quarta-feira, 3 de julho de 2019

Myrath – Shehili (2019)


Myrath – Shehili (2019)
(earMUSIC/Shinigami Records – Nacional)


01. Asl
02. Born To Survive
03. You’ve Lost Yourself
04. Dance
05. Wicked Dice
06. Monster In My Closet
07. Lili Twil
08. No Holding Back
09. Stardust
10. Mersal
11. Darkness Arise
12. Shehili

Quando me deparei pela primeira vez com o Myrath, logo após o lançamento de seu 3º álbum de estúdio, Tales of the Sands, em 2011, confesso que inicialmente, o que me chamou a atenção foi o fato de virem da Tunísia, um país africano e de maioria muçulmana. Só que ao escutar “Merciless Times”, faixa de trabalho do álbum em questão, percebi que não estava apenas diante de um nome oriundo de um “país exótico”, mas sim de uma ótima banda de Metal Progressivo, que enriquecia a sua música com elementos sonoros de sua cultura. Na sequência, após um hiato de 5 anos, lançaram o excelente Legacy e, não só consolidaram seu nome entre os grandes do estilo, como conseguiram um contrato com a earMUSIC. Shehili é sua estreia pela nova gravadora.

Esse é um trabalho que consolida de vez a sonoridade da banda. Reforçando ainda mais a presença de elementos da música do Norte da África, o quinteto formado por Zaher Zorgati (vocal), Malek Ben Arbia (guitarra), Anis Jouini (baixo), Elyes Bouchoucha (teclado) e Morgan Berthet (bateria), acaba gerando um Metal Progressivo grandioso, cativante e majestoso, que vai agradar em cheio aos fãs do estilo. A mistura executada soa muito orgânica, nada forçada, e muito disso se dá pelo fato de que os instrumentos e elementos folclóricos realmente são parte essencial das canções, e não estão ali apenas para maquiar deficiências da banda. Nesse sentido, não soa exagero dizer que se aproximam do Orphaned Land, mesmo que as bandas soem diferentes entre si.


Uma das coisas que mais me prende na música do Myrath, é que ela tem algo um tanto exagerado, kitsch, mas de uma forma muito positiva. É daqueles casos onde às vezes, o mais é mais, o que acaba sendo muito bom. Isso torna tudo cativante, divertido, e te prende a música de uma forma que poucas bandas conseguem atualmente, ao menos quando falamos de Metal Progressivo. Exemplos disso ficam bem claros nas fotos presentes no encarte, e em vídeos de canções como “Believer” (do álbum Legacy) e “Dance”, onde essa estética do exagero fica muito evidente, desde a forma como eles são construídos, até na interpretação do vocalista Zaher Zorgati. Aliás, como canta cada vez melhor esse rapaz, é sem dúvida um dos grandes diferenciais do Myrath frente a concorrência.

Após uma breve introdução, temos de cara um dos grandes destaques de todo álbum, a ótima “Born to Survive”, canção forte e que mescla de forma primorosa elementos folclóricos e Metal Progressivo, além de um ótimo trabalho de guitarra e refrão marcante. Na sequência “You’ve Lost Yourself” tem bom trabalho percussivo, além de ótimos riffs e vocais. “Dance” é a epítome da estética kitsch adotada pelo Myrath. É exagerada, pomposa e acima de tudo, divertida. É impossível não se empolgar com ela e não sair dançando pela sala, cantarolando o refrão. Porque sim, você fará ambas as coisas durante a audição. Já “Wicked Dice” é a “versão má” da faixa anterior, já que deixam essa coisa meio brega totalmente de lado, com uma aposta maior no Prog – mas claro, com elementos Folk salpicados aqui e ali –, guitarra, baixo e teclados marcantes, além de boas melodias. A ótima “Monster In My Closet” também se encaixa nessa descrição, apesar de uma presença um pouco mais forte dos elementos folclóricos, principalmente no que se refere a percussão.


Do meu ponto de vista, a segunda metade do álbum dá uma ligeira caída, ainda que o alto nível das canções seja mantido. “Lili Twil” é um cover para uma canção do grupo de Rock marroquino Les Frères Mégri, que fez sucesso no mundo árabe na primeira metade dos anos 70. Mesclando trechos cantados em um dialeto marroquino, com partes cantadas em inglês, conseguiram deixar a canção com uma cara própria, sem descaracterizar a versão original. “No Holding Back” tem um clima mais épico, graças a boa utilização de elementos sinfônicos, mas possivelmente é a que menos empolga em todo trabalho, ainda que esteja longe de decepcionar. “Stardust” tem um ar mais sombrio, que destoa um pouco da atmosfera do restante do álbum, mas soa bem emocional e tem um ótimo trabalho tanto do baixo quanto do teclado. “Mersal” é outra que se destaca por esse ar emocional, e contra com a participação do renomado cantor e compositor tunisiano Lofti Bouchnak. A sequência final é composta pela pesada e moderna “Darkness Arise”, e pela sinfônica e bela faixa título.

Determinada a entregar um trabalho de qualidade em todos os sentidos, os tunisianos passaram por 4 estúdios e trabalhou com alguns nomes mais do que conhecidos no meio. A produção ficou a cargo do ex-tecladista do Adagio, Kévin Codfert, que já está com a banda desde o debut. Ele também foi o responsável por mixar 3 das canções aqui presentes. As mixagens e masterizações restantes foram realizadas por Eike Freese (Deep Purple, Gamma Ray, Hansen & Friends) e pelo onipresente, onisciente e onipotente Jens Bogren. Quanto a parte gráfica, foi dividida entre Perrine Perez Fuentes (Adagio e o próprio Myrath), Paul Thureau (Rhapsody of Fire) e Laura Billiau. Vivendo seu melhor momento, o Myrath entrega aos fãs um trabalho que solidifica de uma vez por todas, sua sonoridade, além de ser bem equilibrado, orgânico e divertido. Certamente um dos grandes álbuns de Metal Progressivo que você escutará em 2019! Se gosta do estilo, mas ainda desconhece o trabalho da banda, está mais que na hora de corrigir essa falha.

NOTA: 88

Myrath é:
- Zaher Zorgati (vocal);
- Malek Ben Arbia (guitarra).
- Anis Jouini (baixo);
- Elyes Bouchoucha (teclado);
- Morgan Berthet (bateria).

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Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)



Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)
(Independente – Nacional)


CD 01
01. Death Chaos – Through the Eyes of Brutality
02. Ravenous Mob – The Enemy Undying
03. Living Louder – The Crow
04. Reffugo – Reffugo
05. Born To Kill – Goodbye Soldier
06. WarAge – Torture
07. Rhegia – Shadow Warrior
08. Lusferus – Luciférico Hino
09. Anguere – Cadeia
10. Tiberius Project – You Bitch!
11. Libertad – Closed Fists
12. Sentinelas do Rei – Rios do Deserto
13. Novo Chão – Terra Dos Homens
14. War Machine – A New Kind
15. War Eternal – Burning Alive

CD 02
01. Krakkenspit – Fear My Name
02. Medicine For Pain – Vendida Como Bonecas
03. Heavenless – The Reclaim
04. Torturizer – Slaughtersouse
05. DialHard – Now You’re Free
06. Epitah – Something Better Than God
07. Cromata – Resigned in Blood
08. Mamute – The End
09. The Damned Human Flash – Inferno
10. In Soulitary – Hollow
11. LoneHunter – Eternal Time
12. Zero Hora – Batina do Papa
13. CxDxM – Como Um Muro Inatingível
14. Obscured by The Clouds

Nem sempre, quando algo chega ao fim, significa que não tenha dado certo. Após 4 anos e 11 edições, a Coletânea Roadie Metal chega ao seu último volume, mas antes que você, fã de Metal Nacional, comece a se lamentar, adianto que esse fim se refere ao seu atual formato, que está sendo aposentado. Daqui para frente elas serão lançadas apenas digitalmente, e segmentada por regiões – a primeira delas foi voltada para o estado de Goiás –, o que vai permitir a mesma ampliar ainda mais o seu alcance, pois, mais bandas terão a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao público.

