quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Sabaton - The Great War (2019)


Sabaton - The Great War (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. The Future Of Warfare
02. Seven Pillars Of Wisdom
03. 82nd All The Way
04. The Attack Of The Dead Men
05. Devil Dogs
06. The Red Baron
07. Great War
08. A Ghost In The Trenches
09. Fields Of Verdun
10. The End Of The War To End All Wars
11. In Flanders Fields


Existem as bandas clichês, e existe o Sabaton. Quando você coloca um CD dos suecos para tocar, já sabe exatamente o que escutará, pois, desde a estreia com Primo Victoria (05), adotaram uma fórmula musical da qual não abrem mão. Estruturas, progressões, escalas, riffs, melodias, refrões, absolutamente tudo por aqui é reciclado álbum após álbum. Poucas bandas conseguem ser tão previsíveis. Posto tudo isso, só me cabe fazer a pergunta valendo 1 milhão de reais: como, com todos esses aspectos que jogariam qualquer trabalho na vala comum do Metal genérico, o Sabaton consegue ser tão legal, viciante e divertido? Sabe aquela banda que você sente raiva de gostar das músicas e dos álbuns? Pois é…

Completando 20 anos de carreira em 2019, o Sabaton não teve medo de arriscar, e para comemorar tal marca, lançou seu projeto mais ambicioso. The Great War não é só um trabalho conceitual que trata da 1ª Guerra Mundial, ou “A Grande Guerra”, ou “A Guerra para acabar com todas as Guerras”, como ficou conhecida. Nada mais do que 3 versões do álbum foram lançadas, a padrão, a History Edition, onde as canções são antecedidas por uma narração explicando o contexto histórico das mesmas, e uma versão intitulada The Soundtrack To The Great War, que conta apenas com versões 100% orquestradas das músicas, e participação de Floor Jansen (Nightwish) na abertura e em alguns vocais adicionais que surgem aqui e ali. Vale dizer que essa última só está disponível para quem adquirir a The Great Box Edition. No Brasil, a Shinigami está lançando as duas primeiras, a versão padrão em acrílico, e a History Edition em digipack. Material imperdível para colecionadores e fãs da banda.

Mas deixemos de enrolação. Quando fiquei sabendo que o 9º álbum de estúdio do Sabaton se trataria de um trabalho conceitual a respeito da Grande Guerra, confesso que fiquei temeroso. Meu medo não vinha de alguma dúvida a respeito da competência dos suecos para tal, mas receava a forma como um momento tão pesado da história da humanidade, um evento que consumiu e destruiu a vida de milhões, seria abordado pela banda, já que ela se notabilizou por uma abordagem mais grandiosa e heroica dos fatos. Felizmente, conseguiram se sair muito bem, já que apesar desses momentos se fazerem presentes, ao tratarem de histórias individuais, o lado sombrio da guerra  permeia toda a audição. A Grande Guerra não é glorificada, e suas vítimas são tratadas com o respeito que merecem por parte do Sabaton.


Musicalmente, qualquer um que conheça a banda sabe o que vai encontrar aqui: Power Metal com elementos sinfônicos, vocal bem característico, riffs pesados – e requentados dos trabalhos anteriores –, bons solos, guitarras que passam boa parte do tempo “tocando” as linhas vocais, refrões fortes, acompanhados de coros e teclados bem encaixados. É aquele já falado mais do mesmo irritantemente divertido, que te deixa com a sensação de já ter escutado aquilo antes em algum álbum anterior, mas que quando você se dá conta, está cantando junto e tocando sua air guitar pela sala. Para não dizer que o Sabaton se limitou apenas a simples repetição, chamou-me a atenção o fato de que os coros e orquestrações se fazem mais presentes. São vários os momentos em que eles suplantam os teclados, responsáveis por dar um toque de Hard/Glam a muitas canções. Isso torna The Great War um álbum mais épico, se comparado com seus antecessores recentes, Heroes (14) e The Last Stand (16). Em relação a este último, vale dizer que empolga muito mais, pois não sofre tanto com os altos e baixos que se faziam presentes no mesmo.

