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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Khorium - Idiocracia Tropical Contemporânea (2019)


Khorium - Idiocracia Tropical Contemporânea (2019)
(Independente- Nacional)

01. Intro (Terra Brasilis)
02. Resista
03. Quem é quem
04. Idiocracia Tropical
05. Ainda assim eu me levanto (Maya Angelou) feat. Fernanda Lira
06. Abordagem
07. Negue feat. Luan Haddad
08. Perdão
09. Silenciar

O Khorium é uma banda relativamente nova, já que surgiu no ano de 2017, na cidade de Volta Redonda. Apesar do pouco tempo de estrada, em 2018 lançou o EP Manual Prático do Brasil, que chamou a atenção do público e da mídia por sua qualidade, e que serviu para deixar aquele gosto de quero mais nos ouvidos dos amantes da música pesada. Musicalmente apresentam uma sonoridade que certamente vai desagradar os mais tradicionalistas, já que mesclam vocais rapeados com guitarras Thrash, baixo funkeado, bateria pesada e muito, muito groove. Para apimentar mais ainda, letras de uma acidez absurda, que não escondem a ideologia da banda, já que aqui não tem esse papo “isentão” de que não se mistura política com Heavy Metal.

O Khorium coloca o dedo com vontade na ferida purulenta que vem tomando conta de nossa sociedade, e isso já fica muito claro no título e na ilustração da capa. Glaydson Moreira se sai muito bem nos vocais, alternando momentos em que canta mais rapeado com outros mais agressivos e típicos das vertentes mais extremas do Metal. Ele também é o responsável pelas guitarras, que tem uma abordagem mais próxima do Thrash e do Crossover, apresentando riffs fortes e agressivos. Na parte rítmica, Roberto Bizarelo se destaca pelo seu baixo mais funkeado, enquanto a bateria de Shalon Webster imprime muito peso as canções. A dupla, com seu ótimo trabalho, é a base de toda a música do trio, dada sua capacidade dar aquele groove diferenciado as mesmas.


“Intro (Terra Brasilis)” serve quase como uma vinheta de apresentação, deixando claro ao ouvinte o que ele encontrará pela frente, do ponto de vista lírico. Na sequência, temos a grooveada “Resista”, onde os destaques ficam com o refrão e o bom trabalho das guitarras. “Quem é quem” pende mais para o Rapcore, apresentando guitarras pesadíssimas, e uma letra que é um verdadeiro tapa na cara de muitos por aí. “Idiocracia Tropical” tem aquele groove mais funkeado e bom peso, sendo seguida pela ótima “Ainda assim eu me levanto”, que conta com participação de Fernanda Lira (Nervosa), e tem sua letra baseada em uma tradução livre do poema “Still I Rise”, da americana Maya Angelou, pseudônimo de Marguerite Ann Johnson, escritora, poetisa e ativista pelos direitos das mulheres, negros e minorias. Se por algum motivo não conhece a vida de Maya, pesquise, pois, sua história não só é fascinante, como um exemplo de luta e resistência. “Abordagem” é uma canção densa, arrastada, e com uma letra fortíssima, abordando a questão do racismo no Brasil; “Negue”, com participação de Luan Haddad (Comboio Calibre) é outra onde as guitarras grooveadas se destacam, enquanto “Perdão” tem uma pegada mais Thrash. Finalizando, “Silenciar”, que apesar de ser a mais “calma” do álbum, não abre mão do peso.

A produção foi realizada pela própria banda, e tem qualidade, estando na média de boa parte das produções nacionais. É crua, mas ainda sim permite escutar com clareza todos os instrumentos, além de soar bem agressiva. Já a capa, uma das melhores de 2019, é obra de Rogério Fortes, e retrata com perfeição a realidade que vive o nosso país. Mostrando não ter medo de dizer o que pensa, e ajustando cada vez mais sua proposta sonora, o Khorium se candidata a ser uma força crescente do underground nacional nos próximos anos. Levante, resista, lute!

NOTA 82

Khorium é:
- Glaydson Moreira (vocal/guitarra)
- Roberto Bizarelo (baixo)
- Shalon Webster (bateria)

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

R.I.V. - Prog-Core (2018)


R.I.V. Prog-Core (2018)
(Independente – Nacional)


01. War Flames
02. Headache
03. No… P.A.S.
04. Rainbow Warrior´s Mayday
05. Progressive Core
06. Testicle Man
07. Caligula 2332 D.C.
08. Freaks in Action
09. Animal
10. Delicious Nham! Nham!
11. Ashes
12. Spiral

O R.I.V., ou Rhythms In Violence, não se trata de uma banda novata, já que suas raízes remontam ao cenário mineiro dos anos 80. Após pausar as atividades em 1996, e permanecerem em um hiato de 20 anos, retornando com o lançamento da demo Welcome To Prog-Core (16), e ano passado um álbum completo, Prog-Core. Pelo título de ambos os trabalhos, você já consegue imaginar que estamos diante de algo um tanto inusitado.

