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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lacuna Coil - Black Anima (2019)


Lacuna Coil - Black Anima (2019)
(Century Media Records - Importado)


01. Anima Nera
02. Sword of Anger
03. Reckless
04. Layers of Time
05. Apocalypse
06. Now or Never
07. Under the Surface
08. Veneficium
09. The End Is All I Can See
10. Save Me
11. Black Anima

Sempre existirão os saudosistas para afirmar que nos tempos de Unleashed Memories (01) e Comalies (02), as coisas eram melhores. Sinceramente, não vejo nada de errado nisso, pois música é uma coisa muito pessoal, e a forma como ela atinge cada um vai variar de pessoa para pessoa. Particularmente, até gosto da fase puramente Gothic Metal da banda, por mais que eu visse seu som como algo muito padrão, sem fugir muito do que era apresentado pelos demais nomes da época, ao menos no que tange as atmosferas. Já musicalmente, sempre consegui enxergar algo mais “pop” em sua sonoridade, tanto que achava o Lacuna Coil uma banda “boazinha” demais. Por mais que possuísse aquela aura mais sombria das bandas de Gothic, faltava mais peso e “maldade” para sua música. Friso, isso é uma visão muito particular minha.

Talvez por isso, eu não tenha me sentido tão incomodado com as mudanças implementadas pós-Comalies, tanto que meu maior problema com Karmacode (06) e Shallow Life (09) não se dá pela sonoridade mais moderna e “americanizada”, mas sim pelas composições pouco inspiradas dos mesmos. Vejo ambos como trabalhos de transição, onde os italianos estavam buscando dar uma cara para sua música. Felizmente, com Dark Adrenaline, as coisas começaram a se acertar e, aos poucos, o Lacuna Coil foi se encontrando. Evoluir nunca é simples, sempre vai existir uma parcela de dor no processo, e quando se trata de música, a coisa se maximiza, pois, você não lida apenas com suas próprias emoções, mas também com as dos fãs. Obviamente esse processo de amadurecimento não foi simples para nenhum dos lados, e marcas ficaram.


A partir de Broken Crown Halo (14), o Lacuna Coil foi trazendo gradativamente, elementos de seu passado de volta, mas sem renunciar as suas convicções musicais. Isso acabou gerando aquele que, para mim, não só é seu trabalho mais pesado e sombrio, mas também o melhor, Delirium (16). É ele o ponto de partida para o que escutamos em Black Anima. Reforçando ainda mais essa proposta, que reúne o Groove, agressividade e peso atual, com aquele clima mais dark de outrora, acabam obtendo um resultado que vai além do seu antecessor, em todos os sentidos. Podemos observar, por exemplo, que Andrea está cantando ainda mais agressivo, enquanto Cristina consegue soar ainda mais épica em alguns momentos, sem abrir mão da introspecção em diversas passagens. A guitarra de Diego Cavallotti é responsável por bons riffs e solos, além de soar muito pesada, peso esse que também se faz muito presente na parte rítmica, com o sempre competente Marco Coti-Zelati e o estreante Richard Meiz na bateria. Aliás, esse último foi uma belíssima aquisição para a banda, e substitui Ryan Folden a altura.

Em entrevista recente, Cristina disse que Black Anima foi todo composto durante a turnê, e considerando que as canções que mais gostam de tocar nos shows são justamente as mais pesadas, ele naturalmente acompanhou essa pegada. Fora isso, do ponto de vista lírico, abordaram as dificuldades, dores e perdas que todos temos na vida. O resultado é algo denso, agressivo e muito enérgico, que se reflete no clima gerado pelas canções. Aqui vemos o lado mais sombrio e obscuro da alma do Lacuna Coil, e acreditem, isso é muito bom. A pegada mais atual, com elementos de Modern Metal e Groove continua forte e muito presente, mas ouso dizer que algumas canções aqui poderiam estar em trabalhos mais antigos da banda. Esse é um aspecto que pode vir a agradar um pouco aqueles que são mais saudosistas e ainda não desistiram da banda. Cabe dizer que mesmo esses momentos, soam atuais, já que a banda dá a sua roupagem atual para tais canções.

“Anima Nera” soa mais como um prelúdio, com a voz de Cristina e um instrumental despido de peso ao fundo. Ainda sim, consegue criar um clima sombrio, preparando o ouvinte para o que vem pela frente. “Sword of Anger” faz jus ao seu título, ejá incia com Andrea rosnando de forma furiosa. Aliás, cabe notar que seus vocais mais limpos se fazem cada vez menos presentes. Em alguns momentos ocorrem duetos entre ele e Cristina, que soam bem legais, e o clima de raiva que emana da canção é ótimo. Na sequência, temos os dois singles já lançados pela banda. Em primeiro lugar, temos a ótima “Reckless”, com um bom trabalho vocal de Scabbia, refrão marcante, guitarras pesadas e um ótimo solo, e depois a raivosa “Layers of Time”, onde passagens mais rápidas alternam com outras mais cadenciadas, além de possuir uma bateria brutal. “Apocalypse” é a primeira das canções aqui presentes que remetem ao passado da banda, e poderia muito bem, estar presente em um dos 3 primeiros álbuns, dado seu clima denso e pegada mais dark.


Não se deixe enganar pelo começo mais melancólico de “Now or Never”, pois não demorar muito para ela explodir em peso, com destaque para o trabalho dos vocais, guitarra e bateria, sendo seguida pela acelerada “Under the Surface” e seus bons riffs. “Veneficium” é outra que vai remeter os ouvintes ao passado da banda, com seu clima denso, seu peso arrastado, sua atmosfera operística – enriquecida pelos coros em latim – e a sensação de dor que transmite. É sem dúvida, uma das melhores canções que o Lacuna Coil fez em sua carreira de mais de 2 décadas. “The End Is All I Can See”, é arrastada, profunda e chega a soar opressiva em alguns momentos, ainda que seja a que menos empolga em todo o álbum. Ainda sim, isso não é nenhum demérito. Na sequência que encerra o trabalho, mais uma faixa bem acelerada, “Save Me”, com boas guitarras e uma bateria bem pesada, e a assustadora e arrastada “Black Anima”, com suas melodias ameaçadoras e vocais agressivos de Andrea.

Partindo do princípio de que time que se ganha, não se mexe, optaram por repetir o que já havia dado certo em Delirium. Sendo assim, a produção ficou a cargo de Marco Coti-Zelati, coma mixagem sendo realizada por Marco Barusso, e masterização por Marco D'Agostino. O resultado é ótimo, já que conseguiu aliar clareza, peso, agressividade e organicidade. Já a bonita capa foi obra de Micah Ulrich. Durante toda a sua carreira, o Lacuna Coil primou por fazer o que tinha vontade, e isso deu a eles o direito de poder se aventurar por novos territórios, sem medo de julgamentos que pudessem vir a sofrer. Black Anima é o resultado direto disso. Esse não é um álbum fácil, que vai conquistar o ouvinte com a facilidade de seu antecessor,e em se tratando de música, algo muito pessoal e que mexe com emoções, certamente causará reações divergentes. Mostrando diversidade, e apresentando uma música pesada e sombria, alcançaram, no meu ponto de vista, o melhor resultado de sua carreira, e vão agradar em cheio os que apreciam um Metal com pegada mais moderna. Já os mais saudosistas, bem, esses terão que continuar sonhando com um retorno puro as raízes.

NOTA: 87

Lacuna Coil é:
- Christina Scabbia (vocal);
- Andrea Ferro (vocal);
- Diego Cavallotti (guitarra);
- Marco Coti-Zelati (baixo/teclado);
- Richard Meiz (bateria).

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quarta-feira, 27 de março de 2019

In Flames - I, The Mask (2019)


In Flames - I, The Mask (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Voices
02. I, The Mask
03. Call My Name
04. I Am Above
05. Follow Me
06. (This Is Our) House
07. We Will Remember
08. In This Life
09. Burn
10. Deep Inside
11. All The Pain
12. Stay With Me
13. Not Alone (Bonus Track)

Falar do In Flames não é uma tarefa fácil. Ainda me lembro do impacto causado quando fui apresentando a banda, através de The Jester Race (96), e de como Whoracle (97) e Colony (99) tocaram no meu som até a exaustão. Entre o final dos anos 90 e início dos 2000, era sem dúvida a minha banda favorita. Foi nessa época que de forma controversa, optaram por iniciar a modernização seu som, o tornando mais palatável para grandes plateias. O processo foi se dando álbum a álbum, até resultar em Battles, de 2016, e claro, não foi aceito por todos os fãs.

