quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Lavage - Zombie Walk (2016)


Lavage - Zombie Walk (2016)
(Independente - Nacional)


01. Insustentável
02. Cascalho
03. Viver no Brasil
04. Dez
05. Decadência
06. Zombie Walk
07. Degeneração
08. No Longer
09. Desintegração da Morte
10. Radiola

O cenário nordestino talvez seja o mais rico da atualidade, em matéria de qualidade. A quantidade de bandas que surgem por aqueles lados, esbanjando qualidade, é algo que impressiona qualquer um. Isso denota não só talento para fazer música de qualidade, como também organização. O Lavage já é um nome veterano da cena nordestina, estando na estrada desde 2003, tendo lançado 5 álbuns de estúdio nunca mostrando medo de fazer o que acredita.

Sua música tem como base o Punk Rock naquela linha adotada nos anos 70 e que influenciou muitas bandas do dito Rock Brasil na década de 80. A isso, eles adicionam doses de estilos como Indie Rock, Rockabilly e até mesmo daquela “música brega” tipicamente nordestina. Imagine uma mistura de Sex Pistols, Camisa de Vênus, The Strokes e Elvis Presley. Essa talvez seja uma boa forma de enxergar o que faz o Lavage. O resultado final disso é uma música enérgica, simples e acima de tudo, muito honesta e divertida.


Com músicas sem floreios, diretas, retas e que vão direto ao ponto, esse é um álbum que certamente vai agradar quem gosta de boa música. São 10 faixas que passam em um piscar de olhos e que te fazem deixar o CD no repeat por algum tempo. A homogeneidade dá o tom aqui e não existem canções descartáveis, mas entre minhas preferidas, aponto “Cascalho”, que apesar de bem crua, tem algo daquele Rock feito no Brasil durante os anos 80 e que dá certa acessibilidade à mesma, a empolgante “Viver no Brasil”, “Zombie Walk”, um Rockabilly dos bons, a alternativa “No Lounger” e o Punk brega “Radiola”.

Gravado no Estúdio Ruído 111, em Fortaleza/CE, Zombie Walk também se destaca pela produção, que ficou a cargo da banda e de Paulo Eduardo, que também foi o responsável pela mixagem e masterização do trabalho. A forma como conseguiram deixar tudo bem claro, mas sem abrir mão da sujeira e da crueza necessárias ao estilo foi muito legal. Já a capa, obra de Guabiras, é uma crítica divertida ao momento atual do país, com suas passeatas/micaretas de protesto. Reparem as referências a diversos ícones da cultura pop atual que, por sinal, são figuras bem presentes em tais passeatas. Só senti falta de um encarte com as letras, pois as mesmas são bem divertidas, críticas e irônicas.

Divertido, crítico e honesto, Zombie Walk é daqueles álbuns cuja audição se dá com facilidade e que ainda faz você lamentar que ele tenha chegado ao final. Um dos trabalhos mais divertidos que escutei nesse ano de 2016.

NOTA: 8,0

Lavage é:
- Bruno Andrade (vocal)
- Glenio Mesquita (guitarra/backing vocal)
- Everardo Maia (guitarra)
- Rafael Maia (baixo)
- Rogério Ramos (bateria)

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Heryn Dae - Heryn Dae (2016)


Heryn Dae - Heryn Dae (2016)
(Roadie Metal - Nacional)


01. March to Die
02. Final Fantasy
03. Heryn Dae
04. Death
05. Shadow´s Prologue
06. Lucy
07. Kings of The Anarchy
08. Evil Fortress

O Sul do Brasil sempre gerou ótimas bandas em todas as vertentes do Metal. Surgida na cidade de São Francisco do Sul/SC, a Heryn Dae é mais um nome a vir daquelas paragens e, apesar do seu pouco tempo de estrada, resolveram soltar sem muita demora seu trabalho de estreia, que leva o nome da banda. Aos curiosos, o nome da banda significa “Dama das Sombras” e tem inspiração em J.R.R.Tolkien, já que foi retirado do idioma élfico.

