Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!
Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!
01. Moonspell - 1755 (Napalm Records/Hellion Records - Nacional)
02. Paradise Lost - Medusa (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
03. Novembers Doom - Hamartia (The End Records - Importado)
04. Jupiterian - Terraforming (Transcending Obscurity Records - Importado)
05. Clouds - Destin (Independente - Importado)
06. Saturndust - RLC (Independente - Nacional)
07. Monarch - Never Forever (Profound Lore Records - Importado)
08. Below - Upon a Pale Horse (Metal Blade Records - Importado)
09. The Evil - The Evil (Independente - Nacional)
10. Monolord - Rust (RidingEasy Records - Importado)
Quase chegaram
- Avatarium - Hurricanes and Halos (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
- Nailed to Obscurity - King Delusion (Apostasy Records - Importado)
- The Doomsday Kingdom - The Doomsday Kingdom (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
- King Woman - Created in the Image of Suffering (Relapse Records - Importado)
- Amenra - Mass VI (Neurot Recordings - Importado)
Moonspell – 1755 (2017) (Napalm Records – Importado)
01. Em Nome do Medo 02. 1755 03. In Tremor Dei 04. Desastre 05. Abanão 06. Evento 07. 1 de Novembro 08. Ruínas 09. Todos os Santos 10. Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso Cover)
Lisboa, 1 de Novembro de 1755. Era a manhã do Dia de Todos os Santos, com Igrejas e ruas lotadas por sua população, extremamente devota ao catolicismo. E quando falamos de Lisboa dessa época, é de uma cidade que se diferenciava muito do que conhecemos hoje, pois tinha um aspecto tipicamente medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas. Sua população era estimada em 300 mil habitantes. Sendo assim, imaginem a aglomeração de pessoas nessas mesmas ruas, nessa manhã de feriado religioso. Eis então que entre 9:30 e 9:40 da manhã, o mundo pareceu acabar.
Um terremoto com epicentro no mar, que atingiu entre 8,7 e 9,0 na escala Richter (que vai até 10), caiu em cheio sobre a cidade. Estima-se que 1/3 de suas construções ruíram nesse momento. As réplicas foram sentidas por um período de mais de 2 horas. Uma parte dos sobreviventes correu para a zona portuária, para nela se abrigar, sem imaginar o que estava por vir. O mar se retraiu, a ponto de poder ser avistado seu fundo, além de destroços de navios e cargas perdidas, e pouco depois um tsunami, com ondas de até 20 metros, atingiu Lisboa, varrendo cidade adentro e inundando diversas áreas. Imaginem o tamanho do terror que se espalhou entre a devota população lisboeta enquanto tudo isso ocorria. E como se não bastasse, boa parte do que ficou em pé acabou consumida por incêndios que duraram cerca de 5 dias. Estudos modernos estimam que cerca de 85% das construções foram destruídas e que algo entre 70 mil e 90 mil pessoas tiveram suas vidas ceifadas.
O impacto que tal desastre teve na sociedade portuguesa foi profundo. Pode-se dizer que mudou a história do país. E foi desse acontecimento que o Moonspell resolveu tratar em seu 12º trabalho de estúdio, simplesmente intitulado 1755. E para aumentar a força de tal escolha, optaram por cantar todas as canções em seu idioma pátrio, o que adianto desde já, foi realmente a escolha mais correta. Cantar na língua portuguesa não é uma novidade para o grupo, já que em diversos momentos da carreira o fizeram, sempre obtendo ótimos resultados, e sendo assim, tal opção não deveria ser motivo de preocupação para os fãs. Ao contrário, é algo a ser louvado, visto que muitos já sonhavam com a oportunidade de escutar um álbum todo cantado em português.
Musicalmente, uma coisa é indiscutível. O Moonspell sempre prezou pela integridade, por fazer o que quis, mesmo que isso tenha tido resultado discutíveis em alguns momentos, como The Butterfly Effect (99) e Darkness and Hope (01). Também não dá para discutir que mesmo em seus momentos mais questionáveis, conseguiu manter uma identidade sua, que é a mescla de agressividade com boas melodias góticas, além de sempre buscar não se repetir. Diversidade é uma palavra que se encaixa bem em sua obra. E olhe, podemos dizer que também pode ser aplicada em 1755, seu trabalho mais variado e rico até hoje.
Eis um álbum fascinante, que a cada audição cresce aos nossos ouvidos, pois vamos captando cada detalhe existente nele (e que não são poucos). Temos aqui uma incrível junção de Doom, Gothic Metal e Metal Sinfônico, onde momentos agressivos convivem com passagens épicas e grandiosas, com grandes coros e orquestrações, além de claro, aquele goticismo inerente à música do Moonspell. Além disso, conseguem de uma forma simplesmente incrível transpor para as canções a dor dos que sofreram com a devastação de 1755. Sua música é profunda, altamente emocional e em muitas passagens, você consegue se sentir vivendo o acontecimento. Você sente o terror do momento. Quantas bandas por aí podem se gabar de conseguir alcançar tal resultado? Poucas, amigos, bem poucas.
