Mostrando postagens com marcador Grindcore. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grindcore. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)


Cattle Decapitation - Death Atlas (2019)
(Metal Blade Records - Importado)


01. Anthropogenic: End Transmission
02. The Geocide
03. Be Still Our Bleeding Hearts
04. Vulturous
05. The Great Dying
06. One Day Closer to the End of the World
07. Bring Back the Plague
08. Absolute Destitute
09. The Great Dying II
10. Finish Them
11. With All Disrespect
12. Time's Cruel Curtain
13. The Unerasable Past
14. Death Atlas

A caminhada do Cattle Decapitation rumo ao posto de um dos maiores nomes do Metal Extremo de todos os tempos foi longa, e teve início 20 anos atrás, com o lançamento do EP Human Jerky. A verdade é que obstante a qualidade, nada ali indicava que aquela banda, surgida 3 anos antes no estado da Califórnia, Estados Unidos, se tornaria essa força da natureza que temos hoje. Os primeiros indícios disso só surgiram em seu 3º álbum, Humanure (04), onde finalmente deixaram de ser aquela banda curiosa, formada apenas por vegetarianos, e começaram a despertar a atenção real dos amantes de música pesada. Seu lançamento seguinte, Karma Bloody Karma (06), manteve esse viés de crescimento, mas foi com o ótimo The Harvest Floor (09), que consolidaram e aprimoraram de vez sua sonoridade.

O passo seguinte foi o monstruoso e quase perfeito Monolith of Inhumanity (12), quando pareciam ter chegado ao auge, impressão essa que foi por terra com o magnífico The Anthropocene Extinction (15), um trabalho obrigatório para qualquer um que se diga fã de Death Metal. Sendo assim, não preciso dizer que a ansiedade pelo lançamento de Death Atlas, seu 8º álbum de estúdio, era imensa. A pergunta era uma só: o Cattle Decapitation conseguiria manter um nível tão alto de inspiração, após duas obras-primas? Aqui temos a resposta. De cara, chama a atenção a estreia de 2 novos membros, o baixista Olivier Pinard, que substituiu Derek Engemann, e a inclusão de um segundo guitarrista, Belisario Dimuzio. Sim amigos, Josh Elmore agora tem companhia na usina de riffs da banda, o que acabou por deixar as canções mais densas, ainda que as duas guitarras não tenham sido efetivamente exploradas, abrindo espaço para um crescimento futuro.


Antes de tudo, faz-se necessário deixar claro que temos em Death Atlas um sucessor digno dos dois álbuns anteriores. Em linhas gerais, podemos dizer que ele não é inovador para a banda, como foi Monolith, e nem possui o frescor de The Anthropocene, mas ainda sim alcança o altíssimo nível de qualidade apresentado anteriormente. O Cattle continua desafiando limitações de gênero, mesclando seu Death Metal altamente técnico com elementos de Grindcore, Black, Deathcore e Doom, enriquecendo sua música e gerando uma sonoridade variada. Os elementos progressivos incorporados nos trabalhos anteriores continuam presentes e bem evidentes, assim como as melodias, que surgem em maior quantidade, mas tudo isso sem que precisem abrir mão da sua brutalidade característica. Partes mais velozes, herança dos primórdios Grindcore, se equilibram bem com momentos mais cadenciados, o que ajuda demais no ar sombrio e nas atmosferas perturbadoras presentes durante toda a audição.

Individualmente, todos ganham espaço para mostrar suas qualidades. Travis Ryan continua um vocalista monstruoso, e o nível de intensidade que atinge beira o absurdo. A variação vocal existente no trabalho é muito grande, atingindo um espectro vocal bem amplo. Alguns podem se incomodar com uma presença maior de vocais limpos e semi-limpos, mas isso não é nada que chegue a comprometer o resultado, pois mesmo nessas passagens, sua voz soa ameaçadora. Nas guitarras, como dito, a entrada de Derek Engemann deixou tudo mais denso, e Josh Elmore continua sendo aquela máquina de produzir riffs afiadíssimos e abrasivos. Verdadeiros moedores de tímpanos. Na parte rítmica, o estreante Olivier Pinard se sai muito bem, mostrando técnica e precisão, enquanto David McGraw mostra seu já conhecido poder de destruição. O que esse cara faz é desumano, e de uma ferocidade sem par. Muito da fúria do Cattle Decapitation hoje, pode e deve ser colocada na sua conta. Um monstro!

Após uma breve introdução, com “Anthropogenic: End Transmission”, onde transmissões em diversas línguas – incluindo o português –, deixa claro todo o apocalipse vindouro, os falantes explodem em fúria com a impiedosa “Geocide”, uma verdadeira carnificina em forma de música, que brada que o fim da humanidade está próximo. “Be Still Our Bleeding Hearts” mantém a pegada, esbanjando técnica e riffs assassinos, sendo seguida pela corrosiva “Vulturous”, um Death Metal agressivo e de bom groove. “The Great Dying” soa quase como uma vinheta atmosférica, onde uma voz robótica alerta para o fato da humanidade estar se condenando a extinção. “One Day Closer to the End of the World” é uma das melhores canções já elaboradas pela banda, e não é menos que fantástica, e no meio de toda a sua fúria e groove, pergunta: “O que fizemos a nós mesmos?”


