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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SIOD - esSIODio (2016)


SIOD - esSIODio (2016)
(Independente - Nacional)


01. Maldade
02. Traumatismo Moral
03. esSIODio
04. Paranóia
05. Buraco da Fé
06. Coragem Amigo
07. Não Tira Não
08. Cercado de Vermes

"Os poetas malditos do ódio" - é dessa forma que o release enviado para a imprensa define o SIOD, trio surgido no ano de 2013 e oriundo de Avaré/SP. O próprio nome da banda é derivado de “esse ódio” e definem seu estilo como Hate Metal. E sinceramente, após ouvir seu debut, fica difícil não concordar com a afirmação inicial, já que as letras versam justamente sobre tal sentimento, o ódio. Mas o melhor de tudo é que a temática lírica reflete também na parte musical.

Em matéria de sonoridade, é muito difícil rotular a música executada pelo SIOD. Poderíamos chamar o que aqui escutamos de Crossover, mas, ao mesmo tempo, seu som não se enquadra no que normalmente imaginamos para o estilo. Só é possível enquadrá-la dessa forma porque são mais do que perceptíveis os elementos de Stoner, Groove, do Hardcore e Punk em suas canções. O resultado disso é um trabalho muito diversificado, pesado e obviamente, agressivo. A energia que emana de cada uma das 8 faixas aqui presentes realmente impressiona.


Umberto Buldrini (vocal/guitarra), Fabiano Gil (baixo) e André Silva (bateria) não inventam e procuram fazer sua música do jeito mais direto, simples e pesado possível. Exemplos disso se fazem presentes em faixas como “Traumatismo Moral”, com uma pegada mais Stoner, pesada e com ótimos vocais de Umberto, “esSIODio”, com ótimos riffs e uma bateria destruidora, “Buraco da Fé”, mais puxada para o Groove, com ótimas melodias e letra muito forte, características também presentes em “Coragem Amigo”.

A gravação, produção, masterização e mixagem ficaram a cargo de Umberto e Fabiano. Produtores experientes que são, conseguiram deixar a sujeira, crueza e agressividade necessárias à música do SIOD, mas sem abrir mão da clareza dos instrumentos. Casou perfeitamente com a sonoridade. Já a capa e o trabalho gráfico foram obra de Vinícius Quesada, com todo material embalado em um digipack simples, mas caprichado.

Com uma sonoridade difícil de rotular, mas bruta, pesada e transbordando ódio por todos os poros, o SIOD estreia com o pé direito, apresentando um debut que tem tudo para agradar os apreciadores de boa música. E na falta de palavras melhores, encerro a resenha da mesma forma que o release da banda. “Ame-os ou odeie-os, os poetas malditos vieram para ficar!”.

NOTA: 8,0

SIOD é:
- Umberto Buldrini (vocal/guitarra)
- Fabiano Gil (baixo)
- André Silva (bateria)

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Melanie Klain – Análise do Caos (2016)


Melanie Klain – Análise do Caos (2016)
(Independente – Nacional)


01. Intro (Desrespeitável Público)
02. Abençoados por Deus
03. Diálogo
04. Fé Cega
05. Guerra
06. Marcas do Abandono
07. Lavagem Cerebral
08. Cartas de um Suicida
09. Cólera/Nação
10. Rede Social
11. Análise do Caos
12. Reflexão

Olha, lhes digo que uma das partes mais legais de se “escrevinhar” resenhas se dá quando uma banda que desconhecemos nos surpreende. A Melanie Klain, banda surgida na cidade de Mococa/SP no ano de 2007, já havia despertado minha atenção no Vol. 7 da coletânea do programa Roadie Metal, mas ainda assim não esperava me deparar com tamanha qualidade ao colocar seu debut, Análise do Caos, para rodar no meu aparelho de som.

Seu som é bem moderno, mesclando influências de Thrash/Groove Metal, Hardcore e Modern Metal, algo como se o Dr. Frankenstein resolvesse formar uma banda unindo partes do System Of A Down, uma banda de Hardcore NY e o Pantera. Isso a grosso modo, já que o quinteto mostra muita personalidade, dando à sua música uma cara bem própria. Esbanjando técnica e variedade, sua música não é muito de se prender a rótulos, o que acaba sendo muito positivo para a banda. Chamam a atenção também as letras, todas em português, muito fortes, bem contestatórias mesmo, escancarando as mazelas do nosso país.

