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sábado, 20 de setembro de 2025

Helloween - Giants & Monsters (2025)



Helloween - Giants & Monsters (2025)
(Reigning Phoenix Music)

01. Giants On The Run 
02. Savior Of The World 
03. A Little Is A Little Too Much 
04. We Can Be Gods
05. Into The Sun
06. This Is Tokyo
07. Universe (Gravity For Hearts)
08. Hand Of God
09. Under The Moonlight
10.Majestic 

Admito que não fiquei muito animado quando o Helloween anunciou a “Pumpkins United”. Embora a banda viesse de bons álbuns, era um material que passava longe de seu material clássico, o que me levou a um certo afastamento com relação ao seu trabalho. A única coisa que consegui pensar é que aquilo me cheirava a uma tentativa de arrancar uns trocados de fãs mais saudosistas antes de se aposentarem. Os shows ocorreram, anunciaram um álbum de estúdio e, mais uma vez, a minha empolgação foi zero.

Então veio Helloween (2021) e eu, de certa forma, quebrei a cara. Ok, pode não ser um trabalho que vá entrar para o hall de clássicos da banda, tem suas ressalvas, mas ainda assim é um grande álbum, desses que empolga e diverte o fã. Estava ali a prova de que a “Pumpkins United” tinha muito ainda a acrescentar à história dos alemães. Sendo assim, não vou negar, fiquei na expectativa por “Giants & Monsters” quando soube do seu futuro lançamento, mesmo que ainda estivesse com um pé atrás, afinal, quem poderia garantir que acertariam novamente.

Completando 40 anos desde o lançamento do clássico “Walls of Jericho”, ouso dizer que o Helloween se encontra em seu auge criativo, mesmo que não tenham voltado a entregar um novo Keeper. Dito isso, “Giants & Monsters” consegue, ao menos para mim, superar o seu antecessor em qualidade, o que, convenhamos, não é pouca coisa.

O álbum já abre em grande estilo, nos presenteando com o bom e velho Helloween do qual tanto gostamos. “Giants On The Run” é variada, melódica, tem um refrão forte e uma dinâmica vocal absurda, algo óbvio quando você tem na sua formação 3 dos melhores vocalistas da história do Metal (goste você ou não, Deris é sim um dos grandes). É uma música que poderia estar nos primeiros álbuns da banda, algo que também podemos dizer de “Savior Of The World”, que vem logo na sequência. É aquela sonoridade clássica, que, se fosse feita por outra banda, talvez chamássemos de clichê. Mas, meu querido, isso aqui é o Helloween, foram eles que criaram tudo isso, é óbvio que eles iriam conseguir escapar de qualquer armadilha nesse sentido. Ótima música!

“A Little Is A Little Too Much” é uma canção com pegada mais Hard Rock, mais simples que as antecessoras, teclados bem encaixados, boas melodias, mas que, pessoalmente, não me empolgou tanto. É ruim? Não, afinal, com os nomes aqui envolvidos, é óbvio que vai ter qualidade, mas achei um pouco abaixo. Felizmente, na sequência, nos presenteiam com mais uma faixa clássica, “We Can Be Gods”. Veloz, pesada, melódica, guitarras fortes e refrão que te pega de primeira, tem tudo para agradar os fãs e fazer parte das apresentações da banda. Fechando a primeira metade do álbum, temos “Into The Sun”, aquela balada dramática e marota que não poderia faltar. Originalmente gravada para o álbum anterior, mas descartada, foi retrabalhada, regravada e agora finalmente “vê a luz do dia”.

Não vou mentir, das músicas apresentadas antes do lançamento, “This Is Tokyo” foi a que menos me empolgou. Depois de ouvi-la dentro do contexto do álbum, continuo com a mesma sensação, por mais que sim, ela tenha suas qualidades com sua pegada mais Hard e boas melodias. Indo da que menos empolgou para a que mais me empolgou, temos a maravilhosa “Universe (Gravity For Hearts)”. Explosiva, nos presenteia com ótimos vocais, riffs fortes, velocidade, melodia, bateria pulsante e refrão moldado para ser cantado junto. São 8 minutos que passam em 4, o que já mostra toda a sua qualidade.

A sequência final começa dando uma leve caída com “Hand Of God”, que remete diretamente ao Helloween fase Andi Deris, com um ar mais “obscuro”, sintetizadores bem encaixados e refrão que chama a atenção, sendo seguida por “Under The Moonlight”, possivelmente a mais “comum” de todo o álbum, mas ainda longe de ser descartável. Entrega boas melodias e mais um bom refrão. Eis que então surge a majestosa “Majestic”, provavelmente a melhor música do Helloween nessa volta. Curiosamente, ela foi originalmente composta por Kai Hansen para o Gamma Ray e deveria ter saído no álbum de mesmo título, de 2005, mas não havia sido finalizada e estava guardada em um HD. Seria uma injustiça não ter sido lançada, pois temos aqui Heavy Metal da melhor qualidade, épico, pesado, mas sem abrir mão das melodias, com ótimos riffs e solos e espaço para todos brilharem. Tem todos os elementos para se tornar um novo clássico da banda.

Durante toda a audição, fica muito evidente que todos estão se divertindo muito com essa reunião, já que as músicas conseguem passar isso. É um álbum variado, dinâmico, que passeia com naturalidade pelas fases da banda, mantendo um alto nível de qualidade na maior parte do tempo. Algumas coisas me chamaram a atenção positivamente, como, por exemplo, a duração do álbum. Com 10 músicas, mas da metade delas com 4 minutos ou menos, dura exatamente o que deveria durar, sem faixas desnecessárias, apenas para “encher linguiça” e completar o tempo de um CD. São cerca de 50 minutos com músicas que vão direto ao ponto; só entraram as que realmente eram boas.

A forma como tudo aqui foi muito bem dividido também é um destaque. Com 3 vocalistas de alto nível, souberam explorar o que cada um tem de melhor, com Kiske, Deris e Hansen brilhando em suas aparições. O mesmo vale para os 3 guitarristas, que têm aqui todo o seu potencial explorado, dando uma aula de como isso deve ser feito. Ao final, o Helloween consegue mostrar toda a sua força e prova de uma vez por todas que, ao contrário de alguns medalhões por aí, ainda tem muita lenha para queimar em futuros lançamentos.

Helloween é:
Michael Kiske (Vocal)
Andi Deris (Vocal)
Kai Hansen (Guitarra/Vocal)
Michael Weikath (Guitarra)
Sascha Gerstner (Guitarra)
Michael Großkopf (Baixo)
Dani Loeble (Bateria)

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Powerwolf - Wake Up The Wicked (2024)

 


Powerwolf - Wake Up The Wicked (2024)
(Napalm Records)


1.Bless 'Em with the Blade
2.Sinners of the Seven Seas
3.Kyrie Klitorem
4.Heretic Hunters
5.1589
6.Viva Vulgata
7.Wake Up the Wicked
8.Joan of Arc
9.Thunderpriest
10.We Don't Wanna Be No Saints
11.Vargamor

Meu primeiro contato com o trabalho do Powerwolf se deu em 2013, com o álbum “Preachers of the Night” e, naquele momento, sua música me soou como uma lufada de ar fresco dentro do cansado cenário do Power Metal, mesmo que não apresentassem nada que fosse propriamente novo em matéria de sonoridade. Talvez fosse o fato de fugirem daquela coisa batida do “Metal Espadinha” em sua estética, ou uma atmosfera verdadeiramente divertida que emanava de suas canções, mas a questão é que, ao lado do Sabaton, conseguiram despertar minha atenção para um estilo que, apesar de eu gostar, não tinha mais paciência para escutar.

