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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Thy Art Is Murder - Dear Desolation (2017)


Thy Art Is Murder - Dear Desolation (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast Records - Nacional)


01. Slaves Beyond Death
02. The Son of Misery
03. Puppet Master
04. Dear Desolation
05. Death Dealer
06. Man Is the Enemy
07. The Skin of the Serpent
08. Fire in the Sky
09. Into Chaos We Climb
10. The Final Curtain

O Deathcore é um estilo olhado com desconfiança pelos mais tradicionalistas, mas que vem conquistando seu espaço através dos anos. Ainda assim, é inegável que a saturação da cena vinha causando um certo desgaste ao estilo, sendo inevitável que alguns de seus principais nomes começassem a buscar novos rumos para sair da mesmice musical. E bem, com os australianos do Thy Art Is Murder, isso não foi diferente, já que é possível observarmos alguns avanços em Dear Desolation, quando comparado com sua obra anterior, Holy War (15).

Aos que ainda desconhecem o trabalho de Thy Art Is Murder, o grupo surgiu no ano de 2006, já tendo lançado 1 Ep e chegando agora ao seu 4º trabalho de estúdio. Após o lançamento de Holy War, foram abalados com a notícia da saída do vocalista CJ McMahon (que queria dedicar mais tempo à família), o que os forçou a tocar com uma série de vocalistas convidados, já que não anunciaram um substituto. Mas para a alegria dos fãs, no começo desse ano, os australianos anunciaram o retorno de seu vocalista e sem demora, trataram de soltar um novo álbum.

Mas bem, como dito, atualmente a maioria dos grandes nomes do estilo vêm buscando novos rumos para sua música, e no caso do Thy Art Is Murder, a escolha foi aproximar sua música mais do Death Metal, principalmente daquele praticado por bandas polonesas, como Behemoth e Decapitated. Claro, os elementos característicos do Deathcore se fazem presentes, mas estão bem mais atenuados, pelo menos em relação à primeira metade do álbum. Os vocais de CJ McMahon soam mais ferozes que nunca, enquanto a dupla formada por Sean Delander e Andy Marsh executa um belo trabalho de guitarras, não só no que tange aos riffs, como também aos solos. A parte rítmica, com Kevin Butler e Lee Stanton mostra coesão, técnica e brutalidade. E preste atenção no desempenho de Stanton e note toda influência que Inferno (Behemoth) exerce sobre ele.


A primeira metade do trabalho soa praticamente irretocável. “Slaves Beyond Death” tem bons riffs e em alguns momentos, beira o Death Metal (mas soando moderna), sendo seguida pela brutal e feroz “The Son of Misery”. “Puppet Master” é uma das melhores aqui presentes, e além de muito peso, possui bom groove, enquanto “Dear Desolation” soa moderna e se destaca pelo trabalho das guitarras. “Death Dealer” é densa e agressiva, conseguindo manter o padrão de qualidade das faixas anteriores. Infelizmente, na segunda metade temos uma queda de qualidade, já que canções como “The Skin of the Serpent” e “Into Chaos We Climb” soam bem comuns e sem brilho. Ainda assim, cabe aqui destacar “Fire in the Sky”, com suas ótimas melodias e a fortíssima “The Final Curtain”, que encerra os trabalhos.

Todo o trabalho de produção, mixagem e masterização mais uma vez ficou nas mãos de Will Putney (Gojira, Hibria, Exhumed), que conseguiu alcançar um ótimo resultado, já que está tudo muito claro, pesado, agressivo e bem timbrado. Já a capa foi obra de Eliran Kantor (Incantation, Ex Deo, Fleshgod Apolcalypse, Iced Earth, Testament, Soufly), e é uma das mais bonitas e impactantes desse ano de 2017. Mostrando estar disposto a explorar novas fronteiras, o Thy Art Is Murder deu um passo importante para fugir da estagnação em que o cenário Deathcore se enfiou nos últimos anos. Claro, existem arestas a serem aparadas aqui e ali, como o desnivelamento do álbum a partir da segunda metade deixa bem claro, mas não é isso que faz de Dear Desolation um trabalho menor, já que boa parte do mesmo é decididamente empolgante.

NOTA: 8,0

Thy Art Is Murder é:
CJ McMahon (vocal)
Sean Delander (guitarra)
Andy Marsh (guitarra)
Kevin Butler (baixo)
Lee Stanton (bateria)

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)


Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)
(Shinigami Records/Century Media Records - Nacional)


01. The Loss Of Fury
02. Bring The War Home
03. Passage Of The Crane
04. They Shall Not Pass
05. Downshifter
06. Prey To God
07. My Heart Is My Compass
08. Save Me
09. Corium
10. Extermination Order
11. A River Of Crimson
12. The Cry Of Mankind (My Dying Bride Cover)

Existem bandas que sempre procuram inovar, às vezes com bons resultados, outras vezes, nem tanto assim. No espectro oposto, existem aquelas bandas que encontraram uma “fórmula mágica” e que, por isso, procuram se manter dentro de sua zona de conforto. Assim como no caso anterior, isso pode ser positivo ou negativo, dependendo muito do nível de inspiração dos músicos envolvidos. É nesse segundo caso que se encaixam os alemães do Heaven Shall Burn, que ano passado lançaram Wanderer, seu 8º trabalho de estúdio e que agora chega as mãos dos fãs brasileiros em sua versão nacional, graças à iniciativa da Shinigami Records.

No caso do grupo alemão, encontraram sua fórmula em Antigone (04) e de lá para cá, pouco arriscaram, variando alguma coisa aqui e ali, mas mantendo sempre uma mesma linha sonora, mesclando Death Metal Melódico com Metalcore, criando assim uma espécie de Deathcore Melódico, capaz de agradar desde os fãs de nomes como Kataklysm ou In Flames (antigo) até os que apreciam bandas como Caliban e As I Lay Dying. Felizmente, no caso do HSB, a inspiração sempre esteve em dia e nunca decepcionaram seus fãs, lançando bons trabalhos na última década.

