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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Amorphis- Queen of Time (2018)


Amorphis- Queen of Time (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Bee
02. Message in the Amber
03. Daughter of Hate
04. The Golden Elk
05. Wrong Direction
06. Heart of the Giant
07. We Accursed
08. Grain of Sand
09. Amongst Stars
10. Pyres on the Coast
11. As Mountains Crumble (Bônus)
12. Brother and Sister (Bônus)

O que fazer quando você chega ao ponto máximo da sua carreira e lança um trabalho que beira a perfeição? Essa é a pergunta que muitos devem ter feito após o Amorphis lançar o magistral Under the Red Cloud (15). Mas então você percebe que essa é a mesma banda que lançou Elegy (96), Tuonela (99) e Eclipse (06), trabalhos que suscitaram o mesmo tipo de questionamento, e que, ainda assim, conseguiu ir além em trabalhos posteriores, sempre se superando em matéria de criatividade e qualidade. Talvez na esperança de seu antecessor não ter sido o auge estivesse a justificativa para a minha ansiedade em escutar Queen of Time, o 13º trabalho de estúdio do sexteto finlandês.

Bem, antes de tudo, vale citar que Queen of Time marca o retorno ao Amorphis do seu baixista original, Olli-Pekka Laine, que havia saído da banda após Tuonela, sendo substituído por Niclas Etelävuori. Com a saída do mesmo ano passado, ele retornou ao seu posto, fazendo com que hoje os finlandeses tenham em sua formação o quarteto original que gravou o debut do grupo, The Karelian Isthmus (92). É algo no mínimo curioso, pois quando você coloca os dois trabalhos frente a frente, eles parecem díspares, por mais que os músicos envolvidos sejam praticamente os mesmos. É como se tivéssemos duas bandas completamente diferentes. Mas sabe o que é mais legal? É que apesar de tudo isso, ambas soam como o Amorphis.

Quem acompanha a carreira dos finlandeses desde o início sabe bem que nunca se acomodaram. O Amorphis é aquela banda que sempre procurou dar um passo à frente no que tange sua sonoridade, transformando radicalmente aquele Death Metal apresentado no debut em uma música que desafia rótulos. Além do já citado estilo, sua música apresenta elementos de Folk, Progressivo, Música Oriental, além de coros e partes sinfônicas. Toda essa diversidade os torna únicos, já que não existe um nome que pareça com eles no cenário atual. A verdade é que só o Amorphis soa como Amorphis, e convenhamos, personalidade musical é coisa cada vez mais rara nos dias de hoje.


Criatividade, eis a palavra-chave para entender Queen of Time. Se você, como eu, achava que Under the Red Cloud havia sido o auge do Amorphis, se prepare para rever seus conceitos, pois aqui eles elevaram ainda mais o nível do sarrafo. Não é exagero dizer que refinaram ainda mais o resultado do trabalho anterior, e um exemplo claro disso se dá quanto aos elementos orquestrais e aos coros. Pela primeira vez utilizaram instrumentos e coral reais, com as orquestrações elaboradas por Francesco Ferrini, do Fleshgod Apocalypse, e os coros pelo Hellscore Choir. Além disso, temos diversas outras participações especias, com destaques para as vocalistas Noa Gruman (Scardust) e Anneke van Giersbergen, Jørgen Munkeby (Shining) e a dupla do Eluveitie, Chrigel Glanzmann (que dessa vez participou de todo álbum) e Matteo Sisti.

Os vocais de Tomi Joutsen, como de praxe, são um diferencial imenso para o resultado do álbum, já que a forma como ele trafega entre o gutural e o limpo é simplesmente incrível. E toda essa parte de vocalização ainda é enriquecida com os belos coros e vocais adicionais femininos que surgem em algumas canções. Aliás, sobre isso, eu não me incomodaria em nada se estivessem presentes em todas, pois se encaixam com perfeição na proposta atual do Amorphis. As guitarras de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari nos entregam ótimos riffs e aquelas melodias inconfundíveis e grudentas, além de claro, bastante peso. Elas são muitíssimo bem acompanhadas pelos teclados de Santeri Kallio, responsável por criar atmosferas incríveis. Sua capacidade criativa deve ser estudada pela ciência. Quanto à parte rítmica, com Olli e Jan, o trabalho se aproxima da perfeição, tamanha a coesão e a diversidade que imprimem.

