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quinta-feira, 8 de julho de 2021

Epica - Ωmega (2021)



Epica - Ωmega (2021)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01 - Alpha - Anteludium
02 - Abyss of Time - Countdown to Singularity
03 - The Skeleton Key
04 - Seal of Solomon
05 - Gaia
06 - Code of Life
07 - Freedom
08 - Kingdom of Heaven Part 3 - The Antediluvian Universes
09 - Rivers
10 - Synergize - Manic Manifest
11 - Twilight Reverie - The Hypnagogic State
12 - Omega - Sovereign of the Sun Spheres

Detratores do Epica vão dizer que já sabem exatamente o que vão encontrar em um álbum dos holandeses. Ele vai começar com uma introdução sinfônica, vai ter uma faixa-título, uma canção na casa dos 10 minutos, bem épica, com seus coros e orquestrações, vocais estilo “bela e fera”, refrões fáceis e claro, aquela baladinha que é “de lei”. Bem, realmente, você vai encontrar tudo isso em Ωmega, não dá para negar. Mas sejamos sinceros, previsibilidade só é ruim, quando a música é igualmente ruim, e esse não é o caso aqui. Ao contrário, para quem é amante de Metal Sinfônico, o 8º álbum de estúdio do Epica vai agradar muito.

Desde The Divine Conspiracy (07) que o Epica vem refinando e aperfeiçoando o seu som, lançamento após lançamento, e isso fez com que a banda chegasse em um ponto onde sua sonoridade é inconfundível e facilmente identificada. A verdade é que você não encontra uma banda que soe como eles, que possa se dizer que faça um som idêntico, mesmo que todos os clichês do Metal Sinfônico estejam presentes em suas músicas. Isso só reforça o que eu digo, que o problema não é se utilizar de clichês, mas a forma como você o faz. Aqui é tudo muito bem feito.

Como de praxe, estamos diante de um álbum muito consistente, onde, sobre uma base Power/Prog Sinfônica, a banda agrega elementos de estilos diversos, como Thrash, Death, Black, Folk e até mesmo música étnica. Tudo isso surge salpicado em momentos pontuais nas canções. As orquestrações, simplesmente bombásticas, ficaram a cargo da The City of Prague Philharmonic Orchestra, e soam épicas. Ainda sim, aquele equilíbrio entre as partes sinfônicas e o Heavy Metal, se faz presente, muito em virtude dos riffs, que soam bem pesados em diversos momentos. Os coros, que como em álbuns anteriores, foram obra do PA'dam Chamber Choir, estão mais exuberantes do que nunca. Todos os músicos encontram espaço para brilhar individualmente em algum momento do álbum, mas Simone Simons se sobressai, isso é algo inegável. A cada lançamento ela consegue brilhar mais com sua voz.



O álbum começa com o prelúdio sinfônico “Alpha - Anteludium”, que cumpre bem o seu papel de preparar o ouvinte para o que está por vir. É a calmaria que antecede a tempestade. “Abyss of Time - Countdown to Singularity” já chega com os guturais de Mark Jansen alternando com os vocais líricos de Simone. É como se estivéssemos diante de um jogo de luz e sombras, que por mais que alguns possam julgar clichê, é muitíssimo bem feito. Não podemos deixar de citar as belíssimas orquestrações e as melodias agradáveis. Decididamente, um bom início. Na sequência, temos uma das faixas mais marcantes do álbum, “The Skeleton Key”, pesada, com um refrão marcante, e simplesmente perfeita para a voz de Simone Simons. “Seal of Solomon” chega mesclando orquestrações bombásticas com melodias orientais, com um resultado incrível. Os coros também se destacam, e os urros de Jansen se alternam com a voz de Simone durante toda a música, em uma espécie de Yin e Yang. “Gaia” já começa com um ótimo coro, e se mostra bem variada, equilibrando bem o peso do Metal com as partes sinfônicas. A excelente “Code of Life” começa com um prelúdio oriental - que conta com a participação de Zaher Zorgati, do Myrath -, que aos poucos vai se fundindo com as orquestrações, se mantendo assim durante toda a música. As melodias vocais também são um ponto de destaque.

A segunda metade do álbum abre com a pesada e grooveada “Freedom - The Wolves Within”, com um bom trabalho das guitarras e um refrão que te pega fácil. Vale destacar também os coros, simplesmente ótimos. Na sequência, o ponto álbum do álbum, a excelente “Kingdom of Heaven Part 3 - The Antediluvian Universes”. É sem dúvida alguma o ponto central do trabalho, e, apesar dos seus mais de 13 minutos - que você nem percebe passar -, se mostra bem direta, além de esbanjar peso. Em certas passagens, a banda resvala de leve no Death Metal, e se não acredita, basta fazer a audição. Ariën van Weesenbeek se superou no trabalho de bateria dessa faixa. “Rivers” é a balada do álbum, altamente emocional, com lindas orquestrações, e performance primorosa de Simone Simons. “Synergize - Manic Manifest” tem ótimos riffs, e um trabalho memorável de baixo e bateria, com direito inclusive a blast beats. Para encerrar o álbum, temos “Twilight Reverie - The Hypnagogic State”, onde Simone domina a música do início ao fim, e a excelente “Omega - Sovereign of the Sun Spheres”, uma das grandes composições da carreira da banda, diversificada, pesada e refinada.


No quesito produção, o Epica não arriscou, e mais uma vez ela ficou a cargo de Joost van den Broek, que também fez a mixagem do trabalho. Da mesma forma, masterização foi realizada novamente por Darius van Helfteren. O resultado é aquele que o fã já está acostumado, ou seja, tudo muito limpo, cristalino e asséptico, o que pode incomodar aqueles que apreciam algo com mais vida. Ainda sim, vale dizer que se comparada com o álbum anterior, The Holographic Principle, ela soa mais viva. Já a bonita capa é obra de Stefan Heilemann, outro que vem trabalhando com a banda faz algum tempo.

O resultado de  Ωmega está dentro daquilo que todo fã do Epica espera e sonha. Um álbum de composições fortes, variadas, mas que segue o padrão Epica de fazer música. Não vou ousar e dizer que esse é o melhor trabalho de sua carreira, mas sem dúvida alguma, é o mais bem estruturado, eficiente e equilibrado. Simplesmente imperdível para os fãs da banda.

Epica é:
Simone Simons (vocal)
Mark Jansen (guitarra/orquestrações/vocal)
Isaac Delahaye (guitarra/vocal)
Coen Janssen (teclado/piano/orquestrações)
Rob van der Loo (baixo)
Ariën van Weesenbeek (bateria)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Avantasia – Moonglow (2019)


Avantasia – Moonglow (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Ghost in the Moon
02. Book of Shallows
03. Moonglow
04. The Raven Child
05. Starlight
06. Invincible
07. Alchemy
08. The Piper at the Gates Of Dawn
09. Lavender
10. Requiem for a Dream
11. Maniac
12. Heart (faixa bônus)

Quando Tobias Sammet se aventurou ao lançar as duas partes de The Metal Opera, no início dos anos 2000, não poderia imaginar a proporção que tudo tomaria. Prova disso é que originalmente, o Avantasia havia sido concebido em sua cabeça apenas para esses álbuns. Pois bem, a coisa vingou de tal forma, que hoje chega ao seu 8º álbum de estúdio. Sempre se cercando de músicos consagrados, e apresentando uma música um tanto quanto pomposa e exagerada, alternou entre ótimos álbuns e outros um tanto burocráticos, por mais que nos 2 últimos, The Mystery of Time (A Rock Epic) (13) e Ghostlights (16), as coisas tenham melhorado consideravelmente.

Apesar de levemente mais contido nesse sentido, mais uma vez temos uma ótima seleção de músicos convidados. Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate, Bob Catley e Michael Kiske já são velhos conhecidos dos fãs do Avantasia, e a eles são acrescidos os estreantes Hansi Kürsch, Mille Petrozza e Candice Night. São nomes que dispensam apresentações e estão entre as principais vozes da música pesada, não só na atualidade, como em todos os tempos. Dá para notar também que temos uma maior variedade vocal nessa lista, o que acabou por abrir mais possibilidades em matéria de composição.


A música do Avantasia sempre teve em sua base aquele Power Metal tipicamente europeu, carregado de pompa e exageros estilísticos, mas que por algum motivo funcionou muito bem no início. Com o passar dos lançamentos, esse lado pomposo foi aumentado com a inclusão de elementos de Hard Rock oitentista, Pop, elementos orquestrais e de musicais da Broadway, chegando ao auge em Moonglow. Isso poderia ser o prenúncio de um desastre, mas surpreendentemente funciona muito bem. Um dos motivos disso é sem dúvida alguma, a irritante capacidade que Tobias possui de compor refrões grudentos. Mesmo quando a música não empolga, mesmo quando você se esforça para não gostar do que está ali, surge lá, do nada, aquele refrão empolgante e cativante, te fazendo cantar junto contra a sua vontade. Sério, isso deveria estar no código penal, ser considerado crime.

