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terça-feira, 9 de abril de 2019

Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)


Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Inflamáveis
02. Super Aquecendo
03. Homo Sapiens Brasiliensis
04. Céu de Abril
05. Descãonhecido
06. Crianças – certa melancolia e introspecção
07. Interstellar
08. Os Magnéticos
09. Natural
10. Minha Hora

O Brasil sempre teve ótimos nomes quando falamos de Rock, incluindo aí suas vertentes mais comerciais. Nos anos 70, tivemos artistas como Mutantes, Joelho de Porco, Raul Seixas, O Terço e Secos & Molhados; nos 80, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Camisa de Vênus e Plebe Rude; nos 90, Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Detonautas, Chico Science e Nação Zumbi e Charlie Brown Jr.; e mesmo no início da década de 2000, bandas como CPM 22, Cachorro Grande e Pitty ocuparam um bom espaço nas mídias de massa. O problema é que de meados da década passada em diante, o estilo foi perdendo espaço de forma progressiva nas rádios e em programas de TV, passando a impressão que nada mais surgia no cenário.

Entretanto, quem acompanha com mais atenção, não se fechando em nichos, sabe que o problema nunca foi esse. Ótimas bandas continuaram surgindo durante todo o período, mas por uma série de fatores, que vão desde a dificuldade inicial de se adaptar a uma nova realidade, onde a internet passou a ter papel central na distribuição e consumo de música, até ao saudosismo e conservadorismo do público, que se recusa a aceitar o que é novo, se prendendo apenas ao passado, criou-se o “Mito da Crise Criativa” do Rock Nacional. Scalene, Far From Alaska, Supercombo, Ego Kill Talent, Francisco El Hombre, Selvagens a Procura de Lei, Vivendo do Ócio, Vanguart, Vespas Mandarinas, Boogarins, são alguns dos nomes que jogam por terra essa falácia.

Formada na cidade de Bebedouro/SP, no ano de 2012, a Magnética é mais uma banda que pode ser incluída entre os nomes citados acima. Tendo em sua formação Elvio Trevisone (vocal), Rafael Musa (guitarra), Kelson Palharini (guitarra), Anderson Pavan (baixo) e Marcos Ribeiro (bateria), apostam em uma sonoridade que une elementos de diversas fases do Rock, indo do Classic Rock setentista até o Grunge/Alternativo dos anos 90, passando pela geração oitentista do Rock brasileiro. É uma música simples, honesta, muito bem tocada, que consegue equilibrar muito bem o lado pesado com o mais comercial, e principalmente, grudenta como poucas que escutei nos últimos anos. Tem refrões aqui que são forjados na base da supercola, já que ficam na sua cabeça por dias.


A abertura se dá com “Inflamáveis”, uma canção pesada, com dose razoável de agressividade e que deixa clara a influência do Grunge; “Super Aquecendo” tem uma pegada setentista, toques de Blues e ótimas melodias; “Homo Sapiens Brasiliensis” se destaca pelo tom crítico e pelo trabalho das guitarras; “Céu de Abril” é a mais acessível de todo o álbum, e possui não só boas melodias, como um refrão que fica marcado na cabeça; e “Descãonhecido” é uma bonita balada voltada para a causa animal. A segunda metade do álbum abre com a melancólica “Crianças”, sendo seguida pela boa “Interstellar”. “Os Magnéticos” se destaca pelo trabalho das guitarras; “Natural” se mostra pesada; “Minha Hora” encerra com riffs mais arrastados, peso, e muito de Grunge.

A produção, masterização e mixagem foram realizadas por Romulo Ramazini Felicio, e o resultado ficou acima da média. Tudo claro, audível, mas ainda sim, pesado. A parte gráfica ficou a cargo de Pablo Gomes Nicolela, e também se destaca por ser muito bem-feita. Estreando com o pé direito e mostrando possuir talento de sobra, a Magnética se mostra uma banda acima da média, e que possui todos os requisitos para firmar seu nome entre os principais nomes da cena nacional. Cabe dizer que após o lançamento, passaram por mudanças de formação, com o quinteto se tornando um trio após as saídas do vocalista Elvio Trevisone e do guitarrista Kelson Palharini, e que estão finalizando um EP para muito em breve.

NOTA: 83

Magnética (gravação):
- Elvio Trevisone (vocal);
- Rafael Musa (guitarra);
- Kelson Palharini (guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

Magnética é:
- Rafael Musa (vocal/guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Threesome - Keep on Naked (2017) (EP)


Threesome - Keep on Naked (2017) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Sweet Anger
02. My Eyes
03. ERW

O Rock and Roll sempre foi algo instigante, provocativo e que procurou quebrar tabus. Fosse através de artistas como Chuck Berry e Little Richards, negros que se tornaram ídolos de jovens brancos em uma época que a segregação racial ainda era forte nos Estados Unidos, fosse através de Elvis Presley chocando um país no horário nobre, em rede nacional, ao “mexer as cadeiras”, o embate contra o conservadorismo sempre esteve presente. Nos anos 60, 70 e 80 essa postura provocadora se manteve, e o Rock continuou sendo visto como algo ameaçador a moral e aos bons costumes que imperam entre os “cidadãos de bem”.

