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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Post Metal/Experimental/Avant-garde de 2017

Melhores álbuns de Post Metal/Experimental/Avant-garde de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. Chelsea Wolfe - Hiss Spun
(Sargent House - Importado)


02. Grave Pleasures - Motherblood
(Century Media Records - Importado)


03. Fen - Winter
(Code666 Records - Importado)


04. The Great Old Ones - EOD: A Tale of Dark Legacy
(Season of Mist - Importado)


05. Sólstafir - Berdreyminn
(Season of Mist/Terror Music - Nacional)


06. Diablo Swing Orchestra - Pacifisticuffs
(Candlelight Records - Importado)


07. Cold Body Radiation - The Orphean Lyre
(Dusktone - Importado)


08. Les Discrets - Prédateurs
(Prophecy Productions - Importado)


09. Rosetta - Utopioid
(Independente - Importado)


10. Përl - Luminance
(Apathia Records - Importado)


Quase chegaram

- Junius - Eternal Rituals for the Accretion of Light
(Prosthetic Records - Importado)


- Ghost Bath - Starmourner
(Northern Silence Productions - Importado)


- Katla - Móðurástin
(Prophecy Productions - Importado)
 

- Igorrr - Savage Sinusoid
(Metal Blade Records - Importado)


- Vulture Industries - Stranger Times
(Season of Mist - Importado)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Le Chant Noir - Ars Arcanvm Vodvm (2017)


Le Chant Noir - Ars Arcanvm Vodvm (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Tanz der Trommeln        
02. Forsaken Ghosts        
03. Wormslayer        
04. Cabaret de l'enfer        
05. The Luciferian Whetstone        
06. Bedeviled by Tchort        
07. Unleashed Dementia        
08. Portal Overture        
09. Ars Arcanvm Vodvm        
10. My Elders’ Cry        
11. Outro

Existiu um tempo onde os estilos musicais eram muito bem definidos, delimitados. Quando você tinha em mãos um álbum de Black, de Death, de Doom, você sabia exatamente o que ouviria no mesmo. Mas em tempos de uma realidade tão fluída, o mesmo aconteceu com a música e, consequentemente, com o Heavy Metal. Limites estilísticos foram ultrapassados, ampliados, com músicos perdendo qualquer medo de experimentar e ousar em suas composições. Se para os mais conservadores isso é um crime, para aqueles que possuem a cabeça mais aberta é o verdadeiro paraíso.

O Le Chant Noir reúne em sua formação músicos renomados dentro do cenário do Black Metal nacional e internacional. Nos vocais e programação, temos Lord Kaiaphas (ex-Ancient), na guitarra e baixo, Mantus (Patria, Mysterris) e na bateria, guitarra, teclado e percussão, Leonardo D. Pagani, também conhecido como Malphas (ex-Demonolatry, ex-Mysteriis). Uma formação de primeira categoria e da qual só poderíamos esperar um Black Metal furioso e destruidor. Mas que graça teria se tudo fosse assim tão óbvio e músicos desse calibre não tivessem o direito de experimentar e de se arriscar fora de sua zona de conforto?

É exatamente isso que encontramos em Ars Arcanvm Vodvm, trabalho de estreia do Le Chant Noir. O Black Metal se faz presente? Com certeza, e isso nem poderia ser diferente dados os nomes envolvidos, mas some-se a eles a inclusão de elementos de Death Metal, Progressivo, Metal Tradicional, Música Clássica e Dark Ambient, fazendo da sonoridade do trio algo diferenciado, que ousa sair do padrão em matéria de estruturação das suas composições. Certamente não estamos diante de uma música de fácil assimilação por aqueles não acostumados com algo mais Avant-garde, mas quem aprecia algo mais experimental certamente aprovará o que temos aqui.

Os vocais rasgados e variados de Lord Kaiaphas se encaixam com perfeição na proposta musical do trio, enquanto as guitarras não só despejam bons riffs, como se mostram ríspidas e agressivas nos momentos em que isso se faz necessário. É nítida também a influência que elas possuem de Metal Tradicional, principalmente nos solos, onde podemos observar algumas melodias que te remetem diretamente aos anos 80. A parte rítmica se mostra bem coesa, forte e segura, esbanjando peso durante todo o tempo. Elementos percussivos são muito bem encaixados, assim como também o teclado, enriquecendo assim ainda mais a música do Le Chant Noir. O legal aqui é que, apesar dos arranjos mais complexos e dos momentos mais ambientais, nada soa confuso.