Brincadeiras a parte, a variedade maior de vozes deu a Sammet mais abertura para explorar e expandir suas ideias. Isso só fez bem ao Avantasia. Tudo aqui se mostra mais diversificado, o que é ótimo. Nos vocais, Tobias se sai bem e tem um desempenho até superior ao que apresentou nos últimos álbuns, tanto de seu projeto quanto do Edguy. Entre os convidados, alguns destaques são óbvios. Geoff Tate está cantando como a muito não fazia, enquanto Jørn Lande, Bob Catley e Michael Kiske nos entregam exatamente o esperado. Petrozza trouxe uma dose de agressividade em sua participação, e Candice mostra uma voz forte. Hansi Kürsch está bem mais contido que nos álbuns do Blind Guardian, mas ainda sim consegue aparecer bem. Eric Martin poderia ter tido um pouco mais de espaço, mas brilha quando tem chance. Já Ronnie Atkins tem espaço para brilhar, mas surpreendentemente acaba não saindo muito do padrão, não brilhando como o esperado.

De cara, temos a ótima “Ghost in the Moon”, canção pomposa, com aqueles exageros esperados, mas que funciona de forma brilhante. É como se estivéssemos diante de um Savatage com toques de Pop e de musicais. E que refrão! A faixa seguinte, “Book of Shallows”, une Tobias, Atkins, Lande, Kürsch, Petrozza. É um Power Metal mais clássico, veloz, com boas melodias e ótimo refrão. As partes cantadas por Mille trazem um peso a mais para a canção, e o que teria tudo para soar esquisito e dar errado, acaba funcionando de uma forma irritantemente boa. “Moonglow” conta com o dueto entre Candice e Sammet, e se mostra uma faixa bem forte, fugindo daquele estereótipo de “balada delicada com vocal feminino”. “The Raven Child” não só é a maior música do álbum, como também a mais diversificada. Com seus mais de 11 minutos, passeia pelo Power e possui elementos de música Celta. Jørn Lande e Hansi Kürsch brilham, e acabam sendo o grande diferencial da canção. Já “Starlight”, com Ronnie Atkins, é uma canção bem padrão e que não foge muito do lugar-comum.


Na sequência temos a suave balada conduzida pelo piano, “Invincible” e a pesada “Alchemy”, onde o grande destaque fica por conta de Geoff Tate, que brilha nos vocais. O bom resultado é maximizado pela forma como sua voz e a de Sammet harmonizam. “The Piper at the Gates Of Dawn” é um Power metal básico e que procura não inventar. É a que conta com mais participações, já que tem seus vocais divididos entre Tobias, Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate e Bob Catley. Justamente por isso, todos acabam tendo menos tempo do que mereciam para brilhar, mas isso não chega a comprometer o resultado. Se não mostrou tudo que podia na canção anterior, em “Lavender”, Bob Catley simplesmente brilha. Pesa também ao seu favor o fato da música possuir qualidades, como os bons coros e os teclados, que encaixam muito bem as partes orquestrais. “Requiem for a Dream” tinha tudo para ser um Power Metal padrão e sem sal, mas tem nos vocais ninguém menos que Michael Kiske, e isso por si só já salva a canção. “Maniac”, cover para a canção de Michael Sembello, e que foi trilha sonora do filme Flashdance (81), acaba soando um pouco deslocada dentro do contexto do álbum, mas é divertida, principalmente pelo inusitado da escola. Encerrando, temos a bônus “Heart”, um tributo ao Journey da fase Steve Perry.

Como sempre, a produção e mixagem ficaram por conta de Sascha Paeth, com masterização de Michael “Miro” Rodenberg. O resultado é aquele que esperamos, com tudo claro, limpo, cristalino, mas ainda sim pesado, afinal, estamos falando de um álbum de Heavy Metal. A belíssima capa é obra de Alexander Jansson, e é certamente a melhor que já vi em um álbum do projeto. Não vou mentir, quando peguei para escutar Moonglow, estava com os 2 pés atrás, afinal, os trabalhos anteriores não haviam me conquistado, mas ao final da audição, me deparei com o melhor trabalho do Avantasia em tempos. Um álbum fácil de escutar, divertido, com tudo aquilo que se espera vindo dele, e com aqueles irritantes refrões que ficam dias na sua cabeça. O que mais um fã pode querer?

NOTA: 83

Avantasia é:
- Tobias Sammet (vocal/baixo/teclado/piano/orquestrações)
- Sascha Paeth (guitarra/teclado/piano/orquestrações)
- Michael "Miro" Rodenberg (teclado/orquestrações)
Musicos convidados:
- Felix Bohnke (bateria)
- Ronnie Atkins (vocal nas faixas 2, 5, 8)
- Jørn Lande (vocal nas faixas2, 4, 8)
- Eric Martin (vocal nas faixas 8, 11)
- Geoff Tate (vocal nas faixas 6, 7, 8)
- Michael Kiske (vocal na faixa 10)
- Bob Catley (vocal nas faixas 8, 9)
- Candice Night (vocal na faixa 3)
- Hansi Kürsch (vocal nas faixas 2, 4)
- Mille Petrozza (vocal na faixa 2)
- Nadia Birkenstock (harpa celta)
- Oliver Hartmann (guitarra)

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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Dimmu Borgir - Eonian (2018)


Dimmu Borgir - Eonian (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Unveiling
02. Interdimensional Summit
03. Ætheric
04. Council Of Wolves And Snakes
05. The Empyrean Phoenix
06. Lightbringer
07. I Am Sovereign
08. Archaic Correspondence
09. Alpha Aeon Omega
10. Rite Of Passage

O que é Black Metal? Uma música visceral, odiosa, anticomercial e niilista? Certamente sim. Hoje o Dimmu Borgir se encaixa nisso? Sinceramente não. Isso é um absurdo, um crime inafiançável? Nunca. Aliás, é curioso observar uma parcela do público criticando os noruegueses nesse sentido, e usando os anos 90 como parâmetro para tal fala. Quem viveu a época do lançamento de Enthrone Darkness Triumphant (97), por exemplo, escutou esse mesmo discurso por parte dos fãs de Black Metal do período. Para eles, a banda já havia abandonado os padrões do estilo e não merecia receber tal rótulo. Hoje esse mesmo álbum é utilizado como parâmetro por seus detratores, para dizer que hoje são mais uma banda do estilo. O mundo dá voltas.

Segundo a linha de pensamento de Heráclito de Éfeso (535 a.C. - 475 a.C.), ninguém entra duas vezes em um mesmo rio, já que na segunda vez, tanto a pessoa quanto o rio já se modificaram. Não são mais as mesmas águas, não se é mais o mesmo ser. O mundo está em movimento constante, tudo flui, tudo é dinâmico e nada pode ficar parado. O Dimmu Borgir completou em 2018, 25 anos de carreira, e nada mais normal que depois de mais de duas décadas, certas coisas mudassem. Então se você alimentava uma volta ao passado depois de um hiato de 8 anos sem um álbum de inéditas, certamente vai se decepcionar, pois, o que temos aqui é um passo evolutivo em relação ao seu trabalho anterior, o contestado por muitos, Abrahadabra (10).


Hoje o Dimmu Borgir é em sua essência, uma banda de Metal Sinfônico. Isso pode ser decepcionante para alguns, mas não diminui em nada o trabalho dos noruegueses. Eonian não é um álbum fácil, e confesso que em uma primeira audição, a chave não virou de imediato. Senti que existia muito mais naquelas 10 canções do que a minha sensação inicial, e decidi que não teria pressa com o mesmo. Vou dizer que foi a melhor escolha que fiz. Dessa vez Shagrath (vocal), Silenoz e Galder (guitarras), mais uma vez acompanhados de Gerlioz (teclado) e Daray (bateria), acertaram a mão em cheio quanto ao equilíbrio do lado Metal e o Sinfônico. Ao contrário de seu trabalho anterior, as guitarras soam pesadas e não ficam soterradas pelos arranjos orquestrais e corais. Você consegue focar suas atenções nos riffs, que em alguns casos sim, remetem ao passado Black Metal da banda, assim como nos demais instrumentos.