Tolkien? Idioma élfico? O leitor mais astuto já deve imaginar que estamos diante de mais uma formação que aposta suas fichas no Power Metal e em letras fantasiosas, que se enveredam pelo mundo mágico criado pelo escritor britânico. Pois bem, você errou. O estilo aqui adotado é o metal Tradicional, com influências mais latentes de Iron Maiden, Savatage, Dio e o Black Sabbath da fase Heaven and Hell, mas com uma dose extra de peso e agressividade. As letras, excetuando-se a de “Final Fantasy”, que fala do jogo de mesmo nome, versam sobre paganismo e críticas à Igreja Católica (o que de certa forma não deixa de ser clichê).

O problema é que as vezes as influências ficam latentes demais. Em diversos momentos durante a audição do debut, você se pega pensando que já escutou aquilo antes. É o preço que se paga pelo pouco tempo de maturação da sua música, algo que tem se tornado muito comum no cenário metálico nacional. A banda surge, começa a compor músicas próprias, e antes mesmo de dar uma identidade maior à sua sonoridade, já solta um trabalho de estreia. Particularmente, considero isso um equívoco, mas cada um escolhe o rumo que deseja.

Ainda assim, apesar desses pormenores, o Heryn Dae mostra qualidade e muito potencial futuro. Obstante a falta de originalidade, conseguem impôr um clima épico a sua música, além de criar boas melodias e refrões que pegam com facilidade o ouvinte. Também conseguem dar boa variedade às canções, já que alternam momentos mais velozes com outros mais cadenciados. Dentre as 8 canções aqui presentes, destaco “Heryn Dae”, que te faz lembrar de Dio e Black Sabbath (fase Heaven and Hell) e que, além do bom refrão, possui um bom desempenho da dupla baixo/bateria, “Shadow’s Prologue”, mais cadenciada, densa e pesada e principalmente “Kings of The Anarchy”, onde mostram seu lado mais agressivo e se saem muitíssimo bem.


Em matéria de produção, é comum ainda hoje escutarmos lamentos de bandas, dizendo o quanto é difícil fazer uma boa produção, que falta dinheiro, etc e tal. Sinto lhes dizer, mas difícil era produzir nos anos 80 e 90, até mesmo no início dos 2000. Hoje em dia possuímos produtores de ponta e estúdios com equipamentos de qualidade. A prova disso são os ótimos trabalhos que temos escutado vindos de bandas nacionais. Falta dinheiro? Então não se apresse em lançar seu material, e com calma, invista em uma boa produção. É isso que separa os adultos das crianças nos dias de hoje. O cenário anda inflacionado, temos dezenas de lançamentos saindo todos os dias mundo afora e o público anda cada vez mais seletivo, então ou você se destaca de cara ou corre o risco de cair no esquecimento.

Todo esse mimimi da minha parte é pra dizer que o Heryn Dae deu uma vacilada no quesito produção. Crua em excesso, soa um pouco abafada em alguns momentos, o que acaba prejudicando sim o resultado final. Ok, passa longe de ser um desastre, mas faz com que as músicas percam um pouco de energia. A sorte é que a dose de agressividade que colocam em sua música ajudam a compensar esse fato. Já a capa e a arte do encarte foram obras de Marcelo Nespoli e ficaram muito boas, conseguindo transpor para as mesmas todo o conteúdo lírico do trabalho.

Ao final, se por um lado o Heryn Dae não apresenta nada de novo e ainda se utiliza dos clichês do estilo, por outro mostra um potencial muito grande de crescimento, algo que fica evidente não só em sua capacidade de forjar boas melodias, como também de forjar refrões marcantes. Não são lá tarefas muito fáceis. Agora é caprichar um pouco mais na produção, já que o tempo e a estrada se encarregarão do resto.

