segunda-feira, 20 de maio de 2019

Rammstein – Rammstein (2019)


Rammstein – Rammstein (2019)
(Universal Music – Importado)


01. Deutschland
02. Radio
03. Zeig Dich
04. Ausländer
05. Sex
06. Puppe
07. Was Ich Liebe
08. Diamant
09. Weit Weg
10. Tattoo
11. Hallomann

Em uma época onde a essência do Rock parece estar se perdendo, com o conservadorismo aumentando em suas fileiras, o Rammstein se mantêm firme, carregando consigo o espírito do estilo. Shows grandiosos, extravagantes e bombásticos, vídeos e letras que chocam, provocam, contestam e colocam o dedo em diversas feridas. O Rock nasceu para ser controverso, e não para agradar pais de família, e é isso que o grupo alemão representa. Em contrapartida, em um mundo onde qualquer subcelebridade possui milhões de seguidores em suas redes sociais, e fazem de tudo para estar em evidência nas mídias – algo típico das estrelas do Rock no passado –, o sexteto formado por Till Lindemann (vocal), Richard Z. Kruspe (guitarra), Paul Landers (guitarra), Oliver Riedel (baixo), Christian “Flake” Lorenz (teclado) e Christoph “Doom” Schneider (bateria), raramente dá entrevistas, ou se envolve em polêmicas em suas vidas pessoais. O Rammstein é o epítome e a antítese do Rock.

Foram 10 anos sem lançar material inédito, ao mesmo tempo, em que lotavam arenas ao redor do mundo, algo que poderia soar contraditório décadas atrás, mas que em uma época marcada por downloads e streamings, se tornou algo comum para nomes que atingiram a grandeza do Rammstein. Seus shows, literalmente inflamáveis e performáticos, fazem jus a fama que a banda adquiriu ao vivo, e não acho exagero afirmar que nesse ponto, são um Kiss mais “depravado”. Entretanto, um paralelo mais perigoso poderia vir a ser traçado nessa comparação com os americanos, o da banda que vive apenas de músicas do passado – me desculpem os fãs, mas hoje é exatamente isso –, e de apresentações grandiosas no presente. Isso é errado? Para uma banda que atingiu o nível de lenda, como o Kiss, nem um pouco, já para os alemães, seria uma tremenda injustiça. Por isso, ano passado, em entrevista ao Consequence of Sound, Richard Kruspe declarou: “Uma das razões para voltar a gravar com o Rammstein é para equilibrar a popularidade da banda como uma atração ao vivo na música atual. Com o Rammstein, as pessoas tendem a falar dos fogos e das coisas de shows. Eu penso: não quero ser como outro Kiss, onde as pessoas falam da maquiagem e coisas do tipo, mas ninguém fala da música”.


Pois bem! Aqui está o sucessor de Liebe is für alle (09), algo que os fãs ansiavam faz tempo. Essa espera de 10 anos valeu a pena? Bem, é o que pretendo responder aqui. Traçando paralelos com outras lendas, o Rammstein é uma espécie de AC/DC, de Motörhead, da NDH (Neue Deutsche Härte). Quando você pega um álbum da banda para escutar, sabe exatamente o que vai encontrar. Vocais inconfundíveis – a força da presença de Till Lindemann é algo inquestionável –, com versos cantados de forma quase falada, e de forma enérgica nos refrões, guitarras agressivas que despejam riffs mecanizados, sintetizadores grandiosos, parte rítmica certeira, letras perversas, contundentes e polêmicas, cantadas em alemão, com algumas incursões em outras línguas, e claro, aquela balada perdida bem lá no meio. Essa receita, seguida a risca nos últimos 25 anos, sofreu poucas mudanças, e fez do sexteto uma banda única, inconfundível. Por mais que muitos tentem copiá-los, quando começa a tocar Rammstein, você já reconhece de primeira. São inconfundíveis.

Em seu 7º álbum de estúdio, isso não é diferente, e a fórmula da banda continua se fazendo bem presente. Existe um ou outro momento em que procuram sair do que se espera, mostrando certa diversidade, algo que pode ser creditado aos trabalhos de Kruspe com o Emigrate, mas na maior parte do tempo entregam aos fãs o que eles desejam, mesmo soando um pouco mais melodioso e menos pesado do que nos acostumamos no passado. Aliás, aqui está minha primeira crítica ao álbum, ele não soar tão pesado quanto chegam a sinalizar em algumas canções, já que optaram por algo ligeiramente mais calmo e pendendo mais para o lado eletrônico. Em muito momentos, essa opção coloca Flake e seus sintetizadores em evidência, se confrontados com as guitarras de Kruspe e Paul Landers, mas não é nada que comprometa de verdade. É mais uma questão de gosto pessoal da minha parte. O que realmente compromete de alguma forma, a meu ver, é a disposição das faixas no álbum. Ele não alterna muito bem músicas mais “calmas” com as mais agitadas, tanto que dá uma ligeira caída na sua segunda metade, justamente por isso.

De cara, já temos a mais do que conhecida “Deutschland”, grandiosa, magistral, com ótimas guitarra e sintetizadores. Já nasceu clássica e mostra a face mais pesada da banda. Na sequência, o segundo single do álbum, “Radio”, onde o enfoque maior na música eletrônica coloca os sintetizadores de Falke como a alma da canção. O refrão é daqueles típicos da banda, curto e fácil de cantar em qualquer língua. Não se deixe enganar pelo coro clássico no início de “Zeig Dich”, já que aqui as guitarras pesadas de Kruspe e Landers dão o tom. É uma música padrão do Rammstein? Sim, mas é forte e poderosa. “Ausländer” pende para a EDM, mesclando batidas bem dançantes com algum peso nas guitarras. É o tipo de música que poderia ser tocada em uma rave sem qualquer  estranhamento. “Sex” é outra bem típica do sexteto, apesar de pender mais para o Rock do que para o Metal, sofrendo influências mais diretas de nomes como Emigrate e Volbeat. Chegamos então no ponto central do álbum, com “Puppe”. Intensa, complexa, e ameaçadora, começa com vocais mais calmos de Till, até ele explodir em desespero no refrão. É daquelas que grudam por dias na cabeça, e certamente a melhor de todas as músicas aqui presentes.Daqui em diante, o álbum dá uma virada, seguindo um enfoque um pouco mais calmo. 


“Was Ich Liebe” já é velha conhecida dos fãs da banda, pois, sua letra, é um poema do segundo livro de Till, que o Rammstein tenta musicar a mais de 10 anos. Na primeira tentativa, acabou sendo deixada de lado, com seu instrumental sofrendo algumas modificações e indo parar em nada menos do que “Pussy”. Já nessa segunda tentativa, a coisa continuou sem funcionar muito bem, com suas guitarras acústicas, sintetizadores um tanto esquisitos, e riffs que não combinam tanto com a banda. Talvez a mudança na forma de compor os tenha afetado, já que em uma composição normal, a letra vem sempre depois da música já pronta. Aqui a música é construída em torno da letra. “Diamant” é uma balada acústica, chorosa, e com melodias e vocais suaves. Ficou chata e comum, e poderia ser limada do álbum sem comprometê-lo em nada. A cativante “Weit Weg” possui uma aura oitentista, com um uso pesado dos sintetizadores, e uma melodia muito agradável. É algo que eu conseguiria ver o Depeche Mode fazendo, se tivesse um pouco menos de peso. Já “Tattoo” é o Rammstein clássico. Metal Industrial pesado, explosivo e com uma ótima bateria. Encerrando, temos a sombria “Hallomann”, com seu baixo distorcido, seus sintetizadores que dão um ar assombroso a canção, e um bom trabalho de guitarras.