Os vocais de Duzinho são excelentes e ele consegue impor grande variedade vocal ao trabalho, sendo um dos grandes destaques do álbum. A dupla formada por Violla e Chapolin esbanja qualidade nas guitarras, não só através de ótimas linhas e riffs, como também pelos solos. Já a baixista Vick e o baterista Pedro formam uma parte rítmica muito técnica e diversificada, além de muito pesada.

Destaques aqui não faltam, como por exemplo, a ótima “Abençoados por Deus”, bem pesada, variada e com boas mudanças de andamento, características presentes também em “Diálogo”. “Fé Cega” é outra porrada certeira, com destaque para Duzinho e em “Guerra” você pode observar com bastante clareza as influências de Hardcore no som do Melanie Klain. Não posso esquecer também da agressiva “Lavagem Cerebral”, um Thrashcore de refrão grudento, pegada moderna e simplesmente impiedoso, desses de entortar pescoços alheios.

Gravado no SeteStudio e tendo a produção sido feita pela banda em parceria com Fabio Dias, o resultado final foi muito positivo, já que apesar da clareza de todos os instrumentos, o peso e a agressividade se fazem mais do que presentes. A parte gráfica é muito bem bolada, com ilustrações por Carol Melo Navarro, e direção de arte e design de Paulo Jr.

Criativo, inteligente, com muita identidade, sem medo de experimentar e apresentando canções diversificadas e cheias de mudanças de andamento (o que evita que se tornem cansativas), a Melanie Klain se mostra uma das bandas mais promissoras do atual cenário nacional. Se você tem a cabeça mais aberta para sonoridades modernas dentro do Metal, tem a obrigação moral de correr atrás de Análise do Caos.

NOTA: 8,5

Melanie Klain é:
- Duzinho (vocal);
- Violla (guitarra);
- Chapolin (guitarra);
- Vick (baixo);
- Pedro (bateria).

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sunrunner – Heliodromus (2015)


Sunrunner – Heliodromus (2015)
(Minotauro Records – Importado)


01. Dies Natalis Soli Invicti
02. Keepers of the Rite
03. Corax
04. The Horizon Speaks
05. Star Messenger
06. The Plummet
07. Technology’s Luster
08. Passage
09. Heliodromus

Uma das coisas mais legais a respeito do que faço no A Música Continua a Mesma é ter a oportunidade de estar sempre conhecendo bandas novas, muitas dessas com as quais não teria contato em outras circunstâncias. O trio, oriundo da cidade americana de Portland, se envereda principalmente pelo caminho do Prog Metal, mas a verdade é que rotular a música do grupo é uma tarefa complicada.

Ao contrário do que a maioria pode imaginar, o Sunrunner não procura se prender ao esquema adotado por bandas que seguem a linha Dream Theater/Symphony X, já que em sua música podemos encontrar doses generosas de Rock Progressivo, Classic Rock e Metal Tradicional. Então não se surpreenda ao notar ecos de nomes como Yes e Black Sabbath durante a audição de Heliodromus.

Claro que a técnica se encontra presente, mas ela não é o foco principal da música, algo que muitas bandas do estilo deveriam aprender, com o peso e a variedade surgindo o tempo todo nas 9 canções que compõem esse que é o terceiro álbum do trio. Os vocais de David Joy soam muito agradáveis, além do mesmo executar um belo trabalho no baixo, enquanto os riffs de Joe Martignetti conseguem mesclar Progressivo, NWOBHM e uma saudável influência de Black Sabbath. Já Ted MacInnes consegue impor técnica e diversidade na bateria. Vale destacar também alguns arranjos bem interessantes de flauta, violino, percussão e guitarra braguesa, que acabam por trazer elementos de Folk à música do trio, soando como um diferencial a mais. Os grandes destaques ficam por conta de “Keepers of the Rite”, “Corax’, ‘The Horizon Speaks”, "
Star Messenger", “Technology’s Luster” e a épica “Heliodromus”.

A produção é muito bem-feita e fugiu dessa coisa engessada e limpa em excesso dos dias atuais, tendo soado bem orgânica, tornando o álbum ainda mais interessante. Se quer conhecer uma banda de Heavy/Prog que procura sair do lugar-comum, o Sunrunner é uma ótima opção. Belo trabalho!

Ah, e vale dizer que você pode escutar  Heliodromus no Bandcamp da banda  e a mesma estará no Brasil agora em agosto, realizando 4 apresentações, então chances para conhecer o trabalho do trio não vão faltar.

