quarta-feira, 3 de julho de 2019

Myrath – Shehili (2019)


Myrath – Shehili (2019)
(earMUSIC/Shinigami Records – Nacional)


01. Asl
02. Born To Survive
03. You’ve Lost Yourself
04. Dance
05. Wicked Dice
06. Monster In My Closet
07. Lili Twil
08. No Holding Back
09. Stardust
10. Mersal
11. Darkness Arise
12. Shehili

Quando me deparei pela primeira vez com o Myrath, logo após o lançamento de seu 3º álbum de estúdio, Tales of the Sands, em 2011, confesso que inicialmente, o que me chamou a atenção foi o fato de virem da Tunísia, um país africano e de maioria muçulmana. Só que ao escutar “Merciless Times”, faixa de trabalho do álbum em questão, percebi que não estava apenas diante de um nome oriundo de um “país exótico”, mas sim de uma ótima banda de Metal Progressivo, que enriquecia a sua música com elementos sonoros de sua cultura. Na sequência, após um hiato de 5 anos, lançaram o excelente Legacy e, não só consolidaram seu nome entre os grandes do estilo, como conseguiram um contrato com a earMUSIC. Shehili é sua estreia pela nova gravadora.

Esse é um trabalho que consolida de vez a sonoridade da banda. Reforçando ainda mais a presença de elementos da música do Norte da África, o quinteto formado por Zaher Zorgati (vocal), Malek Ben Arbia (guitarra), Anis Jouini (baixo), Elyes Bouchoucha (teclado) e Morgan Berthet (bateria), acaba gerando um Metal Progressivo grandioso, cativante e majestoso, que vai agradar em cheio aos fãs do estilo. A mistura executada soa muito orgânica, nada forçada, e muito disso se dá pelo fato de que os instrumentos e elementos folclóricos realmente são parte essencial das canções, e não estão ali apenas para maquiar deficiências da banda. Nesse sentido, não soa exagero dizer que se aproximam do Orphaned Land, mesmo que as bandas soem diferentes entre si.


Uma das coisas que mais me prende na música do Myrath, é que ela tem algo um tanto exagerado, kitsch, mas de uma forma muito positiva. É daqueles casos onde às vezes, o mais é mais, o que acaba sendo muito bom. Isso torna tudo cativante, divertido, e te prende a música de uma forma que poucas bandas conseguem atualmente, ao menos quando falamos de Metal Progressivo. Exemplos disso ficam bem claros nas fotos presentes no encarte, e em vídeos de canções como “Believer” (do álbum Legacy) e “Dance”, onde essa estética do exagero fica muito evidente, desde a forma como eles são construídos, até na interpretação do vocalista Zaher Zorgati. Aliás, como canta cada vez melhor esse rapaz, é sem dúvida um dos grandes diferenciais do Myrath frente a concorrência.

Após uma breve introdução, temos de cara um dos grandes destaques de todo álbum, a ótima “Born to Survive”, canção forte e que mescla de forma primorosa elementos folclóricos e Metal Progressivo, além de um ótimo trabalho de guitarra e refrão marcante. Na sequência “You’ve Lost Yourself” tem bom trabalho percussivo, além de ótimos riffs e vocais. “Dance” é a epítome da estética kitsch adotada pelo Myrath. É exagerada, pomposa e acima de tudo, divertida. É impossível não se empolgar com ela e não sair dançando pela sala, cantarolando o refrão. Porque sim, você fará ambas as coisas durante a audição. Já “Wicked Dice” é a “versão má” da faixa anterior, já que deixam essa coisa meio brega totalmente de lado, com uma aposta maior no Prog – mas claro, com elementos Folk salpicados aqui e ali –, guitarra, baixo e teclados marcantes, além de boas melodias. A ótima “Monster In My Closet” também se encaixa nessa descrição, apesar de uma presença um pouco mais forte dos elementos folclóricos, principalmente no que se refere a percussão.


Do meu ponto de vista, a segunda metade do álbum dá uma ligeira caída, ainda que o alto nível das canções seja mantido. “Lili Twil” é um cover para uma canção do grupo de Rock marroquino Les Frères Mégri, que fez sucesso no mundo árabe na primeira metade dos anos 70. Mesclando trechos cantados em um dialeto marroquino, com partes cantadas em inglês, conseguiram deixar a canção com uma cara própria, sem descaracterizar a versão original. “No Holding Back” tem um clima mais épico, graças a boa utilização de elementos sinfônicos, mas possivelmente é a que menos empolga em todo trabalho, ainda que esteja longe de decepcionar. “Stardust” tem um ar mais sombrio, que destoa um pouco da atmosfera do restante do álbum, mas soa bem emocional e tem um ótimo trabalho tanto do baixo quanto do teclado. “Mersal” é outra que se destaca por esse ar emocional, e contra com a participação do renomado cantor e compositor tunisiano Lofti Bouchnak. A sequência final é composta pela pesada e moderna “Darkness Arise”, e pela sinfônica e bela faixa título.