A produção ficou a cargo de Olsen Involtini (Emigrate, Lindemann, Unheilig) e da própria banda, com mixagem de Rich Costey (Rage Against The Machine, Muse), e masterização de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Lindemann, Volbeat). O resultado beira a perfeição, pois conseguiu deixar tudo cristalino, mas ainda assim pesado. Nada menos do que a música do Rammstein merece. Já a capa, minimalista, mas de muitos significados, foi obra da Rocket & Wink. Nesse ponto, voltamos a pergunta feita alguns parágrafos acima. Essa espera de 10 anos valeu a pena? Afirmo sem medo que valeu! É um álbum brilhante? Não chega a esse ponto, mas é um trabalho que cumpre bem o seu papel, honrando o legado da banda, e provando que são muito mais do que shows recheados de pirotecnia e performances extravagantes. E daí se a maior parte das canções se limita ao mais do mesmo, sem apresentar grandes novidades ou inovações. Como disse uma amiga, se quiséssemos inovações, iríamos escutar um álbum da Lady Gaga, e não Rammstein. Aqui, queremos boa música e diversão, e isso você vai encontrar com sobras.

NOTA: 84

Rammstein é:
- Till Lindemann (vocal)
- Richard Z. Kruspe (guitarra)
- Paul Landers (guitarra)
- Oliver Riedel (baixo)
- Christian “Flake” Lorenz (teclado)
- Christoph “Doom” Schneider (bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)


Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)
(Extreme Sound Records - Nacional)


01. Waverly Hills
02. Inside My Empire
03. Hatred
04. Insane and Sick

Apesar de ser uma banda relativamente nova, pois, surgiu no ano de 2015, na cidade de Porto Ferreira/SP, a Disruption Path possui em sua formação, músicos com alguma bagagem na cena Metal, com passagens por nomes como Maithungh, Setharus, Apocalispe Nuclear, Inluminatti e Madness. Warped Sanity é seu EP de estreia, e aqui, se enveredam pelos lados do Death Metal puro e simples, sem espaço para inovações e modernidades.

O quarteto formado por Helton Henrique (vocal), Fernando Alan (guitarra), Adler Marcatti (baixo) e Daniel Fuzaro (bateria) não nos apresenta absolutamente nada de novo. Basicamente o ouvinte irá se deparar com um Death Metal bem calcado naquela sonoridade das bandas americanas dos anos 90, com alguns inserts mais melódicos aqui e ali, que podem remeter a cena europeia do mesmo período. Os vocais seguem aquela linha gutural, como manda o estilo, mas com algumas passagens mais rasgadas aqui e ali, com a guitarra sendo responsável por bons riffs, mesmo que esses não apresentem nada de inovador. A parte rítmica se mostra bem coesa e forte, com boa técnica e se destacando pela variedade imposta.


Nas 4 canções presentes, o Disruption Path equilibra de forma competente, passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas, o que conta pontos a seu favor. Obviamente, como não poderia deixar de ser em um trabalho de Death Metal, sua música também se mostra bem pesada e bruta. “Waverly Hills” se mostra bem diversificada, resvalando no Thrash em alguns momentos; “Inside My Empire” parece saída diretamente de um álbum de alguma banda da Flórida dos anos, apresentando boa técnica e agressividade; “Hatred” tem peso de sobra e bom desempenho da parte rítmica; “Insane and Sick” é forte, equilibrando velocidade e cadência, causando assim um impacto no ouvinte.

A produção ficou por conta de Alexandre Machanocker e da banda, e ficou com uma qualidade razoável, já que tudo ficou bem audível e pesado. Ainda sim, é um ponto a ser mais bem trabalhado no futuro, mas sem exageros. Já a capa, consegue passar todo o clima de violência que perpassa a música do quarteto. O Disruption Path não apresenta nenhuma inovação em sua música, se limitando a fazer um som que já foi explorado até a exaustão nas últimas décadas, mas o faz com bastante competência, te fazendo esquecer esse detalhe na maior parte do tempo. Agora é aparar as arestas necessárias e partir para um álbum completo.

NOTA: 79

Disruption Path é:
Helton Henrique (vocal)
Fernando Alan (guitarra)
Adler Marcatti (baixo)
Daniel Fuzaro (bateria)

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Tormenta - Batismo da Dor (2019)


Tormenta - Batismo da Dor (2019)
(Independente - Nacional)


01. Cumulusnimbus
02. Batismo da Dor
03. Escravo da Ilusão
04. Reféns do Medo
05. Em Nome de Deus
06. Dono da Verdade
07. Antaŭŝtorm’
08. A Noite Espessa
09. Perseverança
10. Mal Necessário

Surgida no ano de 1998, na cidade de Ribeirão Preto/SP, a Tormenta enfrentou as dificuldades e percalços de nosso undergorund, tanto que passou por 2 períodos de hiato, 2002-2005, e 2008 - 2010. Entretanto, chegaram a lançar um EP, autointitulado no ano de 2006, e agora, mais de 2 décadas após sua fundação, finalmente chegam ao seu debut, intitulado Batismo da Dor. Sabe aquele álbum que te faz lamentar ter demorado tanto a sair? Pois bem! Esse é o caso aqui.

A Tormenta não busca reinventar a roda em nenhum momento, mas sabe utilizar muito bem suas influências para criar um som de personalidade. Enveredando-se pelo Thrash Metal, consegue unir aquela agressividade característica das bandas americanas da década de 80, a técnica típica das bandas europeias do mesmo período, e doses de Heavy Metal e, principalmente, Hardcore. O resultado? Uma música pesada, agressiva, enérgica e muito bem trabalhada. As letras, todas em português, mostram uma qualidade absurda e enriquecem ainda mais o trabalho do quarteto. Críticas e ácidas, como todas deveriam ser.

Os vocais de Rogener Pavinski seguem aquela linha mais rasgada e se mostram muito agressivos, e ele faz uma bela dupla com o guitarrista Flávio Santana. Além de riffs fortes e marcantes, conseguem imprimir boas melodias, principalmente nos solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Fernando Henriques e o baterista Luis Fregonezi, têm uma posição de destaque dentro das canções, já que elas primam pela variedade. A Tormenta não é daquelas bandas que Thrash que apostam puramente na velocidade, e em diversos momentos investem em partes mais quebradas e cadenciadas. Isso termina sendo um grande diferencial.


Após a intro “Cumulusnimbus”, temos a forte “Batismo da Dor”, que se destaca pelos riffs e pela pegada mais Slayer. A faixa seguinte, “Escravo da Ilusão”, se mostra bem variada e com um ótimo trabalho da bateria. A cadência e o peso dão o tom na ótima “Reféns do Medo”, tendo na sequência a enérgica e devastadora “Em Nome de Deus”, com seu ótimo trabalho de guitarras. “Dono da Verdade” é bem diversificada, e contêm em sua narração, citação ao discurso anti-nazista “E Não Sobrou Ninguém”, de Martin Niemöller. Após a instrumental “Antaŭŝtorm’”, temos “A Noite Espessa”, pesada e com tiques de Hardcore. Na sequência final, temos “Perseverança”, que tem uma pegada mais sombria em seu início, mas logo parte para algo mais agressivo, e uma ótima versão de “Mal Necessário”, composição de Mauro Kwitko, que foi eternizada por um dos maiores artistas desse país, Ney Matogrosso. Forte, com grande carga emocional, e perfeita para fechar o álbum com chave de ouro.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Romulo Felício (Fatal Scream, Lusferus) e Rogener Pavinski, com bons resultados, já que deixaram tudo audível, bem timbrado, e com aquela dose de sujeira necessária. Na capa, temos a escultura Urlo, do italiano Enrico Ferrarini, com a arte do encarte tendo sido feita por Rogener. Esbanjando peso, agressividade e técnica, a Tormenta se sai muito bem em seu debut, apresentando um trabalho que, se não prima pela inovação, se destaca pela criatividade e pela força das canções e letras. Que continuem assim nos próximos lançamentos!

