quarta-feira, 20 de março de 2019

Children of Bodom - Hexed (2019)


Children of Bodom - Hexed (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. This Road
02. Under Grass and Clover
03. Glass Houses
04. Hecate's Nightmare
05. Kick in a Spleen
06. Platitudes and Barren Words
07. Hexed
08. Relapse (The Nature of My Crime)
09. Say Never Look Back
10. Soon Departed
11. Knuckleduster
12. I Worship Chaos (live)
13. Morrigan (live)
14. Knuckleduster (remix)

O início do Children of Bodom foi arrasador, com Something Wild (97), Hatebreeder (99), Follow the Reaper (00) e Hate Crew Deathroll (03). O resultado? Os finlandeses se tornaram reféns desses trabalhos, principalmente porque os lançamentos seguintes não conseguiram manter a qualidade que eles mesmo se impuseram. É inegável que a sequência formada por Are You Dead Yet? (05), Blooddrunk (08) e Relentless Reckless Forever (11) nivelou tudo meio que por baixo. Felizmente nos dois últimos álbuns da banda, Halo of Blood (13) e I Worship Chaos (15), as coisas voltaram a seguir um rumo interessante, o que acabou por criar certa expectativa com relação a Hexed.

O 10º trabalho de estúdio do Children of Bodom tem tudo para agradar, não só aos que aprovaram os dos dois últimos álbuns, como aos que apreciam o início de sua carreira. Haxed é um álbum carregado daquela energia de 20 anos atrás, e em muitos momentos, remete o ouvinte àquela banda do início, mas sem renunciar a suas características atuais. Acredito que muito disso possa ser colocado na conta do guitarrista Daniel Freyberg, que estreia em estúdio com o COB, e que parece ter dado nova vida ao grupo.

A voz de Alexi Laiho soa renovada, reenergizada, muito mais natural que nos últimos álbuns. Também é responsável, ao lado de Daniel, por ótimos riffs e solos, sendo que a dupla entrega o melhor trabalho de guitarra do COB em mais de 15 anos. O baixista Henkka Blacksmith e o baterista Jaska Raatikainen formam uma parte rítmica certeira e afiada, que prima pela variedade, enquanto, como de praxe, o tecladista Janne Warman se destaca principalmente nos solos, com quelas transições características entre ele e Alexi. As canções se mostram muito bem estruturadas, e conseguem equilibrar fúria, agressividade e ótimas melodias.


A sequência inicial é simplesmente matadora, com a pesada e feroz “This Road”, a cativante e melódica “Under Grass and Clover”, e a furiosa e veloz “Glass Houses”. Aqui você percebe que o COB não está para brincadeiras. “Hecate's Nightmare” é uma canção forte, que se destaca pelos teclados atmosféricos, e “Kick in a Spleen” possui riffs pesados e agressivos. “Platitudes and Barren Words” é outra faixa que se sobressai pelos riffs, melodias, peso e por ter um refrão bem melódico. “Hexed” conta com alguns elementos neo-clássicos e boas guitarras, e “Relapse (The Nature of My Crime)” se mostra uma canção bem direta e pesada. “Say Never Look Back” é rude, forte e possui boas melodias, enquanto “Soon Departed” e “Knuckleduster”, se mostram mais cadenciadas e muito pesadas. De quebra, temos de bônus 2 faixas ao vivo, “I Worship Chaos” e “Morrigan” e o remix de “Knuckleduster”.

Outro ponto de destaque aqui é a produção. Ela, assim como a mixagem, ficou a cargo do já conhecido pelos fãs da banda, Mikko Karmila, com a masterização feita por Mika Jussila. O resultado é excelente, já que apesar de terem conseguido deixar tudo limpo e cristalino, conseguiram manter uma organicidade muito bem-vinda. Não é aquela coisa asséptica, fria, robótica. É um álbum que soa vivo. Já a capa é obra de Denis Forkas, e está dentro do padrão que esperamos dos finlandeses. Dando um passo a frente em relação aos seus antecessores, Hexed não só mostra muito daquela energia inicial e primordial do Children of Bodom, como também cativa com muita facilidade o ouvinte. Se você se encaixa no grupo dos que nunca se empolgaram com a banda, não será com esse trabalho que mudará de ideia, mas se você faz é fã, temos aqui um álbum que tem tudo para agradar em cheio e no qual vale a pena investir.