A introdução, com “Tanz der Trommeln”, se destaca não só pelos elementos sinfônicos (o álbum conta com a participação da Noir Royal Philharmonic Orchestra), como também pelo clima progressivo. “Forsaken Ghosts” possui um ótimo trabalho de guitarra, boas melodias, que dão a ela um clima soturno, além de um trabalho percussivo muito legal. “Wormslayer” é bem cadenciada, com algo de Doom, além de teclados muito bem encaixados, enquanto “Cabaret de l'enfer” é bem ríspida e agressiva, além de variada. Elementos atmosféricos e progressivos dão um tom soturno à ácida “The Luciferian Whetstone”, ao mesmo tempo em que o Black Metal dá as caras com força na furiosa “Bedeviled by Tchort”. Os teclados dão um clima bem sombrio à forte “Unleashed Dementia”, que possui também um belo trabalho de guitarra. A instrumental “Portal Overture” é outra que trafega entre o Progressivo e o Ambient com bons resultados. A sequência final se dá com a bruta “Ars Arcanvm Vodvm”, que mescla agressividade e rispidez com elementos sinfônicos, percussivos e boas melodias de teclado e guitarra (preste atenção no solo) e “My Elders’ Cry”, outra a se enveredar um pouco mais pelo Black Metal. Encerrando, temos um Outro.

A produção é muito boa, clara e orgânica, com destaque para os timbres escolhidos, que passam uma saudável crueza que se encaixa 100% na sonoridade proposta pela banda. A capa, umas das mais belas que vi esse ano, e o restante do ótimo trabalho gráfico foram obra de Marcelo Vasco/Mantus (Slayer, Kreator, Brujeria, Dimmu Borgir, Borknagar, Testament). O CD ainda vem embalado em um belo slipcase.

Fugindo da zona de conforto de seus integrantes e apresentando um trabalho complexo e instigante, o Le Chant Noir surpreende e se candidata ao posto de uma das revelações de 2017, além de, claro, nos fazer torcer para que tal projeto se estabilize a ponto de lançar muitos outros álbuns.

NOTA: 8,5

Le Chant Noir é:
- Lord Kaiaphas (vocal/programação);
- Mantus (guitarra/baixo);
- Leonardo D. Pagani (bateria/sintetizador/guitarra/percussão/marimba/timbales/vibrafone)

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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Faith No More - Sol Invictus (2015)




Faith No More - Sol Invictus (2015)
(Ipecac Recordings - Importado)

01. Sol Invictus
02. Superhero
03. Sunny Side Up
04. Separation Anxiety
05. Cone of Shame
06. Rise of the Fall
07. Black Friday
08. Motherfucker
09. Matador
10. From the Dead

Mesmo não sendo propriamente uma banda de Heavy Metal no conceito tradicional da palavra, o Faith No More (ou Fênêmê para os mais íntimos) sempre teve o respeito dos fãs do estilo, principalmente devido ao multiplatinado álbum The Real Thing (89). Outra prova desse respeito é a influência que seu trabalho exerceu sobre as bandas de estilos mais modernos do Metal, como System Of A Down ou Korn (King For A Day Fool For A Lifetime (95) é um álbum essencial para se entender o que viria a ser o New Metal). Quando anunciaram seu retorno aos palcos em 2009, muitos fãs começaram a alimentar a esperança de um novo Cd de inéditas, mas isso parecia ser um sonho distante. Eis que finalmente tal sonho se concretizou, tomando forma através de Sol Invictus, primeiro álbum de inéditas do FNM em 18 anos.

