quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Destruction - Born to Perish (2019)


Destruction - Born to Perish (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Born To Perish
02. Inspired By Death
03. Betrayal
04. Rotten
05. Filthy Wealth
06. Butchered For Life
07. Tyrants Of The Netherworld
08. We Breed Evil
09. Fatal Flight 17
10. Ratcatcher
11. Hellbound (bonus track)

O status de lenda do Thrash Metal mundial conquistado pelo Destruction, não pode e nem deve ser discutido. Estamos falando de uma das bandas mais influentes e seminais do estilo, membro do Big 4 Teutônico, ao lado de Kreator, Sodom e Tankard, e responsável por clássicos indiscutíveis nos anos 80, como o EP Sentence of Death (84), além dos maravilhosos Infernal Overkill (85) e Eternal Devastation (86). É verdade que após o “retorno” em 2000, com All Hell Breaks Loose, alternaram entre ótimos lançamentos, como The Antichrist (01), trabalhos medianos, como Inventor of Evil (05), e outros sem muita inspiração, caso do fraco Spiritual Genocide (12), mas com Under Attack as coisas aparentemente voltaram a entrar nos eixos.

Descontando a fase compreendida entre 1994 e 1998 – que rendeu dois EP’s, Destruction (94) e Them Not Me (95), e um álbum, The Least Successful Human Cannonball (98) –, desconsiderada pela banda no que tange sua discografia oficial, e os dois álbuns de regravações, Thrash Anthems I (07) e II (17), Born to Perish é o seu 13º trabalho de estúdio, e continua do ponto em que seu antecessor parou. Marca também mudanças importantes na formação da banda, com a entrada do baterista Randy Black (Primal Fear, Annihilator, Rebellion), que substituiu Vaaver, e a inclusão de um segundo guitarrista, Damir Eskić (ex-Gonoreas), transformando-os novamente em um quarteto, algo que não ocorria desde os anos 90.

Mantendo a pegada de Under Attack, o Destruction continua o processo de aproximação com suas raízes, mas sem perder suas características mais modernas, que adquiriu desde o retorno. Tecnicamente falando, a entrada de Randy e Damir elevou o nível da banda, já que ambos são muito talentosos e agregaram qualidade. Os vocais de Schmier soam mais odiosos e corrosivos a cada lançamento, mostrando que o tempo só faz bem a sua voz. Mike dispensa apresentações, mas é indiscutível que a inclusão de Eskić tornou o que era ótimo, ainda melhor. As canções ganham uma nova dimensão, e a parede de guitarras chega a ser opressora em alguns momentos, sem contar os ótimos solos que surgem aqui e ali. Sem dúvida, temos os melhores riffs da banda em anos aqui. Quando a Randy, talvez seja o baterista mais capaz a comanda o kit da banda nessas quase 4 décadas, e seu trabalho é preciso e grandioso.


A sequência inicial é destruidora. De cara, temos a agressiva “Born To Perish”, um desses sons clássicos da banda, e perfeito para bater cabeça, seguida pela sombria “Inspired By Death”, com seus riffs fortes e afiados, e a direta “Betrayal”, uma canção capaz de empolgar até mesmo um zumbi, graças as suas ótimas guitarras e vocais variados. O álbum segue com “Rotten”, canção um pouco genérica, mas com riffs violentos e linha de baixo bem marcante; “Filthy Wealth”, com uma pegada bem Motörhead, e a densa “Butchered For Life”, que foge um pouco do padrão da banda. “Tyrants Of The Netherworld” recupera muito da fúria primal da banda, sendo impossível não lembrar dos tempos de Sentence of Death, muito pela crueldade dos seus riffs. Sem dúvida, um dos destaques aqui. “We Breed Evil” é furiosa, e conta com riffs duros e violentos; “Fatal Flight 17” é veloz e tem ótimas guitarras, e “Ratcatcher”, apesar de um pouco repetitiva, tem uma ótima linha de bateria. De bônus, temos uma ótima versão para “Hellbound”, clássico dos ingleses do Tygers of Pan Tang.

