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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Paradise Lost - Obsidian (2020)


Paradise Lost - Obsidian (2020)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Darker Thoughts
02. Fall from Grace
03. Ghosts
04. The Devil Embraced
05. Forsaken
06. Serenity
07. Ending Days
08. Hope Dies Young
09. Ravenghast
10. Hear the Night (bônus track)
11. Defiler (bônus track)

“Você não é todo mundo!”. O caro leitor deve estar se perguntando o que a frase dita por 10 entre 10 mães no mundo faz em uma resenha crítica a respeito do novo álbum do Paradise Lost. Realmente, é uma forma pouco usual de se começar uma resenha, não posso negar, mas logo ela terá sua razão de estar aqui. Surgido em 1988, em Halifax, Inglaterra, o quinteto escreveu seu nome na história do Metal com uma carreira sólida e recheada de álbuns de grande qualidade, fora o mérito de serem considerados por muitos, o responsável pela criação do Gothic Metal como o entendemos hoje. Com tudo isso, e com mais de 3 décadas de estrada, qualquer banda se acomodaria nos louros da vitória e se limitaria a zona de conforto, fazendo apenas o feijão com arroz. Mas o Paradise Lost não é todo mundo. Não é, nunca foi e provavelmente nunca será.

Tudo nessa vida é mutável, e uma atitude que possamos vir a ter hoje, vai ter reflexos lá na frente. É algo que não só afeta a nossa vida, mas também a das pessoas em nosso entorno. Viver não é  estático, e tudo sempre está em constante mudança. Porque então a carreira do Paradise Lost deveria ser diferente? São 32 anos se reinventando álbum após álbum, se recusando a cair na estagnação e no apego ao passado de muitos outros nomes de sua geração. Elementos do passado sempre podem, e são resgatados, mas o foco é sempre seguir adiante, e é isso que fazem em Obsidian, sem 16º álbum de estúdio, que será lançado no dia 15 de maio pela Nuclear Blast, e que sairá no Brasil através da parceria com a Shinigami Records.


Uma coisa que sempre me chamou a atenção no Paradise Lost é a sua capacidade de soar único. Você consegue se deparar com bandas que emulam até o talo nomes como Metallica, Black Sabbath, Led Zeppelin ou Iron Maiden? Sim, e exemplos temos aos montes por aí. Normalmente elas ultrapassam o limite da influência e acabam soando com cópia dessas lendas do Rock/Metal. Isso já não ocorre com o Paradise Lost, já que não encontramos que consiga emular sua sonoridade. Claro, temos diversos nomes onde a influência do quinteto de Halifax se torna evidente, mas nenhum que soe idêntico. Isso se dá por um motivo simples, Nick Holmes e Gregor Mackintosh são músicos únicos. Eles são os alicerces sobre os quais se levantam as estruturas muscais da banda. A voz de Holmes, além de variada, soa marcante, sombria e escura, enquanto Gregor é um guitarrista com uma identidade única. Você sabe que é ele na primeira nota, e todo o clima melancólico presente na obra da banda é oriundo disso. É essa sua capacidade ímpar que consegue ligar álbuns aparentemente díspares como Gothic (91), Host (99) ou Faith Divide Us – Death Inite Us (09). Vale deixar claro que isso de forma alguma tira a importância e o brilho dos demais integrantes. Sem a brilhante guitarra rítmica de Aaron Aedy, Mackintosh não estaria livre para mostrar sua genialidade, sem a força do baixo de Stephen Edmondson e da bateria de Waltteri Väyrynen, muito se perderia. Preste atenção no desempenho dos mesmos em Obsidian, caso tenha alguma dúvida a respeito disso.

Vindo de dois álbuns que mergulharam fundo nas suas raízes Death/Doom, The Plague Within (15) e Medusa (17), o Paradise Lost optou por uma leve mudança de rumo em Obsidian, dando mais variedade as suas músicas. Trazendo para o centro do palco elementos não só do Gothic Metal de outrora, como da cena gótica dos anos 80 – sim, estamos falando de The Sisters of Mercy, The Mission e afins –, entregam aos seus fãs um trabalho mais refinado e com mais melodias, mas que em momento algum abre mão do peso e do clima sombrio que lhe é inerente desde Lost Paradise (90). Partindo dos vocais e passando pelas guitarras, tudo aqui soa mais diversificado, intenso e emocional que em seus antecessores, se é que isso é possível considerando a qualidade dos mesmos. Reparem também na força do baixo de Edmondson e em como Waltteri Väyrynen é um baterista muito, mas muito acima da média.

A abertura se dá com “Darker Thoughts”, e já digo, não se deixe enganar com os dedilhados de violão, os violinos e os vocais suaves de Nick, pois lá pelos 2 minutos de canção ela explode em peso e rosnados nervosos. Com um refrão fortíssimo, segue alternando entre passagens mais suaves e mais pesadas, criando uma atmosfera etérea. Já tendo sido lançada como single, “Fall from Grace” é a música que mais se aproxima do que o Paradise Lost fez em seus últimos álbuns, esbanjando peso e agressividade, obstante a boa dose de melancolia que é adicionada nos momentos em que os vocais limpos surgem. O solo de Gregor é outro fator de destaque. A faixa seguinte, “Ghosts”, é um mergulho no submundo dos clubes góticos de proliferavam no underground londrino dos anos 80. Seus riffs, sua guitarra atmosférica, o refrão grudento, tudo remete a cena gótica do período. É a prova da capacidade única que o Paradise Lost possui de mesclar suas influências de Pós-Punk e Goth Rock com Metal. “The Devil Embraced” alterna muito bem vocais limpos nos versos com os rosnados de Nick no refrão, gerando assim um clima bem sombrio e melancólico. Se prestar atenção, você vai conseguir sentir um pouco daquela aura do Gothic aqui.


