sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

Facebook
Instagram
YouTube

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)


Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)
(Extreme Sound Records - Nacional)


01. Waverly Hills
02. Inside My Empire
03. Hatred
04. Insane and Sick

Apesar de ser uma banda relativamente nova, pois, surgiu no ano de 2015, na cidade de Porto Ferreira/SP, a Disruption Path possui em sua formação, músicos com alguma bagagem na cena Metal, com passagens por nomes como Maithungh, Setharus, Apocalispe Nuclear, Inluminatti e Madness. Warped Sanity é seu EP de estreia, e aqui, se enveredam pelos lados do Death Metal puro e simples, sem espaço para inovações e modernidades.

O quarteto formado por Helton Henrique (vocal), Fernando Alan (guitarra), Adler Marcatti (baixo) e Daniel Fuzaro (bateria) não nos apresenta absolutamente nada de novo. Basicamente o ouvinte irá se deparar com um Death Metal bem calcado naquela sonoridade das bandas americanas dos anos 90, com alguns inserts mais melódicos aqui e ali, que podem remeter a cena europeia do mesmo período. Os vocais seguem aquela linha gutural, como manda o estilo, mas com algumas passagens mais rasgadas aqui e ali, com a guitarra sendo responsável por bons riffs, mesmo que esses não apresentem nada de inovador. A parte rítmica se mostra bem coesa e forte, com boa técnica e se destacando pela variedade imposta.


Nas 4 canções presentes, o Disruption Path equilibra de forma competente, passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas, o que conta pontos a seu favor. Obviamente, como não poderia deixar de ser em um trabalho de Death Metal, sua música também se mostra bem pesada e bruta. “Waverly Hills” se mostra bem diversificada, resvalando no Thrash em alguns momentos; “Inside My Empire” parece saída diretamente de um álbum de alguma banda da Flórida dos anos, apresentando boa técnica e agressividade; “Hatred” tem peso de sobra e bom desempenho da parte rítmica; “Insane and Sick” é forte, equilibrando velocidade e cadência, causando assim um impacto no ouvinte.

A produção ficou por conta de Alexandre Machanocker e da banda, e ficou com uma qualidade razoável, já que tudo ficou bem audível e pesado. Ainda sim, é um ponto a ser mais bem trabalhado no futuro, mas sem exageros. Já a capa, consegue passar todo o clima de violência que perpassa a música do quarteto. O Disruption Path não apresenta nenhuma inovação em sua música, se limitando a fazer um som que já foi explorado até a exaustão nas últimas décadas, mas o faz com bastante competência, te fazendo esquecer esse detalhe na maior parte do tempo. Agora é aparar as arestas necessárias e partir para um álbum completo.

NOTA: 79

Disruption Path é:
Helton Henrique (vocal)
Fernando Alan (guitarra)
Adler Marcatti (baixo)
Daniel Fuzaro (bateria)

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Tormenta - Batismo da Dor (2019)


Tormenta - Batismo da Dor (2019)
(Independente - Nacional)


01. Cumulusnimbus
02. Batismo da Dor
03. Escravo da Ilusão
04. Reféns do Medo
05. Em Nome de Deus
06. Dono da Verdade
07. Antaŭŝtorm’
08. A Noite Espessa
09. Perseverança
10. Mal Necessário

Surgida no ano de 1998, na cidade de Ribeirão Preto/SP, a Tormenta enfrentou as dificuldades e percalços de nosso undergorund, tanto que passou por 2 períodos de hiato, 2002-2005, e 2008 - 2010. Entretanto, chegaram a lançar um EP, autointitulado no ano de 2006, e agora, mais de 2 décadas após sua fundação, finalmente chegam ao seu debut, intitulado Batismo da Dor. Sabe aquele álbum que te faz lamentar ter demorado tanto a sair? Pois bem! Esse é o caso aqui.

A Tormenta não busca reinventar a roda em nenhum momento, mas sabe utilizar muito bem suas influências para criar um som de personalidade. Enveredando-se pelo Thrash Metal, consegue unir aquela agressividade característica das bandas americanas da década de 80, a técnica típica das bandas europeias do mesmo período, e doses de Heavy Metal e, principalmente, Hardcore. O resultado? Uma música pesada, agressiva, enérgica e muito bem trabalhada. As letras, todas em português, mostram uma qualidade absurda e enriquecem ainda mais o trabalho do quarteto. Críticas e ácidas, como todas deveriam ser.

Os vocais de Rogener Pavinski seguem aquela linha mais rasgada e se mostram muito agressivos, e ele faz uma bela dupla com o guitarrista Flávio Santana. Além de riffs fortes e marcantes, conseguem imprimir boas melodias, principalmente nos solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Fernando Henriques e o baterista Luis Fregonezi, têm uma posição de destaque dentro das canções, já que elas primam pela variedade. A Tormenta não é daquelas bandas que Thrash que apostam puramente na velocidade, e em diversos momentos investem em partes mais quebradas e cadenciadas. Isso termina sendo um grande diferencial.


