quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Verthebral - Regeneration (2017)


Verthebral - Regeneration (2017)
(Nomade Records/Tales from the Pit Records/Eclipsys Lunarys Productions/Extreme Sound Records/Thrash or Death Records/Totem Records – Nacional)


01. Apocalyptic Seasons (Intro)
02. Place of Death
03. Spirit in Solitude
04. Regeneration
05. Beyond the Garden of Creation
06. Without Any God
07. Old Man’s Memories
08. The Plague of Insomnia
09. Immaterial Essence of Things
10. Inside of Me
Adultery of Soul EP (Bônus):
11. Intro: Final Thoughts
12. Human Limitation
13. Adultery of Soul
14. I Am the Vulture
15. Confronting Lies

O Verthebral foi formado no ano de 2013, em Ciudad del este, no Paraguai, mas poderia muito bem ter surgido na Flórida, no início dos anos 90. E acredite, isso não é exagero. O Death Metal que o quarteto formado por Cristhian Rojas (vocal/baixo), Daniel Larroza (guitarra), Alberto Flores (guitarra) e Gabriel Galeano (bateria) pratica, não nega a influência de bandas como Deicide, Cannibal Corpse, Obituary, Morbid Angel, Death ou Malevolent Creation, só para ficar em alguns exemplos. Isso significa que estamos diante de pura emulação? Não é bem assim.

Claro, é inegável que seu debut, Regeneration, não prima pela originalidade, e que na teoria, não apresentam nada fora dos padrões do que já escutamos em trabalhos anteriores dos nomes citados no parágrafo acima, mas a paixão e a sinceridade que imprimem em cada nota tocada aqui, acaba por se tornar um diferencial para a música do Verthebral. Os vocais guturais estão dentro do que se espera, enquanto as guitarras despejam não só riffs bem fortes e raivosos, como também acertam nos solos. A parte rítmica faz um belíssimo trabalho, mostrando muito boa técnica, com linhas de baixo bem fortes e uma bateria variada. São os principais responsáveis pela boa diversidade do álbum.


As 10 canções que compõem Regeneration são impiedosas com os tímpanos menos treinados no estilo, já que tem aquela crueza e agressividade típicas do período. Meio a toda a brutalidade, podemos notar algumas melodias aqui e ali, o que só enriquece mais o trabalho da banda. Podemos perceber também uma boa qualidade nos arranjos, mostrando que estamos diante de um nome muito promissor e que pode crescer demais nos próximos anos. Entre os destaques, eu apontaria a enérgica “Place of Death”, com um bom trabalho de baixo/bateria, a bruta “Regeration”, a ótima “Beyond the Garden of Creation”, variada, bem-arranjada e com melodias interessantes, “The Plague of Insomnia”, que mescla bem partes cadenciadas com outras mais velozes – uma característica de todo o CD, vale dizer –, e a grudenta “Immaterial Essence of Things”, que é dessas canções que ficam na sua cabeça por horas. Vale dizer que a edição brasileira vem com o EP Adultery of Soul (15) de bônus.

A produção, mixagem e masterização foram realizadas por Alberto SantaCruz, e o resultado é bom, já que conseguiu deixar tudo bem claro e audível, sem que para isso tivesse que abrir mão daquele ar mais cru e de boas doses de sujeira, algo obrigatório quando falamos do estilo. A capa de Marcos Miller se encaixou com perfeição na proposta sonora do quarteto. O encarte da versão nacional foi obra de Filipe Silva. Como já dito, o Verthebral não apresenta nenhuma grande novidade, mas se ainda não possui aquela identidade que te permite reconhecer a banda de primeira, deixa muito evidente o potencial existente para conseguir alcançar tal objetivo. Se você é fã dos nomes citados na resenha, pode ir sem medo, já que Regeneration foi feito sob medida para que aprecia o bom e velho Death Metal dos anos 90.

NOTA: 79

Verthebral é:
Cristhian Rojas (vocal/baixo);
Daniel Larroza (guitarra);
Alberto Flores (guitarra);
Gabriel Galeano (bateria).

