro e fogo na história do Metal. Surgido no ano de 1983, o Possessed é a maior prova disso, já que não se encaixa em qualquer dos critérios citados. Para se tornar uma lenda, “apenas” estabeleceram com seu debut, Seven Churches (85), as bases para o que viria a ser o Death Metal – e, porque não, do Black –, sendo para muitos, a primeira banda do estilo. E como se isso fosse pouco, lançaram na sequência, dois outros trabalhos seminais, Beyond the Gates (86) e o EP The Eyes of Terror (87).

Apesar de todo impacto que seus trabalhos tiveram para a música extrema, a banda encontrou seu fim ainda no ano de 1987, deixando aquela sensação amarga de que poderiam ter ido muito mais além. Entre 1990 e 1993, chegaram a retornar, pelas mãos do guitarrista Mike Torrao, mas nada foi ser lançado. Em 2007, o retorno definitivo com Jeff Becerra, mas com o foco sendo mantido apenas nas apresentações ao vivo, com um álbum de inéditas parecendo um sonho distante. Então eis que a banda anunciou Revelations of Oblivion, elevando os níveis de ansiedade de todos os seus fãs, já que era algo que todos sonhavam a décadas. Mas o que esperar de um novo álbum do Possessed após tanto tempo? Conseguiriam alcançar o nível de excelência esperado?

Em primeiro lugar, de forma alguma tentem comparar Revelations of Oblivion com Seven Churches ou Beyond the Gates. O impacto causado por esses trabalhos no Metal Extremo são inegáveis, mas já se passaram 3 décadas desde que foram lançados. Nesse tempo, o mundo mudou, a música mudou, as pessoas mudaram. Cada álbum deve ser analisado tendo em mente o presente qual é lançado e não um passado que a muito ficou para trás. Fora isso, é uma banda nova, com novos músicos. Querer exigir o mesmo nível de excelência, sem ter esses fatores em mente, além de injusto, é errado. Posto isso, o que temos aqui é um raivoso, que une passado e presente e traz o Thrash/Death do Possessed para o século XXI. Tudo que você espera está ali, mas com uma produção forte e moderna, que atualiza sua sonoridade. Os vocais de Becerra estão bem fortes, como se viessem das profundas do inferno, enquanto as guitarras de Daniel Gonzales (Gruesome) e Claudeous Creamer (ex-Dragonlord) soam como portadoras com caos, com seus riffs agitados, frenéticos, e ótimos solos. O baixo de Robert Cardenas (Masters of Metal, ex-Agent Steel) e a bateria de Emilio Marquez (Asesino) formam uma parte rítmica consistente, técnica, bruta e demoníaca.


A introdução, com “Chant Of Oblivion”, faz você se sentir dentro de um filme de terror, e cria a ambientação perfeita para tudo que se dará na sequência. No More Room In Hell chega veloz e bruta, rasgando os tímpanos dos mais desavisados com sua energia, fúria e riffs frenéticos. A bruta “Dominion” se destaca pela violência das guitarras e pelos vocais, enquanto “Damned” é um  Thrash raivoso e com alta capacidade destrutiva de pescoços. “Demon” se destaca não só pelas boas mudanças de velocidade, como também pelo ótimo trabalho rítmico e de guitarras. “Abandoned” é um Death Metal que transborda ódio e selvageria, além de contar com ótimos solos. “Shadowcult” soa verdadeiramente diabólica, muito disso devido à agressividade dos seus riffs, enquanto Omen é um exemplo de união entre passado e presente no trabalho do Possessed. Furiosa, com um pé no passado, mas soando atual.“Ritual”, com sua energia e ótimo trabalho de bateria é outra que se encaixa nesse padrão. Na sequência final, temos a inflamada “The Word” e sua mescla de melodia e violência, a variada “Graven”, com sua brutalidade e bom trabalho vocal, e a curta instrumental “Temple Of Samael”.

A produção ficou a cargo do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Amorphis, Destruction, Immortal), com co-produção de Jeff e Daniel. Peter também foi o responsável pela mixagem e masterização, sendo que essa última, compartilhou com Jonas Kjellgren (Dark Funeral, Katatonia, Overkill, Sabaton). Os resultados alcançados foram ótimos, já além de clareza e agressividade, conseguiu transpor para os tempos atuais a sonoridade da banda, sem que ela se descolasse de suas raízes. A capa ficou por conta do talentoso Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Paradise Lost), e parece uma mescla demoníaca das capas de Meliora e Prequelle, do Ghost, também feitas por ele. Não acredita? Compare as capas. Revelations of Oblivion vai causar uma revolução dentro do Thrash ou do Death? Não, mas o Possessed não precisa mais disso, pois o fez 34 anos atrás, com Seven Churches. Obstante eu acreditar que uma ou outra música se estendeu um pouco além do necessário, a verdade é que temos em mãos um álbum que faz jus a toda a importância do Possessed para a história do Metal, e que tem espaço garantido entre os destaques de 2019. Que esse não seja o ponto final de sua história, mas apenas mais um relevante capítulo!

NOTA: 87

Possessed é:
- Jeff Becerra (vocal);
- Daniel Gonzales (guitarra);
- Claudeous Creamer (guitarra);
- Robert Cardenas (baixo);
- Emilio Marquez (bateria).

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Axecuter - Surrounded by Decay (2019)


Axecuter - Surrounded by Decay (2019)
(VSF Records - Nacional)


01. Surrounded By Decay
02. Rise and Fall
03. Separate Ways
04. Darkness In Bottles
05. Dying Source
06. Collecting Enemies
07. Darwin was Right
08. Metal in Wrong Hands
09. Spend The Dollar
10. Passage Back To Hell

Surgida no ano de 2010, em Curitiba/PR, a Axecuter se tornou com o passar dos anos, uma das principais referências do cenário nacional quando falamos de bandas com aquela pegada mais oitentista, graças a sua mescla de Metal Tradicional, Power/Speed e Thrash Metal. Nesses 9 anos, além do debut, Metal Is Invincible  (13), lançaram alguns EP’s, splits e o ao vivo A Night of Axecution (18), consolidando sua sonoridade, e os levando até o ponto onde se encontram hoje, com o segundo trabalho, Surrounded by Decay. Esse é sem dúvida alguma, seu álbum mais maduro até então, e a prova cabal de que amadurecimento não significa perder suas características, como muitos por aí acreditam.

