As resenhas e entrevistas não param! Após o lançamento de seu novo álbum, “Eye In Hell”, o VULCANO voltou a ser destaque na imprensa especializada, dessa vez, Zhema Rodero falou com o site Headbangers News.
Nesta entrevista, o guitarrista e fundador da banda falou um pouco mais sobre este atual momento, seu trabalho neste DÉCIMO SÉTIMO lançamento, métodos de composição, gravação e produção, atual formação, projetos futuros e muito mais.
01. Punishment 02. Downfall 03. God Above Nothing 04. Higland Ceremony 05. Winged Snake Communion 06. Praxis Against Ignorance 07. Obedientia 08. Rites of Conscience 09. The Carnal Esplendour 10. ...As the Obedient Marches to the Abyss…
Na estrada desde 2006, os cariocas do Dark Tower vão consolidando o seu nome no underground nacional na base da brutalidade e agressividade. Donos de um Black/Death simplesmente devastador, após alguns EP’s e singles, lançaram seu debut, ...of Chaos and Ascension em 2013, sendo seguido 3 anos depois pelo ótimo Eight Spears. Agora, após igual espaço de tempo, retornam com seu 3º trabalho de estúdio, Obedientia, que segundo as palavras da própria banda, “é um manifesto contra essa onda de obediência cega, que assola a sociedade nos dias atuais, e fala de todo tipo de libertação e rebeldia, seja ela espiritual, cultural, sexual e filosófica.”. Impossível não destacar o ótimo trabalho nas letras, que complementam com perfeição a parte musical.
Algo que sempre me chamou a atenção nos trabalhos da banda, é o salto evolutivo que dão entre um lançamento e outro. Quando você pensa que não tem como melhorar, eles vão lá e mostram que você estava equivocado. Com Obedientia isso não é diferente. Se no álbum anterior havia ocorrido um recrudescimento de sua sonoridade, com doses menores de melodia, aqui elas voltam a dar as caras, e com ótimos resultados. Isso se dá muito pelo fato de terem trazido novas influências para sua música, com mais destaque para o Metal Tradicional. Mas não pense que isso significa que seu Black/Death se tornou menos bruto e furioso, pois ele continua ali, intocado e destruindo pescoços alheios, assim como aquela crueza que marca a banda. As citadas melodias aparecem, principalmente, nos solos, que estão simplesmente espetaculares aqui, e em algumas passagens mais cadenciadas.
Os vocais de Flávio Gonçalves continuam sendo um dos pontos altos do trabalho do Dark Tower, com aquela boa variação entre o rasgado e o gutural, que evita que os mesmos se tornem maçantes. Em contrapartida, as vocalizações limpas do baixista Rodolfo Ferreira, que eventualmente surgiam em uma ou outra canção, não aparecem em momento algum aqui. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais mais uma vez soam afiadíssimas, entregando não só ótimos riffs, como belíssimos solos, com boas cargas de melodia. Quanto a parte rímica, com Rodolfo e o baterista estreante, Rômulo Grilo, mostram muita coesão, peso e técnica, dando boa variedade as canções.
Após uma breve e sombria introdução, intitulada “Punishment”, surge a caótica e veloz “Downfall”, carregada de um peso opressivo, energia e um ótimo refrão. O álbum tem sequência com a bruta “God Above Nothing”, com seus ótimos riffs e potencial de destruição em massa de tímpanos mais delicados. É o epítome do caos. “Higland Ceremony” é uma curta vinheta que serve de introdução para mais uma faixa destruidora, “Winged Snake Communion”, onde os destaques ficam pelo peso e pelas boas melodias oriundas do Metal Tradicional que as guitarras nos entregam. “Praxis Against Ignorance” alterna muito bem passagens mais cadenciadas e melódicas com outras mais ríspidas e recheadas de riffs cortantes, além de possuir uma aura mais sombria, características também presentes na ótima Obedientia, com sua brutalidade e um belíssimo solo de guitarra. A áspera “Rites of Conscience” traz boas melodias, um trabalho de guitarras que resvala levemente no Thrash, sendo seguida por “The Carnal Esplendour”, um Caterpillar 797F sem freio, descendo uma ladeira, em forma de música, tamanho o atropelo. Franca, grosseira e agressiva. Encerrando, para contrapor com todo o peso e raiva que escutamos, a curta, serena e melódica instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss…”.
A produção foi realizada pela banda e por Rômulo Pirozzi (Ágona, As Dramatic Homage, Hatefulmurder, Vociferatus), sendo que este também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização ficou novamente nas mãos do ex-Rotting Christ Giorgos Bokos (Melechesh, George Kollias, Unearthly). O resultado é muito bom, já que deu a clareza necessária ao Black/Death da banda, mas sem tirar sua crueza, peso e organicidade. Já a capa e a parte gráfica, ambas belíssimas, foi obra do baixista Rodolfo Ferreira. Mantendo o seu viés evolutivo e de crescimento, o Dark Tower conseguiu superar seu ótimo trabalho anterior, e mostrando estar mais que pronta para assumir uma posição entre os principais nomes do underground brasileiro. Um dos melhores álbuns nacionais de 2019. Programado para sair no dia 5 de novembro, a banda já iniciou o processo de pré-venda de Obedientia, em um pacote que além do CD, possui pôster, adesivos e palhetas, além do valor do frete incluso. Caso interesse, a compra pode ser efetuada no seguinte link: https://pagseguro.uol.com.br/checkout/nc/cart.jhtml?s=de7485884f86bd47adc6d62d8c7a86e884e7a19bbe152ab6f141f336a0d7f8dc#rmcl
Myrkgand - Old Mystical Tales (2019) (Heavy Metal Rock - Nacional)
01. Of The Blue Fire 02. Black Thunders of Zýr 03. Foreseeing The Future 04. Aquariü 05. Ghostwoods 06. Dunkelelf 07. Summoning The Cryptic Dæmonium 08. No Ímpeto da Fúria 09. Trolls Filthy Madfeast 10. Chthonian Cyclops
O Myrkgand é um desses nomes que surgem de tempos em tempos, para provar a qualidade e criatividade do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. A one man band capitaneada por Dmitry Luna, surgiu no ano de 2012 em João pessoa/PB, com uma proposta de mesclar Black Metal, Death Metal Melódico e Pagan/Folk Metal, chegando ao seu debut autointitulado no ano de 2017. Apresentando músicas de muita qualidade, e recheado de participações especiais, o álbum teve ótimo acolhimento por parte da mídia e fãs – recebendo versões em países da América Latina, Europa e Ásia –, gerando assim uma expectativa a respeito do próximo passo a ser dado.
O 2º álbum é sempre um grande desafio para qualquer banda, ainda mais quando seu debut se destaca pela alta qualidade. O que fazer? Manter a pegada do primeiro e não correr riscos, agradando à base de fãs já conquistada? Seguir e dar aquele passo evolutivo a mais, que pode separar os grandes dos genéricos? Dmitry escolheu a segunda opção. Mas calma, não estamos falando de mudanças radicais na sonoridade, já que a mistura de Black, Death e Folk continua se fazendo presente, assim como a agressividade e velocidade de sua música. A diferença em relação ao debut se dá mais pelo fato de a música da banda soar um pouco mais melódica e diversificada, o que acaba sendo muito positivo.
