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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Sabaton - The Great War (2019)


Sabaton - The Great War (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. The Future Of Warfare
02. Seven Pillars Of Wisdom
03. 82nd All The Way
04. The Attack Of The Dead Men
05. Devil Dogs
06. The Red Baron
07. Great War
08. A Ghost In The Trenches
09. Fields Of Verdun
10. The End Of The War To End All Wars
11. In Flanders Fields


Existem as bandas clichês, e existe o Sabaton. Quando você coloca um CD dos suecos para tocar, já sabe exatamente o que escutará, pois, desde a estreia com Primo Victoria (05), adotaram uma fórmula musical da qual não abrem mão. Estruturas, progressões, escalas, riffs, melodias, refrões, absolutamente tudo por aqui é reciclado álbum após álbum. Poucas bandas conseguem ser tão previsíveis. Posto tudo isso, só me cabe fazer a pergunta valendo 1 milhão de reais: como, com todos esses aspectos que jogariam qualquer trabalho na vala comum do Metal genérico, o Sabaton consegue ser tão legal, viciante e divertido? Sabe aquela banda que você sente raiva de gostar das músicas e dos álbuns? Pois é…

Completando 20 anos de carreira em 2019, o Sabaton não teve medo de arriscar, e para comemorar tal marca, lançou seu projeto mais ambicioso. The Great War não é só um trabalho conceitual que trata da 1ª Guerra Mundial, ou “A Grande Guerra”, ou “A Guerra para acabar com todas as Guerras”, como ficou conhecida. Nada mais do que 3 versões do álbum foram lançadas, a padrão, a History Edition, onde as canções são antecedidas por uma narração explicando o contexto histórico das mesmas, e uma versão intitulada The Soundtrack To The Great War, que conta apenas com versões 100% orquestradas das músicas, e participação de Floor Jansen (Nightwish) na abertura e em alguns vocais adicionais que surgem aqui e ali. Vale dizer que essa última só está disponível para quem adquirir a The Great Box Edition. No Brasil, a Shinigami está lançando as duas primeiras, a versão padrão em acrílico, e a History Edition em digipack. Material imperdível para colecionadores e fãs da banda.

Mas deixemos de enrolação. Quando fiquei sabendo que o 9º álbum de estúdio do Sabaton se trataria de um trabalho conceitual a respeito da Grande Guerra, confesso que fiquei temeroso. Meu medo não vinha de alguma dúvida a respeito da competência dos suecos para tal, mas receava a forma como um momento tão pesado da história da humanidade, um evento que consumiu e destruiu a vida de milhões, seria abordado pela banda, já que ela se notabilizou por uma abordagem mais grandiosa e heroica dos fatos. Felizmente, conseguiram se sair muito bem, já que apesar desses momentos se fazerem presentes, ao tratarem de histórias individuais, o lado sombrio da guerra  permeia toda a audição. A Grande Guerra não é glorificada, e suas vítimas são tratadas com o respeito que merecem por parte do Sabaton.


Musicalmente, qualquer um que conheça a banda sabe o que vai encontrar aqui: Power Metal com elementos sinfônicos, vocal bem característico, riffs pesados – e requentados dos trabalhos anteriores –, bons solos, guitarras que passam boa parte do tempo “tocando” as linhas vocais, refrões fortes, acompanhados de coros e teclados bem encaixados. É aquele já falado mais do mesmo irritantemente divertido, que te deixa com a sensação de já ter escutado aquilo antes em algum álbum anterior, mas que quando você se dá conta, está cantando junto e tocando sua air guitar pela sala. Para não dizer que o Sabaton se limitou apenas a simples repetição, chamou-me a atenção o fato de que os coros e orquestrações se fazem mais presentes. São vários os momentos em que eles suplantam os teclados, responsáveis por dar um toque de Hard/Glam a muitas canções. Isso torna The Great War um álbum mais épico, se comparado com seus antecessores recentes, Heroes (14) e The Last Stand (16). Em relação a este último, vale dizer que empolga muito mais, pois não sofre tanto com os altos e baixos que se faziam presentes no mesmo.

A abertura se dá com “The Future Of Warfare”, que trata da introdução do Tanque de Guerra nos campos de batalha, focando nas batalhas de Flers-Courcelette (1916) e Villers-Bretonneux (1918). É uma abertura sólida, no melhor estilo Sabaton, com um bom trabalho de bateria e coros grandiosos e bombásticos. “Seven Pillars Of Wisdom” trata da figura de Lawrence da Arábia, britânico que lutou ao lado das forças árabes, contra o Império Otomano. É um dos pontos altos do álbum, com suas ótimas guitarras, melodia empolgante e um refrão forjado cuidadosamente para grudar na cabeça de quem escuta por dias a fio. “82nd All The Way” trata da figura do Sargento Alvin York, soldado americano mais condecorado da 1ª Guerra, e do episódio ocorrido na Ofensiva Meuse-Argonne (1918), onde comandando um destacamento de apenas 16 homens, destruiu 32 metralhadoras, matando 28 militares alemães e capturando outros 132. É aquele típico Power Metal da banda, com refrão marcante e sem grandes novidades.

“The Attack Of The Dead Men” aborda a Batalha da Fortaleza de Osowiec (1915), onde, com intenção de erradicar os cerca de 900 defensores russos, os alemães bombardearam a mesma com armas químicas. Para a surpresa dos 7 mil soldados alemães que avançaram em sua direção, julgando que já não encontrariam grande resistência, 100 russos, totalmente desfigurados, tossindo sangue e pedaços de seus próprios pulmões, o que dava aos mesmos uma aparência de zumbis, surgiram em uma contra-carga, causando grandes baixas as forças alemãs. É uma canção que foge um pouco do padrão, por soar mais épica, com boas guitarras, e cativa o ouvinte com certa facilidade. “Devil Dogs” trata dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, na Batalha de Belleau Wood (1918), onde se mostraram implacáveis contra as tropas da Alemanha. Sabe aquela canção 100% reciclada, que está presente em todos os trabalhos do Sabaton. Esse é o melhor exemplo que posso dar disso.


“Red Baron” trata de Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, ou se preferir, o famoso Barão Vermelho, responsável por 80 mortes confirmadas de aliados em combates aéreos durante a 1ª Guerra. De ritmo rápido, divertida e com refrão que beira a perfeição, possui um Hammond que dá um clima setentista e a tira do lugar-comum ao qual estamos acostumados. Se prepare, vai se pegar cantando essa música de primeira. “Great War” trata do sofrimento que a guerra causa, e tem seu foco na Batalha de Passchendaele (1917), ou Terceira Batalha de Ypres, uma das maiores carnificinas da Grande Guerra, custando algo entre 500 e 800 mil vidas. Pesada, épica, colossal e com um refrão bem marcial, é dessas canções forjadas para o público cantar junto nos grandes festivais, e acredite, isso vai acontecer. “A Ghost In The Trenches” trata de Francis Pegahmagabow, soldado mais condecorado da história militar canadense, e atirador mais efetivo da 1ª Guerra. É creditado a ele, a morte de 378 alemães, e a captura de mais de 300. É outra canção padrão da banda, com aquelas passagens cativantes que já são esperadas.

“Fields Of Verdun” trata da Batalha de Verdun (1916), travada por mais de 300 dias, sendo assim a maior e mais longa de toda a Grande Guerra na Frente Ocidental. É um Power Metal empolgante, pesado, com boas guitarras e claro, com aquele refrão maroto feito para eu, você e todo mundo cantar junto. E vamos cantar! Na sequência, talvez o momento mais grandioso e épico da carreira do Sabaton, “The End Of The War To End All Wars”. Grandiosa, recheada de belas orquestrações e corais, e com vocais que ajudam a dar um ar sombrio a canção, ela é o retrato perfeito de uma guerra que vitimou entre 15 e 20 milhões de pessoas, quase metade delas civis, e ainda deixou cerca de 23 milhões de feridos. Encerrando, “In Flanders Fields”, onde o poema do soldado canadense John McCrae, morto da Grande Guerra, é cantado por um coral “a capella”. Uma justa e belíssima homenagem que dá voz a todos que tombaram durante o conflito.