O álbum abre com “The Unveiling”, que possui em sua introdução os elementos industriais já conhecidos no trabalho da banda. Galder e Silenoz se saem muito bem nas guitarras, entregando bons riffs, que conseguem se destacar no meio de tanta coisa acontecendo. A participação do Schola Cantorum, mais uma vez responsáveis pelos corais, causam impacto quando surgem. A 1ª vez que escutei “Interdimensional Summit”, senti certa decepção, pois, a achei pomposa em demasia e com cara de sobra do Abrahadabra. Com o tempo essa percepção foi se alterando. Melódica, grudenta, versátil e com um refrão grandioso (responsabilidade dos corais), acabou se tornando uma das minhas faixas preferidas. “Ætheric” é o que podemos chamar de um Black 'n' Roll. Riffs frios e pegajosos, mudanças de tempo bem interessantes e corais simplesmente bombásticos a colocam em uma posição de destaque no álbum.

“Council Of Wolves And Snakes” se mostra densa e com bastante refinamento. As guitarras trazem bom peso, e elementos tribasi são adicionados, através da percussão, a cargo de Martin Lopez (Soen, ex-Opeth), e de vocais xâmanicos executados por Mikkel Gaup. Os teclados de Gerlioz também assumem uma posição de destaque e são responsáveis por algumas passagens bem atmosféricas e etéreas. “The Empyrean Phoenix” é o que podemos chamar de um jogo de luz e sombras. Possui aquela escuridão típica do Black Metal, com guitarras que nos entregam riffs sombrios e um tanto gélidos, mas, ao mesmo tempo, os corais e as partes sinfônicas iluminam a canção, dando até mesmo certo ar dramático à mesma. “Kings of Carnival Creation” encontra-se com “Mourning Palace”. Pode soar exagerado, mas essa é realmente uma boa definição para “Lightbringer”. Os teclados dão um ar atmosférico, as guitarras e a percussão te hipnotizam. Tem aquele ar malévolo do Dimmu Borgir antigo, mas adaptado para uma nova realidade sonora.


“I Am Sovereign” é certamente o momento mais Black de todo o álbum, já que várias passagens pendem para o estilo. Sim amigos, aqui você consegue ter vislumbres daquela faze noventista da banda. Épica, dramática e melancólica, possui algumas melodias orientais bem interessantes. Já “Archaic Correspondence” tem uma abordagem ligeiramente mais minimalista da coisa, com guitarras pesadas e bons desempenhos da bateria e do teclado. “Alpha Aeon Omega” me levou aos tempos de Death Cult Armageddon (03), e possui aquele ar grandioso típico de uma música como “Progenies Of The Great Apocalypse”. Aliás, desde Puritanical Euphoric Misanthropia (01), todo álbum do Dimmu possui uma música com essa pegada. O final se dá com a instrumental “Rite Of Passage”, bem melancólica e que passa uma sensação de vazio, de solidão, em que ouve.

Produzido pela própria banda, o álbum teve a coprodução do onipresente, onipotente e oniciente Jens Bogren, que também foi responsável pela mixagem. A masterização foi realizada por Tony Lindgren. O resultado é excelente, já que apesar de termos uma infinidade de coisas ocorrendo ao mesmo tempo, em nenhum momento a música fica confusa. A capa foi obra de Zbigniew M. Bielak (Ghost, Behemoth, Paradise Lost, Deicide), com layout sob a supervisão do brasileiro Marcelo Vasco e Shagrath. Durante a audição, é nítida a paixão de todos pela música que executam, e isso é certamente responsável por fazer desse um material divertido de se escutar. Mais épico e sinfônico do que tudo já feito agora, mas sem os exageros cometidos no passado, com corais e elementos orquestrais majestosos, ótimas melodias e guitarras que dão peso as composições, esse é simplesmente sua obra mais ambiciosa até então. Sem dúvida, seu melhor e mais sólido álbum dos últimos 15 anos.

NOTA: 86

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (vocal/teclado);
- Silenoz (guitarra/baixo);
- Galder (guitarra/baixo).

Dimmu Borgir (gravação):
- Shagrath (vocal/teclado/baixo);
- Silenoz (guitarra/baixo);
- Galder (guitarra/baixo);
- Daray (bateria);
- Gerlioz (teclado);
- Martin Lopez (percussão na faixa 4);
- Mikkel Gaup (vocl na faixa 4).

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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Epica - The Solace System (EP) (2017)


Epica - The Solace System (EP) (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. The Solace System
02. Fight Your Demons
03. Architect Of Light
04. Wheel Of Destiny
05. Immortal Melancholy
06. Decoded Poetry

Não nego que por muito tempo eu tinha os dois pés atrás com o Epica. Por mais que eu soubesse que seus fãs amavam álbuns como The Phantom Agony (03) e Consign to Oblivion (05), a banda realmente não me empolgava. Por mais ridículo que possa soar o que vou falar agora, para mim não passava “daquela banda holandesa com a vocalista ruiva bonitinha pela qual o povo aí fica babando”. E sinceramente, continuei com essa visão meio tosca até o lançamento de Requiem for the Indifferent (12), o álbum que disparou um gatilho interno e de certa forma me tornou fã do trabalho do sexteto formado hoje por Simone Simons (vocal), Mark Jansen (guitarra/vocal), Isaac Delahaye (guitarra/vocal), Rob van der Loo (baixo), Coen Janssen (teclado) e Ariën van Weesenbeek (bateria/vocal).

A maturidade musical que o Epica vem mostrando desde então é algo que me impressiona. Mais do que nunca, souberam trazer sua música para os tempos atuais, mas sem deixar de lado qualquer uma de suas características básicas, e seu trabalho anterior, The Holographic Principle (16) é a maior prova disso. E o que temos aqui em The Solace System é a continuação natural deste, até porque as músicas aqui presentes foram compostas na mesma época e só não entraram no álbum por uma questão limitação de espaço do CD, e de o formato de CD duplo não ser algo do agrado da banda. Dessa forma, optaram por guardar as canções e soltar um EP em 2017.

O mais legal é que, apesar de teoricamente serem sobras de estúdio, na prática todas poderiam ter entrado em The Holographic Principle sem qualquer problema. A qualidade das 6 músicas aqui presentes é exatamente a mesma do trabalho principal, o que acaba por fazer desse um material que o fã precisa ter em sua coleção, já que não se trata de um simples caça-níquel. Os vocais de Simone estão ali, no centro de tudo, brilhando cada vez mais, e as orquestrações e coros são definitivamente grandiosos. As guitarras soam pesadas, e com uma sonoridade bem moderna, o que dá um diferencial à banda, pois sua música não soa parada no tempo. É esse peso que acaba por colocar o Epica bem à frente da concorrência, já que o Sinfônico nunca prevalece sobre as guitarras, mas sim as complementa. É um álbum de Heavy Metal acima de tudo.


Definir as 6 canções aqui presentes é muito simples. É um Power/Prog Metal Sinfônico, com alguns elementos típicos do Death Metal surgindo aqui e ali, pesado, agressivo e grandioso, com partes sinfônicas e coros bombásticos e impactantes. Abrindo o EP temos “The Solace System”, que de cara nos entrega corais explosivos (que perpassam toda a canção), seguidos de guitarras pesadas e ótimas melodias. Se a abertura já impressiona, o que dizer da música seguinte, “Fight Your Demons”. As orquestrações e coros são de cair o queixo, acompanhadas de muito peso, melodias grudentas e com uma dinâmica vocal muito boa. Por mais que seja algo clichê, essa mistura dos vocais de Simone com os guturais de Jansen funciona com perfeição para o Epica. “Architect Of Light” mantém o nível do EP no alto, com ótimas guitarras e um refrão empolgante, enquanto “Wheel Of Destiny” se mostra bem variada, esbanjando peso e energia. “Immortal Melancholy” é uma balada muito emocional e bonita, baseada na guitarra, algo que não me lembro da banda ter feito antes (sempre tiveram como base para as baladas o Piano), e encerrando,  “Decoded Poetry”, mais uma a nos entregar muito peso unido a orquestrações marcantes e grandiosas.

Toda a parte de produção ficou por conta de Joost van den Broek e Jacob Hansen, e em nada difere do que tivemos em The Holographic Principle, até porque como já dito, tudo saiu das mesmas sessões de gravação. A capa, novamente ficou por conta de Stefan Heilemann, e também remete em alguns aspectos à do trabalho anterior. O Epica, mais do que tudo, soa enérgico e intenso, e mesmo com tanta coisa ocorrendo ao mesmo tempo, a verdade é que suas canções conseguem soar bem orgânicas e naturais, algo raro nos dias de hoje. E que bom que resolveram presentear seus fãs com tais músicas, pois seria um pecado músicas de tamanha qualidade ficarem esquecidas.

