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sexta-feira, 18 de junho de 2021

Helloween - Helloween (2021)


Helloween - Helloween (2021)
(Nuclear Blast Records - Importado)

01 – Out For The Glory
02 – Fear Of The Fallen
03 – Best Time
04 – Mass Pollution
05 – Angels
06 – Rise Without Chains
07 – Indestructible
08 – Robot King
09 – Cyanide
10 – Down In The Dumps
11 – Orbit
12 – Skyfall

Existem momentos que são especiais na vida de um fã. Quando comecei a escutar Heavy Metal, em 1989, Kai Hansen já havia saído do Helloween e fundado o Gamma Ray, mas ainda sim, o impacto que Walls of Jericho e as duas partes do  Keeper of the Seven Keys tiveram em mim, foi imenso. Foram essenciais no meu processo de formação como fã de Metal.  A saída de Kiske, em 1993, foi outro baque, e mesmo respeitando e tendo noção da importância de Andi Deris na tarefa de manter o nome Helloween relevante entre os fãs do estilo, meu sonho era ver Hansen e Kiske de volta a banda. Mas isso sempre me pareceu algo impossível de ocorrer, até certo dia de 2017.

Ter os dois se apresentando ao vivo com o Helloween foi sem dúvida um momento muito especial. Ainda sim, por mais que, lá no fundo, existisse uma ponta de esperança, eu não conseguia enxergar a possibilidade real de todos entrarem em estúdio novamente para gravar material inédito. Felizmente eu estava muito errado. Então bateu aquele medo de fã, de o material não ser tão relevante, de estarem fazendo isso apenas para arrancar dinheiro dos fãs. Coisas de quem já viu esse tipo de atitude ocorrer aos montes no meio do Heavy Metal. Resolvi então não criar muitas expectativas.

Os primeiros singles me animaram bastante, e mostravam que o material  parecia muito promissor, uma espécie de resgate do passado da banda, mas com uma cara atual. Ainda sim, me perguntava se as demais canções conseguiriam manter essa pegada, principalmente após constatar que Andi Deris havia composto quase metade das canções do novo álbum, enquanto Kai Hansen era responsável por penas uma delas. E foi assim que peguei para escutar “Helloween”, o 16º - descontando Metal Jukebox e Unarmed -, e talvez o mais esperado álbum dos alemães.

A primeira coisa que o ouvinte deve lembrar, é de não tentar comparar “Helloween” com nenhum dos álbuns lançados pela banda anteriormente. Isso porque estamos diante de algo especial, diferenciado. Se pensarmos que Hansen saiu da banda em 1988, são 33 anos sem que sua espinha dorsal estivesse junta em um álbum. Além disso, seus 3 vocalistas se fazem presentes, o que gera uma dinâmica vocal toda especial, abrindo um enorme leque de opções no que tange o espectro vocal. Quanto a música em si, sem exagero, temos todas as fases da banda se fazendo presentes aqui, mas de uma forma muito uniforme, sem variações de qualidade ou coisas do tipo.


Certamente todos se sentem curiosos para saber como se deu a dinâmica entre Kiske, Deris e Hansen. Pois bem! Posso dizer sem medo que ela é a melhor possível. Obviamente, dada toda a sua qualidade vocal, Kiske acaba assumindo o protagonismo, mas Deris não fica atrás, e eles dividem boa parte das canções de uma forma muito equilibrada. Kai se mostra mais contido, e exceto em “Skyfall”, onde se faz bem presente, nas demais se concentra nos backings ou em trechos específicos. Ainda sim, quando surge, brilha. Por possuírem diferentes timbres, acabam se complementando, e conseguem brilhar tanto sozinhos, quanto em conjunto. Isso talvez seja o ponto alto do álbum.

