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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Deathwhite - Grave Image (2020)


Deathwhite - Grave Image (2020)
(Season  of Mist - Importado)


01. Funeral Ground
02. In Eclipse
03. Further from Salvation
04. Grave Image
05. Among Us
06. Words of Dead Men
07. No Horizon
08. Plague of Virtue
09. A Servant
10. Return to Silence

Para quem não conhece o Deathwhite, se trata de um coletivo de músicos que se reuniu em 2012, com o intuito de criar um projeto de estúdio, e que optou por manter as identidades de seus membros em segredo. O que se sabe é que são americanos, oriundos de bandas de vertentes mais extremas do Metal, e que todos são apaixonados pelo Discouraged Ones, do Katatonia. Musicalmente, como o leitor pode imaginar dada a última afirmação, se enveredam pelos campos do Doom/Gothic Metal, com elementos de Post Metal, gerando assim uma mistura bem interessante.

Seu debut, For a Black Tomorrow, foi um dos melhores lançamentos de 2018, o que gerou em mim uma certa ansiedade por esse novo trabalho. Conseguiriam manter o alto nível de qualidade apresentado, ou sucumbiriam a maldição do segundo álbum, que já vitimou vários nomes promissores na história da música pesada? A resposta veio através de Grave Image, que não se limita a ser uma simples repetição do seu antecessor, mas se mostra uma continuação natural do mesmo. A inclusão de um segundo guitarrista na formação, deixou seu som um pouco mais pesado e sofisticado se comparado com a estreia, e o que já era muito bom, se tornou ainda melhor.

Mas não é só o maior peso que chama a atenção de cara. Grave Image também se mostra mais sombrio, um retrato dos tempos atuais, a era da pós-verdade, onde esta é distorcida diariamente, e os saberes são contestados por achismos de pessoas que mal possuem coordenação motora para andar e respirar ao mesmo tempo. As composições também se mostram mais ricas e coesas, e com belas melodias, que vão agradar em cheio aos fãs de nomes como Katatonia (óbvio), Paradise Lost, My Dying Bride, Swallow the Sun, Anathema e afins. As canções são altamente imersivas, e criam um jogo de luz e sombra muito interessante, já que, ao mesmo tempo que apresentam paisagens sonoras desoladoras e depressivas, conseguem te fazer sonhar profundamente.


Esse é um trabalho bem homogêneo, e um fio de melancolia perpassa cada uma das canções aqui. A abertura se dá com a forte “Funeral Ground”, de atmosfera taciturna e fria, com guitarras sombrias e boas melodias vocais. “In Eclipse” já mostra suas armas logo de cara, com riffs pesados, forte carga gótica e refrão que te pega com facilidade. Na sequência, temos a elegante e pesada “Further from Salvation”, um “doomzão” com cara de My Dying Bride, algo que também podemos observar na ótima “Grave Image”, com bom peso e melodias sombrias. “Among Us” tem uma vibe que remete ao Katatonia e um trabalho bem interessante de guitarras; “Words of Dead Men” tem um ar sofisticado e alternativo, e “No Horizon” se destaca principalmente pelos ótimos vocais e um bom desempenho da dupla guitarra/baixo. “Plague of Virtue” é uma homenagem declarada da banda ao já citado álbum Descouraged Ones, do Katatonia, e tudo aqui remete ao mesmo. Na sequência final, a emotiva “A Servant” e a sombria “Return to Silence”.

A produção e mixagem ficaram novamente por conta de Shane Mayer, com masterização de ninguém menos que Dan Swanö (Bloodbath, Katatonia, Novembers Doom, October Tide, Opeth, Pain of Salvation, Rage). O resultado é não menos do que ótimo, com tudo muito claro e audível, mas ainda sim pesado. A capa, candidata a uma das mais belas de 2020, foi obra de Jérôme Comentale, e conta com a imagem da estátua de Giordano Bruno, matemático, filósofo e cosmólogo italiano medieval, que foi queimado pela Inquisição Católica. Cabe dizer que a mesma se encontra localizada no Campo de 'Fiori em Roma, Itália, local exato onde foi executado. Altamente emocional, sombrio, imersivo, e mesclando escuridão e beleza como poucos, o Deathwhite entregou um dos grandes álbuns do ano. Para se ouvir sentando na sala, de luzes apagadas, com uma bebida em mãos e refletindo a respeito dos tempos escuros que vivemos.