Veja bem, não sou desses que virou as costas para o grupo. Entendo que a evolução é algo inerente as pessoas, e que em algum momento isso acaba refletindo nas atividades cotidianas e profissionais. A prova é que ao contrário de muitos dos fãs mais antigos, aprecio trabalhos como Reroute to Remain (02), Come Clarity (06) e A Sense of Purpose (08). São álbuns que dentro da proposta musical adotada, possuem muita qualidade. Tivemos o fraco Sounds of a Playground Fading (11) e o pavoroso Siren Charms (14), mas é raro uma banda que não tenha tropeçado alguma vez na carreira. Entretanto, não vou negar, a cada novo lançamento bate aquela vã esperança de um retorno as raízes musicais da banda.

Não vai ser com I, the Mask que isso ocorrerá, e provavelmente com nenhum dos álbuns futuros da banda. O que temos é um passo a frente em relação ao controverso Battles – um trabalho que eu particularmente gosto quando não lembro que se trata do In Flames –, e que de certa forma tenta aliar um pouco do passado e do presente dos suecos. É um álbum bem variado, e no qual tive a sensação que tentaram agradar tanto aos fãs mais antigos, como aos muitos que conquistaram com sua sonoridade mais moderna. Temos a estreia em estúdio do baixista Bryce Paul (que substitui Peter Iwers) e do baterista Tanner Wayne, que entrou no lugar de Joe Rickard. Vale dizer que o último gravou praticamente todo álbum, com Wayne participando apenas de “(This Is Our) House”.


I, The Mask é um álbum um pouco mais agressivo e abrasivo que Battles, e que em muitos momentos, acreditem, consegue despertar algo mais nostálgico, graças a passagens que remetem levemente ao passado. O problema é que essa maior abrasividade não soa natural, ficando a sensação de que forçaram a mão para aplacar as críticas que receberam. Enquanto essas passagens me agradavam, e faziam dar um leve sorriso, me causavam incômodo por eu não conseguir perceber paixão naquilo. Estruturalmente, as canções não mostram nada de novo se comparado com os álbuns anteriores, existindo assim certa previsibilidade. Entretanto, é inegável que o trabalho vocal de Anders Fridén está excelente, e ele se saiu muitíssimo bem tanto nas passagens limpas como nas mais agressivas, por mais que essas últimas estejam aquém do que sabemos que ele é capaz. Os riffs mostram certa qualidade, mas não fogem muito do padrão apresentado nos últimos anos, enquanto a parte rítmica faz um trabalho correto.

O início é realmente muito animador. “Voices” abre o álbum com bons riffs, vocais que alternam entre o rasgado e o limpo, e um refrão melódico. É uma canção sólida, cativante e que apresenta algumas melodias que te fazem recordar da banda que já foram um dia, mas sem aquela fúria de outrora. “I, The Mask” mantém tais características, mas se mostra um pouco mais pesada e com um trabalho de guitarra muito bom. Esse clima nostálgico se mantêm presente nas duas faixas seguintes, “Call My Name” e “I Am Above”, duas das músicas mais legais gravadas pelo In Flames nos últimos 10 anos. “Follow Me” começa com uma guitarra acústica, e senti algo de “Pallar Anders Visa” e “Jester Script Transfigured”, mas claro, sem o mesmo brilhantismo. Ainda sim consegue cativar. “(This Is Our) House” tem algumas passagens mais interessantes e um bom refrão, desses que quando se der conta, estará cantando com Anders. Infelizmente, desse ponto em diante, o álbum dá uma caída, e a banda meio que entra no piloto automático. Tudo fica previsível.


“We Will Remember” até possui certo peso e bons riffs, mas simplesmente não decola. Falta paixão, entendem? Não é ruim, mas não empolga, e olha que tem um dos refrões mais melódicos de todo álbum. Outra nessa linha é  “In This Life”, que achei a mais fraca de todas. Vocais suaves, guitarras acessíveis e um refrão que não chega a cativar. Curiosamente, temos na sequência uma das canções mais pesadas de todo álbum, “Burn”, com vocais agressivos na maior parte do tempo, e alguns dos melhores riffs do trabalho. “Deep Inside” e “All The Pain” possuem uma atmosfera mais sombria e algum peso, enquanto “Stay With Me” é uma balada acústica dessas bem suaves, que poderia estar sem esforço algum em um álbum de um Nickelback, Three Days Grace, 3 Doors Down e afins. Você pode entender isso como um elogio ou uma crítica, depende do seu gosto musical. De bônus, temos a boa “Not Alone”.

Quanto a produção, ela não é menos que impecável, e mais uma vez ficou a cargo do premiado Howard Benson (Motörhead, Sepultura, Papa Roach, My Chemical Romance), com mixagem de Chris Lord-Alge (Linkin Park, Volbeat, As I Lay Dying) e masterização de Ted Jensen (Pantera, Alice in Chains, Guns N’ Roses, Machine Head). É tudo limpo, cristalino e asséptico ao extremo, e por mais contraditório que possa parecer, acaba sendo um problema. Um pouco da falta de energia e paixão que senti durante a audição pode ser atribuída a isso. Convenhamos, estamos falando de um álbum de Metal, ele não pode ser certo e limpo demais. Quanto a capa, assim como em Battles, foi obra de Blake Armstrong.

Existem duas formas de se abordar I, The Mask. A primeira é ficar lembrando que essa é a mesma banda que lançou The Jester Race e Whoracle, sendo uma das responsáveis pela popularização do Death Metal Melódico. Provavelmente vai se sentir frustrado. A segunda é você aceitar que o In Flames se tornou uma banda de Modern/Alternative Metal, e fazer sua audição a partir desse ponto de vista. Nesse caso a coisa muda de figura, e você certamente vai gostar de boa parte do material aqui presente. Se no dia 4 de setembro de 2014, finalizei a resenha de Siren Charms com um “aqui jaz o In Flames”, hoje, após seus últimos lançamentos, posso dizer que retornaram do mundo dos mortos. Ok, ainda estão mais para um zumbi de The Walking Dead, do que para aquela banda de Metal vigorosa do passado, mas zumbis também podem ser bem legais. Se gosta de vertentes mais modernas, é um CD que vale o seu investimento.

NOTA: 78

In Flames é:
- Anders Fridén (vocal)
- Björn Gelotte (guitarra)
- Niclas Engelin (guitarra)
- Bryce Paul Newman (baixo)
- Tanner Wayne (bateria)

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Pedro Farinazzo – Winterstorm (2018) (EP)


Pedro Farinazzo – Winterstorm (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. Before the Storm
02. Leave Your Ghosts Behind
03. Ressurection
04. Winterstorm
05. Overcoming
06. The Illusion of Freedom

O undergorund nacional é repleto de grandes talentos que, na maioria das vezes, não recebem o devido espaço da mídia e reconhecimento do público. Uma pena. Natural de Juiz de Fora (MG), o multi-instrumentista Pedro Farinazzo já passou por diversos nomes da cena juiz de forana, como Insannica e Fearless, mas já a algum tempo resolveu se enveredar pelos caminhos dos trabalhos próprios, primeiro com a One Man Band Enharmonic Khaos, e agora com seu primeiro álbum solo, Winterstorm.

A base de sua sonoridade está naquele Prog Metal mais clássico, de bandas como Dream Theater, Symphony X e Fates Warning, mas a isso mescla vertentes mais atuais, como o Djent, o Modern Metal e o Metalcore de nomes como All That Remains, Killswitch Engage, As I Lay Dying, Veil of Maya e After the Burial. As canções aqui apesentadas se mostram bem diversificadas, pesadas e com boa dose de complexidade, algo que certamente vai agradar aos fãs do estilo. Um ponto ser melhor trabalhado no futuro diz respeito aos vocais. Quando vai para um lado mais agressivo, Pedro até se sai bem, mas quando se envereda por tons mais limpos a coisa dá uma pequena desandada, já que ele fica devendo um pouco nesse sentido.


A intro “Before the Storm” cumpre bem o seu papel e dá ao ouvinte uma pequena amostra do que ele encontrará pela frente. “Leave Your Ghosts Behind” tem guitarras pesadas, boas linhas de baixo e vocais que trafegam entre o limpo e o agressivo. É um dos destaques aqui. “Ressurection” possui um instrumental bem técnico, passagens acústicas interessantes, mas acaba um pouco prejudicada pelos vocais limpos, algo que também ocorre em “Winterstorm”, canção bem variada e que se equilibra bem entre o peso e momentos mais atmosféricos. Cabe dizer que nos momentos em que imprime um pouco mais de agressividade nos vocais, o nível sobe. “Overcoming” é outra que alterna bem os vocais, além de se mostrar bem diversificada. Encerrando, temos a ótima “The Illusion of Freedom”, com seus mais de 9 minutos e onde Pedro mostra sua técnica como instrumentista.

