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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)


Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)
(Die Hard - Nacional)


01. Origami
02. I a.m. Living
03. Rooster Race
04. Daily View
05. Water Birds
06. Keep Trying
07. The Seed
08. Far West
09. Across The River
10. Penitência
11. Hijos de La Tierra
12. Trainsition

O Maestrick é dessas bandas que quando você escuta, se questiona a respeito do motivo de não receberem todo o reconhecimento que lhes é merecido. Surgida em 2004, na cidade de São José do Rio Preto/SP, lançaram um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda nacional, Unpuzzle!, no ano de 2011, sendo seguido 5 anos depois, do ótimo EP de covers The Trick Side of Some Songs. No ano passado, finalmente chegaram ao seu segundo álbum de estúdio, Espresso Della Vita: Solare, um dos melhores trabalhos lançados em 2018, ao nível mundial, sob o rótulo de Metal Progressivo.

Quem teve a oportunidade de escutar Unpuzzle!, se deparou com uma ótima mescla de Prog Metal com Rock Progressivo, com influências mais nítidas de nomes como Queen, Yes, Rush, Genesis e Jethro Tull, mas também abrindo espaço para elementos externos a música pesada, como MPB, Baião, Samba, Pop, Hard Rock, e tudo mais que julgavam caber dentro de sua música. O resultado foi fantástico, com um álbum diversificado, carregado de identidade, e que fugia do lugar-comum dentro do estilo. Pois, acreditem, o que era muito bom, conseguiu ficar melhor ainda, já que tiveram 7 anos para refinar ainda mais a sua fórmula. O resultado é exuberante.

Espresso Della Vita: Solare, é um trabalho conceitual, que aborda a vida a partir da perspectiva de uma viagem de trem. Nele, temos a primeira parte da mesma, tendo início as 6 da manhã, e cobrindo as 12 primeiras horas do dia. Esse conceito por trás da música, cria uma aura cinematográfica, gerando a sensação de estarmos diante de uma trilha sonora de filme, algo que é reforçado pela criatividade do trio formado por Fabio Caldeira (vocal, piano e teclado), Renan “Montanha” Somera (baixo) e Heitor Matos (bateria). É tudo muito bem trabalhado, e principalmente, objetivo, já que poucas são as faixas que ultrapassam a casa dos 5, 6 minutos de duração, o que evita que a audição se torne cansativa e repetitiva. O fato de buscarem fugir das obviedades musicais do Prog Metal, sem medo de experimentar e quebrar os limites impostos pelo estilo, deixa tudo ainda mais prazeroso de se escutar.

Os vocais de Fábio estão simplesmente primorosos, e são um dos pontos altos do trabalho, já que conseguem transmitir muita emoção ao ouvinte. As guitarras, quase todas gravadas pelo produtor  Adair Daufembach, soam excelentes, com ótimos riffs e solos. Passagens acústicas e de viola caipira também foram incorporadas nas canções, e dão um brilho a mais nesse sentido. Quanto a parte rítmica, ela não é menos que primorosa, já que Renan e Heitor, não só esbanjam técnica, como também diversidade e coesão. Linhas de teclado e piano foram muito bem encaixadas, sem exageros, assim como as orquestrações e coros – a gravação contou com uma orquestra/coral com mais de 20 pessoas –, e os elementos étnicos soam como um grande diferencial na sonoridade do Maestrick.


Após a introdução, com “Origami”, temos a ótima “I a.m. Living”, com suas boas melodias, peso, refrão cativante e teclados bem encaixados. Na sequência, “Rooster Race” apresenta uma viola caipira em sua introdução, além de outros elementos regionalistas durante sua duração, que em alguns momentos me remeteram ao que o Angra fez em Holy Land. Além disso, apresenta ótimos riffs e um trabalho de bateria muito bom. “Daily View” soa como uma mistura do Queen, do A Night at the Opera, com Beatles, além de ótimas melodias vocais, enquanto a introdução de “Water Birds” me remeteu ao trabalho do grande Marcus Viana e o seu Sagrado Coração da Terra. Fora isso, se destaca também pelas linhas e solo de guitarra, vocais, e a boa utilização de regionalismos. Com uma ótima parte rítmica e boa utilização dos teclados, “Keep Trying” tem uma pegada mais Classic Rock, que deixa a mesma muito legal.

A segunda metade do álbum abre com a épica “The Seed”, bem quebrada, variada e com os dois pés bem fincados no Progressivo, e que ganha mais profundidade ainda graças aos corais. Apesar dos mais de 15 minutos de duração, você mal nota o tempo passar tamanha sua qualidade. Lembram da aura cinematográfica que falei no início da resenha? Pois bem, “Far West” poderia estar na trilha sonora de um daqueles westerns de Sergio Leone, com Clint Eastwood no papel do Homem sem Nome. Mais uma vez, as guitarras e a parte rítmica se destacam. “Across The River” é uma belíssima balada, bela e introspectiva, com um ótimo solo de guitarra, sendo seguida por outro dos pontos altos do álbum, a pesada “Penitência”, cantada em português e com uma utilização primorosa de elementos regionais. Dá até mesmo para traçar um paralelo entre ela e “Ratamahatta”, do Sepultura, apesar de diferirem muito entre si. A sequência final é composta pela ótima “Hijos de La Tierra”, com um refrão marcante, e a cativante “Trainsition”.

A produção, mixagem e masterização foram brilhantemente executadas por Adair Daufembach, e sinceramente, não fica devendo nada as produções de bandas consagradas do estilo, vindas do exterior. Sua clareza permite que escutemos cada detalhe da rica música aqui presente, mas sem que a mesma perca o peso e a energia. A parte gráfica, obra de Juh Leidl – vocalista da ótima Freesome – é outro ponto de destaque, com cada faixa possuindo uma ilustração que a retrata bem, além de vir em um digipack muito caprichado e bem-feito. Bem trabalhado e esbanjando criatividade, Espresso Della Vita: Solare, consolida de vez a sonoridade do Maestrick, e os coloca no mesmo patamar que os grandes nomes do estilo. Que a segunda parte venha logo!

NOTA: 92

 Maestrick é:
Fábio Caldeira (vocal, teclado e piano);
Renato Somera (baixo);
Heitor Matos (bateria).

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quarta-feira, 21 de março de 2018

Killepsia – Killepsia (EP) (2017)


Killepsia – Killepsia (EP) (2017)
(Independente – Nacional)


01. Role Model
02. Bordado
03. Império
04. Incertezas

O Killepsia surgiu no ano de 2013, em Porto Alegre/RS, tendo lançado já no ano seguinte seu primeiro EP, Kronophobia. Passados 3 anos e algumas mudanças de formação, soltaram no ano passado seu segundo trabalho do mesmo tipo, autointitulado. E o que temos aqui é uma mistura bem interessante de Heavy Metal, Rock Progressivo, MPB e Jazz, fazendo da sonoridade do quarteto algo diversificado e diferenciado.

Sua música se mostra bem coesa e equilibrada, o que é um ponto positivo. Apesar de técnicos, conseguem fazer sua música de uma forma bem simples, sem exageros, fazendo com que suas canções soem agradáveis, mesmo para aqueles que não são tão fãs de Progressivo. Chama também a atenção o fato de que, apesar de ótimas melodias, não abrem mão do peso, com direito a algumas passagens bem agressivas aqui e ali.

O trabalho de guitarras de Vicente Queiroz e Giuseppe Oppelt é muito bom, com destaque principalmente para os solos. Na parte rítmica, Ian Ge Eff imprime algumas linhas bem fortes de baixo, enquanto Rafael Severo se mostra um baterista altamente técnico e diversificado. O único senão, a meu ver, fica no que tange o trabalho vocal, dividido por Vicente e Ian. Não que ele seja ruim, mas fica aquém do que a música do Killepsia pede. Senti um pouco de insegurança em alguns momentos, e falta alcance a voz de ambos. Isso faz com que, em alguns momentos, os vocais não correspondam ao que o instrumental pede (e acreditem, nessa parte eles são ótimos).

 

São 4 canções, todas muito bem arranjadas, e com boas variações de tempo. Destaca-se o fato também de que uma delas é cantada em inglês, e as demais em português. “Role Model” abre o trabalho com uma forte linha de baixo e possui boa agressividade, mas achei a mais fraca do EP, principalmente no que diz respeito ao trabalho vocal. “Bordado” tem uma pegada mais acessível, com algo de Pop/Rock aqui e ali, mas sem abrir mão do peso (principalmente nas bases). E aqui constatamos que o Killepsia se sai melhor cantando em português do que em inglês (fica aí a dica para trabalhos futuros). “Império” é a mais diversificada de todas as canções aqui presentes, com seus quase 8 minutos de duração. Enérgica, passeia entre o Metal e o Progressivo, com ótimos resultados. Encerrando, temos a forte “Incertezas”, densa, técnica e, certamente, a mais pesada de todo o trabalho.

Produzido e mixado por Vicente Telles, com coprodução de Ian Ge Eff e masterização realizada por Marcos Abreu. O resultado final é razoável: está tudo bem claro e audível, com boa timbragem e um clima mais orgânico, mas em um ou outro momento a crueza acaba soando um pouco além da conta, levando em conta a proposta do quarteto. Ainda assim, está longe de comprometer. Já a capa, simples e funcional, é obra de Pedro Valadão. Mostrando muita personalidade e diversidade, o Killepsia surpreende pela ótima música aqui apresentada. Acertando esses pequenos detalhes apontados aqui e ali, estarão mais do que prontos para voos muito mais altos.

NOTA: 81

Killepsia é:
- Vicente Queiroz (Guitarra/Vocal);
- Ian Ge Eff (Baixo/Vocal);
- Giuseppe Oppelt (Guitarra);
- Rafael Severo (Bateria).

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017) (DVD)


Marillion - Marbles in the Park (2017) (DVD)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. The Invisible Man
02. Marbles I
03. Genie
04. Fantastic Place
05. The Only Unforgivable Thing
06. Marbles II
07. Ocean Cloud
08. Marbles III
09. The Damage
10. Don’t Hurt Yourself
11. You’re Gone
12. Angelina
13. Drilling Holes
14. Marbles IV
15. Neverland
16. Out Of This World
17. King
18. Sounds That Can’t Be Made

Com quase 40 anos de carreira nas costas, o Marillion dispensa apresentações, e álbuns como Script for a Jester's Tear (83), Fugazi (84) e Misplaced Childhood (85), lançados com Fish nos vocais, estão na memória de qualquer fã, não só da banda, como de Rock Progressivo. E apesar de muitos por ai possuírem certa implicância com a fase Steve Hogarth, a verdade é que ótimos álbuns foram lançados com o mesmo no vocal, como Brave (94), Afraid of Sunlight (95), Marbles (04) e o recente Fear (16).

E foi um destes, Marbles, que o quinteto formado por Hogarth, Steve Rothery (guitarra), Pete Trewavas (baixo), Ian Mosley (bateria) e Mark Kelly (teclado) resolveu apresentar na íntegra, durante um show realizado em 21 de março de 2015, na edição do Marillion Weekend ocorrido no Center Parcs, Port Zelande, Holanda. E se o CD duplo resenhado há alguns meses (resenha aqui) já era algo acima da média, o que temos a oportunidade de assistir nesse DVD é algo ainda mais absurdo, tamanha a qualidade. Só vendo para crer.

Em relação à qualidade sonora, ela já era fantástica no CD e aqui a mesma se mantém, mas ter a oportunidade de ver com seus olhos o que foi tal apresentação, é que acaba por tornar a experiência de Marbles in the Park ainda mais forte. A captação das imagens beira a perfeição, mas o grande diferencial é o clima intimista criado por um evento desse tipo, já que a maior proximidade e ligação da banda com seus fãs permite uma relação muito mais emocional, que você dificilmente presenciaria em um festival com diversas bandas, por exemplo.


Tudo soa muito mais impactante com os efeitos visuais projetados no telão e com os jogos de luzes. Mas são os músicos que fazem a diferença no resultado final, principalmente a figura de Steve Hogarth, com todo seu carisma e força, além da capacidade ímpar de deixar transparecer as emoções presentes nas canções do Marillion. Ele tem o público em suas mãos durante toda a apresentação. O restante da banda não fica muito atrás. Steve Rothery, um monstro com sua guitarra, desfila toda a sua categoria e talento, acompanhado de Trewavas, Mosley e Kelly. Podem ser discretos em suas movimentações em cima de um palco, mas são explosivos quando tocam seus instrumentos.

Quanto às músicas, todas, todas mesmo se destacam. As que já chamavam a atenção no CD, se tornam ainda mais incríveis, enquanto as demais sobem mais um patamar em matéria de qualidade. “The Invisible Man”, “Ocean Cloud”, "Neverland", “The Damage”, “You’re Gone”, "Fantastic Place", “Drilling Holes”, “The Only Unforgivable Thing”, "Angelina", as 4 partes de "Marbles", todas possuem seus momentos de brilho. É difícil para um fã de boa música descolar os olhos da tela durante a execução do DVD, diante de tão belíssimas imagens e de uma apresentação tão forte e marcante. É isso que torna esse material mais do que obrigatório na coleção de qualquer um.

NOTA: 9,5

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

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terça-feira, 2 de maio de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017)


Marillion - Marbles in the Park (2017)
(Shinigami Records/earMusic – Nacional)


CD1
1. The Invisible Man
2. Marbles I
3. Genie
4. Fantastic Place
5. The Only Unforgivable Thing
6. Marbles II
7. Ocean Cloud
8. Marbles III
9. The Damage

CD2
1. Don’t Hurt Yourself
2. You’re Gone
3. Angelina
4. Drilling Holes
5. Marbles IV
6. Neverland
7. Out Of This World
8. King
9. Sounds That Can’t Be Made

Formado em Aylesbury, na região metropolitana de Londres, no ano de 1979, o Marillion fez o Rock Progressivo renascer nos anos 80, com o ótimo Script for a Jester's Tear (83). Música bem trabalhada e complexa na medida certa para não soar exagerada. Daí em diante, capitaneados por Fish e sua voz marcante, foram adicionando mais doses de melodia, mas sem perder as características básicas de sua música, resultando em uma sequência clássica composta por Fugazi (84) e seu maior sucesso comercial, Misplaced Childhood (85). Após isso, mais um álbum (que reforçou ainda mais o lado melódico) e Fish parte. Para muitos, o Marillion acabou ai.

Steve Hogarth, seu substituto, nunca foi aceito por uma parcela dos fãs. Muito disso se dá pelo fato de que sua entrada coincidiu justamente com a fase mais comercial da banda, que resultou no discutível Holidays in Eden (91), bem voltado para o Pop/Soft Rock, ou mesmo em outros não tão bons como This Strange Engine (97), Radiation (98) e Marillion.com (99), tentativas fracassadas de soarem mais modernos. Mas ao mesmo tempo, foi com Hogarth que lançaram trabalhos elogiadíssimos pela crítica, como o conceitual Brave (94), Afraid of Sunlight (95), um dos melhores de sua carreira, e Marbles (04).

A base de fãs do Marillion sempre foi muito forte, tanto que muito antes do crowdfunding virar moda no meio da música, já haviam trabalhado com a ideia nos lançamentos dos álbuns Anoraknophobia (01) e do próprio Marbles. Foi ela também que permitiu que a banda começasse a fazer convenções pelo mundo, os Marillion Weekends, reunindo milhares de fãs que têm a oportunidade de um contato mais direto com a banda e onde realizam apresentações especiais. E foi em um desses finais de semana, na Holanda em 2015, que resolveram apresentar em uma das noites o álbum Marbles na íntegra, reforçado por 2 canções retiradas de Afraid of Sunlight (“Out Of This World” e “King”) e a faixa título de Sounds That Can't be Made (12).


E bem, podemos dizer que esse é um trabalho mais do que indicado não só para os fãs da fase Hogarth, como também para os de boa música. Com uma qualidade de som cristalina, é possível apreciar músicas com uma boa dose de complexidade, mas que não abrem mão das belas melodias e de uma forte carga emocional. Em muitos momentos, os vocais cheios de classe de Steve se destacam, se colocando como o centro das atenções, mostrando que sim, existe Marillion sem Fish (só não é a mesma banda, o que não é um crime). Os maiores destaques aqui ficam por conta de “You’re Gone”, “Ocean Cloud”, “The Damage”, “Drilling Holes”, “The Invisible Man”, “The Only Unforgivable Thing” e “Angelina”.

Gravado e mixado por Michael Hunter (que já trabalha com a banda há algum tempo), como já dito, tem uma sonoridade mais que cristalina, beirando a perfeição, permitindo tanto ouvir cada detalhe das músicas, como também notar a empolgação do público. Você chega a se sentir no meio do mesmo em alguns momentos, caso feche os olhos durante a audição. Além disso, vem com um encarte belíssimo, com 16 páginas recheadas de belas fotos da apresentação. Um trabalho ao vivo primoroso e que mostra a banda vivendo sua melhor fase em quase 2 décadas.

NOTA: 9,0

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Opeth - Sorceress (2016)


Opeth - Sorceress (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


CD1
01. Persephone
02. Sorceress
03. The Wilde Flowers
04. Will o the Wisp
05. Chrysalis
06. Sorceress 2
07. The Seventh Sojourn
08. Strange Brew
09. A Fleeting Glance
10. Era
11. Persephone (Slight Return)

CD2
01. The Ward
02. Spring MCMLXXIV
03. Cusp of Eternity (Live)
04. The Drapery Falls (Live)
05. Voice of Treason (Live)

Há 21 anos, o mundo conhecia Orchid, álbum de estreia dos suecos do Opeth, um trabalho indiscutivelmente original, que mesclava Death Metal e os guturais brutais de Mikael Åkerfeldt, com Prog (a maior parte das músicas supera a casa dos 10 minutos com facilidade), vocais limpos e partes acústicas. Ali já era possível perceber que estávamos diante de uma banda para lá de diferenciada e original. Ainda assim, nada poderia preparar os fãs para o que viria posteriormente.

A evolução do Opeth para o Rock Progressivo foi gradual, dando-se álbum a álbum, o que certamente a tornou menos traumática. Aos poucos os riffs Prog e os belos vocais limpos de Åkerfeldt foram tomando o espaço do Death e dos guturais, até resultar na completa extinção dos mesmos. Claro que muitos fãs se sentem saudosos do passado e de álbuns como Blackwater Park (01), Deliverance (02), Damnation (03) e Ghost Reveries (05), mas isso não tira o mérito de um trabalho simplesmente espetacular como Pale Communion, de 2014, onde a banda já soa completamente progressiva.

Após um ótimo trabalho, como Pale Communion, a dúvida era de qual seria o próximo passo do Opeth. Mergulhar ainda mais dentro do Rock Progressivo? Um retorno a meados da década de 2000? Sorceress vem para responder isso e ouso dizer que a resposta é nenhuma das opções acima. Claro, não podemos negar a influência de nomes do Progressivo setentistas, mas podemos detectar uma influência mais de Blues Rock do mesmo período (Deep Purple e afins), algo que pode indicar o próximo passo evolutivo dos suecos. Uma prova disso é o maior peso presente na primeira metade do trabalho.


Após um breve prólogo acústico, “Sorceress” entra já com um riff de órgão muito legal, antes de ser substituído por uma guitarra pesada (dentro dos padrões atuais da banda). Possui um clima sombrio, algo recorrente em todo o trabalho. “The Wilde Flowers” entra em seguida, mantendo essa pegada, com bons riffs, um ótimo refrão, belo solo e um teclado muito bem encaixado (e que deixaria Jon Lord orgulhoso). A faixa seguinte, “Will o the Wisp”, quebra a sequência, guiado por ótimos violões folk e influência latente de Jethro Tull. Funciona muito bem. Ela é seguida pela intrincada e pesada “Chrysalis”, a melhor de todas as faixas do álbum. Aqui o Opeth mescla o tradicional, com influências de nomes como King Crimson e principalmente Deep Purple, graças ao duelo entre o órgão e a guitarra, e o moderno. Possivelmente é a música mais pesada de Sorceress. Aqui Mikael Åkerfeldt se supera em seu talento como compositor. “Sorceress 2” tenta seguir a linha de “Will o the Wisp”, com sua levada acústica, mesclada a algo de Genesis, mas infelizmente não funciona tão bem quanto. É um dos pontos fracos aqui. Curiosamente, ela dá início à fase mais calma do CD. Quando “The Seventh Sojourn” tem seu início, é inevitável não pensarmos em Page/Plant e em “Kashimir”. Os arranjos de corda e a cítara são muito bem utilizadas, dando um clima oriental à faixa, que soa diversificada e agradável. A sequência se dá com a tranquila “Strange Brew”, uma das mais desafiadoras e intrincadas músicas compostas pelo Opeth, mas que ainda assim possui uma melodia envolvente e um desempenho incrível do baterista Martin Axenrot. “A Fleeting Glance” mantém as coisas mais tranquilas e o clima bem denso, além de contar com ótimos corais. “Era” traz de volta o peso a Sorceress, sendo uma das mais fortes aqui presentes. Os teclados mais uma vez remetem a Jon Lord e não é exagero dizer que a mesma é similar ao trabalho atual do Katatonia. Encerrando, temos um dispensável epílogo, que nada acrescenta ao resultado final.

A Shinigami está lançando o mesmo em uma versão digipack muito caprichada, com um CD bônus. Nela encontramos mais duas faixas inéditas, “The Ward”, que mescla muito bem Prog e Jazz, com ótimas melodias vocais de Åkerfeldt e a agradabilíssima “Spring MCMLXXIV”, com ótimos violões e  Mikael novamente brilhando. Ambas, do meu ponto de vista, tinham espaço na versão normal de Sorceress. Além disso, temos três versões ao vivo, gravadas em setembro de 2015, no anfiteatro romano de Plovdiv, Bulgaria, em companhia da Orchestra of State Opera Plovdiv e do Rodna Pesen Choir, para  “Cusp of Eternity”, “The Drapery Falls” e “Voice of Treason”, que ficaram simplesmente fabulosas, já que tanto a orquestra quanto os coros acrescentaram mais profundidade às canções.


A produção foi uma parceira entre Åkerfeldt e Tom Dalgety (responsável também pela mixagem), o mesmo de Pale Communion e do EP Popestar, do Ghost, tendo ocorrido no Rockfield Studios, em Gales. Gravações adicionais também ocorreram no Junkmail Studios, em Estocolmo e no Psalms Studios, em Bath, na Inglaterra. Já a masterização foi realizada por John Davis, no Metropolis Studios, em Londres. Os arranjos de corda foram compostos por Will Malone (Black Sabbath, Iron Maiden, Depeche Mode), com as gravações dessas partes realizadas no RAK Studios, também em Londres. O resultado final disso tudo é uma produção perfeita, cristalina, que nos permite escutar cada detalhe mínimo da canções do Opeth, mas sem que as mesmas percam o peso. Já a capa mais uma vez foi um belo trabalho de Travis Smith, com quem trabalham desde Still Life (99).

Alguns irão amar, outros irão odiar, mas a verdade é que Sorceress é um grande trabalho, um álbum forte, sombrio, denso e pesado, do ponto de vista de sua atmosfera. Se tem alguns baixos aqui e ali, na maior parte do tempo o nível é alto e prima muito pela diversificação, além de fluir muito bem, de forma natural, algo que não ocorreu por exemplo, com Heritage (11) e até mesmo com Pale Communion em alguns poucos momentos. Equlibrando bem complexidade e melancolia com melodias fáceis e agradáveis, Åkerfeldt e seu Opeth acertam no alvo mais uma vez. Certamente um dos grandes lançamentos de 2016.

NOTA: 8,5

Opeth é:
- Mikael Åkerfeldt (vocal/guitarra)
- Fredrik Åkesson (guitarra)
- Martín Méndez (baixo)
- Martin Axenrot (bateria)
- Joakim Svalberg (teclado)

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)


Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)
(Independente - Nacional)


01. Near -  Brain Damage
02. Yes, It’s a Medley!
03. The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle
04. The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen
05. Aqualung
06. While My Guitar Gently Weeps
07. Near -  Brain Damage (Reprise)
08. Rainbow Eyes (Bonus Track)

Responsáveis por Unpuzzle! (11), um dos trabalhos mais instigantes e criativos da história do Metal nacional, o Maestrick ressurge depois de 5 anos com The Trick Side of Some Songs, EP de covers feito para prestar reverência a algumas de suas principais influências, além de preparar o caminho para seu tão esperado segundo álbum. Mas chamar esse de um trabalho de covers é subestimá-lo, já que o que temos aqui são versões onde procuram, a sua forma, incorporar seu DNA a cada uma das canções.

Tanto na abertura como no encerramento, temos “Near – Brain Damage”, uma adaptação com letra feita pela banda, de “Almost a Brain Damage” do Pink Floyd, o que já mostra bem o espírito do EP. Em seguida, temos um medley bem legal do Yes, com trechos de “Soon”, “Close to the Edge”, “Roundabout”, “Changes” e “Give Love Each Day”. Sem perder o ritmo, emendam com duas do Queen, “The Ogre Fellers Master March – Part I: The Battle” e “The Ogre Fellers Master March – Part II: The Fairy and the Black Queen” (onde mesclam “The Fairy Fellers Master Stroke” e “The March of The Black Queen”). Nessa sequência de abertura simplesmente matadora, temos a banda imprimindo sua forte identidade em cada uma das versões.

Após esse início avassalador, temos versões para “Aqualung” (Jethro Tull) e “While My Guitar Gently Weeps” (Beatles), onde tiram o pé do acelerador e não se afastam tanto assim das versões originais, o que não significa que não tenham procurado, e conseguido, dar uma cara de Maestrick às canções. Após o encerramento com “Near – Brain Damage (Reprise)”, temos um bônus muito especial. A já conhecida versão para “Rainbow Eyes” (Rainbow), que fizeram para homenagear os 5 anos do falecimento de Ronnie James Dio, contando com a participação da Orquestra Belas Artes, que enriquece em muito o resultado final.

Produzido pela banda, The Trick Side of Some Songs teve mixagem e masterização feitas por Leandro Matos, com um resultado muito bom. Já a capa é novamente obra de Ricardo Chucky. Se alguém ainda tinha dúvidas, Maestrick mostrou ser uma das bandas mais criativas em atividade no Brasil. Dentro da proposta do EP, homenagear parte de suas maiores influências sem soarem como simples cópias, foram muito felizes, já que deram cara própria às versões aqui presentes.

E sabe qual o melhor de tudo? O Maestrick disponibilizou The Trick Side of Some Songs para download gratuito em seu site (clique aqui). Sendo assim, o que está fazendo aí parado que não foi trás da sua cópia ainda?

NOTA: 8,0

Maestrick é:
- Fábio Caldeira (vocal/piano/teclado)
- Renato Somera (baixo)
- Heitor Matos (bateria)

Participações:
- Rubens Silva (guitarra 1-7 e vocais nas faixas 1 e 7)
- Maurício Lopes (teclados e backings nas faixas 3 e 4)
- Dani Castro (vocais e backings)
- Carol Penhavel (vocais e backings)
- Andrea Porzio Vernino (arranjos orquestrais e condução na faixa 8)
- Oquestra Belas Artes (faixa 8)
- Paulo Pacheco (guitarra na faixa 8)

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Maestrick - Unpuzzle! (2011)


Maestrick - Unpuzzle! (2011)
(WikiMetal Music - Nacional)


01. H.U.C.
02. Aquarela
03. Pescador
04. Sir Kus
05. Puzzler
06. Disturbia
07.Treasures of the World
08. Radio Active
09. SmileSnif
10. Yellown of the Ebrium
11. Lake of Emotions

Sabe aquele conto da carochinha de que no Brasil não existe banda de Heavy Metal de qualidade? Então, da próxima vez que alguém vier com esse papo para o seu lado, esfregue Unpuzzle!, álbum de estreia do Maestrick lançado em 2011 na cara do indivíduo. Exagero? Não, de forma alguma, pois o debut do grupo de Prog Metal oriundo de São José do Rio Preto/SP, é um dos melhores álbuns do estilo lançados no país e não fica devendo nada para boa parte dos trabalhos de medalhões lá de fora.

Equilibrando muito bem Prog Metal e Rock Progressivo, o Maestrick se recusa a ser apenas mais uma banda do estilo, já que agrega ao seu som uma infinidade de outros estilos, o que resulta em uma identidade única. Vai encontrar ecos de nomes como Yes, Queen, Rush, Angra ou Dream Theater? Com toda certeza, mas também irá se deparar com elementos de MPB, Baião, Samba, Folk, Blues, Jazz e tudo mais que o quinteto julgar caber em sua música.

“Mas isso deve soar como uma verdadeira colcha de retalhos, Leandro!”. Sim, eu sei que você acabou de pensar isso, e nem o condeno por tal, já que o mesmo passaria por minha cabeça se eu estivesse no lugar de algum de vocês. Mas é ai que todos se enganam. Isso na verdade acaba por gerar composições com uma riqueza de arranjos ímpar e que saem completamente do lugar-comum. Claro, existem alguns poucos momentos no qual optam por fazer o básico do estilo (muito bem, por sinal), como em “Treasures of the World”, mas é quando se permitem experimentar que conseguem os melhores resultados.

Duvida? Escute por exemplo, faixas como a ótima “Pescador”, cantada em português e com forte influência de MPB e Baião (algo na linha do que o Angra fez em Holy Land), “Puzzler”, com sua mescla de Folk e Jazz ou “Yellown of the Ebrium”, que une de forma primorosa Prog, Blues e Samba e me diga se não está diante de um dos trabalhos mais criativos já lançados nesse país. Vale também destacar “Aquarela”, onde podemos observar a influência do Queen no som do Maestrick e a épica “Lake of Emotions”, com seus 21 incríveis minutos. Simplesmente primorosa.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Gustavo Carmo e o resultado ficou ótimo, já que permite observar com clareza cada detalhe da complexa música do Maestrick, mas sem que a mesma perca o peso. Já a capa é um belo trabalho de Ricardo Chucky. Individualmente, elogiar Fábio Caldeira (vocal/teclado), Danilo Augusto (guitarra), Maurício Figueiredo (guitarra), Renato Montanha (baixo/vocal) e Heitor Matos (bateria) é chover no molhado, já que todos brilharam aqui.

O maior pecado do Maestrick é que após um trabalho de tamanha qualidade, entraram em um hiato que já dura 5 anos com relação a um trabalho de inéditas, já que não estou contando aqui o EP de covers The Trick Side of Some Songs, lançado no início desse ano. Ao que parece, finalmente estão finalizando seu segundo álbum, que pode sair ainda nesse ano de 2016. Torço por isso, já que por tudo que escutamos em seu debut, esse é um trabalho que promete demais.

NOTA: 9,0

Maestrick (gravação):
- Fábio Caldeira (vocal/teclado)
- Danilo Augusto (guitarra)
- Maurício Figueiredo (guitarra)
- Renato Montanha (baixo/vocal)
- Heitor Matos (bateria)

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

The Opposite Of Hate - Beginnings (2015)




The Opposite Of Hate - Beginnings (2015)
(Gloria Mundi Records – Nacional)

01. Stolen Moments
02. Layers Of Noise
03. Beginnings
04. Ideal World
05. God's Middleman
06. I Saw Him Coming From Behind The Sun
07. Twitch #3
08. L.I.N.T.O.O.H.