Produzido pela banda, gravado e mixado por Jonas Kjellgren (Amorphis, Hypocrisy, Immortal, Katatonia e o próprio Sabaton), e com masterização realizada por Maor Appelbaum (Angra, Candlemass, Faith No More, Halford), temos aqui a melhor produção já feita em um trabalho dos suecos. Cada detalhe pode ser notado, mas sem que isso afete o peso e deixe a sonoridade excessivamente artificial. A bela capa é mais uma vez, obra de Péter Sallai (Accept, Cavalera Conspiracy, Hammerfall, W.A.S.P.), e retrata com perfeição o clima do álbum. Com canções dinâmicas, que vão direto ao ponto e entregam o que o fã espera, o Sabaton comemora seus 20 anos de carreira em alto nível, deixando claro que ainda tem muita munição para gastar nos próximos anos. Encerro essa resenha com as palavras escritas por um tenente francês, que veio a falecer na Batalha de Verdum, para que assim, quem sabe, consigamos entender o horror de uma guerra.

“A Humanidade é louca. Tem de ser louca para fazer o que está a fazer. Que massacre! Que cenas de horror e carnificina! Não encontro palavras para exprimir as minhas emoções. O Inferno não deve ser tão mau. Os homens são loucos!”

NOTA: 89

Sabaton é:
- Joakim Brodén (vocal/teclado)
- Chris Rörland (guitarra)
- Tommy Johansson (guitarra)
- Pär Sundström (baixo)
- Hannes Van Dahl (bateria)

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Beast in Black - From Hell With Love (2019)


Beast in Black - From Hell With Love (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. Cry Out For A Hero
02. From Hell With Love
03. Sweet True Lies
04. Repentless
05. Die By The Blade
06. Oceandeep
08. True Believer
09. This Is War
10. Heart Of Steel
11. No Surrender
12. Killed By Death (Motörhead cover) (bonus)
13. No Easy Way Out (Robert Tepper cover) (bonus)

Formado após a saída de Anton Kabanen do Battle Beast, devido as famosas diferenças pessoais e criativas, o Beast in Black é visto por muitos como uma continuação do trabalho do guitarrista em sua ex-banda. Convenhamos, é algo meio difícil de se negar quando se escuta o debut, Berserker, lançado em 2017, já que ele possui uma abordagem que aproxima demais às duas bandas. Com a boa receptividade do trabalho de estreia, criou-se uma expectativa óbvia pelo que viria a seguir, afinal, o desafio do segundo álbum já derrubou muitos nomes promissores e valorosos por aí. Pois bem! Esse não foi o caso aqui.

Para From Hell With Love, Kabanen e cia não inventarem e apresentam o que sabem fazer de melhor. O ouvinte vai se deparar com aquela mistura equilibrada de Heavy/Power, Hard/AOR e Euro/Synth-pop, aquela estética kitsch dos anos 80, brega, mas extremamente divertida, que rende canções com riffs pesados, bons solos, sintetizadores aos montes, melodias e refrões irritantemente grudentos. Antes de seguir, preciso destacar dois nomes aqui. Yannis Papadopoulos está simplesmente monstruoso. O vocalista grego é o grande diferencial da banda, e só falta fazer chover. Já Kabanen transborda criatividade não só na guitarra, como também nos teclados e nas orquestrações que surgem de forma pontual e inteligente. Por mais que Kasperi Heikkinen (guitarra), Máté Molnár (baixo) e o estreante Atte Palokangas (bateria) sejam ótimos músicos, esses dois são os grandes responsáveis pelo resultado de From Hell With Love.


Exceto pela serena e melancólica balada “Oceandeep”, que remete um pouco a algumas coisas feitas pelo Nightwish, podemos separar as canções aqui presentes em 3 categorias. Primeiro, temos aquelas híbridas, que mesclam muito bem Metal e AOR. São o caso de “Cry Out For A Hero”, com seu refrão grudento e boas melodias; “From Hell With Love”, com aqueles sintetizadores típicos dos anos 80 e bom apelo Pop; “Sweet True Lies”, outra com pegada bem AOR e um refrão que pasmem, poderia ter sido composto por uma Boy band dos anos 90; “Unlimited Sin”, com guitarras pesadas e algo meio Survivor, e “Heart Of Steel”, onde o Sabaton se encontra com algum grupo de Synth-pop. Também temos aquelas canções que poderiam estar em qualquer um daqueles grandes sucessos do cinema dos anos 80, e que assistíamos na Sessão da Tarde. São o caso de “Die By The Blade”, com bons teclados e vocais, e “True Believer”, carregada de elementos Synth-pop e com um bom refrão. Por último, aqueles momentos onde o lado Power Metal fala mais alto. Aqui se encaixam “Repentless”, com seus bons riffs e que poderia estar em qualquer álbum do Sabaton;  “This Is War”, e “No Surrender”, que ainda sim não abre mão do apelo Pop no refrão. De bônus, uma versão corretíssima e muito boa para “Killed By Death”, do  Motörhead, e “No Easy Way Out”, de Robert Tepper, canção Pop que fez parte da trilha sonora de Rocky IV e que aqui ganhou uma dose de peso.

Assim como no debut, produção e mixagem ficaram por conta de Kabanen, e a masterização foi feita por Emil Pohjalainen, guitarrista do Amberian Dawn. O resultado está dentro dos padrões de qualidade atuais, com tudo claro, limpo, mas ainda sim pesado. Já a belíssima capa foi obra de Roman Ismailov. Não vou entrar aqui naquela rivalidade infantil de qual banda é melhor, se o Battle Beast ou o Beast in Black, já que ambas lançaram material de qualidade nos últimos anos, e essa é uma opinião muito pessoal, que vai variar de pessoa para pessoa. O que posso garantir é que  From Hell With Love é um daqueles álbuns saídos diretamente dos anos 80, para o bem e para o mal, e que é diversão garantida para aqueles que apreciam musica pesada de qualidade. Sem qualquer dúvida, um dos álbuns mais “grudentos” de 2019.

NOTA: 86

Beast in Black é:
- Yannis Papadopoulos (vocal);
- Anton Kabanen (guitarra/teclado);
- Kasperi Heikkinen (guitarra);
- Máté Molnár (baixo);
- Atte Palokangas (bateria).

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)


Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Unbroken
02. No More Hollywood Endings
03. Eden
04. Unfairy Tales
05. Endless Summer
06. The Hero
07. Piece of Me
08. I Wish
09. Raise Your Fists
10. The Golden Horde
11. World on Fire
12. Bent and Broken (bônus track)
13. My Last Dream (bônus track)

Desde que surgiu para o mundo, como vencedor do Wacken Metal Battle Contest, em 2010, o Battle Beast começou sua escalada progressiva rumo ao topo, com 3 ótimos álbuns, Steel (11), Battle Beast (13) e Unholy Savior (15). Infelizmente, naquele que parecia o seu melhor momento, o guitarrista e principal compositor, Anton Kabanen, rompeu com a banda alegando divergências irremediáveis, e partiu para um novo projeto, o Beast in Black. As inseguranças e dúvidas geradas com sua partida e em como a banda lidaria com isso, começaram a ser dissipadas com o bom Bringer of Pain (17), seu trabalho mais acessível até então, dadas as doses maiores de influências Pop e Hard/AOR. O peso continuava lá, mas o caminho futuro estava mais que indicado.

