Mostrando postagens com marcador Gothic Metal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gothic Metal. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Paradise Lost - Obsidian (2020)


Paradise Lost - Obsidian (2020)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Darker Thoughts
02. Fall from Grace
03. Ghosts
04. The Devil Embraced
05. Forsaken
06. Serenity
07. Ending Days
08. Hope Dies Young
09. Ravenghast
10. Hear the Night (bônus track)
11. Defiler (bônus track)

“Você não é todo mundo!”. O caro leitor deve estar se perguntando o que a frase dita por 10 entre 10 mães no mundo faz em uma resenha crítica a respeito do novo álbum do Paradise Lost. Realmente, é uma forma pouco usual de se começar uma resenha, não posso negar, mas logo ela terá sua razão de estar aqui. Surgido em 1988, em Halifax, Inglaterra, o quinteto escreveu seu nome na história do Metal com uma carreira sólida e recheada de álbuns de grande qualidade, fora o mérito de serem considerados por muitos, o responsável pela criação do Gothic Metal como o entendemos hoje. Com tudo isso, e com mais de 3 décadas de estrada, qualquer banda se acomodaria nos louros da vitória e se limitaria a zona de conforto, fazendo apenas o feijão com arroz. Mas o Paradise Lost não é todo mundo. Não é, nunca foi e provavelmente nunca será.

Tudo nessa vida é mutável, e uma atitude que possamos vir a ter hoje, vai ter reflexos lá na frente. É algo que não só afeta a nossa vida, mas também a das pessoas em nosso entorno. Viver não é  estático, e tudo sempre está em constante mudança. Porque então a carreira do Paradise Lost deveria ser diferente? São 32 anos se reinventando álbum após álbum, se recusando a cair na estagnação e no apego ao passado de muitos outros nomes de sua geração. Elementos do passado sempre podem, e são resgatados, mas o foco é sempre seguir adiante, e é isso que fazem em Obsidian, sem 16º álbum de estúdio, que será lançado no dia 15 de maio pela Nuclear Blast, e que sairá no Brasil através da parceria com a Shinigami Records.


Uma coisa que sempre me chamou a atenção no Paradise Lost é a sua capacidade de soar único. Você consegue se deparar com bandas que emulam até o talo nomes como Metallica, Black Sabbath, Led Zeppelin ou Iron Maiden? Sim, e exemplos temos aos montes por aí. Normalmente elas ultrapassam o limite da influência e acabam soando com cópia dessas lendas do Rock/Metal. Isso já não ocorre com o Paradise Lost, já que não encontramos que consiga emular sua sonoridade. Claro, temos diversos nomes onde a influência do quinteto de Halifax se torna evidente, mas nenhum que soe idêntico. Isso se dá por um motivo simples, Nick Holmes e Gregor Mackintosh são músicos únicos. Eles são os alicerces sobre os quais se levantam as estruturas muscais da banda. A voz de Holmes, além de variada, soa marcante, sombria e escura, enquanto Gregor é um guitarrista com uma identidade única. Você sabe que é ele na primeira nota, e todo o clima melancólico presente na obra da banda é oriundo disso. É essa sua capacidade ímpar que consegue ligar álbuns aparentemente díspares como Gothic (91), Host (99) ou Faith Divide Us – Death Inite Us (09). Vale deixar claro que isso de forma alguma tira a importância e o brilho dos demais integrantes. Sem a brilhante guitarra rítmica de Aaron Aedy, Mackintosh não estaria livre para mostrar sua genialidade, sem a força do baixo de Stephen Edmondson e da bateria de Waltteri Väyrynen, muito se perderia. Preste atenção no desempenho dos mesmos em Obsidian, caso tenha alguma dúvida a respeito disso.

Vindo de dois álbuns que mergulharam fundo nas suas raízes Death/Doom, The Plague Within (15) e Medusa (17), o Paradise Lost optou por uma leve mudança de rumo em Obsidian, dando mais variedade as suas músicas. Trazendo para o centro do palco elementos não só do Gothic Metal de outrora, como da cena gótica dos anos 80 – sim, estamos falando de The Sisters of Mercy, The Mission e afins –, entregam aos seus fãs um trabalho mais refinado e com mais melodias, mas que em momento algum abre mão do peso e do clima sombrio que lhe é inerente desde Lost Paradise (90). Partindo dos vocais e passando pelas guitarras, tudo aqui soa mais diversificado, intenso e emocional que em seus antecessores, se é que isso é possível considerando a qualidade dos mesmos. Reparem também na força do baixo de Edmondson e em como Waltteri Väyrynen é um baterista muito, mas muito acima da média.

A abertura se dá com “Darker Thoughts”, e já digo, não se deixe enganar com os dedilhados de violão, os violinos e os vocais suaves de Nick, pois lá pelos 2 minutos de canção ela explode em peso e rosnados nervosos. Com um refrão fortíssimo, segue alternando entre passagens mais suaves e mais pesadas, criando uma atmosfera etérea. Já tendo sido lançada como single, “Fall from Grace” é a música que mais se aproxima do que o Paradise Lost fez em seus últimos álbuns, esbanjando peso e agressividade, obstante a boa dose de melancolia que é adicionada nos momentos em que os vocais limpos surgem. O solo de Gregor é outro fator de destaque. A faixa seguinte, “Ghosts”, é um mergulho no submundo dos clubes góticos de proliferavam no underground londrino dos anos 80. Seus riffs, sua guitarra atmosférica, o refrão grudento, tudo remete a cena gótica do período. É a prova da capacidade única que o Paradise Lost possui de mesclar suas influências de Pós-Punk e Goth Rock com Metal. “The Devil Embraced” alterna muito bem vocais limpos nos versos com os rosnados de Nick no refrão, gerando assim um clima bem sombrio e melancólico. Se prestar atenção, você vai conseguir sentir um pouco daquela aura do Gothic aqui.


“Forsaken” vai remeter o ouvinte diretamente aos tempos do Draconian Times com seus riffs fortes e marcantes, clima gélido e um trabalho de bateria que beira o primoroso. Na sequência, uma das músicas mais brutas do álbum, “Serenity”, um Death/Doom com guitarras pesadas e vocais intensos, que vai agradar aos mais saudosistas. Mostrando que o comodismo não é algo que faz parte do seu DNA, o Paradise Lost não tem medo de buscar novos caminhos para sua música, e observamos isso de forma bem clara em “Ending Days”. Por mais que ela tenha todas as características que marcam sua sonoridade, ela não se encaixaria em nenhum trabalho anterior, com seu clima sombrio e sufocante. Aqui, mais uma vez, o baixo e a bateria brilham. Sabe aquele clima Goth Rock de “Ghosts”? Ele ressurge com força na ótima “Hope Dies Young”, com um que de The Sisters of Mercy, e se encaixaria tranquilamente em um álbum como One Second (97). Encerrando a versão padrão do álbum, temos a épica “Ravenghast”. O piano da introdução já dá o tom fúnebre da canção. Com riffs desoladores e clima angustiante, é sem dúvida alguma a faixa mais pesada de todo álbum, e não soaria deslocada no Medusa, por exemplo. Na versão em digipack, temos mais 2 faixas, “Hear the Night” e “Defiler”, que seguem a mesma linha do álbum, abusando do peso e da melancolia.

