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terça-feira, 22 de junho de 2021

Coagulate - The Art of Cryptosis (2020) (Demo)

 


Coagulate - The Art of Cryptosis (2020) (Demo)
(Black Hole Productions - Nacional)

01. Fascist Dissection
02. 18th Parallel Succubus Masquerading Transcendence to Divinity (Liar upon the Cross)
03. Beneath Cruciform Hills
04. Protoplasmic Ensnarement (The Draining of Your Flesh)

Surgido no ano de 2017, em Minneapolis, Estados Unidos, o Coagulate chama a atenção pela maturidade do som que apresenta em seu trabalho de estreia, a Demo “The Art of Cryptosis”. Praticando um Death metal de pegada mais Old School e que remete aquela sonoridade dos anos 90, algo que certamente vai fazer a alegria dos fãs do estilo.

São apenas 4 músicas, mas que conseguem deixar o ouvinte com vontade de dar o play novamente e reiniciar a audição. O Death Metal da banda se mostra bem técnico, soando bem cru e intenso, com boas mudanças de andamento, que impedem que as canções soem repetitivas. A abertura, com  “Fascist Dissection”, apresenta ótimos riffs, além de variar bem entre partes mais velozes e outras mais cadenciadas. “18th Parallel Succubus Masquerading Transcendence to Divinity (Liar upon the Cross)” parece saída diretamente dos anos 90, e se destaca pelos riffs cortantes, enquanto “Beneath Cruciform Hills” soa simplesmente esmagadora. Encerrando, temos a densa e bruta “Protoplasmic Ensnarement (The Draining of Your Flesh)”.

Sinceramente, esse trabalho se passaria tranquilamente por um EP, dada a qualidade tanto da sua produção quanto da parte gráfica. Tudo muito bem feito e caprichado. Se você é fã de um Death metal cru e agressivo, e está sempre buscando conhecer novos nomes, eis aqui um CD que merece espaço na sua coleção.

Coagulate é:
Andrew MV (vocal, guitarra)
Aaron Wolff (guitarra)
Andy Topeff (baixo)
Jameson Sellers (bateria)

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Quilombo – Itankale (2019)

Quilombo – Itankale (2019)
(Poluição Sonora Records – Nacional)


01. Melanina

02. Ancestralidade

03. Treze Nações

04. Descendentes de Reis

05. Semi Deusas

06. Diáspora D.C


Por mais que alguns insistam em negar o óbvio, sim, somos uma sociedade racista. A questão é que o racismo no Brasil é uma questão tão estrutural, e se encontra presente em tantos detalhes do nosso dia a dia – na linguagem diária, por exemplo –, que muitas vezes, mesmo sem se dar conta, propagamos atitudes racistas. O Brasil foi o último país do ocidente a abolir oficialmente a escravidão, mas a verdade é que ela nunca deixou de existir, já que o negro continua sofrendo com os reflexos da mesma, mesmo tendo passado 132 anos desde a promulgação da Lei Áurea. Nesse tempo, o racismo estrutural não foi apenas continuado, foi radicalizado..

Como combater isso? As formas são diversas, e invariavelmente passam não só pelo ponto de o branco abrir mão de seus privilégios – sim, ser branco no Brasil é um privilégio que muitos se recusam a aceitar –, como também abrir e ceder espaço para dar vazão as vozes negras, para permitir que ocupem espaços de privilégio branco. E o mais importante de tudo, escutar e aprender com o que eles têm a falar. Nesse ponto, “Itankale” – que em Iorubá significa propagação –, EP de estreia do Quilombo, tem muito a nos ensinar.

Para quem desconhece, o Quilombo é uma banda surgida no ano de 2018, pelas mãos do baterista e vocalista Panda Reis, e do guitarrista Allan Kallid, ambos do Oligarquia. A premissa é, através de suas letras e músicas, contar a história dos negros pelos negros, se utilizando de fontes que por muito tempo foram desconsideradas e caladas, pelo simples fato de não serem fontes brancas. O negro não podia falar sobre si. O que temos aqui é a história dos negros contada por quem possui realmente lugar de fala para tratar do assunto.

Musicalmente, “Itankale” é uma verdadeira paulada, já que apresenta um Death Metal que se mescla com Grindcore e esbanja intensidade e violência. Os vocais de Panda são brutais, mas ainda sim permite que o ouvinte compreenda as letras – que possuem muito a dizer – enquanto esbanja técnica na bateria. Allan ficou a cargo da guitarra e do baixo, e faz um trabalho excelente, principalmente no que tange aos riffs, afiadíssimos. A percussão, que surge muito bem encaixada em diversos momentos do álbum, e sem soar destoante, ficou por conta do músico convidado Binho Gerônimo. Outro a participar foi o guitarrista Guilherme Sorbello, presente em uma das músicas do EP.

“Melanina” abre o trabalho com uma introdução simplesmente de arrepiar, onde vocalizações típicas da cultura africana dão o tom. Aliás, cada uma das músicas aqui presentes, é introduzida por alguma referência a cultura negra. Quando o Death/Grind explode nos falantes, ela se torna suja, odiosa, crua e raivosa, como deve ser uma canção do estilo. Os elementos percussivos foram magistralmente encaixados nas passagens mais cadenciadas, tornando a faixa um dos grandes destaques do EP. “Ancestralidade” é a devastação em forma de música, e vai esmagar os tímpanos daqueles menos acostumados a sonoridades pesadas, sendo seguida pela bruta “Treze Nações”. Outra que se destaca pela brutalidade é “Descendentes de Reis”, um verdadeiro atropelo em forma de música. “Semi Deusas”, com seus pés bem fincados no Punk, fala em sua letra de mulheres negras, tanto do passado como da atualidade, que são importantes politica e culturalmente. Encerrando, a agressiva “Diáspora D.C”, que soa como uma betoneira descendo uma ladeira sem freio. Um atropelo sem chance de sobrevivência.

Gravado e mixado no O Beco Estúdio, o EP teve sua produção a cargo de Guilherme Sorbello, e a qualidade é boa, já que tudo está claro e audível, mas mantendo aquela sujeira necessária ao estilo. A capa foi obra de Artur Fontenelle, e une a cultura ancestral africana, com diversas personalidades negras ao nível mundial. Ficou realmente muito legal. Ríspido, brutal e intenso, “Itankale” é um desses álbuns feitos para moer as vértebras do pescoço até mesmo dos mais calejados do estilo. Mais do que música, o que temos aqui é um grito de resistência mais do que necessário nos tempos atuais. Que venha o primeiro álbum completo! Quilombo é Death Metal contra o racismo!