Dessa forma, No More Hollywood Endings, seu 5º trabalho de estúdio, é um passo mais do que lógico e esperado, e não deve surpreender ninguém o fato de ser ainda mais acessível e comercial que seu antecessor. Mas calma, isso não quer dizer que a banda abandonou suas raízes metálicas, pois elas ainda se fazem muito presentes. A realidade é que o sexteto finlandês consegue unir de forma muito inteligente, peso e acessibilidade, além de claro, qualidade. É como se estivéssemos diante de um híbrido do Nightwish com o Sabaton e o The Night Flight Orchestra. Elementos sinfônicos são utilizados para dar um clima pomposo e épico, enquanto os teclados de Janne Björkroth dão aquele ar de Hard/AOR as canções. Ao mesmo tempo, o peso das guitarras de Juuso Soinio e Joona Björkroth – quando estas suplantam a força dos teclados –, e da parte rítmica de Eero Sipilä (baixo) e Pyry Vikki (bateria), nos fazem lembrar que estamos diante de um álbum de Heavy Metal. Noora Louhimo é um caso a parte, pois seus vocais são o diferencial do Battle Beast, o que os tira da vala das bandas comuns. Poderosa, variada e acima da média, ela é, me perdoem pelo trocadilho, o coração da besta de batalha finlandesa. 


A abertura, com “Unbroken”, deixa bem clara a proposta atual do Battle Beast. Os elementos sinfônicos dão pompa a canção, as guitarras transmitem energia, peso, enquanto os teclados nos jogam em uma espiral de Hard/AOR, tudo isso acompanhado de um refrão grudento. Se eu tivesse que definir o álbum em apenas uma música, essa seria minha escolha. A cativante “No More Hollywood Endings” se destaca principalmente pelos vocais, melodias marcantes e bom uso dos sintetizadores, enquanto “Eden” é outra que cativa pelas melodias, pela intensidade e pelo peso, já que é um desses momentos onde as guitarras suplantam os teclados. E o refrão, é desses para cantar juntos. Os anos 80 surgem com toda força nas duas canções seguintes, “Unfairy Tales”, com uma leve pegada mais pop, e principalmente com “Endless Summer”, uma daquelas baladas cafonas que as bandas de Glam do período faziam com perfeição. O diferencial é que os vocais de Noora salvam a música da breguice. “The Hero” é uma canção forte, com boas guitarras e teclados, enquanto a ótima “Piece of Me”, com seus vocais mais agressivos e ótimos riffs, me remeteram aos melhores momentos da carreira solo de Doro. “I Wish” é uma balda com certa pompa e melancolia, mas que não empolga muito; “Raise Your Fists” é um Heavy correto e com bons riffs, enquanto a bombástica “The Golden Horde” nos remete as raízes Power Metal da banda. Encerrando a versão normal do álbum, temos “World on Fire”, com sua boa energia e melodias cativantes. A versão nacional ainda conta com mais 2 faixas, que saíram na versão em digipack europeia, a açucarada “Bent and Broken”, e a forte “My Last Dream”.

A produção e mixagem foram realizadas por Janne Björkroth, enquanto a masterização ficou por conta de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Entombed A.D., Sonata Arctica), que já havia trabalhado com a banda em seu debut, Steel. O resultado é muito bom, já que aliou uma clareza cristalina com peso, sem deixar aquele ar artificial. Já a capa e todo o layout do encarte, foi mais uma vez obra de Jan "Örkki" Yrlund (Delain, Impaled Nazarene, Korpiklaani, Manowar). Conseguindo equilibrar seu lado mais pesado com o mais acessível, o Battle Beast prova de uma vez por todas com No More Hollywood Endings, que consegue sim, caminhar muito bem sem a força criativa de Anton Kabanen. Mostrando muito daquela força e energia do passado – mesmo com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns –, um futuro muito promissor se descortina diante dos olhos do sexteto finlandês. Agora, é esperar o próximo passo e descobrir se conseguem manter o nível aqui apresentado.

NOTA: 84

Battle Beast é:
- Noora Louhimo (vocal);
- Juuso Soinio (guitarra);
- Joona Björkroth (guitarra);
- Eero Sipilä (baixo);
- Janne Björkroth (teclado);
- Pyry Vikki (bateria).

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Fifth Angel - The Third Secret (2018)


Fifth Angel - The Third Secret (2018) 
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
 
01. Stars are Falling
02. We Will Rise
03. Queen of Thieves
04. Dust to Dust
05. Can You Hear Me
06. This is War
07. Fatima
08. The Third Secret
09. Shame on You
10. Hearts of Stone

Pode ser que você, prezado leitor, nunca tenha ouvido falar do Fifth Angel, mas para aqueles mais íntimos dos porões do Metal oitentista, se trata de um nome de muito valor. Surgida no ano de 1984, na cidade de Seattle – que posteriormente se popularizou pelo movimento grunge –, lançaram dois excelentes álbuns, Fifth Angel (86) e Time Will Tell (89), que fizeram a alegria dos fãs daquele Power Metal tipicamente americano. Infelizmente, após isso, a banda implodiu, e um longo hiato se seguiu. É nesse ponto da história que entra o festival alemão Keep it True. No ano de 2010, após um convite, ocorreu um breve retorno para participação no mesmo, fato que veio a se repetir em 2017. A diferença é que, dessa última vez, a banda recebeu uma oferta da Nuclear Blast para um novo álbum, e bem, aqui estamos nós agora, tratando de The Third Secret.

A primeira coisa que chama a atenção aqui, é que o Fifth Angel gravou como um trio. Da formação oriunda de Time Will Tell, o vocalista Ted Pilot se afastou da música, se tornando cirurgião-dentista, restando os guitarristas Ed Archer e Kendall Bechtel, o baixista John Macko e o baterista Ken Mary (Flotsam and Jetsam, ex-Alice Cooper, ex-Chastain, ex-Impellitteri), sendo que Ed, por questões particulares, não pode participar da gravação. Dessa forma, terminaram reduzidos a um Power Trio, já que Kendall assumiu os vocais. Tudo isso gerou uma série de questionamentos. Como Bechtel se sairia como vocalista? A banda conseguiria manter a pegada dos anos 80, ou o tempo cobraria a fatura? Após a audição, posso garantir sem medo, que os fãs das antigas ficarão satisfeitos com o resultado, e os que ainda não conhecem a banda, terão uma oportunidade de ouro para isso.

Confesso que para mim, o desempenho de Kendall Bechtel é surpreendente. Seus vocais são poderosos, fortes, e vão remeter diretamente a ninguém menos que Ronnie James Dio, mas com alguns toques de Bruce Dickinson aqui e ali. Ele também foi o responsável por cuidar das guitarras, e elas não estão menos que primorosas, com destaque para os riffs, marcantes, e os belíssimos solos. Na parte rítmica, John Macko e Ken Mary conseguem manter o altíssimo nível, com muita solidez, técnica e peso. Musicalmente, temos aquele Power Metal tipicamente americano, que privilegia mais o peso e a agressividade, mas sem deixar as melodias de lado. A identidade sonora da banda se mantêm bem forte, mas soando um pouco mais pesado, o que dá um ar mais atual a suas canções e evita que soam datados. Vale dizer que Kendall saiu da banda, após o lançamento, sendo substituído pelo vocalista Steven Carlson e pelo guitarrista Ethan Brosh. De qualquer forma, que já teve a oportunidade de ver vídeos das apresentações do Fifth nos festivais de verão da Europa nesse ano, sabe que isso não afetou em nada a qualidade, ao menos ao vivo.


