Mostrando postagens com marcador Metal Progressivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Metal Progressivo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Pérolas do Cancioneiro Popular: Pain of Salvation – One Hour by the Concrete Lake (1998)

 

Pain of Salvation - One Hour by the Concrete Lake (1998)
(InsideOut Music - Importado)

01.  Spirit of the Land
02.  Inside
03. The Big Machine
04. New Year's Eve
05. Handful of Nothing
06. Water
07. Home
08. Black Hills
09. Pilgrim
10. Shore Serenity
11. Inside Out

Você sabe que uma banda é realmente boa no que faz, quando ela consegue fazer uma pessoa que não é fã do estilo, gostar do seu trabalho. Esse é o caso do Pain of Salvation. Não escondo de ninguém que o Prog Metal está longe de ser um dos meus estilos preferidos, mas quando se trata de um álbum dos suecos, eu simplesmente me esqueço disso. A banda capitaneada pelo genial Daniel Gildenlöw sempre presenteia seus fãs com trabalhos ousados e brilhantes, por mais que em alguns casos, você precise de um pouco mais de tempo para se acostumar com a proposta de alguns álbuns.

“One Hour by the Concrete Lake” é um álbum conceitual, divido em 3 partes. Ele acompanha um homem que trabalha na indústria de armas, e que, após começar a questionar a moralidade do que faz, resolve deixar de ser uma engrenagem dessa grande máquina que controla a sua vida. Essa é a premissa da primeira parte, intitulada “Part of the Machine”, que vai de “Inside” até a “New Year's Eve”. Na segunda parte, “Spirit of Man”, que vai de “Handful of Nothing” até “Home”, ele viaja ao redor do mundo, descobrindo os efeitos que as armas que fabricou realmente tiveram. Além disso, presenciam a luta de índios nativos americanos para recuperar sua terra sagrada, roubada pelo colonizador branco, que não só retirou urânio de seu solo, como também despejou lixo radioativo no local. Na terceira parte, Karachay, que vai de “Black Hills” até “Inside Out”, ele chega no lago Karachay, em Kyshtym na ex-URSS. Nesse local, tanto lixo nuclear foi despejado no lago, que hoje, se uma pessoa ficar em sua margem por 1 hora, estará contaminada mortalmente pela radiação. Entre 1978 e 1986, blocos de concreto foram jogados no lago, para evitar assim o deslocamento dos sedimentos radioativos. Ao final, o álbum defende que qualquer pessoa seria capaz de entender o significado das questões e imoralidades relatadas nas letras do álbum, bastando que para isso, ficassem por apenas 1 hora a beira do lago Karachay.

“One Hour by the Concrete Lake” é apenas o segundo álbum da carreira do Pain of Salvation, mas já mostra um nível de maturidade musical de uma banda veterana. Extremamente variado, as músicas alternam entre momentos pesados e outros mais melodiosos e suaves, e a forma como tudo isso flui naturalmente é de impressionar, tanto que você mal de dá conta do tempo passando durante a audição. As guitarras soam primorosas, e a parte rítmica soa poderosa. Os teclados são uma parte importante do trabalho, dando substância as músicas, e criando a ambientação das mesmas. Mas o grande destaque realmente são os vocais de Daniel Gildenlöw, uma das melhores vozes do Heavy Metal atual. A forma como ele consegue variar sua voz, conforme o que a música pede, é algo que poucos conseguem fazer. Ela da sentido e emoção a cada uma das músicas.

Apontar destaques, ao menos para mim, é algo impossível, já que todas as músicas são realmente muito boas. Nada aqui soa deslocado ou fora de lugar, nada soa exagerado ou desnecessário. Cada riff, cada nota, cada melodia, tudo está onde deveria exatamente estar. Apesar de todos os músicos serem absurdamente técnicos, nenhum deles perde tempo querendo exibir suas habilidades. A musicalidade de “One Hour by the Concrete Lake” é absurda. É um álbum intenso, que arrebata e emociona quem se permite se aventurar pelos caminhos às vezes sinuosos da música do Pain of Salvation. Altamente indicado não só para fãs de Prog Metal, como também de boa música. E vale dizer que a versão lançada na América do Sul possui uma música a mais, a bônus “Beyond the Mirror”.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)


Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)
(Die Hard - Nacional)


01. Origami
02. I a.m. Living
03. Rooster Race
04. Daily View
05. Water Birds
06. Keep Trying
07. The Seed
08. Far West
09. Across The River
10. Penitência
11. Hijos de La Tierra
12. Trainsition

O Maestrick é dessas bandas que quando você escuta, se questiona a respeito do motivo de não receberem todo o reconhecimento que lhes é merecido. Surgida em 2004, na cidade de São José do Rio Preto/SP, lançaram um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda nacional, Unpuzzle!, no ano de 2011, sendo seguido 5 anos depois, do ótimo EP de covers The Trick Side of Some Songs. No ano passado, finalmente chegaram ao seu segundo álbum de estúdio, Espresso Della Vita: Solare, um dos melhores trabalhos lançados em 2018, ao nível mundial, sob o rótulo de Metal Progressivo.

Quem teve a oportunidade de escutar Unpuzzle!, se deparou com uma ótima mescla de Prog Metal com Rock Progressivo, com influências mais nítidas de nomes como Queen, Yes, Rush, Genesis e Jethro Tull, mas também abrindo espaço para elementos externos a música pesada, como MPB, Baião, Samba, Pop, Hard Rock, e tudo mais que julgavam caber dentro de sua música. O resultado foi fantástico, com um álbum diversificado, carregado de identidade, e que fugia do lugar-comum dentro do estilo. Pois, acreditem, o que era muito bom, conseguiu ficar melhor ainda, já que tiveram 7 anos para refinar ainda mais a sua fórmula. O resultado é exuberante.