Quilombo é:

- Panda Reis (vocal/bateria)

- Allan Kallid (guitarra/baixo)


https://www.facebook.com/Quilombometal/

https://twitter.com/quilombodeath

https://quilombo.bandcamp.com/releases


 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)


Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)
(Metal Blade Records - Importado)


01. Anthropogenic: End Transmission
02. The Geocide
03. Be Still Our Bleeding Hearts
04. Vulturous
05. The Great Dying
06. One Day Closer to the End of the World
07. Bring Back the Plague
08. Absolute Destitute
09. The Great Dying II
10. Finish Them
11. With All Disrespect
12. Time's Cruel Curtain
13. The Unerasable Past
14. Death Atlas

A caminhada do Cattle Decapitation rumo ao posto de um dos maiores nomes do Metal Extremo de todos os tempos foi longa, e teve início 20 anos atrás, com o lançamento do EP Human Jerky. A verdade é que obstante a qualidade, nada ali indicava que aquela banda, surgida 3 anos antes no estado da Califórnia, Estados Unidos, se tornaria essa força da natureza que temos hoje. Os primeiros indícios disso só surgiram em seu 3º álbum, Humanure (04), onde finalmente deixaram de ser aquela banda curiosa, formada apenas por vegetarianos, e começaram a despertar a atenção real dos amantes de música pesada. Seu lançamento seguinte, Karma Bloody Karma (06), manteve esse viés de crescimento, mas foi com o ótimo The Harvest Floor (09), que consolidaram e aprimoraram de vez sua sonoridade.

O passo seguinte foi o monstruoso e quase perfeito Monolith of Inhumanity (12), quando pareciam ter chegado ao auge, impressão essa que foi por terra com o magnífico The Anthropocene Extinction (15), um trabalho obrigatório para qualquer um que se diga fã de Death Metal. Sendo assim, não preciso dizer que a ansiedade pelo lançamento de Death Atlas, seu 8º álbum de estúdio, era imensa. A pergunta era uma só: o Cattle Decapitation conseguiria manter um nível tão alto de inspiração, após duas obras-primas? Aqui temos a resposta. De cara, chama a atenção a estreia de 2 novos membros, o baixista Olivier Pinard, que substituiu Derek Engemann, e a inclusão de um segundo guitarrista, Belisario Dimuzio. Sim amigos, Josh Elmore agora tem companhia na usina de riffs da banda, o que acabou por deixar as canções mais densas, ainda que as duas guitarras não tenham sido efetivamente exploradas, abrindo espaço para um crescimento futuro.


Antes de tudo, faz-se necessário deixar claro que temos em Death Atlas um sucessor digno dos dois álbuns anteriores. Em linhas gerais, podemos dizer que ele não é inovador para a banda, como foi Monolith, e nem possui o frescor de The Anthropocene, mas ainda sim alcança o altíssimo nível de qualidade apresentado anteriormente. O Cattle continua desafiando limitações de gênero, mesclando seu Death Metal altamente técnico com elementos de Grindcore, Black, Deathcore e Doom, enriquecendo sua música e gerando uma sonoridade variada. Os elementos progressivos incorporados nos trabalhos anteriores continuam presentes e bem evidentes, assim como as melodias, que surgem em maior quantidade, mas tudo isso sem que precisem abrir mão da sua brutalidade característica. Partes mais velozes, herança dos primórdios Grindcore, se equilibram bem com momentos mais cadenciados, o que ajuda demais no ar sombrio e nas atmosferas perturbadoras presentes durante toda a audição.

Individualmente, todos ganham espaço para mostrar suas qualidades. Travis Ryan continua um vocalista monstruoso, e o nível de intensidade que atinge beira o absurdo. A variação vocal existente no trabalho é muito grande, atingindo um espectro vocal bem amplo. Alguns podem se incomodar com uma presença maior de vocais limpos e semi-limpos, mas isso não é nada que chegue a comprometer o resultado, pois mesmo nessas passagens, sua voz soa ameaçadora. Nas guitarras, como dito, a entrada de Derek Engemann deixou tudo mais denso, e Josh Elmore continua sendo aquela máquina de produzir riffs afiadíssimos e abrasivos. Verdadeiros moedores de tímpanos. Na parte rítmica, o estreante Olivier Pinard se sai muito bem, mostrando técnica e precisão, enquanto David McGraw mostra seu já conhecido poder de destruição. O que esse cara faz é desumano, e de uma ferocidade sem par. Muito da fúria do Cattle Decapitation hoje, pode e deve ser colocada na sua conta. Um monstro!

Após uma breve introdução, com “Anthropogenic: End Transmission”, onde transmissões em diversas línguas – incluindo o português –, deixa claro todo o apocalipse vindouro, os falantes explodem em fúria com a impiedosa “Geocide”, uma verdadeira carnificina em forma de música, que brada que o fim da humanidade está próximo. “Be Still Our Bleeding Hearts” mantém a pegada, esbanjando técnica e riffs assassinos, sendo seguida pela corrosiva “Vulturous”, um Death Metal agressivo e de bom groove. “The Great Dying” soa quase como uma vinheta atmosférica, onde uma voz robótica alerta para o fato da humanidade estar se condenando a extinção. “One Day Closer to the End of the World” é uma das melhores canções já elaboradas pela banda, e não é menos que fantástica, e no meio de toda a sua fúria e groove, pergunta: “O que fizemos a nós mesmos?”


A pandêmica e negra “Bring Back the Plague” chega exterminando tudo com seus ótimos riffs e belo trabalho vocal, enquanto a intensa e avassaladora “Absolute Destitute” traz elementos oriundos do Black Metal, algumas boas melodias e um clima sombrio. Após um breve alívio, com a instrumental “The Great Dying II”, a pancadaria desenfreada retorna com “Finish Them”, que remete o ouvinte aos trabalhos mais recentes do Cannibal Corpse. “With All Disrespect” é outro momento simplesmente avassalador, com seus toques de Black salpicados aqui e ali; “Time's Cruel Curtain” se mostra bem variada, e poderia estar em The Anthropocene Extinction, e a atmosférica “The Unerasable Past” soa como uma vinheta, um descanso que prepara para o ponto alto do álbum, a magistral “Death Atlas”. Transbordando angústia, ela traz em si, um resumo do que é a música do Cattle Decapitation hoje: veloz, pesada, variada, sombria, carregada de riffs abrasivos e vocais viscerais. O encerramento perfeito, a trilha sonora para o Antropoceno que está por vir.

Mais uma vez o álbum foi produzido, mixado e masterizado por David Otero (Cephalic Carnage, Khemmis, Skinless, Visigoth), com resultados não menos do que ótimos. A verdade é que Otero consegue captar o som do Cattle como poucos, e deixar tudo claro, limpo, com cada detalhe audível, mas sem tirar o peso, a agressividade e a fúria da banda. A capa, uma das mais bonitas que você verá em 2019, ficou mais uma vez a cargo de Wes Benscoter, algo que ocorre desde To Serve Man (02). Death Atlas é melhor que seus antecessores? Parafraseando uma famosa atriz brasileira, não sou capaz de opinar. Essa é uma resposta muito pessoal, que certamente vai variar de ouvinte para ouvinte, afinal, a forma como a música atinge as pessoas, é muito subjetiva, mas uma coisa afirmo sem medo: Death Atlas é o melhor álbum do ano!