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Spiritual Hate - Diabolical Dominium (2017)


Spiritual Hate - Diabolical Dominium (2017)
(Abiosis Rec. - Nacional)


01. Intro
02. Excomunium
03. Awaiting Fucking Jesus
04. Honour Et Gloriam
05. Ignorance Brounght the Decandence
06. From the Purity to Fornication
07. Behind the Lies of God
08. Sentenced by Dawn
09. Diabolical Dominium

O Spiritual Hate não se trata de uma banda novata, afinal, sua formação se deu no ano de 2007, na cidade de Diadema/SP. Devido às dificuldades oriundas do underground brasileiro, a caminhada até o seu debut demorou nada menos de 10 anos – nesse tempo chegaram a lançar um split e um EP -, o que nos faz lamentar, dada a qualidade do material que encontramos em Diabolical Dominium.

Sem procurar reinventar a roda, praticam um Death Metal que tem seus 2 pés muito bem fincados nos anos 90, seguindo aquela sonoridade que foi consagrada por nomes como Morbid Angel e Deicide. Sendo assim, você já fica avisado que irá se deparar com uma música enérgica, bruta, odiosa, com boa técnica e que transborda blasfêmia em suas letras. Tudo soa muito coeso e bem feito, até porque nesses 10 anos tiveram tempo para maturar suas canções, que felizmente, não apostam apenas na velocidade. A inclusão de algumas passagens mais cadenciadas acaba ajudando demais a dar variedade à obra.


Após uma breve introdução, “Excomunium” chega explosiva e destroçando tudo que encontra pela frente com seus riffs pesados e ótima bateria. “Awaiting Fucking Jesus” é certamente uma das melhores canções aqui presentes, dada a sua brutalidade, enquanto “Honour Et Gloriam” consegue equilibrar bem velocidade e cadência. “Ignorance Brounght the Decandence” é bem direta e básica, feita na medida para moer pescoços. Já a furiosa “From the Purity to Fornication”, além dos ótimos riffs, se destaca por sua parte rítmica, algo que também ocorre na faixa seguinte, “Behind the Lies of God”. “Sentenced by Dawn” tem alto potencial destrutivo de tímpanos alheios – ao menos aqueles menos treinados no Metal Extremo -, e “Diabolical Dominium” encerra tudo de forma bruta e variada.

A produção foi realizada por Victor Prospero, com mixagem e masterização realizadas por Marcos Cerruti. O resultado é bom, pois, aliou muito bem peso, agressividade, crueza e clareza, dando organicidade a tudo. Já a capa, concebida por Carlos Renato e Magnus Hellhound, e com arte final de Felipe Moriarty, é uma adaptação blasfema de uma das versões de Flagelação de Cristo, de Caravaggio (1571-1610). Com um Death Metal bruto, infame e competente, o Spiritual Hate não inventou e entregou um debut que vai agradar em cheio a todos os fãs do estilo. Que venha logo o segundo álbum.

NOTA: 81

Spiritual Hate (gravação):
- Magnus Hellhound (vocal/guitarra);
- Blackmortem (guitarra);
- Victor Prospero (baixo).
Músico convidado:
- Gabriel Guerra (bateria).

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Vakan – Vagabond (2018)


Vakan – Vagabond (2018)
(MS Metal Records – Nacional)


01. Orbis
02. Beyond Mankind
03. Russian Roulette
04. Moving On
05. Euphoria
06. Diary of P. Stuart
07. Interlude: Eremita
08. The Flow of Matter
09. Presumption of Guilt – ótima, variada
10. Vagabond Pt I – Princes and Principles
11. Vagabond Pt II – Utopia
12. Vagabond Pt III – 1st Law: Chaos
13. Vagabond Pt IV – Epitome, Epitaph

O Rio Grande do Sul sempre gerou ótimas bandas nas vertentes mais extremas do Metal, mas eventualmente podemos observar bons nomes oriundos de estilos mais tradicionais vindos de lá. Surgido no ano de 2010, na cidade de Santa Maria, o quarteto Vakan é um nome que se encaixa com perfeição nesse caso. Formado por Matheus Oliveira (vocal), Alexandre Marinho (guitarra), Natanael Couto (baixo) e Lucas Oliveira (bateria), lançaram um EP em 2012, Freeze!, e no final do ano passado finalmente soltaram seu debut, Vagabond.

Apresentando um Heavy/Power que não nega a influência de medalhões como Iron Maiden, Judas Priest e Helloween, fogem da simples emulação inserindo elementos de música regional em sua sonoridade, que surgem de maneira muito equilibrada e bem encaixados nas canções. Suas canções mostram boa coesão, energia, técnica na medida e bons desempenhos individuais dos músicos envolvidos. É uma música que se deixa escutar com bastante facilidade, e que cativa os fãs do estilo sem muito esforço. Ajuda muito nisso não só as melodias agradáveis, como também a variedade, já que conseguem equilibrar bem passagens mais rápidas com outras mais cadenciadas.