Nesse momento você provavelmente está se perguntando o que seria esse tal de Prog-Core. Bem, ele é exatamente o que o nome diz, ou seja, uma base bem calcada no Crossover entre Thrash e Hardcore, mas com ritmos mais quebrados, típicos do progressivo. Definitivamente não é uma proposta de fácil assimilação, mas soa bem original, já que não me recordo de outra banda se propondo a tal coisa.

Antes de tudo preciso fazer uma crítica. O maior problema da demo de 2016 era a produção, bem deficitária e que prejudicava em muito a proposta da banda. Infelizmente, esse problema não foi sanado no CD, o que é uma pena. Do que adianta você se propor a fazer algo diferente e inovador, se o ouvinte não vai poder usufruir da experiência por completo? As bandas brasileiras precisam entender que não basta ser criativo, mas também profissional. Hoje, por mês, são centenas de lançamentos, as pessoas têm cada vez menos tempo para escutarem música, e o público tende sempre a dar preferência a nomes já conhecidos. Dentro desse panorama, qual a chance de uma banda menos conhecida subir de patamar com uma produção fraca? Entendo que existem dificuldades inerentes a se fazer Metal no Brasil, mas me desculpem, já está provado por diversos lançamentos nacionais de qualidade, que é possível sim fazer boas produções. Agora, se a proposta da banda for realmente soar dessa forma, é uma pena.


Musicalmente, o que temos é uma sonoridade bem pesada, com canções rápidas, bem trabalhadas, vocais agressivos, riffs de qualidade e uma parte rítmica bem diversificada, com grande destaque para a bateria. Essa mescla de brutalidade e técnica gera algo complexo, que sai completamente do lugar-comum, e que inevitavelmente vai causar estranhamento nos fãs de Metal que tenham a cabeça mais fechada. Para ser sincero, mesmo para aqueles mais abertos, a assimilação não é tão fácil, por isso a importância do que falei lá em cima, a respeito da produção. Ótimas ideias acabam se perdendo e soando confusas. Também senti falta de refrões mais fortes, que façam as músicas ficarem na cabeça de quem escuta, algo muito importante em um cenário cada vez mais concorrido. Como crescer sem ser lembrado?

São 12 canções, 4 delas regravadas da demo de 2016, e que conseguem manter um nível bem homogêneo de qualidade. O Hardcore muitas vezes fica em primeiro plano, mas sem que os mineiros abram mão da versatilidade e dos ritmos mais quebrados. Aponto como destaques “War Flames”, um Crossover furioso, mas, ao mesmo tempo, técnico; “Freaks in Action”, bem diversificada e grooveada, “Delicious Nham! Nham!”, veloz, enérgica e raivosa; “Ashes”, agressiva e com passagens mais quebradas, algo que também pode ser observado em “Rainbow Warrior´s Mayday”.

Em oposto a produção mais fraca, a parte gráfica se mostra bem caprichada. Embalado em um digipack muito legal, tem design e layout de Fernando Drowned, com a capa e os painéis internos elaborados pelo vocalista e guitarrista Helbert de Sá. Que esse profissionalismo seja transposto para outras áreas em um próximo álbum. Ainda sim, apesar de tais problemas, o que temos aqui é uma banda criativa, ousada, técnica e que não tem medo de inovar, o que no final pesou demais na minha avaliação. Tudo é questão de aparar as arestas necessárias, para assim permitir que o ouvinte possa usufruir da sua música de forma plena.

NOTA: 71

R.I.V. é:
- Helbert de Sá (vocal/guitarra);
- Ana Lima (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria).

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sexta-feira, 1 de março de 2019

Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança


Grinding Reaction - O Caos Será a Tua Herança
(Independente - Nacional)


01. O Caos Será a Tua Herança
02. Os Fins Justificam os Meios
03. Recuse a Cegueira
04. Flagelo
05. Guerra Urbana
06. Dor, Sofrimento e Morte
07. Cangalha
08. Marionete
09. Negra Sina
10. Piada
11. Inimigo no Espelho
12. As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade
13. Pesadelo Latino Americano
14. Rato Cinza
15. Vida Útil
16. Verdades e Utopias

Ser uma banda underground nunca foi e nem vai ser fácil, e a história do Grinding Reaction retrata bem as dificuldades existentes no meio. Surgido na cidade de Diadema/SP, no ano 2000, chegaram a lançar uma Demo autointitulada no ano seguinte, e o EP Opression, Negligence, Tears and Blood em 2004, mas acabaram encerrando as atividades 4 anos depois. Após um hiato, retornaram em 2011, mas precisaram de um tempo até conseguir estabilizar uma formação e então partir para o EP Tempo, Persistência e Fúria (15), que foi uma releitura de faixas da Demo e do EP anteriores, acrescidas de uma música inédita. Finalmente ano passado, passados 18 anos de sua fundação, conseguiram lançar seu debut, O Caos Será a Tua Herança.

Musicalmente, o quarteto na época formado por Ricardo Marchi(vocal/guitarra), Victor Rotta (guitarra), Renato Spadini Jr. (baixo) e Weslley Ferreira (bateria), se envereda pelos caminhos do Crossover, mesclando com bastante competência Hardcore, com Thrash/Groove Metal. Não é a reinvenção da roda, mas como eu sempre digo, para que reinventar algo que já funciona com perfeição? Dessa forma, o ouvinte mais acostumado com a proposta sabe exatamente o que vai encontrar, ou seja, música enérgica, vocais raivosos, guitarras pesadas e agressivas, acompanhadas de uma parte rítmica forte e destruidora. Vale também destacar os solos melodiosos e a boa variedade, já que alternam muito bem entre velocidade e cadência. 


São 16 faixas, onde por mais que possuam uma heterogeneidade, algumas se destacam naturalmente. “Os Fins Justificam os Meios” tem boas mudanças de ritmo e é bem pesada, enquanto “Recuse a Cegueira” mostra um solo com melodias de qualidade. “Flagelo” é agressiva e tem boa técnica, e “Guerra Urbana” se equilibra bem entre as partes cadenciadas e velozes. “Dor, Sofrimento e Morte” tem um ótimo groove e transborda peso, e “Negra Sina” é desses Crossovers que prima pela rispidez e agressividade. “As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade” é outra que se destaca demais, com seu peso opressivo e ótimas partes cadenciadas.  “Verdades e Utopias” encerra o álbum com o nível lá em cima, graças a sua boa variedade e ótimo desempenho da parte rítmica.

Toda parte de produção, mixagem e masterização ficou por conta do guitarrista Victor Rotta, e o resultado é bom, com quela crueza e agressividade que o estilo pede, mas ainda sim bem audível. A capa retrata com perfeição o conteúdo agressivo, crítico e ácido das letras, e também ficou muito boa. Como dito, o Grinding Reaction não apresenta nada de novo, mas isso não os impede de fazer uma música com cara própria e que transborda qualidade. Que daqui para frente, consigam estabilizar a carreira de forma que muitos outros álbuns venham, pois, com O Caos Será a Tua Herança, conseguiram acertar em cheio.

NOTA: 81

Grinding Reaction (gravação):
- Ricardo Marchi(vocal/guitarra);
- Victor Rotta (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

Grinding Reaction é:
- Ricardo Marchi(vocal);
- Victor Rotta (guitarra);
- Rafael Santos (guitarra);
- Renato Spadini Jr. (baixo);
- Weslley Ferreira (bateria)

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover

Melhores de 2018 - Thrash/Speed/Crossover


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Gangrena Gasosa - Gente Ruim Só Manda Lembrança pra Quem Não Presta


02. Ultra-Violence - Operation Misdirection 


03. Suffocation of Soul - Macabre Sentence (EP)


04. Fast Evil - The Midnigh 


05. Warrel Dane - Shadow Work


06. Artillery - The Face of Fear 


07. Attomica - The Trick


08. Brutallian - Reason for Violence


09. Angelus Apatrida - Cabaret de la Guillotine 


10. Kamala - Eyes of Creation 

 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Municipal Waste - Slime And Punishment (2017)

Municipal Waste - Slime And Punishment (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Breathe Grease
02. Enjoy The Night
03. Dingy Situations
04. Shrednecks
05. Poison The Preacher
06. Bourbon Discipline
07. Parole Violators
08. Slime And Punishment
09. Amateur Sketch
10. Excessive Celebration
11. Low Tolerance
12. Under The Waste Command
13. Death Proof
14. Think Fast

Lá se vão 5 anos desde que os americanos do Municipal Waste, uma das melhores bandas de Thrash/Crossover da nova geração, lançou The Fatal Feast (Waste in Space) (12). Nesse período, excursionaram por um bom tempo, chegaram a compor um álbum inteiro, que foi descartado por não ser considerado bom o suficiente, além de Tony Foresta (vocal) e Land Phil terem lançado 3 trabalhos com o Iron Reagan (este último ainda soltou 2 CD’s com o Cannabis Corpse, do qual também faz parte. Além disso, desde 2016 se tornou um quinteto, com a entrada do guitarrista Nick Poulos.

Um novo membro que altere a estrutura da banda de tal forma (já que passaram a ter 2 guitarristas) é sempre algo arriscado, já que se faz necessário um tempo de adaptação entre os músicos. Felizmente isso não foi um problema aqui, já que Nick tocou com Phil no Cannabis Corpse e no Vulture, sendo que nessa, ele ainda toca ao lado do guitarrista Ryan Waste. Ou seja, a química já existia e isso acaba tendo reflexos mais que positivos em Slime And Punishment, 6º álbum de estúdio do grupo.

A sonoridade da banda se mantém praticamente intocada. É aquele Thrash/Crossover rápido, pesado, agressivo, com riffs marcantes, vocais insanos e parte rítmica direta. Mas agora sua música se mostra mais madura, e por mais que você possa perceber a influência de nomes como Nuclear Assault, D.R.I ou Anthrax, ela soa mais do que nunca como Municipal Waste. Vale destacar o trabalho das guitarras, que está simplesmente excelente, com riffs verdadeiramente viciantes.

Como de praxe, as canções são curtíssimas e nenhuma chega à casa dos 3 minutos. É um verdadeiro massacre musical. O álbum abre com a intensa e agressiva “Breathe Grease”, e tem continuidade com a sequência formada por “Enjoy The Night”, um Thrashcore brutal que dura menos de 1 minuto, e “Dingy Situations”. “Shrednecks” tem o poder de uma bomba de hidrogênio, com ótimos riffs e grande poder de destruição, enquanto em “Poison The Preacher” o lado Hardcore fala um pouco mais alto, com toda a sua energia e intensidade. O alto nível de qualidade se mantém em “Bourbon Discipline”, “Parole Violators” (que conta com a participação de Vinnie Stigma, do Agnostic Front, interpretando um policial), veloz e intensa e em “Slime And Punishment”, com uma levada mais cadenciada, mas sem perder a intensidade. A velocidade retorna com “Amateur Sketch” e “Excessive Celebration”, que vão direto ao ponto, soando bem diretas. “Low Tolerance” abre a sequência final de forma bem agressiva, sendo seguida pela ótima instrumental “Under The Waste Command”, por “Death Proof”, outra com momentos um pouco mais cadenciados e a ótima “Think Fast”, um crossover de 1ª categoria, que encerra o álbum com chave de ouro.


Gravado no Blaze of Torment Studios, com produção da própria banda, Slime And Punishment teve sua mixagem e masterização feitas por ninguém menos que Bill Metoyer. O resultado final foi ótimo, já que apesar da música soar bem old school, a produção não deixa que ela soe datada, dando à mesma um ar bem atual. A capa é   de autoria de Andrei Bouzikov, com layout do encarte feito por Marcelo Vasco. Ótimo trabalho de ambos.

Rápido, barulhento e agressivo. Eis aqui um resumo perfeito do que é Slime And Punishment. Eis aqui um CD para você afastar por completo os móveis da sala, bater cabeça freneticamente e moer por cada vértebra do pescoço.

NOTA: 8,5

Municipal Waste é:
- Tony Foresta (vocal);
- Ryan Waste (guitarra);
- Nick Poulos (guitarra);
- Landphil (baixo);
- Dave Witte (bateria).

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

R.I.V. – Welcome To Prog-Core (2016) (Demo)


R.I.V. – Welcome To Prog-Core (2016) (Demo)
(Independente – Nacional)


01. Headache
02. Animal
03. Freaks in Action
04. No...P.A.S.

O R.I.V., ou Rhythms In Violence, não é uma banda novata. Surgida em Minas Gerais ainda nos anos 80, durou até o ano de 1996, quando encerraram as atividades. Mas é aquela coisa, quando se é picado pela mosca azul do Metal, é difícil ficar afastado do mesmo. Eis que 20 anos depois, retornaram à ativa contando com 2 membros originais, Helbert de Sá (vocal) e Cláudio Freitas (guitarra), o baterista Ricardo Parreiras, que já havia tocado com a banda em sua primeira encarnação, e o baixista Rodrigo Boechat. E para marcar bem esse momento, optaram por lançar uma demo, intitulada Welcome To Prog-Core.

Prog-Core? O prezado leitor deve estar se perguntando o que seria isso, já que em um primeiro momento a mescla de Progressivo e Hardcore parece algo bem improvável. Por isso, confesso que foi com curiosidade que coloquei esse trabalho para tocar no som. Deparei-me então com uma sonoridade que mescla Crossover, Thrash, Hardcore e, sim, Progressivo, gerando assim uma música que confesso, não é das mais simples, já que possui um nível de complexidade um pouco acima da média, além de, claro, gerar uma sonoridade um tanto inusitada em alguns momentos.

Em primeiro lugar, temos aqui uma música pesada e agressiva, e quanto a isso não cabe discussão. Também não cabe contestar que o R.I.V. procura sair do lugar comum e buscar novas saídas para sua música, algo que deve ser visto de forma positiva. Em uma realidade onde quase todo mundo procura apenas emular nomes do passado, é legal ver alguém tentando soar diferente. Suas canções são muito bem trabalhadas, com muitas mudanças de tempo ocorrendo em espaços curtos, já que a música mais longa aqui não passa dos 3 minutos e 29 segundos, e bateria bem quebrada (olha o lado Prog aqui). Os vocais são agressivos e temos bons riffs, além de uma velocidade que aproxima sua sonoridade do Hardcore. 


Em resumo, não se trata de uma sonoridade de fácil digestão, e em alguns momentos, pode até soar um pouco confusa, precisando de um pouco mais de maturação. Nesse ponto, a produção um pouco deficitária tem total influência, já que em alguns momentos prejudica o trabalho do baixo e da bateria. Claro que essa linha mais crua e suja casa bem com a proposta sonora da banda, mas um pouco mais de clareza em todos os instrumentos ajudaria muito na compreensão. É um ajuste que vale a pena ser feito no trabalho vindouro da banda. Dentre as músicas aqui presentes, destacaria “Animal” (regravação de uma faixa antiga da banda) e “Freaks in Action”, que retratam bem a sonoridade do R.I.V. como um todo.

Cabe dizer que após a gravação desse trabalho, a formação foi alterada, e hoje conta com Helbert de Sá nos vocais e guitarra, Fabrício Soares no baixo e Ricardo Parreiras na bateria. É esse trio que está entrando em estúdio para a gravação do novo álbum, que será intitulado Progressive Core. Com alguns ajustes, definitivamente tem tudo para dar certo. Resta-nos agora esperar e ver se as expectativas por um bom trabalho se confirmam.

NOTA: 7,0

R.I.V. (gravação):
- Helbert de Sá (vocal);
- Cláudio Freitas (guitarra);
- Rodrigo Boechat (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria).

R.I.V. é:
- Helbert de Sá (vocal/guitarra);
- Fabrício Soares (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria)

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Tumulto - Conflitos Sociais (2016)


Tumulto - Conflitos Sociais (2016)
(Independente - Nacional)


01. Realidade
02. Massacrados
03. Corruptos
04. Conflitos Sociais
05. Humanidade Desumana
06. Sociedade é uma Prisão
07. Meu Filho (Cover Cambio Negro HC)
08. Desconstrução (Cover Ação Direta)
09. Medo (Cover Cólera)

Uma das coisas legais de se estudar história é que, através do passado, se acaba por entender muito do presente e até mesmo consegue-se evitar repetir certos erros, quando se tem a capacidade de aprender com os mesmos. Infelizmente, essa parte do aprendizado não faz parte do ser humano tanto assim. Veja o caso do Brasil: entre 91 e 92, passamos por um período conturbado, com denúncias de corrupção e impeachment de um Presidente. Muitos disseram que seria a moralização do país. Não foi, e 25 anos depois, passamos por um momento idêntico. Até o discurso de que o país vai se moralizar é o mesmo.

Pois foi em 1991 que surgiu em Foz do Iguaçu/PR o Tumulto, que na época investia no Punk/Hardcore. No ano seguinte, soltaram um Split junto com a banda Morthal, intitulado Conflitos Sociais, produzido por ninguém menos que o saudoso Rédson, vocalista e guitarrista do Cólera. A vida seguiu em frente, mudanças ocorreram, não só de formação como também de sonoridade, já que foram migrando gradativamente para o Heavy/Thrash. Mas o país infelizmente se manteve o mesmo, e dentro desse contexto, por que não revisitar o passado, os primórdios da banda?

Observando as letras, fica claro que nada mudou nos últimos 25 anos, tornando assim a regravação de Conflitos Sociais algo totalmente relevante. E foi isso que o trio formado pelo vocalista e guitarrista Germano Duarte, pelo baixista Rafael Feldman e o baterista Marcio Duarte (único integrante original) resolveu fazer. Mantendo o espírito de inconformismo original, conseguiram dar uma roupagem mais atual ao trabalho, e ainda de bônus, acrescentaram 3 covers que vão de encontro às suas raízes, “Meu Filho”, do Câmbio Negro HC, “Desconstrução”, do Ação Direta, e a mais que clássica “Medo”, do Cólera, um dos maiores hinos do Punk nacional.


Mesmo dando às antigas faixas uma roupagem que reflete sua sonoridade atual, a veia Punk/Hardcore das mesmas é inegável. Sendo assim, temos um típico Crossover, onde a energia do Punk se une ao peso e agressividade do Heavy/Thrash, gerando uma música simples, mas altamente raivosa e que vai te fazer bater cabeça do primeiro ao último segundo. Das 6 faixas originais, os destaques ficam por conta da pesada e insana “Realidade”, das empolgantes “Massacrados” e “Humanidade Desumana”, que não negam seu DNA e a intensa “Corruptos”, com suas boas melodias.

A produção, obviamente bem superior à original, ficou por conta de Emerson Pereira (Embrio), enquanto a mixagem e masterização foram feitas por Anderson Vieira. O resultado final ficou muito bom para a proposta sonora do Tumulto, soando bem orgânica e agressiva, mas clara e audível. A capa é uma releitura da original, feita por Elielcio Dreher, com um ótimo resultado. Normalmente, não sou muito fã de regravações, mas confesso que nesse caso, o resultado foi ótimo, já que finalmente as boas músicas do debut receberam o tratamento que mereciam. Agora é esperar o próximo álbum de inéditas, que já está sendo preparado. Se sua praia é o Thrash/Crossover, está aqui um álbum nacional que vai querer ter em sua coleção.

NOTA: 8,0

Tumulto é:
- Germano Duarte (vocal/guitarra);
- Rafael Feldman (baixo);
- Marcio Duarte (bateria).

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Ódio ao Extremo - Animal (2016)


Ódio ao Extremo - Animal (2016)
(Eternal Hatred Records - Nacional)


01. Kaos
02. Atentado Terrorista
03. Animal
04. Descartável
05. H’odeio
06. Palhaçada Generalizada
07. Merda
08. Na Real
09. Inverno Nuclear
10. Futuro do Brasil
11. Não!
12. Palestina
13. Nóia

Por um lado, o álbum de estreia do Ódio ao Extremo surpreende, já que a banda surgiu apenas em meados de 2012, mas já apresenta um trabalho altamente maduro. Já por outro, não surpreende em nada quando constatamos que a mesma vem da cidade de Lavras, no estado de Minas Gerais. E bem amigos, sabem como é, se a banda é mineira, tem 99,99% de possibilidade de ser muito boa. E bem, qualidade não falta aqui.

O quarteto mineiro não inventa e investe em um Crossover simplesmente brutal e sem espaço para enrolações. Talvez seja pelas letras em português e pelos ótimos vocais de João Mário, mas a primeira referência que vêm à cabeça durante a audição de Animal é o Ratos de Porão. Mas não pense que eles apenas emulam o som da banda de João Gordo e Cia, porque a coisa não é tão simples aqui. É possível, durante todo o trabalho, escutar reminiscências de nomes como D.R.I., Napalm Death, Exodus e muitos outros nomes. Desse caldeirão de influências, surge um som que faz jus ao adjetivo agressivo.


Totalmente direto, esse não é um trabalho indicado a pessoas de ouvido sensível, já que a brutalidade dá as caras durante toda a audição. Faixas como “Atentado Terrorista” e “Animal”, pendem mais para o Thrash e possuem até mesmo alguns toques de Grindcore, enquanto outras como “Descartável”, “Palestina” e “Nóia” pendem mais para o Hardcore. Vale também destacar a brutal “Merda” e a ótima “Futuro do Brasil”, tão caótica quanto nosso país.

A produção ficou a cargo de Celo Oliveira (Aneurose, The Black Rook, Traumer), assim como também a mixagem e a masterização, tudo realizado no Kolera Studios (RJ). Ficou com uma qualidade muito boa, mantendo a clareza dos instrumentos, que estão todos audíveis, mas sem tirar o peso, a agressividade e claro, aquela dose de sujeira necessária para tal proposta sonora. Já a bela parte gráfica ficou por conta de Marcus Lorenzet (Aneurose, Lothlöryen, Pagan Throne) da Artspell (www.artespell.net).

Tem ouvidos delicados e sensíveis? Então meu caro, passe longe do álbum de estreia do Odio ao Extremo, caso contrário poderá terminar com os ouvidos sangrando e claro, surdo. Uma das grandes revelações do Crossover nacional nos últimos anos.

NOTA: 8,0

Ódio ao Extremo é:
- João Mário (vocal);
- Samuel (guitarra);
- Bruno (baixo);
- Hauny (bateria).

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

D.I.E. – II (2016) (EP)


D.I.E. – II (2016) (EP)
(Independente – Nacional)


01. Truth Like Yourself
02. Religion
03. Space to Destroy
04. Lost

Eis que 4 anos após seu EP de estreia I, o D.I.E., banda oriunda de Botucatu/SP, volta à carga com seu segundo trabalho no mesmo formato. E bem, podemos dizer que esse tempo foi muito positivo para o desenvolvimento de sua sonoridade. Nesse intervalo o seu Crossover amadureceu e angariou novas influências, se tornando mais maduro e principalmente coeso, técnico e diversificado.

Mesclando Thrash, Groove e Hardcore, sua sonoridade possui uma pegada bem moderna e feita sob medida para agradar a fãs de nomes como Hatebreed e afins, assim como também os que curtem a fase atual do Sepultura. Os vocais de Charles Guerreiro transbordam agressividade e ódio, algo que também pode ser observado no trabalho de guitarra de Hell Hound, que despeja um riffs mais feroz que o outro em nossos ouvidos. Já a parte rítmica, com o baixista Roger Vorhees e o baterista Mortiz Carrasco, mostra técnica de sobra, além de muita variedade.

Já na abertura, temos a pesada e agressiva “Truth Like Yourself”, com alguns dos riffs mais grudentos que escutei nesse ano vindos de uma banda nacional. Com uma pegada bem moderna e um refrão empolgante, é sem dúvida um dos destaques aqui. Já a faixa seguinte, “Religion”, explicita mais o lado mais Hardcore do D.I.E., sendo curta, grossa e impiedosa. “Space to Destroy” é digamos, o momento experimental do trabalho, já que ultrapassa em muito os 5 minutos de duração, sendo mais cadenciada e sombria. É onde mostram toda a sua versatilidade e capacidade de fazer boa música. Já o encerramento se dá com “Lost”, outra com pegada bem moderna e que pende para aquele Thrash/Groove no melhor estilo do Pantera.

Gravado no Odioground Studios, o trabalho teve a produção da banda em parceria com Fabiano Gil e Umberto Buldrini. O resultado final ficou muito bom e nada fica devendo se comparado a muitas produções vindas lá de fora. Já a capa ficou a cargo de Thiago D’Angelo.

Qual o maior pecado de II? Durar pouco mais de 13 minutos e te obrigar a deixar o EP no modo repeat. Sinal que já está na hora de finalmente lançarem um CD completo.

NOTA: 8,5

D.I.E. é:
- Charles Guerreiro (vocal);
- Hell Hound (guitarra);
- Roger Vorhees (baixo);
- Mortiz Carrasco (bateria).

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Hatebreed - The Concrete Confessional (2016)


Hatebreed- The Concrete Confessional (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast)


01. A.D.
02. Looking Down the Barrel of Today
03. Seven Enemies
04. In the Walls
05. From Grace We've Fallen
06. Us Against Us
07. Something's Off
08. Remember When
09. Slaughtered in Their Dreams
10. The Apex Within
11. Walking the Knife
12. Dissonance
13. Serve Your Masters

A linha que separa o Thrash Metal e o Hardcore sempre foi muito tênue na música do Hatebreed, o que acabou fazendo com que a banda conquistasse um público fiel em ambos os estilos. E se existirem quaisquer dúvidas sobre suas raízes, basta uma audição no CD de covers For The Lions (09), onde deixam muito bem explicitadas suas influências. Thrash, Groove, Death Metal e New York Hardcore, tudo isso pode ser encontrado em boas doses na sua sonoridade.

Em The Concrete Confessional, o Hatebreed como de praxe, não inventa e se mantém dentro da fórmula que criou para o seu som. Claro, adicionam algo aqui e ali, mas nada drástico e que mude sua sonoridade de forma profunda. São fiéis a seu estilo. Sendo assim, se você já é fã da banda, não irá se decepcionar, mas se não curte, não vai ser com esse trabalho que passará a apreciar seu som.

Os vocais fortes e enérgicos de Jamey Jasta continuam firmes e fortes, assim como suas letras que mesclam justiça social com um discurso positivo. Essa “positividade agressiva” é um dos seus grandes diferenciais, e deixam bem explícitas as raízes Punk/Hardcore da banda. As guitarras de Frank Novinec e Wayne Lozinak são responsáveis por riffs que soam agressivos e ao mesmo tempo conseguem cativar o ouvinte, enquanto Chris Beattie (baixo) e Matt Byrne (bateria) formam uma parte rítmica bem pesada e diversificada. Aliás, Matt é sem dúvida um dos grandes destaques aqui, pela variação que consegue dar a seu trabalho.

Com músicas rápidas (são 13 em pouco mais de 30 minutos) e duras, o Hatebreed deixa transparecer claramente suas influências e em muitos momentos, passagens podem te remeter a nomes como Slayer, Metallica, Pantera, Agnostic Front, Cro-Mags ou Madball. Aponto como minhas preferidas aqui, “A.D.”, “Looking Down the Barrel of Today”, “Seven Enemies”, “Us Against Us”, “Something's Off”, “The Apex Within”, “Walking the Knife” e “Serve Your Masters”.

A produção ficou a cargo de Zeuss, também responsável pela masterização, enquanto a mixagem foi realizada por Josh Wilbur. A qualidade dispensa comentários. O que também dispensa comentários é a parte gráfica, toda a cargo de Marcelo Vasco. Mais um belo trabalho do brasileiro.

Espancando ouvidos e moendo pescoços, o Hatebreed se mostra em sua melhor fase. The Concrete Confessional é um álbum que tem tudo para se juntar a clássicos da banda como Satisfaction in the Death of Desire (97) e Perseverance (02), se vai conseguir isso, o tempo dirá. Certamente um dos grandes destaques de 2016.

NOTA: 8,5

Hatebreed é:
-  Jamey Jasta (vocal)
-  Frank Novinec (guitarra)
- Wayne Lozinak (guitarra)
- Chris Beattie (baixo)
- Matt Byrne (bateria)

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Misconducters – Boundless (2015)


Misconducters – Boundless (2015)
(Music Reunion/Terceiro Mundo Chaos/Bagaça Records/Denfire Music) 

01. The Game 
02. Class Of’ 84 
03. Pave The Way 
04. Hunter and Pray 
05. Boundless 
06. Plain Conditioning 
07. Lurch 

 O Misconducters foi formado no ano de 2008, por músicos brasileiros radicados em Londres e desde então lançaram alguns EP’s e Cd’s, sendo Boundless seu terceiro trabalho completo de estúdio. O trio, aqui formado por Den (Vocal/Guitarra), Brisa (Baixo) e Vitão (Bateria), aposta em um som que mescla estilos como Thrash, Punk, Hardcore e Heavy Metal e que acaba por apresentar resultados bem interessantes. 

Uma coisa que me chamou muito a atenção aqui é que apesar de sua sonoridade ser bem crua e bruta, os caras conseguem inserir momentos bem técnicos e intrincados em suas composições, com passagens mais quebradas e variações de ritmo, dando assim um bom diferencial a sua música. Os vocais pendem mais para o Hardcore e soam bem enérgicos, e a guitarra faz um ótimo trabalho, apresentando alguns riffs bem fortes e interessantes. Já a parte rítmica se mostra bastante técnica e como já dito, muito variada. Os refrãos também são bem marcantes e observamos bons backings.

São apenas 7 faixas e que passam voando, sem que ao menos você se dê conta de tal fato e os destaques ficam por conta de “The Game”, “Class Of’ 84”, “Hunter and Pray” e “Plain Conditioning”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Ivan Pellicciotti e de Den, ficando crua, como o som da banda pede, mas sem grandes exageros. Já a capa foi obra de Nejron. Com uma música bem trabalhada e pesada, o Misconducters certamente irá agradar em cheio aos fãs de uma música bruta e intensa, mas bem trabalhada. 

NOTA: 8,0

Misconducters é: 
- Dan (Vocal/Guitarra) 
- Brisa (Baixo) 
- Vitão (Bateria)


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Project Black Pantera – Project Black Pantera (2015)




Project Black Pantera – Project Black Pantera (2015)
(Independente – Nacional)

01. Boto Pra Fuder
02. Ratatatá
03. Godzila
04. Eu sei
05. Rede Social
06. Abre a roda e senta o pé
07. Execução na Av. 38
08. Manifestação
09. Ressurreição
10. Escravos
Bônus:
11. Manifastation
12. Execução na Av. 38 feat. J. Cole (Mix by Afropunk)

A capacidade que Minas Gerais possui de gerar bons nomes para a música pesada é algo que realmente impressiona. Eu poderia fazer como de praxe e citar uma lista vasta de bandas em todas as vertentes do Metal que surgiram por esses lados, mas para tal eu iria precisar de uma resenha apenas para isso. Fora que isso é chover no molhado.

Outra coisa que impressiona é esse debut do Project Black Pantera, principalmente quando você descobre que a banda foi fundada apenas em 2014. Se enveredando pelos lados do Thrash/Crossover, o trio oriundo de Uberaba mostra coesão e maturidade dignas de bandas veteranas da cena. Aqui não tem espaço para qualquer tipo de enrolação e o prezado ouvinte vai se deparar com uma música direta e carregada de energia. Então, se você quer firulas e demonstrações explicitas de virtuosismo, recomendo escutar um álbum do Dream Theater (sem querer desmerecer esse de forma alguma).

Mas não pense que por isso falta técnica ao trio formado por Charles Gama (Vocal/Guitarra), Chaene Gama (Baixo) e Rodrigo Pancho (Bateria), pois é justamente o contrário. Isso eles possuem de sobra, apenas sabem como usar isso em prol da música. Os vocais de Charles são bem agressivos e casam perfeitamente com o estilo adotado pela banda e com as letras, todas em português e que se mostram bem fortes. Já nas guitarras, o mesmo despeja ótimos riffs e abusa do peso. Na parte rítmica, Chaene se mostra um puta baixista, se destacando em diversos momentos, enquanto Rodrigo não fica atrás e detona tudo com seu kit de bateria.

As composições aqui presentes são empolgantes e carregadas de energia e intensidade e aponto como maiores destaques, “Boto Pra Fuder”, “Ratatá”, “Eu Sei”, “Abre a roda e senta o pé” e “Escravos”. Mas de forma alguma isso significa que as não citadas sejam ruins, já que possuem qualidade de sobra.

Com um trabalho de estreia intenso e impactante, o Project Black Pantera faz como na faixa de abertura e chega botando pra foder, impressionando por ser capaz de em tão pouco tempo, produzir música com tamanha qualidade. Não acredita? Procure conhecer o trabalho desses mineiros. Já estava com minha lista de melhores nacionais de 2015 fechada, mas depois de escutar esse álbum, mudanças serão necessárias. Talvez a maior revelação brasileira de 2015!

NOTA: 9,0

Project Black Pantera é:

- Charles Gama (Vocal/Guitarra)
- Chaene Gama (Baixo)
- Rodrigo Pancho (Bateria)