Mostrando postagens com marcador Death/Grind. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Death/Grind. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)


Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)
(Metal Blade Records - Importado)


01. Anthropogenic: End Transmission
02. The Geocide
03. Be Still Our Bleeding Hearts
04. Vulturous
05. The Great Dying
06. One Day Closer to the End of the World
07. Bring Back the Plague
08. Absolute Destitute
09. The Great Dying II
10. Finish Them
11. With All Disrespect
12. Time's Cruel Curtain
13. The Unerasable Past
14. Death Atlas

A caminhada do Cattle Decapitation rumo ao posto de um dos maiores nomes do Metal Extremo de todos os tempos foi longa, e teve início 20 anos atrás, com o lançamento do EP Human Jerky. A verdade é que obstante a qualidade, nada ali indicava que aquela banda, surgida 3 anos antes no estado da Califórnia, Estados Unidos, se tornaria essa força da natureza que temos hoje. Os primeiros indícios disso só surgiram em seu 3º álbum, Humanure (04), onde finalmente deixaram de ser aquela banda curiosa, formada apenas por vegetarianos, e começaram a despertar a atenção real dos amantes de música pesada. Seu lançamento seguinte, Karma Bloody Karma (06), manteve esse viés de crescimento, mas foi com o ótimo The Harvest Floor (09), que consolidaram e aprimoraram de vez sua sonoridade.

O passo seguinte foi o monstruoso e quase perfeito Monolith of Inhumanity (12), quando pareciam ter chegado ao auge, impressão essa que foi por terra com o magnífico The Anthropocene Extinction (15), um trabalho obrigatório para qualquer um que se diga fã de Death Metal. Sendo assim, não preciso dizer que a ansiedade pelo lançamento de Death Atlas, seu 8º álbum de estúdio, era imensa. A pergunta era uma só: o Cattle Decapitation conseguiria manter um nível tão alto de inspiração, após duas obras-primas? Aqui temos a resposta. De cara, chama a atenção a estreia de 2 novos membros, o baixista Olivier Pinard, que substituiu Derek Engemann, e a inclusão de um segundo guitarrista, Belisario Dimuzio. Sim amigos, Josh Elmore agora tem companhia na usina de riffs da banda, o que acabou por deixar as canções mais densas, ainda que as duas guitarras não tenham sido efetivamente exploradas, abrindo espaço para um crescimento futuro.


Antes de tudo, faz-se necessário deixar claro que temos em Death Atlas um sucessor digno dos dois álbuns anteriores. Em linhas gerais, podemos dizer que ele não é inovador para a banda, como foi Monolith, e nem possui o frescor de The Anthropocene, mas ainda sim alcança o altíssimo nível de qualidade apresentado anteriormente. O Cattle continua desafiando limitações de gênero, mesclando seu Death Metal altamente técnico com elementos de Grindcore, Black, Deathcore e Doom, enriquecendo sua música e gerando uma sonoridade variada. Os elementos progressivos incorporados nos trabalhos anteriores continuam presentes e bem evidentes, assim como as melodias, que surgem em maior quantidade, mas tudo isso sem que precisem abrir mão da sua brutalidade característica. Partes mais velozes, herança dos primórdios Grindcore, se equilibram bem com momentos mais cadenciados, o que ajuda demais no ar sombrio e nas atmosferas perturbadoras presentes durante toda a audição.

Individualmente, todos ganham espaço para mostrar suas qualidades. Travis Ryan continua um vocalista monstruoso, e o nível de intensidade que atinge beira o absurdo. A variação vocal existente no trabalho é muito grande, atingindo um espectro vocal bem amplo. Alguns podem se incomodar com uma presença maior de vocais limpos e semi-limpos, mas isso não é nada que chegue a comprometer o resultado, pois mesmo nessas passagens, sua voz soa ameaçadora. Nas guitarras, como dito, a entrada de Derek Engemann deixou tudo mais denso, e Josh Elmore continua sendo aquela máquina de produzir riffs afiadíssimos e abrasivos. Verdadeiros moedores de tímpanos. Na parte rítmica, o estreante Olivier Pinard se sai muito bem, mostrando técnica e precisão, enquanto David McGraw mostra seu já conhecido poder de destruição. O que esse cara faz é desumano, e de uma ferocidade sem par. Muito da fúria do Cattle Decapitation hoje, pode e deve ser colocada na sua conta. Um monstro!