A pandêmica e negra “Bring Back the Plague” chega exterminando tudo com seus ótimos riffs e belo trabalho vocal, enquanto a intensa e avassaladora “Absolute Destitute” traz elementos oriundos do Black Metal, algumas boas melodias e um clima sombrio. Após um breve alívio, com a instrumental “The Great Dying II”, a pancadaria desenfreada retorna com “Finish Them”, que remete o ouvinte aos trabalhos mais recentes do Cannibal Corpse. “With All Disrespect” é outro momento simplesmente avassalador, com seus toques de Black salpicados aqui e ali; “Time's Cruel Curtain” se mostra bem variada, e poderia estar em The Anthropocene Extinction, e a atmosférica “The Unerasable Past” soa como uma vinheta, um descanso que prepara para o ponto alto do álbum, a magistral “Death Atlas”. Transbordando angústia, ela traz em si, um resumo do que é a música do Cattle Decapitation hoje: veloz, pesada, variada, sombria, carregada de riffs abrasivos e vocais viscerais. O encerramento perfeito, a trilha sonora para o Antropoceno que está por vir.

Mais uma vez o álbum foi produzido, mixado e masterizado por David Otero (Cephalic Carnage, Khemmis, Skinless, Visigoth), com resultados não menos do que ótimos. A verdade é que Otero consegue captar o som do Cattle como poucos, e deixar tudo claro, limpo, com cada detalhe audível, mas sem tirar o peso, a agressividade e a fúria da banda. A capa, uma das mais bonitas que você verá em 2019, ficou mais uma vez a cargo de Wes Benscoter, algo que ocorre desde To Serve Man (02). Death Atlas é melhor que seus antecessores? Parafraseando uma famosa atriz brasileira, não sou capaz de opinar. Essa é uma resposta muito pessoal, que certamente vai variar de ouvinte para ouvinte, afinal, a forma como a música atinge as pessoas, é muito subjetiva, mas uma coisa afirmo sem medo: Death Atlas é o melhor álbum do ano!

NOTA: 94

Cattle Decapitation é:
- Travis Ryan (vocal);
- Josh Elmore (guitarra);
- Belisario Dimuzio (guitarra);
- Olivier Pinard (baixo);
- David McGraw (bateria).

Particpações Especiais:
- Riccardo Conforti (bateria, teclado e samples na faixa 1)
- Jon Fishman (narração na faixa 13)
- Dis Pater (bateria e teclado na faixa 13)
- Laure Le Prunenec (vocais adicionais na faixa 14)

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube
Spotify



quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Anaal Nathrakh - A New Kind of Horror (2018)


Anaal Nathrakh - A New Kind of Horror (2018)
(Metal Blade Records - Importado)


01. The Road To…
02. Obscene As Cancer
03. The Reek Of Fear
04. Forward!
05. New Bethlehem/Mass Death Futures
06. The Apocalypse Is About You!
07. Vi Coactus
08. Mother Of Satan
09. The Horrid Strife
10. Are We Fit For Glory Yet? (The War To End Nothing)

Tenho lá algumas certezas nessa vida, e uma delas é que no dia do apocalipse, a trilha sonora de fundo será a discografia do Anaal Nathrakh, duo inglês surgido no ano de 1999 e formado por Dave Hunt (Benediction) nos vocais e Mick Kenney nas guitarras, baixo e programação. Com uma discografia nivelada por alto e álbuns do porte de Hell Is Empty, and All the Devils Are Here (07), In the Constellation of the Black Widow (09) e mais recentemente The Whole of the Law (16), chegam ao seu 10º álbum de estúdio, com A New Kind of Horror.

Mas antes, vamos falar um pouco de história, aquela coisa que a maioria dos brasileiros hoje em dia não dá importância durante o período em que está na escola, mas depois que se forma, pensa que entende do assunto porque viu algum canal de YouTube, ou leu algum livro escrito por um jornalista. Em 2018, completa-se 100 anos que se findou a 1º Guerra Mundial (1914-1918), ou a Guerra das Guerras, um conflito que reuniu grandes potências de todo mundo e vitimou, entre civis e militares, 19 milhões de pessoas. Ela mudou de forma radical o mundo conhecido até então, alterando radicalmente o mapa territorial e político, e com consequências econômicas desastrosas para boa parte dos envolvidos de forma direta. Tudo isso acabou sendo determinante para os acontecimentos das décadas seguintes. Além disso, viu não só o surgimento de uma nova forma de fazer guerra (a guerra de trincheiras), como também gerou um avanço tecnológico no que diz respeito às armas, que se tornaram mais letais do que nunca.

Por tudo isso citado acima, o Anaal Nathrakh resolveu utilizar o conflito como base para A New Kind of Horror. E convenhamos, qual tema poderia ser mais perfeito para uma música com tamanho nível de insanidade, raiva e niilismo como a feita pelo duo britânico. A junção dos vocais doentios de Dave, com os riffs que mesclam Black Metal e Industrial, que nos são entregues por Mick, gera uma sonoridade quase apocalíptica, bruta e que beira a demência. Isso invariavelmente vai fazer o ouvinte se sentir em meio a uma trincheira, durante uma batalha, tamanho o clima de desconforto, medo e horror que as canções vão causar. Se não for para causar desconforto no ouvinte, o Anaal Nathrakh nem entra em estúdio para gravar. Vale dizer também que se comparado com The Whole of the Law, esse é um álbum mais simples e direto, por mais que as características de sempre estejam presentes.

