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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)


Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)
(Metal Blade Records - Importado)


01. Anthropogenic: End Transmission
02. The Geocide
03. Be Still Our Bleeding Hearts
04. Vulturous
05. The Great Dying
06. One Day Closer to the End of the World
07. Bring Back the Plague
08. Absolute Destitute
09. The Great Dying II
10. Finish Them
11. With All Disrespect
12. Time's Cruel Curtain
13. The Unerasable Past
14. Death Atlas

A caminhada do Cattle Decapitation rumo ao posto de um dos maiores nomes do Metal Extremo de todos os tempos foi longa, e teve início 20 anos atrás, com o lançamento do EP Human Jerky. A verdade é que obstante a qualidade, nada ali indicava que aquela banda, surgida 3 anos antes no estado da Califórnia, Estados Unidos, se tornaria essa força da natureza que temos hoje. Os primeiros indícios disso só surgiram em seu 3º álbum, Humanure (04), onde finalmente deixaram de ser aquela banda curiosa, formada apenas por vegetarianos, e começaram a despertar a atenção real dos amantes de música pesada. Seu lançamento seguinte, Karma Bloody Karma (06), manteve esse viés de crescimento, mas foi com o ótimo The Harvest Floor (09), que consolidaram e aprimoraram de vez sua sonoridade.

O passo seguinte foi o monstruoso e quase perfeito Monolith of Inhumanity (12), quando pareciam ter chegado ao auge, impressão essa que foi por terra com o magnífico The Anthropocene Extinction (15), um trabalho obrigatório para qualquer um que se diga fã de Death Metal. Sendo assim, não preciso dizer que a ansiedade pelo lançamento de Death Atlas, seu 8º álbum de estúdio, era imensa. A pergunta era uma só: o Cattle Decapitation conseguiria manter um nível tão alto de inspiração, após duas obras-primas? Aqui temos a resposta. De cara, chama a atenção a estreia de 2 novos membros, o baixista Olivier Pinard, que substituiu Derek Engemann, e a inclusão de um segundo guitarrista, Belisario Dimuzio. Sim amigos, Josh Elmore agora tem companhia na usina de riffs da banda, o que acabou por deixar as canções mais densas, ainda que as duas guitarras não tenham sido efetivamente exploradas, abrindo espaço para um crescimento futuro.


Antes de tudo, faz-se necessário deixar claro que temos em Death Atlas um sucessor digno dos dois álbuns anteriores. Em linhas gerais, podemos dizer que ele não é inovador para a banda, como foi Monolith, e nem possui o frescor de The Anthropocene, mas ainda sim alcança o altíssimo nível de qualidade apresentado anteriormente. O Cattle continua desafiando limitações de gênero, mesclando seu Death Metal altamente técnico com elementos de Grindcore, Black, Deathcore e Doom, enriquecendo sua música e gerando uma sonoridade variada. Os elementos progressivos incorporados nos trabalhos anteriores continuam presentes e bem evidentes, assim como as melodias, que surgem em maior quantidade, mas tudo isso sem que precisem abrir mão da sua brutalidade característica. Partes mais velozes, herança dos primórdios Grindcore, se equilibram bem com momentos mais cadenciados, o que ajuda demais no ar sombrio e nas atmosferas perturbadoras presentes durante toda a audição.

Individualmente, todos ganham espaço para mostrar suas qualidades. Travis Ryan continua um vocalista monstruoso, e o nível de intensidade que atinge beira o absurdo. A variação vocal existente no trabalho é muito grande, atingindo um espectro vocal bem amplo. Alguns podem se incomodar com uma presença maior de vocais limpos e semi-limpos, mas isso não é nada que chegue a comprometer o resultado, pois mesmo nessas passagens, sua voz soa ameaçadora. Nas guitarras, como dito, a entrada de Derek Engemann deixou tudo mais denso, e Josh Elmore continua sendo aquela máquina de produzir riffs afiadíssimos e abrasivos. Verdadeiros moedores de tímpanos. Na parte rítmica, o estreante Olivier Pinard se sai muito bem, mostrando técnica e precisão, enquanto David McGraw mostra seu já conhecido poder de destruição. O que esse cara faz é desumano, e de uma ferocidade sem par. Muito da fúria do Cattle Decapitation hoje, pode e deve ser colocada na sua conta. Um monstro!

Após uma breve introdução, com “Anthropogenic: End Transmission”, onde transmissões em diversas línguas – incluindo o português –, deixa claro todo o apocalipse vindouro, os falantes explodem em fúria com a impiedosa “Geocide”, uma verdadeira carnificina em forma de música, que brada que o fim da humanidade está próximo. “Be Still Our Bleeding Hearts” mantém a pegada, esbanjando técnica e riffs assassinos, sendo seguida pela corrosiva “Vulturous”, um Death Metal agressivo e de bom groove. “The Great Dying” soa quase como uma vinheta atmosférica, onde uma voz robótica alerta para o fato da humanidade estar se condenando a extinção. “One Day Closer to the End of the World” é uma das melhores canções já elaboradas pela banda, e não é menos que fantástica, e no meio de toda a sua fúria e groove, pergunta: “O que fizemos a nós mesmos?”


A pandêmica e negra “Bring Back the Plague” chega exterminando tudo com seus ótimos riffs e belo trabalho vocal, enquanto a intensa e avassaladora “Absolute Destitute” traz elementos oriundos do Black Metal, algumas boas melodias e um clima sombrio. Após um breve alívio, com a instrumental “The Great Dying II”, a pancadaria desenfreada retorna com “Finish Them”, que remete o ouvinte aos trabalhos mais recentes do Cannibal Corpse. “With All Disrespect” é outro momento simplesmente avassalador, com seus toques de Black salpicados aqui e ali; “Time's Cruel Curtain” se mostra bem variada, e poderia estar em The Anthropocene Extinction, e a atmosférica “The Unerasable Past” soa como uma vinheta, um descanso que prepara para o ponto alto do álbum, a magistral “Death Atlas”. Transbordando angústia, ela traz em si, um resumo do que é a música do Cattle Decapitation hoje: veloz, pesada, variada, sombria, carregada de riffs abrasivos e vocais viscerais. O encerramento perfeito, a trilha sonora para o Antropoceno que está por vir.

Mais uma vez o álbum foi produzido, mixado e masterizado por David Otero (Cephalic Carnage, Khemmis, Skinless, Visigoth), com resultados não menos do que ótimos. A verdade é que Otero consegue captar o som do Cattle como poucos, e deixar tudo claro, limpo, com cada detalhe audível, mas sem tirar o peso, a agressividade e a fúria da banda. A capa, uma das mais bonitas que você verá em 2019, ficou mais uma vez a cargo de Wes Benscoter, algo que ocorre desde To Serve Man (02). Death Atlas é melhor que seus antecessores? Parafraseando uma famosa atriz brasileira, não sou capaz de opinar. Essa é uma resposta muito pessoal, que certamente vai variar de ouvinte para ouvinte, afinal, a forma como a música atinge as pessoas, é muito subjetiva, mas uma coisa afirmo sem medo: Death Atlas é o melhor álbum do ano!

NOTA: 94

Cattle Decapitation é:
- Travis Ryan (vocal);
- Josh Elmore (guitarra);
- Belisario Dimuzio (guitarra);
- Olivier Pinard (baixo);
- David McGraw (bateria).