Então algo “bugou” no Rock and Roll e ele começou a encaretar. Pior, foi encaretando tanto, mas tanto com o passar do tempo, que começou a beirar o conservadorismo (e aqui estou falando do campo dos costumes). Aliás, beirar não, pois, a cada dia, fica nítido que o estilo vem se tornando coisa de “tiozão conservador”, com capacidade nula de chocar ou provocar. O Rock and Roll hoje em dia não causa mais medo em ninguém, tornou-se a música que embala a rotina do “cidadão de bem”.


Threesome é o equivalente em inglês para ménage a trois. E não me venham dizer que não sabem do que se trata, porque sei que essa é uma das categorias preferidas da maioria de vocês no RedTube e no XVideos. Na boa, poucos nomes poderiam ser mais Rock and Roll do que isso. Do ponto de vista lírico, abordam as relações sexuais e humanas, mas nem sempre em sua forma monogâmica (julgo que ficou meio óbvio dado o nome da banda), e olha, é muito bom ver algo assim sendo abordado de maneira tão aberta e não apelativa. Só em uma sociedade que cada vez se afunda mais e mais em um conservadorismo que beira a hipocrisia, o sexo tende a continuar sendo tratado como um tabu, como algo não natural.

Desabafos a parte, vamos ao que interessa. O Threesome surgiu em 2012 na cidade de Campinas/SP, e 2 anos depois soltou o seu debut, Get Naked, com resultados muito bons. Após isso, o vocalista Bruno Baptista se retirou da banda e o posto passou a ser ocupado por Juh Leidl, dando início assim a uma nova fase, que nos é mostrada através desse EP, Keep on Naked, lançado ano passado. Não é exagero dizer que ele é uma ponte entre o passado e o atual momento do quinteto, e a prova disso é que das 3 faixas, duas são regravações de temas do primeiro álbum, “Why are you so Angry”, que se tornou “Sweet Anger”, e “Every Real Woman”, que passou a se intitular “ERW”. 


Musicalmente temos uma mescla muito legal de Rock dos anos 60 e 70, com Indie e Alternative Rock, que se não é a maior das novidades, acaba por render ótimos resultados. A música do Threesome soa intensa, enérgica e empolga o ouvinte com uma facilidade tremenda, graças também as ótimas melodias. “Sweet Anger” é um Rock forte e direto, como todos deveriam ser. Com uma pegada que a aproxima bem daquele Hard setentista, tem bom peso e ótimos vocais de Juh Leidl, que dão um ar um tanto quanto sensual a canção. “My Eyes” é outra nessa mesma pegada, mas contando com os vocais principais de Fred Leidl, com Juh surgindo em alguns momentos. Essa dinâmica funcionou muito bem e pode ser mais explorada futuramente. Tem um groove muito legal, além de um refrão marcante. “ERW” mais uma vez se destaca pelos vocais e pela pegada bem Rock and Roll, soando bem superior a sua versão original.

A produção é um ponto de destaque, já que todo processo foi realizado por Maurício Cajueiro (Stephen Stills, Steve Vai, Glenn Hughes, Gene Simmons), e feito de forma analógica, dando um ar bem orgânico e cru a música do grupo. Ainda sim, temos total clareza do que escutamos, já que nada é exagerado. A belíssima capa é obra da vocalista Juh Leidl, e reflete com perfeição o que é a banda. Se mostrando mais madura que no debut, com uma sonoridade muito bem definida, e uma proposta lírica provocadora, instigante, e confrontadora, o Threesome está pronto para voar mais alto. Então prezados, coloque o CD para rolar, chame seu companheiro, companheira, ou tudo isso no plural mesmo, e vá viver livre das amarras morais que a sociedade te impõem. Vá ser feliz!

NOTA: 87

Threesome é:
Juh Leidl (vocal);
Fred Leidl (guitarras/piano/vocais);
Bruno Manfrinato (guitarras);
Bob Rocha (baixo);
Henrique Matos (bateria).

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Assessoria de Imprensa


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dr. Kong - Protagonista (2016)


Dr. Kong - Protagonista (2016)
(Independente - Nacional)


01. Protagonista
02. Fale Tudo
03. Honoráveis Primatas
04. Olho Do Furacão
05. Consciência
06. Superficial
07. Indignação
08. Não Perca O Humor
09. Rarefeito
10. Passos
11. Me Chame Essa Noite
12. Por Sorte
13. Metanoia

O Rock Nacional viveu seu auge em matéria de popularidade nos anos 80. Bandas e artistas como Legião Urbana, Cazuza, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ira!, Plebe Rude, Celso Blues Boy, Capital Inicial, Titãs, dentre alguns outros menos cotados, eram figurinhas carimbadas nas programações de rádio e nos programas de TV. A partir dos anos 90, com o crescimento de estilos mais populares, o mesmo iniciou uma espiral rumo ao underground, com poucos novos nomes surgindo e apenas o mesmos velhos nomes da década anterior conseguindo manter o mínimo de protagonismo. E de lá pra cá, podemos dizer que as coisas só pioraram.

Não que não existam bons nomes por ai. Basta uma busca minimamente criteriosa nos subterrâneos do Rock no Brasil para se constatar que várias bandas de qualidade surgiram nas últimas duas décadas, mas que infelizmente ficaram restritas a um público relativamente pequeno, sempre longe da grande mídia. Surgido no ano de 2015, em Goiânia/GO, o Dr.Kong se envereda pelo citado estilo, com alguns toques interessantes de Hard Rock e Blues que acabam por dar um tempero interessante à sua música.