“Forsaken” vai remeter o ouvinte diretamente aos tempos do Draconian Times com seus riffs fortes e marcantes, clima gélido e um trabalho de bateria que beira o primoroso. Na sequência, uma das músicas mais brutas do álbum, “Serenity”, um Death/Doom com guitarras pesadas e vocais intensos, que vai agradar aos mais saudosistas. Mostrando que o comodismo não é algo que faz parte do seu DNA, o Paradise Lost não tem medo de buscar novos caminhos para sua música, e observamos isso de forma bem clara em “Ending Days”. Por mais que ela tenha todas as características que marcam sua sonoridade, ela não se encaixaria em nenhum trabalho anterior, com seu clima sombrio e sufocante. Aqui, mais uma vez, o baixo e a bateria brilham. Sabe aquele clima Goth Rock de “Ghosts”? Ele ressurge com força na ótima “Hope Dies Young”, com um que de The Sisters of Mercy, e se encaixaria tranquilamente em um álbum como One Second (97). Encerrando a versão padrão do álbum, temos a épica “Ravenghast”. O piano da introdução já dá o tom fúnebre da canção. Com riffs desoladores e clima angustiante, é sem dúvida alguma a faixa mais pesada de todo álbum, e não soaria deslocada no Medusa, por exemplo. Na versão em digipack, temos mais 2 faixas, “Hear the Night” e “Defiler”, que seguem a mesma linha do álbum, abusando do peso e da melancolia.

Podemos dizer sem medo que o Paradise Lost encontrou em Jaime Gomez Arellano o seu parceiro perfeito, já que ele parece entender a sonoridade da banda como poucos produtores nesse mundo. Mais uma vez ele, ao lado da banda, foi o responsável pela produção, e o resultado é simplesmente ótimo. Cada mínimo detalhe pode ser notado, todos os instrumentos estão perceptíveis, tudo claro e cristalino. Ainda sim, não temos aquela sonoridade plastificada e artificial, já que é um álbum bem orgânico nesse sentido. Sombrio, escuro, intenso e melancólico, Obsidian comprova de uma vez por todas que o Paradise Lost não só se encontra em seu auge criativo, como está muito a frente da concorrência. Vivemos uma época tão dura e de tantas incertezas, e que agora tem sua trilha sonora. Uma experiência catártica, e sem dúvida, forte candidato a melhor álbum de 2020.

NOTA: 94

Formação:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria)


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Low Levels of Serotonin – Katharsis (2019)


Low Levels of Serotonin – Katharsis (2019)
(Heavy Metal Rock – Nacional)

01. Intro
02. The Wind Tries to Say Something
03. O saber
04. Chaos
05. Redundant Lies Become Truths
06. A Pale Tone
07. Endorphin
08. Out of my Control
09. Instrumental

A serotonina é um neurotransmissor sintetizado no cérebro, e responsável pela sensação de bem-estar. Ao lado da endorfina e da dopamina, é um dos chamados “hormônios da felicidade”. Em contrapartida, quando seus níveis estão baixos em nosso organismo, isso gera uma série de transtornos, como a ansiedade, bipolaridade, perturbações do sono, medo e depressão, dentre outros. Posto isso, penso que pocas vezes na história do Metal, o nome de uma banda casou tão bem com o estilo musical proposto pela mesma. O Low Levels of Serotonin é um projeto surgido no ano de 2017, em Americana/SP, capitaneado pelo ex-guitarrista do ótimo Desdominus, Wilian Gonçalves, que aqui toca todos os instrumentos, além de ser o responsável pelos vocais limpos. Para a gravação desse debut, ele contou com o apoio do vocalista Guilherme Malosso, do Motherwood, responsável pelos vocais guturais, e do ex-companheiro de banda Douglas Martins, que hoje capitaneia do excelente Deep Memories, e que aqui foi o encarregado por todo o processo de produção.

Musicalmente, Wilian aposta em um Death/Doom que tem em sua base, aquela sonoridade praticada nos anos 90, mas que não se limita apenas a isso. Ecos de Atmospheric – que resulta em ótimos momentos introspectivos –, Black, Gothic e Heavy podem ser observados durante toda a audição, o que acaba enriquecendo ainda mais o resultado. Essa identidade própria torna o Low Levels of Serotonin uma banda diferente do que costumamos observar, não só dentro do cenário internacional, como também do exterior. Como não poderia deixar de ser nesse tipo de proposta, nos deparamos com uma sonoridade muito pesada, sombria e melancólica, mas que não abre mão da agressividade. Boas mudanças de andamento ajudam as canções a passarem longe da repetição, enquanto as guitarras, com seus riffs ríspidos, esbarram no Death/Black. A parte rítmica se destaca não apenas pela boa técnica apresentada, como também pela fúria e variedade. Já os vocais transitam entre o gutural e o rasgado, em um ótimo trabalho de Guilherme Malosso, com algumas poucas passagens limpas que soam bem legais. Os teclados ficaram muito bem encaixados e ajudam muito nas atmosferas criadas pela música do Low Levels of Serotonin. 