Todas aquelas características que nos acostumamos a escutar nos lançamentos do Power Trio formado por Danmented (vocal/guitarra), Rascal (baixo) e Verdani (bateria), continuam presentes, transformando sua audição em uma verdadeira viagem aos anos 80. Caso você nunca tenha escutado o Axecuter, vai se deparar com uma mescla daquela sonoridade europeia de nomes como Venom, Kreator, Sodom e Celtic Frost, com aquele som mais típico de bandas americanas e canadenses do período, como o Razor, Exciter, Cirith Ungol e Manilla Road – a banda já contou com participações especiais de nomes como o saudoso Mark Shelton, Mantas e Tony Dolan em trabalhos anteriores –, só que dessa vez acrescido, de uma dose de boas melodias, oriundas de grupos como Grave Digger e Running Wild.


Após a ótima instrumental “Surrounded By Decay”, temos a diversificada Rise and Fall, com seus bons riffs, ótimo trabalho de baixo, e um pé bem fincado naquela sonoridade germânica típica do Sodom e do Kreator. “Separate Ways” tem uma pegada mais Heavy/Speed, se mostrando bem variada e destacando o trabalho de Verdani, a rápida “Darkness In Bottles” tem algo de Kreator, graças aos vocais de Danmented e “Dying Source”, apesar da fúria presente nos riffs, apresenta um solo bem melódico, e muito bom. O Thrash surge com toda a sua força em “Collecting Enemies”, uma dessas canções moldadas para quebrar pescoços, sendo seguida pela pesada “Darwin was Right”, com um ótimo refrão. A ótima e cadenciada “Metal in Wrong Hands” é outra com refrão de fácil assimilação; “Spend The Dollar” se mostra bem direta, e encerrando o trabalho, temos a épica e diversificada “Passage Back To Hell”.

A produção de Ivan Pellicciotti (Vulcano, Surra, Great Vast Forest, Chemical Disaster) é a prova que sim, existem formas de aliar uma produção com uma pegada oitentista e orgânica, com a clareza das produções atuiais. A capa – reparem na alfinetada dada não só nas fases atuais de bandas clássicas, como no momento atual de nosso cenário –, foi uma obra conjunta de Marcio Aranha (Blasthrash, Heritage, Woslom) e Paulo Kalvo, como o encarte sendo elaborado por Thiago Boller (Em Ruínas, Vingança Suprema, Abatter). Mantendo a sinceridade e a paixão de sempre pelo Metal oitentista, e evoluindo, mas sem abrir mão um milímetro sequer de suas convicções, o Axecuter se mostra em seu melhor momento, sendo responsável por um dos principais lançamentos do Metal Nacional nesse ano de 2019. Imperdível!

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Death Angel - Humanicide (2019)


Death Angel - Humanicide (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Humanicide
02. Divine Perfector
03. Aggressor
04. I Came For Blood
05. Immortal Behated
06. Alive And Screaming
07. The Pack
08. Ghost Of Me
09. Revelation Song
10. On Rats And Men
11. The Day I Walked Away [bonus]

Daquela geração de bandas Thrash surgidas nos anos 80 nos Estados Unidos – com foco maior na Bay Area -, poucas foram as que, em algum momento da carreira, não decepcionaram uma parte de sua base de fãs. Mas existe um pequeno grupo que sempre apresentou trabalhos acima da média, e é dele que o Death Angel faz parte. Ok, você pode alegar que Frolic Through the Park (88) e Killing Season (08) não são trabalhos brilhantes, mas ainda sim passam longe de serem decepções propriamente ditas. São álbuns que, apesar de não soarem tão inspirados quanto outros na discografia dos californianos, possuem suas qualidades.

Humanicide é o 9º álbum de estúdio da banda, e tem a difícil missão de dar continuidade a uma sequência simplesmente matadora, formada por Relentless Retribution (10), The Dream Calls for Blood (13) e The Evil Divide (16). Podemos falar, sem exageros, que no caso do Death Angel, missão dada é missão cumprida, já que ao fim da audição, ficamos com a sensação que estamos diante de um dos melhores álbuns da carreira da banda. Entregando um trabalho que ainda consegue ser realmente relevante musicalmente, Mark Osegueda (vocal), Rob Cavestany (guitarra), Ted Aguilar (guitarra), Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria), mantém a pegada que vem desde Relentless Retribution, e que tem funcionado muito bem.


Se você por acaso não acompanhou a banda na última década, basicamente o que o quinteto entrega é um equilíbrio perfeito entre aquela sonoridade típica dos anos 80, respeitando suas raízes, com uma pegada mais moderna e muito bem trabalhada, que traz sua música para os dias atuais e evita que soem datados, ou simplesmente como um pastiche dos seus dias de glória. Como já dito, sua música mantém a relevância do passado, mas faz isso sem precisar ficar se copiando. Os vocais de Osegueda estão fenomenais, e são como um bom vinho, que fica cada vez melhor com o passar dos anos. De nada adiantaria se o restante da banda não estivesse nesse mesmo nível, e felizmente, eles conseguem. As guitarras de Rob e Ted soam ótimas, não só no que tange os riffs, simplesmente absurdos, como também no que se refere aos solos. Quanto a parte rítmica, Damien Sisson e Will Carroll esbanjam técnica, diversidade, e coesão, sendo mais um diferencial no trabalho.

De cara, já temos a apocalíptica “Humanicide”, um exemplo perfeito de como as bandas da Bay Area soariam se surgissem nos dias atuais, aliando peso, velocidade, energia, riffs afiados e elementos da NWOBHM para temperar a mistura. “Divine Perfector” se mostra ainda mais feroz, com suas guitarras cortantes, ótimas partes percussivas, e uma aura de raiva de emana de cada nota tocada. É dessas canções moldadas para quebrar pescoços. “Agressor” é um exemplo perfeito da citada mistura entre a sonoridade clássica da banda e uma pegada mais atual, com destaque para o peso das guitarras, enquanto “I Came For Blood” tem uma aura “motörheadiana” que cativa qualquer um. “Immortal Behated” é outro exemplo de como essa mistura entre o tradicional e o moderno pode funcionar muito bem. Com uma levada mais mid-tempo, soa escura e intensa, com destaque para a dupla Cavestany/Aguilar, e as linhas de piano no final.