De cara, temos uma nova versão para “Em Nome do Medo”, uma das melhores canções de Alpha Noir, álbum de 2012. A letra se encaixa perfeitamente dentro do contexto do trabalho, e ganhou arranjos orquestrais simplesmente incríveis. Os vocais de Fernando, as orquestrações, os corais, tudo isso acabou por criar um clima de escuridão que soa perfeito para abrir um trabalho dessa magnitude. Na sequência, “1755” chega carregada de vigor e de força. Com uma diversidade impressionante, se destaca não só pelos riffs, como por suas partes sinfônicas, pelos coros e por uma saudável influência de sonoridades orientais. Em seguida, temos um dos pontos altos do álbum, a poderosa “In Tremor Dei”, canção recheada de detalhes, com um trabalho incrível do baixista Aires Pereira e participação mais do que especial do fadista Paulo Bragança, que terminou por dar grande profundidade e emoção à composição. “Desastre” chega intensa, escura e pesada, com ótimo trabalho vocal e um clima teatral que lhe faz profunda. Encerrando a primeira metade, temos “Abanão”, com boa dose de agressividade, ótimos coros e trabalho primoroso do baterista Miguel Gaspar.
A segunda metade abre com a ótima “Evento”, a mais diversificada de 1755. Aqui, além de ótimas melodias, temos uma alternância muito legal de passagens mais agressivas e velozes, com outras mais atmosféricas. As guitarras de Pedro Paixão e Ricardo Amorim também executam um belíssimo trabalho, com ótimos riffs e solo, algo que se repete na música seguinte, “1 de Novembro”. Aqui, temos boas melodias, ótimas orquestrações e mudanças de tempo interessantes. Já “Ruínas” possui uma forte carga emocional, com certa carga de melancolia e uma aura de desespero. Além disso, é outra que tem ótima utilização de elementos orientais. “Todos os Santos” é, sem sombra alguma, uma das mais fortes canções aqui presentes. É daquelas músicas onde o Moonspell mostra toda a sua capacidade de unir passagens mais agressivas com boas melodias e uma pegada gótica. Reflete perfeitamente o que é a banda. Encerrando o álbum, uma surpreendente versão para “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, uma música que nós brasileiros conhecemos muito bem. Peso e suavidade, características antagônicas em um primeiro momento, se unem para gerar uma aura triste, escura e melancólica, que se destaca principalmente pelas belíssimas orquestrações (o piano ficou perfeito aqui) e se mostra o encerramento perfeito para o álbum.
A produção ficou por conta do dinamarquês Tue Madsen, que já trabalhou com a banda no passado, e o resultado é simplesmente incrível. A forma como ele conseguiu deixar o som limpo e claro, a ponto de escutarmos cada detalhe, mas sem tirar a agressividade e o peso, foi simplesmente incrível. Uma das melhores produções que escutei em 2017. Já a bela capa é obra do português João Diogo e reflete perfeitamente o conteúdo lírico do álbum. Com um trabalho simplesmente fascinante e viciante, o Moonspell parece ter alcançado seu auge e conseguido o que parecia improvável, superar os clássicos Wolfheart (95) e Irreligious (96). Emocional, como o tema pede, 1755 se credencia como sério concorrente a melhor álbum de 2017. Não acredita? Então escute e tire suas próprias conclusões. NOTA: 9,5
Moonspell é: - Fernando Ribeiro (vocal); - Pedro Paixão (guitarra/teclado); - Ricardo Amorim (guitarra); - Aires Pereira (baixo); - Miguel Gaspar (bateria).
Paradise Lost – Medusa (2017) (Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)
01. Fearless Sky 02. Gods of Ancient 03. From the Gallows 04. The Longest Winter 05. Medusa 06. No Passage for the Dead 07. Blood & Chaos 08. Until the Grave 09. Shrines 10. Symbolic Virtue
Com seu debut, Lost Paradise (90), o Paradise Lost assumiu a liderança do movimento Death/Doom. Com seu sucessor, Gothic (91), lançaram as bases do que viria a ser o Gothic Metal, estilo aperfeiçoado nos dois trabalhos seguintes, Shades of God (92) e Icon (93), e que encontrou a perfeição no irretocável Draconian Times. Com One Second (97), começaram um mergulho em suas raízes Goth/Synthpop oitentistas, o que acabou por resultar no melhor álbum do Depeche Mode não lançado pelo Depeche Mode, Host (99), incompreendido por boa parte dos fãs na época, mas hoje respeitado como um dos bons trabalhos de sua carreira. Ok, erraram a mão em Believe In Nothing (01), mas seu fraco resultado talvez tenha se dado muito mais pela interferência da EMI no processo de masterização (sem o conhecimento da banda) do que qualquer outra coisa.