As produções mais recentes do Destruction pecavam pelo excesso de saturação, algo que foi finalmente corrigido em Under Attack e Thrash Antems. A produção, mixagem e masterização ficaram mais uma vez a cargo de V. O. Pulver (Burning Witches, Nervosa, Pänzer). O resultado é muito bom. A capa é obra de Gyula Havancsák (Accept, Blind Guardian, Grave Digger, Tankard). Estamos diante de um novo clássico, de um álbum que pode ser colocado frente a frente com os trabalhos do período inicial da banda? Não. Mas de forma algum significa que este não seja um bom trabalho, digno da história do Destruction. Sólido, bruto, e apresentando uma banda revigorada, Born to Perish, é um grito de resistência, uma prova de que Schmier, Mike e cia, ainda tem muita lenha para queimar.

NOTA: 85

Destruction é:
- Schmier (vocal, baixo)
- Mike (guitarra)
- Damir Eskić (guitarra)
- Randy Black (bateria)

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Hellish War - Wine of Gods (2019)


Hellish War - Wine of Gods (2019)
(Independente - Nacional)


01. Wine Of Gods
02. Trial By Fire
03. Falcon
04. Dawn Of The Brave
05. Devin
06. House On The Hill
07. Burning Wings
08. Warbringer
09. Paradox Empire
10. The Wanderer

Com quase 25 anos da carreira, o Hellish War se estabeleceu como um dos principais nomes do cenário nacional quando o assunto é Heavy Metal. Com os dois pés bem fincados naquela sonoridade oitentista, trafegam com muita naturalidade entre as escolas inglesa e germânica, com mais ênfase para essa segunda. Para os que por ventura desconhecerem o grupo oriundo de Campinas/SP, nomes como os alemães Running Wild, Grave Digger, Rage, e os britânicos Saxon, Iron Maiden e Judas Priest, além dos americanos do Manowar, podem servir como uma referência musical. E convenhamos, com influências desse calibre, e com a experiência adquirida em mais de 2 décadas, é praticamente impossível não fazer música de qualidade.

Antes de tudo, vale registrar que Wine of Gods, 4º trabalho de estúdio da banda, foi financiado pelo ProAC Editais, um programa de incentivo a Cultura do Governo do Estado de São Paulo, onde através de seleções públicas, com regras, quantidade e valores definidos por editais, artistas disputam os recursos disponíveis. Visando a democratização, metade dos contemplados são escolhidos entre nomes com atuação no interior do estado, e os recursos são repassados diretamente aos selecionados, não sendo necessário a captação de patrocínios que ocorre em outras leis, e que acaba pôr as tornar inócuas para projetos de menor porte, já que geralmente, os patrocinadores preferem focar em nomes e projetos de grande porte, que dão visibilidade certa a suas marcas. Fica a dica para bandas e produtores de São Paulo que, por ventura, desconhecem tal lei.

Vindo de um ótimo álbum, Keep the Hellish (13), e do relançamento de se debut, Defenders of Metal (17), o Hellish War mantém a boa fase, e apresenta sua já conhecida mescla de Heavy Tradicional com Power/Speed, tipicamente oitentista e de muita qualidade. Após a boa estreia, Bil Martins se mostra ainda mais à vontade e entrosado com seus companheiros, e seus vocais soam fortes, agressivos e variados. As guitarras de Vulcano e Daniel Job despejam fúria, riffs grudentos, melodias marcantes e bons solos, enquanto JR (baixo) e Daniel Person (bateria) formam uma parte rítmica pesada, diversificada e precisa. Os refrões marcantes, uma marca da banda, continuam mais do que presentes, e vão ficar na cabeça do ouvinte por um longo tempo. Wine of God é sem sombra de dúvidas, o álbum mais maduro e inspirado do quinteto campineiro, e olha que estamos falando de uma banda com lançamentos para lá de consistentes dentro do seu estilo.


De cara, temos “Wine of Gods”, pesada, com bons riffs e melodias, além de um refrão grudento. A acelerada “Trial By Fire” tem aquela pegada bem alemã e remete aos melhores momentos do Running Wild, com destaque para a parte rítmica, que também brilha na ótima “Falcon”, onde as guitarras também se sobressaem. “Dawn Of The Brave”, mais cadenciada, se destaca não só pelo trabalho vocal de Bil, como também pelos riffs, enquanto “Devin” alterna bem cadência e velocidade, com elementos típicos do Power/Speed alemão. A instrumental “House On The Hill”, com suas guitarras dobradas, não nega a influência do Maiden na sonoridade da banda, sendo seguida por “Burning Wings”, com seus bons riffs e melodias. “Warbringer” deixa clara a ascendência de Grave Digger, tanto que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos que Chris Boltendahl nos vocais. É um dos pontos altos de todo álbum. Na sequência final, temos a maideniana “Paradox Empire”, outra que apresenta bons riffs e refrão marcante, e “The Wanderer”, uma daquelas canções ótimas para se bater cabeça.