No primeiro Cd, algumas bandas dispensam muitas apresentações, pela qualidade demonstrada não só em volumes anteriores, como também por lançamentos próprios. São os casos do Death Chaos (Death Metal), Ravenous Mob (Thrash Metal), Living Louder (Hard Rock), Lusferus (Death/Black), Anguere (Hardcore) e Rhegia (Heavy Metal). Outros nomes que devem ser citados são Reffugo (Death Metal), Born To Kill (Thrash/Heavy) e WarAge (Heavy Metal). Estes se mostram mais do que prontos para voos mais altos, pois, apresentam um trabalho já maduro e com muita qualidade. Mostram a força que o Metal brasileiro possui, e que não ficamos devendo nada ao que é feito ao nível mundial. Um pouco abaixo desses nomes, mas apresentando um trabalho consistente, estão o Thrash Metal do Tiberius Project e do Libertad e o Heavy Metal do War Machine, por mais que esse último ainda emule um pouco além da conta o Iron Maiden. O Death Metal do War Eternal mostra boa qualidade, e com pequenos ajustes pode render ainda mais, enquanto o Heavy Metal do Sentinelas do Rei até tem bons momentos, mas o vocal não funciona muito bem em algumas passagens. O ponto fora da curva aqui é o Novo Chão, que precisa trabalhar melhor sua sonoridade e produção. Existe potencial ali, mas precisa ser melhor prospectado.

No segundo CD, de cara podemos destacar o Heavenless (Death Metal) e In Soulitary (Heavy Metal), duas das melhores bandas de Metal do país. Se destacam muito também Krakkenspit (Heavy Metal), Medicine For Pain (Thrash/Groove), Torturizer (Thrash Metal), DialHard (Hard Rock), Mamute (Doom Metal), The Damned Human Flash (Death Metal), LoneHunter (Symphonic Death Metal) e Zero Hora (Punk Rock). O Epitah (Heavy Metal) mostra um trabalho de qualidade, e podemos dizer que falta muito pouco para consolidar definitivamente seu som, enquanto o Cromata (Death Metal) e o CxDxM (Punk Rock) estão no caminho certo, e mostram possuir boas qualidades. Obscured by The Clouds, por mais que tenha potencial, precisa trabalhar muito, tanto produção quanto sonoridade, e assim lapidar mais o seu Psychodelic Metal, ainda mais se considerarmos o alto nível da cena, no Brasil e no exterior.

A parte gráfica, criada e concebida por Umberto Miller, é muito bem-feita, com destaque para a bela capa e o encarte, onde contam informações de todas as bandas presentes. Já no que tange a produção, por se tratar de uma coletânea, obviamente temos altos e baixos, mas vale dizer que nesse sentido, boa parte dos trabalhos se encontra em um nível bom, e poucos realmente ficam devendo nesse quesito. No fim, temos mais uma bela inciativa da Roadie Metal, que fecha essa etapa de sua história com chave de ouro. Só podemos agradecer pelas mais de 300 bandas apresentadas nesses últimos 4 anos, e desejar que continuem prestando esse belo serviço aos fãs do Metal feito no Brasil.

NOTA: 78

Roadie Metal
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terça-feira, 11 de junho de 2019

Eluveitie – Ategnatos (2019)


Eluveitie – Ategnatos (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Ategnatos
02. Ancus - interludio
03. Deathwalker
04. Black Water Dawn
05. A Cry In The Wilderness
06. The Raven Hill
07. The Silvern Glow
08. Ambiramus
09. Mine Is The Fury
10. The Slumber
11. Worship
12. Trinoxtion
13. Threefold Death
14. Breathe
15. Rebirth
16. Eclipse

Apesar de uma passagem um tanto tumultuada pelo Brasil em fevereiro desse ano, com shows cancelados e trocas de acusações entre banda e produtores, com direito a virarem meme, devida a suposta exigência de chá no camarim, é inegável que o Eluveitie possui uma forte base de fãs no Brasil. Seu nome foi forjado não só a base de uma sonoridade que mescla de forma muito equilibrada, o Death Metal Melódico e o Folk Metal, como também se diferenciando da concorrência por uma abordagem mais séria nas letras, com foco na história e mitologia célticas, e claro, bons lançamentos.

Após passar por uma drástica mudança em 2016, com a saída de Anna Murphy (vocal e hurdy gurdy), Ivo Henzi (guitarra) e Merlin Sutter (bateria) – que acabaram formando o Cellar Darling –,  Chrigel Glanzmann optou por estrear a nova formação com uma continuação de Evocation I – The Arcane Dominion (09), intitulado Evocation II – Pantheon (17), algo que era prometido a alguns anos. Assim como o primeiro, o enfoque foi totalmente acústico, e mais uma vez se aprofundando na cultura e panteão de deuses célticos. Fechado o ciclo aberto em 2009, o Eluveitie volta a sua programação normal, fincando novamente seus pés de forma bem firme na fórmula que os consagrou.

Aos apreciadores de trabalhos como Spirit (06), Slania (08) e Origins (14), possivelmente os preferidos por boa parte dos fãs, posso afirmar sem medo que finalmente estes foram superados. Ategnatos é sem dúvida alguma, seu trabalho mais consistente, e mostra o Eluveitie em seu melhor momento, soando mais coeso, enérgico e criativo do que nunca. Esbanjando peso e boas melodias, e se utilizando muito bem dos elementos folclóricos, acabam por entregar um álbum bem diversificado. Os vocais de Chrigel continuam sendo um belo diferencial, mas Fabienne Erni prova de forma definitiva que é uma substituta mais do que à altura para Anna Murphy. A dinâmica entre as vozes de ambos funciona com perfeição. O trabalho das guitarras também se destaca pela qualidade dos riffs e pelo peso, assim como também a parte rítmica. Quanto aos instrumentos folclóricos, como sempre estão bem encaixados, e em momento algum suplantam o lado Metal da banda, enriquecendo demais o resultado.


O álbum já abre com uma porrada, “Ategnatos”, que mescla com perfeição as melodias folclóricas com a ferocidade do Death Melódico. Após um breve interlúdio – são 3 no total durante todo o trabalho, e que nada acrescentam –, “Deathwalker” surge com um ótimo groove, agressividade e boas melodias, assim como “Black Water Dawn” e “A Cry In The Wilderness”, ambas nesse mesmo padrão já conhecido pelos fãs. O álbum então dá uma breve acalmada, com a sequência formada por “The Raven Hill”, com as partes Folks um pouco mais afloradas, e “Ambiramus”, que possui uma melodia pop um pouco mais aflorada. O peso e agressividade retornam com “Mine Is The Fury” e se mantêm presentes na ótima e sombria “The Slumber”, onde o trabalho vocal da dupla Glanzmann/Erni se destaca. “Worship” é a faixa mais pesada do álbum, feroz, agressiva, com uma parte folclórica bem encaixada e participação do vocalista Randy Blythe (Lamb of God), enquanto “Threefold Death” apresenta não só bons riffs, como se equilibra muito bem entre as partes mais calmas e as mais brutas. Na sequência final, “Breathe” destaca ainda mais a voz de Erni, além de possuir boas guitarras; “Rebirth”, originalmente lançada em 2017, reaparece um pouco mais bruta, enquanto “Eclipse”, suave e tranquila, soa quase como um interlúdio, graças mais uma vez ao desempenho de Fabienne.

Quanto a produção, a gravação e engenharia de som ficaram a cargo do velho conhecido da banda, Tommy Vetterli (Coroner, Kreator), com a mixagem dividida entre Linus Corneliusson (Amorphis, Dimmu Borgir, Moonspell), em 4 faixas, e o onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren no restante do álbum. Já a masterização foi realizada pelo quase onipotente, onipresente e onisciente Tony Lindgren (Angra, Enslaved, Paradise Lost, Rotting Christ, Sepultura). O resultado não é menos que ótimo. Já a capa foi obra de Travis Smith (Anathema, Death, Fleshgod Apocalypse, King Diamond). Com uma consistência que não apresentava já a algum tempo, e maximizando ainda mais suas qualidades, como o peso e as melodias folclóricas, o Eluveitie acertou em cheio com Ategnatos, mostrando o porquê de se manter a tanto tempo entre os grandes nomes da cena. Bote o CD para tocar, pegue sua xícara de chá, e se divirta!