Curiosamente, daí para frente começaram a seguir o caminho inverso. Se Symbol of Life (02) soava quase como uma continuação de One Second, Paradise Lost (05) marcou o retorno dos ingleses ao Doom, ainda que com forte influência gótica, terreno no qual se mantiveram firmes nos álbuns seguintes, In Requiem (07) e o ótimo Faith Divides Us - Death Unites Us (09). Já Tragic Idol (12) deu um passo além e levou sua música de volta ao período da dobradinha Icon/Draconian Times (para muitos, sua melhor fase), impressionando os fãs com sua qualidade. Não satisfeitos, se aprofundaram ainda mais em sua história em The Plague Within (15), colocando um pé em seu passado Death/Doom, com momentos que poderiam estar sem esforço algum em Gothic ou Shades of God.
Como é possível observar, o Paradise Lost sempre foi uma banda inquieta e que em momento algum se dobrou a pressões. Sempre fez o que quis, quando quis, mesmo que dessa forma tenha colocado sua carreira em risco em alguns momentos. Sua integridade é o seu maior patrimônio. Fora isso, independentemente da fase e da sonoridade adotada, sempre existiu um DNA que fazia com que nos fosse possível identificá-los. Existe uma melancolia em suas canções que só eles conseguem imprimir, algo inimitável. Esse acaba por ser o fio condutor que consegue unir álbuns tão díspares como Lost Paradise, Draconian Times e Host. Nesses quase 30 anos de carreira, optaram por ser uma banda de vanguarda, aquela que desbrava os caminhos que virão a ser seguidos por seus parceiros, e foram muito felizes nessa missão.
E sempre guiados pelo instinto e principalmente, soando absolutamente espontâneos, os ingleses de Halifax chegam a Medusa, seu 15º álbum de estúdio, mantendo os dois pés bem firmes em suas raízes mais pesadas, mas sem abrir mão daquelas melodias marcantes que marcaram toda a sua carreira. E ouso dizer que aqui temos um trabalho que consegue soar ainda mais pesado, escuro e melancólico que The Plague Within, em um mergulho ainda mais profundo no Death/Doom do passado (claro que de uma forma muito mais refinada), e se aprofundando ainda mais nas influências oriundas de Gothic e Shades of God observadas no CD anterior.
Apesar de boa parte das músicas ser arrastada e ter aquela aura desoladora, Medusa é um trabalho que prima pela diversidade, pela riqueza musical. Diversificado, nos permite observar muitas mudanças de estrutura nas canções, além de uma variedade vocal muito grande, já que Nick Holmes vai desde os guturais típicos do Death/Doom, até os vocais mais melodiosos que marcaram os momentos mais góticos da banda. Outro foco de diversidade está no ótimo trabalho das guitarras de Gregor Mackintosh e Aaron Aedy, que mostram aqui a excelência que lhes é imputada. Riffs que estão entre os melhores já compostos pela banda, lentos, além de solos melodiosos, fazem parte do repertório da dupla. O baixo de Stephen Edmondson soa com aquela solidez de sempre, além de muito pesado, enquanto o estreante baterista Waltteri Väyrynen (que, com seus 23 anos, sequer era nascido quando o Paradise Lost surgiu), parece ter trazido mais vitalidade ao som da banda, realizando um belo trabalho e se mostrando um substituto mais que à altura de Adrian Erlandsson.
O álbum abre com “Fearless Sky”, que já mostra de cara qual vai ser a pegada de Medusa. Lenta, densa, forte e pesada, tem aquela melancolia que é inerente ao Paradise Lost, além de um trabalho diversificado de Nick nos vocais. “Gods of Ancient” tem um ar sombrio (principalmente no que tange o trabalho vocal), enquanto “From the Gallows” se destaca pelo belo trabalho de bateria. Já a excelente “The Longest Winter” certamente entrará para o hall das músicas clássicas do Paradise Lost, trazendo quele ar gótico típico do Draconian Times, com ótimos vocais limpos de Holmes, características que se repete na elegante “Medusa”. A arrastada “No Passage for the Dead” traz os vocais guturais de volta ao jogo, além de contar com ótimas melodias de guitarra e muito peso. “Blood & Chaos” é a faixa “diferentona” do álbum, já que é mais acelerada e tem o apelo gótico mais forte de todas aqui presentes. “Until the Grave” encerra a versão padrão de Medusa mantendo todas as qualidades inerentes ao álbum. Na versão nacional, temos mais duas músicas, “Shrines”, com suas ótimas melodias, e a fortíssima “Symbolic Virtue”, que merecia ser mais do que uma bônus, pela qualidade aqui apresentada.
