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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Paradise Lost - Obsidian (2020)


Paradise Lost - Obsidian (2020)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Darker Thoughts
02. Fall from Grace
03. Ghosts
04. The Devil Embraced
05. Forsaken
06. Serenity
07. Ending Days
08. Hope Dies Young
09. Ravenghast
10. Hear the Night (bônus track)
11. Defiler (bônus track)

“Você não é todo mundo!”. O caro leitor deve estar se perguntando o que a frase dita por 10 entre 10 mães no mundo faz em uma resenha crítica a respeito do novo álbum do Paradise Lost. Realmente, é uma forma pouco usual de se começar uma resenha, não posso negar, mas logo ela terá sua razão de estar aqui. Surgido em 1988, em Halifax, Inglaterra, o quinteto escreveu seu nome na história do Metal com uma carreira sólida e recheada de álbuns de grande qualidade, fora o mérito de serem considerados por muitos, o responsável pela criação do Gothic Metal como o entendemos hoje. Com tudo isso, e com mais de 3 décadas de estrada, qualquer banda se acomodaria nos louros da vitória e se limitaria a zona de conforto, fazendo apenas o feijão com arroz. Mas o Paradise Lost não é todo mundo. Não é, nunca foi e provavelmente nunca será.

Tudo nessa vida é mutável, e uma atitude que possamos vir a ter hoje, vai ter reflexos lá na frente. É algo que não só afeta a nossa vida, mas também a das pessoas em nosso entorno. Viver não é  estático, e tudo sempre está em constante mudança. Porque então a carreira do Paradise Lost deveria ser diferente? São 32 anos se reinventando álbum após álbum, se recusando a cair na estagnação e no apego ao passado de muitos outros nomes de sua geração. Elementos do passado sempre podem, e são resgatados, mas o foco é sempre seguir adiante, e é isso que fazem em Obsidian, sem 16º álbum de estúdio, que será lançado no dia 15 de maio pela Nuclear Blast, e que sairá no Brasil através da parceria com a Shinigami Records.


Uma coisa que sempre me chamou a atenção no Paradise Lost é a sua capacidade de soar único. Você consegue se deparar com bandas que emulam até o talo nomes como Metallica, Black Sabbath, Led Zeppelin ou Iron Maiden? Sim, e exemplos temos aos montes por aí. Normalmente elas ultrapassam o limite da influência e acabam soando com cópia dessas lendas do Rock/Metal. Isso já não ocorre com o Paradise Lost, já que não encontramos que consiga emular sua sonoridade. Claro, temos diversos nomes onde a influência do quinteto de Halifax se torna evidente, mas nenhum que soe idêntico. Isso se dá por um motivo simples, Nick Holmes e Gregor Mackintosh são músicos únicos. Eles são os alicerces sobre os quais se levantam as estruturas muscais da banda. A voz de Holmes, além de variada, soa marcante, sombria e escura, enquanto Gregor é um guitarrista com uma identidade única. Você sabe que é ele na primeira nota, e todo o clima melancólico presente na obra da banda é oriundo disso. É essa sua capacidade ímpar que consegue ligar álbuns aparentemente díspares como Gothic (91), Host (99) ou Faith Divide Us – Death Inite Us (09). Vale deixar claro que isso de forma alguma tira a importância e o brilho dos demais integrantes. Sem a brilhante guitarra rítmica de Aaron Aedy, Mackintosh não estaria livre para mostrar sua genialidade, sem a força do baixo de Stephen Edmondson e da bateria de Waltteri Väyrynen, muito se perderia. Preste atenção no desempenho dos mesmos em Obsidian, caso tenha alguma dúvida a respeito disso.

Vindo de dois álbuns que mergulharam fundo nas suas raízes Death/Doom, The Plague Within (15) e Medusa (17), o Paradise Lost optou por uma leve mudança de rumo em Obsidian, dando mais variedade as suas músicas. Trazendo para o centro do palco elementos não só do Gothic Metal de outrora, como da cena gótica dos anos 80 – sim, estamos falando de The Sisters of Mercy, The Mission e afins –, entregam aos seus fãs um trabalho mais refinado e com mais melodias, mas que em momento algum abre mão do peso e do clima sombrio que lhe é inerente desde Lost Paradise (90). Partindo dos vocais e passando pelas guitarras, tudo aqui soa mais diversificado, intenso e emocional que em seus antecessores, se é que isso é possível considerando a qualidade dos mesmos. Reparem também na força do baixo de Edmondson e em como Waltteri Väyrynen é um baterista muito, mas muito acima da média.

A abertura se dá com “Darker Thoughts”, e já digo, não se deixe enganar com os dedilhados de violão, os violinos e os vocais suaves de Nick, pois lá pelos 2 minutos de canção ela explode em peso e rosnados nervosos. Com um refrão fortíssimo, segue alternando entre passagens mais suaves e mais pesadas, criando uma atmosfera etérea. Já tendo sido lançada como single, “Fall from Grace” é a música que mais se aproxima do que o Paradise Lost fez em seus últimos álbuns, esbanjando peso e agressividade, obstante a boa dose de melancolia que é adicionada nos momentos em que os vocais limpos surgem. O solo de Gregor é outro fator de destaque. A faixa seguinte, “Ghosts”, é um mergulho no submundo dos clubes góticos de proliferavam no underground londrino dos anos 80. Seus riffs, sua guitarra atmosférica, o refrão grudento, tudo remete a cena gótica do período. É a prova da capacidade única que o Paradise Lost possui de mesclar suas influências de Pós-Punk e Goth Rock com Metal. “The Devil Embraced” alterna muito bem vocais limpos nos versos com os rosnados de Nick no refrão, gerando assim um clima bem sombrio e melancólico. Se prestar atenção, você vai conseguir sentir um pouco daquela aura do Gothic aqui.


“Forsaken” vai remeter o ouvinte diretamente aos tempos do Draconian Times com seus riffs fortes e marcantes, clima gélido e um trabalho de bateria que beira o primoroso. Na sequência, uma das músicas mais brutas do álbum, “Serenity”, um Death/Doom com guitarras pesadas e vocais intensos, que vai agradar aos mais saudosistas. Mostrando que o comodismo não é algo que faz parte do seu DNA, o Paradise Lost não tem medo de buscar novos caminhos para sua música, e observamos isso de forma bem clara em “Ending Days”. Por mais que ela tenha todas as características que marcam sua sonoridade, ela não se encaixaria em nenhum trabalho anterior, com seu clima sombrio e sufocante. Aqui, mais uma vez, o baixo e a bateria brilham. Sabe aquele clima Goth Rock de “Ghosts”? Ele ressurge com força na ótima “Hope Dies Young”, com um que de The Sisters of Mercy, e se encaixaria tranquilamente em um álbum como One Second (97). Encerrando a versão padrão do álbum, temos a épica “Ravenghast”. O piano da introdução já dá o tom fúnebre da canção. Com riffs desoladores e clima angustiante, é sem dúvida alguma a faixa mais pesada de todo álbum, e não soaria deslocada no Medusa, por exemplo. Na versão em digipack, temos mais 2 faixas, “Hear the Night” e “Defiler”, que seguem a mesma linha do álbum, abusando do peso e da melancolia.

Podemos dizer sem medo que o Paradise Lost encontrou em Jaime Gomez Arellano o seu parceiro perfeito, já que ele parece entender a sonoridade da banda como poucos produtores nesse mundo. Mais uma vez ele, ao lado da banda, foi o responsável pela produção, e o resultado é simplesmente ótimo. Cada mínimo detalhe pode ser notado, todos os instrumentos estão perceptíveis, tudo claro e cristalino. Ainda sim, não temos aquela sonoridade plastificada e artificial, já que é um álbum bem orgânico nesse sentido. Sombrio, escuro, intenso e melancólico, Obsidian comprova de uma vez por todas que o Paradise Lost não só se encontra em seu auge criativo, como está muito a frente da concorrência. Vivemos uma época tão dura e de tantas incertezas, e que agora tem sua trilha sonora. Uma experiência catártica, e sem dúvida, forte candidato a melhor álbum de 2020.