Determinada a entregar um trabalho de qualidade em todos os sentidos, os tunisianos passaram por 4 estúdios e trabalhou com alguns nomes mais do que conhecidos no meio. A produção ficou a cargo do ex-tecladista do Adagio, Kévin Codfert, que já está com a banda desde o debut. Ele também foi o responsável por mixar 3 das canções aqui presentes. As mixagens e masterizações restantes foram realizadas por Eike Freese (Deep Purple, Gamma Ray, Hansen & Friends) e pelo onipresente, onisciente e onipotente Jens Bogren. Quanto a parte gráfica, foi dividida entre Perrine Perez Fuentes (Adagio e o próprio Myrath), Paul Thureau (Rhapsody of Fire) e Laura Billiau. Vivendo seu melhor momento, o Myrath entrega aos fãs um trabalho que solidifica de uma vez por todas, sua sonoridade, além de ser bem equilibrado, orgânico e divertido. Certamente um dos grandes álbuns de Metal Progressivo que você escutará em 2019! Se gosta do estilo, mas ainda desconhece o trabalho da banda, está mais que na hora de corrigir essa falha.

NOTA: 88

Myrath é:
- Zaher Zorgati (vocal);
- Malek Ben Arbia (guitarra).
- Anis Jouini (baixo);
- Elyes Bouchoucha (teclado);
- Morgan Berthet (bateria).

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Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)



Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)
(Independente – Nacional)


CD 01
01. Death Chaos – Through the Eyes of Brutality
02. Ravenous Mob – The Enemy Undying
03. Living Louder – The Crow
04. Reffugo – Reffugo
05. Born To Kill – Goodbye Soldier
06. WarAge – Torture
07. Rhegia – Shadow Warrior
08. Lusferus – Luciférico Hino
09. Anguere – Cadeia
10. Tiberius Project – You Bitch!
11. Libertad – Closed Fists
12. Sentinelas do Rei – Rios do Deserto
13. Novo Chão – Terra Dos Homens
14. War Machine – A New Kind
15. War Eternal – Burning Alive

CD 02
01. Krakkenspit – Fear My Name
02. Medicine For Pain – Vendida Como Bonecas
03. Heavenless – The Reclaim
04. Torturizer – Slaughtersouse
05. DialHard – Now You’re Free
06. Epitah – Something Better Than God
07. Cromata – Resigned in Blood
08. Mamute – The End
09. The Damned Human Flash – Inferno
10. In Soulitary – Hollow
11. LoneHunter – Eternal Time
12. Zero Hora – Batina do Papa
13. CxDxM – Como Um Muro Inatingível
14. Obscured by The Clouds

Nem sempre, quando algo chega ao fim, significa que não tenha dado certo. Após 4 anos e 11 edições, a Coletânea Roadie Metal chega ao seu último volume, mas antes que você, fã de Metal Nacional, comece a se lamentar, adianto que esse fim se refere ao seu atual formato, que está sendo aposentado. Daqui para frente elas serão lançadas apenas digitalmente, e segmentada por regiões – a primeira delas foi voltada para o estado de Goiás –, o que vai permitir a mesma ampliar ainda mais o seu alcance, pois, mais bandas terão a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao público.

No primeiro Cd, algumas bandas dispensam muitas apresentações, pela qualidade demonstrada não só em volumes anteriores, como também por lançamentos próprios. São os casos do Death Chaos (Death Metal), Ravenous Mob (Thrash Metal), Living Louder (Hard Rock), Lusferus (Death/Black), Anguere (Hardcore) e Rhegia (Heavy Metal). Outros nomes que devem ser citados são Reffugo (Death Metal), Born To Kill (Thrash/Heavy) e WarAge (Heavy Metal). Estes se mostram mais do que prontos para voos mais altos, pois, apresentam um trabalho já maduro e com muita qualidade. Mostram a força que o Metal brasileiro possui, e que não ficamos devendo nada ao que é feito ao nível mundial. Um pouco abaixo desses nomes, mas apresentando um trabalho consistente, estão o Thrash Metal do Tiberius Project e do Libertad e o Heavy Metal do War Machine, por mais que esse último ainda emule um pouco além da conta o Iron Maiden. O Death Metal do War Eternal mostra boa qualidade, e com pequenos ajustes pode render ainda mais, enquanto o Heavy Metal do Sentinelas do Rei até tem bons momentos, mas o vocal não funciona muito bem em algumas passagens. O ponto fora da curva aqui é o Novo Chão, que precisa trabalhar melhor sua sonoridade e produção. Existe potencial ali, mas precisa ser melhor prospectado.