Bem, a primeira coisa que devemos recordar é que do Faith No More nunca devemos aguardar o óbvio. Basta lembrar que após The Real Thing, soltaram um álbum absurdamente sarcástico, sombrio e um tanto anticomercial, que foi Angel Dust (92), encaixando em sequência o cru e experimental King For A Day... e finalizando com uma colcha de retalhos que foi o burocrático Album of the Year (97). Sendo assim, o que esperar de Sol Invictus? O tudo e o nada, meus amigos. Heavy Metal, Hard Rock, Alternativo, Blues, Pop, Country, Punk, Groove e mais uma infinidade de elementos surgem durante os pouco mais de 40 minutos de duração do trabalho. Todos os rótulos e ao mesmo tempo nenhum deles, isso é a música do Fênêmê, algo único e incomparável. Duas coisas me chamaram bem a atenção durante a audição: este é um trabalho enxuto, sendo um dos álbuns mais curtos da carreira dos americanos e apresenta uma uniformidade surpreendente, se levarmos em conta o grande espectro de estilos aqui abordados. Tudo aqui se encontra no exato lugar que deveria. Mike Patton continua sendo um vocalista único e sua voz é um dos pontos altos de Sol Invictus, já que a forma como ele consegue variar suas vocalizações é algo que beira o absurdo. Billy Gould e Mike Bordin se mostram brilhantes e formam uma das duplas mais competentes do Rock/Metal, pois conseguem segurar todo o peso da música lá atrás. Jon Hudson pode não ser Jim Martin, mas se mostra um guitarrista para lá de talentoso enquanto Roddy Bottum mostra a mesma categoria de sempre, sabendo o momento exato de encaixar seus teclados nas músicas. Destaques? Eu poderia cair naquele clichê que todas as músicas são excelentes e que é difícil destacar algumas e é exatamente o que farei. É uma tarefa hercúlea apontar as melhores aqui, pois o nível é dos mais altos. E como adoro um clichê, cairei em outro aqui, destacando as faixas que considero melhores (mesmo tendo dito que isso era quase impossível). Escute “Superhero”, “Sunny Side Up”, “Separation Anxiety”, “Rise of the Fall”, “Black Friday” e “Matador”.

Sol Invictus não é um trabalho de fácil digestão, mas a cada audição ele vai crescer mais e mais e quando você se der conta, estará simplesmente viciado no mesmo, já que além de possuir ótimas melodias, ele transpira honestidade. Ouso dizer que esse é o melhor álbum de retorno de uma banda que escutei até hoje. Uma definição para esse trabalho? Insano, assustador e desconfortável, mas não menos maravilhoso. Em resumo, um autêntico álbum do Faith No More.

NOTA: 9,0




quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Scibex – Path To Omors (2013)




Scibex – Path To Omors (2013)
(Independente - Nacional)
               
01. Cryptic Comfort Zone
02. Built To Collapse
03. Embrace Of Silicon
04. Static
05. Mermaid Serpent
06. Being
07. Heralds Of Noosphere
08. Path To Omors
09. Vast & Secular (Instrumental)

Podem falar o que quiserem e me chamar de bairrista, mas para mim Minas Gerais sempre será o maior celeiro de bandas do Metal Nacional. Formada no ano de 2012 em Ituiutaba é já com um single (Error Bath) e um EP (Matha’s Prison) lançados no seu ano de fundação, os mineiros do Scibex já chegam ao seu debut mostrando uma competência e uma maturidade absurdas para uma banda com tão pouco tempo de estrada. A sonoridade na qual investem é algo muito pouco explorando em se tratando de Brasil, um Avant-garde Black Metal com altas doses de Progressivo que busca sair da mesmice que se encontra por ai.
Tentando dar um norte ao ouvinte, tente imaginar uma mistura de Arcturus, Borknagar e Opeth, só que com mais peso. Conseguiu imaginar? Com uma originalidade e criatividade absurdas, conseguem juntar no mesmo pacote Black, Death, Doom, Thrash, Metal Tradicional, Progressivo, vocais hora rasgados, hora limpos, cadencia e muita técnica, tudo com muita naturalidade e bom gosto. Apesar de ser um álbum longo, com mais de 1 hora de duração, você sequer nota o tempo passar durante a audição do mesmo, tamanha a qualidade do material apresentado. Em um álbum com tantas ótimas músicas, ouso aqui destacar “Cryptic Comnfort Zone”, faxa que abre Path To Omors e que já de cara mostra o que você irá encontrar pela frente, “Embrace Of Silicon”, “Being” e “Heralds Of Noosphere”.
Surpreendentemente, apesar de todo ecletismo e complexidade do trabalho, o som praticado pelo Scibex é de fácil assimilação, o que convenhamos, é extremamente difícil de conseguir em um gênero como o Avant-garde. Com muita personalidade, repleto de detalhes que se revelam a cada audição mais atenta e mesclando suas influências com muita naturalidade, Path To Omors se mostra um álbum forte e candidato frequentar as listas de melhores do ano de 2013. Vale destacar aqui também um fato que vem ocorrendo cada vez mais com bandas independentes. Esse álbum contou com o apoio da Lei de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Uberlândia, mostrando assim que quando o trabalho é bem feito, consegue colocar para escanteio qualquer preconceito que ainda exista com o Metal. Mais uma vez, Minas Gerais nos presenteia com uma grande banda. Tremdanadibão isso!!!!!

