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terça-feira, 6 de março de 2018

The Adicts - And it was So! (2017)


The Adicts - And it was So! (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Picture The Scene
02. Fucked Up World
03. Talking Shit
04. If You Want It
05. Gospel According To Me
06. Gimme Something To Do
07. Love Sick Baby
08. And It Was So!
09. Deja Vu
10. I Owe You
11. Wanna Be
12. You’ll Be The Death Of Me

E lá se vão mais de 4 décadas desde que o The Adicts surgiu na Inglaterra, no ano de 1975, com seu visual inspirado nos Droogs do clássico Laranja Mecânica. De lá para cá, são 11 álbuns de estúdio (contando com a regravação de Songs of Praise e esse And it was So!), sempre executando o bom e velho Punk Rock, construindo uma carreira sólida e estável, e pasmem, mantendo praticamente intacta sua formação original, algo raro no meio do Rock como um todo. E como não inventam, apostando sempre no certo quando o assunto é música, os fãs já sabem que podem ficar tranquilos com os lançamentos da banda.

Capitaneado por Monkey (Vocal), Pete Dee (Guitarra) e Kid Dee(Bateria), o que temos em mãos é um álbum simples, enérgico, bem variado e totalmente fiel às raízes do The Adicts. Sem exagero, qualquer das 12 canções aqui presentes poderia estar em álbuns como Songs of Praise (81), Sound of Music (82) ou Smart Alex (85). Os vocais de Monkey soam cáusticos, irônicos, exatamente como esperamos, enquanto a guitarra de Pete não só nos entrega bons riffs, como também ótimas melodias, dessas que cativam o ouvinte. Já a bateria de Kid conduz as canções com muita competência.

A abertura se dá com a forte “Picture The Scene”, sendo seguida pela enérgica “Fucked Up World”, direta como deve ser. Na sequência, “Talking Shit” é dessas canções que divertem, enquanto “If You Want It” não só se destaca pelos ótimos riffs, como também por seu refrão. Encerrando a primeira metade, “Gospel According To Me” se destaca não só por sua força, mas também pelo trabalho de bateria, algo que também pode ser observado em “Gimme Something To Do”.


Abrindo a segunda parte do trabalho, temos “Love Sick Baby”, que é a faixa “diferentona” do álbum, com vibe pós-punk e que teria tocado em qualquer rádio nos anos 80. A mesma é seguida por “And It Was So!”, um típico Punk Rock que vai fazer a alegria dos fãs do estilo, pelo rockão “Deja Vu” e por “I Owe You”, um Punk Rock com ótimas melodias e que remete àquela cena que explodiu no final da 1ª metade dos anos 90 nos Estados Unidos, com Green Day e The Offspring. “Wanna Be” é outro Punk Rock totalmente atemporal, enquanto “You’ll Be The Death Of Me” encerra o álbum de forma quase teatral.

A produção, totalmente condizente com a necessidade da banda, ficou por conta de Pete Dee, enquanto a capa mais uma vez segue o padrão apresentado em toda a sua carreira (tipo, é a capa de Songs of Praise, mas em laranja). Um álbum simples, direto, cativante e acima de tudo divertido, desses que passa em um piscar de olhos e que, ao acabar, você trata de colocar para tocar de novo. Precisa de mais do que isso?

NOTA: 8,8

The Adicts é:
Monkey (Vocal);
Pete Dee (Guitarra);
Kid Dee (Bateria).

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Noise Emission Control – Désordre et Mépris (2016) (EP)


Noise Emission Control – Désordre et Mépris (2016) (EP)
(Independente - Importado)


01. Hurlez
02. L’An Pire
03. Désordre et Mépris
04. Computer
05. Le Style

A França sempre gerou bons nomes quando tratamos de música pesada. E é de lá que vem o Noise Emission Control, surgido no ano de 2006 e contando em sua formação com Fredd Furious (vocal), Dany Gozet (guitarra), Violent Dave (baixo) e Toff Belleverge (bateria). Nesse tempo, lançaram duas demos (em 2006 e 2009) e um álbum de estúdio, que leva o nome da banda, no ano de 2012. E após um hiato de 4 anos, eis que retornam com o EP Désordre et Mépris.

O quarteto aposta em um som direto, reto e carregado de energia, que mescla estilos como Hard Rock, Metal Alternativo, Hardcore e Punk. Não é à toa que definem seu som como High Energy Rock, um rótulo que talvez defina sua música com perfeição. Vocais agressivos, bons riffs, simples, mas funcionais e uma parte rítmica que imprime diversidade às canções fazem parte da receita.


São 5 faixas em menos de 14 minutos, o que faz com que o EP passe em um piscar de olhos. “Hurlez” abre os trabalhos com vocais bem agressivos e boa participação da parte rítmica. É possível detectar pequena influência de Stoner na mesma. Em seguida temos “L’An Pire”, enérgica e que resvala no Punk, além de possuir um refrão muito bom. “Désordre et Mépris” possui um bom groove e uma pegada mais alternativa, se destacando pelo peso. A abordagem Punk volta a dar as caras em “Computer”, única faixa cantada em inglês (as demais são em francês). Rápida e crua, possui riffs bem interessante. O encerramento se dá com “Le Style”, faixa bem sólida, onde se destaca a guitarra.

A produção é outro ponto positivo. A mixagem foi realizada por Phil Reinhalter, no Psykron Studio (Mercyless, Putrid Offal, Kaotoxin), enquanto a masterização ficou a cargo de Fred “Elmobo” Motte (Loudblast, Putrid Offal, ETHS), no Conkrete Studio. O resultado final é uma sonoridade clara, limpa, mas sem exageros, transbordando energia e peso. Já a parte gráfica foi elaborada pela dupla Rémi Delecroix e Cédric Duhez (MyOwnProd) e pela banda. Com um som nervoso, agressivo, direto e carregado de energia, o Noise Emission Control conseguiu forjar boas canções e que vão agradar em cheio a quem curte um som simples, pesado e descompromissado.

NOTA: 8,0

Noise Emission Control é:
- Fredd Furious (vocal);
- Dany Gozet (guitarra);
- Violent Dave (baixo);
- Toff Belleverge (bateria).

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Lavage - Zombie Walk (2016)


Lavage - Zombie Walk (2016)
(Independente - Nacional)


01. Insustentável
02. Cascalho
03. Viver no Brasil
04. Dez
05. Decadência
06. Zombie Walk
07. Degeneração
08. No Longer
09. Desintegração da Morte
10. Radiola

O cenário nordestino talvez seja o mais rico da atualidade, em matéria de qualidade. A quantidade de bandas que surgem por aqueles lados, esbanjando qualidade, é algo que impressiona qualquer um. Isso denota não só talento para fazer música de qualidade, como também organização. O Lavage já é um nome veterano da cena nordestina, estando na estrada desde 2003, tendo lançado 5 álbuns de estúdio nunca mostrando medo de fazer o que acredita.

Sua música tem como base o Punk Rock naquela linha adotada nos anos 70 e que influenciou muitas bandas do dito Rock Brasil na década de 80. A isso, eles adicionam doses de estilos como Indie Rock, Rockabilly e até mesmo daquela “música brega” tipicamente nordestina. Imagine uma mistura de Sex Pistols, Camisa de Vênus, The Strokes e Elvis Presley. Essa talvez seja uma boa forma de enxergar o que faz o Lavage. O resultado final disso é uma música enérgica, simples e acima de tudo, muito honesta e divertida.


Com músicas sem floreios, diretas, retas e que vão direto ao ponto, esse é um álbum que certamente vai agradar quem gosta de boa música. São 10 faixas que passam em um piscar de olhos e que te fazem deixar o CD no repeat por algum tempo. A homogeneidade dá o tom aqui e não existem canções descartáveis, mas entre minhas preferidas, aponto “Cascalho”, que apesar de bem crua, tem algo daquele Rock feito no Brasil durante os anos 80 e que dá certa acessibilidade à mesma, a empolgante “Viver no Brasil”, “Zombie Walk”, um Rockabilly dos bons, a alternativa “No Lounger” e o Punk brega “Radiola”.

Gravado no Estúdio Ruído 111, em Fortaleza/CE, Zombie Walk também se destaca pela produção, que ficou a cargo da banda e de Paulo Eduardo, que também foi o responsável pela mixagem e masterização do trabalho. A forma como conseguiram deixar tudo bem claro, mas sem abrir mão da sujeira e da crueza necessárias ao estilo foi muito legal. Já a capa, obra de Guabiras, é uma crítica divertida ao momento atual do país, com suas passeatas/micaretas de protesto. Reparem as referências a diversos ícones da cultura pop atual que, por sinal, são figuras bem presentes em tais passeatas. Só senti falta de um encarte com as letras, pois as mesmas são bem divertidas, críticas e irônicas.

Divertido, crítico e honesto, Zombie Walk é daqueles álbuns cuja audição se dá com facilidade e que ainda faz você lamentar que ele tenha chegado ao final. Um dos trabalhos mais divertidos que escutei nesse ano de 2016.

NOTA: 8,0

Lavage é:
- Bruno Andrade (vocal)
- Glenio Mesquita (guitarra/backing vocal)
- Everardo Maia (guitarra)
- Rafael Maia (baixo)
- Rogério Ramos (bateria)

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