NOTA: 7,5

Heryn Dae é:
- Victor Moura (Vocal)
- Juliano Bianchi (Guitarra)
- Ricardo Bach (Baixo)
- Cristiano Pereira (Bateria)

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Dolores Dolores - ID Superpower (2014)


Dolores Dolores - ID Superpower (2014)
(Independente - Nacional)


01. Infant Sorrow (Prelude)
02. Confused
03. Behind The Hills
04. Crystal Ball
05. Perfect Man
06. Nothing To Lose
07. Waiting For A Train
08. Mama Technology
09. I Was Wrong
10. In Spite Of Me
11. Time To Confess
12. Dramatic Lover
13. Infant Sorrow

Aqui em Minas, costumamos dizer que “pelo andar da carruagem, a gente sabe quem vem dentro”. Adaptando a ideia básica do ditado para música, poderíamos dizer que “quando a banda é mineira, a gente sabe que vem música de qualidade.”. Esse é o caso do Dolores Dolores, que lançou em 2014 seu segundo trabalho, ID Superpower, um álbum que acima de tudo, prima pela diversidade musical e por ser agradabilíssimo de se ouvir.

Podemos dizer que a base da sonoridade dos mineiros está no Hard Rock, mas a isso são agregadas outras influências, principalmente de Prog, Classic Rock, Blues, Southern e algo de Pop. É justamente essa liberdade que a banda se dá, de trafegar entre estilos, que dá um belo diferencial a sua música e faz você querer ficar ouvindo o Cd sem parar. Os vocais de Wille Muriel são agradabilíssimos de se escutar, enquanto a guitarra de Humberto Maldonado é responsável por algumas melodias simplesmente grudentas, além de bons riffs e solos muito bem encaixados e sem exageros. Já a parte rítmica, com o baixista Rodrigo Cordeiro e o baterista Alessandro Bagni, se destaca pela técnica e pela variedade que imprime às canções.


Os destaques aqui são muitos. Seguindo uma linha mais direta, podemos apontar o hardão “Confused”, que transborda energia e “Dramatic Lover”, com um riff daqueles bem grudentos. O Hard também dá as caras em faixas como “Crystal Ball” e “Perfect Man”, mas com boas doses de Classic Rock agregadas. As influências de Prog surgem nas boas “Nothing To Lose” em “Mama Technology”, aqui mescladas com Blues (sim, com Blues!!!) e na cadenciada e pesada “I Was Wrong”. O lado mais Southern surge nas guitarras e violões de “Waiting For A Train”, que tem um refrão muito agradável. Já “Behind The Hills” tem uma pegada mais introspectiva e bom toque de acessibilidade.

Gravado no Studio Solo (Belo Horizonte/MG), o trabalho teve produção do guitarrista Humberto Maldonado, com mixagem e masterização realizadas por Rodrigo Aires Grilo. O resultado final foi excelente, deixando tudo claro, 100% audível, mas sem perder o peso necessário e nem plastificado demais, como vemos em muitas produções atuais. O encarte é o único ponto negativo aqui, já que é absurdamente simples, contando apenas com as fotos dos membros e sem as letras. Apesar disso, a capa é bem interessante e vale a pena passar um tempo observando a mesma.

Variado, diversificado e sem soar forçado, o Dolores Dolores é responsável por um trabalho agradável de se escutar, desses que você sequer nota o tempo passar durante a audição. No momento, se encontram em estúdio gravando o sucessor de ID Superpower, então só nos cabe aguardar  e esperar que o mesmo venha tão tão bom ou melhor que o mesmo.

NOTA: 8,0

Dolores Dolores é:
- Wille Muriel (vocal);
- Humberto Maldonado (guitarra);
- Rodrigo Cordeiro (baixo);
- Alessandro Bagni (bateria).