Podemos dizer sem medo que o Paradise Lost encontrou em Jaime Gomez Arellano o seu parceiro perfeito, já que ele parece entender a sonoridade da banda como poucos produtores nesse mundo. Mais uma vez ele, ao lado da banda, foi o responsável pela produção, e o resultado é simplesmente ótimo. Cada mínimo detalhe pode ser notado, todos os instrumentos estão perceptíveis, tudo claro e cristalino. Ainda sim, não temos aquela sonoridade plastificada e artificial, já que é um álbum bem orgânico nesse sentido. Sombrio, escuro, intenso e melancólico, Obsidian comprova de uma vez por todas que o Paradise Lost não só se encontra em seu auge criativo, como está muito a frente da concorrência. Vivemos uma época tão dura e de tantas incertezas, e que agora tem sua trilha sonora. Uma experiência catártica, e sem dúvida, forte candidato a melhor álbum de 2020.

NOTA: 94

Formação:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria)


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lacuna Coil - Black Anima (2019)


Lacuna Coil - Black Anima (2019)
(Century Media Records - Importado)


01. Anima Nera
02. Sword of Anger
03. Reckless
04. Layers of Time
05. Apocalypse
06. Now or Never
07. Under the Surface
08. Veneficium
09. The End Is All I Can See
10. Save Me
11. Black Anima

Sempre existirão os saudosistas para afirmar que nos tempos de Unleashed Memories (01) e Comalies (02), as coisas eram melhores. Sinceramente, não vejo nada de errado nisso, pois música é uma coisa muito pessoal, e a forma como ela atinge cada um vai variar de pessoa para pessoa. Particularmente, até gosto da fase puramente Gothic Metal da banda, por mais que eu visse seu som como algo muito padrão, sem fugir muito do que era apresentado pelos demais nomes da época, ao menos no que tange as atmosferas. Já musicalmente, sempre consegui enxergar algo mais “pop” em sua sonoridade, tanto que achava o Lacuna Coil uma banda “boazinha” demais. Por mais que possuísse aquela aura mais sombria das bandas de Gothic, faltava mais peso e “maldade” para sua música. Friso, isso é uma visão muito particular minha.

Talvez por isso, eu não tenha me sentido tão incomodado com as mudanças implementadas pós-Comalies, tanto que meu maior problema com Karmacode (06) e Shallow Life (09) não se dá pela sonoridade mais moderna e “americanizada”, mas sim pelas composições pouco inspiradas dos mesmos. Vejo ambos como trabalhos de transição, onde os italianos estavam buscando dar uma cara para sua música. Felizmente, com Dark Adrenaline, as coisas começaram a se acertar e, aos poucos, o Lacuna Coil foi se encontrando. Evoluir nunca é simples, sempre vai existir uma parcela de dor no processo, e quando se trata de música, a coisa se maximiza, pois, você não lida apenas com suas próprias emoções, mas também com as dos fãs. Obviamente esse processo de amadurecimento não foi simples para nenhum dos lados, e marcas ficaram.


A partir de Broken Crown Halo (14), o Lacuna Coil foi trazendo gradativamente, elementos de seu passado de volta, mas sem renunciar as suas convicções musicais. Isso acabou gerando aquele que, para mim, não só é seu trabalho mais pesado e sombrio, mas também o melhor, Delirium (16). É ele o ponto de partida para o que escutamos em Black Anima. Reforçando ainda mais essa proposta, que reúne o Groove, agressividade e peso atual, com aquele clima mais dark de outrora, acabam obtendo um resultado que vai além do seu antecessor, em todos os sentidos. Podemos observar, por exemplo, que Andrea está cantando ainda mais agressivo, enquanto Cristina consegue soar ainda mais épica em alguns momentos, sem abrir mão da introspecção em diversas passagens. A guitarra de Diego Cavallotti é responsável por bons riffs e solos, além de soar muito pesada, peso esse que também se faz muito presente na parte rítmica, com o sempre competente Marco Coti-Zelati e o estreante Richard Meiz na bateria. Aliás, esse último foi uma belíssima aquisição para a banda, e substitui Ryan Folden a altura.

Em entrevista recente, Cristina disse que Black Anima foi todo composto durante a turnê, e considerando que as canções que mais gostam de tocar nos shows são justamente as mais pesadas, ele naturalmente acompanhou essa pegada. Fora isso, do ponto de vista lírico, abordaram as dificuldades, dores e perdas que todos temos na vida. O resultado é algo denso, agressivo e muito enérgico, que se reflete no clima gerado pelas canções. Aqui vemos o lado mais sombrio e obscuro da alma do Lacuna Coil, e acreditem, isso é muito bom. A pegada mais atual, com elementos de Modern Metal e Groove continua forte e muito presente, mas ouso dizer que algumas canções aqui poderiam estar em trabalhos mais antigos da banda. Esse é um aspecto que pode vir a agradar um pouco aqueles que são mais saudosistas e ainda não desistiram da banda. Cabe dizer que mesmo esses momentos, soam atuais, já que a banda dá a sua roupagem atual para tais canções.

“Anima Nera” soa mais como um prelúdio, com a voz de Cristina e um instrumental despido de peso ao fundo. Ainda sim, consegue criar um clima sombrio, preparando o ouvinte para o que vem pela frente. “Sword of Anger” faz jus ao seu título, ejá incia com Andrea rosnando de forma furiosa. Aliás, cabe notar que seus vocais mais limpos se fazem cada vez menos presentes. Em alguns momentos ocorrem duetos entre ele e Cristina, que soam bem legais, e o clima de raiva que emana da canção é ótimo. Na sequência, temos os dois singles já lançados pela banda. Em primeiro lugar, temos a ótima “Reckless”, com um bom trabalho vocal de Scabbia, refrão marcante, guitarras pesadas e um ótimo solo, e depois a raivosa “Layers of Time”, onde passagens mais rápidas alternam com outras mais cadenciadas, além de possuir uma bateria brutal. “Apocalypse” é a primeira das canções aqui presentes que remetem ao passado da banda, e poderia muito bem, estar presente em um dos 3 primeiros álbuns, dado seu clima denso e pegada mais dark.