No segundo CD, de cara podemos destacar o Heavenless (Death Metal) e In Soulitary (Heavy Metal), duas das melhores bandas de Metal do país. Se destacam muito também Krakkenspit (Heavy Metal), Medicine For Pain (Thrash/Groove), Torturizer (Thrash Metal), DialHard (Hard Rock), Mamute (Doom Metal), The Damned Human Flash (Death Metal), LoneHunter (Symphonic Death Metal) e Zero Hora (Punk Rock). O Epitah (Heavy Metal) mostra um trabalho de qualidade, e podemos dizer que falta muito pouco para consolidar definitivamente seu som, enquanto o Cromata (Death Metal) e o CxDxM (Punk Rock) estão no caminho certo, e mostram possuir boas qualidades. Obscured by The Clouds, por mais que tenha potencial, precisa trabalhar muito, tanto produção quanto sonoridade, e assim lapidar mais o seu Psychodelic Metal, ainda mais se considerarmos o alto nível da cena, no Brasil e no exterior.

A parte gráfica, criada e concebida por Umberto Miller, é muito bem-feita, com destaque para a bela capa e o encarte, onde contam informações de todas as bandas presentes. Já no que tange a produção, por se tratar de uma coletânea, obviamente temos altos e baixos, mas vale dizer que nesse sentido, boa parte dos trabalhos se encontra em um nível bom, e poucos realmente ficam devendo nesse quesito. No fim, temos mais uma bela inciativa da Roadie Metal, que fecha essa etapa de sua história com chave de ouro. Só podemos agradecer pelas mais de 300 bandas apresentadas nesses últimos 4 anos, e desejar que continuem prestando esse belo serviço aos fãs do Metal feito no Brasil.

NOTA: 78

Roadie Metal
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terça-feira, 11 de junho de 2019

Eluveitie – Ategnatos (2019)


Eluveitie – Ategnatos (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Ategnatos
02. Ancus - interludio
03. Deathwalker
04. Black Water Dawn
05. A Cry In The Wilderness
06. The Raven Hill
07. The Silvern Glow
08. Ambiramus
09. Mine Is The Fury
10. The Slumber
11. Worship
12. Trinoxtion
13. Threefold Death
14. Breathe
15. Rebirth
16. Eclipse

Apesar de uma passagem um tanto tumultuada pelo Brasil em fevereiro desse ano, com shows cancelados e trocas de acusações entre banda e produtores, com direito a virarem meme, devida a suposta exigência de chá no camarim, é inegável que o Eluveitie possui uma forte base de fãs no Brasil. Seu nome foi forjado não só a base de uma sonoridade que mescla de forma muito equilibrada, o Death Metal Melódico e o Folk Metal, como também se diferenciando da concorrência por uma abordagem mais séria nas letras, com foco na história e mitologia célticas, e claro, bons lançamentos.

Após passar por uma drástica mudança em 2016, com a saída de Anna Murphy (vocal e hurdy gurdy), Ivo Henzi (guitarra) e Merlin Sutter (bateria) – que acabaram formando o Cellar Darling –,  Chrigel Glanzmann optou por estrear a nova formação com uma continuação de Evocation I – The Arcane Dominion (09), intitulado Evocation II – Pantheon (17), algo que era prometido a alguns anos. Assim como o primeiro, o enfoque foi totalmente acústico, e mais uma vez se aprofundando na cultura e panteão de deuses célticos. Fechado o ciclo aberto em 2009, o Eluveitie volta a sua programação normal, fincando novamente seus pés de forma bem firme na fórmula que os consagrou.

Aos apreciadores de trabalhos como Spirit (06), Slania (08) e Origins (14), possivelmente os preferidos por boa parte dos fãs, posso afirmar sem medo que finalmente estes foram superados. Ategnatos é sem dúvida alguma, seu trabalho mais consistente, e mostra o Eluveitie em seu melhor momento, soando mais coeso, enérgico e criativo do que nunca. Esbanjando peso e boas melodias, e se utilizando muito bem dos elementos folclóricos, acabam por entregar um álbum bem diversificado. Os vocais de Chrigel continuam sendo um belo diferencial, mas Fabienne Erni prova de forma definitiva que é uma substituta mais do que à altura para Anna Murphy. A dinâmica entre as vozes de ambos funciona com perfeição. O trabalho das guitarras também se destaca pela qualidade dos riffs e pelo peso, assim como também a parte rítmica. Quanto aos instrumentos folclóricos, como sempre estão bem encaixados, e em momento algum suplantam o lado Metal da banda, enriquecendo demais o resultado.