NOTA: 84

Tormenta é:
- Rogener Pavinski (vocal/guitarra)
- Flavio Santana (guitarra)
- Fernando Henriques (baixo)
- Luis Fregonezi (bateria)

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Metalmedia (Assessoria)

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Kiko Shred - Royal Art (2019)


Kiko Shred - Royal Art (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)
02. Achemy’s Fire
03. Merlin’s Magic
04. Straight Ahead (feat. Michael Vescera)
05. Royal Art
06. Over the Edge
07. Tébas
08. The Knights of the Round
09. Mortal
10. Cagliostro

Sempre que me deparo o trabalho solo de um guitarrista, fico com os dois pés atrás, já que  invariavelmente, esse tipo de álbum não passa de um instrumento para que o mesmo deixe seu ego e autoindulgência falar mais alto. Felizmente não é o que ocorre com Kiko Shred, músico com mais de 20 anos de carreira, e que faz parte da banda de apoio de nomes importantes, como Tim “Ripper” Owens, Leather e Michael Vescera. Royal Art é sem 3º trabalho solo, e nele, se cercou de uma banda experiente, contando com o vocalista Mario Pastore, uma das maiores vozes de nosso país, o baixista Will Costa e o baterista Lucas Tagliari, que como ele, tocaram com Owens e Vescera, além de artistas do porte de UDO, André Matos, Doogie White e Blaze Bayley.

A proposta aqui é fazer boa música, seguindo aquela linha Hard/Heavy com influências Neoclássicas, bem como fazia Yngwie Malmsteen no início de sua carreira. Virtuoso, mas sem abusar de seu talento, Kiko abre espaço para que todos os membros de sua banda brilhem, com destaque para o vocalista Mario Pastore, que mostra sua competência habitual. A parte rítmica, com Will e Lucas também brilha em muitos momentos do álbum. Quanto as canções, as mesmas se mostram bem coesas, com bom peso, melodias agradáveis aos ouvidos, além da já citadas influências neoclássicas. 


O álbum abre com “I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)”, faixa repleta de melodias cativantes e com bom desempenho da parte rítmica. “Achemy’s Fire” se destaca pela pegada mais Hard e pelo refrão forte; “Merlin’s Magic” é a primeira instrumental do trabalho, onde as influências neoclássicas ficam mais evidentes; a mais cadenciada “Straight Ahead” conta com vocais de Michael Vescera, bons riffs e um refrão agradável, enquanto a instrumental “Royal Art” encerra a primeira metade do álbum mostrando toda a técnica de Kiko. “Over the Edge” é uma faixa rápida, forte e com ótimos riffs; “Tébas” é mais uma instrumental com toques neoclássicos, assim como “The Knights of the Round”. Encerrando, a ótima “Mortal”, com uma pegada bem Power Metal e ótimos vocais de Pastore, e “Cagliostro”, onde a parte rítmica se destaca mais uma vez.

O álbum foi produzido e mixado por Andria Busic, com masterização de Márcio Edit, e o resultado ficou muito bom, já que deixou tudo bem claro, com boa escolha de timbres e uma certa crueza que impede aquele ar artificial de muitas produções atuais. A parte gráfica foi obra de Tristan Greatrex (Vinnie Moore) e Alcides Burn (Blood Red Throne, Headhunter D.C., Imago Mortis, Malefactor, Queiron), e também ficou com uma qualidade muito boa. O único porém nesse sentido se dá pelo fato de que as faixas “The Knights of the Round” e “Mortal” estão invertidas na listagem das músicas, quando comparadas com o CD. Passando longe da autoindulgência de muitos músicos por aí, Kiko Shred nos entrega um trabalho de muito qualidade, com foco na boa música, e que vai agradar em cheio os amantes de um bom Hard/Heavy. Um álbum que vale a pena a aquisição.

NOTA: 82

Kiko Shred:
- Kiko Shred (guitarra);
- Mario Pastore (vocal);
- Will Costa (baixo);
- Lucas Tagliari Miranda (bateria).

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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

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terça-feira, 16 de abril de 2019

Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)


Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)
(Musik Records - Nacional)


01. The Coming Of Symptoms
02. Wired In (feat. Carl Dixon)
03. Artwork Nightmare (feat. Michael Vöss)
04. Sly Side Effect (feat. Haig Berberian)
05. Silence In Heaven (feat. André Adonis)
06. Saints Spirits & Slaves Sinners (feat. Rod Marenna)
07. First Day Without You (feat. Daniel Vargas & Tito Falaschi)
08. Sharppia
09. Dawning Of Aquarius (feat. Steph Honde)
10. Second Skin Arena (feat. Mario Pastore)
11. Miss Misery (feat. André Adonis)

Para quem desconhece, Fred Mika é líder e baterista da banda goiana de Hard Rock Sunroad, e  Withdrawal Symptons é seu primeiro trabalho solo. Na maioria das vezes, quando um músico opta por algo nessa linha, a ideia é se descolar de sua banda principal, mas Fred optou por não se afastar demais do terreno que conhece muito bem. Dessa forma, o ouvinte vai se deparar com uma boa mescla de Hard, Classic Rock, AOR, Glam e Melodic Rock, que certamente tem tudo para agradar aos que apreciam os citados estilos.

Para essa empreitada, a opção foi se cercar não só de músicos mais próximos, como também de nomes de inegável talento. O vocalista do Sunroad, André Adonis, assumiu toda a parte instrumental, cuidando das guitarras, baixo e teclado, além de cantar em duas canções. O hoje ex-guitarrista da banda goiana, Netto Mello, cuidou da produção. Além disso, para os vocais, se cercou de músicos convidados que só ajudaram a enriquecer o resultado: Carl Dixon (April Wine, Guess Who), Michael Vöss (Mad Max, Casanova, M.S.G., Phantom V), Haig Berberian (Dogman), Daniel Vargas (Adellaide), Tito Falaschi (ex-Symbols), Rod Marenna (Marenna), Steph Honde (Hollywood Monsters) e Mario Pastore (Pastore).

Com um time desses, não precisa dizer que os vocais são um dos pontos de destaque do álbum. Na parte instrumental, Adonis faz um bom trabalho, se mostrando não só um guitarrista muito talentoso, dado não só os bons riffs, bem melodiosos, como os solos com clara influência de Blues que ele nos entrega, mas também se saindo bem no baixo e, principalmente, nos teclados. Ele consegue os encaixar com exatidão nas canções, sem exageros e sem que ele se sobreponha as guitarras, além de criar ótimas atmosferas. Na bateria, como não poderia deixar de ser, Fred mostra o seu já reconhecido talento.


Descontando a introdução, temos 10 canções que apresentam boas melodias, algum peso e que possuem a dose necessária, e esperada, de acessibilidade. O único porém para mim se dá na questão dos refrões, já que a maioria não causa aquele impacto esperado e necessário. Após uma breve introdução, “Wired In” surge  mesclando bem elementos de Classic Rock e AOR; “Artwork Nightmare”, tem aquela pegada bem Whistesnake, equilibrando peso e acessibilidade; “Sly Side Effect” remete o ouvinte ao Deep Purple setentista; “Silence In Heaven” é um Hard mais cadenciado, enquanto “Saints Spirits & Slaves Sinners” é um AOR oitentista da melhor qualidade. A segunda metade do álbum abre com a versão acústica de “First Day Without You”, canção do Sunroad, sendo seguida pela instrumental “Sharppia”. Encerrando, a sequência composta pelas pesadas “Dawning Of Aquarius” e “Second Skin Arena”, ambas com um pé no Metal Tradicional, e uma versão para “Miss Misery”, do Nazareth.