Espresso Della Vita: Solare, é um trabalho conceitual, que aborda a vida a partir da perspectiva de uma viagem de trem. Nele, temos a primeira parte da mesma, tendo início as 6 da manhã, e cobrindo as 12 primeiras horas do dia. Esse conceito por trás da música, cria uma aura cinematográfica, gerando a sensação de estarmos diante de uma trilha sonora de filme, algo que é reforçado pela criatividade do trio formado por Fabio Caldeira (vocal, piano e teclado), Renan “Montanha” Somera (baixo) e Heitor Matos (bateria). É tudo muito bem trabalhado, e principalmente, objetivo, já que poucas são as faixas que ultrapassam a casa dos 5, 6 minutos de duração, o que evita que a audição se torne cansativa e repetitiva. O fato de buscarem fugir das obviedades musicais do Prog Metal, sem medo de experimentar e quebrar os limites impostos pelo estilo, deixa tudo ainda mais prazeroso de se escutar.

Os vocais de Fábio estão simplesmente primorosos, e são um dos pontos altos do trabalho, já que conseguem transmitir muita emoção ao ouvinte. As guitarras, quase todas gravadas pelo produtor  Adair Daufembach, soam excelentes, com ótimos riffs e solos. Passagens acústicas e de viola caipira também foram incorporadas nas canções, e dão um brilho a mais nesse sentido. Quanto a parte rítmica, ela não é menos que primorosa, já que Renan e Heitor, não só esbanjam técnica, como também diversidade e coesão. Linhas de teclado e piano foram muito bem encaixadas, sem exageros, assim como as orquestrações e coros – a gravação contou com uma orquestra/coral com mais de 20 pessoas –, e os elementos étnicos soam como um grande diferencial na sonoridade do Maestrick.


Após a introdução, com “Origami”, temos a ótima “I a.m. Living”, com suas boas melodias, peso, refrão cativante e teclados bem encaixados. Na sequência, “Rooster Race” apresenta uma viola caipira em sua introdução, além de outros elementos regionalistas durante sua duração, que em alguns momentos me remeteram ao que o Angra fez em Holy Land. Além disso, apresenta ótimos riffs e um trabalho de bateria muito bom. “Daily View” soa como uma mistura do Queen, do A Night at the Opera, com Beatles, além de ótimas melodias vocais, enquanto a introdução de “Water Birds” me remeteu ao trabalho do grande Marcus Viana e o seu Sagrado Coração da Terra. Fora isso, se destaca também pelas linhas e solo de guitarra, vocais, e a boa utilização de regionalismos. Com uma ótima parte rítmica e boa utilização dos teclados, “Keep Trying” tem uma pegada mais Classic Rock, que deixa a mesma muito legal.

A segunda metade do álbum abre com a épica “The Seed”, bem quebrada, variada e com os dois pés bem fincados no Progressivo, e que ganha mais profundidade ainda graças aos corais. Apesar dos mais de 15 minutos de duração, você mal nota o tempo passar tamanha sua qualidade. Lembram da aura cinematográfica que falei no início da resenha? Pois bem, “Far West” poderia estar na trilha sonora de um daqueles westerns de Sergio Leone, com Clint Eastwood no papel do Homem sem Nome. Mais uma vez, as guitarras e a parte rítmica se destacam. “Across The River” é uma belíssima balada, bela e introspectiva, com um ótimo solo de guitarra, sendo seguida por outro dos pontos altos do álbum, a pesada “Penitência”, cantada em português e com uma utilização primorosa de elementos regionais. Dá até mesmo para traçar um paralelo entre ela e “Ratamahatta”, do Sepultura, apesar de diferirem muito entre si. A sequência final é composta pela ótima “Hijos de La Tierra”, com um refrão marcante, e a cativante “Trainsition”.

A produção, mixagem e masterização foram brilhantemente executadas por Adair Daufembach, e sinceramente, não fica devendo nada as produções de bandas consagradas do estilo, vindas do exterior. Sua clareza permite que escutemos cada detalhe da rica música aqui presente, mas sem que a mesma perca o peso e a energia. A parte gráfica, obra de Juh Leidl – vocalista da ótima Freesome – é outro ponto de destaque, com cada faixa possuindo uma ilustração que a retrata bem, além de vir em um digipack muito caprichado e bem-feito. Bem trabalhado e esbanjando criatividade, Espresso Della Vita: Solare, consolida de vez a sonoridade do Maestrick, e os coloca no mesmo patamar que os grandes nomes do estilo. Que a segunda parte venha logo!

NOTA: 92

 Maestrick é:
Fábio Caldeira (vocal, teclado e piano);
Renato Somera (baixo);
Heitor Matos (bateria).

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube



quarta-feira, 3 de julho de 2019

Myrath – Shehili (2019)


Myrath – Shehili (2019)
(earMUSIC/Shinigami Records – Nacional)


01. Asl
02. Born To Survive
03. You’ve Lost Yourself
04. Dance
05. Wicked Dice
06. Monster In My Closet
07. Lili Twil
08. No Holding Back
09. Stardust
10. Mersal
11. Darkness Arise
12. Shehili

Quando me deparei pela primeira vez com o Myrath, logo após o lançamento de seu 3º álbum de estúdio, Tales of the Sands, em 2011, confesso que inicialmente, o que me chamou a atenção foi o fato de virem da Tunísia, um país africano e de maioria muçulmana. Só que ao escutar “Merciless Times”, faixa de trabalho do álbum em questão, percebi que não estava apenas diante de um nome oriundo de um “país exótico”, mas sim de uma ótima banda de Metal Progressivo, que enriquecia a sua música com elementos sonoros de sua cultura. Na sequência, após um hiato de 5 anos, lançaram o excelente Legacy e, não só consolidaram seu nome entre os grandes do estilo, como conseguiram um contrato com a earMUSIC. Shehili é sua estreia pela nova gravadora.

Esse é um trabalho que consolida de vez a sonoridade da banda. Reforçando ainda mais a presença de elementos da música do Norte da África, o quinteto formado por Zaher Zorgati (vocal), Malek Ben Arbia (guitarra), Anis Jouini (baixo), Elyes Bouchoucha (teclado) e Morgan Berthet (bateria), acaba gerando um Metal Progressivo grandioso, cativante e majestoso, que vai agradar em cheio aos fãs do estilo. A mistura executada soa muito orgânica, nada forçada, e muito disso se dá pelo fato de que os instrumentos e elementos folclóricos realmente são parte essencial das canções, e não estão ali apenas para maquiar deficiências da banda. Nesse sentido, não soa exagero dizer que se aproximam do Orphaned Land, mesmo que as bandas soem diferentes entre si.