Após a intro “Cumulusnimbus”, temos a forte “Batismo da Dor”, que se destaca pelos riffs e pela pegada mais Slayer. A faixa seguinte, “Escravo da Ilusão”, se mostra bem variada e com um ótimo trabalho da bateria. A cadência e o peso dão o tom na ótima “Reféns do Medo”, tendo na sequência a enérgica e devastadora “Em Nome de Deus”, com seu ótimo trabalho de guitarras. “Dono da Verdade” é bem diversificada, e contêm em sua narração, citação ao discurso anti-nazista “E Não Sobrou Ninguém”, de Martin Niemöller. Após a instrumental “Antaŭŝtorm’”, temos “A Noite Espessa”, pesada e com tiques de Hardcore. Na sequência final, temos “Perseverança”, que tem uma pegada mais sombria em seu início, mas logo parte para algo mais agressivo, e uma ótima versão de “Mal Necessário”, composição de Mauro Kwitko, que foi eternizada por um dos maiores artistas desse país, Ney Matogrosso. Forte, com grande carga emocional, e perfeita para fechar o álbum com chave de ouro.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Romulo Felício (Fatal Scream, Lusferus) e Rogener Pavinski, com bons resultados, já que deixaram tudo audível, bem timbrado, e com aquela dose de sujeira necessária. Na capa, temos a escultura Urlo, do italiano Enrico Ferrarini, com a arte do encarte tendo sido feita por Rogener. Esbanjando peso, agressividade e técnica, a Tormenta se sai muito bem em seu debut, apresentando um trabalho que, se não prima pela inovação, se destaca pela criatividade e pela força das canções e letras. Que continuem assim nos próximos lançamentos!

NOTA: 84

Tormenta é:
- Rogener Pavinski (vocal/guitarra)
- Flavio Santana (guitarra)
- Fernando Henriques (baixo)
- Luis Fregonezi (bateria)

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube
Metalmedia (Assessoria)

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Kiko Shred - Royal Art (2019)


Kiko Shred - Royal Art (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)
02. Achemy’s Fire
03. Merlin’s Magic
04. Straight Ahead (feat. Michael Vescera)
05. Royal Art
06. Over the Edge
07. Tébas
08. The Knights of the Round
09. Mortal
10. Cagliostro

Sempre que me deparo o trabalho solo de um guitarrista, fico com os dois pés atrás, já que  invariavelmente, esse tipo de álbum não passa de um instrumento para que o mesmo deixe seu ego e autoindulgência falar mais alto. Felizmente não é o que ocorre com Kiko Shred, músico com mais de 20 anos de carreira, e que faz parte da banda de apoio de nomes importantes, como Tim “Ripper” Owens, Leather e Michael Vescera. Royal Art é sem 3º trabalho solo, e nele, se cercou de uma banda experiente, contando com o vocalista Mario Pastore, uma das maiores vozes de nosso país, o baixista Will Costa e o baterista Lucas Tagliari, que como ele, tocaram com Owens e Vescera, além de artistas do porte de UDO, André Matos, Doogie White e Blaze Bayley.

A proposta aqui é fazer boa música, seguindo aquela linha Hard/Heavy com influências Neoclássicas, bem como fazia Yngwie Malmsteen no início de sua carreira. Virtuoso, mas sem abusar de seu talento, Kiko abre espaço para que todos os membros de sua banda brilhem, com destaque para o vocalista Mario Pastore, que mostra sua competência habitual. A parte rítmica, com Will e Lucas também brilha em muitos momentos do álbum. Quanto as canções, as mesmas se mostram bem coesas, com bom peso, melodias agradáveis aos ouvidos, além da já citadas influências neoclássicas. 


O álbum abre com “I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)”, faixa repleta de melodias cativantes e com bom desempenho da parte rítmica. “Achemy’s Fire” se destaca pela pegada mais Hard e pelo refrão forte; “Merlin’s Magic” é a primeira instrumental do trabalho, onde as influências neoclássicas ficam mais evidentes; a mais cadenciada “Straight Ahead” conta com vocais de Michael Vescera, bons riffs e um refrão agradável, enquanto a instrumental “Royal Art” encerra a primeira metade do álbum mostrando toda a técnica de Kiko. “Over the Edge” é uma faixa rápida, forte e com ótimos riffs; “Tébas” é mais uma instrumental com toques neoclássicos, assim como “The Knights of the Round”. Encerrando, a ótima “Mortal”, com uma pegada bem Power Metal e ótimos vocais de Pastore, e “Cagliostro”, onde a parte rítmica se destaca mais uma vez.

