terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Imperative Music Vol. XII (2016) (Coletânea)


Imperative Music Vol. XII (2016) (Coletânea)
(Independente - Nacional)


01. Alice In Hell - Time To Die
02. Infact - Change My Name
03. Cavera - Controlled By The Hands
04. As Do They Fall - Burn
05. Nihilo - On the Brink
06. Statue Of Demur - Hot to Trot
07. Darcry - Cry of Despair
08. Death Chaos - Atrocity On Peaceful Fields
09. The Holy Pariah - No Forever
10. Tribal - Broken
11. Hide Bound - Eden Knew
12. Phantasmal - Specter of Death
13. Basttardos - Exilados
14. Metanium - Resistiendo
15. The Wild Child - You and The Snow
16. Armed Cloud - JealousyWith A Halo
17. Eduardo Lira - The Edge
18. Godvlad - Game of Shades

As resenhas da Imperative já são reconhecidas pela sua qualidade e não só reúnem bandas de todo mundo, como são distribuídas em diversos países da América, Ásia e Europa. Sempre tiveram como marca a inclusão de alguns medalhões, para despertar a atenção do público, mas esta é a segunda edição consecutiva em que isso não ocorre, o que aparentemente não afeta em nada a qualidade da mesma. Isso porque outra de suas características básicas, a uniformidade, tanto de produção quanto estilística, se mantém firme e forte.

Nessa edição, temos bandas do Brasil, Japão, Luxemburgo, Suíça, Canadá, Estados Unidos, Itália, Holanda e Portugal, trafegando em sua maioria entre estilos como Thrash, Groove, Death e Black, salvo algumas poucas exceções. O maior destaque aqui cabe às bandas nacionais. Os gaúchos do Cavera (resenha aqui) apresentam sua mescla de Thrash, Groove e Alternativo, que vai agradar em cheio aqueles que curtem sonoridades mais modernas. Os também conterrâneos do As Do They Fall (resenha aqui) mantêm a pegada com seu Modern Metal, enquanto os paranaenses da Death Chaos (resenha aqui) vão agradar em cheio os fãs de Death Melódico, principalmente os do Amon Amarth. O Tribal (resenha aqui) é outra banda vinda do Paraná, mas que aposta em uma sonoridade mais moderna, mais precisamente o Djent e irá fazer a alegria dos fãs de Textures, TesseracT e Periphery. Já os cariocas do Basttardos (resenha aqui) "matam a pau" com seu Rock sujo, movido a guitarras pesadas, sendo um dos melhores nomes aqui presentes. O último artista brasileiro aqui presente é o guitarrista Eduardo Lira, que vai agradar em cheio os apreciadores de música instrumental, com suas ótimas melodias.


Já dentre os artistas estrangeiros, temos alguns nomes que se destacam em muito por aqui. Do Japão, temos o Alice In Hell, que se destaca pelo Thrash que, como o nome deixa claro, não esconde a influência de Annihilator. Já o Hide Bound impressiona com de Death/Thrash intenso, que tem os dois pés muito bem fincados na escola sueca do estilo. Vindo de Luxemburgo, o Infact é outro nome a se enveredar pelo estilo, mas com influências mais nítidas do Anthrax, apesar da roupagem mais moderna. Dos Estados Unidos, podemos destacar o The Holy Pariah, com seu Heavy enérgico e que flerta com o Thrash, o Phantasmal, com uma sonoridade Old School e que vai agradar tanto a fãs de Bewitched como de ABSU, e o Metanium, que canta em espanhol e empolga com seu Heavy Tradicional. Como único representante de Portugal, o Godvlad se destaca por um Gothic Metal que se não apresenta nada de novo, é inegavelmente bem-feito e agradável aos ouvidos.

No quesito produção, não se tem muito o que fazer, já que cada banda é responsável por sua gravação. Nesse sentido, as produções não variam muito e ficam todas em um bom nível. Já a masterização feita por Gwen Kerjam, conseguiu dar uma boa uniformidade a tudo, deixando tudo razoavelmente homogêneo. Já a capa foi obra do brasileiro Julio Souza, da Obscure Art Design.