Uma das coisas que mais me prende na música do Myrath, é que ela tem algo um tanto exagerado, kitsch, mas de uma forma muito positiva. É daqueles casos onde às vezes, o mais é mais, o que acaba sendo muito bom. Isso torna tudo cativante, divertido, e te prende a música de uma forma que poucas bandas conseguem atualmente, ao menos quando falamos de Metal Progressivo. Exemplos disso ficam bem claros nas fotos presentes no encarte, e em vídeos de canções como “Believer” (do álbum Legacy) e “Dance”, onde essa estética do exagero fica muito evidente, desde a forma como eles são construídos, até na interpretação do vocalista Zaher Zorgati. Aliás, como canta cada vez melhor esse rapaz, é sem dúvida um dos grandes diferenciais do Myrath frente a concorrência.

Após uma breve introdução, temos de cara um dos grandes destaques de todo álbum, a ótima “Born to Survive”, canção forte e que mescla de forma primorosa elementos folclóricos e Metal Progressivo, além de um ótimo trabalho de guitarra e refrão marcante. Na sequência “You’ve Lost Yourself” tem bom trabalho percussivo, além de ótimos riffs e vocais. “Dance” é a epítome da estética kitsch adotada pelo Myrath. É exagerada, pomposa e acima de tudo, divertida. É impossível não se empolgar com ela e não sair dançando pela sala, cantarolando o refrão. Porque sim, você fará ambas as coisas durante a audição. Já “Wicked Dice” é a “versão má” da faixa anterior, já que deixam essa coisa meio brega totalmente de lado, com uma aposta maior no Prog – mas claro, com elementos Folk salpicados aqui e ali –, guitarra, baixo e teclados marcantes, além de boas melodias. A ótima “Monster In My Closet” também se encaixa nessa descrição, apesar de uma presença um pouco mais forte dos elementos folclóricos, principalmente no que se refere a percussão.


Do meu ponto de vista, a segunda metade do álbum dá uma ligeira caída, ainda que o alto nível das canções seja mantido. “Lili Twil” é um cover para uma canção do grupo de Rock marroquino Les Frères Mégri, que fez sucesso no mundo árabe na primeira metade dos anos 70. Mesclando trechos cantados em um dialeto marroquino, com partes cantadas em inglês, conseguiram deixar a canção com uma cara própria, sem descaracterizar a versão original. “No Holding Back” tem um clima mais épico, graças a boa utilização de elementos sinfônicos, mas possivelmente é a que menos empolga em todo trabalho, ainda que esteja longe de decepcionar. “Stardust” tem um ar mais sombrio, que destoa um pouco da atmosfera do restante do álbum, mas soa bem emocional e tem um ótimo trabalho tanto do baixo quanto do teclado. “Mersal” é outra que se destaca por esse ar emocional, e contra com a participação do renomado cantor e compositor tunisiano Lofti Bouchnak. A sequência final é composta pela pesada e moderna “Darkness Arise”, e pela sinfônica e bela faixa título.

Determinada a entregar um trabalho de qualidade em todos os sentidos, os tunisianos passaram por 4 estúdios e trabalhou com alguns nomes mais do que conhecidos no meio. A produção ficou a cargo do ex-tecladista do Adagio, Kévin Codfert, que já está com a banda desde o debut. Ele também foi o responsável por mixar 3 das canções aqui presentes. As mixagens e masterizações restantes foram realizadas por Eike Freese (Deep Purple, Gamma Ray, Hansen & Friends) e pelo onipresente, onisciente e onipotente Jens Bogren. Quanto a parte gráfica, foi dividida entre Perrine Perez Fuentes (Adagio e o próprio Myrath), Paul Thureau (Rhapsody of Fire) e Laura Billiau. Vivendo seu melhor momento, o Myrath entrega aos fãs um trabalho que solidifica de uma vez por todas, sua sonoridade, além de ser bem equilibrado, orgânico e divertido. Certamente um dos grandes álbuns de Metal Progressivo que você escutará em 2019! Se gosta do estilo, mas ainda desconhece o trabalho da banda, está mais que na hora de corrigir essa falha.

NOTA: 88

Myrath é:
- Zaher Zorgati (vocal);
- Malek Ben Arbia (guitarra).
- Anis Jouini (baixo);
- Elyes Bouchoucha (teclado);
- Morgan Berthet (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube


terça-feira, 11 de junho de 2019

Cellar Darling – The Spell


Cellar Darling – The Spell
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Pain
02. Death
03. Love
04. The Spell
05. Burn
06. Hang
07. Sleep
08. Insomnia
09. Freeze
10. Fall
11. Drown
12. Love Pt. II
13. Death Pt. II

Após a saída do Eluveitie, o trio formado por Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados), Ivo Henzi (guitarra e baixo) e Merlin Sutter (bateria) não perdeu tempo, fundando o Cellar Darling. Em 2017 lançaram seu debut, This Is the Sound, onde mostraram uma agradável mescla de Rock Progressivo e Folk, com alguns elementos mais Pop e Atmosféricos aqui e ali. O resultado foi muito positivo, mostrando um potencial de crescimento imenso e gerando expectativa quanto ao segundo álbum. Pois bem! Pouco mais de 1 ano e meio depois, ele chegou.

A primeira coisa que me chamou a atenção em The Spell foi o fato do mesmo se tratar de um álbum conceitual. Ele conta a história de uma garota sem nome, nascida através da dor em um mundo carregado de dor. Na sua busca por um sentido na vida, a jovem acaba conhecendo e se apaixonando pela morte, sofrendo com seu amor não correspondido, e concluindo toda a história com um final ambíguo, que deixa o ouvinte pensativo. Esse conceito se reflete no Prog/Folk da banda, já que música do trio está soando mais pesada e intensa que no álbum anterior. Você tem a sensação de que todo o potencial que demonstraram no debut começa a ser explorado. Por Sucellus, como canta Anna Murphy! Acredito que aqui ela tenha seu melhor trabalho vocal, já que sua voz é a principal responsável pelo jogo de luz e sombras que observamos durante todo o tempo.