Veloz e com bom groove, “Alive And Screaming” é dessas canções moldadas para quebrar pescoços, e que deixa bem clara as raízes do Death Angel, enquanto “The Pack” se destaca não só pelo ótimo vocal, como pelas ótimas guitarras e o belíssimo trabalho percussivo. Difícil não se empolgar. “Ghost Of Me” mantém a pegada da faixa anterior, com bons riffs e um trabalho de guitarra cativante, apesar de ser a canção mais óbvia de todo o álbum. Cabe dizer que isso não tem nada de negativo. “Revelation Song” tem aquela aura mais moderna, mas sem abdicar do clássico, com destaque para as melodias “priestianas” presentes nas guitarras. Essas referências ao Metal Clássico deixam a faixa matadora. “On Rats And Men” se destaca principalmente pelas boas melodias, harmonias e riffs, que dão a mesma um ar um tanto diabólico. Encerrando o álbum, temos a faixa bônus “The Day I Walked Away”, que se destaca principalmente pelo seu trabalho de guitarras.

Diz o ditado, que em time que está ganhando não se mexe. Sendo assim, como ocorre desde Relentless Retribution, a produção e mixagem foram realizadas por Jason Suecof, com masterização de Ted Jensen. Como esperado, o resultado é ótimo, já que consegue aliar clareza com peso, energia e agressividade. A capa – após o breve intervalo de The Evil Divide –, voltou a ser feita por Brent Elliott White, trazendo novamente a luz os furiosos lobos pós-apocalípticos, que conseguem representar bem o que é um álbum do quinteto. Com canções que primam pela diversidade e agressividade, Humanicide consegue fugir da armadilha de soar cansativo com o passar dos minutos, já que graças a sua coesão, empolga do começo ao fim, fazendo dele um dos melhores álbuns lançados até o momento em 2019. Um massacre impiedoso, pois, a matilha não faz prisioneiros.

NOTA: 88

Death Angel é:
Mark Osegueda (vocal);
Rob Cavestany (guitarra);
Ted Aguilar (guitarra);
Damien Sisson (baixo);
Will Carroll (bateria).

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Necrofobia – Membership (2019)


Necrofobia – Membership (2019)
(Independente - Nacional)


01. Membership
02. Silent Protest
03. Perpétua 136
04. Blindness
05. Rotten Brain
06. Real Fiction
07. Apatia Social
08. Cemetery of Oblivion
09. Circle of Trust
10. Devil´s Lap
11. Unused Right
12. Worthless Lives
13. Guzzardi (faixa bônus)

Você pode desconhecer o Necrofobia e pensar que se trata de uma banda iniciante, mas a verdade é que o grupo oriundo de Ribeirão Preto/SP, já está na estrada desde 1994. Esse desconhecimento certamente se dá pelo fato de que, em 25 anos de carreira, Membership é apenas seu segundo álbum de estúdio, sendo que o mesmo está separado do debut, Dead Soul, por nada menos do que 15 anos. Nesse tempo, não pausaram as atividades, e continuaram na ativa, fazendo shows, mas passaram pelas inevitáveis mudanças de formação, inclusive com o falecimento de seu guitarrista, Raphael Guzzardi, durante o período de composição e gravação do álbum.

Quem teve a oportunidade de escutar Dead Soul, se deparou com um Thrash Metal tipicamente noventista, calcado principalmente no Sepultura da fase Chaos. A.D., e em Pantera, com destaque para a força dos riffs. Padecia um pouco de originalidade? Sim, mas ainda era um trabalho de muita qualidade, que mostrava uma banda que tinha tudo para figurar entre as grandes do cenário nacional. Pois bem! Nesses 15 anos, o Necrofobia evoluiu e aperfeiçoou seu som, alcançando aquele patamar que todos imaginavam que podiam chegar. Hoje, conseguem soar ainda mais pesados e diversificados, além de ter uma cara própria.

A qualidade dos temas aqui encontrados é algo que não se pode discutir. A agressividade e energia que emana de seu Thrash Metal é algo impressionante, e mesmo que sua sonoridade remeta diretamente as bandas dos anos 90, de forma alguma soam como uma emulação. É aquela situação onde você pode até notar as influências, mas não fica com a sensação do “eu já ouvi isso antes”. Os vocais de Romulo Felício são fortes, e em alguns momentos chegam a remeter aos de Max Cavalera, enquanto as guitarras despejam riffs realmente impressionantes. Vale dizer que boa parte das guitarras foram gravadas por Raphael Guzzardi, exceto os solos, que foram feitos por Rodrigo Tarelho, Romulo Felício (em “Circle of Trust”) e Alexandre Boetto (na faixa bônus “Guzzardi”). Quanto a parte rítmica, com João Manechini (baixo) e André Faggion (bateria), se mostra precisa, técnica e diversificada.


A sequência de abertura é simplesmente destruidora, com a enérgica e rápida “Membership”, e a agressiva “Silent Protest”, com partes mais cadenciadas e ótima parte rítmica. “Perpétua 136” é um ótimo Crossover, sendo seguida pela intensa e mais cadenciada “Blindness”. “Rotten Brain” se destaca pelos ótimos vocais; “Real Fiction” é cariada e com um ótimo trabalho de guitarras; “Apatia Social” é outro Crossover violento, enquanto “Cemetery of Oblivion” e “Circle of Trust” tem aquela pegada Thrash típica dos anos 90, carregadas de groove e agressividade. Na sequência final temos a violenta “Devil´s Lap”, a curta, intensa e direta “Unused Right”, a veloz e enérgica “Worthless Lives”, e a faixa bônus “Guzzardi”, bem diversificada e com um solo que se destaca pelas boas melodias.

A produção, a cargo de Romulo Felício, ficou muito boa, tendo sido muito feliz na escolha dos timbres, além de conseguir equilibrar muito bem clareza, peso e agressividade. Soa orgânica, mas sem perder aquela pegada mais moderna e atual. A parte gráfica também ficou boa, tendo sido obra de Roger Gaulês. Apresentando uma música diversificada, e que esbanja intensidade e energia, o Necrofobia agrada em cheio aos fãs daquele Thrash mais “moderno”, com groove, e que remete diretamente aos anos 90. Desde já, um dos melhores álbuns nacionais de 2019.