A abertura se dá com “The Future Of Warfare”, que trata da introdução do Tanque de Guerra nos campos de batalha, focando nas batalhas de Flers-Courcelette (1916) e Villers-Bretonneux (1918). É uma abertura sólida, no melhor estilo Sabaton, com um bom trabalho de bateria e coros grandiosos e bombásticos. “Seven Pillars Of Wisdom” trata da figura de Lawrence da Arábia, britânico que lutou ao lado das forças árabes, contra o Império Otomano. É um dos pontos altos do álbum, com suas ótimas guitarras, melodia empolgante e um refrão forjado cuidadosamente para grudar na cabeça de quem escuta por dias a fio. “82nd All The Way” trata da figura do Sargento Alvin York, soldado americano mais condecorado da 1ª Guerra, e do episódio ocorrido na Ofensiva Meuse-Argonne (1918), onde comandando um destacamento de apenas 16 homens, destruiu 32 metralhadoras, matando 28 militares alemães e capturando outros 132. É aquele típico Power Metal da banda, com refrão marcante e sem grandes novidades.

“The Attack Of The Dead Men” aborda a Batalha da Fortaleza de Osowiec (1915), onde, com intenção de erradicar os cerca de 900 defensores russos, os alemães bombardearam a mesma com armas químicas. Para a surpresa dos 7 mil soldados alemães que avançaram em sua direção, julgando que já não encontrariam grande resistência, 100 russos, totalmente desfigurados, tossindo sangue e pedaços de seus próprios pulmões, o que dava aos mesmos uma aparência de zumbis, surgiram em uma contra-carga, causando grandes baixas as forças alemãs. É uma canção que foge um pouco do padrão, por soar mais épica, com boas guitarras, e cativa o ouvinte com certa facilidade. “Devil Dogs” trata dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, na Batalha de Belleau Wood (1918), onde se mostraram implacáveis contra as tropas da Alemanha. Sabe aquela canção 100% reciclada, que está presente em todos os trabalhos do Sabaton. Esse é o melhor exemplo que posso dar disso.


“Red Baron” trata de Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, ou se preferir, o famoso Barão Vermelho, responsável por 80 mortes confirmadas de aliados em combates aéreos durante a 1ª Guerra. De ritmo rápido, divertida e com refrão que beira a perfeição, possui um Hammond que dá um clima setentista e a tira do lugar-comum ao qual estamos acostumados. Se prepare, vai se pegar cantando essa música de primeira. “Great War” trata do sofrimento que a guerra causa, e tem seu foco na Batalha de Passchendaele (1917), ou Terceira Batalha de Ypres, uma das maiores carnificinas da Grande Guerra, custando algo entre 500 e 800 mil vidas. Pesada, épica, colossal e com um refrão bem marcial, é dessas canções forjadas para o público cantar junto nos grandes festivais, e acredite, isso vai acontecer. “A Ghost In The Trenches” trata de Francis Pegahmagabow, soldado mais condecorado da história militar canadense, e atirador mais efetivo da 1ª Guerra. É creditado a ele, a morte de 378 alemães, e a captura de mais de 300. É outra canção padrão da banda, com aquelas passagens cativantes que já são esperadas.

“Fields Of Verdun” trata da Batalha de Verdun (1916), travada por mais de 300 dias, sendo assim a maior e mais longa de toda a Grande Guerra na Frente Ocidental. É um Power Metal empolgante, pesado, com boas guitarras e claro, com aquele refrão maroto feito para eu, você e todo mundo cantar junto. E vamos cantar! Na sequência, talvez o momento mais grandioso e épico da carreira do Sabaton, “The End Of The War To End All Wars”. Grandiosa, recheada de belas orquestrações e corais, e com vocais que ajudam a dar um ar sombrio a canção, ela é o retrato perfeito de uma guerra que vitimou entre 15 e 20 milhões de pessoas, quase metade delas civis, e ainda deixou cerca de 23 milhões de feridos. Encerrando, “In Flanders Fields”, onde o poema do soldado canadense John McCrae, morto da Grande Guerra, é cantado por um coral “a capella”. Uma justa e belíssima homenagem que dá voz a todos que tombaram durante o conflito.

Produzido pela banda, gravado e mixado por Jonas Kjellgren (Amorphis, Hypocrisy, Immortal, Katatonia e o próprio Sabaton), e com masterização realizada por Maor Appelbaum (Angra, Candlemass, Faith No More, Halford), temos aqui a melhor produção já feita em um trabalho dos suecos. Cada detalhe pode ser notado, mas sem que isso afete o peso e deixe a sonoridade excessivamente artificial. A bela capa é mais uma vez, obra de Péter Sallai (Accept, Cavalera Conspiracy, Hammerfall, W.A.S.P.), e retrata com perfeição o clima do álbum. Com canções dinâmicas, que vão direto ao ponto e entregam o que o fã espera, o Sabaton comemora seus 20 anos de carreira em alto nível, deixando claro que ainda tem muita munição para gastar nos próximos anos. Encerro essa resenha com as palavras escritas por um tenente francês, que veio a falecer na Batalha de Verdum, para que assim, quem sabe, consigamos entender o horror de uma guerra.

