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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)


Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)
(Metal Blade Records - Importado)


01. Anthropogenic: End Transmission
02. The Geocide
03. Be Still Our Bleeding Hearts
04. Vulturous
05. The Great Dying
06. One Day Closer to the End of the World
07. Bring Back the Plague
08. Absolute Destitute
09. The Great Dying II
10. Finish Them
11. With All Disrespect
12. Time's Cruel Curtain
13. The Unerasable Past
14. Death Atlas

A caminhada do Cattle Decapitation rumo ao posto de um dos maiores nomes do Metal Extremo de todos os tempos foi longa, e teve início 20 anos atrás, com o lançamento do EP Human Jerky. A verdade é que obstante a qualidade, nada ali indicava que aquela banda, surgida 3 anos antes no estado da Califórnia, Estados Unidos, se tornaria essa força da natureza que temos hoje. Os primeiros indícios disso só surgiram em seu 3º álbum, Humanure (04), onde finalmente deixaram de ser aquela banda curiosa, formada apenas por vegetarianos, e começaram a despertar a atenção real dos amantes de música pesada. Seu lançamento seguinte, Karma Bloody Karma (06), manteve esse viés de crescimento, mas foi com o ótimo The Harvest Floor (09), que consolidaram e aprimoraram de vez sua sonoridade.

O passo seguinte foi o monstruoso e quase perfeito Monolith of Inhumanity (12), quando pareciam ter chegado ao auge, impressão essa que foi por terra com o magnífico The Anthropocene Extinction (15), um trabalho obrigatório para qualquer um que se diga fã de Death Metal. Sendo assim, não preciso dizer que a ansiedade pelo lançamento de Death Atlas, seu 8º álbum de estúdio, era imensa. A pergunta era uma só: o Cattle Decapitation conseguiria manter um nível tão alto de inspiração, após duas obras-primas? Aqui temos a resposta. De cara, chama a atenção a estreia de 2 novos membros, o baixista Olivier Pinard, que substituiu Derek Engemann, e a inclusão de um segundo guitarrista, Belisario Dimuzio. Sim amigos, Josh Elmore agora tem companhia na usina de riffs da banda, o que acabou por deixar as canções mais densas, ainda que as duas guitarras não tenham sido efetivamente exploradas, abrindo espaço para um crescimento futuro.


Antes de tudo, faz-se necessário deixar claro que temos em Death Atlas um sucessor digno dos dois álbuns anteriores. Em linhas gerais, podemos dizer que ele não é inovador para a banda, como foi Monolith, e nem possui o frescor de The Anthropocene, mas ainda sim alcança o altíssimo nível de qualidade apresentado anteriormente. O Cattle continua desafiando limitações de gênero, mesclando seu Death Metal altamente técnico com elementos de Grindcore, Black, Deathcore e Doom, enriquecendo sua música e gerando uma sonoridade variada. Os elementos progressivos incorporados nos trabalhos anteriores continuam presentes e bem evidentes, assim como as melodias, que surgem em maior quantidade, mas tudo isso sem que precisem abrir mão da sua brutalidade característica. Partes mais velozes, herança dos primórdios Grindcore, se equilibram bem com momentos mais cadenciados, o que ajuda demais no ar sombrio e nas atmosferas perturbadoras presentes durante toda a audição.

Individualmente, todos ganham espaço para mostrar suas qualidades. Travis Ryan continua um vocalista monstruoso, e o nível de intensidade que atinge beira o absurdo. A variação vocal existente no trabalho é muito grande, atingindo um espectro vocal bem amplo. Alguns podem se incomodar com uma presença maior de vocais limpos e semi-limpos, mas isso não é nada que chegue a comprometer o resultado, pois mesmo nessas passagens, sua voz soa ameaçadora. Nas guitarras, como dito, a entrada de Derek Engemann deixou tudo mais denso, e Josh Elmore continua sendo aquela máquina de produzir riffs afiadíssimos e abrasivos. Verdadeiros moedores de tímpanos. Na parte rítmica, o estreante Olivier Pinard se sai muito bem, mostrando técnica e precisão, enquanto David McGraw mostra seu já conhecido poder de destruição. O que esse cara faz é desumano, e de uma ferocidade sem par. Muito da fúria do Cattle Decapitation hoje, pode e deve ser colocada na sua conta. Um monstro!

Após uma breve introdução, com “Anthropogenic: End Transmission”, onde transmissões em diversas línguas – incluindo o português –, deixa claro todo o apocalipse vindouro, os falantes explodem em fúria com a impiedosa “Geocide”, uma verdadeira carnificina em forma de música, que brada que o fim da humanidade está próximo. “Be Still Our Bleeding Hearts” mantém a pegada, esbanjando técnica e riffs assassinos, sendo seguida pela corrosiva “Vulturous”, um Death Metal agressivo e de bom groove. “The Great Dying” soa quase como uma vinheta atmosférica, onde uma voz robótica alerta para o fato da humanidade estar se condenando a extinção. “One Day Closer to the End of the World” é uma das melhores canções já elaboradas pela banda, e não é menos que fantástica, e no meio de toda a sua fúria e groove, pergunta: “O que fizemos a nós mesmos?”


A pandêmica e negra “Bring Back the Plague” chega exterminando tudo com seus ótimos riffs e belo trabalho vocal, enquanto a intensa e avassaladora “Absolute Destitute” traz elementos oriundos do Black Metal, algumas boas melodias e um clima sombrio. Após um breve alívio, com a instrumental “The Great Dying II”, a pancadaria desenfreada retorna com “Finish Them”, que remete o ouvinte aos trabalhos mais recentes do Cannibal Corpse. “With All Disrespect” é outro momento simplesmente avassalador, com seus toques de Black salpicados aqui e ali; “Time's Cruel Curtain” se mostra bem variada, e poderia estar em The Anthropocene Extinction, e a atmosférica “The Unerasable Past” soa como uma vinheta, um descanso que prepara para o ponto alto do álbum, a magistral “Death Atlas”. Transbordando angústia, ela traz em si, um resumo do que é a música do Cattle Decapitation hoje: veloz, pesada, variada, sombria, carregada de riffs abrasivos e vocais viscerais. O encerramento perfeito, a trilha sonora para o Antropoceno que está por vir.

Mais uma vez o álbum foi produzido, mixado e masterizado por David Otero (Cephalic Carnage, Khemmis, Skinless, Visigoth), com resultados não menos do que ótimos. A verdade é que Otero consegue captar o som do Cattle como poucos, e deixar tudo claro, limpo, com cada detalhe audível, mas sem tirar o peso, a agressividade e a fúria da banda. A capa, uma das mais bonitas que você verá em 2019, ficou mais uma vez a cargo de Wes Benscoter, algo que ocorre desde To Serve Man (02). Death Atlas é melhor que seus antecessores? Parafraseando uma famosa atriz brasileira, não sou capaz de opinar. Essa é uma resposta muito pessoal, que certamente vai variar de ouvinte para ouvinte, afinal, a forma como a música atinge as pessoas, é muito subjetiva, mas uma coisa afirmo sem medo: Death Atlas é o melhor álbum do ano!

NOTA: 94

Cattle Decapitation é:
- Travis Ryan (vocal);
- Josh Elmore (guitarra);
- Belisario Dimuzio (guitarra);
- Olivier Pinard (baixo);
- David McGraw (bateria).

Particpações Especiais:
- Riccardo Conforti (bateria, teclado e samples na faixa 1)
- Jon Fishman (narração na faixa 13)
- Dis Pater (bateria e teclado na faixa 13)
- Laure Le Prunenec (vocais adicionais na faixa 14)

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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

DarkTower – Obedientia (2019)


DarkTower – Obedientia (2019)
(Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Cangaço Rock Comunicações/Native Blood Produções – Nacional)


01. Punishment
02. Downfall
03. God Above Nothing
04. Higland Ceremony
05. Winged Snake Communion
06. Praxis Against Ignorance
07. Obedientia
08. Rites of Conscience
09. The Carnal Esplendour
10. ...As the Obedient Marches to the Abyss…

Na estrada desde 2006, os cariocas do Dark Tower vão consolidando o seu nome no underground nacional na base da brutalidade e agressividade. Donos de um Black/Death simplesmente devastador, após alguns EP’s e singles, lançaram seu debut, ...of Chaos and Ascension em 2013, sendo seguido 3 anos depois pelo ótimo Eight Spears. Agora, após igual espaço de tempo, retornam com seu 3º trabalho de estúdio, Obedientia, que segundo as palavras da própria banda, “é um manifesto contra essa onda de obediência cega, que assola a sociedade nos dias atuais, e fala de todo tipo de libertação e rebeldia, seja ela espiritual, cultural, sexual e filosófica.”. Impossível não destacar o ótimo trabalho nas letras, que complementam com perfeição a parte musical.