NOTA: 94

Formação:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria)


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Deathwhite - Grave Image (2020)


Deathwhite - Grave Image (2020)
(Season  of Mist - Importado)


01. Funeral Ground
02. In Eclipse
03. Further from Salvation
04. Grave Image
05. Among Us
06. Words of Dead Men
07. No Horizon
08. Plague of Virtue
09. A Servant
10. Return to Silence

Para quem não conhece o Deathwhite, se trata de um coletivo de músicos que se reuniu em 2012, com o intuito de criar um projeto de estúdio, e que optou por manter as identidades de seus membros em segredo. O que se sabe é que são americanos, oriundos de bandas de vertentes mais extremas do Metal, e que todos são apaixonados pelo Discouraged Ones, do Katatonia. Musicalmente, como o leitor pode imaginar dada a última afirmação, se enveredam pelos campos do Doom/Gothic Metal, com elementos de Post Metal, gerando assim uma mistura bem interessante.

Seu debut, For a Black Tomorrow, foi um dos melhores lançamentos de 2018, o que gerou em mim uma certa ansiedade por esse novo trabalho. Conseguiriam manter o alto nível de qualidade apresentado, ou sucumbiriam a maldição do segundo álbum, que já vitimou vários nomes promissores na história da música pesada? A resposta veio através de Grave Image, que não se limita a ser uma simples repetição do seu antecessor, mas se mostra uma continuação natural do mesmo. A inclusão de um segundo guitarrista na formação, deixou seu som um pouco mais pesado e sofisticado se comparado com a estreia, e o que já era muito bom, se tornou ainda melhor.

Mas não é só o maior peso que chama a atenção de cara. Grave Image também se mostra mais sombrio, um retrato dos tempos atuais, a era da pós-verdade, onde esta é distorcida diariamente, e os saberes são contestados por achismos de pessoas que mal possuem coordenação motora para andar e respirar ao mesmo tempo. As composições também se mostram mais ricas e coesas, e com belas melodias, que vão agradar em cheio aos fãs de nomes como Katatonia (óbvio), Paradise Lost, My Dying Bride, Swallow the Sun, Anathema e afins. As canções são altamente imersivas, e criam um jogo de luz e sombra muito interessante, já que, ao mesmo tempo que apresentam paisagens sonoras desoladoras e depressivas, conseguem te fazer sonhar profundamente.


Esse é um trabalho bem homogêneo, e um fio de melancolia perpassa cada uma das canções aqui. A abertura se dá com a forte “Funeral Ground”, de atmosfera taciturna e fria, com guitarras sombrias e boas melodias vocais. “In Eclipse” já mostra suas armas logo de cara, com riffs pesados, forte carga gótica e refrão que te pega com facilidade. Na sequência, temos a elegante e pesada “Further from Salvation”, um “doomzão” com cara de My Dying Bride, algo que também podemos observar na ótima “Grave Image”, com bom peso e melodias sombrias. “Among Us” tem uma vibe que remete ao Katatonia e um trabalho bem interessante de guitarras; “Words of Dead Men” tem um ar sofisticado e alternativo, e “No Horizon” se destaca principalmente pelos ótimos vocais e um bom desempenho da dupla guitarra/baixo. “Plague of Virtue” é uma homenagem declarada da banda ao já citado álbum Descouraged Ones, do Katatonia, e tudo aqui remete ao mesmo. Na sequência final, a emotiva “A Servant” e a sombria “Return to Silence”.

A produção e mixagem ficaram novamente por conta de Shane Mayer, com masterização de ninguém menos que Dan Swanö (Bloodbath, Katatonia, Novembers Doom, October Tide, Opeth, Pain of Salvation, Rage). O resultado é não menos do que ótimo, com tudo muito claro e audível, mas ainda sim pesado. A capa, candidata a uma das mais belas de 2020, foi obra de Jérôme Comentale, e conta com a imagem da estátua de Giordano Bruno, matemático, filósofo e cosmólogo italiano medieval, que foi queimado pela Inquisição Católica. Cabe dizer que a mesma se encontra localizada no Campo de 'Fiori em Roma, Itália, local exato onde foi executado. Altamente emocional, sombrio, imersivo, e mesclando escuridão e beleza como poucos, o Deathwhite entregou um dos grandes álbuns do ano. Para se ouvir sentando na sala, de luzes apagadas, com uma bebida em mãos e refletindo a respeito dos tempos escuros que vivemos.

NOTA: 88

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terça-feira, 7 de abril de 2020

Chelsea Wolfe - Birth of Violence (2019)


Chelsea Wolfe - Birth of Violence (2019)
(Sargent House – Importado)


01. The Mother Road
02. American Darkness
03. Birth of Violence
04. Deranged for Rock & Roll
05. Be All Things
06. Erde
07. When Anger Turns to Honey
08. Dirt Universe
09. Little Grave
10. Preface to a Dream Play
11. Highway
12. The Storm

Apesar de não se enquadrar estilisticamente dentro do Heavy Metal, Chelsea Wolfe sempre chamou a atenção daqueles bangers mais afeitos a sonoridades soturnas e melancólicas, já que suas canções sempre foram perpassadas por um clima sombrio e escuro. Seus dois últimos álbuns, os ótimos Abyss (15) e Hiss Spun (17) reforçaram ainda mais essa tendência, dado o maior peso que foi incorporado aos mesmos, que em alguns momentos, chegam a beirar o Doom no que tange o instrumental. Sendo assim, existia uma expectativa maior a respeito de seu novo trabalho de estúdio, e da direção que sua música tomaria com Birth of Violence.

Após o lançamento de Hiss Spum, se seguiu uma estafante turnê, que levou Chelsea ao seu limite. Esgotada, optou por se isolar de todo o mundo, em sua casa no norte da Califórnia, e foi durante esse período que se deu todo o processo de composição e gravação de Birth of Violence. Após tamanha intensidade nos últimos anos, Wolfe optou por seguir um caminho mais introspectivo, mergulhando fundo em seu lado mais Folk, apresentando um trabalho que remete mais ao seu passado do que o presente recente. Mas não pense que por seguir uma linha mais acústica, que isso torna seu trabalho mais acessível, porque nada pode ser mais enganoso que isso.


Birth of Violence é um trabalho denso, e seu peso se encontra no clima opressivo que ele acaba por gerar. O violão é o elemento central das canções, mas ele vem muito bem acompanhado do piano, sintetizadores e belos arranjos de cordas. Os vocais de Chelsea estão simplesmente maravilhosos, soam etéreos e dão um ar ainda mais transcendental as canções. Tudo isso junto, em muitos momentos, passa uma sensação ritualística ao ouvinte, e torna a audição uma experiência reflexiva, quase espiritual. Melodias simples se unem a arranjos sofisticados e a altas doses de melancolia, dando não só um clima bem escuro as canções, como também as torna um tanto quanto poéticas. É uma beleza capaz de entorpecer o ouvinte, o fazendo mergulhar profundamente em seu interior. Birth of Violence te faz refletir sobre si mesmo e sobre o mundo a sua volta.

A dinâmica e profunda “The Mother Road”, é uma espécie de Folk Atmosférico, que me remeteu aos momentos mais acústicos do Led Zeppelin, sendo seguida de “American Darkness”, uma canção sombria e assustadora, que soa como um retrato perfeito do álbum. Os sintetizadores, bem encaixados, dão um ar de escuridão a obra. “Birth of Violence” é muito densa e tem uma profundidade que vai além das demais músicas, pois Chelsea trabalha muito bem a dualidade luz/escuridão, algo que ela faz como poucos artistas nesse mundo. “Deranged for Rock & Roll” foge um pouco do Folk e soa levemente mais pesada, com os sintetizadores e vocais dando intensidade a mesma. “Be All Things” soa altamente melancólica e emotiva, enquanto “Erde” tem uma aura perturbadora e assustadora, com destaque para os vocais de Wolfe. “When Anger Turns to Honey” possui melodias bem delicadas e um ar sombrio; “Dirt Universe” soa triste e tem um certo psicodelismo presente; “Little Grave” tem uma atmosfera de fragilidade, sendo muito emocional. “Preface to a Dream Play” é hipnótica, e apesar de sua suavidade aparente, consegue soar bem assustadora. “Highway” é uma dessas canções onde a tristeza é pungente e transborda por todos os lados, e “The Storm” é o epílogo perfeito para o trabalho, já que se trata exatamente disso, o som da tempestade caindo.