Uma coisa que vem me incomodando cada vez mais é a pressa que algumas bandas têm de lançar seu trabalhos, mesmo que sua sonoridade ainda não esteja amadurecida para tal. Esse é o grande pecado do Dr.Kong. Individualmente, estamos diante de músicos talentosos, é algo que não dá pra negar. Eliel Carvalho e Gustavo de Carvalho apresentam um bom trabalho de guitarras, com as mesmas soando muito agradáveis, enquanto o baixista Gustavo Silva e o baterista Wagner Arruda formam uma parte rítmica coesa e de bastante qualidade. Não apresentam absolutamente nada de novo, mas soam acima de tudo honestos e agradáveis. As letras, em português, também são bem interessantes. O problema todo se dá quando o vocalista Flávio de Carvalho entra na música.


Não, Flávio não é um mau vocalista, justamente o contrário, mas peca em algo primordial para sua função, que é a personalidade. Uma hora, soa como um clone de Frejat (ex-Barão Vermelho), em outras, remete levemente a Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso). Existem também aquelas passagens em que você pensa estar escutando o finado Renato Russo (Legião Urbana), ou então Kim (Catedral). Decididamente, em momento algum soa como Flávio de Carvalho e isso prejudica demais o resultado final, já que essa falta de identidade, somada ao fato de musicalmente não apresentarem nada de novo, acaba causando aquela sensação chata do “eu já ouvi isso antes”. Se não fosse a já citada honestidade que transborda em cada nota, isso poderia ser extremamente irritante.

Obstante isso, ainda assim temos momentos muito bons. A faixa-título, que abre o trabalho, soa como um daqueles rocks com pegada blues que o Barão Vermelho sempre fez com muita qualidade. Abstraia o fato de você jurar ser o próprio Frejat cantando e vai se divertir bastante, até porque o refrão da mesma é desses que pega fácil o ouvinte. Isso se repete na enérgica “Fale Tudo”, em “Olho do Furacão” e “Consciência” (com aquela pegada mais puxada para Rolling Stones e AC/DC, outra característica que o Barão sempre usou muito bem). O peso dá as caras em “Honoráveis Primatas” e “Indignação”. Ainda mostram ter o dom para compor baladas, com as boas “Não Perca O Humor” e “Me Chame Essa Noite”, que poderiam estar em qualquer trabalho da carreira solo de Frejat, tamanha a emulação das mesmas.

A produção mostra muita qualidade, com a mixagem e masterização tendo sido realizadas pelo guitarrista Eliel de Carvalho e por Guilherme Bicalho. Resultado final superior à média do que vemos por aí. A parte gráfica é simples e muito bem feita. Qualidade o Dr.Kong possui, falta agora buscarem com urgência dar uma cara própria à sua música, principalmente no que tange ao vocal. Por ser um trabalho de estreia de uma banda nova, acaba-se relevando tamanha falta de identidade, mas para trabalhos futuros essa benevolência dificilmente existirá. Se você gosta daquele Rock Nacional típico dos anos 80, e principalmente, Barão Vermelho, vale a pena dar uma chance ao quinteto.

NOTA: 7,0

Dr.Kong é:
- Flávio de Carvalho (vocal);
- Eliel Carvalho (guitarra);
- Gustavo de Carvalho (guitarra);
- Gustavo Silva (baixo);
- Wagner Arruda (bateria).

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quinta-feira, 9 de março de 2017

Goatlove - Guadalajara (2016)


Goatlove - Guadalajara (2016)
(Independente - Nacional)


01. Shine
02. Down to the River
03. Rise, Caeser, Rise
04. Liar
05. Saturn’s Honey
06. Hipshake
07. Apes
08. We Shall Rise
09. Sunshine Colours

Se tem uma coisa que dá gosto, é escutar uma banda que procura fugir do lugar-comum. Esse é o caso do Goatloave e seu Goat ‘N’ Roll. Formado por Roger Lombardi (vocal), Marco Nunes (guitarra), Pedro Lobão (guitarra), Lucas Barone (baixo) e Alexandre Watt (bateria), já haviam chamado a atenção com seu debut, The Goats Are Not What They Seem (12), com uma mistura bem interessante de Pós-Punk, Gothic Rock, Classic Rock, Hard e algumas pitadas de Metal, e agora, após 4 longos anos, nos apresenta seu segundo trabalho, intitulado Guadalajara.

Esse é um álbum mais maduro e coeso que o de estreia, o que não é pouca coisa. As características principais nele apresentadas continuam fortemente presentes aqui, mas fica nítido que deram aquele passo à frente na sua música, principalmente nos arranjos, que se mostram melhores trabalhados. Os vocais de Roger continuam marcantes, com ele soando muito mais como um crooner do que como um vocalista, algo que pode causar estranhamento em alguns, mas que é um puta diferencial na sonoridade da banda. A dupla de guitarristas formada por Marco Nunes e Pedro Lobão, soa mais afiada que nunca nos riffs e solos, enquanto Lucas Barone (baixo) e Alexandre Watt (bateria) formam uma dupla sólida e coesa.

O álbum abre com a marcante “Shine”, enérgica e que pende mais para o Gothic Rock, enquanto a faixa seguinte, “Down to the River”, tem aquela veia Hard do Goatlove mais acentuada, com um refrão desses que gruda na cabeça. “Rise, Caesar, Rise” mantém a energia lá em cima, com muito peso, intensidade e outro refrão marcante. Aliás, essa é uma característica forte em todo trabalho, já que basta uma audição para sair cantando os mesmos por ai. O lado pós-punk dá as caras na ótima “Liar”, com aquele climão totalmente anos 80 e influência de nomes como Sisters Of Mercy e The Mission. Só por essa sequência, já é possível notar a amplitude sonora do trabalho. Mas a coisa não para aqui. 


“Saturn’s Honey” e “Hipshake” são bem enérgicas e mesclam com muita categoria Hard Rock e Punk. Ambas contam com a participação especial da vocalista Anita Cecília Pacheco nos refrões, o que enriquece ainda mais o resultado final. Bem crua, “Apes” mostra outro lado da banda, já que conta com influências daquele Rock Industrial. Mas atente, quando falamos de Rock Industrial, estamos falando daquela segunda geração pós-punk e nomes como Killing Joke, Skinny Puppy, Cabaret Voltaire e afins, que tiveram influências nos primórdios do estilo. Já “We Shall Rise” é o momento experimental de Guadalajara, já que consiste em mais de 16 minutos de batidas tribais e sons eletrônicos. Encerrando a obra, a bela e setentista “Sunshine Colours”, que conta com as participações de Paulo Anhaia no violão e Cleilton Chaves no Ukelele. Qualquer semelhança com Led Zeppelin aqui não é mera coincidência, com direito a citação direta da obra dos ingleses aqui. Melhor forma de encerrar o trabalho, impossível.

Gravado no Fábrica do Zé Studios, o álbum teve produção de Marco Nunes e Roger Lombardi, com a mixagem e masterização sendo realizadas no The Goatroom Studios, por Marco. Sem dúvida, outro ponto onde evoluíram ainda mais, já que o nível aqui é ótimo. Tudo claro, audível, bem timbrado, mas com uma dose de crueza e sujeira necessárias ao som do Goatlove. Já a capa, uma foto de domínio público, foi elaborada em cima de ideia de Ricardo Batalha. Um trabalho que, ao final de tudo, acaba primando pela originalidade, já que não escuto hoje por aí uma banda que misture de forma tão competente e divertida algumas referências tão dispares como o quinteto faz. Se gosta de uma música autêntica, escute Guadalajara.

NOTA: 9,0

Goatlove é:
- Roger Lombardi (vocal);
- Marco Nunes (guitarra);
- Pedro Lobão (guitarra);
- Lucas Barone (baixo);
- Alexandre Watt (bateria).

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mickey Junkies - Since You’ve Been Gone (2016)


Mickey Junkies - Since You’ve Been Gone (2016)
(Sinigami Records - Nacional)


01. Nothing to Say
02. Something About Destruction
03. Since You’ve Been Gone
04. Use Me (to Move On)
05. Stoned
06. Tryin’ to Resist
07. Sweet Flower
08. Big Bad Wolves
09. Alguma Coisa
10. A Tired Vampire

O legal de se escutar Rock/Metal há quase 3 décadas e de não ter sido, na maior parte do tempo, um radical de cabeça fechada, é que acabei escutando de tudo um pouco do que passou pela cena nos últimos 28 anos. Me lembro que em idos de 93/94, já morava no interior de Minas e nem sempre tinha acesso a informações, então qualquer revista do estilo que aparecesse por aqui, eu comprava sem titubear. Em uma dessas, peguei uma edição da Dynamite, na qual tinha a cobertura do Festival “Juntatribo”, que havia ocorrido em Campinas/SP e reuniu o que podemos chamar de “a nata” do Rock Alternativo brasileiro de meados da década de 90 (foram duas edições, uma em 93 e a outra em 94).

Nesse momento, tive contato com toda uma gama de bandas para lá de interessantes. Okotô, Garage Fuzz, Pin Ups, Second Come, Lethal Charge, Anarchy Solid Sound, Killing Chainsaw e Mickey Junkies se tornaram familiares para mim, já que aos poucos fui procurando conhecer cada uma delas. O Grunge havia estourado nos Estados Unidos, o Rock Alternativo havia crescido por aqueles lados de lá e isso refletiu diretamente aqui. Um exemplo é que a maior parte das bandas cantava em inglês, o que talvez tenha atrapalhado bastante as mesmas, pois curiosamente, as duas únicas dessa geração que realmente vingaram e fizeram grande sucesso, cantavam em português: Raimundos e Planet Hemp (curiosamente, cada uma cantou em uma das edições do Juntatribo).

Dessas, o Mickey Junkies, surgida no ano de 1991, sempre se destacou como uma banda diferenciada. Após algumas demos e elogios de nomes do porte de Jello Biafra e Dave Grohl (na época, ainda baterista do Nirvana), finalmente conseguiram lançar seu álbum de estreia, “Stoned”, em 1995. Infelizmente, não era um período fácil e algum tempo depois, a banda encerrou as atividades. Poderiam ter caído no limbo em que muitas de suas contemporâneas caíram, sendo relembrada por alguns poucos, mas eis que em 2007, 10 anos após seu fim, sua formação clássica, com Rodrigo Carneiro (crooner), Érico Birds (guitarra), André Satoshi (baixo), Ricardo Mix (bateria) resolveu voltar à ativa, fazendo shows e relançando seu debut, com algumas bônus.


E bem, demorou, mas o segundo trabalho do Mickey Junkies finalmente foi lançado. Since You’ve Been Gone mostra uma banda mais madura e que não ficou parada no tempo, sabendo se adaptar com perfeição ao cenário alternativo atual, mas sem perder as suas raízes. Sua música mescla com perfeição elementos de Rock setentista, Blues, Punk, Grunge e boas doses de Psicodelia, gerando assim uma sonoridade para lá de agradável e com grande dose de personalidade. A voz de Rodrigo remete diretamente à de Glenn Danzig, enquanto Érico Birds despeja alguns dos riffs mais legais que escutei nos últimos tempos vindos de uma banda de Rock brasileira. Peso, groove e psicodelia muito bem equilibrados. Já a parte rítmica, com André Satoshi e Ricardo Mix é um show à parte, já além de esbanjarem técnica, conseguem imprimir grande variedade às canções.

Sobre estas, nada aqui soa dispensável e o resultado final é ótimo. Parte das canções aqui presentes data dos anos 90, apesar de serem inéditas em CD, e as demais foram compostas após o retorno. Entre minhas preferidas, destaco a dobradinha que abre o CD, “Nothing to Say” e “Something About Destruction”, ambas pesadas, com bom groove e certa lisergia, “Stoned”, com uma pegada bem Stoner Rock, o Blues Rock psicodélico “Sweet Flower” (faixa presente na primeira demo da banda), a enérgica e “hendrixiana” “Big Bad Wolves” e a pós-punk “Alguma Coisa”, um cover do De Falla e a única cantada em português aqui.

A produção ficou por conta de Michel Kuaker, que conseguiu deixar tudo audível, mas com aquela sujeira e crueza que a música pede. Mostrando maturidade, energia e provando que ainda tem muita lenha para queimar e muita coisa boa a oferecer para nosso cenário, só podemos esperar que o Mickey Junkies engate uma quinta marcha, siga em frente a toda velocidade e nos presenteie com muitos outros trabalhos de qualidade!

NOTA: 8,5

Mickey Junkies é:
- Rodrigo Carneiro (crooner);
- Érico Birds (guitarra);
- André Satoshi (baixo);
- Ricardo Mix (bateria).

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Dolores Dolores - ID Superpower (2014)


Dolores Dolores - ID Superpower (2014)
(Independente - Nacional)


01. Infant Sorrow (Prelude)
02. Confused
03. Behind The Hills
04. Crystal Ball
05. Perfect Man
06. Nothing To Lose
07. Waiting For A Train
08. Mama Technology
09. I Was Wrong
10. In Spite Of Me
11. Time To Confess
12. Dramatic Lover
13. Infant Sorrow

Aqui em Minas, costumamos dizer que “pelo andar da carruagem, a gente sabe quem vem dentro”. Adaptando a ideia básica do ditado para música, poderíamos dizer que “quando a banda é mineira, a gente sabe que vem música de qualidade.”. Esse é o caso do Dolores Dolores, que lançou em 2014 seu segundo trabalho, ID Superpower, um álbum que acima de tudo, prima pela diversidade musical e por ser agradabilíssimo de se ouvir.

Podemos dizer que a base da sonoridade dos mineiros está no Hard Rock, mas a isso são agregadas outras influências, principalmente de Prog, Classic Rock, Blues, Southern e algo de Pop. É justamente essa liberdade que a banda se dá, de trafegar entre estilos, que dá um belo diferencial a sua música e faz você querer ficar ouvindo o Cd sem parar. Os vocais de Wille Muriel são agradabilíssimos de se escutar, enquanto a guitarra de Humberto Maldonado é responsável por algumas melodias simplesmente grudentas, além de bons riffs e solos muito bem encaixados e sem exageros. Já a parte rítmica, com o baixista Rodrigo Cordeiro e o baterista Alessandro Bagni, se destaca pela técnica e pela variedade que imprime às canções.


Os destaques aqui são muitos. Seguindo uma linha mais direta, podemos apontar o hardão “Confused”, que transborda energia e “Dramatic Lover”, com um riff daqueles bem grudentos. O Hard também dá as caras em faixas como “Crystal Ball” e “Perfect Man”, mas com boas doses de Classic Rock agregadas. As influências de Prog surgem nas boas “Nothing To Lose” em “Mama Technology”, aqui mescladas com Blues (sim, com Blues!!!) e na cadenciada e pesada “I Was Wrong”. O lado mais Southern surge nas guitarras e violões de “Waiting For A Train”, que tem um refrão muito agradável. Já “Behind The Hills” tem uma pegada mais introspectiva e bom toque de acessibilidade.

Gravado no Studio Solo (Belo Horizonte/MG), o trabalho teve produção do guitarrista Humberto Maldonado, com mixagem e masterização realizadas por Rodrigo Aires Grilo. O resultado final foi excelente, deixando tudo claro, 100% audível, mas sem perder o peso necessário e nem plastificado demais, como vemos em muitas produções atuais. O encarte é o único ponto negativo aqui, já que é absurdamente simples, contando apenas com as fotos dos membros e sem as letras. Apesar disso, a capa é bem interessante e vale a pena passar um tempo observando a mesma.