Após a introdução com “Orbis”, temos uma sequência de 4 canções bem diretas e enérgicas, que ajudam demais na boa impressão que o álbum deixa. “Beyond Mankind” não nega as suas influências de Iron e Judas, com boas melodias, refrão marcante e bom trabalho vocal. “Russian Roulette” é outra que se destaca pelo bom trabalho de guitarra, assim como “Moving On”. Euphoria possui boas melodias e um ótimo refrão. Daí para frente, a banda começa a se diferenciar da concorrência, com a introdução de ritmos regionais em sua música. E vale dizer que fazem isso com competência ímpar, sem exageros. “Diary of P. Stuart” mescla bem esses elementos com o Heavy/Power da banda, contando inclusive com um acordeom, o que se repete no interlúdio “Eremita”. Guiada por um violão “The Flow of Matter” é uma das canções mais belas de todo álbum, enquanto “Presumption of Guilt” se mostra bem variada. Mas o ponto alto sem dúvida, são as 4 partes da faixa-título, que encerra o álbum. Passagens pesadas se misturam com outras acústicas e com influência de música regional, resultando em uma música riquíssima e muito variada.

A produção ficou por conta da banda e de Leo Mayer, sendo que este último também foi o responsável pela mixagem e masterização. Dentro das dificuldades que conhecemos do nosso underground, o resultado é bom, equilibrando peso, clareza e crueza, não comprometendo o CD. Talvez um pouco menos de crueza no próximo trabalho, mas isso faz parte do processo de crescimento de uma banda. Já a capa foi obra de Rafael Sarmento. Com Vagabond, o Vakan se credencia como uma das bandas mais promissoras do cenário nacional, valendo ficar muito atento aos seus próximos passos. Se você curte Heavy/Power de qualidade, não vai se arrepender de escutar Vagabond.

NOTA: 83

Vakan é:
Matheus Oliveira (vocal);
Alexandre Marinho (guitarra);
Natanael Couto (baixo);
Lucas Oliveira (bateria).

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Swallow the Sun – When a Shadow Is Forced into the Light (2019)


Swallow the Sun – When a Shadow Is Forced into the Light (2019)
(Century Media – Importado)


01. When a Shadow is Forced into the Light
02. The Crimson Crown
03. Firelights
04. Upon the Water
05. Stone Wings
06. Clouds on your Side
07. Hear on the Black Earth
08. Never Left

Mesmo em um mundo como o de hoje, de relacionamentos fluídos, líquidos, onde poucos se permitem sentir além da superficialidade, o amor ainda é a mais forte de todas as forças motrizes existentes. É ele que faz girar a grande roda da vida, pois, querendo ou não, é um sentimento intrínseco ao ser humano, mesmo que este não o deixe vir à tona, dada as agruras da nossa existência. É o amor, por algo ou alguém, que sempre faz com que as pessoas deem um passo a frente, mesmo com a escuridão diante de si. Amar é muito forte, e como qualquer sentimento de tamanha intensidade, carrega ao seu lado a dor, que surge forte e inominável nos momentos de perda. Amor, perda e dor, tudo isso define o novo álbum do Swallow the Sun.

Quando fechou o ano de 2015, o futuro do Swallow the Sun parecia brilhante, pois, haviam lançado uma verdadeira obra-prima, o álbum triplo Songs from the North I, II & III, onde mostraram todas as suas facetas, do Funeral Doom ao Gothic Rock. A única incerteza existente era de qual o caminho a ser seguido, dada a grande variedade apresentada no trabalho em questão. Eis então, que no dia 18 de abril de 2016, Aleah Starbridge (Trees of Eternity), companheira de Juha Raivio, fundador e força criativa por detrás da banda, perdeu sua batalha para o câncer. Diante de toda a dor, o futuro do grupo finlandês se tornou uma incógnita.

Felizmente, Raivio optou por expurgar sua dor através da música. O primeiro passo foi lançar o álbum do Trees of Eternity, que já se encontrava na pós-produção, como uma primeira homenagem a sua companheira. Na sequência, surgiu o Hallatar, um tributo a Aleah, onde ao lado do vocalista Tomi Joutsen (Amorphis) e do baterista Gas Lipstick (ex-HIM), deu uma roupagem Doom/Death as letras e poesias que ela havia escrito, lançando o ótimo No Stars upon the Bridge (17). O passo seguinte foi voltar a trabalhar em um álbum do Swallow the Sun. Vale dizer que ainda está programado o lançamento de um trabalho com canções solo de Aleah.