“Pain” abre o álbum de forma enérgica, mesclando bem Progressivo com elementos tribais, e destacando o bom trabalho das guitarras e o refrão que cativa já de cara. “Death” faz jus ao nome, e surge obscura e melancólica, com os vocais de Anna hipnotizando o ouvinte, e sua flauta magistralmente encaixada na canção, dando o clima necessário a mesma. Ouso dizer que se você é fã de Doom Metal, vai se afeiçoar e essa faixa. A pesada “Love” traz um pouco de luz ao CD, e possivelmente é a faixa que mais remete ao debut, sendo seguida pela ótima “The Spell”, que carrega a escuridão de volta ao trabalho. “”Burn” se mostra uma faixa pesada e técnica, sendo mais um dos momentos onde Anna brilha com sua voz. É interessante notar como os títulos se encaixam com perfeição no clima que cada faixa passa ao ouvinte, e aqui não é diferente.


“Hang” se destaca pelas belas melodias, e por um clima que consegue ser bucólico e assustador ao mesmo tempo, enquanto “Sleep”, conduzida por um piano e pela bela voz de Anna, se mostra altamente emocional e profunda. “Insomnia” se mostra pesada, intensa, e tem boa utilização de elementos Folk; “Freeze” tem ótimo trabalho percussivo, além de uma melodia que te prende e passagens mais atmosféricas e transcendentais. Excelente! Com o álbum se encaminhando para o final, temos a curta “Fall”, quase como um interlúdio, a densa “Drown”, e  uma sequência fortíssima, composta por “Love Pt. II”, outra onde a percussão destaca, e “Death Pt. II”, onde o piano e a voz de Anna provam que o peso de uma canção não está apenas em suas guitarras. Possivelmente é a faixa mais emocional de todo o trabalho.

Produzido e mixado por Tommy Vetterli (Coroner, Eluveitie, Kreator, 69 Chambers), e com a masterização sendo feita por ele, o onipotente, onisciente e onipresente Jens Bogren, The Spell tem uma produção fantástica, já que você consegue escutar todos os instrumentos aqui presentes com uma clareza absurda, mas sem que isso tire o peso das canções. Já a parte gráfica ficou por conta de Costin Chioreanu (Arch Enemy, Carach Angren, Mayhem, At the Gates, Darkthrone). Mostrando a evolução esperada, soando mais forte, pesado e intenso, o Cellar Darling vai agradar não só quem já havia gostado do debut, como também tem potencial para conquistar novos fãs. Um dos álbuns mais legais que escutei nesse 1º semestre de 2019.

NOTA: 86

Cellar Darling é:
- Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados)
- Ivo Henzi (guitarra e baixo)
- Merlin Sutter (bateria)

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Pedro Farinazzo – Winterstorm (2018) (EP)


Pedro Farinazzo – Winterstorm (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. Before the Storm
02. Leave Your Ghosts Behind
03. Ressurection
04. Winterstorm
05. Overcoming
06. The Illusion of Freedom

O undergorund nacional é repleto de grandes talentos que, na maioria das vezes, não recebem o devido espaço da mídia e reconhecimento do público. Uma pena. Natural de Juiz de Fora (MG), o multi-instrumentista Pedro Farinazzo já passou por diversos nomes da cena juiz de forana, como Insannica e Fearless, mas já a algum tempo resolveu se enveredar pelos caminhos dos trabalhos próprios, primeiro com a One Man Band Enharmonic Khaos, e agora com seu primeiro álbum solo, Winterstorm.

A base de sua sonoridade está naquele Prog Metal mais clássico, de bandas como Dream Theater, Symphony X e Fates Warning, mas a isso mescla vertentes mais atuais, como o Djent, o Modern Metal e o Metalcore de nomes como All That Remains, Killswitch Engage, As I Lay Dying, Veil of Maya e After the Burial. As canções aqui apesentadas se mostram bem diversificadas, pesadas e com boa dose de complexidade, algo que certamente vai agradar aos fãs do estilo. Um ponto ser melhor trabalhado no futuro diz respeito aos vocais. Quando vai para um lado mais agressivo, Pedro até se sai bem, mas quando se envereda por tons mais limpos a coisa dá uma pequena desandada, já que ele fica devendo um pouco nesse sentido.


A intro “Before the Storm” cumpre bem o seu papel e dá ao ouvinte uma pequena amostra do que ele encontrará pela frente. “Leave Your Ghosts Behind” tem guitarras pesadas, boas linhas de baixo e vocais que trafegam entre o limpo e o agressivo. É um dos destaques aqui. “Ressurection” possui um instrumental bem técnico, passagens acústicas interessantes, mas acaba um pouco prejudicada pelos vocais limpos, algo que também ocorre em “Winterstorm”, canção bem variada e que se equilibra bem entre o peso e momentos mais atmosféricos. Cabe dizer que nos momentos em que imprime um pouco mais de agressividade nos vocais, o nível sobe. “Overcoming” é outra que alterna bem os vocais, além de se mostrar bem diversificada. Encerrando, temos a ótima “The Illusion of Freedom”, com seus mais de 9 minutos e onde Pedro mostra sua técnica como instrumentista.

A produção ficou a cargo de Pedro e Guilherme Flauzino, com mixagem e masterização desse último. Está dentro da média do que ouvimos por aí, mas é outro ponto que pode melhorar no futuro. Um pouco menos de crueza certamente cairia muito bem. A capa, muito bonita, foi obra de Raphael Efez. Como todo trabalho de estreia, Winterstorm possui seus altos e baixos, com prevalência dos primeiros, já que estamos diante de um EP muito agradável de se ouvir. Com pequenos ajustes aqui e ali, certamente estará pronto para alçar voos muito mais altos!