Após uma curta introdução, que serve de aviso do que virá pela frente, temos a ótima “The Wind Tries to Say Something”, uma canção que equilibra com primazia, peso, raiva e melancolia, graças aos riffs raivosos e as melodias taciturnas. “O Saber” mostra que a música do Low Levels também funciona muito bem quando cantada em português, abrindo possibilidades interessantes para o futuro. Musicalmente, é uma mescla perfeita entre o Death e o Doom, equilibrando rispidez com um ar soturno. Outra que se encaixa muito bem nessa descrição é “Chaos”, com destaque para os ótimos guturais. “Redundant Lies Become Truths” tem riffs cortantes e gélidos, que resvalam no Black Metal, mas sem abrir mão daquele clima lúgubre e triste que permeia todo o álbum. É outro ponto alto da audição. “A Pale Tone” é mais calma, e soa bem fria e perturbadora, com um bom uso dos teclados, e pasmem, algumas passagens que podem se encaixar no que entendemos como Jazz. Na sequência final, temos a instrumental “Endorphin”, canção que passa uma sensação de inquietude e tomento; “Out of my Control”, que carrega em si elementos de Black Metal, e “Instrumental”, com nome autoexplicativo e com uma pegada bem soturna.

A produção foi dividida entre William e Douglas Martins (Deep Memories), sendo que esse também cuidou da mixagem e masterização do trabalho. O resultado é muito bom, já que aliou clareza, com o peso e a agressividade que são necessários para um álbum de Metal. Quanto a capa, foi obra de Carlos Fides (Almah, Evergrey, Noturnall, Shaman), e como não podia deixar de ser em se tratando de um trabalho dele, ficou ótima. Com uma música ríspida, soturna, pesada e agressiva, o Low Levels of Serotonin acetou em cheio em sua estreia, e vai agradar em muito os apreciadores de Death/Doom. Mas um grande nome do Metal Nacional que surge, e agora só nos resta esperar pelos próximos passos. Que eles não demorem muito!

NOTA: 86

Low Levels of Serotonin é:
- William Gonçalves (todos os instrumentos, vocais limpos)

Convidado:
- Guilherme Malosso (vocal gutural)

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Heavy Metal Rock

domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Doom/Gothic

Melhores de 2018 - Doom/Gothic


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. Deathwhite - For a Black Tomorrow 


02. Altars of Grief - Iris 


03. Clouds - Dor 


04. Hamferð - Támsins likam


05. Hinayana - Order Divine


06. HellLight - As We Slowly Fade


07. Imago Mortis - LSD 


08. Fallen Idol - Mourn The Earth 


09. Netuno Doom - The Universe The Prison


10. Monolithe - Nebula septem

 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Orphaned Land - Sahara (1994/2018)


Orphaned Land - Sahara (1994/2018)
(Century Media Records/Shinigami Records - Nacional)


01. The Sahara's Storm
02. Blessed Be Thy Hate
03. Ornaments of Gold
04. Aldiar Al Mukadisa
05. Seasons Unite
06. The Beloved's Cry
07. My Requiem
08. Orphaned Land, the Storm Still Rages Inside…

É indiscutível que os israelenses do Orphaned Land são uma das bandas mais criativas e originais do Heavy Metal nos dias atuais. A sua capacidade ímpar de mesclar o estilo, em suas diversas facetas, com elementos étnicos de sua cultura, a tornaram um nome único no cenário. Mas tudo isso teve um início, mais precisamente no dia 25 de novembro de 1994, quando Sahara, seu debut, saiu pela gravadora francesa Holy Records. Através dele, foi possível termos um pequeno vislumbre do que a banda viria a se tornar com o passar dos anos, mas cabe dizer que essa não é a única qualidade desse trabalho.

Mesclando seu Death/Doom com elementos folclóricos do Oriente Médio, Sahara foi uma lufada de ar fresco dentro da cena do estilo, mostrando que novos caminhos poderiam ser seguidos para evitar uma estagnação. Óbvio que por se tratar de um álbum de estreia, e com uma proposta bem inovadora, fica nítido que arestas precisavam ser aparadas e que a sonoridade precisava ser refinada como um todo, mas a base de tudo que viriam a se tornar estava aqui. Em alguns momentos, temos muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e tudo fica levemente confuso, fora que a forma como misturam todos esses elementos ainda não ocorre perfeitamente. Ainda sim, mesmo com tais falhas, Sahara é um álbum que empolga, já que conta com ótimos vocais de Kobi Farhi, além de um trabalho de guitarras empolgante da dupla formada por Yossi Sassi e Matti Svatizky.


Dá para dizer que o álbum se divide em 2 partes. De início, temos 3 canções inéditas: “The Sahara's Storm”, bem enérgica, com guitarras pesadas e já deixando claro de cara sua vibração oriental, a ótima e sombria “Blessed Be Thy Hate”, que possui até hoje alguns dos melhores riffs da carreira da banda, e a épica “Ornaments of Gold”. Após um interlúdio étnico intitulado “Aldiar Al Mukadisa”, que sinceramente acho meio dispensável, temos 4 canções regravadas da demo The Beloved's Cry. “Seasons Unite” possui riffs fortes, um belo trabalho de guitarras e boas melodias oriundas do teclado, enquanto “The Beloved's Cry” é uma balada triste e melancólica, mas muito bonita. “My Requiem” tem passagens que vão te fazer bater cabeça, e encerrando, “Orphaned Land, the Storm Still Rages Inside” chama a atenção pelas boas harmonias, pelos riffs enérgicos e pelo bom refrão.