When a Shadow Is Forced into the Light, título retirado da canção Broken Mirror, do Trees of Eternity, é um trabalho profundo e de muitas texturas, possuindo um grande peso emocional, dada toda a história de perda por parte de Raivio. Toda essa bagagem que já vem junto com o álbum não pode ser ignorada. Outra questão importante, é o fato dele ter sido precedido no final de 2018 pelo EP Lumina Aurea, canção não presente aqui, e que vejo como uma espécie de prólogo. A audição da mesma antes se faz recomendada. Contando com participações de Einar Selvik (Wardruna) e Marco Benevento (The Foreshadowing), é uma música que vai te fazer entender muito do momento pelo qual passava Juha Raivio quando da composição do álbum. Altamente sombria e experimental, explora o lado mais profundo e escuro de sua alma. Transborda solidão e dor, e enxergo como a forma de expurgar os demônios que o afligiam. When a Shadow Is Forced into the Light não sairia como saiu, se não fosse por Lumina Aurea.

Marcando a estreia do guitarrista Juho Räihä e do tecladista Jaani Peuhu – ambos tocam ao vivo no Hallatar –, musicalmente When a Shadow Is Forced into the Light é um trabalho não tão pesado como nos acostumamos, quando pensamos no Swallow the Sun. O peso maior não está contido no instrumental, mas no clima sombrio e obscuro que perpassa as 8 canções aqui presentes. Elementos de Doom, Gothic, Post Metal e Black se misturam, gerando uma música altamente emocional e de dor pungente. Pode soar mais leve aos ouvidos em alguns momentos, mas esse peso implícito, e a forte carga emocional gerada, acaba dando a mesma um clima altamente opressor.

Os vocais de Mikko Kotamäki continuam entre os melhores do estilo, e ele é sem dúvida um dos grandes diferenciais do álbum. Não importa se canta limpo ou gutural, ele consegue passar toda a emoção que as músicas pedem de uma forma fantástica. Os backings do tecladista Jaani Peuhu – que faz uma bela estreia, já que seus teclados influenciam muito no clima mais sombrio -, também ajudam demais nessa missão. As guitarras de Raivio e Juho Räihä abusam da criatividade, mesclando elementos diversos e adicionando boas doses de melodia e melancolia, sendo essenciais para o resultado obtido. Na parte rítmica, Matti Honkonen (baixo) e Juuso Raatikainen (bateria) esbanjam técnica, peso, e conseguem dar variedade ao trabalho.


De cara, temos a melancólica “When a Shadow is Forced into the Light” e seu jogo de luz e sombras, equilibrando momentos mais pesados com outros maus suaves. Destaque para as partes sinfônicas e o belo trabalho de baixo e bateria. “The Crimson Crown” é um dos pontos altos do álbum, com peso e um clima fortemente emocional. Forte candidata a se tornar um clássico da banda. “Firelights” é pesada e emocionante, e possui uma visceralidade que a coloca em posição de primazia dentro do trabalho, sendo outra que cairá no gosto dos fãs. “Upon the Water” é mais uma que se destaca pela atmosfera e pelas melodias. Em certo momento, ela te passa uma sensação de angústia, um aperto no peito, que acaba sendo quebrado pelos ótimos vocais limpos de Kotamäki.

“Stone Wings” abre a segunda metade pendendo mais para o Gothic Rock, e poderia estar sem muitos problemas no CD 2 de Songs from the North, por mais que os guturais que surgem na parte final, tragam um pouco mais de peso a mesma. “Clouds on your Side” é possivelmente o momento mais emocionante do álbum, já que tanto a música quanto a letra, contaram com a participação de Aleah em sua composição. É uma canção dolorida, que dilacera em muitos momentos, mas que também consegue trazer luz. Emocionante. “Hear on the Black Earth” tem um clima que te prende, e equilibra muito bem partes pesadas com outras mais suaves. E o refrão é um dos melhores de todo trabalho. Encerrando, temos a agridoce “Never Left”. A forma como ela consegue soar, ao mesmo tempo, desoladora e otimista, faz dela algo único, e um encerramento perfeito para When a Shadow Is Forced into the Light.