Variado, diversificado e sem soar forçado, o Dolores Dolores é responsável por um trabalho agradável de se escutar, desses que você sequer nota o tempo passar durante a audição. No momento, se encontram em estúdio gravando o sucessor de ID Superpower, então só nos cabe aguardar  e esperar que o mesmo venha tão tão bom ou melhor que o mesmo.

NOTA: 8,0

Dolores Dolores é:
- Wille Muriel (vocal);
- Humberto Maldonado (guitarra);
- Rodrigo Cordeiro (baixo);
- Alessandro Bagni (bateria).

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Volbeat - Seal The Deal & Let's Boogie (2016)


Volbeat - Seal The Deal & Let's Boogie (2016)
(Universal Music - Nacional)


01. The Devil's Bleeding Crown
02. Marie Laveau
03. For Evigt (feat. Johan Olsen)
04. The Gates Of Babylon
05. Let It Burn
06. Black Rose (feat. Danko Jones)
07. Rebound (Teenage Bottlerocket cover)
08. Mary Jane Kelly
09. Goodbye Forever
10. Seal The Deal
11. Battleship Chains
(Georgia Satellites cover)
12. You Will Know
13. The Loa's Crossroad

Se o seu álbum anterior, Outlaw Gentlemen & Shady Ladies (13), já havia colocado o Volbeat com um pé bem firme no Mainstream, Seal The Deal & Let's Boogie, novo trabalho do grupo dinamarquês, fez com que se consolidassem de vez por lá. Prova disso é que de cara, entraram em 4º lugar na Billboard 200, vendendo mais de 50 mil cópias na semana de lançamento, números que no mercado musical atual, impressionam.

O Volbeat possui algo muito raro no meio musical atual, que é identidade. Sua mescla de Hard, Heavy, Punk, Country, Rockabilly e Pop, na teoria pode parecer uma colcha de retalhos sem sentido algum, mas, na prática, resulta em uma sonoridade única. Quando você escuta, sabe que é Volbeat. Parte do mérito vai para o vocalista e guitarrista Michael Poulsen, com sua voz bem peculiar e inconfundível. Outra marca registrada são as melodias grudentas e com forte apelo pop e que por isso grudam na cabeça igual chiclete no cabelo. Ninguém no cenário atual consegue tal feito com tamanha competência.

Sendo assim, não inventam muito e procuram seguir sua fórmula como se fosse uma receita de bolo. As guitarras de Poulsen e Rob Caggiano (ex-Anthrax, que também tocou baixo na gravação) apresentam bons riffs, melodias marcantes e imprimem muito groove às canções. Jon Larsen pode não ser o baterista mais rápido e técnico do Rock/Metal, e nem precisa disso, já que possui um feeling único para música. A variedade imposta por ele enriquece por demais o trabalho.

Aqui o pop está um pouco mais acentuado que nos trabalhos anteriores, mas nada que comprometa de forma dramática o resultado final, já que o peso se faz presente. Os refrões, como de praxe no Volbeat, são simplesmente grudentos e basta uma ou duas audições para ficar com boa parte deles martelando em sua cabeça. Claro que Seal The Deal & Let's Boogie possui seus problemas, “Rebound” (cover do
Teenage Bottlerocket) e “Goodbye Forever” são faixas totalmente dispensáveis e que ocupam espaço desnecessariamente no CD, mas músicas como “The Devil's Bleeding Crown”, pesada, forte e com um belo trabalho de guitarra e bateria, a densa “The Gates Of Babylon”, que remete ao oriente em seu início, o rockão direto e certeiro de “Black Rose” (com participação de Danko Jones) a acelerada e frenética “Seal The Deal” e “The Loa's Crossroad”, a mais pesada e agressiva do álbum, com uma pegada bem Heavy, nos fazem esquecer essas pequenas falhas.

Como de praxe em se tratando do Volbeat, o álbum teve a produção de Jacob Hansen (Primal Fear, Destruction, Epica, Heaven Shall Burn, Anvil, Doro). Já a mixagem foi feita por Joe Barresi (Bad Religion, Kyuss, Melvins, L7, Soundgarden) e a masterização, por ninguém menos que Bob Ludwig (Rush, Megadeth, Ozzy Osbourne, Metallica, Iron Maiden, Mötley Crüe). O resultado final ficou muito bom, mas um pouco polido demais para meu gosto.

Divertido e cativante, Seal The Deal & Let's Boogie pode até não ser o melhor trabalho do Volbeat (para mim o título ainda pertence a Guitar Gangsters & Cadillac Blood), mas vai ser um dos CD’s mais divertidos que você escutará em 2016. Se você passa longe de radicalismos e tem a cabeça mais aberta, pode adquirir sem medo.

