Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de setembro de 2025

Helloween - Giants & Monsters (2025)



Helloween - Giants & Monsters (2025)
(Reigning Phoenix Music)

01. Giants On The Run 
02. Savior Of The World 
03. A Little Is A Little Too Much 
04. We Can Be Gods
05. Into The Sun
06. This Is Tokyo
07. Universe (Gravity For Hearts)
08. Hand Of God
09. Under The Moonlight
10.Majestic 

Admito que não fiquei muito animado quando o Helloween anunciou a “Pumpkins United”. Embora a banda viesse de bons álbuns, era um material que passava longe de seu material clássico, o que me levou a um certo afastamento com relação ao seu trabalho. A única coisa que consegui pensar é que aquilo me cheirava a uma tentativa de arrancar uns trocados de fãs mais saudosistas antes de se aposentarem. Os shows ocorreram, anunciaram um álbum de estúdio e, mais uma vez, a minha empolgação foi zero.

Então veio Helloween (2021) e eu, de certa forma, quebrei a cara. Ok, pode não ser um trabalho que vá entrar para o hall de clássicos da banda, tem suas ressalvas, mas ainda assim é um grande álbum, desses que empolga e diverte o fã. Estava ali a prova de que a “Pumpkins United” tinha muito ainda a acrescentar à história dos alemães. Sendo assim, não vou negar, fiquei na expectativa por “Giants & Monsters” quando soube do seu futuro lançamento, mesmo que ainda estivesse com um pé atrás, afinal, quem poderia garantir que acertariam novamente.

Completando 40 anos desde o lançamento do clássico “Walls of Jericho”, ouso dizer que o Helloween se encontra em seu auge criativo, mesmo que não tenham voltado a entregar um novo Keeper. Dito isso, “Giants & Monsters” consegue, ao menos para mim, superar o seu antecessor em qualidade, o que, convenhamos, não é pouca coisa.

O álbum já abre em grande estilo, nos presenteando com o bom e velho Helloween do qual tanto gostamos. “Giants On The Run” é variada, melódica, tem um refrão forte e uma dinâmica vocal absurda, algo óbvio quando você tem na sua formação 3 dos melhores vocalistas da história do Metal (goste você ou não, Deris é sim um dos grandes). É uma música que poderia estar nos primeiros álbuns da banda, algo que também podemos dizer de “Savior Of The World”, que vem logo na sequência. É aquela sonoridade clássica, que, se fosse feita por outra banda, talvez chamássemos de clichê. Mas, meu querido, isso aqui é o Helloween, foram eles que criaram tudo isso, é óbvio que eles iriam conseguir escapar de qualquer armadilha nesse sentido. Ótima música!

“A Little Is A Little Too Much” é uma canção com pegada mais Hard Rock, mais simples que as antecessoras, teclados bem encaixados, boas melodias, mas que, pessoalmente, não me empolgou tanto. É ruim? Não, afinal, com os nomes aqui envolvidos, é óbvio que vai ter qualidade, mas achei um pouco abaixo. Felizmente, na sequência, nos presenteiam com mais uma faixa clássica, “We Can Be Gods”. Veloz, pesada, melódica, guitarras fortes e refrão que te pega de primeira, tem tudo para agradar os fãs e fazer parte das apresentações da banda. Fechando a primeira metade do álbum, temos “Into The Sun”, aquela balada dramática e marota que não poderia faltar. Originalmente gravada para o álbum anterior, mas descartada, foi retrabalhada, regravada e agora finalmente “vê a luz do dia”.

Não vou mentir, das músicas apresentadas antes do lançamento, “This Is Tokyo” foi a que menos me empolgou. Depois de ouvi-la dentro do contexto do álbum, continuo com a mesma sensação, por mais que sim, ela tenha suas qualidades com sua pegada mais Hard e boas melodias. Indo da que menos empolgou para a que mais me empolgou, temos a maravilhosa “Universe (Gravity For Hearts)”. Explosiva, nos presenteia com ótimos vocais, riffs fortes, velocidade, melodia, bateria pulsante e refrão moldado para ser cantado junto. São 8 minutos que passam em 4, o que já mostra toda a sua qualidade.

A sequência final começa dando uma leve caída com “Hand Of God”, que remete diretamente ao Helloween fase Andi Deris, com um ar mais “obscuro”, sintetizadores bem encaixados e refrão que chama a atenção, sendo seguida por “Under The Moonlight”, possivelmente a mais “comum” de todo o álbum, mas ainda longe de ser descartável. Entrega boas melodias e mais um bom refrão. Eis que então surge a majestosa “Majestic”, provavelmente a melhor música do Helloween nessa volta. Curiosamente, ela foi originalmente composta por Kai Hansen para o Gamma Ray e deveria ter saído no álbum de mesmo título, de 2005, mas não havia sido finalizada e estava guardada em um HD. Seria uma injustiça não ter sido lançada, pois temos aqui Heavy Metal da melhor qualidade, épico, pesado, mas sem abrir mão das melodias, com ótimos riffs e solos e espaço para todos brilharem. Tem todos os elementos para se tornar um novo clássico da banda.

Durante toda a audição, fica muito evidente que todos estão se divertindo muito com essa reunião, já que as músicas conseguem passar isso. É um álbum variado, dinâmico, que passeia com naturalidade pelas fases da banda, mantendo um alto nível de qualidade na maior parte do tempo. Algumas coisas me chamaram a atenção positivamente, como, por exemplo, a duração do álbum. Com 10 músicas, mas da metade delas com 4 minutos ou menos, dura exatamente o que deveria durar, sem faixas desnecessárias, apenas para “encher linguiça” e completar o tempo de um CD. São cerca de 50 minutos com músicas que vão direto ao ponto; só entraram as que realmente eram boas.

A forma como tudo aqui foi muito bem dividido também é um destaque. Com 3 vocalistas de alto nível, souberam explorar o que cada um tem de melhor, com Kiske, Deris e Hansen brilhando em suas aparições. O mesmo vale para os 3 guitarristas, que têm aqui todo o seu potencial explorado, dando uma aula de como isso deve ser feito. Ao final, o Helloween consegue mostrar toda a sua força e prova de uma vez por todas que, ao contrário de alguns medalhões por aí, ainda tem muita lenha para queimar em futuros lançamentos.

Helloween é:
Michael Kiske (Vocal)
Andi Deris (Vocal)
Kai Hansen (Guitarra/Vocal)
Michael Weikath (Guitarra)
Sascha Gerstner (Guitarra)
Michael Großkopf (Baixo)
Dani Loeble (Bateria)

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Powerwolf - Wake Up The Wicked (2024)

 


Powerwolf - Wake Up The Wicked (2024)
(Napalm Records)


1.Bless 'Em with the Blade
2.Sinners of the Seven Seas
3.Kyrie Klitorem
4.Heretic Hunters
5.1589
6.Viva Vulgata
7.Wake Up the Wicked
8.Joan of Arc
9.Thunderpriest
10.We Don't Wanna Be No Saints
11.Vargamor

Meu primeiro contato com o trabalho do Powerwolf se deu em 2013, com o álbum “Preachers of the Night” e, naquele momento, sua música me soou como uma lufada de ar fresco dentro do cansado cenário do Power Metal, mesmo que não apresentassem nada que fosse propriamente novo em matéria de sonoridade. Talvez fosse o fato de fugirem daquela coisa batida do “Metal Espadinha” em sua estética, ou uma atmosfera verdadeiramente divertida que emanava de suas canções, mas a questão é que, ao lado do Sabaton, conseguiram despertar minha atenção para um estilo que, apesar de eu gostar, não tinha mais paciência para escutar.