11 anos se passaram e tudo aquilo que me ganhou a atenção em “Preachers of the Night” continua aqui presente, firme e forte. Isso certamente deveria me deixar feliz, abrindo um sorriso de orelha a orelha, mas não é o que acontece. Vejam bem, não é que “Wake Up The Wicked” seja um álbum ruim, ao contrário, ele possui seus méritos, o problema é que tudo soa exatamente como uma década atrás, sem tirar nem por. “Ah Leandro, deixa de ser ranzinza, você queria que nessa altura do campeonato o Powerwolf desse uma guinada em sua sonoridade e apresentasse algo diferente?”. Não, de forma alguma, mas também não precisavam se repetir ad aeternum. Eu tive que conferir a discografia inteira da banda para ter certeza que “Viva Vulgata” não era uma regravação, pois tinha certeza absoluta que já havia escutado a mesma em outro álbum da banda. Só não fiz o mesmo com a faixa-título justamente por ela dar nome ao novo álbum, pois a sensação foi a mesma. 

Ainda assim, sou obrigado a admitir, ambas são muito divertidas e remetem aos melhores momentos da banda, como também as ótimas “Heretic Hunters” e “1589”. O problema é que as demais composições aqui presentes soam extremamente genéricas, levando em conta a sonoridade típica do Powerwolf. Músicas como “Sinners of the Seven Seas”, “Joan of Arc” e “Thunderpriest”, são ok, entregam aquilo que o fã médio espera, mas me soaram burocráticas, como se os alemães estivessem jogando já classificados para a próxima fase, apenas cumprindo tabela.

A produção, mais uma vez a cargo de Joost van den Broek, também não difere em nada do que já foi apresentado em outras obras do quinteto, dando aquela atmosfera grandiosa e bombástica que já conhecemos bem. “Wake Up The Wicked” é o Powerwolf mais uma vez apostando no certo e entregando exatamente o que seu fandom espera, Power Metal enérgico, melódico e divertido, com orquestrações épicas, refrões de fácil memorização e vocais fortes, mas se você não se encaixa nesse grupo de fãs mais radicais, possivelmente vai ter a mesma reação que eu. Vai escutar, achar bem feito, competente, abrir um sorriso aqui e ali, mas quando for ouvir a banda novamente, certamente não vai optar pelo mesmo.

Powwewolf é:
- Attila Dorn (vocal)
- Matthew Greywolf (guitarra)
- Charles Greywolf (baixo/guitarra)
- Falk Maria Schlegel (teclado)
- Roel van Helden (bateria)


sexta-feira, 18 de junho de 2021

Helloween - Helloween (2021)


Helloween - Helloween (2021)
(Nuclear Blast Records - Importado)

01 – Out For The Glory
02 – Fear Of The Fallen
03 – Best Time
04 – Mass Pollution
05 – Angels
06 – Rise Without Chains
07 – Indestructible
08 – Robot King
09 – Cyanide
10 – Down In The Dumps
11 – Orbit
12 – Skyfall

Existem momentos que são especiais na vida de um fã. Quando comecei a escutar Heavy Metal, em 1989, Kai Hansen já havia saído do Helloween e fundado o Gamma Ray, mas ainda sim, o impacto que Walls of Jericho e as duas partes do  Keeper of the Seven Keys tiveram em mim, foi imenso. Foram essenciais no meu processo de formação como fã de Metal.  A saída de Kiske, em 1993, foi outro baque, e mesmo respeitando e tendo noção da importância de Andi Deris na tarefa de manter o nome Helloween relevante entre os fãs do estilo, meu sonho era ver Hansen e Kiske de volta a banda. Mas isso sempre me pareceu algo impossível de ocorrer, até certo dia de 2017.

Ter os dois se apresentando ao vivo com o Helloween foi sem dúvida um momento muito especial. Ainda sim, por mais que, lá no fundo, existisse uma ponta de esperança, eu não conseguia enxergar a possibilidade real de todos entrarem em estúdio novamente para gravar material inédito. Felizmente eu estava muito errado. Então bateu aquele medo de fã, de o material não ser tão relevante, de estarem fazendo isso apenas para arrancar dinheiro dos fãs. Coisas de quem já viu esse tipo de atitude ocorrer aos montes no meio do Heavy Metal. Resolvi então não criar muitas expectativas.

Os primeiros singles me animaram bastante, e mostravam que o material  parecia muito promissor, uma espécie de resgate do passado da banda, mas com uma cara atual. Ainda sim, me perguntava se as demais canções conseguiriam manter essa pegada, principalmente após constatar que Andi Deris havia composto quase metade das canções do novo álbum, enquanto Kai Hansen era responsável por penas uma delas. E foi assim que peguei para escutar “Helloween”, o 16º - descontando Metal Jukebox e Unarmed -, e talvez o mais esperado álbum dos alemães.

A primeira coisa que o ouvinte deve lembrar, é de não tentar comparar “Helloween” com nenhum dos álbuns lançados pela banda anteriormente. Isso porque estamos diante de algo especial, diferenciado. Se pensarmos que Hansen saiu da banda em 1988, são 33 anos sem que sua espinha dorsal estivesse junta em um álbum. Além disso, seus 3 vocalistas se fazem presentes, o que gera uma dinâmica vocal toda especial, abrindo um enorme leque de opções no que tange o espectro vocal. Quanto a música em si, sem exagero, temos todas as fases da banda se fazendo presentes aqui, mas de uma forma muito uniforme, sem variações de qualidade ou coisas do tipo.


Certamente todos se sentem curiosos para saber como se deu a dinâmica entre Kiske, Deris e Hansen. Pois bem! Posso dizer sem medo que ela é a melhor possível. Obviamente, dada toda a sua qualidade vocal, Kiske acaba assumindo o protagonismo, mas Deris não fica atrás, e eles dividem boa parte das canções de uma forma muito equilibrada. Kai se mostra mais contido, e exceto em “Skyfall”, onde se faz bem presente, nas demais se concentra nos backings ou em trechos específicos. Ainda sim, quando surge, brilha. Por possuírem diferentes timbres, acabam se complementando, e conseguem brilhar tanto sozinhos, quanto em conjunto. Isso talvez seja o ponto alto do álbum.

Musicalmente, como já dito, todas as fases estão abarcadas aqui, e isso é simplesmente incrível. Da mesma forma que temos canções que vão remeter aos melhores momentos da fase Hansen/Kiske, temos aquelas que nos fazem lembrar como a fase Deris também foi rica em grandes canções. É, sem exagero, o álbum com os refrões mais grudentos e com as melhores melodias, desde os dois Keeper. O peso aqui encontrado também não era visto há muito tempo em um trabalho do Helloween. O trio formado por Michael Weikath, Kai Hansen e o “novato” Sascha Gerstner (com quase 20 anos de banda), simplesmente destrói tudo que vê pela frente, com um trabalho de guitarras primoroso. Já a dupla Markus Grosskopf e Dani Löble também brilha, valendo dizer que Löble gravou o álbum usando o kit de bateria original de ninguém menos que Ingo Schwichtenberg, fazendo com que dessa forma, o saudoso e eterno baterista do Helloween participe desse momento único. Mas o mais importante é que nada, eu disse, absolutamente nada, soa forçado. Tudo flui de uma forma muito natural.