Algo que sempre me chamou a atenção nos trabalhos da banda, é o salto evolutivo que dão entre um lançamento e outro. Quando você pensa que não tem como melhorar, eles vão lá e mostram que você estava equivocado. Com Obedientia isso não é diferente. Se no álbum anterior havia ocorrido um recrudescimento de sua sonoridade, com doses menores de melodia, aqui elas voltam a dar as caras, e com ótimos resultados. Isso se dá muito pelo fato de terem trazido novas influências para sua música, com mais destaque para o Metal Tradicional. Mas não pense que isso significa que seu Black/Death se tornou menos bruto e furioso, pois ele continua ali, intocado e destruindo pescoços alheios, assim como aquela crueza que marca a banda. As citadas melodias aparecem, principalmente, nos solos, que estão simplesmente espetaculares aqui, e em algumas passagens mais cadenciadas.

Os vocais de Flávio Gonçalves continuam sendo um dos pontos altos do trabalho do Dark Tower, com aquela boa variação entre o rasgado e o gutural, que evita que os mesmos se tornem maçantes. Em contrapartida, as vocalizações limpas do baixista Rodolfo Ferreira, que eventualmente surgiam em uma ou outra canção, não aparecem em momento algum aqui. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais mais uma vez soam afiadíssimas, entregando não só ótimos riffs, como belíssimos solos, com boas cargas de melodia. Quanto a parte rímica, com Rodolfo e o baterista estreante, Rômulo Grilo, mostram muita coesão, peso e técnica, dando boa variedade as canções.


Após uma breve e sombria introdução, intitulada “Punishment”, surge a caótica e veloz “Downfall”, carregada de um peso opressivo, energia e um ótimo refrão. O álbum tem sequência com a bruta “God Above Nothing”, com seus ótimos riffs e potencial de destruição em massa de tímpanos mais delicados. É o epítome do caos. “Higland Ceremony” é uma curta vinheta que serve de introdução para mais uma faixa destruidora, “Winged Snake Communion”, onde os destaques ficam pelo peso e pelas boas melodias oriundas do Metal Tradicional que as guitarras nos entregam. “Praxis Against Ignorance” alterna muito bem passagens mais cadenciadas e melódicas com outras mais ríspidas e recheadas de riffs cortantes, além de possuir uma aura mais sombria, características também presentes na ótima Obedientia, com sua brutalidade e um belíssimo solo de guitarra. A áspera “Rites of Conscience” traz boas melodias, um trabalho de guitarras que resvala levemente no Thrash, sendo seguida por “The Carnal Esplendour”, um Caterpillar 797F sem freio, descendo uma ladeira, em forma de música, tamanho o atropelo. Franca, grosseira e agressiva. Encerrando, para contrapor com todo o peso e raiva que escutamos, a curta, serena e melódica instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss…”.

A produção foi realizada pela banda e por Rômulo Pirozzi (Ágona, As Dramatic Homage, Hatefulmurder, Vociferatus), sendo que este também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização ficou novamente nas mãos do ex-Rotting Christ Giorgos Bokos (Melechesh, George Kollias, Unearthly). O resultado é muito bom, já que deu a clareza necessária ao Black/Death da banda, mas sem tirar sua crueza, peso e organicidade. Já a capa e a parte gráfica, ambas belíssimas, foi obra do baixista Rodolfo Ferreira. Mantendo o seu viés evolutivo e de crescimento, o Dark Tower conseguiu superar seu ótimo trabalho anterior, e mostrando estar mais que pronta para assumir uma posição entre os principais nomes do underground brasileiro. Um dos melhores álbuns nacionais de 2019. Programado para sair no dia 5 de novembro, a banda já iniciou o processo de pré-venda de Obedientia, em um pacote que além do CD, possui pôster, adesivos e palhetas, além do valor do frete incluso. Caso interesse, a compra pode ser efetuada no seguinte link: https://pagseguro.uol.com.br/checkout/nc/cart.jhtml?s=de7485884f86bd47adc6d62d8c7a86e884e7a19bbe152ab6f141f336a0d7f8dc#rmcl

NOTA: 89

DarkTower é:
- Flávio Gonçalves (vocal);
- Raphael Casotto (guitarra);
- Rafael Morais(guitarra);
- Rodolfo Ferreira (baixo);
- Rômulo Grilo (bateria)

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Possessed – Revelations of Oblivion (2019)


Possessed – Revelations of Oblivion (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Chant Of Oblivion
02. No More Room In Hell
03. Dominion
04. Damned
05. Demon
06. Abandoned
07. Shadowcult
08. Omen
09. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple Of Samael

O que dá o status de lenda para uma banda? Vender milhões de cópias de seus álbuns? Ter um avião só seu, para te carregar mundo afora em turnês que duram anos? Lotar estádios e fechar noites de grandes festivais? Ter um álbum a mais de 500 semanas na Billboard 200? Possivelmente a resposta é positiva para todas essas perguntas. Ainda sim, você não precisa disso tudo para se tornar uma lenda e ter seu nome gravado a ferro e fogo na história do Metal. Surgido no ano de 1983, o Possessed é a maior prova disso, já que não se encaixa em qualquer dos critérios citados. Para se tornar uma lenda, “apenas” estabeleceram com seu debut, Seven Churches (85), as bases para o que viria a ser o Death Metal – e, porque não, do Black –, sendo para muitos, a primeira banda do estilo. E como se isso fosse pouco, lançaram na sequência, dois outros trabalhos seminais, Beyond the Gates (86) e o EP The Eyes of Terror (87).

Apesar de todo impacto que seus trabalhos tiveram para a música extrema, a banda encontrou seu fim ainda no ano de 1987, deixando aquela sensação amarga de que poderiam ter ido muito mais além. Entre 1990 e 1993, chegaram a retornar, pelas mãos do guitarrista Mike Torrao, mas nada foi ser lançado. Em 2007, o retorno definitivo com Jeff Becerra, mas com o foco sendo mantido apenas nas apresentações ao vivo, com um álbum de inéditas parecendo um sonho distante. Então eis que a banda anunciou Revelations of Oblivion, elevando os níveis de ansiedade de todos os seus fãs, já que era algo que todos sonhavam a décadas. Mas o que esperar de um novo álbum do Possessed após tanto tempo? Conseguiriam alcançar o nível de excelência esperado?

Em primeiro lugar, de forma alguma tentem comparar Revelations of Oblivion com Seven Churches ou Beyond the Gates. O impacto causado por esses trabalhos no Metal Extremo são inegáveis, mas já se passaram 3 décadas desde que foram lançados. Nesse tempo, o mundo mudou, a música mudou, as pessoas mudaram. Cada álbum deve ser analisado tendo em mente o presente qual é lançado e não um passado que a muito ficou para trás. Fora isso, é uma banda nova, com novos músicos. Querer exigir o mesmo nível de excelência, sem ter esses fatores em mente, além de injusto, é errado. Posto isso, o que temos aqui é um raivoso, que une passado e presente e traz o Thrash/Death do Possessed para o século XXI. Tudo que você espera está ali, mas com uma produção forte e moderna, que atualiza sua sonoridade. Os vocais de Becerra estão bem fortes, como se viessem das profundas do inferno, enquanto as guitarras de Daniel Gonzales (Gruesome) e Claudeous Creamer (ex-Dragonlord) soam como portadoras com caos, com seus riffs agitados, frenéticos, e ótimos solos. O baixo de Robert Cardenas (Masters of Metal, ex-Agent Steel) e a bateria de Emilio Marquez (Asesino) formam uma parte rítmica consistente, técnica, bruta e demoníaca.