NOTA: 77

Pedro Farinazzo (gravação)
- Pedro Farinazzo (vocal/guitarra/baixo/violão);
- Guilherme Flauzino (teclados nas faixas 4 e 5)

Facebook
Bandcamp
Instagram
YouTube


domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Prog Metal/Rock

Melhores de 2018 - Prog Metal/Rock


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs
 

02. The Ocean - Phanerozoic I Palaeozoic


03. Witherfall - A Prelude To Sorrow


04. Michael Romeo - War Of The Worlds Pt. 1


05. Maestrick - Espresso della vita: Solare


06. Angra - OMNI


07. Chris Caffery - Jester's Court


08. Between the Buried and Me - Automata II


09. Saffire - Where The Monsters Dwell


10. The Sea Within - The Sea Within


terça-feira, 3 de abril de 2018

Transcendent - Awakening (2017)

Transcendent - Awakening

Transcendent - Awakening (2017)
(Independente - Nacional)


01. Welcome
02. Word Redemption
8,0 03. Inside Out
04. Hopeless
05. Dreamless
06. Awakening
07. Second Breath
08. Alienation
09. Interference
10. Z42
11. Sweet Tasting Demise
12. Transcendence
13. The Best I Can
14. Monsters

Surgido no ano de 2003, na cidade de São Paulo, o Transcendent passou por todas as etapas que uma banda deve passar quando se trata de underground. Gravou uma Demo em 2007, Crucify, e um EP autointitulado em 2009. Tudo dentro do script. Mas o passo seguinte, seu 1º álbum completo de estúdio, acabou demorando um pouco além do que o esperado, já que só veio à luz do dia em janeiro do ano passado. São as dificuldades inerentes a se fazer Heavy Metal no Brasil.

Mas no fim, se serve de consolo, podemos dizer que esses 8 anos que separam o EP Transcendent de Awakening, seu debut, acabaram por ser extremamente positivos, já que nesse tempo a banda pôde não só lapidar mais algumas de suas canções (“Alienation”, “Z42” e “Transcendence” estavam presentes no trabalho de 2009), como também crescer ainda mais tecnicamente e forjar novos temas dentro da sua realidade. O que temos em mãos é um material que denota, acima de tudo, maturidade musical, algo que só o tempo pode dar.

O que temos diante de nós é um Metal Progressivo de muita qualidade, virtuoso, absurdamente técnico e complexo, com muitas mudanças de tempo e passagens quebradas, mas que, pasmem, esbanja musicalidade. Além disso, influências de Heavy e Rock Progressivo podem ser notadas, o que enriquece ainda mais o resultado final. Os vocais de Leandro Baracho são muito bons, equilibrando bem melodia e agressividade (quando essa se faz necessária), enquanto a guitarra de Miller Borges nos entrega bons riffs, boas melodias, peso e solos de muita qualidade. A parte rítmica, com o baixista Lucas Nakan e o baterista Dino Ramos esbanja força, técnica e versatilidade, enquanto os teclados de Lucas Cavalcante estão muito bem encaixados, enriquecendo ainda mais o resultado final.


São 14 canções, todas de muita qualidade, mas com os inegáveis destaques. “Welcome”, faixa de abertura, tem boa utilização do teclado (dá um ar meio psicodélico às coisas) e da guitarra, além de ótimas melodias. “Word Redemption” é outra onde a guitarra se destaca, e possui bom peso e ótimo trabalho da parte rítmica. “Inside Out” é uma das canções mais pesadas do álbum, com bons riffs e ótimo desempenho vocal. “Awakening” é um Prog que se destaca pelas boas melodias, enquanto “Second Breath” mostra boa influência de Heavy Tradicional, além de equilibrar muito bem as passagens mais melódicas e as mais agressivas. “Z42” se mostra bem diversificada, além de se utilizar de elementos regionais de forma bem interessante.

A produção do trabalho é muito boa, tendo ficado a cargo de Tiago Pollon, com a masterização realizada pelo experiente Andy VanDette (Bruce Dickinson, Deep Purple, Fates Warning, Rush, Savatage, Tool). Conseguiu equilibrar muito bem clareza com uma dose de sujeira, soando assim bem orgânica. Já a capa é obra de Victor Toush, sendo simples, mas bonita. Com Awakening, o Transcendent prova que é possível sim, soar técnico e virtuoso sem ser pedante e chato. Sem abrir mão da musicalidade e fazendo uma música repleta de personalidade, o quinteto se coloca entre os melhores do gênero dentro do cenário nacional, além de se mostrar mais do que pronto para voos mais altos.

NOTA: 84

Transcendent é:
- Leandro Baracho (vocal);
- Miller Borges (guitarra);
- Lucas Nakan (baixo);
- Dino Ramos (bateria);
- Lucas Cavalcante (teclado).

Facebook
YouTube
Bandcamp


quarta-feira, 21 de março de 2018

Killepsia – Killepsia (EP) (2017)


Killepsia – Killepsia (EP) (2017)
(Independente – Nacional)


01. Role Model
02. Bordado
03. Império
04. Incertezas

O Killepsia surgiu no ano de 2013, em Porto Alegre/RS, tendo lançado já no ano seguinte seu primeiro EP, Kronophobia. Passados 3 anos e algumas mudanças de formação, soltaram no ano passado seu segundo trabalho do mesmo tipo, autointitulado. E o que temos aqui é uma mistura bem interessante de Heavy Metal, Rock Progressivo, MPB e Jazz, fazendo da sonoridade do quarteto algo diversificado e diferenciado.

Sua música se mostra bem coesa e equilibrada, o que é um ponto positivo. Apesar de técnicos, conseguem fazer sua música de uma forma bem simples, sem exageros, fazendo com que suas canções soem agradáveis, mesmo para aqueles que não são tão fãs de Progressivo. Chama também a atenção o fato de que, apesar de ótimas melodias, não abrem mão do peso, com direito a algumas passagens bem agressivas aqui e ali.

O trabalho de guitarras de Vicente Queiroz e Giuseppe Oppelt é muito bom, com destaque principalmente para os solos. Na parte rítmica, Ian Ge Eff imprime algumas linhas bem fortes de baixo, enquanto Rafael Severo se mostra um baterista altamente técnico e diversificado. O único senão, a meu ver, fica no que tange o trabalho vocal, dividido por Vicente e Ian. Não que ele seja ruim, mas fica aquém do que a música do Killepsia pede. Senti um pouco de insegurança em alguns momentos, e falta alcance a voz de ambos. Isso faz com que, em alguns momentos, os vocais não correspondam ao que o instrumental pede (e acreditem, nessa parte eles são ótimos).