“A Humanidade é louca. Tem de ser louca para fazer o que está a fazer. Que massacre! Que cenas de horror e carnificina! Não encontro palavras para exprimir as minhas emoções. O Inferno não deve ser tão mau. Os homens são loucos!”

NOTA: 89

Sabaton é:
- Joakim Brodén (vocal/teclado)
- Chris Rörland (guitarra)
- Tommy Johansson (guitarra)
- Pär Sundström (baixo)
- Hannes Van Dahl (bateria)

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Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)


Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)
(Metal Blade Records - Importado)


01. Anthropogenic: End Transmission
02. The Geocide
03. Be Still Our Bleeding Hearts
04. Vulturous
05. The Great Dying
06. One Day Closer to the End of the World
07. Bring Back the Plague
08. Absolute Destitute
09. The Great Dying II
10. Finish Them
11. With All Disrespect
12. Time's Cruel Curtain
13. The Unerasable Past
14. Death Atlas

A caminhada do Cattle Decapitation rumo ao posto de um dos maiores nomes do Metal Extremo de todos os tempos foi longa, e teve início 20 anos atrás, com o lançamento do EP Human Jerky. A verdade é que obstante a qualidade, nada ali indicava que aquela banda, surgida 3 anos antes no estado da Califórnia, Estados Unidos, se tornaria essa força da natureza que temos hoje. Os primeiros indícios disso só surgiram em seu 3º álbum, Humanure (04), onde finalmente deixaram de ser aquela banda curiosa, formada apenas por vegetarianos, e começaram a despertar a atenção real dos amantes de música pesada. Seu lançamento seguinte, Karma Bloody Karma (06), manteve esse viés de crescimento, mas foi com o ótimo The Harvest Floor (09), que consolidaram e aprimoraram de vez sua sonoridade.

O passo seguinte foi o monstruoso e quase perfeito Monolith of Inhumanity (12), quando pareciam ter chegado ao auge, impressão essa que foi por terra com o magnífico The Anthropocene Extinction (15), um trabalho obrigatório para qualquer um que se diga fã de Death Metal. Sendo assim, não preciso dizer que a ansiedade pelo lançamento de Death Atlas, seu 8º álbum de estúdio, era imensa. A pergunta era uma só: o Cattle Decapitation conseguiria manter um nível tão alto de inspiração, após duas obras-primas? Aqui temos a resposta. De cara, chama a atenção a estreia de 2 novos membros, o baixista Olivier Pinard, que substituiu Derek Engemann, e a inclusão de um segundo guitarrista, Belisario Dimuzio. Sim amigos, Josh Elmore agora tem companhia na usina de riffs da banda, o que acabou por deixar as canções mais densas, ainda que as duas guitarras não tenham sido efetivamente exploradas, abrindo espaço para um crescimento futuro.


Antes de tudo, faz-se necessário deixar claro que temos em Death Atlas um sucessor digno dos dois álbuns anteriores. Em linhas gerais, podemos dizer que ele não é inovador para a banda, como foi Monolith, e nem possui o frescor de The Anthropocene, mas ainda sim alcança o altíssimo nível de qualidade apresentado anteriormente. O Cattle continua desafiando limitações de gênero, mesclando seu Death Metal altamente técnico com elementos de Grindcore, Black, Deathcore e Doom, enriquecendo sua música e gerando uma sonoridade variada. Os elementos progressivos incorporados nos trabalhos anteriores continuam presentes e bem evidentes, assim como as melodias, que surgem em maior quantidade, mas tudo isso sem que precisem abrir mão da sua brutalidade característica. Partes mais velozes, herança dos primórdios Grindcore, se equilibram bem com momentos mais cadenciados, o que ajuda demais no ar sombrio e nas atmosferas perturbadoras presentes durante toda a audição.

Individualmente, todos ganham espaço para mostrar suas qualidades. Travis Ryan continua um vocalista monstruoso, e o nível de intensidade que atinge beira o absurdo. A variação vocal existente no trabalho é muito grande, atingindo um espectro vocal bem amplo. Alguns podem se incomodar com uma presença maior de vocais limpos e semi-limpos, mas isso não é nada que chegue a comprometer o resultado, pois mesmo nessas passagens, sua voz soa ameaçadora. Nas guitarras, como dito, a entrada de Derek Engemann deixou tudo mais denso, e Josh Elmore continua sendo aquela máquina de produzir riffs afiadíssimos e abrasivos. Verdadeiros moedores de tímpanos. Na parte rítmica, o estreante Olivier Pinard se sai muito bem, mostrando técnica e precisão, enquanto David McGraw mostra seu já conhecido poder de destruição. O que esse cara faz é desumano, e de uma ferocidade sem par. Muito da fúria do Cattle Decapitation hoje, pode e deve ser colocada na sua conta. Um monstro!