A produção ficou a cargo de Fred e do já citado Netto Mello, com a coprodução de Adonis. O resultado é positivo, já que tudo está audível, mas podem me chamar de chato, achei um pouco crua além da conta para o estilo proposto. Penso que algo um pouco mais limpo deixaria tudo um pouco mais bombástico. A parte gráfica é bem-feita, mas a parte referente aos créditos peca pela escolha e tamanho das letras, já que ficou confuso e quase impossível de ler. Posto tudo isso, não tenho nenhuma dúvida quanto ao fato de que Withdrawal Symptons cairá em cheio no gosto daqueles que apreciam um bom Hard Rock/AOR, pois, é feito na medida para fãs do estilo.

NOTA: 79

Fred Mika (gravação):
- Frad Mika (bateria);
- André Adonis (vocal/guitarra/baixo/teclado)

Convidados:
- Carl Dixon;
- Michael Vöss;
- Haig Berberian;
- Daniel Vargas;
- Tito Falaschi;
- Rod Marenna;
- Steph Honde;
- Mario Pastore.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Faces of Death – From Hell (2018)


Faces of Death – From Hell (2018)
(Independente - Nacional)

01. Priest from Hell
02. I Am the Face of Death
03. New World Order
04. Fucking Human Gods
05. Human Race
06. Brainwash
07. Face the Enemy
08. Anno Domini
09. King of Darkness

O Faces of Death surgiu no ano de 1990, na cidade de Pindamonhangaba/SP, e chegou a lançar duas demos antes de encerrar suas atividades em 1997. Passados 20 anos, a banda retomou a carreira lançando o bom EP Consummatum Est (17), e na sequência, no ano passado, finalmente liberou o seu debut, From Hell. Ouso dizer que poucas vezes o nome de uma banda e o título de um álbum foram tão condizentes com o conteúdo musical. Porque olha, o que temos aqui é uma verdadeira paulada na moleira!

Apresentando um Thrash Metal que equilibra bem o que foi feito no estilo, nos anos 80 e 90, mesclado com generosas doses de Death Metal, o Faces of Death vai agradar em cheio os fãs de formações como Sepultura (pré-Chaos), Kreator, Slayer, e até mesmo Pantera. Equilibrando bem passagens mais pesadas com outras mais velozes, além de um bom groove, o quarteto formado por Laurence Miranda (vocal/guitarra), Felipe Rodrigues (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Sidney Ramos (bateria) entrega uma música ríspida, com bons vocais urrados – ainda que pouco variados -, guitarras que despejam riffs simplesmente brutais, além de uma parte rítmica técnica e precisa. Em resumo, tudo que realmente esperamos de um álbum de Thrash/Death.


De cara temos a brutal “Priest from Hell”, que esbanja fúria e bom groove, sendo seguida pela agressiva e variada “I Am the Face of Death”. Em ambas, o quarteto faz questão de manter um pé bem firme no Death Metal, dando um sabor a mais para as canções. “New World Order” consegue alternar muito bem passagens cadenciadas e velozes, além de possuir um ótimo trabalho de guitarra e riffs afiadíssimos. “Fucking Human Gods” é bruta e tem ótimo desempenho da parte rítmica, enquanto o Death Metal volta a dar as caras na ótima “Human Race”, outra que se destaca pelos ótimos riffs. “Brainwash” se mostra veloz e pesada; “Face the Enemy” tem bons riffs, sendo bem variada, e remetendo um pouco ao Sepultura da fase Beneth the Remains/Arise; e  “Anno Domini”, presente no EP de 2017, é daquelas canções curtas e diretas. Encerrando o álbum, a violenta e brutal “King of Darkness”.

A produção ficou a cargo da banda e de Friggi MadBeats, baterista do Chaos Synopsis, que também foi responsável pela mixagem e masterização. O resultado é muito bom, e equilibrou clareza e sujeira, como deve ser em um álbum do estilo. Já a capa e todo o layout foram obras de Raphael Gabrio, e conseguiu incorporar com perfeição todo o clima de fúria que as canções transmitem ao ouvinte. O Faces of Death pode não apresentar nada essencialmente novo com seu Thrash/Death, mas o faz com competência, personalidade, propriedade, e principalmente, com uma honestidade que fica latente em cada nota. Um álbum feito na medida para fãs do estilo!

NOTA: 83

Faces of Death é:
- Laurence Miranda (vocal/guitarra);
- Felipe Rodrigues (guitarra);
- Sylvio Miranda (baixo);
- Sidney Ramos (bateria).

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terça-feira, 9 de abril de 2019

Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)


Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Inflamáveis
02. Super Aquecendo
03. Homo Sapiens Brasiliensis
04. Céu de Abril
05. Descãonhecido
06. Crianças – certa melancolia e introspecção
07. Interstellar
08. Os Magnéticos
09. Natural
10. Minha Hora

O Brasil sempre teve ótimos nomes quando falamos de Rock, incluindo aí suas vertentes mais comerciais. Nos anos 70, tivemos artistas como Mutantes, Joelho de Porco, Raul Seixas, O Terço e Secos & Molhados; nos 80, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Camisa de Vênus e Plebe Rude; nos 90, Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Detonautas, Chico Science e Nação Zumbi e Charlie Brown Jr.; e mesmo no início da década de 2000, bandas como CPM 22, Cachorro Grande e Pitty ocuparam um bom espaço nas mídias de massa. O problema é que de meados da década passada em diante, o estilo foi perdendo espaço de forma progressiva nas rádios e em programas de TV, passando a impressão que nada mais surgia no cenário.

Entretanto, quem acompanha com mais atenção, não se fechando em nichos, sabe que o problema nunca foi esse. Ótimas bandas continuaram surgindo durante todo o período, mas por uma série de fatores, que vão desde a dificuldade inicial de se adaptar a uma nova realidade, onde a internet passou a ter papel central na distribuição e consumo de música, até ao saudosismo e conservadorismo do público, que se recusa a aceitar o que é novo, se prendendo apenas ao passado, criou-se o “Mito da Crise Criativa” do Rock Nacional. Scalene, Far From Alaska, Supercombo, Ego Kill Talent, Francisco El Hombre, Selvagens a Procura de Lei, Vivendo do Ócio, Vanguart, Vespas Mandarinas, Boogarins, são alguns dos nomes que jogam por terra essa falácia.

Formada na cidade de Bebedouro/SP, no ano de 2012, a Magnética é mais uma banda que pode ser incluída entre os nomes citados acima. Tendo em sua formação Elvio Trevisone (vocal), Rafael Musa (guitarra), Kelson Palharini (guitarra), Anderson Pavan (baixo) e Marcos Ribeiro (bateria), apostam em uma sonoridade que une elementos de diversas fases do Rock, indo do Classic Rock setentista até o Grunge/Alternativo dos anos 90, passando pela geração oitentista do Rock brasileiro. É uma música simples, honesta, muito bem tocada, que consegue equilibrar muito bem o lado pesado com o mais comercial, e principalmente, grudenta como poucas que escutei nos últimos anos. Tem refrões aqui que são forjados na base da supercola, já que ficam na sua cabeça por dias.


A abertura se dá com “Inflamáveis”, uma canção pesada, com dose razoável de agressividade e que deixa clara a influência do Grunge; “Super Aquecendo” tem uma pegada setentista, toques de Blues e ótimas melodias; “Homo Sapiens Brasiliensis” se destaca pelo tom crítico e pelo trabalho das guitarras; “Céu de Abril” é a mais acessível de todo o álbum, e possui não só boas melodias, como um refrão que fica marcado na cabeça; e “Descãonhecido” é uma bonita balada voltada para a causa animal. A segunda metade do álbum abre com a melancólica “Crianças”, sendo seguida pela boa “Interstellar”. “Os Magnéticos” se destaca pelo trabalho das guitarras; “Natural” se mostra pesada; “Minha Hora” encerra com riffs mais arrastados, peso, e muito de Grunge.