Após uma breve introdução, com “Anthropogenic: End Transmission”, onde transmissões em diversas línguas – incluindo o português –, deixa claro todo o apocalipse vindouro, os falantes explodem em fúria com a impiedosa “Geocide”, uma verdadeira carnificina em forma de música, que brada que o fim da humanidade está próximo. “Be Still Our Bleeding Hearts” mantém a pegada, esbanjando técnica e riffs assassinos, sendo seguida pela corrosiva “Vulturous”, um Death Metal agressivo e de bom groove. “The Great Dying” soa quase como uma vinheta atmosférica, onde uma voz robótica alerta para o fato da humanidade estar se condenando a extinção. “One Day Closer to the End of the World” é uma das melhores canções já elaboradas pela banda, e não é menos que fantástica, e no meio de toda a sua fúria e groove, pergunta: “O que fizemos a nós mesmos?”


A pandêmica e negra “Bring Back the Plague” chega exterminando tudo com seus ótimos riffs e belo trabalho vocal, enquanto a intensa e avassaladora “Absolute Destitute” traz elementos oriundos do Black Metal, algumas boas melodias e um clima sombrio. Após um breve alívio, com a instrumental “The Great Dying II”, a pancadaria desenfreada retorna com “Finish Them”, que remete o ouvinte aos trabalhos mais recentes do Cannibal Corpse. “With All Disrespect” é outro momento simplesmente avassalador, com seus toques de Black salpicados aqui e ali; “Time's Cruel Curtain” se mostra bem variada, e poderia estar em The Anthropocene Extinction, e a atmosférica “The Unerasable Past” soa como uma vinheta, um descanso que prepara para o ponto alto do álbum, a magistral “Death Atlas”. Transbordando angústia, ela traz em si, um resumo do que é a música do Cattle Decapitation hoje: veloz, pesada, variada, sombria, carregada de riffs abrasivos e vocais viscerais. O encerramento perfeito, a trilha sonora para o Antropoceno que está por vir.

Mais uma vez o álbum foi produzido, mixado e masterizado por David Otero (Cephalic Carnage, Khemmis, Skinless, Visigoth), com resultados não menos do que ótimos. A verdade é que Otero consegue captar o som do Cattle como poucos, e deixar tudo claro, limpo, com cada detalhe audível, mas sem tirar o peso, a agressividade e a fúria da banda. A capa, uma das mais bonitas que você verá em 2019, ficou mais uma vez a cargo de Wes Benscoter, algo que ocorre desde To Serve Man (02). Death Atlas é melhor que seus antecessores? Parafraseando uma famosa atriz brasileira, não sou capaz de opinar. Essa é uma resposta muito pessoal, que certamente vai variar de ouvinte para ouvinte, afinal, a forma como a música atinge as pessoas, é muito subjetiva, mas uma coisa afirmo sem medo: Death Atlas é o melhor álbum do ano!

NOTA: 94

Cattle Decapitation é:
- Travis Ryan (vocal);
- Josh Elmore (guitarra);
- Belisario Dimuzio (guitarra);
- Olivier Pinard (baixo);
- David McGraw (bateria).

Particpações Especiais:
- Riccardo Conforti (bateria, teclado e samples na faixa 1)
- Jon Fishman (narração na faixa 13)
- Dis Pater (bateria e teclado na faixa 13)
- Laure Le Prunenec (vocais adicionais na faixa 14)

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube
Spotify



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Facada - Quebrante (2018)



Facada - Quebrante (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Deixa O Caos Entrar
02. Nós Somos O Veneno
03. Apenas Mais Um Igual A Mim
04. O Pior De Todos
05. A Farsa: Nojo
06. Tudo Me Faltará
07. Vogelfrei
08. Quebrante
09. A Maldição Da Rede
10. Estão Esperando Seu Erro
11. Sumir
12. Tiro No Caixão
13. A Vitória Da Diva
14. Há Honra (?)
15. Eu Sei Como É Morrer
16. Putrescina
17. A Verdade Gera O Ódio
18. Pervitin
19. Blasfema Eu
20. Feliz Ano Novo
21. A Vida É Uma Armadilha
22. Ele Não Voltará
8,0 23. Miss Distopia

