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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Beast in Black - From Hell With Love (2019)


Beast in Black - From Hell With Love (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. Cry Out For A Hero
02. From Hell With Love
03. Sweet True Lies
04. Repentless
05. Die By The Blade
06. Oceandeep
08. True Believer
09. This Is War
10. Heart Of Steel
11. No Surrender
12. Killed By Death (Motörhead cover) (bonus)
13. No Easy Way Out (Robert Tepper cover) (bonus)

Formado após a saída de Anton Kabanen do Battle Beast, devido as famosas diferenças pessoais e criativas, o Beast in Black é visto por muitos como uma continuação do trabalho do guitarrista em sua ex-banda. Convenhamos, é algo meio difícil de se negar quando se escuta o debut, Berserker, lançado em 2017, já que ele possui uma abordagem que aproxima demais às duas bandas. Com a boa receptividade do trabalho de estreia, criou-se uma expectativa óbvia pelo que viria a seguir, afinal, o desafio do segundo álbum já derrubou muitos nomes promissores e valorosos por aí. Pois bem! Esse não foi o caso aqui.

Para From Hell With Love, Kabanen e cia não inventarem e apresentam o que sabem fazer de melhor. O ouvinte vai se deparar com aquela mistura equilibrada de Heavy/Power, Hard/AOR e Euro/Synth-pop, aquela estética kitsch dos anos 80, brega, mas extremamente divertida, que rende canções com riffs pesados, bons solos, sintetizadores aos montes, melodias e refrões irritantemente grudentos. Antes de seguir, preciso destacar dois nomes aqui. Yannis Papadopoulos está simplesmente monstruoso. O vocalista grego é o grande diferencial da banda, e só falta fazer chover. Já Kabanen transborda criatividade não só na guitarra, como também nos teclados e nas orquestrações que surgem de forma pontual e inteligente. Por mais que Kasperi Heikkinen (guitarra), Máté Molnár (baixo) e o estreante Atte Palokangas (bateria) sejam ótimos músicos, esses dois são os grandes responsáveis pelo resultado de From Hell With Love.


Exceto pela serena e melancólica balada “Oceandeep”, que remete um pouco a algumas coisas feitas pelo Nightwish, podemos separar as canções aqui presentes em 3 categorias. Primeiro, temos aquelas híbridas, que mesclam muito bem Metal e AOR. São o caso de “Cry Out For A Hero”, com seu refrão grudento e boas melodias; “From Hell With Love”, com aqueles sintetizadores típicos dos anos 80 e bom apelo Pop; “Sweet True Lies”, outra com pegada bem AOR e um refrão que pasmem, poderia ter sido composto por uma Boy band dos anos 90; “Unlimited Sin”, com guitarras pesadas e algo meio Survivor, e “Heart Of Steel”, onde o Sabaton se encontra com algum grupo de Synth-pop. Também temos aquelas canções que poderiam estar em qualquer um daqueles grandes sucessos do cinema dos anos 80, e que assistíamos na Sessão da Tarde. São o caso de “Die By The Blade”, com bons teclados e vocais, e “True Believer”, carregada de elementos Synth-pop e com um bom refrão. Por último, aqueles momentos onde o lado Power Metal fala mais alto. Aqui se encaixam “Repentless”, com seus bons riffs e que poderia estar em qualquer álbum do Sabaton;  “This Is War”, e “No Surrender”, que ainda sim não abre mão do apelo Pop no refrão. De bônus, uma versão corretíssima e muito boa para “Killed By Death”, do  Motörhead, e “No Easy Way Out”, de Robert Tepper, canção Pop que fez parte da trilha sonora de Rocky IV e que aqui ganhou uma dose de peso.

Assim como no debut, produção e mixagem ficaram por conta de Kabanen, e a masterização foi feita por Emil Pohjalainen, guitarrista do Amberian Dawn. O resultado está dentro dos padrões de qualidade atuais, com tudo claro, limpo, mas ainda sim pesado. Já a belíssima capa foi obra de Roman Ismailov. Não vou entrar aqui naquela rivalidade infantil de qual banda é melhor, se o Battle Beast ou o Beast in Black, já que ambas lançaram material de qualidade nos últimos anos, e essa é uma opinião muito pessoal, que vai variar de pessoa para pessoa. O que posso garantir é que  From Hell With Love é um daqueles álbuns saídos diretamente dos anos 80, para o bem e para o mal, e que é diversão garantida para aqueles que apreciam musica pesada de qualidade. Sem qualquer dúvida, um dos álbuns mais “grudentos” de 2019.

NOTA: 86

Beast in Black é:
- Yannis Papadopoulos (vocal);
- Anton Kabanen (guitarra/teclado);
- Kasperi Heikkinen (guitarra);
- Máté Molnár (baixo);
- Atte Palokangas (bateria).

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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Hard:On – Bad Habits Never Die (2019)


Hard:On – Bad Habits Never Die (2019)
(Shinigami Records – Nacional)


01. Bad Habits Never Die
02. Catwalk
03. Dr She
04. Touchdown
05. Sunset Drive
06. Open Your Eyes
07. Kings of the Pit
08. Two to Tango
09. Life

O crescimento da cena Hard Rock no Brasil é inegável, e muitos foram os bons valores surgidos no país nos últimos anos. Dentre eles, podemos citar o Hard:On, banda surgida pelas mãos dos experientes Alex Hoff (guitarra, ex-Exxotica) e Ricardo Bolão (baixo, S.L.A.M., Ventre Nevoa), e que lançou se debut autointitulado no ano de 2016. Na época um quinteto, completado por Chris Hoff (vocal), HP Elliot (guitarra) e Daniel Gohn (bateria), passaram por mudanças de formação, já que com a saída de Ellitot, se estabeleceram como um quarteto. Passados 3 anos da estreia, surgem com seu segundo álbum, Bad Habits Never Die.

Quem já teve contato com a banda, sabe exatamente o que esperar, ou seja, Hard Rock com os pés muito bem fincados nos anos 80, e que flerta em alguns momentos com o AOR e, princialmente, com o Heavy Metal. É impossível não lembrar de nomes como Mötley Crüe, Ratt, Whitesnake, Twisted Sister, Great White e afins, referências claras para a sonoridade do quarteto. Teria tudo para soar datado, mas a produção e, principalmente a competência e talento dos envolvidos, consegue trazer o som do Hard:On para os tempos atuais. É uma música enérgica, variada, com aquela pegada bem maliciosa do Hard/Glam, e principalmente, com melodias bem grudentas.


De cara, temos a pesada “Bad Habits Never Die”, com bons riffs e refrão fácil de se pegar. Na sequência, “Catwalk” traz aquele clima festeiro do Hard Rock, e vai agradar em cheio aos amantes do estilo. “Dr She” é outra que carrega consigo muito peso, além de bons trabalhos de guitarra e baixo, algo que também podemos observar na ótima “Touchdown”, onde também se destaca a bateria. “Sunset Drive” é um daqueles típicos Hards oitentistas, com uma pegada bem Mötley Crüe; “Open Your Eyes” tem um baixo forte e melodias grudentas, e “Kings of the Pit” apresenta ótimas guitarras. Encerrando, temos “Two to Tango”, com seu refrão marcante, e a suave e introspectiva  “Life”, que encerra o trabalho com chave de ouro.

Repetindo o processo do debut, o álbum foi gravado no Rocks Studio (SP), e teve produção da banda com coprodução, mixagem e masterização de José "Heavy" Luís Carrato. Já os vocais foram gravados do Cubic Sun Studios, em Berlim, Alemanha. A banda mostra evolução nesse sentido, com uma produção superior à estreia, mais moderna, mas sem exageros, e que consegue manter aquele clima típico dos anos 80. A belíssima capa foi obra de Marcelo Calenda, e de alguma forma me remeteu a de Just Push Play (01), do Aerosmith. Mostrando evolução e dando aquele esperado passo a frente, o Hard:On entrega aos fãs, um álbum pesado, festeiro, recheado de boas composições e que vai agradar em cheio aos apreciadores daquele Hard/Glam oitentista.