NOTA: 84

Eluveitie é:
- Chrigel Glanzmann (Vocal, Flauta Tin Whistle, Mandola, Gaita de foles, Bodhran)
- Fabienne Erni (Vocal, Harpa Celta, Mandola)
- Rafael Salzmann (Guitarra)
- Jonas Wolf (Guitarra)
- Kay Brem (Baixo)
- Alain Ackermann (Bateria)
- Michalina Malisz (Sanfona)
- Matteo Sisti (Flauta Tin Whistle, Gaita de foles, Mandola)
- Nicole Ansperger (Violinos)

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Cellar Darling – The Spell


Cellar Darling – The Spell
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Pain
02. Death
03. Love
04. The Spell
05. Burn
06. Hang
07. Sleep
08. Insomnia
09. Freeze
10. Fall
11. Drown
12. Love Pt. II
13. Death Pt. II

Após a saída do Eluveitie, o trio formado por Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados), Ivo Henzi (guitarra e baixo) e Merlin Sutter (bateria) não perdeu tempo, fundando o Cellar Darling. Em 2017 lançaram seu debut, This Is the Sound, onde mostraram uma agradável mescla de Rock Progressivo e Folk, com alguns elementos mais Pop e Atmosféricos aqui e ali. O resultado foi muito positivo, mostrando um potencial de crescimento imenso e gerando expectativa quanto ao segundo álbum. Pois bem! Pouco mais de 1 ano e meio depois, ele chegou.

A primeira coisa que me chamou a atenção em The Spell foi o fato do mesmo se tratar de um álbum conceitual. Ele conta a história de uma garota sem nome, nascida através da dor em um mundo carregado de dor. Na sua busca por um sentido na vida, a jovem acaba conhecendo e se apaixonando pela morte, sofrendo com seu amor não correspondido, e concluindo toda a história com um final ambíguo, que deixa o ouvinte pensativo. Esse conceito se reflete no Prog/Folk da banda, já que música do trio está soando mais pesada e intensa que no álbum anterior. Você tem a sensação de que todo o potencial que demonstraram no debut começa a ser explorado. Por Sucellus, como canta Anna Murphy! Acredito que aqui ela tenha seu melhor trabalho vocal, já que sua voz é a principal responsável pelo jogo de luz e sombras que observamos durante todo o tempo.

“Pain” abre o álbum de forma enérgica, mesclando bem Progressivo com elementos tribais, e destacando o bom trabalho das guitarras e o refrão que cativa já de cara. “Death” faz jus ao nome, e surge obscura e melancólica, com os vocais de Anna hipnotizando o ouvinte, e sua flauta magistralmente encaixada na canção, dando o clima necessário a mesma. Ouso dizer que se você é fã de Doom Metal, vai se afeiçoar e essa faixa. A pesada “Love” traz um pouco de luz ao CD, e possivelmente é a faixa que mais remete ao debut, sendo seguida pela ótima “The Spell”, que carrega a escuridão de volta ao trabalho. “”Burn” se mostra uma faixa pesada e técnica, sendo mais um dos momentos onde Anna brilha com sua voz. É interessante notar como os títulos se encaixam com perfeição no clima que cada faixa passa ao ouvinte, e aqui não é diferente.


“Hang” se destaca pelas belas melodias, e por um clima que consegue ser bucólico e assustador ao mesmo tempo, enquanto “Sleep”, conduzida por um piano e pela bela voz de Anna, se mostra altamente emocional e profunda. “Insomnia” se mostra pesada, intensa, e tem boa utilização de elementos Folk; “Freeze” tem ótimo trabalho percussivo, além de uma melodia que te prende e passagens mais atmosféricas e transcendentais. Excelente! Com o álbum se encaminhando para o final, temos a curta “Fall”, quase como um interlúdio, a densa “Drown”, e  uma sequência fortíssima, composta por “Love Pt. II”, outra onde a percussão destaca, e “Death Pt. II”, onde o piano e a voz de Anna provam que o peso de uma canção não está apenas em suas guitarras. Possivelmente é a faixa mais emocional de todo o trabalho.

Produzido e mixado por Tommy Vetterli (Coroner, Eluveitie, Kreator, 69 Chambers), e com a masterização sendo feita por ele, o onipotente, onisciente e onipresente Jens Bogren, The Spell tem uma produção fantástica, já que você consegue escutar todos os instrumentos aqui presentes com uma clareza absurda, mas sem que isso tire o peso das canções. Já a parte gráfica ficou por conta de Costin Chioreanu (Arch Enemy, Carach Angren, Mayhem, At the Gates, Darkthrone). Mostrando a evolução esperada, soando mais forte, pesado e intenso, o Cellar Darling vai agradar não só quem já havia gostado do debut, como também tem potencial para conquistar novos fãs. Um dos álbuns mais legais que escutei nesse 1º semestre de 2019.

NOTA: 86

Cellar Darling é:
- Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados)
- Ivo Henzi (guitarra e baixo)
- Merlin Sutter (bateria)

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Uganga – Servus (2019)


Uganga – Servus (2019)
(Independente – Nacional)


01. Anno Domini (intro)
02. Servus
03. Medo
04. O Abismo
05. Dawn
06. Hienas
07. 7 Dedos (Seu Fim)
08. Couro Cru
09. Imerso
10. Lobotomia
11. Fim de Festa
12. E.L.A.
13. Depois de Hoje…

Em um cenário onde boa parte das bandas se limita a executar o padrão que delas é esperado dentro de um estilo já definido – o que não tem nada de errado, cabe dizer –, você se deparar com um nome que ousa sair das fórmulas preestabelecidas é inspirador. Alguns podem desconhecer o Uganga, mas o grupo mineiro oriundo de Uberlândia, já está a mais de 25 anos fazendo história, com uma sonoridade bem própria. Sobre uma base Thrashcore, o sexteto formado por Manu Joker (vocal, ex-baterista do lendário Sarcófago, onde gravou o EP Rotting), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Murcego Gonzáles (guitarra), Ras Franco (baixo) e Marco Henriques (bateria), não tem medo de arriscar e ousar, trazendo novas influências para a sua música, algumas até externas ao Heavy Metal.

Quem acompanha a carreira do Uganga, sabe que seus 2 trabalhos anteriores, Vol 3: Caos Carma Conceito (09) e Opressor (14), foram voltados para a consolidação de sua sonoridade. Com Servus, seu 5º álbum de estúdio, parece que finalmente encontraram a maturidade musical. Não vou mentir, não é uma audição fácil para quem não está acostumado com a proposta da banda, até porque soam ainda mais ousados e experimentais do que de costume, mas para quem se permitir mergulhar nessa viagem, ela pode ser uma experiência enriquecedora. Uma prova da sua relevância musical, se dá pelo fato de que Servus foi financiado através de recursos, não só do Programa de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Uberlândia, como também oriundos da Wacken Fundation, instituição sem fins lucrativos, ligada ao Festival Wacken Open Air, e que possui a finalidade de apoiar projetos de Hard/Heavy que considerem relevantes, ao redor do mundo.

