terça-feira, 5 de novembro de 2019

Novembers Doom - Nephilim Grove (2019)


Novembers Doom - Nephilim Grove (2019)
(Prophecy Productions – Importado)


01. Petrichor
02. The Witness Marks
03. Nephilim Grove
04. What We Become
05. Adagio
06. Black Light
07. The Clearing Blind
08. Still Warmth
09. The Obelus

Muitas vezes, não nos damos conta de como o tempo passa rápido. Pode não parecer, mas desde o surgimento com o nome de Laceration, já se vão 30 anos de história do Novembers Doom. Nesse tempo, se estabeleceram no cenário do Doom através de ótimos lançamentos, muitos dos quais podem ser considerados clássicos do estilo. Obviamente que, em um período de 3 décadas, mudanças ocorreriam, e não falo apenas no quesito formação, algo que demoraram a estabilizar. Estou falando também de evolução musical, amadurecimento. Sei, essa palavra causa pavor em muitos, mas no caso do quinteto americano, a evolução ajudou muito mais do que prejudicou, até porque se deu de forma gradual e progressiva.

No início, praticavam aquele Death/Doom típico da primeira metade dos anos 90, com referências a nomes como My Dying Bride, Paradise Lost e afins. A medida que os anos foram passando, o Doom e as melodias foram ganhando mais espaço, mesmo que o Death Metal continuasse ali presente, principalmente nos vocais de Paul Kuhr. Dentro desse processo evolutivo, elementos do Progressivo começaram a ganhar espaço, algo muito próximo do ocorrido com o Opeth e Katatonia, mas sem que para isso abandonassem suas raízes. Nephilim Grove é seu 11º álbum de estúdio, e dá um passo a frente com relação ao seu antecessor, Hamartia (17). Aqui os elementos de Death se fazem menos presentes, com os elementos de Doom e de Progressivo surgindo em maior quantidade. Isso torna o som do Novembers Doom um pouco mais ameno?

Sim, sua música soa mais amena, mas o ponto forte da banda sempre foi a sua capacidade de entregar momentos altamente emocionais, carregados de melancolia e de um ar sombrio, e ela continua intocada em Nephilim Grove. Os vocais de Paul, como sempre, são um ponto alto, e ele vai bem executando desde os rosnados típicos do Death, até passagens mais limpas, passando por tons mais abrasivos. É nítido como ele foi trabalhando e polindo sua voz, e hoje possui um estilo muito próprio e inconfundível. As guitarras de Larry Roberts e Vito Marchese continuam mostrando toda a sua técnica, entregando aos fãs não só ótimos riffs e harmonias, como também solos de muita qualidade. Quanto a parte rítmica, com o baixista Mike Feldman e o baterista Garry Naples, são precisos, e responsáveis não só pela variedade, como também por imprimir uma dose extra de peso. Se você é um fã mais atento, com certeza notou que o Novembers Doom conseguiu a façanha de repetir a mesma line up pelo 3º álbum consecutivo. Estaríamos diante da formação definitiva da banda? Espero que sim.


“Petrichor” inicia o álbum com uma pegada meio Doom/Stoner nas guitarras, que nos entregam bons riffs. Os vocais transitam entre o abrasivo e o limpo, mas na parte final os rosnados típicos do Death Metal surgem, e dão um ar bem sombrio a canção. Eles também dão as caras na pesada “The Witness Marks”, com um belo trabalho da dupla formada por Larry e Vito. Com certeza vai agradar os fãs mais antigos. “Nephilim Grove” é uma das melhores canções da carreira da banda, e transborda melancolia, alternando passagens mais amenas com outras mais pesadas. Fora isso, tem sintetizadores muito bem encaixados e um ótimo trabalho vocal. “What We Become” é uma daquelas semi-baladas sombrias que o Novembers Doom sempre faz tão bem, sendo seguida pela forte “Adagio”, canção raivosa e angustiante, com seu instrumental voltado para o Doom e vocais típicos do Death, que aqui predominam sobre os mais limpos. O trabalho de bateria é muito bom, e de quebra, temos um belíssimo solo. Os apreciadores dos momentos mais extremos do passado, vão sorrir de orelha a orelha com a ótima “Black Light”, onde agressividade e velocidade se mostram mais presentes. “The Clearing Blind” abre espaço para as influências progressivas da banda, com bonitos arranjos e ótimo trabalho rítmico. Pode remeter o ouvinte aos momentos mais recentes do Katatonia, só que aqui a intensidade é maior. “Still Warmth” tem peso e um bom groove, mas sem renunciar a passagens mais amenas. É um retrato perfeito do que é o Novembers Doom hoje. Encerrando, temos “The Obelus”, canção forte e de grande apelo Progressivo.

Mais uma vez a mixagem e masterização ficaram a cargo de Dan Swanö, e o resultado é simplesmente ótimo, a melhor produção da banda em sua carreira. Todos os instrumentos estão claros e audíveis, mas sem abrir mão do peso. Fora isso, não possui aquela atmosfera artificial de muitas produções atuais. Já a bela e impactante capa foi obra de Pig Hands. Seguindo o fio evolutivo dos últimos trabalhos, mas sem abandonar suas raízes, o Novembers Doom prova que, apesar dos 30 anos de estrada, se encontra no auge da sua criatividade, com um álbum de forte carga emocional, e que transborda melancolia por todos os lados. Se duvida, um dos principais lançamentos de Heavy Metal desses ano de 2019.

NOTA: 89

Novembers Doom é:
- Paul Kuhr (vocal);
- Larry Roberts (guitarra);
- Vito Marchese (guitarra);
- Mike Feldman (baixo);
- Garry Naples (bateria).

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Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)


Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)
(Independente - Nacional)


01. Dawnland
02. Tracking the Great Spirit
03. Inner Vision
04. The Scout
05. Prophecy of the Red Skies
06. Distorted Reflection
07. Arrive, Survive, Awaken, Thrive
08. Palaver
09. Stalking Wolf

Surgido em Portland, nos Estados Unidos, no ano de 2008, o Sunrunner se consolidou com o lançamento de 3 bons álbuns, Eyes of the Master (11), Time in Stone (13) e Heliodromus (15). Genericamente poderíamos rotulá-los como Prog Metal, mas isso seria limitar ao extremo uma música que vai muito além disso. Ao estilo já citado, adicionam generosas doses de Classic Rock, Heavy Tradicional, Rock Progressivo e até mesmo toques de Jazz e Folk, fugindo completamente daquela fórmula batida adotada por muitos, que optam por emular nomes como Dream Theater e Symphony X. As referências aqui são grupos como Black Sabbath, Thin Lizzy, Iron Maiden, Jethro Tull, Rush e Yes, o que acaba dando um ar mais retrô a sua sonoridade, sendo esse o grande diferencial da banda.

Além de marcar a estreia do vocalista brasileiro Bruno Neves, que se junta ao trio original composto por Joe Martignetti (guitarra), David Joy (baixo) e Ted MacInnes (bateria), Ancient Arts of Survival se mostra um trabalho mais direto, pesado e menos experimental que seu antecessor,  Heliodromus. Mas não se engane, pois, o Sunrunner em momento algum renuncia a atmosferas mais densas e intrincadas, mas o faz através de guitarras bem pesadas, que transbordam energia. Os vocais de Bruno se mostram fortes, melódicos e bem emocionais, apesar de em alguns momentos, sofrer um pouco com a produção, algo que vou me aprofundar um pouco mais a frente. Joe executa um trabalho primoroso com sua guitarra, entregando riffs de qualidade e solos bem interessantes, enquanto o poderoso baixo de David e a precisa bateria de Ted, dão a música do quarteto, a diversidade que ela necessita.


Logo após a curtíssima “Dawnland”, com elementos de Folk e que serve de introdução, temos a ótima “Tracking the Great Spirit”, pesada, com ótimos riffs e saída diretamente dos anos 70, soando como uma mescla de Black Sabbath com Rush. “Inner Vision” trafega pelo Heavy Metal e esbanja peso nas guitarras, mas sem abrir mão de elementos do Progressivo e até mesmo algumas breves passagens jazzisticas, que são um belo diferencial. A ótima “The Scout” não esconde as influências de NWOBHM, enquanto a épica “Prophecy of the Red Skies” é muito bem-arranjada, além de se destacar pelas ótimas linhas de baixo. “Distorted Reflection” é um breve interlúdio acústico, sendo seguida por “Arrive, Survive, Awaken, Thrive”, uma instrumental sombria, com um clima setentista e que abusa da densidade, algo que também observamos em “Palaver”. Encerrando, com seus quase 20 minutos de duração, a bombástica “Stalking Wolf”, onde conseguem mesclar com muita precisão, Heavy, Progressivo, Folk e até mesmo Power Metal.