 

São 4 canções, todas muito bem arranjadas, e com boas variações de tempo. Destaca-se o fato também de que uma delas é cantada em inglês, e as demais em português. “Role Model” abre o trabalho com uma forte linha de baixo e possui boa agressividade, mas achei a mais fraca do EP, principalmente no que diz respeito ao trabalho vocal. “Bordado” tem uma pegada mais acessível, com algo de Pop/Rock aqui e ali, mas sem abrir mão do peso (principalmente nas bases). E aqui constatamos que o Killepsia se sai melhor cantando em português do que em inglês (fica aí a dica para trabalhos futuros). “Império” é a mais diversificada de todas as canções aqui presentes, com seus quase 8 minutos de duração. Enérgica, passeia entre o Metal e o Progressivo, com ótimos resultados. Encerrando, temos a forte “Incertezas”, densa, técnica e, certamente, a mais pesada de todo o trabalho.

Produzido e mixado por Vicente Telles, com coprodução de Ian Ge Eff e masterização realizada por Marcos Abreu. O resultado final é razoável: está tudo bem claro e audível, com boa timbragem e um clima mais orgânico, mas em um ou outro momento a crueza acaba soando um pouco além da conta, levando em conta a proposta do quarteto. Ainda assim, está longe de comprometer. Já a capa, simples e funcional, é obra de Pedro Valadão. Mostrando muita personalidade e diversidade, o Killepsia surpreende pela ótima música aqui apresentada. Acertando esses pequenos detalhes apontados aqui e ali, estarão mais do que prontos para voos muito mais altos.

NOTA: 81

Killepsia é:
- Vicente Queiroz (Guitarra/Vocal);
- Ian Ge Eff (Baixo/Vocal);
- Giuseppe Oppelt (Guitarra);
- Rafael Severo (Bateria).

Facebook
YouTube
Instagram
Bandcamp


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Progressive Metal/Rock de 2017

Melhores álbuns de Progressive Metal/Rock de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se! 

01. Pain Of Salvation - In The Passing Light Of Day
(InsideOut Music/Hellion Records - Nacional)


02. Ayreon - The Source
(Music Theories Recordings/Hellion Records - Nacional)


03. Adagio - Life
(Zeta Nemesis Records - Importado)


04. Vuur – In This Moment We Are Free - Cities
(InsideOut Music - Importado)


05. Steven Wilson - To The Bone
(Caroline International - Importado)


06. Soen – Lykaia
(UDR Music - Importado)


07. Virtual Symmetry – X-Gate
(Independente - Importado)


08. Leprous – Malina
(InsideOut Music - Importado)


09. Anubis Gate - Covered in Black
(Nightmare Records - Importado)


10. Threshold - Legends Of The Shires
(Nuclear Blast Records - Importado)


Quase chegaram

- Caligula's Horse - In Contact
(InsideOut Music - Importado)


- Operation: Mindcrime - The New Reality
(Frontiers Records - Importado)


- Mastodon - Emperor of Sand
(Reprise Records - Importado)


- Vandroya - Beyond the Human Mind
(Independente - Nacional)


terça-feira, 7 de março de 2017

Pain of Salvation - In the Passing Light of Day (2017)


Pain of Salvation - In the Passing Light of Day (2017)
(Hellion Records - Nacional)


01. On a Tuesday
02. Tongue of God
03. Meaningless
04. Silent Gold
05. Full Throttle Tribe
06. Reasons
07. Angels of Broken Things
08. The Taming of a Beast
09. If This Is the End
10. The Passing Light of Day

No início de 2014, Daniel Gildenlöw se dirigiu ao mesmo hospital onde nasceu, exatamente no mesmo dia da semana (uma terça), para tratar de uma dor que sentia. E quase não saiu de lá. O que parecia algo simples, se mostrou na verdade uma Fascite necrosante (bactéria comedora de carne humana, para os leigos) que quase o matou. Os médicos correram contra o tempo para salvar sua vida e após isso, foram 4 dolorosos meses em uma cama de hospital, até finalmente ter alta. Foi essa forte experiência que serviu de base para o 10º álbum de estúdio do Pain of Salvation, In the Passing Light of Day.

Quando se fala de Metal Progressivo, o headbanger não muito familiarizado com a cena já pensa em nomes como Dream Theater, Symphony X, Fates Warning ou Queensrÿche. Não é crime algum. Mas qualquer um que já tenha tido contato com o estilo não consegue deixar de lembrar dos suecos do Pain of Salvation. Surgida ainda nos anos 80 e sempre capitaneada pelo genial Daniel Gildenlöw, a banda só veio a lançar seu primeiro trabalho em 1997, o não menos que brilhante Entropia. Após isso, uma sequência de 3 álbuns simplesmente primorosos, One Hour by the Concrete Lake (98), The Perfect Element I (00) e Remedy Lane (02), além do reconhecimento como uma das bandas mais brilhantes do estilo. Ok, após isso tiveram uma fase um tanto experimental e que não agradou a alguns, mas agora as coisas parecem finalmente terem entrado novamente nos eixos.

Pelo conceito que o envolve, fica claro que In the Passing Light of Day é um trabalho denso, intenso, sombrio e emocionalmente pesado. Sendo assim, não estamos diante de um álbum de fácil assimilação para os que não estão acostumados à sonoridade da banda, mas aqueles que a acompanham há algum tempo certamente encontrarão alguns paralelos com clássicos da primeira fase. Aliás, é louvável como, apesar de trazer tais elementos, em momento algum sua música soa requentada. Ao contrário, é moderna e bem atual. Momentos mais pesados se alternam com outros mais melódicos e atmosféricos, dando grande diversidade ao álbum. Os vocais de Gildenlöw se destacam, pela grande emoção que conseguem transmitir. Tanto as guitarras de Daniel e de Ragnar Zolberg quanto os teclados de Daniel Karlsson se encaixam muito bem nas canções, enquanto a parte rítmica, com Gustaf Hielm (baixo) e Léo Margarit (bateria) esbanja técnica, peso e variedade. Aliás, a bateria aqui está simplesmente impecável.