NOTA: 8,5

Children of Bodom é:
- Alexi Laiho (guitarra e vocal);
- Janne Wirman (teclados);
- Daniel Freyberg (guitarra);
- Henkka Blacksmith (baixo);
- Jaska Raatikainen (bateria).

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segunda-feira, 18 de março de 2019

Soulsad - Two Funerals (2018) (EP)


Soulsad - Two Funerals (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. My Fallen Garden
02. Funeral One: Father
03. Funeral Two: Mother

O que leva uma pessoa a gostar de Doom Metal? Não entendam essa pergunta como uma crítica ao estilo e as bandas que o praticam. Esse questionamento se dá por algo muito mais profundo, afinal, estamos falando de uma música de atmosfera sombria e melancólica, que basicamente traz em si, um clima desolador. Não são canções que carregam a alegria de viver, mas sim dor, tristeza e agonia. O Soulsad surgiu no ano de 2003, e passou por todas as dificuldades inerentes ao underground, tendo então pausado a carreira em 2008. 10 anos depois, Daviid Amorin (Velvet Thorns) e Rafael Sade (ex-Helllight) resolveram reativar o projeto, e lançaram seu primeiro trabalho de estúdio, o EP Two Funerals.

O resultado não poderia ser melhor. A base de sua música é aquele Melodic Doom/Death Metal popularizado nos anos 90, mas que sofre influências de outros estilos como o Funeral Doom e o Dark Metal. Os vocais guturais de Rafael funcionam muito bem, e passam um clima agonizante ao ouvinte, o que convenhamos, é perfeito para um trabalho do estilo. Ele também é o responsável pelo ótimo trabalho de teclado/piano, conseguindo encaixar suas partes muito bem nas canções, sem cometer exageros e gerando belas passagens atmosféricas. Já Daviid Miranda cuida da guitarra, baixo e bateria, e se sai muito bem em tudo, se destacando principalmente pelos ótimos riffs, bem pesados e arrastados. 


São apenas 3 canções, mas que são o suficiente para mostrar que o duo não está para brincadeira. A instrumental “My Fallen Garden” já deixa claro a desolação que encontraremos pela frente, sendo seguida pela ótima “Funeral One: Father”, pesada, perturbadora, e com ótimos momentos mais atmosféricos. Encerrando, a épica e soberba “Funeral Two: Mother”, com seus mais de 13 minutos de riffs arrastados, dor, tristeza e melancolia. Uma das melhores canções do estilo que escutei nos últimos anos, o que mostra que estamos diante de um nome diferenciado.

A produção ficou por conta do próprio Daviid Amorim e está em um nível muito bom, já que é possível escutar tudo com clareza, sem que para isso tenham precisado abrir mão do peso, agressividade e de uma dose de sujeira. Já a belíssima capa é obra de Jéssica de Araújo. Two Funerals não apresenta nada propriamente novo, mas ainda sim - mesmo que nomes como Katatonia (do início de carreira), Saturnus, Daylight Dies ou Bethlehem venham a sua cabeça em algum momento -  de forma alguma parece simples emulação, já que a música aqui contida, além de não soar datada, possui personalidade. O que leva uma pessoa a gostar de Doom Metal? A resposta está em bandas como o Soulsad, que nos mostra que sim, existe beleza na dor, desolação e escuridão.

NOTA: 88

Soulsad é:
- Rafael Sade (vocal/piano/teclado)
- Daviid Miranda (guitarra, baixo, bateria).

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terça-feira, 12 de março de 2019

Burn Incorporated – Supernova (2018) (EP)


Burn Incorporated – Supernova (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. Hate
02. Lonely
03. Until My End
04. Supernova

Uma das coisas que mais escuto por aí, é que o Metal precisa se renovar, mas para tal, se faz necessário o surgimento de novos valores. A juventude deve voltar a abraçar o Rock/Metal. O Burn Incorporated surgiu na cidade de Monte Alto/SP, no ano de 2014, através das mãos do baterista Vincenzo Nuciteli, que na época possuía, acreditem, apenas 10 anos. Como boa parte das bandas iniciantes, o foro era fazer covers de nomes consagrados, mas com o tempo, e uma formação mais estabilizada, resolveram partir para as músicas próprias. Em 2018 lançaram seu EP de estreia, Supernova.