Se mostrando uma ótima ferramenta para divulgação de novos nomes, graças ao seu alcance a nível mundial, só nos resta esperar que essa iniciativa continue perdurando por muito mais edições, afinal, as coletâneas sempre tiveram um papel muito importante no meio do Metal, já que abrem espaço para novos nomes mostrarem seu trabalho. E aqui, não é diferente..

NOTA: 8,0

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

DarkTower - Eight Spears (2016)


DarkTower - Eight Spears (2016)
(Black Legion Productions/Lab 6 Music)


1. Eight Paths - Initiation
2. Destroy the House of Ha'shem
3. Burn the Pyre
4. The Legion Marches On
5. Nameless Servants of Damnation
6. On Darkest Wings
7. Haeretic
8. Eight Spears
9. Blood Harvest

Para quem porventura não conhece o DarkTower, o grupo foi formado no ano de 2006, no Rio de Janeiro e, após alguns singles e EP’s, chegou ao seu debut, o muito bom ...of Chaos and Ascension (13), executando um Black/Death de primeiríssima linha. Eis que após um hiato de 3 anos, retornam com o sucessor deste, intitulado Eight Spears, e bem, posso dizer que o que era extremo, ficou mais extremo ainda.

Após algumas mudanças de formação nesse período, o DarkTower parece ter se estabilizado com Flávio Gonçalves (vocal), Raphael Casotto e Rafael Morais(guitarras), Rodolfo Ferreira (que migrou da bateria para o baixo e também faz os vocais limpos) e Jean Secca (bateria). É esse quinteto o responsável pelo massacre sonoro que ouvimos em Eight Spears. A evolução da banda nesse espaço de 3 anos foi realmente impressionante em todos os aspectos e souberam lapidar o que se mostrava necessário para seu crescimento.

A primeira coisa que chama a atenção é o nível de agressividade imposto às canções. Soando ainda mais violenta do que no debut, a música do quinteto transborda raiva por todos os poros, estando mais crua e um pouco menos melódica. Tecnicamente a banda também cresceu bastante, com os arranjos melhor trabalhados e orquestrações com um pouco menos de espaço, mas inseridas de forma cirúrgica nas composições. Os vocais de Flávio mantém a variedade de outrora, indo do gutural ao rasgado sem perder qualidade. Os vocais limpos de Rodolfo Ferreira, que já haviam chamado a atenção no debut, soam ainda melhores aqui, dando uma boa dinâmica nesse quesito. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais estão afiadíssimas, tanto nos riffs, simplesmente cortantes, quanto nos solos, enquanto Rodolfo e Jean Secca formam uma parte rítmica técnica, variada e pesada.


O álbum se mostra extremamente homogêneo e o nível das músicas aqui presentes é altíssimo. Ainda assim, posso destacar “Destroy the House of Ha'shem”, bem técnica, bruta, variada e com um ótimo trabalho de guitarras, “Burn the Pyre”, outra bem técnica, com destaque para a parte rítmica e com vocais e riffs bem variados, a brutal e grudenta “Nameless Servants of Damnation”, “Haeretic”, com uma avalanche de bons riffs e melodias que se destacam e a ótima “Eight Spears”, que exala ódio do início ao fim. Vale ressaltar que temos algumas participações especiais aqui. Felipe Eregion (vocal/Unearthly) em “Destroy the House of Ha'shem”, Guilherme Sevens (vocal/Painside) em “The Legion Marches On”, Pedrito Hildebrando (vocal/Vociferatus) e Rodrigo Garm (vocal/Pagan Throne) em “Blood Harvest”. Além disso, as orquestrações aqui presentes foram feitas por Rômulo Pirozzi, que tocou com o DarkTower até 2013.

Outro ponto de evolução foi na produção. Se já era boa em ..of Chaos and Ascension, em Eight Spears ela não fica devendo nada a boa parte do que vem lá de fora. Ficou a cargo da banda e de Fernando Campos, que também foi o responsável pela mixagem, no AM Studios. com a masterização sendo feita por Giorgos Bokos (Stone Cold Dead, ex-Rotting Christ, ex-Nightfall) no Grindhouse Studio. Isso resultou em uma sonoridade que além de soar moderna, conseguiu equilibrar agressividade, peso e clareza. Já toda a bela parte gráfica foi concebida pelo baixista Rodolfo Ferreira, sendo tudo embalado em um digipack caprichado.