NOTA:8,0

Volbeat (gravação):
- Michael Poulsen (vocal/guitarra)
- Rob Caggiano (guitarra/baixo)
- Jon Larsen (bateria)

Volbeat é:
- Michael Poulsen (vocal/guitarra)
- Rob Caggiano (guitarra)
- Kaspar Boye Larsen (baixo)
- Jon Larsen (bateria)

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sexta-feira, 4 de março de 2016

Basttardos - O Último Expresso (2015) (EP)


Basttardos - O Último Expresso (2015) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Basttardos
02. Licor de Cereja
03. Despertar do Parto
04. Exilados
05. Terceiro Elemento

Surgido em 2010 no Rio de Janeiro, o grupo carioca Basttardos já havia chamado a atenção quando do lançamento de seu EP de estréia, Dois Contra o Mundo, em 2013. O Último Expresso, segundo trabalho do grupo, foi lançado no final do ano passado e bem, confesso que após a sua audição, lamentei não ter escutado o mesmo antes, já que ele entraria fácil em minha lista de melhores EP's de 2015.

Aqui temos claramente um caso típico de "o que era bom ficou melhor ainda". Soando mais madura e equilibrada, o prezado ouvinte irá se deparar com uma banda que pratica um Rock and Roll carregado de elementos diversos, que passam pelo Rock Alternativo, o Southern e o Hard Rock, gerando assim uma sonoridade bem moderna e agradabilíssima de se escutar. Tudo aqui soa superior ao trabalho anterior. Me impressiona também a capacidade de equilibrar rispidez, ótimas melodias e uma dose de acessibilidade nas canções, algo que não é simples de se conseguir, mas que o Basttardos faz muito bem. Alex Campos se mostra tanto ótimo vocalista como guitarrista, despejando riffs bem fortes e pesados, enquanto a parte rítmica, com Terceiro Elemento (Baixo) e Bernardo Martins (Bateria), faz muito bem a sua parte. Vale destacar também as letras (todas em português), muito boa se acima da média que vemos em muitos casos por ai.

É impossível não notar a espontaniedade presente nas 5 canções aqui presentes e por mais que isso soe clichê, fica difícil destacar uma perante as demais, já que todos os temas são realmente grudentos, mas recomendo uma audição atenta em faixas como "Basttardos", "Licor de Cereja" e "Despertar do Parto" (com uma letra linda abordando paternidade e com a qual qualquer um aqui que seja pai irá se identificar).

Gravado no Fil Buc Productions, O Último Expresso foi produzido pelo próprio Alex Campos e teve masterização e mixagem realizados por Fil Buc. O resultado não foi menos do que ótimo, com o som ficando claro, audível e muito pesado. Já a capa foi obra de Alexandre Ferreira e podemos dizer que é um retrato perfeito do que é o Basttardos. Com uma música carregada de espontaniedade, energia e visceralidade, o grupo carioca se mostra mais do que pronto para lançar seu primeiro trabalho completo de estúdio. E que esse não demore muito mais.

NOTA: 8,5

Basttardos é:
- Alex Campos (Vocal/Guitarra)
- Terceiro Elemento (Baixo)
- Bernardo Martins (Bateria)

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Jäilbäit – Who da Fuck are you? (2014)


Jäilbäit – Who da Fuck are you? (2014)
(Independente – Nacional)

01. We are Jäilbäit
02. Going To Wacken
03. Take it Easy
04. Jailbait Squad
05. Just a Boy
06. Do you wanna be a rockstar?
07. Otaro (Sucker)
08. Born to Win
09. Lone Wolf
10. Bäit Blues

Para quem acompanha o A Música Continua a Mesma, tal afirmativa já não é mais novidade. Hoje o Nordeste brasileiro é o maior celeiro da atualidade de bons nomes da cena Metal brasileira.  Surgida no ano de 2013, a Jäilbäit já no ano seguinte soltou seu debut, Who da Fuck are you?, ao qual tecerei algumas considerações aqui.

A primeira coisa a me chamar a atenção é que o quarteto alagoano não possui como principal influência o Metal praticado nos anos 80 (algo bem comum no Brasil), já que a aposta é em uma sonoridade mais setentista. E nesse aspecto é que acaba por surgir à segunda surpresa. Na maioria das vezes, quando falamos de bandas que enveredam por esses caminhos, já imaginamos influências latentes de Black Sabbath, Led Zeppelin ou Deep Purple, mas isso não se aplica ao Jäilbäit, pois ao colocar Who da Fuck are you?, o primeiro nome que vem a cabeça é o Motörhead, principalmente no que tange aos seus primeiros álbuns.

Aquela agradável mescla de Blues, Rock and Roll e Metal que o saudoso Lemmy fazia muitíssimo bem a frente de sua banda é a praia dos alagoanos. Então tome aquele baixão distorcido, ótimas bases e riffs e uma parte rítmica bem sólida, coesa e direta. Nesse ponto você deve estar perguntando o que faz com que o Jäilbäit não seja uma simples cópia do Motörhead. Bem, lhes digo que o que impede tal fato é a grande diversidade apresentada pelo quarteto e os vocais de Zenitilde Neto, que se diferem dos de “Deus”, o que acaba dando certa personalidade à música aqui apresentada.

Por falar em música, em um trabalho muito heterogêneo, onde não tempo nenhuma grande variação de qualidade entre as músicas, sendo essas niveladas por cima. Aponto como minhas preferidas “We are Jäilbäit”, “Going To Wacken”, “Take it Easy”, “Just a Boy”, “Born to Win”, “Lone Wolf” e “Bäit Blues”.