“On a Tuesday” abre os trabalhos com um riff bem pesado e moderno e possui muitas mudanças de tempo. É o cartão de visitas do álbum, mostrando um pouco do que encontraremos pela frente. “Tongue of God” e “Meaningless” mantém o nível de complexidade mais alto, com suas mudanças de tempo, um ótimo trabalho da parte rítmica e boa dose de peso. Vale destacar também o ótimo trabalho de backing vocals em ambas. Em seguida, a adrenalina abaixa um pouco, com a belíssima balada “Silent God”, com um belo piano e refrão marcante. “Full Throttle Tribe” traz novamente os arranjos mais complexos à tona, além de soar bem intensa e enérgica. “Reasons”, que foi o segundo single, soa bem agressiva e moderna, além de possuir ótimo groove. Podemos dizer que a mesma encerra a primeira parte do álbum, já que daqui para frente o trabalho se torna um pouco mais intimista. “Angels of Broken Things” possui um clima sufocante, melodia bem forte e um solo belíssimo. Já “The Taming of a Beast” tem uma pegada um pouco mais Rock e talvez o melhor desempenho vocal de Daniel, sendo um dos grandes destaques aqui presentes. A faixa seguinte, “If This Is the End”, transborda melancolia e tem um dos riffs mais fortes de todo trabalho, preparando o caminho para o encerramento monumental, que se dá com a faixa-título. De uma riqueza simplesmente exuberante, possui uma forte carga emocional e em muitos momentos, soa majestosa. Uma das melhores músicas da carreira do Pain of Salvation.

Ao final, em In the Passing Light of Day, Gildenlöw se mostra um compositor único, genial, pois a forma como ele consegue transpor os sentimentos para as canções mexe com o ouvinte de uma forma muito forte, intensa. Uma verdadeira aula de Metal Progressivo, brilhante, profundo e que certamente estará em todas as listas de melhores do ano em Dezembro. Forte candidato a melhor álbum de 2017.

NOTA: 9,5

Pain of Salvation é:
- Daniel Gildenlöw (vocal, guitarra);
- Ragnar Zolberg (guitarra);
- Gustaf Hielm (baixo)
- Léo Margarit (bateria);
- Daniel Karlsson (teclado).

Homepage
Facebook
Twitter (inglês)
Twitter (sueco)


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Opeth - Sorceress (2016)


Opeth - Sorceress (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


CD1
01. Persephone
02. Sorceress
03. The Wilde Flowers
04. Will o the Wisp
05. Chrysalis
06. Sorceress 2
07. The Seventh Sojourn
08. Strange Brew
09. A Fleeting Glance
10. Era
11. Persephone (Slight Return)

CD2
01. The Ward
02. Spring MCMLXXIV
03. Cusp of Eternity (Live)
04. The Drapery Falls (Live)
05. Voice of Treason (Live)

Há 21 anos, o mundo conhecia Orchid, álbum de estreia dos suecos do Opeth, um trabalho indiscutivelmente original, que mesclava Death Metal e os guturais brutais de Mikael Åkerfeldt, com Prog (a maior parte das músicas supera a casa dos 10 minutos com facilidade), vocais limpos e partes acústicas. Ali já era possível perceber que estávamos diante de uma banda para lá de diferenciada e original. Ainda assim, nada poderia preparar os fãs para o que viria posteriormente.

A evolução do Opeth para o Rock Progressivo foi gradual, dando-se álbum a álbum, o que certamente a tornou menos traumática. Aos poucos os riffs Prog e os belos vocais limpos de Åkerfeldt foram tomando o espaço do Death e dos guturais, até resultar na completa extinção dos mesmos. Claro que muitos fãs se sentem saudosos do passado e de álbuns como Blackwater Park (01), Deliverance (02), Damnation (03) e Ghost Reveries (05), mas isso não tira o mérito de um trabalho simplesmente espetacular como Pale Communion, de 2014, onde a banda já soa completamente progressiva.

Após um ótimo trabalho, como Pale Communion, a dúvida era de qual seria o próximo passo do Opeth. Mergulhar ainda mais dentro do Rock Progressivo? Um retorno a meados da década de 2000? Sorceress vem para responder isso e ouso dizer que a resposta é nenhuma das opções acima. Claro, não podemos negar a influência de nomes do Progressivo setentistas, mas podemos detectar uma influência mais de Blues Rock do mesmo período (Deep Purple e afins), algo que pode indicar o próximo passo evolutivo dos suecos. Uma prova disso é o maior peso presente na primeira metade do trabalho.


Após um breve prólogo acústico, “Sorceress” entra já com um riff de órgão muito legal, antes de ser substituído por uma guitarra pesada (dentro dos padrões atuais da banda). Possui um clima sombrio, algo recorrente em todo o trabalho. “The Wilde Flowers” entra em seguida, mantendo essa pegada, com bons riffs, um ótimo refrão, belo solo e um teclado muito bem encaixado (e que deixaria Jon Lord orgulhoso). A faixa seguinte, “Will o the Wisp”, quebra a sequência, guiado por ótimos violões folk e influência latente de Jethro Tull. Funciona muito bem. Ela é seguida pela intrincada e pesada “Chrysalis”, a melhor de todas as faixas do álbum. Aqui o Opeth mescla o tradicional, com influências de nomes como King Crimson e principalmente Deep Purple, graças ao duelo entre o órgão e a guitarra, e o moderno. Possivelmente é a música mais pesada de Sorceress. Aqui Mikael Åkerfeldt se supera em seu talento como compositor. “Sorceress 2” tenta seguir a linha de “Will o the Wisp”, com sua levada acústica, mesclada a algo de Genesis, mas infelizmente não funciona tão bem quanto. É um dos pontos fracos aqui. Curiosamente, ela dá início à fase mais calma do CD. Quando “The Seventh Sojourn” tem seu início, é inevitável não pensarmos em Page/Plant e em “Kashimir”. Os arranjos de corda e a cítara são muito bem utilizadas, dando um clima oriental à faixa, que soa diversificada e agradável. A sequência se dá com a tranquila “Strange Brew”, uma das mais desafiadoras e intrincadas músicas compostas pelo Opeth, mas que ainda assim possui uma melodia envolvente e um desempenho incrível do baterista Martin Axenrot. “A Fleeting Glance” mantém as coisas mais tranquilas e o clima bem denso, além de contar com ótimos corais. “Era” traz de volta o peso a Sorceress, sendo uma das mais fortes aqui presentes. Os teclados mais uma vez remetem a Jon Lord e não é exagero dizer que a mesma é similar ao trabalho atual do Katatonia. Encerrando, temos um dispensável epílogo, que nada acrescenta ao resultado final.