Como de praxe, a produção ficou a cargo de Ben Chisholm e de Chelsea, com mixagem do primeiro e masterização realizada por Heba Kadry (The Body, Wrekmeister Harmonies). O resultado é ótimo, já que permite escutar cada mínimo detalhe das canções, mas sem as deixar polidas em excesso. Já a foto que ornamente a capa, é de Nona Limmen. Wolfe é uma artista única na atualidade, e sua sonoridade não encontra muitos paralelos em outros artistas. Sua música é uma espécie de pintura que retrata o lado mais obscuro do ser humano, e mesmo quando a leva mais para o Folk, consegue manter a intensidade e uma violência quase opressiva, provando que não se necessita de guitarras para que um trabalho seja pesado. O peso aqui totalmente emocional, e fustiga fundo em nossas almas. Birth of Violence é Chelsea Wolfe em seu estado mais bruto.

NOTA: 91

Chelsea Wolfe é:
- Chelsea Wolfe (vocal, violão)
-  Ben Chisholm (demais instrumentos)

Musicos convidados:
- Jess Gowrie (bateria nas faixas 1, 2, 4, 6, 8 e 10)
- Ezra Buchla (viola nas faixas 1, 2, 5 e 9)

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Doom:VS - Earthless (2014/2019)


Doom:VS - Earthless (2014/2019)
(Solitude Productions/Cold Art Industry - Nacional)

01. Earthless
02. A Quietly Forming Collapse
03. White Coffins
04. The Dead Swan of the Woods
05. Oceans of Despair
06. The Slow Ascent

Se o Doom Metal já é um estilo difícil para alguns, dada as suas características como o andamento mais lento, uma certa tendência a soar repetitivo e depressivo, imagine só o Funeral Doom, com seu ritmo ainda mais arrastado e todo o clima de tristeza e desesperança que traz junto de si. Dito isso, fica muito claro que o Doom:VS não é uma banda indicada para os que não apreciam esse estilo tão maldito. Para quem não conhece, se trata de um projeto paralelo do guitarrista do Draconian, Johan Ericson, e Earthless, lançado em 2014, é seu 3º e mais recente álbum, que desde o ano passado está ao alcance dos fãs brasileiros, através de um relançamento da Cold Art Industry.

Vindo de 2 trabalhos que são considerados clássicos do estilo - Aeternum Vale (06) e Dead Words Speak (08) -, a missão de Earthless era um tanto ingrata, já que deveria ao menos manter o nível de seus antecessores. Pois bem! Para Johan Ericson, missão dada é missão cumprida. Fugindo da armadilha da repetição excessiva, ele consegue imprimir boa variedade as canções, que apesar de bem pesadas, possuem ótimas melodias. Os vocais guturais ficaram a cargo de Thomas A.G. Jensen, do Saturnus, com Johan fazendo os vocais limpos. Esses, quando surgem, são muito bem encaixados, e acabam enriquecendo o trabalho. O trabalho de guitarra é não menos do que espetacular, sendo a grande força motriz de Earthless. Os riffs lentos, sombrios e gélidos, as melodias melancólicas, tudo isso penetra fundo na alma do ouvinte, suga toda a sua alegria, espalhando tristeza e devastação por todos os lados.

O piano na abertura de “Earthless” dá ao ouvinte uma ideia do que ele encontrará pela frente. Paisagens escuras e fortes emocionalmente, daquelas capazes de exterminar a esperança dos mais otimistas, tomam conta de toda a canção, graças as ótimas e sombrias melodias despejadas pelas guitarras. A bateria pesada e lenta ajuda muito nessa percepção. A devastação continua com a desoladora “A Quietly Forming Collapse” e seus riffs pesados, e a fria “White Coffins”, de causar arrepios em qualquer amante de Funeral Doom. “The Dead Swan of the Woods” é carregada de melodias sombrias e ótimos riffs; “Oceans of Despair” soa assombrosa, com destaque para os vocais limpos, muito bem colocados, e “The Slow Ascent” encerra o álbum com ótimas guitarras e exalando melancolia por todos os poros.

Gravado no Dead Dog Farm Studios, em Säfle, na Suécia, teve todo o seu processo de produção realizado pelo próprio Johan Ericson, com resultados mais do que condizentes com o estilo, já que apesar de estar tudo claro e limpo, não ficou polido demais, mantendo assim aquela aura de melancolia e desespero que a música pede. Como já dito, Earthless é um trabalho com forte carga emocional, desses capazes de penetrar fundo no inconsciente do ouvinte, invadindo regiões ainda inexploradas e colocando para fora aquela tristeza que é inerente a todo ser humano, mas que muitos, às vezes até de forma inconsciente, optam por esconder, fingindo felicidade. Relembrando que ano passado o álbum foi relançado em versão nacional pelas mãos da Cold Art Industry, limitado a apenas 300 cópias. Uma aquisição obrigatória para qualquer fã do estilo.

NOTA: 89

Formação:
– Johan Ericson (todos os instrumentos e vocais limpos)

Participação especial:
– Thomas A.G. Jensen (vocais guturais)

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Cold Art Industry

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Novembers Doom - Nephilim Grove (2019)


Novembers Doom - Nephilim Grove (2019)
(Prophecy Productions – Importado)


01. Petrichor
02. The Witness Marks
03. Nephilim Grove
04. What We Become
05. Adagio
06. Black Light
07. The Clearing Blind
08. Still Warmth
09. The Obelus

Muitas vezes, não nos damos conta de como o tempo passa rápido. Pode não parecer, mas desde o surgimento com o nome de Laceration, já se vão 30 anos de história do Novembers Doom. Nesse tempo, se estabeleceram no cenário do Doom através de ótimos lançamentos, muitos dos quais podem ser considerados clássicos do estilo. Obviamente que, em um período de 3 décadas, mudanças ocorreriam, e não falo apenas no quesito formação, algo que demoraram a estabilizar. Estou falando também de evolução musical, amadurecimento. Sei, essa palavra causa pavor em muitos, mas no caso do quinteto americano, a evolução ajudou muito mais do que prejudicou, até porque se deu de forma gradual e progressiva.

No início, praticavam aquele Death/Doom típico da primeira metade dos anos 90, com referências a nomes como My Dying Bride, Paradise Lost e afins. A medida que os anos foram passando, o Doom e as melodias foram ganhando mais espaço, mesmo que o Death Metal continuasse ali presente, principalmente nos vocais de Paul Kuhr. Dentro desse processo evolutivo, elementos do Progressivo começaram a ganhar espaço, algo muito próximo do ocorrido com o Opeth e Katatonia, mas sem que para isso abandonassem suas raízes. Nephilim Grove é seu 11º álbum de estúdio, e dá um passo a frente com relação ao seu antecessor, Hamartia (17). Aqui os elementos de Death se fazem menos presentes, com os elementos de Doom e de Progressivo surgindo em maior quantidade. Isso torna o som do Novembers Doom um pouco mais ameno?

Sim, sua música soa mais amena, mas o ponto forte da banda sempre foi a sua capacidade de entregar momentos altamente emocionais, carregados de melancolia e de um ar sombrio, e ela continua intocada em Nephilim Grove. Os vocais de Paul, como sempre, são um ponto alto, e ele vai bem executando desde os rosnados típicos do Death, até passagens mais limpas, passando por tons mais abrasivos. É nítido como ele foi trabalhando e polindo sua voz, e hoje possui um estilo muito próprio e inconfundível. As guitarras de Larry Roberts e Vito Marchese continuam mostrando toda a sua técnica, entregando aos fãs não só ótimos riffs e harmonias, como também solos de muita qualidade. Quanto a parte rítmica, com o baixista Mike Feldman e o baterista Garry Naples, são precisos, e responsáveis não só pela variedade, como também por imprimir uma dose extra de peso. Se você é um fã mais atento, com certeza notou que o Novembers Doom conseguiu a façanha de repetir a mesma line up pelo 3º álbum consecutivo. Estaríamos diante da formação definitiva da banda? Espero que sim.