Quem não conhece o Facada, bom sujeito não é, ou talvez apenas seja um cidadão de bem, defensor da moral, da família e dos bons costumes. A questão é que a banda cearense é sem dúvida uma das melhores formações de Metal Extremo de todo mundo, sendo sua discografia obrigatória para qualquer fã de Grindcore que se preze. Caso você não os conheça, saiba que a banda forma por James (vocal/baixo), Danyel (guitarra), Ari (guitarra) e Dangelo (bateria) surgiu no ano de 2003, tendo lançado 3 álbuns completos antes de Quebrante, Indigesto (06), O Joio (10) e Nadir (13).

Após um hiato de 5 anos, finalmente retornam nos oferecendo uma singela coleção de 23 temas que são uma verdadeira ode ao extremismo musical.  Suas músicas retratam a realidade decadente e podre de nossa sociedade, retratando todo o egoísmo e falsidade, com fortes críticas políticas e sociais, e uma certa dose de niilismo aqui e ali. Os vocais de James continuam esbanjando insanidade e são um dos destaques aqui. As guitarras de Ari e Danyel também não ficam atrás, com alguns dos melhores riffs da carreira da banda. Quanto a Dangelo, o cara prova porque é um dos melhores bateristas desse país. O que ele faz em Quebrante é absurdo, com uma velocidade e precisão dignas de aplausos. 


Em Nadir, era nítida a influência de Crust e até mesmo Black Metal (James, Danyel e Dangelo participam de duas bandas voltadas para o estilo, o Godtoth e o Monge) na música do quarteto. Em Quebrante, seguem essa mesma linha, mas conseguindo soar ainda mais brutais, se é que isso pode ser possível. Todas as 23 faixas aqui presentes possuem um alto nível de qualidade, mas como ficaria extenso falar de cada uma, vou apontar as minhas preferidas. A sequência que se segue à abertura, com a insana “Nós Somos o Veneno”, a odiosa “Apenas Mais um Igual a Mim”, a veloz e bruta “O Pior de Todos”, e “A Farsa: Nojo”, é um verdadeiro murro no meio da cara do ouvinte. “Quebrante” é simplesmente destruidora, e “A Maldição da Rede” tem ótimas influências de Punk/Crust. “Há Honra (?)” vai te fazer sair batendo cabeça pela sala, enquanto “A Verdade Gera o Ódio” é uma verdadeira avalanche de brutalidade. A agressiva “Feliz Ano Novo” conta com os vocais de Zé Misanthrope (ex-Omfalos), o que acaba deixando tudo ainda mais insano. “A Vida é uma Armadilha” é outra que conta com uma participação especial, no caso, do saudoso Fabiano Penna, que faz o solo da música. Só por isso ela já valeria a pena.

Gravado entre 2014 e 2018, afinal, fazer música extrema no Brasil nunca vai ser uma tarefa das mais fáceis, Quebrante teve sua mixagem e masterização novamente feitas pelo sueco William Blackmoon. O que temos é exatamente o que se espera de uma produção de Grind, ou seja, aquela dose de sujeira e muita agressividade, mas ainda sim, tudo audível. Já a bela capa é obra de Nelson Oliveira. Mais uma vez o Facada se supera, e presenteia a todos com um dos melhores álbuns de Metal de 2018, uma verdadeira aula de como fazer Grindcore. Um retrato do nosso país em forma de música. O Cd pode ser adquirido através do e-mail store@blackholeprods.com.

NOTA: 90

Facada é:
- James (vocal/baixo);
- Ari (guitarra);
- Danyel (guitarra);
- Dangelo (bateria).

Facebook

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)


Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Privilege Walls
02. It´s Not Your Business
03. Save Us From Ourselves
04. Black Blood
05. Blessed By Money
06. Bridges To a New Dawn
07. Corrosion
08. Binary Collapse
09. Exist And Resist

Para quem desconhece, o Desalmado surgiu no ano de 2004, e desde então vem construindo uma carreira muito sólida dentro do cenário do Grindcore nacional. A estreia se deu com o EP Hereditas (08), sendo acompanhado pelo seu debut, Desalmado (12), por um novo EP, Estado Escravo (14), e um split com o Homicide, In Grind We Trust (16). Save Us From Ourselves é seu segundo trabalho completo de estúdio, e o primeiro em que optam por cantar em inglês, mostrando uma maior ambição do quarteto quanto a levar sua forte mensagem ao maior número de pessoas mundo afora.