A produção, masterização e mixagem foram realizadas por Romulo Ramazini Felicio, e o resultado ficou acima da média. Tudo claro, audível, mas ainda sim, pesado. A parte gráfica ficou a cargo de Pablo Gomes Nicolela, e também se destaca por ser muito bem-feita. Estreando com o pé direito e mostrando possuir talento de sobra, a Magnética se mostra uma banda acima da média, e que possui todos os requisitos para firmar seu nome entre os principais nomes da cena nacional. Cabe dizer que após o lançamento, passaram por mudanças de formação, com o quinteto se tornando um trio após as saídas do vocalista Elvio Trevisone e do guitarrista Kelson Palharini, e que estão finalizando um EP para muito em breve.

NOTA: 83

Magnética (gravação):
- Elvio Trevisone (vocal);
- Rafael Musa (guitarra);
- Kelson Palharini (guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

Magnética é:
- Rafael Musa (vocal/guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

R.I.V. - Prog-Core (2018)


R.I.V. Prog-Core (2018)
(Independente – Nacional)


01. War Flames
02. Headache
03. No… P.A.S.
04. Rainbow Warrior´s Mayday
05. Progressive Core
06. Testicle Man
07. Caligula 2332 D.C.
08. Freaks in Action
09. Animal
10. Delicious Nham! Nham!
11. Ashes
12. Spiral

O R.I.V., ou Rhythms In Violence, não se trata de uma banda novata, já que suas raízes remontam ao cenário mineiro dos anos 80. Após pausar as atividades em 1996, e permanecerem em um hiato de 20 anos, retornando com o lançamento da demo Welcome To Prog-Core (16), e ano passado um álbum completo, Prog-Core. Pelo título de ambos os trabalhos, você já consegue imaginar que estamos diante de algo um tanto inusitado.

Nesse momento você provavelmente está se perguntando o que seria esse tal de Prog-Core. Bem, ele é exatamente o que o nome diz, ou seja, uma base bem calcada no Crossover entre Thrash e Hardcore, mas com ritmos mais quebrados, típicos do progressivo. Definitivamente não é uma proposta de fácil assimilação, mas soa bem original, já que não me recordo de outra banda se propondo a tal coisa.

Antes de tudo preciso fazer uma crítica. O maior problema da demo de 2016 era a produção, bem deficitária e que prejudicava em muito a proposta da banda. Infelizmente, esse problema não foi sanado no CD, o que é uma pena. Do que adianta você se propor a fazer algo diferente e inovador, se o ouvinte não vai poder usufruir da experiência por completo? As bandas brasileiras precisam entender que não basta ser criativo, mas também profissional. Hoje, por mês, são centenas de lançamentos, as pessoas têm cada vez menos tempo para escutarem música, e o público tende sempre a dar preferência a nomes já conhecidos. Dentro desse panorama, qual a chance de uma banda menos conhecida subir de patamar com uma produção fraca? Entendo que existem dificuldades inerentes a se fazer Metal no Brasil, mas me desculpem, já está provado por diversos lançamentos nacionais de qualidade, que é possível sim fazer boas produções. Agora, se a proposta da banda for realmente soar dessa forma, é uma pena.


Musicalmente, o que temos é uma sonoridade bem pesada, com canções rápidas, bem trabalhadas, vocais agressivos, riffs de qualidade e uma parte rítmica bem diversificada, com grande destaque para a bateria. Essa mescla de brutalidade e técnica gera algo complexo, que sai completamente do lugar-comum, e que inevitavelmente vai causar estranhamento nos fãs de Metal que tenham a cabeça mais fechada. Para ser sincero, mesmo para aqueles mais abertos, a assimilação não é tão fácil, por isso a importância do que falei lá em cima, a respeito da produção. Ótimas ideias acabam se perdendo e soando confusas. Também senti falta de refrões mais fortes, que façam as músicas ficarem na cabeça de quem escuta, algo muito importante em um cenário cada vez mais concorrido. Como crescer sem ser lembrado?

São 12 canções, 4 delas regravadas da demo de 2016, e que conseguem manter um nível bem homogêneo de qualidade. O Hardcore muitas vezes fica em primeiro plano, mas sem que os mineiros abram mão da versatilidade e dos ritmos mais quebrados. Aponto como destaques “War Flames”, um Crossover furioso, mas, ao mesmo tempo, técnico; “Freaks in Action”, bem diversificada e grooveada, “Delicious Nham! Nham!”, veloz, enérgica e raivosa; “Ashes”, agressiva e com passagens mais quebradas, algo que também pode ser observado em “Rainbow Warrior´s Mayday”.

Em oposto a produção mais fraca, a parte gráfica se mostra bem caprichada. Embalado em um digipack muito legal, tem design e layout de Fernando Drowned, com a capa e os painéis internos elaborados pelo vocalista e guitarrista Helbert de Sá. Que esse profissionalismo seja transposto para outras áreas em um próximo álbum. Ainda sim, apesar de tais problemas, o que temos aqui é uma banda criativa, ousada, técnica e que não tem medo de inovar, o que no final pesou demais na minha avaliação. Tudo é questão de aparar as arestas necessárias, para assim permitir que o ouvinte possa usufruir da sua música de forma plena.

NOTA: 71

R.I.V. é:
- Helbert de Sá (vocal/guitarra);
- Ana Lima (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria).

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terça-feira, 2 de abril de 2019

Heretic – To the False (2017)


Heretic – To the False (2017)
(Independente – Nacional)


01. Unobtainium
02. The Whip of God
03. Sitar Sauvage (feat. Mario Duplantier)
04. Trail of Sins
05. Until the Day It Comes
06. The End
07. Hymn to Sirius
08. Asaty
09. Truth (instrumental)
10. Rising Power

A evolução do Heretic é algo que não me cansa de impressionar. Entre seu segundo álbum, Leitourgia (15), e To The False, seu quinto trabalho de estúdio, se passaram apenas 3 anos, mas o crescimento e amadurecimento do projeto capitaneado por Guilherme Aguiar foi imenso. Fugindo do lugar-comum de boa parte das bandas nacionais, adotaram a proposta ousada de praticar música instrumental, mesclando uma base Prog Metal com elementos externos ao estilo, mais precisamente, Jazz e música oriental. Obviamente, o resultado nunca foi de fácil assimilação, afinal, quanto maior a amplitude musical, mais difícil se torna a sua absorção, mas nunca deixaram de fazer música de extrema qualidade. Mesmo com resultados tão positivos, o Heretic não se acomodou e resolveu dar um passo ousado, introduzindo vocais a suas canções, o que já foi observado no EP Heretika (16).

Essa espinhosa missão ficou a cargo de Erich Martins, e cabe dizer que o mesmo se saiu muito bem, já que sua voz se encaixou com perfeição na proposta da banda. Isso deixou as músicas um tanto mais “simples”, dentro do que a intrincada proposta do grupo permite, já que estamos falando de uma música altamente técnica, pesada, e de diferentes tonalidades, dado o forte componente étnico presente. O trabalho das guitarras, a cargo de Guilherme e dos convidados Lucas Cão e Luis Maldonalle, mantém o alto nível já apresentado, com ótimos riffs e solos. O trabalho da parte rítmica continua fenomenal, com o baixo de Laysson Mesquita soando irrepreensível e a bateria de Gustavo Naves trazendo a diversidade necessária as canções. Quanto a instrumentação étnica, ela está muito bem encaixada nas canções, e dão um ar exótico as mesmas.