“Petrichor” inicia o álbum com uma pegada meio Doom/Stoner nas guitarras, que nos entregam bons riffs. Os vocais transitam entre o abrasivo e o limpo, mas na parte final os rosnados típicos do Death Metal surgem, e dão um ar bem sombrio a canção. Eles também dão as caras na pesada “The Witness Marks”, com um belo trabalho da dupla formada por Larry e Vito. Com certeza vai agradar os fãs mais antigos. “Nephilim Grove” é uma das melhores canções da carreira da banda, e transborda melancolia, alternando passagens mais amenas com outras mais pesadas. Fora isso, tem sintetizadores muito bem encaixados e um ótimo trabalho vocal. “What We Become” é uma daquelas semi-baladas sombrias que o Novembers Doom sempre faz tão bem, sendo seguida pela forte “Adagio”, canção raivosa e angustiante, com seu instrumental voltado para o Doom e vocais típicos do Death, que aqui predominam sobre os mais limpos. O trabalho de bateria é muito bom, e de quebra, temos um belíssimo solo. Os apreciadores dos momentos mais extremos do passado, vão sorrir de orelha a orelha com a ótima “Black Light”, onde agressividade e velocidade se mostram mais presentes. “The Clearing Blind” abre espaço para as influências progressivas da banda, com bonitos arranjos e ótimo trabalho rítmico. Pode remeter o ouvinte aos momentos mais recentes do Katatonia, só que aqui a intensidade é maior. “Still Warmth” tem peso e um bom groove, mas sem renunciar a passagens mais amenas. É um retrato perfeito do que é o Novembers Doom hoje. Encerrando, temos “The Obelus”, canção forte e de grande apelo Progressivo.

Mais uma vez a mixagem e masterização ficaram a cargo de Dan Swanö, e o resultado é simplesmente ótimo, a melhor produção da banda em sua carreira. Todos os instrumentos estão claros e audíveis, mas sem abrir mão do peso. Fora isso, não possui aquela atmosfera artificial de muitas produções atuais. Já a bela e impactante capa foi obra de Pig Hands. Seguindo o fio evolutivo dos últimos trabalhos, mas sem abandonar suas raízes, o Novembers Doom prova que, apesar dos 30 anos de estrada, se encontra no auge da sua criatividade, com um álbum de forte carga emocional, e que transborda melancolia por todos os lados. Se duvida, um dos principais lançamentos de Heavy Metal desses ano de 2019.

NOTA: 89

Novembers Doom é:
- Paul Kuhr (vocal);
- Larry Roberts (guitarra);
- Vito Marchese (guitarra);
- Mike Feldman (baixo);
- Garry Naples (bateria).

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Low Levels of Serotonin – Katharsis (2019)


Low Levels of Serotonin – Katharsis (2019)
(Heavy Metal Rock – Nacional)

01. Intro
02. The Wind Tries to Say Something
03. O saber
04. Chaos
05. Redundant Lies Become Truths
06. A Pale Tone
07. Endorphin
08. Out of my Control
09. Instrumental

A serotonina é um neurotransmissor sintetizado no cérebro, e responsável pela sensação de bem-estar. Ao lado da endorfina e da dopamina, é um dos chamados “hormônios da felicidade”. Em contrapartida, quando seus níveis estão baixos em nosso organismo, isso gera uma série de transtornos, como a ansiedade, bipolaridade, perturbações do sono, medo e depressão, dentre outros. Posto isso, penso que pocas vezes na história do Metal, o nome de uma banda casou tão bem com o estilo musical proposto pela mesma. O Low Levels of Serotonin é um projeto surgido no ano de 2017, em Americana/SP, capitaneado pelo ex-guitarrista do ótimo Desdominus, Wilian Gonçalves, que aqui toca todos os instrumentos, além de ser o responsável pelos vocais limpos. Para a gravação desse debut, ele contou com o apoio do vocalista Guilherme Malosso, do Motherwood, responsável pelos vocais guturais, e do ex-companheiro de banda Douglas Martins, que hoje capitaneia do excelente Deep Memories, e que aqui foi o encarregado por todo o processo de produção.

Musicalmente, Wilian aposta em um Death/Doom que tem em sua base, aquela sonoridade praticada nos anos 90, mas que não se limita apenas a isso. Ecos de Atmospheric – que resulta em ótimos momentos introspectivos –, Black, Gothic e Heavy podem ser observados durante toda a audição, o que acaba enriquecendo ainda mais o resultado. Essa identidade própria torna o Low Levels of Serotonin uma banda diferente do que costumamos observar, não só dentro do cenário internacional, como também do exterior. Como não poderia deixar de ser nesse tipo de proposta, nos deparamos com uma sonoridade muito pesada, sombria e melancólica, mas que não abre mão da agressividade. Boas mudanças de andamento ajudam as canções a passarem longe da repetição, enquanto as guitarras, com seus riffs ríspidos, esbarram no Death/Black. A parte rítmica se destaca não apenas pela boa técnica apresentada, como também pela fúria e variedade. Já os vocais transitam entre o gutural e o rasgado, em um ótimo trabalho de Guilherme Malosso, com algumas poucas passagens limpas que soam bem legais. Os teclados ficaram muito bem encaixados e ajudam muito nas atmosferas criadas pela música do Low Levels of Serotonin. 


Após uma curta introdução, que serve de aviso do que virá pela frente, temos a ótima “The Wind Tries to Say Something”, uma canção que equilibra com primazia, peso, raiva e melancolia, graças aos riffs raivosos e as melodias taciturnas. “O Saber” mostra que a música do Low Levels também funciona muito bem quando cantada em português, abrindo possibilidades interessantes para o futuro. Musicalmente, é uma mescla perfeita entre o Death e o Doom, equilibrando rispidez com um ar soturno. Outra que se encaixa muito bem nessa descrição é “Chaos”, com destaque para os ótimos guturais. “Redundant Lies Become Truths” tem riffs cortantes e gélidos, que resvalam no Black Metal, mas sem abrir mão daquele clima lúgubre e triste que permeia todo o álbum. É outro ponto alto da audição. “A Pale Tone” é mais calma, e soa bem fria e perturbadora, com um bom uso dos teclados, e pasmem, algumas passagens que podem se encaixar no que entendemos como Jazz. Na sequência final, temos a instrumental “Endorphin”, canção que passa uma sensação de inquietude e tomento; “Out of my Control”, que carrega em si elementos de Black Metal, e “Instrumental”, com nome autoexplicativo e com uma pegada bem soturna.

A produção foi dividida entre William e Douglas Martins (Deep Memories), sendo que esse também cuidou da mixagem e masterização do trabalho. O resultado é muito bom, já que aliou clareza, com o peso e a agressividade que são necessários para um álbum de Metal. Quanto a capa, foi obra de Carlos Fides (Almah, Evergrey, Noturnall, Shaman), e como não podia deixar de ser em se tratando de um trabalho dele, ficou ótima. Com uma música ríspida, soturna, pesada e agressiva, o Low Levels of Serotonin acetou em cheio em sua estreia, e vai agradar em muito os apreciadores de Death/Doom. Mas um grande nome do Metal Nacional que surge, e agora só nos resta esperar pelos próximos passos. Que eles não demorem muito!

NOTA: 86

Low Levels of Serotonin é:
- William Gonçalves (todos os instrumentos, vocais limpos)

Convidado:
- Guilherme Malosso (vocal gutural)

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Heavy Metal Rock

segunda-feira, 18 de março de 2019

Soulsad - Two Funerals (2018) (EP)


Soulsad - Two Funerals (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. My Fallen Garden
02. Funeral One: Father
03. Funeral Two: Mother

O que leva uma pessoa a gostar de Doom Metal? Não entendam essa pergunta como uma crítica ao estilo e as bandas que o praticam. Esse questionamento se dá por algo muito mais profundo, afinal, estamos falando de uma música de atmosfera sombria e melancólica, que basicamente traz em si, um clima desolador. Não são canções que carregam a alegria de viver, mas sim dor, tristeza e agonia. O Soulsad surgiu no ano de 2003, e passou por todas as dificuldades inerentes ao underground, tendo então pausado a carreira em 2008. 10 anos depois, Daviid Amorin (Velvet Thorns) e Rafael Sade (ex-Helllight) resolveram reativar o projeto, e lançaram seu primeiro trabalho de estúdio, o EP Two Funerals.