É inegável que a internet não só revolucionou a forma como se consome música, como também a forma de se fazer a mesma. Nos dias de hoje, não é mais necessário que os membros de uma banda estejam na mesma cidade, quiçá, no mesmo país. Grava-se em um estúdio onde se estiver e o arquivo viaja tranquilamente pela internet, até seu destino final. Essa volta toda é só para falar que o The Opposite Of Hate de encaixa nessa descrição acima. Projeto criado por Will Geraldo (Violent Attitude If Noticed) e Silvério Simioni, seu álbum de estréia contou não só com a participação de músicos que residem em diversas cidades do Brasil, como também foi gravado em diferentes estúdios. Bem incomum.
A música praticada pelo The Opposite Of Hate também não é o que podemos chamar de comum. A proposta aqui é misturar o Progressivo dos anos 70, com nítidas influências de nomes como Gentle Giant, King Crimson ou Gênesis e estilos como Hard Rock, Post Rock, Alternativo, algumas passagens eletrônicas e até mesmo algo de Jazz. Dessa mistura toda acaba surgindo um som instigante e original, com ótimas guitarras, linhas vocais bem diversificadas, parte rítmica variada e muita densidade. Além de Will Geraldo (Sintetizador, Piano, órgão, Melotron e vocal) e Silvério Simioni (guitarra), Beginnings conta ainda com as participações de Erich Bruschini (baixo), Marcinho Pereira (bateria)Erik Müller (vocal), Kassio Todescatt (bateria), Fábio Spuza (bateria), Marcelo Vanini (piano), Anna Stéfano (vocal), Meire santos (piano, órgão, sintetizador) e Guilherme Sabá (baixo). Você, leitor atento, certamente percebeu a grande quantidade de bateristas e baixistas nessa lista. A explicação é simples, muito simples. A formação da banda varia de faixa para faixa e não existe nenhuma que se repita nas 8 faixas desse debut álbum. Quem sabe não seja um dos fatores que ajuda na diversidade musical do trabalho? Os grandes destaques aqui ficam por conta de “Stolen Moments”, “Beginnings”, “I Saw Him Coming From Behind The Sun” e “L.I.N.T.O.O.H.”.
O trabalho é muitíssimo bem produzido pela dupla Wiil e Silvério, sendo que coube ao primeiro a masterização e mixagem de Beginnings. Já a caba é uma belíssima arte de Erik Müller. O Progressivo pode não ser muito bem cotado por esses lados, no que tange o surgimento de novas bandas, mas isso não muda o fato de que estamos diante de um nome que tem tudo para se consolidar como o principal do país no estilo. Anotem esse nome, pois ainda irão escutar falar muito do The Opposite Of Hate, pois qualidade de sobra para isso eles possuem. O álbum esta disponível para audição e compra no Bandcamp deles.

NOTA: 8,5




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Opeth – Pale Communion (2014)




Opeth – Pale Communion (2014)
(Roadrunner Records - Importado)

01. Eternal Rains Will Come  
02. Cusp Of Eternity 
03. Moon Above, Sun Below 
04. Elysian Woes   
05. Goblin   
06. River   
07. Voice Of Treason   
08. Faith In Others   

“Mimimi o Opeth deixou totalmente o Death de lado”, “Mimimi o Akerfeldt não faz mais gutural”, “Mimimi viraram Rock Progressivo”. Já estou até escutando antecipadamente a fala dos fãs das antigas da banda. Desde seu primeiro trabalho, Orchid (1995), os suecos do Opeth primaram pelo experimentalismo, adicionando elementos diversos a seu Death Metal tipicamente escandinavo. Daí em diante, a banda foi evoluindo álbum a álbum, deixando os elementos mais brutais cada vez mais de lado, até resultar em Heritage (2011), um trabalho totalmente voltado para o Rock Progressivo e sem os resquícios do passado, onde não só foram elogiados pela crítica como também conquistaram seu maior sucesso comercial (19º na Billboard 200).
Novamente produzido por Steven Wilson (Porcupine Tree), Pale Comunion é a extensão natural do que foi apresentado em Heritage. Então, se você espera por algo que vá remeter a um Blackwater Park (2001), um Deliverance (2002) ou a um Damnation (2003), pode tirar seu cavalo da chuva. O que temos aqui é Rock Progressivo na linha dos medalhões dos anos 70, com um grande foco nas melodias e citações a bandas como King Crimson, Genesis, Emerson Lake and Palmer ou Van der Graaf Generator, dentre outros. Pale Comunion possui um clima melancólico e sombrio, emanando tristeza durante boa parte de seus 55 minutos de duração, além de ritmos quebrados, passagens acústicas, teclados bem encaixados, guitarras sem qualquer tipo de excesso e alguns dos solos mais bonitos desse ano de 2014. Sim, certamente esse não é um trabalho de fácil digestão para os que não apreciam o estilo, mas isso não diminui sua qualidade. Destaques vão para “Eternal Rains Will Come”, “Cusp Of Eternity”, com muito de Pink Floyd, “Moon Above, Sun Below”, a instrumental jazzística “Goblin” e “River”, a mais “alegre” de todas.
Se você é um apreciador da fase antiga do Opeth, recomendo que passe longe de Pale Comunion, pois esse é um álbum de Rock Progressivo e, sendo assim, recomendado aos amantes do estilo, que certamente pescarão detalhes novos a cada audição do álbum. O Death Metal virou passado e hoje se encontram em um novo patamar na carreira, mas ainda sim, fazendo musica de muita qualidade. E nesse caso, que diferença faz se a música não continua a mesma?
                                             
NOTA: 8,0