NOTA: 94

Cattle Decapitation é:
- Travis Ryan (vocal);
- Josh Elmore (guitarra);
- Belisario Dimuzio (guitarra);
- Olivier Pinard (baixo);
- David McGraw (bateria).

Particpações Especiais:
- Riccardo Conforti (bateria, teclado e samples na faixa 1)
- Jon Fishman (narração na faixa 13)
- Dis Pater (bateria e teclado na faixa 13)
- Laure Le Prunenec (vocais adicionais na faixa 14)

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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

DarkTower – Obedientia (2019)


DarkTower – Obedientia (2019)
(Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Cangaço Rock Comunicações/Native Blood Produções – Nacional)


01. Punishment
02. Downfall
03. God Above Nothing
04. Higland Ceremony
05. Winged Snake Communion
06. Praxis Against Ignorance
07. Obedientia
08. Rites of Conscience
09. The Carnal Esplendour
10. ...As the Obedient Marches to the Abyss…

Na estrada desde 2006, os cariocas do Dark Tower vão consolidando o seu nome no underground nacional na base da brutalidade e agressividade. Donos de um Black/Death simplesmente devastador, após alguns EP’s e singles, lançaram seu debut, ...of Chaos and Ascension em 2013, sendo seguido 3 anos depois pelo ótimo Eight Spears. Agora, após igual espaço de tempo, retornam com seu 3º trabalho de estúdio, Obedientia, que segundo as palavras da própria banda, “é um manifesto contra essa onda de obediência cega, que assola a sociedade nos dias atuais, e fala de todo tipo de libertação e rebeldia, seja ela espiritual, cultural, sexual e filosófica.”. Impossível não destacar o ótimo trabalho nas letras, que complementam com perfeição a parte musical.

Algo que sempre me chamou a atenção nos trabalhos da banda, é o salto evolutivo que dão entre um lançamento e outro. Quando você pensa que não tem como melhorar, eles vão lá e mostram que você estava equivocado. Com Obedientia isso não é diferente. Se no álbum anterior havia ocorrido um recrudescimento de sua sonoridade, com doses menores de melodia, aqui elas voltam a dar as caras, e com ótimos resultados. Isso se dá muito pelo fato de terem trazido novas influências para sua música, com mais destaque para o Metal Tradicional. Mas não pense que isso significa que seu Black/Death se tornou menos bruto e furioso, pois ele continua ali, intocado e destruindo pescoços alheios, assim como aquela crueza que marca a banda. As citadas melodias aparecem, principalmente, nos solos, que estão simplesmente espetaculares aqui, e em algumas passagens mais cadenciadas.

Os vocais de Flávio Gonçalves continuam sendo um dos pontos altos do trabalho do Dark Tower, com aquela boa variação entre o rasgado e o gutural, que evita que os mesmos se tornem maçantes. Em contrapartida, as vocalizações limpas do baixista Rodolfo Ferreira, que eventualmente surgiam em uma ou outra canção, não aparecem em momento algum aqui. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais mais uma vez soam afiadíssimas, entregando não só ótimos riffs, como belíssimos solos, com boas cargas de melodia. Quanto a parte rímica, com Rodolfo e o baterista estreante, Rômulo Grilo, mostram muita coesão, peso e técnica, dando boa variedade as canções.


Após uma breve e sombria introdução, intitulada “Punishment”, surge a caótica e veloz “Downfall”, carregada de um peso opressivo, energia e um ótimo refrão. O álbum tem sequência com a bruta “God Above Nothing”, com seus ótimos riffs e potencial de destruição em massa de tímpanos mais delicados. É o epítome do caos. “Higland Ceremony” é uma curta vinheta que serve de introdução para mais uma faixa destruidora, “Winged Snake Communion”, onde os destaques ficam pelo peso e pelas boas melodias oriundas do Metal Tradicional que as guitarras nos entregam. “Praxis Against Ignorance” alterna muito bem passagens mais cadenciadas e melódicas com outras mais ríspidas e recheadas de riffs cortantes, além de possuir uma aura mais sombria, características também presentes na ótima Obedientia, com sua brutalidade e um belíssimo solo de guitarra. A áspera “Rites of Conscience” traz boas melodias, um trabalho de guitarras que resvala levemente no Thrash, sendo seguida por “The Carnal Esplendour”, um Caterpillar 797F sem freio, descendo uma ladeira, em forma de música, tamanho o atropelo. Franca, grosseira e agressiva. Encerrando, para contrapor com todo o peso e raiva que escutamos, a curta, serena e melódica instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss…”.

A produção foi realizada pela banda e por Rômulo Pirozzi (Ágona, As Dramatic Homage, Hatefulmurder, Vociferatus), sendo que este também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização ficou novamente nas mãos do ex-Rotting Christ Giorgos Bokos (Melechesh, George Kollias, Unearthly). O resultado é muito bom, já que deu a clareza necessária ao Black/Death da banda, mas sem tirar sua crueza, peso e organicidade. Já a capa e a parte gráfica, ambas belíssimas, foi obra do baixista Rodolfo Ferreira. Mantendo o seu viés evolutivo e de crescimento, o Dark Tower conseguiu superar seu ótimo trabalho anterior, e mostrando estar mais que pronta para assumir uma posição entre os principais nomes do underground brasileiro. Um dos melhores álbuns nacionais de 2019. Programado para sair no dia 5 de novembro, a banda já iniciou o processo de pré-venda de Obedientia, em um pacote que além do CD, possui pôster, adesivos e palhetas, além do valor do frete incluso. Caso interesse, a compra pode ser efetuada no seguinte link: https://pagseguro.uol.com.br/checkout/nc/cart.jhtml?s=de7485884f86bd47adc6d62d8c7a86e884e7a19bbe152ab6f141f336a0d7f8dc#rmcl

NOTA: 89

DarkTower é:
- Flávio Gonçalves (vocal);
- Raphael Casotto (guitarra);
- Rafael Morais(guitarra);
- Rodolfo Ferreira (baixo);
- Rômulo Grilo (bateria)

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Possessed – Revelations of Oblivion (2019)


Possessed – Revelations of Oblivion (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Chant Of Oblivion
02. No More Room In Hell
03. Dominion
04. Damned
05. Demon
06. Abandoned
07. Shadowcult
08. Omen
09. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple Of Samael

O que dá o status de lenda para uma banda? Vender milhões de cópias de seus álbuns? Ter um avião só seu, para te carregar mundo afora em turnês que duram anos? Lotar estádios e fechar noites de grandes festivais? Ter um álbum a mais de 500 semanas na Billboard 200? Possivelmente a resposta é positiva para todas essas perguntas. Ainda sim, você não precisa disso tudo para se tornar uma lenda e ter seu nome gravado a ferro e fogo na história do Metal. Surgido no ano de 1983, o Possessed é a maior prova disso, já que não se encaixa em qualquer dos critérios citados. Para se tornar uma lenda, “apenas” estabeleceram com seu debut, Seven Churches (85), as bases para o que viria a ser o Death Metal – e, porque não, do Black –, sendo para muitos, a primeira banda do estilo. E como se isso fosse pouco, lançaram na sequência, dois outros trabalhos seminais, Beyond the Gates (86) e o EP The Eyes of Terror (87).