Mas em Wanderer, primeiro trabalho sem o baterista fundador, Matthias Voigt, podemos observar alguns pequenos avanços na sonoridade do Heaven Shall Burn. A base de sua sonoridade continua ali, firme e forte, mas podemos observar uma certa influência de Thrash Metal nos riffs, dando assim mais peso às canções aqui presentes. Sim, estamos diante do trabalho mais pesado do HSB em muito tempo, o que acaba por ser uma lufada de ar fresco para a banda. Os vocais de Marcus Bischoff continuam ótimos, brutos, agressivos e variados, sendo uma das marcas do quinteto, mas precisamos muito falar aqui da dupla de guitarristas Alexander Dietz e Maik Weichert. Decididamente, são a alma de Wanderer, já que seus riffs conseguem equilibrar com perfeição agressividade e melodia, além de soarem muito pesados. Os solos também se destacam pela qualidade. Eric Bischoff faz um bom trabalho no baixo e cabe dizer que seu instrumento está bem mais audível aqui do que no trabalho anterior, Veto (13). Já o estreante Christian Bass consegue manter o alto nível de seu antecessor, já que a bateria continua soando bombástica.


São 12 canções, incluindo a já tradicional faixa cover que consta em todos os lançamentos. Depois de coverizar bandas como Bolt Thrower, Paradise Lost, Edge of Sanity e Blind Guardian, dentre outras, a escolha aqui recaiu sobre o My Dying Bride. O nível das mesmas é bem homogêneo, mas é possível apontar alguns destaques inatos aqui. “Bring The War Home” é esmagadora e tem uma influência bem nítida da cena de Gotemburgo, sendo impossível não se lembrar dos bons momentos do In Flames nos anos 90. Isso também ocorre em “Passage Of The Crane”, bem refinada mas sem abrir mão da brutalidade, em “Extermination Order” e na direta “Corium” (com participação do guitarrista Nick Hipa, ex-As I Lay Dying). “Prey To God” é a faixa mais Death Metal já composta pela banda e conta com a participação mais que especial de ninguém menos que George "Corpsegrinder" Fisher (Cannibal Corpse). Já “A River Of Crimson” é bem intensa e possui ótimas melodias. E não dá para não citar a primorosa versão de “The Cry Of Mankind”, do My Dying Bride, simplesmente magistral e de muito bom gosto, contando com a participação de Aðalbjörn Tryggvason, vocalista do Sólstafir.

Produzido pelo guitarrista Alexander Dietz, com mixagem e masterização de Tue Madsen (Behemoth, At The Gates, Dark Tranquillity, Moonspell, Kataklysm, Vader), o resultado final é ótimo. Claro, cristalino, pesado e agressivo. Já todo o layout e design foram obra de Carsten Drescher (After Forever, Arch Enemy, Epica, Borknagar, Paradise Lost, Lacuna Coil), e acompanharam a qualidade da produção. Se você é fã do Heaven Shall Burn, sabe bem que pode adquirir esse trabalho sem medo, mas se você se encontra no time dos mais receosos, devido ao pé da banda no Metalcore, mas é fã de Death Metal Melódico, eis aqui um título que vale muito a pena conhecer.

NOTA: 8,0

Heaven Shall Burn é:
- Marcus Bischoff (vocal);
- Maik Weichert (guitarra);
- Alexander Dietz (guitarra);
- Eric Bischoff (baixo);
- Christian Bass (bateria).

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Céu em Chamas - Infernal (2017)


Céu em Chamas - Infernal (2017)
(Independente - Nacional)


01. Lutar
02. Portões do Inferno
03. Gritos e sussurros
04. Correntes
05. Caos
06. Inferno
07. Falida Imaginação
08. Sopro da Destruição
09. Olhos Pulsantes

O que chamamos de “brasileiro médio” é sem sombra de dúvida, um sujeito conservador em quase todos os campos de sua vida. Não é um tipo muito afeito a mudanças, ao que fuja do tradicional, do “certo”. O “fã médio de Heavy Metal” no Brasil também não difere em nada disso. Se apega com todas as suas forças às formas mais tradicionais de se fazer Metal, vendo como “modinha” ou desmerecendo a qualidade de qualquer coisa que ouse sair da fórmula pronta que perdura no estilo por décadas. A coisa chega a um ponto que, para muitos, basta ter sido feito nos anos 80/90 para se tornar um material clássico (mesmo que na época em que foi originalmente feito tenha sido considerado mediano ou até mesmo fraco). Basta observar que muitos dos selos nacionais hoje em dia sobrevivem de relançamentos de álbuns clássicos, ou até mesmo obscuros, do período citado acima.

Isso se reflete de diversas formas em nossa cena, como por exemplo, no fato de que boa parte dos novos nomes apostam justamente nessas sonoridades mais tradicionais, afinal, as mais modernas são “coisa de adolescentes modinhas”, segundo muitos pregam por aí. E não me levem a mal, gosto e muito do Metal feito nas décadas passadas, mas isso não significa que preciso desmerecer o que é feito hoje em dia, afinal, tem muita coisa boa por aí, basta deixar o radicalismo um pouco de lado. Mas felizmente, existem aqueles que remam contra a corrente e investem com força em sonoridades mais modernas, indo de encontro aos anseios de uma geração de fãs mais nova e que sim, prezado amigo que parou musicalmente no tempo, não se importa muito com os novos trabalhos do Metallica ou do Iron Maiden.