NOTA: 8,0

Sunrunner é:
- David Joy (vocal/baixo)
- Joe Martignetti (guitarra elétrica/guitarra acústica/bouzouki/flauta)
- Ted MacInnes (bateria/percussão)

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Katatonia – The Fall of Hearts (2016)


Katatonia – The Fall of Hearts (2016)
(Peaceville – Importado)


01. Takeover
02. Serein
03. Old Heart Falls
04. Decima
05. Sanction
06. Residual
07. Serac
08. Last Song Before The Fade
09. Shifts
10. The Night Subscriber
11. Pale Flag
12. Passer

Minha fala soará radical, mas os clássicos do Katatonia para mim sempre serão Dance Of December Souls (93) e Brave Murder Day (96). Por mais que os suecos tenham lançado material de qualidade inquestionável após esses trabalhos, sua fase inicial sempre será imbatível para mim. Mas, ao contrário do que minha fala pode transparecer, as mudanças ocorridas na sonoridade da banda desde seu surgimento nunca me causaram incômodo.

Por mais que tais mudanças tenham ocorrido, elas foram graduais, trabalho a trabalho, sem grandes rupturas que pudessem chocar e afastar os fãs. Algo bem similar ao que ocorreu com o Opeth, banda com a qual o Katatonia possui uma forte ligação. Fora isso, o item essencial de sua música foi mantido, a essência melancólica e sombria de suas canções. Se musicalmente o Katatonia de The Fall of Hearts em nada tem a ver com o de Dance, a melancolia encontrada em um continua sendo encontrada no outro.

Sim, esse é um trabalho mais acessível, isso é inegável, assim como também isso não significa que os suecos abriram mão do peso. O trabalho das guitarras, feito por Nyström e Renkse é muito bom, equilibrando muito bem passagens mais atmosféricas com riffs mais pesados. Pendendo mais para o progressivo, com algumas passagens acústicas, rende momentos muito agradáveis, emocionais e profundos, mas como já dito lá em cima, mantendo o clima melancólico e sombrio inerente à sua identidade.

Além do ótimo trabalho das guitarras, não podemos deixar de citar que os vocais de Jonas estão primorosos e agradabilíssimos de se ouvir, se encaixando perfeitamente na proposta da banda. Niklas Sandin e Daniel Moilanen também estão muito bem na parte rítmica, dando consistência, coesão e variedade às canções. The Fall of Hearts ainda contou com as participações de JP Asplund, que já toca ao vivo com a banda, na percussão e Roger Öjersson nos solos de “Takeover”, “Serac” e “Passer”, sendo que após a gravação o mesmo acabou sendo efetivado no Katatonia.

Dentre as canções aqui presentes, aponto como maiores destaques, “Takeover”, “Serein”, “Old Heart Falls”, “Residual”, “Serac”, “Shifts”, “The Night Subscriber” e “Passer”.

A produção, realizada por Nyström e Renkse, com mixagem e masterização do onipresente Jens Bogren, ficou simplesmente primorosa, com ótimos timbres e a clareza que a música pede. Já a capa é um belo trabalho de Travis Smith. Não vou negar que The Fall of Hearts é um trabalho carregado de detalhes, o que acaba denotando a necessidade de audições mais atentas, não sendo daqueles álbuns que você já pega de primeira (eu mesmo precisei desse tempo para resenhá-lo), crescendo com o passar do tempo, mas ainda sim é bem sólido e de sua maneira, consegue fluir bem. Certamente, um dos destaques desse ano de 2016.

NOTA: 8,5

Katatonia (Gravação)
- Jonas Renkse (vocal, guitarra, bateria, teclado e programação)
- Anders Nyström (guitarra, baixo, teclado, programação e backing vocals)
- Niklas Sandin (baixo)
- Daniel Moilanen (bateria)
Convidados
- Roger Öjersson (solos nas faixas 1, 7 e 12)
- JP Asplund (percussão)

Katatonia é:
- Jonas Renkse (vocal)
- Anders Nyström (guitarra)
- Roger Öjersson (guitarra)
- Niklas Sandin (baixo)
- Daniel Moilanen (bateria)

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Underworld Secret - An End To Begin (2015)

 
Underworld Secret - An End To Begin (2015)
(Independente - Nacional)


01. No Pity And No Mercy
02. An End to Begin
03. Slaves of Society
04. Army of Illusion
05. The Madhouse
06. Tears

Quando me deparo com um trabalho como o dos catarinenses do Underworld Secret, me sinto um verdadeiro dinossauro do Metal. Isso porque sou de uma época em que por mais que bandas de qualidade surgissem por todos os lados, elas demoravam muito tempo para conseguir registrar algum material de estúdio, isso quando conseguiam. Muitas sequer uma demo mal produzida conseguiram deixar de legado.