Não se deixe enganar pelo começo mais melancólico de “Now or Never”, pois não demorar muito para ela explodir em peso, com destaque para o trabalho dos vocais, guitarra e bateria, sendo seguida pela acelerada “Under the Surface” e seus bons riffs. “Veneficium” é outra que vai remeter os ouvintes ao passado da banda, com seu clima denso, seu peso arrastado, sua atmosfera operística – enriquecida pelos coros em latim – e a sensação de dor que transmite. É sem dúvida, uma das melhores canções que o Lacuna Coil fez em sua carreira de mais de 2 décadas. “The End Is All I Can See”, é arrastada, profunda e chega a soar opressiva em alguns momentos, ainda que seja a que menos empolga em todo o álbum. Ainda sim, isso não é nenhum demérito. Na sequência que encerra o trabalho, mais uma faixa bem acelerada, “Save Me”, com boas guitarras e uma bateria bem pesada, e a assustadora e arrastada “Black Anima”, com suas melodias ameaçadoras e vocais agressivos de Andrea.

Partindo do princípio de que time que se ganha, não se mexe, optaram por repetir o que já havia dado certo em Delirium. Sendo assim, a produção ficou a cargo de Marco Coti-Zelati, coma mixagem sendo realizada por Marco Barusso, e masterização por Marco D'Agostino. O resultado é ótimo, já que conseguiu aliar clareza, peso, agressividade e organicidade. Já a bonita capa foi obra de Micah Ulrich. Durante toda a sua carreira, o Lacuna Coil primou por fazer o que tinha vontade, e isso deu a eles o direito de poder se aventurar por novos territórios, sem medo de julgamentos que pudessem vir a sofrer. Black Anima é o resultado direto disso. Esse não é um álbum fácil, que vai conquistar o ouvinte com a facilidade de seu antecessor,e em se tratando de música, algo muito pessoal e que mexe com emoções, certamente causará reações divergentes. Mostrando diversidade, e apresentando uma música pesada e sombria, alcançaram, no meu ponto de vista, o melhor resultado de sua carreira, e vão agradar em cheio os que apreciam um Metal com pegada mais moderna. Já os mais saudosistas, bem, esses terão que continuar sonhando com um retorno puro as raízes.

NOTA: 87

Lacuna Coil é:
- Christina Scabbia (vocal);
- Andrea Ferro (vocal);
- Diego Cavallotti (guitarra);
- Marco Coti-Zelati (baixo/teclado);
- Richard Meiz (bateria).

Homepage
Instagram
Facebook
Twitter


domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Doom/Gothic

Melhores de 2018 - Doom/Gothic


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Deathwhite - For a Black Tomorrow 


02. Altars of Grief - Iris 


03. Clouds - Dor 


04. Hamferð - Támsins likam


05. Hinayana - Order Divine


06. HellLight - As We Slowly Fade


07. Imago Mortis - LSD 


08. Fallen Idol - Mourn The Earth 


09. Netuno Doom - The Universe The Prison


10. Monolithe - Nebula septem

 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Paradise Lost – In Requiem (2007/2018)


Paradise Lost – In Requiem (2007/2018)
(Century Media/Shinigami Records – Nacional)


01. Never for the Damned
02. Ash & Debris
03. The Enemy
04. Praise Lamented Shade
05. Requiem
06. Unreachable
07. Prelude to Descent
08. Fallen Children
09. Beneath Black Skies
10. Sedative God
11. Your Own Reality

Draconian Times foi o auge criativo do Paradise Lost, assim como um ponto de virada em sua carreira. As altíssimas vendas geraram uma carga de shows pesada e estafante, e a vontade de buscar novos horizontes criativos. Isso pode ser observado em seus trabalhos seguintes, One Second, Host e Believe in Nothing, mais experimentais e que não foram, ao menos na época, muito bem recebidos por uma parcela dos seus fãs. Após isso, começaram a seguir um caminho oposto, retornando lentamente ao seu passado musical, mostrando que é possível sim, caminhar adiante sem deixar de olhar para o passado.

In Requiem é o álbum que marca o retorno do Paradise Lost ao Metal Gótico dos tempos de Icon e Draconian Times, tanto que não soaria nada deslocado se tivesse sido lançado na sequência desse último. Por mais que o caminho para ele tenha sido pavimentado pelos 2 trabalhos anteriores, Symbol of Life e Paradise Lost, o que escutamos aqui não deixa de ser inesperado. Diversificado e consistente, equilibra muito bem as diversas facetas da banda, soando pesado, épico, agressivo e sombrio, mas sem abrir mão das belas melodias e de alguns dos melhores solos de sua carreira. Aliás, vale dizer que o trabalho das guitarras aqui é primoroso, com destaque claro para Greg Mackintosh e seus riffs envolventes e melancólicos.

A primeira metade de In Requiem prima principalmente pelo peso, soando bem forte, com riffs pesados e alguns elementos de Doom presentes. É onde temos as melhores canções de todo álbum. A segunda parte também possui boas qualidades, mas já se envereda um pouco mais pelo Gothic Rock, primando bem mais pelas melodias cativantes. Mesmo que esteja levemente abaixo, não compromete em nada, já que não existe uma música sequer que possamos chamar de fraca. Além do já citado trabalho das guitarras, vale destacar o belíssimo trabalho vocal de Nick Holmes. Mesclando o estilo de Icon/Draconian Times, com o que observamos na fase seguinte, consegue soar forte e altamente emocional.


São 11 canções do mais alto nível, mas onde cabem alguns destaques. “Never for the Damned” tem ótimos riffs e vocais, além de belos solos, e “Ash & Debris” não fica nada atrás nesse sentido, destacando-se pelo uso discreto e competente dos teclados. Ainda hoje considero “The Enemy” uma das 10 melhores canções da carreira do Paradise Lost, com seu peso e refrão primoroso. Os corais femininos são um diferencial a parte. Um clássico. “Praise Lamented Shade” é daquelas canções sombrias e melancólicas que sempre marcaram a carreira dos ingleses, enquanto Requiem é simplesmente primorosa. Mackintosh e Aedy brilham com um trabalho de guitarra que transborda melancolia, e não é exagero dizer que ela teria espaço em um álbum como Shades of God. “Beneath Black Skies” não abre mão do peso, mas se envereda mais pelos caminhos do Gothic Rock, com destaque principalmente para sua introspecção e refrão. O encerramento, com “Your Own Reality”, também vale ser destacado, graças a sua suavidade e belíssimas melodias, que dão um ar sombrio a canção.