Extremo, agressivo e ríspido, o DarkTower é responsável por um dos melhores lançamentos nacionais desse ano de 2016, mostrando que é sim, uma das principais bandas do nosso cenário. Para moer o pescoço mesmo dos bangers mais calejados e contraindicado aos de ouvidos sensíveis.

NOTA: 8,5

DarkTower é:
Flávio Gonçalves (vocal);
Raphael Casotto (guitarra);
Rafael Morais(guitarra);
Rodolfo Ferreira (baixo);
Jean Secca (bateria).

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domingo, 4 de dezembro de 2016

Melhores álbuns – Novembro de 2016

 
No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de novembro na opinião do A Música Continua a Mesma.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Menções Honrosas
 
 
 
 
 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Roadie Metal Vol.8 (2016) (Coletânea)

Roadie Metal Vol.8 (2016) (Coletânea)
(Independente - Nacional)


CD 01
01. Claustrofobia - Metal Maloka
02. Torture Squad - Return of Evil
03. Necrofobia - Membership
04. Death Chaos - From the Dead They Will Rise
05. Jailor - Stats of Tragedy
06. Hunger - Demons in White
07. Stoned Bulls - Good for Shit
08. Burnkill - Guerra e Destruição
09. Terrorsphere - Assassinos
10. Crookhead - Via Crucis
11. Fallen Idol - The Boy and The Sea
12. Tormentor Bestial - Demon of Pervertion
13. Dying Suffocation - Deathbed
14. Voiden - Antares
15. Quintessente - Towards Eternity
16. Haumette - Changed Heart

CD 02
01. Black Triad - R.I.P
02. Apple Sin - Roadie Metal
03. Rising - Road of Metal
04. Brutallian - Blow on the Eye
05. Heaven's Guardian - Dream
06. Super Over - Esquema
07. Darkship - Prison of Dreams
08. Soledad - Giant
09. Moby Jam - Homem de Gelo
10. Sickymind - Question of Honor
11. Oni - Pedaços
12. Ariel/Kaliban - À Morte
13. Blancato - Laís
14. Neogenese - Ocenas of Time
15. High Moonlight - Inovaya
16. Brvto Amor - Vida
17. The Walkins - O Sinal

Elogiar a iniciativa das coletâneas da Roadie Metal é chover no molhado. Através delas, centenas de bandas já tiveram a oportunidade de mostrar seu trabalho para um público que, em condições normais, não teriam a oportunidade de alcançar. Distribuída gratuitamente, é um veículo muito importante para as bandas que participam da mesma. Mas bem, vamos ao que interessa. Resenhar uma coletânea não é das tarefas mais fáceis, já que inevitavelmente teremos grandes variações entre os nomes presentes, seja em matéria de estilos, em qualidade de produção (o mais provável, já que cada um é responsável pelo material enviado) ou mesmo musical, pois algumas bandas vão estar mais maturadas que outras. No caso aqui, procurou-se sanar um desses problemas, já que o primeiro CD pende para vertentes mais extremas, enquanto o segundo segue para um lado mais melódico. Quanto aos outros “problemas” citados, já fica mais complicado resolver.