11 anos se passaram e tudo aquilo que me ganhou a atenção em “Preachers of the Night” continua aqui presente, firme e forte. Isso certamente deveria me deixar feliz, abrindo um sorriso de orelha a orelha, mas não é o que acontece. Vejam bem, não é que “Wake Up The Wicked” seja um álbum ruim, ao contrário, ele possui seus méritos, o problema é que tudo soa exatamente como uma década atrás, sem tirar nem por. “Ah Leandro, deixa de ser ranzinza, você queria que nessa altura do campeonato o Powerwolf desse uma guinada em sua sonoridade e apresentasse algo diferente?”. Não, de forma alguma, mas também não precisavam se repetir ad aeternum. Eu tive que conferir a discografia inteira da banda para ter certeza que “Viva Vulgata” não era uma regravação, pois tinha certeza absoluta que já havia escutado a mesma em outro álbum da banda. Só não fiz o mesmo com a faixa-título justamente por ela dar nome ao novo álbum, pois a sensação foi a mesma. 

Ainda assim, sou obrigado a admitir, ambas são muito divertidas e remetem aos melhores momentos da banda, como também as ótimas “Heretic Hunters” e “1589”. O problema é que as demais composições aqui presentes soam extremamente genéricas, levando em conta a sonoridade típica do Powerwolf. Músicas como “Sinners of the Seven Seas”, “Joan of Arc” e “Thunderpriest”, são ok, entregam aquilo que o fã médio espera, mas me soaram burocráticas, como se os alemães estivessem jogando já classificados para a próxima fase, apenas cumprindo tabela.

A produção, mais uma vez a cargo de Joost van den Broek, também não difere em nada do que já foi apresentado em outras obras do quinteto, dando aquela atmosfera grandiosa e bombástica que já conhecemos bem. “Wake Up The Wicked” é o Powerwolf mais uma vez apostando no certo e entregando exatamente o que seu fandom espera, Power Metal enérgico, melódico e divertido, com orquestrações épicas, refrões de fácil memorização e vocais fortes, mas se você não se encaixa nesse grupo de fãs mais radicais, possivelmente vai ter a mesma reação que eu. Vai escutar, achar bem feito, competente, abrir um sorriso aqui e ali, mas quando for ouvir a banda novamente, certamente não vai optar pelo mesmo.

Powwewolf é:
- Attila Dorn (vocal)
- Matthew Greywolf (guitarra)
- Charles Greywolf (baixo/guitarra)
- Falk Maria Schlegel (teclado)
- Roel van Helden (bateria)


quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Swallow The Sun - The Morning Never Came (2003/2022)

 


Swallow The Sun - The Morning Never Came (2003/2022)
(Cold Art Industry - Nacional) 

01. Through Her Silvery Body
02. Deadly Nightshade
03. Out of This Gloomy Light
04. Swallow (Horror Pt. I)
05. Silence of the Womb
06. Hold This Woe
07. Under the Waves
08. The Morning Never Came

Já fazia um tempo que não sentava diante do notebook para escrever uma resenha. Seja pelo dia a dia corrido, onde 24 horas parecem pouco para dar conta de todas as responsabilidades, seja pelo meu completo desânimo com o cenário do Metal Nacional, tomado pela praga do conservadorismo (com tudo de ruim que isso acarreta), a ideia de abrir o processador de textos e expor minha visão de um álbum, em nada me empolgava. Algo muito especial teria que ocorrer para me fazer mudar.

Pois, isso se deu através do relançamento da versão nacional do álbum de estreia da banda finlandesa Swallow The Sun, o ótimo “The Morning Never Came”, através do selo Cold Art Industry. Lançado em 2003, foi um trabalho que me causou grande impacto já na primeira audição, me transformando em fã quase que instantaneamente. Mas, o que o debut desses finlandeses tem de tão especial?

Álbuns de estreia tendem a ser na maioria das vezes, trabalhos onde as bandas ainda buscam uma identidade sua, com as influências soando mais como emulações do que propriamente como...influências. Raros são os casos onde nos deparamos com uma banda praticamente pronta, mostrando todo o seu potencial e força. Pois o Swallow The Sun mostra!

Esse poderia ser apenas mais um álbum de estreia de uma banda de Melodic Doom/Death Metal, sem muita coisa a acrescentar ao estilo, mas, como bem disse Hamlet, “há mais coisas no céu e terra, Horácio, do que foram sonhadas na sua filosofia”. Existem coisas que a razão não explica e, nessa hora, o lado mais passional, o sentimento, aflora.

“The Morning Never Came” cativa o fã de Doom pela miríade de sentimentos que consegue despertar. Desde o suave interlúdio de piano nos segundo iniciais de sua faixa de abertura, a espetacular “Through Her Silvery Body”, aos riffs esmagadores que se seguem, a audição do debut do Swallow The Sun encanta pela beleza, mas também te leva a uma viagem ao lado mais escuro da mente, trazendo a tona sentimentos como melancolia, tristeza e raiva. E, antes que alguém questione, não é isso que nós, fãs de Doom Metal, buscamos em uma audição de um álbum do estilo?

O mais legal de tudo é que essa montanha-russa de sentimentos flui com uma naturalidade ímpar. A forma como as canções flutuam de passagens mais limpas e lentas, para outras mais pesadas e agressivas, ou a variação entre vocais limpos e mais ásperos que ocorre em algumas passagens, de forma algum soa forçada.

Canções como a já citada “Through Her Silvery Body”, as ótimas “Swallow (Horror Pt. I)” e “Silence of the Womb”, com seus riffs e melodias empolgantes ou o encerramento com a faixa-título, até hoje para mim, uma das melhores canções da banda, conseguem criar aquela atmosfera de devastação e escuridão que nos é tão querida. Cativa e conquista desde a primeira audição.

Não serei ousado para dizer que esse é um dos melhores álbuns de Doom Metal de todos os tempos, até porque isso soaria injusto. O próprio Swallow The Sun lançou outros trabalhos fantásticos após sua estreia, mas posso afirmar sem qualquer sentimento de culpa, que esse é um dos melhores álbuns de estreia de uma banda do estilo lançados até hoje.

Como de praxe por parte da Cold Art Industry em seus lançamentos, a versão nacional de “The Morning Never Came” é extremamente caprichada, vindo em uma caixa acrílica, com um slipcase fechado e envernizado, encarte com 12 página e OBI. E também, como de praxe, a edição limitada em apenas 300 cópias. Então, se também é fã de ter material físico em casa, faça como eu, acesse um do link que deixarei lá em baixo e adquira o álbum antes que ele se esgote.

E, antes que alguém me pergunte a respeito da nota, bem, não farei mais resenhas com notas, já que música não é algo que se analisa racionalmente, mas sim de forma passional. Ela impacta cada ouvinte de formas diferentes e, o que temos nesse texto é como “The Morning Never Came” desperta emoções em mim. Mais uma vez, apelo a Shakespeare e Hamlet: “Nada é bom ou mau em si; depende do julgamento que fizermos.”.