Musicalmente, nos deparamos com uma mescla de Metal Tradicional, Classic Rock e Prog Metal, pesada, com um ar mais moderno e que se destaca pela boa técnica dos envolvidos, apesar da juventude de todos. Conseguem entregar boas melodias, e bons arranjos, com a guitarra de Gabriel alonso apresentando bons riffs e solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Raphael Alonso e pelo prodígio Vincenzo Nuciteli mostra segurança e boa técnica. Os vocais de Hariel Davela (que já não faz mais parte do BURN, Inc.) possuem qualidade, mas destoam um pouco se comparado ao desempenho dos demais, já que fica devendo um pouco em algumas passagens mais pesadas.


A abertura se dá com “Hate”, sem dúvida a faixa mais agressiva e enérgica do trabalho, com boas guitarras e bateria. Na sequência temos a ótima “Lonely”, um Hard/Heavy um pouco mais acessível e com ótimo desempenho da parte rítmica, fora o bom refrão. Sem dúvida alguma a melhor canção do EP. Em, “Until My End”, com seus quase 10 minutos, o quarteto mostra sua influência de Progressivo, com muita variedade, e passagens que vão das limpas até as mais pesadas. A ressalva deve ser feita aos vocais, que em alguns momentos não funcionam muito bem. Encerrando, a instrumental “Supernova”, onde mostram toda a sua qualidade como instrumentistas, mas sem pedantismo, fora as boas melodias presentes.

Gravado no Fonzare Studio (Pradópolis/SP), o EP teve produção, mixagem e masterização realizadas por Fábio Fonzare. O resultado é uma sonoridade clara e pesada, que funcionou bem para a banda. Um pouco de crueza a menos ajudaria? Possivelmente, mas nada que chegue a comprometer a audição. Já a parte gráfica, muito bonita, ficou por conta do sempre talentoso Gustavo Sazes (Angra, Arch Enemy, Kamelot, Krisiun, Morbid Angel), mostrando a preocupação da banda em entregar um pacote que soe bem profissional. Supernova acaba por mostrar o potencial que existe por detrás do Burn Incorporated, nos apresentando um nome promissor e que, com o devido amadurecimento, algo que só o tempo e a estarda podem fazer, tem tudo para se colocar entre os principais nomes da nossa cena.

NOTA: 8,0

Burn Incorporated (gravação):
- Hariel Davela (vocal);
- Gabriel Alonso (guitarra);
- Raphael Alonso (baixo);
- Vincenzo Nuciteli (bateria).

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segunda-feira, 11 de março de 2019