O álbum já abre com uma porrada, “Ategnatos”, que mescla com perfeição as melodias folclóricas com a ferocidade do Death Melódico. Após um breve interlúdio – são 3 no total durante todo o trabalho, e que nada acrescentam –, “Deathwalker” surge com um ótimo groove, agressividade e boas melodias, assim como “Black Water Dawn” e “A Cry In The Wilderness”, ambas nesse mesmo padrão já conhecido pelos fãs. O álbum então dá uma breve acalmada, com a sequência formada por “The Raven Hill”, com as partes Folks um pouco mais afloradas, e “Ambiramus”, que possui uma melodia pop um pouco mais aflorada. O peso e agressividade retornam com “Mine Is The Fury” e se mantêm presentes na ótima e sombria “The Slumber”, onde o trabalho vocal da dupla Glanzmann/Erni se destaca. “Worship” é a faixa mais pesada do álbum, feroz, agressiva, com uma parte folclórica bem encaixada e participação do vocalista Randy Blythe (Lamb of God), enquanto “Threefold Death” apresenta não só bons riffs, como se equilibra muito bem entre as partes mais calmas e as mais brutas. Na sequência final, “Breathe” destaca ainda mais a voz de Erni, além de possuir boas guitarras; “Rebirth”, originalmente lançada em 2017, reaparece um pouco mais bruta, enquanto “Eclipse”, suave e tranquila, soa quase como um interlúdio, graças mais uma vez ao desempenho de Fabienne.

Quanto a produção, a gravação e engenharia de som ficaram a cargo do velho conhecido da banda, Tommy Vetterli (Coroner, Kreator), com a mixagem dividida entre Linus Corneliusson (Amorphis, Dimmu Borgir, Moonspell), em 4 faixas, e o onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren no restante do álbum. Já a masterização foi realizada pelo quase onipotente, onipresente e onisciente Tony Lindgren (Angra, Enslaved, Paradise Lost, Rotting Christ, Sepultura). O resultado não é menos que ótimo. Já a capa foi obra de Travis Smith (Anathema, Death, Fleshgod Apocalypse, King Diamond). Com uma consistência que não apresentava já a algum tempo, e maximizando ainda mais suas qualidades, como o peso e as melodias folclóricas, o Eluveitie acertou em cheio com Ategnatos, mostrando o porquê de se manter a tanto tempo entre os grandes nomes da cena. Bote o CD para tocar, pegue sua xícara de chá, e se divirta!

NOTA: 84

Eluveitie é:
- Chrigel Glanzmann (Vocal, Flauta Tin Whistle, Mandola, Gaita de foles, Bodhran)
- Fabienne Erni (Vocal, Harpa Celta, Mandola)
- Rafael Salzmann (Guitarra)
- Jonas Wolf (Guitarra)
- Kay Brem (Baixo)
- Alain Ackermann (Bateria)
- Michalina Malisz (Sanfona)
- Matteo Sisti (Flauta Tin Whistle, Gaita de foles, Mandola)
- Nicole Ansperger (Violinos)

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Cellar Darling – The Spell


Cellar Darling – The Spell
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Pain
02. Death
03. Love
04. The Spell
05. Burn
06. Hang
07. Sleep
08. Insomnia
09. Freeze
10. Fall
11. Drown
12. Love Pt. II
13. Death Pt. II

Após a saída do Eluveitie, o trio formado por Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados), Ivo Henzi (guitarra e baixo) e Merlin Sutter (bateria) não perdeu tempo, fundando o Cellar Darling. Em 2017 lançaram seu debut, This Is the Sound, onde mostraram uma agradável mescla de Rock Progressivo e Folk, com alguns elementos mais Pop e Atmosféricos aqui e ali. O resultado foi muito positivo, mostrando um potencial de crescimento imenso e gerando expectativa quanto ao segundo álbum. Pois bem! Pouco mais de 1 ano e meio depois, ele chegou.

A primeira coisa que me chamou a atenção em The Spell foi o fato do mesmo se tratar de um álbum conceitual. Ele conta a história de uma garota sem nome, nascida através da dor em um mundo carregado de dor. Na sua busca por um sentido na vida, a jovem acaba conhecendo e se apaixonando pela morte, sofrendo com seu amor não correspondido, e concluindo toda a história com um final ambíguo, que deixa o ouvinte pensativo. Esse conceito se reflete no Prog/Folk da banda, já que música do trio está soando mais pesada e intensa que no álbum anterior. Você tem a sensação de que todo o potencial que demonstraram no debut começa a ser explorado. Por Sucellus, como canta Anna Murphy! Acredito que aqui ela tenha seu melhor trabalho vocal, já que sua voz é a principal responsável pelo jogo de luz e sombras que observamos durante todo o tempo.