O Céu em Chamas surgiu em Itapira/SP, no início de 2013, e faz parte desse grupo que nada contra a corrente. Mesclando elementos típicos do Metalcore, com estilos como Death Metal Melódico e Groove Metal, sua sonoridade nos remete de imediato a nomes como Heaven Shall Burn, Carnifex, Hatebreed, Whitechapel, The Agonist, In Flames, ou as brasileiras Confronto, Pray For Mercy e Project46. Sua música transborda energia e alterna momentos mais velozes com outros mais cadenciados, mas nunca abrindo mão do peso. Rafael Coradi (ex-Slasher) é responsável por ótimos guturais, sempre cantando de forma bem agressiva, enquanto a dupla Alemão e Maicon é responsável por bons riffs (em alguns momentos, típicos de Death Metal) e melodias muito agradáveis. A parte rítmica, com Frango (baixo) e Betão (bateria), também executa um belo trabalho, dando diversidade às canções e soando bem firme.


São 9 sons que, como já dito, soam muito enérgicos, além de bastante heterogêneos. Não há grandes variações de qualidade entre as músicas, apesar de obviamente termos algumas que se destacam frente às demais. “Lutar” tem uma sonoridade bem moderna e um ótimo trabalho da dupla de guitarristas, enquanto “Portões do Inferno” é curta e direta, com destaque inevitável pra o belo trabalho da parte rítmica. “Gritos e Sussurros” é outra com uma pegada mais moderna e as guitarras despejam riffs com boas melodias, que inevitavelmente vão te remeter a nomes como In Flames e Dark Tranquillity. “Inferno” é uma bela mescla de Hardcore com Death Metal, abusando da agressividade e do peso, e “Sopro de Destruição” faz mais do que jus ao seu nome, destruindo pescoços dos menos tarimbados.

Gravado no Black Stone Studio, com produção de Bruno Cestari, Infernal tem ótima qualidade nesse quesito, já que mesmo com tudo claro e audível, o peso e a agressividade se fazem mais que presentes. Já a capa foi obra do guitarrista Alemão Pompeu. Vale destacar que o álbum está disponível para download gratuito tanto no site da banda como também em seu Bandcamp. Podem não apresentar absolutamente nada de novo, mas dentro do que propõem a fazer, conseguem obter um ótimo resultado, ainda mais se tratando de um álbum de estreia. Então, se esse é o seu tipo de som, vale muito a pena conferir a música do Céu em Chamas.

NOTA: 8,0

- Rafael Coradi (vocal);
- Alemao Pompeu (guitarra);
- Maicon (guitarra); 
- Frango (baixo);
- Betao (bateria).

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Metal Media (Assessoria de Imprensa)


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Suicide Silence - Suicide Silence (2017)


Suicide Silence - Suicide Silence (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Importado)


01. Doris
02. Silence
03. Listen
04. Dying In A Red Room
05. Hold Me Up, Hold Me Down
06. Run
07. The Zero
08. Conformity
09. Don’t Be Careful You Might Hurt Yourself

Entre seu debut, The Cleansing (07) e The Black Crown (11), o Suicide Silence cresceu com uma velocidade impressionante, aumentando sua base de fãs a cada lançamento. E justamente quando estava em seu melhor momento, seu vocalista e fundador Mitch Lucker faleceu em um acidente de moto na noite de Halloween de 2012, mergulhando a banda em um momento de grande incerteza. Quase 1 ano depois, quando anunciaram Eddie Hermida (ex-All Shall Perish) nos vocais, muitos questionaram a opção por seguirem em frente, mas os ótimos resultados alcançados por You Can’t Stop Me  (16º lugar na Billboard 200, a melhor posição da banda até então/resenha aqui), acabou por mostrar que a espinhosa decisão havia sido a mais correta.

Apesar disso, ao que tudo indica, uma nova pergunta martelava na cabeça de seus integrantes: deveriam continuar seguindo pelo mesmo caminho, seguro, que rendeu popularidade à banda, ou se arriscar a ousar desafiar seus limites como artistas? Correr o risco da estagnação ou se reinventar? E bem, a essa altura, todos sabemos que a escolha se deu pela segunda opção. Para isso, chamaram o renomado produtor Ross Robinson, responsável por trabalhos de sucesso de nomes como Sepultura, Korn, Deftones, Slipknot e muitos outros. Possivelmente o cara certo para tal missão espinhosa. Ainda assim, a recepção aos dois primeiros singles do álbum, “Doris” e “Silence”, não foi das melhores, tendo inclusive ocorrido uma petição online por parte de fãs para que o Suicide Silence não lançasse o trabalho.

Não vou mentir, esse não é um trabalho de fácil digestão. Ao contrário, é indigesto e boa parte dos fãs não engoliu o mesmo (como comprovou a 163º posição na Billboard 200, depois do anterior ter alcançado a 16ª). Certamente o ciclo até o próximo álbum será turbulento, com pesadas críticas por parte de seu público. Mas Suicide Silence é passível das pesadas críticas que vêm sofrendo mundo afora? Bem, sim e não. O uso dos vocais limpos por Hermida, tão criticado por muitos, afeta sim o resultado final, mas não apenas eles; diria que as linhas vocais como um todo causam problema. Musicalmente, resolveram ousar, trazendo elementos do moribundo Nu Metal para dentro do seu Deathcore, fazendo uma mistura que, ou pode dar muito certo ou ser um desastre completo. A verdade é que esse não é um trabalho de meios termos.

“Doris” e “Silence”, tão criticadas de início, são possivelmente os dois melhores momentos aqui presentes. Em ambas conseguiram encontrar a medida certa para a junção entre Nu Metal e Deathcore aqui propostas. Os vocais limpos podem até incomodar os mais radicais, mas surgem bem encaixados e não comprometem em nada o resultado. O buraco aqui é muito, mas muito mais embaixo. A verdade é que, na ânsia de apresentar algo novo e revolucionar sua sonoridade, o Suicide Silence acaba em muitos momentos trocando os pés pelas mãos. Em alguns, quando pende excessivamente para o Nu, acaba remetendo demais a nomes como Korn e Deftones (em “Dying In A Red Room” você fica esperando os vocais de Chino Moreno entrarem), soando até mesmo um pouco datados. 