A introdução, com “Chant Of Oblivion”, faz você se sentir dentro de um filme de terror, e cria a ambientação perfeita para tudo que se dará na sequência. No More Room In Hell chega veloz e bruta, rasgando os tímpanos dos mais desavisados com sua energia, fúria e riffs frenéticos. A bruta “Dominion” se destaca pela violência das guitarras e pelos vocais, enquanto “Damned” é um  Thrash raivoso e com alta capacidade destrutiva de pescoços. “Demon” se destaca não só pelas boas mudanças de velocidade, como também pelo ótimo trabalho rítmico e de guitarras. “Abandoned” é um Death Metal que transborda ódio e selvageria, além de contar com ótimos solos. “Shadowcult” soa verdadeiramente diabólica, muito disso devido à agressividade dos seus riffs, enquanto Omen é um exemplo de união entre passado e presente no trabalho do Possessed. Furiosa, com um pé no passado, mas soando atual.“Ritual”, com sua energia e ótimo trabalho de bateria é outra que se encaixa nesse padrão. Na sequência final, temos a inflamada “The Word” e sua mescla de melodia e violência, a variada “Graven”, com sua brutalidade e bom trabalho vocal, e a curta instrumental “Temple Of Samael”.

A produção ficou a cargo do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Amorphis, Destruction, Immortal), com co-produção de Jeff e Daniel. Peter também foi o responsável pela mixagem e masterização, sendo que essa última, compartilhou com Jonas Kjellgren (Dark Funeral, Katatonia, Overkill, Sabaton). Os resultados alcançados foram ótimos, já além de clareza e agressividade, conseguiu transpor para os tempos atuais a sonoridade da banda, sem que ela se descolasse de suas raízes. A capa ficou por conta do talentoso Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Paradise Lost), e parece uma mescla demoníaca das capas de Meliora e Prequelle, do Ghost, também feitas por ele. Não acredita? Compare as capas. Revelations of Oblivion vai causar uma revolução dentro do Thrash ou do Death? Não, mas o Possessed não precisa mais disso, pois o fez 34 anos atrás, com Seven Churches. Obstante eu acreditar que uma ou outra música se estendeu um pouco além do necessário, a verdade é que temos em mãos um álbum que faz jus a toda a importância do Possessed para a história do Metal, e que tem espaço garantido entre os destaques de 2019. Que esse não seja o ponto final de sua história, mas apenas mais um relevante capítulo!

NOTA: 87

Possessed é:
- Jeff Becerra (vocal);
- Daniel Gonzales (guitarra);
- Claudeous Creamer (guitarra);
- Robert Cardenas (baixo);
- Emilio Marquez (bateria).

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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Myrkgand - Old Mystical Tales (2019)


Myrkgand - Old Mystical Tales (2019)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Of The Blue Fire
02. Black Thunders of Zýr
03. Foreseeing The Future
04. Aquariü
05. Ghostwoods
06. Dunkelelf
07. Summoning The Cryptic Dæmonium
08. No Ímpeto da Fúria
09. Trolls Filthy Madfeast
10. Chthonian Cyclops

O Myrkgand é um desses nomes que surgem de tempos em tempos, para provar a qualidade e criatividade do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. A one man band capitaneada por Dmitry Luna, surgiu no ano de 2012 em João pessoa/PB, com uma proposta de mesclar Black Metal, Death Metal Melódico e Pagan/Folk Metal, chegando ao seu debut autointitulado no ano de 2017. Apresentando músicas de muita qualidade, e recheado de participações especiais, o álbum teve ótimo acolhimento por parte da mídia e fãs – recebendo versões em países da América Latina, Europa e Ásia –, gerando assim uma expectativa a respeito do próximo passo a ser dado.

O 2º álbum é sempre um grande desafio para qualquer banda, ainda mais quando seu debut se destaca pela alta qualidade. O que fazer? Manter a pegada do primeiro e não correr riscos, agradando à base de fãs já conquistada? Seguir e dar aquele passo evolutivo a mais, que pode separar os grandes dos genéricos? Dmitry escolheu a segunda opção. Mas calma, não estamos falando de mudanças radicais na sonoridade, já que a mistura de Black, Death e Folk continua se fazendo presente, assim como a agressividade e velocidade de sua música. A diferença em relação ao debut se dá mais pelo fato de a música da banda soar um pouco mais melódica e diversificada, o que acaba sendo muito positivo.

Assim como na estreia, Old Mystical Tales conta com ótimos convidados, que somam o seu talento ao de Luna, enriquecendo demais todas as canções. Participam aqui, Kevin Kott (Masterplan, At Vance), Ashok (Cradle of Filth), Luiz Carlos Louzada (Vulcano), Marcus Siepen (Blind Guardian), Danilo Coimbra (Malefactor), Antônio Araújo (Korzus), Vito Marchese (Novembers Doom), Micha Meyer (ex-Iron Angel), Simone Rendina (Mortuary Drape), Renato Matos (Elizabethan Walpurga), Rodrigo Berne (ex-Tuatha de Danann), Claydson Silva (Pathologic Noise), Trollmannen (Trollfest), Dr. Leif Kjønnsfleis (ex-Trollfest), Liv Kristine (ex-Theatre of Tragedy) e Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween), sendo que esse último também cuidou da produção, mixagem e masterização.

As canções aqui presentes soam bem diretas, e possuem ótimas mudanças de andamento, que ajudam demais a dar uma maior diversidade ao trabalho. A velocidade se faz presente em todos os momentos, mas passagens cadenciadas surgem muito bem encaixadas, evitando que a audição soe cansativa. Os vocais de Dmitry estão ótimos e ríspidos, enquanto as guitarras brilham, entregando riffs que trafegam entre o Black e o Death Melódico com bastante naturalidade. Vale uma menção especial aos solos, excelentes em sua maioria. A parte rítmica – a bateria ficou a cargo de Kevin Kott, que toca no Masterplan e no At Vance – soa incrível, esbanjando não só agressividade, como também muita técnica. 


De cara, temos a pesada, agressiva e variada “Of The Blue Fire”, que tem um de seus solos feitos por Ashok. Ótima escolha para faixa de abertura. A sombria e furiosa “Black Thunders of Zýr” se destaca não só pelas ótimas melodias, como pelo trabalho vocal variado – parte deles feitos por Luiz Carlos Louzada –, e pelo solo de Marcus Siepen. “Foreseeing The Future” é um Black Metal que prima pela rispidez, e conta com participação de Danilo Coimbra, enquanto a excelente “Aquariü”, com vocais limpos de Antônio Araújo e solo de Vito Marchese, tem bom uso do teclado, que ajuda na ótima ambientação da canção, além de riffs bem agressivos. A avassaladora “Ghostwoods” encerra a primeira metade do álbum com ótimas guitarras, riffs que parecem navalhas afiadas e um solo de Micha Meyer.

A segunda metade abre com a sombria “Dunkelelf” e sua boa cadência, com destaque para os bons teclados, a variação vocal e o solo de Simone Rendina. Em “Summoning The Cryptic Dæmonium”, além da boa utilização de elementos melódicos oriundos do Folk, temos um ótimo trabalho de baixo e bateria, além das participações de Renato Matos e Rodrigo Berne. Ter uma canção em português, parece ser uma tradição que será estabelecida nos trabalhos do Myrkgand. Aqui, temos a ótima “No Impeto da Fúria”, séria candidata a se tornar um hino da banda, com seus bons riffs, vocais assustadores, e um bom solo de Claydson Silva. “Trolls Filthy Madfeast” é outra que mescla com muita felicidade, elementos de Black, Death e Folk, tudo isso enriquecido pelas participações para lá de especiais de Trollmannen nos vocais e de Dr. Leif Kjønnsfleis no solo. Encerrando, outra forte candidata a se tornar um clássico, “Chthonian Cyclops”, que além de equilibrar de forma ímpar elementos mais extremos e mais melódicos, ainda conta com a participação de Liv Kristine nos vocais e Roland Grapow em um dos solos.

Todo gravado e produzido no Grapow Studios, na Eslováquia, contou com a sua produção sendo dividida entre Dmitry e Roland Grapow, sendo que esse último também cuidou da mixagem e masterização. O resultado realmente é muito bom, pois equilibrou clareza com agressividade e peso, com a crueza necessária sendo oriunda de uma escolha muito feliz para a timbragem dos instrumentos. Embalado em um digipack simplesmente lindo, teve sua arte feita por Emerson Maia (Corpse Grinder, Frade Negro, Thrashera, Vultos Vociferos) e Antonio César (Aquaria, Endless, Syren), e logo criado pelo “Senhor dos Logos”, Christophe “Volvox” Szpajdel (Borknagar, Dimmu Borgir, Emperor, Fleshgod Apocalypse, Moonspell). O Myrkgand não só passou no teste do segundo álbum, como conseguiu fazer isso com louvor, lançando um dos melhores álbuns de Metal Extremo desse ano. Acreditem, vocês precisam ter esse álbum em sua coleção!