A produção de Rhys Fulber mostra qualidade, com a mixagem de Mike Fraser (Dio, Metallica, Rush, Slayer), e masterização de U.E. Nastasi (Dream Theater, Gojira, Lamb of God, Cradle of Filth) fazendo a diferença no bom resultado. Já a capa, do renomado Seth Siro Anton (Moonspell, Rotting Christ, Exodus), é para mim, uma das melhores da carreira da banda. No fim, temos em mãos um ótimo álbum de Gothic Metal, onde é possível perceber toda a paixão da banda pelo que fazem. In Requiem mostrou que ao contrário do que alguns pensavam, que o Paradise Lost ainda era sim, uma banda absurdamente criativa e capaz de lançar ótimos álbuns. O Rei estava mais vivo do que nunca, e de volta ao trono que sempre foi seu por direito.

NOTA: 88

Paradise Lost (gravação)
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra/teclado);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Jeff Singer (bateria).

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Paradise Lost – Believe in Nothing (2001/2018)


Paradise Lost – Believe in Nothing (2001/2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. I Am Nothing
02. Mouth
03. Fader
04. Look At Me Now
05. Illumination
06. Something Real
07. Divided
08. Sell It To The World
09. Never Again
10. Control
11. No Reason
12. World Pretending
13. Gone (Bonus Track)
14. Leave This Alone (Bonus Track)

Falando como “torcedor” do Paradise Lost, sempre tive sérios problemas com Believe in Nothing, já que é o álbum que menos gosto em toda a discografia da banda. Dei chances e mais chances ao mesmo, mas no final a conclusão era sempre a mesma: fraco. Em contrapartida, conheço muitas pessoas que são tão fãs da banda quanto eu, mas que apreciam muito este álbum, deixando claro que no fim, tudo é uma questão unicamente de gosto pessoal, da forma como uma expressão artística atinge o receptor. Sendo assim, resolvi deixar meu ranço de lado e ser o mais imparcial possível com relação ao álbum em questão.

Alguns anos atrás, Greg Mackintosh disse em uma entrevista que a fase compreendida entre Host e Believe In Nothing foi muito sombria e confusa para a banda, tanto do ponto de vista musical como pessoal. Conflitos internos, falta de foco e principalmente forte pressão da gravadora – a na época gigante EMI -  para o lançamento de um trabalho de fácil assimilação e alta vendagem marcaram esse período. Vale dizer que inclusive a mesma interferiu diretamente na produção do álbum, sem autorização da banda, resultando assim na perda de peso das guitarras na mixagem, o que causou forte desconforto. O Paradise Lost nunca escondeu sua má vontade com o resultado de Believe In Nothing, por isso não foi surpresa que logo após o relançamento de Host no começo de 2018, anunciassem uma versão remixada e remasterizada pelas mãos de Jaime Gomez Arellano, atual produtor da banda.

A versão original de Believe In Nothing sempre me soou como um álbum de Rock Alternativo, com alguns toques de goticismo. Apesar de as guitarras terem retornado ao centro das atenções, em momento algum soavam pesadas como deveriam, e os elementos Synth Pop/Goth que funcionaram tão bem em Host, passaram a ocupar um espaço menor. Era como se tivéssemos um legítimo sucessor de One Second, mas sem a pegada necessária. Além disso, sempre enxerguei uma forte variação de qualidade entre as faixas, com algumas onde eu conseguia ver potencial e outras que me faziam pular para a música seguinte. Sendo assim, a curiosidade para escutar a versão remixada e remasterizada era grande, afinal, ela seria um retrato quase perfeito do que a banda buscava originalmente apresentar.


A primeira coisa que me chamou a atenção, é que as músicas onde eu enxergava potencial, realmente eram boas. Canções como “I Am Nothing”, com bom refrão e guitarras, “Mouth”, e seu ar emotivo e obscuro, “Fader”, onde o lado gótico foi realçado, “Look At Me Now”, com elementos eletrônicos que remetem ao Host, a ótima “Illumination”, com suas guitarras que lembram The Sister of Mercy, e a lenta, profunda e pesada “World Pretending”, finalmente mostraram toda a sua força. As guitarras soam fortes e vivas, com os elementos góticos típicos da banda ganhando o merecido destaque. Quanto as demais canções, nem todas funcionam como deveriam. Algumas, como “Sell It To The World”, “Something Real” e “Divided” até conseguiram crescer um pouco em qualidade, apesar de um tanto convencionais, mas outras como “Never Again”, “Control” e “No Reason” continuaram soando fracas e sem inspiração. Para completar o pacote, temos 2 faixas bônus, a boa e sombria “Gone”, que sinceramente deveria ter entrado na versão normal do álbum, e  “Leave This Alone”, que não compromete.

A melhora ocorrida através da remixagem e remasterização é gritante, e ao menos aos meus ouvidos, deu novas cores a Believe In Nothing. Como já dito, ainda sim nem tudo funciona as mil maravilhas, e o álbum começa a soar um pouco cansativo do meio para frente, até mesmo por ocorrer uma pequena queda de qualidade no que tange as canções. A produção feita por Jaime Gomez Arellano conseguiu tirar parte da má impressão que eu tinha com relação ao trabalho. Não vou mentir que para mim, continua sendo o elo mais fraco de uma discografia brilhante, mas agora é um elo melhor do que muita coisa que se escuta por aí. Quem diria que um dia eu acharia Believe In Nothing um bom álbum? Os tempos mudam meus amigos, mudam muito.

NOTA: 78

Paradise Lost (gravação)
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra/teclado);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Lee Morris (bateria).

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube


segunda-feira, 12 de março de 2018

Rotting Christ - A Dead Poem (1997/2018)


Rotting Christ - A Dead Poem (1997/2018)
(Cold Art Industry - Nacional)


01. Sorrowfull Farewell
02. Among Two Storms
03. A Dead Poem
04. Out of Spirits
05. As If by Magic
06. Full Colour Is the Nights
07. Semigod
08. Ten Miles High
09. Between Times
10. Ira Incensus
11. Sorrowfull Farewell (Live)   
12. Among Two Storms (Live)

Antes de qualquer coisa, precisamos agradecer a Cold Art Industry por esse relançamento, algo que podemos chamar de um serviço de utilidade pública. Poder ter em mãos uma versão tão caprichada de A Dead Poem, com direito a duas faixas bônus, é algo que torna melhor o dia de qualquer fã do Rotting Christ. Sucessor do fantástico Triarchy of the Lost Lovers (96), o 4º álbum de estúdio dos gregos é uma evolução deste, se aprofundando mais nos elementos góticos e melódicos que haviam sido apresentados no mesmo. É onde a banda dá uma guinada forte para uma sonoridade mais Dark, com um resultado final simplesmente excelente.