Já em outros, até apresentam boas ideias, mas cometem o erro de tentarem colocar todas em uma única música, deixando tudo excessivamente confuso. A confusão também se reflete nas linhas vocais de Eddie Hermida. Sua competência como vocalista já foi mais do que provada em seus trabalhos com o All Shall Perish e com sua estreia no Suicide Silence, mas aqui ele soa irreconhecível. E não, isso não se dá devido aos vocais limpos que abundam em todo o CD. O problema é que em diversas passagens, as linhas vocais parecem não se encaixar no instrumental, soando um tanto forçadas. É como se tivéssemos duas músicas diferentes em paralelo, tocando naquele momento. E nessa, boas melodias que acabam por surgir, terminam se perdendo meio a tanto caos. É o caso de músicas como “Listen”, “Dying In A Red Room” ou “Run”. Claro, existem bons momentos aqui, como nas já citadas “Doris” e “Silence”, ou mesmo “The Zero”, mas prevalecem essas passagens mais estranhas e confusas.

Quanto à parte técnica, não tem muito o que se falar. Produzido por Ross Robinson, teve a mixagem realizada por Joe Barresi (Tool, Queens of the Stone Age, Kyuss, Volbeat) e masterização por Dave Collins (Metallica, Bruce Dickinson, Neurosis, Sepultura). Já a capa é bem simples, contando apenas com uma foto da banda, de responsabilidade de Dean Karr (Danzig, Iron Maiden, Pantera, Slayer, Testament). O design da mesma e o layout do encarte (muito bom por sinal) foram feitos por Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Dimmu Borgir, Brujeria, Testament, Kreator). Como podemos observar, um time de primeiríssima linha.

Bem, o que o futuro reserva ao Suicide Silence, só o tempo dirá. É admirável quando um artista resolve desafiar seus limites e explorar novos horizontes para o seu trabalho. Mas ao fazê-lo, o mesmo deve ter a noção de que isso pode ou não dar certo, e mais, ser ou não ser compreendido pelo seu público-alvo. Infelizmente, o caso aqui parece ser o primeiro. Ao darem abrangência demais às suas composições, fizeram com que elas soassem experimentais um pouco além da conta, perdendo seu foco (e consequentemente sua força) e fazendo com que as boas ideias apresentadas (e elas existem aos montes, pode acreditar) se perdessem. Um álbum que certamente não vai agradar os fãs tradicionais da banda, mas pode vir a atrair um novo público, principalmente os fãs de Nu Metal e aqueles com a cabeça mais aberta a experimentações. Quem sabe no próximo conseguem acertar a mão nessa nova fórmula.

NOTA: 6,0

Suicide Silence é:
- Eddie Hermida (vocal);
- Chris Garza (guitarra);
- Mark Heylmun (guitarra);
- Dan Kenny (baixo);
- Alex Lopez (bateria).

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Profecia do Caos - Pregação da Maldição (2016)


Profecia do Caos - Pregação da Maldição (2016)
(Independente - Nacional)


01. Intro/Profecia
02. Olhos Vendados
03. Punição
04. Nostradamus
05. Pilhagem
06. Apocalipse De Ódio
07. Visões
08. Pregação Da Maldição

Por mais que os fãs de Metal no Brasil sejam mais conservadores (e ao que parece cada vez mais, não só no que se refere à música), podemos observar que cada vez mais, estilos mais modernos estão conseguindo penetrar essa barreira. Surgido no ano de 2014 na cidade de Poços de Caldas/MG, o Profecia do Caos, formado por Edu Kammer (vocal), Natanael Leda e Fábio Basso (guitarras), Fernando Mohammed (baixo) e Brenner Valverde (bateria), aposta no Deathcore e, apesar do pouco tempo de estrada, já nos apresenta seu trabalho de estreia.

Efetivamente falando, não temos absolutamente nada de novo aqui. Sua música é pesada, mesclando elementos do Death Metal, do Metalcore e do Hardcore, vocais guturais, breakdowns e tudo mais que se espera de uma banda do estilo. As letras são em português, fazendo jus ao nome da banda e claro, as músicas são raivosas e enérgicas. Tudo dentro do esquema. E ai está o problema, não escutamos aqui nada que já não tenha sido feito dentro do estilo por outras bandas mais consagradas. Falta um diferencial ao Profecia do Caos.

Não que a banda seja ruim. Os vocais de Edu Kammer são muito bons, a dupla de guitarristas formada por Natanael e Fábio mostram bom entrosamento e despejam bons riffs, e a parte rítmica, com Fernando e Brenner se mostra ótima e bem técnica. Boas ideias surgem aqui e ali, as músicas mostram alguma qualidade, mas na maior parte do tempo fica aquela sensação de que faltou algo. Um pouco mais de variedade cairia bem, já que tudo é um pouco parecido demais. Trabalhar um pouco mais as composições seria uma boa no próximo álbum. 


As músicas se mostram bem objetivas, as vezes até um pouco além do recomendando, já que das 8 canções aqui presentes, apenas duas ultrapassam a casa dos 4 minutos, com três delas não chegando aos 3 minutos. Os destaques ficam com “Nostradamus”, a melhor de todo o álbum e que, apesar de ser a mais curta de todas, se mostra a mais variada, “Apocalipse De Ódio”, com uma boa melodia, muita agressividade e bons riffs, e o encerramento, com “Pregação Da Maldição”. Quanto à produção, realizada pela própria banda, está dentro da média e da proposta, não comprometendo em nada o resultado final. Vale dizer que o mesmo foi gravado, mixado e masterizado no Studio Athenas, em Poços de Caldas. Já a parte gráfica, ficou por conta do baixista Fábio Basso, ficando simples, mas muito funcional, obtendo bom resultado.