 

Após a introdução com “The Road To…”, o horror toma conta com a forte “Obscene As Cancer”. É quase impossível não se sentir oprimido pelo peso dessa canção. O refrão também é ótimo. Uma coisa que sempre me impressiona na música do Anaal Nathrakh, é que mesmo com o inferno ocorrendo, os vocais limpos de Dave funcionam com perfeição quando surgem. “The Reek Of Fear” é simplesmente avassaladora, com seus riffs em profusão e pedais duplos, além de contar com uma variedade vocal absurda, com direito a falsetes de Hunt. “Forward!” pode causar algum desconforto nos mais radicais, pois, possui elementos que remetem ao Deathcore, mas o peso absurdo das guitarras, o ótimo groove, e as passagens industriais muito bem utilizadas, fazem dela um dos destaques do álbum. Essa sequência inicial é simplesmente avassaladora.

“New Bethlehem/Mass Death Futures” é dessas canções doentias que só o Anaal Nathrakh sabe fazer. Destaca-se principalmente pelas ótimas guitarras e sua mescla de Black e Industrial. É tipo uma batida de frente entre o Dimmu Borgir com o Fear Factory. E o que dizer de “The Apocalypse Is About You!”? Imagine você sendo atropelado por uma Betoneira carregada até o talo, sem freio, descendo uma ladeira a 150 Km/h. É ainda pior. “Vi Coactus” conta com vocais de Brandan Schieppati, do Bleeding Through, e se destaca pelos riffs industriais e pelo peso implacável, enquanto “Mother Of Satan” é a canção que possivelmente menos empolga em todo álbum, mas ainda sim é um verdadeiro rolo compressor quando assunto é agressividade. “The Horrid Strife” tem uma cadência interessante, bom groove e ótimas guitarras. Encerrando o álbum, a ótima “Are We Fit For Glory Yet? (The War To End Nothing)”, com um ar épico, uma variedade vocal absurda, um belo e surpreendente coral, e claro, a insanidade a qual estamos acostumados.

Como de praxe em todos os seus trabalhos, a banda cuidou de tudo no que diz respeito a produção e parte gráfica, sempre a cargo de Mick Kenney. O resultado é o que já conhecemos, ou seja, uma produção de qualidade, que te permite escutar todos os detalhes, mas que não abre mão da agressividade, do peso e daquela dose de sujeira necessária a música do duo. A capa, muito bonita, segue a temática lírica do trabalho. Mais uma vez o Anaal Nathrakh entrega aos seus fãs um álbum azedo, bruto, desconfortável, e violento, mas ainda sim belo. Uma trilha sonora para a vida, com seus momentos bons e ruins. A verdadeira música do apocalipse!

NOTA: 92

Anaal Nathrakh é:
- V.I.T.R.I.O.L. (vocal)
- Irrumator (guitarra, baixo, programação)

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Facada - Quebrante (2018)



Facada - Quebrante (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Deixa O Caos Entrar
02. Nós Somos O Veneno
03. Apenas Mais Um Igual A Mim
04. O Pior De Todos
05. A Farsa: Nojo
06. Tudo Me Faltará
07. Vogelfrei
08. Quebrante
09. A Maldição Da Rede
10. Estão Esperando Seu Erro
11. Sumir
12. Tiro No Caixão
13. A Vitória Da Diva
14. Há Honra (?)
15. Eu Sei Como É Morrer
16. Putrescina
17. A Verdade Gera O Ódio
18. Pervitin
19. Blasfema Eu
20. Feliz Ano Novo
21. A Vida É Uma Armadilha
22. Ele Não Voltará
8,0 23. Miss Distopia

Quem não conhece o Facada, bom sujeito não é, ou talvez apenas seja um cidadão de bem, defensor da moral, da família e dos bons costumes. A questão é que a banda cearense é sem dúvida uma das melhores formações de Metal Extremo de todo mundo, sendo sua discografia obrigatória para qualquer fã de Grindcore que se preze. Caso você não os conheça, saiba que a banda forma por James (vocal/baixo), Danyel (guitarra), Ari (guitarra) e Dangelo (bateria) surgiu no ano de 2003, tendo lançado 3 álbuns completos antes de Quebrante, Indigesto (06), O Joio (10) e Nadir (13).

Após um hiato de 5 anos, finalmente retornam nos oferecendo uma singela coleção de 23 temas que são uma verdadeira ode ao extremismo musical.  Suas músicas retratam a realidade decadente e podre de nossa sociedade, retratando todo o egoísmo e falsidade, com fortes críticas políticas e sociais, e uma certa dose de niilismo aqui e ali. Os vocais de James continuam esbanjando insanidade e são um dos destaques aqui. As guitarras de Ari e Danyel também não ficam atrás, com alguns dos melhores riffs da carreira da banda. Quanto a Dangelo, o cara prova porque é um dos melhores bateristas desse país. O que ele faz em Quebrante é absurdo, com uma velocidade e precisão dignas de aplausos. 


