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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Enemynside - Chaos Machine (2019)


Enemynside - Chaos Machine (2019)
(Rockshots Records/Shinigami Records - Nacional)


01. Faceless
02. Black Mud
03. Suffered Defeat
04. Frozen Prison Cell
05. Deadline
06. System Failure
07. The Terror
08. Shitstorm
09. No God in Kolyma
10. Devoured

Durante certo período, a Itália ficou marcada como um celeiro de bandas de Heavy Metal Melódico, por mais que fosse muito mais do que isso. Esse fato acabou por ficar marcado no inconsciente de muitos bangers, e talvez por isso, alguns se surpreendam quando alguma banda de outra vertente metálica surja pelos lados da “bota”. Pois é de lá que vem o Enemynside, banda surgida em 1994 com o nome de Scapegoat, e assim se manteve nomeada até 1999, quando alteraram para a denominação atual.

Como Enemynside, lançaram 3 álbuns, Let the Madness Begin...(03), In the Middle of Nowhere (08) e Whatever Comes (12), antes de entrar em um hiato que entre os anos de 2013 e 2016. Após o retorno, lançaram o EP Dead Nation Army em 2018, e ano passado soltaram seu 4º trabalho de estúdio, Chaos Machine. Musicalmente, o que temos é um Thrash Metal que não esconde sua admiração pela Bay Area e por nomes como Testament, Death Angel, Metallica, Forbidden, Heathen, Exodus, Vio-lence, e afins.

Apesar de deixar suas influências mais latentes, e de apostar em um estilo que teve o seu auge décadas atrás, de forma alguma a música dos italianos soa como uma simples emulação, ou mesmo datada. O quarteto formado por Francesco Cremisini (vocal/guitarra), Matt Bellezza (guitarra), Andrea Pistone (baixo) e Fabio Migliori (bateria) consegue não só imprimir sua personalidade em cada uma das canções aqui presentes, como as faz soarem atuais. Imagine uma banda da Bay Area dos anos 80 lançando um álbum em 2019. Certamente soaria como o Enemynside.

Apostando em canções velozes, com riffs pesados, agressivos, boas melodias e uma bateria avassaladora, entregam um trabalho bem homogêneo, com músicas que conseguem manter um bom nível de qualidade. Faixas como “Faceless”, “Black Mud”, e “System Failure” primam pelos riffs de qualidade e pelo vigor, enquanto “The Terror” e “Shitstorm” esbanjam força e boa técnica. “Deadline” se mostra mais variada e com um bom solo, e “No God in Kolyma” é verdadeiramente estrondosa. Mas os grandes destaques do álbum ficam por conta de “Suffered Defeat”, forte, técnica e altamente enérgica, e “Frozen Prison Cell”, feita sob medida para se bater cabeça.

Gravado no 16th Cellar Studios, com todo o processo de produção, mixagem e masterização capitaneados por Stefano Morabito (Ade, Decrepit Birth, Fleshgod Apocalypse, Theatres des Vampires), conseguiram um resultado muito bom, já que a sonoridade soa clara, limpa, moderna, mas ainda sim pesada, agressiva e longe de soar artificial. Já a belíssima capa, que deixa bem claro o conteúdo do álbum, é obra de Mario Lopez (Evil Invaders, Fabulous Desaster, Skeletal Remains, Them). O Enemynside não revoluciona o estilo, já que se utiliza de uma fórmula que já foi massificada, mas consegue dar uma cara própria a sua música, e com peso, riffs afiados, bateria veloz e energia de sobra, vai agradar em cheio aos fãs de Thrash, que terão torcicolo de tanto bater cabeça.

NOTA: 81

Enemynside é:
- Francesco Cremisini (vocal/guitarra),
- Matt Bellezza (guitarra),
- Andrea Pistone (baixo),
- Fabio Migliori (bateria)

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Chacina - Mortus Operandi (2019)


Chacina - Mortus Operandi (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Sequestro
02. Mariana
03. Somos todos iguais
04. Hit
05. Pastor
06. Podres Poesias
07. Na Alma
08. Estado Islâmico (bônus track)

Fazer Metal no Brasil nunca foi fácil, e a carreira da Chacina é um reflexo disso. Surgida na cidade de Piracicaba/SP, no ano de 1990, lançaram algumas demos com o decorrer dos anos, até que em 2005, resolveram pausar as atividades. Seguiu-se então um hiato de 9 anos, até que em 2014 resolveram voltar a se reunir. Em 2015 lançaram o EP Gaza, com 3 faixas, e após 4 anos, finalmente conseguiram, merecidamente, soltar seu primeiro álbum completo de estúdio, Mortus Operandi. Musicalmente, se enveredam pelo Thrash Metal/Crossover, e certamente vão agradar em cheio aos fãs de nomes como Nuclear Assault, Hirax, Overkill, Exodus ou Municipal Waste.

Umas das coisas mais legais aqui, é que apesar de apostarem em uma proposta mais old school, em momento algum a música da Chacina soa datada, já que eles conseguem atrazer para os tempos atuais, modernizando a mesma sem que para isso tenham que abrir mão das suas características básicas. Os vocais de Allan Big Thunder se mostram bem variados e insanos, como o estilo pede, enquanto a guitarra de Miguel Araújo nos entrega ótimas linhas e riffs verdadeiramente pesados e furiosos. Quanto a parte rítmica, com o baixista Jeferson Novaes e o baterista Billy Dark Machine, mostram boa técnica e imprimem um peso verdadeiramente opressor as canções. Em suma, temos aqui tudo que um fã do estilo procura em um CD.


“Sequestro” abre o álbum com vocais agressivos e riffs raivosos, sendo seguida pela intensa “Mariana”, que trata do desastre ambiental e humano ocorrido na cidade mineira. Aliás, cabe dizer que liricamente a banda não alivia para ninguém, com letras bem ácidas e críticas. O trabalho tem sequência com a mais cadenciada e direta “Somos todos iguais”, e com a veloz e agressiva “Hit”, que se destaca pelos riffs de qualidade. Nessa mesma pegada, temos “Pastor”, onde os vocais agressivos de Allan assumem uma posição de destaque. A pesada “Podres Poesias” traz a cadência de volta, e “Na Alma” é daquelas canções forjadas sob medida para você sair batendo cabeça pela sala. Encerrando, a ríspida e nervosa “Estado Islâmico”.

Todo processo de produção ficou a cargo de Renato Napty (Lethal Fear, Ivory Gates, The Goths), com um resultado muito bom, já que deixou tudo bem claro e audível, mas mantendo a agressividade e organicidade. A capa é obra de Danilo de Almeida, e reflete muito bem o conteúdo lírico do álbum. Se você é fã de Thrash/Crossover, Mortus Operandi com certeza será um belo acréscimo a sua coleção, mas se prepare, porque depois de tanto bater cabeça, certamente precisará ou do telefone de um ortopedista, ou de uma cartela de relaxante muscular, pois seu pescoço estará moído.

NOTA: 84

Chacina é:
- Allan Big Thunder (vocal)
- Miguel Araujo (guitarra)
- Jeferson Novaes  (baixo)
- Billy "Dark Machine" (bateria)

Participação:
- Ricky Furlani (guitarra)

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Sepultura – Quadra (2020)


Sepultura – Quadra (2020)
(Nuclear Blast/BMG - Nacional)


01. Isolation
02. Means To An End
03. Last Time
04. Capital Enslavement
05. Ali
06. Raging Void
07. Guardians Of Earth
08. The Pentagram
09. Autem
10. Quadra
11. Agony Of Defeat
12. Fear, Pain, Suffering, Chaos

Pode-se dizer que hoje existem dois tipos de fãs do Sepultura, e que vivem em lados opostos. De um, temos aqueles que não abandonaram a banda em momento algum, mesmo naqueles mais delicados. Até podem ser críticos quanto a certos lançamentos realizados, mas nunca viraram as costas ao quarteto. Do outro temos as, desculpe o termo, “Viúvas dos Cavalera”. Esse grupo optou por deixar a banda de lado após a saída de Max, e o lançamento dos primeiros álbuns com Derrick Green, alegando que sem ele, perderam a lógica de existir, crítica que se maximizou após a partida de Igor em 2006, para tocar com seu irmão. Para eles, o Sepultura deveria ter deixado de existir. Sinceramente, tenho minha opinião bem formada a respeito disso, mas de forma alguma vou julgar quem faz parte de um ou outro grupo.

Mas independente do grupo que você, fã de encaixa, uma coisa não dá para discutir: a importância do Sepultura para a história do Heavy Metal mundial. São 36 anos de vida, e álbuns do calibre de Schizophrenia (87), Beneath the Remains (89), Arise (91) e Chaos A.D. (93), todos com seu espaço cativo entre os melhores trabalhos de Thrash Metal de todos os tempos. Se após 1998 a carreira começou a capengar graças a alguns lançamentos discutíveis -– fosse pela qualidade da música, fosse por escolhas erradas de produtores -–, a partir de Dante XXI (06), e principalmente A-Lex (09), as coisas começaram a entrar lentamente nos eixos novamente, e se acertaram de vez com Kairos (11). Desde então a banda vêm em uma ascendente constante no que tange a qualidade dos seus lançamentos.

Machine Messiah (17) já havia me impressionado bastante, dada sua qualidade, criatividade e grandiosidade, o que me deixou curioso para saber como, e se, conseguiriam superá-lo. Pois bem! Agora com Quadra, seu 15º álbum de estúdio, não só eu, como os demais fãs de Metal pelo mundo têm essa resposta. Antes de tudo, cabe lembrar que o Sepultura tem como traço marcante em sua história, a inquietude e o inconformismo. Nunca em toda a sua carreira, se acomodaram, e álbum após álbum, independente de fase, sempre procuraram crescer, mudar, inovar. Se até o lançamento de Arise isso funcionou com perfeição, de Chaos A.D. em diante, passou a ser questionado por fãs. Nesse ponto, entra uma questão de gosto pessoal, de você ser mais tradicionalista quanto a música, ou ser desses com uma amplitude musical maior. Vai realmente da individualidade de cara um, e não muda o fato que o Sepultura sempre buscou o caminho mais difícil, abrindo mão da sua zona de conforto, e nunca parando no tempo.


Apesar de liricamente Quadra não se tratar de um trabalho conceitual, musicalmente suas 12 canções se dividem em 4 blocos de 3, que podem ser percebidos com certa facilidade pelo ouvinte. Da faixa 1 até a 3, temos aquele Sepultura mais Thrash, raivoso, enquanto entre a 4 e a 6, escutamos um pouco daquela fase mais percussiva da banda, que se iniciou em Chaos A.D.. Da 7 até a 9, observamos uma banda mais experimental, mais focada no instrumental e sim, com uma influência de Progressivo mais latente, e a partir de faixa 10, escutamos uma banda mais “calma”, mais lenta, com um foco maior no sinfônico e nas melodias. Lendo assim, pode parecer que o álbum se tornou uma colcha de retalhos, mas existe um fio condutor que une todas as partes, que é o Thrash/Groove da banda, que em momento algum deixa de se fazer presente, trazendo peso e agressividade para cada uma das músicas aqui. Isso acaba dando um sentido de unidade absurdo ao álbum, fazendo que o ouvinte consiga se sentir identificar com qualquer um desses segmentos de Quadra.

Individualmente, todos os músicos conseguem brilhar. Sinceramente, não consigo enxergar onde mais as pessoas possam encontrar motivos para criticar a voz de Derrick Green. A cada lançamento ele se supera, mostrando uma gama vocal cada vez maior. A variedade que ele consegue imprimir impressiona qualquer um que se permita escutar o álbum sem aquele preconceito bobo por ele não ser Max Cavalera, além de permitir o Sepultura explorar mais os seus limites. Andreas Kisser resolveu reabrir de vez sua caixa de riffs marcantes, algo que já havia sido observado em Machine Messiah, e que aqui se consolida definitivamente. Sua capacidade nunca foi discutida, mas que ele havia se acomodado por alguns anos isso é indiscutível. Que bom que ele está de volta, e não apenas reciclando riffs de trabalhos anteriores, como o fez por uns anos. Como costumo dizer, Paulo Jr é Paulo Jr, e ele entrega o trabalho consistente de sempre, mas é inegável que desde que Eloy Casagrande entrou na banda, puxou Paulo com ele. Por sinal, Eloy é um caso a parte. O que ele faz é sobre-humano, não tem explicação, e mais uma vez ele é brilhante. Sua amplitude musical é absurda, e sinceramente, nem dá para sentir falta de Igor nesse quesito.



Agora vamos às músicas, o foco principal de tudo aqui. Não se deixe enganar pela introdução orquestrada e com corais, pois quando começa, “Isolation” é uma verdadeira paulada Thrash/Groove. Intensa, direta, com vocais brutos, riffs ferozes e um trabalho brilhante de bateria, é desde já uma das candidatas do álbum a se tornarem clássicas. Esse lado mais feroz continua presente em “Means To An End”, altamente enérgica e com um ótimo trabalho de guitarra, e em “Last Time”, bruta, densa, com uma variedade de tempo bem interessante, e até mesmo partes orquestrais que foram muito bem encaixadas. “Capital Enslavement” traz aquelas batidas tribais que vão remeter o ouvinte ao passado da banda, além de possuir um ótimo groove e riffs bem fortes. É dessas músicas moldadas para fazer você sair batendo cabeça. “Ali” é extremamente variada e desafiadora, e se destaca não só por isso, mas também pelos riffs pesados e pelo trabalho vocal de Derrick. “Raging Void” encerra a primeira metade do álbum com um ritmo mais dissonante, bom groove, e ótimo trabalho percussivo.

A segunda metade abre com a espetacular “Guardians Of Earth”, que de cara pode fazer o ouvinte se recordar da clássica “Kaiowas”. Ela inicia com um violão, sendo acompanhada posteriormente por uma percussão tribal e um coral, até finalmente explodir em fúria com as guitarras e vocais furiosos. É diferente e ousada. É Sepultura. Outra canção que surpreende demais é a instrumental “The Pentagram”, dinâmica, intrincada e com guitarras fortes. “Auten” se destaca não só por suas inclinações progressivas, mas também pelo peso e pelo seu ar mais bruto. Além disso, tem um refrão forte e marcante. “Quadra” é quase que um interlúdio acústico, com seus apenas 47 segundos, onde Andreas mostra toda a sua conhecida habilidade ao violão. Ela prepara o terreno para as duas últimas canções do álbum. “Agony Of Defeat” não só possui um clima mais atmosférico, como apresenta boas melodias e belos corais, tudo sem abrir mão do peso. É nela também que Derrick mostra toda a sua variedade vocal. Encerrando, outro momento surpreendente, com “Fear, Pain, Suffering, Chaos”, que conta com a participação de Emmily Barreto, do Far From Alaska, dividindo os vocais com Derrick Green. Fora isso, esbanja peso nas guitarras, uma ótima bateria, e possui elementos atmosféricos que dão uma densidade extra para a canção.

Na produção, o onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren. Definitivamente, ele consegue tirar o melhor do Sepultura, e não me surpreende que depois de Machine Messiah, tenham optado por voltar ao Fascination Street Studios e trabalhar mais uma vez com ele. Tudo cristalino, limpo, e pesado, mas ainda sim soando vivo, sem o ar artificial e plastificado das produções modernas. Como Jens consegue? Bem, só perguntando a ele. Com muita competência, o Sepultura conseguiu fazer um álbum de Thrash/Groove simplesmente explosivo, onde esbanjam criatividade, e sem abrir mão do seu direito inalienável de experimentar e ousar. Se fossemos colocar as fases da banda lado a lado, poderíamos dizer que Quadra é o Chaos A.D. da atual formação, dado o seu nível de qualidade absurdo. É um segundo auge do Sepultura. Cabe agora aos fãs decidirem se continuam em sua zona de conforto, se prendendo a um passado que dificilmente retornará, ou aceitam a realidade. Os que optarem pela segunda, não vão se arrepender, pois, temos aqui desde já, um dos melhores álbuns de 2020.

NOTA: 9,2

Sepultura é:
- Derrick Green (vocal);
- Andreas Kisser (guitarra);
- Paulo Jr (baixo);
- Eloy Casagrande (bateria).

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Destruction - Born to Perish (2019)


Destruction - Born to Perish (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Born To Perish
02. Inspired By Death
03. Betrayal
04. Rotten
05. Filthy Wealth
06. Butchered For Life
07. Tyrants Of The Netherworld
08. We Breed Evil
09. Fatal Flight 17
10. Ratcatcher
11. Hellbound (bonus track)

O status de lenda do Thrash Metal mundial conquistado pelo Destruction, não pode e nem deve ser discutido. Estamos falando de uma das bandas mais influentes e seminais do estilo, membro do Big 4 Teutônico, ao lado de Kreator, Sodom e Tankard, e responsável por clássicos indiscutíveis nos anos 80, como o EP Sentence of Death (84), além dos maravilhosos Infernal Overkill (85) e Eternal Devastation (86). É verdade que após o “retorno” em 2000, com All Hell Breaks Loose, alternaram entre ótimos lançamentos, como The Antichrist (01), trabalhos medianos, como Inventor of Evil (05), e outros sem muita inspiração, caso do fraco Spiritual Genocide (12), mas com Under Attack as coisas aparentemente voltaram a entrar nos eixos.

Descontando a fase compreendida entre 1994 e 1998 – que rendeu dois EP’s, Destruction (94) e Them Not Me (95), e um álbum, The Least Successful Human Cannonball (98) –, desconsiderada pela banda no que tange sua discografia oficial, e os dois álbuns de regravações, Thrash Anthems I (07) e II (17), Born to Perish é o seu 13º trabalho de estúdio, e continua do ponto em que seu antecessor parou. Marca também mudanças importantes na formação da banda, com a entrada do baterista Randy Black (Primal Fear, Annihilator, Rebellion), que substituiu Vaaver, e a inclusão de um segundo guitarrista, Damir Eskić (ex-Gonoreas), transformando-os novamente em um quarteto, algo que não ocorria desde os anos 90.

Mantendo a pegada de Under Attack, o Destruction continua o processo de aproximação com suas raízes, mas sem perder suas características mais modernas, que adquiriu desde o retorno. Tecnicamente falando, a entrada de Randy e Damir elevou o nível da banda, já que ambos são muito talentosos e agregaram qualidade. Os vocais de Schmier soam mais odiosos e corrosivos a cada lançamento, mostrando que o tempo só faz bem a sua voz. Mike dispensa apresentações, mas é indiscutível que a inclusão de Eskić tornou o que era ótimo, ainda melhor. As canções ganham uma nova dimensão, e a parede de guitarras chega a ser opressora em alguns momentos, sem contar os ótimos solos que surgem aqui e ali. Sem dúvida, temos os melhores riffs da banda em anos aqui. Quando a Randy, talvez seja o baterista mais capaz a comanda o kit da banda nessas quase 4 décadas, e seu trabalho é preciso e grandioso.


A sequência inicial é destruidora. De cara, temos a agressiva “Born To Perish”, um desses sons clássicos da banda, e perfeito para bater cabeça, seguida pela sombria “Inspired By Death”, com seus riffs fortes e afiados, e a direta “Betrayal”, uma canção capaz de empolgar até mesmo um zumbi, graças as suas ótimas guitarras e vocais variados. O álbum segue com “Rotten”, canção um pouco genérica, mas com riffs violentos e linha de baixo bem marcante; “Filthy Wealth”, com uma pegada bem Motörhead, e a densa “Butchered For Life”, que foge um pouco do padrão da banda. “Tyrants Of The Netherworld” recupera muito da fúria primal da banda, sendo impossível não lembrar dos tempos de Sentence of Death, muito pela crueldade dos seus riffs. Sem dúvida, um dos destaques aqui. “We Breed Evil” é furiosa, e conta com riffs duros e violentos; “Fatal Flight 17” é veloz e tem ótimas guitarras, e “Ratcatcher”, apesar de um pouco repetitiva, tem uma ótima linha de bateria. De bônus, temos uma ótima versão para “Hellbound”, clássico dos ingleses do Tygers of Pan Tang.

As produções mais recentes do Destruction pecavam pelo excesso de saturação, algo que foi finalmente corrigido em Under Attack e Thrash Antems. A produção, mixagem e masterização ficaram mais uma vez a cargo de V. O. Pulver (Burning Witches, Nervosa, Pänzer). O resultado é muito bom. A capa é obra de Gyula Havancsák (Accept, Blind Guardian, Grave Digger, Tankard). Estamos diante de um novo clássico, de um álbum que pode ser colocado frente a frente com os trabalhos do período inicial da banda? Não. Mas de forma algum significa que este não seja um bom trabalho, digno da história do Destruction. Sólido, bruto, e apresentando uma banda revigorada, Born to Perish, é um grito de resistência, uma prova de que Schmier, Mike e cia, ainda tem muita lenha para queimar.

NOTA: 85

Destruction é:
- Schmier (vocal, baixo)
- Mike (guitarra)
- Damir Eskić (guitarra)
- Randy Black (bateria)

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Red Razor – The Revolution Continues (2019)


Red Razor – The Revolution Continues (2019)
(Under Machine Records/Helena Discos/Resistência Underground/Escória Distro/Antichrist Hooligans Distro/Tales From the Pit - Nacional)


01. The Revolution Continues
02. For Those About To Thrash
03. Violent Times
04. Born In South America
05. R.I.P. Democracy
06. Sour Power
07. Brewtal Mosh
08. The Sadist

Quando do lançamento de seu debut, Beer Revolution, em 2015, os catarinenses da Red Razor chamaram a atenção não só pelo seu ótimo Thrash Metal, que misturava a escola americana e alemã do estilo, como também pelo bom humor das letras, algo que ficava bem claro na capa e nos títulos das músicas. Isso refletia muito o período em que tais canções haviam sido compostas. A questão é que de lá para cá, muita coisa mudou em um curto espaço de tempo. Tudo se tornou mais obscuro, pesado, com o crescimento de tendências totalitaristas/fascistas, não só no Brasil como no mundo todo. Isso inevitavelmente acabou refletindo na música e nas letras do quarteto formado por Fabrício Vale (vocal/guitarra), Daniel Rosick (guitarra), Gustavo Kretzer (baixo) e Igor Thiesen (bateria).

Do ponto de vista musical, a Red Razor continua com aquele Thrash de pegada bem old school, que remete aos anos 80, agressivo, rápido e enérgico, mas, em alguns momentos, podemos notar algumas doses controladas de Death Metal, que ajudam a tornar tudo ainda mais pesado e diversificado. Isso me chamou mais a atenção no trabalho vocal, que soa bem mais variado e agressivo do que na estreia. Quanto as letras, aquela pegada mais festeira que trata de cerveja, muita cerveja, continua se fazendo presente, mas abre espaço para um maior engajamento político. Temas como a violência contra populações periféricas, exploração colonial e ascensão do fascismo se fazem presentes, algo mais do que necessário nesses tempos sombrios que vivemos. Então, se você é da turma do “Metal não tem que misturar com política”, já fique mais do que avisado.


De cara, temos a robusta “The Revolution Continues” com seu ótimo trabalho de guitarras e baixo, e sua letra que é uma ode as pequenas cervejarias artesanais, e um libelo contra as grandes corporações cervejeiras. “For Those About To Thrash” já deixa bem explicitado em seu título, o que o ouvinte encontrará. É uma homenagem ao estilo, que poderia ter saído de qualquer bom álbum dos anos 80. “Violent Times” soa tão agressiva quanto o tema do qual trata – guerras imperialistas, intolerância, violência contra populações periféricas –, e possui além de bons riffs, um refrão muito forte. A dura “Born In South America” não só esbanja peso, musical e lírico, com sua letra que critica fortemente o colonialismo, em uma verdadeira aula de história, como tem um dos melhores refrões que você escutará esse ano. Uma faixa como “R.I.P. Democracy”, que trata da ascensão do fascismo e da vilanização da democracia por setores reacionários, não poderia ser menos que brutal, com toques de Death metal e destaque para o trabalho da bateria. A divertida e nervosa “Sour Power” é mais uma homenagem às cervejas artesanais, enquanto a veloz “Brewtal Mosh” homenageia a todos nós, fãs do bom e velho Metal, que damos duro o dia inteiro e apoiamos as cenas locais. Encerrando, “The Sadist”, com sua letra que trata do serial killer alemão Peter Kürten, conhecido como “Vampiro de Dusseldorf”, além de energia e peso de sobra.

Na produção, mais uma vez a mixagem e masterização ficaram nas mãos de Alexei Leão (Burning in Hell, Khrophus, Rhestus), com resultados muito bons, já que apesar de tudo estar bem audível, tem uma organicidade que falta em boa parte das produções de hoje. The Revolution Continues soa vivo. No âmbito da parte gráfica, se no anterior haviam trabalhado com o mestre Ed Repka, aqui optaram pelo trabalho de Andrei Bouzikov (Dust Bolt, Havok, Municipal Waste, Nervosa, Toxic Holocaust), que foi o responsável pela bela capa, enquanto o design do encarte foi realizado por Lucas “From Hell” (Evilcut). Mesclando bom humor, engajamento político, vocais agressivos, riffs rápidos, afiados, e uma parte rítmica forte e explosiva, o Red Razor passou com louvor no teste do segundo álbum, mostrando que está mais que pronta para assumir um lugar de frente no cenário do Metal Nacional. A revolução já tem sua trilha sonora!

NOTA: 87

Red Razor é:
- Fabricio Valle (vocal/guitarra);
- Daniel Rosick (guitarra);
- Gustavo Kretzer (baixo);
- Igor Thiesen (bateria).

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Possessed – Revelations of Oblivion (2019)


Possessed – Revelations of Oblivion (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Chant Of Oblivion
02. No More Room In Hell
03. Dominion
04. Damned
05. Demon
06. Abandoned
07. Shadowcult
08. Omen
09. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple Of Samael

O que dá o status de lenda para uma banda? Vender milhões de cópias de seus álbuns? Ter um avião só seu, para te carregar mundo afora em turnês que duram anos? Lotar estádios e fechar noites de grandes festivais? Ter um álbum a mais de 500 semanas na Billboard 200? Possivelmente a resposta é positiva para todas essas perguntas. Ainda sim, você não precisa disso tudo para se tornar uma lenda e ter seu nome gravado a ferro e fogo na história do Metal. Surgido no ano de 1983, o Possessed é a maior prova disso, já que não se encaixa em qualquer dos critérios citados. Para se tornar uma lenda, “apenas” estabeleceram com seu debut, Seven Churches (85), as bases para o que viria a ser o Death Metal – e, porque não, do Black –, sendo para muitos, a primeira banda do estilo. E como se isso fosse pouco, lançaram na sequência, dois outros trabalhos seminais, Beyond the Gates (86) e o EP The Eyes of Terror (87).

Apesar de todo impacto que seus trabalhos tiveram para a música extrema, a banda encontrou seu fim ainda no ano de 1987, deixando aquela sensação amarga de que poderiam ter ido muito mais além. Entre 1990 e 1993, chegaram a retornar, pelas mãos do guitarrista Mike Torrao, mas nada foi ser lançado. Em 2007, o retorno definitivo com Jeff Becerra, mas com o foco sendo mantido apenas nas apresentações ao vivo, com um álbum de inéditas parecendo um sonho distante. Então eis que a banda anunciou Revelations of Oblivion, elevando os níveis de ansiedade de todos os seus fãs, já que era algo que todos sonhavam a décadas. Mas o que esperar de um novo álbum do Possessed após tanto tempo? Conseguiriam alcançar o nível de excelência esperado?

Em primeiro lugar, de forma alguma tentem comparar Revelations of Oblivion com Seven Churches ou Beyond the Gates. O impacto causado por esses trabalhos no Metal Extremo são inegáveis, mas já se passaram 3 décadas desde que foram lançados. Nesse tempo, o mundo mudou, a música mudou, as pessoas mudaram. Cada álbum deve ser analisado tendo em mente o presente qual é lançado e não um passado que a muito ficou para trás. Fora isso, é uma banda nova, com novos músicos. Querer exigir o mesmo nível de excelência, sem ter esses fatores em mente, além de injusto, é errado. Posto isso, o que temos aqui é um raivoso, que une passado e presente e traz o Thrash/Death do Possessed para o século XXI. Tudo que você espera está ali, mas com uma produção forte e moderna, que atualiza sua sonoridade. Os vocais de Becerra estão bem fortes, como se viessem das profundas do inferno, enquanto as guitarras de Daniel Gonzales (Gruesome) e Claudeous Creamer (ex-Dragonlord) soam como portadoras com caos, com seus riffs agitados, frenéticos, e ótimos solos. O baixo de Robert Cardenas (Masters of Metal, ex-Agent Steel) e a bateria de Emilio Marquez (Asesino) formam uma parte rítmica consistente, técnica, bruta e demoníaca.


A introdução, com “Chant Of Oblivion”, faz você se sentir dentro de um filme de terror, e cria a ambientação perfeita para tudo que se dará na sequência. No More Room In Hell chega veloz e bruta, rasgando os tímpanos dos mais desavisados com sua energia, fúria e riffs frenéticos. A bruta “Dominion” se destaca pela violência das guitarras e pelos vocais, enquanto “Damned” é um  Thrash raivoso e com alta capacidade destrutiva de pescoços. “Demon” se destaca não só pelas boas mudanças de velocidade, como também pelo ótimo trabalho rítmico e de guitarras. “Abandoned” é um Death Metal que transborda ódio e selvageria, além de contar com ótimos solos. “Shadowcult” soa verdadeiramente diabólica, muito disso devido à agressividade dos seus riffs, enquanto Omen é um exemplo de união entre passado e presente no trabalho do Possessed. Furiosa, com um pé no passado, mas soando atual.“Ritual”, com sua energia e ótimo trabalho de bateria é outra que se encaixa nesse padrão. Na sequência final, temos a inflamada “The Word” e sua mescla de melodia e violência, a variada “Graven”, com sua brutalidade e bom trabalho vocal, e a curta instrumental “Temple Of Samael”.

A produção ficou a cargo do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Amorphis, Destruction, Immortal), com co-produção de Jeff e Daniel. Peter também foi o responsável pela mixagem e masterização, sendo que essa última, compartilhou com Jonas Kjellgren (Dark Funeral, Katatonia, Overkill, Sabaton). Os resultados alcançados foram ótimos, já além de clareza e agressividade, conseguiu transpor para os tempos atuais a sonoridade da banda, sem que ela se descolasse de suas raízes. A capa ficou por conta do talentoso Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Paradise Lost), e parece uma mescla demoníaca das capas de Meliora e Prequelle, do Ghost, também feitas por ele. Não acredita? Compare as capas. Revelations of Oblivion vai causar uma revolução dentro do Thrash ou do Death? Não, mas o Possessed não precisa mais disso, pois o fez 34 anos atrás, com Seven Churches. Obstante eu acreditar que uma ou outra música se estendeu um pouco além do necessário, a verdade é que temos em mãos um álbum que faz jus a toda a importância do Possessed para a história do Metal, e que tem espaço garantido entre os destaques de 2019. Que esse não seja o ponto final de sua história, mas apenas mais um relevante capítulo!

NOTA: 87

Possessed é:
- Jeff Becerra (vocal);
- Daniel Gonzales (guitarra);
- Claudeous Creamer (guitarra);
- Robert Cardenas (baixo);
- Emilio Marquez (bateria).

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Axecuter - Surrounded by Decay (2019)


Axecuter - Surrounded by Decay (2019)
(VSF Records - Nacional)


01. Surrounded By Decay
02. Rise and Fall
03. Separate Ways
04. Darkness In Bottles
05. Dying Source
06. Collecting Enemies
07. Darwin was Right
08. Metal in Wrong Hands
09. Spend The Dollar
10. Passage Back To Hell

Surgida no ano de 2010, em Curitiba/PR, a Axecuter se tornou com o passar dos anos, uma das principais referências do cenário nacional quando falamos de bandas com aquela pegada mais oitentista, graças a sua mescla de Metal Tradicional, Power/Speed e Thrash Metal. Nesses 9 anos, além do debut, Metal Is Invincible  (13), lançaram alguns EP’s, splits e o ao vivo A Night of Axecution (18), consolidando sua sonoridade, e os levando até o ponto onde se encontram hoje, com o segundo trabalho, Surrounded by Decay. Esse é sem dúvida alguma, seu álbum mais maduro até então, e a prova cabal de que amadurecimento não significa perder suas características, como muitos por aí acreditam.

Todas aquelas características que nos acostumamos a escutar nos lançamentos do Power Trio formado por Danmented (vocal/guitarra), Rascal (baixo) e Verdani (bateria), continuam presentes, transformando sua audição em uma verdadeira viagem aos anos 80. Caso você nunca tenha escutado o Axecuter, vai se deparar com uma mescla daquela sonoridade europeia de nomes como Venom, Kreator, Sodom e Celtic Frost, com aquele som mais típico de bandas americanas e canadenses do período, como o Razor, Exciter, Cirith Ungol e Manilla Road – a banda já contou com participações especiais de nomes como o saudoso Mark Shelton, Mantas e Tony Dolan em trabalhos anteriores –, só que dessa vez acrescido, de uma dose de boas melodias, oriundas de grupos como Grave Digger e Running Wild.


Após a ótima instrumental “Surrounded By Decay”, temos a diversificada Rise and Fall, com seus bons riffs, ótimo trabalho de baixo, e um pé bem fincado naquela sonoridade germânica típica do Sodom e do Kreator. “Separate Ways” tem uma pegada mais Heavy/Speed, se mostrando bem variada e destacando o trabalho de Verdani, a rápida “Darkness In Bottles” tem algo de Kreator, graças aos vocais de Danmented e “Dying Source”, apesar da fúria presente nos riffs, apresenta um solo bem melódico, e muito bom. O Thrash surge com toda a sua força em “Collecting Enemies”, uma dessas canções moldadas para quebrar pescoços, sendo seguida pela pesada “Darwin was Right”, com um ótimo refrão. A ótima e cadenciada “Metal in Wrong Hands” é outra com refrão de fácil assimilação; “Spend The Dollar” se mostra bem direta, e encerrando o trabalho, temos a épica e diversificada “Passage Back To Hell”.

A produção de Ivan Pellicciotti (Vulcano, Surra, Great Vast Forest, Chemical Disaster) é a prova que sim, existem formas de aliar uma produção com uma pegada oitentista e orgânica, com a clareza das produções atuiais. A capa – reparem na alfinetada dada não só nas fases atuais de bandas clássicas, como no momento atual de nosso cenário –, foi uma obra conjunta de Marcio Aranha (Blasthrash, Heritage, Woslom) e Paulo Kalvo, como o encarte sendo elaborado por Thiago Boller (Em Ruínas, Vingança Suprema, Abatter). Mantendo a sinceridade e a paixão de sempre pelo Metal oitentista, e evoluindo, mas sem abrir mão um milímetro sequer de suas convicções, o Axecuter se mostra em seu melhor momento, sendo responsável por um dos principais lançamentos do Metal Nacional nesse ano de 2019. Imperdível!

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Death Angel - Humanicide (2019)


Death Angel - Humanicide (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Humanicide
02. Divine Perfector
03. Aggressor
04. I Came For Blood
05. Immortal Behated
06. Alive And Screaming
07. The Pack
08. Ghost Of Me
09. Revelation Song
10. On Rats And Men
11. The Day I Walked Away [bonus]

Daquela geração de bandas Thrash surgidas nos anos 80 nos Estados Unidos – com foco maior na Bay Area -, poucas foram as que, em algum momento da carreira, não decepcionaram uma parte de sua base de fãs. Mas existe um pequeno grupo que sempre apresentou trabalhos acima da média, e é dele que o Death Angel faz parte. Ok, você pode alegar que Frolic Through the Park (88) e Killing Season (08) não são trabalhos brilhantes, mas ainda sim passam longe de serem decepções propriamente ditas. São álbuns que, apesar de não soarem tão inspirados quanto outros na discografia dos californianos, possuem suas qualidades.

Humanicide é o 9º álbum de estúdio da banda, e tem a difícil missão de dar continuidade a uma sequência simplesmente matadora, formada por Relentless Retribution (10), The Dream Calls for Blood (13) e The Evil Divide (16). Podemos falar, sem exageros, que no caso do Death Angel, missão dada é missão cumprida, já que ao fim da audição, ficamos com a sensação que estamos diante de um dos melhores álbuns da carreira da banda. Entregando um trabalho que ainda consegue ser realmente relevante musicalmente, Mark Osegueda (vocal), Rob Cavestany (guitarra), Ted Aguilar (guitarra), Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria), mantém a pegada que vem desde Relentless Retribution, e que tem funcionado muito bem.


Se você por acaso não acompanhou a banda na última década, basicamente o que o quinteto entrega é um equilíbrio perfeito entre aquela sonoridade típica dos anos 80, respeitando suas raízes, com uma pegada mais moderna e muito bem trabalhada, que traz sua música para os dias atuais e evita que soem datados, ou simplesmente como um pastiche dos seus dias de glória. Como já dito, sua música mantém a relevância do passado, mas faz isso sem precisar ficar se copiando. Os vocais de Osegueda estão fenomenais, e são como um bom vinho, que fica cada vez melhor com o passar dos anos. De nada adiantaria se o restante da banda não estivesse nesse mesmo nível, e felizmente, eles conseguem. As guitarras de Rob e Ted soam ótimas, não só no que tange os riffs, simplesmente absurdos, como também no que se refere aos solos. Quanto a parte rítmica, Damien Sisson e Will Carroll esbanjam técnica, diversidade, e coesão, sendo mais um diferencial no trabalho.

De cara, já temos a apocalíptica “Humanicide”, um exemplo perfeito de como as bandas da Bay Area soariam se surgissem nos dias atuais, aliando peso, velocidade, energia, riffs afiados e elementos da NWOBHM para temperar a mistura. “Divine Perfector” se mostra ainda mais feroz, com suas guitarras cortantes, ótimas partes percussivas, e uma aura de raiva de emana de cada nota tocada. É dessas canções moldadas para quebrar pescoços. “Agressor” é um exemplo perfeito da citada mistura entre a sonoridade clássica da banda e uma pegada mais atual, com destaque para o peso das guitarras, enquanto “I Came For Blood” tem uma aura “motörheadiana” que cativa qualquer um. “Immortal Behated” é outro exemplo de como essa mistura entre o tradicional e o moderno pode funcionar muito bem. Com uma levada mais mid-tempo, soa escura e intensa, com destaque para a dupla Cavestany/Aguilar, e as linhas de piano no final.


Veloz e com bom groove, “Alive And Screaming” é dessas canções moldadas para quebrar pescoços, e que deixa bem clara as raízes do Death Angel, enquanto “The Pack” se destaca não só pelo ótimo vocal, como pelas ótimas guitarras e o belíssimo trabalho percussivo. Difícil não se empolgar. “Ghost Of Me” mantém a pegada da faixa anterior, com bons riffs e um trabalho de guitarra cativante, apesar de ser a canção mais óbvia de todo o álbum. Cabe dizer que isso não tem nada de negativo. “Revelation Song” tem aquela aura mais moderna, mas sem abdicar do clássico, com destaque para as melodias “priestianas” presentes nas guitarras. Essas referências ao Metal Clássico deixam a faixa matadora. “On Rats And Men” se destaca principalmente pelas boas melodias, harmonias e riffs, que dão a mesma um ar um tanto diabólico. Encerrando o álbum, temos a faixa bônus “The Day I Walked Away”, que se destaca principalmente pelo seu trabalho de guitarras.

Diz o ditado, que em time que está ganhando não se mexe. Sendo assim, como ocorre desde Relentless Retribution, a produção e mixagem foram realizadas por Jason Suecof, com masterização de Ted Jensen. Como esperado, o resultado é ótimo, já que consegue aliar clareza com peso, energia e agressividade. A capa – após o breve intervalo de The Evil Divide –, voltou a ser feita por Brent Elliott White, trazendo novamente a luz os furiosos lobos pós-apocalípticos, que conseguem representar bem o que é um álbum do quinteto. Com canções que primam pela diversidade e agressividade, Humanicide consegue fugir da armadilha de soar cansativo com o passar dos minutos, já que graças a sua coesão, empolga do começo ao fim, fazendo dele um dos melhores álbuns lançados até o momento em 2019. Um massacre impiedoso, pois, a matilha não faz prisioneiros.

NOTA: 88

Death Angel é:
Mark Osegueda (vocal);
Rob Cavestany (guitarra);
Ted Aguilar (guitarra);
Damien Sisson (baixo);
Will Carroll (bateria).

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Necrofobia – Membership (2019)


Necrofobia – Membership (2019)
(Independente - Nacional)


01. Membership
02. Silent Protest
03. Perpétua 136
04. Blindness
05. Rotten Brain
06. Real Fiction
07. Apatia Social
08. Cemetery of Oblivion
09. Circle of Trust
10. Devil´s Lap
11. Unused Right
12. Worthless Lives
13. Guzzardi (faixa bônus)

Você pode desconhecer o Necrofobia e pensar que se trata de uma banda iniciante, mas a verdade é que o grupo oriundo de Ribeirão Preto/SP, já está na estrada desde 1994. Esse desconhecimento certamente se dá pelo fato de que, em 25 anos de carreira, Membership é apenas seu segundo álbum de estúdio, sendo que o mesmo está separado do debut, Dead Soul, por nada menos do que 15 anos. Nesse tempo, não pausaram as atividades, e continuaram na ativa, fazendo shows, mas passaram pelas inevitáveis mudanças de formação, inclusive com o falecimento de seu guitarrista, Raphael Guzzardi, durante o período de composição e gravação do álbum.

Quem teve a oportunidade de escutar Dead Soul, se deparou com um Thrash Metal tipicamente noventista, calcado principalmente no Sepultura da fase Chaos. A.D., e em Pantera, com destaque para a força dos riffs. Padecia um pouco de originalidade? Sim, mas ainda era um trabalho de muita qualidade, que mostrava uma banda que tinha tudo para figurar entre as grandes do cenário nacional. Pois bem! Nesses 15 anos, o Necrofobia evoluiu e aperfeiçoou seu som, alcançando aquele patamar que todos imaginavam que podiam chegar. Hoje, conseguem soar ainda mais pesados e diversificados, além de ter uma cara própria.

A qualidade dos temas aqui encontrados é algo que não se pode discutir. A agressividade e energia que emana de seu Thrash Metal é algo impressionante, e mesmo que sua sonoridade remeta diretamente as bandas dos anos 90, de forma alguma soam como uma emulação. É aquela situação onde você pode até notar as influências, mas não fica com a sensação do “eu já ouvi isso antes”. Os vocais de Romulo Felício são fortes, e em alguns momentos chegam a remeter aos de Max Cavalera, enquanto as guitarras despejam riffs realmente impressionantes. Vale dizer que boa parte das guitarras foram gravadas por Raphael Guzzardi, exceto os solos, que foram feitos por Rodrigo Tarelho, Romulo Felício (em “Circle of Trust”) e Alexandre Boetto (na faixa bônus “Guzzardi”). Quanto a parte rítmica, com João Manechini (baixo) e André Faggion (bateria), se mostra precisa, técnica e diversificada.


A sequência de abertura é simplesmente destruidora, com a enérgica e rápida “Membership”, e a agressiva “Silent Protest”, com partes mais cadenciadas e ótima parte rítmica. “Perpétua 136” é um ótimo Crossover, sendo seguida pela intensa e mais cadenciada “Blindness”. “Rotten Brain” se destaca pelos ótimos vocais; “Real Fiction” é cariada e com um ótimo trabalho de guitarras; “Apatia Social” é outro Crossover violento, enquanto “Cemetery of Oblivion” e “Circle of Trust” tem aquela pegada Thrash típica dos anos 90, carregadas de groove e agressividade. Na sequência final temos a violenta “Devil´s Lap”, a curta, intensa e direta “Unused Right”, a veloz e enérgica “Worthless Lives”, e a faixa bônus “Guzzardi”, bem diversificada e com um solo que se destaca pelas boas melodias.

A produção, a cargo de Romulo Felício, ficou muito boa, tendo sido muito feliz na escolha dos timbres, além de conseguir equilibrar muito bem clareza, peso e agressividade. Soa orgânica, mas sem perder aquela pegada mais moderna e atual. A parte gráfica também ficou boa, tendo sido obra de Roger Gaulês. Apresentando uma música diversificada, e que esbanja intensidade e energia, o Necrofobia agrada em cheio aos fãs daquele Thrash mais “moderno”, com groove, e que remete diretamente aos anos 90. Desde já, um dos melhores álbuns nacionais de 2019.

NOTA: 87

Necrofobia é:
- Romulo Felício (Vocal/Guitarra)
- Rodrigo Tarelho (Guitarra)
- João Manechini (Baixo)
- André Faggion (Bateria)

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terça-feira, 11 de junho de 2019

Uganga – Servus (2019)


Uganga – Servus (2019)
(Independente – Nacional)


01. Anno Domini (intro)
02. Servus
03. Medo
04. O Abismo
05. Dawn
06. Hienas
07. 7 Dedos (Seu Fim)
08. Couro Cru
09. Imerso
10. Lobotomia
11. Fim de Festa
12. E.L.A.
13. Depois de Hoje…

Em um cenário onde boa parte das bandas se limita a executar o padrão que delas é esperado dentro de um estilo já definido – o que não tem nada de errado, cabe dizer –, você se deparar com um nome que ousa sair das fórmulas preestabelecidas é inspirador. Alguns podem desconhecer o Uganga, mas o grupo mineiro oriundo de Uberlândia, já está a mais de 25 anos fazendo história, com uma sonoridade bem própria. Sobre uma base Thrashcore, o sexteto formado por Manu Joker (vocal, ex-baterista do lendário Sarcófago, onde gravou o EP Rotting), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Murcego Gonzáles (guitarra), Ras Franco (baixo) e Marco Henriques (bateria), não tem medo de arriscar e ousar, trazendo novas influências para a sua música, algumas até externas ao Heavy Metal.

Quem acompanha a carreira do Uganga, sabe que seus 2 trabalhos anteriores, Vol 3: Caos Carma Conceito (09) e Opressor (14), foram voltados para a consolidação de sua sonoridade. Com Servus, seu 5º álbum de estúdio, parece que finalmente encontraram a maturidade musical. Não vou mentir, não é uma audição fácil para quem não está acostumado com a proposta da banda, até porque soam ainda mais ousados e experimentais do que de costume, mas para quem se permitir mergulhar nessa viagem, ela pode ser uma experiência enriquecedora. Uma prova da sua relevância musical, se dá pelo fato de que Servus foi financiado através de recursos, não só do Programa de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Uberlândia, como também oriundos da Wacken Fundation, instituição sem fins lucrativos, ligada ao Festival Wacken Open Air, e que possui a finalidade de apoiar projetos de Hard/Heavy que considerem relevantes, ao redor do mundo.

Musicalmente, como já dito, a base é o Thrashcore, mas o Uganga não se limita ao Crossover puro e simples. Elementos de estilos díspares ao Metal, como MPB, Rap e Eletrônica, se fazem presentes em diversos momentos. Isso resulta em uma sonoridade que além de agressiva e pesada, prima também pela energia e criatividade, elementos que sobram nas canções presentes em Servus. Os vocais de Manu Joker continuam ótimos, e são um dos grandes destaques do álbum, e os vocais de apoio também funcionam muito bem. A inclusão de uma terceira guitarra também fez um bem tremendo a banda, já que além de mais peso e agressividade, também influenciou na questão melódica, trazendo mais groove a sonoridade. Já a parte rítmica se destaca não só pela boa técnica e coesão, como também pela diversidade. Para enriquecer ainda mais, Servus contou com inúmeras participações especiais, algumas, um tanto inusitadas. Se fazem presentes os vocalistas Casito Luz (Witchammer) e Renato BT (do John No Arms), o saxofonista Marco Melo, o grupo chileno de Rap Lexico, o guitarrista Fabio Marreco (Totem), o DJ Eremita, o violonista Luiz Salgado, a ótima cantora e dançarina pernambucana Flaira Ferro e o espiritualista Sr. Waldir. Esses nomes mostram a amplitude da música do Uganga.


Após uma introdução, o álbum começa para valer com “Servus”, um Crossover com ótimos riffs, refrão forte, boas melodias e bons backings. Com partes cadenciadas bem interessantes, “Medo” é dessas faixas agressivas e diretas, com uma pegada mais Hardcore, enquanto “O Abismo” abre espaço para as participações de Casito Luz e Marco Melo, que consegue encaixar um solo de saxofone na canção. Vale destacar também o ótimo trabalho das guitarras e a parte rítmica pesada. A curta “Dawn” traz um momento de calma para o álbum, com suas frases quase faladas por Manu Joker, tendo na sua sequência a pesada e enérgica “Hienas”, com vocais que pendem mais para o Rap, a participação dos chilenos do Lexico e ótimo desempenho rítmico e percussivo. “7 Dedos (Seu Fim)” é uma das melhores canções do álbum, e é enriquecida não só pelos vocais de Renato BT, como também pelo solo de Fábio Marreco. Tem uma queda para o Hardcore e esbanja peso, algo que também sobra em “Couro Cru”. “Imerso” tem bom groove e muita agressividade; “Lobotomia” é uma versão para o clássico da banda paulista de mesmo nome, se mostrando dura e direta, enquanto “Fim de Festa” é um Thrashcore de muita qualidade. A sequência final da abertura maior para o experimentalismo, com “E.L.A.”, contando com participações de Flaira Ferro, DJ Eremita e Luiz Salgado, e mesclando elementos de Rock, MPB, Rap e violas caipiras, e a densa “Depois de Hoje”, que além de riffs brutos e uma dose de agressividade, ainda conta com a  participação do espiritualista Sr. Waldir, e sampler de um discurso de  Mahatma Ghandi.

A produção, realizada por Manu Joker e Gustavo Vazquez, ficou ótima e não fica devendo nada a qualquer trabalho gringo. Deixou tudo claro, audível e pesado, mas sem perder em nada a organicidade, o que é ótimo em uma era de produções plastificadas. Já a bela capa foi obra de Wendell Araújo, e representa bem toda a espiritualidade e diversidade que emana da música do sexteto mineiro. Nela temos elementos religiosos que vão desde as religiões afro-brasileiras até as orientais, passando por referências indígenas de nosso país. Nada poderia refletir melhor o que ouvimos aqui. Com um trabalho mais diversificado e experimental, mas sem abrir mão das suas características principais, o Uganga chegou naquele ponto que toda banda anseia, que é o do amadurecimento musical. É uma banda única no cenário nacional, que merece um reconhecimento muito maior do que tem, que deve finalmente vir com Servus, um álbum que certamente estará em diversas listas de melhores do ano em dezembro.

NOTA: 87

Uganga (gravação):
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Murcego Gonzáles (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

Uganga é:
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Lucas “Carcaça” Simon (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Tormenta - Batismo da Dor (2019)


Tormenta - Batismo da Dor (2019)
(Independente - Nacional)


01. Cumulusnimbus
02. Batismo da Dor
03. Escravo da Ilusão
04. Reféns do Medo
05. Em Nome de Deus
06. Dono da Verdade
07. Antaŭŝtorm’
08. A Noite Espessa
09. Perseverança
10. Mal Necessário

Surgida no ano de 1998, na cidade de Ribeirão Preto/SP, a Tormenta enfrentou as dificuldades e percalços de nosso undergorund, tanto que passou por 2 períodos de hiato, 2002-2005, e 2008 - 2010. Entretanto, chegaram a lançar um EP, autointitulado no ano de 2006, e agora, mais de 2 décadas após sua fundação, finalmente chegam ao seu debut, intitulado Batismo da Dor. Sabe aquele álbum que te faz lamentar ter demorado tanto a sair? Pois bem! Esse é o caso aqui.

A Tormenta não busca reinventar a roda em nenhum momento, mas sabe utilizar muito bem suas influências para criar um som de personalidade. Enveredando-se pelo Thrash Metal, consegue unir aquela agressividade característica das bandas americanas da década de 80, a técnica típica das bandas europeias do mesmo período, e doses de Heavy Metal e, principalmente, Hardcore. O resultado? Uma música pesada, agressiva, enérgica e muito bem trabalhada. As letras, todas em português, mostram uma qualidade absurda e enriquecem ainda mais o trabalho do quarteto. Críticas e ácidas, como todas deveriam ser.

Os vocais de Rogener Pavinski seguem aquela linha mais rasgada e se mostram muito agressivos, e ele faz uma bela dupla com o guitarrista Flávio Santana. Além de riffs fortes e marcantes, conseguem imprimir boas melodias, principalmente nos solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Fernando Henriques e o baterista Luis Fregonezi, têm uma posição de destaque dentro das canções, já que elas primam pela variedade. A Tormenta não é daquelas bandas que Thrash que apostam puramente na velocidade, e em diversos momentos investem em partes mais quebradas e cadenciadas. Isso termina sendo um grande diferencial.


Após a intro “Cumulusnimbus”, temos a forte “Batismo da Dor”, que se destaca pelos riffs e pela pegada mais Slayer. A faixa seguinte, “Escravo da Ilusão”, se mostra bem variada e com um ótimo trabalho da bateria. A cadência e o peso dão o tom na ótima “Reféns do Medo”, tendo na sequência a enérgica e devastadora “Em Nome de Deus”, com seu ótimo trabalho de guitarras. “Dono da Verdade” é bem diversificada, e contêm em sua narração, citação ao discurso anti-nazista “E Não Sobrou Ninguém”, de Martin Niemöller. Após a instrumental “Antaŭŝtorm’”, temos “A Noite Espessa”, pesada e com tiques de Hardcore. Na sequência final, temos “Perseverança”, que tem uma pegada mais sombria em seu início, mas logo parte para algo mais agressivo, e uma ótima versão de “Mal Necessário”, composição de Mauro Kwitko, que foi eternizada por um dos maiores artistas desse país, Ney Matogrosso. Forte, com grande carga emocional, e perfeita para fechar o álbum com chave de ouro.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Romulo Felício (Fatal Scream, Lusferus) e Rogener Pavinski, com bons resultados, já que deixaram tudo audível, bem timbrado, e com aquela dose de sujeira necessária. Na capa, temos a escultura Urlo, do italiano Enrico Ferrarini, com a arte do encarte tendo sido feita por Rogener. Esbanjando peso, agressividade e técnica, a Tormenta se sai muito bem em seu debut, apresentando um trabalho que, se não prima pela inovação, se destaca pela criatividade e pela força das canções e letras. Que continuem assim nos próximos lançamentos!

NOTA: 84

Tormenta é:
- Rogener Pavinski (vocal/guitarra)
- Flavio Santana (guitarra)
- Fernando Henriques (baixo)
- Luis Fregonezi (bateria)

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Metalmedia (Assessoria)

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Faces of Death – From Hell (2018)


Faces of Death – From Hell (2018)
(Independente - Nacional)

01. Priest from Hell
02. I Am the Face of Death
03. New World Order
04. Fucking Human Gods
05. Human Race
06. Brainwash
07. Face the Enemy
08. Anno Domini
09. King of Darkness

O Faces of Death surgiu no ano de 1990, na cidade de Pindamonhangaba/SP, e chegou a lançar duas demos antes de encerrar suas atividades em 1997. Passados 20 anos, a banda retomou a carreira lançando o bom EP Consummatum Est (17), e na sequência, no ano passado, finalmente liberou o seu debut, From Hell. Ouso dizer que poucas vezes o nome de uma banda e o título de um álbum foram tão condizentes com o conteúdo musical. Porque olha, o que temos aqui é uma verdadeira paulada na moleira!

Apresentando um Thrash Metal que equilibra bem o que foi feito no estilo, nos anos 80 e 90, mesclado com generosas doses de Death Metal, o Faces of Death vai agradar em cheio os fãs de formações como Sepultura (pré-Chaos), Kreator, Slayer, e até mesmo Pantera. Equilibrando bem passagens mais pesadas com outras mais velozes, além de um bom groove, o quarteto formado por Laurence Miranda (vocal/guitarra), Felipe Rodrigues (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Sidney Ramos (bateria) entrega uma música ríspida, com bons vocais urrados – ainda que pouco variados -, guitarras que despejam riffs simplesmente brutais, além de uma parte rítmica técnica e precisa. Em resumo, tudo que realmente esperamos de um álbum de Thrash/Death.


De cara temos a brutal “Priest from Hell”, que esbanja fúria e bom groove, sendo seguida pela agressiva e variada “I Am the Face of Death”. Em ambas, o quarteto faz questão de manter um pé bem firme no Death Metal, dando um sabor a mais para as canções. “New World Order” consegue alternar muito bem passagens cadenciadas e velozes, além de possuir um ótimo trabalho de guitarra e riffs afiadíssimos. “Fucking Human Gods” é bruta e tem ótimo desempenho da parte rítmica, enquanto o Death Metal volta a dar as caras na ótima “Human Race”, outra que se destaca pelos ótimos riffs. “Brainwash” se mostra veloz e pesada; “Face the Enemy” tem bons riffs, sendo bem variada, e remetendo um pouco ao Sepultura da fase Beneth the Remains/Arise; e  “Anno Domini”, presente no EP de 2017, é daquelas canções curtas e diretas. Encerrando o álbum, a violenta e brutal “King of Darkness”.

A produção ficou a cargo da banda e de Friggi MadBeats, baterista do Chaos Synopsis, que também foi responsável pela mixagem e masterização. O resultado é muito bom, e equilibrou clareza e sujeira, como deve ser em um álbum do estilo. Já a capa e todo o layout foram obras de Raphael Gabrio, e conseguiu incorporar com perfeição todo o clima de fúria que as canções transmitem ao ouvinte. O Faces of Death pode não apresentar nada essencialmente novo com seu Thrash/Death, mas o faz com competência, personalidade, propriedade, e principalmente, com uma honestidade que fica latente em cada nota. Um álbum feito na medida para fãs do estilo!

NOTA: 83

Faces of Death é:
- Laurence Miranda (vocal/guitarra);
- Felipe Rodrigues (guitarra);
- Sylvio Miranda (baixo);
- Sidney Ramos (bateria).

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sexta-feira, 1 de março de 2019

Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança


Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança
(Independente - Nacional)


01. O Caos Será a Tua Herança
02. Os Fins Justificam os Meios
03. Recuse a Cegueira
04. Flagelo
05. Guerra Urbana
06. Dor, Sofrimento e Morte
07. Cangalha
08. Marionete
09. Negra Sina
10. Piada
11. Inimigo no Espelho
12. As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade
13. Pesadelo Latino Americano
14. Rato Cinza
15. Vida Útil
16. Verdades e Utopias

Ser uma banda underground nunca foi e nem vai ser fácil, e a história do Grinding Reaction retrata bem as dificuldades existentes no meio. Surgido na cidade de Diadema/SP, no ano 2000, chegaram a lançar uma Demo autointitulada no ano seguinte, e o EP Opression, Negligence, Tears and Blood em 2004, mas acabaram encerrando as atividades 4 anos depois. Após um hiato, retornaram em 2011, mas precisaram de um tempo até conseguir estabilizar uma formação e então partir para o EP Tempo, Persistência e Fúria (15), que foi uma releitura de faixas da Demo e do EP anteriores, acrescidas de uma música inédita. Finalmente ano passado, passados 18 anos de sua fundação, conseguiram lançar seu debut, O Caos Será a Tua Herança.

Musicalmente, o quarteto na época formado por Ricardo Marchi(vocal/guitarra), Victor Rotta (guitarra), Renato Spadini Jr. (baixo) e Weslley Ferreira (bateria), se envereda pelos caminhos do Crossover, mesclando com bastante competência Hardcore, com Thrash/Groove Metal. Não é a reinvenção da roda, mas como eu sempre digo, para que reinventar algo que já funciona com perfeição? Dessa forma, o ouvinte mais acostumado com a proposta sabe exatamente o que vai encontrar, ou seja, música enérgica, vocais raivosos, guitarras pesadas e agressivas, acompanhadas de uma parte rítmica forte e destruidora. Vale também destacar os solos melodiosos e a boa variedade, já que alternam muito bem entre velocidade e cadência. 


São 16 faixas, onde por mais que possuam uma heterogeneidade, algumas se destacam naturalmente. “Os Fins Justificam os Meios” tem boas mudanças de ritmo e é bem pesada, enquanto “Recuse a Cegueira” mostra um solo com melodias de qualidade. “Flagelo” é agressiva e tem boa técnica, e “Guerra Urbana” se equilibra bem entre as partes cadenciadas e velozes. “Dor, Sofrimento e Morte” tem um ótimo groove e transborda peso, e “Negra Sina” é desses Crossovers que prima pela rispidez e agressividade. “As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade” é outra que se destaca demais, com seu peso opressivo e ótimas partes cadenciadas.  “Verdades e Utopias” encerra o álbum com o nível lá em cima, graças a sua boa variedade e ótimo desempenho da parte rítmica.

Toda parte de produção, mixagem e masterização ficou por conta do guitarrista Victor Rotta, e o resultado é bom, com quela crueza e agressividade que o estilo pede, mas ainda sim bem audível. A capa retrata com perfeição o conteúdo agressivo, crítico e ácido das letras, e também ficou muito boa. Como dito, o Grinding Reaction não apresenta nada de novo, mas isso não os impede de fazer uma música com cara própria e que transborda qualidade. Que daqui para frente, consigam estabilizar a carreira de forma que muitos outros álbuns venham, pois, com O Caos Será a Tua Herança, conseguiram acertar em cheio.

NOTA: 81

Grinding Reaction (gravação):
- Ricardo Marchi(vocal/guitarra);
- Victor Rotta (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

Grinding Reaction é:
- Ricardo Marchi(vocal);
- Victor Rotta (guitarra);
- Rafael Santos (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Gangrena Gasosa - Gente Ruim Só Manda Lembrança pra Quem Não Presta


02. Ultra-Violence - Operation Misdirection 


03. Suffocation of Soul - Macabre Sentence (EP)


04. Fast Evil - The Midnigh 


05. Warrel Dane - Shadow Work


06. Artillery - The Face of Fear 


07. Attomica - The Trick


08. Brutallian - Reason for Violence


09. Angelus Apatrida - Cabaret de la Guillotine 


10. Kamala - Eyes of Creation