De cara, temos a excelente “Stars are Falling”, com seus ótimos riffs, muito equilíbrio entre peso e melodia, além de um refrão muito bom. Por sinal, esse último quesito se repete em todo o álbum. “We Will Rise” é outra que se destaca pelo belo trabalho de guitarras, e tem ótimas melodias vocais. Duvido você não cantar o refrão com o punho erguido e batendo cabeça. A cadenciada e pesada “Queen of Thieves” tem uma vibração meio oriental nas melodias vocais e de guitarra, enquanto “Dust to Dust” é aquele clássico Power Metal da escola americana do estilo, com peso, bons vocais e um ótimo trabalho de bateria. O ritmo cai um pouco com a balada “Can You Hear Me”, que se destaca pelas melodias e pelo refrão forte e marcante, mas volta a subir com a ótima “This is War”, pesada, e com ótimos riffs. Não podemos negar a beleza e qualidade da semi-balada “Fátima”, mas também não dá para discutir que é a canção que menos empolga em todo álbum. “The Third Secret” tem boa cadência, uma linha de baixo forte e teclados muito bem encaixados, além de trazer novamente uma certa vibração oriental em suas melodias. A sequência final abre com o Power “Shame on You”, rápido, cheio de energia e com um ótimo solo, e encerra com “Hearts of Stone”, onde as guitarras e melodias se destacam.

A produção e mixagem ficaram a cargo de Ken Mary, com masterização realizada por Brad Balckwood (Lamb of God, Soulfly, Trivium), com resultados muito bons. Está tudo claro, limpo, audível, mas ainda sim pesado e agressivo. A arte da capa foi obra de Zsofia Dankova (Elvenking, Powerwolf), e o layout foi feito por Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Dimmu Borgir, Kreator, Testament). Não poderia ter ficado menos do que ótimo. Equilibrando muito bem o novo e o antigo, o Fifth Angel entrega aos seus fãs um álbum enérgico, forte e que honra as tradições da banda, e vai agradar em cheio os que apreciam um Power Metal de qualidade. Resta agora esperar pelos passos futuros da banda.

NOTA: 86

Fifth Angel (gravação):
- Kendall Bechtel (vocal, guitarra, teclado)
- John Macko (baixo)
- Ken Mary (bateria/teclado)

Fifth Angel é:
- Steven Carlson (vocal);
- Ed Archer (guitarra);
- Ethan Brosh (guitarra);
- John Macko (baixo)
- Ken Mary (bateria/teclado)

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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Avantasia – Moonglow (2019)


Avantasia – Moonglow (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Ghost in the Moon
02. Book of Shallows
03. Moonglow
04. The Raven Child
05. Starlight
06. Invincible
07. Alchemy
08. The Piper at the Gates Of Dawn
09. Lavender
10. Requiem for a Dream
11. Maniac
12. Heart (faixa bônus)

Quando Tobias Sammet se aventurou ao lançar as duas partes de The Metal Opera, no início dos anos 2000, não poderia imaginar a proporção que tudo tomaria. Prova disso é que originalmente, o Avantasia havia sido concebido em sua cabeça apenas para esses álbuns. Pois bem, a coisa vingou de tal forma, que hoje chega ao seu 8º álbum de estúdio. Sempre se cercando de músicos consagrados, e apresentando uma música um tanto quanto pomposa e exagerada, alternou entre ótimos álbuns e outros um tanto burocráticos, por mais que nos 2 últimos, The Mystery of Time (A Rock Epic) (13) e Ghostlights (16), as coisas tenham melhorado consideravelmente.

Apesar de levemente mais contido nesse sentido, mais uma vez temos uma ótima seleção de músicos convidados. Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate, Bob Catley e Michael Kiske já são velhos conhecidos dos fãs do Avantasia, e a eles são acrescidos os estreantes Hansi Kürsch, Mille Petrozza e Candice Night. São nomes que dispensam apresentações e estão entre as principais vozes da música pesada, não só na atualidade, como em todos os tempos. Dá para notar também que temos uma maior variedade vocal nessa lista, o que acabou por abrir mais possibilidades em matéria de composição.


A música do Avantasia sempre teve em sua base aquele Power Metal tipicamente europeu, carregado de pompa e exageros estilísticos, mas que por algum motivo funcionou muito bem no início. Com o passar dos lançamentos, esse lado pomposo foi aumentado com a inclusão de elementos de Hard Rock oitentista, Pop, elementos orquestrais e de musicais da Broadway, chegando ao auge em Moonglow. Isso poderia ser o prenúncio de um desastre, mas surpreendentemente funciona muito bem. Um dos motivos disso é sem dúvida alguma, a irritante capacidade que Tobias possui de compor refrões grudentos. Mesmo quando a música não empolga, mesmo quando você se esforça para não gostar do que está ali, surge lá, do nada, aquele refrão empolgante e cativante, te fazendo cantar junto contra a sua vontade. Sério, isso deveria estar no código penal, ser considerado crime.

Brincadeiras a parte, a variedade maior de vozes deu a Sammet mais abertura para explorar e expandir suas ideias. Isso só fez bem ao Avantasia. Tudo aqui se mostra mais diversificado, o que é ótimo. Nos vocais, Tobias se sai bem e tem um desempenho até superior ao que apresentou nos últimos álbuns, tanto de seu projeto quanto do Edguy. Entre os convidados, alguns destaques são óbvios. Geoff Tate está cantando como a muito não fazia, enquanto Jørn Lande, Bob Catley e Michael Kiske nos entregam exatamente o esperado. Petrozza trouxe uma dose de agressividade em sua participação, e Candice mostra uma voz forte. Hansi Kürsch está bem mais contido que nos álbuns do Blind Guardian, mas ainda sim consegue aparecer bem. Eric Martin poderia ter tido um pouco mais de espaço, mas brilha quando tem chance. Já Ronnie Atkins tem espaço para brilhar, mas surpreendentemente acaba não saindo muito do padrão, não brilhando como o esperado.

De cara, temos a ótima “Ghost in the Moon”, canção pomposa, com aqueles exageros esperados, mas que funciona de forma brilhante. É como se estivéssemos diante de um Savatage com toques de Pop e de musicais. E que refrão! A faixa seguinte, “Book of Shallows”, une Tobias, Atkins, Lande, Kürsch, Petrozza. É um Power Metal mais clássico, veloz, com boas melodias e ótimo refrão. As partes cantadas por Mille trazem um peso a mais para a canção, e o que teria tudo para soar esquisito e dar errado, acaba funcionando de uma forma irritantemente boa. “Moonglow” conta com o dueto entre Candice e Sammet, e se mostra uma faixa bem forte, fugindo daquele estereótipo de “balada delicada com vocal feminino”. “The Raven Child” não só é a maior música do álbum, como também a mais diversificada. Com seus mais de 11 minutos, passeia pelo Power e possui elementos de música Celta. Jørn Lande e Hansi Kürsch brilham, e acabam sendo o grande diferencial da canção. Já “Starlight”, com Ronnie Atkins, é uma canção bem padrão e que não foge muito do lugar-comum.


Na sequência temos a suave balada conduzida pelo piano, “Invincible” e a pesada “Alchemy”, onde o grande destaque fica por conta de Geoff Tate, que brilha nos vocais. O bom resultado é maximizado pela forma como sua voz e a de Sammet harmonizam. “The Piper at the Gates Of Dawn” é um Power metal básico e que procura não inventar. É a que conta com mais participações, já que tem seus vocais divididos entre Tobias, Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate e Bob Catley. Justamente por isso, todos acabam tendo menos tempo do que mereciam para brilhar, mas isso não chega a comprometer o resultado. Se não mostrou tudo que podia na canção anterior, em “Lavender”, Bob Catley simplesmente brilha. Pesa também ao seu favor o fato da música possuir qualidades, como os bons coros e os teclados, que encaixam muito bem as partes orquestrais. “Requiem for a Dream” tinha tudo para ser um Power Metal padrão e sem sal, mas tem nos vocais ninguém menos que Michael Kiske, e isso por si só já salva a canção. “Maniac”, cover para a canção de Michael Sembello, e que foi trilha sonora do filme Flashdance (81), acaba soando um pouco deslocada dentro do contexto do álbum, mas é divertida, principalmente pelo inusitado da escola. Encerrando, temos a bônus “Heart”, um tributo ao Journey da fase Steve Perry.