NOTA:91

Epica é:
- Simone Simons (vocal)
- Mark Jansen (guitarra/vocal)
- Isaac Delahaye (guitarra/vocal)
- Rob van der Loo (baixo)
- Coen Janssen (teclado)
- Ariën van Weesenbeek (bateria/vocal)

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Edenbridge - The Great Momentum (2017)


Edenbridge - The Great Momentum (2017)
(Shinigami Records/ SPV Steamhammer - Nacional)


1. Shiantara
2. The Die Is Not Cast
3. The Moment Is Now
4. Until the End of Time
5. The Visitor
6. Return to Grace
7. Only a Whiff of Life
8. A Turnaround in Art
9. The Greatest Gift of All

De toda aquela grande leva de bandas de Metal Sinfônico com vocalistas femininas surgidas no final dos anos 90 e início dos anos 2000, poucas se mantiveram fiéis à sua sonoridade original. Com quase 20 anos de carreira, o austríaco Edenbridge é um desses raros exemplos. Capitaneado pela vocalista Sabine Edelsbacher e pelo guitarrista Lanvall, fugiram pouca coisa da fórmula que estabeleceram ainda em seu primeiro trabalho de estúdio, o ótimo Sunrise in Eden (00). O que para muitos poderia ser um grave problema, acaba sendo uma das grandes vantagens do grupo sobre a concorrência.

The Great Momentum é o 9º álbum de estúdio do Edenbridge e vem para suceder o burocrático The Bonding (13), uma das raras patinadas do grupo em quase duas décadas de estrada (a outra é Aphelion, de 2003). Fico me perguntando como uma banda que lançou trabalhos clássicos dentro do seu estilo (e que podem bater de frente com os melhores álbuns do Nightwish e Epica), como o já citado Sunrise in Eden e, principalmente, Shine (04) e The Grand Design (06), pode não ser tão reconhecida como deveria, enquanto bandas com uma carreira muito mais inconstante e menos inspirada (alguém ai gritou Within Temptation?) conseguem ter mais visibilidade. Bem, a vida nem sempre é justa.

Antes de tudo, precisamos falar sobre Sabine. Lanvall, com todo o seu talento, até pode ser a alma do Edenbridge, mas ela é sem dúvida o coração da banda. Cantando melhor do que nunca, consegue imprimir emoção às canções, além de adaptar sua voz ao que cada música pede, soando mais agressiva quando preciso, e mais emocional quando isso se faz necessário. Mais do que as partes sinfônicas ou as guitarras, ela é a peça central da música do grupo austríaco. O trabalho das guitarras aqui por sinal é ótimo, já que em momento algum abrem mão do peso, com Lanvall e Dominik Sebastian formando um bela dupla. E sobre o primeiro, mesmo quando se aventura em outros instrumentos, como baixo, teclado e piano, o resultado é igualmente ótimo. Suas orquestrações são simplesmente bombásticas e fazem a felicidade de qualquer amante do gênero. O estreante baterista Johannes Jungreithmeier mostra ao que veio e bate pesado, além de dar bastante variedade ao seu instrumento.

Vale dizer que como de praxe, trabalham muito bem as melodias aqui. Aliás, é indiscutível que esse sempre foi um dos diferenciais da banda. Em The Great Momentum, procuraram dar uma boa variedade ao material, existindo uma boa alternância entre faixas com uma pegada mais Power Metal com outras onde o lado mais emocional predomina. Se na visão de alguns isso pode quebrar um pouco o ritmo, por outro evita que tudo se torne cansativo e repetitivo. Ponto para eles. E, mais uma vez, recorreram a uma orquestra real para a gravação das partes sinfônicas. Aqui a participação foi da Junge Philharmonie Freistadt. Esse tipo de opção deixa inegavelmente o som mais vivo, mais forte e orgânico. Soa infinitamente superior a samples de estúdio.


A abertura, com “Shiantara”, já nos dá um panorama geral do trabalho. Riffs e bateria pesados, arranjos orquestrais de bom gosto e que soam bombásticos, os vocais incríveis de Sabine e aquele equilíbrio perfeito entre o lado Metal e o Sinfônico da banda. A fórmula está posta e é muitíssimo bem utilizada daqui em diante. A sequência, com “The Die Is Not Cast” é um dos pontos altos do álbum. Atmosfera pesada, ótimos riffs, orquestrações e coros bem encaixados e variados, certo clima oriental em alguns momentos e ótimos solos, tanto de teclado quanto de guitarra. “The Moment Is Now” consegue soar acessível, mas sem perder seu lado mais pesado e agressivo. As melodias aqui são ótimas e possui um riff realmente cativante. A belíssima Power Ballad “Until the End of Time” conta com um dueto entre Sabine e o vocalista Erik Martensson, que a deixa ainda mais emocional. Após esse breve descanso, o lado mas pesado e agressivo volta a das as caras com “The Visitor”, que se destaca pelo trabalho das guitarras e pelas orquestrações.

“Return to Grace” já chega de cara explicitando suas influências de música oriental e soa muito enérgica. Com riffs bem agressivos e um solo muito bom, possui um ótimo arranjo de cordas e um desempenho implacável de Johannes Jungreithmeier, que mostra bem ao que veio durante toda a canção. A adrenalina abaixa um pouco com outra balada, “Only a Whiff of Life”. Não entendam mal, ela é linda, suave, transborda emoção através da voz de Sabine, mas poderia ter sido deixada como bônus, até porque antecede o grande momento de The Great Momentum (ah vá, foi um trocadalho do carilho hahahaha), a dobradinha composta por “A Turnaround in Art”, pesada, com ótimos riffs e algumas das melhores orquestrações do álbum, e “The Greatest Gift of All”, o ápice de todo o trabalho. Simplesmente épica, consegue soar suave, emotiva e emocional, mas sem perder o peso, algo importante no trabalho do Edenbridge. Os vocais de Sabine estão incríveis e o piano está muito bem encaixado, ajudando demais nesse lado mais emotivo citado acima. E meus amigos, que orquestrações, que coros! Tudo aqui é grandioso. Sem dúvida, uma das melhores canções da carreira dos austríacos.

A produção ficou a cargo de Lanvall, que fez a mixagem ao lado de Karl Groom. Já a masterização foi realizada pelo ótimo Mika Jussila, no lendário Finnvox Studio, na Finlândia. E que produção, amigos. Clara, limpa, cristalina, mas pesada. Seu grande mérito é sem dúvida, deixar a guitarra sempre em primeiro plano, mesmo nos momentos em que as orquestrações se fazem mais presentes. E convenhamos, em um álbum de Metal, nada mais justo que a guitarra estar à frente, mantendo o lado Metal como protagonista do trabalho. A bela capa foi feita em parceira por Anthony Clarksson e o baterista Johannes Jungreithmeier, que também foi o responsável por todo layout do encarte.

Não, The Great Momentum não é o melhor trabalho do Edenbridge, até porque esse posto é disputado por Shine e The Grand Design, mas ainda sim é um álbum de altíssimo nível e que supera em muito os últimos lançamentos de outros pares renomados do estilo. Não espere inovação ou grandes mudanças estilísticas, até porque não são afeitos a isso, mas se você aprecia Power Metal Sinfônico, esse é um CD obrigatório na sua coleção.

NOTA: 8,5

Edenbridge é:
- Sabine Edelsbacher (vocal);
- Lanvall (guitarra/teclado);
- Dominik Sebastian (guitarra);
- Johannes Jungreithmeier (bateria).

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Beyond the Black - Lost In Forever (Tour Edition) (2017)


Beyond the Black - Lost In Forever (Tour Edition) (2017)
(Hellion Records - Nacional)


01. Lost In Forever
02. Beautiful Lies
03. Written In Blood
04. Against The World
05. Beyond The Mirror
06. Halo Of The Dark
07. Dies Irae
08. Forget My Name
09. Burning In Flames
10. Nevermore
11. Shine And Shade
12. Heaven In Hell
13. Love's A Burden
14. The Other Side
15. Dim The Spotlight
16. Our Little Time
17. Rage Before The Storm

Não dá para negar que a cena do Metal Sinfônico estagnou nos últimos anos e, salvo raras exceções, a maior parte dos trabalhos é comum e repete os mesmos clichês de sempre do estilo. Sendo assim, não deixa de ser uma surpresa que uma banda novata, como a alemã Beyond the Black, possa estar fazendo um relativo barulho desde o lançamento de seu debut, Songs of Love and Death (15). E por que digo isso? Elementar, meu caro Watson (sim, temos um Xeroque Holmes aqui), isso se dá porque não apresentam absolutamente nada de novo em matéria de sonoridade.