A produção, comparada com a demo que precedeu a estreia, é bem superiora. A sonoridade está bem menos crua, dando aquele passo a frente que é esperado, mesmo que esteja um degrau abaixo do que veríamos já no trabalho posterior, El Norra Alila (96). No fim, Sahara cumpre muito bem a função de um álbum de estreia, apresentando o Orphaned Land para o mundo, e colocando as bases futuras de seu desenvolvimento. Só resta agradecer a Shinigami Records por prestar o grande serviço de relançar esse material por aqui e permitir ao fã brasileiro, maior facilidade de acesso ao mesmo. Se é fã da banda, tem a obrigação de ter esse CD em sua coleção.

NOTA: 82

Orphaned Land (gravação):
- Kobi Farhi (vocal);
- Yossi Sassi (guitarra);
- Matti Svatizky (guitarra);
- Uri Zelcha (baixo);
- Sami Bachar (bateria);
- Itzik Levi (teclado).

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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Orphaned Land - El Norra Alila (1996/2018)


Orphaned Land - El Norra Alila (1996/2018)
(Century Media Records/Shinigami Records - Nacional)

01. Find Your Self, Discover God
02. Like Fire To Water
03. The Truth Within
04. The Path Ahead
05. A Neverending Way
06. Takasim
07. Thee By The Father I Pray
08. Flawless Belief
09. Joy
10. Whisper My Name When You Dream
11. Shir Hama’alot
12. El Meod Na’ala
13. Of Temptation Born
14. The Evil Urge
15. Shir Hashirim

Dentro do Metal, existem bandas que se mostram realmente diferenciadas, únicas dentro do que se propõem a fazer. Uma dessas é o Orphaned Land. Unindo o peso do estilo, com elementos da música oriental, e uma mensagem que prega a paz entre as religiões monoteístas, os israelenses criaram uma sonoridade sem igual dentro do cenário atual, algo inimitável e único. Mas essa caminhada teve um início, e sua música não nasceu pronta. Ela foi o resultado de anos e anos de maturação e lapidação de uma proposta ousada e que poderia ter dado muito errada, já que não é simples trazer elementos externos ao Heavy Metal e isso soar natural.

O primeiro passo foi a demo The Beloved’s Cry (93), lançada no ano de 1993, e que mostrava um Death/Doom de qualidade, mas que seguia o padrão do estilo. Ainda sim, era perceptível que estávamos diante de um nome diferenciado. Em seguida, veio seu debut, Sahara (94), e ali a evolução já havia sido imensa. Os elementos de música oriental já se encontravam inseridos e indicava o caminho que viriam a tomar dali para frente. Ainda sim, nada preparou os fãs para o álbum seguinte, El Norra Alila (96), onde deram um passo evolutivo ainda maior, e lançaram as bases definitivas do que seria o Orphaned Land dali para frente.

Tudo aqui se fundiu de uma forma absurdamente natural. Sua música ainda tinha algo daquele Death/Doom de início, mas elementos do Progressivo já começavam a se incorporar as canções. Os vocais guturais de Kobi Farhi soam melhores que nunca, mas ele abre mais espaço para as vocalizações limpas, o que dá um contraste incrível as músicas. O trabalho de backing vocal é ótimo, e vocais femininos deixam tudo ainda mais rico. As guitarras de Yossi Sassi e Matti Svatizky passaram a assumir um papel central nas composições, se destacando não só pelos ótimos riffs, mas por utilizar escalas orientais que ajudam demais dar uma ambiência oriental ao trabalho, enquanto na parte rítmica, o baixo de Uri Zelcha e a bateria de Sami Bachar dão mais riqueza as canções.


Com relação ao lado Folk da banda, ele aflora de uma forma até então não vista. Instrumentos típicos surgem em grande profusão, assim como os violinos, que dão uma beleza sem igual à sua música. El Norra Alila é tão rico nesse sentido, que a cada nova audição feita, você perceberá algo que passou batido. Realizar essa mistura é uma é uma tarefa hercúlea e não é para qualquer um, mas o Orphaned Land acerta em cheio no que se propõem a fazer. Entre os principais destaques, podemos apontar “Find Your Self, Discover God”, com seus ótimos riffs e melodias, a forte “Like Fire To Water”, “The Truth Within”, bem densa e diversificada, a pesada “Thee By The Father I Pray”, com suas ótimas linhas vocais, “Shir Hama’alot”, uma canção totalmente Folk e que prima pela calma que transmite, e a agressiva “Of Temptation Born”.

A produção de El Norra Alila soa bem crua se comparada ao que a banda faz hoje, mas foi tremendo avanço se colocada frente a frente com a de Sahara, com Kobi Farhi e Yossi Sassi tendo sido os responsáveis pela mesma, além de terem feito a mixagem ao lado de Udi Koomran. Esse também foi responsável pela masterização, junto de Ran Bagno. Já a remasterização foi realizada por Patrick W. Engel. A capa foi obra de Ehud Graff, em parceira com Kobi. Se na época de seu lançamento El Norra Alila soou refrescante e ousado, cabe dizer que após 22 anos o mesmo envelheceu bem, e que ainda se coloca como um trabalho acima da média. Com uma riqueza musical imensa, e integrando a música do Oriente Médio com Heavy Metal, ele fez a ponte entre o Orphaned Land dos primeiros lançamentos com tudo o que viriam a fazer a partir de Mabool (04), seu próximo álbum. Um item mais do que obrigatório em qualquer boa coleção que se preze.

NOTA: 86

Orphaned Land (gravação):
Kobi Farhi (vocal);
Yossi Sassi (guitarra);
Matti Svatizky (guitarra);
Uri Zelcha (baixo);
Sami Bachar (bateria).