O álbum abre com a espetacular “Out For The Glory”. Sinceramente, não consigo descrever o que senti quando, após a introdução, Kiske entra cantando. Só sei que é incrível! Literalmente o que temos é uma clássica faixa do Helloween, que remete diretamente aos anos de 1987 e 1988, com sua velocidade, suas melodias marcantes, mudanças de tempo, e aquele refrão grudento que só eles sabem fazer. Fazia tempo que Weikath não compunha uma canção tão espetacular. Essa pegada se mantém na música seguinte, “Fear Of The Fallen”, composição de Deris, e onde ele e Kiske se fundem de uma forma única. Grosskopf e Löble também não ficam atrás, brilhando muito. O refrão é mais um daqueles que você fica dias lembrando, e o solo de guitarra é simplesmente absurdo. Um início dos sonhos.


A faixa seguinte é a divertida “Best Time”, uma parceira entre Gerstner  e Deris, que possui uma melodia gostosa e fácil de cantar. Possui um apelo comercial, e poderia tocar tranquilamente em qualquer rádio “Rock” do mundo. Até sua duração, com pouco mais de 3:30min, parece pensada para isso. Na sequência, uma das melhores composições de Andi para a banda, a ótima “Mass Pollution”, que remete a sua fase nos vocais e foi moldada para ser tocada ao vivo. Seu refrão é daqueles que o público vai cantar a plenos pulmões na turnê do álbum. Vale destacar também o trabalho da dupla Grosskopf /Löble, que mais uma vez brilha. A faixa seguinte, “Angels”, é uma composição de Sascha, sendo o momento menos inspirado do álbum. Mas não entenda isso como sendo uma música fraca, ao contrário, ela só não está no nível absurdo de qualidade das anteriores. A primeira metade do álbum fecha com mais um momento “Helloween Clássico”. Se trata de “Rise Without Chains”, composição de pasmem, Andi Deris, que aqui se mostra capaz de compor faixas clássicas da banda sem esforço algum. 

“Indestructible”, composição de Grosskopf, tem uma pegada mais Hard e remete aos trabalhos mais atuais da banda. É pesada, cativante, tem ótimas melodias e um refrão que será certamente lembrado nos shows. Decididamente, Weikath estava com a faca entre os dentes quando compôs as músicas desse álbum, sendo “Robot King” uma prova disso. É aquele clássico Speed Metal Melódico que todo fã do Helloween ama, mas transposto para os dias atuais, não soando assim datado. “Cyanide”, de Deris, vai nessa mesma pegada, mesclando o Power e o Speed com maestria, e destacando os ótimos riffs, o ótimo desempenho da parte rítmica, principalmente Löble, e o refrão que te pega com facilidade. Lembra que acabei de falar que Weikath estava com a faca entre os dentes? Se você ainda tinha alguma dúvida, escute “Down In The Dumps”, um Power Metal clássico e empolgante. Após o breve interlúdio “Orbit” temos aquele momento épico, uma fixa que já é um dos maiores clássicos da história da banda, “Skyfall”. Aqui, a música aparece em sua versão completa, com mais de 12 minutos, e sinceramente, só ouvindo para entender o tamanho da sua magnitude. É uma música que poderia estar em qualquer um dos Keeper, sem qualquer tipo de questionamento. Encerra o álbum com sete chaves de ouro.


A capa é outro primor. Feita pelo absurdamente talentoso Eliran Kantor, ela é cheia de simbolismos, e homenageia as principais obras do Helloween.você encontra referência as três partes do “Keeper of the Seven Keys”, a  “Walls of Jericho”, a “The Time of the Oath”, e a “Master Of The Rings”. A produção é simplesmente absurda, tendo ficado a cargo de Charlie Bauerfeind, com co-produção de Dennis Ward. Ao que me consta, o álbum foi todo gravado no formato analógico, o que deu-lhe vida. 

O Helloween está de volta, no auge de sua forma, e pronto para dominar o mundo. Duvida? Escute o álbum e tire suas conclusões. Fortíssimo candidato a álbum do ano.

Helloween é:
Michael Kiske (vocal)
Andi Deris (vocal)
Kai Hansen (guitarra/vocal)
Michael Weikath (guitarra)
Sascha Gerstner (guitarra)
Markus Grosskopf(baixo)
Dani Löble (bateria)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Trulli/Lione Rhapsody – Zero Gravity (Rebirth and Evolution) (2019)


Trulli/Lione Rhapsody – Zero Gravity (Rebirth and Evolution) (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Phoenix Rising
02. D.N.A. (Demon and Angel)
03. Zero Gravity
04. Fast Radio Burst
05. Decoding the Multiverse
06. Origins
07. Multidimensional
08. Amata Immortale
09. I Am
10. Arcanum (Da Vinci's Enigma)
11. Oceano (Josh Groban Cover) (bonus track)

Nos últimos anos, me perdi meio a tantas encarnações do Rhapsody convivendo umas com as outras. A mais nova surgiu no final de 2018, após Luca Turilli ter colocado um ponto final do Luca Turilli's Rhapsody, com direito a turnê de despedida e tudo. Ele então resolveu se unir as ex-colegas dos tempos de Rhapsody (of Fire), mais precisamente o icônico vocalista Fabio Lione, o guitarrista Dominique Leurquin (que tocou ao vivo com a banda entre 2000 e 2010), o baixista Patrice Guers e o baterista Alex Holzwarth, e dessa forma, como em um passe de mágica, nasceu o Trulli/Lione Rhapsody, que para muitos, passava a sensação de ser mais Rhapsody que o Rhapsody of Fire de Alex Staropoli. Alguns por aí já até esperavam uma espécie de Symphony of Enchanted Lands parte 3.

Bem, sinto informar a esses, que nada pode ser mais equivocado do que isso, e com todo respeito, só quem não acompanhou toda a carreira de Trulli – tanto nos trabalhos solos quanto nas demais bandas que formou –, nutria essa esperança. Não entendam mal, claro que temos aqui elementos daquele Rhapsody clássico dos primeiros álbuns, afinal, as orquestrações bombásticas, coros cinematográficos, melodias e refrões fáceis se fazem presentes, isso é inerente a forma de compor de Luca, mas o Trulli/Lione Rhapsody tem a proposta de ir muito além. O guitarrista sempre procurou ousar e experimentar, e mesmo mantendo suas características, procurava sair um pouco do padrão musical de sua ex-banda. Significa então que estamos diante de um álbum sem relevância? Na verdade, é exatamente o contrário, pois em se tratando da cena Power/Prog melódica atual, Zero Gravity (Rebirth and Evolution) é um belíssimo exemplar de álbum.


Como já dito, elementos clássicos se fazem presentes, e ajudam a dar a identidade Rhapsody para o quinteto, mas o que temos aqui é algo que se mostra muito mais eclético e variado, do que a antiga banda dos músicos. É uma sonoridade mais atualizada, com uma dose maior de complexidade, e onde o Power Metal já conhecido recebe grandes doses de Prog Metal, além daquele toque mais moderno, com uso discreto de elementos eletrônicos, que marcam toda a carreira de Luca. Vale dizer que apesar da diversidade musical, temos muita coesão aqui. Se fossemos traçar comparações musicais com outros nomes, eu ousaria dizer que o que temos em Zero Gravity (Rebirth and Evolution), se aproxima muito mais do Power, Prog e do Metal Sinfônico atual, do que daquele Power Metal Sinfônico característico do passado. Aqui, temos mais de Dream Theater, Kamelot, Symphony X e Epica, do que de Rhapsody (of Fire), e isso acaba sendo muito positivo. Para que reciclar o passado, se a chance de se alcançar a excelência de álbuns como Symphony of Enchanted Lands (98), Dawn of Victory (00) ou Power of the Dragonflame (02) é praticamente nula?