25 álbuns para se escutar nesse início de 2019

01. Swallow the Sun - When a Shadow Is Forced into the Light


País: Finlândia
Estilo: Melodic Doom/Death Metal


02. Rival Sons - Feral Roots


País: Estados Unidos
Estilo: Hard/Classic Rock


03. Saor - Forgotten Paths


País: Escócia
Estilo: Atmospheric Folk/Black Metal


04. Nailed to Obscurity - Black Frost


País: Alemanha
Estilo: Melodic Doom/Death Metal


05. Rotting Christ - The Heretiics


País: Grécia
Estilo: Melodic Black Metal


06. Tuatha De Danann - The Tribes of Witching Souls (EP)


País: Brasil
Estilo: Folk Metal


07. Downfall of Gaia - Ethic of Radical Finitude


País: Alemanha
Estilo: Post Black Metal


08. Herman Frank - Fight the Fear


País: Alemanha
Estilo: Heavy Metal


09. Evergrey - The Atlantic


País: Suécia
Estilo: Prog Metal


10. Soen - Lotus


País: Suécia
Estilo: Prog Metal


11. Dødsfall - Døden skal ikke vente


País: Noruega
Estilo: Black Metal


12. Pesta - Faith Bathed in Blood


País: Brasil
Estilo: Doom/Stoner


13. Candlemass - The Door to Doom


País: Suécia
Estilo: Doom Metal


14. The Elysian Fields - New World Misanthropia


País: Grécia
Estilo: Melodic Death/Black Metal


15. Avantasia - Moonglow


País: Alemanha
Estilo: Symphonic Power Metal


16. Last in Line - II


País: Estados Unidos
Estilo: Hard/Heavy


17. Malevolent Creation - The 13th Beast


País: Estados Unidos
Estilo: Death Metal


18. A Swarm of the Sun - The Woods


País: Suécia
Estilo: Post Metal


19. Flotsam and Jetsam - The End of Chaos


País: Estados Unidos
Estilo: Thrash Metal


20. Delain - Hunter’s Moon (EP)


País: Holanda
Estilo: Symphonic Metal


21. The Three Tremors - The Three Tremors


País: Estados Unidos
Estilo: Heavy/Power


22. Gatekeeper - Grey Maiden (EP)


País: Canadá
Estilo: Heavy Metal


23. Rock Goddess - This Time


País: Inglaterra
Estilo: Heavy Metal


24. Hecate Enthroned - Embrace of the Godless Aeon


País: Inglaterra
Estilo: Melodic Black/Death Metal


25. Helevorn - Aamamata


País: Espanha
Estilo: Doom/Gothic Metal

sexta-feira, 1 de março de 2019

Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança


Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança
(Independente - Nacional)


01. O Caos Será a Tua Herança
02. Os Fins Justificam os Meios
03. Recuse a Cegueira
04. Flagelo
05. Guerra Urbana
06. Dor, Sofrimento e Morte
07. Cangalha
08. Marionete
09. Negra Sina
10. Piada
11. Inimigo no Espelho
12. As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade
13. Pesadelo Latino Americano
14. Rato Cinza
15. Vida Útil
16. Verdades e Utopias

Ser uma banda underground nunca foi e nem vai ser fácil, e a história do Grinding Reaction retrata bem as dificuldades existentes no meio. Surgido na cidade de Diadema/SP, no ano 2000, chegaram a lançar uma Demo autointitulada no ano seguinte, e o EP Opression, Negligence, Tears and Blood em 2004, mas acabaram encerrando as atividades 4 anos depois. Após um hiato, retornaram em 2011, mas precisaram de um tempo até conseguir estabilizar uma formação e então partir para o EP Tempo, Persistência e Fúria (15), que foi uma releitura de faixas da Demo e do EP anteriores, acrescidas de uma música inédita. Finalmente ano passado, passados 18 anos de sua fundação, conseguiram lançar seu debut, O Caos Será a Tua Herança.

Musicalmente, o quarteto na época formado por Ricardo Marchi(vocal/guitarra), Victor Rotta (guitarra), Renato Spadini Jr. (baixo) e Weslley Ferreira (bateria), se envereda pelos caminhos do Crossover, mesclando com bastante competência Hardcore, com Thrash/Groove Metal. Não é a reinvenção da roda, mas como eu sempre digo, para que reinventar algo que já funciona com perfeição? Dessa forma, o ouvinte mais acostumado com a proposta sabe exatamente o que vai encontrar, ou seja, música enérgica, vocais raivosos, guitarras pesadas e agressivas, acompanhadas de uma parte rítmica forte e destruidora. Vale também destacar os solos melodiosos e a boa variedade, já que alternam muito bem entre velocidade e cadência. 


São 16 faixas, onde por mais que possuam uma heterogeneidade, algumas se destacam naturalmente. “Os Fins Justificam os Meios” tem boas mudanças de ritmo e é bem pesada, enquanto “Recuse a Cegueira” mostra um solo com melodias de qualidade. “Flagelo” é agressiva e tem boa técnica, e “Guerra Urbana” se equilibra bem entre as partes cadenciadas e velozes. “Dor, Sofrimento e Morte” tem um ótimo groove e transborda peso, e “Negra Sina” é desses Crossovers que prima pela rispidez e agressividade. “As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade” é outra que se destaca demais, com seu peso opressivo e ótimas partes cadenciadas.  “Verdades e Utopias” encerra o álbum com o nível lá em cima, graças a sua boa variedade e ótimo desempenho da parte rítmica.