A produção de Edu Silva conseguiu deixar tudo 100% audível, mas com aquela dose de sujeira que a música do Jäilbäit pede. Com uma música enérgica, visceral, pesada e divertida, o quarteto alagoano vai fazer a felicidade de todos os saudosos pelo Motörhead. É para abrir uma cerveja, colocar o volume no máximo e aproveitar cada momento com intensidade, afinal é assim que a vida e a música devem ser vividas.

NOTA: 8,0

Jäilbäit é:
- Zenitilde Neto (Vocal)
- Adailton Junior (Guitarra)
- Wilson Santos (Baixo)
- Cleyton Alves (Bateria)



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Overhead – Ressaca (2014)



Overhead – Ressaca (2014)
(Independente – Nacional)

01. Overhead
02. Tangente
03. Muro
04. Ressaca
05. Vacilão
06. Situações Incertas
07. Presságio
08. Mina de Benga
09. Grande Guerreiro
10. ReEvolução

Uma das coisas que mais me incomoda no cenário atual é o excesso de sisudez que vejo nas bandas mais novas. Parece que esse povo esqueceu que o Rock/Metal é acima de tudo diversão. Sexo, álcool e Rock and Roll amigos! E bem, felizmente esses paulistas de Bauru parecem se recordar de tal premissa, já que o Overhead se envereda justamente pelos caminhos do Rock/Hard, obtendo ótimos resultados.

Em seu debut lançado no ano passado, vamos nos deparar com músicas carregadas de energia, pesadas, mas que em momento algum abrem mão das boas melodias e dos refrães grudentos. Por sinal, todas são cantadas em português e mostram uma dose muito boa de humor e ironia. Os vocais roucos de André Moreno casam perfeitamente com o estilo da banda enquanto o mesmo, junto de Bruno Biondo, forma uma bela dupla de guitarristas, despejando ótimos riffs e solos. Já a parte rítmica, aqui composta pelo baixista Ivo Ferreira e o baterista Marcio Gon (atualmente o posto é ocupado por Bruno Bevenutti), mostra ótima pegada e diversidade.

Com tanta qualidade, as vezes fica um tanto injusto destacar essa ou aquela faixa, já que nada aqui é dispensável. Até mesmo a balada aqui presente consegue encontrar seu espaço dentro do trabalho, sem destoar do restante do material. Mas sugiro a audição urgente de músicas como “Overhead”, “Tangente”, “Ressaca”, “Vacilão”, a irônica “Mina de Benga”, e “Reevolução”.

A produção é muito bem equilibrada, já deixou tudo limpo, mas sem abrir mão da sujeira necessária a proposta adotada pelo Overhead. Curte nomes nacionais como Carro Bomba, Baranga e Velhas Virgens? Então abra um cerveja, coloque o volume no máximo, divirta-se e deixe a ressaca te pegar! Que venha logo um novo álbum!

NOTA: 8,5

Overhead é:

- André Moreno (Vocais/Guitarra)
- Bruno Biondo (Guitarra)
- Ivo Ferreira (Baixo)
- Brendel Alba (Bateria)



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Stoneria – Stoneria (2014)




Stoneria – Stoneria (2014)
(Independente – Nacional)

01. Nada a Perder
02. Antisocial
03. A Cela
04. Latino Americano
05. Calça Jeans
06. Guerra Civil
07. D.4
08. Até Logo
09. Fausto
10. Cicatriz

Quando você pega o Cd em mãos e presta atenção na capa e no nome da banda, a primeira coisa que você imagina é que o Stoneria, banda surgida em São Paulo no ano de 2007, aposta naquele Stoner Rock que anda tão em evidencia no exterior nos dias de hoje. E sinceramente, nem acho que isso seja pré-julgamento, ocorre naturalmente mesmo.

Então você coloca o trabalho para rodar e ao final da audição, a surpresa é inevitável. Claro que aquela sonoridade típica do Classic Rock setentista se faz presente aqui e ali, mas esse é só um dos aspectos da música apresentada pelo quarteto paulista, já que elementos de Punk, Rock and Roll e Alternativo brotam por todos os lados enquanto as músicas rolam. Até mesmo uma viola caipira surge em determinado momento, durante a introdução de “Latino Americano”. O resultado disso é uma música carregada de energia e com um clima bem despojado, bem Rock and Roll mesmo e que é muito, mas muito legal. As letras são todas em português e bem interessantes e as guitarras, como não poderiam deixar de ser, tem uma dose razoável de sujeira, algo que falta muito hoje em dia, onde muitas bandas optam por uma sonoridade excessivamente limpa, quase asséptica. A “cozinha”, além de imprimir bom peso, acaba sendo a principal responsável pelo clima mais desocmpromissado da música do Stoneria. Os maiores destaques aqui são “Nada a Perder”, “A Cela”, “Latino Americano”, “Guerra Civil” e “Cicatriz”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Fernando Sanches e ficou em bom nível, já que tudo está plenamente audível, com bons timbres e com aquela saudável dose de sujeira já citada. Já a capa, bem legal, é obra de Gabriel Cainê. Com uma sonoridade bem variada e bem particular, graças a união de elementos tão diversos, o Stoneria terminou lançando um belíssimo álbum de Rock and Roll, desses que os amantes do estilo precisam ouvir.

NOTA: 8,0

Stoneria é:

- JJ Zen (Vocal)
- Pedro Rocha (Guitarra)
- Jimi (Baixo)
- Arthur George (Bateria)