NOTA: 88

Myrkgand é:
- Dmitry (todos os instrumentos)

Convidados:
- Roland Grapow (Guitarra Solo #2 em “Chthonian Cyclops”)
- Antônio Araújo (Vocais limpos em “Aquariü”)
- Luiz Carlos Louzada (Vocais urrados adicionais em “Black Thunders of Zýr”)
- Renato Matos (Vocais (coros) em “Summoning the Cryptic Dæmonium”)
- Trollmannen (Vocais urrados adicionais em “Trolls Filthy Madfeast”)
- Liv Kristine (Vocais limpos em “Chthonian Cyclops”)
- Ashok (Guitarra Solo #2 em “Of the Blue Fire”)
- Marcus Siepen (Guitarra Solo em “Black Thunders of Zýr”)
- Danilo Coimbra (Guitarra Solo em “Foreseeing the Future”)
- Vito Marchese (Guitarra Solo em “Aquariü”)
- Micha Meyer (Guitarra Solo em “Ghostwoods”)
- Rodrigo Berne (Guitarra Solo em “Summoning the Cryptic Dæmonium”)
- Claydson Silva (Guitarra Solo em “No Ímpeto da Fúria”)
- Dr. Leif Kjønnsfleis (Guitarra Solo em “Trolls Filthy Madfeast”)
- Simone Rendina (Guitarra Solo em “Dunkelelf”)
- Kevin Kott (Bateria)

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Rotten Filthy - The Hierophant (2018)


Rotten Filthy - The Hierophant (2018)
(Independente - Nacional)


01. Freezing Desolation
02. Monarchy of Bliss
03. The Wise and His Servants
04. Into a Sacred Rite
05. Principle of Pain
06. Tyet
07. Lady of Sword
08. V
09. At the Depths of Your Realm
10. Ancient Pray

A Rotten Filthy surgiu no ano de 2010, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, e seguindo a tradição de muitas bandas do Estado, tratou de se enveredar pelas vertentes mais extremas do Metal, no caso aqui, o Thrash/Death. No ano de 2012 estrearam com o EP Empires Will Fall, e 3 anos depois lançaram seu debut, o bom Inhuman Sovereign, onde ficou bem claro para todos que o ouviram, que estávamos diante de uma formação muito promissora. Dessa forma, iniciei a audição de The Hierophant com a melhor das expectativas.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que quarteto formado pelo vocalista James Pugens (estreando em estúdio com a banda), o guitarrista Alex Mentx, o baixista Marcelo Caminha Filho e o baterista Guilherme Machine, trouxe novos elementos para a sua música, mas sem abandonar a sonoridade que caracterizou seu debut. Ao Thrash/Death apresentado na estreia, adicionaram elementos de Hardcore, Metal Tradicional e até mesmo influências de Jazz podem ser observadas, dado os tempos mais quebrados e as variações que observamos nas canções. Isso deu uma riqueza muito maior ao trabalho, além de mostrar toda a criatividade de uma banda que procura sair do lugar-comum.

Mas nem tudo são flores. A qualidade da gravação retrocedeu em comparação com o debut. Por mais que sua música seja criativa, e que você consiga distinguir todos os instrumentos – a mixagem e masterização foram bem-feitas -, a banda optou por fazer algo que se aproximasse mais de como soariam ao vivo, e isso não funcionou bem, ao menos da forma como executaram em The Hierophant. A crueza excessiva tirou parte da força das composições e te faz lamentar a falta de algo um pouco mais trabalhado e encorpado. Isso gera uma bizarra contradição. The Hierophant é um álbum superior a Inhuman Sovereign, se abordado dos pontos de vista da música e da criatividade, mas a audição do trabalho anterior me soa mais agradável.


“Freezing Desolation” tem boas mudanças de ritmo e um solo muito bonito e melodioso, mas a falta de uma guitarra base nesse último – olha a tentativa de soar ao vivo aqui -, simplesmente não funcionou. Na sequência, “Monarchy of Bliss” traz mais cadência ao álbum, e um ótimo desempenho da parte rítmica, mas os vocais guturais não se encaixaram tão bem na canção, pelo menos aos meus ouvidos. “The Wise and His Servants” entrega bons riffs e um ótimo trabalho de baixo; “Into a Sacred Rite” é enérgica e bem variada; “Principle of Pain” mostra não só boa técnica, como também um bom groove. Na segunda metade, “Tyet” tem peso e cadência; “Lady of Sword” tem algo “sabbathico” nas guitarras; “V” é uma instrumental bem técnica; “At the Depths of Your Realm” se destaca pelo bom trabalho de guitarra, enquanto “Ancient Pray” encerra o álbum de uma forma bem densa e diversificada.

Gravado no estúdio Betel, em Cachoeira do Sul/RS, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas por Bollet, no Civil Alien Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. Como já dito antes nessa resenha, a falha aqui ocorreu na gravação, na forma como optaram soar. Já a capa é obra do baterista Guilherme Machine, e consegue soar ao mesmo tempo, simples, e cheia de significados. Muito boa! É indiscutível que o Rotten Filthy se mostra criativo e diferenciado em seu segundo álbum, nos apresentando uma música bem técnica, variada e que agrega novas e boas influências. Falta agora dar a produção merecida ao seu trabalho, porque competência para voos mais altos, inclusive eem nível internacional, eles possuem.

NOTA: 78

Rotten Filthy (gravação):
- James Pugens (vocal)
- Alex Mentz (guitarra)
- Marcello Caminha Filho (baixo)
- Guilherme Machine (bateria)

Participações especiais:
- Marcello Caminha (violão nas faixas Freezing Desolation e Ancient Pray)
- Bollet (vocal em Principle of Pain)

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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)


Disruption Path - Warped Sanity (2019) (EP)
(Extreme Sound Records - Nacional)


01. Waverly Hills
02. Inside My Empire
03. Hatred
04. Insane and Sick

Apesar de ser uma banda relativamente nova, pois, surgiu no ano de 2015, na cidade de Porto Ferreira/SP, a Disruption Path possui em sua formação, músicos com alguma bagagem na cena Metal, com passagens por nomes como Maithungh, Setharus, Apocalispe Nuclear, Inluminatti e Madness. Warped Sanity é seu EP de estreia, e aqui, se enveredam pelos lados do Death Metal puro e simples, sem espaço para inovações e modernidades.

O quarteto formado por Helton Henrique (vocal), Fernando Alan (guitarra), Adler Marcatti (baixo) e Daniel Fuzaro (bateria) não nos apresenta absolutamente nada de novo. Basicamente o ouvinte irá se deparar com um Death Metal bem calcado naquela sonoridade das bandas americanas dos anos 90, com alguns inserts mais melódicos aqui e ali, que podem remeter a cena europeia do mesmo período. Os vocais seguem aquela linha gutural, como manda o estilo, mas com algumas passagens mais rasgadas aqui e ali, com a guitarra sendo responsável por bons riffs, mesmo que esses não apresentem nada de inovador. A parte rítmica se mostra bem coesa e forte, com boa técnica e se destacando pela variedade imposta.


Nas 4 canções presentes, o Disruption Path equilibra de forma competente, passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas, o que conta pontos a seu favor. Obviamente, como não poderia deixar de ser em um trabalho de Death Metal, sua música também se mostra bem pesada e bruta. “Waverly Hills” se mostra bem diversificada, resvalando no Thrash em alguns momentos; “Inside My Empire” parece saída diretamente de um álbum de alguma banda da Flórida dos anos, apresentando boa técnica e agressividade; “Hatred” tem peso de sobra e bom desempenho da parte rítmica; “Insane and Sick” é forte, equilibrando velocidade e cadência, causando assim um impacto no ouvinte.

A produção ficou por conta de Alexandre Machanocker e da banda, e ficou com uma qualidade razoável, já que tudo ficou bem audível e pesado. Ainda sim, é um ponto a ser mais bem trabalhado no futuro, mas sem exageros. Já a capa, consegue passar todo o clima de violência que perpassa a música do quarteto. O Disruption Path não apresenta nenhuma inovação em sua música, se limitando a fazer um som que já foi explorado até a exaustão nas últimas décadas, mas o faz com bastante competência, te fazendo esquecer esse detalhe na maior parte do tempo. Agora é aparar as arestas necessárias e partir para um álbum completo.