NOTA: 84

Hard:On é:
Chris Hoff (vocal)
Alex Hoff (guitarra, teclado e backing vocals)
Ricardo Bolão (baixo e backing vocals)
Daniel Gohn (bateria)

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terça-feira, 16 de abril de 2019

Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)


Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)
(Musik Records - Nacional)


01. The Coming Of Symptoms
02. Wired In (feat. Carl Dixon)
03. Artwork Nightmare (feat. Michael Vöss)
04. Sly Side Effect (feat. Haig Berberian)
05. Silence In Heaven (feat. André Adonis)
06. Saints Spirits & Slaves Sinners (feat. Rod Marenna)
07. First Day Without You (feat. Daniel Vargas & Tito Falaschi)
08. Sharppia
09. Dawning Of Aquarius (feat. Steph Honde)
10. Second Skin Arena (feat. Mario Pastore)
11. Miss Misery (feat. André Adonis)

Para quem desconhece, Fred Mika é líder e baterista da banda goiana de Hard Rock Sunroad, e  Withdrawal Symptons é seu primeiro trabalho solo. Na maioria das vezes, quando um músico opta por algo nessa linha, a ideia é se descolar de sua banda principal, mas Fred optou por não se afastar demais do terreno que conhece muito bem. Dessa forma, o ouvinte vai se deparar com uma boa mescla de Hard, Classic Rock, AOR, Glam e Melodic Rock, que certamente tem tudo para agradar aos que apreciam os citados estilos.

Para essa empreitada, a opção foi se cercar não só de músicos mais próximos, como também de nomes de inegável talento. O vocalista do Sunroad, André Adonis, assumiu toda a parte instrumental, cuidando das guitarras, baixo e teclado, além de cantar em duas canções. O hoje ex-guitarrista da banda goiana, Netto Mello, cuidou da produção. Além disso, para os vocais, se cercou de músicos convidados que só ajudaram a enriquecer o resultado: Carl Dixon (April Wine, Guess Who), Michael Vöss (Mad Max, Casanova, M.S.G., Phantom V), Haig Berberian (Dogman), Daniel Vargas (Adellaide), Tito Falaschi (ex-Symbols), Rod Marenna (Marenna), Steph Honde (Hollywood Monsters) e Mario Pastore (Pastore).

Com um time desses, não precisa dizer que os vocais são um dos pontos de destaque do álbum. Na parte instrumental, Adonis faz um bom trabalho, se mostrando não só um guitarrista muito talentoso, dado não só os bons riffs, bem melodiosos, como os solos com clara influência de Blues que ele nos entrega, mas também se saindo bem no baixo e, principalmente, nos teclados. Ele consegue os encaixar com exatidão nas canções, sem exageros e sem que ele se sobreponha as guitarras, além de criar ótimas atmosferas. Na bateria, como não poderia deixar de ser, Fred mostra o seu já reconhecido talento.


Descontando a introdução, temos 10 canções que apresentam boas melodias, algum peso e que possuem a dose necessária, e esperada, de acessibilidade. O único porém para mim se dá na questão dos refrões, já que a maioria não causa aquele impacto esperado e necessário. Após uma breve introdução, “Wired In” surge  mesclando bem elementos de Classic Rock e AOR; “Artwork Nightmare”, tem aquela pegada bem Whistesnake, equilibrando peso e acessibilidade; “Sly Side Effect” remete o ouvinte ao Deep Purple setentista; “Silence In Heaven” é um Hard mais cadenciado, enquanto “Saints Spirits & Slaves Sinners” é um AOR oitentista da melhor qualidade. A segunda metade do álbum abre com a versão acústica de “First Day Without You”, canção do Sunroad, sendo seguida pela instrumental “Sharppia”. Encerrando, a sequência composta pelas pesadas “Dawning Of Aquarius” e “Second Skin Arena”, ambas com um pé no Metal Tradicional, e uma versão para “Miss Misery”, do Nazareth.

A produção ficou a cargo de Fred e do já citado Netto Mello, com a coprodução de Adonis. O resultado é positivo, já que tudo está audível, mas podem me chamar de chato, achei um pouco crua além da conta para o estilo proposto. Penso que algo um pouco mais limpo deixaria tudo um pouco mais bombástico. A parte gráfica é bem-feita, mas a parte referente aos créditos peca pela escolha e tamanho das letras, já que ficou confuso e quase impossível de ler. Posto tudo isso, não tenho nenhuma dúvida quanto ao fato de que Withdrawal Symptons cairá em cheio no gosto daqueles que apreciam um bom Hard Rock/AOR, pois, é feito na medida para fãs do estilo.

NOTA: 79

Fred Mika (gravação):
- Frad Mika (bateria);
- André Adonis (vocal/guitarra/baixo/teclado)

Convidados:
- Carl Dixon;
- Michael Vöss;
- Haig Berberian;
- Daniel Vargas;
- Tito Falaschi;
- Rod Marenna;
- Steph Honde;
- Mario Pastore.


domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Hard/Classic Rock

Melhores de 2018 - Hard/Classic Rock


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. The Dead Daisies - Burn It Down


02. Maya - Egophilia


03. The Night Flight Orchestra - Sometimes the World Ain't Enough


04. Greta Van Fleet - Anthem Of The Peaceful Army 


05. Graveyard - Peace


06. The Vintage Caravan - Gateways 


07. Michael Schenker Fest - Resurrection 


08. Voodoo Circle - Raised on Rock 


09. Black Stone Cherry - Family Tree 


10. Monster Truck - True Rockers 

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Sun Diamond - Sun Diamond (2017)


Sun Diamond - Sun Diamond (2017)
(Independente - Nacional)


01. Frozen Bones
02. Detached
03. Let Me Drunk (and R.I.P)
04. Go To The Yard
05. She Took the High Road
06. To Call Home
07. Money Wars
08. Blackstar
09. My Bunker

Surgida em Recife no ano de 2014, o Sun Diamond é mais um nome vindo do fortíssimo cenário nordestino, que sempre revela ótimos nomes para a música, seja em estilos mais pesados, ou nos mais “populares”. Mas convenhamos, em se tratando de uma região tão rica culturalmente e com um povo tão batalhador e trabalhador, não poderíamos esperar menos. Que olhemos com mais atenção e carinho para o cenário e público da região, pois, merecem mais-que-tudo. Loas a região à parte, vamos ao que interessa.

Apesar de ser uma banda relativamente nova, o Sun Diamond já chega ao seu debut, nos apresentando uma mescla bem interessante de Heavy Tradicional e Hard Rock, que apesar de transparecer suas influências, já consegue apresentar certa identidade. Sua música se mostra bem trabalhada, com boa técnica, algumas mudanças de andamento, além de bom peso (cortesia da parte rítmica com o baixista Miguel Guerra e o baterista Lucas Alves), riffs e solos consistentes, entregues pela dupla Eduardo Teixeira e Leo Campanha, e melodias que podem cativar o ouvinte.

Mas existe um porém que não pode ser ignorado, e que afeta sim um pouco o resultado: os vocais. Não que Aílton Neto seja ruim, mas se não bastasse seu timbre não ser dos mais agradáveis (mas nesse caso já é uma questão de gosto pessoal), em diversos momentos resolve insistir com vocais mais agudos, que me perdoe, na maior parte do tempo soam irritantes. Sério, não sei ao vivo, mas no CD não funcionou mesmo, a ponto de, em alguns momentos, eu me sentir tentado a parar a audição. Se não o fiz, é porque o instrumental da banda conseguiu me fazer relevar esse detalhe. Mas foi difícil.