A produção ficou a cargo de Pedro e Guilherme Flauzino, com mixagem e masterização desse último. Está dentro da média do que ouvimos por aí, mas é outro ponto que pode melhorar no futuro. Um pouco menos de crueza certamente cairia muito bem. A capa, muito bonita, foi obra de Raphael Efez. Como todo trabalho de estreia, Winterstorm possui seus altos e baixos, com prevalência dos primeiros, já que estamos diante de um EP muito agradável de se ouvir. Com pequenos ajustes aqui e ali, certamente estará pronto para alçar voos muito mais altos!

NOTA: 77

Pedro Farinazzo (gravação)
- Pedro Farinazzo (vocal/guitarra/baixo/violão);
- Guilherme Flauzino (teclados nas faixas 4 e 5)

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Soilwork – Verkligheten (2019)


Soilwork – Verkligheten (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Verkligheten
02. Arrival
03. Bleeder Despoiler
04. Full Moon Shoals
05. The Nurturing Glance
06. When the Universe Spoke
07. Stålfågel
08. The Wolves Are Back in Town
09. Witan
10. The Ageless Whisper
11. Needles and Kin
12. You Aquiver

Underworld (EP) (Bônus)
13. Summerburned and Winterblown
14. In This Master's Tale
15. The Undying Eye
16. Needles and Kin (Original Version)

Parece que foi ontem que escutei Steelbath Suicide, álbum de estreia dos suecos do Soilwork, mas já se passaram 2 décadas desde então. Nesse tempo, mesmo com alguns altos e baixos na carreira – Stabbing the Drama, Sworn to a Great Divide e The Panic Broadcast são trabalhos um tanto mornos  – se consolidaram como um dos maiores nomes da cena Metal da atualidade. Vindo de 2 álbuns de ótima repercussão, o ótimo The Living Infinite e o bom The Ride Majestic, e de uma importante mudança de formação, com a saída de ninguém menos que Dirk Verbeuren (que assumiu de vez o posto de baterista do Megadeth), existia uma grande expectativa por Verkligheten.

A primeira coisa que posso afirmar sem medo, é que esse é um álbum que não vai conquistar o ouvinte de cara, como The Livind Infinite, mas que possui potencial para crescer exponencialmente a cada audição, como seu antecessor, The Ride Majestic. A verdade é que o Soilwork não foge muito da sua fórmula básica de sempre, com riffs típicos do Death Metal Melódico, peso e refrões grudentos, fora a estrutura das canções, que seguem sempre aquele padrão já conhecido pelos fãs. Isso deixa tudo estruturalmente parecido e previsível, você sabe exatamente o que esperar na maior parte do tempo, o que faz com que a monotonia se abata sobre a audição em alguns momentos. Não dá para negar que a fórmula adotada pela banda em seus últimos lançamentos vêm apresentando cada vez mais sinais de desgaste.

Mas nem tudo está perdido, e fica visível que os suecos começam a procurar novas ideias para suas canções. Em Verkligheten, fica muito claro que essa saída para diretamente pelo The Night Flight Orchestra, a outra banda do vocalista Björn "Speed" Strid e do guitarrista David Andersson. Essa influência fica muito visível em algumas canções, principalmente nas melodias dos refrões e em alguns riffs típicos do Rock Clássico. A voz de Björn continua sendo um diferencial tremendo para o Soilwork, e seus vocais limpos ganham mais espaço aqui, remetendo demais ao que executa no TNFO. Sylvain Coudret e Andersson brilham nas guitarras, e ouso dizer que nesse sentido é o melhor trabalho da banda até então. Ótimas melodias e riffs, além de solos de destaque. A parte rítmica não compromete, e faz um trabalho muito correto, mas é inegável que a banda perdeu muito com a saída de Dirk. Não entendam mal, Bastian Thusgaard não é mau baterista, ele executa um bom trabalho, mas não faz nada além do básico, algo que não ocorria com Verbeuren.


Após a dispensável introdução com a faixa-título, o álbum começa bem, com “Arrival”, uma típica música do Soilwork e que funciona muito bem, graças ao peso, aos bons riffs, solo e as melodias. “Bleeder Despoiler” vêm na sequência e eleva um pouco mais o nível, principalmente pelo ótimo trabalho da dupla Coudret/Andersson, e pelo bom refrão. Em “Full Moon Shoals” observamos mais claramente as influências já citadas de Rock Clássico, e não dá para negar que a melodia do refrão remete demais ao trabalho com o The Night Flight Orchestra. Elas também se fazem bem presentes na faixa seguinte, “The Nurturing Glance”, com suas guitarras melodiosas. “When the Universe Spoke” se mostra bem pesada e as guitarras brilham mais uma vez. “Stålfågel” é outra onde o Rock Clássico dá as caras, e conta com a participação de Alissa White-Gluz (Arch Enemy), que sinceramente, poderia ter sido melhor explorada. “The Wolves Are Back in Town” é um tanto quanto previsível e não apresenta nada de novo, enquanto “Witan” se destaca principalmente pelo ótimo refrão. Já “The Ageless Whisper” chama a atenção pelo ótimo trabalho das guitarras. Em “Needles and Kin” temos a ótima participação de Tomi Joutsen (Amorphis), que elevou a canção com seus vocais, e encerrando, “You Aquiver” apresenta bons riffs e um refrão agradável. Vale dizer que a primeira prensagem nacional vem com o EP Underworld de bônus.

Após trabalhar com os ótimos Jens Bogren e David Castillo nas produções dos últimos álbuns, o Soilwork optou por Thomas "PLEC" Johansson (Dynazty, Borealis, Nocturnal Rites, The Night Flight Orchestra), que já havia feito a masterização da compilação Death Resonance (16), para fazer o trabalho em Verkligheten. O resultado é bom, não dá para negar, mas sinceramente achei um pouco inferior às duas últimas. Já a belíssima capa, foi obra de Valnoir (Amorphis, Behemoth, Orphaned Land, Paradise Lost), sendo que a versão em digipack possui uma capa alternativa. Mostrando sinais de desgaste de sua fórmula, mas deixando claro que não pretende se acomodar, já que a busca por soluções fica clara, o Soilwork se saiu bem na espinhosa missão de lançar um álbum que não deixasse o nível dos últimos lançamentos despencar. Se você é fã da banda, pode comprar sem medo.

NOTA: 79

Soilwork é:
- Björn "Speed" Strid (vocal);
- Sven Karlsson (teclado);
- Sylvain Coudret (guitarra);
- David Andersson (guitarra);
- Bastian Thusgaard (bateria).

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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Heaviest – The Wall Of Chaos-T (2018)


Heaviest – The Wall Of Chaos-T (2018)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Like Those Ones a
02. Thieves Of Live
03. Blood
04. Can’t You See?
05. Fire It Up
06. Hunted
07. Kill The King
08. All Of This
09. The End
10. Wake Up
11. E-Crime Suicide

A cena do Metal no Brasil tem certa repulsa ao que é moderno, já que tendência conservadora do headbanger em nosso país se reflete de diversas formas. Existe um forte culto, principalmente aos anos 80 e a primeira metade dos 90, as bandas e sonoridades surgidas nessa época. Para uma parcela considerável dos fãs, o que é novo ou moderno, sempre recebe o rótulo de “modinha”, sempre é tratado como algo menor ou sem qualidade. Não existe um equilíbrio entre passado, presente e futuro, e isso acaba refletindo diretamente na cena, que fica estagnada por se prender a um saudosismo e conservadorismo exacerbados.

O debut do Heaviest, Nowhere (15), se destacou justamente por fugir da fórmula padrão de boa parte das bandas nacionais. Nele foi possível escutar um Heavy Metal moderno, com toques de Groove, naquela pegada muito próxima do que é feita por bandas oriundas dos Estados Unidos, como Disturbed, Stone Sour ou Five Finger Death Punch, algo raro de se ouvir por essas paragens. Isso claro gerou uma expectativa grande pelo seu próximo trabalho, que aumentou com as mudanças de formação ocorridas na banda. Mario Pastore deixou os vocais da banda, que foram assumidas por Alax Willian, além de passarem a contar apenas com uma guitarra, após a saída de Márcio Eidt.

Bem, se o debut te agradou, pode relaxar, pois, mesmo com mudanças tão profundas, o Heaviest conseguiu manter sua sonoridade intocada. Os vocais de Alax conseguem soar até mais versáteis que os de Pastore, permitindo que invistam em uma maior diversidade musical. Não sentiram também a falta de uma guitarra, já que Guto Mantesso realiza um belo trabalho nesse sentido, pois, ouvimos não só uma sonoridade bem moderna, como também riffs bem pesados e bons solos. Renato Dias (baixo) e Vitor Montanaro (bateria) formam uma parte rítmica bem sólida, forte, pesada e diversificada.


De cara, já mostram ao que vieram com a ótima “Like Those Ones”, intensa, com um bom groove e um solo que se destaca. Na sequência temos a pesada “Thieves Of Live”, com bons riffs e melodias, e “Blood”, onde variam bem o andamento e os vocais de Alax se destacam acima da média. “Can’t You See?” é bem pesada, tem um que de Pantera e participação do guitarrista Matias Kupiainen (Stratovarius), enquanto “Fire It Up” tem bons riffs e vai agradar em cheio os apreciadores do debut. “Hunted” mescla bem o moderno e o tradicional, se destacando pelas melodias e pelo dueto vocal entre Alax e Zak Stevens. “Kill The King” se destaca pela agressividade e pelo peso, que sobram durante toda a sua execução. Já “All Of This” tem um belo solo de Lucas Bittencourt e melodias vocais agradáveis. A sequência final se dá com as pesadas “The End”, “Wake Up” e “E-Crime Suicide”, com bons riffs e melodias.

A produção ficou toda a cargo de Guto Montesso, com co-produção de ninguém menos que Roy Z. O resultado é uma sonoridade moderna e pesada, mas também clara e totalmente audível. Embalado em um digipack muito bonito, tem o seu trabalho gráfico todo realizado por Alax William, com um ótimo resultado. Mostrando não ter sentido as mudanças em sua formação, o Heaviest mostra um Metal moderno, que se caracteriza pelas boas melodias e pela força de sua música, sem abrir mão em momento algum do peso e da agressividade. Continuando nesse caminho, em breve vão se colocar entre os principais nomes do estilo no Brasil.

NOTA: 82

Heaviest é:
- Alax William (vocal);
- Guto Mantesso (guitarra);
- Renato Dias (baixo);
- Vitor Montanaro (bateria).

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)


Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)
(Independente - Nacional)


01. Fearless Heart
02. Beneath The Skin
03. Stolen Innocence
04. Asleep
05. Keep You Close To My Heart
06. From Porcelain To Ivory
07. Caliban
08. Dark Eyes
09. Downfall
10. Fenrir’s Last Howl

Apesar de todas as dificuldades inerentes, o Brasil é um terreno fértil para o surgimento de boas bandas quando o assunto é Heavy Metal. O Fenrir’s Scar surgiu no ano de 2015, na cidade de Campinas/SP, e resolveu não perder muito tempo, tratando de já lançar seu debut no final do ano passado. A aposta? Uma mescla de Modern Metal com Gothic Metal, que invariavelmente nos remete a nomes como Lacuna Coil, Evanescence, Within Temptation, Amaranthe e outros.

Contando na época da gravação com Desireé Rezende (vocal), André Baida (vocal), Vinícius Prado (guitarra), Paulo “Khronny” Victor (guitarra), Gabriel Rezende (baixo), Graziely Maria (teclado) e Ildécio dos Santos (bateria), o Fenrir’s Scar felizmente procura fugir daquela fórmula batida de vocais guturais masculinos/vocais operísticos femininos. André até segue uma linha bem agressiva, mas Desireé opta pelos vocais voltados para o Metal, o que termina sendo uma vantagem.

A dinâmica vocal aqui me remeteu demais aos trabalhos do Lacuna Coil, o que não é demérito algum. A dupla de guitarristas formada por Vinícius (que saiu da banda recentemente, tendo André assumido a outra guitarra) e Khronny entregam aos ouvintes bons riffs e bases, além de muito peso. Vale destacar também a qualidade dos solos apresentados. Na parte rítmica, Gabriel e Ildécio apresentam um trabalho muito coeso e com boa técnica, além de diversificado. Já Graziely se destaca bastante, pois o teclado tem um papel muito importante na música do Fenrir’s Scar, tendo posição de destaque em diversas canções.


Sendo assim, é injusto jogar todos os holofotes apenas no papel de André e Desireé, por mais que o primeiro mostre possuir versatilidade de sobra e a suavidade da voz da segunda ter um papel importante de contrastar com o peso do instrumental. Todos aqui se destacam. E por falar em destaque, por mais que as 10 canções aqui presentes sejam bem homogêneas em matéria de qualidade, é inevitável que algumas se sobressaiam às outras. “Fearless Heart” possui bons riffs, peso e ótimos vocais, algo que também podemos observar em “Beneath The Skin” (que possui ótimo refrão) e “Stolen Innocence” (com ótimo trabalho do teclado). Por sinal, essas 3 me remeteram demais ao trabalho atual do Lacuna Coil. A belíssima “Keep You Close To My Heart” apresenta apenas a voz de Desireé e o piano de Graziely, sendo um dos pontos altos aqui. “From Porcelain To Ivory” se destaca não só pelo dueto vocal, como pelo refrão grudento.

Gravado no Minster Studio (Campinas/SP), o álbum teve produção de Fabiano Negri e mixagem e masterização feitas por Ricardo Palma. O resultado final é bom, pois além de deixar tudo bem claro e nítido, manteve o peso e a agressividade. Já a belíssima capa foi obra de Wesley Souza. Equilibrando bem suavidade e peso, o Fenrir’s Scar não nega em momento algum suas influências, mas passa longe de soar como uma simples emulação das mesmas. Ao final, temos uma boa estreia, de uma banda que mostra grande potencial futuro de crescimento e que tem tudo para figurar entre as principais do estilo no Brasil.

NOTA: 8,0

Fenrir’s Scar (gravação):
- Desireé Rezende (vocal);
- André Baida (vocal);
- Vinícius Prado (guitarra);
- Paulo “Khronny” Victor (guitarra);
- Gabriel Rezende (baixo);
- Graziely Maria (teclado);
- Ildécio dos Santos (bateria).

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Weakless Machine - Manipulation (2017)


Weakless Machine - Manipulation (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulation
02. Get Ready
03. Tarred With the Same Brush
04. Burning All
05. Death Knocks On My Door
06. Kill
07. Pain
08. Tribal Wars
09. Unbroken

O Weakless Machine surgiu em Porto Alegre/RS, no ano de 2015, mas apesar do pouquíssimo tempo de estrada, resolveu não perder tempo e já partir para a gravação do seu debut. E olha, depois de escutar os cerca de 32 minutos de Manipulation, posso dizer sem medo que estamos diante de uma banda diferenciada, já que esse é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns nacionais que escutei neste ano.

A surpresa já começa quanto à sonoridade adotada pelo Weakless Machine. Ao contrário do que possamos imaginar, não investem em um Death ou Thrash Metal de pegada mais tradicional, como muitos bons nomes oriundos do Rio Grande do Sul. O quarteto, na época formado por Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra), Gustavo Razia (baixo) e Luke Santos (bateria) (que veio a sair da banda após a gravação, sendo posteriormente substituído por Renato Siqueira), aposta suas fichas em um Modern Metal que flerta em muitos momentos com o Thrash, o Groove e o Metalcore, e que soa absurdamente pesado e agressivo, além de possuir melodias verdadeiramente contagiantes.

Durante a audição de Manipulation, nomes como Machine Head, Trivium, Lamb of God, Slipknot, Metallica (pós-Black Album) e Killswitch Engage certamente virão à sua cabeça. Mas não pense que estamos falando de emulação, de cópia, pois a música do Weakless passa longe disso. Influenciado pelos nomes já citados, conseguem fazer uma música de muita personalidade e acima de tudo muito forte. Os vocais de Jonathan são ótimos, enquanto a guitarra de Fernando faz um trabalho primoroso, esbanjando ótimos riffs e melodias definitivamente grudentas. A parte rítmica de Gustavo e Luke transborda qualidade, peso, técnica e muita diversidade.

São 9 canções que vão direto ao ponto, sem espaço para enrolação e com alto potencial de destruir pescoços. “Manipulation” abre os trabalhos com muito de Groove, agressividade de sobra e ótimo desempenho da dupla Gustavo/Luke. O ótimo trabalho da guitarra, que despeja riffs furiosos, é um dos pontos altos da faixa seguinte, “Get Ready”, que além disso possui um refrão marcante. Já “Tarred With the Same Brush” se mostra avassaladora, esbanjando modernidade e brutalidade. Em alguns momentos, os vocais de Jonathan remetem aos de James Hetfield, o que não é pouca coisa. Mantendo a adrenalina alta, “Burning All” chega com ótimas melodias e muito peso. É dessas canções grudentas por natureza.


Localizada cirurgicamente no meio do álbum, certamente com a intenção de dar um refresco para o pescoço alheio, temos a ótima e introspectiva “Death Knocks On My Door”, mas logo em seguida a porradaria volta a imperar, com a bruta “Kill”, outra onde o Groove fala mais alto e a enérgica “Pain”. Já “Tribal Wars” se destaca não só pelos ótimos riffs, como pelo desempenho da parte rítmica, enquanto “Unbroken” encerra o álbum não só com melodias verdadeiramente grudentas, como também com um refrão marcante e diversidade de sobra.

Outro ponto alto aqui se dá com relação à parte técnica. A produção ficou a cargo de Renato Osório (Hibria), com mixagem e masterização feitas por Benhur Lima (ex-Hibria). O resultado final é excepcional, já que o som está claro, totalmente audível, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Uma das melhores produções nacionais que escutei neste ano. Embalado em um digipack caprichado, conta com capa e parte gráfica feitas por Tiago Masseti (Daydream XI), em um trabalho de altíssimo nível. Aqui temos a prova de que, mesmo com toda a crise que vive o país, é possível sim fazer um trabalho altamente profissional e que é capaz de colocar a banda em lugar de destaque.

Aqui temos não só a principal revelação nacional de 2017 até o momento, como também um dos melhores álbuns lançados por uma banda brasileira nesse ano. Se gosta de Modern Metal, esse é um trabalho que você precisa ter na sua coleção. Surpreendente e imperdível.

NOTA: 8,5

Weakless Machine (gravação):
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Luke Santos (bateria).

Weakless Machine é:
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Renato Siqueira (bateria).

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Suicide Silence - Suicide Silence (2017)


Suicide Silence - Suicide Silence (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Importado)


01. Doris
02. Silence
03. Listen
04. Dying In A Red Room
05. Hold Me Up, Hold Me Down
06. Run
07. The Zero
08. Conformity
09. Don’t Be Careful You Might Hurt Yourself

Entre seu debut, The Cleansing (07) e The Black Crown (11), o Suicide Silence cresceu com uma velocidade impressionante, aumentando sua base de fãs a cada lançamento. E justamente quando estava em seu melhor momento, seu vocalista e fundador Mitch Lucker faleceu em um acidente de moto na noite de Halloween de 2012, mergulhando a banda em um momento de grande incerteza. Quase 1 ano depois, quando anunciaram Eddie Hermida (ex-All Shall Perish) nos vocais, muitos questionaram a opção por seguirem em frente, mas os ótimos resultados alcançados por You Can’t Stop Me  (16º lugar na Billboard 200, a melhor posição da banda até então/resenha aqui), acabou por mostrar que a espinhosa decisão havia sido a mais correta.

Apesar disso, ao que tudo indica, uma nova pergunta martelava na cabeça de seus integrantes: deveriam continuar seguindo pelo mesmo caminho, seguro, que rendeu popularidade à banda, ou se arriscar a ousar desafiar seus limites como artistas? Correr o risco da estagnação ou se reinventar? E bem, a essa altura, todos sabemos que a escolha se deu pela segunda opção. Para isso, chamaram o renomado produtor Ross Robinson, responsável por trabalhos de sucesso de nomes como Sepultura, Korn, Deftones, Slipknot e muitos outros. Possivelmente o cara certo para tal missão espinhosa. Ainda assim, a recepção aos dois primeiros singles do álbum, “Doris” e “Silence”, não foi das melhores, tendo inclusive ocorrido uma petição online por parte de fãs para que o Suicide Silence não lançasse o trabalho.

Não vou mentir, esse não é um trabalho de fácil digestão. Ao contrário, é indigesto e boa parte dos fãs não engoliu o mesmo (como comprovou a 163º posição na Billboard 200, depois do anterior ter alcançado a 16ª). Certamente o ciclo até o próximo álbum será turbulento, com pesadas críticas por parte de seu público. Mas Suicide Silence é passível das pesadas críticas que vêm sofrendo mundo afora? Bem, sim e não. O uso dos vocais limpos por Hermida, tão criticado por muitos, afeta sim o resultado final, mas não apenas eles; diria que as linhas vocais como um todo causam problema. Musicalmente, resolveram ousar, trazendo elementos do moribundo Nu Metal para dentro do seu Deathcore, fazendo uma mistura que, ou pode dar muito certo ou ser um desastre completo. A verdade é que esse não é um trabalho de meios termos.

“Doris” e “Silence”, tão criticadas de início, são possivelmente os dois melhores momentos aqui presentes. Em ambas conseguiram encontrar a medida certa para a junção entre Nu Metal e Deathcore aqui propostas. Os vocais limpos podem até incomodar os mais radicais, mas surgem bem encaixados e não comprometem em nada o resultado. O buraco aqui é muito, mas muito mais embaixo. A verdade é que, na ânsia de apresentar algo novo e revolucionar sua sonoridade, o Suicide Silence acaba em muitos momentos trocando os pés pelas mãos. Em alguns, quando pende excessivamente para o Nu, acaba remetendo demais a nomes como Korn e Deftones (em “Dying In A Red Room” você fica esperando os vocais de Chino Moreno entrarem), soando até mesmo um pouco datados. 


Já em outros, até apresentam boas ideias, mas cometem o erro de tentarem colocar todas em uma única música, deixando tudo excessivamente confuso. A confusão também se reflete nas linhas vocais de Eddie Hermida. Sua competência como vocalista já foi mais do que provada em seus trabalhos com o All Shall Perish e com sua estreia no Suicide Silence, mas aqui ele soa irreconhecível. E não, isso não se dá devido aos vocais limpos que abundam em todo o CD. O problema é que em diversas passagens, as linhas vocais parecem não se encaixar no instrumental, soando um tanto forçadas. É como se tivéssemos duas músicas diferentes em paralelo, tocando naquele momento. E nessa, boas melodias que acabam por surgir, terminam se perdendo meio a tanto caos. É o caso de músicas como “Listen”, “Dying In A Red Room” ou “Run”. Claro, existem bons momentos aqui, como nas já citadas “Doris” e “Silence”, ou mesmo “The Zero”, mas prevalecem essas passagens mais estranhas e confusas.

Quanto à parte técnica, não tem muito o que se falar. Produzido por Ross Robinson, teve a mixagem realizada por Joe Barresi (Tool, Queens of the Stone Age, Kyuss, Volbeat) e masterização por Dave Collins (Metallica, Bruce Dickinson, Neurosis, Sepultura). Já a capa é bem simples, contando apenas com uma foto da banda, de responsabilidade de Dean Karr (Danzig, Iron Maiden, Pantera, Slayer, Testament). O design da mesma e o layout do encarte (muito bom por sinal) foram feitos por Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Dimmu Borgir, Brujeria, Testament, Kreator). Como podemos observar, um time de primeiríssima linha.

Bem, o que o futuro reserva ao Suicide Silence, só o tempo dirá. É admirável quando um artista resolve desafiar seus limites e explorar novos horizontes para o seu trabalho. Mas ao fazê-lo, o mesmo deve ter a noção de que isso pode ou não dar certo, e mais, ser ou não ser compreendido pelo seu público-alvo. Infelizmente, o caso aqui parece ser o primeiro. Ao darem abrangência demais às suas composições, fizeram com que elas soassem experimentais um pouco além da conta, perdendo seu foco (e consequentemente sua força) e fazendo com que as boas ideias apresentadas (e elas existem aos montes, pode acreditar) se perdessem. Um álbum que certamente não vai agradar os fãs tradicionais da banda, mas pode vir a atrair um novo público, principalmente os fãs de Nu Metal e aqueles com a cabeça mais aberta a experimentações. Quem sabe no próximo conseguem acertar a mão nessa nova fórmula.

NOTA: 6,0

Suicide Silence é:
- Eddie Hermida (vocal);
- Chris Garza (guitarra);
- Mark Heylmun (guitarra);
- Dan Kenny (baixo);
- Alex Lopez (bateria).

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Voiceless - Time Is Now (2016)


Voiceless - Time Is Now (2016)
(Independente - Nacional)


01 - Burning Soul
02 - A New Life
03 - Verse of Freedom
04 - Wrath
05 - I Am The Death
06 - Chasing Time
07 - Homecoming
08 - Crowns No More
09 - Alright
10 - Night Thrill

Surgida no Maranhão em setembro de 2015, e tendo em sua formação músicos como o guitarrista Chris Wiesen (da banda de Hard Rock Purpura Ink) e Filipe Stress (na época ainda baterista do JackDevil), o Voiceless surpreendeu a muitos, não só por já lançar no final daquele mesmo ano seu debut, Senseless (resenha aqui), como pela sonoridade na qual apostaram, o Metalcore/Modern Metal. Sua música, pesada, variada e agressiva, agradou em cheio a aqueles que apreciavam uma sonoridade mais atual.

Eis que, mostrando não gostar de perder tempo, o Voiceless retornou pouco mais de 1 ano depois, com seu segundo trabalho de estúdio, Time Is Now, mostrando evolução em relação ao seu debut. Sua música soa um pouco mais acessível e melódica, mas, ao mesmo tempo, se mostra mais variada. É possível observarmos passagens aqui que remetem a estilos como Hard Rock, Thrash Metal e Melodic Death Metal, algo não tão audível em Senseless e que só agrega ao estilo da banda.


Um dos maiores trunfos do Voiceless, a presença de dois vocalistas, um cantando de forma mais extrema (Arthur Tribuzi) e outro cantando limpo/melódico (Alexandre Tanabe, que também tocou baixo), continua se fazendo presente. É algo que deixa suas canções mais dinâmicas. Esse artifício funciona muito bem em canções como as modernas e pesadas “Burning Soul” e “A New Life”. As influências de Hard Rock dão as caras nas baladas “Verse of Freedom” e “Homecoming”, ambas com ótimas melodias e bem acessíveis. Já e pesada e bruta “Wrath”, não nega sua influência de Melodic Death Metal, enquanto “Crows No More” tem um dos seus pés bem fincados no Thrash Metal. “I Am The Death” pende mais para o New Metal e tem uma utilização muito boa de efeitos eletrônicos.

Gravado no Acústica Studio, Time Is Now teve produção, mixagem e masterização feitos por Filipe Stress, obtendo um ótimo resultado, já que deixou o som limpo, claro, mas sem perder o peso e a agressividade. A ótima parte gráfica foi obra de Arthur Tribuzi, mostrando que se trata de uma banda de talento em todos os sentidos. Confirmando todo o potencial demonstrado em seu CD de estreia, o Voiceless se coloca entre os principais nomes do cenário Modern Metal nacional e, sinceramente, não fica devendo nada a boa parte das bandas que vêm lá de fora.

NOTA: 8,5

Voiceless é (gravação):
- Arthur Tribuzi (vocal);
- Alexandre Tanabe (vocal/baixo);
- Chris Wiesen (guitarra),
- Filipe Stress (bateria).

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

In Flames – Battles (2016)


In Flames – Battles (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Drained
02. The End
03. Like Sand
04. The Truth
05. In My Room
06. Before I Fall
07. Through My Eyes
08. Battles
09. Here Until Forever
10. Underneath My Skin
11. Wallflower
12. Save Me
13. Greatest Greed (bônus)
14. Us Against The World (bônus)

Quando se é fã de uma banda, nunca é fácil resenhar a mesma, para o bem e para o mal. É complicado encontrar um meio termo quando se escreve. Ainda me recordo bem do meu primeiro contato com a música do In Flames, em 1996. Nessa época, já residia em Minas, mas todo ano ia a Niterói, rever amigos e familiares. Aproveitava também para ir a uma loja, comprar camisas e cd’s, já que isso não era simples de se fazer morando em uma cidade do interior. Era uma época pré-internet e nem sempre se tinha fácil acesso a informações ou a novas bandas e no meu caso, as fontes eram a Rock Brigade, na época e principal revista do estilo do país, e as viagens que fazia, quando me atualizava em conversas com amigos. Em janeiro de 1998, me deparei com Whoracle, 3º álbum de estúdio do In Flames e não exitei em adquirir o cd.

De lá para cá muita água passou por debaixo da ponte e o In Flames já não é mais a mesma banda no que tange sua sonoridade. A partir de Reroute to Remain (02) os suecos começaram a modernizar seu som, gerando revolta nos fãs mais antigos, mas angariando uma multidão de novos admiradores. E no fim, o Death Metal Melódico de outrora acabou por se tornar o mais puro Metal Alternativo, bem “americanizado”, poderíamos dizer. Isso é ruim? Do meu ponto de vista, não. Se na primeira fase, a banda gerou clássicos como The Jester Race (96), Whoracle (97), Colony (99) e Clayman (00), nanova lançou ao menos dois belíssimos trabalhos, Come Clarity (06) e A Sense of Purpose (08). Infelizmente, após isso, Jesper Strömblad partiu e o In Flames perdeu seu principal motor criativo, resultando assim no fraco Sounds of a Playground Fading (11) e no péssimo Siren Charms (14).

Mesmo não fazendo parte dos fãs radicais e que abominam a fase atual, o último trabalho dos suecos havia me decepcionado profundamente. Sendo assim, peguei para escutar Battles, seu 12º trabalho de estúdio, sem grandes esperanças. E bem, acabei me surpreendendo positivamente. Não, o In Flames não voltou a fazer aquele som do passado, mas conseguiu nos entregar um trabalho muito mais sólido e cativante que os anteriores. Pode-se dizer que deram “um passo atrás”, se reaproximando do que escutamos em Come Clarity e A Sense of Purpose. Os vocais de Anders Fridén soam mais agressivos e mesmo as partes mais melódicas soam bem superiores. Björn Gelotte e Niclas Engelin conseguem, em boa parte do tempo, despejar riffs com boas melodias, além de alguns solos bem legais, enquanto na parte rítmica, Peter Iwers (baixo), que infelizmente anunciou sua saída da banda após a turnê americana, e o baterista estreante Joe Rickard conseguem fazer um bom trabalho, soando bem diversificados.


Na maior parte do tempo, o Metal Alternativo fala mais alto, mas é possível pescarmos alguns elementos do Death Metal Melódico de outrora aqui e ali. “Drained”, faixa de abertura, soa bem forte e cativante, com ótimos riffs e boa performance vocal. A faixa seguinte, “The End”, mantém o nível em cima, com aquelas guitarras gêmeas que sempre foram marca registrada da banda (mas em uma proposta mais voltada para o Rock), melodias grudentas, refrão que te pega com facilidade e mais uma vez, bons vocais de Anders. “The Truth” é outra que se destaca com suas ótimas melodias, um belo trabalho das guitarras (que vai sim te remeter ao passado da banda, apesar delas não estarem tão pesadas), elementos eletrônicos bem utilizados e aquele refrão que você cantará já na primeira audição. “Battles” soa bem pesada e possui ótimo solo, descrição que se encaixa também para “Underneath My Skin”. “Save Me” também se destaca e cativa fácil o ouvinte.

Mas infelizmente nem tudo são flores aqui e em alguns momentos, o In Flames soa um pouco maçante, comum e sem inspiração. “Like Sand” é um bom exemplo disso. Não chega a ser ruim, mas não tem nada que te faça lembrar da mesma depois. Isso também vale por exemplo, para “In My Room”, que possui guitarras um tanto genéricas e “Before I Fall”, onde soam como qualquer outra banda de Metal Alternativo, algo que definitivamente eles não são. Já “Here Until Forever” é totalmente dispensável e teria feito bem ao álbum se tivesse sido limada do mesmo. É a única que realmente podemos chamar de ruim.

Gravado e mixado no West Valley Studios, em Los Angeles, Battles teve produção de Howard Benson (Sepultura, Motörhead, Sanctuary, Apocalyptica) e co-produção de Mike Plotnikoff (Fear Factory, Saxon, Scorpions), que foi também o responsável pela mixagem. Quanto à masterização, a mesma foi realizada no Sterling Sound, em Nova York, por Tom Coyne (Deicide, Entombed A.D., Mercyful Fate, Pantera, Testament). O resultado final é de primeira linha.

Ao final, apesar de alguns momentos esquecíveis, Battles acaba tendo um saldo muito positivo, já que é muito mais sólido e coeso que seu antecessor. Ok, ele soa como uma versão mais leve dos ótimos Come Clarity e A Sense of Purpose, ainda podem fazer melhor, mas, ao mesmo tempo, recoloca os suecos de volta nos trilhos com material de qualidade. Na versão que está saindo no Brasil, temos ainda duas faixas bônus que, sinceramente, poderiam ter entrado com sobras na versão padrão, pois são muito boas. Você é desses que espera ouvir o In Flames retornando ao som dos anos 90? Recomendo que pare de se iludir, isso não vai ocorrer. Agora, se você faz parte do time que curte a fase atual da banda, mas andou decepcionado com os últimos trabalhos, pode adquirir Battles sem medo de arrependimento.

NOTA: 7,5

In Flames (gravação):
- Anders Fridén (vocal);
- Björn Gelotte (guitarra);
- Niclas Engelin (guitarra);
- Peter Iwers (baixo);
- Joe Rickard (bateria).

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Amenize – Black Sky (2015)


Amenize – Black Sky (2015)
(MS Metal Records – Nacional)


01. An Endless Dystopia
02. Unlocked
03. Rivals
04. Leeches
05. Blood River
06. Black Sky
07. T-Rex
08. The Creator

O Brasil sempre teve uma tendência forte a pender para o tradicionalismo dentro do Metal. É legal? Sim, certamente, eu particularmente gosto bastante dessa característica de nossas bandas, mas também acho primordial que junto disso, existam bandas que procurem se renovar e buscar sonoridades mais modernas, atuais, afinal, junto disso vem uma renovação necessária do público.

Natural de São Paulo e surgida em 2010, lançou no mesmo ano seu debut, When Angels Turn Into Demons e após um hiato de 5 anos, chegou a seu segundo trabalho. Sua aposta é em um Metal moderno, com alguma influência de Metalcore e que vai agradar em cheio a apreciadores de nomes como Atreyu, Sevendust, All That Remains, Killswitch Engage. Reminiscências de Djent também poder ser escutadas aqui e ali.

Black Sky não tem muito espaço para conversa e o ouvinte irá se deparar com uma música curta, grossa e intensa. O Amenize consegue mesclar muitíssimo bem peso, agressividade, bom groove e melodias. Os vocais de Bruno Corey vão do gritado ao melódico de forma muito natural e agradável, enquanto as guitarras despejam bons riffs. A parte rítmica mostra muita coesão, com destaque para o baterista Danilo Cruz, que senta a mão sem dó no seu kit. Entre as faixas aqui presentes, todas de muita qualidade, os destaques inegáveis ficam para a pesada e bruta “Unlocked”, “Rivals”, com melodias capazes de cativar o ouvinte, “Leeches”, faixa mais cadenciada e melodiosa e “Black Sky”, com uma pegada mais moderna. 


A produção foi do mestre Adair Daufenbach (Project46, John Wayne, Ponto Nulo No Céu) e bem, não preciso dizer o alto nível da mesma. É o melhor produtor do Brasil para sonoridades mais modernas e consegue sempre deixar tudo muito claro, mas sem perder peso e agressividade. Por sinal, ele também foi o responsável ela gravação do baixo, já que Ricardo Strani só entrou para a banda após a gravação do álbum. Já a capa é mais um trabalho de qualidade de João Duarte (www.jduartedesign.com), responsável por capas de bandas como Circle II Circle, Angra, Woslom, Metal Church, Torture Squad, dentre muitas outras.

Intensa, pesada, moderna e cheia de vigor, a música executada pelo Amenize vai agradar em cheio aos fãs de sonoridades mais atuais do Metal. E anotem bem esse nome, pois Bruno Corey (vocal), Brain (guitarra), Ricardo Strani (baixo) e Danilo Cruz (bateria), ainda vão fazer muito barulho (no melhor sentido da palavra) por aí.

NOTA: 8,0

Amenize é:
- Bruno Corey (vocal);
- Brain (guitarra);
- Ricardo Strani (baixo);
- Danilo Cruz (bateria).

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

No Trauma - Viva Forte Até o Seu Leito de Morte (2016)


No Trauma - Viva Forte Até o Seu Leito de Morte (2016)
(MS Metal Records - Nacional)


01. Fuga
02. Quimera
03. M.M.A
04. Massa de Manobra
05. O Chamado
06. Força
07. Sedativo
08. Demoniocracia
09. Igualdade
10. Algemas do Medo
11. Viva Forte
12. Sawabona Shikoba

Nunca fui lá grande apreciador de Metalcore. Não por ser desses radicais que abominam qualquer sonoridade que fuja do padrão tradicional, mas porque simplesmente as bandas que escutava não conseguiam me prender por mais de uma ou duas músicas. Tudo me soava repetitivo, cansativo, igual demais. E aqueles refrões melódicos com vocais limpos então? Como isso me irritava. Sendo assim, quando soube que o No Trauma se enveredava por essa linha, confesso que fiquei com os dois pés atrás.

Nada é mais recompensador do que você se surpreender com um trabalho. E foi exatamente isso que ocorreu durante a audição de Viva Forte Até o Seu Leito de Morte, álbum de estreia do quarteto oriundo do Rio de Janeiro formado por Hosmany Bandeira (vocal), Tuninho Silva (guitarra), João de Paula (baixo) e Marvin Freitas (bateria). O que mais me despertou a atenção é que acima de tudo, procuram fugir dos clichês do estilo e assim dar a sua música uma identidade própria. Claro, certas características como os vocais agressivos alternando entre o gutural e o gritado, guitarra com afinação mais baixa, baixo e bateria velozes e claro, breakdowns, estão presentes, mas a isso somam-se influências de Groove e Djent que acabam tornando tudo bem interessante.

Outro fato bem legal é que as letras são todas em português. E por sinal, que letras, meus caros amigos. Todas são fortes e têm muito o que dizer, valendo a pena acompanhar as mesmas com o encarte em mãos. Fortes, contestadoras e tão pesadas quando o som da banda. São 12 canções intensas, agressivas, com guitarras sujas, baixo e cozinha impondo muito groove e os vocais variando desde guturais até os limpos. E nesse ponto, cabe destacar, se diferenciam do que estamos acostumados nos estilo, ou seja, nada de refrões melódicos com vocais limpos. A coisa aqui é bem mais bruta e quando os vocais limpos surgem, são muito bem encaixados e agregam qualidade.

Sim, tal fala é clichê, mas sinto grande dificuldade em apontar destaques aqui. A sequência inicial por exemplo, é uma porrada daquelas muito bem dadas e que deixa qualquer um meio grogue, perdido. “Fuga” e “Quimera” são bem agitadas, com ótimos riffs e muita agressividade, “M.M.A” mantêm a pegada forte das anteriores, enquanto “Massa de Manobra” destrói tudo do primeiro ao último segundo. Mas o posto de preferida aqui ficou realmente com “Demoniocracia”, veloz, agressiva, brutalmente pesada, inclusive no quesito letra.

Gravado e mixado no Aeon Audio (RJ), com produção do estúdio e da banda, e o resultado ficou muito bom. Do meu ponto de vista, não deve nada se comparado com boa parte das produções que escuto vindo lá de fora. Já a capa e a arte do encarte ficaram por conta do guitarrista Tuninho Silva e são muito legais. Trabalho muito bem feito.

Competente, agressivo, pesado e acima de tudo, buscando fugir dos clichês do estilo, o No Trauma estreou muito bem com Viva Forte Até o Seu Leito de Morte. Se tem a cabeça mais aberta para sonoridades modernas, certamente esse é um trabalho que vai agradar em cheio.

NOTA: 8,5

- Hosmany Bandeira;
- Tuninho Silva (guitarra);
- João de Paula (baixo);
- Marvin Freitas (bateria).

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Melanie Klain – Análise do Caos (2016)


Melanie Klain – Análise do Caos (2016)
(Independente – Nacional)


01. Intro (Desrespeitável Público)
02. Abençoados por Deus
03. Diálogo
04. Fé Cega
05. Guerra
06. Marcas do Abandono
07. Lavagem Cerebral
08. Cartas de um Suicida
09. Cólera/Nação
10. Rede Social
11. Análise do Caos
12. Reflexão

Olha, lhes digo que uma das partes mais legais de se “escrevinhar” resenhas se dá quando uma banda que desconhecemos nos surpreende. A Melanie Klain, banda surgida na cidade de Mococa/SP no ano de 2007, já havia despertado minha atenção no Vol. 7 da coletânea do programa Roadie Metal, mas ainda assim não esperava me deparar com tamanha qualidade ao colocar seu debut, Análise do Caos, para rodar no meu aparelho de som.

Seu som é bem moderno, mesclando influências de Thrash/Groove Metal, Hardcore e Modern Metal, algo como se o Dr. Frankenstein resolvesse formar uma banda unindo partes do System Of A Down, uma banda de Hardcore NY e o Pantera. Isso a grosso modo, já que o quinteto mostra muita personalidade, dando à sua música uma cara bem própria. Esbanjando técnica e variedade, sua música não é muito de se prender a rótulos, o que acaba sendo muito positivo para a banda. Chamam a atenção também as letras, todas em português, muito fortes, bem contestatórias mesmo, escancarando as mazelas do nosso país.

Os vocais de Duzinho são excelentes e ele consegue impor grande variedade vocal ao trabalho, sendo um dos grandes destaques do álbum. A dupla formada por Violla e Chapolin esbanja qualidade nas guitarras, não só através de ótimas linhas e riffs, como também pelos solos. Já a baixista Vick e o baterista Pedro formam uma parte rítmica muito técnica e diversificada, além de muito pesada.

Destaques aqui não faltam, como por exemplo, a ótima “Abençoados por Deus”, bem pesada, variada e com boas mudanças de andamento, características presentes também em “Diálogo”. “Fé Cega” é outra porrada certeira, com destaque para Duzinho e em “Guerra” você pode observar com bastante clareza as influências de Hardcore no som do Melanie Klain. Não posso esquecer também da agressiva “Lavagem Cerebral”, um Thrashcore de refrão grudento, pegada moderna e simplesmente impiedoso, desses de entortar pescoços alheios.

Gravado no SeteStudio e tendo a produção sido feita pela banda em parceria com Fabio Dias, o resultado final foi muito positivo, já que apesar da clareza de todos os instrumentos, o peso e a agressividade se fazem mais do que presentes. A parte gráfica é muito bem bolada, com ilustrações por Carol Melo Navarro, e direção de arte e design de Paulo Jr.

Criativo, inteligente, com muita identidade, sem medo de experimentar e apresentando canções diversificadas e cheias de mudanças de andamento (o que evita que se tornem cansativas), a Melanie Klain se mostra uma das bandas mais promissoras do atual cenário nacional. Se você tem a cabeça mais aberta para sonoridades modernas dentro do Metal, tem a obrigação moral de correr atrás de Análise do Caos.

NOTA: 8,5

Melanie Klain é:
- Duzinho (vocal);
- Violla (guitarra);
- Chapolin (guitarra);
- Vick (baixo);
- Pedro (bateria).

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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Lacuna Coil – Delirium (2016)


Lacuna Coil – Delirium (2016)
(Century Media - Importado)


1 - The House of Shame
2 - Broken Things
3 – Delirium
4 - Blood, Tears, Dust
5 – Downfall
6 - Take Me Home
7 - You Love Me ‘Cause I Hate You
8 - Ghost in the Mist
9 - My Demons
10 – Claustrophobia
11 - Ultima Ratio

Desde Karmacode (06) é a mesma ladainha a cada lançamento dos italianos do Lacuna Coil. Acusações de terem abandonado o Gothic Metal e se voltado para o Metal Alternativo, “americanizando” seu som e o deixando mais comercial. Aliás, sobre esse último ponto sempre achei engraçado, já que os três álbuns que o antecederam, In a Reverie (99), Unleashed Memories (01) e Comalies (02) possuiam forte apelo comercial.

Nunca aceitei muito bem o rótulo de Gothic Metal dado por alguns ao Lacuna Coil, já que isso o colocava na época, no mesmo barco de bandas como Tristania, After Forever e outras nessa linha, sendo que a mesma pouco tinha em comum com esses nomes, que eram bem mais pesados e se utilizavam de forma maciça de artifícios como vocais na linha “Beauty and Beast”. Os italianos sempre foram mais “pop” e pouco se via Andrea Ferro fazendo uso dos guturais para contrapor a bela voz de Cristina. Em comum, apenas as melodias Góticas/Atmosféricas nas canções.

Além do mais, se você escutar Comalies e o contrapor a In Reverie e Unleashed Memories, fica evidente que a fórmula adotada pela banda já vinha demonstrando desgaste e não demoraria muito para se esgotar por completo. Sendo assim, sempre vi a mudança pós-Comalies como sendo saudável para a banda, por mais que considere Karmacode um álbum fraco e seu sucessor, Shallow Life (09), ainda mais desprovido de inspiração. Mas a verdade é que desde Dark Adrenaline (12) as coisas pareciam ter voltado aos eixos, ao menos no quesito criatividade, já que as acusações de “americanização” se mantinham. E gostem ou não, Broken Crown Halo é um bom trabalho (dentro da proposta adotada pela banda).

Ainda assim, os últimos dois anos não foram dos mais fáceis, já que em um curto espaço de tempo, os guitarristas Cristiano “Pizza” Migliore e Marco Biazzi e o baterista Cristiano Mozzati sairam da banda, terminando assim com uma estabilidade que se mantinha desde 2008. Dessa forma, existia uma preocupação por parte dos fãs, de como isso iria afetar o trabalho dos italianos. E bem, me chamem de louco, mas ouso dizer que tais saídas foram a melhor coisa que poderia ter ocorrido ao Lacuna Coil.

Já aviso, se você é desses fãs saudosistas que vivem sonhando com o retorno do Lacuna Coil a sonoridade do passado, continue dormindo (e sonhando). O que vemos em Delirium é uma banda que soa ainda mais moderna em certos aspectos, mais pesada que nunca e com uma crueza que eu ainda não havia observado em seus trabalhos anteriores. E mesmo o pezinho que colocam lá no passado, não serve de consolo aos saudosistas. Sim, confesso, temos algo de sua fase inicial que pode ser percebido em diversas canções, mas nem de perto passa perto da sonoridade daquele período. Alguns podem se assustar com o que vou dizer, mas Delirium me soou em alguns momentos, como se o Fear Factory (mais discretamente) e o Korn tivessem se juntado aos italianos para regravar Comalies. Parece esquisito, mas acreditem, não é.

O maior retrato do que vamos escutar aqui já se encontra na abertura, com “The House of Shame”. De cara, Andrea Ferro já entra rugindo como nunca o fez até então (seus vocais chegam a beirar o Deathcore em alguns momentos), acompanhado de um instrumental absurdamente pesado, moderno e cru, que se contrapõe com as melodias que surgem quando a voz de Cristina (cantando como nunca aqui) entra na canção. Aliás, Andrea é o grande diferencial de Delirium, já que os melhores momentos ocorrem quando ele surge com seus vocais mais agressivos.

Vários são os pontos a destacar aqui. Primeiro, esse é um trabalho conceitual. Sua história foi elaborada após diversas visitas a sanatórios abandonados na Itália. Aqui temos um antigo sanatório, localizado em uma fortaleza nas montanhas do norte da Itália, com as músicas contando histórias das almas atormentadas que povoam o local. Um conceito emocionalmente bem forte, denso e que ajuda em muito no clima mais obscuro que permeia Delirium. Podemos observar também que, ao contrario dos trabalhos anteriores, existe coesão e unidade, pois temos padrão nas composições. Em momento algum fica aquela sensação de um junção de canções díspares que as vezes ocorria nos álbuns que antecederam este. Delirium é um trabalho que flui naturalmente da primeira à última faixa.

O Lacuna Coil, como já dito, soa muito mais pesado que antes, além de mais direto. Apesar disso, ainda conseguem manter uma certa aura “comercial” e que tem tudo para atrair uma fatia considerável de público. Além disso, a mistura dos elementos Góticos/Atmosféricos do passado (inseridos aqui com muita competência) com a pegada mais moderna adotada, acaba dando um maior dinamismo às composições. O contraste entre a agressividade maior de Andrea com as melodias vocais de Cristina geram uma diversidade muito interessante, e as guitarras, todas gravadas pelo baixista Marco-Coto Zelati, despejam os riffs mais pesados já ouvidos em um trabalho dos italianos. A bateria do estreante Ryan Folden soa pesadíssima e é inegável que a banda só ganhou com sua entrada.

Por mais que não exista uma grande variação de qualidade entre as músicas aqui presentes, é claro que temos algumas que se destacam. A já citada faixa de abertura, “The House of Shame”, é uma delas, sendo o grande destaque de Delirium. Aliás, a faixa título é outra que merece ser citada, com seu refrão grudento (escute e tente não passar dias cantarolando o mesmo) e o contraste de vocais de Andrea e Cristina. “Blood, Tears, Dust” mescla muito bem aspereza e melodias, enquanto “Take Me Home” tem um riff simplesmente viciante. “Ghost in the Mist” e “My Demons” são bem agressivas e cativantes e  “Ultima Ratio” encerra o álbum sendo um retrato fiel do mesmo.

A produção é a melhor da banda até hoje, tendo ficado a cargo de Zelati, com a mixagem feita por Marco Barusso, que já trabalhou com a banda em outras oportunidades. Já a capa também foi elaborada pelo baixista (principal compositor e que aqui tocou todas as guitarras, exceto os solos), com base em uma sessão de fotos de Alessandro Olgiati, que casou perfeitamente com a proposta lírica. Como já dito, os solos não ficaram por conta de Marco Coto Zelati, mas sim por convidados. Os responsáveis foram Barusso, Alessandro La Porta (Forgotten Tears), Diego Cavallotti (Acid Ocean, Neptune’s Rage), Myles Kennedy (Slash, Alter Bridge) e Mark Vollelunga (Nothing More).

Ousando sair de sua zona de conforto, o Lacuna Coil procurou se renovar, conseguindo ótimos resultados. Soando mais renovada e fresca, podemos dizer sem medo que uma nova fase se descortina perante os italianos. Delirium pode até não ser o melhor álbum de 2016, mas certamente está entre os principais e mais surpreendentes desse ano.

E para constar, Delirium está ganhando uma versão nacional via Valhall Music.

NOTA: 8,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine de Junho. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download: https://goo.gl/XivMuI
Leitura: https://goo.gl/7CKMkk

Lacuna Coil é:
- Cristina Scabbia (vocal)
- Andrea Ferro (vocal)
- Marco "Maki" Coti-Zelati (guitarra, baixo, teclado e sintetizador)
- Ryan Blake Folden (bateria)

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