Apesar de todo impacto que seus trabalhos tiveram para a música extrema, a banda encontrou seu fim ainda no ano de 1987, deixando aquela sensação amarga de que poderiam ter ido muito mais além. Entre 1990 e 1993, chegaram a retornar, pelas mãos do guitarrista Mike Torrao, mas nada foi ser lançado. Em 2007, o retorno definitivo com Jeff Becerra, mas com o foco sendo mantido apenas nas apresentações ao vivo, com um álbum de inéditas parecendo um sonho distante. Então eis que a banda anunciou Revelations of Oblivion, elevando os níveis de ansiedade de todos os seus fãs, já que era algo que todos sonhavam a décadas. Mas o que esperar de um novo álbum do Possessed após tanto tempo? Conseguiriam alcançar o nível de excelência esperado?

Em primeiro lugar, de forma alguma tentem comparar Revelations of Oblivion com Seven Churches ou Beyond the Gates. O impacto causado por esses trabalhos no Metal Extremo são inegáveis, mas já se passaram 3 décadas desde que foram lançados. Nesse tempo, o mundo mudou, a música mudou, as pessoas mudaram. Cada álbum deve ser analisado tendo em mente o presente qual é lançado e não um passado que a muito ficou para trás. Fora isso, é uma banda nova, com novos músicos. Querer exigir o mesmo nível de excelência, sem ter esses fatores em mente, além de injusto, é errado. Posto isso, o que temos aqui é um raivoso, que une passado e presente e traz o Thrash/Death do Possessed para o século XXI. Tudo que você espera está ali, mas com uma produção forte e moderna, que atualiza sua sonoridade. Os vocais de Becerra estão bem fortes, como se viessem das profundas do inferno, enquanto as guitarras de Daniel Gonzales (Gruesome) e Claudeous Creamer (ex-Dragonlord) soam como portadoras com caos, com seus riffs agitados, frenéticos, e ótimos solos. O baixo de Robert Cardenas (Masters of Metal, ex-Agent Steel) e a bateria de Emilio Marquez (Asesino) formam uma parte rítmica consistente, técnica, bruta e demoníaca.


A introdução, com “Chant Of Oblivion”, faz você se sentir dentro de um filme de terror, e cria a ambientação perfeita para tudo que se dará na sequência. No More Room In Hell chega veloz e bruta, rasgando os tímpanos dos mais desavisados com sua energia, fúria e riffs frenéticos. A bruta “Dominion” se destaca pela violência das guitarras e pelos vocais, enquanto “Damned” é um  Thrash raivoso e com alta capacidade destrutiva de pescoços. “Demon” se destaca não só pelas boas mudanças de velocidade, como também pelo ótimo trabalho rítmico e de guitarras. “Abandoned” é um Death Metal que transborda ódio e selvageria, além de contar com ótimos solos. “Shadowcult” soa verdadeiramente diabólica, muito disso devido à agressividade dos seus riffs, enquanto Omen é um exemplo de união entre passado e presente no trabalho do Possessed. Furiosa, com um pé no passado, mas soando atual.“Ritual”, com sua energia e ótimo trabalho de bateria é outra que se encaixa nesse padrão. Na sequência final, temos a inflamada “The Word” e sua mescla de melodia e violência, a variada “Graven”, com sua brutalidade e bom trabalho vocal, e a curta instrumental “Temple Of Samael”.

A produção ficou a cargo do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Amorphis, Destruction, Immortal), com co-produção de Jeff e Daniel. Peter também foi o responsável pela mixagem e masterização, sendo que essa última, compartilhou com Jonas Kjellgren (Dark Funeral, Katatonia, Overkill, Sabaton). Os resultados alcançados foram ótimos, já além de clareza e agressividade, conseguiu transpor para os tempos atuais a sonoridade da banda, sem que ela se descolasse de suas raízes. A capa ficou por conta do talentoso Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Paradise Lost), e parece uma mescla demoníaca das capas de Meliora e Prequelle, do Ghost, também feitas por ele. Não acredita? Compare as capas. Revelations of Oblivion vai causar uma revolução dentro do Thrash ou do Death? Não, mas o Possessed não precisa mais disso, pois o fez 34 anos atrás, com Seven Churches. Obstante eu acreditar que uma ou outra música se estendeu um pouco além do necessário, a verdade é que temos em mãos um álbum que faz jus a toda a importância do Possessed para a história do Metal, e que tem espaço garantido entre os destaques de 2019. Que esse não seja o ponto final de sua história, mas apenas mais um relevante capítulo!

NOTA: 87

Possessed é:
- Jeff Becerra (vocal);
- Daniel Gonzales (guitarra);
- Claudeous Creamer (guitarra);
- Robert Cardenas (baixo);
- Emilio Marquez (bateria).

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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Myrkgand - Old Mystical Tales (2019)


Myrkgand - Old Mystical Tales (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Of The Blue Fire
02. Black Thunders of Zýr
03. Foreseeing The Future
04. Aquariü
05. Ghostwoods
06. Dunkelelf
07. Summoning The Cryptic Dæmonium
08. No Ímpeto da Fúria
09. Trolls Filthy Madfeast
10. Chthonian Cyclops

O Myrkgand é um desses nomes que surgem de tempos em tempos, para provar a qualidade e criatividade do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. A one man band capitaneada por Dmitry Luna, surgiu no ano de 2012 em João pessoa/PB, com uma proposta de mesclar Black Metal, Death Metal Melódico e Pagan/Folk Metal, chegando ao seu debut autointitulado no ano de 2017. Apresentando músicas de muita qualidade, e recheado de participações especiais, o álbum teve ótimo acolhimento por parte da mídia e fãs – recebendo versões em países da América Latina, Europa e Ásia –, gerando assim uma expectativa a respeito do próximo passo a ser dado.

O 2º álbum é sempre um grande desafio para qualquer banda, ainda mais quando seu debut se destaca pela alta qualidade. O que fazer? Manter a pegada do primeiro e não correr riscos, agradando à base de fãs já conquistada? Seguir e dar aquele passo evolutivo a mais, que pode separar os grandes dos genéricos? Dmitry escolheu a segunda opção. Mas calma, não estamos falando de mudanças radicais na sonoridade, já que a mistura de Black, Death e Folk continua se fazendo presente, assim como a agressividade e velocidade de sua música. A diferença em relação ao debut se dá mais pelo fato de a música da banda soar um pouco mais melódica e diversificada, o que acaba sendo muito positivo.