De cara, já abrem com uma dessas canções destinadas a se tornarem clássicas. “The Bee” é tudo aquilo você espera de uma canção do Amorphis, já que esbanja peso, tem algumas das melodias mais grudentas de todo o álbum, um refrão que fica na sua cabeça por dias e mais dias, atmosferas que remetem ao Oriente e ótimas vocalizações, tanto de Tomi quanto de Noa Gruman, que adiciona alguns vocais adicionais femininos à música e Albert Kuvezin, com alguns cantos harmônicos que ficam de fundo na canção (saca aqueles vocais que você encontra nos álbuns do Tengger Cavalry?). A bateria também está ótima, pesada e precisa. “Message in the Amber” é uma dessas canções onde o lado Folk fala um pouco mais alto, com belas vocalizações limpas de Joutsen, boa utilização de instrumentos de sopro e riffs marcantes. Os coros também ficaram belíssimos, e tem um forte impacto quando surgem. “Daughter of Hate” tem alguns riffs muito bons, e claro, melodias que cativam. Possui peso de sobra, ótimos guturais e em determinado momento, um solo de saxofone, cortesia de Jørgen Munkeby, do Shining. Os coros novamente surgem impactantes aqui.


“The Golden Elk” é outra que já nasceu clássica, e por algum motivo me remeteu a “Sacrifice”, do álbum anterior. Possivelmente a culpa é do refrão cativante e grudento, que já está há semanas na minha cabeça. As belíssimas orquestrações, a participação de Affif Merhej tocando oud (instrumento oriental semelhante ao alaúde) e o vocal feminino adicional de Noa certamente vão remeter o ouvinte ao Orphaned Land. Vale citar que as partes orquestradas do álbum são tocadas pela The Orphaned Land String Orchestra, e que Gruman fez os vocais femininos e cuidou dos arranjos e condução dos coros de Unsung Prophets & Dead Messiahs, último trabalho dos israelenses.“Wrong Direction” é dessas canções bem diretas e que gruda na cabeça, muito disso devido às melodias de guitarras e teclado, que são ótimas. Orquestrações e coros surgem discretamente de fundo, muito bem encaixados. “Heart of the Giant” tem os teclados de Santeri se destacando, ótimo trabalho das guitarras, além de um forte clima oriental e lindos coros que elevam a música a outro patamar. “We Accursed” traz o lado Folk à tona novamente, com elementos orquestrais sendo muitíssimo bem usados. O teclado novamente entrega boas melodias em parceria com as guitarras.

O clima oriental novamente dá as caras na ótima “Grain of Sand”, bem pesada e com uma ótima participação do baixo. O que dizer de “Amongst Stars”? Essa música tem algo de mágico, e isso não se dá apenas pela encantadora participação de Anneke van Giersbergen. Aliás, a respeito disso, é incrível como ela e Joutsen se completam, e como isso acrescenta muito à canção. Sério, dá até para ficar imaginando como seria se ela se tornasse parte do Amorphis. Mas isso é claro, é um desses sonhos completamente improváveis. Os elementos de Folk surgem muito bem em determinado momento, além de a canção possuir uma pegada que remete à fase mais Prog da banda (The Beginning of Times (11) e Circle (13)). Já é clássica! Encerrando a versão padrão do álbum, temos a ótima  “Pyres on the Coast”, que talvez seja o retrato perfeito de tudo que escutamos anteriormente. Ótimos guturais, melodias cativantes oriundas das guitarras e teclados, orquestrações simplesmente grandiosas, belíssimas harmonias e muita energia, apesar da aparente suavidade da canção. Na versão nacional, ainda temos duas faixas bônus que conseguem manter o alto padrão de qualidade do álbum, a belíssima “As Mountains Crumble” e “Brother and Sister”.

A produção mais uma vez ficou por conta do onisciente, onipresente e onipotente Jens Bogren, que a essa altura já dispensa qualquer tipo de apresentação. O seu entrosamento com a banda é tão bom, que eles já deixaram claro que não pretendem trabalhar com outro produtor no futuro. Ele também é o responsável pela mixagem. Já a masterização foi feita por Tony Lindgren (Kreator, Angra, Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost). Não é necessário então falar da qualidade final da produção, pois todos já imaginam. A capa é obra de Jean “Valnoir” Simoulin, o mesmo responsável pela de Under the Red Cloud, e que também trabalhou com nomes como Alcest, Behemoth, Paradise Lost, Morbid Angel e Orphaned Land. Passando longe da previsibilidade dos dias atuais, mais uma vez o Amorphis se mostra um dos nomes mais criativos, originais e fascinantes do cenário metálico atual, e nos entrega com Queen of Time, um fortíssimo candidato a melhor álbum de 2018.