Como sempre, a produção e mixagem ficaram por conta de Sascha Paeth, com masterização de Michael “Miro” Rodenberg. O resultado é aquele que esperamos, com tudo claro, limpo, cristalino, mas ainda sim pesado, afinal, estamos falando de um álbum de Heavy Metal. A belíssima capa é obra de Alexander Jansson, e é certamente a melhor que já vi em um álbum do projeto. Não vou mentir, quando peguei para escutar Moonglow, estava com os 2 pés atrás, afinal, os trabalhos anteriores não haviam me conquistado, mas ao final da audição, me deparei com o melhor trabalho do Avantasia em tempos. Um álbum fácil de escutar, divertido, com tudo aquilo que se espera vindo dele, e com aqueles irritantes refrões que ficam dias na sua cabeça. O que mais um fã pode querer?

NOTA: 83

Avantasia é:
- Tobias Sammet (vocal/baixo/teclado/piano/orquestrações)
- Sascha Paeth (guitarra/teclado/piano/orquestrações)
- Michael "Miro" Rodenberg (teclado/orquestrações)
Musicos convidados:
- Felix Bohnke (bateria)
- Ronnie Atkins (vocal nas faixas 2, 5, 8)
- Jørn Lande (vocal nas faixas2, 4, 8)
- Eric Martin (vocal nas faixas 8, 11)
- Geoff Tate (vocal nas faixas 6, 7, 8)
- Michael Kiske (vocal na faixa 10)
- Bob Catley (vocal nas faixas 8, 9)
- Candice Night (vocal na faixa 3)
- Hansi Kürsch (vocal nas faixas 2, 4)
- Mille Petrozza (vocal na faixa 2)
- Nadia Birkenstock (harpa celta)
- Oliver Hartmann (guitarra)

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Vakan – Vagabond (2018)


Vakan – Vagabond (2018)
(MS Metal Records – Nacional)


01. Orbis
02. Beyond Mankind
03. Russian Roulette
04. Moving On
05. Euphoria
06. Diary of P. Stuart
07. Interlude: Eremita
08. The Flow of Matter
09. Presumption of Guilt – ótima, variada
10. Vagabond Pt I – Princes and Principles
11. Vagabond Pt II – Utopia
12. Vagabond Pt III – 1st Law: Chaos
13. Vagabond Pt IV – Epitome, Epitaph

O Rio Grande do Sul sempre gerou ótimas bandas nas vertentes mais extremas do Metal, mas eventualmente podemos observar bons nomes oriundos de estilos mais tradicionais vindos de lá. Surgido no ano de 2010, na cidade de Santa Maria, o quarteto Vakan é um nome que se encaixa com perfeição nesse caso. Formado por Matheus Oliveira (vocal), Alexandre Marinho (guitarra), Natanael Couto (baixo) e Lucas Oliveira (bateria), lançaram um EP em 2012, Freeze!, e no final do ano passado finalmente soltaram seu debut, Vagabond.

Apresentando um Heavy/Power que não nega a influência de medalhões como Iron Maiden, Judas Priest e Helloween, fogem da simples emulação inserindo elementos de música regional em sua sonoridade, que surgem de maneira muito equilibrada e bem encaixados nas canções. Suas canções mostram boa coesão, energia, técnica na medida e bons desempenhos individuais dos músicos envolvidos. É uma música que se deixa escutar com bastante facilidade, e que cativa os fãs do estilo sem muito esforço. Ajuda muito nisso não só as melodias agradáveis, como também a variedade, já que conseguem equilibrar bem passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas.


Após a introdução com “Orbis”, temos uma sequência de 4 canções bem diretas e enérgicas, que ajudam demais na boa impressão que o álbum deixa. “Beyond Mankind” não nega as suas influências de Iron e Judas, com boas melodias, refrão marcante e bom trabalho vocal. “Russian Roulette” é outra que se destaca pelo bom trabalho de guitarra, assim como “Moving On”. Euphoria possui boas melodias e um ótimo refrão. Daí para frente, a banda começa a se diferenciar da concorrência, com a introdução de ritmos regionais em sua música. E vale dizer que fazem isso com competência ímpar, sem exageros. “Diary of P. Stuart” mescla bem esses elementos com o Heavy/Power da banda, contando inclusive com um acordeom, o que se repete no interlúdio “Eremita”. Guiada por um violão “The Flow of Matter” é uma das canções mais belas de todo álbum, enquanto “Presumption of Guilt” se mostra bem variada. Mas o ponto alto sem dúvida, são as 4 partes da faixa-título, que encerra o álbum. Passagens pesadas se misturam com outras acústicas e com influência de música regional, resultando em uma música riquíssima e muito variada.

A produção ficou por conta da banda e de Leo Mayer, sendo que este último também foi o responsável pela mixagem e masterização. Dentro das dificuldades que conhecemos do nosso underground, o resultado é bom, equilibrando peso, clareza e crueza, não comprometendo o CD. Talvez um pouco menos de crueza no próximo trabalho, mas isso faz parte do processo de crescimento de uma banda. Já a capa foi obra de Rafael Sarmento. Com Vagabond, o Vakan se credencia como uma das bandas mais promissoras do cenário nacional, valendo ficar muito atento aos seus próximos passos. Se você curte Heavy/Power de qualidade, não vai se arrepender de escutar Vagabond.

NOTA: 83

Vakan é:
Matheus Oliveira (vocal);
Alexandre Marinho (guitarra);
Natanael Couto (baixo);
Lucas Oliveira (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Power Metal

Melhores de 2018 - Power Metal


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Mystic Prophecy - Monuments Uncovered 


02. Primal Fear - Apocalypse 


03. Heavatar - Opus II: The Annihilation 


04. Attacker - Armor of the Gods


05. Rebellion - A Tragedy in Steel, Pt. II Shakespeare's King Lear 


06. Mob Rules - Beast Reborn


07. Refuge - Solitary Men 


08. Visigoth - Conqueror's Oath 


09. Mike Lepond’s Silent Assassins - Pawn and Prophecy


10. Frozen Crown - The Fallen King

 

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Hammerfall - Glory to the Brave (Anniversary Edition) (1997/2017)


Hammerfall - Glory to the Brave (Anniversary Edition) (1997/2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


CD1
01. The Dragon Lies Bleeding
02. The Metal Age
03. HammerFall
04. I Believe
05. Child Of The Damned  (Warlord cover)
06. Steel Meets Steel
07. Stone Cold
08. Unchained
09. Glory To The Brave
10. Ravenlord (Stormwitch Cover) *
11. Glory To The Brave (radio edit) *
CD2 – Live
1. The Metal Age (1998)
2. Steel Meets Steel (1998)
3. Stone Cold (1998)
4. Glory To The Brave (2012)
5. Hammerfall (2012)
6. The Dragon Lies Bleeding (2012)
7. Glory To The Brave Medley (2017)
DVD
The First Crusade:
1. Introduction
2. Steel Meets Steel - First Live Show
3. Glory To The Brave - Clip 1
4. HammerFall
5. Steel Meets Steel – Live
6. Glory to the Brave - Clip 2
7. The Making of “Glory To The Brave”
8. Ravenlord - Live (Stormwitch Cover)
9. The Metal Age - Live
10. Nominated for the Swedish Grammy Award
11. Stone Cold – Live
Interview 2017:
12. Chapter I: The Early Days
13. Chapter II: The Rockslaget Festival
14. Chapter III: The Album
15. Chapter IV: New Members, Wacken & Touring
Live: Dynamo Festival 1998
16. Child Of The Damned
17. The Metal Age
18. Steel Meets Steel
19. Eternal Dark
20. The Dragon Lies Bleeding
21. Stone Cold
22. HammerFall

O Hammerfall surgiu no ano de 1993, como um projeto despretensioso de ex-membros e membros de bandas como Cerimonial Oath, In Flames e Dark Tranquillity. Em virtude disso, o grupo meio que ficou em segundo plano, já que o foco dos músicos aqui envolvidos estava em seus grupos principais. Até que 1996 chegou, marcando a grande virada na história do Hammerfall. Foi nesse ano que, quando do impedimento do vocalista Mikael Stanne (Dark Tranquillity) em se apresentar com a banda em um concurso, deu-se a entrada de Joacim Cans. A química foi tão boa, que ele foi efetivado no posto, e no ano seguinte, receberam o convite da Nuclear Blast para lançarem um álbum. Daí em diante, a coisa tomou outra figura.

