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terça-feira, 21 de abril de 2020

Alcest – Spiritual Instinct (2019)



Alcest – Spiritual Instinct (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Les Jardins De Minuit
02. Protection
03. Sapphire
04. L'île Des Morts
05. Le Miroir
06. Spiritual Instinct

Quantos artistas podem se orgulhar de serem percussores em um gênero ou subgênero da música? Poucos, muito poucos. Surgido como um projeto solo de Neige – e que desde 2009 conta com o baterista Winterhalter –, o Alcest é um dos raros nomes a poder se orgulhar de tal feito. Com sua mistura de Post Black Metal e Shoegaze, foi responsável direto pelo surgimento do Blackgaze, além de ter se tornado um instrumento de fuga da realidade por parte de seu idealizador, onde ele mergulha em sua espiritualidade e sonhos de infância. Sua sonoridade, altamente imersiva, e que trafega entre o agressivo e etéreo, mergulha o ouvinte em uma experiência musical única, e que acabou não só por atrair uma parcela de fãs do Metal, como também de fora desse meio.

Do início, com a demo Tristesse hivernale (01) até os dias de hoje, o Alcest foi construindo sua sonoridade, uma identidade única e que permite ao ouvinte perceber que se trata da banda já nos primeiros acordes. A cada lançamento, os elementos Black iam perdendo um pouco mais de espaço para o Post e o Shoegaze, até chegar a Shelter (14), onde eles se tornaram inexistentes. Em Kodama (16), para a surpresa de alguns, esses elementos retornaram a sonoridade do Alcest, e continuam fortes em Spiritual Instinct.

Apesar de ser uma continuação natural de Kodama, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato de esse ser um trabalho menos introspectivo que os 2 últimos lançamentos da banda, já que Spiritual Instinct soa levemente menos escuro e mais direto que os antecessores. Aquela dose de complexidade que estamos acostumados a escutar em um álbum do Alcest se faz fortemente presente, com camadas de sons e melodias que se sobrepõem e geram paisagens sonoras que são fortes e exuberantes, tudo isso acompanhado de vocais que mesclam cantos quase litúrgicos de Neige, com aqueles gritos desesperados do Black Metal. Não vou negar que em alguns momentos, as coisas tendem a ficar um pouco parecidas, mas isso é o tipo de coisa que não incomoda de verdade um fã da banda. Já alguém mais acostumado a sonoridades mais tradicionais e dentro de um padrão, podem vir a estranhar tal proposta.


De cara já temos um dos grandes destaques do álbum, com a belíssima “Les Jardins De Minuit”, faixa que mescla a rispidez e frieza dos riffs típicos do Black, com vocais mais etéreos, por mais que em determinado momento as vozes mais ríspidas surjam. O trabalho de bateria também se destaca. Angústia e esperança se misturam, despertando sentimentos únicos. Por falar em bateria, ela surge imponente no início de “Protection”, faixa seguinte. Enérgica, pesada e bem dinâmica, possui riffs que pendem para o Progressive Black Metal e um ótimo trabalho vocal. Tem uma atmosfera mais viajante, que vai te levar longe enquanto a escuta. “Sapphire” mantêm essa vibração mais progressiva, e possui uma queda maior para o Post Metal, com destaques principalmente para as belíssimas melodias e o refrão que te pega fácil. “L'île Des Morts” tem um instrumental simplesmente fenomenal, e com cerca 9 minutos, se mostra não só a maior canção do álbum, como a melhor. Sabe aquela mescla de sons e sensações que só o Alcest consegue despertar no ouvinte? Está aqui. “Le Miroir” é uma canção altamente imersiva, e que vai fazer você mergulhar profundamente em seu interior. A sensação de solidão aqui é inevitável. Encerrando, temos “Spiritual Instinct”, com sua pegada mais melancólica e um que de ritualístico. Aqui, tempos aquela dualidade entre alegria/tristeza, ordem/caos, horror/beleza, se tornando a escolha perfeita para finalizar o álbum.

Gravado no Drudenhaus Studio, o álbum teve mais uma vez a produção e mixagem realizadas por Benoît Roux, e a masterização por Mika Jussila. O resultado, como de praxe, é ótimo, e permite ao ouvinte usufruir com perfeição de toda a experiência que é escutar um álbum do Alcest. A capa, assim como em Kodama, foi obra de Førtifem, duo formado por Adrien Havet e Jessica Daubertes. Se por um lado, musicalmente falando, esse seja o álbum mais direto e menos introspectivo dos franceses, liricamente talvez seja o mais pessoal de todos, já que Neige não teve medo de se expor nesse sentido. O resultado é um trabalho que apesar de ter sido lançado em 2019, acaba se encaixando com perfeição nos dias atuais, já que consegue mostrar que mesmo meio a maior escuridão, ainda sim há esperança.