NOTA: 87

Necrofobia é:
- Romulo Felício (Vocal/Guitarra)
- Rodrigo Tarelho (Guitarra)
- João Manechini (Baixo)
- André Faggion (Bateria)

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terça-feira, 11 de junho de 2019

Uganga – Servus (2019)


Uganga – Servus (2019)
(Independente – Nacional)


01. Anno Domini (intro)
02. Servus
03. Medo
04. O Abismo
05. Dawn
06. Hienas
07. 7 Dedos (Seu Fim)
08. Couro Cru
09. Imerso
10. Lobotomia
11. Fim de Festa
12. E.L.A.
13. Depois de Hoje…

Em um cenário onde boa parte das bandas se limita a executar o padrão que delas é esperado dentro de um estilo já definido – o que não tem nada de errado, cabe dizer –, você se deparar com um nome que ousa sair das fórmulas preestabelecidas é inspirador. Alguns podem desconhecer o Uganga, mas o grupo mineiro oriundo de Uberlândia, já está a mais de 25 anos fazendo história, com uma sonoridade bem própria. Sobre uma base Thrashcore, o sexteto formado por Manu Joker (vocal, ex-baterista do lendário Sarcófago, onde gravou o EP Rotting), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Murcego Gonzáles (guitarra), Ras Franco (baixo) e Marco Henriques (bateria), não tem medo de arriscar e ousar, trazendo novas influências para a sua música, algumas até externas ao Heavy Metal.

Quem acompanha a carreira do Uganga, sabe que seus 2 trabalhos anteriores, Vol 3: Caos Carma Conceito (09) e Opressor (14), foram voltados para a consolidação de sua sonoridade. Com Servus, seu 5º álbum de estúdio, parece que finalmente encontraram a maturidade musical. Não vou mentir, não é uma audição fácil para quem não está acostumado com a proposta da banda, até porque soam ainda mais ousados e experimentais do que de costume, mas para quem se permitir mergulhar nessa viagem, ela pode ser uma experiência enriquecedora. Uma prova da sua relevância musical, se dá pelo fato de que Servus foi financiado através de recursos, não só do Programa de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Uberlândia, como também oriundos da Wacken Fundation, instituição sem fins lucrativos, ligada ao Festival Wacken Open Air, e que possui a finalidade de apoiar projetos de Hard/Heavy que considerem relevantes, ao redor do mundo.

Musicalmente, como já dito, a base é o Thrashcore, mas o Uganga não se limita ao Crossover puro e simples. Elementos de estilos díspares ao Metal, como MPB, Rap e Eletrônica, se fazem presentes em diversos momentos. Isso resulta em uma sonoridade que além de agressiva e pesada, prima também pela energia e criatividade, elementos que sobram nas canções presentes em Servus. Os vocais de Manu Joker continuam ótimos, e são um dos grandes destaques do álbum, e os vocais de apoio também funcionam muito bem. A inclusão de uma terceira guitarra também fez um bem tremendo a banda, já que além de mais peso e agressividade, também influenciou na questão melódica, trazendo mais groove a sonoridade. Já a parte rítmica se destaca não só pela boa técnica e coesão, como também pela diversidade. Para enriquecer ainda mais, Servus contou com inúmeras participações especiais, algumas, um tanto inusitadas. Se fazem presentes os vocalistas Casito Luz (Witchammer) e Renato BT (do John No Arms), o saxofonista Marco Melo, o grupo chileno de Rap Lexico, o guitarrista Fabio Marreco (Totem), o DJ Eremita, o violonista Luiz Salgado, a ótima cantora e dançarina pernambucana Flaira Ferro e o espiritualista Sr. Waldir. Esses nomes mostram a amplitude da música do Uganga.


Após uma introdução, o álbum começa para valer com “Servus”, um Crossover com ótimos riffs, refrão forte, boas melodias e bons backings. Com partes cadenciadas bem interessantes, “Medo” é dessas faixas agressivas e diretas, com uma pegada mais Hardcore, enquanto “O Abismo” abre espaço para as participações de Casito Luz e Marco Melo, que consegue encaixar um solo de saxofone na canção. Vale destacar também o ótimo trabalho das guitarras e a parte rítmica pesada. A curta “Dawn” traz um momento de calma para o álbum, com suas frases quase faladas por Manu Joker, tendo na sua sequência a pesada e enérgica “Hienas”, com vocais que pendem mais para o Rap, a participação dos chilenos do Lexico e ótimo desempenho rítmico e percussivo. “7 Dedos (Seu Fim)” é uma das melhores canções do álbum, e é enriquecida não só pelos vocais de Renato BT, como também pelo solo de Fábio Marreco. Tem uma queda para o Hardcore e esbanja peso, algo que também sobra em “Couro Cru”. “Imerso” tem bom groove e muita agressividade; “Lobotomia” é uma versão para o clássico da banda paulista de mesmo nome, se mostrando dura e direta, enquanto “Fim de Festa” é um Thrashcore de muita qualidade. A sequência final da abertura maior para o experimentalismo, com “E.L.A.”, contando com participações de Flaira Ferro, DJ Eremita e Luiz Salgado, e mesclando elementos de Rock, MPB, Rap e violas caipiras, e a densa “Depois de Hoje”, que além de riffs brutos e uma dose de agressividade, ainda conta com a  participação do espiritualista Sr. Waldir, e sampler de um discurso de  Mahatma Ghandi.

A produção, realizada por Manu Joker e Gustavo Vazquez, ficou ótima e não fica devendo nada a qualquer trabalho gringo. Deixou tudo claro, audível e pesado, mas sem perder em nada a organicidade, o que é ótimo em uma era de produções plastificadas. Já a bela capa foi obra de Wendell Araújo, e representa bem toda a espiritualidade e diversidade que emana da música do sexteto mineiro. Nela temos elementos religiosos que vão desde as religiões afro-brasileiras até as orientais, passando por referências indígenas de nosso país. Nada poderia refletir melhor o que ouvimos aqui. Com um trabalho mais diversificado e experimental, mas sem abrir mão das suas características principais, o Uganga chegou naquele ponto que toda banda anseia, que é o do amadurecimento musical. É uma banda única no cenário nacional, que merece um reconhecimento muito maior do que tem, que deve finalmente vir com Servus, um álbum que certamente estará em diversas listas de melhores do ano em dezembro.