NOTA: 94

Amorphis é:
- Tomi Joutsen (vocal);
- Esa Holopainen (guitarra);
- Tomi Koivusaari (guitarra);
- Olli-Pekka Laine (baixo);
- Jan Rechberger (bateria);
- Santeri Kallio (teclado).

Participações especiais:
- Noa Gruman (vocal adicional nas faixas 1, 2 e 4)
- Albert Kuvezin (Throat singing na faixa 1)
- André Alvinzi (teclados adicionais na faixa 1)
- Pekka Kainulainen (narração na faixa 2)
- Jørgen Munkeby (saxofone na faixa 3)
- Affif Merhej (Oud na faixa 4)
- René Merkelbach (vocal adicional na faixa 9)
- Anneke van Giersbergen (vocal adicional na faixa 9)
- Chrigel Glanzmann (flautas)
- Matteo Sisti (flautas)

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Amorphis – Under The Red Cloud (2015)




Amorphis – Under The Red Cloud (2015)
(Nuclear Blast – Importado)

01. Under the Red Cloud
02. The Four Wise Ones
03. Bad Blood
04. The Skull
05. Death of a King
06. Sacrifice
07. Dark Path
08. Enemy at the Gates
09. Tree of Ages
10. White Night

O que falar dos caras do Amorphis, que eu sequer conheço pessoalmente, mas considero tanto! Brincadeiras a parte, a verdade é que o sexteto finlandês sempre foi sinônimo de qualidade musical inquestionável, independente do momento de sua carreira. Em sua discografia, obstantes opiniões divergentes aqui e ali, não existe um trabalho que possa ser considerado realmente fraco. Eu por exemplo não curto muito a dobradinha Am Universum/Far From the Sun, mas por uma questão puramente de gosto pessoal e não por falta de qualidade dos mesmos.

Trocas de vocalista sempre foram traumáticas dentro do Metal, mas até nesse ponto o Amorphis se mostrou diferenciado. A entrada de Tomi Joutsen na banda em 2005 não só se mostrou a escolha mais correta, como entraram em uma fase de ouro, emplacando uma trinca simplesmente espetacular, com Eclipse (06), Silent Waters (07) e o fabuloso Skyforger (09), do meu ponto de vista o auge criativo da banda até então. Ok, seus dois trabalhos seguintes, The Beginning of Times (11) e principalmente Circle (13), me fizeram começar a questionar a respeito de uma crise de criatividade, mas isso se deu muito mais por certa inconstância dos mesmos (alternavam entre faixas excelentes e outras apenas medianas). De qualquer maneira, parecia mais do que necessário o Amorphis se reinventar de alguma forma. E aqui entra outro diferencial dos caras.

Algo que sempre me despertou admiração é a capacidade inerente que o Amorphis possui de se reinventar sem necessariamente fazer mudanças drásticas. Claro, se formos comparar a sonoridade Death Metal de The Karelian Isthmus (92) com o que escutamos em Under The Red Cloud, a diferença é absurda, mas essa evolução (e nesse caso, no melhor sentido da palavra) foi ocorrendo de forma gradativa, dando tempo aos seus fãs de absorver cada nova nuance de sua sonoridade. Mas deixemos de enrolação e vamos logo ao que realmente nos interessa.

Com Under The Red Cloud, o Amorphis se reinventou mais uma vez sem necessidade de mudanças drásticas. A veia progressiva continua se fazendo presente com passagens complexas e técnicas, assim como os momentos épicos, tanto que temos a participação aqui da Österang Symphonic Orchestra, responsável pelas orquestrações, assim como de Jon Phipps (Angra, Moonspell), fazendo os arranjos de corda. Melodias folclóricas? Mais do que presentes, algumas com um acento tipicamente oriental e outras na linha mais celta, com direito a participações de Chrigel do Eluveitie nas flautas e Martin Lopez (Soen, ex-Opeth e Amon Amarth) na percussão. Outras participações que enriquecem o trabalho são do tecladista André Alvinzi (Carnal Grief) em “Sacrifice” e da vocalista Aleah Stanbridge (Trees Of Eternity) em “The Four Wise Ones”, “Sacrifice” e “White Night”. Por falar em vocais, Tomi Joutsen está simplesmente monstruoso, tanto nas vocalizações mais limpas como nos guturais, agora muito mais presentes. Aliás, aqui está o ponto de “reinvenção” do Amorphis. Os guturais se fazem mais presentes porque sua música está mais pesada que nos trabalhos passados, já que expõem sua faceta Death Metal como há muito tempo não o faziam. O trabalho de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari nas guitarras está simplesmente primoroso, enquanto Santeri Kallio brilha nos teclados. Já a parte rítmica, com Niclas Etelävuori (Baixo) e Jan Rechberger (Bateria), mostra uma solidez e força absurdas, sendo a base de tudo que escutamos. Destaques? Bem, nesse ponto vou ter que bancar o Tom Cruise e executar uma daquelas missões impossíveis, já que todas as músicas aqui são excelentes. Mas experimente escutar, por exemplo, a faixa título, “The Four Wise Ones”, “Bad Blood”, “The Skull”, “Death of a King” ou “White Night”.