NOTA: 9,0

Youtube



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

The Dillinger Escape Plan – One Of Us Is The Killer (2013)




The Dillinger Escape Plan – One Of Us Is The Killer (2013)
(Sumerian Records – Importado)

01. Prancer
02. When I Lost My Bet
03. One Of Us Is The Killer
04. Hero Of The Soviet Union
05. Nothing’s Funny
06. Understanding Decay
07. Paranoia Shields
08. CH 375 268 277 ARS
09. Magic That I Held You Prisoner
10.
Crossburner
11. The Threat Posed By Nuclear Weapons

Desde que conheci o TDEP em 1999, através do clássico Calculating Infinity, esses americanos doentios passaram a fazer parte do hall de minhas bandas preferidas. Não se importando com os limites pré-estabelecidos para a música, abusando da criatividade e impondo uma verdadeira libertinagem musical, sempre procuraram sair da zona de conforto, dando a cara para bater e evoluindo entre um trabalho e outro, apesar de ainda sim conseguir manter sua identidade, muito particular, diga-se de passagem, intacta.
Sendo assim, você leitor/ouvinte conhecedor do trabalho do TDEP sabe exatamente o que irá encontrar em One Of Us Is The Killer, 5º álbum de estúdio da banda (eles ainda possuem alguns ep’s bem interessantes). Música perturbadora, técnica, caótica, desafiadora e como definiram uma vez, claustrofóbica. Sua mistura de Metal, Metalcore, Rock, Hardcore, Jazz e passagens pop, desafiam toda e qualquer unidade estilística. Certamente esse tipo de proposta vai sempre incomodar a uma parte dos headbangers, mas é justamente essa independência de não ser impor limites que os torna uma das bandas mais originais do Metal. É isso que um fã espera e é isso que lhe é oferecido pela banda. Dessa forma, é impossível não abrir um sorriso quando a faixa de abertura, “Prancer”, explode nos falantes. Caótica e infernal, mas com um pequeno acento “melódico”, é uma típica faixa do TDEP. Já “When I Lost My Bet” é agressiva e tensa, com destaque para as guitarras intrincadas de Ben Weiman e os vocais de Greg Puciato. Aliás, isso é algo recorrente durante toda a audição. Vale a pena destacar também a faixa título, “Hero Of The Soviet Union”, uma das faixas mais extremas do álbum e onde resgatam suas raízes Hardcore, “Paranoia Shields”, onde surpreendentemente deixam de lado todo o seu absurdo rítmico, a complexa “Magic That I Held You Prisoner” e “Crossburner”, maior faixa do álbum e que, apesar do início mais arrastado, é mais uma típica música do TDEP.
Toda banda vanguardista e com uma proposta tão ampla do ponto de vista musical, pode mais cedo ou mais tarde acabar desagradando a seus fãs, até porque algumas ideias sempre irão funcionar melhor do que outras. Mas felizmente, ainda não foi dessa vez que isso ocorreu com o TDEP. Com um álbum intenso, dinâmico, pesado, técnico e que certamente exigirá muita paciência por parte daqueles que não estão acostumados com sua sonoridade, acertaram em cheio novamente One Of Us Is The Killer e irão agradar em muito a todos os seus fãs. Se você se encaixa nesse grupo, pode comprar sem medo.

NOTA: 9,0


http://www.youtube.com/user/ChuckBillyTotemPoll