O primeiro CD já começa matador, com os mais que conhecidos Claustrofobia (com “Metal Maloka”) e Torture Squad (“Return of Evil”). Simplesmente dispensam qualquer tipo de comentário, pois fazem parte da elite do Metal nacional há décadas. Em um segundo grupo, destaco algumas banda com material já lançado e que mostram total maturidade musical. Aqui entram o Death Chaos (resenha aqui), que arrebenta tudo com seu Death Metal brutal e de ótimas melodias (que vai agradar em cheio fãs de Amon Amarth), o Jailor (resenha aqui), com seu Thrash furioso e enérgico, de pegada germânica, o Fallen Idol (resenha aqui), com seu Heavy/Doom feito sobre medida para fãs de Candlemass e o Dying Suffocation (resenha aqui), com seu Death/Doom fúnebre e soturno (ficou devendo um pouco na produção). Esses nomes já são uma realidade do nosso cenário. No terceiro grupo, temos grandes promessas, que mostram um potencial latente e estão a meu ver, mais que prontas. Aqui entram o Necrofobia, com seu Thrash agressivo e grooveado, o Stoned Bulls, com seu Groove Metal feito sobre medida para fãs de Pantera e afins, o Burnkill (resenha aqui), que aposta em um Thrash/Death Old School, o Crookhead, que apresenta um Death/Thrash variado, pesado e com boas melodias e o Voiden, com um Thrash/Black/Death simplesmente matador e que vai fazer a alegria dos bangers das antigas. No quarto grupo incluo bandas que também mostram bastante potencial, mas se mostram um pouco menos maduras ou acabaram muito prejudicadas pela produção. Nesse incluo o Hunger, que mostra um bom Groove Metal, o Tormentor Bestial, com um Heavy/Thrash muito bem feito, ambos indo no caminho certo e praticamente prontos para dar um salto de qualidade, o Death Metal veloz do Terrorsphere (se melhorar a produção, vai longe), o Quintessente, com um ótimo Gothic/Death e que poderia estar no grupo citado acima, mas tem seu trabalho prejudicado em muito pela produção e o Haumette, com um Black Metal de qualidade, mas uma produção que atrapalha demais o resultado final. Para mim, melhorando esse quesito, podem entrar com os dois pés no primeiro time do Black nacional.


O segundo CD, como dito, tem uma pegada mais melódica. No grupo dos destaques incontestáveis, incluo o Black Triad (resenha aqui), com seu Heavy/Rock “motörheadiano” cheio de energia, o Heavy Tradicional dos mineiros da Apple Sin (resenha aqui), muito bem trabalhado e que vai te fazer bater cabeça, o Brutallian (resenha aqui), com seu Heavy/Thrash moderno e vigoroso, o “veterano” Heaven’s Guardian, que mescla muito bem vocais masculinos e femininos no seu Heavy Tradicional e o Metal Sinfônico variado do Darkship (resenha aqui), onde se destacam a dupla de vocalistas, Joel Milani e Sílvia Cristina Schneider Knob, e o Rock basicão do Moby Jam (resenha aqui). No grupo das bandas que mostram muito potencial cito o Rising, com um Metal Tradicional classudo e de ótimas melodias, o rockão pesado com letra em português do Super Over, o Heavy bem trabalhado e cadenciado do Soledad, o Oni e seu Rock pesado e sujo (também cantado em português) e o Blancato, outra a se enveredar pelos lados do Rock, com ótima interpretação vocal, mas que poderia ser um pouco melhor produzido. Já na turma das bandas que precisam apenas de um pouco mais de amadurecimento ou de ajustes na produção (principalmente isso), temos o Sickymind, com seu Heavy bem variado e que está no caminho certo, o Ariel/Kaliban, que aposta suas fichas em um Metal cantado em português que pode remeter às bandas nacionais dos anos 80, mas pecando pela produção, o Neogenese com seu Heavy/Thrash, o High Moonlight, com um climão setentista que tem seu bom potencial jogado ralo abaixo devido à produção, o Brvto Amor, com uma mescla de Rock e Hard bem acessível e interessante, mas que (sim, sei que já está ficando chato, fazer o quê) falha miseravelmente no quesito produção, que também é o calcanhar de aquiles do The Walkins, outro nome que se envereda pelos caminhos do Rock cantado em português.

Fica um conselho aqui a algumas bandas presentes nesse volume, algo que vivo falando em minhas resenhas. Hoje vivemos uma realidade onde o acesso a novos artistas está a apenas um clique, mas ao mesmo tempo, a falta de tempo faz com que as pessoas descartem muitos nomes em questão de minutos, às vezes segundos, se esses não conseguem prender a atenção das mesmas. Em um cenário que tem primado por um aumento de produções com alto nível, vale muito mais ralar, juntar um dinheiro e mesmo que demore algum tempo, apostar em uma produção de melhor qualidade, do que simplesmente lançar algo produzido “nas coxas”, apenas por fazer. Acham mesmo que alguém, tirando os amigos mais próximos, se dará o trabalho de escutar algo mal produzido até o final, com tanta facilidade de acesso a canções de igual qualidade com produções mais profissionais? Se realmente acreditam nisso, precisam rever seus conceitos, pois eu, em mais de uma ocasião aqui, só escutei as faixas até o final (e o fiz por semanas) porque é minha obrigação, para assim detectar as qualidades de cada uma. Mas se eu fosse um ouvinte comum, com toda sinceridade, em muitas eu não teria sequer chegado ao final do primeiro minuto. Ou se tornam profissionais em todos os níveis, ou ficarão pelo caminho, desperdiçando um grande potencial.

Como sempre, a apresentação é caprichada, com direito a uma belíssima capa feita por Marcelo Nespoli. De resto, só cabe elogiar a iniciativa de Gleison Junior, um dos caras que mais batalha pelo Metal no Brasil nos dias de hoje e deixar claro, que obstante as resalvas feitas no texto acima, todas as bandas participantes possuem suas qualidades, bastando a algumas apenas um pouco mais de rodagem em shows (nada melhor que isso para uma banda amadurecer) ou um capricho maior no quesito produção. E para escutar o programa ao vivo, basta acessar www.canalfelicidade.com as quartas, das 20:30 as 23:00 e aos sábados, das 14:40 as 16:15. Vale a pena!

NOTA: 8,0

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Blues Pills - Lady in Gold (2016)


Blues Pills - Lady in Gold (2016)
(Voice Music/Nuclear Blast Brasil)


01. Lady in Gold
02. Little Boy Preacher
03. Burned Out
04. I Felt a Change
05. Gone so Long
06. Bad Talkers
07. You Gotta Try
08. Won't Go Back
09. Rejection
10. Elements and Things

De toda essa leva de bandas calcadas nos anos 60 e 70, afirmar que o Blues Pills disputa o título de melhor banda de sua geração com o Rival Sons não soa exagerado. Nos últimos anos, o quarteto formado por Elin Larsson (vocal), Dorian Sorriaux (guitarra), Zack Anderson (baixo) e pelo estreante André Kvarnström (bateria) enfileiraram uma série de ótimos trabalhos, que deixaram todos de queixo caído. Mas após o ótimo trabalho de estreia, existia a inevitável pressão para um segundo trabalho no mesmo nível. E bem, com Lady in Gold o quarteto pulverizou qualquer dúvida que ainda poderia existir sobre sua qualidade.

Se você, como eu, esperava um álbum que seguisse pelos mesmos caminhos do trabalho de estréia, uma escolha mais que óbvia, vai definitivamente se surpreender com Lady in Gold. O Blues Pills resolveu ousar, recusando-se a simplesmente repetir o que havia feito 2 anos atrás. Claro, aquela sonoridade repleta de elementos que remetem aos anos 70 se faz mais que presente, mas fica evidente um apelo maior para o Gospel e o Soul durante toda a audição do álbum. O fato do Hammond se mostrar bem mais presente ajudou a aumentar a profundidade das composições e reforçar o lado mais psicodélico de algumas canções, tarefa essa ajudada pela guitarra. Ainda sim, vale dizer, estamos diante de um álbum de Rock em toda a sua essência.


Mas sem sombra alguma de dúvida, o ponto central da música do Blues Pills é a espetacular Elin Larsson. “Deusdocéujesuscristinho”, como canta essa moça! Como li uma vez, sua voz se mostra uma mescla de Janis Joplin, Grace Slick e Aretha Franklin, e me recuso a dizer algo que contrarie isso. E por incrível que pareça, ela consegue cantar ainda melhor do que já havia feito no debut, talvez por dar mais espaço às suas influências de Soul e Funk, algo que achei muito legal. Mas mesmo com seu protagonismo, é injusto não citar aqui o trabalho de Dorian Sorriaux. Para mim, o cara é o melhor guitarrista de sua geração, pois sua capacidade de criar riffs e melodias que grudam na cabeça é algo fora do comum. Seu feeling é único e nem mesmo Scott Holiday (Rival Sons) consegue se igualar a ele nesse sentido.

Os destaques aqui são muitos, e Lady in Gold é desses trabalhos que, sem exagero, estão predestinados a ganhar o selo de clássico. A abertura, com a enérgica faixa título, já te impressiona de cara. A guitarra de Sorriaux da um clima psicodélico à canção, enquanto os teclados servem de fundo para um belíssimo desempenho de Elin. “Little Boy Preacher” tem seus dois pés bem fincados nos anos 60, enquanto “Burned Out” irá inevitavelmente te remeter a Jefferson Airplane. Aqui, o grande destaque realmente vai para Dorian. Já faixas como “I Felt a Change” (onde Larsson é acompanhada apenas por um piano) e “Gone so Long” dão mais espaço para o Soul, com inevitável destaque para a voz de Elin. “Bad Talkers” te traz à mente o Big Brother and the Holding Company e a espetacular “You Gotta Try” vai te remeter à Janis Joplin. Os vocais mais uma vez são destaque e na última, Sorriaux brilha com um riff daqueles que gruda da cabeça e demora semanas para sair. E para não dizer que não falei da parte rítmica, Zack e André são os grandes destaques da faixa que encerra o álbum, “Elements and Things”.

A produção beira a perfeição e assim como no debut, ficou a cargo de Don Alsterberg. Não tem o que se criticar nesse ponto. A capa também é uma das mais belas de 2016 e casa perfeitamente com o conteúdo do álbum. Mantendo aquele climão vintage, mas ousando sair da zona de conforto, o Blues Pills nos entregou um forte candidato a melhor álbum de 2016. E aos interessados, a Voice lançou o trabalho em no Brasil em versão digipack duplo, limitado e numerado à mão, contendo o CD e um show em DVD, além da versão simples do mesmo. Simplesmente imperdível!

NOTA: 9,5

Blues Pills é:
- Elin Larsson (vocal);
- Dorian Sorriaux (guitarra);
- Zack Anderson (baixo);
- André Kvarnström (bateria).

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SIOD - esSIODio (2016)


SIOD - esSIODio (2016)
(Independente - Nacional)


01. Maldade
02. Traumatismo Moral
03. esSIODio
04. Paranóia
05. Buraco da Fé
06. Coragem Amigo
07. Não Tira Não
08. Cercado de Vermes

"Os poetas malditos do ódio" - é dessa forma que o release enviado para a imprensa define o SIOD, trio surgido no ano de 2013 e oriundo de Avaré/SP. O próprio nome da banda é derivado de “esse ódio” e definem seu estilo como Hate Metal. E sinceramente, após ouvir seu debut, fica difícil não concordar com a afirmação inicial, já que as letras versam justamente sobre tal sentimento, o ódio. Mas o melhor de tudo é que a temática lírica reflete também na parte musical.

Em matéria de sonoridade, é muito difícil rotular a música executada pelo SIOD. Poderíamos chamar o que aqui escutamos de Crossover, mas, ao mesmo tempo, seu som não se enquadra no que normalmente imaginamos para o estilo. Só é possível enquadrá-la dessa forma porque são mais do que perceptíveis os elementos de Stoner, Groove, do Hardcore e Punk em suas canções. O resultado disso é um trabalho muito diversificado, pesado e obviamente, agressivo. A energia que emana de cada uma das 8 faixas aqui presentes realmente impressiona.


Umberto Buldrini (vocal/guitarra), Fabiano Gil (baixo) e André Silva (bateria) não inventam e procuram fazer sua música do jeito mais direto, simples e pesado possível. Exemplos disso se fazem presentes em faixas como “Traumatismo Moral”, com uma pegada mais Stoner, pesada e com ótimos vocais de Umberto, “esSIODio”, com ótimos riffs e uma bateria destruidora, “Buraco da Fé”, mais puxada para o Groove, com ótimas melodias e letra muito forte, características também presentes em “Coragem Amigo”.

A gravação, produção, masterização e mixagem ficaram a cargo de Umberto e Fabiano. Produtores experientes que são, conseguiram deixar a sujeira, crueza e agressividade necessárias à música do SIOD, mas sem abrir mão da clareza dos instrumentos. Casou perfeitamente com a sonoridade. Já a capa e o trabalho gráfico foram obra de Vinícius Quesada, com todo material embalado em um digipack simples, mas caprichado.