NOTA: 87

Uganga (gravação):
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Murcego Gonzáles (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

Uganga é:
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Lucas “Carcaça” Simon (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Tormenta - Batismo da Dor (2019)


Tormenta - Batismo da Dor (2019)
(Independente - Nacional)


01. Cumulusnimbus
02. Batismo da Dor
03. Escravo da Ilusão
04. Reféns do Medo
05. Em Nome de Deus
06. Dono da Verdade
07. Antaŭŝtorm’
08. A Noite Espessa
09. Perseverança
10. Mal Necessário

Surgida no ano de 1998, na cidade de Ribeirão Preto/SP, a Tormenta enfrentou as dificuldades e percalços de nosso undergorund, tanto que passou por 2 períodos de hiato, 2002-2005, e 2008 - 2010. Entretanto, chegaram a lançar um EP, autointitulado no ano de 2006, e agora, mais de 2 décadas após sua fundação, finalmente chegam ao seu debut, intitulado Batismo da Dor. Sabe aquele álbum que te faz lamentar ter demorado tanto a sair? Pois bem! Esse é o caso aqui.

A Tormenta não busca reinventar a roda em nenhum momento, mas sabe utilizar muito bem suas influências para criar um som de personalidade. Enveredando-se pelo Thrash Metal, consegue unir aquela agressividade característica das bandas americanas da década de 80, a técnica típica das bandas europeias do mesmo período, e doses de Heavy Metal e, principalmente, Hardcore. O resultado? Uma música pesada, agressiva, enérgica e muito bem trabalhada. As letras, todas em português, mostram uma qualidade absurda e enriquecem ainda mais o trabalho do quarteto. Críticas e ácidas, como todas deveriam ser.

Os vocais de Rogener Pavinski seguem aquela linha mais rasgada e se mostram muito agressivos, e ele faz uma bela dupla com o guitarrista Flávio Santana. Além de riffs fortes e marcantes, conseguem imprimir boas melodias, principalmente nos solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Fernando Henriques e o baterista Luis Fregonezi, têm uma posição de destaque dentro das canções, já que elas primam pela variedade. A Tormenta não é daquelas bandas que Thrash que apostam puramente na velocidade, e em diversos momentos investem em partes mais quebradas e cadenciadas. Isso termina sendo um grande diferencial.


Após a intro “Cumulusnimbus”, temos a forte “Batismo da Dor”, que se destaca pelos riffs e pela pegada mais Slayer. A faixa seguinte, “Escravo da Ilusão”, se mostra bem variada e com um ótimo trabalho da bateria. A cadência e o peso dão o tom na ótima “Reféns do Medo”, tendo na sequência a enérgica e devastadora “Em Nome de Deus”, com seu ótimo trabalho de guitarras. “Dono da Verdade” é bem diversificada, e contêm em sua narração, citação ao discurso anti-nazista “E Não Sobrou Ninguém”, de Martin Niemöller. Após a instrumental “Antaŭŝtorm’”, temos “A Noite Espessa”, pesada e com tiques de Hardcore. Na sequência final, temos “Perseverança”, que tem uma pegada mais sombria em seu início, mas logo parte para algo mais agressivo, e uma ótima versão de “Mal Necessário”, composição de Mauro Kwitko, que foi eternizada por um dos maiores artistas desse país, Ney Matogrosso. Forte, com grande carga emocional, e perfeita para fechar o álbum com chave de ouro.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Romulo Felício (Fatal Scream, Lusferus) e Rogener Pavinski, com bons resultados, já que deixaram tudo audível, bem timbrado, e com aquela dose de sujeira necessária. Na capa, temos a escultura Urlo, do italiano Enrico Ferrarini, com a arte do encarte tendo sido feita por Rogener. Esbanjando peso, agressividade e técnica, a Tormenta se sai muito bem em seu debut, apresentando um trabalho que, se não prima pela inovação, se destaca pela criatividade e pela força das canções e letras. Que continuem assim nos próximos lançamentos!

NOTA: 84

Tormenta é:
- Rogener Pavinski (vocal/guitarra)
- Flavio Santana (guitarra)
- Fernando Henriques (baixo)
- Luis Fregonezi (bateria)

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Metalmedia (Assessoria)

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Faces of Death – From Hell (2018)


Faces of Death – From Hell (2018)
(Independente - Nacional)

01. Priest from Hell
02. I Am the Face of Death
03. New World Order
04. Fucking Human Gods
05. Human Race
06. Brainwash
07. Face the Enemy
08. Anno Domini
09. King of Darkness

O Faces of Death surgiu no ano de 1990, na cidade de Pindamonhangaba/SP, e chegou a lançar duas demos antes de encerrar suas atividades em 1997. Passados 20 anos, a banda retomou a carreira lançando o bom EP Consummatum Est (17), e na sequência, no ano passado, finalmente liberou o seu debut, From Hell. Ouso dizer que poucas vezes o nome de uma banda e o título de um álbum foram tão condizentes com o conteúdo musical. Porque olha, o que temos aqui é uma verdadeira paulada na moleira!

Apresentando um Thrash Metal que equilibra bem o que foi feito no estilo, nos anos 80 e 90, mesclado com generosas doses de Death Metal, o Faces of Death vai agradar em cheio os fãs de formações como Sepultura (pré-Chaos), Kreator, Slayer, e até mesmo Pantera. Equilibrando bem passagens mais pesadas com outras mais velozes, além de um bom groove, o quarteto formado por Laurence Miranda (vocal/guitarra), Felipe Rodrigues (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Sidney Ramos (bateria) entrega uma música ríspida, com bons vocais urrados – ainda que pouco variados -, guitarras que despejam riffs simplesmente brutais, além de uma parte rítmica técnica e precisa. Em resumo, tudo que realmente esperamos de um álbum de Thrash/Death.


De cara temos a brutal “Priest from Hell”, que esbanja fúria e bom groove, sendo seguida pela agressiva e variada “I Am the Face of Death”. Em ambas, o quarteto faz questão de manter um pé bem firme no Death Metal, dando um sabor a mais para as canções. “New World Order” consegue alternar muito bem passagens cadenciadas e velozes, além de possuir um ótimo trabalho de guitarra e riffs afiadíssimos. “Fucking Human Gods” é bruta e tem ótimo desempenho da parte rítmica, enquanto o Death Metal volta a dar as caras na ótima “Human Race”, outra que se destaca pelos ótimos riffs. “Brainwash” se mostra veloz e pesada; “Face the Enemy” tem bons riffs, sendo bem variada, e remetendo um pouco ao Sepultura da fase Beneth the Remains/Arise; e  “Anno Domini”, presente no EP de 2017, é daquelas canções curtas e diretas. Encerrando o álbum, a violenta e brutal “King of Darkness”.