Swallow The Sun (2003):
M. Kotamäki (vocal)
M. Jämsen (guitarra)
J. Raivio (guitarra)
A. Munter (teclado)
M. Honkonen (baixo)
P. Pasanen (bateria)

Cold Art Industry (Site): https://coldartindustry.loja2.com.br/9974117-_SWALLOW-THE-SUN-The-Morning-Never-Came-Slipcase-CD
Cold Art Industry (Shopee): https://shopee.com.br/coldartindustry


sexta-feira, 23 de julho de 2021

Heavy Smasher - Heavy Smasher (2021)

 


Heavy Smasher - Heavy Smasher (2021)
(Roadie Metal - Nacional)

01 - We Are Angels
02 - Heavy Smasher Sound
03 - Sunrise Rebel
04 - Clash of the Gods
05 - FireFight
06 - Face Up Reality
07 - In The Abyss
08 - Screaming All
09 - To Be Strong
 
Ser uma banda de Heavy Metal no Brasil não é fácil, por diversos fatores internos e externos da cena underground. Surgida no ano de 2013 em Fortaleza/CE, a Heavy Smasher passou por todas as agruras que boa parte das bandas independentes passam, até finalmente conseguir estabilizar sua formação, que hoje conta com Nildo Gomes (vocal), Nando Smasher e Diego Quântico (guitarras), Luis Paulo (baixo) e Bruno Rocha (bateria). Com um EP, “Smasher and Loud”, lançado em 2018 - mas gravado em 2016 -, a banda acaba de lançar seu primeiro full, tema dessa resenha.

Marcando a estreia da atual formação em estúdio, “Heavy Smasher” contém as 4 músicas lançadas originalmente em “Smasher and Loud”, “Heavy Smasher Sound”, “Clash of the Gods”, “Sunrise Rebel” e “Screaming All”, e que foram regravadas, além de outras 5 músicas inéditas compostas especialmente para o trabalho. Musicalmente, o que encontramos é uma banda com seus dois pés muito bem  fincados no Heavy Metal Tradicional, e com influências latentes de nomes como Judas Priest, Accept, Dio, Iron Maiden, Saxon e afins. Além disso, elementos de Hard Rock são inteligentemente inseridos aqui e ali, dando não só um tempero a mais à música do quinteto.

Com um Heavy Tradicional bem direto, e sem espaço para modernidades - mas faz-se necessário frisar, nada datado -, nos encontramos diante de um trabalho muito pesado, agressivo e que, apesar das influências latentes, não soa como cópia dos nomes citados no início, já que consegue transformar influência em identidade própria. Os vocais de Nildo Gomes se destacam pela força e por dar as canções, essa agressividade citada. A dupla de guitarristas formada por Nando e Diego são responsáveis não só por entregar riffs fortes, como também por alguns solos de muita qualidade. A parte rítmica, com Luís e Bruno se sai muito bem, dando peso e variedade as canções.


Quanto as músicas, são 9 canções que vão direto ao ponto, entregando tudo que um fã do estilo quer ouvir. Chama a atenção a capacidade da banda de forjar bons refrões, já que eles surgem por todos os cantos aqui, caso, por exemplo, da faixa de abertura, “We Are Angels”. “Heavy Smasher Sound”, a faixa seguinte, tem uma saudável pegada Hard, além de um belo solo, enquanto “Sunrise Rebel” entrega um bom trabalho das guitarras. “Clash of the Gods” se destaca principalmente pelo peso, e é outra que conta com um belo solo; “FireFight” empolga desde as primeiras notas, e certamente vai te fazer bater cabeça, e “Face Up Reality” conta com algumas passagens mais cadenciadas que são bem interessantes. Já “Into the Abyss” é a faixa “diferentona” do álbum, com uma introdução arrastada, que você esperaria vindo de uma banda de Doom Metal, e riffs totalmente calcados em Black Sabbath. Sem dúvida uma agradável surpresa. O trabalho se encerra com o Hard Rock de “Screaming All”, e com a pesada e forte “To Be Strong”.
 
Do ponto de vista da produção, o material na média que vemos nas boas produções brasileiras. Todos os instrumentos estão claros, pesados, e com uma certa crueza. Foi toda realizada por Taumaturgo Moura, no VTM Studio. Nesse quesito, por uma questão de gosto pessoal meu, penso que poderiam refinar um pouco mais a produção no próximo álbum, mas nada exagerado. Já a capa é obra de Leandro Cotta, e traz referências a cada uma das músicas do álbum, além de uma homenagem a um dos grandes nomes da história do Metal.

A Heavy Smasher é dessas bandas que opta por não reinventar a roda, e isso acaba sendo extremamente positivo. Praticando um Heavy Metal Tradicional consistente, maduro, e com uma cara própria, certamente vai agradar em cheio a todos os fãs do estilo. Uma boa estreia, que mostra que a banda está no caminho certo. Agora é só lapidar um pouco mais sua sonoridade, para logo estar brilhando no primeiro escalão do Heavy Metal Nacional.
 
Heavy Smasher é:
Nildo Gomes (vocal)
Nando Smasher (guitarra, vocal de apoio)
Diego Quântico (guitarra, vocal de apoio)
Luis Paulo (baixo, vocal de apoio)
Bruno Rocha (bateria)

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Pérolas do Cancioneiro Popular: Pain of Salvation – One Hour by the Concrete Lake (1998)

 

Pain of Salvation - One Hour by the Concrete Lake (1998)
(InsideOut Music - Importado)

01.  Spirit of the Land
02.  Inside
03. The Big Machine
04. New Year's Eve
05. Handful of Nothing
06. Water
07. Home
08. Black Hills
09. Pilgrim
10. Shore Serenity
11. Inside Out

Você sabe que uma banda é realmente boa no que faz, quando ela consegue fazer uma pessoa que não é fã do estilo, gostar do seu trabalho. Esse é o caso do Pain of Salvation. Não escondo de ninguém que o Prog Metal está longe de ser um dos meus estilos preferidos, mas quando se trata de um álbum dos suecos, eu simplesmente me esqueço disso. A banda capitaneada pelo genial Daniel Gildenlöw sempre presenteia seus fãs com trabalhos ousados e brilhantes, por mais que em alguns casos, você precise de um pouco mais de tempo para se acostumar com a proposta de alguns álbuns.

“One Hour by the Concrete Lake” é um álbum conceitual, divido em 3 partes. Ele acompanha um homem que trabalha na indústria de armas, e que, após começar a questionar a moralidade do que faz, resolve deixar de ser uma engrenagem dessa grande máquina que controla a sua vida. Essa é a premissa da primeira parte, intitulada “Part of the Machine”, que vai de “Inside” até a “New Year's Eve”. Na segunda parte, “Spirit of Man”, que vai de “Handful of Nothing” até “Home”, ele viaja ao redor do mundo, descobrindo os efeitos que as armas que fabricou realmente tiveram. Além disso, presenciam a luta de índios nativos americanos para recuperar sua terra sagrada, roubada pelo colonizador branco, que não só retirou urânio de seu solo, como também despejou lixo radioativo no local. Na terceira parte, Karachay, que vai de “Black Hills” até “Inside Out”, ele chega no lago Karachay, em Kyshtym na ex-URSS. Nesse local, tanto lixo nuclear foi despejado no lago, que hoje, se uma pessoa ficar em sua margem por 1 hora, estará contaminada mortalmente pela radiação. Entre 1978 e 1986, blocos de concreto foram jogados no lago, para evitar assim o deslocamento dos sedimentos radioativos. Ao final, o álbum defende que qualquer pessoa seria capaz de entender o significado das questões e imoralidades relatadas nas letras do álbum, bastando que para isso, ficassem por apenas 1 hora a beira do lago Karachay.

“One Hour by the Concrete Lake” é apenas o segundo álbum da carreira do Pain of Salvation, mas já mostra um nível de maturidade musical de uma banda veterana. Extremamente variado, as músicas alternam entre momentos pesados e outros mais melodiosos e suaves, e a forma como tudo isso flui naturalmente é de impressionar, tanto que você mal de dá conta do tempo passando durante a audição. As guitarras soam primorosas, e a parte rítmica soa poderosa. Os teclados são uma parte importante do trabalho, dando substância as músicas, e criando a ambientação das mesmas. Mas o grande destaque realmente são os vocais de Daniel Gildenlöw, uma das melhores vozes do Heavy Metal atual. A forma como ele consegue variar sua voz, conforme o que a música pede, é algo que poucos conseguem fazer. Ela da sentido e emoção a cada uma das músicas.