A produção se destaca por conseguir equilibrar modernidade e organicidade, passando longe da frieza e assepsia das produções atuais. Vale dizer que o trabalho teve produção-executiva de Eliton Tomasi, e mixagem e masterização realizadas por Ricardo Piccoli (Kamala, Queiron, Slasher). Como manda a tradição da banda, a capa é obra de Eduardo Burato, com o design e layout do encarte, feitos pela talentosa vocalista do Threesome, Juh Leidl. O Hellish War não reinventa a roda, no que tange o Heavy Metal, mas como eu sempre digo, não existe a necessidade de se reinventar algo que é perfeito por si só. Se gosta daquele Metal praticado nos anos 80, pelas bandas europeias, aqui está um álbum simplesmente imperdível!

NOTA: 86

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR  (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Novembers Doom - Nephilim Grove (2019)


Novembers Doom - Nephilim Grove (2019)
(Prophecy Productions – Importado)


01. Petrichor
02. The Witness Marks
03. Nephilim Grove
04. What We Become
05. Adagio
06. Black Light
07. The Clearing Blind
08. Still Warmth
09. The Obelus

Muitas vezes, não nos damos conta de como o tempo passa rápido. Pode não parecer, mas desde o surgimento com o nome de Laceration, já se vão 30 anos de história do Novembers Doom. Nesse tempo, se estabeleceram no cenário do Doom através de ótimos lançamentos, muitos dos quais podem ser considerados clássicos do estilo. Obviamente que, em um período de 3 décadas, mudanças ocorreriam, e não falo apenas no quesito formação, algo que demoraram a estabilizar. Estou falando também de evolução musical, amadurecimento. Sei, essa palavra causa pavor em muitos, mas no caso do quinteto americano, a evolução ajudou muito mais do que prejudicou, até porque se deu de forma gradual e progressiva.

No início, praticavam aquele Death/Doom típico da primeira metade dos anos 90, com referências a nomes como My Dying Bride, Paradise Lost e afins. A medida que os anos foram passando, o Doom e as melodias foram ganhando mais espaço, mesmo que o Death Metal continuasse ali presente, principalmente nos vocais de Paul Kuhr. Dentro desse processo evolutivo, elementos do Progressivo começaram a ganhar espaço, algo muito próximo do ocorrido com o Opeth e Katatonia, mas sem que para isso abandonassem suas raízes. Nephilim Grove é seu 11º álbum de estúdio, e dá um passo a frente com relação ao seu antecessor, Hamartia (17). Aqui os elementos de Death se fazem menos presentes, com os elementos de Doom e de Progressivo surgindo em maior quantidade. Isso torna o som do Novembers Doom um pouco mais ameno?

Sim, sua música soa mais amena, mas o ponto forte da banda sempre foi a sua capacidade de entregar momentos altamente emocionais, carregados de melancolia e de um ar sombrio, e ela continua intocada em Nephilim Grove. Os vocais de Paul, como sempre, são um ponto alto, e ele vai bem executando desde os rosnados típicos do Death, até passagens mais limpas, passando por tons mais abrasivos. É nítido como ele foi trabalhando e polindo sua voz, e hoje possui um estilo muito próprio e inconfundível. As guitarras de Larry Roberts e Vito Marchese continuam mostrando toda a sua técnica, entregando aos fãs não só ótimos riffs e harmonias, como também solos de muita qualidade. Quanto a parte rítmica, com o baixista Mike Feldman e o baterista Garry Naples, são precisos, e responsáveis não só pela variedade, como também por imprimir uma dose extra de peso. Se você é um fã mais atento, com certeza notou que o Novembers Doom conseguiu a façanha de repetir a mesma line up pelo 3º álbum consecutivo. Estaríamos diante da formação definitiva da banda? Espero que sim.


“Petrichor” inicia o álbum com uma pegada meio Doom/Stoner nas guitarras, que nos entregam bons riffs. Os vocais transitam entre o abrasivo e o limpo, mas na parte final os rosnados típicos do Death Metal surgem, e dão um ar bem sombrio a canção. Eles também dão as caras na pesada “The Witness Marks”, com um belo trabalho da dupla formada por Larry e Vito. Com certeza vai agradar os fãs mais antigos. “Nephilim Grove” é uma das melhores canções da carreira da banda, e transborda melancolia, alternando passagens mais amenas com outras mais pesadas. Fora isso, tem sintetizadores muito bem encaixados e um ótimo trabalho vocal. “What We Become” é uma daquelas semi-baladas sombrias que o Novembers Doom sempre faz tão bem, sendo seguida pela forte “Adagio”, canção raivosa e angustiante, com seu instrumental voltado para o Doom e vocais típicos do Death, que aqui predominam sobre os mais limpos. O trabalho de bateria é muito bom, e de quebra, temos um belíssimo solo. Os apreciadores dos momentos mais extremos do passado, vão sorrir de orelha a orelha com a ótima “Black Light”, onde agressividade e velocidade se mostram mais presentes. “The Clearing Blind” abre espaço para as influências progressivas da banda, com bonitos arranjos e ótimo trabalho rítmico. Pode remeter o ouvinte aos momentos mais recentes do Katatonia, só que aqui a intensidade é maior. “Still Warmth” tem peso e um bom groove, mas sem renunciar a passagens mais amenas. É um retrato perfeito do que é o Novembers Doom hoje. Encerrando, temos “The Obelus”, canção forte e de grande apelo Progressivo.

Mais uma vez a mixagem e masterização ficaram a cargo de Dan Swanö, e o resultado é simplesmente ótimo, a melhor produção da banda em sua carreira. Todos os instrumentos estão claros e audíveis, mas sem abrir mão do peso. Fora isso, não possui aquela atmosfera artificial de muitas produções atuais. Já a bela e impactante capa foi obra de Pig Hands. Seguindo o fio evolutivo dos últimos trabalhos, mas sem abandonar suas raízes, o Novembers Doom prova que, apesar dos 30 anos de estrada, se encontra no auge da sua criatividade, com um álbum de forte carga emocional, e que transborda melancolia por todos os lados. Se duvida, um dos principais lançamentos de Heavy Metal desses ano de 2019.

NOTA: 89

Novembers Doom é:
- Paul Kuhr (vocal);
- Larry Roberts (guitarra);
- Vito Marchese (guitarra);
- Mike Feldman (baixo);
- Garry Naples (bateria).

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Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)


Sunrunner - Ancient Arts of Survival (2018)
(Independente - Nacional)


01. Dawnland
02. Tracking the Great Spirit
03. Inner Vision
04. The Scout
05. Prophecy of the Red Skies
06. Distorted Reflection
07. Arrive, Survive, Awaken, Thrive
08. Palaver
09. Stalking Wolf

Surgido em Portland, nos Estados Unidos, no ano de 2008, o Sunrunner se consolidou com o lançamento de 3 bons álbuns, Eyes of the Master (11), Time in Stone (13) e Heliodromus (15). Genericamente poderíamos rotulá-los como Prog Metal, mas isso seria limitar ao extremo uma música que vai muito além disso. Ao estilo já citado, adicionam generosas doses de Classic Rock, Heavy Tradicional, Rock Progressivo e até mesmo toques de Jazz e Folk, fugindo completamente daquela fórmula batida adotada por muitos, que optam por emular nomes como Dream Theater e Symphony X. As referências aqui são grupos como Black Sabbath, Thin Lizzy, Iron Maiden, Jethro Tull, Rush e Yes, o que acaba dando um ar mais retrô a sua sonoridade, sendo esse o grande diferencial da banda.

Além de marcar a estreia do vocalista brasileiro Bruno Neves, que se junta ao trio original composto por Joe Martignetti (guitarra), David Joy (baixo) e Ted MacInnes (bateria), Ancient Arts of Survival se mostra um trabalho mais direto, pesado e menos experimental que seu antecessor,  Heliodromus. Mas não se engane, pois, o Sunrunner em momento algum renuncia a atmosferas mais densas e intrincadas, mas o faz através de guitarras bem pesadas, que transbordam energia. Os vocais de Bruno se mostram fortes, melódicos e bem emocionais, apesar de em alguns momentos, sofrer um pouco com a produção, algo que vou me aprofundar um pouco mais a frente. Joe executa um trabalho primoroso com sua guitarra, entregando riffs de qualidade e solos bem interessantes, enquanto o poderoso baixo de David e a precisa bateria de Ted, dão a música do quarteto, a diversidade que ela necessita.


Logo após a curtíssima “Dawnland”, com elementos de Folk e que serve de introdução, temos a ótima “Tracking the Great Spirit”, pesada, com ótimos riffs e saída diretamente dos anos 70, soando como uma mescla de Black Sabbath com Rush. “Inner Vision” trafega pelo Heavy Metal e esbanja peso nas guitarras, mas sem abrir mão de elementos do Progressivo e até mesmo algumas breves passagens jazzisticas, que são um belo diferencial. A ótima “The Scout” não esconde as influências de NWOBHM, enquanto a épica “Prophecy of the Red Skies” é muito bem-arranjada, além de se destacar pelas ótimas linhas de baixo. “Distorted Reflection” é um breve interlúdio acústico, sendo seguida por “Arrive, Survive, Awaken, Thrive”, uma instrumental sombria, com um clima setentista e que abusa da densidade, algo que também observamos em “Palaver”. Encerrando, com seus quase 20 minutos de duração, a bombástica “Stalking Wolf”, onde conseguem mesclar com muita precisão, Heavy, Progressivo, Folk e até mesmo Power Metal.

Os instrumentais e vocais de apoio foram gravados no Acadia Recording Company, em Portland, Estados Unidos, com produção de Joe Martignetti, enquanto os vocais tiveram seu processo de gravação e produção executados no Brasil, no Stone Studio, em Frutal, Minas Gerais, por Lucas Heitor. O resultado em si, soa bem orgânico e com uma pegada mais analógica, que foge das produções plastificadas dos dias atuais. Faço apenas uma pequena ressalva na questão dos vocais. Por mais que Bruno seja um ótimo vocalista, em alguns momentos tive a sensação de pequena defasagem na produção dos seus vocais, se comparada ao restante do disco. Nada que no fim, comprometa o resultado, e que provavelmente se deu pelo fato dos processos ocorrerem em países diferentes. A bela capa é obra de Jan Michael Barlow. Ao final, temos em mãos um belíssimo álbum de Heavy Metal, que procura fugir dos clichês que nos acostumamos a ouvir por aí, e que se utiliza bem de diversas referências para criar uma sonoridade própria. Altamente recomendado.

NOTA: 84

Sunrunner é:
- Bruno Neves (vocal);
- Joe Martignetti (guitarra);
- David Joy (baixo);
- Ted MacInnes (bateria).

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Red Razor – The Revolution Continues (2019)


Red Razor – The Revolution Continues (2019)
(Under Machine Records/Helena Discos/Resistência Underground/Escória Distro/Antichrist Hooligans Distro/Tales From the Pit - Nacional)


01. The Revolution Continues
02. For Those About To Thrash
03. Violent Times
04. Born In South America
05. R.I.P. Democracy
06. Sour Power
07. Brewtal Mosh
08. The Sadist

Quando do lançamento de seu debut, Beer Revolution, em 2015, os catarinenses da Red Razor chamaram a atenção não só pelo seu ótimo Thrash Metal, que misturava a escola americana e alemã do estilo, como também pelo bom humor das letras, algo que ficava bem claro na capa e nos títulos das músicas. Isso refletia muito o período em que tais canções haviam sido compostas. A questão é que de lá para cá, muita coisa mudou em um curto espaço de tempo. Tudo se tornou mais obscuro, pesado, com o crescimento de tendências totalitaristas/fascistas, não só no Brasil como no mundo todo. Isso inevitavelmente acabou refletindo na música e nas letras do quarteto formado por Fabrício Vale (vocal/guitarra), Daniel Rosick (guitarra), Gustavo Kretzer (baixo) e Igor Thiesen (bateria).

Do ponto de vista musical, a Red Razor continua com aquele Thrash de pegada bem old school, que remete aos anos 80, agressivo, rápido e enérgico, mas, em alguns momentos, podemos notar algumas doses controladas de Death Metal, que ajudam a tornar tudo ainda mais pesado e diversificado. Isso me chamou mais a atenção no trabalho vocal, que soa bem mais variado e agressivo do que na estreia. Quanto as letras, aquela pegada mais festeira que trata de cerveja, muita cerveja, continua se fazendo presente, mas abre espaço para um maior engajamento político. Temas como a violência contra populações periféricas, exploração colonial e ascensão do fascismo se fazem presentes, algo mais do que necessário nesses tempos sombrios que vivemos. Então, se você é da turma do “Metal não tem que misturar com política”, já fique mais do que avisado.


De cara, temos a robusta “The Revolution Continues” com seu ótimo trabalho de guitarras e baixo, e sua letra que é uma ode as pequenas cervejarias artesanais, e um libelo contra as grandes corporações cervejeiras. “For Those About To Thrash” já deixa bem explicitado em seu título, o que o ouvinte encontrará. É uma homenagem ao estilo, que poderia ter saído de qualquer bom álbum dos anos 80. “Violent Times” soa tão agressiva quanto o tema do qual trata – guerras imperialistas, intolerância, violência contra populações periféricas –, e possui além de bons riffs, um refrão muito forte. A dura “Born In South America” não só esbanja peso, musical e lírico, com sua letra que critica fortemente o colonialismo, em uma verdadeira aula de história, como tem um dos melhores refrões que você escutará esse ano. Uma faixa como “R.I.P. Democracy”, que trata da ascensão do fascismo e da vilanização da democracia por setores reacionários, não poderia ser menos que brutal, com toques de Death metal e destaque para o trabalho da bateria. A divertida e nervosa “Sour Power” é mais uma homenagem às cervejas artesanais, enquanto a veloz “Brewtal Mosh” homenageia a todos nós, fãs do bom e velho Metal, que damos duro o dia inteiro e apoiamos as cenas locais. Encerrando, “The Sadist”, com sua letra que trata do serial killer alemão Peter Kürten, conhecido como “Vampiro de Dusseldorf”, além de energia e peso de sobra.

Na produção, mais uma vez a mixagem e masterização ficaram nas mãos de Alexei Leão (Burning in Hell, Khrophus, Rhestus), com resultados muito bons, já que apesar de tudo estar bem audível, tem uma organicidade que falta em boa parte das produções de hoje. The Revolution Continues soa vivo. No âmbito da parte gráfica, se no anterior haviam trabalhado com o mestre Ed Repka, aqui optaram pelo trabalho de Andrei Bouzikov (Dust Bolt, Havok, Municipal Waste, Nervosa, Toxic Holocaust), que foi o responsável pela bela capa, enquanto o design do encarte foi realizado por Lucas “From Hell” (Evilcut). Mesclando bom humor, engajamento político, vocais agressivos, riffs rápidos, afiados, e uma parte rítmica forte e explosiva, o Red Razor passou com louvor no teste do segundo álbum, mostrando que está mais que pronta para assumir um lugar de frente no cenário do Metal Nacional. A revolução já tem sua trilha sonora!

NOTA: 87

Red Razor é:
- Fabricio Valle (vocal/guitarra);
- Daniel Rosick (guitarra);
- Gustavo Kretzer (baixo);
- Igor Thiesen (bateria).

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sábado, 5 de outubro de 2019

Blasphematorium - Blasphematorium (2019)


Blasphematorium - Blasphematorium (2019)
(Tales From The Pit Records/Your Poison Records/Violent Records/Steel Sword Records/Tevas Nascemos Distro/Underground Voice Records/Totem Records)


01. The Four Horsemen
02. Monolith to Foolishness
03. Decay of Men
04. Found in the Dark
05. Fornication Be Thy Name
06. The Blasphematorium
07. The Dark Council

Em um mundo cada vez mais midiático, existem artistas que optam por manter suas identidades ou rostos em segredo. Talvez o maior exemplo disso, atualmente, seja Banksy. No meio da música, isso nunca foi novidade, já que no passado, nomes como Kiss e Daft Punk, e mais recentemente, o Slipknot, se utilizaram por um tempo desse estratagema. Marketing, uma forma de focar apenas na arte, um ato de resistência em uma realidade recheada de subcelebridades, ou simples escolha artística? Não existe uma resposta exata para tal fato. Onde quero chegar com isso tudo? Surgido no ano de 2018, em São Paulo, o Blasphematorium é mais um nome que opta pelo anonimato, já que seus músicos não só escondem seus nomes por detrás de pseudônimos, como também seus rostos são um mistério.