NOTA: 88

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terça-feira, 7 de abril de 2020

Chelsea Wolfe - Birth of Violence (2019)


Chelsea Wolfe - Birth of Violence (2019)
(Sargent House – Importado)


01. The Mother Road
02. American Darkness
03. Birth of Violence
04. Deranged for Rock & Roll
05. Be All Things
06. Erde
07. When Anger Turns to Honey
08. Dirt Universe
09. Little Grave
10. Preface to a Dream Play
11. Highway
12. The Storm

Apesar de não se enquadrar estilisticamente dentro do Heavy Metal, Chelsea Wolfe sempre chamou a atenção daqueles bangers mais afeitos a sonoridades soturnas e melancólicas, já que suas canções sempre foram perpassadas por um clima sombrio e escuro. Seus dois últimos álbuns, os ótimos Abyss (15) e Hiss Spun (17) reforçaram ainda mais essa tendência, dado o maior peso que foi incorporado aos mesmos, que em alguns momentos, chegam a beirar o Doom no que tange o instrumental. Sendo assim, existia uma expectativa maior a respeito de seu novo trabalho de estúdio, e da direção que sua música tomaria com Birth of Violence.

Após o lançamento de Hiss Spum, se seguiu uma estafante turnê, que levou Chelsea ao seu limite. Esgotada, optou por se isolar de todo o mundo, em sua casa no norte da Califórnia, e foi durante esse período que se deu todo o processo de composição e gravação de Birth of Violence. Após tamanha intensidade nos últimos anos, Wolfe optou por seguir um caminho mais introspectivo, mergulhando fundo em seu lado mais Folk, apresentando um trabalho que remete mais ao seu passado do que o presente recente. Mas não pense que por seguir uma linha mais acústica, que isso torna seu trabalho mais acessível, porque nada pode ser mais enganoso que isso.


Birth of Violence é um trabalho denso, e seu peso se encontra no clima opressivo que ele acaba por gerar. O violão é o elemento central das canções, mas ele vem muito bem acompanhado do piano, sintetizadores e belos arranjos de cordas. Os vocais de Chelsea estão simplesmente maravilhosos, soam etéreos e dão um ar ainda mais transcendental as canções. Tudo isso junto, em muitos momentos, passa uma sensação ritualística ao ouvinte, e torna a audição uma experiência reflexiva, quase espiritual. Melodias simples se unem a arranjos sofisticados e a altas doses de melancolia, dando não só um clima bem escuro as canções, como também as torna um tanto quanto poéticas. É uma beleza capaz de entorpecer o ouvinte, o fazendo mergulhar profundamente em seu interior. Birth of Violence te faz refletir sobre si mesmo e sobre o mundo a sua volta.

A dinâmica e profunda “The Mother Road”, é uma espécie de Folk Atmosférico, que me remeteu aos momentos mais acústicos do Led Zeppelin, sendo seguida de “American Darkness”, uma canção sombria e assustadora, que soa como um retrato perfeito do álbum. Os sintetizadores, bem encaixados, dão um ar de escuridão a obra. “Birth of Violence” é muito densa e tem uma profundidade que vai além das demais músicas, pois Chelsea trabalha muito bem a dualidade luz/escuridão, algo que ela faz como poucos artistas nesse mundo. “Deranged for Rock & Roll” foge um pouco do Folk e soa levemente mais pesada, com os sintetizadores e vocais dando intensidade a mesma. “Be All Things” soa altamente melancólica e emotiva, enquanto “Erde” tem uma aura perturbadora e assustadora, com destaque para os vocais de Wolfe. “When Anger Turns to Honey” possui melodias bem delicadas e um ar sombrio; “Dirt Universe” soa triste e tem um certo psicodelismo presente; “Little Grave” tem uma atmosfera de fragilidade, sendo muito emocional. “Preface to a Dream Play” é hipnótica, e apesar de sua suavidade aparente, consegue soar bem assustadora. “Highway” é uma dessas canções onde a tristeza é pungente e transborda por todos os lados, e “The Storm” é o epílogo perfeito para o trabalho, já que se trata exatamente disso, o som da tempestade caindo.