Assim como na estreia, Old Mystical Tales conta com ótimos convidados, que somam o seu talento ao de Luna, enriquecendo demais todas as canções. Participam aqui, Kevin Kott (Masterplan, At Vance), Ashok (Cradle of Filth), Luiz Carlos Louzada (Vulcano), Marcus Siepen (Blind Guardian), Danilo Coimbra (Malefactor), Antônio Araújo (Korzus), Vito Marchese (Novembers Doom), Micha Meyer (ex-Iron Angel), Simone Rendina (Mortuary Drape), Renato Matos (Elizabethan Walpurga), Rodrigo Berne (ex-Tuatha de Danann), Claydson Silva (Pathologic Noise), Trollmannen (Trollfest), Dr. Leif Kjønnsfleis (ex-Trollfest), Liv Kristine (ex-Theatre of Tragedy) e Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween), sendo que esse último também cuidou da produção, mixagem e masterização.

As canções aqui presentes soam bem diretas, e possuem ótimas mudanças de andamento, que ajudam demais a dar uma maior diversidade ao trabalho. A velocidade se faz presente em todos os momentos, mas passagens cadenciadas surgem muito bem encaixadas, evitando que a audição soe cansativa. Os vocais de Dmitry estão ótimos e ríspidos, enquanto as guitarras brilham, entregando riffs que trafegam entre o Black e o Death Melódico com bastante naturalidade. Vale uma menção especial aos solos, excelentes em sua maioria. A parte rítmica – a bateria ficou a cargo de Kevin Kott, que toca no Masterplan e no At Vance – soa incrível, esbanjando não só agressividade, como também muita técnica. 


De cara, temos a pesada, agressiva e variada “Of The Blue Fire”, que tem um de seus solos feitos por Ashok. Ótima escolha para faixa de abertura. A sombria e furiosa “Black Thunders of Zýr” se destaca não só pelas ótimas melodias, como pelo trabalho vocal variado – parte deles feitos por Luiz Carlos Louzada –, e pelo solo de Marcus Siepen. “Foreseeing The Future” é um Black Metal que prima pela rispidez, e conta com participação de Danilo Coimbra, enquanto a excelente “Aquariü”, com vocais limpos de Antônio Araújo e solo de Vito Marchese, tem bom uso do teclado, que ajuda na ótima ambientação da canção, além de riffs bem agressivos. A avassaladora “Ghostwoods” encerra a primeira metade do álbum com ótimas guitarras, riffs que parecem navalhas afiadas e um solo de Micha Meyer.

A segunda metade abre com a sombria “Dunkelelf” e sua boa cadência, com destaque para os bons teclados, a variação vocal e o solo de Simone Rendina. Em “Summoning The Cryptic Dæmonium”, além da boa utilização de elementos melódicos oriundos do Folk, temos um ótimo trabalho de baixo e bateria, além das participações de Renato Matos e Rodrigo Berne. Ter uma canção em português, parece ser uma tradição que será estabelecida nos trabalhos do Myrkgand. Aqui, temos a ótima “No Impeto da Fúria”, séria candidata a se tornar um hino da banda, com seus bons riffs, vocais assustadores, e um bom solo de Claydson Silva. “Trolls Filthy Madfeast” é outra que mescla com muita felicidade, elementos de Black, Death e Folk, tudo isso enriquecido pelas participações para lá de especiais de Trollmannen nos vocais e de Dr. Leif Kjønnsfleis no solo. Encerrando, outra forte candidata a se tornar um clássico, “Chthonian Cyclops”, que além de equilibrar de forma ímpar elementos mais extremos e mais melódicos, ainda conta com a participação de Liv Kristine nos vocais e Roland Grapow em um dos solos.

Todo gravado e produzido no Grapow Studios, na Eslováquia, contou com a sua produção sendo dividida entre Dmitry e Roland Grapow, sendo que esse último também cuidou da mixagem e masterização. O resultado realmente é muito bom, pois equilibrou clareza com agressividade e peso, com a crueza necessária sendo oriunda de uma escolha muito feliz para a timbragem dos instrumentos. Embalado em um digipack simplesmente lindo, teve sua arte feita por Emerson Maia (Corpse Grinder, Frade Negro, Thrashera, Vultos Vociferos) e Antonio César (Aquaria, Endless, Syren), e logo criado pelo “Senhor dos Logos”, Christophe “Volvox” Szpajdel (Borknagar, Dimmu Borgir, Emperor, Fleshgod Apocalypse, Moonspell). O Myrkgand não só passou no teste do segundo álbum, como conseguiu fazer isso com louvor, lançando um dos melhores álbuns de Metal Extremo desse ano. Acreditem, vocês precisam ter esse álbum em sua coleção!

NOTA: 88

Myrkgand é:
- Dmitry (todos os instrumentos)

Convidados:
- Roland Grapow (Guitarra Solo #2 em “Chthonian Cyclops”)
- Antônio Araújo (Vocais limpos em “Aquariü”)
- Luiz Carlos Louzada (Vocais urrados adicionais em “Black Thunders of Zýr”)
- Renato Matos (Vocais (coros) em “Summoning the Cryptic Dæmonium”)
- Trollmannen (Vocais urrados adicionais em “Trolls Filthy Madfeast”)
- Liv Kristine (Vocais limpos em “Chthonian Cyclops”)
- Ashok (Guitarra Solo #2 em “Of the Blue Fire”)
- Marcus Siepen (Guitarra Solo em “Black Thunders of Zýr”)
- Danilo Coimbra (Guitarra Solo em “Foreseeing the Future”)
- Vito Marchese (Guitarra Solo em “Aquariü”)
- Micha Meyer (Guitarra Solo em “Ghostwoods”)
- Rodrigo Berne (Guitarra Solo em “Summoning the Cryptic Dæmonium”)
- Claydson Silva (Guitarra Solo em “No Ímpeto da Fúria”)
- Dr. Leif Kjønnsfleis (Guitarra Solo em “Trolls Filthy Madfeast”)
- Simone Rendina (Guitarra Solo em “Dunkelelf”)
- Kevin Kott (Bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)


Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)
(Extreme Sound Records - Nacional)


01. Waverly Hills
02. Inside My Empire
03. Hatred
04. Insane and Sick

Apesar de ser uma banda relativamente nova, pois, surgiu no ano de 2015, na cidade de Porto Ferreira/SP, a Disruption Path possui em sua formação, músicos com alguma bagagem na cena Metal, com passagens por nomes como Maithungh, Setharus, Apocalispe Nuclear, Inluminatti e Madness. Warped Sanity é seu EP de estreia, e aqui, se enveredam pelos lados do Death Metal puro e simples, sem espaço para inovações e modernidades.

O quarteto formado por Helton Henrique (vocal), Fernando Alan (guitarra), Adler Marcatti (baixo) e Daniel Fuzaro (bateria) não nos apresenta absolutamente nada de novo. Basicamente o ouvinte irá se deparar com um Death Metal bem calcado naquela sonoridade das bandas americanas dos anos 90, com alguns inserts mais melódicos aqui e ali, que podem remeter a cena europeia do mesmo período. Os vocais seguem aquela linha gutural, como manda o estilo, mas com algumas passagens mais rasgadas aqui e ali, com a guitarra sendo responsável por bons riffs, mesmo que esses não apresentem nada de inovador. A parte rítmica se mostra bem coesa e forte, com boa técnica e se destacando pela variedade imposta.