Musicalmente, como já dito, todas as fases estão abarcadas aqui, e isso é simplesmente incrível. Da mesma forma que temos canções que vão remeter aos melhores momentos da fase Hansen/Kiske, temos aquelas que nos fazem lembrar como a fase Deris também foi rica em grandes canções. É, sem exagero, o álbum com os refrões mais grudentos e com as melhores melodias, desde os dois Keeper. O peso aqui encontrado também não era visto há muito tempo em um trabalho do Helloween. O trio formado por Michael Weikath, Kai Hansen e o “novato” Sascha Gerstner (com quase 20 anos de banda), simplesmente destrói tudo que vê pela frente, com um trabalho de guitarras primoroso. Já a dupla Markus Grosskopf e Dani Löble também brilha, valendo dizer que Löble gravou o álbum usando o kit de bateria original de ninguém menos que Ingo Schwichtenberg, fazendo com que dessa forma, o saudoso e eterno baterista do Helloween participe desse momento único. Mas o mais importante é que nada, eu disse, absolutamente nada, soa forçado. Tudo flui de uma forma muito natural.

O álbum abre com a espetacular “Out For The Glory”. Sinceramente, não consigo descrever o que senti quando, após a introdução, Kiske entra cantando. Só sei que é incrível! Literalmente o que temos é uma clássica faixa do Helloween, que remete diretamente aos anos de 1987 e 1988, com sua velocidade, suas melodias marcantes, mudanças de tempo, e aquele refrão grudento que só eles sabem fazer. Fazia tempo que Weikath não compunha uma canção tão espetacular. Essa pegada se mantém na música seguinte, “Fear Of The Fallen”, composição de Deris, e onde ele e Kiske se fundem de uma forma única. Grosskopf e Löble também não ficam atrás, brilhando muito. O refrão é mais um daqueles que você fica dias lembrando, e o solo de guitarra é simplesmente absurdo. Um início dos sonhos.


A faixa seguinte é a divertida “Best Time”, uma parceira entre Gerstner  e Deris, que possui uma melodia gostosa e fácil de cantar. Possui um apelo comercial, e poderia tocar tranquilamente em qualquer rádio “Rock” do mundo. Até sua duração, com pouco mais de 3:30min, parece pensada para isso. Na sequência, uma das melhores composições de Andi para a banda, a ótima “Mass Pollution”, que remete a sua fase nos vocais e foi moldada para ser tocada ao vivo. Seu refrão é daqueles que o público vai cantar a plenos pulmões na turnê do álbum. Vale destacar também o trabalho da dupla Grosskopf /Löble, que mais uma vez brilha. A faixa seguinte, “Angels”, é uma composição de Sascha, sendo o momento menos inspirado do álbum. Mas não entenda isso como sendo uma música fraca, ao contrário, ela só não está no nível absurdo de qualidade das anteriores. A primeira metade do álbum fecha com mais um momento “Helloween Clássico”. Se trata de “Rise Without Chains”, composição de pasmem, Andi Deris, que aqui se mostra capaz de compor faixas clássicas da banda sem esforço algum. 

“Indestructible”, composição de Grosskopf, tem uma pegada mais Hard e remete aos trabalhos mais atuais da banda. É pesada, cativante, tem ótimas melodias e um refrão que será certamente lembrado nos shows. Decididamente, Weikath estava com a faca entre os dentes quando compôs as músicas desse álbum, sendo “Robot King” uma prova disso. É aquele clássico Speed Metal Melódico que todo fã do Helloween ama, mas transposto para os dias atuais, não soando assim datado. “Cyanide”, de Deris, vai nessa mesma pegada, mesclando o Power e o Speed com maestria, e destacando os ótimos riffs, o ótimo desempenho da parte rítmica, principalmente Löble, e o refrão que te pega com facilidade. Lembra que acabei de falar que Weikath estava com a faca entre os dentes? Se você ainda tinha alguma dúvida, escute “Down In The Dumps”, um Power Metal clássico e empolgante. Após o breve interlúdio “Orbit” temos aquele momento épico, uma fixa que já é um dos maiores clássicos da história da banda, “Skyfall”. Aqui, a música aparece em sua versão completa, com mais de 12 minutos, e sinceramente, só ouvindo para entender o tamanho da sua magnitude. É uma música que poderia estar em qualquer um dos Keeper, sem qualquer tipo de questionamento. Encerra o álbum com sete chaves de ouro.


A capa é outro primor. Feita pelo absurdamente talentoso Eliran Kantor, ela é cheia de simbolismos, e homenageia as principais obras do Helloween.você encontra referência as três partes do “Keeper of the Seven Keys”, a  “Walls of Jericho”, a “The Time of the Oath”, e a “Master Of The Rings”. A produção é simplesmente absurda, tendo ficado a cargo de Charlie Bauerfeind, com co-produção de Dennis Ward. Ao que me consta, o álbum foi todo gravado no formato analógico, o que deu-lhe vida. 