Musicalmente, como já dito, a base é o Thrashcore, mas o Uganga não se limita ao Crossover puro e simples. Elementos de estilos díspares ao Metal, como MPB, Rap e Eletrônica, se fazem presentes em diversos momentos. Isso resulta em uma sonoridade que além de agressiva e pesada, prima também pela energia e criatividade, elementos que sobram nas canções presentes em Servus. Os vocais de Manu Joker continuam ótimos, e são um dos grandes destaques do álbum, e os vocais de apoio também funcionam muito bem. A inclusão de uma terceira guitarra também fez um bem tremendo a banda, já que além de mais peso e agressividade, também influenciou na questão melódica, trazendo mais groove a sonoridade. Já a parte rítmica se destaca não só pela boa técnica e coesão, como também pela diversidade. Para enriquecer ainda mais, Servus contou com inúmeras participações especiais, algumas, um tanto inusitadas. Se fazem presentes os vocalistas Casito Luz (Witchammer) e Renato BT (do John No Arms), o saxofonista Marco Melo, o grupo chileno de Rap Lexico, o guitarrista Fabio Marreco (Totem), o DJ Eremita, o violonista Luiz Salgado, a ótima cantora e dançarina pernambucana Flaira Ferro e o espiritualista Sr. Waldir. Esses nomes mostram a amplitude da música do Uganga.


Após uma introdução, o álbum começa para valer com “Servus”, um Crossover com ótimos riffs, refrão forte, boas melodias e bons backings. Com partes cadenciadas bem interessantes, “Medo” é dessas faixas agressivas e diretas, com uma pegada mais Hardcore, enquanto “O Abismo” abre espaço para as participações de Casito Luz e Marco Melo, que consegue encaixar um solo de saxofone na canção. Vale destacar também o ótimo trabalho das guitarras e a parte rítmica pesada. A curta “Dawn” traz um momento de calma para o álbum, com suas frases quase faladas por Manu Joker, tendo na sua sequência a pesada e enérgica “Hienas”, com vocais que pendem mais para o Rap, a participação dos chilenos do Lexico e ótimo desempenho rítmico e percussivo. “7 Dedos (Seu Fim)” é uma das melhores canções do álbum, e é enriquecida não só pelos vocais de Renato BT, como também pelo solo de Fábio Marreco. Tem uma queda para o Hardcore e esbanja peso, algo que também sobra em “Couro Cru”. “Imerso” tem bom groove e muita agressividade; “Lobotomia” é uma versão para o clássico da banda paulista de mesmo nome, se mostrando dura e direta, enquanto “Fim de Festa” é um Thrashcore de muita qualidade. A sequência final da abertura maior para o experimentalismo, com “E.L.A.”, contando com participações de Flaira Ferro, DJ Eremita e Luiz Salgado, e mesclando elementos de Rock, MPB, Rap e violas caipiras, e a densa “Depois de Hoje”, que além de riffs brutos e uma dose de agressividade, ainda conta com a  participação do espiritualista Sr. Waldir, e sampler de um discurso de  Mahatma Ghandi.

A produção, realizada por Manu Joker e Gustavo Vazquez, ficou ótima e não fica devendo nada a qualquer trabalho gringo. Deixou tudo claro, audível e pesado, mas sem perder em nada a organicidade, o que é ótimo em uma era de produções plastificadas. Já a bela capa foi obra de Wendell Araújo, e representa bem toda a espiritualidade e diversidade que emana da música do sexteto mineiro. Nela temos elementos religiosos que vão desde as religiões afro-brasileiras até as orientais, passando por referências indígenas de nosso país. Nada poderia refletir melhor o que ouvimos aqui. Com um trabalho mais diversificado e experimental, mas sem abrir mão das suas características principais, o Uganga chegou naquele ponto que toda banda anseia, que é o do amadurecimento musical. É uma banda única no cenário nacional, que merece um reconhecimento muito maior do que tem, que deve finalmente vir com Servus, um álbum que certamente estará em diversas listas de melhores do ano em dezembro.

NOTA: 87

Uganga (gravação):
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Murcego Gonzáles (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

Uganga é:
- Manu Joker (vocal),
- Christian Franco (guitarra),
- Thiago Soraggi (guitarra),
- Lucas “Carcaça” Simon (guitarra),
- Ras Franco (baixo) e
- Marco Henriques (bateria)

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Rammstein – Rammstein (2019)


Rammstein – Rammstein (2019)
(Universal Music – Importado)


01. Deutschland
02. Radio
03. Zeig Dich
04. Ausländer
05. Sex
06. Puppe
07. Was Ich Liebe
08. Diamant
09. Weit Weg
10. Tattoo
11. Hallomann

Em uma época onde a essência do Rock parece estar se perdendo, com o conservadorismo aumentando em suas fileiras, o Rammstein se mantêm firme, carregando consigo o espírito do estilo. Shows grandiosos, extravagantes e bombásticos, vídeos e letras que chocam, provocam, contestam e colocam o dedo em diversas feridas. O Rock nasceu para ser controverso, e não para agradar pais de família, e é isso que o grupo alemão representa. Em contrapartida, em um mundo onde qualquer subcelebridade possui milhões de seguidores em suas redes sociais, e fazem de tudo para estar em evidência nas mídias – algo típico das estrelas do Rock no passado –, o sexteto formado por Till Lindemann (vocal), Richard Z. Kruspe (guitarra), Paul Landers (guitarra), Oliver Riedel (baixo), Christian “Flake” Lorenz (teclado) e Christoph “Doom” Schneider (bateria), raramente dá entrevistas, ou se envolve em polêmicas em suas vidas pessoais. O Rammstein é o epítome e a antítese do Rock.

Foram 10 anos sem lançar material inédito, ao mesmo tempo, em que lotavam arenas ao redor do mundo, algo que poderia soar contraditório décadas atrás, mas que em uma época marcada por downloads e streamings, se tornou algo comum para nomes que atingiram a grandeza do Rammstein. Seus shows, literalmente inflamáveis e performáticos, fazem jus a fama que a banda adquiriu ao vivo, e não acho exagero afirmar que nesse ponto, são um Kiss mais “depravado”. Entretanto, um paralelo mais perigoso poderia vir a ser traçado nessa comparação com os americanos, o da banda que vive apenas de músicas do passado – me desculpem os fãs, mas hoje é exatamente isso –, e de apresentações grandiosas no presente. Isso é errado? Para uma banda que atingiu o nível de lenda, como o Kiss, nem um pouco, já para os alemães, seria uma tremenda injustiça. Por isso, ano passado, em entrevista ao Consequence of Sound, Richard Kruspe declarou: “Uma das razões para voltar a gravar com o Rammstein é para equilibrar a popularidade da banda como uma atração ao vivo na música atual. Com o Rammstein, as pessoas tendem a falar dos fogos e das coisas de shows. Eu penso: não quero ser como outro Kiss, onde as pessoas falam da maquiagem e coisas do tipo, mas ninguém fala da música”.


Pois bem! Aqui está o sucessor de Liebe is für alle (09), algo que os fãs ansiavam faz tempo. Essa espera de 10 anos valeu a pena? Bem, é o que pretendo responder aqui. Traçando paralelos com outras lendas, o Rammstein é uma espécie de AC/DC, de Motörhead, da NDH (Neue Deutsche Härte). Quando você pega um álbum da banda para escutar, sabe exatamente o que vai encontrar. Vocais inconfundíveis – a força da presença de Till Lindemann é algo inquestionável –, com versos cantados de forma quase falada, e de forma enérgica nos refrões, guitarras agressivas que despejam riffs mecanizados, sintetizadores grandiosos, parte rítmica certeira, letras perversas, contundentes e polêmicas, cantadas em alemão, com algumas incursões em outras línguas, e claro, aquela balada perdida bem lá no meio. Essa receita, seguida a risca nos últimos 25 anos, sofreu poucas mudanças, e fez do sexteto uma banda única, inconfundível. Por mais que muitos tentem copiá-los, quando começa a tocar Rammstein, você já reconhece de primeira. São inconfundíveis.

Em seu 7º álbum de estúdio, isso não é diferente, e a fórmula da banda continua se fazendo bem presente. Existe um ou outro momento em que procuram sair do que se espera, mostrando certa diversidade, algo que pode ser creditado aos trabalhos de Kruspe com o Emigrate, mas na maior parte do tempo entregam aos fãs o que eles desejam, mesmo soando um pouco mais melodioso e menos pesado do que nos acostumamos no passado. Aliás, aqui está minha primeira crítica ao álbum, ele não soar tão pesado quanto chegam a sinalizar em algumas canções, já que optaram por algo ligeiramente mais calmo e pendendo mais para o lado eletrônico. Em muito momentos, essa opção coloca Flake e seus sintetizadores em evidência, se confrontados com as guitarras de Kruspe e Paul Landers, mas não é nada que comprometa de verdade. É mais uma questão de gosto pessoal da minha parte. O que realmente compromete de alguma forma, a meu ver, é a disposição das faixas no álbum. Ele não alterna muito bem músicas mais “calmas” com as mais agitadas, tanto que dá uma ligeira caída na sua segunda metade, justamente por isso.