São 9 músicas que possuem um nível bem homogêneo de qualidade, mas com alguns inevitáveis destaques. “Frozen Bones” se mostra bem enérgica, apesar de alguns momentos em que o vocal irrita, enquanto “Detached” tem um pé no Hard Rock, mas sem abrir mão do lado Heavy da banda. “Go To The Yard” é um Heavy/Hard que empolga, com um trabalho bem legal das guitarras, além de ter um refrão bem legal. “She Took the High Road” tem um pé no Classic Rock e em alguns momentos o instrumental pode remeter ao Black Sabbath. Ok, os primeiros segundos de “Money Wars” me lembraram da introdução de alguma música do Green Day, e isso se repete em um ou outro momento, mas na maior parte do tempo temos um Heavy Tradicional de respeito.

A produção se mostra bem simples, mas funcional e não chega a comprometer, possuindo uma boa dose de crueza. Particularmente penso que poderiam ter refinado um pouco mais as coisas, mas ainda sim a mesma se encaixa dentro da proposta sonora da banda. A capa também se mostra bem simples, deixando claro que o ponto central do trabalho é sua música. O Sun Diamond nos entrega um bom trabalho de estreia, consistente, coeso, e que mostra potencial para voar bem mais alto. Tudo é questão de aparar algumas arestas, algo esperado em uma banda tão nova.

NOTA: 7,4

Sun Diamond é:
- Aílton Neto (vocal);
- Eduardo Teixeira (guitarra);
- Leo Campanha (guitarra);
- Miguel Guerra (baixo);
- Lucas Alves (bateria).

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

The Gard - Madhouse (2018)


The Gard - Madhouse (2018)
(Independente - Nacional)


01. Immigrant Song
02. Play of Gods
03. Madhouse
04. The Gard Song
05. Music Box
06. Back to Rock
07. Kaiser of the Sea
08. Panem At Circenses

Nos últimos anos se tornou bem comum o surgimento de novas bandas que apostam naquela sonoridade típica dos anos 70. Nomes como Rival Sons, Blues Pills, Horisont, Graveyard e mais recentemente, Greta Van Fleet, revisitam muito bem o período, nos apresentando uma música de qualidade inquestionável. Mas uma coisa sempre me incomodou um pouco nesses nomes, por mais que eu até goste da proposta: a necessidade de emular desesperadamente o som de 40 anos atrás.

O The Gard surgiu em Campinas/SP, no ano de 2010, é mais um nome a apostar nessa proposta de revisitar os anos 70. Mas existe um diferencial na música do trio formado por Beck Norder (vocal/guitarra/baixo), Allan Oliveira (guitarra) e Lucas Mandelo (bateria): os caras não tentam soar como as bandas clássicas do passado. Sua música tem aquela pegada forte e vigorosa do período em questão, tem aquela organicidade tão bem-vinda atualmente, mas tem personalidade. O The Gard soa como o The Gard, e não como o Led Zeppelin ou o Deep Purple.


Isso já fica bem óbvio na abertura, com uma versão muito legal para “Immigrant Song”, carregada de personalidade e onde Beck não tenta emular Robert Plant, até porque convenhamos, só existe um Plant na face da terra, e ele se chama Josh Kiszka. Brincadeiras a parte, na sequência temos “Play of Gods”, que mescla muito bem Blues com Progressivo. “Madhouse” é enérgica, pesada e com uma pegada bem Hard. “The Gard Song”, com seus mais de 10 minutos, trafega com uma naturalidade absurda entre os mais diversos estilos, e é um dos pontos altos aqui. “Music Box” soa como uma mistura bem legal de beatles com Queen, e “Back to Rock” faz jus ao nome. “Kaiser of the Sea” tem peso e um ar bem sombrio, enquanto “Panem At Circenses” encerra o álbum com uma pegada bem Blues Rock.

A produção ficou em um nível muito bom, e conseguiu deixar tudo bem claro, mas sem tirar a organicidade, com a mixagem e masterização divididas entre André Diniz nas 4 primeiras faixas, e Lucas e Beck nas demais músicas. Já a parte gráfica, que ficou bem legal e com um ar psicodélico, foi obra de Samir Monroe. Mostrando uma maturidade impressionante para um debut, e com uma música que transborda não só qualidade, como também muita energia e vibração, o The Gard mostra que é possível sim, fazer Classic Rock com cara de século XXI. Uma banda para se observar de muito perto daqui para frente.

NOTA: 85

The Gard é:
- Beck Norder (vocal/guitarra/baixo);
- Allan Oliveira (guitarra);
- Lucas Mandelo (bateria).

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Deep Purple - Graz 1975 (2014/2018)


Deep Purple - Graz 1975 (2014/2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. Burn
02. Stormbringer
03. The Gypsy
04. Lady Double Dealer
05. Mistreated
06. Smoke On The Water
07. You Fool No One
08. Space Truckin’

Algumas coisas nessa vida nunca são demais. Eu poderia listar algumas destas aqui, mas certamente iriamos divergir sobre o conteúdo dessa lista, algo normal, já que cada um tem suas preferências. Mas existe uma coisa que eu cravaria sem um pingo de medo na minha lista: álbuns ao vivo do Deep Purple. Entre Cds, VHS e DVDs, lá se vão 64 lançamentos feitos de forma oficial em um espaço de 50 anos, o que matematicamente falando, dá 1,28 por ano de vida. Um exagero? Amigos, nada é exagero se te faz feliz, e sim, álbuns ao vivo do Deep Purple fazem o coração de qualquer fã irradiar felicidade. Mas vejam bem, esse não é qualquer álbum ao vivo do Deep Purple. Gravado em 03 de Abril de 1975, em Graz, na Austria, temos em mãos um dos últimos shows da MKIII antes da saída de Blackmore para formar o Rainbow.

Ao serem comunicados pelo guitarrista de que estava para partir, o gerenciamento da banda tratou de trazer o Estúdio Móvel do Rolling Stones para registrar os últimos momentos daquela formação. Em um espaço de 5 dias, 3 apresentações foram gravadas: Graz, Saarbrücken (Alemanha) e Paris (França), todas históricas e que de alguma forma, haviam chegado quase em sua totalidade aos ouvidos dos fãs através dos álbuns Made in Europe (76) e MK III The Final Concerts (96), e no caso de Paris, em um lançamento posterior no ano de 2003 (com relançamento remasterizado em 2012). Ainda sim, o show de Graz nunca havia sido lançado de forma integral (por mais que exista controvérsia sobre a execução ou não de Highway Star no encore neste dia) até o lançamento deste CD. Cortesia da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, que prestou um grande serviço aos fãs nesse sentido, com o lançamento de algumas apresentações históricas dos anos 70.

Quem estava na plateia naquele dia de abril de 1975, nem poderia imaginar que o quinteto formado por David Coverdale (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Glenn Hughes (baixo/vocal), Jon Lord (teclado) e Ian Paice (bateria) estava nas últimas. E isso porque tiveram a oportunidade de presenciar uma banda afiadíssima e que parecia viver seu melhor momento, estando mais entrosada do que nunca. Não é por menos que muitos entendidos por ai afirmam que o show de Graz apresentou a melhor performance da MK III em um palco. O nível de energia que emanava da banda era algo único, sendo impossível você não se empolgar. A interação entre Coverdale e Hughes beira a perfeição, e Blackmore soa simplesmente espetacular, furioso. Nem parecia estar desencantado com os rumos tomados pela banda. Quanto a Lord e Paice, bem, são Lord e Paice. Acho isso mais do que suficiente para falar sobre o desempenho de ambos.


São 8 canções simplesmente matadoras, e que vão valer cada centavo da aquisição desse CD. De cara temos possivelmente a melhor versão de “Burn” de todos os tempos, e aqui incluo a de estúdio. Fabulosa, explosiva e única. Na sequência, 3 faixas retiradas de Stormbringer, a faixa título, “The Gypsy” e “Lady Double Dealer”, que com todo respeito ao álbum em questão, que adoro, soam superiores as suas versões de estúdio. Acho que isso já dá uma noção muito boa do quanto brilharam nessas canções. “Mistreated” mostra Blackmore brilhando, enquanto “Smoke On The Water” segue aquela sina de não ter ao vivo, uma versão tão clássica quanto a de estúdio. Ainda sim, é impossível não se empolgar com a mesma, afinal, estamos falando de uma das mais icônicas canções da história do Rock. “You Fool No One” simplesmente arrebenta com tudo que encontra pela frente, tamanho o nível de energia da mesma em seus 12 minutos de duração. Reza a lenda que existe uma lei que proíbe um álbum ao vivo do Deep Purple gravado nos anos 70, de não possuir uma versão para “Space Truckin’” que possua menos de 20 minutos. Diz a mesma também que não existem 2 versões iguais da música em questão. E bem, no encerramento do álbum a lei é seguida a risca, goste você ou não. Reparem como Paice brilha aqui.