Como de praxe, a produção ficou a cargo de Ben Chisholm e de Chelsea, com mixagem do primeiro e masterização realizada por Heba Kadry (The Body, Wrekmeister Harmonies). O resultado é ótimo, já que permite escutar cada mínimo detalhe das canções, mas sem as deixar polidas em excesso. Já a foto que ornamente a capa, é de Nona Limmen. Wolfe é uma artista única na atualidade, e sua sonoridade não encontra muitos paralelos em outros artistas. Sua música é uma espécie de pintura que retrata o lado mais obscuro do ser humano, e mesmo quando a leva mais para o Folk, consegue manter a intensidade e uma violência quase opressiva, provando que não se necessita de guitarras para que um trabalho seja pesado. O peso aqui totalmente emocional, e fustiga fundo em nossas almas. Birth of Violence é Chelsea Wolfe em seu estado mais bruto.

NOTA: 91

Chelsea Wolfe é:
- Chelsea Wolfe (vocal, violão)
-  Ben Chisholm (demais instrumentos)

Musicos convidados:
- Jess Gowrie (bateria nas faixas 1, 2, 4, 6, 8 e 10)
- Ezra Buchla (viola nas faixas 1, 2, 5 e 9)

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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Post Metal/Experimental/Avant-garde de 2017

Melhores álbuns de Post Metal/Experimental/Avant-garde de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. Chelsea Wolfe - Hiss Spun
(Sargent House - Importado)


02. Grave Pleasures - Motherblood
(Century Media Records - Importado)


03. Fen - Winter
(Code666 Records - Importado)


04. The Great Old Ones - EOD: A Tale of Dark Legacy
(Season of Mist - Importado)


05. Sólstafir - Berdreyminn
(Season of Mist/Terror Music - Nacional)


06. Diablo Swing Orchestra - Pacifisticuffs
(Candlelight Records - Importado)


07. Cold Body Radiation - The Orphean Lyre
(Dusktone - Importado)


08. Les Discrets - Prédateurs
(Prophecy Productions - Importado)


09. Rosetta - Utopioid
(Independente - Importado)


10. Përl - Luminance
(Apathia Records - Importado)


Quase chegaram

- Junius - Eternal Rituals for the Accretion of Light
(Prosthetic Records - Importado)


- Ghost Bath - Starmourner
(Northern Silence Productions - Importado)


- Katla - Móðurástin
(Prophecy Productions - Importado)
 

- Igorrr - Savage Sinusoid
(Metal Blade Records - Importado)


- Vulture Industries - Stranger Times
(Season of Mist - Importado)

terça-feira, 21 de março de 2017

King Woman - Created in the Image of Suffering (2017)


King Woman - Created in the Image of Suffering (2017)
(Relapse Records - Nacional)


01. Utopia
02. Deny
03. Shame
04. Hierophant
05. Worn
06. Manna
07. Hem

Aos que desconhecem, o King Woman surgiu no ano de 2009, na Bay Area, como um projeto solo da vocalista Kristina Esfandiari (Miserable, ex-Whirr), apostando inicialmente em uma linha mais voltada para o Post Metal/Shoegaze. O tempo passou e o projeto foi tomando cara de banda, com sua sonoridade se expandindo e ganhando características próprias, graças a influências bem vindas de Doom Rock, Drone, Psychedelic e Stoner. O EP Doubt (15) cumpriu bem o papel de despertar a atenção do público, preparando assim o terreno para seu álbum de estreia, intitulado Created in the Image of Suffering.