O Beyond the Black, se aproveitando dos bons resultados obtidos por seu álbum de estreia, não quis perder muito tempo, já partindo quase que imediatamente para estúdio, soltando assim já no início do ano passado o seu segundo trabalho, Lost In Forever, que ganhou agora uma Tour Edition, com 4 faixas bônus e que está sendo lançado no Brasil pela Hellion. Nele, seguiram quase à risca aquele ditado do “não se mexe em time que está ganhando”, já que pouca coisa mudou em relação a Songs of Love and Death. Efetivamente, as únicas diferenças aqui se dão pela participação de Rick Altzi (At Vance, Masterplan), que divide os vocais com Jennifer Haben em “Beautiful Lies” e por uma maior quantidade de vocais masculinos agressivos, se aproximando um pouco nesse sentido do que faz, por exemplo, o Epica.

Basicamente, são canções que seguem a fórmula padrão do Metal Sinfônico, com boas partes melódicas, bom trabalho de guitarra, em canções claramente orientadas para os refrões fortes e de fácil assimilação e principalmente, para a ótima Jennifer Haben, que já pode ser colocada sim entre as principais vozes femininas do Metal. Tudo isso acaba dando uma boa dose de acessibilidade à sonoridade do Beyond the Black (e que pode incomodar um pouco no início), mesmo que não abram mão do peso na maior parte do tempo. Para que a audição não se torne cansativa, optaram por alternar canções mais “épicas” com (semi) baladas, o que ajuda muito no final, já que sem isso, as chances do trabalho se tornar maçante seriam grandes.


Na maior parte do tempo, você fica com aquela sensação do “já ouvi isso antes”, já que boa parte das canções soa familiar aos ouvidos mais acostumados com o estilo. “Lost In Forever” é uma boa faixa de abertura, graças às partes sinfônicas, que ficaram muito boas, e ao refrão para lá de grudento. O bom equilíbrio entre as orquestrações e o lado Metal dão o tom em “Beautiful Lies”, que conta com a já citada participação de Rick Altzi, que acaba dando um bom diferencial à canção. Já “Written In Blood”, além de possuir peso, tem um refrão que empolga. A sequência composta pelas ótimas “Halo Of The Dark” e “Dies Irae” é outro destaque aqui, pela energia que passam. Outra que vale a pena citar é “Heaven In Hell”, que se destaca não só pelo seu peso, como por possuir uma boa dose de agressividade. Já entre as 4 canções que vieram de bônus, os destaques ficam por conta da bela balada “The Other Side” e principalmente “Rage Before The Storm”, divertida e com um refrão daqueles forjado sobre medida para todos cantarem nos shows da banda.

Falta identidade ao Beyond the Black? Sim, já que durante toda a audição, nomes como Nightwish, Epica, After Forever e Withim Temptation virão à sua cabeça. Isso se torna um grande problema? No final das contas, nem tanto, e por dois motivos simples: a honestidade com a qual tocam e, principalmente, a energia que imprimem em suas canções. Isso acaba por compensar a já citada sensação do “já ouvi isso antes” que perdura por toda a audição de Lost In Forever. Um fato curioso é que, após o lançamento do trabalho no ano passado, a banda passou por uma reformulação radical, só ficando Jennifer da formação que gravou esse álbum.

O Beyond the Black possui um potencial razoável de crescimento e pode se tornar tão grande quanto um Epica, por exemplo. Basta ter mais calma e no próximo lançamento, trabalhar um pouco mais as canções, sem a correria para lançar um novo álbum em um curto espaço de tempo. E claro, ousar um pouco mais, já que ter uma identidade própria não mata ninguém.

NOTA: 7,0

Beyond the Black (gravação):
- Jennifer Haben (vocal);
- Nils Lesser (guitarra);
- Christopher Hummels (guitarra/vocal);
- Erwin Schmidt (baixo);
- Tobias Derer (bateria);
- Michael Hauser (teclado).

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Tarja - The Shadow Self (2016)


Tarja - The Shadow Self (2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. Innocence
02. Demons in You
03. No Bitter End
04. Love To Hate
05. Supremacy (Muse Cover)
06. The Living End
07. Diva
08. Eagle Eye
09. Undertaker
10. Calling From The Wild
11. Too Many
12. Hit Song (Hidden Track)

Esse ano de 2016 tem sido cheio para os fãs da finlandesa Tarja, afinal, além de The Shadow Self, já tivemos o EP Innocence e The Brightest Void, um álbum-prévia, que contava com algumas canções inéditas, outras já conhecidas de sua carreira, mas que ainda não haviam sido lançadas em Cd e versões diferentes de canções que aqui entraram, além de alguns covers. Como vemos, uma fartura de lançamentos.

Tarja havia prometido que esses seriam os materiais mais pesados de sua carreira até então, algo que pudemos realmente comprovar em The Brightest Void e que se mantém em The Shadow Self, já que o Metal se faz muito mais presente aqui do que em trabalhos anteriores. As participações especiais também são fartas e enriquecem o resultado final. Se não bastasse contar com músicos do calibre de Doug Wimbish (baixo, Living Colour), Mike Terrana (bateria, ex-Masterplan, ex-Rage, ex-Yngwie J. Malmsteen, dentre outros), Max Lilja (cello, ex-Apocalyptica) e Alex Scholpp (guitarra, Sinner), ainda temos aqui nomes como Chad Smith (baterista, Red Hot Chili Peppers), Alissa White-Gluz (vocalista, Arch Enemy) e Fernando Scarcella (baterista, Rata Blanca), dentre muitos outros.

Mas claro que quando falamos em peso, não estamos nos referindo a nada exagerado, já que em momento algum o trabalho perde a acessibilidade que dele se espera. Na maior parte do tempo, o Metal e o Clássico se equilibram muito bem e Tarja procura cantar de forma bem mais natural, tornando assim os vocais líricos menos presentes, algo que do meu ponto de vista é muito positivo. Claro que nem tudo são flores, já que em alguns momentos tal mescla de estilos não funciona tão bem, ficando tudo um pouco demarcado demais, mas não é nada que comprometa o resultado final, já que possivelmente apenas os mais ranzinzas como eu irão se incomodar com tal fato.




“Innocence”, faixa de abertura, é um retrato fiel do álbum. Acessível, com uma guitarra simples, funcional e que imprime o peso necessário, além de uma parte orquestral exuberante.  Outras que seguem bem esse modelo são “Love To Hate”, “Undertaker” e “Supremacy”, essa última um cover do Muse no qual, para variar, a finlandesa consegue imprimir sua identidade. Já “Demons in You” começa com uma levada que remete ao Funk Rock (conta com Chad na bateria), mas logo adquire uma pegada bem moderna e pesada, com direito a participação de Alicia, que divide os vocais no refrão com Tarja. Outra com um peso extra é “Calling From The Wild”, com um belo trabalho de guitarra. “The Living End” se mostra uma bonita balada, enquanto “Diva” já não funciona tão bem, soando um pouco maçante. Outra que não funciona é “Too Many”, faixa que encerra o álbum e sem dúvida o momento mais experimental do mesmo. Se você deixar o Cd rolando após o final da mesma, vai se deparar com uma faixa escondida, mas que não acrescenta muita coisa (apesar do peso).

Mas os dois grandes destaques de The Shadow Self são “No Bitter End” e “Eagle Eye”, faixas presentes em The Brightest Void e que aqui estão em suas versões finais. A primeira se mostra acessível, mas com ótimos riffs e um ótimo refrão. Realmente me empolgou. Já a segunda, além do ótimo dueto entre Tarja e seu irmão Tony, ganhou uma dose extra de peso. Supera em muito a versão anterior.

A produção, como não poderia deixar de ser, é excelente, conseguindo equilibrar muito bem todos os elementos da música de Tarja, tendo sido responsabilidade dela, do seu marido Marcelo Isaac Cabuli e de Tim Palmer (Ozzy Osbourne, Sepultura), que também  cuidou da mixagem. Já a masterização ficou por conta de Justin Shturtz (Jag Panzer, Thunderstorm) e a capa foi obra do Büro Dirk Rudolph.

Posso dizer sem medo que The Shadow Self é o melhor trabalho de Tarja até hoje. Conseguindo equilibrar bem o Clássico e o Metal, injetando mais peso as suas canções, mas sem perder a acessibilidade e soando muito mais natural que no passado, esse é um álbum que vai não só agradar em cheio aos fãs da finlandesa, como também tem potencial para agradar aqueles que até então não haviam se sentido atraídos por seu trabalho.

NOTA: 8,0

Tarja é:
- Tarja Turunen (vocal, piano);
- Alex Scholpp (guitarra);
- Doug Wimbish (baixo);
- Mike Terrana (bateria);
- Christian Kretschmar (teclado);
- Max Lilja (cello).