As duas primeiras canções, “Phoenix Rising” e “D.N.A. (Demon and Angel)”, até podem enganar um pouco o ouvinte, com aquela pegada bem tradicional do Rhapsody, com suas melodias, seu ritmo um pouco mais acelerado e refrões grudentos. Vale destacar também o belo dueto entre Lione e Elize Ryd (Amaranthe), na segunda canção. Já “Zero Gravity”, obstante os elementos padrões e esperados, busca acrescentar algo novo, com uma passagem de música étnica, típica de um álbum do Orphaned Land. Muito legal! “Fast Radio Burst” tem uma pegada mais moderna, voltada para o Prog/Power atual, peso e bons riffs. Sai completamente do lugar-comum, assim como a faixa seguinte, “Decoding the Multiverse”, que não só traz em si elementos que encontraríamos em uma canção do Dream Theater, como também tem, lá pela metade, um momento totalmente Queen. “Origins” é quase uma vinheta orquestra/sinfônica, e é muito bonita.


Aquela pegada mais Prog Metal, meio Dream Theater, volta a surgir em “Multidimensional”, que destaca principalmente pelo uso de alguns experimentos eletrônicos, além do refrão e dos coros, muito bons. “Amata Immortale” é muito mais uma peça operística do que uma canção de Metal, e se destaca pelas lindas orquestrações e pelo desempenho soberbo de Fabio Lione. Uma das baladas mais lindas que escutei esse ano. “I Am” traz a tona novamente a veia Progressiva da banda, além de contar com ótimos sintetizadores, refrão cativante, e outra grande performance de Lione. Vale destacar em determinado momento, voltam a encorporar o Queen mais uma vez. Encerrando a versão padrão do álbum, temos a ótima “Arcanum (Da Vinci's Enigma)”, que traz a tona aquele Rhapsody mais Power, com uma levada mais agitada, boas guitarras e orquestrações que se destacam. Após isso, temos uma faixa bônus um tanto dispensável, uma versão para “Oceano”, de  Josh Groban. Não é que tenha ficado ruim, mas ficou idêntica a original, e do meu ponto de vista, isso tira a lógica de se fazer uma versão.

Produzido por Luca e Fabio, e com mixagem e masterização realizados por Simone Mularoni (DGM, Elvenking, Luca Turilli's Rhapsody, Twilight Force, Vision Divine), o resultado, no que se refere a produção, é excelente. Cada mínimo detalhe pode ser notado. A capa é obra de Stefan Heilemann (Dimmu Borgir, Epica, Kamelot, Kreator, Michael Schenker Fest). Menos acessível do que muitos poderiam imaginar, diverso e mais pesado do que qualquer trabalho das encarnações anteriores da banda, Zero Gravity (Rebirth and Evolution), atualiza o som do Rhapsody, fazendo a transição entre aquele Power Sinfônico/Melódico dos anos 90, para o Power/Prog Sinfônico dos dias de hoje. Imperdível para os fãs do estilo!

NOTA: 85

Trulli/Lione Rhapsody é:
- Fabio Lione (vocal);
- Luca Turilli (guitarra/teclado);
- Dominique Leurquin (guitarra);
- Patrice Guers (baixo);
- Alex Holzwarth (bateria).

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Sabaton - The Great War (2019)


Sabaton - The Great War (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. The Future Of Warfare
02. Seven Pillars Of Wisdom
03. 82nd All The Way
04. The Attack Of The Dead Men
05. Devil Dogs
06. The Red Baron
07. Great War
08. A Ghost In The Trenches
09. Fields Of Verdun
10. The End Of The War To End All Wars
11. In Flanders Fields


Existem as bandas clichês, e existe o Sabaton. Quando você coloca um CD dos suecos para tocar, já sabe exatamente o que escutará, pois, desde a estreia com Primo Victoria (05), adotaram uma fórmula musical da qual não abrem mão. Estruturas, progressões, escalas, riffs, melodias, refrões, absolutamente tudo por aqui é reciclado álbum após álbum. Poucas bandas conseguem ser tão previsíveis. Posto tudo isso, só me cabe fazer a pergunta valendo 1 milhão de reais: como, com todos esses aspectos que jogariam qualquer trabalho na vala comum do Metal genérico, o Sabaton consegue ser tão legal, viciante e divertido? Sabe aquela banda que você sente raiva de gostar das músicas e dos álbuns? Pois é…

Completando 20 anos de carreira em 2019, o Sabaton não teve medo de arriscar, e para comemorar tal marca, lançou seu projeto mais ambicioso. The Great War não é só um trabalho conceitual que trata da 1ª Guerra Mundial, ou “A Grande Guerra”, ou “A Guerra para acabar com todas as Guerras”, como ficou conhecida. Nada mais do que 3 versões do álbum foram lançadas, a padrão, a History Edition, onde as canções são antecedidas por uma narração explicando o contexto histórico das mesmas, e uma versão intitulada The Soundtrack To The Great War, que conta apenas com versões 100% orquestradas das músicas, e participação de Floor Jansen (Nightwish) na abertura e em alguns vocais adicionais que surgem aqui e ali. Vale dizer que essa última só está disponível para quem adquirir a The Great Box Edition. No Brasil, a Shinigami está lançando as duas primeiras, a versão padrão em acrílico, e a History Edition em digipack. Material imperdível para colecionadores e fãs da banda.

Mas deixemos de enrolação. Quando fiquei sabendo que o 9º álbum de estúdio do Sabaton se trataria de um trabalho conceitual a respeito da Grande Guerra, confesso que fiquei temeroso. Meu medo não vinha de alguma dúvida a respeito da competência dos suecos para tal, mas receava a forma como um momento tão pesado da história da humanidade, um evento que consumiu e destruiu a vida de milhões, seria abordado pela banda, já que ela se notabilizou por uma abordagem mais grandiosa e heroica dos fatos. Felizmente, conseguiram se sair muito bem, já que apesar desses momentos se fazerem presentes, ao tratarem de histórias individuais, o lado sombrio da guerra  permeia toda a audição. A Grande Guerra não é glorificada, e suas vítimas são tratadas com o respeito que merecem por parte do Sabaton.


Musicalmente, qualquer um que conheça a banda sabe o que vai encontrar aqui: Power Metal com elementos sinfônicos, vocal bem característico, riffs pesados – e requentados dos trabalhos anteriores –, bons solos, guitarras que passam boa parte do tempo “tocando” as linhas vocais, refrões fortes, acompanhados de coros e teclados bem encaixados. É aquele já falado mais do mesmo irritantemente divertido, que te deixa com a sensação de já ter escutado aquilo antes em algum álbum anterior, mas que quando você se dá conta, está cantando junto e tocando sua air guitar pela sala. Para não dizer que o Sabaton se limitou apenas a simples repetição, chamou-me a atenção o fato de que os coros e orquestrações se fazem mais presentes. São vários os momentos em que eles suplantam os teclados, responsáveis por dar um toque de Hard/Glam a muitas canções. Isso torna The Great War um álbum mais épico, se comparado com seus antecessores recentes, Heroes (14) e The Last Stand (16). Em relação a este último, vale dizer que empolga muito mais, pois não sofre tanto com os altos e baixos que se faziam presentes no mesmo.