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Rigor Mortis BR - The One Who... (2016)


Rigor Mortis BR - The One Who... (2016)
(Sangue Frio Produções/The Metal Vox/Heavy Metal Rock/Terceiro Mundo Chaos/Death Productions/Violent Records/Odicelaf/Old Grindered Days/Holocaust Records/Rising Hell Records)


01. Intro
02. Dialeto de Morto
03. Psychotropic Illness
04. Human Flesh Juice
05. Medieval Impalament
06. Find Body Parts Toy
07. Febrônio Índio do Brazil
08. Interlúdio
09. Raw Meat Sugar
10. The One Who…

Que as dificuldades são muitas para quem possui uma banda de Metal no Brasil, não é mistério para  ninguém. Mas nos anos 80/90, isso era ainda pior. Os gaúchos do Rigor Mortis BR são a prova disso. Surgida em 1992, através das mãos do guitarrista Alexandre Rigor, soltaram 3 demos, mas as dificuldades financeiras e a falta de apoio fizeram com que parassem suas atividades no final dos anos 90, com o guitarrista inclusive indo embora do Brasil. Com seu retorno ao país, começou a buscar os músicos que considerava ideais para remontar a banda e após alguns anos de procura, a mesma se findou com a formação que gravou The One Who…, o tão esperado trabalho de estreia.

E bem, basta uma olhada no nome da banda, na capa e no título das músicas para descobrir o que encontraremos aqui. Death Metal brutal, podre, agressivo e com temática Gore. A sonoridade é exatamente aquela que esperamos, ou seja, mais Old School, bem técnica e centrada no que era feito durante os anos 90, na medida para fãs de delicadezas como Dying Fetus, Suffocation, Severe Torture, Aborted, Cryptopsy (antigo) e Cannibal Corpse. O quarteto formado por Leafar Sagrav (vocal), Alexandre Rigor (guitarra), Christian Peixoto (baixo) e Rubens Potrich (bateria, posto atualmente ocupado por Ricardo Borges Chiarello) não alivia um minuto sequer.

Apesar das similaridades, sua música em momento algum soa como cópia de qualquer um dos nomes citados acima, já que o Rigor Mortis BR consegue imprimir sua identidade em cada uma das faixas aqui presentes. Os vocais de Leafar Sagrav possuem boa variedade, indo do gutural ao mais rasgado em alguns momentos, evitando assim que soem cansativos. Alexandre se mostra um guitarrista afiadíssimo, com riffs brutais e fortes, enquanto Christian Peixoto e Rubens Potrich formam uma parte rítmica brutal, técnica e muito pesada.


A solidez dá o tom das composições, sem grandes variações de qualidade. Excetuando-se as duas breves introduções, são 8 verdadeiros hinos à podridão, diretos, sem enrolação e verdadeiras odes ao ódio. Eu apontaria como destaques aqui a destruidora e caótica “Psychotropic Illness”, com vocais variados de Leafar e belo trabalho de Alexandre, a técnica e insana “Human Flesh Juice”, onde o maior destaque fica para a dupla Christian e Rubens, a brutal “Medieval Impalament” e a direta e impiedosa “Raw Meat Sugar”.

A produção, mesmo não sendo brilhante, ficou em um bom nível, se encaixando perfeitamente na proposta da banda. Com clareza suficiente para escutarmos todos os instrumentos, boa timbragem, mas com uma dose necessária de sujeira e crueza. Vale destacar que o trabalho está sendo lançado por uma união de selos do nosso underground, uma iniciativa muito legal e que permitiu finalmente aos gaúchos terem seu debut.

Com um trabalho feito sob medida para os apreciadores de uma bela “podreira”, o Rigor Mortis BR mostra a que veio. Nos resta torcer para que tirem o atraso de anos logo, não demorando muito para nos presentear com seu próximo trabalho.

NOTA: 8,0

Rigor Mortis BR é:
- Leafar Sagrav (vocal);
- Alexandre Rigor (guitarra);
- Christian Peixoto (baixo);
- Ricardo Chiarello (bateria).