Após uma breve introdução, com “Anthropogenic: End Transmission”, onde transmissões em diversas línguas – incluindo o português –, deixa claro todo o apocalipse vindouro, os falantes explodem em fúria com a impiedosa “Geocide”, uma verdadeira carnificina em forma de música, que brada que o fim da humanidade está próximo. “Be Still Our Bleeding Hearts” mantém a pegada, esbanjando técnica e riffs assassinos, sendo seguida pela corrosiva “Vulturous”, um Death Metal agressivo e de bom groove. “The Great Dying” soa quase como uma vinheta atmosférica, onde uma voz robótica alerta para o fato da humanidade estar se condenando a extinção. “One Day Closer to the End of the World” é uma das melhores canções já elaboradas pela banda, e não é menos que fantástica, e no meio de toda a sua fúria e groove, pergunta: “O que fizemos a nós mesmos?”


A pandêmica e negra “Bring Back the Plague” chega exterminando tudo com seus ótimos riffs e belo trabalho vocal, enquanto a intensa e avassaladora “Absolute Destitute” traz elementos oriundos do Black Metal, algumas boas melodias e um clima sombrio. Após um breve alívio, com a instrumental “The Great Dying II”, a pancadaria desenfreada retorna com “Finish Them”, que remete o ouvinte aos trabalhos mais recentes do Cannibal Corpse. “With All Disrespect” é outro momento simplesmente avassalador, com seus toques de Black salpicados aqui e ali; “Time's Cruel Curtain” se mostra bem variada, e poderia estar em The Anthropocene Extinction, e a atmosférica “The Unerasable Past” soa como uma vinheta, um descanso que prepara para o ponto alto do álbum, a magistral “Death Atlas”. Transbordando angústia, ela traz em si, um resumo do que é a música do Cattle Decapitation hoje: veloz, pesada, variada, sombria, carregada de riffs abrasivos e vocais viscerais. O encerramento perfeito, a trilha sonora para o Antropoceno que está por vir.

Mais uma vez o álbum foi produzido, mixado e masterizado por David Otero (Cephalic Carnage, Khemmis, Skinless, Visigoth), com resultados não menos do que ótimos. A verdade é que Otero consegue captar o som do Cattle como poucos, e deixar tudo claro, limpo, com cada detalhe audível, mas sem tirar o peso, a agressividade e a fúria da banda. A capa, uma das mais bonitas que você verá em 2019, ficou mais uma vez a cargo de Wes Benscoter, algo que ocorre desde To Serve Man (02). Death Atlas é melhor que seus antecessores? Parafraseando uma famosa atriz brasileira, não sou capaz de opinar. Essa é uma resposta muito pessoal, que certamente vai variar de ouvinte para ouvinte, afinal, a forma como a música atinge as pessoas, é muito subjetiva, mas uma coisa afirmo sem medo: Death Atlas é o melhor álbum do ano!

NOTA: 94

Cattle Decapitation é:
- Travis Ryan (vocal);
- Josh Elmore (guitarra);
- Belisario Dimuzio (guitarra);
- Olivier Pinard (baixo);
- David McGraw (bateria).

Particpações Especiais:
- Riccardo Conforti (bateria, teclado e samples na faixa 1)
- Jon Fishman (narração na faixa 13)
- Dis Pater (bateria e teclado na faixa 13)
- Laure Le Prunenec (vocais adicionais na faixa 14)

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Beast in Black - From Hell With Love (2019)


Beast in Black - From Hell With Love (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. Cry Out For A Hero
02. From Hell With Love
03. Sweet True Lies
04. Repentless
05. Die By The Blade
06. Oceandeep
08. True Believer
09. This Is War
10. Heart Of Steel
11. No Surrender
12. Killed By Death (Motörhead cover) (bonus)
13. No Easy Way Out (Robert Tepper cover) (bonus)

Formado após a saída de Anton Kabanen do Battle Beast, devido as famosas diferenças pessoais e criativas, o Beast in Black é visto por muitos como uma continuação do trabalho do guitarrista em sua ex-banda. Convenhamos, é algo meio difícil de se negar quando se escuta o debut, Berserker, lançado em 2017, já que ele possui uma abordagem que aproxima demais às duas bandas. Com a boa receptividade do trabalho de estreia, criou-se uma expectativa óbvia pelo que viria a seguir, afinal, o desafio do segundo álbum já derrubou muitos nomes promissores e valorosos por aí. Pois bem! Esse não foi o caso aqui.