A produção, do renomado Jens Bogren é simplesmente excelente (e não poderia ser diferente, tecnicamente falando), tendo ele conseguido extrair todo o potencial do Amorphis em estúdio. Já a belíssima capa é obra de Valnoir Mortasonge (Orphaned Land, Paradise Lost, Alcest, Anorexia Nervosa, Ulver, Behemoth) e está entre as melhores que vi esse ano de 2015.

Coerente, coeso e unindo perfeitamente o passado e o presente, o Amorphis começa a escrever seu futuro de forma brilhante com Under The Red Cloud. Saindo da zona de conforto onde havia se estabelecido em seus dois últimos trabalhos, os finlandeses acabaram lançando um álbum simplesmente primoroso e que só não é o melhor do ano, porque certo grupo de Halifax beirou a perfeição uns meses atrás. Simplesmente obrigatório na coleção de qualquer fã de Metal!

NOTA: 9,5

Amorphis é:

- Tomi Joutsen (Vocal)
- Esa Holopainen (Guitarra)
- Tomi Koivusaari (Guitarra)
- Niclas Etelävuori (Baixo)
- Jan Rechberger (Bateria)
- Santeri Kallio (Teclado)




sexta-feira, 31 de maio de 2013

Amorphis - Circle (2013)




01. Shades Of Gray
02. Mission
03. The Wanderer
04. Narrowpath
05. Hopeless Day
06. Nightbird’s Song
07. Into The Abyss
08. Enchanted By The Moon
09. A New Day

Pode-se dizer que o Amorphis vem construindo uma identidade própria desde Tales From de Thousand Lakes (1994). Da lá para cá, podemos cravar com antecedência e sem medo, algumas características presentes em seus lançamentos: composições complexas e precisas, canções épicas, letras voltadas para mitologia/poesia finlandesa (mais precisamente o Kalevala), melodias folclóricas e vocais alternando entre o limpo e o gutural, sempre com muita competência. Após um período um tanto controverso, no inicio da década de 2000, a entrada de Tomi Joutsen, que assumiu os vocais da banda, deu novo fôlego aos finlandeses e acabaram engrenando 4 grandes lançamentos em sequência, os ótimos Eclipse (2006), Silent Waters (2007), Skyforger (2009) e o bom The Beginning Of Times (2011), que apesar de boas músicas, pecava pela sua longa duração. Não obstante isso, Circle era ansiosamente esperado por aqueles que são fãs da proposta da banda.

Mais conciso e curto que o trabalho anterior, Circle começa de forma muito animadora, emendando uma ótima sequência de músicas, iniciando com a excelente “Shades Of Gray”, melhor faixa do álbum, com ótimos riffs e remetendo aos tempos de Silent Waters, passando pelas ótimas “Mission” (poderia estar tranquilamente no Eclipse) e “The Wanderer” (cativante e com ótimo refrão) e fechando com “Narrowpath”, com uma levada mais folk que a encaixaria perfeitamente no Skyforger. Então o inesperado acontece. De “Hopeless Day” para frente Circle meio que se perde, alternando entre faixas apenas corretas, como “Into The Abyss” outras totalmente esquecíveis, como “Enchanted By The Moon” e “A New Day”.  Essa inconstância acaba gerando um sentimento forte de decepção, já que o Amorphis nos acostumou a um nível bem mais alto de qualidade em seus lançamentos.

Infelizmente, após encontrar uma sonoridade própria e emplacar uma série de bons lançamentos, a banda parece ter se estabelecido de uma forma muito temerosa em sua zona de conforto, o que nunca é bom. E nesse ponto, nem mesmo a ótima produção de Peter Tagtgren, que deixou o som um pouco mais agressivo, conseguiu tirar a banda da acomodação. Infelizmente aqui, falta impacto as composições, mal que não ocorria no passado, e isso torna tudo um tanto decepcionante e derivativo. Fãs die hard do Amorphis, certamente irão aprovar Circle, mas os demais vão terminar a audição com uma grande sensação de frustração. Realmente, indicado apenas para fanáticos. Quem mandou nos deixar mal acostumados?

NOTA: 6,5