Gravado no Fascination Street Studios, e contando com a ajuda do onipotente, onisciente e onipresente Jens Bogren, o álbum foi produzido Raivio e Peuhu, e teve masterização de Tony Lindgren (Amorphis, Dimmu Borgir, Katatonia, Orphaned Land). O resultado é ótimo. A belíssima capa foi obra de Fursy Teyssier (Alcest, Hallatar, Lantlôs, Trees of Eternity), e se conecta diretamente com a de Lumina Aurea, feita por Līga Kļaviņa. Sem abrir mão da emoção em momento algum, e com uma carga emocional muito forte, When a Shadow Is Forced into the Light um álbum denso, que reflete toda a dor de uma perda, mas também a esperança do recomeço. Que com ele, Raivio tenha encontrado a paz de espírito que parece tanto buscar. Desde já, forte candidato a álbum do ano! Aos interessados, a Urubuz Records lançará uma versão nacional do mesmo.

“Eu não sei se a vida é maior que a morte, mas o amor foi maior que ambas.”
(Tristão e Isolda)


NOTA: 93

Swallow the Sun é:
- Mikko Kotamaki (vocal);
- Juha Raivio (guitarra e teclado);
- Juho Raiha (guitarra);
- Matti Honkonen (baixo);
- Juuso Raatikainen (bateria);
- Jaani Peuhu (teclado e vocal).

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Nailed to Obscurity – Black Frost (2019)


Nailed to Obscurity – Black Frost (2019)
(Nuclear Blast Records – Importado)


01. Black Frost
02. Tears of the Eyeless
03. The Aberrant Host
04. Feardom
05. Cipher
06. Resonance
07. Road to Perdition
Bônus Track
08. Abyss (2019 Version)
09. Autumn Memories (2019 Version)
10. Fallen Leaves (2019 Version)

Eis um lançamento que eu esperava com certa ansiedade. Para quem não conhece, o Nailed to Obscurity é uma banda alemã, surgida no ano de 2007, e que se envereda pelos caminhos do Melodic Doom/Death Metal. Vindo de uma sequência de 2 ótimos álbuns, Opaque (13) e King Delusion (17), conseguiram um contrato com a Nuclear Blast, o que certamente vai possibilitar ao quinteto formado por Raimund Ennenga (vocal), Jan-Ole Lamberti (guitarra), Volker Dieken (guitarra), Carsten Schorn (baixo) e Jann Hillrichs (bateria), um reconhecimento merecido.

King Delusion foi uma das surpresas mais agradáveis de 2017, e sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns daquele ano. A forma como conseguiram mesclar peso, agressividade, melodia e uma atmosfera mais emocional, beirou a perfeição e os colocou entre as melhores bandas do estilo. Debutando pela maior gravadora de Metal da atualidade, o mais lógico seria apostar na segurança e repetir a fórmula do trabalho anterior, mas os alemães resolveram subverter essa lógica e simplesmente dar um passo a frente em seu processo evolutivo.

O que observamos em Black Frost, é que optaram por algo um pouco mais experimental, com uma maior presença de elementos Progressivos e menos peso nas canções. Para situar melhor o leitor, é como se o Opeth de início de carreira e o Katatonia atual se casassem e tivessem um filho e dessem a ele o nome de Nailed to Obscurity. Menos pesado e mais progressivo, Black Frost pode ter um efeito menos impactante no ouvinte em um primeiro momento, mas a medida que as audições vão ocorrendo, vai crescendo, e sua qualidade se torna inegável.


Os guturais de Ennega continuam excelentes, e em alguns momentos podem remeter aos de  Åkerfeldt nos primórdios do Opeth, o que convenhamos, não é demérito algum. Ele também faz um uso maior dos vocais limpos, que funcionam bem e estão satisfatórios. Está aí algo que pode vir a melhorar no futuro. As guitarras de Lamberti e Dieken realizam um trabalho fantástico, não só entregando ótimos riffs, como equilibrando peso e melodias. Quanto a parte rítmica – com o baixista Carsten Schorn e o baterista Jann Hillrichs – realizam um trabalho seguro, preciso e técnico, dando boa variedade as canções aqui presentes.