Originalmente produzido pelo lendário Martin Birch, Graz 1975 teve sua masterização e mixagem realizados por Martin Pullan, o que ajudou ainda mais no brilhante resultado que temos aqui. Seguindo o padrão da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, a capa e o layout foram mais uma vez obras de Alexander Mertsch, com liner notes a cargo de Geoff Barton (jornalista inglês que foi editor da Sounds e da Kerrang! E um dos responsáveis pela popularização da NWOBHM). Você pode idolatrar a MK II, e não existe nada de errado nisso, afinal, ela nos presenteou com os grandes clássicos da banda. Mas a MK III não deve ser subestimada, e mesmo tendo tido uma vida curtíssima, foi uma das melhores bandas a pisar sobre um palco na história do Rock. Um show obrigatório para todo e qualquer fã do Deep Purple.

NOTA: 92

Deep Purple (gravação):
David Coverdale (vocal);
Ritchie Blackmore (guitarra);
Glenn Hughes (baixo/vocal);
Jon Lord (teclado);
Ian Paice (bateria).

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Threesome - Keep on Naked (2017) (EP)


Threesome - Keep on Naked (2017) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Sweet Anger
02. My Eyes
03. ERW

O Rock and Roll sempre foi algo instigante, provocativo e que procurou quebrar tabus. Fosse através de artistas como Chuck Berry e Little Richards, negros que se tornaram ídolos de jovens brancos em uma época que a segregação racial ainda era forte nos Estados Unidos, fosse através de Elvis Presley chocando um país no horário nobre, em rede nacional, ao “mexer as cadeiras”, o embate contra o conservadorismo sempre esteve presente. Nos anos 60, 70 e 80 essa postura provocadora se manteve, e o Rock continuou sendo visto como algo ameaçador a moral e aos bons costumes que imperam entre os “cidadãos de bem”.

Então algo “bugou” no Rock and Roll e ele começou a encaretar. Pior, foi encaretando tanto, mas tanto com o passar do tempo, que começou a beirar o conservadorismo (e aqui estou falando do campo dos costumes). Aliás, beirar não, pois, a cada dia, fica nítido que o estilo vem se tornando coisa de “tiozão conservador”, com capacidade nula de chocar ou provocar. O Rock and Roll hoje em dia não causa mais medo em ninguém, tornou-se a música que embala a rotina do “cidadão de bem”.


Threesome é o equivalente em inglês para ménage a trois. E não me venham dizer que não sabem do que se trata, porque sei que essa é uma das categorias preferidas da maioria de vocês no RedTube e no XVideos. Na boa, poucos nomes poderiam ser mais Rock and Roll do que isso. Do ponto de vista lírico, abordam as relações sexuais e humanas, mas nem sempre em sua forma monogâmica (julgo que ficou meio óbvio dado o nome da banda), e olha, é muito bom ver algo assim sendo abordado de maneira tão aberta e não apelativa. Só em uma sociedade que cada vez se afunda mais e mais em um conservadorismo que beira a hipocrisia, o sexo tende a continuar sendo tratado como um tabu, como algo não natural.

Desabafos a parte, vamos ao que interessa. O Threesome surgiu em 2012 na cidade de Campinas/SP, e 2 anos depois soltou o seu debut, Get Naked, com resultados muito bons. Após isso, o vocalista Bruno Baptista se retirou da banda e o posto passou a ser ocupado por Juh Leidl, dando início assim a uma nova fase, que nos é mostrada através desse EP, Keep on Naked, lançado ano passado. Não é exagero dizer que ele é uma ponte entre o passado e o atual momento do quinteto, e a prova disso é que das 3 faixas, duas são regravações de temas do primeiro álbum, “Why are you so Angry”, que se tornou “Sweet Anger”, e “Every Real Woman”, que passou a se intitular “ERW”. 


Musicalmente temos uma mescla muito legal de Rock dos anos 60 e 70, com Indie e Alternative Rock, que se não é a maior das novidades, acaba por render ótimos resultados. A música do Threesome soa intensa, enérgica e empolga o ouvinte com uma facilidade tremenda, graças também as ótimas melodias. “Sweet Anger” é um Rock forte e direto, como todos deveriam ser. Com uma pegada que a aproxima bem daquele Hard setentista, tem bom peso e ótimos vocais de Juh Leidl, que dão um ar um tanto quanto sensual a canção. “My Eyes” é outra nessa mesma pegada, mas contando com os vocais principais de Fred Leidl, com Juh surgindo em alguns momentos. Essa dinâmica funcionou muito bem e pode ser mais explorada futuramente. Tem um groove muito legal, além de um refrão marcante. “ERW” mais uma vez se destaca pelos vocais e pela pegada bem Rock and Roll, soando bem superior a sua versão original.

A produção é um ponto de destaque, já que todo processo foi realizado por Maurício Cajueiro (Stephen Stills, Steve Vai, Glenn Hughes, Gene Simmons), e feito de forma analógica, dando um ar bem orgânico e cru a música do grupo. Ainda sim, temos total clareza do que escutamos, já que nada é exagerado. A belíssima capa é obra da vocalista Juh Leidl, e reflete com perfeição o que é a banda. Se mostrando mais madura que no debut, com uma sonoridade muito bem definida, e uma proposta lírica provocadora, instigante, e confrontadora, o Threesome está pronto para voar mais alto. Então prezados, coloque o CD para rolar, chame seu companheiro, companheira, ou tudo isso no plural mesmo, e vá viver livre das amarras morais que a sociedade te impõem. Vá ser feliz!

NOTA: 87

Threesome é:
Juh Leidl (vocal);
Fred Leidl (guitarras/piano/vocais);
Bruno Manfrinato (guitarras);
Bob Rocha (baixo);
Henrique Matos (bateria).

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Assessoria de Imprensa


quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)


A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)
(Mad Neptune Records – Importado)


01. Phantom Flight (Feat. Mark Tornillo)
02. Lifebringer
03. Atlacatl
04. The Crossroads Deal
05. It Was Metal
06. Obsidian & Gold (Desdinova Returns) (Feat. Tony Carey)
07. Second Lives
08. Els Segadors (The Reapers)
09. Tomyris
10. Charles II
11. Fortress of the Future Race

Se você ainda não conhece os americanos do A Sound Of Thunder, está perdendo um tempo precioso. Surgido no ano de 2008, e com a formação estável desde 2010, que conta com Nina Osegueda (Vocal), Josh Schwartz (Guitarra), Chris Haren (Baixo) e Jesse Keen (Bateria/Teclado), estrearam em 2009 com um EP autointitulado, que foi seguido 2 anos depois pelo seu debut, Metal Renaissance. De lá para cá, foram mais 3 EP's, Queen of Hell (12), Tales from the B-side (Pleasure Slave) (15), Second Lives (17), 4 excelentes trabalhos de estúdio, Out of the Darkness (12), Time's Arrow (13), The Lesser Key of Solomon (14), Tales from the Deadside (15) e 1 álbum de covers, Who Do You Think We Are? (16).