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jupiterian - Archaic: Process of Fossilization (2017)


Jupiterian - Archaic: Process of Fossilization (2017)
(Cold Art Industry/Wolfblasphemer Distro - Nacional)


01. Archaic
02. Procession Towards the Monolith
03. Currents of Io
04. Mine Is Yours to Drown In (Ours Is the New Tribe) (Anathema Cover)
05. Behind the Wall of Sleep (Black Sabbath Cover)
06. Drag Me to My Grave (Demo Version with Violins)

Por algum motivo, o Doom e seus derivados, como Death/Doom, Sludge, Drone, Funeral Doom, Gothic e Stoner/Doom, nunca foram muito populares por esses lados, o que é meio absurdo, já que temos ótimas bandas nesses estilos. Vale dizer que muitas estão em pé de igualdade com qualquer grande banda do cenário internacional da atualidade. E o Jupiterian, surgido no ano de 2013 em São Paulo, sem sombra alguma de dúvida é um desses nomes. Para quem não conhece o trabalho do quarteto formado por V (vocal/guitarra), A (guitarra), R (baixo) e G (bateria), recomendo a audição urgente do seu debut, Aphotic, um dos melhores trabalhos de Doom lançados no mundo, no ano de 2015.

Quanto a Archaic: Process of Fossilization, trata-se da junção de 2 Ep’s que haviam saído apenas digitalmente, Archaic (14) e URN (17), além da demo de Drag Me to My Grave e que, para a felicidade de todos nós, a parceria dentre a Cold Art Industry e a Wolfblasphemer Distro disponibiliza pela primeira vez de forma física. Aliás, que belo trabalho temos aqui. Além do ineditismo do material, o mesmo vem acompanhado de dois posters de 24x36, um adesivo da banda com os dizeres “Jupiterian Congregation of False Gods” e um OBI. Material gráfico de primeira qualidade, que ficou por conta de Cauê Piloto. Fechando o pacote todo e tornando tudo ainda mais especial, o CD é limitado a 500 cópias, o tornando assim um material que certamente será desejado por muitos colecionadores.

O Death/Doom do Jupiterian sofre uma inegável e saudável influência de Sludge, que deixa o som lento, arrastado e agoniante do quarteto ainda mais pesado e sujo. Apesar das músicas serem longas, não padecem em momento algum de falta de variedade, algo que felizmente conseguem imprimir à sua música. Os guturais de V são assustadores e trazem algo de Black Metal aqui e ali, enquanto a guitarra de A é responsável por riffs verdadeiramente sujos e sombrios. A parte rítmica de R e G é abusivamente pesada, coesa e com boa técnica. Vale um destaque para as boas melodias que surgem aqui e ali, responsáveis por boa parte do clima melancólico e sombrio das canções.


“Archaic” abre o trabalho de forma lenta e esmagadora, com destaque para os ótimos riffs e para as mudanças de ritmo, que dão variedade à mesma. Já “Procession Towards the Monolith” consegue mesclar muito bem o lado mais atmosférico do Jupiterian com peso, muito peso. Uma das mais sombrias aqui presentes. Ultrapassando a casa dos 10 minutos, “Currents of Io” se destaca pelos belos arranjos, pelos ótimos riffs e melodias, e pela variedade que a impede de soar maçante. Na sequência, temos as duas faixas presentes no EP URN, os covers para “Mine Is Yours to Drown In (Ours Is the New Tribe)”, do Anathema, carregado de personalidade e simplesmente brutal (ouso dizer que em alguns aspectos, a julgo superior à original) e  “Behind the Wall of Sleep”, dos mestres do Black Sabbath, que além de ter uma cara própria e claro, mais peso, conseguiu manter o clima sombrio da versão original. Encerrando, a versão demo de  “Drag Me to My Grave” que obviamente surge com uma qualidade de gravação inferior às demais, mas se destaca pelos riffs e pelos excelentes arranjos de violino.

A produção é excelente, pois conseguiu deixar todos os instrumentos plenamente audíveis, mas sem perder aquela sujeira típica do Sludge, que a música pede. Ficou a cargo de V, com a mixagem sendo feita por Mories (Gnaw Their Tongues, De Magia Veterum) e masterização por James Plotkin (Conan, Electric Wizard, Egypt, Saint Vitus, Isis). Resultado de primeiríssima qualidade. E vos digo, Archaic: Process of Fossilization é um material mais do que obrigatório na coleção de qualquer fã de Doom Metal. Sendo assim, trate de correr atrás do seu, pois o que temos aqui é algo limitado e muito especial.

NOTA: 9,0

Jupiterian é:
- V (vocal/guitarra);
- A (guitarra);
- R (baixo);
- G (bateria).

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Cold Art Industry


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Vainaja – Verenvalaja (2016)


Vainaja – Verenvalaja (2016)
(Svart Records - Importado)


01. Risti
02. Sielu
03. Usva
04. Valaja
05. Kultti
06. Kehto

Antes de começarmos essa resenha, faz-se necessária a explicação da ideia conceitual que existe por detrás do finlandês Vainaja, já que a mesma é de suma importância para a compreensão não só do álbum, como também de todo clima que o permeia.

Todo o conceito estilístico da banda se baseia em uma história de ocultistas do século XIX, que atuaram em uma pequena cidade rural da Finlândia, o Culto de Vainaja, e que induziram o caos entre os paroquianos da região. Pouco conhecimento se tem a respeito do mesmo, já que não restaram muitos resquícios da seita, mas sabe-se que o foco se dava em três figuras. O pregador local (The Preacherman), Wilhelm, o cantor da Igreja (The Cantor), Kristian, e o coveiro louco (The Gravedigger), Aukusti. Os cultos eram realizados na mansão do cantor, que se encontrava adjacente a Igreja e nos mesmos, além de blasfêmias, ocorriam assassinatos rituais e subjugação de moradores que eram enterrados vivos. Tal culto encontrou seu fim quando seus membros foram condenados a serem queimados vivos no altar da Igreja local. 