Mas sabe o que é mais engraçado? É que essa realidade mudou há muito pouco tempo, com o avanço de tecnologias na década passada, que acabaram por facilitar o processo de gravação. Menos mau, pois assim já não me sinto tão velho. Mas bem, deixemos essas divagações de lado e vamos ao que realmente interessa.

O Underworld Secret é uma banda absurdamente nova, pois surgiu apenas em Março de 2015 e pasmem, vejam só, poucos meses depois de fundada já estava com An End To Begin, seu EP de estréia, gravado, prensado e sendo distribuído Brasil afora. Vantagens de se viver na era digital. E podemos dizer que sua música é um retrato do mundo onde vivemos, já que apresentam um Metal moderno, que mescla influências diversas.

Podemos encontrar na sonoridade do UWS ecos de Heavy Tradicional, Prog Metal, Thrash e até mesmo algumas melodias típicas do Gothenburg Sound. A grande sacada dos catarinenses é justamente conseguir pegar essas referências clássicas e conseguir dar a elas uma roupagem moderna, evitando assim que suas músicas soem datadas ou requentadas. Encontramos vocais de qualidade, guitarras que além de despejar alguns bons riffs, são responsáveis por ótimas bases e por solos bem interessantes e uma parte rítmica que se mostra técnica, pesada e variada.

Das 6 canções aqui presentes, aponto como minhas preferidas “No Pity And No Mercy”, “An End to Begin” e “Army of Illusion”. Mas vale resaltar que as demais também possuem qualidades. A produção foi realizada por Victor Gonçalves no Pé do Morro Studio, com a mixagem e masterização sido feitas no VOID Studio. Já a capa foi obra de Jéssica C. Oliveira.

Mostrando uma maturidade surpreendente para uma banda com tão pouco tempo, o Underworld Secret demonstra muito potencial em sua estréia e certamente vai agradar aos fãs do estilos citados acima. Um nome para se observar de perto nos próximos anos. E aos interessados, o EP esta disponível para download no site da banda.

NOTA: 8,0

Underworld Secret é:
- Brasil Maciel (Vocal)
- Marcelo Barros (Guitarra)
- Rafael Scarpari (Guitarra)
- Victor Gonçalves (Baixo)
- Julian Valeriano (Bateria)

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Rebotte - Insurgência (2016)


Rebotte - Insurgência (2016)
(Independente - Nacional)


01.Insurgência
02. Cicatrizes
03. Discórdia
04. Amanhecer
05. Existência

Surgido em 2013, pelas mãos da vocalista Livia Almeida e da baterista Ellen War, o paulistano Rebotte trabalhou sem parar nesse período, divulgando seu trabalho e correndo atrás de shows dentro da cena independente. O resultado de toda essa luta tomou forma através de seu EP de estréia, Insurgência, composto de 5 faixas, sendo uma delas uma breve introdução. Confesso que ao receber esse material, o coloquei no som com certa expectativa, afinal, os singles divulgados em 2014, "Cicatrizes" e "Fim da Inocência" haviam me deixado uma boa impressão. E bem, agora posso dizer que não me decepcionei com o resultado final.

Para quem não conhece o trabalho do Rebotte, o sexteto paulistano pratica um Metal bem moderno, pesado, agressivo, mas que não abre mão das boas melodias e nem de manter os pés em um certo tradicionalismo, refletindo assim todas as influências musicais de seus membros. Isso significa que ao mesmo tempo em que você é capaz de escutar referências a nomes mais atuais como Lamb Of God, Hatebreed ou Suicide Silence você também será capaz de observar passagens que irão te remeter a nomes mais "tradicionais" como Slayer, Pantera e até mesmo Fear Factory. Um verdadeiro caldeirão de influências.

Individualmente, todos aqui acabam se destacando. A vocalista Lívia se mostra monstruosamente agressiva, enquanto a dupla de guitarristas, Bruno Abud e Vitor Acácio, despejam riffs verdadeiramente furiosos e raivosos. Já o baixista Robin Gaia e a baterista Ellen formam uma parte rítmica muito precisa e que imprime grande peso às canções, enquanto Santiago Soares encaixa com precisão seus samplers, sem qualquer tipo de exagero. Tamanha coesão chega até a assustar quando lembramos que ainda estão a caminho de completar o terceiro ano de vida.

As letras, bem fortes, são todas cantadas em português, reforçando uma tendência muito legal que vêm crescendo entre bandas dessa nova geração. Sim, Metal pode ser cantado em português e fica muito bom! Os refrães são bem marcantes, grudentos até, sendo outro ponto que merece ser citado.  É até um tanto injusto apontar destaques aqui, afinal são apenas 4 músicas, mas minhas preferidas são "Cicatrizes", "Amanhecer" e "Existência".

A produção, mixagem e masterização foram executadas por Rogério Oliveira, no Flight Estúdio. Conseguiu unir clareza, já que todos os instrumentos estão 100% audíveis, com o peso e a agressividade que a música do Rebotte pede. Já a apresentação de Insurgência se dá através de um digipack caprichadíssimo e que teve toda a sua parte gráfica elaborada pela dupla Hugo Silva (Ilustração) e Henrique Baptista (Artwork), fechando assim um pacote que demonstra todo o profissionalismo do grupo paulistano.

Transbordando criatividade, peso e agressividade, mostrando também boa diversidade, o sexteto estreia com o pé direito, apresentando um trabalho que vai agradar em cheio aos amantes de uma sonoridade mais moderna. Curte bandas como Project46 e afins? Então Insurgência é aquela aquisição necessária para seu acervo de CD's. E bem, o que mais posso dizer...#GoRebotte!

NOTA: 8,5

Rebotte é:
- Livia Almeida (Vocal)
- Ellen War (Bateria)
- Robin Gaia (Baixo)
- Bruno Abud (Guitarra)
- Vitor Acacio (Guitarra)
- Santiago Soares (Sampler) 

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Jäilbäit – Who da Fuck are you? (2014)


Jäilbäit – Who da Fuck are you? (2014)
(Independente – Nacional)

01. We are Jäilbäit
02. Going To Wacken
03. Take it Easy
04. Jailbait Squad
05. Just a Boy
06. Do you wanna be a rockstar?
07. Otaro (Sucker)
08. Born to Win
09. Lone Wolf
10. Bäit Blues

Para quem acompanha o A Música Continua a Mesma, tal afirmativa já não é mais novidade. Hoje o Nordeste brasileiro é o maior celeiro da atualidade de bons nomes da cena Metal brasileira.  Surgida no ano de 2013, a Jäilbäit já no ano seguinte soltou seu debut, Who da Fuck are you?, ao qual tecerei algumas considerações aqui.

A primeira coisa a me chamar a atenção é que o quarteto alagoano não possui como principal influência o Metal praticado nos anos 80 (algo bem comum no Brasil), já que a aposta é em uma sonoridade mais setentista. E nesse aspecto é que acaba por surgir à segunda surpresa. Na maioria das vezes, quando falamos de bandas que enveredam por esses caminhos, já imaginamos influências latentes de Black Sabbath, Led Zeppelin ou Deep Purple, mas isso não se aplica ao Jäilbäit, pois ao colocar Who da Fuck are you?, o primeiro nome que vem a cabeça é o Motörhead, principalmente no que tange aos seus primeiros álbuns.

Aquela agradável mescla de Blues, Rock and Roll e Metal que o saudoso Lemmy fazia muitíssimo bem a frente de sua banda é a praia dos alagoanos. Então tome aquele baixão distorcido, ótimas bases e riffs e uma parte rítmica bem sólida, coesa e direta. Nesse ponto você deve estar perguntando o que faz com que o Jäilbäit não seja uma simples cópia do Motörhead. Bem, lhes digo que o que impede tal fato é a grande diversidade apresentada pelo quarteto e os vocais de Zenitilde Neto, que se diferem dos de “Deus”, o que acaba dando certa personalidade à música aqui apresentada.

Por falar em música, em um trabalho muito heterogêneo, onde não tempo nenhuma grande variação de qualidade entre as músicas, sendo essas niveladas por cima. Aponto como minhas preferidas “We are Jäilbäit”, “Going To Wacken”, “Take it Easy”, “Just a Boy”, “Born to Win”, “Lone Wolf” e “Bäit Blues”.

A produção de Edu Silva conseguiu deixar tudo 100% audível, mas com aquela dose de sujeira que a música do Jäilbäit pede. Com uma música enérgica, visceral, pesada e divertida, o quarteto alagoano vai fazer a felicidade de todos os saudosos pelo Motörhead. É para abrir uma cerveja, colocar o volume no máximo e aproveitar cada momento com intensidade, afinal é assim que a vida e a música devem ser vividas.

NOTA: 8,0

Jäilbäit é:
- Zenitilde Neto (Vocal)
- Adailton Junior (Guitarra)
- Wilson Santos (Baixo)
- Cleyton Alves (Bateria)



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Pyogenesis – A Century In The Curse Of Time (2015)




Pyogenesis – A Century In The Curse Of Time
(Shinigami Records – Nacional)

01. Steam Paves Its Way (The Machine)
02. A Love Once New Has Now Crown Old
03. This Won’t Last Forever
04. The Best Is Yet To Come
05. Lifeless
06. The Swan King
07. Flesh And Hair
08. A Century In The Curse Of Time

Houve uma época não tão distante, onde redes sociais eram inexistentes (ou quase isso). Sim, prezados leitores mais novos, vocês podem até não acreditar, mas Facebook, YouTube e afins são relativamente recentes e um tanto quanto inimagináveis tempos atrás. Nessa época, poucas eram as opções que os fãs de Metal possuíam para ter acesso a novas bandas. Basicamente as revistas impressas que chegavam mensalmente nas bancas e alguns raros programas de TV e rádio.

Isso tudo é apenas para dizer que as referências que eu possuía a respeito do Pyogenesis até então eram as resenhas escritas pelo redator Ricardo Franzin na hoje finada Rock Brigade. Basicamente, o nome da banda me remetia a trechos como “Não bastasse esse Pyogenesis ser um dos mais execráveis lixos musicais já produzidos na história recente do metal europeu (...)” ou “Considerar o que se ouve nas treze faixas desse CD como sendo rock é um sacrilégio, pois o Pyogenesis não é mais uma banda de metal ruim, é uma banda pop ruim.”. Palavras duras, sem dúvida alguma.

Para os que desconhecem o Pyogenesis, a banda oriunda da Alemanha surgiu no ano de 1991 e durou até 2005, tendo retornado a ativa no ano passado. Nesse período de 14 anos, foram lançados alguns Ep’s e 5 Cd’s de estúdio, além de ter vivenciado uma incrível e discutível transformação sonora. Basicamente migraram de um Doom Metal (nos primeiros Ep’s) para uma mescla de Alternativo com Poppy Punk. Dá para entender plenamente a fúria do nobre colega RF.

Sendo assim, confesso que coloquei A Century In The Curse Of Time para rodar com certo receio do que iria escutar, mas à medida que a audição foi transcorrendo, essa desconfiança foi se esvaindo. Ainda sim, precisei de diversas audições para perder um pouco do ranço contra a banda e conseguir pescar a proposta musical do Pyogenesis. A amplitude musical aqui apresentada e muito grande, tanto que em uma mesma faixa podemos escutar elementos de Doom, Death Melódico, Space Rock, Progressivo, Alternativo e até sonoridades mais Pop. Isso faz de sua música algo irrotulável e com uma cara própria, algo raro de se conseguir nos dias de hoje.

Elementos de Alternativo surgem por aqui? Sim, mas ainda sim o quarteto alemão consegue fazer uma música pesada, energética, repleta de ótimas variações vocais e guitarras que despejam boa dose de peso e sujeira, mas sem abrir mão das melodias. A parte rítmica também se destaca pela técnica demonstrada.

Sim, esse é um Cd para headbangers que possuem a cabeça mais aberta e que certamente não irá agradar em nada os mais tradicionalistas. Ainda sim, quando você finalmente consegue pescar a proposta por de trás do mesmo, ele acaba por se tornar um álbum muito, mas muito divertido. Aponto como destaques aqui “Steam Paves Its Way (The Machine)”, “A Love Once New Has Now Crown Old”, “This Won’t Last Forever”, “Lifeless” (com um clima que me remeteu ao Paradise Lost em alguns momentos) e “A Century In The Curse Of Time” (com mais de 14 minutos e belas harmonias vocais).

A gravação, produção e mixagem ficaram a cargo do guitarrista, vocalista e tecladista Flo V. Schwarz (único membro original da banda), enquanto a masterização foi feita por Olman Viper. O resultado é excelente, já que deixou as guitarras sujas, pesadas, mas sem tirar a clareza de cada instrumento. Já a belíssima capa é obra de Stanis W. Decker. Vale destacar também a parte lírica, pois esse e um trabalho conceitual, abordando a Revolução Industrial e se impacto sobre a sociedade do século XIX. Por sinal, um tema que permite até mesmo traçarmos um paralelo com os tempos atuais e os efeitos da revolução tecnológica que vivemos.

Melódico, pesado, enérgico, aliando múltiplas sonoridades e conseguindo dar coerência a essa mistura, o Pyogenesis surpreende com um trabalho que vai agradar em cheio aqueles que possuem a cabeça mais aberta para música. E sem dúvida alguma, A Century In The Curse Of Time conseguiu apagar de forma definitiva, certas ideias preconcebidas que esse que vos escreve possuía a respeito do som da banda. Se não conhece esses alemães, está aqui uma ótima chance de fazê-lo!

NOTA: 8,0

Pyogenesis é:

- Flo V Schwarz (Vocal, Guitarra)
- Gizz Butt (Guitarra)
- Malte Brauer (Baixo)
- Jan Räthje (Bateria)





quinta-feira, 22 de outubro de 2015

As Do They Fall - The Pure Strain Of Boozercore (2015)




As Do They Fall - The Pure Strain Of Boozercore (2015)
(Independente – Nacional)

01. Intro
02. Leviathan
03. FGS
04. Stories That I Already Knew
05. Kill Your Dying
06. Tripping Road Crew
07. Burn
08. Fall Down and Die
09. Nemesis
10. Crosses
11. Relentless
12. Scars on the Face of the Earth

Quando relacionamos Rio Grande do Sul e Heavy Metal, a primeira coisa que vêm a cabeça são as ótimas bandas que enveredam por sonoridades mais extremas e que sempre surgem por aqueles lados. Sendo assim, quando fiquei sabendo que o As Do They Fall se tratava de um grupo gaúcho, confesso, fiquei surpreso. A surpresa toda se deu pelo fato de que esse quarteto oriundo de Veranópolis, aposta em uma mescla de Metalcore, Modern e Southern Metal, gerando assim uma sonoridade bem atual e antenada com as tendências mais modernas do estilo.

Sua música se mostra bem homogênea, equilibrando com competência peso, agressividade e melodias. Existe aqui uma boa variação na parte vocal, que vai desde os tons mais limpos e melódicos até os mais agressivos, beirando o gutural em alguns momentos. As guitarras despejam bons riffs e quando os solos surgem, possuem qualidade e melodia. A parte rítmica mostra boa técnica e consegue imprimir peso, além de dar certa variedade às composições, que assim não ficam tão repetitivas. Tudo aqui feito com muito esmero, as composições são realmente muito boas, mas senti falta de um pequeno detalhe aqui: refrães mais marcantes. Veja bem, não que os que aqui se fazem presentes sejam ruins, de forma alguma, mas falta àquela coisa mais bombástica, que faz você ficar com a música dias e dias na cabeça. Ainda sim, de forma alguma tal fato torna The Pure Strain Of Boozercore um trabalho menor.

O trabalho apresentado é muito homogêneo, mas mesmo assim algumas faixas acabam se destacando sobre as demais. Citaria aqui “FGS”, “Stories That I Already Knew”, “Tripping Road Crew”, “Fall Down and Die”, “Crosses” e “Scars on the Face of the Earth”.

A produção aqui ficou a cargo de Roger Findale (Sodamned, Eridanus, dentre outras) e possui um bom nível. Instrumentos limpos, totalmente audíveis, mas sem tirar o peso da música. Já a capa é obra de Bruno Pertile Rocha. O que mais impressiona no trabalho do As Do They Fall é que a banda surgiu apenas no ano de 2012, fazendo covers e no espaço de 3 anos, já consegue apresentar um trabalho autoral de muita qualidade. Existem arestas a serem aparadas? Claro, afinal, a evolução de uma banda deve ser constante, mas o potencial mostrado pelo quarteto nesse debut é inegável. Uma das agradáveis surpresas que escutei nesse ano de 2015!

NOTA: 7,5

As Do They Fall é:

- Leozinho (Vocal)
- Samurai (Guitarra)
- Lucas (Baixo)
- Kelvin (Bateria)