O resultado não poderia ser melhor. A base de sua música é aquele Melodic Doom/Death Metal popularizado nos anos 90, mas que sofre influências de outros estilos como o Funeral Doom e o Dark Metal. Os vocais guturais de Rafael funcionam muito bem, e passam um clima agonizante ao ouvinte, o que convenhamos, é perfeito para um trabalho do estilo. Ele também é o responsável pelo ótimo trabalho de teclado/piano, conseguindo encaixar suas partes muito bem nas canções, sem cometer exageros e gerando belas passagens atmosféricas. Já Daviid Miranda cuida da guitarra, baixo e bateria, e se sai muito bem em tudo, se destacando principalmente pelos ótimos riffs, bem pesados e arrastados. 


São apenas 3 canções, mas que são o suficiente para mostrar que o duo não está para brincadeira. A instrumental “My Fallen Garden” já deixa claro a desolação que encontraremos pela frente, sendo seguida pela ótima “Funeral One: Father”, pesada, perturbadora, e com ótimos momentos mais atmosféricos. Encerrando, a épica e soberba “Funeral Two: Mother”, com seus mais de 13 minutos de riffs arrastados, dor, tristeza e melancolia. Uma das melhores canções do estilo que escutei nos últimos anos, o que mostra que estamos diante de um nome diferenciado.

A produção ficou por conta do próprio Daviid Amorim e está em um nível muito bom, já que é possível escutar tudo com clareza, sem que para isso tenham precisado abrir mão do peso, agressividade e de uma dose de sujeira. Já a belíssima capa é obra de Jéssica de Araújo. Two Funerals não apresenta nada propriamente novo, mas ainda sim - mesmo que nomes como Katatonia (do início de carreira), Saturnus, Daylight Dies ou Bethlehem venham a sua cabeça em algum momento -  de forma alguma parece simples emulação, já que a música aqui contida, além de não soar datada, possui personalidade. O que leva uma pessoa a gostar de Doom Metal? A resposta está em bandas como o Soulsad, que nos mostra que sim, existe beleza na dor, desolação e escuridão.

NOTA: 88

Soulsad é:
- Rafael Sade (vocal/piano/teclado)
- Daviid Miranda (guitarra, baixo, bateria).

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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Candlemass - The Door to Doom (2019)


Candlemass - The Door to Doom (2019)
(Napalm Records- Importado)


01. Splendor Demon Majesty
02. Under The Ocean
03. Astorolus - The Great Octopus (feat. Tony Iommi)
04. Bridge Of The Blind
05. Death's Wheel
06. Black Trinity
07. House Of Doom
08. The Omega Circle

Quando Epicus Doomicus Metallicus foi lançado em 1986, o impacto foi grande, não só pela qualidade de músicas como “Solitude”, “Demon’s Gate”, “Crystal Ball” ou “A Sorcerer’s Pledge”, mas pelo ineditismo de seu conteúdo. Claro que nomes como Trouble, Pentagram e Saint Vitus já haviam estabelecido as bases para o que conhecemos como Doom Metal, mas o que o Candlemass apresentou em seu debut foi bem além. As influências de Black Sabbath, o som mais arrastado e sujo, tudo isso estava presente, mas recebendo doses de Metal Tradicional e vocais mais operísticos, cortesia de Johan Längquist, que atuou como convidado.

Aliás, ser vocalista do Candlemass acabou se tornando uma missão ingrata, já que após o debut o posto foi ocupado pelo icônico Messiah Marcolin. Com ele, lançaram mais 3 clássicos, Nightfall (87), Ancient Dreams (88) e Tales of Creation (89), até que ele resolveu sair em 1991. Tentaram seguir em frente com Thomas Vikström (Stormwind, Therion) assumindo o posto, mas não vingou, apesar do bom Chapter VI (92). Após uma pausa entre 94 e 97, retornaram com Björn Flodkvist e chegaram a lançar 2 álbuns, Dactylis Glomerata (98) e From the 13th Sun (99), mas não funcionou. A solução foi o retorno da formação clássica em 2001, que rendeu mais um trabalho com Messias, Candlemass (05). Com sua saída definitiva no ano seguinte, o posto foi ocupado Mats Levén, que logo foi substituído por Robert Lowe. Com ele a frente, as coisas pareceram se estabilizar, e 3 bons álbuns foram lançados, King of the Grey Islands (07), Death Magic Doom (09), e Psalms for the Dead (12), sendo que esse foi vendido por Leif Edling como o último dos suecos. Para a surpresa de todos, Levén retornou a banda na sequência, e chegou a lançar 2 EP’s, Death Thy Lover (16) e House of Doom (18).


E quem diria, no final tudo acaba como começou. Quando Leif decidiu que o Candlemass deveria lançar outro álbum de estúdio, resolveu convidar para os vocais ninguém menos que Johan Längquist, a icônica voz de Epicus Doomicus Metallicus. E para completar, The Door to Doom foi vendido como um retorno as raízes. Parafraseando o menino-prodígio, “Santa Ignorância, Leif!”. Tal afirmação soa um pouco forte, mas a verdade é que nada pode soar mais prejudicial do que maximizar ainda mais as expectativas dos fãs, que já eram grandes pelo simples fato do Candlemass voltar a lançar um álbum de estúdio. Se você não for cumprir tais promessas, isso tudo soa ainda mais irresponsável. Bem, a essa altura já deve estar bem claro que The Door To Doom não soa como um retorno da banda as suas raízes.

Grandes expectativas musicais geram grandes decepções, principalmente quando o material não condiz com o que foi prometido e com o que você idealiza. Por isso não nego, a minha primeira audição do álbum foi broxante. Então percebi que apesar da promessa de retorno as raízes, apesar de Längquist estar nos vocais e de até mesmo a capa remeter diretamente a de Epicus Doomicus Metallicus, comparar não só The Door to Doom, como qualquer outro álbum da carreira do Candlemass com o mesmo, seria de uma injustiça tremenda, afinal, ele foi um divisor de águas para o Doom Metal. A partir do momento que mudei minha forma de abordagem, a coisa toda mudou de figura, e aquela decepção inicial foi tomando o contorno de um sorriso no rosto, a cada nova audição do mesmo.

A verdade é que The Door to Doom não se difere em absolutamente nada de todos os álbuns lançados pelo Candlemass a partir de King of the Grey Islands. Isso é ruim? De forma alguma, afinal, os suecos nunca lançaram nada que não fosse menos que bom. Os fãs gostem ou não do fato, Leif Edling estabeleceu uma forma de compor confortável para ele, e se acomodou na mesma. Uma prova disse é que, caso você pegue para escutar a versão japonesa, que conta com o EP House of Doom de bônus, mal vai conseguir distinguir o momento da passagem de um para o outro, já que Johan Längquist não faz nada diferente do que Mats Levén fez anteriormente. Aqui você encontra bons vocais, melodias agradáveis, riffs duros e fortes, que dão um ar sombrio as canções. Em resumo, canções que você poderia ter escutando em outros projetos de Leif nos últimos 15 anos, como The Doomsday Kingdom, Avatarium ou Krux.