De cara, já temos a mais do que conhecida “Deutschland”, grandiosa, magistral, com ótimas guitarra e sintetizadores. Já nasceu clássica e mostra a face mais pesada da banda. Na sequência, o segundo single do álbum, “Radio”, onde o enfoque maior na música eletrônica coloca os sintetizadores de Falke como a alma da canção. O refrão é daqueles típicos da banda, curto e fácil de cantar em qualquer língua. Não se deixe enganar pelo coro clássico no início de “Zeig Dich”, já que aqui as guitarras pesadas de Kruspe e Landers dão o tom. É uma música padrão do Rammstein? Sim, mas é forte e poderosa. “Ausländer” pende para a EDM, mesclando batidas bem dançantes com algum peso nas guitarras. É o tipo de música que poderia ser tocada em uma rave sem qualquer  estranhamento. “Sex” é outra bem típica do sexteto, apesar de pender mais para o Rock do que para o Metal, sofrendo influências mais diretas de nomes como Emigrate e Volbeat. Chegamos então no ponto central do álbum, com “Puppe”. Intensa, complexa, e ameaçadora, começa com vocais mais calmos de Till, até ele explodir em desespero no refrão. É daquelas que grudam por dias na cabeça, e certamente a melhor de todas as músicas aqui presentes.Daqui em diante, o álbum dá uma virada, seguindo um enfoque um pouco mais calmo. 


“Was Ich Liebe” já é velha conhecida dos fãs da banda, pois, sua letra, é um poema do segundo livro de Till, que o Rammstein tenta musicar a mais de 10 anos. Na primeira tentativa, acabou sendo deixada de lado, com seu instrumental sofrendo algumas modificações e indo parar em nada menos do que “Pussy”. Já nessa segunda tentativa, a coisa continuou sem funcionar muito bem, com suas guitarras acústicas, sintetizadores um tanto esquisitos, e riffs que não combinam tanto com a banda. Talvez a mudança na forma de compor os tenha afetado, já que em uma composição normal, a letra vem sempre depois da música já pronta. Aqui a música é construída em torno da letra. “Diamant” é uma balada acústica, chorosa, e com melodias e vocais suaves. Ficou chata e comum, e poderia ser limada do álbum sem comprometê-lo em nada. A cativante “Weit Weg” possui uma aura oitentista, com um uso pesado dos sintetizadores, e uma melodia muito agradável. É algo que eu conseguiria ver o Depeche Mode fazendo, se tivesse um pouco menos de peso. Já “Tattoo” é o Rammstein clássico. Metal Industrial pesado, explosivo e com uma ótima bateria. Encerrando, temos a sombria “Hallomann”, com seu baixo distorcido, seus sintetizadores que dão um ar assombroso a canção, e um bom trabalho de guitarras.

A produção ficou a cargo de Olsen Involtini (Emigrate, Lindemann, Unheilig) e da própria banda, com mixagem de Rich Costey (Rage Against The Machine, Muse), e masterização de Svante Forsbäck (Amorphis, Candlemass, Lindemann, Volbeat). O resultado beira a perfeição, pois conseguiu deixar tudo cristalino, mas ainda assim pesado. Nada menos do que a música do Rammstein merece. Já a capa, minimalista, mas de muitos significados, foi obra da Rocket & Wink. Nesse ponto, voltamos a pergunta feita alguns parágrafos acima. Essa espera de 10 anos valeu a pena? Afirmo sem medo que valeu! É um álbum brilhante? Não chega a esse ponto, mas é um trabalho que cumpre bem o seu papel, honrando o legado da banda, e provando que são muito mais do que shows recheados de pirotecnia e performances extravagantes. E daí se a maior parte das canções se limita ao mais do mesmo, sem apresentar grandes novidades ou inovações. Como disse uma amiga, se quiséssemos inovações, iríamos escutar um álbum da Lady Gaga, e não Rammstein. Aqui, queremos boa música e diversão, e isso você vai encontrar com sobras.

NOTA: 84

Rammstein é:
- Till Lindemann (vocal)
- Richard Z. Kruspe (guitarra)
- Paul Landers (guitarra)
- Oliver Riedel (baixo)
- Christian “Flake” Lorenz (teclado)
- Christoph “Doom” Schneider (bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)


Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)
(Extreme Sound Records - Nacional)


01. Waverly Hills
02. Inside My Empire
03. Hatred
04. Insane and Sick

Apesar de ser uma banda relativamente nova, pois, surgiu no ano de 2015, na cidade de Porto Ferreira/SP, a Disruption Path possui em sua formação, músicos com alguma bagagem na cena Metal, com passagens por nomes como Maithungh, Setharus, Apocalispe Nuclear, Inluminatti e Madness. Warped Sanity é seu EP de estreia, e aqui, se enveredam pelos lados do Death Metal puro e simples, sem espaço para inovações e modernidades.

O quarteto formado por Helton Henrique (vocal), Fernando Alan (guitarra), Adler Marcatti (baixo) e Daniel Fuzaro (bateria) não nos apresenta absolutamente nada de novo. Basicamente o ouvinte irá se deparar com um Death Metal bem calcado naquela sonoridade das bandas americanas dos anos 90, com alguns inserts mais melódicos aqui e ali, que podem remeter a cena europeia do mesmo período. Os vocais seguem aquela linha gutural, como manda o estilo, mas com algumas passagens mais rasgadas aqui e ali, com a guitarra sendo responsável por bons riffs, mesmo que esses não apresentem nada de inovador. A parte rítmica se mostra bem coesa e forte, com boa técnica e se destacando pela variedade imposta.


Nas 4 canções presentes, o Disruption Path equilibra de forma competente, passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas, o que conta pontos a seu favor. Obviamente, como não poderia deixar de ser em um trabalho de Death Metal, sua música também se mostra bem pesada e bruta. “Waverly Hills” se mostra bem diversificada, resvalando no Thrash em alguns momentos; “Inside My Empire” parece saída diretamente de um álbum de alguma banda da Flórida dos anos, apresentando boa técnica e agressividade; “Hatred” tem peso de sobra e bom desempenho da parte rítmica; “Insane and Sick” é forte, equilibrando velocidade e cadência, causando assim um impacto no ouvinte.

A produção ficou por conta de Alexandre Machanocker e da banda, e ficou com uma qualidade razoável, já que tudo ficou bem audível e pesado. Ainda sim, é um ponto a ser mais bem trabalhado no futuro, mas sem exageros. Já a capa, consegue passar todo o clima de violência que perpassa a música do quarteto. O Disruption Path não apresenta nenhuma inovação em sua música, se limitando a fazer um som que já foi explorado até a exaustão nas últimas décadas, mas o faz com bastante competência, te fazendo esquecer esse detalhe na maior parte do tempo. Agora é aparar as arestas necessárias e partir para um álbum completo.

NOTA: 79

Disruption Path é:
Helton Henrique (vocal)
Fernando Alan (guitarra)
Adler Marcatti (baixo)
Daniel Fuzaro (bateria)

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Tormenta - Batismo da Dor (2019)


Tormenta - Batismo da Dor (2019)
(Independente - Nacional)


01. Cumulusnimbus
02. Batismo da Dor
03. Escravo da Ilusão
04. Reféns do Medo
05. Em Nome de Deus
06. Dono da Verdade
07. Antaŭŝtorm’
08. A Noite Espessa
09. Perseverança
10. Mal Necessário

Surgida no ano de 1998, na cidade de Ribeirão Preto/SP, a Tormenta enfrentou as dificuldades e percalços de nosso undergorund, tanto que passou por 2 períodos de hiato, 2002-2005, e 2008 - 2010. Entretanto, chegaram a lançar um EP, autointitulado no ano de 2006, e agora, mais de 2 décadas após sua fundação, finalmente chegam ao seu debut, intitulado Batismo da Dor. Sabe aquele álbum que te faz lamentar ter demorado tanto a sair? Pois bem! Esse é o caso aqui.