A abertura se dá com “The Future Of Warfare”, que trata da introdução do Tanque de Guerra nos campos de batalha, focando nas batalhas de Flers-Courcelette (1916) e Villers-Bretonneux (1918). É uma abertura sólida, no melhor estilo Sabaton, com um bom trabalho de bateria e coros grandiosos e bombásticos. “Seven Pillars Of Wisdom” trata da figura de Lawrence da Arábia, britânico que lutou ao lado das forças árabes, contra o Império Otomano. É um dos pontos altos do álbum, com suas ótimas guitarras, melodia empolgante e um refrão forjado cuidadosamente para grudar na cabeça de quem escuta por dias a fio. “82nd All The Way” trata da figura do Sargento Alvin York, soldado americano mais condecorado da 1ª Guerra, e do episódio ocorrido na Ofensiva Meuse-Argonne (1918), onde comandando um destacamento de apenas 16 homens, destruiu 32 metralhadoras, matando 28 militares alemães e capturando outros 132. É aquele típico Power Metal da banda, com refrão marcante e sem grandes novidades.

“The Attack Of The Dead Men” aborda a Batalha da Fortaleza de Osowiec (1915), onde, com intenção de erradicar os cerca de 900 defensores russos, os alemães bombardearam a mesma com armas químicas. Para a surpresa dos 7 mil soldados alemães que avançaram em sua direção, julgando que já não encontrariam grande resistência, 100 russos, totalmente desfigurados, tossindo sangue e pedaços de seus próprios pulmões, o que dava aos mesmos uma aparência de zumbis, surgiram em uma contra-carga, causando grandes baixas as forças alemãs. É uma canção que foge um pouco do padrão, por soar mais épica, com boas guitarras, e cativa o ouvinte com certa facilidade. “Devil Dogs” trata dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, na Batalha de Belleau Wood (1918), onde se mostraram implacáveis contra as tropas da Alemanha. Sabe aquela canção 100% reciclada, que está presente em todos os trabalhos do Sabaton. Esse é o melhor exemplo que posso dar disso.


“Red Baron” trata de Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, ou se preferir, o famoso Barão Vermelho, responsável por 80 mortes confirmadas de aliados em combates aéreos durante a 1ª Guerra. De ritmo rápido, divertida e com refrão que beira a perfeição, possui um Hammond que dá um clima setentista e a tira do lugar-comum ao qual estamos acostumados. Se prepare, vai se pegar cantando essa música de primeira. “Great War” trata do sofrimento que a guerra causa, e tem seu foco na Batalha de Passchendaele (1917), ou Terceira Batalha de Ypres, uma das maiores carnificinas da Grande Guerra, custando algo entre 500 e 800 mil vidas. Pesada, épica, colossal e com um refrão bem marcial, é dessas canções forjadas para o público cantar junto nos grandes festivais, e acredite, isso vai acontecer. “A Ghost In The Trenches” trata de Francis Pegahmagabow, soldado mais condecorado da história militar canadense, e atirador mais efetivo da 1ª Guerra. É creditado a ele, a morte de 378 alemães, e a captura de mais de 300. É outra canção padrão da banda, com aquelas passagens cativantes que já são esperadas.

“Fields Of Verdun” trata da Batalha de Verdun (1916), travada por mais de 300 dias, sendo assim a maior e mais longa de toda a Grande Guerra na Frente Ocidental. É um Power Metal empolgante, pesado, com boas guitarras e claro, com aquele refrão maroto feito para eu, você e todo mundo cantar junto. E vamos cantar! Na sequência, talvez o momento mais grandioso e épico da carreira do Sabaton, “The End Of The War To End All Wars”. Grandiosa, recheada de belas orquestrações e corais, e com vocais que ajudam a dar um ar sombrio a canção, ela é o retrato perfeito de uma guerra que vitimou entre 15 e 20 milhões de pessoas, quase metade delas civis, e ainda deixou cerca de 23 milhões de feridos. Encerrando, “In Flanders Fields”, onde o poema do soldado canadense John McCrae, morto da Grande Guerra, é cantado por um coral “a capella”. Uma justa e belíssima homenagem que dá voz a todos que tombaram durante o conflito.

Produzido pela banda, gravado e mixado por Jonas Kjellgren (Amorphis, Hypocrisy, Immortal, Katatonia e o próprio Sabaton), e com masterização realizada por Maor Appelbaum (Angra, Candlemass, Faith No More, Halford), temos aqui a melhor produção já feita em um trabalho dos suecos. Cada detalhe pode ser notado, mas sem que isso afete o peso e deixe a sonoridade excessivamente artificial. A bela capa é mais uma vez, obra de Péter Sallai (Accept, Cavalera Conspiracy, Hammerfall, W.A.S.P.), e retrata com perfeição o clima do álbum. Com canções dinâmicas, que vão direto ao ponto e entregam o que o fã espera, o Sabaton comemora seus 20 anos de carreira em alto nível, deixando claro que ainda tem muita munição para gastar nos próximos anos. Encerro essa resenha com as palavras escritas por um tenente francês, que veio a falecer na Batalha de Verdum, para que assim, quem sabe, consigamos entender o horror de uma guerra.

“A Humanidade é louca. Tem de ser louca para fazer o que está a fazer. Que massacre! Que cenas de horror e carnificina! Não encontro palavras para exprimir as minhas emoções. O Inferno não deve ser tão mau. Os homens são loucos!”

NOTA: 89

Sabaton é:
- Joakim Brodén (vocal/teclado)
- Chris Rörland (guitarra)
- Tommy Johansson (guitarra)
- Pär Sundström (baixo)
- Hannes Van Dahl (bateria)

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Beast in Black - From Hell With Love (2019)


Beast in Black - From Hell With Love (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. Cry Out For A Hero
02. From Hell With Love
03. Sweet True Lies
04. Repentless
05. Die By The Blade
06. Oceandeep
08. True Believer
09. This Is War
10. Heart Of Steel
11. No Surrender
12. Killed By Death (Motörhead cover) (bonus)
13. No Easy Way Out (Robert Tepper cover) (bonus)

Formado após a saída de Anton Kabanen do Battle Beast, devido as famosas diferenças pessoais e criativas, o Beast in Black é visto por muitos como uma continuação do trabalho do guitarrista em sua ex-banda. Convenhamos, é algo meio difícil de se negar quando se escuta o debut, Berserker, lançado em 2017, já que ele possui uma abordagem que aproxima demais às duas bandas. Com a boa receptividade do trabalho de estreia, criou-se uma expectativa óbvia pelo que viria a seguir, afinal, o desafio do segundo álbum já derrubou muitos nomes promissores e valorosos por aí. Pois bem! Esse não foi o caso aqui.