Os instrumentais e vocais de apoio foram gravados no Acadia Recording Company, em Portland, Estados Unidos, com produção de Joe Martignetti, enquanto os vocais tiveram seu processo de gravação e produção executados no Brasil, no Stone Studio, em Frutal, Minas Gerais, por Lucas Heitor. O resultado em si, soa bem orgânico e com uma pegada mais analógica, que foge das produções plastificadas dos dias atuais. Faço apenas uma pequena ressalva na questão dos vocais. Por mais que Bruno seja um ótimo vocalista, em alguns momentos tive a sensação de pequena defasagem na produção dos seus vocais, se comparada ao restante do disco. Nada que no fim, comprometa o resultado, e que provavelmente se deu pelo fato dos processos ocorrerem em países diferentes. A bela capa é obra de Jan Michael Barlow. Ao final, temos em mãos um belíssimo álbum de Heavy Metal, que procura fugir dos clichês que nos acostumamos a ouvir por aí, e que se utiliza bem de diversas referências para criar uma sonoridade própria. Altamente recomendado.

NOTA: 84

Sunrunner é:
- Bruno Neves (vocal);
- Joe Martignetti (guitarra);
- David Joy (baixo);
- Ted MacInnes (bateria).

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Red Razor – The Revolution Continues (2019)


Red Razor – The Revolution Continues (2019)
(Under Machine Records/Helena Discos/Resistência Underground/Escória Distro/Antichrist Hooligans Distro/Tales From the Pit - Nacional)


01. The Revolution Continues
02. For Those About To Thrash
03. Violent Times
04. Born In South America
05. R.I.P. Democracy
06. Sour Power
07. Brewtal Mosh
08. The Sadist

Quando do lançamento de seu debut, Beer Revolution, em 2015, os catarinenses da Red Razor chamaram a atenção não só pelo seu ótimo Thrash Metal, que misturava a escola americana e alemã do estilo, como também pelo bom humor das letras, algo que ficava bem claro na capa e nos títulos das músicas. Isso refletia muito o período em que tais canções haviam sido compostas. A questão é que de lá para cá, muita coisa mudou em um curto espaço de tempo. Tudo se tornou mais obscuro, pesado, com o crescimento de tendências totalitaristas/fascistas, não só no Brasil como no mundo todo. Isso inevitavelmente acabou refletindo na música e nas letras do quarteto formado por Fabrício Vale (vocal/guitarra), Daniel Rosick (guitarra), Gustavo Kretzer (baixo) e Igor Thiesen (bateria).

Do ponto de vista musical, a Red Razor continua com aquele Thrash de pegada bem old school, que remete aos anos 80, agressivo, rápido e enérgico, mas, em alguns momentos, podemos notar algumas doses controladas de Death Metal, que ajudam a tornar tudo ainda mais pesado e diversificado. Isso me chamou mais a atenção no trabalho vocal, que soa bem mais variado e agressivo do que na estreia. Quanto as letras, aquela pegada mais festeira que trata de cerveja, muita cerveja, continua se fazendo presente, mas abre espaço para um maior engajamento político. Temas como a violência contra populações periféricas, exploração colonial e ascensão do fascismo se fazem presentes, algo mais do que necessário nesses tempos sombrios que vivemos. Então, se você é da turma do “Metal não tem que misturar com política”, já fique mais do que avisado.


De cara, temos a robusta “The Revolution Continues” com seu ótimo trabalho de guitarras e baixo, e sua letra que é uma ode as pequenas cervejarias artesanais, e um libelo contra as grandes corporações cervejeiras. “For Those About To Thrash” já deixa bem explicitado em seu título, o que o ouvinte encontrará. É uma homenagem ao estilo, que poderia ter saído de qualquer bom álbum dos anos 80. “Violent Times” soa tão agressiva quanto o tema do qual trata – guerras imperialistas, intolerância, violência contra populações periféricas –, e possui além de bons riffs, um refrão muito forte. A dura “Born In South America” não só esbanja peso, musical e lírico, com sua letra que critica fortemente o colonialismo, em uma verdadeira aula de história, como tem um dos melhores refrões que você escutará esse ano. Uma faixa como “R.I.P. Democracy”, que trata da ascensão do fascismo e da vilanização da democracia por setores reacionários, não poderia ser menos que brutal, com toques de Death metal e destaque para o trabalho da bateria. A divertida e nervosa “Sour Power” é mais uma homenagem às cervejas artesanais, enquanto a veloz “Brewtal Mosh” homenageia a todos nós, fãs do bom e velho Metal, que damos duro o dia inteiro e apoiamos as cenas locais. Encerrando, “The Sadist”, com sua letra que trata do serial killer alemão Peter Kürten, conhecido como “Vampiro de Dusseldorf”, além de energia e peso de sobra.

Na produção, mais uma vez a mixagem e masterização ficaram nas mãos de Alexei Leão (Burning in Hell, Khrophus, Rhestus), com resultados muito bons, já que apesar de tudo estar bem audível, tem uma organicidade que falta em boa parte das produções de hoje. The Revolution Continues soa vivo. No âmbito da parte gráfica, se no anterior haviam trabalhado com o mestre Ed Repka, aqui optaram pelo trabalho de Andrei Bouzikov (Dust Bolt, Havok, Municipal Waste, Nervosa, Toxic Holocaust), que foi o responsável pela bela capa, enquanto o design do encarte foi realizado por Lucas “From Hell” (Evilcut). Mesclando bom humor, engajamento político, vocais agressivos, riffs rápidos, afiados, e uma parte rítmica forte e explosiva, o Red Razor passou com louvor no teste do segundo álbum, mostrando que está mais que pronta para assumir um lugar de frente no cenário do Metal Nacional. A revolução já tem sua trilha sonora!

NOTA: 87

Red Razor é:
- Fabricio Valle (vocal/guitarra);
- Daniel Rosick (guitarra);
- Gustavo Kretzer (baixo);
- Igor Thiesen (bateria).

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sábado, 5 de outubro de 2019

Blasphematorium - Blasphematorium (2019)


Blasphematorium - Blasphematorium (2019)
(Tales From The Pit Records/Your Poison Records/Violent Records/Steel Sword Records/Tevas Nascemos Distro/Underground Voice Records/Totem Records)


01. The Four Horsemen
02. Monolith to Foolishness
03. Decay of Men
04. Found in the Dark
05. Fornication Be Thy Name
06. The Blasphematorium
07. The Dark Council

Em um mundo cada vez mais midiático, existem artistas que optam por manter suas identidades ou rostos em segredo. Talvez o maior exemplo disso, atualmente, seja Banksy. No meio da música, isso nunca foi novidade, já que no passado, nomes como Kiss e Daft Punk, e mais recentemente, o Slipknot, se utilizaram por um tempo desse estratagema. Marketing, uma forma de focar apenas na arte, um ato de resistência em uma realidade recheada de subcelebridades, ou simples escolha artística? Não existe uma resposta exata para tal fato. Onde quero chegar com isso tudo? Surgido no ano de 2018, em São Paulo, o Blasphematorium é mais um nome que opta pelo anonimato, já que seus músicos não só escondem seus nomes por detrás de pseudônimos, como também seus rostos são um mistério.

Musicalmente, sua sonoridade é muito bem definida, e remete diretamente ao que convencionou-se chamar de 1ª geração do Black Metal, ou seja, aquelas bandas que mesclavam estilos como o Heavy Tradicional e o Speed Metal, usando de uma estética anticristã. O resultado é uma música veloz, abrasiva e muito pesada, com vocais mais urrados, guitarras com riffs ríspidos, um baixo marcante e uma bateria muito boa. Além disso, elementos daquele Doom mais épico e tradicional, que remetem diretamente ao Cirith Ungol, podem ser observados, e ajudam a, em muitos momentos, criar um clima mais sombrio. Em si, o Blasphematorium não apresenta uma sonoridade inovadora, mas consegue ter uma identidade própria, não soando como simples cópia de bandas mais consagradas no estilo.


O ataque começa com a apocalíptica “The Four Horsemen”, com claras influências de Metal Tradicional, riffs ríspidos e um belo trabalho da dupla baixo/bateria. “Monolith to Foolishness” é mais cadenciada e possui aqueles riffs cavalgados, bem típicos dos anos 80, além de soar bem sombria, muito pelo belo trabalho vocal. O solo, bem melódico, é outro ponto de destaque e serve de contraponto para a abrasividade das guitarras. “Decay of Men” é outra onde as melodias Heavy se destacam, com ótimos riffs, bases pesadas e um baixo marcante. “Found in the Dark” apresenta guitarras bem ríspidas, além de boas mudanças de tempo, com destaque para as passagens mais cadenciadas, que dão a canção uma aura mais escura. “Fornication Be Thy Name” tem uma pegada bem Metal Tradicional, por mais que trechos mais arrastados tragam um peso maior para a mesma, e entrega não só boas melodias, como também um ótimo solo, sendo seguido pela igualmente melódica “The Blasphematorium”, com seu ótimo trabalho de guitarra. São quase irmãs gêmeas. Encerrando, a arrastada e opressiva “The Dark Council” traz o foco para aquele Doom mais épico.