Apontar destaques, ao menos para mim, é algo impossível, já que todas as músicas são realmente muito boas. Nada aqui soa deslocado ou fora de lugar, nada soa exagerado ou desnecessário. Cada riff, cada nota, cada melodia, tudo está onde deveria exatamente estar. Apesar de todos os músicos serem absurdamente técnicos, nenhum deles perde tempo querendo exibir suas habilidades. A musicalidade de “One Hour by the Concrete Lake” é absurda. É um álbum intenso, que arrebata e emociona quem se permite se aventurar pelos caminhos às vezes sinuosos da música do Pain of Salvation. Altamente indicado não só para fãs de Prog Metal, como também de boa música. E vale dizer que a versão lançada na América do Sul possui uma música a mais, a bônus “Beyond the Mirror”.

Epica - Ωmega (2021)



Epica - Ωmega (2021)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01 - Alpha - Anteludium
02 - Abyss of Time - Countdown to Singularity
03 - The Skeleton Key
04 - Seal of Solomon
05 - Gaia
06 - Code of Life
07 - Freedom
08 - Kingdom of Heaven Part 3 - The Antediluvian Universes
09 - Rivers
10 - Synergize - Manic Manifest
11 - Twilight Reverie - The Hypnagogic State
12 - Omega - Sovereign of the Sun Spheres

Detratores do Epica vão dizer que já sabem exatamente o que vão encontrar em um álbum dos holandeses. Ele vai começar com uma introdução sinfônica, vai ter uma faixa-título, uma canção na casa dos 10 minutos, bem épica, com seus coros e orquestrações, vocais estilo “bela e fera”, refrões fáceis e claro, aquela baladinha que é “de lei”. Bem, realmente, você vai encontrar tudo isso em Ωmega, não dá para negar. Mas sejamos sinceros, previsibilidade só é ruim, quando a música é igualmente ruim, e esse não é o caso aqui. Ao contrário, para quem é amante de Metal Sinfônico, o 8º álbum de estúdio do Epica vai agradar muito.

Desde The Divine Conspiracy (07) que o Epica vem refinando e aperfeiçoando o seu som, lançamento após lançamento, e isso fez com que a banda chegasse em um ponto onde sua sonoridade é inconfundível e facilmente identificada. A verdade é que você não encontra uma banda que soe como eles, que possa se dizer que faça um som idêntico, mesmo que todos os clichês do Metal Sinfônico estejam presentes em suas músicas. Isso só reforça o que eu digo, que o problema não é se utilizar de clichês, mas a forma como você o faz. Aqui é tudo muito bem feito.

Como de praxe, estamos diante de um álbum muito consistente, onde, sobre uma base Power/Prog Sinfônica, a banda agrega elementos de estilos diversos, como Thrash, Death, Black, Folk e até mesmo música étnica. Tudo isso surge salpicado em momentos pontuais nas canções. As orquestrações, simplesmente bombásticas, ficaram a cargo da The City of Prague Philharmonic Orchestra, e soam épicas. Ainda sim, aquele equilíbrio entre as partes sinfônicas e o Heavy Metal, se faz presente, muito em virtude dos riffs, que soam bem pesados em diversos momentos. Os coros, que como em álbuns anteriores, foram obra do PA'dam Chamber Choir, estão mais exuberantes do que nunca. Todos os músicos encontram espaço para brilhar individualmente em algum momento do álbum, mas Simone Simons se sobressai, isso é algo inegável. A cada lançamento ela consegue brilhar mais com sua voz.



O álbum começa com o prelúdio sinfônico “Alpha - Anteludium”, que cumpre bem o seu papel de preparar o ouvinte para o que está por vir. É a calmaria que antecede a tempestade. “Abyss of Time - Countdown to Singularity” já chega com os guturais de Mark Jansen alternando com os vocais líricos de Simone. É como se estivéssemos diante de um jogo de luz e sombras, que por mais que alguns possam julgar clichê, é muitíssimo bem feito. Não podemos deixar de citar as belíssimas orquestrações e as melodias agradáveis. Decididamente, um bom início. Na sequência, temos uma das faixas mais marcantes do álbum, “The Skeleton Key”, pesada, com um refrão marcante, e simplesmente perfeita para a voz de Simone Simons. “Seal of Solomon” chega mesclando orquestrações bombásticas com melodias orientais, com um resultado incrível. Os coros também se destacam, e os urros de Jansen se alternam com a voz de Simone durante toda a música, em uma espécie de Yin e Yang. “Gaia” já começa com um ótimo coro, e se mostra bem variada, equilibrando bem o peso do Metal com as partes sinfônicas. A excelente “Code of Life” começa com um prelúdio oriental - que conta com a participação de Zaher Zorgati, do Myrath -, que aos poucos vai se fundindo com as orquestrações, se mantendo assim durante toda a música. As melodias vocais também são um ponto de destaque.

A segunda metade do álbum abre com a pesada e grooveada “Freedom - The Wolves Within”, com um bom trabalho das guitarras e um refrão que te pega fácil. Vale destacar também os coros, simplesmente ótimos. Na sequência, o ponto álbum do álbum, a excelente “Kingdom of Heaven Part 3 - The Antediluvian Universes”. É sem dúvida alguma o ponto central do trabalho, e, apesar dos seus mais de 13 minutos - que você nem percebe passar -, se mostra bem direta, além de esbanjar peso. Em certas passagens, a banda resvala de leve no Death Metal, e se não acredita, basta fazer a audição. Ariën van Weesenbeek se superou no trabalho de bateria dessa faixa. “Rivers” é a balada do álbum, altamente emocional, com lindas orquestrações, e performance primorosa de Simone Simons. “Synergize - Manic Manifest” tem ótimos riffs, e um trabalho memorável de baixo e bateria, com direito inclusive a blast beats. Para encerrar o álbum, temos “Twilight Reverie - The Hypnagogic State”, onde Simone domina a música do início ao fim, e a excelente “Omega - Sovereign of the Sun Spheres”, uma das grandes composições da carreira da banda, diversificada, pesada e refinada.


No quesito produção, o Epica não arriscou, e mais uma vez ela ficou a cargo de Joost van den Broek, que também fez a mixagem do trabalho. Da mesma forma, masterização foi realizada novamente por Darius van Helfteren. O resultado é aquele que o fã já está acostumado, ou seja, tudo muito limpo, cristalino e asséptico, o que pode incomodar aqueles que apreciam algo com mais vida. Ainda sim, vale dizer que se comparada com o álbum anterior, The Holographic Principle, ela soa mais viva. Já a bonita capa é obra de Stefan Heilemann, outro que vem trabalhando com a banda faz algum tempo.

O resultado de  Ωmega está dentro daquilo que todo fã do Epica espera e sonha. Um álbum de composições fortes, variadas, mas que segue o padrão Epica de fazer música. Não vou ousar e dizer que esse é o melhor trabalho de sua carreira, mas sem dúvida alguma, é o mais bem estruturado, eficiente e equilibrado. Simplesmente imperdível para os fãs da banda.