A Tormenta não busca reinventar a roda em nenhum momento, mas sabe utilizar muito bem suas influências para criar um som de personalidade. Enveredando-se pelo Thrash Metal, consegue unir aquela agressividade característica das bandas americanas da década de 80, a técnica típica das bandas europeias do mesmo período, e doses de Heavy Metal e, principalmente, Hardcore. O resultado? Uma música pesada, agressiva, enérgica e muito bem trabalhada. As letras, todas em português, mostram uma qualidade absurda e enriquecem ainda mais o trabalho do quarteto. Críticas e ácidas, como todas deveriam ser.

Os vocais de Rogener Pavinski seguem aquela linha mais rasgada e se mostram muito agressivos, e ele faz uma bela dupla com o guitarrista Flávio Santana. Além de riffs fortes e marcantes, conseguem imprimir boas melodias, principalmente nos solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Fernando Henriques e o baterista Luis Fregonezi, têm uma posição de destaque dentro das canções, já que elas primam pela variedade. A Tormenta não é daquelas bandas que Thrash que apostam puramente na velocidade, e em diversos momentos investem em partes mais quebradas e cadenciadas. Isso termina sendo um grande diferencial.


Após a intro “Cumulusnimbus”, temos a forte “Batismo da Dor”, que se destaca pelos riffs e pela pegada mais Slayer. A faixa seguinte, “Escravo da Ilusão”, se mostra bem variada e com um ótimo trabalho da bateria. A cadência e o peso dão o tom na ótima “Reféns do Medo”, tendo na sequência a enérgica e devastadora “Em Nome de Deus”, com seu ótimo trabalho de guitarras. “Dono da Verdade” é bem diversificada, e contêm em sua narração, citação ao discurso anti-nazista “E Não Sobrou Ninguém”, de Martin Niemöller. Após a instrumental “Antaŭŝtorm’”, temos “A Noite Espessa”, pesada e com tiques de Hardcore. Na sequência final, temos “Perseverança”, que tem uma pegada mais sombria em seu início, mas logo parte para algo mais agressivo, e uma ótima versão de “Mal Necessário”, composição de Mauro Kwitko, que foi eternizada por um dos maiores artistas desse país, Ney Matogrosso. Forte, com grande carga emocional, e perfeita para fechar o álbum com chave de ouro.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Romulo Felício (Fatal Scream, Lusferus) e Rogener Pavinski, com bons resultados, já que deixaram tudo audível, bem timbrado, e com aquela dose de sujeira necessária. Na capa, temos a escultura Urlo, do italiano Enrico Ferrarini, com a arte do encarte tendo sido feita por Rogener. Esbanjando peso, agressividade e técnica, a Tormenta se sai muito bem em seu debut, apresentando um trabalho que, se não prima pela inovação, se destaca pela criatividade e pela força das canções e letras. Que continuem assim nos próximos lançamentos!

NOTA: 84

Tormenta é:
- Rogener Pavinski (vocal/guitarra)
- Flavio Santana (guitarra)
- Fernando Henriques (baixo)
- Luis Fregonezi (bateria)

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Metalmedia (Assessoria)

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Kiko Shred - Royal Art (2019)


Kiko Shred - Royal Art (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)
02. Achemy’s Fire
03. Merlin’s Magic
04. Straight Ahead (feat. Michael Vescera)
05. Royal Art
06. Over the Edge
07. Tébas
08. The Knights of the Round
09. Mortal
10. Cagliostro

Sempre que me deparo o trabalho solo de um guitarrista, fico com os dois pés atrás, já que  invariavelmente, esse tipo de álbum não passa de um instrumento para que o mesmo deixe seu ego e autoindulgência falar mais alto. Felizmente não é o que ocorre com Kiko Shred, músico com mais de 20 anos de carreira, e que faz parte da banda de apoio de nomes importantes, como Tim “Ripper” Owens, Leather e Michael Vescera. Royal Art é sem 3º trabalho solo, e nele, se cercou de uma banda experiente, contando com o vocalista Mario Pastore, uma das maiores vozes de nosso país, o baixista Will Costa e o baterista Lucas Tagliari, que como ele, tocaram com Owens e Vescera, além de artistas do porte de UDO, André Matos, Doogie White e Blaze Bayley.

A proposta aqui é fazer boa música, seguindo aquela linha Hard/Heavy com influências Neoclássicas, bem como fazia Yngwie Malmsteen no início de sua carreira. Virtuoso, mas sem abusar de seu talento, Kiko abre espaço para que todos os membros de sua banda brilhem, com destaque para o vocalista Mario Pastore, que mostra sua competência habitual. A parte rítmica, com Will e Lucas também brilha em muitos momentos do álbum. Quanto as canções, as mesmas se mostram bem coesas, com bom peso, melodias agradáveis aos ouvidos, além da já citadas influências neoclássicas. 


O álbum abre com “I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)”, faixa repleta de melodias cativantes e com bom desempenho da parte rítmica. “Achemy’s Fire” se destaca pela pegada mais Hard e pelo refrão forte; “Merlin’s Magic” é a primeira instrumental do trabalho, onde as influências neoclássicas ficam mais evidentes; a mais cadenciada “Straight Ahead” conta com vocais de Michael Vescera, bons riffs e um refrão agradável, enquanto a instrumental “Royal Art” encerra a primeira metade do álbum mostrando toda a técnica de Kiko. “Over the Edge” é uma faixa rápida, forte e com ótimos riffs; “Tébas” é mais uma instrumental com toques neoclássicos, assim como “The Knights of the Round”. Encerrando, a ótima “Mortal”, com uma pegada bem Power Metal e ótimos vocais de Pastore, e “Cagliostro”, onde a parte rítmica se destaca mais uma vez.

O álbum foi produzido e mixado por Andria Busic, com masterização de Márcio Edit, e o resultado ficou muito bom, já que deixou tudo bem claro, com boa escolha de timbres e uma certa crueza que impede aquele ar artificial de muitas produções atuais. A parte gráfica foi obra de Tristan Greatrex (Vinnie Moore) e Alcides Burn (Blood Red Throne, Headhunter D.C., Imago Mortis, Malefactor, Queiron), e também ficou com uma qualidade muito boa. O único porém nesse sentido se dá pelo fato de que as faixas “The Knights of the Round” e “Mortal” estão invertidas na listagem das músicas, quando comparadas com o CD. Passando longe da autoindulgência de muitos músicos por aí, Kiko Shred nos entrega um trabalho de muito qualidade, com foco na boa música, e que vai agradar em cheio os amantes de um bom Hard/Heavy. Um álbum que vale a pena a aquisição.

NOTA: 82

Kiko Shred:
- Kiko Shred (guitarra);
- Mario Pastore (vocal);
- Will Costa (baixo);
- Lucas Tagliari Miranda (bateria).

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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

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terça-feira, 16 de abril de 2019

Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)


Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)
(Musik Records - Nacional)


01. The Coming Of Symptoms
02. Wired In (feat. Carl Dixon)
03. Artwork Nightmare (feat. Michael Vöss)
04. Sly Side Effect (feat. Haig Berberian)
05. Silence In Heaven (feat. André Adonis)
06. Saints Spirits & Slaves Sinners (feat. Rod Marenna)
07. First Day Without You (feat. Daniel Vargas & Tito Falaschi)
08. Sharppia
09. Dawning Of Aquarius (feat. Steph Honde)
10. Second Skin Arena (feat. Mario Pastore)
11. Miss Misery (feat. André Adonis)

Para quem desconhece, Fred Mika é líder e baterista da banda goiana de Hard Rock Sunroad, e  Withdrawal Symptons é seu primeiro trabalho solo. Na maioria das vezes, quando um músico opta por algo nessa linha, a ideia é se descolar de sua banda principal, mas Fred optou por não se afastar demais do terreno que conhece muito bem. Dessa forma, o ouvinte vai se deparar com uma boa mescla de Hard, Classic Rock, AOR, Glam e Melodic Rock, que certamente tem tudo para agradar aos que apreciam os citados estilos.