Em Nadir, era nítida a influência de Crust e até mesmo Black Metal (James, Danyel e Dangelo participam de duas bandas voltadas para o estilo, o Godtoth e o Monge) na música do quarteto. Em Quebrante, seguem essa mesma linha, mas conseguindo soar ainda mais brutais, se é que isso pode ser possível. Todas as 23 faixas aqui presentes possuem um alto nível de qualidade, mas como ficaria extenso falar de cada uma, vou apontar as minhas preferidas. A sequência que se segue à abertura, com a insana “Nós Somos o Veneno”, a odiosa “Apenas Mais um Igual a Mim”, a veloz e bruta “O Pior de Todos”, e “A Farsa: Nojo”, é um verdadeiro murro no meio da cara do ouvinte. “Quebrante” é simplesmente destruidora, e “A Maldição da Rede” tem ótimas influências de Punk/Crust. “Há Honra (?)” vai te fazer sair batendo cabeça pela sala, enquanto “A Verdade Gera o Ódio” é uma verdadeira avalanche de brutalidade. A agressiva “Feliz Ano Novo” conta com os vocais de Zé Misanthrope (ex-Omfalos), o que acaba deixando tudo ainda mais insano. “A Vida é uma Armadilha” é outra que conta com uma participação especial, no caso, do saudoso Fabiano Penna, que faz o solo da música. Só por isso ela já valeria a pena.

Gravado entre 2014 e 2018, afinal, fazer música extrema no Brasil nunca vai ser uma tarefa das mais fáceis, Quebrante teve sua mixagem e masterização novamente feitas pelo sueco William Blackmoon. O que temos é exatamente o que se espera de uma produção de Grind, ou seja, aquela dose de sujeira e muita agressividade, mas ainda sim, tudo audível. Já a bela capa é obra de Nelson Oliveira. Mais uma vez o Facada se supera, e presenteia a todos com um dos melhores álbuns de Metal de 2018, uma verdadeira aula de como fazer Grindcore. Um retrato do nosso país em forma de música. O Cd pode ser adquirido através do e-mail store@blackholeprods.com.

NOTA: 90

Facada é:
- James (vocal/baixo);
- Ari (guitarra);
- Danyel (guitarra);
- Dangelo (bateria).

Facebook

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)


Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Privilege Walls
02. It´s Not Your Business
03. Save Us From Ourselves
04. Black Blood
05. Blessed By Money
06. Bridges To a New Dawn
07. Corrosion
08. Binary Collapse
09. Exist And Resist

Para quem desconhece, o Desalmado surgiu no ano de 2004, e desde então vem construindo uma carreira muito sólida dentro do cenário do Grindcore nacional. A estreia se deu com o EP Hereditas (08), sendo acompanhado pelo seu debut, Desalmado (12), por um novo EP, Estado Escravo (14), e um split com o Homicide, In Grind We Trust (16). Save Us From Ourselves é seu segundo trabalho completo de estúdio, e o primeiro em que optam por cantar em inglês, mostrando uma maior ambição do quarteto quanto a levar sua forte mensagem ao maior número de pessoas mundo afora.

Musicalmente falando, seu Grindcore sempre recebeu muitas influências de outros estilos, o que deu à banda uma personalidade que a diferenciou da maioria de suas parceiras do cenário nacional. Já em Save Us From Ourselves podemos enxergar uma banda ainda mais madura, mas sem perder seu lado agressivo e odioso. As canções estão melhores trabalhadas e mais coesas, e trafegam com muita naturalidade entre diversos estilos. Aqui você tem momentos de Death Metal, Grind, Hardcore, Thrash/Groove e Black Metal, tudo coexistindo perfeitamente e gerando uma música absurdamente pesada e bruta. O Desalmado foge do lugar-comum e acaba acertando em cheio no alvo. Vale citar as letras, que felizmente destoam por completo dessa onda conservadora que a cada dia toma mais conta do Metal no Brasil.


É difícil imaginar uma forma melhor de abrir o álbum do que com “Privilege Walls”, uma bicuda no pé do ouvido, simplesmente destruidora. Na sequência temos a direta e empolgante “It´s Not Your Business” e  “Save Us From Ourselves”, que alterna passagens mais velozes com outras cadenciadas e possui ótimo groove. Essa alternância, por sinal, surge em outros momentos do álbum e faz muito bem à sonoridade do Desalmado.  “Black Blood” é outra que vai direto ao ponto, devastando tudo pelo caminho. As agressivas “Blessed By Money” e  “Bridges To a New Dawn” também apostam na diversidade, e brilham nas partes com mais cadência. Ao lado da faixa título, são as melhores de todo o trabalho. “Corrosion” é uma verdadeira pedrada, veloz e brutal, e  “Binary Collapse” é o que podemos chamar de massacre em forma de música. “Exist And Resist” encerra o álbum de forma brutal e opressiva, graças às passagens cadenciadas.

Gravado no Family Mob Studio (São Paulo/SP), o álbum foi produzido pela banda e por Hugo Silva, que também foi o responsável pela mixagem. O resultado final é simplesmente excelente, com uma produção de ponta que não fica devendo nada às bandas lá de fora. Já a capa foi obra de Jeca Paul e reflete com perfeição o conteúdo musical e lírico do trabalho. Com um som técnico, coeso, bem trabalhado, mas que não abre mão de ser brutal e absurdamente pesado, o Desalmado mostra estar em seu melhor momento, e melhor, com potencial para ir muito mais além. Curte nomes como Napalm Death, Entombed, Extreme Noise Terror e afins? Está aqui um trabalho mais do que indicado para você.