Em uma época onde bandas produzem em intervalos cada vez maiores, o quarteto originário de Washington deixa claro que passa longe do comodismo, enfileirando lançamentos e apresentando um crescimento e amadurecimento constantes, sem que isso em momento algum signifique abrir mão de sua identidade. Sim amigos, nem sempre evolução vem acompanhada de descaracterização musical. E agora, com It Was Metal, seu 6º álbum de estúdio, deixam mais do que claro que não pretendem tirar o pé do acelerador. Aliás, mais uma vez financiaram o trabalho através de campanha no Kickstarter, já que possuem uma base de fãs muito fiel e que confia na capacidade do ASOT de forjar músicas de qualidade. E vale dizer que, como de praxe, oferecem um produto diferenciado, pois além do álbum, produziram uma graphic novel (vendida separadamente), com histórias originais baseadas nas canções e produzidas por artistas da Marvel, DC e Valiant Entertainment.


Para quem acompanha o quarteto, a qualidade de It Was Metal não chega a surpreender. Mas aqui, curiosamente, para evoluir deram um passo atrás, já que musicalmente é um álbum mais direto e um pouco menos diversificado que os anteriores, uma espécie de retorno ao Heavy Metal Clássico de outrora. A influência de nomes como Iron Maiden, Saxon, Dio, Rush, Deep Purple, Rainbow e outros é latente, mas temperada com muita personalidade. Apesar da menor diversidade, esse é um trabalho com um ar mais grandioso do que, por exemplo, The Lesser Key of Solomon e Tales from the Deadside, com canções bem fortes, enérgicas e rápidas. A guitarra de Josh está simplesmente soberba, com muito peso, riffs grudentos, além de solos e melodias que são capazes de cativar qualquer amante do estilo. A parte rítmica não fica atrás, com o baixo de Chris apresentando aquelas linhas sólidas com as quais os fãs se acostumaram, fazendo uma bela dupla com Jesse e sua bateria, aqui simplesmente bombástica. Vale citar também o seu trabalho com os teclados, já que mesmo que os mesmos não se façam presentes em 100% das músicas, quando surgem acabam dando mais profundidade às mesmas.

Claro que o forte do A Sound Of Thunder é a coesão e o entrosamento de seus integrantes, que funcionam como uma máquina muito bem azeitada de fazer Heavy Metal. Mas, ainda assim, precisamos falar sobre Nina Osegueda. Apesar de ter formação clássica, tendo até mesmo cantado na Ópera Nacional de Washington entre 2000 e 2002, e de ter sido influenciada em sua juventude por algumas das maiores vozes femininas da história, como a espetacular Aretha Franklin e Whitney Houston (segundo a própria Nina, por causa de seus pais, ela não tinha muito contato com Metal na época, e o mesmo se limitava à trilha sonora do filme “Quanto Mais Idiota Melhor”), sua voz cai como uma luva no estilo da banda. Sem querer comparar, mas é como se fosse uma mistura de Rob Halford como Ronnie James Dio, mas em versão feminina. Para mim, está no mesmo nível de importância de outras vocalistas que, ao menos para mim, são lendárias para o estilo, como Leather Leone, Doro Pesch, Ann Boleyn, Lee Aaron, Betsy Bitch, Kim McAuliffe e Wendy O. Williams. Aliás, fica aí a dica de pesquisa, caso não conheça os nomes citados. Seria exagero fazer o trocadilho dizendo que sua voz é o próprio som do trovão?


Assim que os primeiros acordes de “Phantom Flight” começam, sua primeira reação é pensar que está diante de alguma faixa oitentista perdida do Saxon. Ótimas guitarras, que despejam riffs fortes e melodias grudentas, além de solos primorosos e uma participação mais do especial de Mark Tornillo (Accept), que divide os vocais com Nina (que canta de maneira primorosa). É Heavy Metal em estado puro. “Lifebringer” é o retrato perfeito do que é o A Sound Of Thunder. Tem aquele Classic Rock com uma pegada Progressiva, mesclado com Metal Tradicional bem na veia do Iron Maiden, e pitadas de Power Metal. Simplesmente empolgante. A faixa seguinte,  “Atlacatl”, trata da história do mítico governante de mesmo nome, que reinou em um estado indígena baseado na cidade de Cuzcatlan (em território hoje pertencente a El Salvador), e que resistiu bravamente às forças invasoras espanholas por alguns anos. Segundo a lenda, ao ser finalmente derrotado, para não ser capturado, teria saltado em um vulcão, se tornando dessa forma uma lenda inconquistada. A parte rítmica se destaca, sendo responsável por dar um forte clima tribal à canção, que casa perfeitamente com o tema. Somado aos vocais agressivos de Osegueda, temos aqui uma das faixas mais pesadas e densas de todo trabalho. Vale dizer que Nina tem descendência salvadorenha por parte de pai. Após todo esse peso, temos uma breve faixa instrumental, intitulada “The Crossroads Deal”. E como o nome deixa bem claro, tem forte influência de Blues.

Se prepare então para o murro no meio da cara que é “It Was Metal”. Repare nos riffs, afiadíssimos e certeiros (e que não escondem a influência de Blackmore), e nas ótimas linhas de baixo. Os vocais também se destacam pela agressividade. Uma verdadeira ode ao Heavy Metal. Bem, recuperar um pouco do fôlego se faz necessário, e para isso surge a épica e maravilhosa “Obsidian & Gold (Desdinova Returns)”, que não esconde a influência de Classic Rock e de nomes como Deep Purple e Rainbow. Por falar neste último, seu ex-tecladista Tony Carey participa (e brilha) na faixa. São quase 10 minutos de uma música simplesmente brilhante. Não se deixe enganar pela aparente calma da introdução de “Second Lives”, pois quando você menos esperar, ela vai simplesmente explodir em peso e energia. Forte, traz à tona as influências de Hard Rock da banda, perceptíveis aos mais atentos no trabalho das guitarras. Você é desses que acha que Metal e política não podem se misturar? Além de estar equivocado, certamente vai precisar pular a próxima faixa. Ela é nada menos do que uma versão metálica para o hino da Catalunha, “Els Segadors (The Reapers)”. E antes que você se pergunte o porque da banda ter gravado o mesmo, saiba de antemão que a mãe de Nina é catalã, e que parte de sua família reside lá. E no fim, o que era para ser uma homenagem da vocalista à sua mãe, tomou outro vulto com a declaração de autonomia da Catalunha no ano passado (que diga-se, não foi reconhecida pela Espanha). Apenas escute, e duvido que você não cante o refrão a todos pulmões, levantando o punho para o alto. 


Então chega a hora de mais um pouco de história, com “Tomyris”, rainha que governou os Masságetas (com território localizado hoje em partes do moderno Turcomenistão, Afeganistão, Uzbequistão, e sul do Cazaquistão.), e que foi a responsável pela morte de Ciro, o Grande, rei da Pérsia entre 559 e 530 a.C. Conta-se que após este morrer, ela decapitou o mesmo e jogou sua cabeça em um jarro com sangue humano, cumprindo assim a promessa que havia feito ao mesmo, de o afogar em sangue humano (Ciro havia assassinado seu filho, após capturá-lo em batalha). Mais Heavy Metal que isso, só mesmo a música em si, que se destaca pelas ótimas guitarras, pelo refrão cativante, pelo brilhante uso dos teclados (aqui a veia setentista vem à tona novamente) e pelos vocais viscerais de Nina. A sequência final mantém o nível primoroso das canções anteriores, com “Charles II” (mais um pouco de história, agora tratando do rei inglês Carlos II), com riffs que parecem ter sido forjados pela dupla Tipton/Downing. Veloz, certeira e tem uma melodia que contagia qualquer um e vai agradar em cheio aos fãs de Judas Priest e afins. É Metal em seu estado mais clássico, assim como a ótima “Fortress of the Future Race”, uma dessas canções que parecem ter sido forjadas pelo próprio Deus Metal. Duvido você não se empolgar com os ótimos riffs e solos aqui presentes.