Para From Hell With Love, Kabanen e cia não inventarem e apresentam o que sabem fazer de melhor. O ouvinte vai se deparar com aquela mistura equilibrada de Heavy/Power, Hard/AOR e Euro/Synth-pop, aquela estética kitsch dos anos 80, brega, mas extremamente divertida, que rende canções com riffs pesados, bons solos, sintetizadores aos montes, melodias e refrões irritantemente grudentos. Antes de seguir, preciso destacar dois nomes aqui. Yannis Papadopoulos está simplesmente monstruoso. O vocalista grego é o grande diferencial da banda, e só falta fazer chover. Já Kabanen transborda criatividade não só na guitarra, como também nos teclados e nas orquestrações que surgem de forma pontual e inteligente. Por mais que Kasperi Heikkinen (guitarra), Máté Molnár (baixo) e o estreante Atte Palokangas (bateria) sejam ótimos músicos, esses dois são os grandes responsáveis pelo resultado de From Hell With Love.


Exceto pela serena e melancólica balada “Oceandeep”, que remete um pouco a algumas coisas feitas pelo Nightwish, podemos separar as canções aqui presentes em 3 categorias. Primeiro, temos aquelas híbridas, que mesclam muito bem Metal e AOR. São o caso de “Cry Out For A Hero”, com seu refrão grudento e boas melodias; “From Hell With Love”, com aqueles sintetizadores típicos dos anos 80 e bom apelo Pop; “Sweet True Lies”, outra com pegada bem AOR e um refrão que pasmem, poderia ter sido composto por uma Boy band dos anos 90; “Unlimited Sin”, com guitarras pesadas e algo meio Survivor, e “Heart Of Steel”, onde o Sabaton se encontra com algum grupo de Synth-pop. Também temos aquelas canções que poderiam estar em qualquer um daqueles grandes sucessos do cinema dos anos 80, e que assistíamos na Sessão da Tarde. São o caso de “Die By The Blade”, com bons teclados e vocais, e “True Believer”, carregada de elementos Synth-pop e com um bom refrão. Por último, aqueles momentos onde o lado Power Metal fala mais alto. Aqui se encaixam “Repentless”, com seus bons riffs e que poderia estar em qualquer álbum do Sabaton;  “This Is War”, e “No Surrender”, que ainda sim não abre mão do apelo Pop no refrão. De bônus, uma versão corretíssima e muito boa para “Killed By Death”, do  Motörhead, e “No Easy Way Out”, de Robert Tepper, canção Pop que fez parte da trilha sonora de Rocky IV e que aqui ganhou uma dose de peso.

Assim como no debut, produção e mixagem ficaram por conta de Kabanen, e a masterização foi feita por Emil Pohjalainen, guitarrista do Amberian Dawn. O resultado está dentro dos padrões de qualidade atuais, com tudo claro, limpo, mas ainda sim pesado. Já a belíssima capa foi obra de Roman Ismailov. Não vou entrar aqui naquela rivalidade infantil de qual banda é melhor, se o Battle Beast ou o Beast in Black, já que ambas lançaram material de qualidade nos últimos anos, e essa é uma opinião muito pessoal, que vai variar de pessoa para pessoa. O que posso garantir é que  From Hell With Love é um daqueles álbuns saídos diretamente dos anos 80, para o bem e para o mal, e que é diversão garantida para aqueles que apreciam musica pesada de qualidade. Sem qualquer dúvida, um dos álbuns mais “grudentos” de 2019.

NOTA: 86

Beast in Black é:
- Yannis Papadopoulos (vocal);
- Anton Kabanen (guitarra/teclado);
- Kasperi Heikkinen (guitarra);
- Máté Molnár (baixo);
- Atte Palokangas (bateria).

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)


Battle Beast - No More Hollywood Endings (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Unbroken
02. No More Hollywood Endings
03. Eden
04. Unfairy Tales
05. Endless Summer
06. The Hero
07. Piece of Me
08. I Wish
09. Raise Your Fists
10. The Golden Horde
11. World on Fire
12. Bent and Broken (bônus track)
13. My Last Dream (bônus track)

Desde que surgiu para o mundo, como vencedor do Wacken Metal Battle Contest, em 2010, o Battle Beast começou sua escalada progressiva rumo ao topo, com 3 ótimos álbuns, Steel (11), Battle Beast (13) e Unholy Savior (15). Infelizmente, naquele que parecia o seu melhor momento, o guitarrista e principal compositor, Anton Kabanen, rompeu com a banda alegando divergências irremediáveis, e partiu para um novo projeto, o Beast in Black. As inseguranças e dúvidas geradas com sua partida e em como a banda lidaria com isso, começaram a ser dissipadas com o bom Bringer of Pain (17), seu trabalho mais acessível até então, dadas as doses maiores de influências Pop e Hard/AOR. O peso continuava lá, mas o caminho futuro estava mais que indicado.

Dessa forma, No More Hollywood Endings, seu 5º trabalho de estúdio, é um passo mais do que lógico e esperado, e não deve surpreender ninguém o fato de ser ainda mais acessível e comercial que seu antecessor. Mas calma, isso não quer dizer que a banda abandonou suas raízes metálicas, pois elas ainda se fazem muito presentes. A realidade é que o sexteto finlandês consegue unir de forma muito inteligente, peso e acessibilidade, além de claro, qualidade. É como se estivéssemos diante de um híbrido do Nightwish com o Sabaton e o The Night Flight Orchestra. Elementos sinfônicos são utilizados para dar um clima pomposo e épico, enquanto os teclados de Janne Björkroth dão aquele ar de Hard/AOR as canções. Ao mesmo tempo, o peso das guitarras de Juuso Soinio e Joona Björkroth – quando estas suplantam a força dos teclados –, e da parte rítmica de Eero Sipilä (baixo) e Pyry Vikki (bateria), nos fazem lembrar que estamos diante de um álbum de Heavy Metal. Noora Louhimo é um caso a parte, pois seus vocais são o diferencial do Battle Beast, o que os tira da vala das bandas comuns. Poderosa, variada e acima da média, ela é, me perdoem pelo trocadilho, o coração da besta de batalha finlandesa. 


A abertura, com “Unbroken”, deixa bem clara a proposta atual do Battle Beast. Os elementos sinfônicos dão pompa a canção, as guitarras transmitem energia, peso, enquanto os teclados nos jogam em uma espiral de Hard/AOR, tudo isso acompanhado de um refrão grudento. Se eu tivesse que definir o álbum em apenas uma música, essa seria minha escolha. A cativante “No More Hollywood Endings” se destaca principalmente pelos vocais, melodias marcantes e bom uso dos sintetizadores, enquanto “Eden” é outra que cativa pelas melodias, pela intensidade e pelo peso, já que é um desses momentos onde as guitarras suplantam os teclados. E o refrão, é desses para cantar juntos. Os anos 80 surgem com toda força nas duas canções seguintes, “Unfairy Tales”, com uma leve pegada mais pop, e principalmente com “Endless Summer”, uma daquelas baladas cafonas que as bandas de Glam do período faziam com perfeição. O diferencial é que os vocais de Noora salvam a música da breguice. “The Hero” é uma canção forte, com boas guitarras e teclados, enquanto a ótima “Piece of Me”, com seus vocais mais agressivos e ótimos riffs, me remeteram aos melhores momentos da carreira solo de Doro. “I Wish” é uma balda com certa pompa e melancolia, mas que não empolga muito; “Raise Your Fists” é um Heavy correto e com bons riffs, enquanto a bombástica “The Golden Horde” nos remete as raízes Power Metal da banda. Encerrando a versão normal do álbum, temos “World on Fire”, com sua boa energia e melodias cativantes. A versão nacional ainda conta com mais 2 faixas, que saíram na versão em digipack europeia, a açucarada “Bent and Broken”, e a forte “My Last Dream”.