NOTA: 88

Alcest é:
- Neige (vocal/guitarra/baixo/teclado)
- Winterhalter (bateria)

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Black Metal

Melhores de 2018 - Black Metal


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Anaal Nathrakh - A New Kind of Horror 


02. Eneferens - The Bleakness of Our Constant


03. Behemoth - I Loved You at Your Darkest


04. Voices - Frightened


05. Immortal - Northern Chaos Gods 


06. Second to Sun - The Walk 


07. Neros Benedictios - Ermo 


08. Harakiri For The Sky - Arson 


09. Varathron - Patriarchs Of Evil


10. Cruachan - Nine Years of Blood 

 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Post Metal/Experimental/Avant-garde de 2017

Melhores álbuns de Post Metal/Experimental/Avant-garde de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. Chelsea Wolfe - Hiss Spun
(Sargent House - Importado)


02. Grave Pleasures - Motherblood
(Century Media Records - Importado)


03. Fen - Winter
(Code666 Records - Importado)


04. The Great Old Ones - EOD: A Tale of Dark Legacy
(Season of Mist - Importado)


05. Sólstafir - Berdreyminn
(Season of Mist/Terror Music - Nacional)


06. Diablo Swing Orchestra - Pacifisticuffs
(Candlelight Records - Importado)


07. Cold Body Radiation - The Orphean Lyre
(Dusktone - Importado)


08. Les Discrets - Prédateurs
(Prophecy Productions - Importado)


09. Rosetta - Utopioid
(Independente - Importado)


10. Përl - Luminance
(Apathia Records - Importado)


Quase chegaram

- Junius - Eternal Rituals for the Accretion of Light
(Prosthetic Records - Importado)


- Ghost Bath - Starmourner
(Northern Silence Productions - Importado)


- Katla - Móðurástin
(Prophecy Productions - Importado)
 

- Igorrr - Savage Sinusoid
(Metal Blade Records - Importado)


- Vulture Industries - Stranger Times
(Season of Mist - Importado)

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Black Metal de 2017

Melhores álbuns de Black Metal de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. Patria - Magna Adversia
(Heavy Metal Rock - Nacional)


02. Ne Obliviscaris - Urn
(Season of Mist - Importado)


03. Myrkur - Mareridt
(Relapse Records - Importado)


04. Dodecahedron - Kwintessens
(Season of Mist - Importado)


05. Carach Angren - Dance And Laugh Amongst The Rotten
(Season of Mist - Importado)


06. Miasthenia - Antípodas
(Mutilation Productions - Nacional)


07. The Ruins of Beverast - Exuvia
(Ván Records - Importado)


08. Wolves in the Throne Room - Thrice Woven
(Artemisia Records - Importado)


09. Akercocke - Renaissance in Extremis
(Peaceville Records - Importado)


10. Cradle Of Filth - Cryptoriana-The Seductiveness Of Decay
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


Quase chegaram

- Nokturnal Mortum – Істина
(Oriana Music - Importado)


- Ulvegr - Titahion: Kaos Manifest
(Ashen Dominion - Importado)


- Le Chant Noir - Ars Arcanvm Vodvm
(Heavy Metal Rock - Nacional)


- Neige Et Noirceur - Verglapolis
(Dusktone - Importado)


- Limbonic Art - Spectre Abysm
(Candlelight Records - Importado)

 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Svoid - Storming Voices of Inner Devotion (2016)


Svoid - Storming Voices of Inner Devotion (2016)
(Sun & Moon Records - Importado)


01. Through the Horizon
02. Crown of Doom
03. Never to Redeem
04. Death, Holy End
05. Eternal
06. A Mind in Chains
07. Lefelé a setét mélységbe
08. Forlorn Heart
09. Bloodline
10. Long I've Gone (Where All Sinks)
11. In Damnation Vast

Eventualmente, alguém chega até mim e me pergunta o porquê de manter um blog que não dá nenhum retorno financeiro, além de consumir uma parte razoável do meu tempo livre. O primeiro motivo é a realização pessoal. Gosto do que faço e vejo o A Música Continua a Mesma como uma ferramenta de divulgação e fortalecimento do underground metálico. Já o segundo motivo é sem dúvida, ter chance de conhecer algumas bandas muito legais, às quais eu certamente não teria acesso de outra forma.

Confesso que desconhecia completamente os húngaros do Svoid até algumas semanas atrás, quando tive acesso ao seu material. Surgidos em 2009, soltaram um EP no ano de 2011, Ars Kha e estrearam com um trabalho completo 2 anos depois, intitulado To Never Return. Após 3 anos de hiato, no ano passado lançaram seu segundo CD, Storming Voices of Inner Devotion. Musicalmente, definem seu estilo como sendo Anti-Cosmic Metal, mas que podemos traduzir sem medo como sendo Post Black Metal.