Particpações Especiais:
- Riccardo Conforti (bateria, teclado e samples na faixa 1)
- Jon Fishman (narração na faixa 13)
- Dis Pater (bateria e teclado na faixa 13)
- Laure Le Prunenec (vocais adicionais na faixa 14)

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Death Metal

Melhores de 2018 - Death Metal


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Amorphis - Queen Of Time 


02. Krisiun - Scourge Of The Enthroned 


03. Piah Mater - The Wandering Daughter 


04. Ynys Wydryn - Malevolent Creation 


05. Bloodbath - The Arrow of Satan is Drawn 


06. Sulphur Aeon - The Scythe of Cosmic Chaos 


07. 1914 - The Blind Leading the Blind


08. Unleashed - The Hunt for White Christ 


09. Deicide - Overtures Of Blasphemy


10. In Vain - Currents

 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)


Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)
(Mindscrape Music – Nacional)


01. Willard Suitcases
02. Antífona
03. Maestro
04. Inanição
05. Punhais Longos, Cortes Profundos
06. A Cadela de Buchenwald
07. Occipício
08. A Alvorada das Hienas
09. S-21
10. Before my Turn, Agonizing (Infernal Cover)
11. Entropia Humana Final

Underground e justiça nunca caminharam lado a lado, e o paranaense Sad Theory é uma prova disso. Surgido no ano de 1998, em Curitiba, chegou a lançar 3 bons álbuns, The Lady & The Torch (02), A Madrigal of Sorrow (04) e Biomechanical (06), mas em 2008, durante a gravação de  Descrítica Patológica, acabaram se separando (o álbum acabou lançado em 2012, sendo seu primeiro totalmente em português). O retorno da banda se deu em 2014, e já no ano seguinte soltaram o excelente Vérmina Audioclastia Póstuma (15), seu primeiro trabalho conceitual.

Mostrando que o retorno não foi em vão, o Sad Theory vêm mantendo o ritmo de lançamentos, e no ano passado liberou seu 6º álbum de estúdio, Entropia Humana Final, que mais uma vez se envereda pelos caminhos do conceitual. Liricamente, optaram por tratar da violência e massacres cometidos por regimes como o Nazismo alemão, o Comunismo soviético do período Stalin, o Imperialismo americano e o Khmer Vermelho. E vale dizer que as letras possuem ligações diretas com eventos reais, com atos promovidos por tais governos.

Musicalmente, quem acompanha a carreira da banda, sabe bem o que esperar. É Melodic Death Metal da melhor qualidade, mesclado com Progressive Death Metal, o que acaba por gerar uma sonoridade forte e muito atual. As canções são pesadas, agressivas e mostram boa diversidade, alternando bem entre passagens mais velozes e outras com mais cadência. Os guturais de Claudio "Guga" Rovel estão ótimos, com boa variedade, e as guitarras de Alysson Irala e Wenttor Collete realizam um ótimo trabalho, com destaque para as ótimas melodias e solos. A parte rítmica, com o baixista Daniel Franco e o baterista Jefferson Verdani, se destaca pelo peso imposto as canções e pela técnica apresentada.


De cara, já temos um dos grandes destaques do álbum, a forte e cativante “Willard Suitcases”. “Antífona” é nada mais do que a poesia do grande poeta Cruz e Souza, que foi musicada e ficou muito boa. “Maestro” se destaca pelo ótimo trabalho das guitarras, e “Inanição”, que conta com participação de Guilherme "Luxyahak" Medina, do Archityrants, nos vocais, tem peso e boas melodias. “Punhais Longos, Cortes Profundos” é dessas canções brutas e destruidoras, enquanto “A Cadela de Buchenwald” se destaca não só pelos bons riffs, como pela variedade. “Occipício” se destaca principalmente pelo peso e técnica, e a ótima “A Alvorada das Hienas” equilibra agressividade e melodia com maestria. Na sequência de encerramento, temos a boa “S-21”, um ótimo cover para  “Before my Turn, Agonizing”, do Infernal, e a instrumental “Entropia Humana Final”

Toda a parte referente a produção ficou a cargo do guitarrista Alysson Irala, e o resultado é muito bom, já que conseguiu deixar tudo polido, mas sem cometer exageros nesse sentido, mantendo o peso e a agressividade do trabalho. Além disso, a escolha dos timbres foi bem feliz. Já a parte gráfica, que também ficou bem legal, foi obra de Tersis Zonato (Offal, Axecuter, Lymphatic Phlegm). Posso dizer sem medo, que Entropia Humana Final é o melhor álbum da carreira do Sad Theory, e se você curte um Death Metal técnico, com ótimas melodias, e atual, precisa conhecer urgentemente a banda. E vale dizer que já estão com seu próximo álbum, Léxico Reflexivo Umbral, baseado na série Black Mirror, programado para sair no primeiro semestre de 2019. Que ele venha logo.

NOTA: 85

Sad Theory é:
- Claudio "Guga" Rovel (vocal);
- Alysson Irala (guitarra);
- Wenttor Collete (guitarra);
- Daniel Franco (baixo);
- Jefferson Verdani (bateria).

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Mordeth - The Unknown Knows (2018)


Mordeth - The Unknown Knows (2018)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. The Unknown Knows
02. Monolith
03. The Gray Man
04. UVB-76
05. Blank Share
06. Beyond
07. Wake Up Machine
08. Viruss
09. H-Tedrom
10. From Apes to Warlords
11. Robotic Dreams

Para boa parte da nova geração de headbangers brasileiros, o Mordeth deve se um completo desconhecido. Infelizmente algo normal, se pensarmos na falta de interesse de muitos por aí em conhecer novas bandas. Mas para muitos que viveram o cenário underground nacional dos anos 90, certamente se trata de um nome familiar. Surgido no ano de 1989, em Rio Claro/SP, foram uma formação bem ativa até o ano de 1997, quando pausaram as suas atividades, durante a gravação do seu segundo álbum, Animicide, que acabou sendo lançado em 2001. Nesse período, soltaram uma Demo, 2 EP’s, Dimension of Death (92) e Cybergods (95), e o seu debut, o muito bom Lux in Tenebris (93).

Após um hiato de 10 anos, resolveram retornar em 2007, tendo lançado em 2009 o ótimo EP Robotic Dreams. Por essas agruras típicas do underground, mesmo na ativa, não mantiveram o ritmo de lançamentos, fazendo com que muitos chegassem a pensar que a banda havia encerrado novamente as atividades. Mas eis que finalmente, passado quase uma década, temos seu 3º trabalho de estúdio, The Unknown Knows. Se você se encaixa no grupo dos que desconhecem o Mordeth, saiba que praticam um Death Metal com raízes fincadas nos anos 90, mas que não abre mão de ser atual, seguindo aquela linha mais Progressiva do estilo.

Quando colocado frente a frente com o EP anterior, que por sinal vêm de bônus aqui, o que facilita comparações, podemos observar uma banda não só com o instrumental mais bem trabalhado, mas também mais pesada e bruta, o que só fez bem a sua sonoridade. Os vocais alternam bem entre o urrado e o limpo, dando bastante diversidade nesse sentido, enquanto as guitarras realizam um belo trabalho, se destacando principalmente pelos bons riffs. A parte rítmica faz um excelente trabalho, esbanjando técnica e se mostrando bem diversificada. Para completar, os sintetizadores surgem muito bem encaixados, dando aquele clima soturno a música do Mordeth.