A produção e mixagem foram realizadas por Janne Björkroth, enquanto a masterização ficou por conta de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Entombed A.D., Sonata Arctica), que já havia trabalhado com a banda em seu debut, Steel. O resultado é muito bom, já que aliou uma clareza cristalina com peso, sem deixar aquele ar artificial. Já a capa e todo o layout do encarte, foi mais uma vez obra de Jan "Örkki" Yrlund (Delain, Impaled Nazarene, Korpiklaani, Manowar). Conseguindo equilibrar seu lado mais pesado com o mais acessível, o Battle Beast prova de uma vez por todas com No More Hollywood Endings, que consegue sim, caminhar muito bem sem a força criativa de Anton Kabanen. Mostrando muito daquela força e energia do passado – mesmo com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns –, um futuro muito promissor se descortina diante dos olhos do sexteto finlandês. Agora, é esperar o próximo passo e descobrir se conseguem manter o nível aqui apresentado.

NOTA: 84

Battle Beast é:
- Noora Louhimo (vocal);
- Juuso Soinio (guitarra);
- Joona Björkroth (guitarra);
- Eero Sipilä (baixo);
- Janne Björkroth (teclado);
- Pyry Vikki (bateria).

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Fifth Angel - The Third Secret (2018)


Fifth Angel - The Third Secret (2018) 
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
 
01. Stars are Falling
02. We Will Rise
03. Queen of Thieves
04. Dust to Dust
05. Can You Hear Me
06. This is War
07. Fatima
08. The Third Secret
09. Shame on You
10. Hearts of Stone

Pode ser que você, prezado leitor, nunca tenha ouvido falar do Fifth Angel, mas para aqueles mais íntimos dos porões do Metal oitentista, se trata de um nome de muito valor. Surgida no ano de 1984, na cidade de Seattle – que posteriormente se popularizou pelo movimento grunge –, lançaram dois excelentes álbuns, Fifth Angel (86) e Time Will Tell (89), que fizeram a alegria dos fãs daquele Power Metal tipicamente americano. Infelizmente, após isso, a banda implodiu, e um longo hiato se seguiu. É nesse ponto da história que entra o festival alemão Keep it True. No ano de 2010, após um convite, ocorreu um breve retorno para participação no mesmo, fato que veio a se repetir em 2017. A diferença é que, dessa última vez, a banda recebeu uma oferta da Nuclear Blast para um novo álbum, e bem, aqui estamos nós agora, tratando de The Third Secret.

A primeira coisa que chama a atenção aqui, é que o Fifth Angel gravou como um trio. Da formação oriunda de Time Will Tell, o vocalista Ted Pilot se afastou da música, se tornando cirurgião-dentista, restando os guitarristas Ed Archer e Kendall Bechtel, o baixista John Macko e o baterista Ken Mary (Flotsam and Jetsam, ex-Alice Cooper, ex-Chastain, ex-Impellitteri), sendo que Ed, por questões particulares, não pode participar da gravação. Dessa forma, terminaram reduzidos a um Power Trio, já que Kendall assumiu os vocais. Tudo isso gerou uma série de questionamentos. Como Bechtel se sairia como vocalista? A banda conseguiria manter a pegada dos anos 80, ou o tempo cobraria a fatura? Após a audição, posso garantir sem medo, que os fãs das antigas ficarão satisfeitos com o resultado, e os que ainda não conhecem a banda, terão uma oportunidade de ouro para isso.

Confesso que para mim, o desempenho de Kendall Bechtel é surpreendente. Seus vocais são poderosos, fortes, e vão remeter diretamente a ninguém menos que Ronnie James Dio, mas com alguns toques de Bruce Dickinson aqui e ali. Ele também foi o responsável por cuidar das guitarras, e elas não estão menos que primorosas, com destaque para os riffs, marcantes, e os belíssimos solos. Na parte rítmica, John Macko e Ken Mary conseguem manter o altíssimo nível, com muita solidez, técnica e peso. Musicalmente, temos aquele Power Metal tipicamente americano, que privilegia mais o peso e a agressividade, mas sem deixar as melodias de lado. A identidade sonora da banda se mantêm bem forte, mas soando um pouco mais pesado, o que dá um ar mais atual a suas canções e evita que soam datados. Vale dizer que Kendall saiu da banda, após o lançamento, sendo substituído pelo vocalista Steven Carlson e pelo guitarrista Ethan Brosh. De qualquer forma, que já teve a oportunidade de ver vídeos das apresentações do Fifth nos festivais de verão da Europa nesse ano, sabe que isso não afetou em nada a qualidade, ao menos ao vivo.


De cara, temos a excelente “Stars are Falling”, com seus ótimos riffs, muito equilíbrio entre peso e melodia, além de um refrão muito bom. Por sinal, esse último quesito se repete em todo o álbum. “We Will Rise” é outra que se destaca pelo belo trabalho de guitarras, e tem ótimas melodias vocais. Duvido você não cantar o refrão com o punho erguido e batendo cabeça. A cadenciada e pesada “Queen of Thieves” tem uma vibração meio oriental nas melodias vocais e de guitarra, enquanto “Dust to Dust” é aquele clássico Power Metal da escola americana do estilo, com peso, bons vocais e um ótimo trabalho de bateria. O ritmo cai um pouco com a balada “Can You Hear Me”, que se destaca pelas melodias e pelo refrão forte e marcante, mas volta a subir com a ótima “This is War”, pesada, e com ótimos riffs. Não podemos negar a beleza e qualidade da semi-balada “Fátima”, mas também não dá para discutir que é a canção que menos empolga em todo álbum. “The Third Secret” tem boa cadência, uma linha de baixo forte e teclados muito bem encaixados, além de trazer novamente uma certa vibração oriental em suas melodias. A sequência final abre com o Power “Shame on You”, rápido, cheio de energia e com um ótimo solo, e encerra com “Hearts of Stone”, onde as guitarras e melodias se destacam.

A produção e mixagem ficaram a cargo de Ken Mary, com masterização realizada por Brad Balckwood (Lamb of God, Soulfly, Trivium), com resultados muito bons. Está tudo claro, limpo, audível, mas ainda sim pesado e agressivo. A arte da capa foi obra de Zsofia Dankova (Elvenking, Powerwolf), e o layout foi feito por Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Dimmu Borgir, Kreator, Testament). Não poderia ter ficado menos do que ótimo. Equilibrando muito bem o novo e o antigo, o Fifth Angel entrega aos seus fãs um álbum enérgico, forte e que honra as tradições da banda, e vai agradar em cheio os que apreciam um Power Metal de qualidade. Resta agora esperar pelos passos futuros da banda.

NOTA: 86

Fifth Angel (gravação):
- Kendall Bechtel (vocal, guitarra, teclado)
- John Macko (baixo)
- Ken Mary (bateria/teclado)

Fifth Angel é:
- Steven Carlson (vocal);
- Ed Archer (guitarra);
- Ethan Brosh (guitarra);
- John Macko (baixo)
- Ken Mary (bateria/teclado)

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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Avantasia – Moonglow (2019)


Avantasia – Moonglow (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Ghost in the Moon
02. Book of Shallows
03. Moonglow
04. The Raven Child
05. Starlight
06. Invincible
07. Alchemy
08. The Piper at the Gates Of Dawn
09. Lavender
10. Requiem for a Dream
11. Maniac
12. Heart (faixa bônus)

Quando Tobias Sammet se aventurou ao lançar as duas partes de The Metal Opera, no início dos anos 2000, não poderia imaginar a proporção que tudo tomaria. Prova disso é que originalmente, o Avantasia havia sido concebido em sua cabeça apenas para esses álbuns. Pois bem, a coisa vingou de tal forma, que hoje chega ao seu 8º álbum de estúdio. Sempre se cercando de músicos consagrados, e apresentando uma música um tanto quanto pomposa e exagerada, alternou entre ótimos álbuns e outros um tanto burocráticos, por mais que nos 2 últimos, The Mystery of Time (A Rock Epic) (13) e Ghostlights (16), as coisas tenham melhorado consideravelmente.