“Pain” abre o álbum de forma enérgica, mesclando bem Progressivo com elementos tribais, e destacando o bom trabalho das guitarras e o refrão que cativa já de cara. “Death” faz jus ao nome, e surge obscura e melancólica, com os vocais de Anna hipnotizando o ouvinte, e sua flauta magistralmente encaixada na canção, dando o clima necessário a mesma. Ouso dizer que se você é fã de Doom Metal, vai se afeiçoar e essa faixa. A pesada “Love” traz um pouco de luz ao CD, e possivelmente é a faixa que mais remete ao debut, sendo seguida pela ótima “The Spell”, que carrega a escuridão de volta ao trabalho. “”Burn” se mostra uma faixa pesada e técnica, sendo mais um dos momentos onde Anna brilha com sua voz. É interessante notar como os títulos se encaixam com perfeição no clima que cada faixa passa ao ouvinte, e aqui não é diferente.


“Hang” se destaca pelas belas melodias, e por um clima que consegue ser bucólico e assustador ao mesmo tempo, enquanto “Sleep”, conduzida por um piano e pela bela voz de Anna, se mostra altamente emocional e profunda. “Insomnia” se mostra pesada, intensa, e tem boa utilização de elementos Folk; “Freeze” tem ótimo trabalho percussivo, além de uma melodia que te prende e passagens mais atmosféricas e transcendentais. Excelente! Com o álbum se encaminhando para o final, temos a curta “Fall”, quase como um interlúdio, a densa “Drown”, e  uma sequência fortíssima, composta por “Love Pt. II”, outra onde a percussão destaca, e “Death Pt. II”, onde o piano e a voz de Anna provam que o peso de uma canção não está apenas em suas guitarras. Possivelmente é a faixa mais emocional de todo o trabalho.

Produzido e mixado por Tommy Vetterli (Coroner, Eluveitie, Kreator, 69 Chambers), e com a masterização sendo feita por ele, o onipotente, onisciente e onipresente Jens Bogren, The Spell tem uma produção fantástica, já que você consegue escutar todos os instrumentos aqui presentes com uma clareza absurda, mas sem que isso tire o peso das canções. Já a parte gráfica ficou por conta de Costin Chioreanu (Arch Enemy, Carach Angren, Mayhem, At the Gates, Darkthrone). Mostrando a evolução esperada, soando mais forte, pesado e intenso, o Cellar Darling vai agradar não só quem já havia gostado do debut, como também tem potencial para conquistar novos fãs. Um dos álbuns mais legais que escutei nesse 1º semestre de 2019.

NOTA: 86

Cellar Darling é:
- Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados)
- Ivo Henzi (guitarra e baixo)
- Merlin Sutter (bateria)

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Uganga – Servus (2019)


Uganga – Servus (2019)
(Independente – Nacional)


01. Anno Domini (intro)
02. Servus
03. Medo
04. O Abismo
05. Dawn
06. Hienas
07. 7 Dedos (Seu Fim)
08. Couro Cru
09. Imerso
10. Lobotomia
11. Fim de Festa
12. E.L.A.
13. Depois de Hoje…

Em um cenário onde boa parte das bandas se limita a executar o padrão que delas é esperado dentro de um estilo já definido – o que não tem nada de errado, cabe dizer –, você se deparar com um nome que ousa sair das fórmulas preestabelecidas é inspirador. Alguns podem desconhecer o Uganga, mas o grupo mineiro oriundo de Uberlândia, já está a mais de 25 anos fazendo história, com uma sonoridade bem própria. Sobre uma base Thrashcore, o sexteto formado por Manu Joker (vocal, ex-baterista do lendário Sarcófago, onde gravou o EP Rotting), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Murcego Gonzáles (guitarra), Ras Franco (baixo) e Marco Henriques (bateria), não tem medo de arriscar e ousar, trazendo novas influências para a sua música, algumas até externas ao Heavy Metal.