NOTA: 8,5

Desalmado é:
- Caio Augusttus (vocal);
- Estevam Romera (guitarra);
- Bruno Leandro (baixo);
- Ricardo Nutzmann (bateria).

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram
Bandcamp


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Expurgo - Deformed By Law (2018)


Expurgo - Deformed By Law (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Silence
02. Victimized
03. Inhale Radiation Fumes
04. Carnivorous Eyes
05. Dead as Fuck
06. Xenon Pieces Swallowed
07. Interlude
08. The Taste Of Human Toxicity
09. Discurso Do Cadafalso
10. Nasty Gut Feast
11. Classic Utopia Of a Junkie Ambience
12. All Substances Are Toxic Under The Right Conditions
13. Habemus Cannis
14. Deviled Mind
15. Morgue Despair
16. Lungs Decay
17. Devil Variation
18. Sadistic Executioner
19. Harmless Scares
20. Agateophobia
21. Atmosphere Of Horror
22. Deploring Connections
23. Global Suppuration
24. Grey Waste III - Malebolge
25. Walk Among The Dead
26. On The Edge
27. Obsolescence

Quando você se torna fã de Metal, seja de alguma banda ou de algum estilo específico, você o faz por encontrar beleza ali. Aquilo que está escutando soa agradável aos seus ouvidos, te desperta sensações que de alguma forma lhe fazem bem. E se formos pensar bem, isso vale para todos os campos da vida. Nos atraímos pelo que achamos belo. Talvez por isso o Grindcore seja um estilo para poucos, já que sejamos sinceros, poucos conseguem encontrar essa citada beleza em uma música que prima pela velocidade extrema, pela agressividade no seu estado mais bruto e a quase que completa ausência de melodias. É uma música vil, infame, abjeta por natureza. E querem saber? Por isso mesmo é tão legal.

O Expurgo é uma dessas bandas que me faz lembrar porque gosto tanto do estilo. Surgido nas “Minas Hellrais”, mais precisamente na capital Belo Horizonte, no ano de 2001, o quarteto hoje formado por Egon (vocal), Philipe (guitarra/vocal), Sérgio (baixo) e Anderson (bateria) finalmente nos apresenta o sucessor de Burial Ground, seu debut lançado no ano de 2010. Vale dizer que nesse meio tempo, os caras continuaram produzindo, tendo lançado nada menos do que 6 splits (possuem outros 5, lançados antes de álbum de estreia, e uma demo) e uma compilação, com material lançado desde seu surgimento até o ano de 2013.

Em Deformed By Law, temos uma verdadeira aula de como se fazer música extrema, e que soa ainda mais repulsiva que em sua estreia (e isso é um elogio, ok?). São 27 canções que se destacam pela crueza, visceralidade e rispidez, sem espaço para melodias bonitinhas. É uma marretada atrás da outra, sem dó nem piedade com os ouvidos alheios. Um verdadeiro genocídio em forma de música. Os vocais de Egon estão monstruosos, enquanto a guitarra de Philipe não dá descanso, com riffs capazes de ceifar tantas vidas quanto a Morte, de tão cortantes. Na parte rítmica, Sérgio e Anderson não deixam pedra sobre pedra. É como um terremoto seguido de um tsunami, tamanho poder de destruição. Carnificina pura.


Destaques? Olha, me perdoem, mas não vou conseguir fugir daquele clichê do “todas as músicas estão no mesmo nível, sendo difícil apontar destaques”. E sabe por quê? Porque todas as músicas estão no mesmo nível, sendo...bem, vocês já entenderam. Se realmente achar que seus tímpanos dão conta de não sangrarem durante a audição, experimente escutar faixas como “Victimized”,  “Inhale Radiation Fumes”, “Xenon Pieces Swallowed”, “The Taste Of Human Toxicity”, “Discurso Do Cadafalso”, “Deviled Mind”, “Lungs Decay”, “Sadistic Executioner”, “Harmless Scares”, “Atmosphere Of Horror”, “Global Suppuration”, “Walk Among The Dead” e “On The Edge”, verdadeiras hecatombes musicais.

Gravado no Estúdio Multimídia, em Belo Horizonte, o álbum teve sua produção, mixagem e masterização realizadas por Dennis Israel, no ClintWorks Arts, em Hamburgo, Alemanha. O resultado final soa perfeito, já que apesar de ser possível escutar todos os instrumentos com clareza, ainda assim soa como um álbum de Grindcore. A capa é uma bela obra de Pedro Felipe (Ars Moriendee), e se encaixa perfeitamente na proposta musical. Com um peso descomunal, e esbanjando brutalidade e selvageria, Deformed By Law certamente causará surdez aos ouvidos mais delicados, e coloca o Expurgo entre as principais bandas do estilo no cenário mundial. Como diz o título de um velho clássico do cinema italiano, “Brutti, sporchi e cattivi”. Um álbum feio, sujo e mau!

NOTA: 88

Expurgo é:
- Egon (vocal);
- Philipe (guitarra/vocal);
- Sérgio (baixo);
- Anderson (bateria).