Se você teve contato com Doubt, já lhes aviso, esse é um trabalho ainda mais pesado e escuro. A força motriz por detrás da música do King Woman, como não poderia deixar de ser, continua sendo a voz de Kristina Esfandiari. Assombrosa e dramática, ela consegue transpor emoção enquanto canta, algo muito importante no que tange à forte proposta lírica adotada, mesmo que não varie muito sua voz, o que pode soar cansativo para alguns. Tendo sido criada dentro de uma comunidade cristã bem fechada e sofrendo com uma forte doutrinação, isso gerou nela uma raiva por anos e anos de abuso religioso. Em suas letras, ela exorciza demônios, em busca de liberdade e paz, após tamanho sofrimento.

A faixa de abertura, “Utopia” (na versão digital, abre com a instrumental "Citios"), já deixa muito claro o que devemos esperar do álbum. Riffs monstruosos, arrastados, atmosfera assustadora e vocal que reforça esse clima obscuro. “Deny” soa intensa e visceral, com os vocais suaves e obscuros de Kristina dando o tom. Já “Shame”, passa todo um clima de opressão, com suas melodias fortes e riffs simplesmente implacáveis. Mas o ponto alto realmente se dá com a ótima “Hierophant”. Simplesmente esmagadora, possui uma melodia mais refinada e um clima bem minimalista, além de um ótimo trabalho da parte rítmica, que dá a variação necessária à canção. O refrão é marcante e fica na sua memória por um bom tempo. As três faixas seguintes, “Worn” (mais atmosférica e com ótimo refrão), “Manna” e “Hem”, mantêm o clima obscuro que permeia as canções anteriores, não deixando a qualidade cair.


Gravado por Jack Shirley (Deafheaven, Wreck & Reference, Oathbreaker) no The Atomic Garden Studio, possui uma ótima qualidade sonora, pois conseguiu deixar tudo muito claro, mas longe daquela insipidez que ouvimos em muitas produções por ai. A música aqui não soa fria, mas parece viva. Já a capa é obra do brasileiro Pedro Felipe, mais conhecido como Ars Moriendee, que nos últimos anos trabalhou com bandas como as americanas Christian Mistress e Pale Chalice, e as brasileiras Ruinas de Sade, Son of a Witch e Death by Starvation. Uma das capas mais bonitas que vi nesse ano de 2017.

A mescla de Doom, Psychedelic e Shoegaze, tem como resultado final um álbum muito forte e emocional, carregado de belas melodias, mas também de atmosferas sombrias e assustadoras. Tem tudo para ser um dos grandes destaques do estilo nesse ano de 2017.

NOTA: 8,5

King Woman é:
- Kristina Esfandiari (vocal);
- Colin Gallagher (guitarra);
- Peter Arensdorf (baixo);
- Joey Raygoza (bateria).

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Svoid - Storming Voices of Inner Devotion (2016)


Svoid - Storming Voices of Inner Devotion (2016)
(Sun & Moon Records - Importado)


01. Through the Horizon
02. Crown of Doom
03. Never to Redeem
04. Death, Holy End
05. Eternal
06. A Mind in Chains
07. Lefelé a setét mélységbe
08. Forlorn Heart
09. Bloodline
10. Long I've Gone (Where All Sinks)
11. In Damnation Vast

Eventualmente, alguém chega até mim e me pergunta o porquê de manter um blog que não dá nenhum retorno financeiro, além de consumir uma parte razoável do meu tempo livre. O primeiro motivo é a realização pessoal. Gosto do que faço e vejo o A Música Continua a Mesma como uma ferramenta de divulgação e fortalecimento do underground metálico. Já o segundo motivo é sem dúvida, ter chance de conhecer algumas bandas muito legais, às quais eu certamente não teria acesso de outra forma.