Quem acompanha a carreira do Uganga, sabe que seus 2 trabalhos anteriores, Vol 3: Caos Carma Conceito (09) e Opressor (14), foram voltados para a consolidação de sua sonoridade. Com Servus, seu 5º álbum de estúdio, parece que finalmente encontraram a maturidade musical. Não vou mentir, não é uma audição fácil para quem não está acostumado com a proposta da banda, até porque soam ainda mais ousados e experimentais do que de costume, mas para quem se permitir mergulhar nessa viagem, ela pode ser uma experiência enriquecedora. Uma prova da sua relevância musical, se dá pelo fato de que Servus foi financiado através de recursos, não só do Programa de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Uberlândia, como também oriundos da Wacken Fundation, instituição sem fins lucrativos, ligada ao Festival Wacken Open Air, e que possui a finalidade de apoiar projetos de Hard/Heavy que considerem relevantes, ao redor do mundo.

Musicalmente, como já dito, a base é o Thrashcore, mas o Uganga não se limita ao Crossover puro e simples. Elementos de estilos díspares ao Metal, como MPB, Rap e Eletrônica, se fazem presentes em diversos momentos. Isso resulta em uma sonoridade que além de agressiva e pesada, prima também pela energia e criatividade, elementos que sobram nas canções presentes em Servus. Os vocais de Manu Joker continuam ótimos, e são um dos grandes destaques do álbum, e os vocais de apoio também funcionam muito bem. A inclusão de uma terceira guitarra também fez um bem tremendo a banda, já que além de mais peso e agressividade, também influenciou na questão melódica, trazendo mais groove a sonoridade. Já a parte rítmica se destaca não só pela boa técnica e coesão, como também pela diversidade. Para enriquecer ainda mais, Servus contou com inúmeras participações especiais, algumas, um tanto inusitadas. Se fazem presentes os vocalistas Casito Luz (Witchammer) e Renato BT (do John No Arms), o saxofonista Marco Melo, o grupo chileno de Rap Lexico, o guitarrista Fabio Marreco (Totem), o DJ Eremita, o violonista Luiz Salgado, a ótima cantora e dançarina pernambucana Flaira Ferro e o espiritualista Sr. Waldir. Esses nomes mostram a amplitude da música do Uganga.


Após uma introdução, o álbum começa para valer com “Servus”, um Crossover com ótimos riffs, refrão forte, boas melodias e bons backings. Com partes cadenciadas bem interessantes, “Medo” é dessas faixas agressivas e diretas, com uma pegada mais Hardcore, enquanto “O Abismo” abre espaço para as participações de Casito Luz e Marco Melo, que consegue encaixar um solo de saxofone na canção. Vale destacar também o ótimo trabalho das guitarras e a parte rítmica pesada. A curta “Dawn” traz um momento de calma para o álbum, com suas frases quase faladas por Manu Joker, tendo na sua sequência a pesada e enérgica “Hienas”, com vocais que pendem mais para o Rap, a participação dos chilenos do Lexico e ótimo desempenho rítmico e percussivo. “7 Dedos (Seu Fim)” é uma das melhores canções do álbum, e é enriquecida não só pelos vocais de Renato BT, como também pelo solo de Fábio Marreco. Tem uma queda para o Hardcore e esbanja peso, algo que também sobra em “Couro Cru”. “Imerso” tem bom groove e muita agressividade; “Lobotomia” é uma versão para o clássico da banda paulista de mesmo nome, se mostrando dura e direta, enquanto “Fim de Festa” é um Thrashcore de muita qualidade. A sequência final da abertura maior para o experimentalismo, com “E.L.A.”, contando com participações de Flaira Ferro, DJ Eremita e Luiz Salgado, e mesclando elementos de Rock, MPB, Rap e violas caipiras, e a densa “Depois de Hoje”, que além de riffs brutos e uma dose de agressividade, ainda conta com a  participação do espiritualista Sr. Waldir, e sampler de um discurso de  Mahatma Ghandi.

A produção, realizada por Manu Joker e Gustavo Vazquez, ficou ótima e não fica devendo nada a qualquer trabalho gringo. Deixou tudo claro, audível e pesado, mas sem perder em nada a organicidade, o que é ótimo em uma era de produções plastificadas. Já a bela capa foi obra de Wendell Araújo, e representa bem toda a espiritualidade e diversidade que emana da música do sexteto mineiro. Nela temos elementos religiosos que vão desde as religiões afro-brasileiras até as orientais, passando por referências indígenas de nosso país. Nada poderia refletir melhor o que ouvimos aqui. Com um trabalho mais diversificado e experimental, mas sem abrir mão das suas características principais, o Uganga chegou naquele ponto que toda banda anseia, que é o do amadurecimento musical. É uma banda única no cenário nacional, que merece um reconhecimento muito maior do que tem, que deve finalmente vir com Servus, um álbum que certamente estará em diversas listas de melhores do ano em dezembro.