Para From Hell With Love, Kabanen e cia não inventarem e apresentam o que sabem fazer de melhor. O ouvinte vai se deparar com aquela mistura equilibrada de Heavy/Power, Hard/AOR e Euro/Synth-pop, aquela estética kitsch dos anos 80, brega, mas extremamente divertida, que rende canções com riffs pesados, bons solos, sintetizadores aos montes, melodias e refrões irritantemente grudentos. Antes de seguir, preciso destacar dois nomes aqui. Yannis Papadopoulos está simplesmente monstruoso. O vocalista grego é o grande diferencial da banda, e só falta fazer chover. Já Kabanen transborda criatividade não só na guitarra, como também nos teclados e nas orquestrações que surgem de forma pontual e inteligente. Por mais que Kasperi Heikkinen (guitarra), Máté Molnár (baixo) e o estreante Atte Palokangas (bateria) sejam ótimos músicos, esses dois são os grandes responsáveis pelo resultado de From Hell With Love.


Exceto pela serena e melancólica balada “Oceandeep”, que remete um pouco a algumas coisas feitas pelo Nightwish, podemos separar as canções aqui presentes em 3 categorias. Primeiro, temos aquelas híbridas, que mesclam muito bem Metal e AOR. São o caso de “Cry Out For A Hero”, com seu refrão grudento e boas melodias; “From Hell With Love”, com aqueles sintetizadores típicos dos anos 80 e bom apelo Pop; “Sweet True Lies”, outra com pegada bem AOR e um refrão que pasmem, poderia ter sido composto por uma Boy band dos anos 90; “Unlimited Sin”, com guitarras pesadas e algo meio Survivor, e “Heart Of Steel”, onde o Sabaton se encontra com algum grupo de Synth-pop. Também temos aquelas canções que poderiam estar em qualquer um daqueles grandes sucessos do cinema dos anos 80, e que assistíamos na Sessão da Tarde. São o caso de “Die By The Blade”, com bons teclados e vocais, e “True Believer”, carregada de elementos Synth-pop e com um bom refrão. Por último, aqueles momentos onde o lado Power Metal fala mais alto. Aqui se encaixam “Repentless”, com seus bons riffs e que poderia estar em qualquer álbum do Sabaton;  “This Is War”, e “No Surrender”, que ainda sim não abre mão do apelo Pop no refrão. De bônus, uma versão corretíssima e muito boa para “Killed By Death”, do  Motörhead, e “No Easy Way Out”, de Robert Tepper, canção Pop que fez parte da trilha sonora de Rocky IV e que aqui ganhou uma dose de peso.

Assim como no debut, produção e mixagem ficaram por conta de Kabanen, e a masterização foi feita por Emil Pohjalainen, guitarrista do Amberian Dawn. O resultado está dentro dos padrões de qualidade atuais, com tudo claro, limpo, mas ainda sim pesado. Já a belíssima capa foi obra de Roman Ismailov. Não vou entrar aqui naquela rivalidade infantil de qual banda é melhor, se o Battle Beast ou o Beast in Black, já que ambas lançaram material de qualidade nos últimos anos, e essa é uma opinião muito pessoal, que vai variar de pessoa para pessoa. O que posso garantir é que  From Hell With Love é um daqueles álbuns saídos diretamente dos anos 80, para o bem e para o mal, e que é diversão garantida para aqueles que apreciam musica pesada de qualidade. Sem qualquer dúvida, um dos álbuns mais “grudentos” de 2019.

NOTA: 86

Beast in Black é:
- Yannis Papadopoulos (vocal);
- Anton Kabanen (guitarra/teclado);
- Kasperi Heikkinen (guitarra);
- Máté Molnár (baixo);
- Atte Palokangas (bateria).