Confesso que desconhecia completamente os húngaros do Svoid até algumas semanas atrás, quando tive acesso ao seu material. Surgidos em 2009, soltaram um EP no ano de 2011, Ars Kha e estrearam com um trabalho completo 2 anos depois, intitulado To Never Return. Após 3 anos de hiato, no ano passado lançaram seu segundo CD, Storming Voices of Inner Devotion. Musicalmente, definem seu estilo como sendo Anti-Cosmic Metal, mas que podemos traduzir sem medo como sendo Post Black Metal.

Aqui, atmosferas típicas do estilo são mescladas com elementos de Pós-punk e Indie Rock, gerando assim um som bem variado e interessante, com letras que versam sobre o vazio, caos anticósmico e ocultismo. É como se o Watain estivesse fazendo uma jam com o Coven, o Siouxsie & the Banshees e mais alguma banda de Indie Rock inglesa. Falando assim, pode parecer bem estranho, mas a verdade é que o resultado final é bem diferente e dá uma cara própria ao Svoid. Os vocais, na maior parte do tempo soam bem ásperos, agressivos, enquanto as guitarras despejam riffs limpos, ao mesmo tempo que criam um clima bem escuro. Tudo isso é complementado com boas melodias, passagens atmosféricas e certo clima ritualístico.


A faixa de abertura, “Through the Horizon”, retrata bem o que encontraremos durante toda a audição. Riffs com boas melodias, alguns momentos atmosféricos e vocais puxando mais para o Black. As boas melodias se repetem na ótima “Crown of Doom” e em “Never to Redeem”, enérgica, crua e com muito de Indie Rock. Já “Eternal” começa leve, com alguns vocais limpos (que retornam no refrão) e vai crescendo aos poucos, se tornando cada vez mais pesada, com um belo trabalho de bateria. Outros grandes momentos ocorrem em “Forlorn Heart”, com uma boa mescla de Pós-Punk e Gótico e em “Bloodline”, com suas belas melodias e vocais sombrios. As demais faixas mantêm o bom nível do trabalho.

Procurando não ser “só mais uma banda” de Post Black em um cenário que já apresenta certa saturação, o Svoid surpreende com uma música variada, que se destaca principalmente pelas boas melodias e por possuir um clima escuro que a permeia. E com o potencial de crescimento que demonstram aqui, é inevitável ficarmos ansiosos por seus trabalhos futuros.

NOTA: 8,0

Svoid é:
- S (baixo/vocal);
- Gergo (guitarra);
- Dániel (bateria).

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Inter Arma – Paradise Gallows (2016)


Inter Arma – Paradise Gallows (2016)
(Relapse Records - Importado)


01. Nomini    
02. An Archer in the Emptiness      
03. Transfiguration      
04. Primordial Wound      
05. The Summer Drones      
06. Potomac    
07. The Paradise Gallows      
08. Violent Constellations      
09. Where the Earth Meets the Sky

Uma das coisas mais legais do Heavy Metal é a sua capacidade de estar sempre se reinventando, mesmo contra a vontade dos mais tradicionalistas. Esse é o caso da música praticada pelo quinteto americano formado por Mike Paparo (vocal), Trey Dalton (guitarra), Steven Russell (guitarra), Joe Kerkes (baixo) e T.J. Childers (bateria). Quem acompanha a carreira do Inter Arma, sabe que não só estão sempre procurando inovar, ampliar seus limites, como também praticam uma música irrotulável. Doom, Post Metal, Black, Death, Sludge, Progressivo, Psicodélico, até mesmo Southern em alguns casos, tudo se encontra misturado no caldeirão de influências dos americanos.