São 8 canções que mantêm o bom nível, dentro do que nos acostumamos nos últimos anos. “Splendor Demon Majesty” tem uma pegada um pouco mais acelerada e riffs bem pesados, sendo seguida por “Under The Ocean”, que segue o padrão de composição já conhecido e se destaca principalmente pelo bom solo. “Astorolus - The Great Octopus” teria tudo para ser só mais uma canção do Candlemass, mas tem a participação de Tony Iommi, o que acaba elevando o nível da mesma. “Bridge Of The Blind” é uma balada acústica dolorida e triste, mas muito bonita, enquanto “Death's Wheel” transborda peso, bons riffs e é outra que se destaca pelo solo. Outra com essas mesmas características, é a ótima “Black Trinity”, um dos poucos momentos em que Johan Längquist justifica a substituição de Mats. A já conhecida “House Of Doom” surge em uma versão levemente diferente, e que poderia ser confundida com a do EP, mesmo no que tange os vocais. Encerrando, temos “The Omega Circle”, que se destaca principalmente pelo bom refrão.

A produção do álbum ficou a cargo de Marcus Jidell, que trabalhou com Leif no Avatarium e no The Doomsday Kingdom, além de ter produzido os dois últimos EP’s da banda. A mixagem foi realizada por Niklas Flyckt (Krux) e a masterização por Svante Forsbäck (Apocalyptica, Grand Magus, Korpiklaani, Samael, Sonata Arctica, Swallow the Sun, Tarja). O resultado é muito bom, o que convenhamos, já era esperado. A capa é obra de Erik Rovanperä, e bem, é a do Epicus com pequenas modificações. Ao final, você tem duas formas para abordar The Door to Doom. A primeira, é considerando a promessa de Leif e toda a expectativa que a mesma gerou. Desse ponto de vista, o álbum é uma decepção, principalmente se você insistir em confrontar o mesmo com Epicus Doomicus Metallicus. A segunda, é esquecer tudo isso, e colocar ele frente a frente com os 3 últimos trabalhos da banda. Quando se faz isso, nos deparamos com um álbum muito consistente, épico, forte e que sim, cativa o ouvinte que der essa abertura. Que Leif pare a história do Candlemass por aqui, e se concentre em outros projetos.

NOTA: 84

Candlemass é:
- Johan Längquist (vocal);
- Mats “Mappe” Björkman (guitarra);
- Lars “Lasse” Johansson (guitarra);
- Leif Edling (baixo);
- Jan Lindh (bateria).

Musicos convidados:
- Tony Iommi (guitarra na faixa 3)
- Marcus Jidell (teclados)
- Jennie-Ann Smith (backing vocals)
- Mats Levén (backing vocals)
- Stefan Berggren (backing vocals)

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Swallow the Sun – When a Shadow Is Forced into the Light (2019)


Swallow the Sun – When a Shadow Is Forced into the Light (2019)
(Century Media – Importado)


01. When a Shadow is Forced into the Light
02. The Crimson Crown
03. Firelights
04. Upon the Water
05. Stone Wings
06. Clouds on your Side
07. Hear on the Black Earth
08. Never Left

Mesmo em um mundo como o de hoje, de relacionamentos fluídos, líquidos, onde poucos se permitem sentir além da superficialidade, o amor ainda é a mais forte de todas as forças motrizes existentes. É ele que faz girar a grande roda da vida, pois, querendo ou não, é um sentimento intrínseco ao ser humano, mesmo que este não o deixe vir à tona, dada as agruras da nossa existência. É o amor, por algo ou alguém, que sempre faz com que as pessoas deem um passo a frente, mesmo com a escuridão diante de si. Amar é muito forte, e como qualquer sentimento de tamanha intensidade, carrega ao seu lado a dor, que surge forte e inominável nos momentos de perda. Amor, perda e dor, tudo isso define o novo álbum do Swallow the Sun.

Quando fechou o ano de 2015, o futuro do Swallow the Sun parecia brilhante, pois, haviam lançado uma verdadeira obra-prima, o álbum triplo Songs from the North I, II & III, onde mostraram todas as suas facetas, do Funeral Doom ao Gothic Rock. A única incerteza existente era de qual o caminho a ser seguido, dada a grande variedade apresentada no trabalho em questão. Eis então, que no dia 18 de abril de 2016, Aleah Starbridge (Trees of Eternity), companheira de Juha Raivio, fundador e força criativa por detrás da banda, perdeu sua batalha para o câncer. Diante de toda a dor, o futuro do grupo finlandês se tornou uma incógnita.

Felizmente, Raivio optou por expurgar sua dor através da música. O primeiro passo foi lançar o álbum do Trees of Eternity, que já se encontrava na pós-produção, como uma primeira homenagem a sua companheira. Na sequência, surgiu o Hallatar, um tributo a Aleah, onde ao lado do vocalista Tomi Joutsen (Amorphis) e do baterista Gas Lipstick (ex-HIM), deu uma roupagem Doom/Death as letras e poesias que ela havia escrito, lançando o ótimo No Stars upon the Bridge (17). O passo seguinte foi voltar a trabalhar em um álbum do Swallow the Sun. Vale dizer que ainda está programado o lançamento de um trabalho com canções solo de Aleah.


When a Shadow Is Forced into the Light, título retirado da canção Broken Mirror, do Trees of Eternity, é um trabalho profundo e de muitas texturas, possuindo um grande peso emocional, dada toda a história de perda por parte de Raivio. Toda essa bagagem que já vem junto com o álbum não pode ser ignorada. Outra questão importante, é o fato dele ter sido precedido no final de 2018 pelo EP Lumina Aurea, canção não presente aqui, e que vejo como uma espécie de prólogo. A audição da mesma antes se faz recomendada. Contando com participações de Einar Selvik (Wardruna) e Marco Benevento (The Foreshadowing), é uma música que vai te fazer entender muito do momento pelo qual passava Juha Raivio quando da composição do álbum. Altamente sombria e experimental, explora o lado mais profundo e escuro de sua alma. Transborda solidão e dor, e enxergo como a forma de expurgar os demônios que o afligiam. When a Shadow Is Forced into the Light não sairia como saiu, se não fosse por Lumina Aurea.

Marcando a estreia do guitarrista Juho Räihä e do tecladista Jaani Peuhu – ambos tocam ao vivo no Hallatar –, musicalmente When a Shadow Is Forced into the Light é um trabalho não tão pesado como nos acostumamos, quando pensamos no Swallow the Sun. O peso maior não está contido no instrumental, mas no clima sombrio e obscuro que perpassa as 8 canções aqui presentes. Elementos de Doom, Gothic, Post Metal e Black se misturam, gerando uma música altamente emocional e de dor pungente. Pode soar mais leve aos ouvidos em alguns momentos, mas esse peso implícito, e a forte carga emocional gerada, acaba dando a mesma um clima altamente opressor.

Os vocais de Mikko Kotamäki continuam entre os melhores do estilo, e ele é sem dúvida um dos grandes diferenciais do álbum. Não importa se canta limpo ou gutural, ele consegue passar toda a emoção que as músicas pedem de uma forma fantástica. Os backings do tecladista Jaani Peuhu – que faz uma bela estreia, já que seus teclados influenciam muito no clima mais sombrio -, também ajudam demais nessa missão. As guitarras de Raivio e Juho Räihä abusam da criatividade, mesclando elementos diversos e adicionando boas doses de melodia e melancolia, sendo essenciais para o resultado obtido. Na parte rítmica, Matti Honkonen (baixo) e Juuso Raatikainen (bateria) esbanjam técnica, peso, e conseguem dar variedade ao trabalho.


De cara, temos a melancólica “When a Shadow is Forced into the Light” e seu jogo de luz e sombras, equilibrando momentos mais pesados com outros maus suaves. Destaque para as partes sinfônicas e o belo trabalho de baixo e bateria. “The Crimson Crown” é um dos pontos altos do álbum, com peso e um clima fortemente emocional. Forte candidata a se tornar um clássico da banda. “Firelights” é pesada e emocionante, e possui uma visceralidade que a coloca em posição de primazia dentro do trabalho, sendo outra que cairá no gosto dos fãs. “Upon the Water” é mais uma que se destaca pela atmosfera e pelas melodias. Em certo momento, ela te passa uma sensação de angústia, um aperto no peito, que acaba sendo quebrado pelos ótimos vocais limpos de Kotamäki.