Para você entender a importância de Glory to the Brave no cenário do Heavy Metal, precisa compreender bem a conjuntura do momento em que foi lançado. A década de 90 foi cruel com o estilo, que foi relegado pelo grande público em prol do Grunge, do Rock Alternativo e do Nu Metal. Agravando o panorama, os grandes nomes do Metal não passavam por sua melhor fase, com trocas de membros importantes e lançamentos de álbum que foram muito contestados, não só pela imprensa especializada, como também por uma parcela dos fãs. Em 1997, bandas como Silverchair, Radiohead, Oasis, No Doubt, Prodigy, Korn e Limp Bizkit estavam se tornando cada vez mais populares, enquanto o Metallica lançava nada menos que o catastrófico ReLoad. Muitos diziam que o Heavy Metal estava ultrapassado, morto. E quer saber? Era meio difícil ir contra tal afirmação, dado a falta de novidades e o vazio criativo existente.

Direto, sem espaço para modernidades e focando em um Heavy/Power rápido e clássico, Glory to the Brave tomou de assalto a cena, sendo sem dúvida alguma, ao lado de Legendary Tales do Rhapsody, o principal responsável por alavancar o estilo, o tornando novamente popular entre os apreciadores de música pesada. Era um trabalho que nos remetia diretamente a era de ouro do Hard/Heavy oitentista, com suas guitarras simples, afiadas e rápidas, sua parte rítmica forte e firme, ótimas melodias, muita musicalidade e refrões simplesmente grudentos. A sensação de saudosismo, de retorno a um passado nem tão distante assim, onde a realidade do fã de Metal parecia mais simples, foi inevitável. A sonoridade, calcada em nomes como Iron Maiden, Helloween e Manowar, dentre outras, também ajudava muito. 


Mas sejamos sinceros, nada disso ajudaria se a música em si não possuísse qualidades, e isso ela tem de sobra. Glory to the Brave é um dos álbuns clássicos dos anos 90 quando falamos de Heavy Metal, e esse relançamento comemorativo é muito bem-vindo. As canções aqui presentes foram remasterizadas, e o CD recebeu farto material extra. Além de duas faixas bônus que já eram conhecidas do público, o cover para “Ravenlord” do Stormwitch, e a versão editada de “Glory to the Brave”, temos um segundo CD, com 7 músicas ao vivo, gravadas em períodos diferentes da carreira, um DVD contendo parte do documentário The First Crusade, que até então só era acessível através das boas e velhas fitas VHS, uma entrevista de 2017 e o show de 1998 no Dynamo Open Air. Tudo isso vem embalado em formato digipack e com um encarte riquíssimo, cheio de memorabília da banda.

Quanto as músicas em si, são clássicas dentro do repertório do Hammerfall. O trabalho de remasterização foi muito bem-feito, deixando as canções mais claras e vivas, confirmando a força das mesmas. Impossível não se empolgar com a básica e eficiente “The Dragon Lies Bleeding”, a agressiva “The Metal Age” e suas boas guitarras gêmeas, a explosiva “HammerFall”, a versão mais do que definitiva para “Child Of The Damned”, do Warlord – curiosamente, Cans acabou fazendo parte da banda entre 2002 e 2003, gravando inclusive um álbum – e a ótima  “Unchained”. Além disso, mostram uma competência ímpar nas duas belíssimas baladas aqui presentes, “I Believe” e a incrível “Glory of the Brave”. Um clássico mais do que obrigatório na coleção de qualquer fã de Heavy/Power.

NOTA: 91

Hammerfall (gravação)
- Joacin Cans (vocal);
- Oscar Dronjak (guitarra);
- Glenn Ljungström (guitarra);
- Fredrik Karsson (baixo);
Convidados
- Patrik Räfling (bateria);
- Stefan  Elmgren (guitarra e violão em I Believe);
- Mats Hansson (guitarra);
- Fredrik Nordström (piano e teclado).
- Jesper Strömblad (composição e letras nas faixas de 1 à 3 e de 7 à 9).

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Riot V - Armor of Light (2018)


Riot V - Armor of Light (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


CD1
01. Victory
02. End Of The World
03. Messiah
04. Angel’s Thunder, Devil’s Reign
05. Burn The Daylight
06. Heart Of A Lion
07. Armor Of Light
08. Set The World Alight
09. San Antonio
10. Caught In The Witches Eye
11. Ready To Shine
12. Raining Fire
13. Unbelief
14. Thundersteel (2018 version)

CD 2 (Live at Keep It True Festival 2015)
01. Ride Hard Live Free (live)
02. Fight Or Fall (live)
03. On Your Knees (live)
04. Johnny’s Back (live)
05. Metal Warrior (live)
06. Wings Are For Angels (live)
07. Sign Of The Crimson Storm (live)
08. Bloodstreets (live)
09. Take Me Back (live)
10. Warrior (live)
11. Road Racin’ (live)
12. Swords And Tequila (live)
13. Thundersteel (live)

Com 43 anos de história na bagagem (contando o hiato entre 1984 e 1986), e álbuns clássicos como Narita (79), Fire Down Under (81), o magistral Thundersteel (88), The Privilege of Power (90) e Immortal Soul (11), o Riot certamente merecia um reconhecimento muito maior do que o obtido. Infelizmente no meio musical nem sempre a justiça prevalece. Fora isso, escolhas erradas e mudanças de formação constantes acabaram por prejudicar a caminhada dos americanos.

O retorno da formação que gravou o clássico Thundersteel no ano de 2008, acabou por gerar um ótimo fruto, quase tão grandioso quanto este, que foi Immortal Soul. Então uma tragédia se abateu sobre a banda, com o falecimento de seu fundado e compositor, o guitarrista Mark Reale, e o Riot se encontrou em um dilema. Continuar ou não? Seus membros mais antigos, o guitarrista Mike Flyntz (desde 1989) e o baixista Don Van Stavern (entre idas e vindas, desde 1986), após muito conversarem com a família de Mark, resolveram seguir em frente, mas adicionando um V ao nome. Dessa forma, o legado de Reale seguiria intocado, sem que precisassem virar as costas para o passado, e assim homenageariam o falecido amigo.

Já sem o vocalista Tony Moore e o baterista Bobby Jarzombek, e contando com Todd Michael Hall (Harlet, Jack Starr's Burning Starr) nos vocais, o guitarrista Nick Lee (Moon Tooth) e Frank Gilchriest (Liege Lord, ex-Virgin Steele), que já havia passado pela banda, na bateria, lançaram o ótimo Unleash the Fire (14), mostrando assim que haviam acertado ao escolherem pela continuidade. Agora, 4 anos depois, temos aqui o 2º capítulo da história do Riot V, ou 16º da do Riot, fica a sua escolha, tal impressão acaba só se confirmando. Mantendo a formação do trabalho anterior, o que temos é um belíssimo álbum de Heavy/Power, mas que em algumas passagens, enfatiza um pouco do passado Hard da banda. É como se estivéssemos diante de um compilado de toda a sua carreira.