Assim como na estreia, Old Mystical Tales conta com ótimos convidados, que somam o seu talento ao de Luna, enriquecendo demais todas as canções. Participam aqui, Kevin Kott (Masterplan, At Vance), Ashok (Cradle of Filth), Luiz Carlos Louzada (Vulcano), Marcus Siepen (Blind Guardian), Danilo Coimbra (Malefactor), Antônio Araújo (Korzus), Vito Marchese (Novembers Doom), Micha Meyer (ex-Iron Angel), Simone Rendina (Mortuary Drape), Renato Matos (Elizabethan Walpurga), Rodrigo Berne (ex-Tuatha de Danann), Claydson Silva (Pathologic Noise), Trollmannen (Trollfest), Dr. Leif Kjønnsfleis (ex-Trollfest), Liv Kristine (ex-Theatre of Tragedy) e Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween), sendo que esse último também cuidou da produção, mixagem e masterização.
As canções aqui presentes soam bem diretas, e possuem ótimas mudanças de andamento, que ajudam demais a dar uma maior diversidade ao trabalho. A velocidade se faz presente em todos os momentos, mas passagens cadenciadas surgem muito bem encaixadas, evitando que a audição soe cansativa. Os vocais de Dmitry estão ótimos e ríspidos, enquanto as guitarras brilham, entregando riffs que trafegam entre o Black e o Death Melódico com bastante naturalidade. Vale uma menção especial aos solos, excelentes em sua maioria. A parte rítmica – a bateria ficou a cargo de Kevin Kott, que toca no Masterplan e no At Vance – soa incrível, esbanjando não só agressividade, como também muita técnica.
De cara, temos a pesada, agressiva e variada “Of The Blue Fire”, que tem um de seus solos feitos por Ashok. Ótima escolha para faixa de abertura. A sombria e furiosa “Black Thunders of Zýr” se destaca não só pelas ótimas melodias, como pelo trabalho vocal variado – parte deles feitos por Luiz Carlos Louzada –, e pelo solo de Marcus Siepen. “Foreseeing The Future” é um Black Metal que prima pela rispidez, e conta com participação de Danilo Coimbra, enquanto a excelente “Aquariü”, com vocais limpos de Antônio Araújo e solo de Vito Marchese, tem bom uso do teclado, que ajuda na ótima ambientação da canção, além de riffs bem agressivos. A avassaladora “Ghostwoods” encerra a primeira metade do álbum com ótimas guitarras, riffs que parecem navalhas afiadas e um solo de Micha Meyer.
A segunda metade abre com a sombria “Dunkelelf” e sua boa cadência, com destaque para os bons teclados, a variação vocal e o solo de Simone Rendina. Em “Summoning The Cryptic Dæmonium”, além da boa utilização de elementos melódicos oriundos do Folk, temos um ótimo trabalho de baixo e bateria, além das participações de Renato Matos e Rodrigo Berne. Ter uma canção em português, parece ser uma tradição que será estabelecida nos trabalhos do Myrkgand. Aqui, temos a ótima “No Impeto da Fúria”, séria candidata a se tornar um hino da banda, com seus bons riffs, vocais assustadores, e um bom solo de Claydson Silva. “Trolls Filthy Madfeast” é outra que mescla com muita felicidade, elementos de Black, Death e Folk, tudo isso enriquecido pelas participações para lá de especiais de Trollmannen nos vocais e de Dr. Leif Kjønnsfleis no solo. Encerrando, outra forte candidata a se tornar um clássico, “Chthonian Cyclops”, que além de equilibrar de forma ímpar elementos mais extremos e mais melódicos, ainda conta com a participação de Liv Kristine nos vocais e Roland Grapow em um dos solos.
Todo gravado e produzido no Grapow Studios, na Eslováquia, contou com a sua produção sendo dividida entre Dmitry e Roland Grapow, sendo que esse último também cuidou da mixagem e masterização. O resultado realmente é muito bom, pois equilibrou clareza com agressividade e peso, com a crueza necessária sendo oriunda de uma escolha muito feliz para a timbragem dos instrumentos. Embalado em um digipack simplesmente lindo, teve sua arte feita por Emerson Maia (Corpse Grinder, Frade Negro, Thrashera, Vultos Vociferos) e Antonio César (Aquaria, Endless, Syren), e logo criado pelo “Senhor dos Logos”, Christophe “Volvox” Szpajdel (Borknagar, Dimmu Borgir, Emperor, Fleshgod Apocalypse, Moonspell). O Myrkgand não só passou no teste do segundo álbum, como conseguiu fazer isso com louvor, lançando um dos melhores álbuns de Metal Extremo desse ano. Acreditem, vocês precisam ter esse álbum em sua coleção!
NOTA: 88
Myrkgand é: - Dmitry (todos os instrumentos)
Convidados: - Roland Grapow (Guitarra Solo #2 em “Chthonian Cyclops”) - Antônio Araújo (Vocais limpos em “Aquariü”) - Luiz Carlos Louzada (Vocais urrados adicionais em “Black Thunders of Zýr”) - Renato Matos (Vocais (coros) em “Summoning the Cryptic Dæmonium”) - Trollmannen (Vocais urrados adicionais em “Trolls Filthy Madfeast”) - Liv Kristine (Vocais limpos em “Chthonian Cyclops”) - Ashok (Guitarra Solo #2 em “Of the Blue Fire”) - Marcus Siepen (Guitarra Solo em “Black Thunders of Zýr”) - Danilo Coimbra (Guitarra Solo em “Foreseeing the Future”) - Vito Marchese (Guitarra Solo em “Aquariü”) - Micha Meyer (Guitarra Solo em “Ghostwoods”) - Rodrigo Berne (Guitarra Solo em “Summoning the Cryptic Dæmonium”) - Claydson Silva (Guitarra Solo em “No Ímpeto da Fúria”) - Dr. Leif Kjønnsfleis (Guitarra Solo em “Trolls Filthy Madfeast”) - Simone Rendina (Guitarra Solo em “Dunkelelf”) - Kevin Kott (Bateria)
Oldlands – Source of Eternal Darkness (2019) (Sangue Frio Records/Diabo Records – Nacional)
01. Prayers for Nothing 02. Rotten Nazarene 03. Field of Victory 04. I Just Want to Die 05. The Real Face of Penury 06. Obscuring My Thoughts 07. The Chosen One 08. Metal Maldito (Escaravelho do Diabo tribute)
Aos que não acompanham com tanta atenção o cenário underground brasileiro, o Oldlands é uma one man band capitaneada por Vox Morbidus (Evilusions, Mortuo, Sadsy, Waking for Darkness, Warmony, Duress Soulles), surgida no ano de 2017, em Curitiba/PR, com a proposta de praticar aquele Black Metal típico da 2ª geração do estilo, que esteve em voga no final dos anos 80 e início dos 90. No mesmo ano, lançou o single “Prayers for Nothing”, que obteve boa repercussão entre os amantes do estilo, e agora nos apresenta seu debut, Source of Eternal Darkness.
É impossível não viajar no tempo durante os poucos mais de 36 minutos de duração do álbum. A própria apresentação do trabalho nos lembra o período citado acima, já que o CD remete ao bom e velho vinil, com direito as 8 músicas separadas em 2 faixas, como se tivéssemos aqui um Lado A e um Lado B. Musicalmente, nada mudou, e nos deparamos com aquele Black Metal cru, odioso e raivoso, com vocais rasgados e ríspidos, riffs gélidos e cortantes, uma parte rítmica coesa, firme, e com poucas variações, além de teclados que quando surgem, criam boas passagens atmosféricas. Mudanças de tempo evitam que as músicas se tornem repetitivas, além de apresentar boa técnica – mas sem exageros –, tudo complementado com algumas melodias bem obscuras. Tudo isso é feito com muita honestidade, energia, e vai agradar em cheio aos apreciadores dessa proposta.