Nas 4 canções presentes, o Disruption Path equilibra de forma competente, passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas, o que conta pontos a seu favor. Obviamente, como não poderia deixar de ser em um trabalho de Death Metal, sua música também se mostra bem pesada e bruta. “Waverly Hills” se mostra bem diversificada, resvalando no Thrash em alguns momentos; “Inside My Empire” parece saída diretamente de um álbum de alguma banda da Flórida dos anos, apresentando boa técnica e agressividade; “Hatred” tem peso de sobra e bom desempenho da parte rítmica; “Insane and Sick” é forte, equilibrando velocidade e cadência, causando assim um impacto no ouvinte.

A produção ficou por conta de Alexandre Machanocker e da banda, e ficou com uma qualidade razoável, já que tudo ficou bem audível e pesado. Ainda sim, é um ponto a ser mais bem trabalhado no futuro, mas sem exageros. Já a capa, consegue passar todo o clima de violência que perpassa a música do quarteto. O Disruption Path não apresenta nenhuma inovação em sua música, se limitando a fazer um som que já foi explorado até a exaustão nas últimas décadas, mas o faz com bastante competência, te fazendo esquecer esse detalhe na maior parte do tempo. Agora é aparar as arestas necessárias e partir para um álbum completo.

NOTA: 79

Disruption Path é:
Helton Henrique (vocal)
Fernando Alan (guitarra)
Adler Marcatti (baixo)
Daniel Fuzaro (bateria)

sexta-feira, 29 de março de 2019

VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)


VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)
(Season of Mist – Importado)


01. Something Wicked Marches In
02. Praevalidus
03. Total Destroy!
04. Monolilith
05. Truth And Consequence
06. Last Ones Alive Win Nothing
07. Everlasting
08. Diabolus Est Sanguis
09. Marching On

Nunca escondo que tenho os dois pés atrás com o termo supergrupo, e a história do Metal me dá embasamento para tal. Entretanto, confesso que ao ficar sabendo que David Vincent (ex-Morbid Angel), Rune “Blasphemer” Eriksen (ex-Mayhem, Aura Noir) e Flo Mounier (Cryptopsy), estavam se unindo para formar o VLTIMAS, bateu no mínimo uma curiosidade quanto ao que surgiria de tal mistura. Fora isso, existia certa dúvida quanto a capacidade de David de voltar a fazer Música Extrema de qualidade, após o tão controverso Illud Divinum Insanus (11). Com o lançamento de  Something Wicked Marches In, tais perguntas começam a ser respondidas.

Para início de conversa, chama a atenção o entrosamento e a coesão do trio. A sensação que você tem é que estamos diante de músicos que tocam juntos há muito tempo. A forma como conseguem unir suas características individuais também impressiona. O VLTIMAS não reinventa o Death Metal, mas consegue fazer uma leitura própria do estilo, unindo a sonoridade do Morbid Angel dos primeiros álbuns, com riffs, solos e melodias próprios do Black Metal, e uma bateria explosiva e técnica, típica das vertentes mais brutais do Death Metal. Em suma, é uma música mortífera, esmagadora e impiedosa com pescoços e ouvidos menos treinados.

Em pouco mais de 38 minutos, o ouvinte irá se deparar com aqueles vocais bem característicos, que marcaram a passagem de David pelo Morbid Angel. Um prato cheio para os fãs. As guitarras de  Rune soam agressivas, e trazem aquela atmosfera típica do Black Metal para as canções do  VLTIMAS, graças aos seus riffs afiados, cortantes e repulsivos. Quanto a  Flo Mounier, ele não é menos que monstruoso, e sua bateria tem o poder de 10 bombas atômicas, tamanho o potencial destrutivo da mesma. Fazia muito tempo que eu não escutava uma estreia tão bruta e esmagadora como essa. É impossível não se empolgar.


“Something Wicked Marches In” chega metendo o pé na porta se dó nem piedade, mesclando Death Metal com Black, e com uma bateria monstruosa, características que compartilha com a brutal “Praevalidus”. Riffs afiadíssimos e cortantes dão o tom na esmagadora “Total Destroy!”, enquanto a sombria “Monolilith” tem uma pegada mais Death Metal Old School, e vocais sinistros de Vincent. “Truth And Consequence” se destaca pelos ótimos riffs; a sinistra “Last Ones Alive Win Nothing” se mostra cadenciada e absurdamente opressiva; e “Everlasting” esbanja velocidade e agressividade. Encerrando o álbum, uma sequência destruidora, com a visceral “Diabolus Est Sanguis” e a tirânica “Marching On”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Jaime Gomez Arellano (Ghost, Myrkur, Paradise Lost, Sólstafir), e a qualidade não é menos que ótima. A capa é obra de Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Possessed, Vader). Para visualizar melhor o que temos aqui, imagine um Caterpillar 797 (aqueles caminhões monstros de minério) descendo uma ladeira desgovernado e passando por cima de tudo que encontra pela frente. Mortífero e esmagador, o VLTIMAS não nos entrega um CD, mas uma verdadeira força da natureza. Dificilmente vai escutar um CD de Death Metal melhor em 2019. Aos interessados, a Urubuz Records lançará em breve a versão nacional de Something Wicked Marches In.

NOTA: 93

VLTIMAS é
David Vincent (vocal);
Rune “Blasphemer” Eriksen (guitarra);
Flo Mounier (bateria).

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Verthebral - Regeneration (2017)


Verthebral - Regeneration (2017)
(Nomade Records/Tales from the Pit Records/Eclipsys Lunarys Productions/Extreme Sound Records/Thrash or Death Records/Totem Records – Nacional)


01. Apocalyptic Seasons (Intro)
02. Place of Death
03. Spirit in Solitude
04. Regeneration
05. Beyond the Garden of Creation
06. Without Any God
07. Old Man’s Memories
08. The Plague of Insomnia
09. Immaterial Essence of Things
10. Inside of Me
Adultery of Soul EP (Bônus):
11. Intro: Final Thoughts
12. Human Limitation
13. Adultery of Soul
14. I Am the Vulture
15. Confronting Lies

O Verthebral foi formado no ano de 2013, em Ciudad del este, no Paraguai, mas poderia muito bem ter surgido na Flórida, no início dos anos 90. E acredite, isso não é exagero. O Death Metal que o quarteto formado por Cristhian Rojas (vocal/baixo), Daniel Larroza (guitarra), Alberto Flores (guitarra) e Gabriel Galeano (bateria) pratica, não nega a influência de bandas como Deicide, Cannibal Corpse, Obituary, Morbid Angel, Death ou Malevolent Creation, só para ficar em alguns exemplos. Isso significa que estamos diante de pura emulação? Não é bem assim.