O Helloween está de volta, no auge de sua forma, e pronto para dominar o mundo. Duvida? Escute o álbum e tire suas conclusões. Fortíssimo candidato a álbum do ano.

Helloween é:
Michael Kiske (vocal)
Andi Deris (vocal)
Kai Hansen (guitarra/vocal)
Michael Weikath (guitarra)
Sascha Gerstner (guitarra)
Markus Grosskopf(baixo)
Dani Löble (bateria)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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sábado, 5 de outubro de 2019

Blasphematorium - Blasphematorium (2019)


Blasphematorium - Blasphematorium (2019)
(Tales From The Pit Records/Your Poison Records/Violent Records/Steel Sword Records/Tevas Nascemos Distro/Underground Voice Records/Totem Records)


01. The Four Horsemen
02. Monolith to Foolishness
03. Decay of Men
04. Found in the Dark
05. Fornication Be Thy Name
06. The Blasphematorium
07. The Dark Council

Em um mundo cada vez mais midiático, existem artistas que optam por manter suas identidades ou rostos em segredo. Talvez o maior exemplo disso, atualmente, seja Banksy. No meio da música, isso nunca foi novidade, já que no passado, nomes como Kiss e Daft Punk, e mais recentemente, o Slipknot, se utilizaram por um tempo desse estratagema. Marketing, uma forma de focar apenas na arte, um ato de resistência em uma realidade recheada de subcelebridades, ou simples escolha artística? Não existe uma resposta exata para tal fato. Onde quero chegar com isso tudo? Surgido no ano de 2018, em São Paulo, o Blasphematorium é mais um nome que opta pelo anonimato, já que seus músicos não só escondem seus nomes por detrás de pseudônimos, como também seus rostos são um mistério.

Musicalmente, sua sonoridade é muito bem definida, e remete diretamente ao que convencionou-se chamar de 1ª geração do Black Metal, ou seja, aquelas bandas que mesclavam estilos como o Heavy Tradicional e o Speed Metal, usando de uma estética anticristã. O resultado é uma música veloz, abrasiva e muito pesada, com vocais mais urrados, guitarras com riffs ríspidos, um baixo marcante e uma bateria muito boa. Além disso, elementos daquele Doom mais épico e tradicional, que remetem diretamente ao Cirith Ungol, podem ser observados, e ajudam a, em muitos momentos, criar um clima mais sombrio. Em si, o Blasphematorium não apresenta uma sonoridade inovadora, mas consegue ter uma identidade própria, não soando como simples cópia de bandas mais consagradas no estilo.


O ataque começa com a apocalíptica “The Four Horsemen”, com claras influências de Metal Tradicional, riffs ríspidos e um belo trabalho da dupla baixo/bateria. “Monolith to Foolishness” é mais cadenciada e possui aqueles riffs cavalgados, bem típicos dos anos 80, além de soar bem sombria, muito pelo belo trabalho vocal. O solo, bem melódico, é outro ponto de destaque e serve de contraponto para a abrasividade das guitarras. “Decay of Men” é outra onde as melodias Heavy se destacam, com ótimos riffs, bases pesadas e um baixo marcante. “Found in the Dark” apresenta guitarras bem ríspidas, além de boas mudanças de tempo, com destaque para as passagens mais cadenciadas, que dão a canção uma aura mais escura. “Fornication Be Thy Name” tem uma pegada bem Metal Tradicional, por mais que trechos mais arrastados tragam um peso maior para a mesma, e entrega não só boas melodias, como também um ótimo solo, sendo seguido pela igualmente melódica “The Blasphematorium”, com seu ótimo trabalho de guitarra. São quase irmãs gêmeas. Encerrando, a arrastada e opressiva “The Dark Council” traz o foco para aquele Doom mais épico.

A produção está totalmente dentro do padrão esperado para a proposta sonora apresentada, já que apesar de deixar os instrumentos bem audíveis, possui a crueza e a aura impura e blasfêmica que a música pede. Isso também pode ser notado na capa, que deixa bem escancarada o que pretendem passar com suas canções. O Blasphematorium não apresenta nenhuma inovação sonora, mas esse em momento algum é o foco da banda, e isso não têm absolutamente nada de errado. Sua maior qualidade é, como já citado, possuir personalidade, já que por mais que em muitos momentos suas influências possam ser notadas, de forma alguma soam como cópia ou emulação. Ríspido, cru e agressivo, foram buscar inspiração nos primórdios do Black Metal, e acabaram por lançar um dos trabalhos nacionais mais legais de 2019.

NOTA: 88

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Axecuter - Surrounded by Decay (2019)


Axecuter - Surrounded by Decay (2019)
(VSF Records - Nacional)


01. Surrounded By Decay
02. Rise and Fall
03. Separate Ways
04. Darkness In Bottles
05. Dying Source
06. Collecting Enemies
07. Darwin was Right
08. Metal in Wrong Hands
09. Spend The Dollar
10. Passage Back To Hell

Surgida no ano de 2010, em Curitiba/PR, a Axecuter se tornou com o passar dos anos, uma das principais referências do cenário nacional quando falamos de bandas com aquela pegada mais oitentista, graças a sua mescla de Metal Tradicional, Power/Speed e Thrash Metal. Nesses 9 anos, além do debut, Metal Is Invincible  (13), lançaram alguns EP’s, splits e o ao vivo A Night of Axecution (18), consolidando sua sonoridade, e os levando até o ponto onde se encontram hoje, com o segundo trabalho, Surrounded by Decay. Esse é sem dúvida alguma, seu álbum mais maduro até então, e a prova cabal de que amadurecimento não significa perder suas características, como muitos por aí acreditam.

Todas aquelas características que nos acostumamos a escutar nos lançamentos do Power Trio formado por Danmented (vocal/guitarra), Rascal (baixo) e Verdani (bateria), continuam presentes, transformando sua audição em uma verdadeira viagem aos anos 80. Caso você nunca tenha escutado o Axecuter, vai se deparar com uma mescla daquela sonoridade europeia de nomes como Venom, Kreator, Sodom e Celtic Frost, com aquele som mais típico de bandas americanas e canadenses do período, como o Razor, Exciter, Cirith Ungol e Manilla Road – a banda já contou com participações especiais de nomes como o saudoso Mark Shelton, Mantas e Tony Dolan em trabalhos anteriores –, só que dessa vez acrescido, de uma dose de boas melodias, oriundas de grupos como Grave Digger e Running Wild.


Após a ótima instrumental “Surrounded By Decay”, temos a diversificada Rise and Fall, com seus bons riffs, ótimo trabalho de baixo, e um pé bem fincado naquela sonoridade germânica típica do Sodom e do Kreator. “Separate Ways” tem uma pegada mais Heavy/Speed, se mostrando bem variada e destacando o trabalho de Verdani, a rápida “Darkness In Bottles” tem algo de Kreator, graças aos vocais de Danmented e “Dying Source”, apesar da fúria presente nos riffs, apresenta um solo bem melódico, e muito bom. O Thrash surge com toda a sua força em “Collecting Enemies”, uma dessas canções moldadas para quebrar pescoços, sendo seguida pela pesada “Darwin was Right”, com um ótimo refrão. A ótima e cadenciada “Metal in Wrong Hands” é outra com refrão de fácil assimilação; “Spend The Dollar” se mostra bem direta, e encerrando o trabalho, temos a épica e diversificada “Passage Back To Hell”.

A produção de Ivan Pellicciotti (Vulcano, Surra, Great Vast Forest, Chemical Disaster) é a prova que sim, existem formas de aliar uma produção com uma pegada oitentista e orgânica, com a clareza das produções atuiais. A capa – reparem na alfinetada dada não só nas fases atuais de bandas clássicas, como no momento atual de nosso cenário –, foi uma obra conjunta de Marcio Aranha (Blasthrash, Heritage, Woslom) e Paulo Kalvo, como o encarte sendo elaborado por Thiago Boller (Em Ruínas, Vingança Suprema, Abatter). Mantendo a sinceridade e a paixão de sempre pelo Metal oitentista, e evoluindo, mas sem abrir mão um milímetro sequer de suas convicções, o Axecuter se mostra em seu melhor momento, sendo responsável por um dos principais lançamentos do Metal Nacional nesse ano de 2019. Imperdível!

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Gangrena Gasosa - Gente Ruim Só Manda Lembrança pra Quem Não Presta


02. Ultra-Violence - Operation Misdirection 


03. Suffocation of Soul - Macabre Sentence (EP)


04. Fast Evil - The Midnigh 


05. Warrel Dane - Shadow Work


06. Artillery - The Face of Fear 


07. Attomica - The Trick


08. Brutallian - Reason for Violence


09. Angelus Apatrida - Cabaret de la Guillotine 


10. Kamala - Eyes of Creation 

 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Imperador Belial/Into the Cave - True Horror Tales (2016) (Split)


Imperador Belial/Into the Cave - True Horror Tales (2016) (Split)
(Lord Grave / Anton’s Hell Records / Obskure Chaos Distro / Hell Music Label / Impaled Records / Satanic Sounds Records / Nightmare Productions / Wolf War - Nacional)


Imperador Belial
01. Intro: Satanic Chance
02. Erzébet Bathory
03. White Chapel’s Killers
04. Blasphemy (Kabarah Cover)
05. O Opositor
06. Total Destruction (Bathory Cover)
Into The Cave
07. Crowned Princes Of Hell
08. Nazarene’s Death
09. Entropy
10. Coffin Joe
11. Lovecraft

Uma das coisas que mais gosto em splits é a possibilidade de conhecer bandas de qualidade em dobro. Aqui, temos a junção de duas bandas oriundas do estado do Rio de Janeiro, o já veterano Imperador Belial, com quase 20 anos de carreira (surgiram em 1998), e o Into the Cave, um duo que conta com músicos/ex-músicos do próprio Imperador. E amigos, o que temos aqui é uma verdadeira viagem no tempo, um retorno aos primórdios da música extrema.

Na época da gravação, o Imperador Belial contava em sua formação com o vocalista R. Inkubus, o guitarrista Chaos (guitarra), o baixista Washington Marchon (posto atualmente ocupado por Bode de Sade) e o baterista Bitch Hünter (substituído posteriormente por Wrath). Musicalmente, temos um som calcado naquela 1ª geração do Black Metal, ou seja, Venom, Hellhammer, Celtic Frost e afins. Já o duo Into the Cave, como já dito, possui uma ligação direta com o Imperador, já que é composto por seu vocalista e seu ex-baterista (que aqui toca todos os instrumentos) e mostra-se um pouco mais ríspido e agressivo, já que sua música segue mais a linha praticada por nomes como o brasileiro Sarcófago e o canadense Blasphemy.


No “lado” que cabe ao Imperador Belial, temos 6 músicas, contando com a intro “Satanic Chance”, retirada de uma clássica cena do filme de terror mexicano Alucarda, e que se encaixa com perfeição na proposta da banda. Entre os destaques, além dos covers para “Blasphemy” (Kabarah) e “Total Destruction” (Bathory), podemos citar a brutal e obscura “Erzébet Bathory” e a violenta “O Opositor”, com ótimos riffs e onde deixam sua mensagem mais do que explícita. Já o Into the Cave nos apresenta 5 faixas que transbordam agressividade. Rispidez, velocidade e pouca variação dão o tom aqui, o que não diminui em nada a qualidade do material. Destaques ficam com as duas faixas que fecham o trabalho, “Coffin Joe” e “Lovecraft”, que mostram mais diversidade, alternando velocidade com momentos mais cadenciados e sombrios.


A produção é totalmente condizente com a proposta das bandas, de resgatar aquele som oitentista que marcou os primórdios da música extrema, crua e suja, mas ainda assim permitindo que escutemos todos os instrumentos. True Horror Tales é um trabalho feito na medida para os fãs de nomes como Venom, Hellhammer, Sarcófago, Bathory, Celtic Frost, Possessed, dentre outras. Uma verdadeira aula de agressividade e violência musical.

NOTA: 8,0

Imperador Belilal é:
- R. Inkubus (vocal);   
- Chaos (guitarra);
- Bode de Sade (baixo);
- Wrath (bateria).

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Into the Cave é:
- R. Inkubus (vocal);
- Bitch Hünter (todos os instrumentos).