Mas bem, inclassificável ou não, a música do Inter Arma é acima de tudo brutalmente pesada e desafiadora, e isso não é diferente em Paradise Gallows. Quem escutou seus dois últimos trabalhos,  Sky Burial (13) e principalmente o EP The Cavern (14), vai ter uma noção do que encontramos por aqui. Dando um passo à frente, eles vão mais a fundo em sua fusão de estilos, mas de uma forma absurdamente convincente e coerente, já que estamos diante de um trabalho coeso e não de uma mistura sem pé nem cabeça. Como bem li uma vez, são diferentes estilos em diferentes momentos.

Paradise Gallows é um dos trabalhos mais desafiadores que você vai escutar em 2016. Altamente denso e em muitos momentos, perturbador, pode assustar os menos acostumados com a proposta do Inter Arma, mas conquistará de cara os já familiarizados com a mesma. Aos primeiros, vos digo, esse álbum irá crescer a cada audição e quando menos esperarem, terão sido arrebatados por sua força. Seja por sua diversidade, por sua vibração, pelos seus riffs pantanosos e hipnóticos ou mesmo por sua ferocidade, quando menos notar terá sido conquistado pelo mesmo.


A abertura se dá com a instrumental “Nomini”, com suas guitarras melódicas, seguida por um dos destaques do trabalho, “An Archer in the Emptiness”, com seu acento Death, vocais infernais, riffs cortantes e bateria destruidora. Imagine uma batida de frente do Morbid Angel com o Neurosis e poderá ter uma vaga ideia da força dessa música. “Transfiguration” mantém a intensidade do álbum, com seus riffs Sludge.  É uma espécie de canção de transição, ligando os trabalhos anteriores com o novo, assim como ocorre com “Primordial Wound”, bem lenta e que pode remeter ao Neurosis. “The Summer Drones” é outro grande destaque, com seus elementos psicodélicos, pegada progressiva e belo desempenho de Paparo. “Potomac” é outra instrumental, também se destacando pelas melodias de guitarra, sendo seguida pela faixa título. Bem lenta, remete a trabalhos passados e tem como grande destaque o desempenho monstruoso de T.J. Childers. Por sinal, ele volta a se destacar na destruidora “Violent Constellations”, que chega a assustar por tamanho peso. Encerrando, temos a sombria e acústica “Where the Earth Meets the Sky”, com ótimos vocais limpos e que fecha o trabalho com chave de ouro.

Mixado e masterizado por Mikey Alfred, o resultado final da produção ficou muito legal, já que mesmo deixando todos os instrumentos audíveis, não abriu mão da sujeira que tal proposta musical pede. Já a belíssima capa feita por Orion Landau (uma das melhores de 2016), conseguiu prefigurar perfeitamente o conteúdo de Paradise Gallows. Tempestuosamente bela. Ao final de tudo, não é de se espantar que a popularidade do Inter Arma venha crescendo a cada lançamento, pois sua música, além de qualidade inegável, se mostra única e cada vez mais instigante, sem fronteiras. O que nos leva a uma pergunta básica: até onde o quinteto de Richmond pode chegar? Um dos melhores trabalhos do ano.

NOTA: 9,0

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine de Setembro. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

 
Inter Arma é:
- Mike Paparo (vocal);
- Trey Dalton (guitarra);
- Steven Russell (guitarra);
- Joe Kerkes (baixo)
- T.J. Childers (bateria).

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terça-feira, 8 de março de 2016

Solifvgae - Avenoir (2016)


Solifvgae - Avenoir (2016)
(Independente - Nacional)


01 Solifugid
02 Undertow
03 Fullheart
04 Submerge-Emerge
05 Pathway
06 Ocean (As Elusive Memories)

Essa resenha poderia receber o titulo de "O Underground Nacional e sua Incrível Capacidade de Surpreender". O Solifvgae é uma formação relativamente nova, surgida em 2014 no Rio de Janeiro, mas o que mostra em seu trabalho de estreia vai impressionar e agradar em cheio aos fãs de Post Black Metal (uma vertente infelizmente pouco explorada por aqui). Poucas vezes me deparei com um debut dentro de tal estilo com tamanho nível de amadurecimento, pois passariam tranquilamente por uma banda já veterana.