Gravação:
- Tony Turunen (vocal na faixa 8);
- Julián Barrett (guitarra e violão nas faixas 2, 5, 8 e 11);
- Luis Conte (percussão nas faixas 3, 6, 7 e 8);
- Chad Smith (bateria nas faixas 2, 3 e 11);
- Alissa White-Gluz (vocal na faixa 2);
- Fernando Scarcella (bateria nas faixas 2, 5 e 7);
- Tim Palmer (guitarra e violão nas faixas 3 e 10, teclado nas faixas 1, 3 e 4);
- Jim Dooley (guitarra de 12 cordas na faixa 6);
- Kevin Chown (baixo nas faixas 1, 2, 3 e 5 e baixo acústico na faixa 6);
- Anders Wollbeck (teclado nas faixas 1 e 7);
- Guillermo d'Medio (teclado nas faixas 4, 6, 9 e 10);
- Atli Örvarsson (programação na faixa 9);
- Jetro Vainio (programação na faixa 11);
- Izumi Kawakatsu (piano na faixa 1);
- Marcelo Isaac Cabuli (orgão na faixa 7);

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Epica - The Holographic Principle (2016)


Epica - The Holographic Principle (2016)
(Nuclear Blast - Importado)


01. Eidola   
02. Edge of the Blade   
03. A Phantasmic Parade   
04. Universal Death Squad   
05. Divide and Conquer    
06. Beyond the Matrix    
07. Once upon a Nightmare    
08. The Cosmic Algorithm   
09. Ascension - Dream State Armageddon    
10. Dancing in a Hurricane   
11. Tear Down Your Walls    
12. The Holographic Principle - A Profound Understanding of Reality

Logo que o Epica surgiu com seus primeiros trabalhos, eu não conseguia entender a empolgação de muitos com seu som. Seu Metal Sinfônico era muito mais sinfônico do que qualquer outra coisa e as guitarras eram apenas mero detalhe meio às partes orquestrais e ao vocal operístico de Simone Simons, por mais que ainda assim soassem mais pesados que seus pares. Mas desde Requiem for the Indifferent (12), já com o guitarrista Isaac Delahaye fazendo parte efetivamente do grupo, isso começou a mudar paulatinamente e a guitarra começou a ganhar mais espaço nas canções.

Em seu trabalho anterior, The Quantum Enigma (14), o Epica parecia ter chegado a seu ápice, unindo suas características básicas com um som pesado, moderno e atual, tudo soando absurdamente natural (resenha aqui). Pois bem, perceberam que eu disse “parecia”? The Holographic Principle vem para mostrar que os holandeses podem voar ainda mais alto do que imaginei. Em seu 8º trabalho de estúdio, sua sonoridade alcançou um padrão que eu realmente não imaginava que conseguiriam.

Claro, ainda temos aqui aquela fórmula básica de como fazer uma canção do Epica, ou seja, abertura orquestrada/grandiosa, peso mesclado com elementos do Progressivo, que dão complexidade às músicas, seguido de um refrão que cativa fácil o ouvinte. A banda criou um estilo todo seu, que as outras por mais que tentem imitar, não conseguem igualar. Ajuda muito nisso também a qualidade individual de todos os seus músicos e o fato de todos terem voz na parte criativa. É isso que impede o Epica de se tornar uma banda repetitiva.



Aqui parece que conseguiram maximizar ainda mais tudo de bom que já apresentavam. Os coros estão simplesmente perfeitos e as orquestrações estão um show à parte. Pesa nisso o fato de terem trocado os samples por instrumentos reais, o que deu uma outra profundidade às suas canções. Além disso, tudo soa mais pesado e como de praxe, elementos de diversos outros estilos podem ser observados aqui. Quer um exemplo?

Podemos observar a influência de música oriental em diversas passagens por aqui, como na cativante  “A Phantasmic Parade”, que conta com uma parte de coro e orquestra simplesmente fabulosa, além de ótimos guturais de Mark (algo que você vai escutar bastante nesse trabalho) e principalmente na hipnótica  “Dancing in a Hurricane”, que faz jus ao título. Outro? “Ascension - Dream State Armageddon” começa com um piano e os vocais de Simone e vai crescendo aos poucos, até explodir em peso, chegando em alguns trechos a remeter àquele Black Sinfônico praticado pelo Dimmu Borgir (muito disso graças aos teclados, simplesmente fantásticos). Já “The Cosmic Algorithm” é bem Metal e abre espaço para aquele lado mais gótico dos holandeses. Aliás, o peso das guitarras no álbum todo impressiona, se lembrarmos que estamos diante de uma banda de Metal Sinfônico.

Mas existem muitos outros destaques por aqui. “Edge of the Blade” se mostra absurdamente enérgica, com um coral simplesmente incrível e Simone exibindo toda sua diversidade vocal. Vale dizer que em The Holographic Principle ela dá um enfoque muito maior aos vocais convencionais se comparado com o passado mais recente. Mas claro, seus poderosos vocais operísticos se mantêm mais que presentes durante os mais de 72 minutos de duração do álbum. Esse aspecto também pode ser observado em “Universal Death Squad”, bem intrincada, com melodias bem marcantes e ótimos guturais de Mark. “Beyond the Matrix” é outra na qual você pode pescar alguns elementos orientais nas guitarras, além de possuir um ótimo solo e o refrão mais épico do álbum. Já “Once upon a Nightmare” é uma balada que tinha tudo para soar melosa, mas que o piano/teclado de Coen Janssen, os vocais de Simone e as orquestrações e corais acabam por torná-la um dos grandes destaques de todo o trabalho. Já a faixa título, que encerra o trabalho com seus mais de 11 minutos de duração, consegue reunir tudo de bom que aqui encontramos em uma única canção, sendo o resumo e encerramento perfeito para o álbum.


Como em time que está ganhando não se mexe, na produção repetiram o time do álbum anterior, tendo a mesma sido capitaneada por Joost van den Broek (After Forever, ReVamp, Mayan, Xandria) e mixagem realizada por Jacob Hansen (Evergrey, Destruction, Pyramaze, Kamelot, Primal Fear), que conseguiram elevar ainda mais o resultado obtido em The Quantum Enigma. Ficou tão perfeita que eu diria ter tirado até um pouco da naturalidade da coisa. Infelizmente esse é um mal dos tempos atuais, mas não dá para discutir a qualidade da mesma. A premissa de não mexer no que está dando certo funcionou também para a capa, aqui feita mais uma vez por Stefan Heilemann.

The Holographic Principle é desses trabalhos que devemos degustar com calma, apreciando todas as suas nuances. Com canções muito bem construídas e pesadas, corais excelentes, orquestrações poderosas e que deram muita profundidade às canções, por serem tocadas com instrumentos reais, além de um desempenho individual de todos os músicos aqui envolvidos, o Epica entrega aos seus fãs o melhor trabalho de sua carreira, seu projeto mais grandioso e ambicioso.

E aos interessados, o CD está saindo no Brasil pela Voice, com primeira edição em digipack duplo, limitado e numerado.

NOTA: 9,0

Epica é:
- Simone Simons (vocal);
- Mark Jansen (guitarra/vocal)
- Isaac Delahaye (guitarra)
- Rob van der Loo (baixo)
- Ariën van Weesenbeek (bateria/vocal)
- Coen Janssen (teclado)

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Darkship – We Are Lost (2016)


Darkship – We Are Lost (2016)
(Independente - Nacional)


01. The Universe Conspires
02. Black Tears
03. I Can Wait For You
04. Different Days
05. We Are Lost
06. Prison Of Dreams
07. II Hearts
08. You Can Go Back
09. Eternal Pain
10. Frozen Feelings

Não é mistério para ninguém que o Rio Grande do Sul sempre foi um dos maiores celeiros de bandas de Metal do Brasil. A quantidade de nomes de qualidade surgidos pelos pampas gaúchos é enorme e precisaria de uma resenha inteira apenas para citar os mesmos. O sexteto Darkship, que nos apresenta seu debut, We Are Lost, é mais um nome apto a entrar nessa lista.

A sonoridade da banda tem em sua base o Metal Sinfônico, mas mesclando o mesmo com diversos outros estilos, na tentativa de assim afastar sua música do lugar comum que caíram as bandas desse estilo na atualidade. Sendo assim, aqui você encontrará ecos de Metal Tradicional, Prog, Power, Gothic, Modern Metal e até mesmo algumas melodias de acento um pouco mais Pop no que tange algumas linhas vocais. O resultado acaba sendo bem interessante, dando certa cara própria à música do Darkship.