Musicalmente, sua sonoridade é muito bem definida, e remete diretamente ao que convencionou-se chamar de 1ª geração do Black Metal, ou seja, aquelas bandas que mesclavam estilos como o Heavy Tradicional e o Speed Metal, usando de uma estética anticristã. O resultado é uma música veloz, abrasiva e muito pesada, com vocais mais urrados, guitarras com riffs ríspidos, um baixo marcante e uma bateria muito boa. Além disso, elementos daquele Doom mais épico e tradicional, que remetem diretamente ao Cirith Ungol, podem ser observados, e ajudam a, em muitos momentos, criar um clima mais sombrio. Em si, o Blasphematorium não apresenta uma sonoridade inovadora, mas consegue ter uma identidade própria, não soando como simples cópia de bandas mais consagradas no estilo.


O ataque começa com a apocalíptica “The Four Horsemen”, com claras influências de Metal Tradicional, riffs ríspidos e um belo trabalho da dupla baixo/bateria. “Monolith to Foolishness” é mais cadenciada e possui aqueles riffs cavalgados, bem típicos dos anos 80, além de soar bem sombria, muito pelo belo trabalho vocal. O solo, bem melódico, é outro ponto de destaque e serve de contraponto para a abrasividade das guitarras. “Decay of Men” é outra onde as melodias Heavy se destacam, com ótimos riffs, bases pesadas e um baixo marcante. “Found in the Dark” apresenta guitarras bem ríspidas, além de boas mudanças de tempo, com destaque para as passagens mais cadenciadas, que dão a canção uma aura mais escura. “Fornication Be Thy Name” tem uma pegada bem Metal Tradicional, por mais que trechos mais arrastados tragam um peso maior para a mesma, e entrega não só boas melodias, como também um ótimo solo, sendo seguido pela igualmente melódica “The Blasphematorium”, com seu ótimo trabalho de guitarra. São quase irmãs gêmeas. Encerrando, a arrastada e opressiva “The Dark Council” traz o foco para aquele Doom mais épico.

A produção está totalmente dentro do padrão esperado para a proposta sonora apresentada, já que apesar de deixar os instrumentos bem audíveis, possui a crueza e a aura impura e blasfêmica que a música pede. Isso também pode ser notado na capa, que deixa bem escancarada o que pretendem passar com suas canções. O Blasphematorium não apresenta nenhuma inovação sonora, mas esse em momento algum é o foco da banda, e isso não têm absolutamente nada de errado. Sua maior qualidade é, como já citado, possuir personalidade, já que por mais que em muitos momentos suas influências possam ser notadas, de forma alguma soam como cópia ou emulação. Ríspido, cru e agressivo, foram buscar inspiração nos primórdios do Black Metal, e acabaram por lançar um dos trabalhos nacionais mais legais de 2019.

NOTA: 88

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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

DarkTower – Obedientia (2019)


DarkTower – Obedientia (2019)
(Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Cangaço Rock Comunicações/Native Blood Produções – Nacional)


01. Punishment
02. Downfall
03. God Above Nothing
04. Higland Ceremony
05. Winged Snake Communion
06. Praxis Against Ignorance
07. Obedientia
08. Rites of Conscience
09. The Carnal Esplendour
10. ...As the Obedient Marches to the Abyss…

Na estrada desde 2006, os cariocas do Dark Tower vão consolidando o seu nome no underground nacional na base da brutalidade e agressividade. Donos de um Black/Death simplesmente devastador, após alguns EP’s e singles, lançaram seu debut, ...of Chaos and Ascension em 2013, sendo seguido 3 anos depois pelo ótimo Eight Spears. Agora, após igual espaço de tempo, retornam com seu 3º trabalho de estúdio, Obedientia, que segundo as palavras da própria banda, “é um manifesto contra essa onda de obediência cega, que assola a sociedade nos dias atuais, e fala de todo tipo de libertação e rebeldia, seja ela espiritual, cultural, sexual e filosófica.”. Impossível não destacar o ótimo trabalho nas letras, que complementam com perfeição a parte musical.

Algo que sempre me chamou a atenção nos trabalhos da banda, é o salto evolutivo que dão entre um lançamento e outro. Quando você pensa que não tem como melhorar, eles vão lá e mostram que você estava equivocado. Com Obedientia isso não é diferente. Se no álbum anterior havia ocorrido um recrudescimento de sua sonoridade, com doses menores de melodia, aqui elas voltam a dar as caras, e com ótimos resultados. Isso se dá muito pelo fato de terem trazido novas influências para sua música, com mais destaque para o Metal Tradicional. Mas não pense que isso significa que seu Black/Death se tornou menos bruto e furioso, pois ele continua ali, intocado e destruindo pescoços alheios, assim como aquela crueza que marca a banda. As citadas melodias aparecem, principalmente, nos solos, que estão simplesmente espetaculares aqui, e em algumas passagens mais cadenciadas.

Os vocais de Flávio Gonçalves continuam sendo um dos pontos altos do trabalho do Dark Tower, com aquela boa variação entre o rasgado e o gutural, que evita que os mesmos se tornem maçantes. Em contrapartida, as vocalizações limpas do baixista Rodolfo Ferreira, que eventualmente surgiam em uma ou outra canção, não aparecem em momento algum aqui. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais mais uma vez soam afiadíssimas, entregando não só ótimos riffs, como belíssimos solos, com boas cargas de melodia. Quanto a parte rímica, com Rodolfo e o baterista estreante, Rômulo Grilo, mostram muita coesão, peso e técnica, dando boa variedade as canções.


Após uma breve e sombria introdução, intitulada “Punishment”, surge a caótica e veloz “Downfall”, carregada de um peso opressivo, energia e um ótimo refrão. O álbum tem sequência com a bruta “God Above Nothing”, com seus ótimos riffs e potencial de destruição em massa de tímpanos mais delicados. É o epítome do caos. “Higland Ceremony” é uma curta vinheta que serve de introdução para mais uma faixa destruidora, “Winged Snake Communion”, onde os destaques ficam pelo peso e pelas boas melodias oriundas do Metal Tradicional que as guitarras nos entregam. “Praxis Against Ignorance” alterna muito bem passagens mais cadenciadas e melódicas com outras mais ríspidas e recheadas de riffs cortantes, além de possuir uma aura mais sombria, características também presentes na ótima Obedientia, com sua brutalidade e um belíssimo solo de guitarra. A áspera “Rites of Conscience” traz boas melodias, um trabalho de guitarras que resvala levemente no Thrash, sendo seguida por “The Carnal Esplendour”, um Caterpillar 797F sem freio, descendo uma ladeira, em forma de música, tamanho o atropelo. Franca, grosseira e agressiva. Encerrando, para contrapor com todo o peso e raiva que escutamos, a curta, serena e melódica instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss…”.

A produção foi realizada pela banda e por Rômulo Pirozzi (Ágona, As Dramatic Homage, Hatefulmurder, Vociferatus), sendo que este também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização ficou novamente nas mãos do ex-Rotting Christ Giorgos Bokos (Melechesh, George Kollias, Unearthly). O resultado é muito bom, já que deu a clareza necessária ao Black/Death da banda, mas sem tirar sua crueza, peso e organicidade. Já a capa e a parte gráfica, ambas belíssimas, foi obra do baixista Rodolfo Ferreira. Mantendo o seu viés evolutivo e de crescimento, o Dark Tower conseguiu superar seu ótimo trabalho anterior, e mostrando estar mais que pronta para assumir uma posição entre os principais nomes do underground brasileiro. Um dos melhores álbuns nacionais de 2019. Programado para sair no dia 5 de novembro, a banda já iniciou o processo de pré-venda de Obedientia, em um pacote que além do CD, possui pôster, adesivos e palhetas, além do valor do frete incluso. Caso interesse, a compra pode ser efetuada no seguinte link: https://pagseguro.uol.com.br/checkout/nc/cart.jhtml?s=de7485884f86bd47adc6d62d8c7a86e884e7a19bbe152ab6f141f336a0d7f8dc#rmcl

NOTA: 89

DarkTower é:
- Flávio Gonçalves (vocal);
- Raphael Casotto (guitarra);
- Rafael Morais(guitarra);
- Rodolfo Ferreira (baixo);
- Rômulo Grilo (bateria)

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