A produção ficou a cargo da banda e de Friggi MadBeats, baterista do Chaos Synopsis, que também foi responsável pela mixagem e masterização. O resultado é muito bom, e equilibrou clareza e sujeira, como deve ser em um álbum do estilo. Já a capa e todo o layout foram obras de Raphael Gabrio, e conseguiu incorporar com perfeição todo o clima de fúria que as canções transmitem ao ouvinte. O Faces of Death pode não apresentar nada essencialmente novo com seu Thrash/Death, mas o faz com competência, personalidade, propriedade, e principalmente, com uma honestidade que fica latente em cada nota. Um álbum feito na medida para fãs do estilo!

NOTA: 83

Faces of Death é:
- Laurence Miranda (vocal/guitarra);
- Felipe Rodrigues (guitarra);
- Sylvio Miranda (baixo);
- Sidney Ramos (bateria).

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sexta-feira, 1 de março de 2019

Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança


Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança
(Independente - Nacional)


01. O Caos Será a Tua Herança
02. Os Fins Justificam os Meios
03. Recuse a Cegueira
04. Flagelo
05. Guerra Urbana
06. Dor, Sofrimento e Morte
07. Cangalha
08. Marionete
09. Negra Sina
10. Piada
11. Inimigo no Espelho
12. As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade
13. Pesadelo Latino Americano
14. Rato Cinza
15. Vida Útil
16. Verdades e Utopias

Ser uma banda underground nunca foi e nem vai ser fácil, e a história do Grinding Reaction retrata bem as dificuldades existentes no meio. Surgido na cidade de Diadema/SP, no ano 2000, chegaram a lançar uma Demo autointitulada no ano seguinte, e o EP Opression, Negligence, Tears and Blood em 2004, mas acabaram encerrando as atividades 4 anos depois. Após um hiato, retornaram em 2011, mas precisaram de um tempo até conseguir estabilizar uma formação e então partir para o EP Tempo, Persistência e Fúria (15), que foi uma releitura de faixas da Demo e do EP anteriores, acrescidas de uma música inédita. Finalmente ano passado, passados 18 anos de sua fundação, conseguiram lançar seu debut, O Caos Será a Tua Herança.

Musicalmente, o quarteto na época formado por Ricardo Marchi(vocal/guitarra), Victor Rotta (guitarra), Renato Spadini Jr. (baixo) e Weslley Ferreira (bateria), se envereda pelos caminhos do Crossover, mesclando com bastante competência Hardcore, com Thrash/Groove Metal. Não é a reinvenção da roda, mas como eu sempre digo, para que reinventar algo que já funciona com perfeição? Dessa forma, o ouvinte mais acostumado com a proposta sabe exatamente o que vai encontrar, ou seja, música enérgica, vocais raivosos, guitarras pesadas e agressivas, acompanhadas de uma parte rítmica forte e destruidora. Vale também destacar os solos melodiosos e a boa variedade, já que alternam muito bem entre velocidade e cadência. 


São 16 faixas, onde por mais que possuam uma heterogeneidade, algumas se destacam naturalmente. “Os Fins Justificam os Meios” tem boas mudanças de ritmo e é bem pesada, enquanto “Recuse a Cegueira” mostra um solo com melodias de qualidade. “Flagelo” é agressiva e tem boa técnica, e “Guerra Urbana” se equilibra bem entre as partes cadenciadas e velozes. “Dor, Sofrimento e Morte” tem um ótimo groove e transborda peso, e “Negra Sina” é desses Crossovers que prima pela rispidez e agressividade. “As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade” é outra que se destaca demais, com seu peso opressivo e ótimas partes cadenciadas.  “Verdades e Utopias” encerra o álbum com o nível lá em cima, graças a sua boa variedade e ótimo desempenho da parte rítmica.

Toda parte de produção, mixagem e masterização ficou por conta do guitarrista Victor Rotta, e o resultado é bom, com quela crueza e agressividade que o estilo pede, mas ainda sim bem audível. A capa retrata com perfeição o conteúdo agressivo, crítico e ácido das letras, e também ficou muito boa. Como dito, o Grinding Reaction não apresenta nada de novo, mas isso não os impede de fazer uma música com cara própria e que transborda qualidade. Que daqui para frente, consigam estabilizar a carreira de forma que muitos outros álbuns venham, pois, com O Caos Será a Tua Herança, conseguiram acertar em cheio.

NOTA: 81

Grinding Reaction (gravação):
- Ricardo Marchi(vocal/guitarra);
- Victor Rotta (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

Grinding Reaction é:
- Ricardo Marchi(vocal);
- Victor Rotta (guitarra);
- Rafael Santos (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Gangrena Gasosa - Gente Ruim Só Manda Lembrança pra Quem Não Presta


02. Ultra-Violence - Operation Misdirection 


03. Suffocation of Soul - Macabre Sentence (EP)


04. Fast Evil - The Midnigh 


05. Warrel Dane - Shadow Work


06. Artillery - The Face of Fear 


07. Attomica - The Trick


08. Brutallian - Reason for Violence


09. Angelus Apatrida - Cabaret de la Guillotine 


10. Kamala - Eyes of Creation 

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

MX - A Circus Called Brazil (2018)


MX - A Circus Called Brazil (2018)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Halloween Circus
02. Fleeing Terror
03. Murders
04. Mission
05. Lucky
06. Cure and Disease
07. Toy Soldier
08. Keep Yourself Alive
09. Marching Over Lies
10. Apocalypse Watch
11. A Circus Called Brazil – pesada e agressiva, bem diversificada.
12. Speedfreak (Motörhead cover)

O MX é um dos nomes mais tradicionais do Metal brasileiro. Surgido em Santo André/SP, no ano de 1985, de cara lançou dois trabalhos clássicos quando falamos de Thrash no Brasil, Simoniacal (88) e Mental Slavery (89). Em seguida, tivermos 2 bons álbuns, Again... (97) e The Last File (00), para então entrarem em um hiato que perdurou por 12 anos. Após o retorno, chegaram a lançar um trabalho com regravações, Re-Lapse (14), mas a verdade é que os fãs aguardavam já a algum tempo por material inédito da banda. E finalmente, após uma espera de 18 anos, finalmente temos em mãos A Circus Called Brazil, seu 5º álbum de estúdio.