A já conhecida “Prayers for Nothing” abre o álbum, com sua crueza, frieza, e riffs bem diretos. A alternância entre passagens mais cadenciadas e velozes é outra qualidade. “Rotten Nazarene” faz justiça ao nome, e transborda raiva e brutalidade, enquanto “Field of Victory” chama a atenção por seus vocais caóticos. Encerrando o “Lado A”, a ótima “I Just Want to Die”. A segunda metade abre com “The Real Face of Penury” e seus riffs cortantes, sendo seguida pelo interlúdio “Obscuring My Thoughts”. Para encerrar, a ótima e fria “The Chosen One”, outra que se destaca pelos riffs afiadíssimos, além de ter uma influência mais latente de Hardcore, a crua “Metal Maldito”, cover dos mineiros do Escaravelho do Diabo, que foi retirada da coletânea Tributo ao Underground Brasileiro.
A gravação, mixagem e masterização foram realizadas pelo próprio Vox Morbidus, e está exatamente dentro do que se espera para esse tipo de proposta. Crua e suja, mas ainda sim, audível. Vale destacar também que ele foi bem feliz na escolha dos timbres. Já a parte gráfica segue essa mesma linha, e foi muito bem elaborada por Moisés Alves, da Hell Forge Metal Art. Alternando bem passagens um pouco mais cadenciadas com outras mais velozes, e se utilizando muito bem da crueza e de canções diretas, o Oldlands estreia muito bem com um trabalho odioso, detestável, e insociável, como todo bom álbum de Black Metal deveria ser.
NOTA: 83
Oldlands é: - Vox Morbidus (todos os instrumentos)
Rotting Christ – The Heretics (2019) (Season of Mist – Importado)
01. In the Name of God 02. Vetry zlye (Ветры злые) 03. Heaven and Hell and Fire 04. Hallowed Be Thy Name 05. Dies Irae 06. I Believe (Πιστεύω) 07. Fire God and Fear 08. The Voice of Universe 09. The New Messiah 10. The Raven
Falar da importância do Rotting Christ, não só para a cena do Black Metal helênico, como para a mundial, é verdadeiramente chover no molhado. Responsáveis por trabalhos clássicos do estilo, sua influência é indiscutível. Também não se discute que os irmãos Sakis e Themis nunca se acomodaram, e sempre procuraram explorar novas fronteiras para o som da banda, sem nunca se desconectar com suas raízes. Triarchy of the Lost Lovers (96) marcou a introdução de elementos góticos em sua sonoridade, definindo o som da banda naquele momento, enquanto Theogonia (07) e Aealo(10) marcaram a inclusão não só de melodias, como de elementos típicos da cultura grega.
Desde então o Rotting Christ vem aperfeiçoando essa fórmula, o que gerou uma sonoridade única e irrotulável, por mais que a base do seu som continue lá, intocada. Essa mescla de agressividade com melodias, de passagens mais brutais com um lado mais atmosférico ritualista, te faz se sentir em muitos momentos meio a uma missa profana e sombria. Tem algo místico aqui, difícil de se explicar. Claro que em alguns momentos a coisa fica um pouco pomposa e cinematográfica demais, muito disso devido aos coros, mas não é algo que chega a prejudicar sua música, vide os bons resultados conseguidos com seus últimos álbuns, Κατά τον δαίμονα εαυτού (13) e Rituals (16).
The Heretics segue na mesma linha desses, e ouso dizer que algumas músicas aqui presentes poderiam estar sem problema algum em Rituals. Os vocais de Sakis estão ótimos, assim como os coros e os backings realizam um ótimo trabalho, ajudando demais na atmosfera final. O trabalho de guitarra também se mostra primoroso, principalmente no que diz respeito aos riffs, que entregam sim, boas melodias, mas também bastante peso e agressividade. Quanto a parte rítmica, destaque para a bateria de Themis, com suas levadas ritualisticas/tribais, que são o grande diferencial da banda em sua fase atual. Sem elas, o Rotting Christ não seria a mesma coisa.
A densa e pesada “In the Name of God” é um retrato perfeito do que encontraremos pela frente e funciona perfeitamente como faixa de abertura, já que te deixa ansioso pelas próximas canções. “Vetry zlye (Ветры злые)” mantém o nível no alto, com riffs pesados, um ótimo trabalho de bateria e participação de Irina Zybina(GRAI), que ajuda a dar um ar meio Pagan Metal a canção. “Heaven and Hell and Fire” possui um clima épico e ótimas melodias e refão marcante, enquanto “Hallowed Be Thy Name” prima pela pompa e pelos ótimos coros, que também dão as caras em “Dies Irae”, que tem bom peso e agressividade. “I Believe (Πιστεύω)”, com sua letra baseada em um poema de Nikolaos Kazantzakis (considerado o mais importante filósofo e escritor grego do sec. XX), é toda cantada em grego e possivelmente é a que menos empolga, por mais agressiva que seja sua parte instrumental. “Fire God and Fear” possui uma atmosfera bem sombria e sinistra, além de ótimas melodias de guitarra. “The Voice of Universe” conta com vocais de Melechesh Ashmedi (Melechesh) e tem nos riffs o seu ponto mais alto. “The New Messiah” se mostra uma música bem densa e melódica, e “The Raven”, baseada no poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, encerra o trabalho de forma magnífica, com bons riffs e vocais, e um clima destrutivo.
Produzido por Sakis, o álbum teve sua mixagem realizada por Jens Bogren e masterização por Tony Lindgren. Com um time desses, não se podia esperar menos do que a excelência. Clara e cristalina, consegue colocar em posição de destaque não só o peso, como as melodias presentes na música dos gregos. Já a capa foi obra de Maximos Manolis. Claro que alguns fãs mais radicais podem reclamar da proposta adotada nessa fase mais recente, mas a verdade é que em The Heretics, o Rotting Christ consegue manter o bom nível dos últimos lançamentos, com uma música sombria, mística e que possui aquele ar profano que esperamos vindo de uma lenda do Black Metal. Aos interessados, o álbum vai ganhar uma versão nacional através da Urubuz Records. Recomendadíssimo!
NOTA: 8,6
Rotting Christ é: - Sakis Tolis (vocal/guitarra); - George Emmanuel (guitarra); - Van Ace (baixo); - Themis Tolis (bateria).
Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!
Oldlands - Prayers for Nothing (2017) (Single) (Diabo Records - Nacional) 01. Prayers for Nothing
O Oldlands, caso o prezado leitor desconheça, é um projeto capitaneado por Vox Morbidus, do Mortuo, que surgiu no ano de 2017 e vêm preparando o seu debut para 2019. Prayers for Nothing é seu primeiro single, e foi lançado no final de 2017, já tendo sido sucedido por uma nova música, “Source of Eternal Darkness”, em outubro desse ano.
Quem acompanha o trabalho de Vox Morbidus em outros projetos, como o já citado Mortuo e o Warmony, não irá se surpreender ao se deparar com aquele Black Metal sujo e cru, que esteticamente remete aos anos 80 e 90. É uma verdadeira viagem no tempo. Sua música é fria, sombria e mórbida, com boas mudanças de tempo, vocais rasgados e riffs frios e cortantes. É ríspido, feio e odioso, e acreditem, isso é um grande elogio quando falamos de Black Metal. Apesar da estética adotada, e da organicidade mais do que esperada, tudo foi muito bem gravado e audível, cumprindo assim não só a função de nos apresentar o trabalho, como também a de deixar o ouvinte ansioso pelo debut do Oldlands. E que ele não demore.
NOTA: 85
Oldlands é: - Vox Morbidus (Todos os instrumentos).
01. Rites Of Fullmoon Over The Sepultures 02. Shoot To Kill (je$u$) 03. The Old Blade 04. Anticristum (Bellicus) 05. Dead (Cold… As The Graveyard) 06. Voodoo (Demoni Invocation) 07. Dense Forest, Nocturnal Paths 08. Place Of Pain, Desolation, Sadness And War 09. Shadows
Não é de hoje que o Nordeste revela grandes nomes para o cenário metálico brasileiro, e o pernambucano Malkuth é um exemplo. Na estrada desde 1993, chamaram a atenção de imediato dos fãs de Black Metal com o EP Under Delight of the Black Candle (97), e os álbuns The Dance of the Satan's Bitch (98) e Extreme Bizarre Seduction (01). Os 4 trabalhos de estúdio que vieram na sequência, Destroying the Symbols of Lies (02), Fourth Empire (03), Nekro Kult Khaos (06) e Strongest (11), serviram para consolidá-los como uma das principais hordas do estilo no país.
Após 7 anos, onde lançaram um trabalho ao vivo, Noite de Necromancia (15), e um EP, Shoot to Kill (Je$us) (17), finalmente retornam com seu 7º álbum de estúdio, intitulado Voodoo. Quem acompanhou a horda nessas mais de 2 décadas, pode observar como, trabalho a trabalho, foram evoluindo e amadurecendo sua música, sem que para isso necessitassem fazer concessões estilísticas. Maturidade não significa virar as costas para duas raízes, e aqui temos a prova disso. Sendo assim, a música aqui presente continua simples, brutal, agressivo e sim, melódico. Mesclando a escola nórdica e a grega, conseguem moldar um som unicamente seu, e que apesar da fidelidade, consegue soar atual aos ouvidos de quem escuta (méritos da produção).
A mescla de velocidade e cadência dá diversidade as canções, que se destacam pelo ótimo trabalho das guitarras, assim como pela parte rítmica, bem variada. Os teclados surgem de forma bem pontual e discreta, sem querer assumir o papel de protagonista, ajudando a dar um clima mais sombrio as músicas. Riffs ríspidos e cortantes dão as caras em canções como a esmagadora “Shoot To Kill (je$u$)”, a veloz “The Old Blade”, a pesada e fria “Anticristum (Bellicus)”, cantada em português, a gélida “Dead (Cold… As The Graveyard)”, onde o teclado e a parte rítmica assumem papel de destaque, e a simples e direta “Dense Forest, Nocturnal Paths”. “Voodoo (Demoni Invocation)” tem tudo para se tornar um hino da banda, com sua bateria avassaladora e melodias na medida certa, não podendo ser esquecida de forma alguma.
A produção, que ficou por conta da banda e de Joel Lima, soa muito menos crua que em trabalhos anteriores, mas sem cometer nenhum exagero, já que a agressividade, o peso e a sujeira continuam presentes. A timbragem também está ótima. Isso acabou fazendo muito bem a sonoridade do álbum e ajudou demais no resultado positivo que temos. Já a parte gráfica foi obra de Wagner de Matos, com layout de Dmysteriis e Destroyer. Ao final, temos um dos melhores álbuns de Black Metal que você escutará em 2018, agressivo, blasfemo, enérgico, e que certamente assumirá uma posição de destaque dentro da discografia do Malkuth.
Altú Págánach - The Wizard (2018) (Cold Art Industry - Nacional)
01. Dance Of The Wizard 02. The Magic 03. Ash Nazg Durbatulûk 04. Ash Nazg 05. Frerin 06. Iron Music 07. The Battle Of The Ancients 08. The Dream 09. Altú Págánach* 10. Melkor Rise* 11. Walking With Tolkien* 12. Bauglir Forest* 13. Old Wisdom* 14. Nirnaeth Arnoediad*
E lá se vão 17 anos de carreira e uma infinidade de lançamentos, entre demos, singles, compilações, EP’s e álbuns de estúdio, mas ainda sim o Altú Págánach não está entre os nomes mais conhecidos de nosso underground. Uma pena, porque seu Folk Black Metal, com temática baseada não só no paganismo, mas principalmente na obra do mestre John Ronald Reuel Tolkien, ou J.R.R Tolkien (1892-1973), é feito sobre medida para agradar aos fãs de hordas como Summoning, Caladan Brood, Emyn Muil, Vordven, Burzun e afins.
Originalmente, The Wizard foi pensado como um EP, mas a Cold Art Industry, em seu lançamento, adicionou ao mesmo os EP’s Walking With Tolkien Part II e Melkor Rise, transformando-o em um álbum completo. O trabalho é temático, abordando a trajetória de Radagast, O Castanho, um dos 5 Istari enviados a Terra Média para ajudar na luta contra Sauron, desde a sua chegada até a Primeira Batalha. Musicalmente, como esperado por quem já escutou os trabalhos anteriores, Lord Maleficarum T. I. Typhonis, o nome por detrás do Altú Págánach, conseguiu equilibrar com muita competência o seu Black Metal ríspido e cru, com os elementos mais atmosféricos que se fazem fortemente presentes nas composições.
Seguindo aquela linha estilística do início dos anos 90, e esbanjando assim agressividade e sujeira, mostra que a ideia aqui não é soar bonito e agradável aos ouvidos alheios, mas sim feio e obscuro. É a mais pura representação do underground. Os vocais trafegam com competência entre o rasgado e o limpo, acompanhados de riffs gélidos e teclados soturnos, que dão aquela atmosfera toda especial as canções do grupo. Dentre as 14 aqui presentes, vale destacar a faixa de abertura, “Dance Of The Wizard”, bem equilibrada e variada, as agressivas “Ash Nazg Durbatulûk” e “Ash Nazg”, e “Altú Págánach”, feita na medida para o que gostam de um Black Metal Old School. Já a sequência que encerra o álbum, que vai de “Walking With Tolkien” até “Nirnaeth Arnoediad”, seguem uma linha mais Ambient/Darkwave, que pode cair em cheio no gosto dos que apreciam bandas como Pazuzu, Vond, Dargaard, Wongraven e Mortiis.
Vale dizer que a Cold Art Industry está disponibilizando duas versões diferentes do álbum. Uma em digipack, limitada a 100 cópias, numeradas a mão, e outra em acrílico, com apenas 300 cópias, que vem acompanhada de um poster A3, adesivo e OBI. Em resumo, se você gosta de Folk Black Metal, não tem desculpa para não ter essa obra em sua coleção.
NOTA: 8,0
Altú Págánach é: - Lord Maleficarum T. I. Typhonis
Rotting Christ -Triarchy of the Lost Lovers (1996/2018) (Cold Art Industry - Nacional)
01. King of a Stellar War 02. A Dynasty from the Ice 03. Archon 04. Snowing Still 05. Shadows Follow 06. One with the Forest 07. Diastric Alchemy 08. The Opposite Bank 09. The First Field of the Battle Bonus Tracks 10. Tormentor (Kreator cover) * 11. Flag of Hate/Pleasure to Kill (Kreator cover) *
Não vou dizer que Triarchy of the Lost Lovers é o melhor álbum da carreira do Rotting Christ, afinal, estamos falando de uma banda que tem em sua discografia, obras do porte de Thy Mighty Contract (93), Non Serviam (94), A Dead Poem (97), Khronos (00) e Sanctus Diavolos (04). Entretanto, sem dúvida, o 3º trabalho dos gregos é o preferido de muitos fãs espalhados pelo mundo. E é justamente ele que a Cold Art Industry, em um verdadeiro serviço de utilidade pública, lança em versão nacional, em uma edição similar à que foi lançada em digipack no ano de lançamento. Isso significa que temos aqui 3 covers do Kreator, mais precisamente para as clássicas “Tormentor”, “Flag of Hate” e “Pleasure to Kill” (essas duas em um medley). A diferença aqui se dá pelo fato de o material vir em caixa acrílica, embalado em um slipcase e limitado apenas a 500 cópias.
Mas o que Triarchy of the Lost Lovers possui de tão especial? Ele é só o álbum que definiu o Rotting Christ como banda. Não entendam mal, Thy Mighty Contract e Non Serviam são trabalhos fabulosos, mas não apresentavam qualquer novidade quanto a questão estilística, mesclando Black Metal com Thrash, e se diferenciando do que outras bandas faziam unicamente na questão da inspiração para as composições. Já aqui podemos observar uma boa dose de elementos góticos, que unido ao que a banda fazia, gerou aquilo que muitos rotularam de Dark Metal. As músicas alternam entre o mid-tempo e o cadenciado, com boas mudanças de tempo e melodias que conseguem dar um aspecto sombrio, triste e fúnebre às canções. O álbum possui uma atmosfera bem emocional e espiritual, que o transformaram em um trabalho único até então.
A evolução da banda fica muito clara, e é possível observarmos um refinamento muito maior de seu som. As canções estão mais bem trabalhadas, as guitarras despejam riffs afiadíssimos e cortantes, sem abrir mão das melodias, enquanto o baixo, bem sólido, e a bateria, bem variada, dão peso às músicas. Nota-se também que os vocais já não soam tão forçados quanto nos 2 trabalhos anteriores. É, sem dúvida, sua obra mais madura e agradável aos ouvidos, com uma musicalidade muito superior ao de álbuns anteriores. Vale destacar também que Triarchy of the Lost Lovers funciona bem, tanto se analisarmos suas faixas de forma individual, como se o fizermos pelo todo. A coesão do material impressiona.
Apesar do nível altíssimo apresentado, ainda é possível apontarmos alguns destaques dentre as 9 canções que compõem o álbum. “King of a Stellar War” abre o trabalho de forma cativante, com seu ritmo mais lento e suas ótimas melodias. “A Dynasty from the Ice” se destaca não só pelos ótimos riffs, como por possuir boas passagens atmosféricas. “Archon” é enérgica, pesada e bruta, enquanto a bela e cadenciada “Snowing Still” chama a atenção pelas suas melodias taciturnas, além de possuir um belo solo. “One with the Forest” tem uma boa utilização do teclado, responsável por boas passagens atmosféricas, além de, claro, ser mais uma que se destaca pelas melodias. “The Opposite Bank” é dessas canções fortes que tem um trabalho de guitarra bem marcante, e “The First Field of the Battle”, que encerra a versão padrão do álbum, tem não só bons riffs, como um clima sombrio.
A produção ficou nas mãos do hoje experiente Andy Classen, mas que na época vinha iniciando sua carreira de produtor. O resultado foi superior ao que haviam apresentado até então, já que tudo está audível, limpo e com uma boa organicidade, capaz de passar uma sensação de frieza ao ouvinte. Já a capa foi obra de Stephen Kasner, e é uma das mais marcantes da carreira dos gregos. Triarchy of the Lost Lovers é o álbum definidor da carreira do Rotting Christ, onde conseguiram equilibrar o peso do Black e a melancolia do Gothic, dando assim um norte para seus trabalhos futuros. Um clássico obrigatório na coleção de qualquer bom amante do Heavy Metal.
Behemoth - I Loved You at Your Darkest (2018) (Nuclear Blast Record – Importado) 01. Solve 02. Wolves ov Siberia 03. God = Dog 04. Ecclesia Diabolica Catholica 05. Bartzabel 06. If Crucifixion Was Not Enough… 07. Angelvs XIII 08. Sabbath Mater 09. Havohej Pantocrator 10. Rom 5:8 11. We Are the Next 1000 Years 12. Coagvla
Sempre tive grande apreço pelo Behemoth, e ainda devo ter em algum canto aqui em casa, minhas fitas-cassetes de Grom (96), Pandemonic Incantations (98) e Satanica (99), gravadas na segunda metade dos anos 90. Era uma época em que, por viver em uma cidade do interior e não ter lá muitas condições de adquirir CD’s, eu costumava fazer um “catadão” nas coleções de alguns amigos e passar tudo para as “abençoadas fitinhas”. Talvez por isso, sempre que vejo o nome da banda em algum site ou revista, sempre que anunciam algum material novo, me bate certo saudosismo desses tempos, quando sim, tudo parecia mais simples, até mesmo quando falávamos de Heavy Metal.
Não sei se em algum momento, Nergal imaginou que o Behemoth poderia se tornar tão grande quanto se tornou dentro do cenário metálico mundial. Alguns detratores podem alegar que isso não se deu puramente por razões musicais, afinal, seu vocalista e guitarrista sempre foi um nome polêmico, já tendo inclusive encarado um tribunal em seu país, por ter rasgado uma bíblia durante um show. O crescimento começou efetivamente com o lançamento de The Apostasy (07), se consolidou com Evangelion (09) e se tornou uma realidade com The Satanist (14), e a maior prova disso é toda a expectativa que antecedeu I Loved You at Your Darkest, seu 11º trabalho de estúdio. Eu mesmo estava ansioso há meses para escutá-lo.
The Satanist colocou a banda em um lugar de destaque dentro da cena, tendo sido não só um dos grandes trabalhos de sua carreira, como um dos destaques de 2014. Após um trabalho de tamanha repercussão positiva, a lógica seria muito simples, ou seja, manter a fórmula, a mesma pegada. Mas bem, estamos falando do Behemoth, e o comodismo, o caminho mais fácil, nunca foi lá a opção preferida da banda. Não que I Loved You at Your Darkest seja um álbum brutalmente diferente de seu antecessor, ele até possui alguns traços em comum, já que se mantém em busca das raízes da banda, mas passa longe de ser um clone ou uma simples continuação do mesmo. Ele é único, caminha com as próprias pernas, algo incomum para uma banda que chegou ao patamar que o Behemoth se encontra no momento.
Nergal e cia procuraram explorar novas fronteiras musicais, sem que isso necessariamente tenha significado fugir da sonoridade padrão da banda. Suas características básicas continuam aqui, com riffs fortes e sinistros – alguns poderiam estar em Demigod, por exemplo – e uma parte rítmica que se destaca não só pela coesão, mas pelo peso e técnica. Ainda sim, é um álbum mais flexível que The Satanist, o que pode ser observado nas utilizações de corais infantis e gregorianos ou em passagens acústicas. Essa maior flexibilidade também permitiu que Orion (baixo) e Inferno (bateria) explorassem mais seus lados criativos, além de colocar a guitarra no centro das canções (por mais que em alguns momentos elas sejam abafadas pela bateria e pelos vocais, que estão bem altos).