Aqui, atmosferas típicas do estilo são mescladas com elementos de Pós-punk e Indie Rock, gerando assim um som bem variado e interessante, com letras que versam sobre o vazio, caos anticósmico e ocultismo. É como se o Watain estivesse fazendo uma jam com o Coven, o Siouxsie & the Banshees e mais alguma banda de Indie Rock inglesa. Falando assim, pode parecer bem estranho, mas a verdade é que o resultado final é bem diferente e dá uma cara própria ao Svoid. Os vocais, na maior parte do tempo soam bem ásperos, agressivos, enquanto as guitarras despejam riffs limpos, ao mesmo tempo que criam um clima bem escuro. Tudo isso é complementado com boas melodias, passagens atmosféricas e certo clima ritualístico.


A faixa de abertura, “Through the Horizon”, retrata bem o que encontraremos durante toda a audição. Riffs com boas melodias, alguns momentos atmosféricos e vocais puxando mais para o Black. As boas melodias se repetem na ótima “Crown of Doom” e em “Never to Redeem”, enérgica, crua e com muito de Indie Rock. Já “Eternal” começa leve, com alguns vocais limpos (que retornam no refrão) e vai crescendo aos poucos, se tornando cada vez mais pesada, com um belo trabalho de bateria. Outros grandes momentos ocorrem em “Forlorn Heart”, com uma boa mescla de Pós-Punk e Gótico e em “Bloodline”, com suas belas melodias e vocais sombrios. As demais faixas mantêm o bom nível do trabalho.

Procurando não ser “só mais uma banda” de Post Black em um cenário que já apresenta certa saturação, o Svoid surpreende com uma música variada, que se destaca principalmente pelas boas melodias e por possuir um clima escuro que a permeia. E com o potencial de crescimento que demonstram aqui, é inevitável ficarmos ansiosos por seus trabalhos futuros.

NOTA: 8,0

Svoid é:
- S (baixo/vocal);
- Gergo (guitarra);
- Dániel (bateria).

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terça-feira, 8 de março de 2016

Solifvgae - Avenoir (2016)


Solifvgae - Avenoir (2016)
(Independente - Nacional)


01 Solifugid
02 Undertow
03 Fullheart
04 Submerge-Emerge
05 Pathway
06 Ocean (As Elusive Memories)

Essa resenha poderia receber o titulo de "O Underground Nacional e sua Incrível Capacidade de Surpreender". O Solifvgae é uma formação relativamente nova, surgida em 2014 no Rio de Janeiro, mas o que mostra em seu trabalho de estreia vai impressionar e agradar em cheio aos fãs de Post Black Metal (uma vertente infelizmente pouco explorada por aqui). Poucas vezes me deparei com um debut dentro de tal estilo com tamanho nível de amadurecimento, pois passariam tranquilamente por uma banda já veterana.

Para a maioria das pessoas, o Post Black não é um estilo de fácil digestão, devido as muitas mudanças de andamento, momentos atmosféricos, distorções, além daquele clima profundo e reflexivo capaz de fazer o ouvinte mergulhar em uma análise de seus próprios sentimentos e experiências de vida. E a música do Solifvgae causa exatamente esse efeito sobre quem a escuta, graças a canções densas, pesadas (em diversos sentidos) e intensas. Muito equilibrado, consegue alternar de forma quase perfeita passagens mais cadenciadas e atmosféricas com outras mais rápidas e carregadas de uma boa dose de crueza. As guitarras, em determinado momento nos entrega riffs sutis e melódicos, além de partes acústicas, para logo em seguida despejar aqueles rifs frios e cortantes, que poderiam estar e qualquer álbum de Black Metal vindo da Noruega. Os vocais, rasgados, também não ficam atrás nesse sentido. Já na parte rítmica, temos um belo trabalho tanto de baixo (bem marcado) quanto da bateria, aqui programada por Vitor Coutinho. Para situar vc, caro leitor, podemos citar como influências o Alcest em sua fase mais inicial, Agalloch ou o Wolves in the Throne Room, mas deixando claro que a música do trio carioca é carregada de identidade.

Das 6 canções aqui presentes, "Solifugid" e "Submerge/Emerge" são instrumentais, sendo que as restantes, "Undertown" (a melhor do trabalho), "Fullheart" (uma continuação natural de antecessora e quase tão primorosa quanto), "Pathway" e "Ocean (As Elusives Memories)" se nívelam em qualidade e podem ser apontadas como destaque.

A produção ficou muito boa (produzido e mixado por Vitor Coutinho e masterizado por Lucas Xavier e Rogério Costa), deixando tudo bem audível, mas sem tirar a dose de crueza necessária para a música aqui presente. Já a capa (Wellington Aquino e Felipe Veiga) também chama bem a atenção e consegue transpor para quem a vê, todo o clima encontrado em Avenoir. Apresentando uma maturidade, um equilíbrio e uma coesão surpreendentes para um debut, o Solifvgae conseguiu lançar um trabalho que vai agradar em cheio aos amantes de Post Black e que certamente entrará em muitas listas de melhores do ano em 2016.

NOTA: 8,5

Solifvgae é:
- Victor Teixeira (Vocal)
- Vitor Coutinho (Guitarra/Programação)
- Bruno Rodrigues (Baixo)

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