“Black Frost” já nos dá de cara um bom cartão de visitas. Atmosfera obscura, bons riffs, toques de Progressivo e uma boa variação entre vocais limpos e guturais. “Tears of the Eyeless” mostra boa intensidade e trafega com muita naturalidade entre o pesado e o melódico. “The Aberrant Host” apresenta alguns dos momentos mais pesados de todo álbum, e possui uma atmosfera bem sinistra, que também se faz presente em “Feardom”. “Cipher” é uma canção bem emocional e com um que de Katatonia, mas sem soar como cópia, já que o Nailed to Obscurity tem uma identidade toda sua. “Resonance” é simples, tem bom peso e um toque gótico que a diferencia das demais, e “Road to Perdition” encerra o trabalho de forma primorosa. Mesclando suavidade e agressividade, ela acaba por ser uma fotografia perfeita do álbum, definindo o momento atual da banda. A versão em Digipack conta com 3 faixas bônus, “Abyss”, “Autumn Memories” e “Fallen Leaves”

Gravado no Woodshed Studio, na Alemanha, mais uma vez o trabalho de produção ficou nas mãos de V. Santura (Triptykon, Sulphur Aeon, The Ruins of Beverast, Obscura, Dark Fortress), com ótimos resultados. Como em time que está ganhando não se mexe, para a capa, repetiram a parceira do CD anterior, com o argentino Santiago Caruso (Jupiterian, October Falls). King Delusion elevou em muito o nível, e superá-lo era uma tarefa muito difícil. Se conseguiram ou não, isso fica muito da opinião do ouvinte, mas o fato de terem se recusado a seguir uma fórmula pronta e repetir o antecessor, é algo muito positivo, e não dá para negar que essa linha mais atmosférica/progressiva funcionou bem para o Nailed to Obscurity. Se você é fã de bandas como Katatonia, Opeth, Décembre Noir, October Tide e Swallow the Sun, certamente vai aprovar Black Forst.

NOTA: 87

Nailed to Obscurity é:
- Raimund Ennenga (vocal);
- Jan-Ole Lamberti (guitarra);
- Volker Dieken (guitarra);
- Carsten Schorn (baixo);
- Jann Hillrichs (bateria).

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Soilwork – Verkligheten (2019)


Soilwork – Verkligheten (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Verkligheten
02. Arrival
03. Bleeder Despoiler
04. Full Moon Shoals
05. The Nurturing Glance
06. When the Universe Spoke
07. Stålfågel
08. The Wolves Are Back in Town
09. Witan
10. The Ageless Whisper
11. Needles and Kin
12. You Aquiver

Underworld (EP) (Bônus)
13. Summerburned and Winterblown
14. In This Master's Tale
15. The Undying Eye
16. Needles and Kin (Original Version)

Parece que foi ontem que escutei Steelbath Suicide, álbum de estreia dos suecos do Soilwork, mas já se passaram 2 décadas desde então. Nesse tempo, mesmo com alguns altos e baixos na carreira – Stabbing the Drama, Sworn to a Great Divide e The Panic Broadcast são trabalhos um tanto mornos  – se consolidaram como um dos maiores nomes da cena Metal da atualidade. Vindo de 2 álbuns de ótima repercussão, o ótimo The Living Infinite e o bom The Ride Majestic, e de uma importante mudança de formação, com a saída de ninguém menos que Dirk Verbeuren (que assumiu de vez o posto de baterista do Megadeth), existia uma grande expectativa por Verkligheten.

A primeira coisa que posso afirmar sem medo, é que esse é um álbum que não vai conquistar o ouvinte de cara, como The Livind Infinite, mas que possui potencial para crescer exponencialmente a cada audição, como seu antecessor, The Ride Majestic. A verdade é que o Soilwork não foge muito da sua fórmula básica de sempre, com riffs típicos do Death Metal Melódico, peso e refrões grudentos, fora a estrutura das canções, que seguem sempre aquele padrão já conhecido pelos fãs. Isso deixa tudo estruturalmente parecido e previsível, você sabe exatamente o que esperar na maior parte do tempo, o que faz com que a monotonia se abata sobre a audição em alguns momentos. Não dá para negar que a fórmula adotada pela banda em seus últimos lançamentos vêm apresentando cada vez mais sinais de desgaste.

Mas nem tudo está perdido, e fica visível que os suecos começam a procurar novas ideias para suas canções. Em Verkligheten, fica muito claro que essa saída para diretamente pelo The Night Flight Orchestra, a outra banda do vocalista Björn "Speed" Strid e do guitarrista David Andersson. Essa influência fica muito visível em algumas canções, principalmente nas melodias dos refrões e em alguns riffs típicos do Rock Clássico. A voz de Björn continua sendo um diferencial tremendo para o Soilwork, e seus vocais limpos ganham mais espaço aqui, remetendo demais ao que executa no TNFO. Sylvain Coudret e Andersson brilham nas guitarras, e ouso dizer que nesse sentido é o melhor trabalho da banda até então. Ótimas melodias e riffs, além de solos de destaque. A parte rítmica não compromete, e faz um trabalho muito correto, mas é inegável que a banda perdeu muito com a saída de Dirk. Não entendam mal, Bastian Thusgaard não é mau baterista, ele executa um bom trabalho, mas não faz nada além do básico, algo que não ocorria com Verbeuren.


Após a dispensável introdução com a faixa-título, o álbum começa bem, com “Arrival”, uma típica música do Soilwork e que funciona muito bem, graças ao peso, aos bons riffs, solo e as melodias. “Bleeder Despoiler” vêm na sequência e eleva um pouco mais o nível, principalmente pelo ótimo trabalho da dupla Coudret/Andersson, e pelo bom refrão. Em “Full Moon Shoals” observamos mais claramente as influências já citadas de Rock Clássico, e não dá para negar que a melodia do refrão remete demais ao trabalho com o The Night Flight Orchestra. Elas também se fazem bem presentes na faixa seguinte, “The Nurturing Glance”, com suas guitarras melodiosas. “When the Universe Spoke” se mostra bem pesada e as guitarras brilham mais uma vez. “Stålfågel” é outra onde o Rock Clássico dá as caras, e conta com a participação de Alissa White-Gluz (Arch Enemy), que sinceramente, poderia ter sido melhor explorada. “The Wolves Are Back in Town” é um tanto quanto previsível e não apresenta nada de novo, enquanto “Witan” se destaca principalmente pelo ótimo refrão. Já “The Ageless Whisper” chama a atenção pelo ótimo trabalho das guitarras. Em “Needles and Kin” temos a ótima participação de Tomi Joutsen (Amorphis), que elevou a canção com seus vocais, e encerrando, “You Aquiver” apresenta bons riffs e um refrão agradável. Vale dizer que a primeira prensagem nacional vem com o EP Underworld de bônus.

Após trabalhar com os ótimos Jens Bogren e David Castillo nas produções dos últimos álbuns, o Soilwork optou por Thomas "PLEC" Johansson (Dynazty, Borealis, Nocturnal Rites, The Night Flight Orchestra), que já havia feito a masterização da compilação Death Resonance (16), para fazer o trabalho em Verkligheten. O resultado é bom, não dá para negar, mas sinceramente achei um pouco inferior às duas últimas. Já a belíssima capa, foi obra de Valnoir (Amorphis, Behemoth, Orphaned Land, Paradise Lost), sendo que a versão em digipack possui uma capa alternativa. Mostrando sinais de desgaste de sua fórmula, mas deixando claro que não pretende se acomodar, já que a busca por soluções fica clara, o Soilwork se saiu bem na espinhosa missão de lançar um álbum que não deixasse o nível dos últimos lançamentos despencar. Se você é fã da banda, pode comprar sem medo.

NOTA: 79

Soilwork é:
- Björn "Speed" Strid (vocal);
- Sven Karlsson (teclado);
- Sylvain Coudret (guitarra);
- David Andersson (guitarra);
- Bastian Thusgaard (bateria).

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

OOMPH! - Ritual (2019)


OOMPH! - Ritual (2019)
(Napalm Records – Importado)


01. Tausend Mann und ein Befehl
02. Achtung! Achtung!
03. Kein Liebeslied
04. Trümmerkinder
05. Europa (feat. Chris Harms / Lord of the Lost)
06. In Namen des Vaters
07. Das Schweigen der Lämmer
08. TRRR - FCKN – HTLR
09. Phönix aus der Asche
10. Lass' die Beute frei
11. Seine Seele – Uma balada escura
12. In der Stille der Nacht (Bonus Track)   
13. Lazarus (Bonus Track)        
14. TRRR - FCKN - HTLR (Lord Of The Lost Remix) (Bonus Track)

É bem provável que muitos dos leitores do A Música Continua a Mesma desconheçam os alemães do OOMPH!, o que sinceramente é uma pena. Surgido na cidade de Wolfsburg no ano de 1989, o trio formado por Dero (vocal e bateria), Flux (guitarra e sampling) e Crap (guitarra e teclados), é um dos pioneiros do NDH (Neue Deutsche Härte), uma derivação do Metal Industrial que tem hoje como seu principal expoente os também alemães do Rammstein. Então não se equivoque, o OOMPH! não é um clone deste, justamente ao contrário, pois, é uma influência assumida do grupo capitaneado por Till Lindemann.

Sendo sincero, nunca achei a música do OOMPH! simples de se rotular, e talvez rótulos não caibam na mesma. Sua sonoridade é muito ampla, mesclando elementos de Metal Industrial, EBM, Hard Rock, Metal Alternativo, Gothic e Dark Metal, tanto que já observei pessoas os colocando em diversas dessas prateleiras. O que sei é que disso, nasce uma música pesada e que equilibra muito bem agressividade, melancolia e escuridão. Caso esteja no grupo dos que desconhecem a obra da banda, escutar álbuns como Sperm (94), Defekt (95), Plastik (99), Ego (01), Wahrheit oder Pflicht (04), Monster (08) e XXV (15) podem ajudar a dar um panorama a respeito de sua carreira.


Completando 30 anos em 2019, o OOMPH! chega ao seu 13º álbum de estúdio, e Ritual foi vendido em entrevistas como sendo o trabalho mais pesado, agressivo e sombrio da banda em muito tempo. Sempre duvido de material de divulgação, mas não dá para negar que essas 3 características aparecem com sobras durante 11 canções aqui presentes. Os vocais de Dero estão ótimos, e imprimem agressividade quando necessários – e não dá para negar que o idioma alemão ajuda muito nisso –, enquanto as guitarras soam bem densas, despejando bons riffs e com um ótimo groove. Tudo isso é enriquecido com arranjos eletrônicos de qualidade e passagens orquestrais muito bem-feitas pelos teclados.

“Tausend Mann und ein Befehl” é uma ótima faixa de abertura, com seus riffs explosivos, seu peso e vocais ameaçadores. “Achtung! Achtung!” é sombria e cativante, possuindo melodias agradáveis.  “Kein Liebeslied” tem uma pegada gótica e se destaca pelos ótimos riffs, groove e pelas mudanças de andamento. Além disso, tem um refrão simplesmente grudento. “Trümmerkinder” é um Metal Industrial de clima opressivo e com bom trabalho de guitarras, tendo em sua sequência a sinistra “Europa”, que é enriquecida pela participação de Chris Harms, do Lord of the Lost. Pense em uma canção dançante e pesada. Essa é “In Namen des Vaters”, com bons elementos góticos e que cativa com uma facilidade absurda.

 

Na segunda metade do álbum, temos a forte “Das Schweigen der Lämmer” (em português, O Silêncio dos Inocentes), com um clima sinistro e uma letra pesada, que trata do abuso sexual na Igreja. “TRRR - FCKN – HTLR” abusa do EBM e do Industrial, e possuiu uma estranheza agradável, além de uma ótimo refrão. É uma ode a liberdade de expressão, uma crítica a censura no meio artístico – da qual o OOMPH! já foi vítima – e as crescentes tendências antidemocráticas pelo mundo. “Phönix aus der Asche” tem peso, cadência e boas melodias, sendo seguida pela ótima e nervosa “Lass' die Beute frei”, outro dos pontos altos de Ritual. Encerrando, temos a escura “Seine Seele”. Nas versões Digital, Digipack, Vinil e Box Set, tempos 3 ótimas faixas bônus, “In der Stille der Nacht”, “Lazarus” e uma versão remixada pelo Lord of the Lost para “TRRR - FCKN – HTLR”.

Gravado e produzido pela própria banda em seu estúdio, Ritual tem a qualidade sonora que esperamos de um trabalho do OOMPH!. Os termos reinvenção e continuidade, por mais contraditórios que possam soar, se encaixam bem aqui. Mostrando a criatividade que sempre marcou sua história, não chegarei ao ponto de afirmar que lançaram seu melhor álbum (até porque isso não seria verdadeiro), mas digo sem medo que é seu trabalho mais maduro em 3 décadas de carreira. Pesado, cativante, enérgico, sombrio, mas acima de tudo, divertido! Esse é Ritual, um CD que vai cair bem na coleção de qualquer amante de vertentes mais modernas da música pesada.

NOTA: 81

OOMPH! é:
- Dero (vocal e bateria);
- Flux (guitarra e sampling);
- Crap (guitarra e teclados);

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