Gravado no Orgone Studios, mais uma vez, a produção, mixagem e masterização foram realizadas por Jaime Gomez Arellano (Cathedral, Ghost, Fen, Sólstafir), com ótimo resultado final. O trabalho de arte ficou por conta do Branca Studio, tendo ficado muito bom. Sombrio e desolador, Medusa é um pouco mais difícil que The Plague Within, não soa tão avassalador já na primeira audição, mas à medida que você vai escutando o mesmo, ele cresce de uma forma incrível e se torna único e poderoso. É um álbum que, acima de tudo, é capaz de despertar emoções profundas no ouvinte. Em resumo, um típico trabalho do Paradise Lost. Pode uma banda chegar ao auge de sua carreira mais de uma vez? Bem, aqui temos a prova que sim. Nasce mais um clássico!
NOTA: 9,0
Paradise Lost é: - Nick Holmes (vocal); - Gregor Mackintosh (guitarra); - Aaron Aedy (guitarra); - Stephen Edmondson (baixo); - Waltteri Väyrynen (bateria).
The Foreshadowing - Seven Heads Ten Horns (2016) (Cyclone Empire - Importado)
01. Ishtar 02. Fall of Heroes 03. Two Horizons 04. New Babylon 05. Lost Soldiers 06. 17 07. Until We Fail 08. Martyrdom 09. Nimrod (The Eerie Tower - Omelia - Collapse - Inno al Dolare)
O ano de 2016 está sendo excelente para os que apreciam Doom Metal e derivados do mesmo, tamanha a quantidade de ótimos lançamentos. Dentre esses, temos o 4º álbum de estúdio dos italianos do The Foreshadowing, Seven Heads Ten Horns, que tem como conceito a ideia da Europa como uma nova Babilônia, anunciando sua futura decadência e a ruína de um continente unido. Um tema bem atual, como podemos ver nos noticiários dos últimos meses.
Após 3 álbuns que fizeram a alegria dos fãs de Gothic/Doom mundo afora, consolidando assim seu nome como um dos principais do estilo, o The Foreshadowing passou por mudanças. Com a saída do baterista Jonah Padella, Giuseppe Orlando, ex-Novembre, que havia produzido o trabalho anterior da banda, acabou assumindo o posto, o que acabou alterando um pouco a dinâmica de som da banda. Mas calma, não estamos falando de algo drástico.
A atmosfera melancólica e sombria que sempre definiu bem o som dos italianos se mantém bem firme, como podemos observar em faixas como “Lost Soldiers” ou “17”, que possui um toque oriental bem interessante, mas na maior parte do tempo fica muito evidente que a entrada de Giuseppe abriu o leque de influências da banda, trazendo boa dose de Progressivo ao seu som e os aproximando um pouco mais de uma de suas maiores influências, o Katatonia.
Temos um exemplo bem claro disso em “Fall of Heroes”. Apesar do tradicional contraste entre o Gothic e o Doom, sempre presente em suas músicas, do refrão cativante e do clima melancólico, fica mais do que perceptível uma forte dinâmica progressiva na canção. Isso volta a surgir em outros momentos, como por exemplo, em “New Babylon”. Mas se quer mesmo entender esse momento do The Foreshadowing, pule diretamente para “Nimrod”, a épica faixa que encerra Seven Heads Ten Horns. Em seus 14 minutos de duração, divididos em 4 movimentos, temos a união perfeita dos dois lados da banda. Elementos progressivos, com um trabalho primoroso de bateria e baixo, e ótimas melodias que dão um ar bem sombrio à faixa, méritos dos ótimos vocais de Marco Benevento, das guitarras de Alessandro Pace e Andrea Chiodetti e do teclado de Francesco Sosto.
Com relação à produção, o trabalho foi mixado e masterizado no Hertz Studio, na Polônia, pelos irmãos Slawek e Wojtek Wieslawski, que já trabalharam com nomes como Behemoth, Vader e Decapitated. Trabalho de alto nível e que só reforçou ainda mais a qualidade da música do quinteto italiano. Já a capa é mais uma bela arte do grego Seth Siro Anton (Exodus, Moonspell, Paradise Lost, Soilwork, Nile, dentre outros), do Septicflesh.
Denso, bem emocional e carregado de uma atmosfera obscura, o The Foreshadowing procurou dar um passo à frente em sua música, mas sem alterar de forma profunda sua sonoridade já muito bem definida. E bem, conseguiram ser bem felizes em sua proposta. Um trabalho indispensável aos fãs de Gothic/Doom.
NOTA: 8,5
The Foreshadowing é: - Marco Benevento (vocal) - Alessandro Pace (guitarra) - Andrea Chiodetti (guitarra) - Francesco Giulianelli (baixo) - Giuseppe Orlando (bateria)