Apesar de levemente mais contido nesse sentido, mais uma vez temos uma ótima seleção de músicos convidados. Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate, Bob Catley e Michael Kiske já são velhos conhecidos dos fãs do Avantasia, e a eles são acrescidos os estreantes Hansi Kürsch, Mille Petrozza e Candice Night. São nomes que dispensam apresentações e estão entre as principais vozes da música pesada, não só na atualidade, como em todos os tempos. Dá para notar também que temos uma maior variedade vocal nessa lista, o que acabou por abrir mais possibilidades em matéria de composição.


A música do Avantasia sempre teve em sua base aquele Power Metal tipicamente europeu, carregado de pompa e exageros estilísticos, mas que por algum motivo funcionou muito bem no início. Com o passar dos lançamentos, esse lado pomposo foi aumentado com a inclusão de elementos de Hard Rock oitentista, Pop, elementos orquestrais e de musicais da Broadway, chegando ao auge em Moonglow. Isso poderia ser o prenúncio de um desastre, mas surpreendentemente funciona muito bem. Um dos motivos disso é sem dúvida alguma, a irritante capacidade que Tobias possui de compor refrões grudentos. Mesmo quando a música não empolga, mesmo quando você se esforça para não gostar do que está ali, surge lá, do nada, aquele refrão empolgante e cativante, te fazendo cantar junto contra a sua vontade. Sério, isso deveria estar no código penal, ser considerado crime.

Brincadeiras a parte, a variedade maior de vozes deu a Sammet mais abertura para explorar e expandir suas ideias. Isso só fez bem ao Avantasia. Tudo aqui se mostra mais diversificado, o que é ótimo. Nos vocais, Tobias se sai bem e tem um desempenho até superior ao que apresentou nos últimos álbuns, tanto de seu projeto quanto do Edguy. Entre os convidados, alguns destaques são óbvios. Geoff Tate está cantando como a muito não fazia, enquanto Jørn Lande, Bob Catley e Michael Kiske nos entregam exatamente o esperado. Petrozza trouxe uma dose de agressividade em sua participação, e Candice mostra uma voz forte. Hansi Kürsch está bem mais contido que nos álbuns do Blind Guardian, mas ainda sim consegue aparecer bem. Eric Martin poderia ter tido um pouco mais de espaço, mas brilha quando tem chance. Já Ronnie Atkins tem espaço para brilhar, mas surpreendentemente acaba não saindo muito do padrão, não brilhando como o esperado.

De cara, temos a ótima “Ghost in the Moon”, canção pomposa, com aqueles exageros esperados, mas que funciona de forma brilhante. É como se estivéssemos diante de um Savatage com toques de Pop e de musicais. E que refrão! A faixa seguinte, “Book of Shallows”, une Tobias, Atkins, Lande, Kürsch, Petrozza. É um Power Metal mais clássico, veloz, com boas melodias e ótimo refrão. As partes cantadas por Mille trazem um peso a mais para a canção, e o que teria tudo para soar esquisito e dar errado, acaba funcionando de uma forma irritantemente boa. “Moonglow” conta com o dueto entre Candice e Sammet, e se mostra uma faixa bem forte, fugindo daquele estereótipo de “balada delicada com vocal feminino”. “The Raven Child” não só é a maior música do álbum, como também a mais diversificada. Com seus mais de 11 minutos, passeia pelo Power e possui elementos de música Celta. Jørn Lande e Hansi Kürsch brilham, e acabam sendo o grande diferencial da canção. Já “Starlight”, com Ronnie Atkins, é uma canção bem padrão e que não foge muito do lugar-comum.


Na sequência temos a suave balada conduzida pelo piano, “Invincible” e a pesada “Alchemy”, onde o grande destaque fica por conta de Geoff Tate, que brilha nos vocais. O bom resultado é maximizado pela forma como sua voz e a de Sammet harmonizam. “The Piper at the Gates Of Dawn” é um Power metal básico e que procura não inventar. É a que conta com mais participações, já que tem seus vocais divididos entre Tobias, Ronnie Atkins, Jørn Lande, Eric Martin, Geoff Tate e Bob Catley. Justamente por isso, todos acabam tendo menos tempo do que mereciam para brilhar, mas isso não chega a comprometer o resultado. Se não mostrou tudo que podia na canção anterior, em “Lavender”, Bob Catley simplesmente brilha. Pesa também ao seu favor o fato da música possuir qualidades, como os bons coros e os teclados, que encaixam muito bem as partes orquestrais. “Requiem for a Dream” tinha tudo para ser um Power Metal padrão e sem sal, mas tem nos vocais ninguém menos que Michael Kiske, e isso por si só já salva a canção. “Maniac”, cover para a canção de Michael Sembello, e que foi trilha sonora do filme Flashdance (81), acaba soando um pouco deslocada dentro do contexto do álbum, mas é divertida, principalmente pelo inusitado da escola. Encerrando, temos a bônus “Heart”, um tributo ao Journey da fase Steve Perry.

Como sempre, a produção e mixagem ficaram por conta de Sascha Paeth, com masterização de Michael “Miro” Rodenberg. O resultado é aquele que esperamos, com tudo claro, limpo, cristalino, mas ainda sim pesado, afinal, estamos falando de um álbum de Heavy Metal. A belíssima capa é obra de Alexander Jansson, e é certamente a melhor que já vi em um álbum do projeto. Não vou mentir, quando peguei para escutar Moonglow, estava com os 2 pés atrás, afinal, os trabalhos anteriores não haviam me conquistado, mas ao final da audição, me deparei com o melhor trabalho do Avantasia em tempos. Um álbum fácil de escutar, divertido, com tudo aquilo que se espera vindo dele, e com aqueles irritantes refrões que ficam dias na sua cabeça. O que mais um fã pode querer?

NOTA: 83

Avantasia é:
- Tobias Sammet (vocal/baixo/teclado/piano/orquestrações)
- Sascha Paeth (guitarra/teclado/piano/orquestrações)
- Michael "Miro" Rodenberg (teclado/orquestrações)
Musicos convidados:
- Felix Bohnke (bateria)
- Ronnie Atkins (vocal nas faixas 2, 5, 8)
- Jørn Lande (vocal nas faixas2, 4, 8)
- Eric Martin (vocal nas faixas 8, 11)
- Geoff Tate (vocal nas faixas 6, 7, 8)
- Michael Kiske (vocal na faixa 10)
- Bob Catley (vocal nas faixas 8, 9)
- Candice Night (vocal na faixa 3)
- Hansi Kürsch (vocal nas faixas 2, 4)
- Mille Petrozza (vocal na faixa 2)
- Nadia Birkenstock (harpa celta)
- Oliver Hartmann (guitarra)

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