Epica é:
Simone Simons (vocal)
Mark Jansen (guitarra/orquestrações/vocal)
Isaac Delahaye (guitarra/vocal)
Coen Janssen (teclado/piano/orquestrações)
Rob van der Loo (baixo)
Ariën van Weesenbeek (bateria)

terça-feira, 22 de junho de 2021

Coagulate - The Art of Cryptosis (2020) (Demo)

 


Coagulate - The Art of Cryptosis (2020) (Demo)
(Black Hole Productions - Nacional)

01. Fascist Dissection
02. 18th Parallel Succubus Masquerading Transcendence to Divinity (Liar upon the Cross)
03. Beneath Cruciform Hills
04. Protoplasmic Ensnarement (The Draining of Your Flesh)

Surgido no ano de 2017, em Minneapolis, Estados Unidos, o Coagulate chama a atenção pela maturidade do som que apresenta em seu trabalho de estreia, a Demo “The Art of Cryptosis”. Praticando um Death metal de pegada mais Old School e que remete aquela sonoridade dos anos 90, algo que certamente vai fazer a alegria dos fãs do estilo.

São apenas 4 músicas, mas que conseguem deixar o ouvinte com vontade de dar o play novamente e reiniciar a audição. O Death Metal da banda se mostra bem técnico, soando bem cru e intenso, com boas mudanças de andamento, que impedem que as canções soem repetitivas. A abertura, com  “Fascist Dissection”, apresenta ótimos riffs, além de variar bem entre partes mais velozes e outras mais cadenciadas. “18th Parallel Succubus Masquerading Transcendence to Divinity (Liar upon the Cross)” parece saída diretamente dos anos 90, e se destaca pelos riffs cortantes, enquanto “Beneath Cruciform Hills” soa simplesmente esmagadora. Encerrando, temos a densa e bruta “Protoplasmic Ensnarement (The Draining of Your Flesh)”.

Sinceramente, esse trabalho se passaria tranquilamente por um EP, dada a qualidade tanto da sua produção quanto da parte gráfica. Tudo muito bem feito e caprichado. Se você é fã de um Death metal cru e agressivo, e está sempre buscando conhecer novos nomes, eis aqui um CD que merece espaço na sua coleção.

Coagulate é:
Andrew MV (vocal, guitarra)
Aaron Wolff (guitarra)
Andy Topeff (baixo)
Jameson Sellers (bateria)

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Helloween - Helloween (2021)


Helloween - Helloween (2021)
(Nuclear Blast Records - Importado)

01 – Out For The Glory
02 – Fear Of The Fallen
03 – Best Time
04 – Mass Pollution
05 – Angels
06 – Rise Without Chains
07 – Indestructible
08 – Robot King
09 – Cyanide
10 – Down In The Dumps
11 – Orbit
12 – Skyfall

Existem momentos que são especiais na vida de um fã. Quando comecei a escutar Heavy Metal, em 1989, Kai Hansen já havia saído do Helloween e fundado o Gamma Ray, mas ainda sim, o impacto que Walls of Jericho e as duas partes do  Keeper of the Seven Keys tiveram em mim, foi imenso. Foram essenciais no meu processo de formação como fã de Metal.  A saída de Kiske, em 1993, foi outro baque, e mesmo respeitando e tendo noção da importância de Andi Deris na tarefa de manter o nome Helloween relevante entre os fãs do estilo, meu sonho era ver Hansen e Kiske de volta a banda. Mas isso sempre me pareceu algo impossível de ocorrer, até certo dia de 2017.

Ter os dois se apresentando ao vivo com o Helloween foi sem dúvida um momento muito especial. Ainda sim, por mais que, lá no fundo, existisse uma ponta de esperança, eu não conseguia enxergar a possibilidade real de todos entrarem em estúdio novamente para gravar material inédito. Felizmente eu estava muito errado. Então bateu aquele medo de fã, de o material não ser tão relevante, de estarem fazendo isso apenas para arrancar dinheiro dos fãs. Coisas de quem já viu esse tipo de atitude ocorrer aos montes no meio do Heavy Metal. Resolvi então não criar muitas expectativas.

Os primeiros singles me animaram bastante, e mostravam que o material  parecia muito promissor, uma espécie de resgate do passado da banda, mas com uma cara atual. Ainda sim, me perguntava se as demais canções conseguiriam manter essa pegada, principalmente após constatar que Andi Deris havia composto quase metade das canções do novo álbum, enquanto Kai Hansen era responsável por penas uma delas. E foi assim que peguei para escutar “Helloween”, o 16º - descontando Metal Jukebox e Unarmed -, e talvez o mais esperado álbum dos alemães.

A primeira coisa que o ouvinte deve lembrar, é de não tentar comparar “Helloween” com nenhum dos álbuns lançados pela banda anteriormente. Isso porque estamos diante de algo especial, diferenciado. Se pensarmos que Hansen saiu da banda em 1988, são 33 anos sem que sua espinha dorsal estivesse junta em um álbum. Além disso, seus 3 vocalistas se fazem presentes, o que gera uma dinâmica vocal toda especial, abrindo um enorme leque de opções no que tange o espectro vocal. Quanto a música em si, sem exagero, temos todas as fases da banda se fazendo presentes aqui, mas de uma forma muito uniforme, sem variações de qualidade ou coisas do tipo.


Certamente todos se sentem curiosos para saber como se deu a dinâmica entre Kiske, Deris e Hansen. Pois bem! Posso dizer sem medo que ela é a melhor possível. Obviamente, dada toda a sua qualidade vocal, Kiske acaba assumindo o protagonismo, mas Deris não fica atrás, e eles dividem boa parte das canções de uma forma muito equilibrada. Kai se mostra mais contido, e exceto em “Skyfall”, onde se faz bem presente, nas demais se concentra nos backings ou em trechos específicos. Ainda sim, quando surge, brilha. Por possuírem diferentes timbres, acabam se complementando, e conseguem brilhar tanto sozinhos, quanto em conjunto. Isso talvez seja o ponto alto do álbum.

Musicalmente, como já dito, todas as fases estão abarcadas aqui, e isso é simplesmente incrível. Da mesma forma que temos canções que vão remeter aos melhores momentos da fase Hansen/Kiske, temos aquelas que nos fazem lembrar como a fase Deris também foi rica em grandes canções. É, sem exagero, o álbum com os refrões mais grudentos e com as melhores melodias, desde os dois Keeper. O peso aqui encontrado também não era visto há muito tempo em um trabalho do Helloween. O trio formado por Michael Weikath, Kai Hansen e o “novato” Sascha Gerstner (com quase 20 anos de banda), simplesmente destrói tudo que vê pela frente, com um trabalho de guitarras primoroso. Já a dupla Markus Grosskopf e Dani Löble também brilha, valendo dizer que Löble gravou o álbum usando o kit de bateria original de ninguém menos que Ingo Schwichtenberg, fazendo com que dessa forma, o saudoso e eterno baterista do Helloween participe desse momento único. Mas o mais importante é que nada, eu disse, absolutamente nada, soa forçado. Tudo flui de uma forma muito natural.

O álbum abre com a espetacular “Out For The Glory”. Sinceramente, não consigo descrever o que senti quando, após a introdução, Kiske entra cantando. Só sei que é incrível! Literalmente o que temos é uma clássica faixa do Helloween, que remete diretamente aos anos de 1987 e 1988, com sua velocidade, suas melodias marcantes, mudanças de tempo, e aquele refrão grudento que só eles sabem fazer. Fazia tempo que Weikath não compunha uma canção tão espetacular. Essa pegada se mantém na música seguinte, “Fear Of The Fallen”, composição de Deris, e onde ele e Kiske se fundem de uma forma única. Grosskopf e Löble também não ficam atrás, brilhando muito. O refrão é mais um daqueles que você fica dias lembrando, e o solo de guitarra é simplesmente absurdo. Um início dos sonhos.