“Stone Wings” abre a segunda metade pendendo mais para o Gothic Rock, e poderia estar sem muitos problemas no CD 2 de Songs from the North, por mais que os guturais que surgem na parte final, tragam um pouco mais de peso a mesma. “Clouds on your Side” é possivelmente o momento mais emocionante do álbum, já que tanto a música quanto a letra, contaram com a participação de Aleah em sua composição. É uma canção dolorida, que dilacera em muitos momentos, mas que também consegue trazer luz. Emocionante. “Hear on the Black Earth” tem um clima que te prende, e equilibra muito bem partes pesadas com outras mais suaves. E o refrão é um dos melhores de todo trabalho. Encerrando, temos a agridoce “Never Left”. A forma como ela consegue soar, ao mesmo tempo, desoladora e otimista, faz dela algo único, e um encerramento perfeito para When a Shadow Is Forced into the Light.

Gravado no Fascination Street Studios, e contando com a ajuda do onipotente, onisciente e onipresente Jens Bogren, o álbum foi produzido Raivio e Peuhu, e teve masterização de Tony Lindgren (Amorphis, Dimmu Borgir, Katatonia, Orphaned Land). O resultado é ótimo. A belíssima capa foi obra de Fursy Teyssier (Alcest, Hallatar, Lantlôs, Trees of Eternity), e se conecta diretamente com a de Lumina Aurea, feita por Līga Kļaviņa. Sem abrir mão da emoção em momento algum, e com uma carga emocional muito forte, When a Shadow Is Forced into the Light um álbum denso, que reflete toda a dor de uma perda, mas também a esperança do recomeço. Que com ele, Raivio tenha encontrado a paz de espírito que parece tanto buscar. Desde já, forte candidato a álbum do ano! Aos interessados, a Urubuz Records lançará uma versão nacional do mesmo.

“Eu não sei se a vida é maior que a morte, mas o amor foi maior que ambas.”
(Tristão e Isolda)


NOTA: 93

Swallow the Sun é:
- Mikko Kotamaki (vocal);
- Juha Raivio (guitarra e teclado);
- Juho Raiha (guitarra);
- Matti Honkonen (baixo);
- Juuso Raatikainen (bateria);
- Jaani Peuhu (teclado e vocal).

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Nailed to Obscurity – Black Frost (2019)


Nailed to Obscurity – Black Frost (2019)
(Nuclear Blast Records – Importado)


01. Black Frost
02. Tears of the Eyeless
03. The Aberrant Host
04. Feardom
05. Cipher
06. Resonance
07. Road to Perdition
Bônus Track
08. Abyss (2019 Version)
09. Autumn Memories (2019 Version)
10. Fallen Leaves (2019 Version)

Eis um lançamento que eu esperava com certa ansiedade. Para quem não conhece, o Nailed to Obscurity é uma banda alemã, surgida no ano de 2007, e que se envereda pelos caminhos do Melodic Doom/Death Metal. Vindo de uma sequência de 2 ótimos álbuns, Opaque (13) e King Delusion (17), conseguiram um contrato com a Nuclear Blast, o que certamente vai possibilitar ao quinteto formado por Raimund Ennenga (vocal), Jan-Ole Lamberti (guitarra), Volker Dieken (guitarra), Carsten Schorn (baixo) e Jann Hillrichs (bateria), um reconhecimento merecido.

King Delusion foi uma das surpresas mais agradáveis de 2017, e sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns daquele ano. A forma como conseguiram mesclar peso, agressividade, melodia e uma atmosfera mais emocional, beirou a perfeição e os colocou entre as melhores bandas do estilo. Debutando pela maior gravadora de Metal da atualidade, o mais lógico seria apostar na segurança e repetir a fórmula do trabalho anterior, mas os alemães resolveram subverter essa lógica e simplesmente dar um passo a frente em seu processo evolutivo.

O que observamos em Black Frost, é que optaram por algo um pouco mais experimental, com uma maior presença de elementos Progressivos e menos peso nas canções. Para situar melhor o leitor, é como se o Opeth de início de carreira e o Katatonia atual se casassem e tivessem um filho e dessem a ele o nome de Nailed to Obscurity. Menos pesado e mais progressivo, Black Frost pode ter um efeito menos impactante no ouvinte em um primeiro momento, mas a medida que as audições vão ocorrendo, vai crescendo, e sua qualidade se torna inegável.


Os guturais de Ennega continuam excelentes, e em alguns momentos podem remeter aos de  Åkerfeldt nos primórdios do Opeth, o que convenhamos, não é demérito algum. Ele também faz um uso maior dos vocais limpos, que funcionam bem e estão satisfatórios. Está aí algo que pode vir a melhorar no futuro. As guitarras de Lamberti e Dieken realizam um trabalho fantástico, não só entregando ótimos riffs, como equilibrando peso e melodias. Quanto a parte rítmica – com o baixista Carsten Schorn e o baterista Jann Hillrichs – realizam um trabalho seguro, preciso e técnico, dando boa variedade as canções aqui presentes.

“Black Frost” já nos dá de cara um bom cartão de visitas. Atmosfera obscura, bons riffs, toques de Progressivo e uma boa variação entre vocais limpos e guturais. “Tears of the Eyeless” mostra boa intensidade e trafega com muita naturalidade entre o pesado e o melódico. “The Aberrant Host” apresenta alguns dos momentos mais pesados de todo álbum, e possui uma atmosfera bem sinistra, que também se faz presente em “Feardom”. “Cipher” é uma canção bem emocional e com um que de Katatonia, mas sem soar como cópia, já que o Nailed to Obscurity tem uma identidade toda sua. “Resonance” é simples, tem bom peso e um toque gótico que a diferencia das demais, e “Road to Perdition” encerra o trabalho de forma primorosa. Mesclando suavidade e agressividade, ela acaba por ser uma fotografia perfeita do álbum, definindo o momento atual da banda. A versão em Digipack conta com 3 faixas bônus, “Abyss”, “Autumn Memories” e “Fallen Leaves”

Gravado no Woodshed Studio, na Alemanha, mais uma vez o trabalho de produção ficou nas mãos de V. Santura (Triptykon, Sulphur Aeon, The Ruins of Beverast, Obscura, Dark Fortress), com ótimos resultados. Como em time que está ganhando não se mexe, para a capa, repetiram a parceira do CD anterior, com o argentino Santiago Caruso (Jupiterian, October Falls). King Delusion elevou em muito o nível, e superá-lo era uma tarefa muito difícil. Se conseguiram ou não, isso fica muito da opinião do ouvinte, mas o fato de terem se recusado a seguir uma fórmula pronta e repetir o antecessor, é algo muito positivo, e não dá para negar que essa linha mais atmosférica/progressiva funcionou bem para o Nailed to Obscurity. Se você é fã de bandas como Katatonia, Opeth, Décembre Noir, October Tide e Swallow the Sun, certamente vai aprovar Black Forst.

NOTA: 87

Nailed to Obscurity é:
- Raimund Ennenga (vocal);
- Jan-Ole Lamberti (guitarra);
- Volker Dieken (guitarra);
- Carsten Schorn (baixo);
- Jann Hillrichs (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Doom/Gothic

Melhores de 2018 - Doom/Gothic


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Deathwhite - For a Black Tomorrow 


02. Altars of Grief - Iris 


03. Clouds - Dor 


04. Hamferð - Támsins likam


05. Hinayana - Order Divine


06. HellLight - As We Slowly Fade


07. Imago Mortis - LSD 


08. Fallen Idol - Mourn The Earth 


09. Netuno Doom - The Universe The Prison


10. Monolithe - Nebula septem

 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Paradise Lost – In Requiem (2007/2018)


Paradise Lost – In Requiem (2007/2018)
(Century Media/Shinigami Records – Nacional)


01. Never for the Damned
02. Ash & Debris
03. The Enemy
04. Praise Lamented Shade
05. Requiem
06. Unreachable
07. Prelude to Descent
08. Fallen Children
09. Beneath Black Skies
10. Sedative God
11. Your Own Reality

Draconian Times foi o auge criativo do Paradise Lost, assim como um ponto de virada em sua carreira. As altíssimas vendas geraram uma carga de shows pesada e estafante, e a vontade de buscar novos horizontes criativos. Isso pode ser observado em seus trabalhos seguintes, One Second, Host e Believe in Nothing, mais experimentais e que não foram, ao menos na época, muito bem recebidos por uma parcela dos seus fãs. Após isso, começaram a seguir um caminho oposto, retornando lentamente ao seu passado musical, mostrando que é possível sim, caminhar adiante sem deixar de olhar para o passado.