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)


Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Unbroken
02. No More Hollywood Endings
03. Eden
04. Unfairy Tales
05. Endless Summer
06. The Hero
07. Piece of Me
08. I Wish
09. Raise Your Fists
10. The Golden Horde
11. World on Fire
12. Bent and Broken (bônus track)
13. My Last Dream (bônus track)

Desde que surgiu para o mundo, como vencedor do Wacken Metal Battle Contest, em 2010, o Battle Beast começou sua escalada progressiva rumo ao topo, com 3 ótimos álbuns, Steel (11), Battle Beast (13) e Unholy Savior (15). Infelizmente, naquele que parecia o seu melhor momento, o guitarrista e principal compositor, Anton Kabanen, rompeu com a banda alegando divergências irremediáveis, e partiu para um novo projeto, o Beast in Black. As inseguranças e dúvidas geradas com sua partida e em como a banda lidaria com isso, começaram a ser dissipadas com o bom Bringer of Pain (17), seu trabalho mais acessível até então, dadas as doses maiores de influências Pop e Hard/AOR. O peso continuava lá, mas o caminho futuro estava mais que indicado.

Dessa forma, No More Hollywood Endings, seu 5º trabalho de estúdio, é um passo mais do que lógico e esperado, e não deve surpreender ninguém o fato de ser ainda mais acessível e comercial que seu antecessor. Mas calma, isso não quer dizer que a banda abandonou suas raízes metálicas, pois elas ainda se fazem muito presentes. A realidade é que o sexteto finlandês consegue unir de forma muito inteligente, peso e acessibilidade, além de claro, qualidade. É como se estivéssemos diante de um híbrido do Nightwish com o Sabaton e o The Night Flight Orchestra. Elementos sinfônicos são utilizados para dar um clima pomposo e épico, enquanto os teclados de Janne Björkroth dão aquele ar de Hard/AOR as canções. Ao mesmo tempo, o peso das guitarras de Juuso Soinio e Joona Björkroth – quando estas suplantam a força dos teclados –, e da parte rítmica de Eero Sipilä (baixo) e Pyry Vikki (bateria), nos fazem lembrar que estamos diante de um álbum de Heavy Metal. Noora Louhimo é um caso a parte, pois seus vocais são o diferencial do Battle Beast, o que os tira da vala das bandas comuns. Poderosa, variada e acima da média, ela é, me perdoem pelo trocadilho, o coração da besta de batalha finlandesa. 


A abertura, com “Unbroken”, deixa bem clara a proposta atual do Battle Beast. Os elementos sinfônicos dão pompa a canção, as guitarras transmitem energia, peso, enquanto os teclados nos jogam em uma espiral de Hard/AOR, tudo isso acompanhado de um refrão grudento. Se eu tivesse que definir o álbum em apenas uma música, essa seria minha escolha. A cativante “No More Hollywood Endings” se destaca principalmente pelos vocais, melodias marcantes e bom uso dos sintetizadores, enquanto “Eden” é outra que cativa pelas melodias, pela intensidade e pelo peso, já que é um desses momentos onde as guitarras suplantam os teclados. E o refrão, é desses para cantar juntos. Os anos 80 surgem com toda força nas duas canções seguintes, “Unfairy Tales”, com uma leve pegada mais pop, e principalmente com “Endless Summer”, uma daquelas baladas cafonas que as bandas de Glam do período faziam com perfeição. O diferencial é que os vocais de Noora salvam a música da breguice. “The Hero” é uma canção forte, com boas guitarras e teclados, enquanto a ótima “Piece of Me”, com seus vocais mais agressivos e ótimos riffs, me remeteram aos melhores momentos da carreira solo de Doro. “I Wish” é uma balda com certa pompa e melancolia, mas que não empolga muito; “Raise Your Fists” é um Heavy correto e com bons riffs, enquanto a bombástica “The Golden Horde” nos remete as raízes Power Metal da banda. Encerrando a versão normal do álbum, temos “World on Fire”, com sua boa energia e melodias cativantes. A versão nacional ainda conta com mais 2 faixas, que saíram na versão em digipack europeia, a açucarada “Bent and Broken”, e a forte “My Last Dream”.

A produção e mixagem foram realizadas por Janne Björkroth, enquanto a masterização ficou por conta de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Entombed A.D., Sonata Arctica), que já havia trabalhado com a banda em seu debut, Steel. O resultado é muito bom, já que aliou uma clareza cristalina com peso, sem deixar aquele ar artificial. Já a capa e todo o layout do encarte, foi mais uma vez obra de Jan "Örkki" Yrlund (Delain, Impaled Nazarene, Korpiklaani, Manowar). Conseguindo equilibrar seu lado mais pesado com o mais acessível, o Battle Beast prova de uma vez por todas com No More Hollywood Endings, que consegue sim, caminhar muito bem sem a força criativa de Anton Kabanen. Mostrando muito daquela força e energia do passado – mesmo com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns –, um futuro muito promissor se descortina diante dos olhos do sexteto finlandês. Agora, é esperar o próximo passo e descobrir se conseguem manter o nível aqui apresentado.