Toda parte de produção, mixagem e masterização ficou por conta do guitarrista Victor Rotta, e o resultado é bom, com quela crueza e agressividade que o estilo pede, mas ainda sim bem audível. A capa retrata com perfeição o conteúdo agressivo, crítico e ácido das letras, e também ficou muito boa. Como dito, o Grinding Reaction não apresenta nada de novo, mas isso não os impede de fazer uma música com cara própria e que transborda qualidade. Que daqui para frente, consigam estabilizar a carreira de forma que muitos outros álbuns venham, pois, com O Caos Será a Tua Herança, conseguiram acertar em cheio.

NOTA: 81

Grinding Reaction (gravação):
- Ricardo Marchi(vocal/guitarra);
- Victor Rotta (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

Grinding Reaction é:
- Ricardo Marchi(vocal);
- Victor Rotta (guitarra);
- Rafael Santos (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Candlemass - The Door to Doom (2019)


Candlemass - The Door to Doom (2019)
(Napalm Records- Importado)


01. Splendor Demon Majesty
02. Under The Ocean
03. Astorolus - The Great Octopus (feat. Tony Iommi)
04. Bridge Of The Blind
05. Death's Wheel
06. Black Trinity
07. House Of Doom
08. The Omega Circle

Quando Epicus Doomicus Metallicus foi lançado em 1986, o impacto foi grande, não só pela qualidade de músicas como “Solitude”, “Demon’s Gate”, “Crystal Ball” ou “A Sorcerer’s Pledge”, mas pelo ineditismo de seu conteúdo. Claro que nomes como Trouble, Pentagram e Saint Vitus já haviam estabelecido as bases para o que conhecemos como Doom Metal, mas o que o Candlemass apresentou em seu debut foi bem além. As influências de Black Sabbath, o som mais arrastado e sujo, tudo isso estava presente, mas recebendo doses de Metal Tradicional e vocais mais operísticos, cortesia de Johan Längquist, que atuou como convidado.

Aliás, ser vocalista do Candlemass acabou se tornando uma missão ingrata, já que após o debut o posto foi ocupado pelo icônico Messiah Marcolin. Com ele, lançaram mais 3 clássicos, Nightfall (87), Ancient Dreams (88) e Tales of Creation (89), até que ele resolveu sair em 1991. Tentaram seguir em frente com Thomas Vikström (Stormwind, Therion) assumindo o posto, mas não vingou, apesar do bom Chapter VI (92). Após uma pausa entre 94 e 97, retornaram com Björn Flodkvist e chegaram a lançar 2 álbuns, Dactylis Glomerata (98) e From the 13th Sun (99), mas não funcionou. A solução foi o retorno da formação clássica em 2001, que rendeu mais um trabalho com Messias, Candlemass (05). Com sua saída definitiva no ano seguinte, o posto foi ocupado Mats Levén, que logo foi substituído por Robert Lowe. Com ele a frente, as coisas pareceram se estabilizar, e 3 bons álbuns foram lançados, King of the Grey Islands (07), Death Magic Doom (09), e Psalms for the Dead (12), sendo que esse foi vendido por Leif Edling como o último dos suecos. Para a surpresa de todos, Levén retornou a banda na sequência, e chegou a lançar 2 EP’s, Death Thy Lover (16) e House of Doom (18).


E quem diria, no final tudo acaba como começou. Quando Leif decidiu que o Candlemass deveria lançar outro álbum de estúdio, resolveu convidar para os vocais ninguém menos que Johan Längquist, a icônica voz de Epicus Doomicus Metallicus. E para completar, The Door to Doom foi vendido como um retorno as raízes. Parafraseando o menino-prodígio, “Santa Ignorância, Leif!”. Tal afirmação soa um pouco forte, mas a verdade é que nada pode soar mais prejudicial do que maximizar ainda mais as expectativas dos fãs, que já eram grandes pelo simples fato do Candlemass voltar a lançar um álbum de estúdio. Se você não for cumprir tais promessas, isso tudo soa ainda mais irresponsável. Bem, a essa altura já deve estar bem claro que The Door To Doom não soa como um retorno da banda as suas raízes.