NOTA: 79

Disruption Path é:
Helton Henrique (vocal)
Fernando Alan (guitarra)
Adler Marcatti (baixo)
Daniel Fuzaro (bateria)

sexta-feira, 29 de março de 2019

VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)


VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)
(Season of Mist – Importado)


01. Something Wicked Marches In
02. Praevalidus
03. Total Destroy!
04. Monolilith
05. Truth And Consequence
06. Last Ones Alive Win Nothing
07. Everlasting
08. Diabolus Est Sanguis
09. Marching On

Nunca escondo que tenho os dois pés atrás com o termo supergrupo, e a história do Metal me dá embasamento para tal. Entretanto, confesso que ao ficar sabendo que David Vincent (ex-Morbid Angel), Rune “Blasphemer” Eriksen (ex-Mayhem, Aura Noir) e Flo Mounier (Cryptopsy), estavam se unindo para formar o VLTIMAS, bateu no mínimo uma curiosidade quanto ao que surgiria de tal mistura. Fora isso, existia certa dúvida quanto a capacidade de David de voltar a fazer Música Extrema de qualidade, após o tão controverso Illud Divinum Insanus (11). Com o lançamento de  Something Wicked Marches In, tais perguntas começam a ser respondidas.

Para início de conversa, chama a atenção o entrosamento e a coesão do trio. A sensação que você tem é que estamos diante de músicos que tocam juntos há muito tempo. A forma como conseguem unir suas características individuais também impressiona. O VLTIMAS não reinventa o Death Metal, mas consegue fazer uma leitura própria do estilo, unindo a sonoridade do Morbid Angel dos primeiros álbuns, com riffs, solos e melodias próprios do Black Metal, e uma bateria explosiva e técnica, típica das vertentes mais brutais do Death Metal. Em suma, é uma música mortífera, esmagadora e impiedosa com pescoços e ouvidos menos treinados.

Em pouco mais de 38 minutos, o ouvinte irá se deparar com aqueles vocais bem característicos, que marcaram a passagem de David pelo Morbid Angel. Um prato cheio para os fãs. As guitarras de  Rune soam agressivas, e trazem aquela atmosfera típica do Black Metal para as canções do  VLTIMAS, graças aos seus riffs afiados, cortantes e repulsivos. Quanto a  Flo Mounier, ele não é menos que monstruoso, e sua bateria tem o poder de 10 bombas atômicas, tamanho o potencial destrutivo da mesma. Fazia muito tempo que eu não escutava uma estreia tão bruta e esmagadora como essa. É impossível não se empolgar.


“Something Wicked Marches In” chega metendo o pé na porta se dó nem piedade, mesclando Death Metal com Black, e com uma bateria monstruosa, características que compartilha com a brutal “Praevalidus”. Riffs afiadíssimos e cortantes dão o tom na esmagadora “Total Destroy!”, enquanto a sombria “Monolilith” tem uma pegada mais Death Metal Old School, e vocais sinistros de Vincent. “Truth And Consequence” se destaca pelos ótimos riffs; a sinistra “Last Ones Alive Win Nothing” se mostra cadenciada e absurdamente opressiva; e “Everlasting” esbanja velocidade e agressividade. Encerrando o álbum, uma sequência destruidora, com a visceral “Diabolus Est Sanguis” e a tirânica “Marching On”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Jaime Gomez Arellano (Ghost, Myrkur, Paradise Lost, Sólstafir), e a qualidade não é menos que ótima. A capa é obra de Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Possessed, Vader). Para visualizar melhor o que temos aqui, imagine um Caterpillar 797 (aqueles caminhões monstros de minério) descendo uma ladeira desgovernado e passando por cima de tudo que encontra pela frente. Mortífero e esmagador, o VLTIMAS não nos entrega um CD, mas uma verdadeira força da natureza. Dificilmente vai escutar um CD de Death Metal melhor em 2019. Aos interessados, a Urubuz Records lançará em breve a versão nacional de Something Wicked Marches In.

NOTA: 93

VLTIMAS é
David Vincent (vocal);
Rune “Blasphemer” Eriksen (guitarra);
Flo Mounier (bateria).

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Verthebral - Regeneration (2017)


Verthebral - Regeneration (2017)
(Nomade Records/Tales from the Pit Records/Eclipsys Lunarys Productions/Extreme Sound Records/Thrash or Death Records/Totem Records – Nacional)


01. Apocalyptic Seasons (Intro)
02. Place of Death
03. Spirit in Solitude
04. Regeneration
05. Beyond the Garden of Creation
06. Without Any God
07. Old Man’s Memories
08. The Plague of Insomnia
09. Immaterial Essence of Things
10. Inside of Me
Adultery of Soul EP (Bônus):
11. Intro: Final Thoughts
12. Human Limitation
13. Adultery of Soul
14. I Am the Vulture
15. Confronting Lies

O Verthebral foi formado no ano de 2013, em Ciudad del este, no Paraguai, mas poderia muito bem ter surgido na Flórida, no início dos anos 90. E acredite, isso não é exagero. O Death Metal que o quarteto formado por Cristhian Rojas (vocal/baixo), Daniel Larroza (guitarra), Alberto Flores (guitarra) e Gabriel Galeano (bateria) pratica, não nega a influência de bandas como Deicide, Cannibal Corpse, Obituary, Morbid Angel, Death ou Malevolent Creation, só para ficar em alguns exemplos. Isso significa que estamos diante de pura emulação? Não é bem assim.

Claro, é inegável que seu debut, Regeneration, não prima pela originalidade, e que na teoria, não apresentam nada fora dos padrões do que já escutamos em trabalhos anteriores dos nomes citados no parágrafo acima, mas a paixão e a sinceridade que imprimem em cada nota tocada aqui, acaba por se tornar um diferencial para a música do Verthebral. Os vocais guturais estão dentro do que se espera, enquanto as guitarras despejam não só riffs bem fortes e raivosos, como também acertam nos solos. A parte rítmica faz um belíssimo trabalho, mostrando muito boa técnica, com linhas de baixo bem fortes e uma bateria variada. São os principais responsáveis pela boa diversidade do álbum.


As 10 canções que compõem Regeneration são impiedosas com os tímpanos menos treinados no estilo, já que tem aquela crueza e agressividade típicas do período. Meio a toda a brutalidade, podemos notar algumas melodias aqui e ali, o que só enriquece mais o trabalho da banda. Podemos perceber também uma boa qualidade nos arranjos, mostrando que estamos diante de um nome muito promissor e que pode crescer demais nos próximos anos. Entre os destaques, eu apontaria a enérgica “Place of Death”, com um bom trabalho de baixo/bateria, a bruta “Regeration”, a ótima “Beyond the Garden of Creation”, variada, bem-arranjada e com melodias interessantes, “The Plague of Insomnia”, que mescla bem partes cadenciadas com outras mais velozes – uma característica de todo o CD, vale dizer –, e a grudenta “Immaterial Essence of Things”, que é dessas canções que ficam na sua cabeça por horas. Vale dizer que a edição brasileira vem com o EP Adultery of Soul (15) de bônus.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Alberto SantaCruz, e o resultado é bom, já que conseguiu deixar tudo bem claro e audível, sem que para isso tivesse que abrir mão daquele ar mais cru e de boas doses de sujeira, algo obrigatório quando falamos do estilo. A capa de Marcos Miller se encaixou com perfeição na proposta sonora do quarteto. O encarte da versão nacional foi obra de Filipe Silva. Como já dito, o Verthebral não apresenta nenhuma grande novidade, mas se ainda não possui aquela identidade que te permite reconhecer a banda de primeira, deixa muito evidente o potencial existente para conseguir alcançar tal objetivo. Se você é fã dos nomes citados na resenha, pode ir sem medo, já que Regeneration foi feito sob medida para que aprecia o bom e velho Death Metal dos anos 90.

NOTA: 79

Verthebral é:
Cristhian Rojas (vocal/baixo);
Daniel Larroza (guitarra);
Alberto Flores (guitarra);
Gabriel Galeano (bateria).

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Spiritual Hate - Diabolical Dominium (2017)


Spiritual Hate - Diabolical Dominium (2017)
(Abiosis Rec. - Nacional)


01. Intro
02. Excomunium
03. Awaiting Fucking Jesus
04. Honour Et Gloriam
05. Ignorance Brounght the Decandence
06. From the Purity to Fornication
07. Behind the Lies of God
08. Sentenced by Dawn
09. Diabolical Dominium

O Spiritual Hate não se trata de uma banda novata, afinal, sua formação se deu no ano de 2007, na cidade de Diadema/SP. Devido às dificuldades oriundas do underground brasileiro, a caminhada até o seu debut demorou nada menos de 10 anos – nesse tempo chegaram a lançar um split e um EP -, o que nos faz lamentar, dada a qualidade do material que encontramos em Diabolical Dominium.

Sem procurar reinventar a roda, praticam um Death Metal que tem seus 2 pés muito bem fincados nos anos 90, seguindo aquela sonoridade que foi consagrada por nomes como Morbid Angel e Deicide. Sendo assim, você já fica avisado que irá se deparar com uma música enérgica, bruta, odiosa, com boa técnica e que transborda blasfêmia em suas letras. Tudo soa muito coeso e bem feito, até porque nesses 10 anos tiveram tempo para maturar suas canções, que felizmente, não apostam apenas na velocidade. A inclusão de algumas passagens mais cadenciadas acaba ajudando demais a dar variedade à obra.


Após uma breve introdução, “Excomunium” chega explosiva e destroçando tudo que encontra pela frente com seus riffs pesados e ótima bateria. “Awaiting Fucking Jesus” é certamente uma das melhores canções aqui presentes, dada a sua brutalidade, enquanto “Honour Et Gloriam” consegue equilibrar bem velocidade e cadência. “Ignorance Brounght the Decandence” é bem direta e básica, feita na medida para moer pescoços. Já a furiosa “From the Purity to Fornication”, além dos ótimos riffs, se destaca por sua parte rítmica, algo que também ocorre na faixa seguinte, “Behind the Lies of God”. “Sentenced by Dawn” tem alto potencial destrutivo de tímpanos alheios – ao menos aqueles menos treinados no Metal Extremo -, e “Diabolical Dominium” encerra tudo de forma bruta e variada.

A produção foi realizada por Victor Prospero, com mixagem e masterização realizadas por Marcos Cerruti. O resultado é bom, pois, aliou muito bem peso, agressividade, crueza e clareza, dando organicidade a tudo. Já a capa, concebida por Carlos Renato e Magnus Hellhound, e com arte final de Felipe Moriarty, é uma adaptação blasfema de uma das versões de Flagelação de Cristo, de Caravaggio (1571-1610). Com um Death Metal bruto, infame e competente, o Spiritual Hate não inventou e entregou um debut que vai agradar em cheio a todos os fãs do estilo. Que venha logo o segundo álbum.

NOTA: 81

Spiritual Hate (gravação):
- Magnus Hellhound (vocal/guitarra);
- Blackmortem (guitarra);
- Victor Prospero (baixo).
Músico convidado:
- Gabriel Guerra (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Death Metal

Melhores de 2018 - Death Metal


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Amorphis - Queen Of Time 


02. Krisiun - Scourge Of The Enthroned 


03. Piah Mater - The Wandering Daughter 


04. Ynys Wydryn - Malevolent Creation 


05. Bloodbath - The Arrow of Satan is Drawn 


06. Sulphur Aeon - The Scythe of Cosmic Chaos 


07. 1914 - The Blind Leading the Blind


08. Unleashed - The Hunt for White Christ 


09. Deicide - Overtures Of Blasphemy


10. In Vain - Currents

 

sábado, 29 de dezembro de 2018

Queiron - Endless Potential of a Renegade Vanguard (2018)


Queiron - Endless Potential of a Renegade Vanguard (2018)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Imperia Caedes
02. Pestis Pain
03. Denial Upon the Heavenly Scorn
04. Iussu Caelest Negabunt
05. Misleading Mission
06. King of Damned Proclamation
07. Unholy Perverse Rapture
08. Tombs I Desecrate
09. Endless Potential of a Renegade Vanguard

Nos últimos 23 anos, o Queiron se firmou como um dos nomes mais tradicionais do cenário Death Metal no Brasil. Bruto, insano e caótico, a banda veio evoluindo trabalho a trabalho, sempre fazendo jus a forte tradição de qualidade brasileira, quando falamos de vertentes mais extremas. Após um hiato de 5 anos, desde o lançamento do ótimo Sodomiticvm per Conclave, o quarteto ressurge com mais um trabalho digno de todos os elogios, Endless Potential of a Renegade Vanguard.

Seguindo o seu processo evolutivo, mas sem se afastar 1 milímetro de suas raízes, o Queiron se mostra ainda mais maduro em seu 5º álbum de estúdio. Sua música soa ríspida e intensa, com um vigor e brutalidade absurdos, mas ainda sim com boas melodias – oriundas do Metal Tradicional – que dão as caras em passagens mais cadenciadas e solos, e uma técnica bem refinada. Os guturais de Marcelo DaemoniiPest Grous continuam demoníacos, e ele faz uma bela dupla nas guitarras com  Luciano Fernandes, com destaque não só para os riffs, como para os belíssimos solos. Que dupla! Na parte rítmica, Luis Hellthorn (baixo) e Oscar M. Vison (bateria) realizam um belíssimo trabalho, esbanjando peso, precisão e técnica. Destaque para os blastbeats insanos.


Temos aqui 9 canções, sendo 2 delas instrumentais, a introdução “Imperia Caedes”, que já nos dá uma ideia do que está por vir, e a sinistra “Iussu Caelest Negabunt”. Nas demais, temos uma verdadeira aula de Death Metal, um massacre impiedoso em forma de música. Os destaques ficam por conta da técnica, brutal e caótica “Pestis Pain”, a destruidora de pescoços “Denial Upon the Heavenly Scorn”, com seu ótimo refrão e guitarras primorosas, a explosiva “Misleading Mission” e seu excelente solo, a mais tradicional “Tombs I Desecrate” e “Endless Potential of a Renegade Vanguard”, outra que se destaca pelo trabalho das guitarras e pelo solo.

Gravado no Estúdio RG Produções, por Guilherme Malosso e Ricardo Biancarelli, com mixagem realizada pelo primeiro, e masterização de Neto Grous, no Absolute Master, Endless Potential of a Renegade Vanguard tem na produção um dos seus pontos mais fortes. Conseguiram deixar tudo bem claro e audível, mas sem abrir mão do peso e da brutalidade. A belíssima parte gráfica ficou por conta do ótimo Alcides Burn (Blood Red Throne, Headhunter D.C., Imago Mortis, Malefactor), com ilustrações adicionais de Emerson da Silva Maia. Equilibrando com precisão brutalidade, técnica e melodia, o Queiron nos entregou um dos principais trabalhos nacionais desse ano de 2018. Recomendadíssimo!

NOTA: 87

Queiron é:
- Marcelo DaemoniiPest Grous (vocal/guitarra);
- Luciano Fernandes (guitarra);
- Luis Hellthorn (baixo);
- Oscar M. Vison (bateria).

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Heavy Metal Rock

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)


Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)
(Mindscrape Music – Nacional)


01. Willard Suitcases
02. Antífona
03. Maestro
04. Inanição
05. Punhais Longos, Cortes Profundos
06. A Cadela de Buchenwald
07. Occipício
08. A Alvorada das Hienas
09. S-21
10. Before my Turn, Agonizing (Infernal Cover)
11. Entropia Humana Final

Underground e justiça nunca caminharam lado a lado, e o paranaense Sad Theory é uma prova disso. Surgido no ano de 1998, em Curitiba, chegou a lançar 3 bons álbuns, The Lady & The Torch (02), A Madrigal of Sorrow (04) e Biomechanical (06), mas em 2008, durante a gravação de  Descrítica Patológica, acabaram se separando (o álbum acabou lançado em 2012, sendo seu primeiro totalmente em português). O retorno da banda se deu em 2014, e já no ano seguinte soltaram o excelente Vérmina Audioclastia Póstuma (15), seu primeiro trabalho conceitual.

Mostrando que o retorno não foi em vão, o Sad Theory vêm mantendo o ritmo de lançamentos, e no ano passado liberou seu 6º álbum de estúdio, Entropia Humana Final, que mais uma vez se envereda pelos caminhos do conceitual. Liricamente, optaram por tratar da violência e massacres cometidos por regimes como o Nazismo alemão, o Comunismo soviético do período Stalin, o Imperialismo americano e o Khmer Vermelho. E vale dizer que as letras possuem ligações diretas com eventos reais, com atos promovidos por tais governos.

Musicalmente, quem acompanha a carreira da banda, sabe bem o que esperar. É Melodic Death Metal da melhor qualidade, mesclado com Progressive Death Metal, o que acaba por gerar uma sonoridade forte e muito atual. As canções são pesadas, agressivas e mostram boa diversidade, alternando bem entre passagens mais velozes e outras com mais cadência. Os guturais de Claudio "Guga" Rovel estão ótimos, com boa variedade, e as guitarras de Alysson Irala e Wenttor Collete realizam um ótimo trabalho, com destaque para as ótimas melodias e solos. A parte rítmica, com o baixista Daniel Franco e o baterista Jefferson Verdani, se destaca pelo peso imposto as canções e pela técnica apresentada.


De cara, já temos um dos grandes destaques do álbum, a forte e cativante “Willard Suitcases”. “Antífona” é nada mais do que a poesia do grande poeta Cruz e Souza, que foi musicada e ficou muito boa. “Maestro” se destaca pelo ótimo trabalho das guitarras, e “Inanição”, que conta com participação de Guilherme "Luxyahak" Medina, do Archityrants, nos vocais, tem peso e boas melodias. “Punhais Longos, Cortes Profundos” é dessas canções brutas e destruidoras, enquanto “A Cadela de Buchenwald” se destaca não só pelos bons riffs, como pela variedade. “Occipício” se destaca principalmente pelo peso e técnica, e a ótima “A Alvorada das Hienas” equilibra agressividade e melodia com maestria. Na sequência de encerramento, temos a boa “S-21”, um ótimo cover para  “Before my Turn, Agonizing”, do Infernal, e a instrumental “Entropia Humana Final”

Toda a parte referente a produção ficou a cargo do guitarrista Alysson Irala, e o resultado é muito bom, já que conseguiu deixar tudo polido, mas sem cometer exageros nesse sentido, mantendo o peso e a agressividade do trabalho. Além disso, a escolha dos timbres foi bem feliz. Já a parte gráfica, que também ficou bem legal, foi obra de Tersis Zonato (Offal, Axecuter, Lymphatic Phlegm). Posso dizer sem medo, que Entropia Humana Final é o melhor álbum da carreira do Sad Theory, e se você curte um Death Metal técnico, com ótimas melodias, e atual, precisa conhecer urgentemente a banda. E vale dizer que já estão com seu próximo álbum, Léxico Reflexivo Umbral, baseado na série Black Mirror, programado para sair no primeiro semestre de 2019. Que ele venha logo.

NOTA: 85

Sad Theory é:
- Claudio "Guga" Rovel (vocal);
- Alysson Irala (guitarra);
- Wenttor Collete (guitarra);
- Daniel Franco (baixo);
- Jefferson Verdani (bateria).

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Mordeth - The Unknown Knows (2018)


Mordeth - The Unknown Knows (2018)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. The Unknown Knows
02. Monolith
03. The Gray Man
04. UVB-76
05. Blank Share
06. Beyond
07. Wake Up Machine
08. Viruss
09. H-Tedrom
10. From Apes to Warlords
11. Robotic Dreams

Para boa parte da nova geração de headbangers brasileiros, o Mordeth deve se um completo desconhecido. Infelizmente algo normal, se pensarmos na falta de interesse de muitos por aí em conhecer novas bandas. Mas para muitos que viveram o cenário underground nacional dos anos 90, certamente se trata de um nome familiar. Surgido no ano de 1989, em Rio Claro/SP, foram uma formação bem ativa até o ano de 1997, quando pausaram as suas atividades, durante a gravação do seu segundo álbum, Animicide, que acabou sendo lançado em 2001. Nesse período, soltaram uma Demo, 2 EP’s, Dimension of Death (92) e Cybergods (95), e o seu debut, o muito bom Lux in Tenebris (93).

Após um hiato de 10 anos, resolveram retornar em 2007, tendo lançado em 2009 o ótimo EP Robotic Dreams. Por essas agruras típicas do underground, mesmo na ativa, não mantiveram o ritmo de lançamentos, fazendo com que muitos chegassem a pensar que a banda havia encerrado novamente as atividades. Mas eis que finalmente, passado quase uma década, temos seu 3º trabalho de estúdio, The Unknown Knows. Se você se encaixa no grupo dos que desconhecem o Mordeth, saiba que praticam um Death Metal com raízes fincadas nos anos 90, mas que não abre mão de ser atual, seguindo aquela linha mais Progressiva do estilo.

Quando colocado frente a frente com o EP anterior, que por sinal vêm de bônus aqui, o que facilita comparações, podemos observar uma banda não só com o instrumental mais bem trabalhado, mas também mais pesada e bruta, o que só fez bem a sua sonoridade. Os vocais alternam bem entre o urrado e o limpo, dando bastante diversidade nesse sentido, enquanto as guitarras realizam um belo trabalho, se destacando principalmente pelos bons riffs. A parte rítmica faz um excelente trabalho, esbanjando técnica e se mostrando bem diversificada. Para completar, os sintetizadores surgem muito bem encaixados, dando aquele clima soturno a música do Mordeth.


Descontando-se a introdução, que leva o nome do álbum, temos aqui 10 temas que esbanjam energia. O nível das canções é bem heterogêneo, e não vamos encontrar grandes variações de qualidade, o que é muito bom. Vale destacar a agressiva e diversificada “Monolith”, a porrada Death/Thrash “Blank Share”, a pesada “Wake Up Machine”, com seus vocais variados e bom trabalho das guitarras, “Viruss”, onde a parte rítmica se destaca, a ótima “H-Tedrom”, e a ríspida “From Apes to Warlords”.

Do ponto de vista da produção, a mesma possui boa qualidade, e podemos notar que em The Unknown Knows ela soa um pouco mais crua do que no EP Robotic Dreams. Isso não soa como um problema, já que a música do Mordeth funciona muito bem de qualquer forma, fora que tudo está 100% audível, pesado e bem timbrado. Agora é esperar que mantenham a pegada e os lançamentos se tornem mais constantes, pois, é muito bom poder ouvir bandas nacionais que se enveredem por sonoridades mais atuais do Death Metal, sem que para isso precise deixar de lado as raízes do estilo.

NOTA: 84

Mordeth é:
- Vlad (Vocal, Guitarra);
- Wit (Baixo);
- Roge (Bateria).

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Bloodbath – The Arrow of Satan is Drawn (2018)


Bloodbath – The Arrow of Satan is Drawn (2018)
(Peaceville Records – Importado)


01. Fleischmann   
02. Bloodicide
03. Wayward Samaritan
04. Levitator
05. Deader
06. March of the Crucifers
07. Morbid Antichrist
08. Warhead Ritual
09. Only the Dead Survive
10. Chainsaw Lullaby

O Bloodbath é o epítome do termo supergrupo. Vejamos: Nick Holmes (vocal, Paradise Lost), o novato Joakim Karlsson (guitarra, Craft), Anders "Blakkheim" Nyström (guitarra, Katatonia), Jonas Renkse (baixo, Katatonia) e Martin Axenrot (bateria, Opeth). Um belo time, correto? Se você puxar na memória e lembrar que antes desses, passaram pela mesma formação, músicos do porte de Dan Swanö (Edge of Sanity), Mikael Åkerfeldt (Opeth), Peter Tägtgren (Hipocrisy) e Per "Sodomizer" Eriksson (Ghost, ex-Katatonia), a ideia só se reforça. O melhor de tudo é que apesar de normalmente supergrupos tenderem a decepcionar, aqui a coisa sempre foi diferente, já que sempre fizeram a alegria dos fãs daquele Death Metal tipicamente sueco, com os lançamentos de Resurrection Through Carnage (02), Nightmares Made Flesh (04), The Fathomless Mastery (08) e Grand Morbid Funeral (14).

Seu 5º álbum de estúdio, The Arrow of Satan is Drawn, vem não só para reforçar a tradição de grandes trabalhos da banda, como também para confirmar que vivem seu melhor momento na carreira. Soando mais coeso e entrosado que no álbum anterior – nem parece que Joakim Karlsson entrou recentemente para a banda –, o Bloodbath não inventa quando se trata de fazer Death Metal. Calcado em nomes como Entombed, Dismembrer e Grave, entregam aos seus fãs exatamente o que esses esperam: música hostil, bruta, que alterna momentos mais velozes e agressivos com outros mais cadenciados e opressivos. Os vocais de Nick Holmes se mostram ótimos mais uma vez, conseguindo dar um clima sinistro as canções. Já as guitarras de Karlsson e Nyström não aliviam no peso, despejando riffs corrosivos, capazes de destruir os tímpanos menos acostumados. Quanto a parte rítmica, com Renske e Axenrot, esbanjam técnica, diversidade e firmeza. E convenhamos, não dava para esperar menos que isso.


“Fleischmann” abre o trabalho em grande estilo, com muita intensidade e boas melodias. Na sequência, “Bloodicide” te deixará sem palavras. Meu amigo, aqui só temos Nick Holmes dividindo os vocais com as lendas Jeff Walker (Carcass), Karl Willetts (ex-Bolt Thrower, Memoriam) e John Walker (Cancer). Só isso já valeria o álbum todo. “Wayward Samaritan” é bem técnica e com bons riffs, e “Levitator” abusa do peso e da sujeira. “Deader” soa simplesmente infernal em toda a sua brutalidade, enquanto “March of the Crucifers” é daquelas músicas opressivas do início ao fim. “Morbid Antichrist” é um dos pontos altos, e vai moer pescoços alheis. Na sequência final, temos a sangrenta “Warhead Ritual”, a pesada e maligna “Only the Dead Survive”, com seu ótimo trabalho de guitarra, e a violenta “Chainsaw Lullaby”, com seus bons riffs e vocais variados.

A produção esbanja qualidade, e a mixagem e masterização de Daniel Liden (Craft, Draconian, Katatonia) se mostra um grande diferencial. Conseguiu deixar tudo claro, audível, mas ainda sim soando orgânico, com uma “sujeira” que deixa tudo mais agradável. A capa é mais uma belíssima obra de Eliran Kantor, uma das melhores que vi esse ano. Pesado e intenso, The Arrow of Satan is Drawn é uma verdadeira agressão sonora, uma espécie de portal do inferno em forma de música. Convenhamos, tem coisa melhor do que isso quando falamos de Death Metal? Candidato a melhor álbum do estilo em 2018.

NOTA: 90

Bloodbath é:
- Nick Holmes (vocal);
- Joakim Karlsson (guitarra);
- Anders "Blakkheim" Nyström (guitarra);
- Jonas Renkse (baixo);
- Martin Axenrot (bateria).

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Behemoth - I Loved You at Your Darkest (2018)


Behemoth - I Loved You at Your Darkest (2018)
(Nuclear Blast Record – Importado)

01. Solve
02. Wolves ov Siberia
03. God = Dog
04. Ecclesia Diabolica Catholica
05. Bartzabel
06. If Crucifixion Was Not Enough…
07. Angelvs XIII
08. Sabbath Mater
09. Havohej Pantocrator
10. Rom 5:8
11. We Are the Next 1000 Years
12. Coagvla

Sempre tive grande apreço pelo Behemoth, e ainda devo ter em algum canto aqui em casa, minhas fitas-cassetes de Grom (96), Pandemonic Incantations (98) e Satanica (99), gravadas na segunda metade dos anos 90. Era uma época em que, por viver em uma cidade do interior e não ter lá muitas condições de adquirir CD’s, eu costumava fazer um “catadão” nas coleções de alguns amigos e passar tudo para as “abençoadas fitinhas”. Talvez por isso, sempre que vejo o nome da banda em algum site ou revista, sempre que anunciam algum material novo, me bate certo saudosismo desses tempos, quando sim, tudo parecia mais simples, até mesmo quando falávamos de Heavy Metal.

Não sei se em algum momento, Nergal imaginou que o Behemoth poderia se tornar tão grande quanto se tornou dentro do cenário metálico mundial. Alguns detratores podem alegar que isso não se deu puramente por razões musicais, afinal, seu vocalista e guitarrista sempre foi um nome polêmico, já tendo inclusive encarado um tribunal em seu país, por ter rasgado uma bíblia durante um show. O crescimento começou efetivamente com o lançamento de The Apostasy (07), se consolidou com Evangelion (09) e se tornou uma realidade com The Satanist (14), e a maior prova disso é toda a expectativa que antecedeu I Loved You at Your Darkest, seu 11º trabalho de estúdio. Eu mesmo estava ansioso há meses para escutá-lo.


The Satanist colocou a banda em um lugar de destaque dentro da cena, tendo sido não só um dos grandes trabalhos de sua carreira, como um dos destaques de 2014. Após um trabalho de tamanha repercussão positiva, a lógica seria muito simples, ou seja, manter a fórmula, a mesma pegada. Mas bem, estamos falando do Behemoth, e o comodismo, o caminho mais fácil, nunca foi lá a opção preferida da banda. Não que I Loved You at Your Darkest seja um álbum brutalmente diferente de seu antecessor, ele até possui alguns traços em comum, já que se mantém em busca das raízes da banda, mas passa longe de ser um clone ou uma simples continuação do mesmo. Ele é único, caminha com as próprias pernas, algo incomum para uma banda que chegou ao patamar que o Behemoth se encontra no momento.

Nergal e cia procuraram explorar novas fronteiras musicais, sem que isso necessariamente tenha significado fugir da sonoridade padrão da banda. Suas características básicas continuam aqui, com riffs fortes e sinistros – alguns poderiam estar em Demigod, por exemplo – e uma parte rítmica que se destaca não só pela coesão, mas pelo peso e técnica. Ainda sim, é um álbum mais flexível que The Satanist, o que pode ser observado nas utilizações de corais infantis e gregorianos ou em passagens acústicas. Essa maior flexibilidade também permitiu que Orion (baixo) e Inferno (bateria) explorassem mais seus lados criativos, além de colocar a guitarra no centro das canções (por mais que em alguns momentos elas sejam abafadas pela bateria e pelos vocais, que estão bem altos).

“Solve” é uma introdução simples e funcional, já que o coral infantil aqui utilizado funcionou muito bem, ajudando a dar aquele ar escuro e melancólico que será observado no decorrer do trabalho. “Wolves ov Siberia” é um dos momentos onde podemos traçar um paralelo entre I Loved You at Your Darkest e The Satanist. É agressiva, rápida e tem um pé bem firme no Black Metal. Outra que segue bem essa linha é a já conhecida “God = Dog”, que tem aqueles riffs de guitarra bem característicos do Behemoth. Caótica e anárquica, é enriquecida não só pelo coro gregoriano, como também pelos corais infantis que resurgem em determinado momento. Não soa exagerado dizer que é uma fotografia do álbum como um todo. “Ecclesia Diabolica Catholica” tem uma queda para o Black Melódico, mas sem abrir mão daquele peso esmagador do Death Metal. Além disso, tem um ótimo refrão, bons solos, e a bateria de Inferno soa simplesmente infernal (a tentação do trocadilho foi maior).


“Bartzabel” surge para dar uma quebrada na ferocidade do álbum até então. Melancólica e mais arrastada, tem algo de Doom e um clima um tanto ritualístico. É sem dúvida alguma a canção mais melódica de todo o trabalho. Destaque para o coro gregoriano repetindo “Come unto me Bartzabel”, que soa sinistro. Você sente que a qualquer momento o demônio pode se materializar diante de você. “If Crucifixion Was Not Enough…” é um Death/Black enérgico, agressivo, com ótimos solos e com um trabalho primoroso da parte rítmica. “Angelvs XIII” é dessas canções esmagadoras que o Behemoth faz como poucos, e poderia estar tranquilamente em Demigod ou The Apostasy. O álbum dá uma pequena caída, com a sequência composta por “Sabbath Mater”, uma tentativa de continuidade de The Satanist, com bons riffs e vocais, e “Havohej Pantocrator”, dura escura e atmosférica. “Rom 5:8” é opressiva e visceral, com boa variação vocal, e “We Are the Next 1000 Years” é intensa, forte e simplesmente perturbadora. Encerrando, temos a instrumental “Coagvla”.

O álbum teve a produção realizada pela própria banda, com a coprodução da bateria por Daniel Bergstrand – que trabalha com o grupo desde Demigod, além de ter produzido nomes como Abbath, Dark Funeral, In Flames e Meshuggah –, mixagem de Matt Hyde (Children of Bodom, Marty Friedman, Slayer, Soufly) e masterização de Tom Baker (Bruce Dickinson, Judas Priest, Marilyn Manson, Megadeth, Pantera). O resultado é muito bom, apesar de a bateria ter ficado um pouco alta para o meu gosto. Apesar de limpo e claro, conseguiram manter uma pequena dose de crueza, algo que remete mais ao passado da banda. Já a bela capa foi obra do italiano Nicola Samori. Se recusando a dormir sobre os louros de seu trabalho anterior, o Behemoth conseguiu soar ainda mais efetivo, mas sem abrir mão de seus princípios.

NOTA: 89

Behemoth é:
- Nergal (vocal/guitarra);
- Orion (baixo);
- Inferno (bateria).

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