Descontando-se a introdução, que leva o nome do álbum, temos aqui 10 temas que esbanjam energia. O nível das canções é bem heterogêneo, e não vamos encontrar grandes variações de qualidade, o que é muito bom. Vale destacar a agressiva e diversificada “Monolith”, a porrada Death/Thrash “Blank Share”, a pesada “Wake Up Machine”, com seus vocais variados e bom trabalho das guitarras, “Viruss”, onde a parte rítmica se destaca, a ótima “H-Tedrom”, e a ríspida “From Apes to Warlords”.

Do ponto de vista da produção, a mesma possui boa qualidade, e podemos notar que em The Unknown Knows ela soa um pouco mais crua do que no EP Robotic Dreams. Isso não soa como um problema, já que a música do Mordeth funciona muito bem de qualquer forma, fora que tudo está 100% audível, pesado e bem timbrado. Agora é esperar que mantenham a pegada e os lançamentos se tornem mais constantes, pois, é muito bom poder ouvir bandas nacionais que se enveredem por sonoridades mais atuais do Death Metal, sem que para isso precise deixar de lado as raízes do estilo.

NOTA: 84

Mordeth é:
- Vlad (Vocal, Guitarra);
- Wit (Baixo);
- Roge (Bateria).

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Heavy Metal Rock


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs (2018)


Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs (2018)
(Century Media Records/Shinigami Records – Nacional)

01. The Cave
02. We Do Not Resist
03. In Propaganda
04. All Knowing Eye
05. Yedidi
06. Chains Fall to Gravity (Feat. Steve Hackett)
07. Like Orpheus (Feat. Hansi Kursch)
08. Poets of Prophetic Messianism
09. Left Behind
10. My Brother's Keeper
11. Take My Hand
12. Only the Dead Have Seen the End of War (Feat. Tomas Lindberg)
13. The Manifest – Epilogue

"Canto que ha sido valiente
Siempre será canción nueva"

– Victor Jara (1932 – 1973)

Passei praticamente 9 meses escutando Unsung Prophets & Dead Messiahs, e confesso, me faltava coragem de pegar o mesmo para resenhar. Porquê? Simples, a cada nova audição feita, sentia novas emoções, conseguia notar nuances que não havia percebido das vezes anteriores. A verdade é que o 6º álbum de estúdio dos israelenses do Orphaned Land é um trabalho complexo, e de diversas formas diferentes. Seja do ponto de vista musical, com sua já conhecida mescla de elementos diversos, seja em seu conceito lírico, trabalhando em cima de um dos textos mais clássicos da filosofia, esse é um trabalho que te coloca para pensar. De janeiro a setembro, escrevi, apaguei, reescrevi, repensei conceitos, e bem, esse é o resultado de tal jornada. O texto é longo, não é uma resenha comum, mas convenhamos, Unsung Prophets & Dead Messiahs também não é um álbum padrão.

Imaginem um grupo de homens que sempre viveram em uma caverna, acorrentados pelas pernas e pescoços, sem poder mudar de lugar ou olhar para os lados. Não conseguem sequer ver a si mesmos na escuridão da caverna. A única coisa que enxergam é a parede diante de seus olhos. A luz existente, que arde fraca, é a de um “fogo” um pouco distante, localizada em um ponto mais alto da caverna, sendo que existe um pequeno muro entre esses homens e o mesmo. Ao longo desse muro, algumas pessoas passam carregando objetos como estátuas, figuras de animais, pedras, madeiras, e mais uma infinidade de materiais, que ultrapassam a altura dele. Enquanto fazem isso, alguns conversam entre si. Dessa forma, tais homens aprisionados conseguem ver na parede da caverna, suas sombras, a de seus companheiros e as de tais objetos citados. As sombras e seus sons são a realidade existente para essas pessoas. São o seu mundo, o que conhecem, e obviamente não questionam tal realidade, até porque não possuem conhecimentos para tal.

Imaginem então, que um desses homens é libertado e obrigado a olhar para a luz? Todos aqueles objetos que até então ele apenas via através de sombras, lhe pareceriam absurdamente estranhos. Ele não os reconheceria de forma alguma, e quando confrontado com a verdade, se sentiria desconfortável. Para ele, o que entendia e enxergava antes lhe pareceria muito mais confortável do que ser confrontado com a realidade. Já ouviram aquele ditado de que a ignorância é uma benção? Certamente a dor causada pela luz e todo esse estranhamento, o fariam querer virar novamente para a parede, onde conseguia distinguir o seu mundo, onde tudo era mais confortável. Com sua recusa em olhar para a luz, simplesmente o pegam e o arrastam a força para o alto, para fora da caverna, o expondo ao sol. Irritado com isso, e com os olhos ofuscados por tamanha claridade, ele certamente não conseguiria distinguir nada em um primeiro momento. Seria incapaz de enxergar o que dizem a ele ser real. 


Então após um tempo, ele começa a se habituar a tudo a sua volta. Começa a enxergar sua sombra, os homens, os objetos, as constelações no céu noturno e o próprio sol. E mais, observando tudo em seu entorno, começa a compreender o funcionamento do mundo e de como tudo aquilo afetava a sua antiga realidade. Sente então pena de seus antigos colegas. Um dia esse homem retorna a caverna, assumindo seu antigo lugar, mas dessa vez, por ter se acostumado à luz, sua visão acaba ofuscada justamente pela escuridão, e ele em um primeiro momento não consegue discernir direito as sombras na parede da caverna. Seus companheiros então concluem que ter ido em direção a luz o cegou, e que de forma alguma vale a pena ir até a mesma. E mais, caso alguém os tentassem libertar, para os levar até lá, seriam capazes de matar que o fizesse, afinal, a luz cega.

"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem."
- Rosa Luxembrugo (1871 - 1919)

Bem, o que você acabou de ler é uma forma resumida da Alegoria da Caverna, texto do filósofo grego Platão (427-347 a. C.), presente no Volume VII de A República. Justamente por ser uma Alegoria, está aberta a uma diversidade imensa de interpretações, e é em cima de uma delas que o Orphaned Land escolheu trabalhar o conceito de Unsung Prophets & Dead Messiahs, seu 6º álbum de estúdio. O enfoque da banda é político, partindo de um ponto básico. É muito mais fácil para os políticos, as religiões e a mídia, controlarem uma nação se está não for instruída, não possuir um conhecimento verdadeiro da realidade que a cerca. Tiram o poder de resistir das pessoas, as levando apenas a pensar em sobreviver, dispersando suas mentes e usando dos mais diversos artifícios para alcançar tal objetivo. Mantenha as pessoas em sua zona de conforto, não dê a elas conhecimento para que enxerguem a realidade, e você terá todo controle que desejar, afinal, elas não vão querer se livrar de suas correntes, pois é muito mais confortável viver nas sombras, sem o desconforto da luz do conhecimento em seus olhos.