Grandes expectativas musicais geram grandes decepções, principalmente quando o material não condiz com o que foi prometido e com o que você idealiza. Por isso não nego, a minha primeira audição do álbum foi broxante. Então percebi que apesar da promessa de retorno as raízes, apesar de Längquist estar nos vocais e de até mesmo a capa remeter diretamente a de Epicus Doomicus Metallicus, comparar não só The Door to Doom, como qualquer outro álbum da carreira do Candlemass com o mesmo, seria de uma injustiça tremenda, afinal, ele foi um divisor de águas para o Doom Metal. A partir do momento que mudei minha forma de abordagem, a coisa toda mudou de figura, e aquela decepção inicial foi tomando o contorno de um sorriso no rosto, a cada nova audição do mesmo.

A verdade é que The Door to Doom não se difere em absolutamente nada de todos os álbuns lançados pelo Candlemass a partir de King of the Grey Islands. Isso é ruim? De forma alguma, afinal, os suecos nunca lançaram nada que não fosse menos que bom. Os fãs gostem ou não do fato, Leif Edling estabeleceu uma forma de compor confortável para ele, e se acomodou na mesma. Uma prova disse é que, caso você pegue para escutar a versão japonesa, que conta com o EP House of Doom de bônus, mal vai conseguir distinguir o momento da passagem de um para o outro, já que Johan Längquist não faz nada diferente do que Mats Levén fez anteriormente. Aqui você encontra bons vocais, melodias agradáveis, riffs duros e fortes, que dão um ar sombrio as canções. Em resumo, canções que você poderia ter escutando em outros projetos de Leif nos últimos 15 anos, como The Doomsday Kingdom, Avatarium ou Krux.


São 8 canções que mantêm o bom nível, dentro do que nos acostumamos nos últimos anos. “Splendor Demon Majesty” tem uma pegada um pouco mais acelerada e riffs bem pesados, sendo seguida por “Under The Ocean”, que segue o padrão de composição já conhecido e se destaca principalmente pelo bom solo. “Astorolus - The Great Octopus” teria tudo para ser só mais uma canção do Candlemass, mas tem a participação de Tony Iommi, o que acaba elevando o nível da mesma. “Bridge Of The Blind” é uma balada acústica dolorida e triste, mas muito bonita, enquanto “Death's Wheel” transborda peso, bons riffs e é outra que se destaca pelo solo. Outra com essas mesmas características, é a ótima “Black Trinity”, um dos poucos momentos em que Johan Längquist justifica a substituição de Mats. A já conhecida “House Of Doom” surge em uma versão levemente diferente, e que poderia ser confundida com a do EP, mesmo no que tange os vocais. Encerrando, temos “The Omega Circle”, que se destaca principalmente pelo bom refrão.

A produção do álbum ficou a cargo de Marcus Jidell, que trabalhou com Leif no Avatarium e no The Doomsday Kingdom, além de ter produzido os dois últimos EP’s da banda. A mixagem foi realizada por Niklas Flyckt (Krux) e a masterização por Svante Forsbäck (Apocalyptica, Grand Magus, Korpiklaani, Samael, Sonata Arctica, Swallow the Sun, Tarja). O resultado é muito bom, o que convenhamos, já era esperado. A capa é obra de Erik Rovanperä, e bem, é a do Epicus com pequenas modificações. Ao final, você tem duas formas para abordar The Door to Doom. A primeira, é considerando a promessa de Leif e toda a expectativa que a mesma gerou. Desse ponto de vista, o álbum é uma decepção, principalmente se você insistir em confrontar o mesmo com Epicus Doomicus Metallicus. A segunda, é esquecer tudo isso, e colocar ele frente a frente com os 3 últimos trabalhos da banda. Quando se faz isso, nos deparamos com um álbum muito consistente, épico, forte e que sim, cativa o ouvinte que der essa abertura. Que Leif pare a história do Candlemass por aqui, e se concentre em outros projetos.