Apresentando o básico do estilo e algumas boas ideias, o Profecia do Caos mostra potencial para o futuro, afinal, estamos falando de uma banda que está completando seu terceiro ano de existência, mas com o que está apresentado aqui hoje, vai agradar apenas aqueles fãs menos exigentes de Deathcore e de outras sonoridades mais modernas. Se buscar algo mais original e mais bem trabalhado, não irá encontrar aqui. É esperar o amadurecimento natural da banda e os trabalhos futuros, para ver se tal potencial se confirma.

NOTA: 7,0

Profecia do Caos é:
- Edu Kammer (vocal);
- Natanael Leda (guitarra);
- Fábio Basso (guitarra);
- Fernando Mohammed (baixo);
- Brenner Valverde (bateria).

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Heavenless - Whocantbenamed (2017)


Heavenless - Whocantbenamed (2017)
(Rising Records - Nacional)


01. Enter Hades
02. Hopeless
03. The Reclaim
04. Hatred
05. Soothsayer
06. Odium
07. Uncorrupted
08. Deceiver
09. Point-blank

Elogiar a cena nordestina nos dias de hoje é chover no molhado. Algumas das melhores bandas do nosso cenário na atualidade são advindas de lá, sendo o Rio Grande do Norte um dos maiores celeiros da região. É de lá, mais precisamente de Mossoró, que vem o Heavenless, Power Trio surgido no ano de 2016 e que já tratou logo de lançar seu debut. Antes que o leitor questione se com tão pouco tempo já estariam prontos para tal empreitada, vale dizer que todos os músicos aqui envolvidos possuem experiência de sobra.

Formado por Kalyl Lamarck (vocal/baixo, Monster Coyote), Vinícius Martins (guitarra, Bones in Traction) e Vicente “Mad Butcher” Andrade (bateria, Bones in Traction), o trio se envereda pelos caminhos do Death/Thrash, mas passando longe daquela sonoridade mais datada adotada por muitos novos nomes por aí. Isso se dá pelas influências mais que evidentes de Groove Metal e Deathcore, que enriquecem sua música, dando assim um ar mais contemporâneo à mesma. Esse é indiscutivelmente o grande diferencial do Heavenless.

Sua música mostra uma coesão surpreendente para uma banda surgida há tão pouco tempo, algo que se dá certamente pela experiência dos envolvidos. Demonstram também técnica de sobra, o que pode ser observado nos ótimos arranjos e nas variações de andamento presentes em suas canções. Os vocais de Kalyl são bem agressivos e diversificados, e ao lado de Vicente, formam uma parte rítmica excelente. Enquanto isso, Vinícius faz um belo trabalho na guitarra, despejando riffs agressivos e verdadeiramente grudentos.




Das 9 pedradas aqui presentes, podemos apontar entre os maiores destaques “Enter Hades”, com boa cadência, brutalmente agressiva e com boas mudanças de tempo, a furiosa e pesada “Hopeless”, a angustiante e densa “The Reclaim”, “Odium”, que faz jus ao nome, simplesmente avassaladora e com grande destaque para o desempenho da bateria e “Deceiver”, um verdadeiro murro no pé do ouvido, veloz e mais puxada para o Death Metal. Ainda assim, todas as demais faixas possuem grande qualidade e certamente vão te fazer bater cabeça pelo quarto.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Cassio Zambotto, com um resultado final muito bom. Claro, audível, mas sem perder o peso e a agressividade que a música do trio pede. Já a parte gráfica, foi feita por Hugo Silva e ficou ótima, casando perfeitamente com a proposta da banda. Bruto, pesado, agressivo e equilibrando muito bem o tradicional e o moderno, o Heavenless consegue sair do lugar-comum e apresentar uma música empolgante, feita para moer pescoços. Uma das grandes revelações nacionais nesse ano de 2017.

NOTE: 8,5

Heavenless é:
- Kalyl Lamarck (vocal/baixo);
- Vinícius Martins (guitarra);
- Vicente “Mad Butcher” Andrade (bateria).

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Aversions Crown - Xenocide (2017)

Aversions Crown - Xenocide (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Void
02. Prismatic Abyss
03. The Soulless Acolyte
04. Hybridization
05. Erebus
06. Ophiophagy
07. The Oracles Of Existence
08. Cynical Entity
09. Stillborn Existence
10. Cycles Of Haruspex
11. Misery
12. Odium

Pode-se dizer que com a mesma velocidade que se popularizou, o Deathcore estagnou. O cenário foi inundado por bandas que mesclavam riffs tipicamente Death, vocais guturais e breakdowns, soando praticamente idênticas umas às outras. Dentro desse panorama, quando os australianos do Aversions Crown surgiram com seu debut, Servitude, no ano de 2011, não despertaram tanto a atenção, já que não apresentavam muita coisa de novo. Ainda assim, conseguiram um contrato com a Nuclear Blast e 3 anos depois, soltavam seu segundo álbum, Tyrant. Durante esse tempo, a banda rodou mundo afora, tocando ao lado de nomes de peso como Thy Art Is Murder, All Shall Perish e The Acacia Strain.

Pois esses 6 anos e toda a estrada percorrida pela banda só os fizeram muito bem. Se em Servitude a banda soava um pouco mais técnica e se em Tyrant pendia para um lado mais experimental e atmosférico, em Xenocide ela resolveu mesclar o que de melhor fez em seus trabalhos anteriores. Se mostrando muito mais madura e técnica, seu terceiro trabalho soa mais sofisticado, complexo e sim, podemos dizer, menos “Core” e mais “Technical Death Metal”. Os vocais estão simplesmente brutais e muito variados, enquanto as guitarras conseguem equilibrar riffs daqueles de fazer qualquer um bater cabeça, com passagens atmosféricas interessantes. A parte rítmica esbanja técnica e variedade, com destaque maior para o trabalho da bateria, simplesmente esmagadora.