Por mais que as canções sejam bem marcantes e consigam cativar o ouvinte, não dá para negar que o principal foco da música do Darkship é sua dupla de vocalistas, Joel Milani e Sílvia Cristina Schneider Knob. Ambos executam um trabalho muito bom, dando grande variedade às composições. As guitarras também se saem muito bem, com bons riffs e solos, além de boas bases, méritos de Ismael Borsoi. A parte rítmica, com Rodrigo Schafer e Joel Pagliarini é a principal responsável por imprimir peso às músicas, além de dar variedade às mesmas, enquanto os teclados de Andrei Kunzler surgem sempre de forma muito equilibrada, bem encaixados e sem cometer exageros.

Como já dito, temos boa diversidade musical, possuindo passagens mais pesadas e agressivas, outras mais sinfônicas e grandiosas e até mesmo algumas mais introspectivas, acústicas. Aponto como minhas preferidas, "Black Tears", "Different Days", "We Are Lost", "Prison Of Dreams", "You Can Go Back" e "Eternal Pain".

A produção tem boa qualidade e está dentro da média do que vemos por aí, tendo deixado tudo audível e pesado. Como o encarte peca pela falta de informações, não posso informar os nomes responsáveis pelo bom trabalho. Já a belíssima capa é mais um grande trabalho de Carlos Fides (Artside Studio), sendo mais um ponto a favor de We Are Lost. Ao final, temos um álbum coeso, com boa diversidade musical e que soa moderno, apesar das referências mais tradicionais. Uma estreia com o pé direito de uma banda muito promissora.


NOTA: 8,0

Darkship é:
- Joel Milani (Vocal)
- Sílvia Cristina Schneider Knob (Vocal)
- Ismael Borsoi (Guitarra)
- Rodrigo Schafer (Baixo)
- Joel Pagliarini (Bateria)
- Andrei Kunzler (Teclado)

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Metal Media (Assessoria)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Tarja – Luna Park Ride (2015) (CD/DVD)


Tarja – Luna Park Ride (2015) (CD/DVD)
(Shinigami Records – Nacional)


CD1
01. Dark Star
02. My Little Phoenix
03. The Crying Moon
04. I Walk Alone
05. Falling Awake
06. Signos (Soda Stereo cover)
07. Little Lies
08. Underneath
09. Stargazers (Nightwish cover)
10. Ciarán's Well
11. In for a Kill
12. Where Were You Last Night / Heaven Is a Place on Earth / Livin' on a Prayer (Medley)
13. Die Alive
14. Until My Last Breath
15. Wishmaster (Nightwish cover)

CD2
01. In for a Kill
02. I Walk Alone
03. Archive of Lost Dreams
04. Crimson Deep
05. I Feel Immortal
06. The Siren (Nightwish cover)
07. Until My Last Breath
08. 500 Letters
09. Damned & Divine
10. Neverlight
11. Anteroom of Death feat. Van Canto
12. Never Enough
13. Die Alive
14. Victim of Ritual

Tarja é um nome que dispensa apresentações, graças ao respeito que angariou entre os fãs de Metal pelo seu trabalho no Nightwish, onde participou dos principais clássicos da banda. É curioso como em alguns momentos nem nos damos conta que já faz 11 anos que o rompimento se deu e que muita água já passou por debaixo da ponte. Hoje a finlandesa já possui uma carreira mais que consolidada, com diversos trabalhos solos lançados e certamente possui fãs por ai que sequer a viram em sua ex-banda.

Luna Park Ride foi gravado no ano de 2011, em Buenos Aires e o repertório cobre os álbuns pós-Nightwish lançado até então pela cantora, My Winter Storm (07) e What Lies Beneath (10). Confesso a vocês que sou um tanto crítico quanto à carreira solo de Tarja, pois a mesma é bem diversificada e acabo sentindo falta de um pouco mais de peso em suas canções, mas isso é muito mais uma percepção pessoal minha. Acho tudo muito limpo, muito certinho. Não sou louco de afirmar que a mesma não possui qualidades. Dessa forma, algo que me chamou bem a atenção aqui, tanto no CD quanto no DVD, foi o fato de que ao vivo as canções soam mais pesadas, mais “Metal”, isso valendo inclusive para o desempenho vocal de Tarja. Essa é certamente a maior virtude desse trabalho.

Vale destacar aqui a ótima qualidade da banda que a acompanha, com destaque inevitável para o monstro Mike Terrana, que esbanja técnica e imprime peso às músicas. Os destaques da apresentação ficam por conta de “Dark Star”, “I Walk Alone”, “Falling Awake”, “Ciarán's Well”, “Until My Last Breath”, o cover de “Signos”, do argentino Soda Estereo, o medley “Where Were You Last Night / Heaven Is a Place on Earth / Livin' on a Prayer”, além de “Stargazers” e “Wishmaster”, ambas do Nightwish. Já no CD2 temos um apanhado de apresentações em diversos festivais europeus, como Summer Breeze, Wacken, dentre outros, captados entre 2010 e 2014. Aqui os destaques ficam principalmente com “The Siren” (outro cover de sua ex-banda) e com a parceria de Tarja com o Van Canto, em “Anteroom of Death”.

No DVD, temos exatamente o mesmo conteúdo dos Cd’s e ali podemos visualizar com uma ótima qualidade de imagem tudo que escutamos anteriormente, com destaque para a ótima variedade de câmeras e a qualidade de captação tanto de imagem quanto de som. Material muito bem produzido por Tarja e Mic, com mixagem do experiente Tim Palmer (Sepultura, Ozzy Osbourne) e masterização de Svante Forsback. O nível é altíssimo. Vale destacar também a belíssima parte gráfica, responsabilidade de Buro Dirk Rudolph (capa), Alexander Mertsch e Groothuis (Layout).

Ao final, temos um material de inegável qualidade e simplesmente imperdível tanto para os fãs de Tarja, quanto para os de Nightwish e o melhor de tudo, agora em versão nacional. Ou seja, você que é fã não tem mais desculpa para não contar com esses materiais em seu acervo. Está esperando o quê?

NOTA: 8,0

Tarja é:
- Tarja (Vocal)
- Alex Scholpp (Guitarra)
- Doug Wimbish (Baixo)
- Mike Terrana (Bateria)
- Christian Kretschmar (Teclado)
- Max Lilja (Violoncelo)

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quarta-feira, 9 de março de 2016

Nightwish - Century Child (2002)


Nightwish - Century Child (2002/2016)
(Hellion/Nomade Records)


01. Bless The Child
02. End Of All Hope
03. Dead To The World
04. Ever Dream
05. Slaying The Dreamer
06. Forever Yours
07. Ocean Soul
08. Feel For You
09. The Phantom Of The Opera
10. Beauty Of The Beast
Bonus Track
11. Lagoon
12. THe Wayfarer
13. Bless The Child (Edit)
14. End Of All Hope (Live)
15. Dead To The World (Live)

Apesar do momento de crise vivido pelo país e os downloads ilegais terem atingido com força a venda de Cd's, vemos um curioso movimento por parte das gravadoras nacionais, que andam inundando o mercado não só com lançamentos, como também com diversos relançamentos. Posto isso, a Hellion, em parceira com a Nomade Records, relançou o quarto álbum de estúdio do Nightwish, Century Child, datado originalmente de 2002 (já haviam lançado anteriormente em parceira com a MTI os dois trabalhos anteriores, Oceanborn e Wishmaster) e contando com 5 faixas bônus.

Century Child é o que podemos chamar de trabalho de transição. Na maioria das vezes, tais trabalhos tendem a ser confusos, já que o artista vem passando por uma fase de mudança em sua sonoridade, carregando na mesma elementos tanto de sua fase passada como da que está por vir, mas felizmente essa tendência não deu as caras aqui. Se comparado com os dois trabalhos que o antecederam, considerados verdadeiros clássicos pelos fãs da banda, esse é um álbum bem mais cadenciado, pesado e menos Power Metal, inclusive com os vocais de Tarja bem mais contidos (ao menos na maior parte do tempo), mas se o colocarmos frente aos seus sucessores, temos um trabalho menos sinfônico, apesar de contarmos com a participação de uma orquestra inteira aqui. Esse também é o trabalho que marca a entrada do baixista e vocalista Marco Hietala no Nightwish, algo que ao meu ver serviu para enriquecer a sonoridade da banda, por mais que o mesmo tenha sido subexplorado aqui. Seus duetos com Tarja e os demais poucos momentos nos quais surge durante o álbum, serviram para dar uma dinâmica maior a parte vocal, oferecendo a  Tuomas mais opções a serem exploradas nesse quesito (algo mais visível nos álbuns seguintes). Seu trabalho no baixo também se destaca, já que aqui o mesmo soa muito mais pesado que nos três primeiros álbuns.