NOTA: 84

Candlemass é:
- Johan Längquist (vocal);
- Mats “Mappe” Björkman (guitarra);
- Lars “Lasse” Johansson (guitarra);
- Leif Edling (baixo);
- Jan Lindh (bateria).

Musicos convidados:
- Tony Iommi (guitarra na faixa 3)
- Marcus Jidell (teclados)
- Jennie-Ann Smith (backing vocals)
- Mats Levén (backing vocals)
- Stefan Berggren (backing vocals)

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Avantasia – Moonglow (2019)


Avantasia – Moonglow (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Ghost in the Moon
02. Book of Shallows
03. Moonglow
04. The Raven Child
05. Starlight
06. Invincible
07. Alchemy
08. The Piper at the Gates Of Dawn
09. Lavender
10. Requiem for a Dream
11. Maniac
12. Heart (faixa bônus)

Quando Tobias Sammet se aventurou ao lançar as duas partes de The Metal Opera, no início dos anos 2000, não poderia imaginar a proporção que tudo tomaria. Prova disso é que originalmente, o Avantasia havia sido concebido em sua cabeça apenas para esses álbuns. Pois bem, a coisa vingou de tal forma, que hoje chega ao seu 8º álbum de estúdio. Sempre se cercando de músicos consagrados, e apresentando uma música um tanto quanto pomposa e exagerada, alternou entre ótimos álbuns e outros um tanto burocráticos, por mais que nos 2 últimos, The Mystery of Time (A Rock Epic) (13) e Ghostlights (16), as coisas tenham melhorado consideravelmente.

Apesar de levemente mais contido nesse sentido, mais uma vez temos uma ótima seleção de músicos convidados. Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate, Bob Catley e Michael Kiske já são velhos conhecidos dos fãs do Avantasia, e a eles são acrescidos os estreantes Hansi Kürsch, Mille Petrozza e Candice Night. São nomes que dispensam apresentações e estão entre as principais vozes da música pesada, não só na atualidade, como em todos os tempos. Dá para notar também que temos uma maior variedade vocal nessa lista, o que acabou por abrir mais possibilidades em matéria de composição.


A música do Avantasia sempre teve em sua base aquele Power Metal tipicamente europeu, carregado de pompa e exageros estilísticos, mas que por algum motivo funcionou muito bem no início. Com o passar dos lançamentos, esse lado pomposo foi aumentado com a inclusão de elementos de Hard Rock oitentista, Pop, elementos orquestrais e de musicais da Broadway, chegando ao auge em Moonglow. Isso poderia ser o prenúncio de um desastre, mas surpreendentemente funciona muito bem. Um dos motivos disso é sem dúvida alguma, a irritante capacidade que Tobias possui de compor refrões grudentos. Mesmo quando a música não empolga, mesmo quando você se esforça para não gostar do que está ali, surge lá, do nada, aquele refrão empolgante e cativante, te fazendo cantar junto contra a sua vontade. Sério, isso deveria estar no código penal, ser considerado crime.

Brincadeiras a parte, a variedade maior de vozes deu a Sammet mais abertura para explorar e expandir suas ideias. Isso só fez bem ao Avantasia. Tudo aqui se mostra mais diversificado, o que é ótimo. Nos vocais, Tobias se sai bem e tem um desempenho até superior ao que apresentou nos últimos álbuns, tanto de seu projeto quanto do Edguy. Entre os convidados, alguns destaques são óbvios. Geoff Tate está cantando como a muito não fazia, enquanto Jørn Lande, Bob Catley e Michael Kiske nos entregam exatamente o esperado. Petrozza trouxe uma dose de agressividade em sua participação, e Candice mostra uma voz forte. Hansi Kürsch está bem mais contido que nos álbuns do Blind Guardian, mas ainda sim consegue aparecer bem. Eric Martin poderia ter tido um pouco mais de espaço, mas brilha quando tem chance. Já Ronnie Atkins tem espaço para brilhar, mas surpreendentemente acaba não saindo muito do padrão, não brilhando como o esperado.