Todas as 10 músicas aqui presentes apresentam um alto nível de qualidade, mas ainda sim existem alguns destaques inevitáveis. “Unobtainium” é dessas canções que cativam com facilidade, graças a forma como equilibra o peso com a instrumentação étnica, além de possuir bons riffs e um refrão marcante; “The Whip of God” abusa da agressividade, mas sem abrir mão das boas melodias; “Sitar Sauvage” é uma instrumental diversificada, e se encaixaria com perfeição nos trabalhos anteriores da banda, além de contar com a participação do baterista Mario Duplantier, do Gojira. O bom equilíbrio entre peso, melodia e música oriental também se faz presente nas agressivas “Until the Day It Comes”, com ótimos arranjos; “Hymn to Sirius”, uma das mais sólidas de todo trabalho; “Asaty”, bem diversificada; e “Rising Power”, que encerra o álbum.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Guilherme Aguiar, e o resultado ficou bom, com todos os instrumentos bem audíveis. Ainda soa uma pouco mais crua do que o necessário, mas nada que chegue a comprometer a qualidade. Para completar, o CD vem em um digipack belíssimo, muito caprichado. Lapidando ainda mais sua proposta, e mostrando uma música mais coesa, o Heretic esbanja criatividade em To the False, se colocando como uma banda única dentro do cenário nacional. Cabe dizer que ano passado lançaram mais um álbum, Barbarism, e que no momento já se encontram preparando seu próximo trabalho.

NOTA: 84

Heretic (gravação):
- Erich Martins (vocal);
- Guilherme Aguiar (guitarras, sintetizadores, tabla indiana, flauta, esraj, oud, darbouka, bouzouki, orquestrações);
- Laysson Mesquita (baixo);
- Gustavo Naves (bateria);
- Luis Maldonalle (guitarra solo);
- Lucas Cão (tabla indiana e guitarra na faixa 1);
- Mario Duplantier (bateria na faixa 3).

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sexta-feira, 29 de março de 2019

VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)


VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)
(Season of Mist – Importado)


01. Something Wicked Marches In
02. Praevalidus
03. Total Destroy!
04. Monolilith
05. Truth And Consequence
06. Last Ones Alive Win Nothing
07. Everlasting
08. Diabolus Est Sanguis
09. Marching On

Nunca escondo que tenho os dois pés atrás com o termo supergrupo, e a história do Metal me dá embasamento para tal. Entretanto, confesso que ao ficar sabendo que David Vincent (ex-Morbid Angel), Rune “Blasphemer” Eriksen (ex-Mayhem, Aura Noir) e Flo Mounier (Cryptopsy), estavam se unindo para formar o VLTIMAS, bateu no mínimo uma curiosidade quanto ao que surgiria de tal mistura. Fora isso, existia certa dúvida quanto a capacidade de David de voltar a fazer Música Extrema de qualidade, após o tão controverso Illud Divinum Insanus (11). Com o lançamento de  Something Wicked Marches In, tais perguntas começam a ser respondidas.

Para início de conversa, chama a atenção o entrosamento e a coesão do trio. A sensação que você tem é que estamos diante de músicos que tocam juntos há muito tempo. A forma como conseguem unir suas características individuais também impressiona. O VLTIMAS não reinventa o Death Metal, mas consegue fazer uma leitura própria do estilo, unindo a sonoridade do Morbid Angel dos primeiros álbuns, com riffs, solos e melodias próprios do Black Metal, e uma bateria explosiva e técnica, típica das vertentes mais brutais do Death Metal. Em suma, é uma música mortífera, esmagadora e impiedosa com pescoços e ouvidos menos treinados.

Em pouco mais de 38 minutos, o ouvinte irá se deparar com aqueles vocais bem característicos, que marcaram a passagem de David pelo Morbid Angel. Um prato cheio para os fãs. As guitarras de  Rune soam agressivas, e trazem aquela atmosfera típica do Black Metal para as canções do  VLTIMAS, graças aos seus riffs afiados, cortantes e repulsivos. Quanto a  Flo Mounier, ele não é menos que monstruoso, e sua bateria tem o poder de 10 bombas atômicas, tamanho o potencial destrutivo da mesma. Fazia muito tempo que eu não escutava uma estreia tão bruta e esmagadora como essa. É impossível não se empolgar.


“Something Wicked Marches In” chega metendo o pé na porta se dó nem piedade, mesclando Death Metal com Black, e com uma bateria monstruosa, características que compartilha com a brutal “Praevalidus”. Riffs afiadíssimos e cortantes dão o tom na esmagadora “Total Destroy!”, enquanto a sombria “Monolilith” tem uma pegada mais Death Metal Old School, e vocais sinistros de Vincent. “Truth And Consequence” se destaca pelos ótimos riffs; a sinistra “Last Ones Alive Win Nothing” se mostra cadenciada e absurdamente opressiva; e “Everlasting” esbanja velocidade e agressividade. Encerrando o álbum, uma sequência destruidora, com a visceral “Diabolus Est Sanguis” e a tirânica “Marching On”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Jaime Gomez Arellano (Ghost, Myrkur, Paradise Lost, Sólstafir), e a qualidade não é menos que ótima. A capa é obra de Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Possessed, Vader). Para visualizar melhor o que temos aqui, imagine um Caterpillar 797 (aqueles caminhões monstros de minério) descendo uma ladeira desgovernado e passando por cima de tudo que encontra pela frente. Mortífero e esmagador, o VLTIMAS não nos entrega um CD, mas uma verdadeira força da natureza. Dificilmente vai escutar um CD de Death Metal melhor em 2019. Aos interessados, a Urubuz Records lançará em breve a versão nacional de Something Wicked Marches In.

NOTA: 93

VLTIMAS é
David Vincent (vocal);
Rune “Blasphemer” Eriksen (guitarra);
Flo Mounier (bateria).

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quarta-feira, 27 de março de 2019

In Flames - I, The Mask (2019)


In Flames - I, The Mask (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Voices
02. I, The Mask
03. Call My Name
04. I Am Above
05. Follow Me
06. (This Is Our) House
07. We Will Remember
08. In This Life
09. Burn
10. Deep Inside
11. All The Pain
12. Stay With Me
13. Not Alone (Bonus Track)

Falar do In Flames não é uma tarefa fácil. Ainda me lembro do impacto causado quando fui apresentando a banda, através de The Jester Race (96), e de como Whoracle (97) e Colony (99) tocaram no meu som até a exaustão. Entre o final dos anos 90 e início dos 2000, era sem dúvida a minha banda favorita. Foi nessa época que de forma controversa, optaram por iniciar a modernização seu som, o tornando mais palatável para grandes plateias. O processo foi se dando álbum a álbum, até resultar em Battles, de 2016, e claro, não foi aceito por todos os fãs.

Veja bem, não sou desses que virou as costas para o grupo. Entendo que a evolução é algo inerente as pessoas, e que em algum momento isso acaba refletindo nas atividades cotidianas e profissionais. A prova é que ao contrário de muitos dos fãs mais antigos, aprecio trabalhos como Reroute to Remain (02), Come Clarity (06) e A Sense of Purpose (08). São álbuns que dentro da proposta musical adotada, possuem muita qualidade. Tivemos o fraco Sounds of a Playground Fading (11) e o pavoroso Siren Charms (14), mas é raro uma banda que não tenha tropeçado alguma vez na carreira. Entretanto, não vou negar, a cada novo lançamento bate aquela vã esperança de um retorno as raízes musicais da banda.