A faixa seguinte é a divertida “Best Time”, uma parceira entre Gerstner  e Deris, que possui uma melodia gostosa e fácil de cantar. Possui um apelo comercial, e poderia tocar tranquilamente em qualquer rádio “Rock” do mundo. Até sua duração, com pouco mais de 3:30min, parece pensada para isso. Na sequência, uma das melhores composições de Andi para a banda, a ótima “Mass Pollution”, que remete a sua fase nos vocais e foi moldada para ser tocada ao vivo. Seu refrão é daqueles que o público vai cantar a plenos pulmões na turnê do álbum. Vale destacar também o trabalho da dupla Grosskopf /Löble, que mais uma vez brilha. A faixa seguinte, “Angels”, é uma composição de Sascha, sendo o momento menos inspirado do álbum. Mas não entenda isso como sendo uma música fraca, ao contrário, ela só não está no nível absurdo de qualidade das anteriores. A primeira metade do álbum fecha com mais um momento “Helloween Clássico”. Se trata de “Rise Without Chains”, composição de pasmem, Andi Deris, que aqui se mostra capaz de compor faixas clássicas da banda sem esforço algum. 

“Indestructible”, composição de Grosskopf, tem uma pegada mais Hard e remete aos trabalhos mais atuais da banda. É pesada, cativante, tem ótimas melodias e um refrão que será certamente lembrado nos shows. Decididamente, Weikath estava com a faca entre os dentes quando compôs as músicas desse álbum, sendo “Robot King” uma prova disso. É aquele clássico Speed Metal Melódico que todo fã do Helloween ama, mas transposto para os dias atuais, não soando assim datado. “Cyanide”, de Deris, vai nessa mesma pegada, mesclando o Power e o Speed com maestria, e destacando os ótimos riffs, o ótimo desempenho da parte rítmica, principalmente Löble, e o refrão que te pega com facilidade. Lembra que acabei de falar que Weikath estava com a faca entre os dentes? Se você ainda tinha alguma dúvida, escute “Down In The Dumps”, um Power Metal clássico e empolgante. Após o breve interlúdio “Orbit” temos aquele momento épico, uma fixa que já é um dos maiores clássicos da história da banda, “Skyfall”. Aqui, a música aparece em sua versão completa, com mais de 12 minutos, e sinceramente, só ouvindo para entender o tamanho da sua magnitude. É uma música que poderia estar em qualquer um dos Keeper, sem qualquer tipo de questionamento. Encerra o álbum com sete chaves de ouro.


A capa é outro primor. Feita pelo absurdamente talentoso Eliran Kantor, ela é cheia de simbolismos, e homenageia as principais obras do Helloween.você encontra referência as três partes do “Keeper of the Seven Keys”, a  “Walls of Jericho”, a “The Time of the Oath”, e a “Master Of The Rings”. A produção é simplesmente absurda, tendo ficado a cargo de Charlie Bauerfeind, com co-produção de Dennis Ward. Ao que me consta, o álbum foi todo gravado no formato analógico, o que deu-lhe vida. 

O Helloween está de volta, no auge de sua forma, e pronto para dominar o mundo. Duvida? Escute o álbum e tire suas conclusões. Fortíssimo candidato a álbum do ano.

Helloween é:
Michael Kiske (vocal)
Andi Deris (vocal)
Kai Hansen (guitarra/vocal)
Michael Weikath (guitarra)
Sascha Gerstner (guitarra)
Markus Grosskopf(baixo)
Dani Löble (bateria)

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Funeral Tears - The Only Way Out (2018)

 


Funeral Tears - The Only Way Out (2018)
(Ksenza Records/Cold Art Industry - Nacional)

01. Be Humane
02. Look in the Mirror
03. Become the God
04. The Only Way Out 
05. Outro

Para quem desconhece, o Funeral Tears é uma One Man Band surgida em 2007 na Rússia, e capitaneada pelo músico Nikolay Seredov. A proposta, como o nome deixa bem claro, é se enveredar pelos sinuosos e tortuosos caminhos do Funeral Doom Metal. The Only Way Out é o seu 4º álbum de estúdio, e foi lançado no Brasil ano passado pela Cold Art Industry em quantidade limitada, em versões slipcase e digipack.

Fazer Funeral Doom é uma tarefa deveras espinhosa, já que se você errar a mão a audição do álbum pode se tornar um verdadeiro martírio, e acredite, mesmo em se tratando de um trabalho de Doom Metal, essa fala não é nada elogiosa. Felizmente Nikolay sabe bem o que faz, e consegue escapar das armadilhas do estilo, entregando um material que transborda angústia e melancolia por todos os poros. Não é isso que um fã do estilo espera? Seus vocais soam macabros, e as músicas, todas acima dos 8 minutos de duração – exceto o “Outro” que encerra a obra –, soam arrastadas, lentas, pesadas, e variam muito pouco. Alguns elementos de Black são inseridos aqui e ali, quebrando um pouco da monocromaticidade do álbum. As guitarras despejam riffs pesados, baixo e bateria estão ótimos, e o teclado surge muito bem encaixado, enriquecendo ainda mais o resultado.

O álbum abre com a arrastada “Be Humane”, que prima pelo peso e pelo clima angustiante que desperta no ouvinte. “Look in the Mirror” soa épica e sombria, enquanto “Become the God” começa devagar, quase parando, e assim se mantém por um logo tempo, mas passagens mais voltadas ao Black Metal surgem para dar uma quebrada no seu ritmo letárgico. “The Only Way Out” é densa e transborda melancolia, e “Outro” é um encerramento contemplativo, que reflete tudo que foi ouvido durante mais de 40 minutos.

Nikolay leva realmente a sério a questão da One Man Band, e ele mesmo executou toda a produção do álbum. O resultado é bom, dentro do esperado, e deixa tudo bem claro e audível, mas sem exageros, o que evita aquele ar plastificado de muitas produções modernas. A belíssima capa é obra de Alexander Glukhov, da Mayhem Project Design. Denso, altamente emocional e em muitos momentos, com uma aura opressora, The Only Way Out é um álbum que prende o ouvinte e vai agradar em cheio os apreciadores de um bom Funeral Doom. Obrigatório na coleção de quem curte o estilo.




I Gather Your Grief - Dystopian Delusions (2019)

 


I Gather Your Grief - Dystopian Delusions (2019)
(Ever Cold Music - Nacional)

01. Sand Castles
02. Defendant
03. The Farewell’s Sacrament
04. Behind the Wheek (Depeche Mode cover)

Apesar do pouco tempo de estrada, já que surgiram no ano de 2016, o I Gather Your Grief é composto de músicos experientes na cena da música extrema nacional, já que em sua formação temos membros de bandas como Patria, Land of Fog, Dark Celebration, Swords at Hymns e Litosh. Obstante todos os nomes citados se enquadrarem no rótulo de Black Metal, a proposta aqui é seguir um rumo diferente, com o quinteto formado por Fernando Troian (vocal), André Lazzarotto (guitarra), Maicon Ristow (guitarra),  Wendel Siota (baixo) e Marcelo Vasco (bateria), apostando suas fixas no Death/Doom.