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Vociferatus - Mortenkult (2016)


Vociferatus - Mortenkult (2016)
(Eternal Hatred Records - Nacional)


01. Eloi, Eloi, lama sabachthani (Instrumental)
02. Blood Runs over Bayt Lahm    
03. The New Opposition    
04. Storms Are Mine    
05. Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo (Instrumental)
06. Mortenkult    
07. Chaos Legions Battlefront   
08. Where Hope Dies   
09. Amenti

Que o brasileiro tem o dom para vertentes mais extremas do Metal, isso ninguém discute. Mesmo assim, muitas vezes me surpreendo com a qualidade de algumas bandas que surgem por aqui. Oriundo do Rio de Janeiro, o Vociferatus surgiu no ano de 2008 e já havia lançado em 2011 o EP Blessed by the Hands of Flames, onde mostravam um bom potencial de crescimento. Ainda assim, o mesmo não poderia nos preparar para o que encontramos em Mortenkult, seu álbum de estreia.

Trafegando entre o Death e o Black Metal, o Vociferatus mostra uma evolução monstruosa, apresentando uma sonoridade agressiva, brutal e acima de tudo variada. Sua sonoridade é enriquecida por elementos orquestrais e por um lado Folk que surge em alguns momentos, com a inclusão de percussão, tanto brasileira como oriental, que são cuidadosamente encaixadas para não soarem deslocadas ou exageradas, agregando positivamente ao brilhante resultado final. Mas em momento algum o quinteto formado por Pedrito Hildebrando (vocal), Luiz Mallet (guitarra), Filipe Lima (guitarra), Lucas Zandomingo (baixo) e Augusto Taboransky (bateria) abre mão da velocidade e da rispidez. É porrada do início ao fim, e melhor, com uma cara própria.

Pedrito se mostra um vocalista extremamente variado, sendo um dos destaques do Mortenkult. Sem dúvida, uma das principais vozes do cenário Death nacional. Já Luiz e Lucas estão afiadíssimos nas guitarras, despejando uma variedade absurda de riffs e conseguindo encaixar ótimos solos. Já Lucas e Augusto mostram uma técnica absurda e imprimem muito peso à música do Vociferatus. Além disso, temos uma série de participações especiais. 


Tal, vocalista da banda de Black canadense Cryptik Howling participa de “The New Opposition”. Na parte de percussão (que foi toda elaborada por Thiago di Sabbato da Bangalafumenga), tivemos as participações de Santiago Galdino, Leonardo Dias (brasileira) e Arthur Kauffman (oriental), enquanto os arranjos orquestrais ficaram a cargo de Jon Marques e Luiz Freitag (Empürios). A cítara, que surge muito bem encaixada em alguns momentos, foi responsabilidade de Sandro Shankara, enquanto o piano ficou a cargo de Bruno Sá (Allegro). A voz feminina que surge em “Mortenkult” pertence a Natalia Espinosa e os coros contam com a participação de Thiago Pereira (Solifvgae), Renan Brito (Espera XIII, Spreading Hate), Eduardo Ayres (Spreading Hate), Rodolfo Ferreira (DarkTower), Flávio Gonçalves (DarkTower) e Bruno Valente (ex-DarkTower).

Das 9 canções aqui presentes, “Eloi, Eloi, lama sabachthani” é uma introdução e “Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo” é uma instrumental percussiva com foco na música do Oriente Médio. Sendo assim, sobram 7 canções simplesmente destruidoras e empolgantes. “Blood Runs over Bayt Lahm” é nervosa e brutal, com destaque para seus ótimos riffs e um belo trabalho da parte rítmica. “The New Opposition” vem em seguida, com seu refrão marcante, participação de Tal e ótimas inclusões de cítara e percussão. Já “Storms Are Mine” se mostra muito variada, com uma avalanche de bons riffs e orquestrações que se destacam. Já “Mortenkult” se mostra simplesmente brutal e conta com ótimos trechos percussivos e vocal feminino. Minha preferida aqui. “Chaos Legions Battlefront” é a mais curta das músicas aqui presentes e pende para o Black Metal. Já “Where Hope Dies” é a “diferentona” do álbum. Mais cadenciada, tem uma pegada bem soturna e introspectiva, com direito a guitarras limpas, piano e ótimas melodias. Tem muito de Post-Black Metal e poderia estar tranquilamente em um álbum do Deafheaven ou do Lantlôs. Simplesmente ótima. “Amenti” encerra os trabalhos mantendo o nível lá no alto, com destaque para o belo trabalho da parte rítmica.