Não vai ser com I, the Mask que isso ocorrerá, e provavelmente com nenhum dos álbuns futuros da banda. O que temos é um passo a frente em relação ao controverso Battles – um trabalho que eu particularmente gosto quando não lembro que se trata do In Flames –, e que de certa forma tenta aliar um pouco do passado e do presente dos suecos. É um álbum bem variado, e no qual tive a sensação que tentaram agradar tanto aos fãs mais antigos, como aos muitos que conquistaram com sua sonoridade mais moderna. Temos a estreia em estúdio do baixista Bryce Paul (que substitui Peter Iwers) e do baterista Tanner Wayne, que entrou no lugar de Joe Rickard. Vale dizer que o último gravou praticamente todo álbum, com Wayne participando apenas de “(This Is Our) House”.


I, The Mask é um álbum um pouco mais agressivo e abrasivo que Battles, e que em muitos momentos, acreditem, consegue despertar algo mais nostálgico, graças a passagens que remetem levemente ao passado. O problema é que essa maior abrasividade não soa natural, ficando a sensação de que forçaram a mão para aplacar as críticas que receberam. Enquanto essas passagens me agradavam, e faziam dar um leve sorriso, me causavam incômodo por eu não conseguir perceber paixão naquilo. Estruturalmente, as canções não mostram nada de novo se comparado com os álbuns anteriores, existindo assim certa previsibilidade. Entretanto, é inegável que o trabalho vocal de Anders Fridén está excelente, e ele se saiu muitíssimo bem tanto nas passagens limpas como nas mais agressivas, por mais que essas últimas estejam aquém do que sabemos que ele é capaz. Os riffs mostram certa qualidade, mas não fogem muito do padrão apresentado nos últimos anos, enquanto a parte rítmica faz um trabalho correto.

O início é realmente muito animador. “Voices” abre o álbum com bons riffs, vocais que alternam entre o rasgado e o limpo, e um refrão melódico. É uma canção sólida, cativante e que apresenta algumas melodias que te fazem recordar da banda que já foram um dia, mas sem aquela fúria de outrora. “I, The Mask” mantém tais características, mas se mostra um pouco mais pesada e com um trabalho de guitarra muito bom. Esse clima nostálgico se mantêm presente nas duas faixas seguintes, “Call My Name” e “I Am Above”, duas das músicas mais legais gravadas pelo In Flames nos últimos 10 anos. “Follow Me” começa com uma guitarra acústica, e senti algo de “Pallar Anders Visa” e “Jester Script Transfigured”, mas claro, sem o mesmo brilhantismo. Ainda sim consegue cativar. “(This Is Our) House” tem algumas passagens mais interessantes e um bom refrão, desses que quando se der conta, estará cantando com Anders. Infelizmente, desse ponto em diante, o álbum dá uma caída, e a banda meio que entra no piloto automático. Tudo fica previsível.


“We Will Remember” até possui certo peso e bons riffs, mas simplesmente não decola. Falta paixão, entendem? Não é ruim, mas não empolga, e olha que tem um dos refrões mais melódicos de todo álbum. Outra nessa linha é  “In This Life”, que achei a mais fraca de todas. Vocais suaves, guitarras acessíveis e um refrão que não chega a cativar. Curiosamente, temos na sequência uma das canções mais pesadas de todo álbum, “Burn”, com vocais agressivos na maior parte do tempo, e alguns dos melhores riffs do trabalho. “Deep Inside” e “All The Pain” possuem uma atmosfera mais sombria e algum peso, enquanto “Stay With Me” é uma balada acústica dessas bem suaves, que poderia estar sem esforço algum em um álbum de um Nickelback, Three Days Grace, 3 Doors Down e afins. Você pode entender isso como um elogio ou uma crítica, depende do seu gosto musical. De bônus, temos a boa “Not Alone”.

Quanto a produção, ela não é menos que impecável, e mais uma vez ficou a cargo do premiado Howard Benson (Motörhead, Sepultura, Papa Roach, My Chemical Romance), com mixagem de Chris Lord-Alge (Linkin Park, Volbeat, As I Lay Dying) e masterização de Ted Jensen (Pantera, Alice in Chains, Guns N’ Roses, Machine Head). É tudo limpo, cristalino e asséptico ao extremo, e por mais contraditório que possa parecer, acaba sendo um problema. Um pouco da falta de energia e paixão que senti durante a audição pode ser atribuída a isso. Convenhamos, estamos falando de um álbum de Metal, ele não pode ser certo e limpo demais. Quanto a capa, assim como em Battles, foi obra de Blake Armstrong.

Existem duas formas de se abordar I, The Mask. A primeira é ficar lembrando que essa é a mesma banda que lançou The Jester Race e Whoracle, sendo uma das responsáveis pela popularização do Death Metal Melódico. Provavelmente vai se sentir frustrado. A segunda é você aceitar que o In Flames se tornou uma banda de Modern/Alternative Metal, e fazer sua audição a partir desse ponto de vista. Nesse caso a coisa muda de figura, e você certamente vai gostar de boa parte do material aqui presente. Se no dia 4 de setembro de 2014, finalizei a resenha de Siren Charms com um “aqui jaz o In Flames”, hoje, após seus últimos lançamentos, posso dizer que retornaram do mundo dos mortos. Ok, ainda estão mais para um zumbi de The Walking Dead, do que para aquela banda de Metal vigorosa do passado, mas zumbis também podem ser bem legais. Se gosta de vertentes mais modernas, é um CD que vale o seu investimento.

NOTA: 78

In Flames é:
- Anders Fridén (vocal)
- Björn Gelotte (guitarra)
- Niclas Engelin (guitarra)
- Bryce Paul Newman (baixo)
- Tanner Wayne (bateria)

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quinta-feira, 21 de março de 2019

Tuatha de Danann - The Tribes of Witching Souls (2019) (EP)


Tuatha de Danann - The Tribes of Witching Souls (2019) (EP)
(Heavy Metal Rock – Nacional)


01. The Tribes of Witching Souls
02. Turn
03. Warrior Queen
04. Your Wall Shall Fall
05. Conjura
06. Outcry
07. Tan Pinga Ra Tan
08. Rhymes Against Humanity (Demo 2014)*
09. The Tribes of Witching Souls (Demo Instrumental)*

Quando surgiu com o EP autointitulado em 1999, o Tuatha de Danann chamou a atenção pela sua proposta de misturar Metal Tradicional/Power Metal com música Folk/Celta, uma junção ainda inédita em se tratando de Brasil, e que dava seus primeiros passos no exterior. Nos 3 álbuns seguintes, Tingaralatingadun (01), The Delirium Has Just Began... (02) e Trova di Danú (04), não só  refinaram ainda mais o seu estilo, como também se consolidaram como um dos principais nomes do underground metálico nacional. Infelizmente, após isso, entraram em um hiato de mais de 10 anos, onde seus integrantes investiram em outros projetos, como Braia, Kernunna e Tray of Gift, até que em 2015 retornaram com o ótimo Dawn of a New Sun.

Agora, depois de 4 anos, e reduzidos a um trio formado por Bruno Maia (vocal, guitarra, viola, banjo, bouzouki, whistles e Irish flute), Giovani Gomes (baixo/vocal) e Edgard Brito (teclado), voltam a nos apresentar material inédito com o EP The Tribes of Witching Souls, onde, além de 5 novas músicas, temos mais 2 regravações. Cabe dizer que essas últimas realmente acrescentaram ao material, e de forma alguma soam como simples enchimento. Musicalmente, continuam lapidando ainda mais seu estilo, apresentando ótimas melodias e arranjos, bons riffs e instrumentos folclóricos muito bem encaixados. Para enriquecer ainda mais, contaram com uma série de participações especias, como Martin Walkyier (Skyclad, Sabbat, Hell), Daisa Munhoz (Vandroya) e Fernanda Lira (Nervosa), dentre muitos outros.