Como visto, os indícios do que estava por vir já surgiam de forma mais evidente aqui, tanto que esse é sem dúvida um álbum muito mais acessivel que Oceanborn e Wishmaster (ainda que longe da acessibilidade que vimos no seguinte, Once), mas não podemos negar que muitos elementos que marcaram a carreira do Nightwish até então se mantiveram presentes em Century Child. Estão ali os marcantes e inspirados solos de guitarras e teclados, os já citados elementos orquestrais e as letras épicas, por mais que aqui estejam mais introspectivas e escuras que de praxe, algo que se tornou comum a partir de então.

Confesso que quando escutei Century Child na época de seu lançamento, rolou um certo estranhamento inicial. Como já dito, é mais diversificado e cadenciado, com uma mistura de baladas, músicas mais pesadas e algumas canções épicas e Tarja mais contida, cantando de forma bem mais suave do que os fãs estavam acostumados. O tempo foi passando e o trabalho foi me ganhando aos poucos e a medida que fui me tornando mais íntimo das canções, as mesmas foram crescendo em qualidade, sendo que hoje considero esse como sendo o último grande álbum da banda, o suspiro final de genialidade por parte de Tuomas Holopainen como compositor. Os destaques aqui ficam por conta de "Bless The Child", "End Of All Hope" (as duas melhores sem dúvida), "Dead To The World" (com desta para o dueto entre Marco e Tarja), "Ever Dream", "Ocean Soul", "The Phantom Of The Opera" (outro belo dueto, em uma das melhores versões que escutei para a obra de Andrew Lloyd Webber) e a épica "Beauty Of The Beast".

Após Century Child, todos sabemos o que acabou por ocorrer. Primeiro, a chegada ao mainstream com Once, um trabalho que apesar de seus méritos, era muito, mas muito mais acessível que seu antecessor e que vendeu milhões de cópias em todo mundo e depois, Tarja sendo chutada do Nightwish por Tuomas, episódio traumático para boa parte dos fãs e do qual a banda custou a se recuperar. Sendo assim, o que resta é um trabalho onde o velho e o novo se misturaram de uma forma equilibrada, resultando em um belo álbum de Heavy Metal, que mesmo não sendo tão bom quanto Oceanborn e Wishmaster, é desses itens indispensáveis na coleção de qualquer fã do gênero e que acabou por marcar o fim da época de ouro da banda (ao menos no sentido de qualidade musical).

NOTA: 8,5

Formação:
- Tuomas Holopainen (Teclado/Piano)
- Tarja Turunen (Vocal)
- Jukka Nevalainen (Bateria)
- Emppu Vuorinen (Guitarra)
- Marco Hietala (Baixo/Vocal)

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Avantasia – Ghostlights (2016)


Avantasia – Ghostlights (2016)
(Voice Music – Nacional)

01. Mystery of a Blood Red Rose (Tobias Sammet)
02. Let the Storm Descend Upon You (Tobias, Jorn Lande, Ronnie Atkins, Robert Mason)
03. The Haunting (Dee Snider, Tobias)
04. Seduction of Decay (Geoff Tate, Tobias)
05. Ghostlights (Michael Kiske, Tobias, Jorn Lande)
06. Draconian Love (Herbie Langhans, Tobias)
07. Master of the Pendulum (Marco Hieatala, Tobias)
08. Isle Of Evermore (Sharon Den Adel, Tobias)
09. Babylon Vampyres (Tobias, Robert Mason)
10. Lucifer (Jorn Lande, Tobias)
11. Unchain The Light (Tobias, Ronnie Atkins, Michael Kiske)
12. A Restless Heart and Obsidian Skies (Bob Catley, Tobias)

Tenho lá minhas dúvidas se Tobias Sammet imaginou a proporção que o Avantasia tomaria quando do lançamento de seu primeiro trabalho, The Metal Opera, em 2001. De lá pra cá, se seguiram mais 6 trabalhos (contando com Ghostlights) e o Avantasia, que começou como um simples projeto, tomou ares de uma das maiores bandas da história do Power Metal.

Bem, já vou deixando claro a todos, meu parâmetro de qualidade para comparação são os dois The Metal Opera, mas não pelo estilo de música praticado nos mesmos, mas sim pela qualidade das composições presentes em ambos. E bem, posso começar dizendo que se você estiver esperando por um típico trabalho de Power Metal, que remeta em matéria de sonoridade os dois primeiros álbuns, vai se decepcionar um pouco.

Claro que os momentos tipicamente Power se fazem presentes aqui, isso é algo inevitável, mas os elementos Sinfônicos, Progressivos e até mesmo uma ou outra passagem mais puxada para o Hard são encontradas nas canções. O grande problema é que a fórmula adotada por Tobias já está esgotada e em poucas vezes funciona de verdade. Apesar de termos boas melodias, não chegam ser marcantes e os riffs aqui presentes acabam soando um tanto requentados. Os refrões também não estão tão impactantes como em trabalhos anteriores. Tobias se arrisca pouco a sair da receita de bolo criada por ele para o Avantasia.

Um outro pecado foi a grande quantidade de vocalistas, o que impediu que alguns fossem melhores explorados, caso por exemplo de Herbie Langhans, do Sinbreed, que se destaca em um dos momentos no qual Sammet arrisca a sair de sua zona de conforto. Dois nomes aqui se destacam dos demais, Michael Kiske e Jørn Lande. Já no campo oposto, acabam mal aproveitados músicos do quilate de Sharon den Adel (em uma balada insossa) e Bob Catley (faltou um refrão de impacto aqui). Ainda atuaram como convidados, Bruce Kulick e Oliver Hartmann (ex-At Vance), tocando guitarras em algumas faixas e o baterista do Edguy, Feliz Bohnke.

Isso quer dizer que Ghostlights é uma verdadeira arma de destruição em massa de tão ruim e óbvio? De forma alguma, pois Tobias Sammet, mesmo passando a maior parte do tempo acomodado, consegue acertar a mão quando se permite arriscar ou a inspiração está em dia. Vide por exemplo, a já citada participação de Herbie Langhans em “Draconian Love” com momentos tipicamente góticos ou os mais de 12 minutos de “Let the Storm Descend Upon You”, com vocais divididos entre Tobias, Jorn, Ronnie Atkins (Pretty Maids) e Robert Mason (Warrant) e onde ele consegue evitar qualquer tipo de exagero, o que resulta em uma música simplesmente épica. “Master of the Pendulum”, com participação de Marco Hietala (Nightwish), também é outra que se destaca bastante pela agressividade. Já “Mystery of a Blood Red Rose”, única que Tobias canta sozinho, mostra que quando ele quer criar um refrão grudento, poucos conseguem superá-lo, enquanto “Ghostlights” (com Jørn e Kiske) e “Unchain The Light” (Kiske e Atkins) provam que ele não perdeu a mão para compor Power Metal, já que ambas vão empolgar os amantes do estilo.

Ao final, nem 8 e nem 80, mas apenas um álbum do Avantasia que agradará em cheio os fãs da banda e fornecerá mais motivos para os que não curtem denegrirem a mesma (o que julgo injusto). Se você anseia por escutar um novo The Metal Opera, o conselho que te dou é que vá lá na sua estante de CDs, pegue os títulos em questão e os coloque para tocar no som, porque isso não ocorrerá novamente. Sammet não precisa compor novamente esses álbuns, pois já o fez a 15 e 14 anos atrás e a vida seguiu seu curso evolutivo natural. A nota que vou dar pouco importa aqui (ela vai refletir em parte o meu gosto musical), pois se você for realmente for fã da banda, vai aprovar com louvor Ghostlights.

Só lembrando que o álbum está saindo em uma primeira prensagem nacional limitada a 1000 cópias, dupla, embalada em um digipack lindo e numerada a mão. Então corram porque certamente vai vender igual água no Deserto do Saara.

NOTA: 7,5

Avantasia é:
- Tobias Sammet (Vocal/Teclado/Baixo)
- Sascha Paeth (Guitarra/Teclado/Baixo)
- Miro (Teclado/Orquestrações)

Convidados:
- Felix Bohnke (Edguy) (Bateria)
- Herbie Langhans (Sinbreed) (Vocal)
- Robert Mason (Warrant) (Vocal)
- Bruce Kulick (Grand Funk Railroad/Ex-Kiss) (Guitarra)
- Oliver Hartmann (ex-At Vance) (Guitarra)
- Dee Snider (Twisted Sister) (Vocal)
- Geoff Tate (Operation:Mindcrime/ex-Queensrÿche) (Vocal)
- Marco Hietala (Nightwish) (Vocal)
- Sharon den Adel (Within Temptation) (Vocal)
- Michael Kiske (Kiske Somerville/Place Vendome/Unisonic/ex-Helloween) (Vocal)
- Ronnie Atkins (Pretty Maids) (Vocal)
- Bob Catley (Magnum) (Vocal)
- Jørn Lande (Allen-Land/ex-Masterplan)


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