NOTA: 84

Battle Beast é:
- Noora Louhimo (vocal);
- Juuso Soinio (guitarra);
- Joona Björkroth (guitarra);
- Eero Sipilä (baixo);
- Janne Björkroth (teclado);
- Pyry Vikki (bateria).

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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Hard:On – Bad Habits Never Die (2019)


Hard:On – Bad Habits Never Die (2019)
(Shinigami Records – Nacional)


01. Bad Habits Never Die
02. Catwalk
03. Dr She
04. Touchdown
05. Sunset Drive
06. Open Your Eyes
07. Kings of the Pit
08. Two to Tango
09. Life

O crescimento da cena Hard Rock no Brasil é inegável, e muitos foram os bons valores surgidos no país nos últimos anos. Dentre eles, podemos citar o Hard:On, banda surgida pelas mãos dos experientes Alex Hoff (guitarra, ex-Exxotica) e Ricardo Bolão (baixo, S.L.A.M., Ventre Nevoa), e que lançou se debut autointitulado no ano de 2016. Na época um quinteto, completado por Chris Hoff (vocal), HP Elliot (guitarra) e Daniel Gohn (bateria), passaram por mudanças de formação, já que com a saída de Ellitot, se estabeleceram como um quarteto. Passados 3 anos da estreia, surgem com seu segundo álbum, Bad Habits Never Die.

Quem já teve contato com a banda, sabe exatamente o que esperar, ou seja, Hard Rock com os pés muito bem fincados nos anos 80, e que flerta em alguns momentos com o AOR e, princialmente, com o Heavy Metal. É impossível não lembrar de nomes como Mötley Crüe, Ratt, Whitesnake, Twisted Sister, Great White e afins, referências claras para a sonoridade do quarteto. Teria tudo para soar datado, mas a produção e, principalmente a competência e talento dos envolvidos, consegue trazer o som do Hard:On para os tempos atuais. É uma música enérgica, variada, com aquela pegada bem maliciosa do Hard/Glam, e principalmente, com melodias bem grudentas.


De cara, temos a pesada “Bad Habits Never Die”, com bons riffs e refrão fácil de se pegar. Na sequência, “Catwalk” traz aquele clima festeiro do Hard Rock, e vai agradar em cheio aos amantes do estilo. “Dr She” é outra que carrega consigo muito peso, além de bons trabalhos de guitarra e baixo, algo que também podemos observar na ótima “Touchdown”, onde também se destaca a bateria. “Sunset Drive” é um daqueles típicos Hards oitentistas, com uma pegada bem Mötley Crüe; “Open Your Eyes” tem um baixo forte e melodias grudentas, e “Kings of the Pit” apresenta ótimas guitarras. Encerrando, temos “Two to Tango”, com seu refrão marcante, e a suave e introspectiva  “Life”, que encerra o trabalho com chave de ouro.

Repetindo o processo do debut, o álbum foi gravado no Rocks Studio (SP), e teve produção da banda com coprodução, mixagem e masterização de José "Heavy" Luís Carrato. Já os vocais foram gravados do Cubic Sun Studios, em Berlim, Alemanha. A banda mostra evolução nesse sentido, com uma produção superior à estreia, mais moderna, mas sem exageros, e que consegue manter aquele clima típico dos anos 80. A belíssima capa foi obra de Marcelo Calenda, e de alguma forma me remeteu a de Just Push Play (01), do Aerosmith. Mostrando evolução e dando aquele esperado passo a frente, o Hard:On entrega aos fãs, um álbum pesado, festeiro, recheado de boas composições e que vai agradar em cheio aos apreciadores daquele Hard/Glam oitentista.

NOTA: 84

Hard:On é:
Chris Hoff (vocal)
Alex Hoff (guitarra, teclado e backing vocals)
Ricardo Bolão (baixo e backing vocals)
Daniel Gohn (bateria)

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Destruction - Born to Perish (2019)


Destruction - Born to Perish (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Born To Perish
02. Inspired By Death
03. Betrayal
04. Rotten
05. Filthy Wealth
06. Butchered For Life
07. Tyrants Of The Netherworld
08. We Breed Evil
09. Fatal Flight 17
10. Ratcatcher
11. Hellbound (bonus track)

O status de lenda do Thrash Metal mundial conquistado pelo Destruction, não pode e nem deve ser discutido. Estamos falando de uma das bandas mais influentes e seminais do estilo, membro do Big 4 Teutônico, ao lado de Kreator, Sodom e Tankard, e responsável por clássicos indiscutíveis nos anos 80, como o EP Sentence of Death (84), além dos maravilhosos Infernal Overkill (85) e Eternal Devastation (86). É verdade que após o “retorno” em 2000, com All Hell Breaks Loose, alternaram entre ótimos lançamentos, como The Antichrist (01), trabalhos medianos, como Inventor of Evil (05), e outros sem muita inspiração, caso do fraco Spiritual Genocide (12), mas com Under Attack as coisas aparentemente voltaram a entrar nos eixos.