Facebook
Bandcamp
YouTube


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Hutt - Apocalipster (2018)



Hutt - Apocalipster (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Flores, Velas e Caixão
02. Perdedor    
03. Tiro e Teco    
04. AUSC    
05. Estopim    
06. Nasceu pra Ser Inglês    
07. Ressurreição do Rico    
08. Fume    
09. Sete Palmos de Esperança    
10. Serão os Esquimós Índios em Iglus    
11. Carimbador   
12. Seja Bem-Vindo ao Circo    
13. HUTT    
14. Burzulão   
15. Faniquito Sorumbático    
16. Danzig In Tha Rain   
17. Salve    
18. Eldorado    
19. Shurimburi    
20. Trágico e Não Letal    
21. Desempregrind    
22. Papai Sabe Tudo    
23. Sem Alma na Alba    
24. Restou Você    
25. Medusa

Quando falamos de Metal, talvez nenhum estilo seja mais vil e infame do que o Grindcore. O Hutt surgiu em São Paulo no ano de 2001, e desde então, vem escrevendo sua história dentro do cenário nacional como uma das principais bandas do estilo, com sua música baixa e abjeta (isso é um elogio, ok). Mas apesar de já estar completando 17 anos de história, sua carreira é marcada por poucos lançamentos, com destaque para seus dois ótimos álbuns, Sessão Descarrego (04) e Monstruário (11). Mas eis que após 7 anos de hiato, nos entregam seu 3º trabalho completo de estúdio, Apocalipster.

Se você tem ouvidos delicados e sensíveis, já vou avisando, mantenha a distância desse artefato, pois o poder de destroçar tímpanos que o mesmo possui é algo assustador. Mal comparando, é uma espécie de Bomba H em formato de áudio. Aqui temos música ríspida, agressiva, bruta e literalmente extrema. Os vocais de Marcelo Appezatto soam totalmente insanos e em muitos momentos, ininteligíveis, exatamente como devem ser. Liandro nos entrega riffs ferozes e capazes de destroçar o que surgir pela frente, enquanto o baixo de André soa forte. A bateria, que aqui foi gravada por Marcelo Choukri, tem o efeito de uma explosão atômica, tamanho seu poder de devastação.

São nada menos do que 25 canções em cerca de 26 minutos, onde personificam o caos em forma de música. Apontar destaques? Sabe aquele clichê do “todas as músicas se destacam”? Então, é bem por aí. As minhas preferidas são “Tiro e Teco”, “Nasceu pra Ser Inglês”, “Ressurreição do Rico”, “Serão os Esquimós Índios em Iglus” (tem banda por ai que em 12 minutos, não consegue fazer algo com a qualidade que o Hutt fez em 12 segundos), “Carimbador”, “HUTT”, “Danzig In Tha Rain”, “Salve” (difícil acreditar que só possui 36 segundos, de tão boa que é), “Shurimburi”, “Trágico e Não Letal”, “Desempregrind” (a melhor de todas), “Sem Alma na Alba” e “Restou Você”.

Apocalipster foi gravado e mixado no Da Tribo, por Ciero e André Stuchi, com masterização de William Blackmoon. Ficou excelente, já que mesmo deixando tudo audível, não tirou nada da agressividade, do extremismo e da sujeira necessárias ao estilo do Hutt. Já a parte gráfica é fantástica, toda em forma de HQ, tendo sido tiradas das revistas Calafrio Edição de Colecionador 1989, Mestres do Terror 53, Almanaque de Histórias Satânicas e Cripta do Terror edições 1, 2 e 3. Mesmo estando ainda em fevereiro, posso afirmar sem medo que esse é um dos melhores álbuns de Metal Extremo que você irá escutar em 2018.

NOTA: 9,0

Hutt é:
 - Appezzato (Vocal);
 - Liandro (Guitarra) ;
 - André (Bateria).

Facebook
Bandcamp (Hutt)
Bandcamp (Black Hole Productions)


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Nails – You Will Never Be One Of Us (2016)


Nails – You Will Never Be One Of Us (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)

 
01. You Will Never Be One Of Us
02. Friend To All
03. Made To Make You Fail
04. Like Is A Death Sentence
05. Violence Is Forever
06. Savage Intolerance
07. In Pain
08. Parasite
09. Into Quietus
10. They Come Crawling Back

Apesar de ser das bandas mais populares no Brasil, o Nails já havia chamado a atenção dos fãs de Grindcore por seus dois álbuns anteriores, o impiedoso Unsilent Death (10), um clássico do estilo, e o brutal Abandon All Life (13). You Will Never Be One Of Us, seu terceiro álbum completo de estúdio, surpreendeu ao estrear no 127º lugar na Billboard 200 (6º na Hard Rock Albuns), algo não muito comum para bandas com esse nível de extremidade, o que mostra ao leitor a qualidade do que iremos escutar aqui.

E bem, dizer que são 10 músicas em apenas 21 minutos (isso porque a que encerra o CD possui cerca de inacreditáveis 8 minutos) talvez sirva de descrição perfeita para o leitor entender com o que irá se deparar aqui. E olha que aqui temos talvez as canções mais “longas” da carreira do Nails, com algumas chegando próximas dos 2 minutos, e pasmem, uma com mais de 3 minutos. Em resumo, a música do trio americano é curta e grossa, mesclando estilos como Grind/Crust, Hardcore e Death Metal Sueco.