Os vocais de Todd Michael Hall se mostram ótimos, e se encaixam com perfeição na proposta musical do Riot. As guitarras de Mike e Nike brilham, não só pelos ótimos duetos, como também por entregarem riffs realmente memoráveis e solos marcantes. A parte rítmica, com Don e Frank, nos entrega o que esperamos dela, com muita competência, por mais que em alguns momentos a bateria soe um pouco exagerada além da conta. Mas pasmem, Armor of Light é primeiramente um álbum de Power Metal, e isso é algo esperado em uma produção do estilo. O legal aqui é que conseguem equilibrar muito bem as passagens mais agressivas com outras mais melódicas, e isso acaba convergindo para uma música que cativa com muita facilidade. A única ressalva que faço é que, em um álbum com 14 músicas e 55 minutos, uma pequena inconstância é observada a partir de sua segunda metade. Não temos aqui nada efetivamente ruim, mas algumas canções mais medianas, que poderiam ter tido sua inclusão repensada aqui, por mais que não afetem de forma drástica o resultado do álbum.

A primeira metade é definitivamente matadora. “Victory” tem tudo para se tornar clássica, com riffs afiados, ótimas melodias (que remetem sim, a “The Trooper” do Iron Maiden), vocal marcante e ótima bateria. “End Of The World” se destaca por seus riffs e solos, que vão cativar o ouvinte com facilidade, enquanto “Messiah” é certamente a melhor canção do estilo que você escutará em 2018, e poderia estar sem drama algum em Thundersteel, já que tem uma energia que remete ao mesmo. “Angel’s Thunder, Devil’s Reign” é um Heavy/Power ótimo para se cantar junto, com o punho para o alto, e possui um belo trabalho de guitarras. Um hino! “Burn The Daylight” é um Hard classudo, com uma pegada que me remeteu ao Rainbow da fase Dio (“Kill yhe King”?), e tem um refrão desses para cantar junto. “Heart Of A Lion” é um Power com ótimos vocais e guitarras, e  “Armor Of Light” encerra a primeira metade de forma matadora. É outra para você levantar o punho para o alto e cantar junto o refrão.


Agora chegamos ao “calcanhar de Aquiles” do trabalho, que é sua segunda metade. Ela não é ruim, de forma alguma, afinal temos canções de muita qualidade aqui, mas frente ao brilhantismo da primeira metade, fica um certo gosto estranho na boca. “Set The World Alight” tem uma levada mid-tempo e possui boas harmonias de guitarra, é agradável de escutar, mas fica faltando algo para realmente decolar. “San Antonio” é mais veloz, mas padece do mesmo problema, mesmo com algo de Rainbow nas guitarras e um refrão legal. “Caught In The Witches Eye” é um Hard com pegada voltada para os anos 80 e tem algo da carreira solo de Dio, com um groove muito legal e um riff bem pesado. “Ready To Shine” é outra que pende mais para uma levada mid-tempo e sim, tem algo de Queen bem presente. Escute e vai entender. “Raining Fire” traz de volta aquela energia do início do álbum, e soa agressiva e esmagadora. É um dos destaques dessa metade do álbum. Encerrando, temos a boa “Unbelief” e uma nova versão, simplesmente matadora, para “Thundersteel”.

A produção, mixagem e masterização ficaram por conta de Chris Collier (Prong, Metal Church, Last in Line) e ficou com uma qualidade muito boa, apesar de um pouco polida demais. Faltou uma pequena dose de organicidade, mas está dentro do padrão das produções atuais, com tudo limpo e cristalino. A bela capa foi obra Mariusz Gandzel (Crystal Viper), com arte adicional e layout de Timo Pollinger (Pain, Hypocrisy, Nightwish). E vale dizer que junto com Armor of Light, temos um CD bônus com a apresentação da banda no Keep It True Festival de 2015, que foi simplesmente fantástica. Um verdadeiro presente para os fãs da banda, que pode ouvir toda a força do Riot V em cima de um palco. Ok, a inconstância já citada pode incomodar levemente, mas não afeta de forma profunda a experiência que é escutar esse novo trabalho dos americanos, que acima de tudo prima pela qualidade das músicas, que empolgam e divertem qualquer um. Possivelmente o melhor álbum de Power Metal que escutará esse ano.

NOTA: 89

Riot V é:
- Todd Michael Hall (vocal);
- Mike Flyntz (guitarra);
- Nick Lee (guitarra);
- Don Van Stavern (baixo);
- Frank Gilchriest (bateria).

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quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)


A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)
(Mad Neptune Records – Importado)


01. Phantom Flight (Feat. Mark Tornillo)
02. Lifebringer
03. Atlacatl
04. The Crossroads Deal
05. It Was Metal
06. Obsidian & Gold (Desdinova Returns) (Feat. Tony Carey)
07. Second Lives
08. Els Segadors (The Reapers)
09. Tomyris
10. Charles II
11. Fortress of the Future Race

Se você ainda não conhece os americanos do A Sound Of Thunder, está perdendo um tempo precioso. Surgido no ano de 2008, e com a formação estável desde 2010, que conta com Nina Osegueda (Vocal), Josh Schwartz (Guitarra), Chris Haren (Baixo) e Jesse Keen (Bateria/Teclado), estrearam em 2009 com um EP autointitulado, que foi seguido 2 anos depois pelo seu debut, Metal Renaissance. De lá para cá, foram mais 3 EP's, Queen of Hell (12), Tales from the B-side (Pleasure Slave) (15), Second Lives (17), 4 excelentes trabalhos de estúdio, Out of the Darkness (12), Time's Arrow (13), The Lesser Key of Solomon (14), Tales from the Deadside (15) e 1 álbum de covers, Who Do You Think We Are? (16).

Em uma época onde bandas produzem em intervalos cada vez maiores, o quarteto originário de Washington deixa claro que passa longe do comodismo, enfileirando lançamentos e apresentando um crescimento e amadurecimento constantes, sem que isso em momento algum signifique abrir mão de sua identidade. Sim amigos, nem sempre evolução vem acompanhada de descaracterização musical. E agora, com It Was Metal, seu 6º álbum de estúdio, deixam mais do que claro que não pretendem tirar o pé do acelerador. Aliás, mais uma vez financiaram o trabalho através de campanha no Kickstarter, já que possuem uma base de fãs muito fiel e que confia na capacidade do ASOT de forjar músicas de qualidade. E vale dizer que, como de praxe, oferecem um produto diferenciado, pois além do álbum, produziram uma graphic novel (vendida separadamente), com histórias originais baseadas nas canções e produzidas por artistas da Marvel, DC e Valiant Entertainment.


Para quem acompanha o quarteto, a qualidade de It Was Metal não chega a surpreender. Mas aqui, curiosamente, para evoluir deram um passo atrás, já que musicalmente é um álbum mais direto e um pouco menos diversificado que os anteriores, uma espécie de retorno ao Heavy Metal Clássico de outrora. A influência de nomes como Iron Maiden, Saxon, Dio, Rush, Deep Purple, Rainbow e outros é latente, mas temperada com muita personalidade. Apesar da menor diversidade, esse é um trabalho com um ar mais grandioso do que, por exemplo, The Lesser Key of Solomon e Tales from the Deadside, com canções bem fortes, enérgicas e rápidas. A guitarra de Josh está simplesmente soberba, com muito peso, riffs grudentos, além de solos e melodias que são capazes de cativar qualquer amante do estilo. A parte rítmica não fica atrás, com o baixo de Chris apresentando aquelas linhas sólidas com as quais os fãs se acostumaram, fazendo uma bela dupla com Jesse e sua bateria, aqui simplesmente bombástica. Vale citar também o seu trabalho com os teclados, já que mesmo que os mesmos não se façam presentes em 100% das músicas, quando surgem acabam dando mais profundidade às mesmas.