Aqui podemos traçar um paralelo entre o Rotting Christ e o Paradise Lost. Ambos começaram suas carreiras com uma sonoridade mais extrema, mas com o passar dos álbuns, foram moldando seu som para algo menos brutal e muito mais melancólico e sombrio. Acho até que não seria exagero dizer que A Dead Poem é uma espécie de Draconian Times com um pé no Black Metal, dado o fato que ambos focam no goticismo e nas melodias, se diferindo apenas na questão vocal, pois ao contrário de Nick Holmes, Sakis manteve seus vocais mais agressivos. Similaridades com o trabalho do Moonspell também podem ser vistas, e não é coincidência termos a participação especial de Fernando Ribeiro em uma das canções.

Os vocais de Sakis continuam seguindo uma linha mais Black, e conseguem impor um ar sombrio as canções, enquanto sua guitarra é responsável não só por nos entregar ótimos riffs, como também algumas melodias belíssimas e solos fantásticos. É nítida a influência de Heavy Metal Tradicional em seu trabalho. A parte rítmica, com Themis e o estreante Andreas, também executa um trabalho de altíssimo nível. Repare nas linhas de baixo aqui presentes e em como são importantes para o resultado final. Os teclados, sempre encaixados de forma perfeita e sem exageros, tendo importância nos momentos mais atmosféricos e melancólicos, foram executados por ninguém menos que Xy, do Samael, que também foi o produtor do álbum.


Apontar destaques aqui é impossível, pois esse é daqueles trabalhos onde todas as canções estão niveladas por cima. De cara, temos o hino “Sorrowfull Farewell”, com seus riffs marcantes e belas melodias. Não satisfeito, na sequência escutamos outro clássico, “Among Two Storms”, que conta com a participação de Fernando Ribeiro (Moonspell) nos vocais e com um trabalho de guitarra primoroso (com destaque para o belo solo). “A Dead Poem” mantém o nível alto com muito peso, e “Out of Spirits” cativa o ouvinte com facilidade, dada as ótimas melodias presentes. Fechando a primeira metade do álbum, a incrível “As If by Magic”, com um belo trabalho da parte rítmica e um lado atmosférico que lhe cai muito bem.

A segunda metade abre com outra música acima da média, “Full Colour Is the Nights”, com riffs e melodias verdadeiramente grudentas e uma pegada gótica bem forte. “Semigod” mescla muito bem o Gothic e o Black, soando bem sombria e novamente com a parte rítmica se destacando. Já “Ten Miles High” é uma faixa instrumental, mas que impressiona pelas melodias elegantes, com destaque para a maior presença do teclado de Xy. Na sequência final, temos a assombrosa (no bom sentido) “Between Times” e a excelente “Ira Incensus”, com uma aura mística incrível (cortesia dos teclados), melodias obscuras, bons riffs e linhas marcantes de baixo. De bônus, versões ao vivo para “Sorrowfull Farewell” e  “Among Two Storms”.

Como já comentado acima, a produção ficou a cargo de Xy, com a mixagem e masterização realizadas por Siggi Bemm (Moonspell, Lacuna Coil, Samael, The Gathering). Um resultado final excelente, limpo para os padrões da época e que casa perfeitamente com a proposta da banda. A belíssima capa ficou por conta de Carsten Drescher (Paradise Lost, Iced Earth, Epica, After Forever). Apresentando um álbum dinâmico, focado nas belas e sombrias melodias e com grandes riffs, o Rotting Christ assumiu definitivamente seu lado mais Dark Metal com A Dead Poem, mas sem abrir mão de sua identidade. Um clássico dos anos 90 e da discografia dos gregos.

NOTA: 9,0

Rotting Christ (gravação):
- Sakis (Vocal/Guitarra);
- Andreas (Baixo);
- Themis (Bateria).

Músicos Convidados:
- Xy (Teclado);
- Fernando Ribeiro (Vocal em Among Two Storms).

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
Soundcloud
Cold Art Industry


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)


Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)
(Independente - Nacional)


01. Fearless Heart
02. Beneath The Skin
03. Stolen Innocence
04. Asleep
05. Keep You Close To My Heart
06. From Porcelain To Ivory
07. Caliban
08. Dark Eyes
09. Downfall
10. Fenrir’s Last Howl

Apesar de todas as dificuldades inerentes, o Brasil é um terreno fértil para o surgimento de boas bandas quando o assunto é Heavy Metal. O Fenrir’s Scar surgiu no ano de 2015, na cidade de Campinas/SP, e resolveu não perder muito tempo, tratando de já lançar seu debut no final do ano passado. A aposta? Uma mescla de Modern Metal com Gothic Metal, que invariavelmente nos remete a nomes como Lacuna Coil, Evanescence, Within Temptation, Amaranthe e outros.

Contando na época da gravação com Desireé Rezende (vocal), André Baida (vocal), Vinícius Prado (guitarra), Paulo “Khronny” Victor (guitarra), Gabriel Rezende (baixo), Graziely Maria (teclado) e Ildécio dos Santos (bateria), o Fenrir’s Scar felizmente procura fugir daquela fórmula batida de vocais guturais masculinos/vocais operísticos femininos. André até segue uma linha bem agressiva, mas Desireé opta pelos vocais voltados para o Metal, o que termina sendo uma vantagem.

A dinâmica vocal aqui me remeteu demais aos trabalhos do Lacuna Coil, o que não é demérito algum. A dupla de guitarristas formada por Vinícius (que saiu da banda recentemente, tendo André assumido a outra guitarra) e Khronny entregam aos ouvintes bons riffs e bases, além de muito peso. Vale destacar também a qualidade dos solos apresentados. Na parte rítmica, Gabriel e Ildécio apresentam um trabalho muito coeso e com boa técnica, além de diversificado. Já Graziely se destaca bastante, pois o teclado tem um papel muito importante na música do Fenrir’s Scar, tendo posição de destaque em diversas canções.


Sendo assim, é injusto jogar todos os holofotes apenas no papel de André e Desireé, por mais que o primeiro mostre possuir versatilidade de sobra e a suavidade da voz da segunda ter um papel importante de contrastar com o peso do instrumental. Todos aqui se destacam. E por falar em destaque, por mais que as 10 canções aqui presentes sejam bem homogêneas em matéria de qualidade, é inevitável que algumas se sobressaiam às outras. “Fearless Heart” possui bons riffs, peso e ótimos vocais, algo que também podemos observar em “Beneath The Skin” (que possui ótimo refrão) e “Stolen Innocence” (com ótimo trabalho do teclado). Por sinal, essas 3 me remeteram demais ao trabalho atual do Lacuna Coil. A belíssima “Keep You Close To My Heart” apresenta apenas a voz de Desireé e o piano de Graziely, sendo um dos pontos altos aqui. “From Porcelain To Ivory” se destaca não só pelo dueto vocal, como pelo refrão grudento.