Quer exemplos disso? Vá à faixa título, com seus riffs crus e altas doses de velocidade e agressividade, ou então a aula de Grind/Crust que dura apenas 45 segundos, intitulada “Friend To All” e que explicita as influências de Napalm Death e Extreme Noise Terror na música do trio. Também pode dar uma passada em “Like Is A Death Sentence”, veloz e com influência do Discharge e seu D-beat ou se qusier conferir um pouco de Death/Thrash, colocar para rodar a veloz “Savage Intolerance". Mas nada se compara à monstruosa “They Come Crawling Back”, com seus mais de 8 minutos e que transita entre o Doom e o Sludge. Simplesmente surpreendente.

A produção ficou a cargo de Kurt Ballou (Converge, Iron Reagan, Toxic Holocaust, Vallenfyre), também responsável pela mixagem. Já a masterização foi realizada por Brad Boatright (Corrosion of Conformity, Forgotten Tomb, Monster Coyote, Obituary, Skinless, Sunn O))), Wolves in the Throne Room). A qualidade ficou muito boa e nos permite escutar tudo com clareza, sem tirar a sujeira, a agressividade e o peso necessários. Já a capa foi obra de Wrest (Leviathan).

Saindo da sua zona de conforto e conseguindo soar ainda mais brutal e agressivo, o Nails se mostra uma banda obrigatória para todo aquele que curte um bom Grindcore e outras "podreiras" relacionadas. Sem sombra de dúvida, uma das bandas mais legais da atualidade quando se fala de vertentes mais extremas de Metal, e que os brasileiros têm uma ótima chance de conhecer agora, com a versão nacional de You Will Never Be One Of Us.

NOTA: 8,5

Nails é:
- Todd Jones (vocal/guitarra)
- John Gianelli (baixo)
- Taylor Young (bateria)

Facebook
Twitter
Instagram
Instagram (John Gianelli)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Desalmado/Homicide – In Grind We Trust (2016) (Split)


Desalmado/Homicide – In Grind We Trust (2016) (Split)
(Black Hole Productions – Nacional)


Desalmado
01. A Ordem dos Porcos
02. O Pavor do Estado
03. Hidra
04. Em Ruínas
05. Eternidade do Medo
06. Diáspora

Homicide
07. Ilusão Idiótia
08. Vosso Líder
09. Contra o Tempo
10. Estado Terminal
11. Causa e Efeito
12. From Reality to Dust
13. Stupid

Splits sempre tiveram sua importância na história do Metal e, no caso do Brasil, talvez o mais lembrado de todos seja Bestial Devastation/Século XX, unindo Sepultura e Overdose. Ainda sim, passado três décadas, continuam sendo parte vital de nosso underground, principalmente no que tange as sonoridades mais extremas. In Grind We Trust, lançado pela Black Hole Productions, une dois grandes nomes da cena Grindcore nacional, Desalmado (SP) e Homicide (SC).

O Desalmado abre os trabalhos enfiando o pé na porta com seu Grind que tem um dos pés bem fincados no Hardcore e carregado de energia. Com uma música tão agressiva quanto suas letras, agradam em cheio, principalmente por apresentar uma variedade maior de ritmos, já que não apostam na velocidade em 100% do tempo, possuindo algumas passagens, digamos, mais “cadenciadas”. Minhas preferidas aqui são “Hidra”, “Eternidade do Medo” e “Diáspora”.

Os catarinenses do Homicide também não fazem qualquer tipo de cerimônia e chegam quebrando tudo com seu Grind/Crust violento e raivoso. Apostando mais na velocidade que seu companheiro de Split, não deixam pedra sobre pedra, com destaque para os ótimos riffs. O detalhe é que, apesar de ser bem veloz na maior parte do tempo, sua música e momento algum soa repetitiva. Aponto como destaques “Ilusão Idiótica”, “Contra o Tempo”, “Estado Terminal” e “Stupid”.

A parte referente ao Desalmado foi produzida pela própria banda, tendo sido mixada por Hugo Silva e masterizada por André “Kbelo” Sangiacomo, enquanto o Homicide produziu, mixou e masterizou todo seu trabalho. Apesar disso, podemos observar uma coesão incrível e a qualidade das produções não soam díspares, estando em um nível muito bom. Tudo claro, audível e com toda a agressividade que têm direito. Já a capa é obra de Marcelo Augusto e se encaixa perfeitamente com o conteúdo lírico/musical.

Obviamente esse não é um trabalho que preze pela delicadeza, então se prepare para ter seus tímpanos agredidos sem dó nem piedade pelo melhor do extremismo nacional, feito por quem realmente entende do riscado. Em resumo, se não está acostumado com violência musical, passe distante de In Grind We Trust, a não ser que queira seus ouvidos sangrando. Para quem curte Grindcore, uma aquisição mais do que obrigatória para sua coleção.

NOTA: 8,5

Desalmado é:
- Caio Augusttus (Vocal)
- Estevam Romera (Guitarra)
- Bruno Teixeira (Baixo)
- Ricardo Nutzmann (Bateria)

Homepage
Facebook
YouTube
Bandcamp
Instagram

Homicide é:
- William Longen (Vocal)
- Diego Valgas (Guitarra/Vocal)
- Aracno Aranha (Baixo)
- Marlon Joy (Bateria)

Facebook
YouTube
Bandcamp

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Cattle Decapitation - The Anthropocene Extinction (2015)




Cattle Decapitation - The Anthropocene Extinction (2015)
(Metal Blade Records – Importado)

1. Manufactured Extinct
2. The Prophets of Loss
3. Plagueborne
4. Clandestine Ways (Krokodil Rot)
5. Circo Inhumanitas
6. The Burden Of Seven Billion
7. Mammals In Babylon
8. Mutual Assured Destruction
9. Not Suitable For Life
10. Apex Blasphemy
11. Ave Exitium
12. Pacific Grim

Quando surgiu com o EP Homovore (99), por mais que tivesse qualidade, o Cattle Decapitation chamava muito mais a atenção por seu uma banda totalmente formada por vegetarianos do que pela música em si. O tempo foi passando, os lançamentos se acumulando e sua sonoridade foi sendo cada vez mais aprimorada. O resultado disso pode começar a ser visto em seus dois últimos álbuns, o ótimo The Harvest Floor (09) e o espetacular Monolith of Inhumanity (12), onde levaram seu Death/Grind Progressivo a um nível muito acima da concorrência.