A base da sonoridade do I Gather Your Grief é aquele Death/Doom típico dos anos 90, e que consagrou nomes como Paradise Lost, Anathema, Katatonia e My Dying Bride, mas com uma dose de melodia que remete a bandas mais atuais como Swallow the Sun, October Tide, Saturnus ou Draconian. Cabe dizer que apesar de tais influências, não soam como uma cópia dos citados acima, já que conseguem imprimir personalidade a sua música, soando assim como I Gather Your Grief. Fernando Troian se sai muito bem nos vocais guturais, dando a intensidade que as canções pedem, e as guitarras de André Lazzarotto e Maicon Ristow executam um belo trabalho, com riffs que transbordam melancolia. A parte rítmica, com o baixista Wendel Siota e o baterista Marcelo Vasco, se mostra coesa e sólida, imprimindo variação e peso. Marcelo também faz ótimos vocais limpos em várias passagens, criando um contraste bem legal com os guturais. 

A abertura se dá com “Sand Castles”, que possui boas melodias, linhas de teclado que criam uma ambiência muito legal, guitarras pesadas e um trabalho vocal muito legal, onde o gutural e o limpo se alternam em alguns momentos. Pensando bem, nesse sentido me lembrou demais os últimos álbuns do Borknagar, o que acredite, é um tremendo elogio. “Defendant”  tem aquela pegada arrastada típica do Funeral Doom, com os teclados criando uma climatização fúnebre e as guitarras despejando peso. Indiscutivelmente, minha faixa preferida do EP. “The Farewell’s Sacrament” aproxima mais a banda do cenário atual do Melodic Doom, onde mais uma vez vocal e teclado se destacam. É uma canção um tanto cinzenta e taciturna, como todas deveriam ser. Fechando, uma versão fantástica para “Behind the Wheek”, do Depeche Mode, onde conseguiram manter a aura original, mas ainda sim carregando a mesma de personalidade. Muito disso se dá pelos vocais limpos, que mantém aquela pegada mais gótica.

A produção é muito boa, pois conseguiu deixar tudo muito claro e audível, mas sem perder aquela coisa mais suja e obscura que o Death/Doom pede. É exatamente como uma produção dos anos 90 soaria se fosse feita hoje. Perfeita para o estilo proposto. Quanto a capa, tendo um artista completo como Marcelo Vasco na banda, ela não poderia ser menos que ótima, já que consegue transmitir uma sensação lúgubre e triste. Dystopian Delusions foi sem dúvida, um dos melhores lançamentos nacionais de 2019, e deixa aquele gosto de quero mais, nos deixando ansiosos por um trabalho completo do I Gather Your Grief. Que ele não demore muito a surgir.


Quilombo – Itankale (2019)

Quilombo – Itankale (2019)
(Poluição Sonora Records – Nacional)


01. Melanina

02. Ancestralidade

03. Treze Nações

04. Descendentes de Reis

05. Semi Deusas

06. Diáspora D.C


Por mais que alguns insistam em negar o óbvio, sim, somos uma sociedade racista. A questão é que o racismo no Brasil é uma questão tão estrutural, e se encontra presente em tantos detalhes do nosso dia a dia – na linguagem diária, por exemplo –, que muitas vezes, mesmo sem se dar conta, propagamos atitudes racistas. O Brasil foi o último país do ocidente a abolir oficialmente a escravidão, mas a verdade é que ela nunca deixou de existir, já que o negro continua sofrendo com os reflexos da mesma, mesmo tendo passado 132 anos desde a promulgação da Lei Áurea. Nesse tempo, o racismo estrutural não foi apenas continuado, foi radicalizado..

Como combater isso? As formas são diversas, e invariavelmente passam não só pelo ponto de o branco abrir mão de seus privilégios – sim, ser branco no Brasil é um privilégio que muitos se recusam a aceitar –, como também abrir e ceder espaço para dar vazão as vozes negras, para permitir que ocupem espaços de privilégio branco. E o mais importante de tudo, escutar e aprender com o que eles têm a falar. Nesse ponto, “Itankale” – que em Iorubá significa propagação –, EP de estreia do Quilombo, tem muito a nos ensinar.

Para quem desconhece, o Quilombo é uma banda surgida no ano de 2018, pelas mãos do baterista e vocalista Panda Reis, e do guitarrista Allan Kallid, ambos do Oligarquia. A premissa é, através de suas letras e músicas, contar a história dos negros pelos negros, se utilizando de fontes que por muito tempo foram desconsideradas e caladas, pelo simples fato de não serem fontes brancas. O negro não podia falar sobre si. O que temos aqui é a história dos negros contada por quem possui realmente lugar de fala para tratar do assunto.

Musicalmente, “Itankale” é uma verdadeira paulada, já que apresenta um Death Metal que se mescla com Grindcore e esbanja intensidade e violência. Os vocais de Panda são brutais, mas ainda sim permite que o ouvinte compreenda as letras – que possuem muito a dizer – enquanto esbanja técnica na bateria. Allan ficou a cargo da guitarra e do baixo, e faz um trabalho excelente, principalmente no que tange aos riffs, afiadíssimos. A percussão, que surge muito bem encaixada em diversos momentos do álbum, e sem soar destoante, ficou por conta do músico convidado Binho Gerônimo. Outro a participar foi o guitarrista Guilherme Sorbello, presente em uma das músicas do EP.

“Melanina” abre o trabalho com uma introdução simplesmente de arrepiar, onde vocalizações típicas da cultura africana dão o tom. Aliás, cada uma das músicas aqui presentes, é introduzida por alguma referência a cultura negra. Quando o Death/Grind explode nos falantes, ela se torna suja, odiosa, crua e raivosa, como deve ser uma canção do estilo. Os elementos percussivos foram magistralmente encaixados nas passagens mais cadenciadas, tornando a faixa um dos grandes destaques do EP. “Ancestralidade” é a devastação em forma de música, e vai esmagar os tímpanos daqueles menos acostumados a sonoridades pesadas, sendo seguida pela bruta “Treze Nações”. Outra que se destaca pela brutalidade é “Descendentes de Reis”, um verdadeiro atropelo em forma de música. “Semi Deusas”, com seus pés bem fincados no Punk, fala em sua letra de mulheres negras, tanto do passado como da atualidade, que são importantes politica e culturalmente. Encerrando, a agressiva “Diáspora D.C”, que soa como uma betoneira descendo uma ladeira sem freio. Um atropelo sem chance de sobrevivência.

Gravado e mixado no O Beco Estúdio, o EP teve sua produção a cargo de Guilherme Sorbello, e a qualidade é boa, já que tudo está claro e audível, mas mantendo aquela sujeira necessária ao estilo. A capa foi obra de Artur Fontenelle, e une a cultura ancestral africana, com diversas personalidades negras ao nível mundial. Ficou realmente muito legal. Ríspido, brutal e intenso, “Itankale” é um desses álbuns feitos para moer as vértebras do pescoço até mesmo dos mais calejados do estilo. Mais do que música, o que temos aqui é um grito de resistência mais do que necessário nos tempos atuais. Que venha o primeiro álbum completo! Quilombo é Death Metal contra o racismo!


Quilombo é:

- Panda Reis (vocal/bateria)

- Allan Kallid (guitarra/baixo)


https://www.facebook.com/Quilombometal/

https://twitter.com/quilombodeath

https://quilombo.bandcamp.com/releases


 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Paradise Lost - Obsidian (2020)


Paradise Lost - Obsidian (2020)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Darker Thoughts
02. Fall from Grace
03. Ghosts
04. The Devil Embraced
05. Forsaken
06. Serenity
07. Ending Days
08. Hope Dies Young
09. Ravenghast
10. Hear the Night (bônus track)
11. Defiler (bônus track)

“Você não é todo mundo!”. O caro leitor deve estar se perguntando o que a frase dita por 10 entre 10 mães no mundo faz em uma resenha crítica a respeito do novo álbum do Paradise Lost. Realmente, é uma forma pouco usual de se começar uma resenha, não posso negar, mas logo ela terá sua razão de estar aqui. Surgido em 1988, em Halifax, Inglaterra, o quinteto escreveu seu nome na história do Metal com uma carreira sólida e recheada de álbuns de grande qualidade, fora o mérito de serem considerados por muitos, o responsável pela criação do Gothic Metal como o entendemos hoje. Com tudo isso, e com mais de 3 décadas de estrada, qualquer banda se acomodaria nos louros da vitória e se limitaria a zona de conforto, fazendo apenas o feijão com arroz. Mas o Paradise Lost não é todo mundo. Não é, nunca foi e provavelmente nunca será.