Claro, é inegável que seu debut, Regeneration, não prima pela originalidade, e que na teoria, não apresentam nada fora dos padrões do que já escutamos em trabalhos anteriores dos nomes citados no parágrafo acima, mas a paixão e a sinceridade que imprimem em cada nota tocada aqui, acaba por se tornar um diferencial para a música do Verthebral. Os vocais guturais estão dentro do que se espera, enquanto as guitarras despejam não só riffs bem fortes e raivosos, como também acertam nos solos. A parte rítmica faz um belíssimo trabalho, mostrando muito boa técnica, com linhas de baixo bem fortes e uma bateria variada. São os principais responsáveis pela boa diversidade do álbum.


As 10 canções que compõem Regeneration são impiedosas com os tímpanos menos treinados no estilo, já que tem aquela crueza e agressividade típicas do período. Meio a toda a brutalidade, podemos notar algumas melodias aqui e ali, o que só enriquece mais o trabalho da banda. Podemos perceber também uma boa qualidade nos arranjos, mostrando que estamos diante de um nome muito promissor e que pode crescer demais nos próximos anos. Entre os destaques, eu apontaria a enérgica “Place of Death”, com um bom trabalho de baixo/bateria, a bruta “Regeration”, a ótima “Beyond the Garden of Creation”, variada, bem-arranjada e com melodias interessantes, “The Plague of Insomnia”, que mescla bem partes cadenciadas com outras mais velozes – uma característica de todo o CD, vale dizer –, e a grudenta “Immaterial Essence of Things”, que é dessas canções que ficam na sua cabeça por horas. Vale dizer que a edição brasileira vem com o EP Adultery of Soul (15) de bônus.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Alberto SantaCruz, e o resultado é bom, já que conseguiu deixar tudo bem claro e audível, sem que para isso tivesse que abrir mão daquele ar mais cru e de boas doses de sujeira, algo obrigatório quando falamos do estilo. A capa de Marcos Miller se encaixou com perfeição na proposta sonora do quarteto. O encarte da versão nacional foi obra de Filipe Silva. Como já dito, o Verthebral não apresenta nenhuma grande novidade, mas se ainda não possui aquela identidade que te permite reconhecer a banda de primeira, deixa muito evidente o potencial existente para conseguir alcançar tal objetivo. Se você é fã dos nomes citados na resenha, pode ir sem medo, já que Regeneration foi feito sob medida para que aprecia o bom e velho Death Metal dos anos 90.

NOTA: 79

Verthebral é:
Cristhian Rojas (vocal/baixo);
Daniel Larroza (guitarra);
Alberto Flores (guitarra);
Gabriel Galeano (bateria).

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Spiritual Hate - Diabolical Dominium (2017)


Spiritual Hate - Diabolical Dominium (2017)
(Abiosis Rec. - Nacional)


01. Intro
02. Excomunium
03. Awaiting Fucking Jesus
04. Honour Et Gloriam
05. Ignorance Brounght the Decandence
06. From the Purity to Fornication
07. Behind the Lies of God
08. Sentenced by Dawn
09. Diabolical Dominium

O Spiritual Hate não se trata de uma banda novata, afinal, sua formação se deu no ano de 2007, na cidade de Diadema/SP. Devido às dificuldades oriundas do underground brasileiro, a caminhada até o seu debut demorou nada menos de 10 anos – nesse tempo chegaram a lançar um split e um EP -, o que nos faz lamentar, dada a qualidade do material que encontramos em Diabolical Dominium.

Sem procurar reinventar a roda, praticam um Death Metal que tem seus 2 pés muito bem fincados nos anos 90, seguindo aquela sonoridade que foi consagrada por nomes como Morbid Angel e Deicide. Sendo assim, você já fica avisado que irá se deparar com uma música enérgica, bruta, odiosa, com boa técnica e que transborda blasfêmia em suas letras. Tudo soa muito coeso e bem feito, até porque nesses 10 anos tiveram tempo para maturar suas canções, que felizmente, não apostam apenas na velocidade. A inclusão de algumas passagens mais cadenciadas acaba ajudando demais a dar variedade à obra.


Após uma breve introdução, “Excomunium” chega explosiva e destroçando tudo que encontra pela frente com seus riffs pesados e ótima bateria. “Awaiting Fucking Jesus” é certamente uma das melhores canções aqui presentes, dada a sua brutalidade, enquanto “Honour Et Gloriam” consegue equilibrar bem velocidade e cadência. “Ignorance Brounght the Decandence” é bem direta e básica, feita na medida para moer pescoços. Já a furiosa “From the Purity to Fornication”, além dos ótimos riffs, se destaca por sua parte rítmica, algo que também ocorre na faixa seguinte, “Behind the Lies of God”. “Sentenced by Dawn” tem alto potencial destrutivo de tímpanos alheios – ao menos aqueles menos treinados no Metal Extremo -, e “Diabolical Dominium” encerra tudo de forma bruta e variada.

A produção foi realizada por Victor Prospero, com mixagem e masterização realizadas por Marcos Cerruti. O resultado é bom, pois, aliou muito bem peso, agressividade, crueza e clareza, dando organicidade a tudo. Já a capa, concebida por Carlos Renato e Magnus Hellhound, e com arte final de Felipe Moriarty, é uma adaptação blasfema de uma das versões de Flagelação de Cristo, de Caravaggio (1571-1610). Com um Death Metal bruto, infame e competente, o Spiritual Hate não inventou e entregou um debut que vai agradar em cheio a todos os fãs do estilo. Que venha logo o segundo álbum.

NOTA: 81

Spiritual Hate (gravação):
- Magnus Hellhound (vocal/guitarra);
- Blackmortem (guitarra);
- Victor Prospero (baixo).
Músico convidado:
- Gabriel Guerra (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Death Metal

Melhores de 2018 - Death Metal


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Amorphis - Queen Of Time 


02. Krisiun - Scourge Of The Enthroned 


03. Piah Mater - The Wandering Daughter 


04. Ynys Wydryn - Malevolent Creation 


05. Bloodbath - The Arrow of Satan is Drawn 


06. Sulphur Aeon - The Scythe of Cosmic Chaos 


07. 1914 - The Blind Leading the Blind


08. Unleashed - The Hunt for White Christ 


09. Deicide - Overtures Of Blasphemy


10. In Vain - Currents

 

sábado, 29 de dezembro de 2018

Queiron - Endless Potential of a Renegade Vanguard (2018)


Queiron - Endless Potential of a Renegade Vanguard (2018)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Imperia Caedes
02. Pestis Pain
03. Denial Upon the Heavenly Scorn
04. Iussu Caelest Negabunt
05. Misleading Mission
06. King of Damned Proclamation
07. Unholy Perverse Rapture
08. Tombs I Desecrate
09. Endless Potential of a Renegade Vanguard

Nos últimos 23 anos, o Queiron se firmou como um dos nomes mais tradicionais do cenário Death Metal no Brasil. Bruto, insano e caótico, a banda veio evoluindo trabalho a trabalho, sempre fazendo jus a forte tradição de qualidade brasileira, quando falamos de vertentes mais extremas. Após um hiato de 5 anos, desde o lançamento do ótimo Sodomiticvm per Conclave, o quarteto ressurge com mais um trabalho digno de todos os elogios, Endless Potential of a Renegade Vanguard.