O EP já abre com a ótima “The Tribes of Witching Souls” e suas cativantes linhas vocais. Além disso, conta com ótimos corais, refrão grudento e um saudável ar progressivo, algo que a banda nunca negou em sua carreira, e que também dá as caras em “Turn”, uma dessas canções que grudam na cabeça instantaneamente, sendo difícil não se empolgar com os ótimos riffs, as boas linhas de teclado e as influências celtas. E meus amigos, acreditem, o refrão aqui é forjado a base de cola instantânea, porque logo na primeira audição você já sai cantarolando o mesmo. “Warrior Queen” conta com ótima participação da vocalista Daísa Munhoz, além de equilibrar muito bem o peso das guitarras com os elementos de música celta.


“Your Wall Shall Fall” contra com a participação especial do mestre Martin Walkyier. Seus vocais ríspidos dão uma dose de agressividade a canção, que consegue mesclar muito bem Metal Tradicional com elementos celtas. Simplesmente empolgante. Na sequência, “Conjura” consegue equilibrar muito bem o lado mais pesado e agressivo da banda com o seu lado mais Progressivo. A versão acústica de “Outcry”, faixa presente em Dawn of a New Sun, ficou realmente muito legal, e traz para o EP um clima mais intimista. Outra a ganhar uma regravação foi a clássica “Tan Pinga Ra Tan”, que conta com vocais de Fernanda Lira (Nervosa) e Nita Rodrigues (Bud Pump). De bônus, ainda temos as versões demo de “Rhymes Against Humanity” (outra de Dawn of a New Sun) e “The Tribes of Witching Souls”.

Produzido por Bruno Maia, o EP teve no trabalho a mixagem e masterização divididos entre Brendan Duffey (faixas 1-5) e Fabrício Altino (faixas 6 e 7). A qualidade é ótima, pois, conseguiram deixar tudo muito audível e claro, mesmo com uma infinidade de coisas ocorrendo ao mesmo tempo. Embalado em um bonito digipack, teve sua parte gráfica dividida entre Paulo “Coruja” Oliveira, responsável pela capa, e Edgar Franco e Eduardo Vidiabos, que fizeram ilustrações internas. O design gráfico ficou por conta de Rodrigo Barbieri. Com uma música que certamente empolgará os amantes de Folk, o Tuatha de Danann presenteia seus fãs com um EP altamente relevante, deixando todos com aquele gosto de quero mais e ansiando por um álbum completo.

NOTA: 86

Tuatha de Danann é:
Bruno Maia (vocal, guitarra, viola, banjo, bouzouki, whistles e Irish flute)
Giovani Gomes (baixo e vocal)
Edgard Brito (teclados)

Músicos convidados:
- Fabricio Altino (bateria)
- Nathan Viana (violino)
- Dana Russi Maia (vocal na faixa 1)
- Alex Navar (gaita de fole nas faixas 2 e 4)
- Daísa Munhoz (vocal na faixa 3)
- David Briggs (bodhran na faixa 3)
- Rafael Salobreña (bodhran na faixa 3)
- Martin Walkyier (vocal na faixa 4)
- Rodrigo Abreu (bateria na faixa 4)
- Jacqueline Taylor (guitarra na faixa 4)
- Fernanda Lira (vocal na faixa 7)
- Nita Rodrigues (vocal na faixa 7)

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quarta-feira, 20 de março de 2019

Children of Bodom - Hexed (2019)


Children of Bodom - Hexed (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. This Road
02. Under Grass and Clover
03. Glass Houses
04. Hecate's Nightmare
05. Kick in a Spleen
06. Platitudes and Barren Words
07. Hexed
08. Relapse (The Nature of My Crime)
09. Say Never Look Back
10. Soon Departed
11. Knuckleduster
12. I Worship Chaos (live)
13. Morrigan (live)
14. Knuckleduster (remix)

O início do Children of Bodom foi arrasador, com Something Wild (97), Hatebreeder (99), Follow the Reaper (00) e Hate Crew Deathroll (03). O resultado? Os finlandeses se tornaram reféns desses trabalhos, principalmente porque os lançamentos seguintes não conseguiram manter a qualidade que eles mesmo se impuseram. É inegável que a sequência formada por Are You Dead Yet? (05), Blooddrunk (08) e Relentless Reckless Forever (11) nivelou tudo meio que por baixo. Felizmente nos dois últimos álbuns da banda, Halo of Blood (13) e I Worship Chaos (15), as coisas voltaram a seguir um rumo interessante, o que acabou por criar certa expectativa com relação a Hexed.

O 10º trabalho de estúdio do Children of Bodom tem tudo para agradar, não só aos que aprovaram os dos dois últimos álbuns, como aos que apreciam o início de sua carreira. Haxed é um álbum carregado daquela energia de 20 anos atrás, e em muitos momentos, remete o ouvinte àquela banda do início, mas sem renunciar a suas características atuais. Acredito que muito disso possa ser colocado na conta do guitarrista Daniel Freyberg, que estreia em estúdio com o COB, e que parece ter dado nova vida ao grupo.

A voz de Alexi Laiho soa renovada, reenergizada, muito mais natural que nos últimos álbuns. Também é responsável, ao lado de Daniel, por ótimos riffs e solos, sendo que a dupla entrega o melhor trabalho de guitarra do COB em mais de 15 anos. O baixista Henkka Blacksmith e o baterista Jaska Raatikainen formam uma parte rítmica certeira e afiada, que prima pela variedade, enquanto, como de praxe, o tecladista Janne Warman se destaca principalmente nos solos, com quelas transições características entre ele e Alexi. As canções se mostram muito bem estruturadas, e conseguem equilibrar fúria, agressividade e ótimas melodias.


A sequência inicial é simplesmente matadora, com a pesada e feroz “This Road”, a cativante e melódica “Under Grass and Clover”, e a furiosa e veloz “Glass Houses”. Aqui você percebe que o COB não está para brincadeiras. “Hecate's Nightmare” é uma canção forte, que se destaca pelos teclados atmosféricos, e “Kick in a Spleen” possui riffs pesados e agressivos. “Platitudes and Barren Words” é outra faixa que se sobressai pelos riffs, melodias, peso e por ter um refrão bem melódico. “Hexed” conta com alguns elementos neo-clássicos e boas guitarras, e “Relapse (The Nature of My Crime)” se mostra uma canção bem direta e pesada. “Say Never Look Back” é rude, forte e possui boas melodias, enquanto “Soon Departed” e “Knuckleduster”, se mostram mais cadenciadas e muito pesadas. De quebra, temos de bônus 2 faixas ao vivo, “I Worship Chaos” e “Morrigan” e o remix de “Knuckleduster”.

Outro ponto de destaque aqui é a produção. Ela, assim como a mixagem, ficou a cargo do já conhecido pelos fãs da banda, Mikko Karmila, com a masterização feita por Mika Jussila. O resultado é excelente, já que apesar de terem conseguido deixar tudo limpo e cristalino, conseguiram manter uma organicidade muito bem-vinda. Não é aquela coisa asséptica, fria, robótica. É um álbum que soa vivo. Já a capa é obra de Denis Forkas, e está dentro do padrão que esperamos dos finlandeses. Dando um passo a frente em relação aos seus antecessores, Hexed não só mostra muito daquela energia inicial e primordial do Children of Bodom, como também cativa com muita facilidade o ouvinte. Se você se encaixa no grupo dos que nunca se empolgaram com a banda, não será com esse trabalho que mudará de ideia, mas se você faz é fã, temos aqui um álbum que tem tudo para agradar em cheio e no qual vale a pena investir.

NOTA: 8,5

Children of Bodom é:
- Alexi Laiho (guitarra e vocal);
- Janne Wirman (teclados);
- Daniel Freyberg (guitarra);
- Henkka Blacksmith (baixo);
- Jaska Raatikainen (bateria).

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