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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cirith Ungol – Forever Black (2020)

Cirith Ungol – Forever Black (2020)
(Metal Blade/Hellion Records – Nacional)


01. The Call
02. Legions Arise
03. The Frost Monstreme
04. The Fire Divine
05. Stormbringer
06. Fractus Promissum
07. Nightmare
08. Before Tomorrow
09. Forever Black

Existiu um tempo onde o Cirith Ungol foi tachado – de forma totalmente injusta – de “pior banda de Heavy Metal do mundo” por alguns setores da crítica especializada. Pasmem, isso ocorria por um motivo que hoje pode parecer bizarro, a sua originalidade. Surgido em 1972, na cidade de Ventura, na California, os americanos apresentaram em seu debut, Frost and Fire (81), uma sonoridade carregada de particularidades. Musicalmente, mesclavam elementos de bandas de Hard Rock dos anos 70, com NWOBHM e Black Sabbath. O resultado foi uma espécie de Proto-Doom, um Epic Heavy Metal com letras baseadas em fantasia, e estrutura musical oriunda da música clássica. Você leitor vai dizer que isso é algo extremamente comum atualmente, mas acredite, em 1981 não era. Fora isso, outros dois fatores tiveram peso: a escolha de timbres feita pela banda, que era bem peculiar e fugia do padrão usual na época, e o vocal bem distinto de Tim Baker, grave, agudo e anasalado, na linha “ame ou odeie”.

Foram 4 álbuns lançados, o já citado Frost and Fire, King of the Dead (84), One Foot in Hell (86) e Paradise Lost (91), mas quase nenhum sucesso comercial no período. Foi o preço pago por fazer o que queriam, e não o que era comercialmente aceito. Mesmo assim, podemos dizer que lançaram as bases não só do que viria a ser o Doom Metal, como também do Epic e do Power Metal tipicamente americanos, de bandas como Liege Lord, Brocas Helm, Omen, Tyrant e afins. Ironicamente, só após o seu término é que passaram a receber o devido reconhecimento, ganhando uma aura de cult e injustiçada. Quase 25 anos depois do término, em 2015, o baixista do Night Demon, Jarvis Leatherby, organizou um ensaio ao lado do baterista Robert Garven e do guitarrista Jim Barraza, e contando com a presença de Tim como espectador. Com vários convites para participação em festivais, a chama do Cirith Ungol reacendeu e resolveram retornar. O guitarrista Greg Lindstrom aceita participar da volta, mas o baixista Michael "Flint" Vujejia declinou, e seu posto passou a ser ocupado, merecidamente, por Jarvis. O quinteto então cai na estrada para uma série de shows, incluindo aí uma passagem no Brasil, onde encerraram o último dia da edição de 2019 do Setembro Negro.

A cobrança por parte dos fãs de um novo álbum de inéditas se tornou algo comum, e sem medo de arriscar o seu legado, o Cirith Ungol resolveu atender o anseio dos mesmos. Eis que agora temos em mãos Forever Black, o 5ª trabalho de estúdio dos americanos, após um longo hiato de 29 anos. A primeira coisa que chama a atenção é a atemporalidade de sua música, já que você nem se dá conta de que se passaram quase 3 décadas desde Paradise Lost. É como se estivéssemos novamente nos anos 80, a era de ouro do Heavy Metal, uma verdadeira viagem no tempo. O vocal de Tim continua único, e pode causar estranhamento em uma época onde os vocalistas são quase padronizados. Os fãs vão amar, os detratores continuarão a criticar, o mundo continuará girando e Cirith Ungol continuará sendo Cirith Ungol. As guitarras de Jim e Greg são absurdamente boas, pesadas, e entregam não só riffs esmagadores, como solos de muita qualidade, enquanto o baixo de Jarvis faz um ótimo trabalho. Já a bateria de Robert continua sendo o ponto de equilíbrio da banda, o centro da sonoridade do Cirith.


Como esperado, um clima épico perpassa todas as canções aqui presentes, que como de praxe, soam sombrias e diversificadas. Após uma breve introdução instrumental, temos a espetacular “Legions Arise”, veloz, enérgica, com riffs fortes, baixo galopante e tudo mais que um fã espera da banda. Na sequência, “The Frost Monstreme” tem boa cadência, um certo ar setentista, ótimo trabalho de bateria e a epicidade que todos adoramos. “The Fire Divine” é dura, com um ótimo refrão, bélica e vai te fazer se sentir em um campo de batalha, enquanto “Stormbringer” é aquela “balada” épica e pesada, com as guitarras se destacando e um dos solos mais bonitos de todo álbum. “Fractus Promissum”, tem uma queda para os anos 70, e traz em si a essência do que é o Heavy Metal; “Nightmare” é pesada, sombria e épica, e “Before Tomorrow” esbanja peso. Encerrando o trabalho, a cruel, opressiva e venenosa “Forever Black”.