Para a maioria das pessoas, o Post Black não é um estilo de fácil digestão, devido as muitas mudanças de andamento, momentos atmosféricos, distorções, além daquele clima profundo e reflexivo capaz de fazer o ouvinte mergulhar em uma análise de seus próprios sentimentos e experiências de vida. E a música do Solifvgae causa exatamente esse efeito sobre quem a escuta, graças a canções densas, pesadas (em diversos sentidos) e intensas. Muito equilibrado, consegue alternar de forma quase perfeita passagens mais cadenciadas e atmosféricas com outras mais rápidas e carregadas de uma boa dose de crueza. As guitarras, em determinado momento nos entrega riffs sutis e melódicos, além de partes acústicas, para logo em seguida despejar aqueles rifs frios e cortantes, que poderiam estar e qualquer álbum de Black Metal vindo da Noruega. Os vocais, rasgados, também não ficam atrás nesse sentido. Já na parte rítmica, temos um belo trabalho tanto de baixo (bem marcado) quanto da bateria, aqui programada por Vitor Coutinho. Para situar vc, caro leitor, podemos citar como influências o Alcest em sua fase mais inicial, Agalloch ou o Wolves in the Throne Room, mas deixando claro que a música do trio carioca é carregada de identidade.

Das 6 canções aqui presentes, "Solifugid" e "Submerge/Emerge" são instrumentais, sendo que as restantes, "Undertown" (a melhor do trabalho), "Fullheart" (uma continuação natural de antecessora e quase tão primorosa quanto), "Pathway" e "Ocean (As Elusives Memories)" se nívelam em qualidade e podem ser apontadas como destaque.

A produção ficou muito boa (produzido e mixado por Vitor Coutinho e masterizado por Lucas Xavier e Rogério Costa), deixando tudo bem audível, mas sem tirar a dose de crueza necessária para a música aqui presente. Já a capa (Wellington Aquino e Felipe Veiga) também chama bem a atenção e consegue transpor para quem a vê, todo o clima encontrado em Avenoir. Apresentando uma maturidade, um equilíbrio e uma coesão surpreendentes para um debut, o Solifvgae conseguiu lançar um trabalho que vai agradar em cheio aos amantes de Post Black e que certamente entrará em muitas listas de melhores do ano em 2016.

NOTA: 8,5

Solifvgae é:
- Victor Teixeira (Vocal)
- Vitor Coutinho (Guitarra/Programação)
- Bruno Rodrigues (Baixo)

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sábado, 6 de julho de 2013

Cult Of Luna – Vertikal (2013)




01. The One
02. I The Weapon
03. Vicarious Redemption
04. The Sweep
05. Synchronicity
06. Mute Departure
07. Disharmonia
08. In Awe Of
09. Passing  Through
10. The Flow Reversed

Antes de iniciar, um aviso: se você não é fã daquilo que convencionou-se chamar de Post Metal, pode passar longe do trabalho dos suecos do Cult Of Luna. O que temos aqui é apenas indicado para amantes do gênero. Já para quem curte vertentes mais leves do estilo (Post Rock), imagine o Sigur Roz com um vocal urrado e com mais agressividade e distorção nas guitarras. Esse é o Cult Of Luna.
Sexto trabalho da banda, depois de 5 anos de hiato, Vertikal chega com uma proposta altamente ousada. É um álbum conceitual, baseado na obra prima do cinema expressionista alemão, Metrópolis, do mestre Fritz Lang. E posso adiantar aqui que o conceito não ficou apenas nas letras, mas também na estrutura das múscias, que remetem ao clima do filme e tem um ar mais futurista, mecânico e industrial.