Como de praxe na carreira da banda, a produção ficou nas mãos de Kevin Gutierrez (algo que ocorre desde Out of the Darkness), que ouso dizer, é quase como um quinto integrante, já que é homem de confiança do quarteto nesse sentido. Mais uma vez ele acerta em cheio, pois a produção ficou em um nível altíssimo. Clara, límpida e cristalina, mas sem soar artificializada. Não consigo imaginá-los trabalhando com outro nome nesse sentido. A capa é mais um trabalho fora do comum de Dusan Markovic, responsável pelas mesmas desde o EP Queen of Hell. Dizer que esse é o melhor trabalho da banda pode ser um pouco prematuro, já que The Lesser Key of Solomon está facilmente entre os 10 melhores álbuns de Metal dessa década, mas é inegável que It Was Metal tem tudo para colocá-los em um patamar mais alto dentro da cena. Você é desses que fica aí, lamurioso e queixoso quanto ao fato de nomes tradicionais do estilo estarem pendurando as chuteiras? Pois saiba que temos toda uma nova geração de excelentes bandas, e o A Sound Of Thunder é certamente um dos melhores nomes desta. Basta você deixar o comodismo de lado e acordar para a vida. Existe sim muita vida e qualidade no Heavy Metal, sem que a banda precise se chamar Iron Maiden, Metallica ou Black Sabbath. It Was Metal é mais uma das provas disso! Um dos melhores álbuns de 2018!

OBS: Bem que alguma gravadora nacional podia se dignar a lançar a discografia da banda no Brasil, hein!

NOTA: 92

A Sound Of Thunder é:
- Nina Osegueda (Vocal);
- Josh Schwartz (Guitarra);
- Chris Haren (Baixo);
- Jesse Keen (Bateria/Teclado).

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

The Dead Daisies - Burn It Down (2018)


The Dead Daisies - Burn It Down (2018)
(SPV/Shinigami Records - Nacional)


01. Resurrected
02. Rise Up
03. Burn It Down
04. Judgement Day
05. What Goes Around
06. Bitch (Rolling Stones Cover)
07. Set Me Free
08. Dead And Gone
09. Can’t Take It With You
10. Leave Me Alone
11. Revolution (Beatles Cover)

Desde que surgiu em 2013, pelas mãos do guitarrista David Lowy e do vocalista Jon Stevens (ex-INXS), o The Dead Daisies sempre chamou a atenção por dois motivos: a quantidade de grandes músicos envolvidos e a qualidade de suas músicas. Atualmente formado por John Corabi (vocal, ex-Mötley Crüe), Lowy (guitarra), Doug Aldrich (guitarra, ex-Dio, ex-Whitesnake, ex-Foreigner), Marco Mendoza (baixo, ex-Blue Murder, ex-John Sykes, ex-Ted Nugent, ex-Whitesnake) e Deen Castronovo (bateria, ex-Journey, ex-Ozzy Osbourne, ex-Steve Vai, ex-Paul Rodgers, ex-Tony MacAlpine, ex-Cacophony, dentre outros), esse último estreando em estúdio, chegam ao seu 4º trabalho de estúdio, Burn It Down, sucessor do ótimo Make Some Noise (16).

Para quem por acaso desconhece o The Dead Daisies, o quinteto pratica um Hard Rock Clássico, carregado de energia e com uma pegada mais voltada para os anos 70. Em Burn It Down podemos observar que sua música não só está mais sólida que nos trabalhos anteriores, como também soa mais pesada, despojada e crua. E isso, meus amigos, acabou por fazer um bem danado aos caras. Corabi está cantando de uma forma absurda, e só não ganha o posto de principal destaque individual porque David Lowy e, principalmente, Doug Aldrich soam monstruosos. O trabalho das guitarras aqui foi elevado a um outro nível se comparado com os álbuns anteriores. Na parte rítmica, Mendoza e Castronovo transbordam competência e categoria, algo mais do que esperado.

De cara, já temos uma sequência arrasa quarteirão, com as excelentes “Resurrected”, ruidosa, enérgica e com riffs pesados, e a cativante “Rise Up”, forte candidata a se tornar um hino da banda, e que vai te fazer bater a cabeça involuntariamente. “Burn It Down” tem uma levada mais cadenciada e uma saudável influência de Blues, além de um refrão que te pega de primeira. Essas características também se fazem presentes em “Judgement Day”, que mescla Hard Rock com o bom e velho Southern Rock. “What Goes Around” é uma canção forte, com um ótimo trabalho de guitarras, que vai te remeter invariavelmente ao Led Zeppelin, além de um baixo marcante.


Uma característica marcante do The Dead Daisies é a sua capacidade ímpar de recriar temas de outros artistas. E é assim que eles abrem a segunda metade do álbum, com uma versão simplesmente fantástica de “Bitch”, do Rolling Stones. “Set Me Free” é uma “balada” com aquela pegada sulista, que me fez pensar em Lynyrd Skynyrd e congêneres, além de possuir ótimos arranjos vocais. “Dead And Gone” é outra que tem o Led Zeppelin em seu DNA, se destacando não só pelo trabalho das guitarras, como também por uma saudável dose de sujeira. Na sequência final, temos “Can’t Take It With You” e seu refrão fácil, que te fisga já na primeira audição, “Leave Me Alone”, com um groove que a faz soar como uma mescla de AC/DC com Aerosmith e mais uma versão matadora, desta vez para “Revolution”, dos Beatles.

Com produção de Marti Frederiksen (Aerosmith, Def Leppard, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Foreigner), mixagem de Anthony Focx (Queensrÿche, Newsted, Foreigner, Santana, Night Ranger) e masterização de Howie Weinberg (Rush, Anthrax, Metallica, Uriah Heep, Celtic Frost, Dream Theater), o resultado final de Burn It Down é excelente, já que apesar de tudo claro e audível, não abriram mão de uma dose de sujeira, deixando assim tudo mais orgânico. Capa e design ficaram por conta de Sebastian Rohde (Iced Earth, Prong, In Extremo). No fim, o The Dead Daisies presenteia seus fãs com seu melhor trabalho até o momento, dando uma verdadeira aula do bom e verdadeiro Rock and Roll. Um dos melhores álbuns de 2018, e presença obrigatória na coleção de qualquer apreciador de boa música.

NOTA: 90

The Dead Daisies é:
- John Corabi (Vocal);
- David Lowy (Guitarra);
- Doug Aldrich (Guitarra);
- Marco Mendoza (Baixo);
- Deen Castronovo (Bateria).

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Michael Schenker Fest – Resurrection (2018)


Michael Schenker Fest – Resurrection (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Heart and Soul (feat. Robin McAuley & Kirk Hammett)
02. Warrior (feat. Gary Barden, Graham Bonnet, Robin McAuley & Doogie White)
03. Take Me to the Church (feat. Doogie White)
04. Night Moods (feat. Graham Bonnet)
05. The Girl with the Stars in Her Eyes (feat. Doogie White)
06. Everest (feat. Graham Bonnet)
07. Messin’ Around (feat. Gary Barden)
08. Time Knows When It’s Time (feat. Robin McAuley)
09. Anchors Away (feat. Doogie White)
10. Salvation
11. Livin’ a Life Worth Livin’ (feat. Gary Barden)
12. The Last Supper (feat. Gary Barden, Graham Bonnet, Robin McAuley & Doogie White)

O Michael Schenker Fest surgiu em 2016, quando Michael Schenker resolveu reunir antigos membros do MSG (tanto do Michael Schenker Group quanto do McAuley Schenker Group) para uma série de shows pela Europa e Japão. Eis que então tínhamos em um mesmo palco os vocalistas Gary Barden, Graham Bonnet e Robin McAuley, o guitarrista/tecladista Steve Mann, o baixista Chris Glen e o baterista Ted McKenna, todos músicos de qualidade indiscutível e com uma história ao lado do guitarrista alemão. O sucesso foi inevitável, as apresentações lotaram e a turnê rendeu um trabalho gravado ao vivo no Japão.