Aqui não tem muito mistério, e o ouvinte sabe muito bem o que esperar. É Thrash Metal direto, agressivo, vigoroso, e que apesar de remeter ao passado da banda, ainda sim consegue soar atual. É old school, mas sem parecer como se tivesse sido feito 30 anos atrás. Os vocais de Alexandre Cunha estão agressivos e soam melhores do que nunca, e ele continua destruindo tudo na bateria, formando uma ótima parte rítmica com  Alexandre "Morto" Favoretto. A dupla de guitarristas, formada por Alexandre "Dumbo" Gonsalves e Décio Jr., despejam ótimos riffs em nossos ouvidos, além de boas melodias e bom groove. Vale destacar também a qualidade dos refrões, marcantes e fortes. 


Após uma breve introdução, temos a rápida “Fleeing Terror”, que esbanja energia e vigor, dando uma amostra do que encontraremos pela frente. Na sequência vem a ótima “Murders”, com uma boa variação entre partes mais velozes e outras mais cadenciadas, onde a parte rítmica se destaca. “Mission” tem momentos mais cadenciados que dão variedade a canção, enquanto “Lucky” transborda energia e vigor, com ótimas guitarras. “Cure and Disease” tem uma levada mais lenta e possui peso de sobra, e “Toy Soldier” se destaca principalmente pelo ótimo trabalho de bateria.“Keep Yourself Alive” remete mais aos primórdios da banda e apresenta boa técnica. “Marching Over Lies” e “Apocalypse Watch” formam uma sequência com potencial para moer pescoços. Encerrando o álbum, a belíssima faixa título, diversificada, pesada e agressiva, e uma versão muito boa de “Speedfreak”, do Motörhead.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Tiago Hóspede, em parceira com a banda. O resultado conseguiu unir clareza e agressividade, tudo na medida correta e sem certos exageros dos dias atuais. Já a capa, uma das melhores que vi esse ano, foi obra de Cleyton Amorim, e retrata o momento vivido por nosso país. Com um álbum para lá de consistente e conseguindo aliar suas raízes, mas sem soar datado, o MX lançou um dos grandes álbuns nacionais de 2018, e, com certeza, figurará em muitas listas de melhores do ano em dezembro.

NOTA: 86

MX é:
- Alexandre Cunha (vocal e bateria),
- Alexandre "Dumbo" Gonsalves (guitarra e vocal),
- Alexandre "Morto" Favoretto (baixo e vocal),
- Décio Jr. (guitarra).

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Lethal Storm - Manipulated Mind (2017)


Lethal Storm - Manipulated Mind (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulated Mind
02. As Another Day Begins
03. Where’s the Respect
04. Psychopath
05. Chemical Slave
06. Mass Annihilation
07. Disorder
08. Violence
09. Corruptos (Bonus Track)
10. Blood Storm (Bonus Track)
11. Words of Mankind (Bonus Track)

A tendência do brasileiro para sonoridades mais extremas quando o assunto é Heavy Metal, não pode ser negada de forma alguma. E aqui temos mais uma prova disso. O Lethal Storm surgiu na cidade de Campinas/SP, no ano de 2007, e tratou de se enveredar pelos caminhos do Death/Thrash. Lançaram um EP no ano de 2012, Lethal Storm We Are, onde seu potencial pode ser observado, mas após se seguiu um hiato de 5 anos sem lançamentos, onde passaram por mudanças de formação e foram mudando e maturando sua sonoridade. E eis que agora temos em mãos o seu debut, intitulado Manipulated Mind.

Musicalmente não temos aqui um som revolucionário. Seu Death Metal tem aquela pegada mais tradicional e bem técnica de nomes como Cannibal Corpse, Deicide, Vital Remains, Malevolent Creation e afins, com uma bem-vinda dose de Thrash Metal, que não só dá um ar mais atual a música dos campineiros, como também adiciona a ela boas melodias. Cabe dizer que isso em momento algum atenua o peso e a agressividade absurda das composições aqui presentes. Os vocais de Douglas Mota são excelentes, trafegando entre o gutural e o rasgado com uma naturalidade absurda. As guitarras de Diego Mota e Luciano Santos (posto hoje ocupado por Cleber Zeferino) despejam ótimos riffs e solos, enquanto a parte rítmica, com o baixista Haroldo Sanchez e o baterista Fábio Luiz, mostram não só muita coesão, como também muita técnica, além de imprimir um peso absurdo.


O álbum abre com a bruta e técnica “Manipulated Mind”, um dos grandes destaques de todo CD, sendo seguida pelas aceleradas e explosivas “As Another Day Begins”, com seus ótimos riffs, e “Where’s the Respect”, onde a parte rítmica brilha. A densa e cadenciada “Psychopath” é mais puxada para o Thrash, com um trabalho de guitarras que remete ao Slayer, tendo na sua sequência a feroz e agressiva “Chemical Slave”, melhor música de todo o álbum. Aqui vale destacar mais uma vez a parte rítmica. “Mass Annihilation” soa bruta e violenta, enquanto “Disorder” alterna bem velocidade cadência e transborda peso por todos os poros. “Violence” faz jus ao nome e se mostra bem variada, e “Corruptos” apresenta boas melodias e uma letra em português. Funcionou muito bem. Na sequência final temos as melodias marcantes de “Blood Storm”, que pasmem, me remeteu em algumas passagens ao Amon Amarth, e a agressiva “Words of Mankind”.

Gravado no Estúdio RG, o processo de produção fico a cargo da banda, em parceira com Guilherme Malosso e Yuri Camargo (ambos do Motherwood). O resultado é muito bom, já que não só foram felizes na escolha da timbragem, como também conseguiram deixar a gravação bem orgânica, sem abrir mão da clareza e da agressividade. Já a capa e o restante do projeto gráfico foram realizados por Jean Michel, da Designations Artwork, que já trabalhou com nomes como Keep of Kalessin, Skinlepsy e Pagan Throne. Se encaixou com perfeição na proposta lírica e musical da banda. Como já dito, o Lethal Storm não apresenta nada inovador, mas sua música consegue ter uma cara própria durante a maior parte do tempo, além de transbordar energia, peso, agressividade e brutalidade. É Death/Thrash feito sobre medida para triturar tímpanos delicados.

NOTA: 82

Lethal Storm é:
- Douglas Mota (vocal);
- Diego Mota (guitarra);
- Cleber Zeferino (guitarra);
- Haroldo Sanchez (baixo);
- Fábio Luiz (bateria).