Depois de beirar a perfeição em seu trabalho anterior, não preciso afirmar que a expectativa por esse álbum era imensa. Como conseguir manter a qualidade quando se chega a um nível tão alto? Pois bem, a resposta é The Anthropocene Extinction. Sim amiguinhos, os caras conseguiram o que parecia impossível e lançaram um álbum superior ao Monolith of Inhumanity. Aliás, aqui continuam do ponto onde pararam neste, dando um passo além na evolução de seu som. Sei que a palavra evolução causa arrepios na maior parte dos fãs de Metal, já que normalmente é utilizada para justificar mudanças para pior, mas aqui isso significa um flerte discreto com estilos como Black Metal ou até mesmo Doom, por mais que o foco na maior parte do tempo seja a velocidade. Também é possível notar um pequeno avanço das melodias, principalmente nos vocais de Travis Ryan, que continuam bem variados, indo do gutural/rasgado até o limpo em alguns momentos. A guitarra de Josh Elmore vale por mil, despejando riffs simplesmente esmagadores e um peso brutal. Já a parte rítmica brilha com Derek Engemann (Baixo) e principalmente, com o baterista David McGraw, que se mostra uma verdadeira máquina. Os destaques ficam por conta de “Manufactured Extinct”, “The Prophets of Loss” (com participação de ninguém menos que Phil Anselmo), “Clandestine Ways (Krokodil Rot)”, “Mammals In Babylon”, “Mutual Assured Destruction”, “Apex Blasphemy” e “Pacific Grim” (com Jürgen Bartsch, do Bethlehem).

A produção mais uma vez ficou por conta de Dave Otero e esta simplesmente primorosa. Deixou tudo limpo, audível, mas absurdamente violento. A capa, como de praxe desde To Serve Man (02), foi feita por Wes Bencoster e considero uma das melhores que vi em 2015. Praticando uma música de qualidade absurda, carregada de energia, técnica e brutalidade, o Cattle Decapitation lançou esse que é até o momento, o melhor Trabalho de Metal Extremo de 2015. Simplesmente obrigatório!

NOTA: 9,5


 

sábado, 18 de julho de 2015

Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta - Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta (2015) (Demo)




Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta - Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta (2015) (Demo)
(Independente - Nacional)

01. Intro
02. AxExE
03. Legião de Carniceiros
04. Necrozoofilia

Me chamem de doente, mas me amarro nessas bandas de Splatter/Gore, como Impaled, Exhumed, Impetigo, General Surgery, Haemorrhage ou as brasileiras Flesh Grinder, Offal e Zombie Cookbook. As capas e letras podem ser nojentas, brutais e podres, mas eu acho isso realmente muito divertido. Vai entender minha cabeça. Mas bem, agora tenho mais um nome para juntar a essa lista lá de cima.

O Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta (que nome fantástico!!!) foi formado apenas no ano de 2014, em Indaiatuba/SP e lançou agora em Junho essa demo composta de 4 faixas, sendo a primeira uma intro. São pouco mais de 7 minutos de agressão pura e explícita, com uma sonoridade suja, bruta, agressiva e pesada despejada em nossos ouvidos pelo quarteto formado por Leandro Ogrish (Vocal), Ricardo Gore (Guitarra/Incinerad), Marcosplatter (Baixo) e Emanuel Kronéis (Bateria/Incinerad). O Death/Splatter aqui praticado é simplesmente impiedoso, curto e grosso. Apesar da pouca duração das músicas, chama a atenção a variedade que possuem, principalmente no que tange a parte vocal, que vai desde o gutural/urrado ao pig squeal, dando um dinamismo bem interessante. As letras, como não poderiam deixar de ser, são bem explicitas e ter uma música com o título de “Necrozoofilia” já deixa bem claro ao ouvinte o que ele irá encontrar por aqui. Além da faixa já citada, o outro grande destaque aqui fica por conta de “Legião de Carniceiros”.

Além da qualidade musical, outro aspecto que me chamou muito a atenção aqui foi o nível da produção (que ficou a cargo de André Diniz), muito acima não só para o que se espera de uma demo, como também para um trabalho do estilo, já que muitas bandas acham que Splatter/Gore é sinal de tosquice. Claro que ela é suja, afinal é o que um álbum do estilo pede, mas tudo aqui está muito audível. Tem ouvidos delicados e sensíveis? Então meu amigo, passe longe do Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta, pois aqui temos música feita para arrebentar até mesmo com os tímpanos mais treinados no estilo. Uma banda que já está mais do que pronta para um álbum completo!

NOTA: 8,5