De cara, temos a ótima “Ghost in the Moon”, canção pomposa, com aqueles exageros esperados, mas que funciona de forma brilhante. É como se estivéssemos diante de um Savatage com toques de Pop e de musicais. E que refrão! A faixa seguinte, “Book of Shallows”, une Tobias, Atkins, Lande, Kürsch, Petrozza. É um Power Metal mais clássico, veloz, com boas melodias e ótimo refrão. As partes cantadas por Mille trazem um peso a mais para a canção, e o que teria tudo para soar esquisito e dar errado, acaba funcionando de uma forma irritantemente boa. “Moonglow” conta com o dueto entre Candice e Sammet, e se mostra uma faixa bem forte, fugindo daquele estereótipo de “balada delicada com vocal feminino”. “The Raven Child” não só é a maior música do álbum, como também a mais diversificada. Com seus mais de 11 minutos, passeia pelo Power e possui elementos de música Celta. Jørn Lande e Hansi Kürsch brilham, e acabam sendo o grande diferencial da canção. Já “Starlight”, com Ronnie Atkins, é uma canção bem padrão e que não foge muito do lugar-comum.


Na sequência temos a suave balada conduzida pelo piano, “Invincible” e a pesada “Alchemy”, onde o grande destaque fica por conta de Geoff Tate, que brilha nos vocais. O bom resultado é maximizado pela forma como sua voz e a de Sammet harmonizam. “The Piper at the Gates Of Dawn” é um Power metal básico e que procura não inventar. É a que conta com mais participações, já que tem seus vocais divididos entre Tobias, Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate e Bob Catley. Justamente por isso, todos acabam tendo menos tempo do que mereciam para brilhar, mas isso não chega a comprometer o resultado. Se não mostrou tudo que podia na canção anterior, em “Lavender”, Bob Catley simplesmente brilha. Pesa também ao seu favor o fato da música possuir qualidades, como os bons coros e os teclados, que encaixam muito bem as partes orquestrais. “Requiem for a Dream” tinha tudo para ser um Power Metal padrão e sem sal, mas tem nos vocais ninguém menos que Michael Kiske, e isso por si só já salva a canção. “Maniac”, cover para a canção de Michael Sembello, e que foi trilha sonora do filme Flashdance (81), acaba soando um pouco deslocada dentro do contexto do álbum, mas é divertida, principalmente pelo inusitado da escola. Encerrando, temos a bônus “Heart”, um tributo ao Journey da fase Steve Perry.

Como sempre, a produção e mixagem ficaram por conta de Sascha Paeth, com masterização de Michael “Miro” Rodenberg. O resultado é aquele que esperamos, com tudo claro, limpo, cristalino, mas ainda sim pesado, afinal, estamos falando de um álbum de Heavy Metal. A belíssima capa é obra de Alexander Jansson, e é certamente a melhor que já vi em um álbum do projeto. Não vou mentir, quando peguei para escutar Moonglow, estava com os 2 pés atrás, afinal, os trabalhos anteriores não haviam me conquistado, mas ao final da audição, me deparei com o melhor trabalho do Avantasia em tempos. Um álbum fácil de escutar, divertido, com tudo aquilo que se espera vindo dele, e com aqueles irritantes refrões que ficam dias na sua cabeça. O que mais um fã pode querer?

NOTA: 83

Avantasia é:
- Tobias Sammet (vocal/baixo/teclado/piano/orquestrações)
- Sascha Paeth (guitarra/teclado/piano/orquestrações)
- Michael "Miro" Rodenberg (teclado/orquestrações)
Musicos convidados:
- Felix Bohnke (bateria)
- Ronnie Atkins (vocal nas faixas 2, 5, 8)
- Jørn Lande (vocal nas faixas2, 4, 8)
- Eric Martin (vocal nas faixas 8, 11)
- Geoff Tate (vocal nas faixas 6, 7, 8)
- Michael Kiske (vocal na faixa 10)
- Bob Catley (vocal nas faixas 8, 9)
- Candice Night (vocal na faixa 3)
- Hansi Kürsch (vocal nas faixas 2, 4)
- Mille Petrozza (vocal na faixa 2)
- Nadia Birkenstock (harpa celta)
- Oliver Hartmann (guitarra)

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