Aparentemente, nas ruínas da mansão do cantor foram encontrados alguns materiais que levantam uma luz sobre o culto, dentre eles, um tomo de 6 capítulos intitulado Verenvalaja, que especula-se, faz parte de um livro maior de 17 capítulos, estando assim 11 deles ainda perdidos. O trabalho de estreia do Vainaja, Kadotetut (14), foi feito com base em sermões tradicionais do pregador Wilhelm Waenaa, que foram reunidos de forma aleatória com tal intuito. Já em seu novo trabalho, o trio se baseia no livro, que aparentemente descreve de ressurreição de Wilhelm.

Kadotetut foi um dos trabalhos mais brutais e perturbadores de 2014, com sua atmosfera pesada e lúgubre. Uma aula de Death/Doom. Verenvalaja é a continuação natural do debut e aqui  podemos perceber que nesse meio tempo o Vainaja tornou sua música mais dinâmica e variada, mas sem alterar de forma significativa o que foi apresentado. A adição de algumas melodias ajudou nesse resultado, assim como os vocais limpos que surgem em determinados momentos. Por sinal, esses ajudaram a maximizar o clima claustrofóbico das canções. Ainda sim, tais melodias não suavizaram em nada a sonoridade do trio finlandês e não soa exagerado dizer que esse trabalho é ainda mais pesado que a estreia.

Na abertura, como “Risti”, já notamos o maior dinamismo citado. Os vocais limpos, quando surgem, dão um tom mais lúgubre à música e os riffs, pesados e arrastados, passam aquela sensação de medo que permeia toda a audição do álbum. Os elementos mais melódicos dão as as caras em “Sielu”, faixa seguinte. Uma das canções mais esmagadoras aqui presentes, possui riffs bem fortes e uma atmosfera bem densa e assustadora. Essa atmosfera se mantêm “Usva”, melhor faixa de  Verenvalaja. Com seus quase 11 minutos, possui partes ambientais que maximizam seu clima aterrorizante. Seus riffs sinistros e os guturais que parecem vir das profundezas do inferno, transmitindo uma forte  sensação de caos e dor. Já “Valaja” é outra que se destaca pelo ótimo trabalho da guitarra e por vozes assustadoras que surgem em seu final, enquanto “Kultti” soa como uma versão mais maligna do Black Sabbath e os sintetizadores dão a ela algo de psicodelismo típico dos anos 70. O encerramento com “Kehto” é o momento mais experimental de Verenvalaja. Pendendo mais para o Funeral Doom, tem inserida em si alguns elementos eletrônicos bem sutis.


A produção aqui é superior à que escutamos no debut, tendo sido realizada pela própria banda, também responsável pela mixagem, exceto no caso da bateria, que foi feita por Jarno Hänninen. A masterização ficou nas mãos do mestre Dan Swanö e o resultado final de tudo isso é excelente. Longe da sonoridade plastificada dos dias atuais, mas com o baixo totalmente audível e a guitarra e bateria soando bem pesadas. O som soa vivo! Além disso, também tivemos as participações especiais de Lasse Pyykkö, do Hooded Menace, nos solos de “Sievu” e “Usva” e de Jarkko Nikkilä, do Valonkantajat, responsáveis pelos vocais limpos em “Risti”, “Sievu”, “Usva” e “Kehto”.

Por todo o conceito que os cerca e por toda a categoria e criatividade mostrada em suas composições, não soa exagero afirmar que o trio formado por The Preacherman (vocal, baixo e pregação), The Cantor (guitarra e cantando) e The Gravedigger (bateria e cavando sepulturas) é  uma das bandas mais interessantes do cenário do metal atual. Esbanjando peso e com um ar ritualístico que dá a sua música um ar maligno e perturbador,  Verenvalaja é um álbum essencial para os amantes de Death/Doom e um dos grandes destaques deste ano de 2016.

NOTA:9,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine de Agosto. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download: https://goo.gl/7g82XV
Leitura: http://goo.gl/ys6Zvo

Vainaja é:
- The Preacherman (vocal, baixo e pregação)
- The Cantor (guitarra e cantando)
- The Gravedigger (bateria e cavando sepulturas)
Convidados:
- Lasse Pyykkö (guitarra solo nas canções 2 e 3)
- Jarkko Nikkilä (vocais limpos nas canções 1, 2, 3 e 6)

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

October Tide – Winged Waltz (2016)


October Tide – Winged Waltz (2016)
(Agonia Records – Importado)


01. Swarm
02. Sleepless Sun
03. Reckless Abandon
04. A Question Ignite
05. Nursed By The Cold
06. Lost In Rapture
07. Perilous
08. Coffins Of November

Quando surgiu em 1994, através das mãos dos então membros do Katatonia, Fredrik "North" Norrman e Jonas Renkse, o October Tide nada mais era do que um projeto paralelo de ambos, que se enveredava por um terreno muito conhecido pelos dois, o Doom/Death. A banda durou até 1999, mas nesse intervalo de tempo conseguiu lançar dois ótimos álbuns, o clássico Rain Without End (97) e Grey Dawn (99), esse último contando com Mårten Hansen nos vocais.