Tudo nessa vida é mutável, e uma atitude que possamos vir a ter hoje, vai ter reflexos lá na frente. É algo que não só afeta a nossa vida, mas também a das pessoas em nosso entorno. Viver não é  estático, e tudo sempre está em constante mudança. Porque então a carreira do Paradise Lost deveria ser diferente? São 32 anos se reinventando álbum após álbum, se recusando a cair na estagnação e no apego ao passado de muitos outros nomes de sua geração. Elementos do passado sempre podem, e são resgatados, mas o foco é sempre seguir adiante, e é isso que fazem em Obsidian, sem 16º álbum de estúdio, que será lançado no dia 15 de maio pela Nuclear Blast, e que sairá no Brasil através da parceria com a Shinigami Records.


Uma coisa que sempre me chamou a atenção no Paradise Lost é a sua capacidade de soar único. Você consegue se deparar com bandas que emulam até o talo nomes como Metallica, Black Sabbath, Led Zeppelin ou Iron Maiden? Sim, e exemplos temos aos montes por aí. Normalmente elas ultrapassam o limite da influência e acabam soando com cópia dessas lendas do Rock/Metal. Isso já não ocorre com o Paradise Lost, já que não encontramos que consiga emular sua sonoridade. Claro, temos diversos nomes onde a influência do quinteto de Halifax se torna evidente, mas nenhum que soe idêntico. Isso se dá por um motivo simples, Nick Holmes e Gregor Mackintosh são músicos únicos. Eles são os alicerces sobre os quais se levantam as estruturas muscais da banda. A voz de Holmes, além de variada, soa marcante, sombria e escura, enquanto Gregor é um guitarrista com uma identidade única. Você sabe que é ele na primeira nota, e todo o clima melancólico presente na obra da banda é oriundo disso. É essa sua capacidade ímpar que consegue ligar álbuns aparentemente díspares como Gothic (91), Host (99) ou Faith Divide Us – Death Inite Us (09). Vale deixar claro que isso de forma alguma tira a importância e o brilho dos demais integrantes. Sem a brilhante guitarra rítmica de Aaron Aedy, Mackintosh não estaria livre para mostrar sua genialidade, sem a força do baixo de Stephen Edmondson e da bateria de Waltteri Väyrynen, muito se perderia. Preste atenção no desempenho dos mesmos em Obsidian, caso tenha alguma dúvida a respeito disso.

Vindo de dois álbuns que mergulharam fundo nas suas raízes Death/Doom, The Plague Within (15) e Medusa (17), o Paradise Lost optou por uma leve mudança de rumo em Obsidian, dando mais variedade as suas músicas. Trazendo para o centro do palco elementos não só do Gothic Metal de outrora, como da cena gótica dos anos 80 – sim, estamos falando de The Sisters of Mercy, The Mission e afins –, entregam aos seus fãs um trabalho mais refinado e com mais melodias, mas que em momento algum abre mão do peso e do clima sombrio que lhe é inerente desde Lost Paradise (90). Partindo dos vocais e passando pelas guitarras, tudo aqui soa mais diversificado, intenso e emocional que em seus antecessores, se é que isso é possível considerando a qualidade dos mesmos. Reparem também na força do baixo de Edmondson e em como Waltteri Väyrynen é um baterista muito, mas muito acima da média.

A abertura se dá com “Darker Thoughts”, e já digo, não se deixe enganar com os dedilhados de violão, os violinos e os vocais suaves de Nick, pois lá pelos 2 minutos de canção ela explode em peso e rosnados nervosos. Com um refrão fortíssimo, segue alternando entre passagens mais suaves e mais pesadas, criando uma atmosfera etérea. Já tendo sido lançada como single, “Fall from Grace” é a música que mais se aproxima do que o Paradise Lost fez em seus últimos álbuns, esbanjando peso e agressividade, obstante a boa dose de melancolia que é adicionada nos momentos em que os vocais limpos surgem. O solo de Gregor é outro fator de destaque. A faixa seguinte, “Ghosts”, é um mergulho no submundo dos clubes góticos de proliferavam no underground londrino dos anos 80. Seus riffs, sua guitarra atmosférica, o refrão grudento, tudo remete a cena gótica do período. É a prova da capacidade única que o Paradise Lost possui de mesclar suas influências de Pós-Punk e Goth Rock com Metal. “The Devil Embraced” alterna muito bem vocais limpos nos versos com os rosnados de Nick no refrão, gerando assim um clima bem sombrio e melancólico. Se prestar atenção, você vai conseguir sentir um pouco daquela aura do Gothic aqui.


“Forsaken” vai remeter o ouvinte diretamente aos tempos do Draconian Times com seus riffs fortes e marcantes, clima gélido e um trabalho de bateria que beira o primoroso. Na sequência, uma das músicas mais brutas do álbum, “Serenity”, um Death/Doom com guitarras pesadas e vocais intensos, que vai agradar aos mais saudosistas. Mostrando que o comodismo não é algo que faz parte do seu DNA, o Paradise Lost não tem medo de buscar novos caminhos para sua música, e observamos isso de forma bem clara em “Ending Days”. Por mais que ela tenha todas as características que marcam sua sonoridade, ela não se encaixaria em nenhum trabalho anterior, com seu clima sombrio e sufocante. Aqui, mais uma vez, o baixo e a bateria brilham. Sabe aquele clima Goth Rock de “Ghosts”? Ele ressurge com força na ótima “Hope Dies Young”, com um que de The Sisters of Mercy, e se encaixaria tranquilamente em um álbum como One Second (97). Encerrando a versão padrão do álbum, temos a épica “Ravenghast”. O piano da introdução já dá o tom fúnebre da canção. Com riffs desoladores e clima angustiante, é sem dúvida alguma a faixa mais pesada de todo álbum, e não soaria deslocada no Medusa, por exemplo. Na versão em digipack, temos mais 2 faixas, “Hear the Night” e “Defiler”, que seguem a mesma linha do álbum, abusando do peso e da melancolia.

Podemos dizer sem medo que o Paradise Lost encontrou em Jaime Gomez Arellano o seu parceiro perfeito, já que ele parece entender a sonoridade da banda como poucos produtores nesse mundo. Mais uma vez ele, ao lado da banda, foi o responsável pela produção, e o resultado é simplesmente ótimo. Cada mínimo detalhe pode ser notado, todos os instrumentos estão perceptíveis, tudo claro e cristalino. Ainda sim, não temos aquela sonoridade plastificada e artificial, já que é um álbum bem orgânico nesse sentido. Sombrio, escuro, intenso e melancólico, Obsidian comprova de uma vez por todas que o Paradise Lost não só se encontra em seu auge criativo, como está muito a frente da concorrência. Vivemos uma época tão dura e de tantas incertezas, e que agora tem sua trilha sonora. Uma experiência catártica, e sem dúvida, forte candidato a melhor álbum de 2020.

NOTA: 94

Formação:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria)