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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

ENTREVISTA: DARKHER

Darkher: Sombrio, místico e espiritual
 

Não se deixe enganar pela frágil aparência de Jayn H. Wissenberg, o nome por detrás do Darkher. Essa falsa fragilidade esconde uma artista talentosíssima, capaz de compor músicas que despertam os mais profundos sentimentos nos ouvintes, graças à forte carga emocional e espiritual que as mesmas carregam. Após o magnífico EP de estreia, The Kingdom Field, lançado em 2014, Jayn está lançando o seu primeiro trabalho completo, Realms. e é sobre ele que tivemos a oportunidade de conversar.

01. Em 2014 você lançou o EP The Kingdom Field, que foi muito bem recebido pela imprensa especializada e pelo público. Isso causou algum tipo de pressão durante a composição de Relms?

Não, acho que se eu tentasse compor pensando nos outros, isso reprimiria qualquer inspiração que eu tivesse. Acho melhor ficar focada em fazer com que as faixas sejam o mais puras possíveis, sem influência do mundo exterior.

02. A crítica tem sido elogiosa com o novo álbum. Mas como tem sido a recepção do público a Realms?

Tem sido uma surpresa ouvir as reações ao álbum - da crítica e do público. Parece que ele foi recebido de um jeito bem positivo, depois de não sabermos muito bem o que esperar.

03. Poucas vezes escutei um trabalho com tamanha carga emocional e capaz de despertar tantos sentimentos durante sua audição. Essa era a sua intenção com Realms?

Sinto que o maior elogio que o álbum pode receber é quando uma pessoa me diz que ele se conectou aos seus sentimentos, portanto, muito obrigada. Não comecei a trabalhar no álbum com qualquer intenção que não fosse a de utilizar minhas composições como uma forma de expressar meus próprios pensamentos e sentimentos. Da mesma forma que alguém pode manter um diário ou escrever poesia, a criatividade é bem terapêutica. Essa é a razão pela qual faço música, para me sentir conectada à minha alma.


04. Suas letras e músicas despertam uma vasta gama de emoções nos ouvintes. Realms em muitos momentos traz a tona o lado mais escuro de nossos sentimentos, e muito disso vêm da melancolia que ele emana, além do clima introspectivo. Sendo assim, é inevitável de perguntar. A solidão te inspira? É dela que tira forças para compor temas tão fortes?

Eu realmente passo bastante tempo sozinha e sempre gostei da solidão, mas nunca me senti lá muito solitária. Gosto de criar espaço para as ideias surgirem e se materializarem. Assim que as músicas passam do estágio de composição, tenho o prazer da companhia criativa no estúdio e, claro, também ao vivo, o que realmente é o melhor dos dois mundos.

05. Ainda sobre inspiração. - Assistindo a seus vídeos no YouTube, me chamou a atenção a forte ligação que você têm com a natureza. O quanto isso desperta sua criatividade?
A natureza em si e estar na presença dela é a maior inspiração para essa música, juntamente com as emoções - é por esse motivo que gosto de gravar clipes ao ar livre, já que isso dá mais vida às canções.

06. Em suas composições, podemos perceber estilos diversos, como Post-Rock, Doom, Gothic, Atmospheric e Folk, sendo difícil definir sua música. Como escrevi na crítica que fiz de Realms, sua música me soou como se Chelsea Wolfe se juntasse ao Sosltafir, mas com a Loreena McKennitt nos vocais. Quais artistas tiveram alguma influência na construção dessa sonoridade única e difícil de rotular que possui?

Nenhuma banda específica influenciou o meu som, apesar de eu estar certa de que absorvi muito desses estilos que você citou com o passar dos anos. Quanto à produção, a intenção foi mais a de criar climas e contrastes com os sons que achei que complementassem as músicas - como uma paisagem emocional. 


07. Realms se mostra um trabalho ainda mais intenso que The Kingdom Field. Essa intensidade se dá por agora trabalhar como um trio? Esse é o caminho a ser seguido no futuro do Darkher?

Nesse álbum, meu marido e guitarrista Martin T Wissenberg contribuiu bastante com as guitarras atmosféricas sobrepostas às minhas guitarras mais pesadas ou mais delicadamente dedilhadas, e essa junção tem sido uma união criativa perfeita. Considero o Martin uma parte permanente e vital da banda, entretanto, nem sempre tocamos com um baterista. Mas como parece que funcionamos bem como um trio, essa certamente é a direção que eu imagino para o futuro.

08. “Foregone” estava presente no EP de 2014. Porquê a opção de a incluir em Realms?

Quando eu compus as músicas para o EP, a intenção sempre foi a de que ela fosse parte do álbum. Ela foi escrita logo após uma enchente que ocorreu neste vale em 2012. Quando outra enchente atingiu o Vale novamente, mas em uma escala maior, pareceu adequado incluí-la no álbum, já que tinha uma relevância bem forte com o tema em evidência.

09. O componente pessoal em suas canções me parece bem nítido e tenho a impressão que suas experiências pessoais têm forte peso nas mesmas. “Moths” é uma das canções de Realms que mais desperta o lado espiritual de quem a escuta. Você acredita em vida pós-morte e em um mundo espiritual?
Sim, acredito, e muito. Sempre acreditei na vida após a morte ou no reino espiritual desde pequena. Talvez seja reconfortante pensar que exista vida após a morte porque a morte é realmente aterrorizante e a perda daqueles que amamos é arrasadora, mas a espiritualidade é muito importante para mim. 


10. “Lament”, apesar de surgir pela primeira vez em Realms, data de 2012, sendo anterior até mesmo a The Kingdom Field. Ainda existem canções inéditas desse período?

Não, a única outra música desse período, mais antiga, na verdade, era "The Wreckage", que é lá de 2010 e teve sua demo incluída no CD bônus da versão especial de Realms.

11. Ainda sobre “Lament”, ela contrasta com o clima sombrio de Realms, encerrando o trabalho de forma bela e positiva. Essa opção foi proposital?

No fim, depois que tudo foi mixado e finalizado, senti que essa era a melhor posição para a música, por ter um declínio natural. Também gostei da ideia de colocar a primeira música composta por último no álbum.

12. Recentemente tocaram pela Inglaterra com o SubRosa e abriram para o Wardruna agora em novembro, além das diversas participações em festivais. Como tem sido a recepção do Darkher ao vivo?

Semana passada, abrimos para o Wardruna na Union Chapel em Londres e o público foi maravilhoso. Na verdade, temos tido uma resposta incrível do público mesmo sendo um show acústico sem bateria. É bem legal saber que as músicas funcionam bem de ambos os jeitos ao vivo.


13. Antes de tudo, agradeço pela entrevista e espero ter a chance de um dia a ver tocando ao vivo no Brasil. E o espaço é todo seu para suas considerações finais.

Muito obrigada por apoiar a nossa música e esperamos ir ao Brasil e tocar aí um dia.

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 64. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download: https://goo.gl/LTJDZm
Leitura Online: https://goo.gl/rlnyVA

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

ENTREVISTA: MIKE LEPOND


MIKE LEPOND


Michael Anthony LePond III, ou simplesmente Mike LePond, baixista de uma das maiores bandas de Metal Progressivo da história, o Symphony X. O A Música Continua a Mesma teve a oportunidade de conversar com Mike e abordar diversos assuntos sobre sua carreira, a situação da indústria musical nos dias de hoje, seu projeto solo, Mike lepond’s Silent Assassin e inevitavelmente, o Symphony X, quem em breve estará em terras brasileiras. Então vamos a entrevista!

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a oportunidade dessa entrevista.

01 - Já li em algumas entrevistas passadas que você se interessou pelo baixo após seu pai te levar a uma apresentação do Kiss e você ter se impressionado com Gene. Mas fora isso, quais outros baixistas lhe serviram de inspiração?
MLP- Eu que agradeço pela entrevista! Além de Gene Simmons eu fui inspirado pelo Joey Demaio(Manowar), Steve Harris( Iron Maiden), Geezer Butler( Black Sabbath) e Geddy Lee( Rush). Eu também fui inspirado por alguns guitarristas como Ace Frehley e com certeza o grande Ritchie Blackmore.

02 - Dentre diversos outros estilos que escuta, você é declaradamente um fã de Folk Metal. Dentre as bandas do cenário hoje, quais te chamam mais a atenção? Conhece alguma banda brasileira do estilo?
MLP- Ultimamente eu tenho escutado Ensiferum, Korpiklanni e Eluveitie. Eu estava dando uma entrevista para uma revista da América do Sul recentemente e eles me apresentaram uma banda chamada Triddana. Uma banda fantástica de folk metal e eu reconheci o cantor, pois ele é de uma grande banda chamada Helker.


03 - Já são mais de 15 anos como membro do Symphony X.  O que mudou em sua vida nesse tempo? E como músico, como enxerga sua evolução nesse período?
MLP- Desde que eu entrei no Symphony X eu tenho vivido os meus sonhos de criar músicas incríveis ao lado de músicos incríveis. Pude fazer turnês pelo mundo muitas vezes e mudar a vida das pessoas com música. Minha habilidade para tocar e para escrever música se tornou mil vezes melhor devido a influência que eles tiveram sobre mim.

04 - Normalmente as pessoas comentam dos muitos projetos do qual Russell Allen faz parte, mas nesse ponto você me parece ser muito mais ativo do que ele, já que nos últimos anos vi seu nome ligado a inúmeras bandas e projetos, como Affector, Seven Witches, Elegacy, Distant Thunder, MindMaze, Painmuseum, Helstar, dentre outros que faz ou fez parte. Hoje, além do Symphony X e da sua banda solo, de quais bandas e projetos anda participando?
MLP- Pois é, eu participo de muitos mais projetos que o Russel, eu apenas não faço tanta propaganda e por isso você acaba tendo que pesquisar para os encontrar. Alguns dos projetos que estive ultimamente são bandas como Areas, Them, Lalu, Anuryzm. Tocar com outros músicos me torna um músico muito melhor da minha própria maneira.

05 - As novas tecnologias surgidas dos anos 2000 em diante, ao mesmo tempo que facilitaram a vida das bandas, no quesito gravação por exemplo, as afetaram de forma negativa, graças aos downloads ilegais. Como essa questão dos downloads afeta seu projeto solo e o Symphomy X? Os fãs de Metal são mais fiéis quanto a adquirir cd’s ou isso não passa de uma lenda?
MLP- O download illegal tem dificultado tudo o que faço hoje em dia, é muito difícil fazer dinheiro com vendas de CDs. Uma banda realmente tem que fazer turnês hoje em dia para fazer algum dinheiro. Eu acredito que muitos fãs de música nem sequer entendem que o que eles estão fazendo é roubar!


06 - Vamos falar um pouco de seu trabalho solo, Mike Lepond’s Silent Assassins. Quando surgiu a ideia de lançar um trabalho solo?
MLP- Minha grande paixão sempre foi o Heavy Metal tradicional e eu sempre tive o sonho de lançar um álbum do gênero. Quando o Symphony X lançou o Iconoclast in 2011 eu finalmente tive minha chance pois usei os dois anos que estávamos viajando dentro de nosso ônibus na turnê para escrever as músicas.

07 - Como se deu a escolha dos músicos que gravaram o álbum de estreia?
MLP- Eu não queria ter que me mandar minhas músicas para pessoas em outros países e depois as receber novamente, eu queria estar em um estúdio com elas então eu escolhi os melhores músicos de onde eu moro aqui em New Jersey EUA. Isso fez com que o álbum tivesse um toque bem mais pessoal e funcionou muito bem para mim no final.


08 - O álbum foi lançado através de uma campanha de crowdfunding entre os fãs. Dentro do panorama atual do mercado musical, acha esse formato de financiamento como sendo o mais recomendado para bandas undergrounds ou mesmo de maior porte? Seriam as gravadoras hoje dispensáveis no processo de gravação, sendo necessária apenas no momento da distribuição?
MLP- Nos dias de hoje temos gravadoras falindo a todo instante. Eu acho que Crowdfunding é uma grande alternativa sendo considerada pelas gravadoras. Isso se torna uma relação muito pessoal entre a banda e seus fãs. A realidade é que os fãs podem agora tomar o lugar da gravadora.

09 - Um segundo álbum solo está nos planos? Caso sim, pretende adotar o crowdfunding novamente? Dessa vez podemos esperar uma turnê de promoção? Pergunto porque seria incrível ver as ótimas músicas do debut sendo executadas ao vivo.
MLP- Sim eu já estou gravando o próximo álbum, mas ainda não me decidi se farei crowdfunding ou não. Eu quero muito levar essa banda para a estrada e espero poder fazer alguns shows quando o Symphony X não estiver em turnê. Eu irei montar uma banda para tocar ao vivo em breve.


10 - Ainda no caso de um segundo trabalho, os músicos envolvidos serão os mesmos ou podemos esperar novidades nesse sentido?
MLP- Para o Segundo álbum, teremos Michael Romeo programando as baterias novamente, ele também fará as orquestrações. Alan Tecchio estará de volta nos vocais. Eu ainda estou decidindo quem fará os solos de guitarra, talvez algumas garotas muito boas que tenho visto tocar.

11 - Seu trabalho solo é nitidamente mais pesado do que o Symphony X? Pretende continuar seguindo essa linha? E como tem sido a repercussão do mesmo entre fãs e imprensa?
MLP- Eu não acho que meu album seja mais pesado que o Symphony X, é apenas um estilo diferente. Na realidade você pode ouvir muita influência deles na minha maneira de compor. As resenhas têm sido excelentes e até mesmo os meus “fãs progressivos” ficaram felizes com ele.

12 - Agora falando um pouco sobre o Symphony X, como você enxerga a evolução musical da banda, desde sua entrada até hoje?
MLP- Quando eu me juntei ao grupo, o estilo era meio que aquele lance neoclássico com alguma influência de Pantera. Hoje em dia a influência de Pantera ultrapassou a influência neoclássica, apesar de que no nosso novo cd, eu acredito que tenhamos conseguidos resgatar nossas velhas raízes de algum modo.

13 - O Symphony X mantem a mesma formação a 15 anos. Qual o segredo para tamanha solidez?
MLP- Os membros do Symphony X são como uma grande família. Para manter todo mundo junto é necessário que exista respeito mútuo entre cada um dos membros. Você precisa falar sobre todos seus problemas e ninguém pode deixar o próprio ego entrar na frente. É importante lembrar que é tudo pela música e nada mais importa.

14 - Russell Allen se mostra um músico muito ativo, com diversos projetos, alguns com ótima repercussão. O que isso rende de positivo para o Symphony X? A banda consegue mais exposição com tal fato, alcançando assim um público que em condições normais não conheceria a banda?
MLP- Apesar do Russel participar de muitos projetos de alto nível, eles simplesmente não afetam o Symphony X, tanto para o bem quanto para o mal. Nós somos realmente sortudos por sermos uma das bandas de metal progressivo mais populares do mundo, logo seus projetos paralelos não nos trazem novos fãs nem uma maior popularidade.


15 - Após um hiato de 4 anos, vocês retornaram com Underworld. Como têm se dado a recepção do mesmo?
MLP- A reação com o Underworld tem excedido qualquer grande expectativa que já sonhamos. A imprensa de todos os países nos deram resenhas espetaculares e nossos novos e velhos fãs estão muito contentes. Se alguém nunca tivesse escutado Symphony X eu daria uma cópia do Underworld de presente, pois para mim soa como aqueles cds de “The Best of Symphony X”.

16 - Parte do álbum foi baseado em A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Podemos dizer que se trata de um trabalho conceitual? Qual a ideia por de trás das letras?
MLP- Underworld é um álbum conceitual baseado nas estórias da Divina Comédia de Dante e também no mito grego de Orfeu. É a história trágica de um herói que precisa lutar contra demônios no inferno para salvar seu verdadeiro amor.

17 - A partir de Paradise Lost, vocês adicionaram mais peso as músicas, mas escuto diversos fãs desejosos de um retorno a sonoridade dos primeiros trabalhos. Em Underworld, apesar de todo o peso, pude notar uma presença maior de melodias. Estaria a banda, mesmo que de forma inconsciente, tentando unir passado e presente em sua música?
MLP- Sim você está certo. Eu acho que o Iconoclast foi o mais pesado que vamos conseguir chegar. Com Underworld nós queríamos tentar combinar todas as sonoridades que já tivemos. Ele tem alguma influência clássica com a nossa nova sonoridade pesada, um resumo de todos os nossos anos de música.

18 - Underworld talvez tenha a melhor qualidade de som que já escutei em um trabalho do Symphony X. Foi difícil alcançar tal resultado?
MLP- Nós temos trabalhado com o mesmo cara na mixagem nos últimos três álbuns. Nós sempre amamos o trabalho dele, mas em Underworld ele realmente fez um trabalho incrível. Eu amo como você consegue ouvir todos os instrumentos e quão bem soa a gravação no geral.

19 - Particularmente gostei bastante da capa de Underworld, achei a mesma com um clima mais obscuro e condizente com a ideia do álbum, mas li nas redes sociais diversos fãs reclamando da mesma. Poderia nos explicar o conceito por de trás da mesma?
MLP- a Arte do Underworld é a minha favorite também. A idéia por trás da arte foi que nós queríamos que ela se parecesse com um álbum icônico, nada muito exagerado, mas apenas com o que o álbum precisava como algumas cenas infernais e símbolos.


20 - O que espera de mais essa passagem do Symphony X pelo Brasil?
MLP- Os fãs brasileiros são os melhores do mundo, ninguém mais tem esse amor e paixão pela música e a vida no geral. Nós esperamos que eles irão encher nossos shows com toda a diversão e maluquice de sempre. O Brasil é o lugar que mais gosto de tocar.

21 - O espaço agora é seu para dar um recado aos fãs e agradeço mais uma vez pela entrevista.
MLP- Para todos os fãs do Symphony X e do Mike LePond´s Silent Assassins, muito obrigado por toda sua lealdade e apoio. Amo todos vocês e irei ver todos vocês na turnê muito em breve.