Em 2009 Fredrik resolveu colocar o October Tide na ativa novamente, após sair do Katatonia junto de seu irmão Mattias (que viria a entrar na banda em 2012), montando um novo lineup e soltando mais dois álbuns que se não chegavam ao nível do clássico debut, ainda assim eram muito bons, A Thin Shell (10) e Tunnel of No Light (13). Sendo assim, Winged Waltz é seu quinto trabalho de estúdio e bem, podemos dizer que ele não apresenta surpresas.

O que temos aqui é o bom e velho Melodic Doom/Death que sempre marcou a carreira do October Tide, denso, melancólico e carregado de emoção. Os vocais de Alexander Högbom são um dos grandes destaques do trabalho e mesmo que não variem muito, estão excelentes e são um dos principais responsáveis pela grande carga emocional do trabalho. Fredrik, ao lado de seu irmão Mattias, que após a saída de Emil Alstermark trocou o baixo pela guitarra, forjam riffs pesados e harmonias bem interessantes e cativantes, com direito a passagens progressivas e melódicas. Já a parte rítmica estreia com o pé direito, com o baixista Johan Jönsegård e o baterista Jonas Sköld (ambos do Letters From The Colony) executando um belíssimo trabalho, mostrando entrosamento de sobra e muita coesão.

Como já dito, as canções possuem forte carga emocional e grande dose de melancolia, com um clima sombrio pairando sobre as mesmas. Aponto como minhas preferidas “Sleepless Sun”, “Reckless Abandon”, “A Question Ignite”, “Perilous” e “Coffins Of November”. O trabalho foi produzido, mixado e masterizado por Sverker "Widda" Widgren (Centinex, Demonical, Diabolical) e apesar de ter ficado um pouco limpo demais para o meu gosto, ainda assim não compromete em nada o resultado final.

Sem soar exagerado, Winged Waltz não só é o melhor trabalho lançado pelo October Tide desde seu retorno, como chega perto de Rain Without End em matéria de qualidade. Se curte o Katatonia e o Paradise Lost de início de carreira, além de bandas como Saturnus, Swallow The Sun ou Daylight Dies, está aqui um dos álbuns mais legais lançados nesse ano de 2016.

NOTA: 9,0

October Tide é:
-  Alexander Högbom (vocal)
-  Fredrik Norrman (guitarra)
- Mattias Norrman (guitarra)
-  Johan Jönsegård (baixo)
-  Jonas Sköld (bateria)

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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Dying Suffocation – When I Die (2015) (EP)


Dying Suffocation – When I Die (2015) (EP)
(Independente – Nacional)


01. The Angels
02. When I Die
03. In Search Of Salvation
04. Rivers Of Blood

Por mais que muitos desconheçam, por completa falta de interesse de sair da mesmice, bandas de qualidade surgem a todo o momento no Brasil. O Dying Suffocation é um nome relativamente novo, já que surgiu apenas em 2014 na cidade de Pato Branco/PR, mas já mostra boa maturidade em seu EP de estreia.

O Dying Suffocation trafega pelo Doom Metal, com algumas influências de Death aqui e ali, o que gera uma sonoridade bem soturna. Sua música obviamente é arrastada, pesada, técnica e cadenciada e felizmente, muito bem equilibrada. E o principal motivo de tal fato pode e deve ser atribuído à variedade encontrada aqui.

Um dos grandes problemas de nomes que apostam em canções de duração um pouco mais longa e de maior cadência é conseguir não deixar sua música cansativa após um tempo de audição. Os paranaenses escapam dessa armadilha graças a alguns aspectos bem pontuais em sua música. Os vocais de Claudio Daniel não ficam apenas no gutural, pendendo em alguns momentos o rasgado, dando boa variedade nesse sentido. As guitarras de Alex Habigzang e Fabio Conterno, apesar de não solarem muito, despejam uma quantidade grandes de riffs, sendo outro ponto de diversidade nas composições, algo que também podemos observar no trabalho da parte rítmica, composta por André e Jorge Kichel (baixista e baterista, respectivamente).

São apenas 4 canções, que duram cerca de 32 minutos e que se mostram bem homogêneas quanto à qualidade, ficando até um pouco injusto apontar destaques, mas como sempre teremos lá nossas preferências, as minhas ficam com “The Angels” e “In Search Of Salvation”.

Gravado no Studio Musical Box, a produção ficou a cargo da própria banda e de Julio César, com a mixagem e masterização sendo feitas por Alex Habigzang e Edi Bugança. Temos aqui algo que pende um pouco mais para uma produção orgânica, fugindo das produções plastificadas que se tornaram praxe, mas sem deixar de ter um pé na modernidade. O EP vem embalado em um digipack caprichado com capa e layout elaborados por Marcelo Vasco, o que por si só já demonstra a preocupação da banda em entregar um material profissional.

Seria exagero meu dizer que se mostram totalmente originais, mas mostram competência, criatividade e têm tudo para, em um futuro próximo, darem uma cara 100% própria às composições. Apresentando uma música muito equilibrada, sombria e com um tom fúnebre que tem tudo para agradar em cheio aos fãs de Doom, o Dying Suffocation se credencia desde já como uma das principais promessas do estilo no Brasil. Agora é esperar sair um trabalho completo para confirmar todo esse potencial.