Descontando a fase compreendida entre 1994 e 1998 – que rendeu dois EP’s, Destruction (94) e Them Not Me (95), e um álbum, The Least Successful Human Cannonball (98) –, desconsiderada pela banda no que tange sua discografia oficial, e os dois álbuns de regravações, Thrash Anthems I (07) e II (17), Born to Perish é o seu 13º trabalho de estúdio, e continua do ponto em que seu antecessor parou. Marca também mudanças importantes na formação da banda, com a entrada do baterista Randy Black (Primal Fear, Annihilator, Rebellion), que substituiu Vaaver, e a inclusão de um segundo guitarrista, Damir Eskić (ex-Gonoreas), transformando-os novamente em um quarteto, algo que não ocorria desde os anos 90.

Mantendo a pegada de Under Attack, o Destruction continua o processo de aproximação com suas raízes, mas sem perder suas características mais modernas, que adquiriu desde o retorno. Tecnicamente falando, a entrada de Randy e Damir elevou o nível da banda, já que ambos são muito talentosos e agregaram qualidade. Os vocais de Schmier soam mais odiosos e corrosivos a cada lançamento, mostrando que o tempo só faz bem a sua voz. Mike dispensa apresentações, mas é indiscutível que a inclusão de Eskić tornou o que era ótimo, ainda melhor. As canções ganham uma nova dimensão, e a parede de guitarras chega a ser opressora em alguns momentos, sem contar os ótimos solos que surgem aqui e ali. Sem dúvida, temos os melhores riffs da banda em anos aqui. Quando a Randy, talvez seja o baterista mais capaz a comanda o kit da banda nessas quase 4 décadas, e seu trabalho é preciso e grandioso.


A sequência inicial é destruidora. De cara, temos a agressiva “Born To Perish”, um desses sons clássicos da banda, e perfeito para bater cabeça, seguida pela sombria “Inspired By Death”, com seus riffs fortes e afiados, e a direta “Betrayal”, uma canção capaz de empolgar até mesmo um zumbi, graças as suas ótimas guitarras e vocais variados. O álbum segue com “Rotten”, canção um pouco genérica, mas com riffs violentos e linha de baixo bem marcante; “Filthy Wealth”, com uma pegada bem Motörhead, e a densa “Butchered For Life”, que foge um pouco do padrão da banda. “Tyrants Of The Netherworld” recupera muito da fúria primal da banda, sendo impossível não lembrar dos tempos de Sentence of Death, muito pela crueldade dos seus riffs. Sem dúvida, um dos destaques aqui. “We Breed Evil” é furiosa, e conta com riffs duros e violentos; “Fatal Flight 17” é veloz e tem ótimas guitarras, e “Ratcatcher”, apesar de um pouco repetitiva, tem uma ótima linha de bateria. De bônus, temos uma ótima versão para “Hellbound”, clássico dos ingleses do Tygers of Pan Tang.

As produções mais recentes do Destruction pecavam pelo excesso de saturação, algo que foi finalmente corrigido em Under Attack e Thrash Antems. A produção, mixagem e masterização ficaram mais uma vez a cargo de V. O. Pulver (Burning Witches, Nervosa, Pänzer). O resultado é muito bom. A capa é obra de Gyula Havancsák (Accept, Blind Guardian, Grave Digger, Tankard). Estamos diante de um novo clássico, de um álbum que pode ser colocado frente a frente com os trabalhos do período inicial da banda? Não. Mas de forma algum significa que este não seja um bom trabalho, digno da história do Destruction. Sólido, bruto, e apresentando uma banda revigorada, Born to Perish, é um grito de resistência, uma prova de que Schmier, Mike e cia, ainda tem muita lenha para queimar.

NOTA: 85

Destruction é:
- Schmier (vocal, baixo)
- Mike (guitarra)
- Damir Eskić (guitarra)
- Randy Black (bateria)

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Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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