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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Sinaya – Maze of Madness (2018)


Sinaya – Maze of Madness (2018)
(Brutal Records – Importado)


01. Life Against Fate
02. Abyss to Death
03. Always Pain
04. Bath of Memories
05. Crowd in Panic
06. Infernal Sight
07. Deep in the Grave
08. Buried by Terror

Eu juro que tento de verdade, mas fazer “textão” em resenha é algo que está no meu sangue. Não consigo deixar de me posicionar sobre temas que muitas vezes são espinhosos, mas necessários de serem abordados. Querendo ou não, quem se propõe a resenhar um álbum se coloca na posição de formar opiniões, e quando você tem tal responsabilidade, mesmo que em uma escala reduzida, não pode simplesmente se calar para certas questões. Sei que às vezes sou chato com essa atitude, mas acredite, ela é realmente necessária. E mais uma vez vamos falar aqui da presença feminina no meio do Heavy Metal. 
O Metal é um meio predominantemente masculino e os fatores para isso são diversos, não cabendo ficar enumerando os mesmos aqui. Isso não exclui de forma alguma, a presença feminina no meio, mas sim realça a necessidade de uma maior representatividade da mulher, seja como fã do estilo, jornalista, fotógrafa, produtora, ou em cima de um palco. Não é nem a questão de termos um mesmo número de homens e mulheres no meio (por mais isso seria algo muito legal), mas sim da mulher se sentir bem em estar envolvida com a música pesada, se fazendo assim presente em uma quantidade maior do que temos hoje. Mas existe um sério entrave para isso, que é a questão do respeito. Sim, a mulher não é tão respeitada assim em nosso meio como alguns por aí parecem acreditar.


Hoje estou com meus 41 anos, e o Heavy Metal faz parte da minha vida desde meus 12. Já são quase 3 décadas nesse meio, e perdi a conta das vezes que escutei frases como “É, até que ela toca bem para uma mulher.”, ou “Só faz sucesso porque é mulher.”. Isso sem contar as abordagens grosseiras em shows de Metal, já que existem aqueles que acreditam que mulher não pode realmente gostar do estilo, e que se está no show, é porque está caçando um “cabeludo” para ela, ou tem um parceiro que curte. Mais de uma vez já tive que intervir em situações onde o cara, ao receber o não de uma mulher, tentou forçar algo mesmo assim. Compreendam uma coisa. Assim como em qualquer área nessa vida, homens e mulheres não diferem em nada quando o assunto é competência. Então sim, elas possuem a mesma capacidade que você de curtir Heavy Metal, de trabalhar no meio, de fazer música de qualidade, e devem sim, serem tratadas de igual para igual. Nem melhor, e nem pior, mas com igualdade. Então, “respeita as mina”, e cobre isso das pessoas a sua volta.

Antes que você desista de continuar a leitura, vou falar do que certamente trouxe você aqui, Maze of Madness, o aguardado debut da Sinaya. Surgida no ano de 2010, a banda já haviam mostrado potencial com o EP Obscure Raids em 2013, e o single Buried by Terror de 2015. Após este último, passaram por algumas mudanças de formação, e hoje o quarteto conta com Mylena Monaco (vocal/guitarra), Renata Petrelli (guitarra), Bruna Melo (baixo) e Cynthia Tsai (bateria). Para quem não conhece sua sonoridade, trafegam entre o Death e o Thrash de uma forma muito equilibrada, sendo que a pegada da banda é mais moderna, se aproximando muito mais dos anos 90 do que daquele som tradicionalmente oitentista.

Os vocais de Mylena são bem agressivos e com uma abordagem típica do Death Metal. E antes que você venha tecer comparações com os vocais de Angela Gossow, algo que parece ser uma tara de muitos quando falamos de vozes femininas nas vertentes mais extremas, eu já digo que o que escutamos aqui se aproxima muito mais de um Chuck Schuldiner ou de um John Tardy. Ou seja, são realmente vocais típicos do estilo. A dupla que ela forma com Renata é responsável por um ótimo trabalho de guitarras, que se aproxima daquele Thrash mais grooveado, com foco nos riffs, que são realmente ótimos, e nas melodias. O baixo soa brutalmente pesado, e foi responsabilidade não só de Bruna, mas também de Camila Toledo, que saiu da banda durante as gravações. A bateria se destaca principalmente pelo belo trabalho de bumbo duplo e foi gravada por Rodrigo Felix, exceto “Buried by Terror”, que por ter sido lançada em 2015, conta com a ex-baterista Aline Dutchi nas baquetas.


De cara, começamos com a bruta  “Life Against Fate”, um retrato perfeito do que você encontrará pela frente. Energia de sobra, riffs marcantes, boas melodias e alternância entre partes mais velozes e cadenciadas. “Abyss to Death” tem uma cadência opressiva que faz ela soar ainda mais pesada do que é, e “Always Pain” possui um belíssimo trabalho de guitarras, além de uma aura obscura e má. “Bath of Memories” tem um groove muito bom vindo das guitarras e é outra que oprime o ouvinte com sua brutalidade. Aliás, nessa altura do jogo fica muito claro que o Sinaya não é dessas bandas que aposta na velocidade pura e simples. “Crowd in Panic” te remete diretamente aos melhores momentos do Obituary, mas não soa como simples emulação. “Infernal Sight” tem ótimos riffs e um trabalho simplesmente brutal da bateria, e “Deep in the Grave” transmite um clima sombrio e raivoso ao ouvinte. Finalizando, a já conhecida e empolgante “Buried by Terror”.

Maze of Madness foi gravado no Mr. Som Studio (São Paulo/SP) e teve sua produção toda a cargo da dupla Marcelo Pompeu e Heros Trench. O resultado é muito bom, já que deixou tudo muito claro, com todos os instrumentos 100% audíveis. A escolha dos timbres também foi muito boa. Já a capa é obra de João Duarte (Circle II Circle, Angra, Nervosa, Metal Church, Torture Squad), e reflete perfeitamente o que é a música do quarteto. O Sinaya pode não apresentar nenhuma grande novidade no que diz respeito a sonoridade musical, mas sua música transborda energia, peso, agressividade e principalmente, honestidade, além de ser feita sobre medida para esmagar vértebras dos pescoços menos acostumados. Básico, muito bem feito, e exatamente por isso, extremamente cativante.

NOTA: 86

Sinaya é:
- Mylena Monaco (vocal/guitarra);
- Renata Petrelli (guitarra);
- Bruna Melo (baixo);
- Cynthia Tsai (bateria).

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