Musicalmente falando, seu Grindcore sempre recebeu muitas influências de outros estilos, o que deu à banda uma personalidade que a diferenciou da maioria de suas parceiras do cenário nacional. Já em Save Us From Ourselves podemos enxergar uma banda ainda mais madura, mas sem perder seu lado agressivo e odioso. As canções estão melhores trabalhadas e mais coesas, e trafegam com muita naturalidade entre diversos estilos. Aqui você tem momentos de Death Metal, Grind, Hardcore, Thrash/Groove e Black Metal, tudo coexistindo perfeitamente e gerando uma música absurdamente pesada e bruta. O Desalmado foge do lugar-comum e acaba acertando em cheio no alvo. Vale citar as letras, que felizmente destoam por completo dessa onda conservadora que a cada dia toma mais conta do Metal no Brasil.


É difícil imaginar uma forma melhor de abrir o álbum do que com “Privilege Walls”, uma bicuda no pé do ouvido, simplesmente destruidora. Na sequência temos a direta e empolgante “It´s Not Your Business” e  “Save Us From Ourselves”, que alterna passagens mais velozes com outras cadenciadas e possui ótimo groove. Essa alternância, por sinal, surge em outros momentos do álbum e faz muito bem à sonoridade do Desalmado.  “Black Blood” é outra que vai direto ao ponto, devastando tudo pelo caminho. As agressivas “Blessed By Money” e  “Bridges To a New Dawn” também apostam na diversidade, e brilham nas partes com mais cadência. Ao lado da faixa título, são as melhores de todo o trabalho. “Corrosion” é uma verdadeira pedrada, veloz e brutal, e  “Binary Collapse” é o que podemos chamar de massacre em forma de música. “Exist And Resist” encerra o álbum de forma brutal e opressiva, graças às passagens cadenciadas.

Gravado no Family Mob Studio (São Paulo/SP), o álbum foi produzido pela banda e por Hugo Silva, que também foi o responsável pela mixagem. O resultado final é simplesmente excelente, com uma produção de ponta que não fica devendo nada às bandas lá de fora. Já a capa foi obra de Jeca Paul e reflete com perfeição o conteúdo musical e lírico do trabalho. Com um som técnico, coeso, bem trabalhado, mas que não abre mão de ser brutal e absurdamente pesado, o Desalmado mostra estar em seu melhor momento, e melhor, com potencial para ir muito mais além. Curte nomes como Napalm Death, Entombed, Extreme Noise Terror e afins? Está aqui um trabalho mais do que indicado para você.

NOTA: 8,5

Desalmado é:
- Caio Augusttus (vocal);
- Estevam Romera (guitarra);
- Bruno Leandro (baixo);
- Ricardo Nutzmann (bateria).

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram
Bandcamp


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Trator BR - Floresta Armada (2015)




Trator BR - Floresta Armada (2015)
(Independente – Nacional)

01. Trucidado Com Colher
02. Fome Animal
03. Mortos Em Uma Caixa Sistemática
04. Water’s War
05. Floresta Armada
06. Já é Jacaré
07. P.Q.P
08. Megera Do Inferno
09. C.O.R.R.U.P.I.Ç.Ã.O.
10. 11 Ferroadas
11. Jazz No Maligno

O maravilhoso mundo do Metal extremo nacional e suas bandas talentosíssimas. Decididamente nossa capacidade de gerar bandas de qualidade nessas vertentes é algo incrível. Surgido em 2001, na cidade de Bauru/SP, o Trator BR já havia chamado a atenção com seu debut de 2007, Verde Amarelo Azul e Preto, obtendo boa aceitação na mídia especializada e entre os fãs de música extrema.