“Solve” é uma introdução simples e funcional, já que o coral infantil aqui utilizado funcionou muito bem, ajudando a dar aquele ar escuro e melancólico que será observado no decorrer do trabalho. “Wolves ov Siberia” é um dos momentos onde podemos traçar um paralelo entre I Loved You at Your Darkest e The Satanist. É agressiva, rápida e tem um pé bem firme no Black Metal. Outra que segue bem essa linha é a já conhecida “God = Dog”, que tem aqueles riffs de guitarra bem característicos do Behemoth. Caótica e anárquica, é enriquecida não só pelo coro gregoriano, como também pelos corais infantis que resurgem em determinado momento. Não soa exagerado dizer que é uma fotografia do álbum como um todo. “Ecclesia Diabolica Catholica” tem uma queda para o Black Melódico, mas sem abrir mão daquele peso esmagador do Death Metal. Além disso, tem um ótimo refrão, bons solos, e a bateria de Inferno soa simplesmente infernal (a tentação do trocadilho foi maior).
“Bartzabel” surge para dar uma quebrada na ferocidade do álbum até então. Melancólica e mais arrastada, tem algo de Doom e um clima um tanto ritualístico. É sem dúvida alguma a canção mais melódica de todo o trabalho. Destaque para o coro gregoriano repetindo “Come unto me Bartzabel”, que soa sinistro. Você sente que a qualquer momento o demônio pode se materializar diante de você. “If Crucifixion Was Not Enough…” é um Death/Black enérgico, agressivo, com ótimos solos e com um trabalho primoroso da parte rítmica. “Angelvs XIII” é dessas canções esmagadoras que o Behemoth faz como poucos, e poderia estar tranquilamente em Demigod ou The Apostasy. O álbum dá uma pequena caída, com a sequência composta por “Sabbath Mater”, uma tentativa de continuidade de The Satanist, com bons riffs e vocais, e “Havohej Pantocrator”, dura escura e atmosférica. “Rom 5:8” é opressiva e visceral, com boa variação vocal, e “We Are the Next 1000 Years” é intensa, forte e simplesmente perturbadora. Encerrando, temos a instrumental “Coagvla”.
O álbum teve a produção realizada pela própria banda, com a coprodução da bateria por Daniel Bergstrand – que trabalha com o grupo desde Demigod, além de ter produzido nomes como Abbath, Dark Funeral, In Flames e Meshuggah –, mixagem de Matt Hyde (Children of Bodom, Marty Friedman, Slayer, Soufly) e masterização de Tom Baker (Bruce Dickinson, Judas Priest, Marilyn Manson, Megadeth, Pantera). O resultado é muito bom, apesar de a bateria ter ficado um pouco alta para o meu gosto. Apesar de limpo e claro, conseguiram manter uma pequena dose de crueza, algo que remete mais ao passado da banda. Já a bela capa foi obra do italiano Nicola Samori. Se recusando a dormir sobre os louros de seu trabalho anterior, o Behemoth conseguiu soar ainda mais efetivo, mas sem abrir mão de seus princípios.
Anaal Nathrakh - A New Kind of Horror (2018) (Metal Blade Records - Importado)
01. The Road To… 02. Obscene As Cancer 03. The Reek Of Fear 04. Forward! 05. New Bethlehem/Mass Death Futures 06. The Apocalypse Is About You! 07. Vi Coactus 08. Mother Of Satan 09. The Horrid Strife 10. Are We Fit For Glory Yet? (The War To End Nothing)
Tenho lá algumas certezas nessa vida, e uma delas é que no dia do apocalipse, a trilha sonora de fundo será a discografia do Anaal Nathrakh, duo inglês surgido no ano de 1999 e formado por Dave Hunt (Benediction) nos vocais e Mick Kenney nas guitarras, baixo e programação. Com uma discografia nivelada por alto e álbuns do porte de Hell Is Empty, and All the Devils Are Here (07), In the Constellation of the Black Widow (09) e mais recentemente The Whole of the Law (16), chegam ao seu 10º álbum de estúdio, com A New Kind of Horror.
Mas antes, vamos falar um pouco de história, aquela coisa que a maioria dos brasileiros hoje em dia não dá importância durante o período em que está na escola, mas depois que se forma, pensa que entende do assunto porque viu algum canal de YouTube, ou leu algum livro escrito por um jornalista. Em 2018, completa-se 100 anos que se findou a 1º Guerra Mundial (1914-1918), ou a Guerra das Guerras, um conflito que reuniu grandes potências de todo mundo e vitimou, entre civis e militares, 19 milhões de pessoas. Ela mudou de forma radical o mundo conhecido até então, alterando radicalmente o mapa territorial e político, e com consequências econômicas desastrosas para boa parte dos envolvidos de forma direta. Tudo isso acabou sendo determinante para os acontecimentos das décadas seguintes. Além disso, viu não só o surgimento de uma nova forma de fazer guerra (a guerra de trincheiras), como também gerou um avanço tecnológico no que diz respeito às armas, que se tornaram mais letais do que nunca.
Por tudo isso citado acima, o Anaal Nathrakh resolveu utilizar o conflito como base para A New Kind of Horror. E convenhamos, qual tema poderia ser mais perfeito para uma música com tamanho nível de insanidade, raiva e niilismo como a feita pelo duo britânico. A junção dos vocais doentios de Dave, com os riffs que mesclam Black Metal e Industrial, que nos são entregues por Mick, gera uma sonoridade quase apocalíptica, bruta e que beira a demência. Isso invariavelmente vai fazer o ouvinte se sentir em meio a uma trincheira, durante uma batalha, tamanho o clima de desconforto, medo e horror que as canções vão causar. Se não for para causar desconforto no ouvinte, o Anaal Nathrakh nem entra em estúdio para gravar. Vale dizer também que se comparado com The Whole of the Law, esse é um álbum mais simples e direto, por mais que as características de sempre estejam presentes.
Após a introdução com “The Road To…”, o horror toma conta com a forte “Obscene As Cancer”. É quase impossível não se sentir oprimido pelo peso dessa canção. O refrão também é ótimo. Uma coisa que sempre me impressiona na música do Anaal Nathrakh, é que mesmo com o inferno ocorrendo, os vocais limpos de Dave funcionam com perfeição quando surgem. “The Reek Of Fear” é simplesmente avassaladora, com seus riffs em profusão e pedais duplos, além de contar com uma variedade vocal absurda, com direito a falsetes de Hunt. “Forward!” pode causar algum desconforto nos mais radicais, pois, possui elementos que remetem ao Deathcore, mas o peso absurdo das guitarras, o ótimo groove, e as passagens industriais muito bem utilizadas, fazem dela um dos destaques do álbum. Essa sequência inicial é simplesmente avassaladora.
“New Bethlehem/Mass Death Futures” é dessas canções doentias que só o Anaal Nathrakh sabe fazer. Destaca-se principalmente pelas ótimas guitarras e sua mescla de Black e Industrial. É tipo uma batida de frente entre o Dimmu Borgir com o Fear Factory. E o que dizer de “The Apocalypse Is About You!”? Imagine você sendo atropelado por uma Betoneira carregada até o talo, sem freio, descendo uma ladeira a 150 Km/h. É ainda pior. “Vi Coactus” conta com vocais de Brandan Schieppati, do Bleeding Through, e se destaca pelos riffs industriais e pelo peso implacável, enquanto “Mother Of Satan” é a canção que possivelmente menos empolga em todo álbum, mas ainda sim é um verdadeiro rolo compressor quando assunto é agressividade. “The Horrid Strife” tem uma cadência interessante, bom groove e ótimas guitarras. Encerrando o álbum, a ótima “Are We Fit For Glory Yet? (The War To End Nothing)”, com um ar épico, uma variedade vocal absurda, um belo e surpreendente coral, e claro, a insanidade a qual estamos acostumados.
Como de praxe em todos os seus trabalhos, a banda cuidou de tudo no que diz respeito a produção e parte gráfica, sempre a cargo de Mick Kenney. O resultado é o que já conhecemos, ou seja, uma produção de qualidade, que te permite escutar todos os detalhes, mas que não abre mão da agressividade, do peso e daquela dose de sujeira necessária a música do duo. A capa, muito bonita, segue a temática lírica do trabalho. Mais uma vez o Anaal Nathrakh entrega aos seus fãs um álbum azedo, bruto, desconfortável, e violento, mas ainda sim belo. Uma trilha sonora para a vida, com seus momentos bons e ruins. A verdadeira música do apocalipse!
01. Northern Chaos Gods 02. Into Battle Ride 03. Gates To Blashyrkh 04. Grim And Dark 05. Called To Ice 06. Where Mountains Rise 07. Blacker Of Worlds 08. Mighty Ravendark
Ainda me lembro do primeiro contato que tive com a música do Immortal, na primeira metade dos anos 90. Era uma época em que o Black Metal norueguês estava no centro das atenções, não só pelo lado musical, mas também pelas polêmicas intermináveis que sequer precisam ser citadas aqui. Foi nesse período que escutei pela primeira vez Diabolical Fullmoon Mysticism (92) e Pure Holocaust (93), trabalhos que me causaram grande impacto. Os álbuns que vieram na sequência não foram diferentes, a não acho nada exagerado rotular Battles in the North (95), Blizzard Beasts (97) e At the Heart of Winter (99) como clássicos do Black Metal. Por mais que na sequência da carreira tenham mantido o nível com Damned in Black (00) e principalmente Sons of Northern Darkness (02), algo parecia não estar 100%.
Primeiro veio o fim em 2003, depois o retorno em 2006, seguido de um álbum um tanto quanto inconsistente, All Shall fall (09). Vejam bem, não estou dizendo que é um trabalho fraco, de forma alguma, mas apenas não possui o mesmo brilhantismo de outrora. Os shows continuaram a correr, tudo parecia bem, apesar de não se falar em um novo trabalho de inéditas, até que no final 2014 uma forte turbulência se abateu sobre o Immortal. Abbath entra em uma disputa judicial com Demonaz e Horgh pelo nome, alegando que acreditava que ambos haviam deixado a banda após decidirem por uma pausa nas atividades, e que ele precisava do mesmo para sobreviver, já que era músico profissional e dependia do lançamento de Cd’s e de shows para ter seus ganhos. Alegava inclusive que já tinha um novo álbum gravado, com outros músicos, e que estava apenas na espera da resolução de toda a situação para seu lançamento.
No final todos sabemos o que acabou por ocorrer. Abbath se retirou e formou sua banda solo, lançando com ela o material que havia composto e gravado para ser o 9º trabalho de estúdio do Immortal, enquanto Demonaz, que desde 97 exercia apenas a função de letrista devido a uma forte tendinite, e Horgh, deixaram claro que a banda continuaria viva e que já estavam começando a trabalhar em um novo álbum de inéditas. Tudo isso acabou gerando uma série de incertezas, afinal, o ex-vocalista e guitarrista era o centro criativo do grupo desde At the Heart of Winter. Será que Demonaz, depois de mais de 2 décadas afastado das funções de guitarrista, conseguiria manter o alto nível exigido pelos fãs? Será que o mesmo conseguiria se sair bem como vocalista, mantendo o alto nível dos vocais de Abbath? Conseguiria Northern Chaos Gods superar o trabalho de estreia de Abbath? As perguntas eram muitas, e as respostas finalmente estão ao nosso alcance, na forma das 8 canções que compõem esse álbum.
Bem, os fãs podem respirar aliviados, pois, Northern Chaos Gods é um trabalho que definitivamente honra a carreira do Immortal. Sem inventar, a dupla formada por Demonaz (vocal/guitarra) e Horgh (bateria), contando com o apoio do produtor Peter Tägtgren, responsável pela gravação do baixo, apostou em um Black Metal padrão, simples, direto, e que remete diretamente ao período inicial da banda, principalmente a trabalhos como Battles in the North e Blizzard Beasts. Claro, não negam tudo que veio pós-1997, mas é um álbum que nitidamente soa mais obscuro e sombrio do que a fase que contava com Abbath como cérebro criativo. É um Immortal mais enérgico e revigorado. Os vocais de Demonaz conseguiram manter um bom nível, e ele não tenta soar como uma cópia de seu antecessor. Nesse sentido, é uma ótima estreia. Sua guitarra está simplesmente esmagadora e Horgh faz exatamente o que se espera dele, com um trabalho sobre-humano na bateria. O baixo de Peter está lá, soterrado por uma avalanche de riffs devastadores e de blastbeats, mas você consegue perceber ele uma vez ou outra. Nada diferente de trabalhos anteriores da banda.
De cara, já temos uma faixa que é a mais pura essência do que é o Immortal, a feroz e selvagem “Northern Chaos Gods”, que remete diretamente aos primórdios da banda. Na sequência temos um cataclismo em forma de música, “Into Battle Ride”, com toda a sua velocidade, brutalidade e clima gélido. “Gates To Blashyrkh” é desde já uma forte candidata a se tornam um clássico dos noruegueses, mesclando fúria, riffs cortantes e boas passagens atmosféricas. “Grim And Dark” se destaca pelo clima sombrio, pelo peso e pelas guitarras afiadíssimas, e “Called To Ice” é daquelas músicas velozes e devastadoras que poucos além deles conseguem fazer. “Where Mountains Rise” é outro dos pontos altos do trabalho. Tem aquela aura do Bathory, que marcou o começo da carreira do Immortal, um clima absurdamente gélido, um refrão muito bom e elementos atmosféricos que são bem utilizados. “Blacker Of Worlds” é simplesmente implacável, se destacando pela fúria e pelos altos níveis de crueldade com os tímpanos mais delicados. Encerrando, temos a épica, avassaladora e magistral “Mighty Ravendark”, certamente uma das melhores composições da carreira da banda.
Como já dito, a produção ficou a cargo de Peter Tägtgren, algo que já ocorre desde At The Heart Of Winter, tendo ele também sido o responsável pela mixagem. Já a masterização, assim como em All Shall Fall, voltou a ser realizada por Jonas Kjellgren. O equilíbrio encontrado foi perfeito, já que soa audível, mas sem polimento excessivo. Exatamente como deve ser um álbum de Black Metal. Já a capa foi obra da Jannicke Wiese-Hansen, sendo simples, e deixando transparecer com perfeição o que o ouvinte encontrará em Northern Chaos Gods: Black Metal gélido, escuro, feroz, enérgico e esmagador. O Immortal definitivamente voltou e não está para brincadeiras. O Reino de Blashyrkh vive!
Existiu um tempo onde tudo era mais simples quando o assunto era Heavy Metal e suas vertentes. Quando uma banda recebia o rótulo de Black Metal, você sabia exatamente o que esperar da mesma. Hoje em dia você fica na dúvida, afinal, ela pode receber ao lado do Black, um complemento como Sinfônico, Depressive, Post, Ambient, Melódico, ou algum outro qualquer ao gosto da banda. Nada contra, até gosto de muitos desses estilos, mas a verdade é que nada se compara aquela sonoridade bruta e crua, tantos da primeira geração dos anos 80, como da segunda, que tomou de assalto hà cena no início da década de 90.
Para nos fazer recordar disso, existem hordas como a Heia, surgida em Goiânia no ano de (1999), e que desde então se colocou entre os principais nomes do estilo no Brasil. O que temos em mãos é o seu debut, originalmente de 2007, e que ano passado ganhou um relançamento em comemoração aos seus 10 anos, através de uma reunião de selos de nosso underground. Bem, aqui não tem espaço para conversa, já que você vai se deparar com aquele Black Metal típico da segunda geração do estilo, e que remete a nomes como Mayhem, Darkthrone, Burzum, Beherit e afins. É cru, agressivo, bruto e primal. É o mal em forma de música.
Na época formada por Místico (guitarra/vocal), Perverso (baixo/vocal) e Desgraça (bateria), a horda goiana nos presenteia com vocais vomitados, letras em português que transbordam blasfêmia e ódio contra o Cristianismo, guitarras que despejam riffs ríspidos, frios e cortantes, e uma parte rítmica que esbanja brutalidade e peso. O trio não tem pena dos ouvidos alheios. A fidelidade ao estilo e gritante e se você não acredita, escute faixas como a bruta “Maldade Infame”, que abre o opus, as cruas “Magia Negra” e “Portal” e as ríspidas “Maligna” e “Perversidade Mística da Desgraça”. De bônus, duas faixas retiradas da demo de 2002, Oráculo, “Ritual” e “Missa Negra”, que possuem uma produção bem inferior as demais, mas valem como registro histórico. Decididamente é material para ouvidos treinados.
Gravado e mixado no Studio Manicomial, o álbum teve a produção a cargo da própria horda, de Luis Maldonale e de Gustavo Vazquez. O resultado se apresenta surpreendente, considerando a proposta sonora da Heia. Tem toda aquela crueza esperada, mas não soa como uma massa sonora disforme, já que você consegue escutar todos os instrumentos. A parte gráfica ficou muito legal, com o CD vindo embalado em um digipack caprichado. Com uma música simples, bruta e impiedosa, Magia Negra é daqueles trabalhos obrigatórios na coleção de qualquer bom apreciador do estilo. O Black Metal vive e resiste!
Rotting Christ - A Dead Poem (1997/2018) (Cold Art Industry - Nacional)
01. Sorrowfull Farewell 02. Among Two Storms 03. A Dead Poem 04. Out of Spirits 05. As If by Magic 06. Full Colour Is the Nights 07. Semigod 08. Ten Miles High 09. Between Times 10. Ira Incensus 11. Sorrowfull Farewell (Live) 12. Among Two Storms (Live)
Antes de qualquer coisa, precisamos agradecer a Cold Art Industry por esse relançamento, algo que podemos chamar de um serviço de utilidade pública. Poder ter em mãos uma versão tão caprichada de A Dead Poem, com direito a duas faixas bônus, é algo que torna melhor o dia de qualquer fã do Rotting Christ. Sucessor do fantástico Triarchy of the Lost Lovers (96), o 4º álbum de estúdio dos gregos é uma evolução deste, se aprofundando mais nos elementos góticos e melódicos que haviam sido apresentados no mesmo. É onde a banda dá uma guinada forte para uma sonoridade mais Dark, com um resultado final simplesmente excelente.
Aqui podemos traçar um paralelo entre o Rotting Christ e o Paradise Lost. Ambos começaram suas carreiras com uma sonoridade mais extrema, mas com o passar dos álbuns, foram moldando seu som para algo menos brutal e muito mais melancólico e sombrio. Acho até que não seria exagero dizer que A Dead Poem é uma espécie de Draconian Times com um pé no Black Metal, dado o fato que ambos focam no goticismo e nas melodias, se diferindo apenas na questão vocal, pois ao contrário de Nick Holmes, Sakis manteve seus vocais mais agressivos. Similaridades com o trabalho do Moonspell também podem ser vistas, e não é coincidência termos a participação especial de Fernando Ribeiro em uma das canções.
Os vocais de Sakis continuam seguindo uma linha mais Black, e conseguem impor um ar sombrio as canções, enquanto sua guitarra é responsável não só por nos entregar ótimos riffs, como também algumas melodias belíssimas e solos fantásticos. É nítida a influência de Heavy Metal Tradicional em seu trabalho. A parte rítmica, com Themis e o estreante Andreas, também executa um trabalho de altíssimo nível. Repare nas linhas de baixo aqui presentes e em como são importantes para o resultado final. Os teclados, sempre encaixados de forma perfeita e sem exageros, tendo importância nos momentos mais atmosféricos e melancólicos, foram executados por ninguém menos que Xy, do Samael, que também foi o produtor do álbum.
Apontar destaques aqui é impossível, pois esse é daqueles trabalhos onde todas as canções estão niveladas por cima. De cara, temos o hino “Sorrowfull Farewell”, com seus riffs marcantes e belas melodias. Não satisfeito, na sequência escutamos outro clássico, “Among Two Storms”, que conta com a participação de Fernando Ribeiro (Moonspell) nos vocais e com um trabalho de guitarra primoroso (com destaque para o belo solo). “A Dead Poem” mantém o nível alto com muito peso, e “Out of Spirits” cativa o ouvinte com facilidade, dada as ótimas melodias presentes. Fechando a primeira metade do álbum, a incrível “As If by Magic”, com um belo trabalho da parte rítmica e um lado atmosférico que lhe cai muito bem.
A segunda metade abre com outra música acima da média, “Full Colour Is the Nights”, com riffs e melodias verdadeiramente grudentas e uma pegada gótica bem forte. “Semigod” mescla muito bem o Gothic e o Black, soando bem sombria e novamente com a parte rítmica se destacando. Já “Ten Miles High” é uma faixa instrumental, mas que impressiona pelas melodias elegantes, com destaque para a maior presença do teclado de Xy. Na sequência final, temos a assombrosa (no bom sentido) “Between Times” e a excelente “Ira Incensus”, com uma aura mística incrível (cortesia dos teclados), melodias obscuras, bons riffs e linhas marcantes de baixo. De bônus, versões ao vivo para “Sorrowfull Farewell” e “Among Two Storms”.
Como já comentado acima, a produção ficou a cargo de Xy, com a mixagem e masterização realizadas por Siggi Bemm (Moonspell, Lacuna Coil, Samael, The Gathering). Um resultado final excelente, limpo para os padrões da época e que casa perfeitamente com a proposta da banda. A belíssima capa ficou por conta de Carsten Drescher (Paradise Lost, Iced Earth, Epica, After Forever). Apresentando um álbum dinâmico, focado nas belas e sombrias melodias e com grandes riffs, o Rotting Christ assumiu definitivamente seu lado mais Dark Metal com A Dead Poem, mas sem abrir mão de sua identidade. Um clássico dos anos 90 e da discografia dos gregos.