A produção está totalmente dentro do padrão esperado para a proposta sonora apresentada, já que apesar de deixar os instrumentos bem audíveis, possui a crueza e a aura impura e blasfêmica que a música pede. Isso também pode ser notado na capa, que deixa bem escancarada o que pretendem passar com suas canções. O Blasphematorium não apresenta nenhuma inovação sonora, mas esse em momento algum é o foco da banda, e isso não têm absolutamente nada de errado. Sua maior qualidade é, como já citado, possuir personalidade, já que por mais que em muitos momentos suas influências possam ser notadas, de forma alguma soam como cópia ou emulação. Ríspido, cru e agressivo, foram buscar inspiração nos primórdios do Black Metal, e acabaram por lançar um dos trabalhos nacionais mais legais de 2019.

NOTA: 88

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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

DarkTower – Obedientia (2019)


DarkTower – Obedientia (2019)
(Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Cangaço Rock Comunicações/Native Blood Produções – Nacional)


01. Punishment
02. Downfall
03. God Above Nothing
04. Higland Ceremony
05. Winged Snake Communion
06. Praxis Against Ignorance
07. Obedientia
08. Rites of Conscience
09. The Carnal Esplendour
10. ...As the Obedient Marches to the Abyss…

Na estrada desde 2006, os cariocas do Dark Tower vão consolidando o seu nome no underground nacional na base da brutalidade e agressividade. Donos de um Black/Death simplesmente devastador, após alguns EP’s e singles, lançaram seu debut, ...of Chaos and Ascension em 2013, sendo seguido 3 anos depois pelo ótimo Eight Spears. Agora, após igual espaço de tempo, retornam com seu 3º trabalho de estúdio, Obedientia, que segundo as palavras da própria banda, “é um manifesto contra essa onda de obediência cega, que assola a sociedade nos dias atuais, e fala de todo tipo de libertação e rebeldia, seja ela espiritual, cultural, sexual e filosófica.”. Impossível não destacar o ótimo trabalho nas letras, que complementam com perfeição a parte musical.

Algo que sempre me chamou a atenção nos trabalhos da banda, é o salto evolutivo que dão entre um lançamento e outro. Quando você pensa que não tem como melhorar, eles vão lá e mostram que você estava equivocado. Com Obedientia isso não é diferente. Se no álbum anterior havia ocorrido um recrudescimento de sua sonoridade, com doses menores de melodia, aqui elas voltam a dar as caras, e com ótimos resultados. Isso se dá muito pelo fato de terem trazido novas influências para sua música, com mais destaque para o Metal Tradicional. Mas não pense que isso significa que seu Black/Death se tornou menos bruto e furioso, pois ele continua ali, intocado e destruindo pescoços alheios, assim como aquela crueza que marca a banda. As citadas melodias aparecem, principalmente, nos solos, que estão simplesmente espetaculares aqui, e em algumas passagens mais cadenciadas.

Os vocais de Flávio Gonçalves continuam sendo um dos pontos altos do trabalho do Dark Tower, com aquela boa variação entre o rasgado e o gutural, que evita que os mesmos se tornem maçantes. Em contrapartida, as vocalizações limpas do baixista Rodolfo Ferreira, que eventualmente surgiam em uma ou outra canção, não aparecem em momento algum aqui. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais mais uma vez soam afiadíssimas, entregando não só ótimos riffs, como belíssimos solos, com boas cargas de melodia. Quanto a parte rímica, com Rodolfo e o baterista estreante, Rômulo Grilo, mostram muita coesão, peso e técnica, dando boa variedade as canções.


Após uma breve e sombria introdução, intitulada “Punishment”, surge a caótica e veloz “Downfall”, carregada de um peso opressivo, energia e um ótimo refrão. O álbum tem sequência com a bruta “God Above Nothing”, com seus ótimos riffs e potencial de destruição em massa de tímpanos mais delicados. É o epítome do caos. “Higland Ceremony” é uma curta vinheta que serve de introdução para mais uma faixa destruidora, “Winged Snake Communion”, onde os destaques ficam pelo peso e pelas boas melodias oriundas do Metal Tradicional que as guitarras nos entregam. “Praxis Against Ignorance” alterna muito bem passagens mais cadenciadas e melódicas com outras mais ríspidas e recheadas de riffs cortantes, além de possuir uma aura mais sombria, características também presentes na ótima Obedientia, com sua brutalidade e um belíssimo solo de guitarra. A áspera “Rites of Conscience” traz boas melodias, um trabalho de guitarras que resvala levemente no Thrash, sendo seguida por “The Carnal Esplendour”, um Caterpillar 797F sem freio, descendo uma ladeira, em forma de música, tamanho o atropelo. Franca, grosseira e agressiva. Encerrando, para contrapor com todo o peso e raiva que escutamos, a curta, serena e melódica instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss…”.

A produção foi realizada pela banda e por Rômulo Pirozzi (Ágona, As Dramatic Homage, Hatefulmurder, Vociferatus), sendo que este também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização ficou novamente nas mãos do ex-Rotting Christ Giorgos Bokos (Melechesh, George Kollias, Unearthly). O resultado é muito bom, já que deu a clareza necessária ao Black/Death da banda, mas sem tirar sua crueza, peso e organicidade. Já a capa e a parte gráfica, ambas belíssimas, foi obra do baixista Rodolfo Ferreira. Mantendo o seu viés evolutivo e de crescimento, o Dark Tower conseguiu superar seu ótimo trabalho anterior, e mostrando estar mais que pronta para assumir uma posição entre os principais nomes do underground brasileiro. Um dos melhores álbuns nacionais de 2019. Programado para sair no dia 5 de novembro, a banda já iniciou o processo de pré-venda de Obedientia, em um pacote que além do CD, possui pôster, adesivos e palhetas, além do valor do frete incluso. Caso interesse, a compra pode ser efetuada no seguinte link: https://pagseguro.uol.com.br/checkout/nc/cart.jhtml?s=de7485884f86bd47adc6d62d8c7a86e884e7a19bbe152ab6f141f336a0d7f8dc#rmcl

NOTA: 89

DarkTower é:
- Flávio Gonçalves (vocal);
- Raphael Casotto (guitarra);
- Rafael Morais(guitarra);
- Rodolfo Ferreira (baixo);
- Rômulo Grilo (bateria)

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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lacuna Coil - Black Anima (2019)


Lacuna Coil - Black Anima (2019)
(Century Media Records - Importado)


01. Anima Nera
02. Sword of Anger
03. Reckless
04. Layers of Time
05. Apocalypse
06. Now or Never
07. Under the Surface
08. Veneficium
09. The End Is All I Can See
10. Save Me
11. Black Anima

Sempre existirão os saudosistas para afirmar que nos tempos de Unleashed Memories (01) e Comalies (02), as coisas eram melhores. Sinceramente, não vejo nada de errado nisso, pois música é uma coisa muito pessoal, e a forma como ela atinge cada um vai variar de pessoa para pessoa. Particularmente, até gosto da fase puramente Gothic Metal da banda, por mais que eu visse seu som como algo muito padrão, sem fugir muito do que era apresentado pelos demais nomes da época, ao menos no que tange as atmosferas. Já musicalmente, sempre consegui enxergar algo mais “pop” em sua sonoridade, tanto que achava o Lacuna Coil uma banda “boazinha” demais. Por mais que possuísse aquela aura mais sombria das bandas de Gothic, faltava mais peso e “maldade” para sua música. Friso, isso é uma visão muito particular minha.

Talvez por isso, eu não tenha me sentido tão incomodado com as mudanças implementadas pós-Comalies, tanto que meu maior problema com Karmacode (06) e Shallow Life (09) não se dá pela sonoridade mais moderna e “americanizada”, mas sim pelas composições pouco inspiradas dos mesmos. Vejo ambos como trabalhos de transição, onde os italianos estavam buscando dar uma cara para sua música. Felizmente, com Dark Adrenaline, as coisas começaram a se acertar e, aos poucos, o Lacuna Coil foi se encontrando. Evoluir nunca é simples, sempre vai existir uma parcela de dor no processo, e quando se trata de música, a coisa se maximiza, pois, você não lida apenas com suas próprias emoções, mas também com as dos fãs. Obviamente esse processo de amadurecimento não foi simples para nenhum dos lados, e marcas ficaram.


A partir de Broken Crown Halo (14), o Lacuna Coil foi trazendo gradativamente, elementos de seu passado de volta, mas sem renunciar as suas convicções musicais. Isso acabou gerando aquele que, para mim, não só é seu trabalho mais pesado e sombrio, mas também o melhor, Delirium (16). É ele o ponto de partida para o que escutamos em Black Anima. Reforçando ainda mais essa proposta, que reúne o Groove, agressividade e peso atual, com aquele clima mais dark de outrora, acabam obtendo um resultado que vai além do seu antecessor, em todos os sentidos. Podemos observar, por exemplo, que Andrea está cantando ainda mais agressivo, enquanto Cristina consegue soar ainda mais épica em alguns momentos, sem abrir mão da introspecção em diversas passagens. A guitarra de Diego Cavallotti é responsável por bons riffs e solos, além de soar muito pesada, peso esse que também se faz muito presente na parte rítmica, com o sempre competente Marco Coti-Zelati e o estreante Richard Meiz na bateria. Aliás, esse último foi uma belíssima aquisição para a banda, e substitui Ryan Folden a altura.