A aposta é em uma mescla bem interessante de Death, Thrash, Grind e Hardcore, com nítidas influências de nomes como Napalm Death, Morbid Angel, Cannibal Corpse, Ratos de Porão, Carcass e Slayer. Mas veja bem, falo de influência e não xerox puro e simples, já que o Trator da uma cara sua as músicas que executa. As letras em português são bem diretas, indo desde temas sérios (preservação da natureza), passando por críticas político/sociais e terminando em algo mais splatter (vide, por exemplo, a letra de “Fome Animal”) e em alguns casos podem soar um tanto controversas.

Como não poderia deixar de ser, pela mescla de influências do Trator, sua música é bem direta e reta, sem espaço para singelezas. É porradaria do primeiro ao último segundo de Floresta Armada, com riffs agressivos, violentos, vocais brutais e uma parte rítmica absurdamente pesada. Apostando na maior parte do tempo na velocidade, adicionam aqui e ali partes mais cadenciadas, para dar uma quebrada e diversificada no trabalho, evitando assim que tudo se torne repetitivo. O resultado disso são 11 músicas em menos de 30 minutos, um verdadeiro arregaço sonoro. Destaques para “Trucidado Com Colher”, “Fome Animal”, “Water’s War”, “Floresta Armada”, “Já é Jacaré” (bem Hardcore), “C.O.R.R.U.P.I.Ç.Ã.O.” (um puta Death/Grind) e “11 Ferroadas”.

A produção é condizente com a linha adotada pela banda, tendo deixado todos os instrumentos audíveis, mas com a aspereza e brutalidade que a música precisa, sendo de responsabilidade da banda e de Thiago Hospede (Worst). A capa, obra de Sandro Nunes, retrata bem o conteúdo do trabalho. Apresentando uma musica violenta, ríspida e brutal, o Trator BR dá uma verdadeira aula de extremismo e colocando Floresta Armada entre os melhores lançamentos nacionais de 2015. Se tiver ouvidos delicados, passe longe, pois esse não é um trabalho indicado para pessoas sensíveis!

NOTA: 8,5

Trator BR é:

- Luis Felipe “Satã BR” Salazar (Vocal)
- Ricardo Razuk (Guitarra)
- Amil Mauad (Guitarra)
- Adriano Vilela (Baixo)
- Rafael “Verme BR” Graziani (Bateria)






segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Cattle Decapitation - The Anthropocene Extinction (2015)




Cattle Decapitation - The Anthropocene Extinction (2015)
(Metal Blade Records – Importado)

1. Manufactured Extinct
2. The Prophets of Loss
3. Plagueborne
4. Clandestine Ways (Krokodil Rot)
5. Circo Inhumanitas
6. The Burden Of Seven Billion
7. Mammals In Babylon
8. Mutual Assured Destruction
9. Not Suitable For Life
10. Apex Blasphemy
11. Ave Exitium
12. Pacific Grim

Quando surgiu com o EP Homovore (99), por mais que tivesse qualidade, o Cattle Decapitation chamava muito mais a atenção por seu uma banda totalmente formada por vegetarianos do que pela música em si. O tempo foi passando, os lançamentos se acumulando e sua sonoridade foi sendo cada vez mais aprimorada. O resultado disso pode começar a ser visto em seus dois últimos álbuns, o ótimo The Harvest Floor (09) e o espetacular Monolith of Inhumanity (12), onde levaram seu Death/Grind Progressivo a um nível muito acima da concorrência.

Depois de beirar a perfeição em seu trabalho anterior, não preciso afirmar que a expectativa por esse álbum era imensa. Como conseguir manter a qualidade quando se chega a um nível tão alto? Pois bem, a resposta é The Anthropocene Extinction. Sim amiguinhos, os caras conseguiram o que parecia impossível e lançaram um álbum superior ao Monolith of Inhumanity. Aliás, aqui continuam do ponto onde pararam neste, dando um passo além na evolução de seu som. Sei que a palavra evolução causa arrepios na maior parte dos fãs de Metal, já que normalmente é utilizada para justificar mudanças para pior, mas aqui isso significa um flerte discreto com estilos como Black Metal ou até mesmo Doom, por mais que o foco na maior parte do tempo seja a velocidade. Também é possível notar um pequeno avanço das melodias, principalmente nos vocais de Travis Ryan, que continuam bem variados, indo do gutural/rasgado até o limpo em alguns momentos. A guitarra de Josh Elmore vale por mil, despejando riffs simplesmente esmagadores e um peso brutal. Já a parte rítmica brilha com Derek Engemann (Baixo) e principalmente, com o baterista David McGraw, que se mostra uma verdadeira máquina. Os destaques ficam por conta de “Manufactured Extinct”, “The Prophets of Loss” (com participação de ninguém menos que Phil Anselmo), “Clandestine Ways (Krokodil Rot)”, “Mammals In Babylon”, “Mutual Assured Destruction”, “Apex Blasphemy” e “Pacific Grim” (com Jürgen Bartsch, do Bethlehem).