O controle chega a um ponto, que em muitos momentos nos levam a questionar a Democracia e a Liberdade, as colocando como responsáveis pelo caos e pela corrupção. Sabe, quando em um relacionamento abusivo, a outra pessoa faz com que você sinta que não entende nada e que está sempre errado, que a culpa por tudo isso é sua, e pior, que você é louco quando questiona a noção de realidade que lhe é imposta? E mais, que por tudo isso, é ele quem sabe quais são as melhores escolhas para sua vida? É assim que a coisa funciona. As pessoas se sentem mal, inseguras, sem força para ir além da realidade imposta. Como já dito agora a pouco, acabam só pensando em sobreviver, e a dominação lhes é automaticamente imposta e aceita, travestida ou não de um viés democrático.

“Se você quiser uma imagem do futuro, imagine uma bota pisando em um rosto humano - para sempre”
- George Orwell (1903 – 1950)


O Orphaned Land nunca se furtou a lutar pelo que acredita, a resistir e a gritar contra tudo que julga injusto. A prova disso é que, em uma região onde a harmonia entre os povos parece impossível, pregam uma mensagem de união, e provam que através da arte, é possível sim existir respeito entre todos. A recepção nos países árabes é excelente, e a coisa chega ao ponto de, em festivais mundo afora, vermos bandeiras dos mesmos desfraldadas ao lado de bandeiras de Israel nos shows da banda. Também já saíram em turnê pela Europa com uma banda palestina, o Khalas, e existem até mesmo petições pedindo que sejam indicados para o Nobel da Paz, por todas as atitudes do grupo em prol do respeito e da convivência pacífica entre as pessoas. Em resumo, é um “bandão da porra” esse Orphaned Land.

Musicalmente, desde seu início a proposta foi de fazer um Metal tipicamente voltado para a sonoridade do Oriente Médio, algo que foi sendo aprimorado com o passar dos anos, e que resultou em ao menos 2 álbuns fabulosos, Mabool - The Story of the Three Sons of Seven (04) e The Never Ending Way of ORwarriOR (10) e no ótimo All Is One (13), que até pode ter menos profundidade e ser menos complexo que seus antecessores, mas que ainda sim passa longe de soar irrelevante. A questão é que em uma discografia nivelada por cima, nada menos do que a excelência, ou chegar bem próximo dela, é aceito. E querem saber? Talvez tenham alcançado a mesma como Unsung Prophets & Dead Messiahs, seu trabalho mais ambicioso em 26 anos de carreira. A forma como conseguiram mesclar Metal/Rock Progressivo, Death Metal Melódico, Classic Rock, elementos sinfônicos e folclóricos alcançou um novo patamar, dando ao álbum uma diversidade ímpar.

Nenhuma das 13 composições aqui presentes são previsíveis, graças ao dinamismo das mesmas. Soando mais épica, poderosa e profunda do que nunca, se torna impossível ao ouvinte não se emocionar durante os pouco mais de 60 minutos de duração do álbum. Imagine uma junção dos 3 trabalhos que o antecederam, do peso de Mabool e The Never Ending Way of OrwarriOR, com o lado orquestral e mais acessível de All Is One. Esse é Unsung Prophets & Dead Messiahs. Kobi Farhi voltou a utilizar com mais frequência seus vocais guturais, sem precisar abrir mão das vocalizações limpas, e em ambas consegue ótimos resultados. Se você fazia parte do grupo de viúvas da dupla Matti Svatizky e Yossi Sassi, saibam que Chen Balbus e Idan Amsalem (estreando em estúdio com a banda) alcançaram um resultado primoroso no trabalho de guitarras, principalmente no que tange aos riffs, simplesmente excelentes. Em relação à parte rítmica, Uri Zelcha (baixo) e Matan Shmuely (bateria) soam simplesmente fabulosos e irrepreensíveis. Os corais foram gravados pelo Hellscore Choir, conduzidos por Noa Gruman, vocalista do Scardust, e as partes orquestrais ficaram por conta da The Orphaned Land’s oriental orchestra. Conseguiram elevar as músicas a um nível absurdo de grandiosidade, mas sem que isso soasse exagerado ou tirasse o peso das mesmas.


De cara já temos a fantástica “The Cave”, hipnótica, complexa, com vocais cativantes, além de ótimos corais e um uso primoroso de cordas e instrumentos típicos. “We Do Not Resist” é um Death Melódico com elementos sinfônicos, bem pesado, com Kobi dando um verdadeiro show nos vocais, já que graças a ele você consegue sentir a raiva emanando da canção. Claro que os demais elementos esperados em uma música do Orphaned Land também se fazem presentes. Tem tudo para se tornar clássica. “In Propaganda” é outra faixa que vai hipnotizar os ouvintes, graças ao seu lado étnico, com ótimas melodias, ao belo trabalho das guitarras e a ótima seção de cordas. E o melhor, não arrefece no peso. Na sequência, a banda dá uma acalmada, com a belíssima e emocionante balada “All Knowing Eye”, e “Yedidi”, adaptação da canção tradicional Yedidi Hashachachta, um poema litúrgico, escrito no século XII pelo rabino Yehuda Halevi. Foge do comum por sua musicalidade diferenciada, e justamente por isso soa cativante. O que falar então da maravilhosa “Chains Fall to Gravity”, que conta com a participação do lendário guitarrista Steve Hackett (Genesis)? Tipicamente progressiva, essa canção beira a perfeição com suas lindas melodias e um solo maravilhoso. Tem um clima épico e uma musicalidade poucas vezes vista em uma canção da banda. Já é clássica.

Como não estão de brincadeira, na sequência já emendam com outro clássico, “Like Orpheus”, cativante, majestosa e com vocais primorosos de  Hansi Kursch (Blind Guardian), que dão uma carga emocional ainda maior a música. “Poets of Prophetic Messianism” soa como esses interlúdios musicais que a banda sempre faz tão bem em seus álbuns, com um ótimo uso de instrumentos típicos e belos corais, além da letra ser retirada de A República, de Platão. “Left Behind” tem ótimos riffs, com um groove de guitarra contagiante, além de um lado oriental bem aflorado. “My Brother's Keeper” é outra com melodias típicas e faz uma espécie de jogo de luz e sombras, enquanto “Take My Hand” se destaca principalmente pelas boas guitarras. Não se deixe enganar pela introdução de “Only the Dead Have Seen the End of War”, pois, ela é uma espécie de retorno as raízes Death da banda, conta com os vocais de Tomas Lindberg e é possivelmente sua canção mais pesada em muito tempo. Encerrando, a linda “The Manifest – Epilogue”, que faz jus ao título, e é um retrato perfeito de tudo que escutamos nas canções anteriores.

"Todos eles pareciam destinados, como por uma maldição, a uma existência desalentadora, mesquinha, limitada. Nenhum deles jamais havia feito alguma coisa. Eram pessoas do tipo que, em todas as atividades imagináveis, mesmo que fosse apenas a de entrar num ônibus, são automaticamente empurradas para fora do centro das coisas"
- George Orwell (1903 – 1950)

A produção ficou a cargo da própria banda, com a gravação e a mixagem realizadas pelo onisciente, onipresente e onipotente Jens Bogren. Já a masterização foi realizada por Tony Lindgren (Angra, Amorphis, Dimmu Borgir, Enslaved, Kreator, Sepultura). O resultado é simplesmente fantástico, uma das melhores produções que escutei esse ano, já que apesar de ter tanta coisa ocorrendo ao mesmo tempo nas canções, você consegue notar cada mínimo detalhe. Já a parte gráfica, belíssima, e que retrata de forma perfeita a música contida no álbum, é obra do francês Metastazis (Jean "Valnoir" Simoulin). Trabalhando um conceito que possui fortíssimas implicações políticas, traçando um paralelo entre governos, mídia, e a lavagem cerebral que transforma a nossa população em zumbis dentro de uma caverna, o Orphaned Land lança muito mais do que um simples álbum. É um grito de indignação, um brado de resistência. Dificilmente Unsung Prophets & Dead Messiahs deixará de ser o álbum de 2018!