Em entrevista recente, Cristina disse que Black Anima foi todo composto durante a turnê, e considerando que as canções que mais gostam de tocar nos shows são justamente as mais pesadas, ele naturalmente acompanhou essa pegada. Fora isso, do ponto de vista lírico, abordaram as dificuldades, dores e perdas que todos temos na vida. O resultado é algo denso, agressivo e muito enérgico, que se reflete no clima gerado pelas canções. Aqui vemos o lado mais sombrio e obscuro da alma do Lacuna Coil, e acreditem, isso é muito bom. A pegada mais atual, com elementos de Modern Metal e Groove continua forte e muito presente, mas ouso dizer que algumas canções aqui poderiam estar em trabalhos mais antigos da banda. Esse é um aspecto que pode vir a agradar um pouco aqueles que são mais saudosistas e ainda não desistiram da banda. Cabe dizer que mesmo esses momentos, soam atuais, já que a banda dá a sua roupagem atual para tais canções.

“Anima Nera” soa mais como um prelúdio, com a voz de Cristina e um instrumental despido de peso ao fundo. Ainda sim, consegue criar um clima sombrio, preparando o ouvinte para o que vem pela frente. “Sword of Anger” faz jus ao seu título, ejá incia com Andrea rosnando de forma furiosa. Aliás, cabe notar que seus vocais mais limpos se fazem cada vez menos presentes. Em alguns momentos ocorrem duetos entre ele e Cristina, que soam bem legais, e o clima de raiva que emana da canção é ótimo. Na sequência, temos os dois singles já lançados pela banda. Em primeiro lugar, temos a ótima “Reckless”, com um bom trabalho vocal de Scabbia, refrão marcante, guitarras pesadas e um ótimo solo, e depois a raivosa “Layers of Time”, onde passagens mais rápidas alternam com outras mais cadenciadas, além de possuir uma bateria brutal. “Apocalypse” é a primeira das canções aqui presentes que remetem ao passado da banda, e poderia muito bem, estar presente em um dos 3 primeiros álbuns, dado seu clima denso e pegada mais dark.


Não se deixe enganar pelo começo mais melancólico de “Now or Never”, pois não demorar muito para ela explodir em peso, com destaque para o trabalho dos vocais, guitarra e bateria, sendo seguida pela acelerada “Under the Surface” e seus bons riffs. “Veneficium” é outra que vai remeter os ouvintes ao passado da banda, com seu clima denso, seu peso arrastado, sua atmosfera operística – enriquecida pelos coros em latim – e a sensação de dor que transmite. É sem dúvida, uma das melhores canções que o Lacuna Coil fez em sua carreira de mais de 2 décadas. “The End Is All I Can See”, é arrastada, profunda e chega a soar opressiva em alguns momentos, ainda que seja a que menos empolga em todo o álbum. Ainda sim, isso não é nenhum demérito. Na sequência que encerra o trabalho, mais uma faixa bem acelerada, “Save Me”, com boas guitarras e uma bateria bem pesada, e a assustadora e arrastada “Black Anima”, com suas melodias ameaçadoras e vocais agressivos de Andrea.

Partindo do princípio de que time que se ganha, não se mexe, optaram por repetir o que já havia dado certo em Delirium. Sendo assim, a produção ficou a cargo de Marco Coti-Zelati, coma mixagem sendo realizada por Marco Barusso, e masterização por Marco D'Agostino. O resultado é ótimo, já que conseguiu aliar clareza, peso, agressividade e organicidade. Já a bonita capa foi obra de Micah Ulrich. Durante toda a sua carreira, o Lacuna Coil primou por fazer o que tinha vontade, e isso deu a eles o direito de poder se aventurar por novos territórios, sem medo de julgamentos que pudessem vir a sofrer. Black Anima é o resultado direto disso. Esse não é um álbum fácil, que vai conquistar o ouvinte com a facilidade de seu antecessor,e em se tratando de música, algo muito pessoal e que mexe com emoções, certamente causará reações divergentes. Mostrando diversidade, e apresentando uma música pesada e sombria, alcançaram, no meu ponto de vista, o melhor resultado de sua carreira, e vão agradar em cheio os que apreciam um Metal com pegada mais moderna. Já os mais saudosistas, bem, esses terão que continuar sonhando com um retorno puro as raízes.

NOTA: 87

Lacuna Coil é:
- Christina Scabbia (vocal);
- Andrea Ferro (vocal);
- Diego Cavallotti (guitarra);
- Marco Coti-Zelati (baixo/teclado);
- Richard Meiz (bateria).

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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Therion – Theli (1996)


Therion – Theli (1996)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. Preludium
02. To Mega Therion
03. Cults of the Shadow
04. In the Desert of Set
05. Interludium
06. Nightside of Eden
07. Opus Eclipse
08. Invocation of Naamah
09. The Siren of the Woods
10. Grand Finale / Postludium
11. In Remembrance (bônus)
12. Black Fairy (bônus)
13. Fly to the Rainbow (bônus)

No início, com as demos e o seu debut, Of Darkness… (91), tudo era puramente Death Metal. Com Beyond Sanctorum (92), os primeiros vocais femininos surgiram, de forma discreta, sinalizando que algo de diferente estava sendo gerado. Foi a partir do lançamento de Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas (93), que o ovo do dragão começou a eclodir, com teclados e partes sinfônicas se fazendo mais presentes, algo que se reforçou ainda mais com o ótimo Lepaca Kliffoth (95). Mesmo assim, nenhum fã do Therion estava preparado para Theli, um dos trabalhos mais inspirados de toda cena Metal dos anos 90, e responsável não só por fazer a banda crescer em popularidade, como também por dar origem a todo um subgênero, o Metal Sinfônico.

Após a boa repercussão de Lepaca Kliffoth, o Therion tratou de entrar em estúdio em janeiro de 1996, para aproveitar o bom momento. Apesar disso, Christofer Johnsson, não queria mais um trabalho que estivesse focado nas guitarras e na sua voz, e então disse a Nuclear Blast que gostaria de fazer um álbum totalmente sinfônico. Por mais que a ideia fosse extremamente arriscada e extravagante, a gravadora deu o sinal verde, e lá foi o quarteto, na época, formado por Christofer, Jonas Mellberg (guitarra), Lars Rosenberg (baixo) e Piotr "Docent" Wawrzeniuk (bateria/vocal), dar seu passo mais ousado.


Em Theli, os teclados e partes sinfônicas que já haviam dado as caras em trabalhos anteriores, foram trazidos para o centro do palco, e se tornaram um elemento essencial da música do Therion. Nos vocais, além de Christofer Johnsson, trouxeram para estúdio ninguém menos de Dan Swanö (Edge of Sanity, Nightingale, Witherscape), a soprano Anjs Krenz e o baixo-barítono Axel Patz, além de pela primeira vez, contar com o apoio de coros de ópera, nesse caso, o The North German Radio Choir e o The Siren Choir. O resultado é fabuloso, com um trabalho vocal variadíssimo e diferenciado. O instrumental não fica atrás, pois mescla elementos de Death, Power, Gothic e Prog Metal, com influências neoclássicas soa simplesmente brilhante. As guitarras de Johnsson e  Mellberg trafegam com naturalidade entre os estilos, entregando não só ótimas melódias, como solos belíssimos. A parte rítmica, com Lars e Piotr se mostra muito técnica, e brilha em diversos momentos. Os sintetizadores foram muito bem utilizados, criando atmosferas sombrias, que casam perfeitamente com o lado esotérico das letras.

Após a introdução, com a instrumental “Preludium”, temos aquele que é o maior clássico de toda a história da banda, a magnífica “To Mega Therion”, onde os maiores destaques ficam para o belo trabalho de coral, os ótimos riffs e o bom trabalho da bateria. Curiosamente, ela foi composta originalmente em 1993, mas deixada de lado por Johnsson, que a considerava muito melódica e comercial para o momento da banda. Com Theli, ele viu a oportunidade perfeita para gravá-la. O álbum tem sequência com “Cults of the Shadow”, que agrega elementos mais progressivos, possui um trabalho de baixo bem marcante, além de melodias e coros que criam um clima muito sombrio. “In the Desert of Set” tem uma base um pouco mais voltada para o Death Melódico, com os corais, elementos neoclássicos e sintetizadores criando uma atmosfera que remete ao Egito Antigo. A instrumental “Interludium” funciona como uma faixa de transição, ligando as metades do álbum.


