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terça-feira, 2 de maio de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017)


Marillion - Marbles in the Park (2017)
(Shinigami Records/earMusic – Nacional)


CD1
1. The Invisible Man
2. Marbles I
3. Genie
4. Fantastic Place
5. The Only Unforgivable Thing
6. Marbles II
7. Ocean Cloud
8. Marbles III
9. The Damage

CD2
1. Don’t Hurt Yourself
2. You’re Gone
3. Angelina
4. Drilling Holes
5. Marbles IV
6. Neverland
7. Out Of This World
8. King
9. Sounds That Can’t Be Made

Formado em Aylesbury, na região metropolitana de Londres, no ano de 1979, o Marillion fez o Rock Progressivo renascer nos anos 80, com o ótimo Script for a Jester's Tear (83). Música bem trabalhada e complexa na medida certa para não soar exagerada. Daí em diante, capitaneados por Fish e sua voz marcante, foram adicionando mais doses de melodia, mas sem perder as características básicas de sua música, resultando em uma sequência clássica composta por Fugazi (84) e seu maior sucesso comercial, Misplaced Childhood (85). Após isso, mais um álbum (que reforçou ainda mais o lado melódico) e Fish parte. Para muitos, o Marillion acabou ai.

Steve Hogarth, seu substituto, nunca foi aceito por uma parcela dos fãs. Muito disso se dá pelo fato de que sua entrada coincidiu justamente com a fase mais comercial da banda, que resultou no discutível Holidays in Eden (91), bem voltado para o Pop/Soft Rock, ou mesmo em outros não tão bons como This Strange Engine (97), Radiation (98) e Marillion.com (99), tentativas fracassadas de soarem mais modernos. Mas ao mesmo tempo, foi com Hogarth que lançaram trabalhos elogiadíssimos pela crítica, como o conceitual Brave (94), Afraid of Sunlight (95), um dos melhores de sua carreira, e Marbles (04).

A base de fãs do Marillion sempre foi muito forte, tanto que muito antes do crowdfunding virar moda no meio da música, já haviam trabalhado com a ideia nos lançamentos dos álbuns Anoraknophobia (01) e do próprio Marbles. Foi ela também que permitiu que a banda começasse a fazer convenções pelo mundo, os Marillion Weekends, reunindo milhares de fãs que têm a oportunidade de um contato mais direto com a banda e onde realizam apresentações especiais. E foi em um desses finais de semana, na Holanda em 2015, que resolveram apresentar em uma das noites o álbum Marbles na íntegra, reforçado por 2 canções retiradas de Afraid of Sunlight (“Out Of This World” e “King”) e a faixa título de Sounds That Can't be Made (12).


E bem, podemos dizer que esse é um trabalho mais do que indicado não só para os fãs da fase Hogarth, como também para os de boa música. Com uma qualidade de som cristalina, é possível apreciar músicas com uma boa dose de complexidade, mas que não abrem mão das belas melodias e de uma forte carga emocional. Em muitos momentos, os vocais cheios de classe de Steve se destacam, se colocando como o centro das atenções, mostrando que sim, existe Marillion sem Fish (só não é a mesma banda, o que não é um crime). Os maiores destaques aqui ficam por conta de “You’re Gone”, “Ocean Cloud”, “The Damage”, “Drilling Holes”, “The Invisible Man”, “The Only Unforgivable Thing” e “Angelina”.

Gravado e mixado por Michael Hunter (que já trabalha com a banda há algum tempo), como já dito, tem uma sonoridade mais que cristalina, beirando a perfeição, permitindo tanto ouvir cada detalhe das músicas, como também notar a empolgação do público. Você chega a se sentir no meio do mesmo em alguns momentos, caso feche os olhos durante a audição. Além disso, vem com um encarte belíssimo, com 16 páginas recheadas de belas fotos da apresentação. Um trabalho ao vivo primoroso e que mostra a banda vivendo sua melhor fase em quase 2 décadas.

NOTA: 9,0

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

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sábado, 26 de abril de 2014

Anette Olzon – Shine (2014)




Anette Olzon – Shine (2014)
(earMUSIC - Importado)

01. Like Show
02. Shine
03. Floating
04. Lies
05. Invicible
06. Hear Me
07. Falling
08. Moving Away
09. One Million Faces
10. Watching Me from Afar

Eis que finalmente Anette Olzon (ex Nightwish) surge com seu primeiro álbum solo, Shine. Não vou ficar aqui falando de sua ex-banda ou das circunstâncias de sua saída, pois sinceramente, o foco aqui é seu trabalho atual. E já vou logo avisando ao prezado leitor que trate mesmo de esquecer o passado da cantora no Nightwish, pois o material contido em seu álbum de estréia em nada lembra o Metal Sinfônico que marcou sua carreira até então.
O que temos aqui é basicamente um Soft Pop/Rock com influência de Folk/New Age e que em muitos momentos pode acabar remetendo o ouvinte a nomes como Annie Lennox, Enya, Loreena McKennitt ou Kate Bush. As músicas são construídas em torno da belíssima voz de Anette, que se mostra muito segura e a vontade aqui, podendo cantar o que tem vontade e não tendo que se adaptar aos desejos de Tuomas Holopainen. Em torno disso, temos ótimos teclados, partes sinfônicas e a guitarra, lá em segundo plano, servindo de apoio. As músicas são boas, mas o peso aqui é algo praticamente inexistente e aqueles fãs de Metal mais radicais certamente irão odiar Shine. Já os de cabeça mais aberta irão curtir muito esse trabalho, principalmente a faixa título, “Floating” (que me remeteu a Enya), “Lies”, faixa mais encorpada, com um que de The Gathering e potencial para tocar nas rádios Rock espalhadas por ai, “Hear Me”, outra com potencial para rádios e com belos arranjos sinfônicos e “Falling” (com ótimos arranjos sinfônicos). Existe certo excesso de baladas aqui e isso, aliado as guitarras tímidas já citadas, pode fazer com que alguns considerem Shine um trabalho monótono. Da minha parte, não vi qualquer tipo de problema, pois não é a toda hora que estou disposto a escutar guitarras altas e distorção, mas sei que muitos headbangers não compartilham desse meu gosto.
Em resumo, Anette resolveu olhar para frente e procurou se afastar o máximo possível do que fez no Nightwish, fazendo de Shine um álbum agradável, leve, suave, com várias faixas cativantes e que, pelo menos a mim, não soou enjoativo, já que apesar de 10 músicas, ele mal dura 35 minutos (pouco para os padrões atuais). É uma ótima estréia, mas volto a bater na tecla, é um álbum indicado apenas aqueles que passam longe do radicalismo e gostem de, eventualmente, escutar um som mais calmo, com uma pegada mais voltada para o Folk/New Age. Se não se encaixa nesse grupo, nem precisa perder seu tempo.

NOTA: 8,0