O passo seguinte era lógico e inevitável: entrar em estúdio e gravar novas músicas com essa formação. E foi isso que Michael Schenker resolveu fazer. E para tornar tudo ainda mais matador, convidou Doogie White, vocalista de seu outro projeto atual, o Michael Schenker's Temple of Rock. Impossível dar errado, e o resultado disso é Resurrection, uma verdadeira aula de Hard/Heavy. Vale destacar dois pontos aqui, por mais que não sejam uma surpresa. Todos os 4 vocalistas foram muito bem aproveitados, com o devido espaço para brilharem, tanto individualmente quanto em conjunto. Além disso, o trabalho de guitarra aqui é simplesmente espetacular, com muita solidez, peso e groove. Mas também, convenhamos, estamos falando de  Michael Schenker, um dos melhores e mais influentes guitarristas de todos os tempos.

Abrindo os trabalhos, temos a acelerada e intensa “Heart and Soul”, com Robin McAuley nos vocais e participação de ninguém menos que Kirk Hammett na guitarra, sendo seguida por “Warrior”, que reúne os 4 vocalistas, possui um ótimo groove e boa utilização do teclado.“Take Me to the Church” conta com Doogie White nos vocais, tem ótimos riffs, um solo maravilhoso e um refrão simplesmente grudento.“Night Moods”, com Graham Bonnet, tem uma pegada mais clássica, com algo de Deep Purple bem evidente, “The Girl with the Stars in Her Eyes” pode remeter o ouvinte ao Rainbow, graças aos ótimos vocais de Doogie e aos bons riffs. Graham Bonnet canta na boa e rápida “Everest”.


A segunda metade abre com Gary Barden no divertido Rock com pegada blues “Messin’ Around”, uma das canções mais legais de todo o álbum.“Time Knows When It’s Time” é a segunda música a contar com McAuley, e soa bem enérgica, com uma pegada mais Metal que caiu muito bem. “Anchors Away” esbanja criatividade e tem um clima bem emocional, além de ótimo trabalho vocal de Doogie White. Na sequência, temos a intrumental “Salvation”, onde se destacam os riffs e o ótimo uso do wah-wah. Partindo para o final do álbum, temos “Livin’ a Life Worth Livin’”, outra a contar com Gary Barden, e que possui um refrão muito legal, e encerrando, “The Last Supper”, que novamente reúne os 4 vocalistas, encerrando Resurrection com chave de ouro.

A produção ficou por conta de Schenker e Michael Voss-Schön (Michael Schenker's Temple of Rock), sendo que este também cuidou da mixagem. Já a masterização foi realizada por Christoph "Doc" Stickel (Michael Schenker's Temple of Rock, Rhapsody of Fire, Luca Turilli's Rhapsody). O resultado final não é menos do que excelente. Já a ótima capa, que faz referência direta à Santa  Ceia, foi obra do alemão Stefan Heilemann (Pain, Epica, Blues Pills, Lindemann, Kreator), da Heilemania. Resurrection não é apenas uma celebração à carreira de Michael Schenker, mas a todo Hard/Heavy. Divertido como todos os álbuns do estilo deveriam ser!

NOTA: 87

Michael Schenker Fest é:
- Michael Schenker (Guitarra);
- Robin McAuley (Vocal);
- Gary Barden (Vocal);
- Doogie White (Vocal);
- Graham Bonnet (Vocal);
- Steve Mann (Guitarra/Teclado);
- Chris Glen (Baixo);
- Ted McKenna (Bateria).

Participações Especiais:
- Kirk Hammett (Guitarra em "Heart and Soul")
- Wayne Findlay (Teclado em "Heart and Soul" e "Salvation)

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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Magnum – Lost On The Road To Eternity (2018)


Magnum – Lost On The Road To Eternity (2018)
(SPV Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


CD 1
01. Peaches And Cream
02. Show Me Your Hands
03. Storm Baby
04. Welcome To The Cosmic Cabaret
05. Lost On The Road To Eternity
06. Without Love
07. Tell Me What You’ve Got to Say
08. Ya Wanna Be Someone
09. Forbidden Masquerade
10. Glory To Ashes
11. King Of The World

CD 2 (Live)
01. Sacred Blood – Divine Lies
02. Crazy Old Mothers
03. Your Dreams Won’t Die
04. Twelve Men Wise And Just

Desde seu surgimento, no ano de 1972, o Magnum construiu uma carreira sólida dentro do cenário do Hard Melódico/AOR. Seu debut, Kingdom of Madness (78), chegou a despertar a atenção de alguns, mas começaram mesmo a se destacar com seu 3º trabalho, Chase the Dragon (82), chegando ao auge (ao menos em popularidade) com os álbuns On a Storyteller’s Night (1985), Vigilante (1986) e Wings of Heaven (1988). Daí para frente, todos sabem o que ocorreu. O Grunge surgiu e modificou completamente o mercado, fazendo com que em 1995 os ingleses anunciassem seu fim, em um hiato que perdurou até 2001.

Mesmo nesse período, Bob Catley (vocal) e Tony Clarkin (guitarra), que são o coração do Magnum, não deixaram de trabalhar juntos, formando o Hard Rain ao lado do baixista Al Barrow, que acompanhou a dupla em 2001, quando resolveram reativar a banda. Desde então, foram aos poucos recolocando o grupo em posição de destaque, sendo que Lost On The Road To Eternity é seu 9º álbum desde o retorno, e 20º de toda a carreira. E aqui não tem muito mistério, já que o fã sabe exatamente o que vai encontrar em um álbum dos ingleses.

Bob Catley continua cantando uma enormidade, e consegue cativar qualquer um com seus vocais, enquanto seu parceiro de sempre, Tony Clarkin, mostra que merece mais reconhecimento, nos entregando riffs marcantes e melodias realmente grudentas. Al Barrow mostra porque é dono do posto de baixista há 17 anos e esbanja competência em seu instrumento. Apesar da estabilidade da formação desde o retorno, aqui temos 2 estreias. Na bateria. Harry James saiu, sendo substituído por Lee Morris, nome que os fãs de Paradise Lost conhecem bem. Já nos teclados, Mark Stanway, tecladista de longa data da banda, partiu, e em seu lugar agora temos Rick Benton, que já vinha tocando ao vivo com a banda desde 2016. Coube a ele a mais espinhosa das missões, e ele conseguiu se sair muito bem.


São 11 canções típicas do Magnum, com alguns altos e baixos, mas nada que comprometa de verdade o resultado final. “Peaches And Cream” é uma ótima faixa de abertura, animada, cativante e com ótimos vocais de Bob. “Show Me Your Hands” mantém o nível, soando agradável e se destacando pelo solo e pelos teclados. “Storm Baby” é uma típica balada do Magnum, bem melancólica, mas falta algo a mais para torná-la bombástica. “Welcome To The Cosmic Cabaret” é o momento mais épico de todo álbum, e aqui mesclam com competência o Rock Progressivo e o AOR, soando realmente grandioso. “Lost On The Road To Eternity” é um dos grandes momentos do álbum, e conta com a participação especial de Tobias Sammet, retribuindo assim as participações de Catley no Avantasia. A forma como os vocais se complementam é incrível. Daí para frente, o trabalho se torna um pouco inconstante. Se faixas como “Without Love” e “Ya Wanna Be Someone” se destacam pelas ótimas melodias e bons refrões, outras como “Tell Me What You’ve Got to Say”, “Forbidden Masquerade” e “Glory To Ashes”, se não chegam a ser propriamente ruins, tendo suas qualidades, nada acrescentam ao álbum. No encerramento, o nível volta a se elevar com outra faixa épica, “King Of The World”. Na versão nacional, temos um segundo Cd com 4 faixas ao vivo, o que torna esse material ainda mais interessante.

A produção ficou a cargo do guitarrista Tony Clarkin, com mixagem e masterização realizados por Sheena Sear (Avantasia, Marshall Law). O resultado foi muito bom, já que apesar de ter deixado tudo bem polido, não abriu mão da organicidade em momento algum. A capa é, mais uma vez, uma obra do mestre Rodney Matthews (Scorpions, Thin Lizzy, Nazareth, Eloy, Asia), sendo uma verdadeira obra de arte. Mesmo não sendo um álbum que possamos chamar de clássico, Lost On The Road To Eternity é um belo trabalho, já que tem tudo que um fã do Magnum espera. Se gosta de ótimas melodias e refrões grudentos, aqui está um álbum mais do que recomendado.