NOTA: 87

Uganga (gravação):
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Murcego Gonzáles (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

Uganga é:
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Lucas “Carcaça” Simon (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Rammstein – Rammstein (2019)


Rammstein – Rammstein (2019)
(Universal Music – Importado)


01. Deutschland
02. Radio
03. Zeig Dich
04. Ausländer
05. Sex
06. Puppe
07. Was Ich Liebe
08. Diamant
09. Weit Weg
10. Tattoo
11. Hallomann

Em uma época onde a essência do Rock parece estar se perdendo, com o conservadorismo aumentando em suas fileiras, o Rammstein se mantêm firme, carregando consigo o espírito do estilo. Shows grandiosos, extravagantes e bombásticos, vídeos e letras que chocam, provocam, contestam e colocam o dedo em diversas feridas. O Rock nasceu para ser controverso, e não para agradar pais de família, e é isso que o grupo alemão representa. Em contrapartida, em um mundo onde qualquer subcelebridade possui milhões de seguidores em suas redes sociais, e fazem de tudo para estar em evidência nas mídias – algo típico das estrelas do Rock no passado –, o sexteto formado por Till Lindemann (vocal), Richard Z. Kruspe (guitarra), Paul Landers (guitarra), Oliver Riedel (baixo), Christian “Flake” Lorenz (teclado) e Christoph “Doom” Schneider (bateria), raramente dá entrevistas, ou se envolve em polêmicas em suas vidas pessoais. O Rammstein é o epítome e a antítese do Rock.

Foram 10 anos sem lançar material inédito, ao mesmo tempo, em que lotavam arenas ao redor do mundo, algo que poderia soar contraditório décadas atrás, mas que em uma época marcada por downloads e streamings, se tornou algo comum para nomes que atingiram a grandeza do Rammstein. Seus shows, literalmente inflamáveis e performáticos, fazem jus a fama que a banda adquiriu ao vivo, e não acho exagero afirmar que nesse ponto, são um Kiss mais “depravado”. Entretanto, um paralelo mais perigoso poderia vir a ser traçado nessa comparação com os americanos, o da banda que vive apenas de músicas do passado – me desculpem os fãs, mas hoje é exatamente isso –, e de apresentações grandiosas no presente. Isso é errado? Para uma banda que atingiu o nível de lenda, como o Kiss, nem um pouco, já para os alemães, seria uma tremenda injustiça. Por isso, ano passado, em entrevista ao Consequence of Sound, Richard Kruspe declarou: “Uma das razões para voltar a gravar com o Rammstein é para equilibrar a popularidade da banda como uma atração ao vivo na música atual. Com o Rammstein, as pessoas tendem a falar dos fogos e das coisas de shows. Eu penso: não quero ser como outro Kiss, onde as pessoas falam da maquiagem e coisas do tipo, mas ninguém fala da música”.


Pois bem! Aqui está o sucessor de Liebe is für alle (09), algo que os fãs ansiavam faz tempo. Essa espera de 10 anos valeu a pena? Bem, é o que pretendo responder aqui. Traçando paralelos com outras lendas, o Rammstein é uma espécie de AC/DC, de Motörhead, da NDH (Neue Deutsche Härte). Quando você pega um álbum da banda para escutar, sabe exatamente o que vai encontrar. Vocais inconfundíveis – a força da presença de Till Lindemann é algo inquestionável –, com versos cantados de forma quase falada, e de forma enérgica nos refrões, guitarras agressivas que despejam riffs mecanizados, sintetizadores grandiosos, parte rítmica certeira, letras perversas, contundentes e polêmicas, cantadas em alemão, com algumas incursões em outras línguas, e claro, aquela balada perdida bem lá no meio. Essa receita, seguida a risca nos últimos 25 anos, sofreu poucas mudanças, e fez do sexteto uma banda única, inconfundível. Por mais que muitos tentem copiá-los, quando começa a tocar Rammstein, você já reconhece de primeira. São inconfundíveis.

Em seu 7º álbum de estúdio, isso não é diferente, e a fórmula da banda continua se fazendo bem presente. Existe um ou outro momento em que procuram sair do que se espera, mostrando certa diversidade, algo que pode ser creditado aos trabalhos de Kruspe com o Emigrate, mas na maior parte do tempo entregam aos fãs o que eles desejam, mesmo soando um pouco mais melodioso e menos pesado do que nos acostumamos no passado. Aliás, aqui está minha primeira crítica ao álbum, ele não soar tão pesado quanto chegam a sinalizar em algumas canções, já que optaram por algo ligeiramente mais calmo e pendendo mais para o lado eletrônico. Em muito momentos, essa opção coloca Flake e seus sintetizadores em evidência, se confrontados com as guitarras de Kruspe e Paul Landers, mas não é nada que comprometa de verdade. É mais uma questão de gosto pessoal da minha parte. O que realmente compromete de alguma forma, a meu ver, é a disposição das faixas no álbum. Ele não alterna muito bem músicas mais “calmas” com as mais agitadas, tanto que dá uma ligeira caída na sua segunda metade, justamente por isso.