Para essa empreitada, a opção foi se cercar não só de músicos mais próximos, como também de nomes de inegável talento. O vocalista do Sunroad, André Adonis, assumiu toda a parte instrumental, cuidando das guitarras, baixo e teclado, além de cantar em duas canções. O hoje ex-guitarrista da banda goiana, Netto Mello, cuidou da produção. Além disso, para os vocais, se cercou de músicos convidados que só ajudaram a enriquecer o resultado: Carl Dixon (April Wine, Guess Who), Michael Vöss (Mad Max, Casanova, M.S.G., Phantom V), Haig Berberian (Dogman), Daniel Vargas (Adellaide), Tito Falaschi (ex-Symbols), Rod Marenna (Marenna), Steph Honde (Hollywood Monsters) e Mario Pastore (Pastore).

Com um time desses, não precisa dizer que os vocais são um dos pontos de destaque do álbum. Na parte instrumental, Adonis faz um bom trabalho, se mostrando não só um guitarrista muito talentoso, dado não só os bons riffs, bem melodiosos, como os solos com clara influência de Blues que ele nos entrega, mas também se saindo bem no baixo e, principalmente, nos teclados. Ele consegue os encaixar com exatidão nas canções, sem exageros e sem que ele se sobreponha as guitarras, além de criar ótimas atmosferas. Na bateria, como não poderia deixar de ser, Fred mostra o seu já reconhecido talento.


Descontando a introdução, temos 10 canções que apresentam boas melodias, algum peso e que possuem a dose necessária, e esperada, de acessibilidade. O único porém para mim se dá na questão dos refrões, já que a maioria não causa aquele impacto esperado e necessário. Após uma breve introdução, “Wired In” surge  mesclando bem elementos de Classic Rock e AOR; “Artwork Nightmare”, tem aquela pegada bem Whistesnake, equilibrando peso e acessibilidade; “Sly Side Effect” remete o ouvinte ao Deep Purple setentista; “Silence In Heaven” é um Hard mais cadenciado, enquanto “Saints Spirits & Slaves Sinners” é um AOR oitentista da melhor qualidade. A segunda metade do álbum abre com a versão acústica de “First Day Without You”, canção do Sunroad, sendo seguida pela instrumental “Sharppia”. Encerrando, a sequência composta pelas pesadas “Dawning Of Aquarius” e “Second Skin Arena”, ambas com um pé no Metal Tradicional, e uma versão para “Miss Misery”, do Nazareth.

A produção ficou a cargo de Fred e do já citado Netto Mello, com a coprodução de Adonis. O resultado é positivo, já que tudo está audível, mas podem me chamar de chato, achei um pouco crua além da conta para o estilo proposto. Penso que algo um pouco mais limpo deixaria tudo um pouco mais bombástico. A parte gráfica é bem-feita, mas a parte referente aos créditos peca pela escolha e tamanho das letras, já que ficou confuso e quase impossível de ler. Posto tudo isso, não tenho nenhuma dúvida quanto ao fato de que Withdrawal Symptons cairá em cheio no gosto daqueles que apreciam um bom Hard Rock/AOR, pois, é feito na medida para fãs do estilo.

NOTA: 79

Fred Mika (gravação):
- Frad Mika (bateria);
- André Adonis (vocal/guitarra/baixo/teclado)

Convidados:
- Carl Dixon;
- Michael Vöss;
- Haig Berberian;
- Daniel Vargas;
- Tito Falaschi;
- Rod Marenna;
- Steph Honde;
- Mario Pastore.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Faces of Death – From Hell (2018)


Faces of Death – From Hell (2018)
(Independente - Nacional)

01. Priest from Hell
02. I Am the Face of Death
03. New World Order
04. Fucking Human Gods
05. Human Race
06. Brainwash
07. Face the Enemy
08. Anno Domini
09. King of Darkness

O Faces of Death surgiu no ano de 1990, na cidade de Pindamonhangaba/SP, e chegou a lançar duas demos antes de encerrar suas atividades em 1997. Passados 20 anos, a banda retomou a carreira lançando o bom EP Consummatum Est (17), e na sequência, no ano passado, finalmente liberou o seu debut, From Hell. Ouso dizer que poucas vezes o nome de uma banda e o título de um álbum foram tão condizentes com o conteúdo musical. Porque olha, o que temos aqui é uma verdadeira paulada na moleira!

Apresentando um Thrash Metal que equilibra bem o que foi feito no estilo, nos anos 80 e 90, mesclado com generosas doses de Death Metal, o Faces of Death vai agradar em cheio os fãs de formações como Sepultura (pré-Chaos), Kreator, Slayer, e até mesmo Pantera. Equilibrando bem passagens mais pesadas com outras mais velozes, além de um bom groove, o quarteto formado por Laurence Miranda (vocal/guitarra), Felipe Rodrigues (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Sidney Ramos (bateria) entrega uma música ríspida, com bons vocais urrados – ainda que pouco variados -, guitarras que despejam riffs simplesmente brutais, além de uma parte rítmica técnica e precisa. Em resumo, tudo que realmente esperamos de um álbum de Thrash/Death.


De cara temos a brutal “Priest from Hell”, que esbanja fúria e bom groove, sendo seguida pela agressiva e variada “I Am the Face of Death”. Em ambas, o quarteto faz questão de manter um pé bem firme no Death Metal, dando um sabor a mais para as canções. “New World Order” consegue alternar muito bem passagens cadenciadas e velozes, além de possuir um ótimo trabalho de guitarra e riffs afiadíssimos. “Fucking Human Gods” é bruta e tem ótimo desempenho da parte rítmica, enquanto o Death Metal volta a dar as caras na ótima “Human Race”, outra que se destaca pelos ótimos riffs. “Brainwash” se mostra veloz e pesada; “Face the Enemy” tem bons riffs, sendo bem variada, e remetendo um pouco ao Sepultura da fase Beneth the Remains/Arise; e  “Anno Domini”, presente no EP de 2017, é daquelas canções curtas e diretas. Encerrando o álbum, a violenta e brutal “King of Darkness”.

A produção ficou a cargo da banda e de Friggi MadBeats, baterista do Chaos Synopsis, que também foi responsável pela mixagem e masterização. O resultado é muito bom, e equilibrou clareza e sujeira, como deve ser em um álbum do estilo. Já a capa e todo o layout foram obras de Raphael Gabrio, e conseguiu incorporar com perfeição todo o clima de fúria que as canções transmitem ao ouvinte. O Faces of Death pode não apresentar nada essencialmente novo com seu Thrash/Death, mas o faz com competência, personalidade, propriedade, e principalmente, com uma honestidade que fica latente em cada nota. Um álbum feito na medida para fãs do estilo!

NOTA: 83

Faces of Death é:
- Laurence Miranda (vocal/guitarra);
- Felipe Rodrigues (guitarra);
- Sylvio Miranda (baixo);
- Sidney Ramos (bateria).

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terça-feira, 9 de abril de 2019

Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)


Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Inflamáveis
02. Super Aquecendo
03. Homo Sapiens Brasiliensis
04. Céu de Abril
05. Descãonhecido
06. Crianças – certa melancolia e introspecção
07. Interstellar
08. Os Magnéticos
09. Natural
10. Minha Hora

O Brasil sempre teve ótimos nomes quando falamos de Rock, incluindo aí suas vertentes mais comerciais. Nos anos 70, tivemos artistas como Mutantes, Joelho de Porco, Raul Seixas, O Terço e Secos & Molhados; nos 80, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Camisa de Vênus e Plebe Rude; nos 90, Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Detonautas, Chico Science e Nação Zumbi e Charlie Brown Jr.; e mesmo no início da década de 2000, bandas como CPM 22, Cachorro Grande e Pitty ocuparam um bom espaço nas mídias de massa. O problema é que de meados da década passada em diante, o estilo foi perdendo espaço de forma progressiva nas rádios e em programas de TV, passando a impressão que nada mais surgia no cenário.