Gravado no Minster Studio (Campinas/SP), o álbum teve produção de Fabiano Negri e mixagem e masterização feitas por Ricardo Palma. O resultado final é bom, pois além de deixar tudo bem claro e nítido, manteve o peso e a agressividade. Já a belíssima capa foi obra de Wesley Souza. Equilibrando bem suavidade e peso, o Fenrir’s Scar não nega em momento algum suas influências, mas passa longe de soar como uma simples emulação das mesmas. Ao final, temos uma boa estreia, de uma banda que mostra grande potencial futuro de crescimento e que tem tudo para figurar entre as principais do estilo no Brasil.

NOTA: 8,0

Fenrir’s Scar (gravação):
- Desireé Rezende (vocal);
- André Baida (vocal);
- Vinícius Prado (guitarra);
- Paulo “Khronny” Victor (guitarra);
- Gabriel Rezende (baixo);
- Graziely Maria (teclado);
- Ildécio dos Santos (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay (2017)


Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

 
01. Exquisite Torments Await
02. Heartbreak And Seance
03. Achingly Beautiful
04. Wester Vespertine
05. The Seductiveness Of Decay
06. Vengeful Spirit
07. You Will Know The Lion By His Claw
08. Death And The Maiden
09. The Night At Catafalque Manor (bônus)
10. Alison Hell (Annihilator Cover) (bônus)

Como é bom ver uma banda conseguir recuperar seu brilho. Nos anos 90, o Cradle of Filth lançou alguns trabalhos realmente clássicos, com maior destaque para os álbuns Dusk and Her Embrace (96) e Cruelty and the Beast (98) e o EP V Empire or Dark Faerytales in Phallustein (96), mas infelizmente a entrada no século XXI não foi das melhores, com trabalhos de qualidade discutível (Nymphetamine (04) e Thornography (06) passam longe dos seus anos de glória) e uma série de álbuns que entrariam naquela categoria “não fede e nem cheira”, já que soaram indiferentes para uma parcela de fãs de música pesada. Parte disso certamente pode ser colocado na conta das mudanças de formação ocorridas no período.

Hammer of the Witches (15) foi um trabalho que surpreendeu a muitos (inclusive a mim) pela sua força e grande qualidade, com o Cradle of Filth acertando a mão como não fazia desde o século passado. E nesse ponto, as entradas dos guitarristas Ashok e Rich Shaw e da tecladista e vocalista Lindsay Schoolcraft ajudaram demais, pois a química entre os novatos e Dani Filth (vocal), Daniel Firth (baixo) e Marthus (bateria) parece ter sido realmente instantânea. Era como se tocassem juntos há muito mais tempo. E foi mantendo essa formação (algo que não ocorria há muito tempo no COF) que partiram para a gravação de Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay, seu 14º trabalho de estúdio (incluindo na conta o álbum de regravações, Midnight in the Labyrinth (12)).

Em Cryptoriana temos a prova que o álbum anterior não foi um simples golpe de sorte, já que o alto nível se mantém. Mesclando elementos de Black, Death e Heavy Tradicional, com as orquestrações e coros dando aquele ar gótico que marcou a banda nos anos 90, o Cradle of Filth conseguiu unir o antigo e o novo em sua sonoridade. Os vocais de Dani Filth continuam mostrando aquela versatilidade à qual nos acostumamos, enquanto a dupla de guitarristas formada por Ashok e Rich Shaw se mostra um verdadeiro achado, sendo responsáveis por alguns dos melhores riffs da história da banda, além de solos fantásticos. Na parte rítmica, Daniel Firth (baixo) e Marthus (bateria) apresentam a competência de sempre, com coesão e peso, enquanto Lindsay Schoolcraft nos entrega ótimas melodias de teclado e intervenções precisas de seus vocais.


Após a sinistra introdução com “Exquisite Torments Await”, que dá o tom do que encontraremos pela frente, temos “Heartbreak And Seance”, pesada, com bons riffs e atmosfera gótica dada pelos belos coros. Já “Achingly Beautiful” possui elementos sinfônicos grandiosos e vai remeter o ouvinte direto aos tempos de Dusk and Her Embrace. Sem dúvida uma das melhores de todo o álbum. A melancólica e melódica “Wester Vespertine” traz os primeiros elementos mais evidentes de NWOBHM, que acabam escancarados de vez em “The Seductiveness Of Decay”, graças à dupla Ashok/Shaw (a influência de Maiden fica muito evidente). “Vengeful Spirit”, além dos bons riffs, tem boa participação de Liv Kristine. Na sequência final, temos as pesadas "You Will Know The Lion By His Claw”, cativante e com refrão forte e “Death And The Maiden”. Na versão nacional, mais duas bônus, que fazem valer a pena a aquisição: a excelente “The Night At Catafalque Manor”, que poderia estar tranquilamente no clássico Cruelty and the Beast, e uma ótima versão para “Alison Hell”, do Annihilator.

Mantendo a dobradinha dos últimos trabalhos, mais uma vez trabalharam com Scott Atkins, que aqui ficou responsável pela gravação, produção, mixagem e masterização. Claro, audível e pesado. Quanto à parte gráfica, assim como em Hammer of the Witches, a belíssima capa foi feita por Arthur Berzinsh, com o layout do encarte tendo sido obra de Dan Goldsworthy (Devilment, Alestorm, Gloryhammer). Belíssimo por sinal. Mostrando que está vivendo uma de suas melhores fases, o Cradle of Filth acerta em cheio com Cryptoriana, provando que, ao contrário do que pareceu por um tempo, não perdeu a mão para boa música.

NOTA: 8,5

Cradle of Filth é:
- Dani Filth (vocal);
- Ashok (guitarra);
- Richard Shaw (guitarra);
- Daniel Firth (baixo);
- Marthus (bateria);
- Lindsay Schoolcraft (vocal/teclado).

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube



quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Doom Metal/Gothic de 2017

Melhores álbuns de Doom Metal/Gothic de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se! 

 01. Moonspell - 1755
(Napalm Records/Hellion Records - Nacional)


02. Paradise Lost - Medusa
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


03. Novembers Doom - Hamartia
(The End Records - Importado)


04. Jupiterian - Terraforming
(Transcending Obscurity Records - Importado)


05. Clouds - Destin
(Independente - Importado)


06. Saturndust - RLC
(Independente - Nacional)


07. Monarch - Never Forever
(Profound Lore Records - Importado)


08. Below - Upon a Pale Horse
(Metal Blade Records - Importado)


09. The Evil - The Evil
(Independente - Nacional)


10. Monolord - Rust
(RidingEasy Records - Importado)


Quase chegaram

- Avatarium - Hurricanes and Halos
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


- Nailed to Obscurity - King Delusion
(Apostasy Records - Importado)


- The Doomsday Kingdom - The Doomsday Kingdom
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


- King Woman - Created in the Image of Suffering
(Relapse Records - Importado)


- Amenra - Mass VI
(Neurot Recordings - Importado)


sábado, 28 de outubro de 2017

Moonspell – 1755 (2017)


Moonspell – 1755 (2017)
(Napalm Records – Importado)


01. Em Nome do Medo
02. 1755
03. In Tremor Dei
04. Desastre
05. Abanão
06. Evento
07. 1 de Novembro
08. Ruínas
09. Todos os Santos
10. Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso Cover)

Lisboa, 1 de Novembro de 1755. Era a manhã do Dia de Todos os Santos, com Igrejas e ruas lotadas por sua população, extremamente devota ao catolicismo. E quando falamos de Lisboa dessa época, é de uma cidade que se diferenciava muito do que conhecemos hoje, pois tinha um aspecto tipicamente medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas. Sua população era estimada em 300 mil habitantes. Sendo assim, imaginem a aglomeração de pessoas nessas mesmas ruas, nessa manhã de feriado religioso. Eis então que entre 9:30 e 9:40 da manhã, o mundo pareceu acabar.

Um terremoto com epicentro no mar, que atingiu entre 8,7 e 9,0 na escala Richter (que vai até 10), caiu em cheio sobre a cidade. Estima-se que 1/3 de suas construções ruíram nesse momento. As réplicas foram sentidas por um período de mais de 2 horas. Uma parte dos sobreviventes correu para a zona portuária, para nela se abrigar, sem imaginar o que estava por vir. O mar se retraiu, a ponto de poder ser avistado seu fundo, além de destroços de navios e cargas perdidas, e pouco depois um tsunami, com ondas de até 20 metros, atingiu Lisboa, varrendo cidade adentro e inundando diversas áreas. Imaginem o tamanho do terror que se espalhou entre a devota população lisboeta enquanto tudo isso ocorria. E como se não bastasse, boa parte do que ficou em pé acabou consumida por incêndios que duraram cerca de 5 dias. Estudos modernos estimam que cerca de 85% das construções foram destruídas e que algo entre 70 mil e 90 mil pessoas tiveram suas vidas ceifadas.


O impacto que tal desastre teve na sociedade portuguesa foi profundo. Pode-se dizer que mudou a história do país. E foi desse acontecimento que o Moonspell resolveu tratar em seu 12º trabalho de estúdio, simplesmente intitulado 1755. E para aumentar a força de tal escolha, optaram por cantar todas as canções em seu idioma pátrio, o que adianto desde já, foi realmente a escolha mais correta. Cantar na língua portuguesa não é uma novidade para o grupo, já que em diversos momentos da carreira o fizeram, sempre obtendo ótimos resultados, e sendo assim, tal opção não deveria ser motivo de preocupação para os fãs. Ao contrário, é algo a ser louvado, visto que muitos já sonhavam com a oportunidade de escutar um álbum todo cantado em português.

Musicalmente, uma coisa é indiscutível. O Moonspell sempre prezou pela integridade, por fazer o que quis, mesmo que isso tenha tido resultado discutíveis em alguns momentos, como The Butterfly Effect (99) e Darkness and Hope (01). Também não dá para discutir que mesmo em seus momentos mais questionáveis, conseguiu manter uma identidade sua, que é a mescla de agressividade com boas melodias góticas, além de sempre buscar não se repetir. Diversidade é uma palavra que se encaixa bem em sua obra. E olhe, podemos dizer que também pode ser aplicada em 1755, seu trabalho mais variado e rico até hoje.


Eis um álbum fascinante, que a cada audição cresce aos nossos ouvidos, pois vamos captando cada detalhe existente nele (e que não são poucos). Temos aqui uma incrível junção de Doom, Gothic Metal e Metal Sinfônico, onde momentos agressivos convivem com passagens épicas e grandiosas, com grandes coros e orquestrações, além de claro, aquele goticismo inerente à música do Moonspell. Além disso, conseguem de uma forma simplesmente incrível transpor para as canções a dor dos que sofreram com a devastação de 1755. Sua música é profunda, altamente emocional e em muitas passagens, você consegue se sentir vivendo o acontecimento. Você sente o terror do momento. Quantas bandas por aí podem se gabar de conseguir alcançar tal resultado? Poucas, amigos, bem poucas.

De cara, temos uma nova versão para “Em Nome do Medo”, uma das melhores canções de Alpha Noir, álbum de 2012. A letra se encaixa perfeitamente dentro do contexto do trabalho, e ganhou arranjos orquestrais simplesmente incríveis. Os vocais de Fernando, as orquestrações, os corais, tudo isso acabou por criar um clima de escuridão que soa perfeito para abrir um trabalho dessa magnitude. Na sequência, “1755” chega carregada de vigor e de força. Com uma diversidade impressionante, se destaca não só pelos riffs, como por suas partes sinfônicas, pelos coros e por uma saudável influência de sonoridades orientais. Em seguida, temos um dos pontos altos do álbum, a poderosa “In Tremor Dei”, canção recheada de detalhes, com um trabalho incrível do baixista Aires Pereira e participação mais do que especial do fadista Paulo Bragança, que terminou por dar grande profundidade e emoção à composição. “Desastre” chega intensa, escura e pesada, com ótimo trabalho vocal e um clima teatral que lhe faz profunda. Encerrando a primeira metade, temos “Abanão”, com boa dose de agressividade, ótimos coros e trabalho primoroso do baterista Miguel Gaspar.


A segunda metade abre com a ótima “Evento”, a mais diversificada de 1755. Aqui, além de ótimas melodias, temos uma alternância muito legal de passagens mais agressivas e velozes, com outras mais atmosféricas. As guitarras de Pedro Paixão e Ricardo Amorim também executam um belíssimo trabalho, com ótimos riffs e solo, algo que se repete na música seguinte, “1 de Novembro”. Aqui, temos boas melodias, ótimas orquestrações e mudanças de tempo interessantes. Já “Ruínas” possui uma forte carga emocional, com certa carga de melancolia e uma aura de desespero. Além disso, é outra que tem ótima utilização de elementos orientais. “Todos os Santos” é, sem sombra alguma, uma das mais fortes canções aqui presentes. É daquelas músicas onde o Moonspell mostra toda a sua capacidade de unir passagens mais agressivas com boas melodias e uma pegada gótica. Reflete perfeitamente o que é a banda. Encerrando o álbum, uma surpreendente versão para “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, uma música que nós brasileiros conhecemos muito bem. Peso e suavidade, características antagônicas em um primeiro momento, se unem para gerar uma aura triste, escura e melancólica, que se destaca principalmente pelas belíssimas orquestrações (o piano ficou perfeito aqui) e se mostra o encerramento perfeito para o álbum.