Seguindo o seu processo evolutivo, mas sem se afastar 1 milímetro de suas raízes, o Queiron se mostra ainda mais maduro em seu 5º álbum de estúdio. Sua música soa ríspida e intensa, com um vigor e brutalidade absurdos, mas ainda sim com boas melodias – oriundas do Metal Tradicional – que dão as caras em passagens mais cadenciadas e solos, e uma técnica bem refinada. Os guturais de Marcelo DaemoniiPest Grous continuam demoníacos, e ele faz uma bela dupla nas guitarras com  Luciano Fernandes, com destaque não só para os riffs, como para os belíssimos solos. Que dupla! Na parte rítmica, Luis Hellthorn (baixo) e Oscar M. Vison (bateria) realizam um belíssimo trabalho, esbanjando peso, precisão e técnica. Destaque para os blastbeats insanos.


Temos aqui 9 canções, sendo 2 delas instrumentais, a introdução “Imperia Caedes”, que já nos dá uma ideia do que está por vir, e a sinistra “Iussu Caelest Negabunt”. Nas demais, temos uma verdadeira aula de Death Metal, um massacre impiedoso em forma de música. Os destaques ficam por conta da técnica, brutal e caótica “Pestis Pain”, a destruidora de pescoços “Denial Upon the Heavenly Scorn”, com seu ótimo refrão e guitarras primorosas, a explosiva “Misleading Mission” e seu excelente solo, a mais tradicional “Tombs I Desecrate” e “Endless Potential of a Renegade Vanguard”, outra que se destaca pelo trabalho das guitarras e pelo solo.

Gravado no Estúdio RG Produções, por Guilherme Malosso e Ricardo Biancarelli, com mixagem realizada pelo primeiro, e masterização de Neto Grous, no Absolute Master, Endless Potential of a Renegade Vanguard tem na produção um dos seus pontos mais fortes. Conseguiram deixar tudo bem claro e audível, mas sem abrir mão do peso e da brutalidade. A belíssima parte gráfica ficou por conta do ótimo Alcides Burn (Blood Red Throne, Headhunter D.C., Imago Mortis, Malefactor), com ilustrações adicionais de Emerson da Silva Maia. Equilibrando com precisão brutalidade, técnica e melodia, o Queiron nos entregou um dos principais trabalhos nacionais desse ano de 2018. Recomendadíssimo!

NOTA: 87

Queiron é:
- Marcelo DaemoniiPest Grous (vocal/guitarra);
- Luciano Fernandes (guitarra);
- Luis Hellthorn (baixo);
- Oscar M. Vison (bateria).

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Heavy Metal Rock

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)


Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)
(Mindscrape Music – Nacional)


01. Willard Suitcases
02. Antífona
03. Maestro
04. Inanição
05. Punhais Longos, Cortes Profundos
06. A Cadela de Buchenwald
07. Occipício
08. A Alvorada das Hienas
09. S-21
10. Before my Turn, Agonizing (Infernal Cover)
11. Entropia Humana Final

Underground e justiça nunca caminharam lado a lado, e o paranaense Sad Theory é uma prova disso. Surgido no ano de 1998, em Curitiba, chegou a lançar 3 bons álbuns, The Lady & The Torch (02), A Madrigal of Sorrow (04) e Biomechanical (06), mas em 2008, durante a gravação de  Descrítica Patológica, acabaram se separando (o álbum acabou lançado em 2012, sendo seu primeiro totalmente em português). O retorno da banda se deu em 2014, e já no ano seguinte soltaram o excelente Vérmina Audioclastia Póstuma (15), seu primeiro trabalho conceitual.

Mostrando que o retorno não foi em vão, o Sad Theory vêm mantendo o ritmo de lançamentos, e no ano passado liberou seu 6º álbum de estúdio, Entropia Humana Final, que mais uma vez se envereda pelos caminhos do conceitual. Liricamente, optaram por tratar da violência e massacres cometidos por regimes como o Nazismo alemão, o Comunismo soviético do período Stalin, o Imperialismo americano e o Khmer Vermelho. E vale dizer que as letras possuem ligações diretas com eventos reais, com atos promovidos por tais governos.

Musicalmente, quem acompanha a carreira da banda, sabe bem o que esperar. É Melodic Death Metal da melhor qualidade, mesclado com Progressive Death Metal, o que acaba por gerar uma sonoridade forte e muito atual. As canções são pesadas, agressivas e mostram boa diversidade, alternando bem entre passagens mais velozes e outras com mais cadência. Os guturais de Claudio "Guga" Rovel estão ótimos, com boa variedade, e as guitarras de Alysson Irala e Wenttor Collete realizam um ótimo trabalho, com destaque para as ótimas melodias e solos. A parte rítmica, com o baixista Daniel Franco e o baterista Jefferson Verdani, se destaca pelo peso imposto as canções e pela técnica apresentada.


De cara, já temos um dos grandes destaques do álbum, a forte e cativante “Willard Suitcases”. “Antífona” é nada mais do que a poesia do grande poeta Cruz e Souza, que foi musicada e ficou muito boa. “Maestro” se destaca pelo ótimo trabalho das guitarras, e “Inanição”, que conta com participação de Guilherme "Luxyahak" Medina, do Archityrants, nos vocais, tem peso e boas melodias. “Punhais Longos, Cortes Profundos” é dessas canções brutas e destruidoras, enquanto “A Cadela de Buchenwald” se destaca não só pelos bons riffs, como pela variedade. “Occipício” se destaca principalmente pelo peso e técnica, e a ótima “A Alvorada das Hienas” equilibra agressividade e melodia com maestria. Na sequência de encerramento, temos a boa “S-21”, um ótimo cover para  “Before my Turn, Agonizing”, do Infernal, e a instrumental “Entropia Humana Final”

Toda a parte referente a produção ficou a cargo do guitarrista Alysson Irala, e o resultado é muito bom, já que conseguiu deixar tudo polido, mas sem cometer exageros nesse sentido, mantendo o peso e a agressividade do trabalho. Além disso, a escolha dos timbres foi bem feliz. Já a parte gráfica, que também ficou bem legal, foi obra de Tersis Zonato (Offal, Axecuter, Lymphatic Phlegm). Posso dizer sem medo, que Entropia Humana Final é o melhor álbum da carreira do Sad Theory, e se você curte um Death Metal técnico, com ótimas melodias, e atual, precisa conhecer urgentemente a banda. E vale dizer que já estão com seu próximo álbum, Léxico Reflexivo Umbral, baseado na série Black Mirror, programado para sair no primeiro semestre de 2019. Que ele venha logo.

NOTA: 85

Sad Theory é:
- Claudio "Guga" Rovel (vocal);
- Alysson Irala (guitarra);
- Wenttor Collete (guitarra);
- Daniel Franco (baixo);
- Jefferson Verdani (bateria).

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