Efetivamente, o Aversions Crown não apresenta nada de muito novo, soando como uma mescla do The Faceless com o Whitechapel, algo de Thy Art Is Murder e até mesmo de Cattle Decapitation (com quem já excursionaram). Mas mesmo sem soar original, sua música invariavelmente prende o ouvinte. “Prismatic Abyss” é totalmente Death, com ótimos riffs e melodias, além do destaque para a bateria, enquanto “The Soulless Acolyte” é simplesmente brutal, variada e com ótimo desempenho vocal. “Hybridization” é outra esmagadora e com ótimo groove, enquanto “Erebus” é uma verdadeira carnificina, com seus riffs simplesmente destruidores. Outra igualmente feroz é “Ophiophagy”, com um clima sinistro e onde a bateria dá outro show. Mais uma que vale a pena destacar é “Odium”, faixa que encerra o trabalho de forma simplesmente esmagadora, equilibrando bem momentos brutos, melódicos e atmosféricos.

A produção ficou a cargo de Adam Merker e da própria banda, com mixagem e masterização feitas por Mark Lewis (Carnifex, Deicide, Fallujah, Cannibal Corpse, Death Angel, Whitechapel). Ótimo resultado, com tudo claro, limpo, mas ainda assim agressivo e pesado, Já a bela capa foi obra de Ryohei Hase. Com um trabalho implacável, variado, carregado de virtuosismo e com ótimos riffs, o Aversions Crown pode até não apresentar grandes novidades, mas mostra que mesmo em um estilo que anda um tanto estagnado, é possível ainda se fazer um trabalho relevante. Obrigatório para os fãs de Deathcore.

NOTA: 8,5

Aversions Crown é:
- Mark Poida (vocal);
- Mick Jeffery (guitarra);
- Chris Cougan (guitarra);
- Jayden Mason (bateria).

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Carnifex - Slow Death (2016)


Carnifex - Slow Death (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil)

 
01. Dark Heart Ceremony
02. Slow Death
03. Drown Me in Blood
04. Pale Ghost
05. Black Candles Burning
06. Six Feet Closer to Hell
07. Necrotoxic
08. Life Fades to a Funeral
09. Countess of the Crescent Moon
10. Servants to the Horde

O Deathcore, assim como os demais gêneros que possuem uma pegada mais moderna, ainda sofrem um preconceito muito forte por parte dos mais tradicionalistas. Com toda sinceridade, acho isso uma grande besteira, afinal de contas, assim como qualquer gênero dentro do Metal, possui bandas boas e bandas ruins. Os americanos do Carnifex, na estarda desde 2005, contando o breve hiato entre 2012 e 2013, entram no primeiro grupo. Mostrando uma evolução contínua desde sua estreia em 2007, com Dead in My Arms, chegam aqui ao seu 6º trabalho de estúdio.

O Carnifex procura fugir um pouco do padrão do estilo, saindo assim do lugar-comum de boa parte das bandas que apostam nessa linha. Claro, os clichês vão ser encontrados em Slow Death, afinal, ainda são uma banda de Deathcore, mas sua sonoridade é mais desenvolvida, refinada, muito mais variada do que costumamos ver em bandas do gênero. Aqui, o quinteto estadunidense pratica uma música que é mais cadenciada, atmosférica e melódica que seus parceiros, mas sem abrir mão um milímetro sequer do peso e da brutalidade em suas canções.

Esse também é um álbum mais sombrio que seus antecessores e muito disso se dá devido não só a um certo flerte da banda com o Black, como também pelos discretos elementos orquestrais e sinfônicos que o grupo já vem adicionando à sua sonoridade desde o trabalho anterior, o bom Die Without Hope (14). Isso tudo serviu para dar uma maior profundidade à sua música. Faixas como “Dark Heart Cerymony” e “Slow Death” possuem uma pegada mais arrastada, influências de Doom e Sludge e riffs de inegável qualidade. Nelas, assim como em “Countess of the Crescent Moon”, podemos também observar as citadas influências de Black. Já os que preferem um Deathcore mais padrão, certamente ficarão felizes com “Six Feet Closer to Hell” e “Servants to the Horde”. Mas o grande destaque atende pelo nome de “Pale Ghost”, com sua saraivada de riffs e belíssimo solo. Aliás, cabe elogiar o ótimo desempenho de Jordan Lockrey. O cara tocou muito!

A produção se deu a quatro mãos, através de Jason Suecof (Chimaira, Death Angel, The Black Dahlia Murder, Whitechapel) e Mick Kenney (o Irrumator, do Anaal Nathrakh). Já a mixagem foi feita por Mark Lewis (Cannibal Corpse, Fallujah, Deicide). O resultado final foi muito bom e passou longe da polidez excessiva que ouvimos hoje em dia. Bruto, pesado e muito bem timbrado.

Ao final de tudo, o Carnifex entregou um álbum que vai agradar os fãs de Deathcore, mas que também tem potencial para conquistar apreciadores fora desse círculo, graças à variedade, brutalidade e selvageria de sua música. Um trabalho que vale muito a pena conhecer.

NOTA: 8,0

Carnifex é:
- Scott Lewis (vocal);
- Cory Arford (guitarra);
- Jordan Lockrey (guitarra);
- Fred calderon (baixo);
- Shawn Cameron (bateria).

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

TankrusT – The Fast of Solace (2015)

TankrusT – The Fast of Solace (2015)
(Almost Famous – Importado)


01. DMZ
02. Draw the Line
03. Apollo is Dead
04. Autonomy
05. Improvisation 28
06. Dead Pools
07. Barbarians
08. Grow Some Balls
09. 10:22
10. Cleaver

Surgido no ano de 2006 em Paris, sobre o nome de Eleusis, o TankrusT estreou em estúdio no ano de 2013 com o bom EP Beyond Thresholds, que se não apresentava nada de novo, mostrava uma banda com potencial latente. Pois bem, ano passado finalmente lançaram seu primeiro trabalho completo de estúdio. E bem, podemos dizer que o período passado entre a estreia e esse The Fast of Solace só fez bem à banda.