A produção ficou por conta do dinamarquês Tue Madsen, que já trabalhou com a banda no passado, e o resultado é simplesmente incrível. A forma como ele conseguiu deixar o som limpo e claro, a ponto de escutarmos cada detalhe, mas sem tirar a agressividade e o peso, foi simplesmente incrível. Uma das melhores produções que escutei em 2017. Já a bela capa é obra do português João Diogo e reflete perfeitamente o conteúdo lírico do álbum. Com um trabalho simplesmente fascinante e viciante, o Moonspell parece ter alcançado seu auge e conseguido o que parecia improvável, superar os clássicos Wolfheart (95) e Irreligious (96). Emocional, como o tema pede, 1755 se credencia como sério concorrente a melhor álbum de 2017. Não acredita? Então escute e tire suas próprias conclusões.

NOTA: 9,5

Moonspell é:
- Fernando Ribeiro (vocal);
- Pedro Paixão (guitarra/teclado);
- Ricardo Amorim (guitarra);
- Aires Pereira (baixo);
- Miguel Gaspar (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Paradise Lost - Symphony For The Lost (2015)




Paradise Lost - Symphony For The Lost (2015)
(Century Media – Importado)

CD1 (Com Orquestra)
01. Tragic Idol
02. Last Regret
03. Your Own Reality
04. Over The Madness
05. Joys Of Empitness
06. Victim Of The Past
07. Soul Courageous
08. Gothic

CD2 (Sem Orquestra)
01. The Enemy
02. Erased
03. Isolate
04. Faith Divides Us, Death Unites Us
05. As I Die
06. One Second
07. True Belief
08. Say Just Words
09. The Last Time

Draconian Times (95) sempre será o auge do Paradise Lost musicalmente falando, pois é impossível chegar novamente ao nível de perfeição ali alcançado. Mas obstante tal fato, podemos afirmar sem medo, que nos últimos 6 anos a banda vive seu auge criativo, com uma sequência fantástica de 3 álbuns simplesmente clássicos, Faith Divides Us, Death Unites Us (09), Tragic Idol (12) e o atual e aclamado The Plague Within, lançado nesse ano de 2015.  Junto a isso, veio a reconquista da popularidade perdida na época da dobradinha Host (99)/Believe in Nothing (01) (pois a importância e o respeito, esses nunca perderam) e uma infinidade de turnês, shows e participações em Festivais mundo afora.

Sendo assim, para marcar esse grande momento que vivem, nada melhor do que presentear seus fãs com algo especial e a escolha recaiu sobre um álbum ao vivo, já que é no palco que esses ingleses de Halifax mostram todo o seu poder de fogo. Mas, como de 2008 para cá já foram dois trabalhos nessa linha, The Anatomy Of Melancholy (08) e Tragic Illusion Live at the Roundhouse, London (13), algo de especial precisava ser apresentado. E bem, disso surgiu Symphony For The Lost.

Esse trabalho consiste em um álbum duplo, o primeiro CD contando com a partcipação de uma Orquestra e o segundo apenas com a banda sobre o palco. Normalmente quando falamos de algo assim, a primeira lembrança que nos vêm à cabeça é o medonho S&M do Metallica, uma verdadeira aula de como não se unir Metal e Música Clássica, mas cabe lembrar que o Paradise Lost em diversos momentos de sua carreira, já se utilizou de orquestrações em suas músicas, sempre obtendo ótimos resultados.

Sendo assim, um álbum ao vivo, orquestrado, não soa como absurdo em se tratando do quinteto inglês. Gravado em um antigo teatro romano, na Bulgária, a banda se faz acompanhada da Orquestra Estatal de Plovdiv e do Rodna Pesen Choir, sob regência de Levon Manukyan, que já trabalhou com diversos artistas de Rock/Metal. O resultado acabou sendo ótimo, pois o índice de acerto é grande, já que a maioria dos 8 temas escolhidos eram bem adequados a receber orquestrações. As exceções ficaram a cargo de “Joys Of Empitness”, que soou insossa e “Soul Courageous”, que com todo respeito, ficou mais com cara de tema de banda de Escola de Ensino Fundamental. Poderiam ter sido substituídas por “Faith Divides Us, Death Unites Us”, que possui uma belíssima versão orquestrada pela Sinfônica de Praga que se faz presente de bônus no álbum de mesmo nome e “So Much Is Lost”, que têm uma String Version de bônus no Host e sempre me deixou curioso de saber como soaria com orquestrações completas.

Fora isso, os arranjos clássicos ficaram muito bem encaixados nas composições e, se não trazem muita coisa de novo, acompanham muito bem as mesmas. A fusão desses elementos com o Metal praticado pela banda acabou sendo muito bem feita, isso é inegável, vide “Tragic Idol”, “Over The Madness” e “Victim Of The Past”, essa última já composta pensando nas orquestrações. A única resalva que faço aqui é o fato de o Cd2 ser sem a presença da Orquestra, pois adoraria escutar a mesma acompanhando músicas como “The Enemy”, “Erased”, “Isolate”, “One Second”, “Say Just Words” e “The Last Time”. Ainda sim essa parte do trabalho é excelente, pois mostra toda a energia e solidez do Paradise Lost sobre o palco.

Um fator que me chamou bem a atenção foi à produção, que optou por não soar muito pomposa, deixando a sonoridade do álbum com certa crueza, já que aparentemente não optaram por encher o mesmo de overdubs, o que pode ser notado por pequenos erros aqui e ali que foram mantidos, dando ao trabalho uma cara realmente de álbum ao vivo. Nada soa mais irritante do que aqueles álbuns ao vivo onde cada nota é tocada e polida a beira da perfeição e desse mal Symphony For The Lost não padece.

Ao final fica um gosto de quero mais e a esperança de que um dia possamos não só escutar um álbum inteiro com essa proposta, mas quem sabe uma turnê completa com apresentações ao lado de uma Orquestra. É um sonho um tanto megalomaníaco de minha parte? Certamente, mas ao menos por enquanto, ainda não pagamos para ter sonhos. Enquanto muitas bandas, mesmo consagradas, andam penando para conseguir lançar um trabalho ao menos mediano, o Paradise Lost consegue soltar dois belos trabalhos em um único ano. Um verdadeiro presente para os fãs!

NOTA: 8,5

Paradise Lost é:
- Nick Holmes (Vocal)
- Gregor Mackintosh (Guitarra)
- Aaron Aedy (Guitarra)
- Stephen Edmondson (Baixo)
- Adrian Erlandsson (Bateria)

Facebook