A produção é outro destaque, tendo ficado a cargo de Jon Marques e Luiz Freitag, que também cuidaram da mixagem. Já a masterização foi feita na Grécia, pelo ex-Rotting Christ Giorgos Bokos. O resultado final não poderia ser melhor, já que apesar do refinamento e da clareza, o peso, a agressividade e a rispidez se mantiveram presentes. A bela capa é mais uma obra do já renomado Marcelo Vasco.

Confirmando todo o potencial demonstrado anos atrás e fugindo do lugar-comum através da inserção de elementos percussivos brasileiros e orientais, o Vociferatus lançou um dos trabalhos mais legais de Death Metal desse ano de 2016, não só no Brasil, mas a nível mundial. É a comprovação de que o Brasil tem sim, bandas tão boas ou até superiores às que escutamos lá fora. Simplesmente obrigatório.

NOTA : 9,0

Vociferatus é:
Pedrito Hildebrando (vocal);
Luiz Mallet (guitarra);
Filipe Lima (guitarra);
Lucas Zandomingo (baixo);
Augusto Taboransky (bateria).

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Fallen Idol - Seasons of Grief (2016)


Fallen Idol - Seasons of Grief (2016)
(Independente - Nacional)


01. Seasons of Grief
02. Nobody's Life
03. Unceasing Guilt
04. Heading For Extinction
05. The Boy and the Sea
06. Worsheep Me
07. Satan's Crucifixion

Parece que existe uma lei que obriga todas as bandas a darem um espaço de 2 ou 3 anos entre um lançamento e outro. E se estivermos falando de um dos gigantes do estilo, a mesma lei deve estipular um prazo mínimo de 4 anos. Sendo assim, é gratificante quando nos deparamos com uma banda que foge desse esquema, como no caso do Fallen Idol. Ano passado lançaram seu debut autointitulado (resenha aqui) e cerca de 1 ano depois, já nos entregam Seasons of Grief, seu sucessor.

Se você teve a oportunidade de conhecer a música do Fallen Idol, já sabe o que vai encontrar aqui, mas caso nunca tenha tido contato, saiba que irá se deparar com um Heavy/Doom da melhor qualidade, na linha de nomes como Candlemass e Trouble e que, como não poderia deixar de ser nesse caso, não nega as influências de certo quarteto de Birmingham que estão implícitas até mesmo nos nomes anteriormente citados. E se preparem, pois se o debut já tinha impressionado, o que vemos aqui é aquele passo além que é esperado de um segundo trabalho. Incrível como a banda amadureceu sua música nesse curto espaço de tempo, já que a mesma se mostra muito mais coesa e diversificada. O clima sombrio e melancólico se mantém presente, mas a energia parece ter sido duplicada e as canções estão ainda mais fortes e marcantes, além de possuírem melodias que te pegam com facilidade.

Eu por exemplo, na primeira audição do cd, já estava cantarolando “Unceasing Guilt” quando a mesma ainda estava pela metade. Rodrigo Sitta, além de se mostrar um vocalista perfeito para o estilo da banda, executa um ótimo trabalho de guitarras, despejando alguns riffs realmente marcantes e fazendo alguns ótimos solos, como em “Nobody's Life” e na já citada “Unceasing Guilt”. Já na parte rítmica, o baixista Márcio Silva consegue imprimir grande peso às músicas, enquanto o baterista Ulisses Campos mostra bastante técnica e dá bastante diversidade ao trabalho, evitando assim que o álbum soe maçante.


Chamou-me muito a atenção o fato de Seasons of Grief ser um trabalho deveras heterogêneo. Aqui não rola de ter uma faixa muito boa e a seguinte dar uma caída, já que todas são de grande qualidade. Pegue por exemplo, a abertura, com a pesada e cadenciada faixa título, com sua linha vocal bem marcante e verá que a seguinte, “Nobody's Life”, não perde nada se comparada a ela. E assim vamos seguindo, faixa a faixa. Mas claro que música não é uma ciência exata e todo mundo tem suas preferidas. Eu poderia, por exemplo, citar “Heading For Extinction”, enérgica, forte e que remeteu em alguns momentos ao Memento Mori, banda de Messiah Marcolin pós-Candlemass. “The Boy and the Sea”, com um climão sabbathico e  “Worsheep Me” são outras duas que valem a pena citar.

Outro quesito que merece ser mencionado na evolução do Fallen Idol é a produção. Gravado e produzido por André Marques, no Overdrive Estúdio/SP, o resultado se mostra superior ao que escutamos no debut. Embalado em um digipack caprichado, Seasons of Grief teve capa e design feitos por Tales Oliveira, com ótimos resultados. Vale destacar também que o álbum é dedicado ao saudoso Alex Rangel, vocalista do Attomica e que infelizmente faleceu ano passado. Por sinal, a faixa que encerra o trabalho, “Satan's Crucifixion”, iria fazer parte de um projeto dos músicos do Fallen Idol com Alex.

Com canções densas, pesadas, cadenciadas e energia de sobra, o Fallen Idol passa com folga pela prova de fogo do segundo álbum, se credenciando a logo estar no primeiro time do Metal nacional. É só manter esse ritmo e essa qualidade. Se sua praia é aquele Heavy/Doom mais de raiz, Seasons of Grief é obrigatório na sua discografia.

NOTA: 8,5

Fallen Idol é:
- Rodrigo Sitta (vocal/guitarra);
- Márcio Silva (baixo);
- Ulisses Campos (bateria).

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Gamma Ray - Insanity and Genius (Anniversary Edition) (1993/2016)


Gamma Ray - Insanity and Genius (Anniversary Edition) (1993/2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


CD1 – Studio album
01. Tribute To The Past
02. No Return
03. Last Before The Storm
04. The Cave Principle
05. Future Madhouse
06. Gamma Ray
07. Insanity And Genius
08. 18 Years
09. Your Tørn Is Over
10. Heal Me
11. Brothers

CD2 – Bonus CD
01. Valley Of The Kings (Live At Chameleon Studios 2016)
02. Heaven Can Wait (Live At Chameleon Studios 2016)
03. Gamma Ray (Extended Version)
04. Money (Demo with Ralf Scheepers)
05. Silence (Demo with Ralf Scheepers)
06. Sail On (Demo with Ralf Scheepers)
07. Space Eater (Rough Mix Horus studio)
08. Exciter (Judas Priest Cover)

E vamos a mais um lançamento em comemoração aos 25 anos de carreira do Gamma Ray. O período entre fevereiro de 1990 e outubro de 1993 foi profícuo para Kai Hansen e sua banda, já que nesse meio tempo lançou 3 álbuns de estúdio e 2 trabalhos ao vivo, algo impressionante se pensarmos que nos dias atuais esse é o intervalo médio entre álbuns de qualquer banda grande ou média do cenário atual.

Lançado oficialmente no dia 24 de outubro de 1993, pela lendária Noise (e ganhando uma versão nacional através da Rock Brigade Records), Insanity and Genius é o último álbum dessa trilogia inicial dos alemães e marca o fim da 1ª fase do Gamma Ray, já que além de ser o último trabalho de estúdio a contar com Ralf Scheepers nos vocais, também serviu para estabelecer as bases para os clássicos álbuns futuros que estavam por vir. Já ouvi muitos se referirem ao mesmo como um trabalho fraco, mas discordo profundamente de tal fala.

Assim como seu antecessor, Insanity não é um álbum de Power Metal puro, já que possui boa dose de influência de Heavy Metal Tradicional e isso parece ter incomodado alguns fãs. Só assim para dizer que um trabalho com canções do porte de “Tribute To The Past”, “Last Before The Storm” e “Heal Me” é fraco. Além disso, Ralf tem seu melhor desempenho em um álbum do Gamma Ray, variando muito bem seus vocais e o trabalho de guitarras da dupla formada por Kai e Dirk Schlächter é simplesmente incrível. Fora isso, a parte rítmica, que aqui estreava em estúdio, com Jan Rubach (baixo) e Thomas Nack (bateria) mostra uma coesão e consistência absurdas. Em suma, um trabalho que se não apresentou nada de muito novo, mostrou bastante solidez.


Mesmo com a já citada influência de Metal Tradicional, os apreciadores de um bom Power/Speed Metal Melódico encontrarão momentos preciosos aqui. “Tribute To The Past”, faixa de abertura, se mostra rápida e furiosa, com um desempenho brilhante de Ralf, guitarras melódicas e um belo desempenho de Thomas. É também uma das faixas mais pesadas já compostas pelo Gamma Ray. Ah, e claro, o refrão é daqueles bem grudentos. Simplesmente clássica. Outra que entra no hall dos clássicos é a poderosa e cativante “Last Before The Storm”, um ótimo Power Metal, com riffs marcantes, desempenho primoroso de Scheepers e um solo para lá de interessante.  Outros dois destaques indeléveis são “Insanity And Genius”, bem variada e complexa e com vocais bem diversificados e “Heal Me”, uma espécie de “Bohemian Rhapsody” da banda, com forte influência de Queen e de Rock Progressivo.

Já no Cd bônus, temos um material muito interessante e que faz a aquisição valer a pena. De cara, duas regravações atuais de clássicos da banda, para “Valley Of The Kings” e “Heaven Can Wait”, que ficaram muito legais. Em seguida, uma versão estendida para “Gamma Ray”, cover do Birth Control, e que pasmem, é muito superior à versão que entrou no álbum. As demos de “Money”, “Silence” e “Sail On”, com Ralf nos vocais, valem como um belo registro histórico do início da banda, enquanto a versão de “Space Eater” não fica nada devendo à original. Para encerrar, o fantástico cover de “Exciter”, do Judas Priest, presente no tributo de 1996 e onde Ralf mostra que poderia ter substituído Halford na banda sem qualquer problema.

A remasterização pelas mãos de Eike Freese (Dark Age, Deep Purple, Deadlock) no Chameleon Studios, deixou o que já era bom melhor ainda, pois deixou o som ainda mais poderoso, mas sem perder aquele clima da produção original. Seguindo o padrão dos relançamentos, a nova capa foi obra de Hervé Monjeaud (Iron Maiden, Silent Force, Persuader) e ficou bem superior à original. E o encarte, como de praxe, está recheado de informações e fotos do período.

Insanity and Genius fechou com chave de ouro essa primeira fase do Gamma Ray. Se não é o trabalho mais brilhante dos alemães, ainda assim possui grandes momentos e rendeu alguns clássicos para o repertório do grupo, sendo também responsável por manter a trajetória ascendente de Kai Hansen e companhia. Após isso, viria o auge, mas ai já é outra história.

NOTA: 8,0

Gamma Ray (gravação)
- Ralf Scheepers (vocal)
- Kai Hansen (guitarra)
- Dirk Schlächter (guitarra)
- Jan Rubach (baixo)
- Thomas Nack (bateria)

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