Com uma sonoridade difícil de rotular, mas bruta, pesada e transbordando ódio por todos os poros, o SIOD estreia com o pé direito, apresentando um debut que tem tudo para agradar os apreciadores de boa música. E na falta de palavras melhores, encerro a resenha da mesma forma que o release da banda. “Ame-os ou odeie-os, os poetas malditos vieram para ficar!”.

NOTA: 8,0

SIOD é:
- Umberto Buldrini (vocal/guitarra)
- Fabiano Gil (baixo)
- André Silva (bateria)

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Louder - Take One (2016) (EP)


Louder - Take One (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Last Memory
02. Temple of Desire
03. Copper's Synapse
04. No More
05. Blind Faith (Part I)

Até há alguns anos atrás, o Hard Rock, principalmente aquele de pegada mais oitentista, era meio que deixado de lado pelas bandas nacionais que surgiam pelo país afora. Raros eram os nomes que apostavam no mesmo. Mas, felizmente, nos últimos anos temos observado um revival do estilo, com diversas ótimas bandas surgindo. O Louder, oriundo de Veranópolis/RS, é uma dessas e chega aqui com seu EP de estreia, Take One.

A base do seu som é aquele Hard/Glam que se fez muito popular nos anos 80, mas que recebe influências aqui e ali de Classic Rock e Heavy Metal. O quinteto formado por Kid Sangali (vocal), Gio Attolini (guitarra), Maurício Barbieri (guitarra), Ricardo Ledur Gottardo (baixo) e Felipe Saretta (bateria) mostra muita competência na mescla desses estilos, forjando uma sonoridade empolgante, pesada, mas com ótimas melodias e boa acessibilidade (sem exageros, contudo).  O vocal tem um timbre bem agradável e não comete exageros e os backings são muito bem-feitos. Já a dupla de guitarristas executa um trabalho para lá de competente, com bons riffs e solos, enquanto a parte rítmica mostra bastante coesão e boa técnica.


A abertura, com “Last Memory”, empolga demais, transbordando muita energia. Kid se sai muito bem na parte vocal e o refrão é daqueles que te pega de primeira e você já sai cantando de cara. Na sequência, temos a pesada e cadenciada “Temple of Desire”, um ótimo Hard/Heavy, com destaque para a parte rítmica, com Ricardo e Felipe. “Copper's Synapse” pende mais para o Classic Rock e o ótimo refrão me remeteu diretamente ao KISS setentista. As guitarras de Gio e Maurício executam muito bom trabalho, com riffs marcantes e boas melodias. Já o encerramento se dá com as faixas “No More”, bem pegajosa e que te leva de volta aos anos 80, e a pesada e melancólica “Blind Faith (Part I)”.

A produção ficou a cargo do baixista Ricardo Ledur Gottardo e de Maninho, sendo esse também responsável pela mixagem e masterização do EP. Não compromete, tendo ficado dentro da média, mas achei a mesma um pouco crua além da necessidade. Por sinal, isso é algo que tenho notado na maioria das produções de bandas de Hard nacionais. Todas pecam pela crueza em excesso, o que me parece ser mais uma tendência do que qualquer outra coisa. Ainda assim, a sonoridade é boa, os instrumentos estão muito bem timbrados e muito claros. Já a parte de design do EP ficou por conta do guitarrista Maurício Barbieri e é muito bem-feita, mostrando a preocupação da banda em apresentar um bom material.

Mostrando muito potencial, equilíbrio, coesão e uma capacidade ímpar de forjar boas melodias e refrões, o Louder mostra que a cena gaúcha vai muito além das ótimas bandas de vertentes mais extremas. Se sua praia é o Hard/Glam, está aqui uma banda a ser observada muito de perto. Ah, e o EP está disponível para audição no Soundcloud da banda, onde você também pode escutar uma versão muito legal para “Man On The Silver Mountain” do Rainbow.

NOTA: 8,0

Louder é:
- Kid Sangali (vocal);
- Gio Attolini (guitarra);
- Maurício Barbieri (guitarra);
- Ricardo Ledur Gottardo (baixo);
- Felipe Saretta (bateria).

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