NOTA: 96

Orphaned Land é:
- Kobi Farhi (vocal);
- Chen Balbus (guitarra/saz);
- Idan Amsalem (guitarra/bouzouki);
- Uri Zelcha (baixo);
- Matan Shmuely (bateria).

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Amorphis- Queen of Time (2018)


Amorphis- Queen of Time (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Bee
02. Message in the Amber
03. Daughter of Hate
04. The Golden Elk
05. Wrong Direction
06. Heart of the Giant
07. We Accursed
08. Grain of Sand
09. Amongst Stars
10. Pyres on the Coast
11. As Mountains Crumble (Bônus)
12. Brother and Sister (Bônus)

O que fazer quando você chega ao ponto máximo da sua carreira e lança um trabalho que beira a perfeição? Essa é a pergunta que muitos devem ter feito após o Amorphis lançar o magistral Under the Red Cloud (15). Mas então você percebe que essa é a mesma banda que lançou Elegy (96), Tuonela (99) e Eclipse (06), trabalhos que suscitaram o mesmo tipo de questionamento, e que, ainda assim, conseguiu ir além em trabalhos posteriores, sempre se superando em matéria de criatividade e qualidade. Talvez na esperança de seu antecessor não ter sido o auge estivesse a justificativa para a minha ansiedade em escutar Queen of Time, o 13º trabalho de estúdio do sexteto finlandês.

Bem, antes de tudo, vale citar que Queen of Time marca o retorno ao Amorphis do seu baixista original, Olli-Pekka Laine, que havia saído da banda após Tuonela, sendo substituído por Niclas Etelävuori. Com a saída do mesmo ano passado, ele retornou ao seu posto, fazendo com que hoje os finlandeses tenham em sua formação o quarteto original que gravou o debut do grupo, The Karelian Isthmus (92). É algo no mínimo curioso, pois quando você coloca os dois trabalhos frente a frente, eles parecem díspares, por mais que os músicos envolvidos sejam praticamente os mesmos. É como se tivéssemos duas bandas completamente diferentes. Mas sabe o que é mais legal? É que apesar de tudo isso, ambas soam como o Amorphis.

Quem acompanha a carreira dos finlandeses desde o início sabe bem que nunca se acomodaram. O Amorphis é aquela banda que sempre procurou dar um passo à frente no que tange sua sonoridade, transformando radicalmente aquele Death Metal apresentado no debut em uma música que desafia rótulos. Além do já citado estilo, sua música apresenta elementos de Folk, Progressivo, Música Oriental, além de coros e partes sinfônicas. Toda essa diversidade os torna únicos, já que não existe um nome que pareça com eles no cenário atual. A verdade é que só o Amorphis soa como Amorphis, e convenhamos, personalidade musical é coisa cada vez mais rara nos dias de hoje.


Criatividade, eis a palavra-chave para entender Queen of Time. Se você, como eu, achava que Under the Red Cloud havia sido o auge do Amorphis, se prepare para rever seus conceitos, pois aqui eles elevaram ainda mais o nível do sarrafo. Não é exagero dizer que refinaram ainda mais o resultado do trabalho anterior, e um exemplo claro disso se dá quanto aos elementos orquestrais e aos coros. Pela primeira vez utilizaram instrumentos e coral reais, com as orquestrações elaboradas por Francesco Ferrini, do Fleshgod Apocalypse, e os coros pelo Hellscore Choir. Além disso, temos diversas outras participações especias, com destaques para as vocalistas Noa Gruman (Scardust) e Anneke van Giersbergen, Jørgen Munkeby (Shining) e a dupla do Eluveitie, Chrigel Glanzmann (que dessa vez participou de todo álbum) e Matteo Sisti.

Os vocais de Tomi Joutsen, como de praxe, são um diferencial imenso para o resultado do álbum, já que a forma como ele trafega entre o gutural e o limpo é simplesmente incrível. E toda essa parte de vocalização ainda é enriquecida com os belos coros e vocais adicionais femininos que surgem em algumas canções. Aliás, sobre isso, eu não me incomodaria em nada se estivessem presentes em todas, pois se encaixam com perfeição na proposta atual do Amorphis. As guitarras de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari nos entregam ótimos riffs e aquelas melodias inconfundíveis e grudentas, além de claro, bastante peso. Elas são muitíssimo bem acompanhadas pelos teclados de Santeri Kallio, responsável por criar atmosferas incríveis. Sua capacidade criativa deve ser estudada pela ciência. Quanto à parte rítmica, com Olli e Jan, o trabalho se aproxima da perfeição, tamanha a coesão e a diversidade que imprimem.

De cara, já abrem com uma dessas canções destinadas a se tornarem clássicas. “The Bee” é tudo aquilo você espera de uma canção do Amorphis, já que esbanja peso, tem algumas das melodias mais grudentas de todo o álbum, um refrão que fica na sua cabeça por dias e mais dias, atmosferas que remetem ao Oriente e ótimas vocalizações, tanto de Tomi quanto de Noa Gruman, que adiciona alguns vocais adicionais femininos à música e Albert Kuvezin, com alguns cantos harmônicos que ficam de fundo na canção (saca aqueles vocais que você encontra nos álbuns do Tengger Cavalry?). A bateria também está ótima, pesada e precisa. “Message in the Amber” é uma dessas canções onde o lado Folk fala um pouco mais alto, com belas vocalizações limpas de Joutsen, boa utilização de instrumentos de sopro e riffs marcantes. Os coros também ficaram belíssimos, e tem um forte impacto quando surgem. “Daughter of Hate” tem alguns riffs muito bons, e claro, melodias que cativam. Possui peso de sobra, ótimos guturais e em determinado momento, um solo de saxofone, cortesia de Jørgen Munkeby, do Shining. Os coros novamente surgem impactantes aqui.


“The Golden Elk” é outra que já nasceu clássica, e por algum motivo me remeteu a “Sacrifice”, do álbum anterior. Possivelmente a culpa é do refrão cativante e grudento, que já está há semanas na minha cabeça. As belíssimas orquestrações, a participação de Affif Merhej tocando oud (instrumento oriental semelhante ao alaúde) e o vocal feminino adicional de Noa certamente vão remeter o ouvinte ao Orphaned Land. Vale citar que as partes orquestradas do álbum são tocadas pela The Orphaned Land String Orchestra, e que Gruman fez os vocais femininos e cuidou dos arranjos e condução dos coros de Unsung Prophets & Dead Messiahs, último trabalho dos israelenses.“Wrong Direction” é dessas canções bem diretas e que gruda na cabeça, muito disso devido às melodias de guitarras e teclado, que são ótimas. Orquestrações e coros surgem discretamente de fundo, muito bem encaixados. “Heart of the Giant” tem os teclados de Santeri se destacando, ótimo trabalho das guitarras, além de um forte clima oriental e lindos coros que elevam a música a outro patamar. “We Accursed” traz o lado Folk à tona novamente, com elementos orquestrais sendo muitíssimo bem usados. O teclado novamente entrega boas melodias em parceria com as guitarras.

O clima oriental novamente dá as caras na ótima “Grain of Sand”, bem pesada e com uma ótima participação do baixo. O que dizer de “Amongst Stars”? Essa música tem algo de mágico, e isso não se dá apenas pela encantadora participação de Anneke van Giersbergen. Aliás, a respeito disso, é incrível como ela e Joutsen se completam, e como isso acrescenta muito à canção. Sério, dá até para ficar imaginando como seria se ela se tornasse parte do Amorphis. Mas isso é claro, é um desses sonhos completamente improváveis. Os elementos de Folk surgem muito bem em determinado momento, além de a canção possuir uma pegada que remete à fase mais Prog da banda (The Beginning of Times (11) e Circle (13)). Já é clássica! Encerrando a versão padrão do álbum, temos a ótima  “Pyres on the Coast”, que talvez seja o retrato perfeito de tudo que escutamos anteriormente. Ótimos guturais, melodias cativantes oriundas das guitarras e teclados, orquestrações simplesmente grandiosas, belíssimas harmonias e muita energia, apesar da aparente suavidade da canção. Na versão nacional, ainda temos duas faixas bônus que conseguem manter o alto padrão de qualidade do álbum, a belíssima “As Mountains Crumble” e “Brother and Sister”.

A produção mais uma vez ficou por conta do onisciente, onipresente e onipotente Jens Bogren, que a essa altura já dispensa qualquer tipo de apresentação. O seu entrosamento com a banda é tão bom, que eles já deixaram claro que não pretendem trabalhar com outro produtor no futuro. Ele também é o responsável pela mixagem. Já a masterização foi feita por Tony Lindgren (Kreator, Angra, Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost). Não é necessário então falar da qualidade final da produção, pois todos já imaginam. A capa é obra de Jean “Valnoir” Simoulin, o mesmo responsável pela de Under the Red Cloud, e que também trabalhou com nomes como Alcest, Behemoth, Paradise Lost, Morbid Angel e Orphaned Land. Passando longe da previsibilidade dos dias atuais, mais uma vez o Amorphis se mostra um dos nomes mais criativos, originais e fascinantes do cenário metálico atual, e nos entrega com Queen of Time, um fortíssimo candidato a melhor álbum de 2018.

NOTA: 94

Amorphis é:
- Tomi Joutsen (vocal);
- Esa Holopainen (guitarra);
- Tomi Koivusaari (guitarra);
- Olli-Pekka Laine (baixo);
- Jan Rechberger (bateria);
- Santeri Kallio (teclado).

Participações especiais:
- Noa Gruman (vocal adicional nas faixas 1, 2 e 4)
- Albert Kuvezin (Throat singing na faixa 1)
- André Alvinzi (teclados adicionais na faixa 1)
- Pekka Kainulainen (narração na faixa 2)
- Jørgen Munkeby (saxofone na faixa 3)
- Affif Merhej (Oud na faixa 4)
- René Merkelbach (vocal adicional na faixa 9)
- Anneke van Giersbergen (vocal adicional na faixa 9)
- Chrigel Glanzmann (flautas)
- Matteo Sisti (flautas)

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Quintessente - Songs From Celestial Sphere (2017)


Quintessente - Songs From Celestial Sphere (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Belief Of The Mind Slaves
02. Delirium
03. A Sort Of Reverie
04. My Last Oath
05. Essente
06. Eyes Of Forgiveness
07. L'Eternità Offerto
08. Unleash Them
09. Reflections Of Reason
10. Matronæ Gaia (Chapter II)

O single The Belief Of The Mind Slaves (resenha aqui), lançado em 2016, já havia dado pistas que estávamos diante de uma banda diferenciada, já que sua proposta sonora foge do lugar-comum da maioria das bandas nacionais que temos oportunidade de escutar. O que temos aqui é uma interessante e criativa mescla de Death Metal Melódico, Progressivo, Doom, Gothic, Atmospheric, Metal Sinfônico, Black e até mesmo algo daquele Synth Pop oitentista.

Fazer algo tão amplo é arriscado, já que fica muito fácil se perder na falta de foco musical. Mas cabe dizer que no caso do Quintessente não estamos diante de um grupo iniciante, mas sim de uma banda que, entre idas e vindas, já está na estrada desde 1994. E no final essa experiência conta muito, já que o quinteto formado por André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Luiz Fernando de Paula (baixo), Cristina Müller (teclado e vocal) e Léo Birigui (bateria) faz uma música não só dificil de rotular, como também capaz de despertar sentimentos diversos no ouvinte.

Uma das coisas que muito me chamou a atenção foi a diversidade vocal que encontramos em todo trabalho. André Carvalho consegue ir desde vocais mais suaves até o gutural, passando pelo rasgado, tudo com uma naturalidade absurda. Os vocais femininos da tecladista Cristina Müller, quando surgem, também se destacam pela qualidade. Por sinal, o teclado foi outro aspecto de destaque. Ele se faz muito presente em todas as canções, sendo que em muitas é o fio condutor da mesma, mas sem cometer exageros e dando um ar pomposo às canções. O trabalho de guitarra também é muito bom, assim como a parte rítmica mostra muito peso e versatilidade.

O álbum abre com a já conhecida “The Belief Of The Mind Slaves”, faixa que resume bem o que é a sonoridade da banda. Ótimas melodias, passagens mais rápidas se alternando com outras mais atmosféricas, um refrão marcante e grande diversidade vocal. “Delirium” mantem a mesma pegada da abertura, soando bem agressiva, enquanto “A Sort Of Reverie” é um Death/Doom dos bons, bem arrastado, com ótimas linhas de teclado e belo trabalho vocal. “My Last Oath” é outra onde o trabalho de Cristina se destaca, além de possuir ótimas guitarras, e o Doom “Essente” fecha a primeira metade do trabalho de forma belíssima, com um ótimo dueto vocal e melodias que se destacam.


O álbum tem sequência com a pesada e agressiva “Eyes Of Forgiveness”, que possui um certo clima de introspecção. A épica “L'Eternità Offerto” mescla boas melodias com Black, Doom e Metal Sinfônico, além de ter uma parte rítmica de destaque, e “Unleash Them” surpreende pelas influências de Synth Pop oitentista e Gótico, soando como uma mistura do Depeche Mode com o Sisters of Mercy. É sem dúvida um dos momentos mais legais de toda a obra. Na sequência final, temos “Reflections Of Reason”, com boa mescla de agressividade e melodia, além de possuir bons riffs, e a arrastada “Matronæ Gaia (Chapter II)”, um Doom com toques Góticos e belo solo de teclado, além de ter boa diversidade vocal.

Gravado no Kolera Studio, o álbum teve produção, mixagem e masterização realizados por Celo Oliveira, com um resultado muito bom. Deixou tudo claro, audível, mas com uma pitada de crueza saudável e comedida, que caiu muito bem aqui. Já a bela parte gráfica do CD foi obra de Marcus Lorenzet (Artspell), e combinou perfeitamente com todo o clima criado pelo mesmo. Mostrando personalidade e uma música difícil de se rotular, o Quintessente lançou um dos grandes álbuns do Metal nacional nesse ano de 2017. Uma banda que realmente vale a pena conhecer.

NOTA: 8,5

Quintessente é:
- André Carvalho (vocal);
- Cristiano Dias (guitarra);
- Luiz Fernando de Paula (baixo);
- Cristina Müller (teclado e vocal),
- Léo Birigui (bateria).

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Quintessente - The Belief Of The Mind Slaves (2016) (Single)


Quintessente - The Belief Of The Mind Slaves (2016) (Single)
(Independente - Nacional)


01- The Belief Of The Mind Slaves
02- Matronæ Gaia (bonus track)

Ter uma banda de Metal no Brasil nunca foi fácil, já que as pedras que se encontram pelo caminho são muitas. Surgido no Rio de Janeiro em 1994, com o nome de Quintessence, o grupo carioca lançou duas demos, The Mask of Dead Innocence (96) e Lonely Seas of a Dreamer (00) e depois entraram em um longo hiato de lançamentos. Em 2015, optaram por fazer uma pequena alteração no nome e agora, finalmente, estão preparando seu álbum de estreia. Mas antes disso, resolveram soltar esse single, para preparar o terreno.

Chama a atenção, positivamente, a sonoridade adotada pelo Quintessente. Ao contrário de boa parte dos nomes que surgem no nosso cenário, que optam por se enveredar por estilos mais tradicionais, o quinteto formado por André Carvalho (vocal), Cristina Müller (teclado/vocal), Cristiano Dias (guitarra), Henrique Bessa (baixo) e Mark Souza (bateria), resolveu apostar em um Death Metal Progressivo, totalmente atual, ao qual adicionam outras influências diversas, de estilos como Gothic, Doom e Metal Tradicional.

Os vocais de André se destacam pela variedade, e ele se sai bem tanto cantando de forma agressiva como mais limpa. Cristina Müller é cirúrgica, tanto nos seus vocais, quanto no teclado, que possui ótimas linhas e é responsável por dar um ar sinfônico à banda. Já Cristiano Dias se sai muito bem na guitarra, despejando bons riffs e melodias, enquanto a dupla Henrique Bessa/Mark Souza, forma uma parte rítmica que esbanja técnica e peso. Indiscutivelmente, “The Belief Of The Mind Slaves” é uma grande música. Os arranjos são ótimos e em muitos momentos, me remeteram à fase atual do Amorphis. A energia que ela emana é incrível e cumpre bem a tarefa de nos deixar ansiosos pelo debut. Já “Matronæ Gaia” é uma faixa tirada da demo Lonely Seas of a Dreamer, e aqui podemos ver o quanto a banda evoluiu sua proposta de 2000 para cá. È uma música que pende mais para o Doom, mas nela já podemos perceber a base da atual sonoridade do Quintessente.



A produção fico por conta de Celo Oliveira e da própria banda, sendo que o primeiro também realizou a mixagem e masterização do mesmo, tudo no Kolera Studio. O resultado final é bom, já que os instrumentos estão bem timbrados, além de claros, audíveis e pesados. Um pouco menos de crueza pode ajudar ainda mais o som do quinteto. De resto, é esperar pelo lançamento do seu debut, programado para esse ano de 2017 e torcer para que tenha a mesma qualidade do que escutamos aqui.

NOTA: 8,0

Quintessente é:
- André Carvalho (vocal);
- Cristiano Dias (guitarra);
- Henrique Bessa (baixo);
- Cristina Müller (teclado e vocal),
- Mark Souza (bateria).

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Witherscape - The Northern Sanctuary (2016)


Witherscape - The Northern Sanctuary (2016)
(Century Media - Importado)


01. Wake of Infinity
02. In the Eyes of Idols
03. Rapture Ballet
04. The Examiner
05. Marionette
06. Divinity
07. God of Ruin
08. The Northern Sanctuary
09. Vila I Frid

Antes de tudo, #DanSwanöGênio.

Sucessor do ótimo The Inheritance (13), as primeiras pistas sobre o rumo que seria tomado em The Northern Sanctuary foram dadas por Dan e Ragnar Widerberg (Shadowquest, Witchcraft) no EP de 2014, The New Tomorrow. Ali, em sua única faixa inédita, escutávamos algo que caminhava mais na linha do Opeth, deixando um pouco as influências de Classic Rock setentista de lado. E bem, podemos dizer que tal pista não era de todo errada.

Sim, realmente temos bastante de Opeth aqui, principalmente de sua fase inicial. O apelo mais setentista também ficou um pouco para trás, sendo substituída por uma sonoridade que remete ao Metal dos anos 80. Já o Death Metal com apelo mais melódico e o Progressivo continuam sendo a base do som praticado pelo Witherscape. Tente imaginar uma mescla do Edge Of Sanity com Opeth, com algo daquela sonoridade adotada por Dan em outro projeto seu, o Nightingale e até mesmo um pouco de King Diamond e Rock Progressivo aqui e ali. Conseguiu? Não? Pois é, só escutando para entender o brilhantismo de tal mistura.

O primeiro grande destaque deve ser dado aos vocais de Swanö. Variando os mesmos de forma brilhante entre o gutural, o rasgado e o limpo, consegue imprimir uma dinâmica incrível ao mesmo, com direito a melodias bem marcantes. Escute por exemplo a ótima faixa de abertura, “Wake Of Infinity” ou a “balada” “Marionette”, bem pesada e com um pé no Gothic/Doom e entenderá. Aliás, vale dizer que os vocais limpos são usados com moderação e de forma muito equilibrada. Já Ragnar fez um trabalho fenomenal nas guitarras. O cara esbanja peso e imprime melodias realmente cativantes. Bons exemplos disso podem ser encontrados em “In the Eyes of Idols”, que mescla muito bem Rock com Death Melódico, com algo de King Diamond nas guitarras e “Rapture Ballet”, com um riff para lá de marcante, além de ser outra com melodias vocais bem legais. Mas o grande destaque do álbum fica realmente com a faixa título. Com quase 14 minutos de duração, Dan e Ragnar dão uma aula de como mesclar Death, Doom e Progressivo. Ela é a personificação perfeita daquela descrição que dei logo no início da resenha. Agressiva, progressiva, altamente emocional, é uma verdadeira montanha russa e mostra toda a personalidade contida na sonoridade da dupla.

A gravação foi dividida em 3 estúdios, Unisound (bateria, teclado e vocal), Studio Finesse (guitarra, baixo e teclado) e Grandvägen 26 (guitarra e baixo de “Marionette”), com todo o trabalho de produção, mixagem e masterização tendo ficado a cargo de Dan Swanö. Conhecendo seu trabalho, é meio desnecessário descrever o resultado. Já a arte da capa foi obra de Gyula Havancsák (Destruction, Grave Digger, Annihilator, Stratovarius), sendo uma das melhores de 2016 até o momento. Vale destacar que todas as letras foram escritas por Paul Kuhr, vocalista do November Doom.

Soando ainda mais inspirados e confiantes nos rumos a serem tomados que no debut, Dan e Ragnar nos entregam um dos melhores álbuns de Metal desse ano de 2016. E levando em conta o talento mostrado aqui, não parece existir limite para a música do Witherscape.

NOTA: 9,0

Witherscape é:
- Dan Swanö (vocal, teclado, bateria)
- Ragnar Widerberg (guitarra, baixo)

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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Fallujah - Dreamless (2016)


Fallujah - Dreamless (2016)
(Nuclear Blast - Importado)

01 Face Of Death
02 Adrenaline
03 The Void Alone
04 Abandon
05 Scar Queen
06 Dreamless
07 The Prodigal Son
08 Amber Gaze
09 Fidelio
10 Wind For Wings
11 Les Silences
12 Lacuna

Existem bandas que criam um estilo todo seu e durante toda a carreira repetem o mesmo, lançamento após lançamento, sempre com ótimos resultados. Existem também aquelas que mesmo possuindo uma identidade, depois de um tempo procuram novas saídas para sua música, quando tal fórmula se desgasta. Já a maioria das bandas, procura seguir alguma fórmula que deu certo e fazer sua música sem invenções, focando assim em uma parcela específica do público.

Mas vejam só, existem aqueles casos raros de bandas que, a cada lançamento, procuram se reinventar, sempre buscando novos limites para sua música e se desafiando assim do ponto de vista artístico. Esse é o caso dos americanos do Fallujah. The Flesh Prevails (14), seu trabalho anterior, já apresentava avanços quando comparado com seu debut, The Harvest Wombs (11) e o mesmo ocorre se o colocarmos frente a frente com seu novo álbum, Dreamless.

O que começou com algo que se aproximava mais do Deathcore, tomou um novo rumo, seguindo para o lado de um Death Metal muito técnico, com tendências Progressivas e Ambient que davam um diferencial bem interessante ao grupo. Em Dreamless, o Fallujah mergulha ainda mais fundo nesse lado Progressivo/Ambient, adicionando a isso alguns elementos eletrônicos, o que certamente não irá agradar aos fãs mais ortodoxos de Death, mas agradará em cheio aqueles mais afeitos a experimentações.

Impressiona-me a forma como conseguem aliar peso, brutalidade e delicadeza em sua música. Os guturais de Alex Hofmann estão lá, presentes, fazendo o elo com as raízes do Fallujah, assim como riffs agressivos, parte rítmica técnica, com um baixo forte e imponente e uma bateria simplesmente destruidora (méritos para Robert Morey e Andrew Baird). Mas ao mesmo tempo, temos belos vocais femininos que surgem em algumas canções e que fazem um contraponto muito legal com os vocais de Alex, dando uma dinâmica muito legal ao trabalho vocal apresentado. Podemos escutar também as guitarras imprimindo belas melodias atmosféricas, em um trabalho fenomenal da dupla Scott Carstairs e Brian James, hoje entre as principais do Metal atual.

Tudo isso citado logo acima acaba por gerar uma música que certamente não é de fácil digestão, mas ainda sim de um primor ímpar. Os elementos eletrônicos presentes em alguns momentos podem vir a incomodar alguns, mas em nada comprometem o resultado final das canções. Aponto como minhas faixas preferidas “Adrenaline”, “Abandon”, “Scar Queen”, “Dreamless”, “Amber Gaze”, “Wind For Wings” e “Lacuna”.

A produção, com gravação a cargo de Zack Ohren (Carnifex, All Shall Perish, Immolation), mixagem e masterização de Mark Lewis (Cannibal Corpse, Carnifex, Trivium, Kataklysm, The Black Dahlia Murder), está excelente. Tudo claro, cristalino, agressivo e pesado, como deve ser. Já a capa é um belo trabalho de Peter Mohrbacher, estando entre as mais belas de 2016. Dreamless também contou com as participações especiais das vocalistas Tori Letzler e Katie Thompson (Chiasma), do vocalista Mike Semesky (Intervals, Ordinance, ex-The HAARP Machine) e do guitarrista Tymon Kruidenier (Exivious, ex-Cynic), o que enriqueceu ainda mais o resultado final. Há um tempo atrás, li alguém definindo o Fallujah como “muito mais que uma simples banda de Death Metal”. E bem, após escutar Dreamless, nem tem como discordar de tal afirmativa.

Coeso, criativo, altamente técnico e equilibrando brutalidade e beleza, mais uma vez o Fallujah recusa-se a se repetir, fazendo de Dreamless, um dos melhores álbuns que escutei até o momento nesse ano de 2016.

NOTA: 9,0

Fallujah é:
- Alex Hofmann (vocal)
- Scott Carstairs (guitarra)
- Brian James (guitarra)
- Robert Morey (baixo)
- Andrew Baird (bateria)

Participações especiais:
- Tori Letzler (faixas 3, 6 e 7)
- Katie Thompson (faixas 4, 6 e 12)
- Mike Semesky (faixa 10)
- Tymon Kruidenier (guitarra solo na faixa 6)

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Deadpan – In Aliens We Trust (2015) (EP)




Deadpan – In Aliens We Trust (2015) (EP)
(Independente – Nacional)

01. A Mature Song
02. Unmasked Living
03. In Aliens We Trust
04. Life Olympic Games
05. Standard
06. Two Faces

Como diria Fox Mulder, a verdade está lá fora! Imagino que Gustavo Novloski (Vocal/Guitarra), André Barreto (Baixo, substituído recentemente por Anderson Biko) e Igor Thiesen (Bateria), os nomes por de trás do Deadpan, banda catarinense formada em 2011, também acreditem em tal afirmativa, já que o conceito lírico de seu EP de estréia é no mínimo interessante e foge do lugar comum que vemos por ai.

Imagine um extraterrestre aparecendo por esses lados. Ele então começa a observar nossa sociedade, dialogando com um humano e tecendo considerações e questionamentos a respeito de tudo que vê. Pois essa é a temática de In Aliens We Trust, quem vem embalado por um Death Metal muito técnico e bem trabalhado (aquilo que alguns hoje rotulam como Death Metal Progressivo). Apesar da complexidade de algumas passagens e de boas melodias, o trio em momento algum abre mão do peso, da agressividade e da brutalidade em sua música, até porque convenhamos, isso é Death Metal e não pode ser diferente disso. Então tome vocais ríspidos, uma guitarra que despeja riffs absurdamente pesados e uma parte rítmica que não só se mostra muito técnica, como consegue dar grande diversidade aos 6 temas presentes no EP. O trabalho é muito bem equilibrado e nada aqui soa deslocado, mas os maiores destaques ficam por conta da trinca “In Aliens We Trust”, “Life Olympic Games” (que ganhou um vídeo) e “Standard”.

O EP foi produzido por Julio Miotto (Third Ear) e a qualidade se mostra acima da média que vemos por ai. Já a arte da capa é uma obra de Bridon. Apresentando uma música coesa, equilibrada e acima de tudo pesada, o Deadpan estréia com o pé direito e mostra que está pronto para seu debut. Então pegue sua coleção completa de Arquivo X, coloque o Deadpan de trilha sonora e divirta-se. A verdade está lá fora? Bem, pode até estar, mas esse Death Metal técnico e de qualidade está lá em Florianópolis!

NOTA: 8,5

Deadpan é:

- Gustavo Novloski (Vocal e Guitara)
- Anderson Biko (Baixo)
- Igor Thiesen (Bateria)