Claro que o forte do A Sound Of Thunder é a coesão e o entrosamento de seus integrantes, que funcionam como uma máquina muito bem azeitada de fazer Heavy Metal. Mas, ainda assim, precisamos falar sobre Nina Osegueda. Apesar de ter formação clássica, tendo até mesmo cantado na Ópera Nacional de Washington entre 2000 e 2002, e de ter sido influenciada em sua juventude por algumas das maiores vozes femininas da história, como a espetacular Aretha Franklin e Whitney Houston (segundo a própria Nina, por causa de seus pais, ela não tinha muito contato com Metal na época, e o mesmo se limitava à trilha sonora do filme “Quanto Mais Idiota Melhor”), sua voz cai como uma luva no estilo da banda. Sem querer comparar, mas é como se fosse uma mistura de Rob Halford como Ronnie James Dio, mas em versão feminina. Para mim, está no mesmo nível de importância de outras vocalistas que, ao menos para mim, são lendárias para o estilo, como Leather Leone, Doro Pesch, Ann Boleyn, Lee Aaron, Betsy Bitch, Kim McAuliffe e Wendy O. Williams. Aliás, fica aí a dica de pesquisa, caso não conheça os nomes citados. Seria exagero fazer o trocadilho dizendo que sua voz é o próprio som do trovão?


Assim que os primeiros acordes de “Phantom Flight” começam, sua primeira reação é pensar que está diante de alguma faixa oitentista perdida do Saxon. Ótimas guitarras, que despejam riffs fortes e melodias grudentas, além de solos primorosos e uma participação mais do especial de Mark Tornillo (Accept), que divide os vocais com Nina (que canta de maneira primorosa). É Heavy Metal em estado puro. “Lifebringer” é o retrato perfeito do que é o A Sound Of Thunder. Tem aquele Classic Rock com uma pegada Progressiva, mesclado com Metal Tradicional bem na veia do Iron Maiden, e pitadas de Power Metal. Simplesmente empolgante. A faixa seguinte,  “Atlacatl”, trata da história do mítico governante de mesmo nome, que reinou em um estado indígena baseado na cidade de Cuzcatlan (em território hoje pertencente a El Salvador), e que resistiu bravamente às forças invasoras espanholas por alguns anos. Segundo a lenda, ao ser finalmente derrotado, para não ser capturado, teria saltado em um vulcão, se tornando dessa forma uma lenda inconquistada. A parte rítmica se destaca, sendo responsável por dar um forte clima tribal à canção, que casa perfeitamente com o tema. Somado aos vocais agressivos de Osegueda, temos aqui uma das faixas mais pesadas e densas de todo trabalho. Vale dizer que Nina tem descendência salvadorenha por parte de pai. Após todo esse peso, temos uma breve faixa instrumental, intitulada “The Crossroads Deal”. E como o nome deixa bem claro, tem forte influência de Blues.

Se prepare então para o murro no meio da cara que é “It Was Metal”. Repare nos riffs, afiadíssimos e certeiros (e que não escondem a influência de Blackmore), e nas ótimas linhas de baixo. Os vocais também se destacam pela agressividade. Uma verdadeira ode ao Heavy Metal. Bem, recuperar um pouco do fôlego se faz necessário, e para isso surge a épica e maravilhosa “Obsidian & Gold (Desdinova Returns)”, que não esconde a influência de Classic Rock e de nomes como Deep Purple e Rainbow. Por falar neste último, seu ex-tecladista Tony Carey participa (e brilha) na faixa. São quase 10 minutos de uma música simplesmente brilhante. Não se deixe enganar pela aparente calma da introdução de “Second Lives”, pois quando você menos esperar, ela vai simplesmente explodir em peso e energia. Forte, traz à tona as influências de Hard Rock da banda, perceptíveis aos mais atentos no trabalho das guitarras. Você é desses que acha que Metal e política não podem se misturar? Além de estar equivocado, certamente vai precisar pular a próxima faixa. Ela é nada menos do que uma versão metálica para o hino da Catalunha, “Els Segadors (The Reapers)”. E antes que você se pergunte o porque da banda ter gravado o mesmo, saiba de antemão que a mãe de Nina é catalã, e que parte de sua família reside lá. E no fim, o que era para ser uma homenagem da vocalista à sua mãe, tomou outro vulto com a declaração de autonomia da Catalunha no ano passado (que diga-se, não foi reconhecida pela Espanha). Apenas escute, e duvido que você não cante o refrão a todos pulmões, levantando o punho para o alto. 


Então chega a hora de mais um pouco de história, com “Tomyris”, rainha que governou os Masságetas (com território localizado hoje em partes do moderno Turcomenistão, Afeganistão, Uzbequistão, e sul do Cazaquistão.), e que foi a responsável pela morte de Ciro, o Grande, rei da Pérsia entre 559 e 530 a.C. Conta-se que após este morrer, ela decapitou o mesmo e jogou sua cabeça em um jarro com sangue humano, cumprindo assim a promessa que havia feito ao mesmo, de o afogar em sangue humano (Ciro havia assassinado seu filho, após capturá-lo em batalha). Mais Heavy Metal que isso, só mesmo a música em si, que se destaca pelas ótimas guitarras, pelo refrão cativante, pelo brilhante uso dos teclados (aqui a veia setentista vem à tona novamente) e pelos vocais viscerais de Nina. A sequência final mantém o nível primoroso das canções anteriores, com “Charles II” (mais um pouco de história, agora tratando do rei inglês Carlos II), com riffs que parecem ter sido forjados pela dupla Tipton/Downing. Veloz, certeira e tem uma melodia que contagia qualquer um e vai agradar em cheio aos fãs de Judas Priest e afins. É Metal em seu estado mais clássico, assim como a ótima “Fortress of the Future Race”, uma dessas canções que parecem ter sido forjadas pelo próprio Deus Metal. Duvido você não se empolgar com os ótimos riffs e solos aqui presentes.

Como de praxe na carreira da banda, a produção ficou nas mãos de Kevin Gutierrez (algo que ocorre desde Out of the Darkness), que ouso dizer, é quase como um quinto integrante, já que é homem de confiança do quarteto nesse sentido. Mais uma vez ele acerta em cheio, pois a produção ficou em um nível altíssimo. Clara, límpida e cristalina, mas sem soar artificializada. Não consigo imaginá-los trabalhando com outro nome nesse sentido. A capa é mais um trabalho fora do comum de Dusan Markovic, responsável pelas mesmas desde o EP Queen of Hell. Dizer que esse é o melhor trabalho da banda pode ser um pouco prematuro, já que The Lesser Key of Solomon está facilmente entre os 10 melhores álbuns de Metal dessa década, mas é inegável que It Was Metal tem tudo para colocá-los em um patamar mais alto dentro da cena. Você é desses que fica aí, lamurioso e queixoso quanto ao fato de nomes tradicionais do estilo estarem pendurando as chuteiras? Pois saiba que temos toda uma nova geração de excelentes bandas, e o A Sound Of Thunder é certamente um dos melhores nomes desta. Basta você deixar o comodismo de lado e acordar para a vida. Existe sim muita vida e qualidade no Heavy Metal, sem que a banda precise se chamar Iron Maiden, Metallica ou Black Sabbath. It Was Metal é mais uma das provas disso! Um dos melhores álbuns de 2018!

OBS: Bem que alguma gravadora nacional podia se dignar a lançar a discografia da banda no Brasil, hein!

NOTA: 92

A Sound Of Thunder é:
- Nina Osegueda (Vocal);
- Josh Schwartz (Guitarra);
- Chris Haren (Baixo);
- Jesse Keen (Bateria/Teclado).

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