Para situar o leitor, o TankrusT aposta em uma mescla de Thrash com Death Metal Melódico, com uma pegada bem moderna e altas doses de agressividade. Se mostrando mais madura e coesa, podemos ouvir aqui uma banda que, se não apresenta nenhuma grande variedade estilística, mostra muita garra, energia e honestidade no que se propõe a fazer. Além do peso imposto às canções, destacam-se também a técnica apresentada (na medida certa, sem exageros) e uma boa diversidade (bem superior ao trabalho de 2013).

Uma boa mostra do que vamos encontrar aqui já pode ser ouvida na faixa abertura, a forte “DMZ”, com melodias que fincam os pés da banda no território do Death Melódico, riffs que pendem para o Thrash e vocais que alternam entre o rosnado e o gritado (sem espaço para vocalizações limpas). Essas características também podem ser observadas em outras faixas, como “Apollo is Dead” e a implacável “Barbarians”. Já canções como “Draw the Line”, brutal e com um refrão muito forte, e “Improvisation 28”, com linhas de baixo mais grooveadas e bateria pesadíssima, dão o toque de modernidade necessário à proposta da banda e remetem mais diretamente ao Machine Head (mas longe de soar como uma cópia, Ok).

A produção possui um nível de qualidade muito bom, tendo o trabalho de mixagem e masterização sido feitos por Olivier t’Servrancx. Ótima escolha de timbres, além de ter deixado tudo muito audível e limpo, mas sem perder o peso e a agressividade. Já a capa e layout foram feitos por Tib-Gordon e o álbum vem embalado em um digipack bem legal.

Como já dito mais acima, não temos aqui grandes novidades, nada muito original e fresco, mas a energia, peso e honestidade que o quinteto francês coloca em cada nota aqui tocada compensa tudo isso. Se gosta de uma música pesada, agressiva e com pegada moderna, vale muito a pena correr atrás e conhecer o trabalho do TankrusT.

NOTA: 8,0

TankrusT é:
- Kootôh (vocal)
- Garth (guitarra)
- Will (guitarra)
- Jules (baixo)
- Schuff (bateria)

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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Buried Side - Heading To The Light (2016)


Buried Side - Heading To The Light (2016)
(Independente - Importado)

 
01. The Great March
02. The Elevation
03. Ways of Transfiguration
04. The Judgement
05. The Divine Traveler
06. Out of Times (Instrumental)
07. Son of Chaos
08. Burning Star
09. The Quiet River
10. Towards Infinity

Apesar de ter gerado alguns bons nomes no que tange o Rock/Metal, a Suíça nunca foi um grande celeiro de bandas do estilo. Mas é exatamente de lá que vem o Buried Side, banda surgida em 2011, com um EP lançado e que chega agora a seu debut apostando em um estilo que é visto com muitas ressalvas pelos fãs de Metal mais tradicionalistas, o Deathcore. Mas em um estilo que dá claros sinais de estagnação, o que uma banda com tão pouco tempo de estrada poderia apresentar de novo para se destacar ante a concorrência?

Definir apenas como Deathcore a sonoridade adotada pelo Buried Side, é querer limitar uma proposta que pretende ser um pouco mais ampla, mesmo que utilizem elementos que já ouvimos em bandas de certo renome. Fora o peso absurdo, que remete ao Death Metal, sua música se mostra bem técnica e fica bem evidente a influência de Progressive/Djent na mesma. Outro aspecto importante e que cabe destaque é a temática adotada pelo quinteto suíço, o Egito antigo. Isso não se reflete apenas na parte gráfica e lírica, mas também nas músicas, já que temos diversas passagens mais atmosféricas nessa linha, geradas tanto pelas guitarras da dupla Gaetan Tellenbach/Quentin Seewer, como também pelos teclados e cítara.

A grosso modo, poderíamos definir o Buried Side como uma mistura da técnica e peso do Born Of Osíris com a parte atmosférica/lírica do Nile. Exemplos para isso não faltam, como por exemplo, em “The Elevation”, o retrato perfeito do álbum, com influências de Djent e guitarra e bateria afiadíssimos, “Ways of Transfiguration”, com alguns trechos atmosféricos bem interessantes e instrumental que vai agradar em cheio aos fãs de Deathcore, “The Divine Traveler”, com um belo trabalho de guitarra e melodias bem cativantes e “Burning Star”, bem pesada e variada. Cabe um destaque também aos vocais de Ian Girod, que alternam entre o urrado e o gritado, conseguindo resultados bem interessantes.

Quanto à parte técnica, falta um pouco de informação por aqui. O que se pode afirmar é que Heading To The Light foi gravado no Black Rabbit Studio, por Olivier e Quentin Seewer e que recebeu mixagem e masterização no Sequence Sound Studio. Já a parte gráfica ficou por conta de Chromatorium.

Carregado de energia, pesado, técnico e com boas melodias, Heading To The Light pode não ser o álbum que irá mudar os rumos do Deathcore, mas que busca saídas para fugir do lugar comum e credencia o Buried Side como uma das bandas de mais potencial no estilo para os próximos anos,

NOTA: 8,0

Buried Side é:
- Ian Girod (vocal)
- Quentin Seewer (guitarra)
- Gaetan Tellenbach (guitarra)
- Nicolas Py (baixo)
- Baptiste Maier (bateria)

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pray For Mercy – In Absentia (2014)




Pray For Mercy – In Absentia (2014)
(Eternal Hatred Records – Nacional)

01. Prefatio (Intro)
02. Ato I: O Início da Escuridão
03. Anexo I: Cárcere
04. Anexo II: Intrepidus
05. Anexo III: Invocação
06. Ato II: Aceite a Dor
07. Anexo IV Exílio Manchado de Sangue
08. Anexo V: Guiado pelas Sombras
09. Anexo VI: Cegueira do Verdadeiro Mal
10. Ato III: Descobertas das Cinzas
11. Anexo VII: Decesso
12. Ato IV: Martírio