NOTA: 84

Magnum é:
- Bob Catley (vocal);
- Tony Clarkin (guitarra);
- Al Barrow (baixo);
- Lee Morris (bateria);
- Rick Benton (teclado).

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Kadavar - Rough Times (2017)


Kadavar - Rough Times (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Rough Times
02. Into The Wormhole
03. Skeleton Blues
04. Die Baby Die
05. Vampires
06. Tribulation Nation
07. Words of Evil
08. The Lost Child
09. You Found The Best In Me
10. A l’ombre du temps
11. Helter Skelter (Beatles cover) (bônus track)

É indiscutível o revival pelo qual passou o Heavy/Hard Rock setentista nos últimos anos, com inúmeras boas bandas do estilo surgindo. Dentre todas, uma das melhores sem dúvida alguma é o trio alemão Kadavar. Formado atualmente por Christoph "Lupus" Lindemann (Vocal/Guitarra),  Simon "Dragon" Bouteloup e  Christoph "Tiger" Bartelt, o grupo vem enfileirando lançamentos desde 2012, algo raro em se tratando do cenário moderno, onde a maioria das bandas demoram de 3 a 4 anos entre um álbum e outro.

Kadavar (12) nos apresentou o Power Trio, Abra Kadavar (13) mostrou que o debut não havia sido apenas um golpe de sorte e o excelente Berlin (15) consolidou de vez seu nome entre os grandes do estilo. Uma das principais características dos alemães é que, apesar de referências a nomes clássicos do estilo como Black Sabbath, Budgie, Coven, Blue Cheer e Hawkwind se fazerem presentes, seu som não só não soa como simples emulação, como também soa atual (mesmo com aquela sensação de que foi gravado nos anos 70). Soa contraditório, mas é a realidade.

De cara, temos a enérgica “Rough Times”, com suas guitarras distorcidas e que já deixa bem claro o que teremos pela frente. “Into The Wormhole” é bem forte, esmagadoramente pesada e com algo de Acid Rock, enquanto “Skeleton Blues” compartilha com elas as duas primeiras características, mas com um pé bem fincado no Rock Psicodélico. A primeira metade do álbum fecha com a ótima “Die Baby Die”, com sua linha de baixo pra lá de marcante, e “Vampires”, onde os vocais e a guitarra se destacam.


A segunda metade abre com a marcante e viajante “Tribulation Nation” (outra com o pé no Acid), onde o trabalho de bateria e o ótimo refrão se sobressaem. “Words of Evil” esbanja energia e bons riffs, além de ser pesada, enquanto “The Lost Child” tem um início que te remete diretamente ao The Doors, com boa utilização do órgão. Na sequência final, a belíssima “You Found The Best In Me” mescla muito bem Blues e Southern Rock, e “A l’ombre du temps” encerra de forma sombria. Na versão nacional temos de bônus uma versão para "Helter Skelter", do Beatles, que pode até não soar tão genial quanto a original, mas ainda assim faz bonito.

Gravado pelo baterista Christoph Bartelt e por Richard Behrens (Samsara Blues Experiment) no Blue Wall Studio (Berlim/Ale), foi mixado no mesmo local por Bartelt, que também cuidou da masterização ao lado de Emanuele “Nene” Baratto. Gerando um resultado muito bom, já que apesar de tudo nos remeter aos anos 70, nada aqui soou datado. A capa foi obra de Drew Milling. Com uma música poderosa, cativante e enérgica, o Kadavar mais uma vez acerta no alvo, com um trabalho que vai agradar em cheio os amantes de Heavy/Hard setentista. Vale lembrar que o trio estará fazendo shows no Brasil nesse mês de março. Ouça no volume máximo!

NOTA: 8,5

Kadavar é:
- Christoph "Lupus" Lindemann (Vocal/Guitarra);
- Simon "Dragon" Bouteloup (Baixo);
- Christoph "Tiger" Bartelt (Bateria).

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Appice - Sinister (2017)


Appice - Sinister (2017)
(SPV/Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


01. Sinister
02. Monsters And Heroes
03. Killing Floor
04. Danger
05. Drum Wars
06. Riot
07. Suddenly
08. In The Night
09. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros In Drums
12. War Cry
13. Sabbath Mash

Bem, acho que os irmãos Carmine e Vinny Appice dispensam qualquer tipo de apresentação. Estão facilmente entre os maiores bateristas de todos os tempos e tocaram com grandes nomes do Rock e do Metal nas últimas décadas. Apesar disso e de uma turnê juntos alguns anos atrás, nunca haviam lançado um álbum em conjunto, falha que finalmente foi corrigida no ano de 2017, com Sinister. E o que esperar de um álbum “solo” de 2 bateristas? Um material centrado em seus instrumentos? Grandes exibições de técnica?

Nada disso, afinal, lembrem-se, não estamos lidando aqui com músicos que precisam se autoafirmar. Os irmãos Appice são músicos consagrados e mais do que respeitados, servindo de referência para milhares de bateristas por aí. Não precisam provar nada. Então, mais do que tudo, o foco desse trabalho é a música e não performances individuais. E para isso, Carmine e Vinny não economizaram nos convidados especiais: junto da dupla, temos músicos do porte de Paul Shortino (vocal/Rough Cutt, King Cobra), Robin McAuley (vocal/MSG), Craig Goldy (guitarra/ex-Dio), Joel Hoekstra (guitarra/Whitesnake), Ron “Bumblefoot” Thal (ex-Guns N' Roses), Tony Franklin (baixo/ex-Blue Murder, ex-The Firm), Phil Soussan (baixo/ ex-Ozzy Osbourne), dentre outros.

Musicalmente, temos um trabalho que trafega entre o Hard Rock e o Heavy Metal, como se fosse um apanhado musical da carreira de ambos. Os vocais são de primeira categoria (Carmine chega a assumir o mesmo em uma das canções), e as guitarras despejam riffs de muita qualidade, além de bons solos e claro, bastante peso. As linhas de baixo se mostram muito boas e a bateria, bem, não preciso dizer nada a esse respeito. São 13 canções de muita qualidade, que conseguem manter o bom nível do início ao fim.


“Sinister”, que abre os trabalhos, é uma delas. Pesada, cativa fácil o ouvinte. “Monsters And Heroes” é um tributo a Dio, originalmente lançado pelo King Cobra no ano de 2010 e que aqui teve as partes de bateria regravadas por Vinny. Vale destacar o belo desempenho de Paul Shortino nos vocais. Já  “Killing Floor” é um Hard pesado, com destaque para a guitarra de Craig Goldy, enquanto “Danger” esbanja energia. “Drum Wars” faz jus ao nome e é bem divertida. “Riot” é um cover do Blue Murder (ex-banda de Carmine) e soa simplesmente arrebatadora, com ótimos vocais de Robin McAuley, e “Suddenly” se mostra um Hard bem agradável. “In The Night” tem uma pegada mais Pop, diferindo demais da faixa seguinte, “Future Past”, que se mostra muito densa e com algo de Dio. “You Got Me Running” se destaca não só pelas boas melodias, mas também pelos vocais de Carmine, que funciona muito bem na função. Na sequência final, “Bros In Drums” se destaca pela pegada Blues/Rock, “War Cry” pelas boas melodias e pela guitarra de Joel Hoekstra, e “Sabbath Mash”, é um medley que reúne trechos de “Iron Man”, ‘Paranoid’ e ‘War Pigs”.

Gravado em uma infinidade de estúdios e produzido por Carmine e Vinny, o álbum foi mixado e masterizado por Steve DeAcutis (Tyketto, Vanilla Fudge, Overkill, Nuclear Assault), com ótimo resultado final. A capa foi obra de Dave Guerrie. Com um álbum divertido, sólido e coeso, os irmãos Appice dão uma aula de bom gosto e mostram porque são não só duas lendas da bateria, como também da música pesada.

NOTA: 8,0

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