O álbum foi produzido e mixado por Andria Busic, com masterização de Márcio Edit, e o resultado ficou muito bom, já que deixou tudo bem claro, com boa escolha de timbres e uma certa crueza que impede aquele ar artificial de muitas produções atuais. A parte gráfica foi obra de Tristan Greatrex (Vinnie Moore) e Alcides Burn (Blood Red Throne, Headhunter D.C., Imago Mortis, Malefactor, Queiron), e também ficou com uma qualidade muito boa. O único porém nesse sentido se dá pelo fato de que as faixas “The Knights of the Round” e “Mortal” estão invertidas na listagem das músicas, quando comparadas com o CD. Passando longe da autoindulgência de muitos músicos por aí, Kiko Shred nos entrega um trabalho de muito qualidade, com foco na boa música, e que vai agradar em cheio os amantes de um bom Hard/Heavy. Um álbum que vale a pena a aquisição.

NOTA: 82

Kiko Shred:
- Kiko Shred (guitarra);
- Mario Pastore (vocal);
- Will Costa (baixo);
- Lucas Tagliari Miranda (bateria).

Facebook
YouTube
Instagram

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

Facebook
YouTube


terça-feira, 16 de abril de 2019

Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)


Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)
(Musik Records - Nacional)


01. The Coming Of Symptoms
02. Wired In (feat. Carl Dixon)
03. Artwork Nightmare (feat. Michael Vöss)
04. Sly Side Effect (feat. Haig Berberian)
05. Silence In Heaven (feat. André Adonis)
06. Saints Spirits & Slaves Sinners (feat. Rod Marenna)
07. First Day Without You (feat. Daniel Vargas & Tito Falaschi)
08. Sharppia
09. Dawning Of Aquarius (feat. Steph Honde)
10. Second Skin Arena (feat. Mario Pastore)
11. Miss Misery (feat. André Adonis)

Para quem desconhece, Fred Mika é líder e baterista da banda goiana de Hard Rock Sunroad, e  Withdrawal Symptons é seu primeiro trabalho solo. Na maioria das vezes, quando um músico opta por algo nessa linha, a ideia é se descolar de sua banda principal, mas Fred optou por não se afastar demais do terreno que conhece muito bem. Dessa forma, o ouvinte vai se deparar com uma boa mescla de Hard, Classic Rock, AOR, Glam e Melodic Rock, que certamente tem tudo para agradar aos que apreciam os citados estilos.

Para essa empreitada, a opção foi se cercar não só de músicos mais próximos, como também de nomes de inegável talento. O vocalista do Sunroad, André Adonis, assumiu toda a parte instrumental, cuidando das guitarras, baixo e teclado, além de cantar em duas canções. O hoje ex-guitarrista da banda goiana, Netto Mello, cuidou da produção. Além disso, para os vocais, se cercou de músicos convidados que só ajudaram a enriquecer o resultado: Carl Dixon (April Wine, Guess Who), Michael Vöss (Mad Max, Casanova, M.S.G., Phantom V), Haig Berberian (Dogman), Daniel Vargas (Adellaide), Tito Falaschi (ex-Symbols), Rod Marenna (Marenna), Steph Honde (Hollywood Monsters) e Mario Pastore (Pastore).

Com um time desses, não precisa dizer que os vocais são um dos pontos de destaque do álbum. Na parte instrumental, Adonis faz um bom trabalho, se mostrando não só um guitarrista muito talentoso, dado não só os bons riffs, bem melodiosos, como os solos com clara influência de Blues que ele nos entrega, mas também se saindo bem no baixo e, principalmente, nos teclados. Ele consegue os encaixar com exatidão nas canções, sem exageros e sem que ele se sobreponha as guitarras, além de criar ótimas atmosferas. Na bateria, como não poderia deixar de ser, Fred mostra o seu já reconhecido talento.


Descontando a introdução, temos 10 canções que apresentam boas melodias, algum peso e que possuem a dose necessária, e esperada, de acessibilidade. O único porém para mim se dá na questão dos refrões, já que a maioria não causa aquele impacto esperado e necessário. Após uma breve introdução, “Wired In” surge  mesclando bem elementos de Classic Rock e AOR; “Artwork Nightmare”, tem aquela pegada bem Whistesnake, equilibrando peso e acessibilidade; “Sly Side Effect” remete o ouvinte ao Deep Purple setentista; “Silence In Heaven” é um Hard mais cadenciado, enquanto “Saints Spirits & Slaves Sinners” é um AOR oitentista da melhor qualidade. A segunda metade do álbum abre com a versão acústica de “First Day Without You”, canção do Sunroad, sendo seguida pela instrumental “Sharppia”. Encerrando, a sequência composta pelas pesadas “Dawning Of Aquarius” e “Second Skin Arena”, ambas com um pé no Metal Tradicional, e uma versão para “Miss Misery”, do Nazareth.

A produção ficou a cargo de Fred e do já citado Netto Mello, com a coprodução de Adonis. O resultado é positivo, já que tudo está audível, mas podem me chamar de chato, achei um pouco crua além da conta para o estilo proposto. Penso que algo um pouco mais limpo deixaria tudo um pouco mais bombástico. A parte gráfica é bem-feita, mas a parte referente aos créditos peca pela escolha e tamanho das letras, já que ficou confuso e quase impossível de ler. Posto tudo isso, não tenho nenhuma dúvida quanto ao fato de que Withdrawal Symptons cairá em cheio no gosto daqueles que apreciam um bom Hard Rock/AOR, pois, é feito na medida para fãs do estilo.

NOTA: 79

Fred Mika (gravação):
- Frad Mika (bateria);
- André Adonis (vocal/guitarra/baixo/teclado)

Convidados:
- Carl Dixon;
- Michael Vöss;
- Haig Berberian;
- Daniel Vargas;
- Tito Falaschi;
- Rod Marenna;
- Steph Honde;
- Mario Pastore.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Faces of Death – From Hell (2018)


Faces of Death – From Hell (2018)
(Independente - Nacional)

01. Priest from Hell
02. I Am the Face of Death
03. New World Order
04. Fucking Human Gods
05. Human Race
06. Brainwash
07. Face the Enemy
08. Anno Domini
09. King of Darkness

O Faces of Death surgiu no ano de 1990, na cidade de Pindamonhangaba/SP, e chegou a lançar duas demos antes de encerrar suas atividades em 1997. Passados 20 anos, a banda retomou a carreira lançando o bom EP Consummatum Est (17), e na sequência, no ano passado, finalmente liberou o seu debut, From Hell. Ouso dizer que poucas vezes o nome de uma banda e o título de um álbum foram tão condizentes com o conteúdo musical. Porque olha, o que temos aqui é uma verdadeira paulada na moleira!

Apresentando um Thrash Metal que equilibra bem o que foi feito no estilo, nos anos 80 e 90, mesclado com generosas doses de Death Metal, o Faces of Death vai agradar em cheio os fãs de formações como Sepultura (pré-Chaos), Kreator, Slayer, e até mesmo Pantera. Equilibrando bem passagens mais pesadas com outras mais velozes, além de um bom groove, o quarteto formado por Laurence Miranda (vocal/guitarra), Felipe Rodrigues (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Sidney Ramos (bateria) entrega uma música ríspida, com bons vocais urrados – ainda que pouco variados -, guitarras que despejam riffs simplesmente brutais, além de uma parte rítmica técnica e precisa. Em resumo, tudo que realmente esperamos de um álbum de Thrash/Death.


De cara temos a brutal “Priest from Hell”, que esbanja fúria e bom groove, sendo seguida pela agressiva e variada “I Am the Face of Death”. Em ambas, o quarteto faz questão de manter um pé bem firme no Death Metal, dando um sabor a mais para as canções. “New World Order” consegue alternar muito bem passagens cadenciadas e velozes, além de possuir um ótimo trabalho de guitarra e riffs afiadíssimos. “Fucking Human Gods” é bruta e tem ótimo desempenho da parte rítmica, enquanto o Death Metal volta a dar as caras na ótima “Human Race”, outra que se destaca pelos ótimos riffs. “Brainwash” se mostra veloz e pesada; “Face the Enemy” tem bons riffs, sendo bem variada, e remetendo um pouco ao Sepultura da fase Beneth the Remains/Arise; e  “Anno Domini”, presente no EP de 2017, é daquelas canções curtas e diretas. Encerrando o álbum, a violenta e brutal “King of Darkness”.

A produção ficou a cargo da banda e de Friggi MadBeats, baterista do Chaos Synopsis, que também foi responsável pela mixagem e masterização. O resultado é muito bom, e equilibrou clareza e sujeira, como deve ser em um álbum do estilo. Já a capa e todo o layout foram obras de Raphael Gabrio, e conseguiu incorporar com perfeição todo o clima de fúria que as canções transmitem ao ouvinte. O Faces of Death pode não apresentar nada essencialmente novo com seu Thrash/Death, mas o faz com competência, personalidade, propriedade, e principalmente, com uma honestidade que fica latente em cada nota. Um álbum feito na medida para fãs do estilo!

NOTA: 83

Faces of Death é:
- Laurence Miranda (vocal/guitarra);
- Felipe Rodrigues (guitarra);
- Sylvio Miranda (baixo);
- Sidney Ramos (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Soundcloud
YouTube