Para quem não conhece o Pray For Mercy, a banda é originária de São Paulo, tendo surgido no ano de 2010 e lançando seu primeiro álbum, Olhos Sem Vida, em 2012. No ano passado uma tragédia se abateu sobre a banda, com o assassinato de seu vocalista Fábio Frazão em uma briga de família. Apesar da dor pela perda de um dos fundadores, optaram por seguir em frente com seu trabalho. Agora, com a inclusão de Bruno Tortorello (vocal) e Gustavo Oliveira (teclado), chegam a seu segundo álbum, intitulado In Absentia.
A base do som continua sendo o Deathcore brutal apresentado em seu trabalho de estréia, mas estendendo ainda mais a amplitude de sua música. Claro que elementos como riffs tipicamente Death, blast beats furiosos, afinação baixa ou breakdowns, estão mais do que presentes aqui, assim como passagens que podem remeter ao Grindcore, mas a inclusão de um teclado e as conseqüentes orquestrações feitas por esse, aprofundou ainda mais a música do Pray For Mercy. Me chamem de louco, mas em vários momentos em que as mesmas surgem, fui remetido ao trabalho do Dimmu Borgir e bandas similares. E olha, isso ficou incrível, até porque devo frisar, essa dose a mais de melodia não comprometeu em nada a brutalidade da música aqui presente. Riffs absurdamente pesados, parte rítmica técnica e furiosa, uma dupla de vocalistas simplesmente insana que alterna entre o gutural e o rasgado, vociferando letras em português que possuem uma temática anti-religiosa e que são mais Black do que muitas bandas do estilo por ai e um teclado muito bem encaixado nas músicas e que não comete exageros são a receita para 11 faixas (a primeira é uma introdução) de absoluta qualidade e tão pesado quanto o Inferno. Destaques? “Ato I: O Início da Escuridão”, “Anexo I: Cárcere”, “Anexo III: Invocação” (uma das melhores músicas que escutei esse ano), “Anexo IV Exílio Manchado de Sangue”, “Anexo VI: Cegueira do Verdadeiro Mal” e “Ato IV: Martírio”.
Com um som moderno, variado, profundo e simplesmente infernal (em todos os sentidos positivos disso), o Pray For Mercy não só presta um tributo a Flavio Frazão como também nos entrega um dos grandes álbuns de Metal desse ano. Uma banda capaz de agradar fãs de bandas dispares como Whitechapel, Carcass e Dimmu Borgir, o que convenhamos é algo para poucos. E fontes seguras me garantiram que o Capiroto não tira esse Cd do seu playlist lá no Inferno.

NOTA: 9,0





terça-feira, 26 de agosto de 2014

A Red Nightmare – A Red Nightmare (2014)




A Red Nightmare – A Red Nightmare (2014)
(Independente – Nacional)

01. Demigod
02. Hedonist
03. Lobotomedia
04. Bane
05. Enemy
06. A Red Nightmare Pt. I
07. A Red Nightmare Pt. II
08. A Red Nightmare Pt. III
09. Earth’s Revenge
10. Koloniale Raubwirstschaft
11. While Someone Has Drowsiness

Não é fácil viver de música no Brasil e se você é uma banda de Metal, estilo que não está presente nas grandes mídias, isso se torna ainda mais difícil. Então, quando vejo uma banda independente lançando material, faço questão de ouvir com muita atenção, pois sei que para chegarem até aquele momento, tiveram que colocar a faca entre os dentes e lutar com vontade para conseguir tal objetivo. E quando o material tem qualidade, como no caso dos paraenses do A Red Nightmare, melhor ainda!
O quinteto aposta em um Death Metal brutal, pesado e com a agressividade inerente ao estilo, mas com um ar moderno. Muitos a rotulariam como uma banda de Deathcore, mas acho um erro limitar a sonoridade mais abrangente do A Red Nightmare a esse rótulo. Se tivesse que vir a escolher um, talvez Modern Death Metal fosse o mais adequado. Seu som é bem variado, alternando com competência impar momentos mais velozes com outros mais cadenciados. As músicas são muito bem arranjadas, com bela participação das guitarras (Igor Sampaio e Vinícius Carvalho), que despejam ótimos riffs e uma cozinha (Marcos Saraiva – baixo, Luciano Camara – bateria) muito bem entrosada, que dá a variedade e o peso necessários a música dos paraenses. Vale destacar também os ótimos vocais urrados de Leonan Ferreira. O que mais me chamou a atenção aqui é que não vemos muitas bandas no Brasil apostando nesse tipo de sonoridade, o que acaba chamando ainda mais a atenção para o trabalho dos paraenses. O álbum, graças ao alto nível das músicas aqui presentes, é bem homogêneo e nada nele é descartável. Destaques para “Demigod”, “Hedonist”, “Enemy” e a trilogia “A Red Nightmare”.
A produção sonora, a cargo da própria nada e de Adair Daufembach (Hangar, Project46) é ótima e a parte gráfica, a cargo de Gustavo Sazes (Morbid Angel, Arch Enemy, Sodom, Kamelot, Manowar, entre outras) é uma das melhores que vi esse ano. Tudo muito profissional e de qualidade, mostrando que mesmo uma banda independente pode fazer algo de alto nível hoje em dia, independente das dificuldades encontradas. Com um som moderno e forte, o A Red Nightmare estréia com o pé direito, nos presenteando com um álbum que vai deixar muito banger experiente por ai com torcicolo. O trabalho esta disponível para os interessados no Bandcamp da banda, mas sinceramente, vale à pena colocar a mão no bolso para adquiri-lo. Facilmente entre os melhores álbuns nacionais de 2014.

NOTA: 9,0