De cara, já temos a mais do que conhecida “Deutschland”, grandiosa, magistral, com ótimas guitarra e sintetizadores. Já nasceu clássica e mostra a face mais pesada da banda. Na sequência, o segundo single do álbum, “Radio”, onde o enfoque maior na música eletrônica coloca os sintetizadores de Falke como a alma da canção. O refrão é daqueles típicos da banda, curto e fácil de cantar em qualquer língua. Não se deixe enganar pelo coro clássico no início de “Zeig Dich”, já que aqui as guitarras pesadas de Kruspe e Landers dão o tom. É uma música padrão do Rammstein? Sim, mas é forte e poderosa. “Ausländer” pende para a EDM, mesclando batidas bem dançantes com algum peso nas guitarras. É o tipo de música que poderia ser tocada em uma rave sem qualquer  estranhamento. “Sex” é outra bem típica do sexteto, apesar de pender mais para o Rock do que para o Metal, sofrendo influências mais diretas de nomes como Emigrate e Volbeat. Chegamos então no ponto central do álbum, com “Puppe”. Intensa, complexa, e ameaçadora, começa com vocais mais calmos de Till, até ele explodir em desespero no refrão. É daquelas que grudam por dias na cabeça, e certamente a melhor de todas as músicas aqui presentes.Daqui em diante, o álbum dá uma virada, seguindo um enfoque um pouco mais calmo. 


“Was Ich Liebe” já é velha conhecida dos fãs da banda, pois, sua letra, é um poema do segundo livro de Till, que o Rammstein tenta musicar a mais de 10 anos. Na primeira tentativa, acabou sendo deixada de lado, com seu instrumental sofrendo algumas modificações e indo parar em nada menos do que “Pussy”. Já nessa segunda tentativa, a coisa continuou sem funcionar muito bem, com suas guitarras acústicas, sintetizadores um tanto esquisitos, e riffs que não combinam tanto com a banda. Talvez a mudança na forma de compor os tenha afetado, já que em uma composição normal, a letra vem sempre depois da música já pronta. Aqui a música é construída em torno da letra. “Diamant” é uma balada acústica, chorosa, e com melodias e vocais suaves. Ficou chata e comum, e poderia ser limada do álbum sem comprometê-lo em nada. A cativante “Weit Weg” possui uma aura oitentista, com um uso pesado dos sintetizadores, e uma melodia muito agradável. É algo que eu conseguiria ver o Depeche Mode fazendo, se tivesse um pouco menos de peso. Já “Tattoo” é o Rammstein clássico. Metal Industrial pesado, explosivo e com uma ótima bateria. Encerrando, temos a sombria “Hallomann”, com seu baixo distorcido, seus sintetizadores que dão um ar assombroso a canção, e um bom trabalho de guitarras.

A produção ficou a cargo de Olsen Involtini (Emigrate, Lindemann, Unheilig) e da própria banda, com mixagem de Rich Costey (Rage Against The Machine, Muse), e masterização de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Lindemann, Volbeat). O resultado beira a perfeição, pois conseguiu deixar tudo cristalino, mas ainda assim pesado. Nada menos do que a música do Rammstein merece. Já a capa, minimalista, mas de muitos significados, foi obra da Rocket & Wink. Nesse ponto, voltamos a pergunta feita alguns parágrafos acima. Essa espera de 10 anos valeu a pena? Afirmo sem medo que valeu! É um álbum brilhante? Não chega a esse ponto, mas é um trabalho que cumpre bem o seu papel, honrando o legado da banda, e provando que são muito mais do que shows recheados de pirotecnia e performances extravagantes. E daí se a maior parte das canções se limita ao mais do mesmo, sem apresentar grandes novidades ou inovações. Como disse uma amiga, se quiséssemos inovações, iríamos escutar um álbum da Lady Gaga, e não Rammstein. Aqui, queremos boa música e diversão, e isso você vai encontrar com sobras.

NOTA: 84

Rammstein é:
- Till Lindemann (vocal)
- Richard Z. Kruspe (guitarra)
- Paul Landers (guitarra)
- Oliver Riedel (baixo)
- Christian “Flake” Lorenz (teclado)
- Christoph “Doom” Schneider (bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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