In Requiem é o álbum que marca o retorno do Paradise Lost ao Metal Gótico dos tempos de Icon e Draconian Times, tanto que não soaria nada deslocado se tivesse sido lançado na sequência desse último. Por mais que o caminho para ele tenha sido pavimentado pelos 2 trabalhos anteriores, Symbol of Life e Paradise Lost, o que escutamos aqui não deixa de ser inesperado. Diversificado e consistente, equilibra muito bem as diversas facetas da banda, soando pesado, épico, agressivo e sombrio, mas sem abrir mão das belas melodias e de alguns dos melhores solos de sua carreira. Aliás, vale dizer que o trabalho das guitarras aqui é primoroso, com destaque claro para Greg Mackintosh e seus riffs envolventes e melancólicos.

A primeira metade de In Requiem prima principalmente pelo peso, soando bem forte, com riffs pesados e alguns elementos de Doom presentes. É onde temos as melhores canções de todo álbum. A segunda parte também possui boas qualidades, mas já se envereda um pouco mais pelo Gothic Rock, primando bem mais pelas melodias cativantes. Mesmo que esteja levemente abaixo, não compromete em nada, já que não existe uma música sequer que possamos chamar de fraca. Além do já citado trabalho das guitarras, vale destacar o belíssimo trabalho vocal de Nick Holmes. Mesclando o estilo de Icon/Draconian Times, com o que observamos na fase seguinte, consegue soar forte e altamente emocional.


São 11 canções do mais alto nível, mas onde cabem alguns destaques. “Never for the Damned” tem ótimos riffs e vocais, além de belos solos, e “Ash & Debris” não fica nada atrás nesse sentido, destacando-se pelo uso discreto e competente dos teclados. Ainda hoje considero “The Enemy” uma das 10 melhores canções da carreira do Paradise Lost, com seu peso e refrão primoroso. Os corais femininos são um diferencial a parte. Um clássico. “Praise Lamented Shade” é daquelas canções sombrias e melancólicas que sempre marcaram a carreira dos ingleses, enquanto Requiem é simplesmente primorosa. Mackintosh e Aedy brilham com um trabalho de guitarra que transborda melancolia, e não é exagero dizer que ela teria espaço em um álbum como Shades of God. “Beneath Black Skies” não abre mão do peso, mas se envereda mais pelos caminhos do Gothic Rock, com destaque principalmente para sua introspecção e refrão. O encerramento, com “Your Own Reality”, também vale ser destacado, graças a sua suavidade e belíssimas melodias, que dão um ar sombrio a canção.

A produção de Rhys Fulber mostra qualidade, com a mixagem de Mike Fraser (Dio, Metallica, Rush, Slayer), e masterização de U.E. Nastasi (Dream Theater, Gojira, Lamb of God, Cradle of Filth) fazendo a diferença no bom resultado. Já a capa, do renomado Seth Siro Anton (Moonspell, Rotting Christ, Exodus), é para mim, uma das melhores da carreira da banda. No fim, temos em mãos um ótimo álbum de Gothic Metal, onde é possível perceber toda a paixão da banda pelo que fazem. In Requiem mostrou que ao contrário do que alguns pensavam, que o Paradise Lost ainda era sim, uma banda absurdamente criativa e capaz de lançar ótimos álbuns. O Rei estava mais vivo do que nunca, e de volta ao trono que sempre foi seu por direito.

NOTA: 88

Paradise Lost (gravação)
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra/teclado);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Jeff Singer (bateria).

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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Agony Voices - Mankinds Glory (2015)


Agony Voices - Mankinds Glory (2015)
(Independente - Nacional)


01. Mankinds Glory
02. Nocturnal Minds
03. A New Beginning
04. No Traces
05. World of Devastation
06. Desire for Pain
07. Mysteries of Fear
08. Labirynth
09. Delusions of Death
10. Abyss of Despair

O Doom Metal não é um dos estilos mais populares entre os fãs de Metal no Brasil, mas, mesmo assim, nos últimos anos observamos um crescimento do mesmo por esses lados. Isso se deu não só com o surgimento de ótimos nomes na cena, caso de bandas como Aporya, Dying Suffocation, Fallen Idol, Saturndust, Under The Gray Sky, Les Memoires Fall, Durty Grave ou Lelantos (a lista é maior e eu poderia ficar até amanhã as enumerando), como também por uma maior valorização de veteranos, como  Mythological Cold Towers, HellLight, The Cross e Imago Mortis. Da nova geração  outro nome que vale muito a pena citar é o Agony Voices.

Surgido no ano de 2005, na cidade catarinense de Blumenau, o Agony Voices se enveredou pelos campos do Doom/Death, aquele mesmo que no começo dos anos 90 consagrou nomes seminais como Paradise Lost, Katatonia, Anathema e My Dying Bride. Isso ficou bem audível em seu trabalho de estreia, The Evil (11), onde era possível observar uma banda com um potencial de crescimento muito bom. Após o lançamento, passaram por uma importante mudança, com a inclusão de uma segunda guitarra, a cargo de Silvia. Isso se refletiu na sonoridade de Mankinds Glory, seu 2º trabalho de estúdio, lançado no ano de 2015.

Se você viveu a cena Doom/Death do início dos anos 90, certamente vai se recordar de como seus principais nomes foram evoluindo sua sonoridade, trabalho após trabalho, com a adição de novos elementos musicais. É exatamente o que observamos acontecendo em Mankinds Glory, já que os catarinenses adicionaram a sua receita, toques de Gothic Doom. A segunda guitarra permitiu trabalharem melhor as composições e melodias, e mesmo que em muitos momentos aquela sonoridade mais pesada da estreia se faça presente, na maior parte do tempo o que observamos é uma música menos crua e agressiva, graças a mescla de passagens mais tranquilas e cadenciadas com alguns momentos mais extremos e pesados.


Isso já pode ser observado na abertura, com a ótima  “Mankinds Glory”, com um ótimo trabalho das guitarras. Na sequência, temos duas músicas que remetem mais ao debut,  “Nocturnal Minds” e  “A New Beginning”, ambas com uma carga maior de peso e agressividade. “No Traces” é dessas canções tão densas, que dá até para você cortar o ar  com uma faca durante a sua audição, enquanto “World of Devastation” é muito bem trabalhada e tem algumas melodias sombrias e interessantes, assim como “Desire for Pain”. “Mysteries of Fear” tem um bom trabalho vocal, alternando entre o gutural e o limpo. Os vocais limpos voltam a surgir na melancólica “Labirynth”, onde o trabalho das guitarras me remeteu ao Paradise Lost em alguns momentos. “Delusions of Death” é outra que esbanja densidade, e encerrando, temos a ótima e sombria  “Abyss of Despair”, com sua dose extra de melancolia.

A produção foi realizada pela própria banda, com a mixagem e masterização feitas por Roger Fingle (Desolate Ways, Hollow, Luciferiano, Sodamned). O resultado é muito bom e conseguiu aliar organicidade com peso e clareza, algo cada vez mais raro atualmente. Já a parte gráfica, belíssima por sinal, foi obra de Rodrigo Bueno (HellLight, Lacrima Mortis, Mythological Cold Towers). Soando mais maduro e coeso, o Agony Voices confirmou com  Mankinds Glory, o potencial que havia demonstrado no seu debut, além de dexiar claro que pode crescer ainda mais. Altamente recomendado aos fãs de Doom Metal.

NOTA: 86

Agony Voices (gravação):
- Jonathan (vocal);
- Barasko (guitarra);
- Silvia (guitarra);
- Jr. Klock (baixo);
- Luis (bateria).

Agony Voices é:
- Jonathan (vocal);
- Barasko (guitarra);
- Silvia (guitarra);
- Valda (baixo);
- Luis (bateria).

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