Gravado no The Captain's Quarters, com produção da banda e de Armand John Anthony (Night Demon), o resultado é bom, pois deixa tudo claro e audível, mas com aquela crueza que sempre foi característica das produções passadas. Na capa, mantendo a tradição, mais uma vez temos Elric de Melnibone, personagem criado por Michael Moorcock, e que não só adorna as capas dos álbuns, como se faz presente em diversas letras durante toda a carreira. Você pode argumentar que em Forever Black, o Cirith Ungol apenas se limitou a fazer aquele mesmo som do passado, mas sinceramente, quem aqui queria ouvir algo diferente disso? Os fãs queriam o bom e velho Cirith de volta, e é exatamente o que eles encontram aqui, e em sua melhor forma. Se a ideia era abrir um sorriso enorme no rosto de todos os seus fãs, devo dizer que obtiveram êxito nessa missão. Um dos melhores álbuns que você escutará em 2020.

NOTA: 91

Cirith Ungol é:
- Tim Baker (vocal)
- Greg Lindstrom (guitarra)
- Jim Barraza (guitarra)
- Jarvis Leatherby (baixo)
- Robert Garven (bateria)

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segunda-feira, 23 de março de 2015

Manilla Road – The Blessed Curse (2015)



Manilla Road – The Blessed Curse (2015)
(Golden Core Records - Importado)

01. The Blessed Curse
02. Truth In The Ash
03. Tomes Of Clay
04. The Dead Still Speak
05. Falling
06. Kings Of Invention
07. Reign Of Dreams
08. Luxiferia's Light
09. Sword Of Hate
10. The Muses Kiss
Bonus CD After The Muse
01. After The Muse
02. Life Goes On
03. All Hallows Eve 1981 Rehearsal
04. In Search Of The Lost Chord
05. Reach
06. All Hallows Eve 2014

Quase 40 anos de história, um dos pais do Epic Metal e certamente uma das bandas mais cults do Heavy Metal. Mesmo tendo em seu currículo clássicos do porte de Cristal Logic (83), Open the Gates (85) e The Deluge (86) e obtendo o respeito de muitos grandes nomes, a realidade é que o Manilla Road nunca transpôs a fronteira do underground. Os motivos? Talvez os vocais do lendário de Mark “The Shark” Shelton, que possui seus amantes e detratores, talvez a fixação por produções fracas para seus álbuns, ou apenas falta de sorte mesmo. Vá saber. A verdade é que com o Manilla Road não existe meio termo, ou se cultua a banda ou se odeia a mesma e ponto final.
Cultuando ou não, a verdade é que os dois últimos trabalhos lançados pelos americanos, Playground of the Damned (11) e Mysterium (13), me soaram apáticos, cansativos e padecendo de criatividade.  Sendo assim, fui escutar The Blessed Curse extremamente reticente quanto a encontrar algo de qualidade. Felizmente, já nos primeiros momentos da abertura, com a faixa título, pude perceber que o bom e velho Manilla Road estava de volta. Alternando momentos mais pesados com outros acústicos, ela é um retrato perfeito da diversidade e criatividade que encontramos durante toda a audição. Destacam-se nesse modelo de alternância entre partes pesadas e acústicas, “Falling” e a épica “Tomes Of Clay”, com influências de música oriental que irão prender o ouvinte. Fora isso, temos aquele bom e velho Epic Power Metal carregados de ótimos riffs e solos cheios de técnica e melodia. Entre essas faixas mais diretas, os destaques inegáveis vão para a pesada “The Dead Still Speak”, “Kings Of Invention”, “Reign Of Dreams”, com um riff simplesmente brutal e a agressiva “Luxiferia's Light” (quero ver você não bater cabeça nessa). De bônus temos o Cd After The Muse, composto basicamente por músicas acústicas de muitíssimo bom gosto, além de “All Hallows Eve”, faixa perdida retirada de um ensaio de 1981 que aqui entra em duas versões. A original e a regravação da mesma, que acabou ganhando quase 5 minutos a mais, sendo o grande destaque do CD.
Agora, vamos ao ponto em que o bicho realmente pega, a produção. Essa fixação que Shelton possui por produções fracas é digna de ser estudada por uma junta de psicanalistas. Beleza, conseguimos escutar todos os instrumentos e tal e aqui a produção está superior aos dos dois últimos álbuns, mas custava dar uma caprichada maior? Estamos em 2015 e é totalmente desnecessário um trabalho gravado hoje em dia ter a mesma produção que um gravado em meados dos anos 80. Ah, ok, você pode argumentar que isso faz parte da aura cult do Manilla Road, mas eu ainda sonho em escutar um álbum deles bem produzido. The Blessed Curse possui ótimas composições que mereciam um tratamento melhor.
Bem, não estamos aqui diante de um clássico do mesmo porte que os já citados álbuns oitentistas da banda e, mesmo se comparado com trabalhos mais recentes como Gates of Fire (05) e Voyager (08), The Blessed Curse ainda perde em qualidade, o que não significa de forma alguma que não seja um belíssimo álbum de Heavy Metal. É meu amigo, o Manilla Road voltou aos trilhos novamente e ao que parece, com muita lenha para queimar.

NOTA: 8,0