NOTA: 8,0

Dying Suffocation é:
- Claudio Daniel (vocal)
- Alex Habigzang (guitarra)
- Fabio Conterno (guitarra)
- André Kichel (baixo)
- Jorge Kichel (bateria)

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Sangue Frio (Assessoria)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Soturnus - Of Everything That Hurts (2013)




Soturnus - Of Everything That Hurts (2013)
(Eternal Hatred Records - Nacional)

01. I Wish I Knew   
02. The Shame Within   
03. The Doors of Perception   
04. Of Everything That Hurts   
05. House of Hatred   
06. Cacophony of the Wonderful Sounds   
07. Empty Man   
08. Leaving   
09. Another Lonely Day

Ainda me lembro bem quando escutei Poems of Love...Poems of Pain, demo de estréia dos paraibanos do Soturnus, no hoje distante ano de 2001. Praticavam um Gothic/Doom de muito respeito e qualidade e que me impressionou muito por se tratar de uma banda nova. Os anos se passaram e muita coisa mudou, principalmente a sonoridade do Soturnus, que foi amadurecendo cada vez mais.
Sucessor do bom debut When Flesh Becomes Spirit (07), Of Everything that Hurts foi lançado ao final de 2013 e apresenta um Soturnus pesado, lúgubre, técnico e variado. De sua fundação até hoje, foram agregando a sonoridade da banda influências de Death e até mesmo Black, enriquecendo em muito a sua música. Os riffs são excelentes, os solos com ótimas melodias e o trabalho das guitarras (a cargo de Andrei Targino e Eduardo Borsero) é de altíssima qualidade durante todo álbum. A parte rítmica, com o baixista Guilherme Augusto e o baterista Eduardo Vieira é bem técnica e imprime grande variedade as composições enquanto os vocais de Rodrigo Barbosa se mostram muito variados, indo desde tons mais soturnos e que remetem aos primórdios do Doom até os mais rasgados e guturais. Sem dúvida, um dos pontos altos de Of Everything That Hurts. A junção disso tudo forma um dos melhores álbuns de Death/Doom que escutei em muito tempo, não só no Brasil como no exterior. Para mim, os maiores destaques ficam por conta de “I Wish I Knew”, “The Shame Within”, “The Doors of Perception”, “Of Everything That Hurts” e “Leaving”.
A produção, a cargo de Victor Targino é de muito bom nível, deixando tudo bem pesado, mas ao mesmo tempo permitindo se escutar perfeitamente todos os instrumentos. Já a bela capa é outro grande trabalho de Gustavo Sazes e transmite perfeitamente o que é o álbum. Melancólico, soturno, mas bruto, Of Everything That Hurts possui uma qualidade inquestionável e vai agradar em cheio a fãs de bandas como Paradise Lost, My Dying Bride, Moonspell e Novembers Doom. Para mim, o melhor trabalho do estilo já lançado no Brasil!

NOTA: 9,0





segunda-feira, 26 de maio de 2014

Vallenfyre – Splinters (2014)




Vallenfyre – Splinters (2014)
(Century Media – Importado)

01. Scabs
02. Bereft
03. Instinct Slaughter
04. Odious Bliss
05. Savage Arise
06. Aghast
07. The Wolves of Sin
08. Cattle
09. Dragged to Gehenna
10. Thirst for Extinction
11. Splinters

Para quem ainda não sabe, o Vallenfyre é um “supergrupo” idealizado por Gregor Mackintosh, guitarrista do Paradise Lost (que aqui também é vocalista), após a morte de seu pai em 2009 e que conta com Hamish Hamilton Glencross (guitarra, My Dying Bride), Scoot (baixo, ex-Doom, Extinction Of Mankind) e Adrian Erlandsson (Paradise Lost, At The Gates, The Haunted, Brujeira). Splinters é o sucessor do ótimo A Fragile King (11) e era ansiosamente esperando por aqueles que haviam apreciado o debut da banda.
Ao contrário do que alguns aqui podem vir a pensar, a sonoridade do Vallenfyre não lembra tanto as bandas de origem dos integrantes, por mais que inevitavelmente possuam elementos das mesmas em sua música. A proposta aqui é fazer um som mais cru e agressivo (mas com a devida melodia), que remeta aos primórdios do Death Metal Sueco, mas com generosas doses de Doom e pitadas de Crust e Thrash Metal. Para tentar situar o prezado ouvinte, tente imaginar uma sonoridade que misture Entombed, Dismember, Candlemass, Celtic Frost, Triptkon, Asphyx e claro, Paradise Lost, já que querendo ou não, em vários momentos os geniais riffs de Gregor vão te remeter a sua banda original. Aqui não tem espaço para frescura, já que desde a abertura com a furiosa e esmagadora “Scabs” até o encerramento com angustiante faixa título, você será exposto a um som sujo, pesado, visceral, com riffs gélidos que destilam ódio nos momentos mais velozes e desespero nas passagens mais lentas. Destaques, além das duas faixas já citadas, vão para “Bereft”, onda soam como uma versão mais pesada do Paradise Lost de início de carreira, o arregaço Death de “Instinct Slaughter”, a celticfrostiana “Odious Bliss”, a Crust “Savage Arise” e a áspera “Thirst for Extinction”, que me fez lembrar Napalm Death, tamanha a violência.
A produção de Kurt Ballou conseguiu equilibrar perfeitamente modernidade com a crueza e sujeira necessária para remeter a velha escola do Death sueco, fazendo de Splinters, um álbum imperdível para fãs de sonoridades mais extremas. E prezado ouvinte, se prepare, pois esse é um álbum que te jogará em uma montanha russa de emoções, levando você da esperança ao desespero absoluto. Um álbum no mínimo instigante e que certamente estará em minha lista de melhores do ano em Dezembro.

NOTA: 9,0