Musicalmente, Vertikal é um álbum altamente desafiador. Sua mistura de Metal, Rock Progressivo e Industrial faz com que dentro de uma mesma faixa, momentos extremos alternem com passagens viajantes, melódicas e atmosféricas. Após a introdução com “The One”, “I The Weapon” surge unindo beleza e agressividade, com um riff hipnótico, teclados sombrios e uma mistura perfeita de uma crueza ríspida com linhas suaves. “Vicarius Redemption” vem com seus mais de 18 minutos (7 minutos só de introdução), unindo os elementos já citados e em momento algum soando cansativa. Outros destaques vão para “The Sweep”, música que mais conta com elementos eletrônicos no álbum, “Synchronicity”, com sua bateria insana e quebrada, “In Awe Of”, com seu ótimo riff e para a bela “Passing Through”.

Indiscutivelmente, estamos diante de um trabalho altamente desafiador, desses que te forçam parar qualquer coisa que esteja fazendo para escutá-lo com calma, prestando atenção em cada mínimo detalhe. É um álbum original, forte, denso, complexo e muito, muito sombrio e perturbador. Um trabalho que fascina quem se permite dar a devida atenção a ele e que, apesar de tudo isso, ainda guarda características de Doom Metal tradicional, podendo ser visto como uma verdadeira evolução desse estilo. Cansado de álbuns descartáveis? Cult Of Luna é a sua solução. Desde já, um dos melhores lançamentos desse ano.

NOTA: 9,0



sábado, 13 de abril de 2013

Fen – Dustwalker (2013)


01. Consequence
02. Hands Of Dust
03. Spectre
04. Reflections
05. Wolf Sun
06. The Black Sound
07. Walking The Crowpath

Se nos anos 90 observamos uma profusão de subgêneros surgindo dentro do Heavy Metal, nos dias de hoje vemos um fenômeno ainda mais inusitado. O surgimento de subgêneros dentro dos subgêneros. Isso se aplica ao cenário do Black Metal atual, onde bandas e mais bandas vêm adicionando novas sonoridades ao estilo, demonstrando muita criatividade, mas também resultando em algumas pequenas catástrofes. Felizmente, os britânicos do Fen se encaixam no primeiro grupo, com sua mistura de Black com altas doses de Progressivo, Post Metal, Folk e Shoegaze.

A primeira reação a se ouvir Dustwalker, 3º álbum do Fen, é de estranhamento, muito estranhamento. A variedade de gêneros e conceitos aqui é muito grande, as faixas vão fluindo de um lado para o outro, com foco principal até mais no Post Metal e Shoegaze do que no Black, por mais que a agressividade deste em muitos momentos surja na música dos britânicos. Longos interlúdios instrumentais, vocais que alternam tons suaves com rosnados frustrados, usos um tanto excessivos de tempos lentos (e que as vezes cansam um pouco), passagens ríspidas se alternando com outras totalmente atmosféricas e acústicas poderiam tornar esse álbum um verdadeiro equívoco, mas a forma coerente e criativa com que misturam essas diversas influências faz com que estejamos diante de um trabalho de alto nível.

Como já disse, não é um álbum fácil e o ouvinte vai necessitar de muitas audições para alcançar a proposta da banda. “Consequence”, faixa que abre o álbum, tem um ar misantropo. Já “Hands Of Dust” ilustra de forma perfeita Dustwalker, com uma mistura de Black e Progressivo, melancolia e fúria. “Spectre” soa totalmente datada e poderia estar em qualquer trabalho do Pink Floyd nos anos 70 e “Wolf Sun” surge com uma proposta absurdamente inusitada de misturar Rock Alternativo com Black Metal, soando de forma surpreendentemente harmônica.

Esse é um álbum bem heterogêneo, intricado, viajante e nada convencional, que te desperta sentimentos como isolamento e desapego, remetendo a uma paisagem infernal, escura e devastada. Se o ouvinte tiver a cabeça aberta a novas sonoridades e se permitir uma audição atenta, vai se deparar com um trabalho criativo. Indicado a fãs de bandas como Agalloch, Wodensthrone e Winterfylleth.

NOTA: 8,0