A Shinigami está lançando o mesmo em uma versão digipack muito caprichada, com um CD bônus. Nela encontramos mais duas faixas inéditas, “The Ward”, que mescla muito bem Prog e Jazz, com ótimas melodias vocais de Åkerfeldt e a agradabilíssima “Spring MCMLXXIV”, com ótimos violões e  Mikael novamente brilhando. Ambas, do meu ponto de vista, tinham espaço na versão normal de Sorceress. Além disso, temos três versões ao vivo, gravadas em setembro de 2015, no anfiteatro romano de Plovdiv, Bulgaria, em companhia da Orchestra of State Opera Plovdiv e do Rodna Pesen Choir, para  “Cusp of Eternity”, “The Drapery Falls” e “Voice of Treason”, que ficaram simplesmente fabulosas, já que tanto a orquestra quanto os coros acrescentaram mais profundidade às canções.


A produção foi uma parceira entre Åkerfeldt e Tom Dalgety (responsável também pela mixagem), o mesmo de Pale Communion e do EP Popestar, do Ghost, tendo ocorrido no Rockfield Studios, em Gales. Gravações adicionais também ocorreram no Junkmail Studios, em Estocolmo e no Psalms Studios, em Bath, na Inglaterra. Já a masterização foi realizada por John Davis, no Metropolis Studios, em Londres. Os arranjos de corda foram compostos por Will Malone (Black Sabbath, Iron Maiden, Depeche Mode), com as gravações dessas partes realizadas no RAK Studios, também em Londres. O resultado final disso tudo é uma produção perfeita, cristalina, que nos permite escutar cada detalhe mínimo da canções do Opeth, mas sem que as mesmas percam o peso. Já a capa mais uma vez foi um belo trabalho de Travis Smith, com quem trabalham desde Still Life (99).

Alguns irão amar, outros irão odiar, mas a verdade é que Sorceress é um grande trabalho, um álbum forte, sombrio, denso e pesado, do ponto de vista de sua atmosfera. Se tem alguns baixos aqui e ali, na maior parte do tempo o nível é alto e prima muito pela diversificação, além de fluir muito bem, de forma natural, algo que não ocorreu por exemplo, com Heritage (11) e até mesmo com Pale Communion em alguns poucos momentos. Equlibrando bem complexidade e melancolia com melodias fáceis e agradáveis, Åkerfeldt e seu Opeth acertam no alvo mais uma vez. Certamente um dos grandes lançamentos de 2016.

NOTA: 8,5

Opeth é:
- Mikael Åkerfeldt (vocal/guitarra)
- Fredrik Åkesson (guitarra)
- Martín Méndez (baixo)
- Martin Axenrot (bateria)
- Joakim Svalberg (teclado)

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)


Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)
(Independente - Nacional)


01. Near -  Brain Damage
02. Yes, It’s a Medley!
03. The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle
04. The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen
05. Aqualung
06. While My Guitar Gently Weeps
07. Near -  Brain Damage (Reprise)
08. Rainbow Eyes (Bonus Track)

Responsáveis por Unpuzzle! (11), um dos trabalhos mais instigantes e criativos da história do Metal nacional, o Maestrick ressurge depois de 5 anos com The Trick Side of Some Songs, EP de covers feito para prestar reverência a algumas de suas principais influências, além de preparar o caminho para seu tão esperado segundo álbum. Mas chamar esse de um trabalho de covers é subestimá-lo, já que o que temos aqui são versões onde procuram, a sua forma, incorporar seu DNA a cada uma das canções.

Tanto na abertura como no encerramento, temos “Near – Brain Damage”, uma adaptação com letra feita pela banda, de “Almost a Brain Damage” do Pink Floyd, o que já mostra bem o espírito do EP. Em seguida, temos um medley bem legal do Yes, com trechos de “Soon”, “Close to the Edge”, “Roundabout”, “Changes” e “Give Love Each Day”. Sem perder o ritmo, emendam com duas do Queen, “The Ogre Fellers Master March – Part I: The Battle” e “The Ogre Fellers Master March – Part II: The Fairy and the Black Queen” (onde mesclam “The Fairy Fellers Master Stroke” e “The March of The Black Queen”). Nessa sequência de abertura simplesmente matadora, temos a banda imprimindo sua forte identidade em cada uma das versões.

Após esse início avassalador, temos versões para “Aqualung” (Jethro Tull) e “While My Guitar Gently Weeps” (Beatles), onde tiram o pé do acelerador e não se afastam tanto assim das versões originais, o que não significa que não tenham procurado, e conseguido, dar uma cara de Maestrick às canções. Após o encerramento com “Near – Brain Damage (Reprise)”, temos um bônus muito especial. A já conhecida versão para “Rainbow Eyes” (Rainbow), que fizeram para homenagear os 5 anos do falecimento de Ronnie James Dio, contando com a participação da Orquestra Belas Artes, que enriquece em muito o resultado final.

Produzido pela banda, The Trick Side of Some Songs teve mixagem e masterização feitas por Leandro Matos, com um resultado muito bom. Já a capa é novamente obra de Ricardo Chucky. Se alguém ainda tinha dúvidas, Maestrick mostrou ser uma das bandas mais criativas em atividade no Brasil. Dentro da proposta do EP, homenagear parte de suas maiores influências sem soarem como simples cópias, foram muito felizes, já que deram cara própria às versões aqui presentes.

E sabe qual o melhor de tudo? O Maestrick disponibilizou The Trick Side of Some Songs para download gratuito em seu site (clique aqui). Sendo assim, o que está fazendo aí parado que não foi trás da sua cópia ainda?

NOTA: 8,0

Maestrick é:
- Fábio Caldeira (vocal/piano/teclado)
- Renato Somera (baixo)
- Heitor Matos (bateria)

Participações:
- Rubens Silva (guitarra 1-7 e vocais nas faixas 1 e 7)
- Maurício Lopes (teclados e backings nas faixas 3 e 4)
- Dani Castro (vocais e backings)
- Carol Penhavel (vocais e backings)
- Andrea Porzio Vernino (arranjos orquestrais e condução na faixa 8)
- Oquestra Belas Artes (faixa 8)
- Paulo Pacheco (guitarra na faixa 8)

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube