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sábado, 5 de outubro de 2019

Blasphematorium - Blasphematorium (2019)


Blasphematorium - Blasphematorium (2019)
(Tales From The Pit Records/Your Poison Records/Violent Records/Steel Sword Records/Tevas Nascemos Distro/Underground Voice Records/Totem Records)


01. The Four Horsemen
02. Monolith to Foolishness
03. Decay of Men
04. Found in the Dark
05. Fornication Be Thy Name
06. The Blasphematorium
07. The Dark Council

Em um mundo cada vez mais midiático, existem artistas que optam por manter suas identidades ou rostos em segredo. Talvez o maior exemplo disso, atualmente, seja Banksy. No meio da música, isso nunca foi novidade, já que no passado, nomes como Kiss e Daft Punk, e mais recentemente, o Slipknot, se utilizaram por um tempo desse estratagema. Marketing, uma forma de focar apenas na arte, um ato de resistência em uma realidade recheada de subcelebridades, ou simples escolha artística? Não existe uma resposta exata para tal fato. Onde quero chegar com isso tudo? Surgido no ano de 2018, em São Paulo, o Blasphematorium é mais um nome que opta pelo anonimato, já que seus músicos não só escondem seus nomes por detrás de pseudônimos, como também seus rostos são um mistério.

Musicalmente, sua sonoridade é muito bem definida, e remete diretamente ao que convencionou-se chamar de 1ª geração do Black Metal, ou seja, aquelas bandas que mesclavam estilos como o Heavy Tradicional e o Speed Metal, usando de uma estética anticristã. O resultado é uma música veloz, abrasiva e muito pesada, com vocais mais urrados, guitarras com riffs ríspidos, um baixo marcante e uma bateria muito boa. Além disso, elementos daquele Doom mais épico e tradicional, que remetem diretamente ao Cirith Ungol, podem ser observados, e ajudam a, em muitos momentos, criar um clima mais sombrio. Em si, o Blasphematorium não apresenta uma sonoridade inovadora, mas consegue ter uma identidade própria, não soando como simples cópia de bandas mais consagradas no estilo.


O ataque começa com a apocalíptica “The Four Horsemen”, com claras influências de Metal Tradicional, riffs ríspidos e um belo trabalho da dupla baixo/bateria. “Monolith to Foolishness” é mais cadenciada e possui aqueles riffs cavalgados, bem típicos dos anos 80, além de soar bem sombria, muito pelo belo trabalho vocal. O solo, bem melódico, é outro ponto de destaque e serve de contraponto para a abrasividade das guitarras. “Decay of Men” é outra onde as melodias Heavy se destacam, com ótimos riffs, bases pesadas e um baixo marcante. “Found in the Dark” apresenta guitarras bem ríspidas, além de boas mudanças de tempo, com destaque para as passagens mais cadenciadas, que dão a canção uma aura mais escura. “Fornication Be Thy Name” tem uma pegada bem Metal Tradicional, por mais que trechos mais arrastados tragam um peso maior para a mesma, e entrega não só boas melodias, como também um ótimo solo, sendo seguido pela igualmente melódica “The Blasphematorium”, com seu ótimo trabalho de guitarra. São quase irmãs gêmeas. Encerrando, a arrastada e opressiva “The Dark Council” traz o foco para aquele Doom mais épico.

A produção está totalmente dentro do padrão esperado para a proposta sonora apresentada, já que apesar de deixar os instrumentos bem audíveis, possui a crueza e a aura impura e blasfêmica que a música pede. Isso também pode ser notado na capa, que deixa bem escancarada o que pretendem passar com suas canções. O Blasphematorium não apresenta nenhuma inovação sonora, mas esse em momento algum é o foco da banda, e isso não têm absolutamente nada de errado. Sua maior qualidade é, como já citado, possuir personalidade, já que por mais que em muitos momentos suas influências possam ser notadas, de forma alguma soam como cópia ou emulação. Ríspido, cru e agressivo, foram buscar inspiração nos primórdios do Black Metal, e acabaram por lançar um dos trabalhos nacionais mais legais de 2019.

NOTA: 88

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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Axecuter - A Night of Axecution (2018)


Axecuter - A Night of Axecution (2018)
(Mindscrape Music - Nacional)


01. Intro
02. Attack
03. Raise the Axe
04. Creatures in Disguise – melodias cativantes
05. The Axecuter – forte e enérgica
06. No God, No Devil (Worship Metal)
07. Bangers Prevail – bons riffs
08. Missão Metal (Flageladör cover)
09. Creatures in Disguise (Official Video Clip)

Olha, vamos ser sinceros, o revival pela qual passou o Metal oitentista rendeu muita coisa chata. E se digo isso não é por não gostar do estilo, já que é justamente o contrário, ele foi a base sobre a qual construí todo o meu gosto musical. Se não fosse pelo mesmo, eu provavelmente não estaria aqui escrevendo essa resenha. Mas existem aquelas bandas que fazem tal movimento valer a pena, e esse é o caso dos curitibanos do Axecuter, surgido no ano de 2010 e que em seu currículo, possui um full, Metal Is Invincible (13) e uma infinidade de EP’s e Splits.

Quem já conhece o Axecuter sabe bem o que esperar. Uma viagem musical ao Metal dos anos 80, com uma mescla de Heavy, Thrash e Speed que prima muito pelo peso e agressividade. A base de seu som se aproxima muito daquela sonoridade europeia de bandas como Venon, Sodom, Destruction e Celtic Frost, mas com algo de nomes do outro lado do Atlântico, como Exciter, Razor e afins. Os vocais de Danmented estão mais agressivos do que nunca, enquanto sua guitarra despeja riffs cortantes. O baixo de Rascal e a bateria de Verdani formam uma parte rítmica que prima não só por ser muito coesa, mas também por impor o peso das canções.


Gravado em 12 de maio de 2017, no 92 graus The Underground Pub, A Night of Axecution é um desses álbuns ao vivo que transbordam honestidade. Isso é visível a cada nota tocada pelo Power Trio, fora o fato que conseguem soar ainda mais agressivos do que em estúdio, o que acaba sendo muito positivo. É muito difícil para um fã de Metal oitentista não se empolgar com a intensidade e a crueza de músicas como “Raise the Axe”, a cativante “Creatures in Disguise”, “No God, No Devil (Worship Metal)”, um verdadeiro hino, ou a espetacular “Bangers Prevail”. O maior pecado aqui é a curta duração do álbum. Descontando-se a Intro, são apenas 6 canções retiradas do show, que acabam nos deixando com aquele gosto de quero mais. Para complementar, ainda temos um cover para “Missão Metal”, do Flageladör, que ficou muito legal, e o vídeo para “Creatures in Disguise”.

A produção ficou a cargo de Maiko Thomé e soa crua, mas na medida certa, sem exageros. Conseguiu aliar organicidade com clareza. O único porém fica com relação à captação do público, que você quase não escuta, mesmo a banda interagindo bastante com o mesmo. Já a capa foi obra de Mano Mutilated, e tem toda aquela aura dos anos 80, assim como também o encarte, que teve seu design feito por Tersis Zonato. Executando com perfeição sua proposta, e transbordando paixão pelo Metal, o Axecuter acerta em cheio com A Night of Axecution. É para afastar os móveis e sair batendo cabeça pela sala.

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Battalion – Tyrant of Evil (2015) (EP)




Battalion – Tyrant of Evil (2015) (EP)
(Kill Again Records – Nacional)

01. Tyrant of Evil
02. Hell Razor
03. Battalion of Metal
04. Valley of the Dead
05. Fighting for the Glory
06. Final Battle
07. Soldiers from the Shadows

Vindo de Itajaí/SC, o Battalion é um dos nomes mais legais surgidos no Brasil nesses últimos anos. Fazendo um som enérgico, honesto e oitentista até o talo, chamaram a atenção pelo seu ótimo debut, Empire Of The Dead, lançado em 2013 e agora resurgem na cena com esse EP, composto de duas faixas inéditas e a demo Battalion (07) de bônus (inclusive, algumas deixas faixas estão presentes em seu álbum de estréia).

Aqui não tem erro, pois temos aquela mescla já conhecida de NWOBHM, Speed e Thrash Metal que marcou a estréia, carregada de energia, agressividade, velocidade, com os vocais marcantes de Marcelo Fagundes (que também faz um belo trabalho no Baixo), riffs pesados e bons solos de Álvaro Santana, além de uma bateria firme e pesada a cargo de Fabiano Barbosa. Nada tem muito polimento e encontramos uma agradável crueza, algo que soa até refrescante meio a música muitas vezes plastificada que escutamos hoje. E o melhor de tudo, nada aqui soa forçado, pois a paixão pelo estilo fica evidente a cada nota tocada.

Sinceramente, em um trabalho tão legal assim, fica até complicado destacar faixas sem acabar soando injusto. Ainda sim, vamos lá. Desafio você, prezado leitor, a escutar músicas como “Tyrant of Evil”, “Hell Razor”, “Battalion of Metal”, “Fighting for the Glory” ou “Final Battle” e não sair batendo cabeça pela sala, com direito a entrar em um mosh imaginário.

A produção aqui é obviamente crua, já que a música do Battalion pede obrigatoriamente isso e ficou por conta de André Fabian (Steel Warrior, Fuzilador, Frade Negro). Vai remeter diretamente a produções oitentistas, assim como também a capa desse trabalho, novamente obra do baterista Fabiano Barbosa. Levando o ouvinte a mergulhar em uma verdadeira viagem no tempo, o Battalion nos transporta novamente a década de 80, sem precisar inventar e fazendo o básico que muitas bandas por ai simplesmente esqueceram como fazer. Um álbum desses para você colocar o volume no talo e ficar sem pescoço!

NOTA: 9,0

Battalion é:

- Marcelo Fagundes (Vocal/Baixo)
- Álvaro Santana (Guitarra)
- Fabiano Barbosa (Bateria)