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Evil Sense - Fight for Freedom (2017)


Evil Sense - Fight for Freedom (2017)
(Erinnys Productions - Nacional)


01. No More Lies
02. Embrace of Death
03. Império Headbanger - O Ritual Metal
04. Traveling by Warriors Land
05. Force and Honor
06. Unit 731
07. Thrash Anger
08. Fight for Freedom
09. Evil Sense

A vida de uma banda de Heavy Metal no Brasil nunca será fácil, e a trajetória do Evil Sense mostra bem isso. Surgido em 2000, lutaram para estabilizar uma formação, gravaram 3 demos, Horseman of Apocalypse (02), Coma of Your Brain (06) e In Thrash We Trust, e finalmente, 17 anos depois de sua formação, finalmente conseguiram chegar ao seu debut, Fight for Freedom. Uma caminhada dura, árdua, mas que finalmente foi recompensada.

Musicalmente não apresentam qualquer novidade ou inovação. Sua aposta é cravar de forma bem firme seus pés nos anos 80, apresentando um Thrash/Speed que recebe boas influências de Metal Tradicional. Todos os clichês do período se fazem presentes aqui. Aí você certamente vai se perguntar: isso é ruim? Olha, de forma alguma, pois tudo é uma questão de como você vai utilizá-los, e no caso do Evil Sense, fazem isso de forma muito competente e sem procurar emular algum nome em específico.

Aqui temos uma música enérgica, crua e ríspida, com vocais bem agressivos, riffs cortantes, bons solos e uma parte rítmica que mostra boa técnica, se destacando em diversos momentos do CD. São 9 canções que vão direto ao ponto, sem qualquer enrolação, com destaque para  a agressiva “No More Lies”, que abre o trabalho, “Embrace of Death”, com riffs muito bons, a instrumental “Traveling by Warriors Land”, com influência de Metal Tradicional (lembra daquelas instrumentais dos primeiros álbuns do Maiden?) e um trabalho tão bom das guitarras que você nem sente a falta de um vocal, “Force and Honor”, outra com sonoridade mais Heavy, bom peso e ótimos riffs em seus mais de 8 minutos, “Thrash Anger”, que faz jus ao nome, carregada de energia e totalmente raivosa, e “Evil Sense”, que encerra o álbum e possui um trabalho muito bom da dupla de guitarristas.


Gravado e mixado no KW Home Estúdio/SP, com produção de Alexdog (Tenebrario) e da própria banda, o resultado, apesar de soar um pouco cru demais, não chega a comprometer, ainda mais se tratando de um debut. Algo um pouco mais bem trabalhado vai deixar a coisa ainda melhor aqui. O importante é que, acima de tudo, todos os instrumentos estão bem claros e pesados, além de bem timbrados. Até aqui o clima oitentista prevalece.

No final, temos em mãos um bom trabalho de estreia, indicado aos bangers mais saudosistas, e que mostra uma banda que, com pequenos ajustes aqui e ali (um pouco mais de identidade e uma produção levemente mais bem trabalhada), tem tudo para estar entre as principais do estilo no país. Altamente indicado para fãs de bandas como Slayer, Exciter, Artillery e afins.

NOTA: 8,0

Evil Sense é:
- Wagner “Capu” (vocal/guitarra);
- Thiago “Suco” (guitarra);
- Hugo (baixo);
- Ricardo (bateria).

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Battalion – Tyrant of Evil (2015) (EP)




Battalion – Tyrant of Evil (2015) (EP)
(Kill Again Records – Nacional)

01. Tyrant of Evil
02. Hell Razor
03. Battalion of Metal
04. Valley of the Dead
05. Fighting for the Glory
06. Final Battle
07. Soldiers from the Shadows

Vindo de Itajaí/SC, o Battalion é um dos nomes mais legais surgidos no Brasil nesses últimos anos. Fazendo um som enérgico, honesto e oitentista até o talo, chamaram a atenção pelo seu ótimo debut, Empire Of The Dead, lançado em 2013 e agora resurgem na cena com esse EP, composto de duas faixas inéditas e a demo Battalion (07) de bônus (inclusive, algumas deixas faixas estão presentes em seu álbum de estréia).