A segunda metade abre com a ótima “Nightside of Eden”, com suas guitarras pesadas, boas melodias, corais e refrão muito marcantes. Esse último, por sinal, gruda na cabeça por uns dias. A instrumental “Opus Eclipse” poderia ser só mais uma canção para preencher espaço, mas passa longe disso com seu ótimo trabalho de guitarras e de sintetizadores. “Invocation of Naamah” é outro dos pontos altos do álbum, com seu instrumental que se envereda pelo Power Metal, ótimos riffs e elementos neoclássicos que só acrescentam. “The Siren of the Woods” é a faixa mais calma de todo álbum, trazendo um clima mais gótico para o trabalho, soando bem onírica. Para completar, é toda escrita no idioma acadiano. Encerrando, mais uma instrumental, “Grand Finale / Postludium”, que resume com perfeição tudo que foi apresentado. Apesar de não constar na listagem do CD, temos aqui mais 3 faixas bônus. “In Remembrance”, “Black Fairy” e o cover para  “Fly to the Rainbow”, do Scorpions, que na época do lançamento, saíram na edição japonesa do álbum, e posteriormente em A'arab Zaraq – Lucid Dreaming (97). Vale dizer que às duas primeiras originalmente deveriam ter entrado em Theli, mas por destoarem um pouco das demais na atmosfera, acabaram ficando de fora.

A produção ficou a cargo da dupla Gottfried Koch (Dreams of Sanity, EverEve, Darkseed) e Jan Peter Genkel (Cradle of Filth, Nightfall, Seven Witches), com o último cuidando também da mixagem e masterização. É a melhor produção da banda até então, pois permite que você escute tudo que ocorre com perfeição, tamanha a clareza obtida. Vale dizer que conseguiram isso sem tirar o peso da banda. Já a capa, com o Deus egípcio Set e elementos ocultistas, foi criação de Peter Grøn (Dimmu Borgir, Hypocrisy, Pain). Apresentando canções que mesclam com perfeição Metal, com influências neoclássicas, peso, melodia e tpecnica, o Therion apresentou um trabalhou que primou pela originalidade, e que lançou as bases para o que viria a se tornar o Metal Sinfônico, fazendo assim de Theli, um dos trabalhos mais clássicos de sua carreira. Obrigatório!

NOTA: 94

Therion (gravação):
-  Christofer Johnsson (guitarra, vocal, teclado)
- Jonas Mellberg (guitarra/teclado),
- Lars Rosenberg (baixo),
- Piotr "Docent" Wawrzeniuk (bateria/vocal).

Participações:
- Dan Swanö (vocal),
- Anjs Krenz (vocal/soprano),
- Axel Patz (vocal/baixo-barítono),
- Jan Peter Genkel (piano, teclado e programação),
- Gottfried Koch (teclado e programação),
- The North German Radio Choir,
- The Siren Choir.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Die Apokalyptischen Reiter - Der Rote Reiter (2017)


Die Apokalyptischen Reiter - Der rote Reiter (2017)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Wir sind zurück
02. Der rote Reiter
03. Auf und nieder
04. Folgt uns
05. Hört mich an!
06. The Great Experience of Ecstasy
07. Franz Weiss
08. Die Freiheit ist eine Pflicht
09. Herz in Flammen
10. Brüder auf Leben und Tod
11. Ich bin weg!
12. Ich nehm' dir deine Welt
13. Ich werd' bleiben

Como tudo nesse mundo, o Heavy Metal também foi afetado de diversas formas pela popularização da internet. Uma delas, foi como a música se tornou global, já que hoje, com um simples clique, você consegue ter acesso a bandas dos mais diversos países, mesmo aqueles mais obscuros em se tratando do estilo. Ainda sim, ou talvez por toda essa facilidade, muita coisa acaba passando batida. Esse é o caso dos Cavaleiros do Apocalipse alemães, o Die Apokalyptischen Reiter, que mesmo estando na estrada a quase 25 anos, é quase uma desconhecida fora de seu país de origem. Sendo assim, cabe uma breve apresentação aos leitores que ainda não tiveram contato com a horda.

Surgido no ano de 1995, no estado da Thuringia, o Die Apokalyptischen Reiter – nome alemão para os 4 Cavaleiros do Apocalipse –, lançou seu debut, Soft & Stronger, em 1997. Na sequência, emplacaram mais 2 álbuns, Allegro Barbaro (99) e All You Need Is Love (00). Sua música tinha os pés bem fincados no Death Metal Melódico, mas abria espaço para elementos Folk que ajudavam a diferenciar a banda. Com a boa repercussão, assinaram um contrato com a Nuclear Blast, fato que marcou uma virada em sua história, já que as mudanças foram muito mais profundas do que uma simples troca de gravadora. Sua estreia na nova casa, Have I Nice Trip (03), deu início a um processo de evolução sonora, onde outros estilos foram sendo agregados a sua base Death, gerando algo que hoje é difícil de rotular. Os lançamentos seguintes, Samurai (04), Riders on the Storm (06), Licht (08), Moral & Wahnsinn (11) e Tief. Tiefer (14), não só consolidaram tal sonoridade, como também os colocaram entre os maiores nomes da música pesada alemã.

Musicalmente falando, gosto de chamar o Die Apokalyptischen Reiter – em tom de brincadeira, vale dizer – de Caos Metal. O termo caos pode soar um tanto negativo para quem lê, mas vejo como algo positivo, pois disse Nietzsche, “é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz a uma estrela cintilante.”. É exatamente isso que o quinteto formado por Fuchs (vocal/guitarra), Ady (guitarra), Volk-Man (baixo), Dr. Pest (teclado) e Sir G. (bateria) faz. Misturando elementos de Heavy, Death, Folk, Power, Thrash, Neu Deutsche Harte, Metal Sinfônico, e até mesmo Jazz, criam uma música criativa, melódica, cativante e que prima pela versatilidade. Vindo de um álbum que preocupou os fãs, não por ser propriamente fraco, mas por ser irregular, precisavam provar que não haviam perdido a mão. Der rote Reiter prova que continuam afiados, já que mesmo com uma pequena queda de qualidade no final, conseguem manter um nível muito alto nas composições.


De cara, temos a rápida e cativante “Wir sind zurück”, com boas melodias e um refrão marcante, sendo seguida pela sombria “Der rote Reiter”, que soa, sem brincadeira, como se o Amon Amarth estivesse fazendo uma jam com o Rammstein. Aqui elementos de Death se misturam com NDH gerando uma canção pesada, bruta e densa. “Auf und nieder” tem uma pegada mais Rock, cercada por uma certa aura Folk e um refrão que cativa com facilidade; “Folgt uns” remete ao passado Death da banda, com ótimas melodias e riffs, além de possuir um belo solo, enquanto “Hört mich an!” volta a misturar elementos mais extremos com aquele Metal Industrial tipicamente alemão, e os vocais de Fuchs remetendo aos de Till Lindemann em alguns momentos. “The Great Experience of Ecstasy” mistura brutalidade com alguns elementos sinfônicos nos vocais e no instrumental, que a tornam um dos pontos altos de todo o trabalho. “Franz Weiss” carrega mais no Folk Metal, assim como “Die Freiheit ist eine Pflicht”, mas essa trazendo para si alguns elementos de NDH. “Herz in Flammen” apresenta guitarras com riffs típicos do Death Melódico; “Brüder auf Leben und Tod” esbanja peso e agressividade, e “Ich bin weg!” tem guitarras cativantes e um pé no Punk. Na sequência final, duas faixas bem sombrias e melancólicas, “Ich nehm' dir deine Welt” e “Ich werd' bleiben”.

A produção ficou a cargo do trio composto por Fuchs, Alexander Dietz (Deep Purple, Gamma Ray, Heaven Shall Burn) e Eike Freese (Dark Age, Hansen & Friends, Myrath), sendo que os dois últimos também foram responsáveis pela mixagem e masterização. Tudo claro, limpo, agressivo e audível, já que apesar de muita coisa acontecer ao mesmo tempo, o ouvinte consegue distinguir tudo com clareza. Já a capa foi obra de Fuchs e Patrick Wittstock (Deadlock, Heaven Shall Burn, Scar Symmetry). É o melhor trabalho dos alemães? Ainda penso que esse título pertence dobradinha formada por Samurai (04) e Riders on the Storm (06), mas Der rote Reiter recoloca o Die Apokalyptischen Reiter no caminho certo, e se apresenta como uma ótima porta de entrada para quem ainda não conhece a banda.

NOTA: 84

Die Apokalyptischen Reiter é:
- Fuchs (vocal/guitarra)
- Ady (guitarra)
- Volk-Man (baixo)
- Dr. Pest (teclado)
- Sir G. (bateria)

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Possessed – Revelations of Oblivion (2019)


Possessed – Revelations of Oblivion (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Chant Of Oblivion
02. No More Room In Hell
03. Dominion
04. Damned
05. Demon
06. Abandoned
07. Shadowcult
08. Omen
09. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple Of Samael

O que dá o status de lenda para uma banda? Vender milhões de cópias de seus álbuns? Ter um avião só seu, para te carregar mundo afora em turnês que duram anos? Lotar estádios e fechar noites de grandes festivais? Ter um álbum a mais de 500 semanas na Billboard 200? Possivelmente a resposta é positiva para todas essas perguntas. Ainda sim, você não precisa disso tudo para se tornar uma lenda e ter seu nome gravado a ferro e fogo na história do Metal. Surgido no ano de 1983, o Possessed é a maior prova disso, já que não se encaixa em qualquer dos critérios citados. Para se tornar uma lenda, “apenas” estabeleceram com seu debut, Seven Churches (85), as bases para o que viria a ser o Death Metal – e, porque não, do Black –, sendo para muitos, a primeira banda do estilo. E como se isso fosse pouco, lançaram na sequência, dois outros trabalhos seminais, Beyond the Gates (86) e o EP The Eyes of Terror (87).

Apesar de todo impacto que seus trabalhos tiveram para a música extrema, a banda encontrou seu fim ainda no ano de 1987, deixando aquela sensação amarga de que poderiam ter ido muito mais além. Entre 1990 e 1993, chegaram a retornar, pelas mãos do guitarrista Mike Torrao, mas nada foi ser lançado. Em 2007, o retorno definitivo com Jeff Becerra, mas com o foco sendo mantido apenas nas apresentações ao vivo, com um álbum de inéditas parecendo um sonho distante. Então eis que a banda anunciou Revelations of Oblivion, elevando os níveis de ansiedade de todos os seus fãs, já que era algo que todos sonhavam a décadas. Mas o que esperar de um novo álbum do Possessed após tanto tempo? Conseguiriam alcançar o nível de excelência esperado?

Em primeiro lugar, de forma alguma tentem comparar Revelations of Oblivion com Seven Churches ou Beyond the Gates. O impacto causado por esses trabalhos no Metal Extremo são inegáveis, mas já se passaram 3 décadas desde que foram lançados. Nesse tempo, o mundo mudou, a música mudou, as pessoas mudaram. Cada álbum deve ser analisado tendo em mente o presente qual é lançado e não um passado que a muito ficou para trás. Fora isso, é uma banda nova, com novos músicos. Querer exigir o mesmo nível de excelência, sem ter esses fatores em mente, além de injusto, é errado. Posto isso, o que temos aqui é um raivoso, que une passado e presente e traz o Thrash/Death do Possessed para o século XXI. Tudo que você espera está ali, mas com uma produção forte e moderna, que atualiza sua sonoridade. Os vocais de Becerra estão bem fortes, como se viessem das profundas do inferno, enquanto as guitarras de Daniel Gonzales (Gruesome) e Claudeous Creamer (ex-Dragonlord) soam como portadoras com caos, com seus riffs agitados, frenéticos, e ótimos solos. O baixo de Robert Cardenas (Masters of Metal, ex-Agent Steel) e a bateria de Emilio Marquez (Asesino) formam uma parte rítmica consistente, técnica, bruta e demoníaca.


A introdução, com “Chant Of Oblivion”, faz você se sentir dentro de um filme de terror, e cria a ambientação perfeita para tudo que se dará na sequência. No More Room In Hell chega veloz e bruta, rasgando os tímpanos dos mais desavisados com sua energia, fúria e riffs frenéticos. A bruta “Dominion” se destaca pela violência das guitarras e pelos vocais, enquanto “Damned” é um  Thrash raivoso e com alta capacidade destrutiva de pescoços. “Demon” se destaca não só pelas boas mudanças de velocidade, como também pelo ótimo trabalho rítmico e de guitarras. “Abandoned” é um Death Metal que transborda ódio e selvageria, além de contar com ótimos solos. “Shadowcult” soa verdadeiramente diabólica, muito disso devido à agressividade dos seus riffs, enquanto Omen é um exemplo de união entre passado e presente no trabalho do Possessed. Furiosa, com um pé no passado, mas soando atual.“Ritual”, com sua energia e ótimo trabalho de bateria é outra que se encaixa nesse padrão. Na sequência final, temos a inflamada “The Word” e sua mescla de melodia e violência, a variada “Graven”, com sua brutalidade e bom trabalho vocal, e a curta instrumental “Temple Of Samael”.

A produção ficou a cargo do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Amorphis, Destruction, Immortal), com co-produção de Jeff e Daniel. Peter também foi o responsável pela mixagem e masterização, sendo que essa última, compartilhou com Jonas Kjellgren (Dark Funeral, Katatonia, Overkill, Sabaton). Os resultados alcançados foram ótimos, já além de clareza e agressividade, conseguiu transpor para os tempos atuais a sonoridade da banda, sem que ela se descolasse de suas raízes. A capa ficou por conta do talentoso Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Paradise Lost), e parece uma mescla demoníaca das capas de Meliora e Prequelle, do Ghost, também feitas por ele. Não acredita? Compare as capas. Revelations of Oblivion vai causar uma revolução dentro do Thrash ou do Death? Não, mas o Possessed não precisa mais disso, pois o fez 34 anos atrás, com Seven Churches. Obstante eu acreditar que uma ou outra música se estendeu um pouco além do necessário, a verdade é que temos em mãos um álbum que faz jus a toda a importância do Possessed para a história do Metal, e que tem espaço garantido entre os destaques de 2019. Que esse não seja o ponto final de sua história, mas apenas mais um relevante capítulo!

NOTA: 87

Possessed é:
- Jeff Becerra (vocal);
- Daniel Gonzales (guitarra);
- Claudeous Creamer (guitarra);
- Robert Cardenas (baixo);
- Emilio Marquez (bateria).

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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Fifth Angel - The Third Secret (2018)


Fifth Angel - The Third Secret (2018) 
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
 
01. Stars are Falling
02. We Will Rise
03. Queen of Thieves
04. Dust to Dust
05. Can You Hear Me
06. This is War
07. Fatima
08. The Third Secret
09. Shame on You
10. Hearts of Stone

Pode ser que você, prezado leitor, nunca tenha ouvido falar do Fifth Angel, mas para aqueles mais íntimos dos porões do Metal oitentista, se trata de um nome de muito valor. Surgida no ano de 1984, na cidade de Seattle – que posteriormente se popularizou pelo movimento grunge –, lançaram dois excelentes álbuns, Fifth Angel (86) e Time Will Tell (89), que fizeram a alegria dos fãs daquele Power Metal tipicamente americano. Infelizmente, após isso, a banda implodiu, e um longo hiato se seguiu. É nesse ponto da história que entra o festival alemão Keep it True. No ano de 2010, após um convite, ocorreu um breve retorno para participação no mesmo, fato que veio a se repetir em 2017. A diferença é que, dessa última vez, a banda recebeu uma oferta da Nuclear Blast para um novo álbum, e bem, aqui estamos nós agora, tratando de The Third Secret.

A primeira coisa que chama a atenção aqui, é que o Fifth Angel gravou como um trio. Da formação oriunda de Time Will Tell, o vocalista Ted Pilot se afastou da música, se tornando cirurgião-dentista, restando os guitarristas Ed Archer e Kendall Bechtel, o baixista John Macko e o baterista Ken Mary (Flotsam and Jetsam, ex-Alice Cooper, ex-Chastain, ex-Impellitteri), sendo que Ed, por questões particulares, não pode participar da gravação. Dessa forma, terminaram reduzidos a um Power Trio, já que Kendall assumiu os vocais. Tudo isso gerou uma série de questionamentos. Como Bechtel se sairia como vocalista? A banda conseguiria manter a pegada dos anos 80, ou o tempo cobraria a fatura? Após a audição, posso garantir sem medo, que os fãs das antigas ficarão satisfeitos com o resultado, e os que ainda não conhecem a banda, terão uma oportunidade de ouro para isso.

Confesso que para mim, o desempenho de Kendall Bechtel é surpreendente. Seus vocais são poderosos, fortes, e vão remeter diretamente a ninguém menos que Ronnie James Dio, mas com alguns toques de Bruce Dickinson aqui e ali. Ele também foi o responsável por cuidar das guitarras, e elas não estão menos que primorosas, com destaque para os riffs, marcantes, e os belíssimos solos. Na parte rítmica, John Macko e Ken Mary conseguem manter o altíssimo nível, com muita solidez, técnica e peso. Musicalmente, temos aquele Power Metal tipicamente americano, que privilegia mais o peso e a agressividade, mas sem deixar as melodias de lado. A identidade sonora da banda se mantêm bem forte, mas soando um pouco mais pesado, o que dá um ar mais atual a suas canções e evita que soam datados. Vale dizer que Kendall saiu da banda, após o lançamento, sendo substituído pelo vocalista Steven Carlson e pelo guitarrista Ethan Brosh. De qualquer forma, que já teve a oportunidade de ver vídeos das apresentações do Fifth nos festivais de verão da Europa nesse ano, sabe que isso não afetou em nada a qualidade, ao menos ao vivo.


De cara, temos a excelente “Stars are Falling”, com seus ótimos riffs, muito equilíbrio entre peso e melodia, além de um refrão muito bom. Por sinal, esse último quesito se repete em todo o álbum. “We Will Rise” é outra que se destaca pelo belo trabalho de guitarras, e tem ótimas melodias vocais. Duvido você não cantar o refrão com o punho erguido e batendo cabeça. A cadenciada e pesada “Queen of Thieves” tem uma vibração meio oriental nas melodias vocais e de guitarra, enquanto “Dust to Dust” é aquele clássico Power Metal da escola americana do estilo, com peso, bons vocais e um ótimo trabalho de bateria. O ritmo cai um pouco com a balada “Can You Hear Me”, que se destaca pelas melodias e pelo refrão forte e marcante, mas volta a subir com a ótima “This is War”, pesada, e com ótimos riffs. Não podemos negar a beleza e qualidade da semi-balada “Fátima”, mas também não dá para discutir que é a canção que menos empolga em todo álbum. “The Third Secret” tem boa cadência, uma linha de baixo forte e teclados muito bem encaixados, além de trazer novamente uma certa vibração oriental em suas melodias. A sequência final abre com o Power “Shame on You”, rápido, cheio de energia e com um ótimo solo, e encerra com “Hearts of Stone”, onde as guitarras e melodias se destacam.

A produção e mixagem ficaram a cargo de Ken Mary, com masterização realizada por Brad Balckwood (Lamb of God, Soulfly, Trivium), com resultados muito bons. Está tudo claro, limpo, audível, mas ainda sim pesado e agressivo. A arte da capa foi obra de Zsofia Dankova (Elvenking, Powerwolf), e o layout foi feito por Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Dimmu Borgir, Kreator, Testament). Não poderia ter ficado menos do que ótimo. Equilibrando muito bem o novo e o antigo, o Fifth Angel entrega aos seus fãs um álbum enérgico, forte e que honra as tradições da banda, e vai agradar em cheio os que apreciam um Power Metal de qualidade. Resta agora esperar pelos passos futuros da banda.

NOTA: 86

Fifth Angel (gravação):
- Kendall Bechtel (vocal, guitarra, teclado)
- John Macko (baixo)
- Ken Mary (bateria/teclado)

Fifth Angel é:
- Steven Carlson (vocal);
- Ed Archer (guitarra);
- Ethan Brosh (guitarra);
- John Macko (baixo)
- Ken Mary (bateria/teclado)

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Low Levels of Serotonin – Katharsis (2019)


Low Levels of Serotonin – Katharsis (2019)
(Heavy Metal Rock – Nacional)

01. Intro
02. The Wind Tries to Say Something
03. O saber
04. Chaos
05. Redundant Lies Become Truths
06. A Pale Tone
07. Endorphin
08. Out of my Control
09. Instrumental

A serotonina é um neurotransmissor sintetizado no cérebro, e responsável pela sensação de bem-estar. Ao lado da endorfina e da dopamina, é um dos chamados “hormônios da felicidade”. Em contrapartida, quando seus níveis estão baixos em nosso organismo, isso gera uma série de transtornos, como a ansiedade, bipolaridade, perturbações do sono, medo e depressão, dentre outros. Posto isso, penso que pocas vezes na história do Metal, o nome de uma banda casou tão bem com o estilo musical proposto pela mesma. O Low Levels of Serotonin é um projeto surgido no ano de 2017, em Americana/SP, capitaneado pelo ex-guitarrista do ótimo Desdominus, Wilian Gonçalves, que aqui toca todos os instrumentos, além de ser o responsável pelos vocais limpos. Para a gravação desse debut, ele contou com o apoio do vocalista Guilherme Malosso, do Motherwood, responsável pelos vocais guturais, e do ex-companheiro de banda Douglas Martins, que hoje capitaneia do excelente Deep Memories, e que aqui foi o encarregado por todo o processo de produção.

Musicalmente, Wilian aposta em um Death/Doom que tem em sua base, aquela sonoridade praticada nos anos 90, mas que não se limita apenas a isso. Ecos de Atmospheric – que resulta em ótimos momentos introspectivos –, Black, Gothic e Heavy podem ser observados durante toda a audição, o que acaba enriquecendo ainda mais o resultado. Essa identidade própria torna o Low Levels of Serotonin uma banda diferente do que costumamos observar, não só dentro do cenário internacional, como também do exterior. Como não poderia deixar de ser nesse tipo de proposta, nos deparamos com uma sonoridade muito pesada, sombria e melancólica, mas que não abre mão da agressividade. Boas mudanças de andamento ajudam as canções a passarem longe da repetição, enquanto as guitarras, com seus riffs ríspidos, esbarram no Death/Black. A parte rítmica se destaca não apenas pela boa técnica apresentada, como também pela fúria e variedade. Já os vocais transitam entre o gutural e o rasgado, em um ótimo trabalho de Guilherme Malosso, com algumas poucas passagens limpas que soam bem legais. Os teclados ficaram muito bem encaixados e ajudam muito nas atmosferas criadas pela música do Low Levels of Serotonin. 


Após uma curta introdução, que serve de aviso do que virá pela frente, temos a ótima “The Wind Tries to Say Something”, uma canção que equilibra com primazia, peso, raiva e melancolia, graças aos riffs raivosos e as melodias taciturnas. “O Saber” mostra que a música do Low Levels também funciona muito bem quando cantada em português, abrindo possibilidades interessantes para o futuro. Musicalmente, é uma mescla perfeita entre o Death e o Doom, equilibrando rispidez com um ar soturno. Outra que se encaixa muito bem nessa descrição é “Chaos”, com destaque para os ótimos guturais. “Redundant Lies Become Truths” tem riffs cortantes e gélidos, que resvalam no Black Metal, mas sem abrir mão daquele clima lúgubre e triste que permeia todo o álbum. É outro ponto alto da audição. “A Pale Tone” é mais calma, e soa bem fria e perturbadora, com um bom uso dos teclados, e pasmem, algumas passagens que podem se encaixar no que entendemos como Jazz. Na sequência final, temos a instrumental “Endorphin”, canção que passa uma sensação de inquietude e tomento; “Out of my Control”, que carrega em si elementos de Black Metal, e “Instrumental”, com nome autoexplicativo e com uma pegada bem soturna.

A produção foi dividida entre William e Douglas Martins (Deep Memories), sendo que esse também cuidou da mixagem e masterização do trabalho. O resultado é muito bom, já que aliou clareza, com o peso e a agressividade que são necessários para um álbum de Metal. Quanto a capa, foi obra de Carlos Fides (Almah, Evergrey, Noturnall, Shaman), e como não podia deixar de ser em se tratando de um trabalho dele, ficou ótima. Com uma música ríspida, soturna, pesada e agressiva, o Low Levels of Serotonin acetou em cheio em sua estreia, e vai agradar em muito os apreciadores de Death/Doom. Mas um grande nome do Metal Nacional que surge, e agora só nos resta esperar pelos próximos passos. Que eles não demorem muito!

NOTA: 86

Low Levels of Serotonin é:
- William Gonçalves (todos os instrumentos, vocais limpos)

Convidado:
- Guilherme Malosso (vocal gutural)

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Heavy Metal Rock

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Myrkgand - Old Mystical Tales (2019)


Myrkgand - Old Mystical Tales (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Of The Blue Fire
02. Black Thunders of Zýr
03. Foreseeing The Future
04. Aquariü
05. Ghostwoods
06. Dunkelelf
07. Summoning The Cryptic Dæmonium
08. No Ímpeto da Fúria
09. Trolls Filthy Madfeast
10. Chthonian Cyclops

O Myrkgand é um desses nomes que surgem de tempos em tempos, para provar a qualidade e criatividade do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. A one man band capitaneada por Dmitry Luna, surgiu no ano de 2012 em João pessoa/PB, com uma proposta de mesclar Black Metal, Death Metal Melódico e Pagan/Folk Metal, chegando ao seu debut autointitulado no ano de 2017. Apresentando músicas de muita qualidade, e recheado de participações especiais, o álbum teve ótimo acolhimento por parte da mídia e fãs – recebendo versões em países da América Latina, Europa e Ásia –, gerando assim uma expectativa a respeito do próximo passo a ser dado.

O 2º álbum é sempre um grande desafio para qualquer banda, ainda mais quando seu debut se destaca pela alta qualidade. O que fazer? Manter a pegada do primeiro e não correr riscos, agradando à base de fãs já conquistada? Seguir e dar aquele passo evolutivo a mais, que pode separar os grandes dos genéricos? Dmitry escolheu a segunda opção. Mas calma, não estamos falando de mudanças radicais na sonoridade, já que a mistura de Black, Death e Folk continua se fazendo presente, assim como a agressividade e velocidade de sua música. A diferença em relação ao debut se dá mais pelo fato de a música da banda soar um pouco mais melódica e diversificada, o que acaba sendo muito positivo.

Assim como na estreia, Old Mystical Tales conta com ótimos convidados, que somam o seu talento ao de Luna, enriquecendo demais todas as canções. Participam aqui, Kevin Kott (Masterplan, At Vance), Ashok (Cradle of Filth), Luiz Carlos Louzada (Vulcano), Marcus Siepen (Blind Guardian), Danilo Coimbra (Malefactor), Antônio Araújo (Korzus), Vito Marchese (Novembers Doom), Micha Meyer (ex-Iron Angel), Simone Rendina (Mortuary Drape), Renato Matos (Elizabethan Walpurga), Rodrigo Berne (ex-Tuatha de Danann), Claydson Silva (Pathologic Noise), Trollmannen (Trollfest), Dr. Leif Kjønnsfleis (ex-Trollfest), Liv Kristine (ex-Theatre of Tragedy) e Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween), sendo que esse último também cuidou da produção, mixagem e masterização.

As canções aqui presentes soam bem diretas, e possuem ótimas mudanças de andamento, que ajudam demais a dar uma maior diversidade ao trabalho. A velocidade se faz presente em todos os momentos, mas passagens cadenciadas surgem muito bem encaixadas, evitando que a audição soe cansativa. Os vocais de Dmitry estão ótimos e ríspidos, enquanto as guitarras brilham, entregando riffs que trafegam entre o Black e o Death Melódico com bastante naturalidade. Vale uma menção especial aos solos, excelentes em sua maioria. A parte rítmica – a bateria ficou a cargo de Kevin Kott, que toca no Masterplan e no At Vance – soa incrível, esbanjando não só agressividade, como também muita técnica. 


De cara, temos a pesada, agressiva e variada “Of The Blue Fire”, que tem um de seus solos feitos por Ashok. Ótima escolha para faixa de abertura. A sombria e furiosa “Black Thunders of Zýr” se destaca não só pelas ótimas melodias, como pelo trabalho vocal variado – parte deles feitos por Luiz Carlos Louzada –, e pelo solo de Marcus Siepen. “Foreseeing The Future” é um Black Metal que prima pela rispidez, e conta com participação de Danilo Coimbra, enquanto a excelente “Aquariü”, com vocais limpos de Antônio Araújo e solo de Vito Marchese, tem bom uso do teclado, que ajuda na ótima ambientação da canção, além de riffs bem agressivos. A avassaladora “Ghostwoods” encerra a primeira metade do álbum com ótimas guitarras, riffs que parecem navalhas afiadas e um solo de Micha Meyer.

A segunda metade abre com a sombria “Dunkelelf” e sua boa cadência, com destaque para os bons teclados, a variação vocal e o solo de Simone Rendina. Em “Summoning The Cryptic Dæmonium”, além da boa utilização de elementos melódicos oriundos do Folk, temos um ótimo trabalho de baixo e bateria, além das participações de Renato Matos e Rodrigo Berne. Ter uma canção em português, parece ser uma tradição que será estabelecida nos trabalhos do Myrkgand. Aqui, temos a ótima “No Impeto da Fúria”, séria candidata a se tornar um hino da banda, com seus bons riffs, vocais assustadores, e um bom solo de Claydson Silva. “Trolls Filthy Madfeast” é outra que mescla com muita felicidade, elementos de Black, Death e Folk, tudo isso enriquecido pelas participações para lá de especiais de Trollmannen nos vocais e de Dr. Leif Kjønnsfleis no solo. Encerrando, outra forte candidata a se tornar um clássico, “Chthonian Cyclops”, que além de equilibrar de forma ímpar elementos mais extremos e mais melódicos, ainda conta com a participação de Liv Kristine nos vocais e Roland Grapow em um dos solos.

Todo gravado e produzido no Grapow Studios, na Eslováquia, contou com a sua produção sendo dividida entre Dmitry e Roland Grapow, sendo que esse último também cuidou da mixagem e masterização. O resultado realmente é muito bom, pois equilibrou clareza com agressividade e peso, com a crueza necessária sendo oriunda de uma escolha muito feliz para a timbragem dos instrumentos. Embalado em um digipack simplesmente lindo, teve sua arte feita por Emerson Maia (Corpse Grinder, Frade Negro, Thrashera, Vultos Vociferos) e Antonio César (Aquaria, Endless, Syren), e logo criado pelo “Senhor dos Logos”, Christophe “Volvox” Szpajdel (Borknagar, Dimmu Borgir, Emperor, Fleshgod Apocalypse, Moonspell). O Myrkgand não só passou no teste do segundo álbum, como conseguiu fazer isso com louvor, lançando um dos melhores álbuns de Metal Extremo desse ano. Acreditem, vocês precisam ter esse álbum em sua coleção!

NOTA: 88

Myrkgand é:
- Dmitry (todos os instrumentos)

Convidados:
- Roland Grapow (Guitarra Solo #2 em “Chthonian Cyclops”)
- Antônio Araújo (Vocais limpos em “Aquariü”)
- Luiz Carlos Louzada (Vocais urrados adicionais em “Black Thunders of Zýr”)
- Renato Matos (Vocais (coros) em “Summoning the Cryptic Dæmonium”)
- Trollmannen (Vocais urrados adicionais em “Trolls Filthy Madfeast”)
- Liv Kristine (Vocais limpos em “Chthonian Cyclops”)
- Ashok (Guitarra Solo #2 em “Of the Blue Fire”)
- Marcus Siepen (Guitarra Solo em “Black Thunders of Zýr”)
- Danilo Coimbra (Guitarra Solo em “Foreseeing the Future”)
- Vito Marchese (Guitarra Solo em “Aquariü”)
- Micha Meyer (Guitarra Solo em “Ghostwoods”)
- Rodrigo Berne (Guitarra Solo em “Summoning the Cryptic Dæmonium”)
- Claydson Silva (Guitarra Solo em “No Ímpeto da Fúria”)
- Dr. Leif Kjønnsfleis (Guitarra Solo em “Trolls Filthy Madfeast”)
- Simone Rendina (Guitarra Solo em “Dunkelelf”)
- Kevin Kott (Bateria)

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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Oldlands – Source of Eternal Darkness (2019)


Oldlands – Source of Eternal Darkness (2019)
(Sangue Frio Records/Diabo Records – Nacional)


01. Prayers for Nothing
02. Rotten Nazarene
03. Field of Victory
04. I Just Want to Die
05. The Real Face of Penury
06. Obscuring My Thoughts
07. The Chosen One
08. Metal Maldito (Escaravelho do Diabo tribute)

Aos que não acompanham com tanta atenção o cenário underground brasileiro, o Oldlands é uma one man band capitaneada por Vox Morbidus (Evilusions, Mortuo, Sadsy, Waking for Darkness, Warmony, Duress Soulles), surgida no ano de 2017, em Curitiba/PR, com a proposta de praticar aquele Black Metal típico da 2ª geração do estilo, que esteve em voga no final dos anos 80 e início dos 90. No mesmo ano, lançou o single “Prayers for Nothing”, que obteve boa repercussão entre os amantes do estilo, e agora nos apresenta seu debut, Source of Eternal Darkness.

É impossível não viajar no tempo durante os poucos mais de 36 minutos de duração do álbum. A própria apresentação do trabalho nos lembra o período citado acima, já que o CD remete ao bom e velho vinil, com direito as 8 músicas separadas em 2 faixas, como se tivéssemos aqui um Lado A e um Lado B. Musicalmente, nada mudou, e nos deparamos com aquele Black Metal cru, odioso e raivoso, com vocais rasgados e ríspidos, riffs gélidos e cortantes, uma parte rítmica coesa, firme, e com poucas variações, além de teclados que quando surgem, criam boas passagens atmosféricas. Mudanças de tempo evitam que as músicas se tornem repetitivas, além de apresentar boa técnica – mas sem exageros –, tudo complementado com algumas melodias bem obscuras. Tudo isso é feito com muita honestidade, energia, e vai agradar em cheio aos apreciadores dessa proposta.


A já conhecida “Prayers for Nothing” abre o álbum, com sua crueza, frieza, e riffs bem diretos. A alternância entre passagens mais cadenciadas e velozes é outra qualidade. “Rotten Nazarene” faz justiça ao nome, e transborda raiva e brutalidade, enquanto “Field of Victory” chama a atenção por seus vocais caóticos. Encerrando o “Lado A”, a ótima “I Just Want to Die”. A segunda metade abre com “The Real Face of Penury” e seus riffs cortantes, sendo seguida pelo interlúdio “Obscuring My Thoughts”. Para encerrar, a ótima e fria “The Chosen One”, outra que se destaca pelos riffs afiadíssimos, além de ter uma influência mais latente de Hardcore, a crua “Metal Maldito”, cover dos mineiros do Escaravelho do Diabo, que foi retirada da coletânea Tributo ao Underground Brasileiro.

A gravação, mixagem e masterização foram realizadas pelo próprio Vox Morbidus, e está exatamente dentro do que se espera para esse tipo de proposta. Crua e suja, mas ainda sim, audível. Vale destacar também que ele foi bem feliz na escolha dos timbres. Já a parte gráfica segue essa mesma linha, e foi muito bem elaborada por Moisés Alves, da Hell Forge Metal Art. Alternando bem passagens um pouco mais cadenciadas com outras mais velozes, e se utilizando muito bem da crueza e de canções diretas, o Oldlands estreia muito bem com um trabalho odioso, detestável, e insociável, como todo bom álbum de Black Metal deveria ser.

NOTA: 83

Oldlands é:
- Vox Morbidus (todos os instrumentos)

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