Entretanto, quem acompanha com mais atenção, não se fechando em nichos, sabe que o problema nunca foi esse. Ótimas bandas continuaram surgindo durante todo o período, mas por uma série de fatores, que vão desde a dificuldade inicial de se adaptar a uma nova realidade, onde a internet passou a ter papel central na distribuição e consumo de música, até ao saudosismo e conservadorismo do público, que se recusa a aceitar o que é novo, se prendendo apenas ao passado, criou-se o “Mito da Crise Criativa” do Rock Nacional. Scalene, Far From Alaska, Supercombo, Ego Kill Talent, Francisco El Hombre, Selvagens a Procura de Lei, Vivendo do Ócio, Vanguart, Vespas Mandarinas, Boogarins, são alguns dos nomes que jogam por terra essa falácia.

Formada na cidade de Bebedouro/SP, no ano de 2012, a Magnética é mais uma banda que pode ser incluída entre os nomes citados acima. Tendo em sua formação Elvio Trevisone (vocal), Rafael Musa (guitarra), Kelson Palharini (guitarra), Anderson Pavan (baixo) e Marcos Ribeiro (bateria), apostam em uma sonoridade que une elementos de diversas fases do Rock, indo do Classic Rock setentista até o Grunge/Alternativo dos anos 90, passando pela geração oitentista do Rock brasileiro. É uma música simples, honesta, muito bem tocada, que consegue equilibrar muito bem o lado pesado com o mais comercial, e principalmente, grudenta como poucas que escutei nos últimos anos. Tem refrões aqui que são forjados na base da supercola, já que ficam na sua cabeça por dias.


A abertura se dá com “Inflamáveis”, uma canção pesada, com dose razoável de agressividade e que deixa clara a influência do Grunge; “Super Aquecendo” tem uma pegada setentista, toques de Blues e ótimas melodias; “Homo Sapiens Brasiliensis” se destaca pelo tom crítico e pelo trabalho das guitarras; “Céu de Abril” é a mais acessível de todo o álbum, e possui não só boas melodias, como um refrão que fica marcado na cabeça; e “Descãonhecido” é uma bonita balada voltada para a causa animal. A segunda metade do álbum abre com a melancólica “Crianças”, sendo seguida pela boa “Interstellar”. “Os Magnéticos” se destaca pelo trabalho das guitarras; “Natural” se mostra pesada; “Minha Hora” encerra com riffs mais arrastados, peso, e muito de Grunge.

A produção, masterização e mixagem foram realizadas por Romulo Ramazini Felicio, e o resultado ficou acima da média. Tudo claro, audível, mas ainda sim, pesado. A parte gráfica ficou a cargo de Pablo Gomes Nicolela, e também se destaca por ser muito bem-feita. Estreando com o pé direito e mostrando possuir talento de sobra, a Magnética se mostra uma banda acima da média, e que possui todos os requisitos para firmar seu nome entre os principais nomes da cena nacional. Cabe dizer que após o lançamento, passaram por mudanças de formação, com o quinteto se tornando um trio após as saídas do vocalista Elvio Trevisone e do guitarrista Kelson Palharini, e que estão finalizando um EP para muito em breve.

NOTA: 83

Magnética (gravação):
- Elvio Trevisone (vocal);
- Rafael Musa (guitarra);
- Kelson Palharini (guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

Magnética é:
- Rafael Musa (vocal/guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

R.I.V. - Prog-Core (2018)


R.I.V. Prog-Core (2018)
(Independente – Nacional)


01. War Flames
02. Headache
03. No… P.A.S.
04. Rainbow Warrior´s Mayday
05. Progressive Core
06. Testicle Man
07. Caligula 2332 D.C.
08. Freaks in Action
09. Animal
10. Delicious Nham! Nham!
11. Ashes
12. Spiral

O R.I.V., ou Rhythms In Violence, não se trata de uma banda novata, já que suas raízes remontam ao cenário mineiro dos anos 80. Após pausar as atividades em 1996, e permanecerem em um hiato de 20 anos, retornando com o lançamento da demo Welcome To Prog-Core (16), e ano passado um álbum completo, Prog-Core. Pelo título de ambos os trabalhos, você já consegue imaginar que estamos diante de algo um tanto inusitado.

Nesse momento você provavelmente está se perguntando o que seria esse tal de Prog-Core. Bem, ele é exatamente o que o nome diz, ou seja, uma base bem calcada no Crossover entre Thrash e Hardcore, mas com ritmos mais quebrados, típicos do progressivo. Definitivamente não é uma proposta de fácil assimilação, mas soa bem original, já que não me recordo de outra banda se propondo a tal coisa.

Antes de tudo preciso fazer uma crítica. O maior problema da demo de 2016 era a produção, bem deficitária e que prejudicava em muito a proposta da banda. Infelizmente, esse problema não foi sanado no CD, o que é uma pena. Do que adianta você se propor a fazer algo diferente e inovador, se o ouvinte não vai poder usufruir da experiência por completo? As bandas brasileiras precisam entender que não basta ser criativo, mas também profissional. Hoje, por mês, são centenas de lançamentos, as pessoas têm cada vez menos tempo para escutarem música, e o público tende sempre a dar preferência a nomes já conhecidos. Dentro desse panorama, qual a chance de uma banda menos conhecida subir de patamar com uma produção fraca? Entendo que existem dificuldades inerentes a se fazer Metal no Brasil, mas me desculpem, já está provado por diversos lançamentos nacionais de qualidade, que é possível sim fazer boas produções. Agora, se a proposta da banda for realmente soar dessa forma, é uma pena.


Musicalmente, o que temos é uma sonoridade bem pesada, com canções rápidas, bem trabalhadas, vocais agressivos, riffs de qualidade e uma parte rítmica bem diversificada, com grande destaque para a bateria. Essa mescla de brutalidade e técnica gera algo complexo, que sai completamente do lugar-comum, e que inevitavelmente vai causar estranhamento nos fãs de Metal que tenham a cabeça mais fechada. Para ser sincero, mesmo para aqueles mais abertos, a assimilação não é tão fácil, por isso a importância do que falei lá em cima, a respeito da produção. Ótimas ideias acabam se perdendo e soando confusas. Também senti falta de refrões mais fortes, que façam as músicas ficarem na cabeça de quem escuta, algo muito importante em um cenário cada vez mais concorrido. Como crescer sem ser lembrado?

São 12 canções, 4 delas regravadas da demo de 2016, e que conseguem manter um nível bem homogêneo de qualidade. O Hardcore muitas vezes fica em primeiro plano, mas sem que os mineiros abram mão da versatilidade e dos ritmos mais quebrados. Aponto como destaques “War Flames”, um Crossover furioso, mas, ao mesmo tempo, técnico; “Freaks in Action”, bem diversificada e grooveada, “Delicious Nham! Nham!”, veloz, enérgica e raivosa; “Ashes”, agressiva e com passagens mais quebradas, algo que também pode ser observado em “Rainbow Warrior´s Mayday”.

Em oposto a produção mais fraca, a parte gráfica se mostra bem caprichada. Embalado em um digipack muito legal, tem design e layout de Fernando Drowned, com a capa e os painéis internos elaborados pelo vocalista e guitarrista Helbert de Sá. Que esse profissionalismo seja transposto para outras áreas em um próximo álbum. Ainda sim, apesar de tais problemas, o que temos aqui é uma banda criativa, ousada, técnica e que não tem medo de inovar, o que no final pesou demais na minha avaliação. Tudo é questão de aparar as arestas necessárias, para assim permitir que o ouvinte possa usufruir da sua música de forma plena.

NOTA: 71

R.I.V. é:
- Helbert de Sá (vocal/guitarra);
- Ana Lima (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria).

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