A produção mais uma vez ficou por conta de Dave Otero e esta simplesmente primorosa. Deixou tudo limpo, audível, mas absurdamente violento. A capa, como de praxe desde To Serve Man (02), foi feita por Wes Bencoster e considero uma das melhores que vi em 2015. Praticando uma música de qualidade absurda, carregada de energia, técnica e brutalidade, o Cattle Decapitation lançou esse que é até o momento, o melhor Trabalho de Metal Extremo de 2015. Simplesmente obrigatório!

NOTA: 9,5


 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Siege Of Hate – Animalism (2013)




Siege Of Hate – Animalism (2013)
(Rising/Gallery/Bomb This Shit - Nacional)

01. Grinding Ages
02. Turmoil
03. Catharsis
04. The World I Never Knew
05. Waiting For What?
06. Hypochrist
07. Life Rules
08. Live Hard, Die Harder
09. Beware What You Wish
10.
Repelling Rumors
11. Individual Community
12. Dissonance
13. Real Ties
14. Vida e Morte

Já vou logo avisando, se você é desses que tem ouvidos sensíveis e delicados, passe bem longe de novo álbum dos cearenses do Siege Of Hate, a não ser que queira os mesmos sangrando. O nível de agressividade e violência aqui presente é absurdo e indicado apenas aos amantes de um bom e brutal Death/Grind. Vindo de um hiato de 4 anos, já que seu álbum anterior, o excelente Deathmocracy, havia sido lançado no hoje distante ano de 2009, o S.O.H. supera todas as expectativas com um trabalho que tem tudo para ser um dos melhores de 2013.
Da veloz e agressiva abertura com “Grinding Ages” até o encerramento, com a instrumental “Vida e Morte”, o que temos aqui é um verdadeiro massacre. A capacidade que o Siege Of Hate tem de imprimir fúria e brutalidade em sua música é algo que deve ser seriamente estudado pela ciência. E para enriquecer ainda mais todo material, incorporam saudáveis influências de Hardcore e Crossover a seu Death/Grind. Fica até difícil destacar faixas aqui, tamanha a qualidade do que ouvimos. “Hypochrist”, com uma pegada hardcore, vai te fazer bater cabeça. A sequência composta pela death “Catharsis”, a hardcore “The World I Never Knew”, melhor do álbum em minha opinião e a brutal “Waiting For What?”, tem o poder de entortar o pescoço de qualquer headbanger mais descuidado. E o mesmo vale para a sequência “Individual Community” e “Dissonance”, duas verdadeiras bordoadas no pé do ouvido. A proposta lírica do álbum também é bem interessante, pois se baseia na clássica obra “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, traçando um paralelo entre a mesma e a realidade que vivemos tanto no Brasil quanto na América Latina como um todo (podemos observar bem isso nos trechos de discursos políticos inseridos em segundo plano na faixa “Vida e Morte”).
Com um álbum muito acima da média e que tem tudo para se tornar um clássico do Metal Nacional, o Siege Of Hate não só consolida de uma vez por todas seu nome dentro de nossa cena como também se credencia para firmar de vez os dois pés no exterior. De quebra, mostra uma vez por todas, que nossa cena não se resume apenas ao eixo Sul/Sudeste, já que boas partes dos grandes lançamentos desse ano saíram justamente da cena nordestina. E a pergunta que não quer calar: O que existe na água que esse povo bebe lá no Ceará, que faz com que as duas maiores bandas de Grind/Death do Brasil, S.O.H. e Facada, venham de lá. Simplesmente obrigatório!

NOTA: 9,0