Aqui não tem erro, pois temos aquela mescla já conhecida de NWOBHM, Speed e Thrash Metal que marcou a estréia, carregada de energia, agressividade, velocidade, com os vocais marcantes de Marcelo Fagundes (que também faz um belo trabalho no Baixo), riffs pesados e bons solos de Álvaro Santana, além de uma bateria firme e pesada a cargo de Fabiano Barbosa. Nada tem muito polimento e encontramos uma agradável crueza, algo que soa até refrescante meio a música muitas vezes plastificada que escutamos hoje. E o melhor de tudo, nada aqui soa forçado, pois a paixão pelo estilo fica evidente a cada nota tocada.

Sinceramente, em um trabalho tão legal assim, fica até complicado destacar faixas sem acabar soando injusto. Ainda sim, vamos lá. Desafio você, prezado leitor, a escutar músicas como “Tyrant of Evil”, “Hell Razor”, “Battalion of Metal”, “Fighting for the Glory” ou “Final Battle” e não sair batendo cabeça pela sala, com direito a entrar em um mosh imaginário.

A produção aqui é obviamente crua, já que a música do Battalion pede obrigatoriamente isso e ficou por conta de André Fabian (Steel Warrior, Fuzilador, Frade Negro). Vai remeter diretamente a produções oitentistas, assim como também a capa desse trabalho, novamente obra do baterista Fabiano Barbosa. Levando o ouvinte a mergulhar em uma verdadeira viagem no tempo, o Battalion nos transporta novamente a década de 80, sem precisar inventar e fazendo o básico que muitas bandas por ai simplesmente esqueceram como fazer. Um álbum desses para você colocar o volume no talo e ficar sem pescoço!

NOTA: 9,0

Battalion é:

- Marcelo Fagundes (Vocal/Baixo)
- Álvaro Santana (Guitarra)
- Fabiano Barbosa (Bateria)




segunda-feira, 13 de julho de 2015

Battalion – Empire of Dead (2013)




Battalion – Empire of Dead (2013)
(Kill Again Records – Nacional)

01. Invaders
02. Empire of Dead
03. Forged by Iron and Fire
04. Looters
05. Valley of the Dead
06. Steel Avenger
07. Blood of Circle
08. Battalion of Metal

Na busca por tentar modernizar seu som, dando uma cara mais atual ao mesmo, tem sido comum observarmos muitas bandas trazendo novos elementos para suas músicas. Por mais que em muitos casos isso gere resultados interessantes, às vezes se torna inevitável sentirmos falta de algo mais tradicional, mais “oitentista”. E foi exatamente isso que o catarinense Battalion apresentou em seu álbum de estréia, Empire of Dead, lançado em 2013.

Aqui você, prezado ouvinte, irá se deparar com um Heavy/Speed Metal (com aquele pezinho no Thrash) totalmente de raiz e que remete diretamente a bandas alemãs do estilo, como Grave Digger, Running Wild, Rage e Accept. Sem espaço para invencionices, sua música vai direto ao ponto, esbanjando energia e transpirando honestidade por todos os poros. Os vocais de Marcelo Fagundes seguem uma linha mais agressiva, sendo ele também o responsável pela guitarra, que despeja alguns riffs bem marcantes. Na parte rítmica, que teve o baixo nas gravações dividido entre Marcelo e Fabricio Luís e conta ainda com o baterista Fabiano Barbosa, temos um trabalho bem direto e correto. A grande verdade é que o ponto do forte de Empire of Dead é justamente esse, fazer o básico. Isso é que torna a audição divertida e agradável. Pode soar clichê em alguns momentos? Sim, mas e daí? Que disse que clichês são ruins? Dentre as 8 faixas que compõem esse trabalho, destaques para “Empire of Dead”, “Looters”, “Valley of the Dead” e “Battalion of Metal”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo da banda e de André Fabian (Steel Warrior), e deixou tudo limpo, audível, mas com a dose de crueza necessária a música da banda. Já a capa foi obra do baterista Fabiano Barbosa é retrata perfeitamente o que será encontrado no álbum. É metal oitentista de qualidade, puro, simples, enérgico e acima de tudo, verdadeiro. Um álbum que todo bom apreciador de Metal deveria ter na sua coleção!

NOTA: 8,0