quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Oldlands – Source of Eternal Darkness (2019)


Oldlands – Source of Eternal Darkness (2019)
(Sangue Frio Records/Diabo Records – Nacional)


01. Prayers for Nothing
02. Rotten Nazarene
03. Field of Victory
04. I Just Want to Die
05. The Real Face of Penury
06. Obscuring My Thoughts
07. The Chosen One
08. Metal Maldito (Escaravelho do Diabo tribute)

Aos que não acompanham com tanta atenção o cenário underground brasileiro, o Oldlands é uma one man band capitaneada por Vox Morbidus (Evilusions, Mortuo, Sadsy, Waking for Darkness, Warmony, Duress Soulles), surgida no ano de 2017, em Curitiba/PR, com a proposta de praticar aquele Black Metal típico da 2ª geração do estilo, que esteve em voga no final dos anos 80 e início dos 90. No mesmo ano, lançou o single “Prayers for Nothing”, que obteve boa repercussão entre os amantes do estilo, e agora nos apresenta seu debut, Source of Eternal Darkness.

É impossível não viajar no tempo durante os poucos mais de 36 minutos de duração do álbum. A própria apresentação do trabalho nos lembra o período citado acima, já que o CD remete ao bom e velho vinil, com direito as 8 músicas separadas em 2 faixas, como se tivéssemos aqui um Lado A e um Lado B. Musicalmente, nada mudou, e nos deparamos com aquele Black Metal cru, odioso e raivoso, com vocais rasgados e ríspidos, riffs gélidos e cortantes, uma parte rítmica coesa, firme, e com poucas variações, além de teclados que quando surgem, criam boas passagens atmosféricas. Mudanças de tempo evitam que as músicas se tornem repetitivas, além de apresentar boa técnica – mas sem exageros –, tudo complementado com algumas melodias bem obscuras. Tudo isso é feito com muita honestidade, energia, e vai agradar em cheio aos apreciadores dessa proposta.


A já conhecida “Prayers for Nothing” abre o álbum, com sua crueza, frieza, e riffs bem diretos. A alternância entre passagens mais cadenciadas e velozes é outra qualidade. “Rotten Nazarene” faz justiça ao nome, e transborda raiva e brutalidade, enquanto “Field of Victory” chama a atenção por seus vocais caóticos. Encerrando o “Lado A”, a ótima “I Just Want to Die”. A segunda metade abre com “The Real Face of Penury” e seus riffs cortantes, sendo seguida pelo interlúdio “Obscuring My Thoughts”. Para encerrar, a ótima e fria “The Chosen One”, outra que se destaca pelos riffs afiadíssimos, além de ter uma influência mais latente de Hardcore, a crua “Metal Maldito”, cover dos mineiros do Escaravelho do Diabo, que foi retirada da coletânea Tributo ao Underground Brasileiro.

A gravação, mixagem e masterização foram realizadas pelo próprio Vox Morbidus, e está exatamente dentro do que se espera para esse tipo de proposta. Crua e suja, mas ainda sim, audível. Vale destacar também que ele foi bem feliz na escolha dos timbres. Já a parte gráfica segue essa mesma linha, e foi muito bem elaborada por Moisés Alves, da Hell Forge Metal Art. Alternando bem passagens um pouco mais cadenciadas com outras mais velozes, e se utilizando muito bem da crueza e de canções diretas, o Oldlands estreia muito bem com um trabalho odioso, detestável, e insociável, como todo bom álbum de Black Metal deveria ser.

NOTA: 83

Oldlands é:
- Vox Morbidus (todos os instrumentos)

Facebook
Bandcamp
Soundcloud
Spotify

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Axecuter - Surrounded by Decay (2019)


Axecuter - Surrounded by Decay (2019)
(VSF Records - Nacional)


01. Surrounded By Decay
02. Rise and Fall
03. Separate Ways
04. Darkness In Bottles
05. Dying Source
06. Collecting Enemies
07. Darwin was Right
08. Metal in Wrong Hands
09. Spend The Dollar
10. Passage Back To Hell

Surgida no ano de 2010, em Curitiba/PR, a Axecuter se tornou com o passar dos anos, uma das principais referências do cenário nacional quando falamos de bandas com aquela pegada mais oitentista, graças a sua mescla de Metal Tradicional, Power/Speed e Thrash Metal. Nesses 9 anos, além do debut, Metal Is Invincible  (13), lançaram alguns EP’s, splits e o ao vivo A Night of Axecution (18), consolidando sua sonoridade, e os levando até o ponto onde se encontram hoje, com o segundo trabalho, Surrounded by Decay. Esse é sem dúvida alguma, seu álbum mais maduro até então, e a prova cabal de que amadurecimento não significa perder suas características, como muitos por aí acreditam.

Todas aquelas características que nos acostumamos a escutar nos lançamentos do Power Trio formado por Danmented (vocal/guitarra), Rascal (baixo) e Verdani (bateria), continuam presentes, transformando sua audição em uma verdadeira viagem aos anos 80. Caso você nunca tenha escutado o Axecuter, vai se deparar com uma mescla daquela sonoridade europeia de nomes como Venom, Kreator, Sodom e Celtic Frost, com aquele som mais típico de bandas americanas e canadenses do período, como o Razor, Exciter, Cirith Ungol e Manilla Road – a banda já contou com participações especiais de nomes como o saudoso Mark Shelton, Mantas e Tony Dolan em trabalhos anteriores –, só que dessa vez acrescido, de uma dose de boas melodias, oriundas de grupos como Grave Digger e Running Wild.


Após a ótima instrumental “Surrounded By Decay”, temos a diversificada Rise and Fall, com seus bons riffs, ótimo trabalho de baixo, e um pé bem fincado naquela sonoridade germânica típica do Sodom e do Kreator. “Separate Ways” tem uma pegada mais Heavy/Speed, se mostrando bem variada e destacando o trabalho de Verdani, a rápida “Darkness In Bottles” tem algo de Kreator, graças aos vocais de Danmented e “Dying Source”, apesar da fúria presente nos riffs, apresenta um solo bem melódico, e muito bom. O Thrash surge com toda a sua força em “Collecting Enemies”, uma dessas canções moldadas para quebrar pescoços, sendo seguida pela pesada “Darwin was Right”, com um ótimo refrão. A ótima e cadenciada “Metal in Wrong Hands” é outra com refrão de fácil assimilação; “Spend The Dollar” se mostra bem direta, e encerrando o trabalho, temos a épica e diversificada “Passage Back To Hell”.

A produção de Ivan Pellicciotti (Vulcano, Surra, Great Vast Forest, Chemical Disaster) é a prova que sim, existem formas de aliar uma produção com uma pegada oitentista e orgânica, com a clareza das produções atuiais. A capa – reparem na alfinetada dada não só nas fases atuais de bandas clássicas, como no momento atual de nosso cenário –, foi uma obra conjunta de Marcio Aranha (Blasthrash, Heritage, Woslom) e Paulo Kalvo, como o encarte sendo elaborado por Thiago Boller (Em Ruínas, Vingança Suprema, Abatter). Mantendo a sinceridade e a paixão de sempre pelo Metal oitentista, e evoluindo, mas sem abrir mão um milímetro sequer de suas convicções, o Axecuter se mostra em seu melhor momento, sendo responsável por um dos principais lançamentos do Metal Nacional nesse ano de 2019. Imperdível!

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

Facebook
Bandcamp
YouTube

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)


Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)
(Die Hard - Nacional)


01. Origami
02. I a.m. Living
03. Rooster Race
04. Daily View
05. Water Birds
06. Keep Trying
07. The Seed
08. Far West
09. Across The River
10. Penitência
11. Hijos de La Tierra
12. Trainsition

O Maestrick é dessas bandas que quando você escuta, se questiona a respeito do motivo de não receberem todo o reconhecimento que lhes é merecido. Surgida em 2004, na cidade de São José do Rio Preto/SP, lançaram um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda nacional, Unpuzzle!, no ano de 2011, sendo seguido 5 anos depois, do ótimo EP de covers The Trick Side of Some Songs. No ano passado, finalmente chegaram ao seu segundo álbum de estúdio, Espresso Della Vita: Solare, um dos melhores trabalhos lançados em 2018, ao nível mundial, sob o rótulo de Metal Progressivo.

Quem teve a oportunidade de escutar Unpuzzle!, se deparou com uma ótima mescla de Prog Metal com Rock Progressivo, com influências mais nítidas de nomes como Queen, Yes, Rush, Genesis e Jethro Tull, mas também abrindo espaço para elementos externos a música pesada, como MPB, Baião, Samba, Pop, Hard Rock, e tudo mais que julgavam caber dentro de sua música. O resultado foi fantástico, com um álbum diversificado, carregado de identidade, e que fugia do lugar-comum dentro do estilo. Pois, acreditem, o que era muito bom, conseguiu ficar melhor ainda, já que tiveram 7 anos para refinar ainda mais a sua fórmula. O resultado é exuberante.

Espresso Della Vita: Solare, é um trabalho conceitual, que aborda a vida a partir da perspectiva de uma viagem de trem. Nele, temos a primeira parte da mesma, tendo início as 6 da manhã, e cobrindo as 12 primeiras horas do dia. Esse conceito por trás da música, cria uma aura cinematográfica, gerando a sensação de estarmos diante de uma trilha sonora de filme, algo que é reforçado pela criatividade do trio formado por Fabio Caldeira (vocal, piano e teclado), Renan “Montanha” Somera (baixo) e Heitor Matos (bateria). É tudo muito bem trabalhado, e principalmente, objetivo, já que poucas são as faixas que ultrapassam a casa dos 5, 6 minutos de duração, o que evita que a audição se torne cansativa e repetitiva. O fato de buscarem fugir das obviedades musicais do Prog Metal, sem medo de experimentar e quebrar os limites impostos pelo estilo, deixa tudo ainda mais prazeroso de se escutar.

Os vocais de Fábio estão simplesmente primorosos, e são um dos pontos altos do trabalho, já que conseguem transmitir muita emoção ao ouvinte. As guitarras, quase todas gravadas pelo produtor  Adair Daufembach, soam excelentes, com ótimos riffs e solos. Passagens acústicas e de viola caipira também foram incorporadas nas canções, e dão um brilho a mais nesse sentido. Quanto a parte rítmica, ela não é menos que primorosa, já que Renan e Heitor, não só esbanjam técnica, como também diversidade e coesão. Linhas de teclado e piano foram muito bem encaixadas, sem exageros, assim como as orquestrações e coros – a gravação contou com uma orquestra/coral com mais de 20 pessoas –, e os elementos étnicos soam como um grande diferencial na sonoridade do Maestrick.


Após a introdução, com “Origami”, temos a ótima “I a.m. Living”, com suas boas melodias, peso, refrão cativante e teclados bem encaixados. Na sequência, “Rooster Race” apresenta uma viola caipira em sua introdução, além de outros elementos regionalistas durante sua duração, que em alguns momentos me remeteram ao que o Angra fez em Holy Land. Além disso, apresenta ótimos riffs e um trabalho de bateria muito bom. “Daily View” soa como uma mistura do Queen, do A Night at the Opera, com Beatles, além de ótimas melodias vocais, enquanto a introdução de “Water Birds” me remeteu ao trabalho do grande Marcus Viana e o seu Sagrado Coração da Terra. Fora isso, se destaca também pelas linhas e solo de guitarra, vocais, e a boa utilização de regionalismos. Com uma ótima parte rítmica e boa utilização dos teclados, “Keep Trying” tem uma pegada mais Classic Rock, que deixa a mesma muito legal.

A segunda metade do álbum abre com a épica “The Seed”, bem quebrada, variada e com os dois pés bem fincados no Progressivo, e que ganha mais profundidade ainda graças aos corais. Apesar dos mais de 15 minutos de duração, você mal nota o tempo passar tamanha sua qualidade. Lembram da aura cinematográfica que falei no início da resenha? Pois bem, “Far West” poderia estar na trilha sonora de um daqueles westerns de Sergio Leone, com Clint Eastwood no papel do Homem sem Nome. Mais uma vez, as guitarras e a parte rítmica se destacam. “Across The River” é uma belíssima balada, bela e introspectiva, com um ótimo solo de guitarra, sendo seguida por outro dos pontos altos do álbum, a pesada “Penitência”, cantada em português e com uma utilização primorosa de elementos regionais. Dá até mesmo para traçar um paralelo entre ela e “Ratamahatta”, do Sepultura, apesar de diferirem muito entre si. A sequência final é composta pela ótima “Hijos de La Tierra”, com um refrão marcante, e a cativante “Trainsition”.

A produção, mixagem e masterização foram brilhantemente executadas por Adair Daufembach, e sinceramente, não fica devendo nada as produções de bandas consagradas do estilo, vindas do exterior. Sua clareza permite que escutemos cada detalhe da rica música aqui presente, mas sem que a mesma perca o peso e a energia. A parte gráfica, obra de Juh Leidl – vocalista da ótima Freesome – é outro ponto de destaque, com cada faixa possuindo uma ilustração que a retrata bem, além de vir em um digipack muito caprichado e bem-feito. Bem trabalhado e esbanjando criatividade, Espresso Della Vita: Solare, consolida de vez a sonoridade do Maestrick, e os coloca no mesmo patamar que os grandes nomes do estilo. Que a segunda parte venha logo!

NOTA: 92

 Maestrick é:
Fábio Caldeira (vocal, teclado e piano);
Renato Somera (baixo);
Heitor Matos (bateria).

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube



quarta-feira, 31 de julho de 2019

Death Angel - Humanicide (2019)


Death Angel - Humanicide (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. Humanicide
02. Divine Perfector
03. Aggressor
04. I Came For Blood
05. Immortal Behated
06. Alive And Screaming
07. The Pack
08. Ghost Of Me
09. Revelation Song
10. On Rats And Men
11. The Day I Walked Away [bonus]

Daquela geração de bandas Thrash surgidas nos anos 80 nos Estados Unidos – com foco maior na Bay Area -, poucas foram as que, em algum momento da carreira, não decepcionaram uma parte de sua base de fãs. Mas existe um pequeno grupo que sempre apresentou trabalhos acima da média, e é dele que o Death Angel faz parte. Ok, você pode alegar que Frolic Through the Park (88) e Killing Season (08) não são trabalhos brilhantes, mas ainda sim passam longe de serem decepções propriamente ditas. São álbuns que, apesar de não soarem tão inspirados quanto outros na discografia dos californianos, possuem suas qualidades.

Humanicide é o 9º álbum de estúdio da banda, e tem a difícil missão de dar continuidade a uma sequência simplesmente matadora, formada por Relentless Retribution (10), The Dream Calls for Blood (13) e The Evil Divide (16). Podemos falar, sem exageros, que no caso do Death Angel, missão dada é missão cumprida, já que ao fim da audição, ficamos com a sensação que estamos diante de um dos melhores álbuns da carreira da banda. Entregando um trabalho que ainda consegue ser realmente relevante musicalmente, Mark Osegueda (vocal), Rob Cavestany (guitarra), Ted Aguilar (guitarra), Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria), mantém a pegada que vem desde Relentless Retribution, e que tem funcionado muito bem.


Se você por acaso não acompanhou a banda na última década, basicamente o que o quinteto entrega é um equilíbrio perfeito entre aquela sonoridade típica dos anos 80, respeitando suas raízes, com uma pegada mais moderna e muito bem trabalhada, que traz sua música para os dias atuais e evita que soem datados, ou simplesmente como um pastiche dos seus dias de glória. Como já dito, sua música mantém a relevância do passado, mas faz isso sem precisar ficar se copiando. Os vocais de Osegueda estão fenomenais, e são como um bom vinho, que fica cada vez melhor com o passar dos anos. De nada adiantaria se o restante da banda não estivesse nesse mesmo nível, e felizmente, eles conseguem. As guitarras de Rob e Ted soam ótimas, não só no que tange os riffs, simplesmente absurdos, como também no que se refere aos solos. Quanto a parte rítmica, Damien Sisson e Will Carroll esbanjam técnica, diversidade, e coesão, sendo mais um diferencial no trabalho.

De cara, já temos a apocalíptica “Humanicide”, um exemplo perfeito de como as bandas da Bay Area soariam se surgissem nos dias atuais, aliando peso, velocidade, energia, riffs afiados e elementos da NWOBHM para temperar a mistura. “Divine Perfector” se mostra ainda mais feroz, com suas guitarras cortantes, ótimas partes percussivas, e uma aura de raiva de emana de cada nota tocada. É dessas canções moldadas para quebrar pescoços. “Agressor” é um exemplo perfeito da citada mistura entre a sonoridade clássica da banda e uma pegada mais atual, com destaque para o peso das guitarras, enquanto “I Came For Blood” tem uma aura “motörheadiana” que cativa qualquer um. “Immortal Behated” é outro exemplo de como essa mistura entre o tradicional e o moderno pode funcionar muito bem. Com uma levada mais mid-tempo, soa escura e intensa, com destaque para a dupla Cavestany/Aguilar, e as linhas de piano no final.


Veloz e com bom groove, “Alive And Screaming” é dessas canções moldadas para quebrar pescoços, e que deixa bem clara as raízes do Death Angel, enquanto “The Pack” se destaca não só pelo ótimo vocal, como pelas ótimas guitarras e o belíssimo trabalho percussivo. Difícil não se empolgar. “Ghost Of Me” mantém a pegada da faixa anterior, com bons riffs e um trabalho de guitarra cativante, apesar de ser a canção mais óbvia de todo o álbum. Cabe dizer que isso não tem nada de negativo. “Revelation Song” tem aquela aura mais moderna, mas sem abdicar do clássico, com destaque para as melodias “priestianas” presentes nas guitarras. Essas referências ao Metal Clássico deixam a faixa matadora. “On Rats And Men” se destaca principalmente pelas boas melodias, harmonias e riffs, que dão a mesma um ar um tanto diabólico. Encerrando o álbum, temos a faixa bônus “The Day I Walked Away”, que se destaca principalmente pelo seu trabalho de guitarras.

Diz o ditado, que em time que está ganhando não se mexe. Sendo assim, como ocorre desde Relentless Retribution, a produção e mixagem foram realizadas por Jason Suecof, com masterização de Ted Jensen. Como esperado, o resultado é ótimo, já que consegue aliar clareza com peso, energia e agressividade. A capa – após o breve intervalo de The Evil Divide –, voltou a ser feita por Brent Elliott White, trazendo novamente a luz os furiosos lobos pós-apocalípticos, que conseguem representar bem o que é um álbum do quinteto. Com canções que primam pela diversidade e agressividade, Humanicide consegue fugir da armadilha de soar cansativo com o passar dos minutos, já que graças a sua coesão, empolga do começo ao fim, fazendo dele um dos melhores álbuns lançados até o momento em 2019. Um massacre impiedoso, pois, a matilha não faz prisioneiros.

NOTA: 88

Death Angel é:
Mark Osegueda (vocal);
Rob Cavestany (guitarra);
Ted Aguilar (guitarra);
Damien Sisson (baixo);
Will Carroll (bateria).

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram



Necrofobia – Membership (2019)


Necrofobia – Membership (2019)
(Independente - Nacional)


01. Membership
02. Silent Protest
03. Perpétua 136
04. Blindness
05. Rotten Brain
06. Real Fiction
07. Apatia Social
08. Cemetery of Oblivion
09. Circle of Trust
10. Devil´s Lap
11. Unused Right
12. Worthless Lives
13. Guzzardi (faixa bônus)

Você pode desconhecer o Necrofobia e pensar que se trata de uma banda iniciante, mas a verdade é que o grupo oriundo de Ribeirão Preto/SP, já está na estrada desde 1994. Esse desconhecimento certamente se dá pelo fato de que, em 25 anos de carreira, Membership é apenas seu segundo álbum de estúdio, sendo que o mesmo está separado do debut, Dead Soul, por nada menos do que 15 anos. Nesse tempo, não pausaram as atividades, e continuaram na ativa, fazendo shows, mas passaram pelas inevitáveis mudanças de formação, inclusive com o falecimento de seu guitarrista, Raphael Guzzardi, durante o período de composição e gravação do álbum.

Quem teve a oportunidade de escutar Dead Soul, se deparou com um Thrash Metal tipicamente noventista, calcado principalmente no Sepultura da fase Chaos. A.D., e em Pantera, com destaque para a força dos riffs. Padecia um pouco de originalidade? Sim, mas ainda era um trabalho de muita qualidade, que mostrava uma banda que tinha tudo para figurar entre as grandes do cenário nacional. Pois bem! Nesses 15 anos, o Necrofobia evoluiu e aperfeiçoou seu som, alcançando aquele patamar que todos imaginavam que podiam chegar. Hoje, conseguem soar ainda mais pesados e diversificados, além de ter uma cara própria.

A qualidade dos temas aqui encontrados é algo que não se pode discutir. A agressividade e energia que emana de seu Thrash Metal é algo impressionante, e mesmo que sua sonoridade remeta diretamente as bandas dos anos 90, de forma alguma soam como uma emulação. É aquela situação onde você pode até notar as influências, mas não fica com a sensação do “eu já ouvi isso antes”. Os vocais de Romulo Felício são fortes, e em alguns momentos chegam a remeter aos de Max Cavalera, enquanto as guitarras despejam riffs realmente impressionantes. Vale dizer que boa parte das guitarras foram gravadas por Raphael Guzzardi, exceto os solos, que foram feitos por Rodrigo Tarelho, Romulo Felício (em “Circle of Trust”) e Alexandre Boetto (na faixa bônus “Guzzardi”). Quanto a parte rítmica, com João Manechini (baixo) e André Faggion (bateria), se mostra precisa, técnica e diversificada.


A sequência de abertura é simplesmente destruidora, com a enérgica e rápida “Membership”, e a agressiva “Silent Protest”, com partes mais cadenciadas e ótima parte rítmica. “Perpétua 136” é um ótimo Crossover, sendo seguida pela intensa e mais cadenciada “Blindness”. “Rotten Brain” se destaca pelos ótimos vocais; “Real Fiction” é cariada e com um ótimo trabalho de guitarras; “Apatia Social” é outro Crossover violento, enquanto “Cemetery of Oblivion” e “Circle of Trust” tem aquela pegada Thrash típica dos anos 90, carregadas de groove e agressividade. Na sequência final temos a violenta “Devil´s Lap”, a curta, intensa e direta “Unused Right”, a veloz e enérgica “Worthless Lives”, e a faixa bônus “Guzzardi”, bem diversificada e com um solo que se destaca pelas boas melodias.

A produção, a cargo de Romulo Felício, ficou muito boa, tendo sido muito feliz na escolha dos timbres, além de conseguir equilibrar muito bem clareza, peso e agressividade. Soa orgânica, mas sem perder aquela pegada mais moderna e atual. A parte gráfica também ficou boa, tendo sido obra de Roger Gaulês. Apresentando uma música diversificada, e que esbanja intensidade e energia, o Necrofobia agrada em cheio aos fãs daquele Thrash mais “moderno”, com groove, e que remete diretamente aos anos 90. Desde já, um dos melhores álbuns nacionais de 2019.

NOTA: 87

Necrofobia é:
- Romulo Felício (Vocal/Guitarra)
- Rodrigo Tarelho (Guitarra)
- João Manechini (Baixo)
- André Faggion (Bateria)

Homepage
Facebook
Instagram
YouTube
Spotify

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Myrath – Shehili (2019)


Myrath – Shehili (2019)
(earMUSIC/Shinigami Records – Nacional)


01. Asl
02. Born To Survive
03. You’ve Lost Yourself
04. Dance
05. Wicked Dice
06. Monster In My Closet
07. Lili Twil
08. No Holding Back
09. Stardust
10. Mersal
11. Darkness Arise
12. Shehili

Quando me deparei pela primeira vez com o Myrath, logo após o lançamento de seu 3º álbum de estúdio, Tales of the Sands, em 2011, confesso que inicialmente, o que me chamou a atenção foi o fato de virem da Tunísia, um país africano e de maioria muçulmana. Só que ao escutar “Merciless Times”, faixa de trabalho do álbum em questão, percebi que não estava apenas diante de um nome oriundo de um “país exótico”, mas sim de uma ótima banda de Metal Progressivo, que enriquecia a sua música com elementos sonoros de sua cultura. Na sequência, após um hiato de 5 anos, lançaram o excelente Legacy e, não só consolidaram seu nome entre os grandes do estilo, como conseguiram um contrato com a earMUSIC. Shehili é sua estreia pela nova gravadora.

Esse é um trabalho que consolida de vez a sonoridade da banda. Reforçando ainda mais a presença de elementos da música do Norte da África, o quinteto formado por Zaher Zorgati (vocal), Malek Ben Arbia (guitarra), Anis Jouini (baixo), Elyes Bouchoucha (teclado) e Morgan Berthet (bateria), acaba gerando um Metal Progressivo grandioso, cativante e majestoso, que vai agradar em cheio aos fãs do estilo. A mistura executada soa muito orgânica, nada forçada, e muito disso se dá pelo fato de que os instrumentos e elementos folclóricos realmente são parte essencial das canções, e não estão ali apenas para maquiar deficiências da banda. Nesse sentido, não soa exagero dizer que se aproximam do Orphaned Land, mesmo que as bandas soem diferentes entre si.


Uma das coisas que mais me prende na música do Myrath, é que ela tem algo um tanto exagerado, kitsch, mas de uma forma muito positiva. É daqueles casos onde às vezes, o mais é mais, o que acaba sendo muito bom. Isso torna tudo cativante, divertido, e te prende a música de uma forma que poucas bandas conseguem atualmente, ao menos quando falamos de Metal Progressivo. Exemplos disso ficam bem claros nas fotos presentes no encarte, e em vídeos de canções como “Believer” (do álbum Legacy) e “Dance”, onde essa estética do exagero fica muito evidente, desde a forma como eles são construídos, até na interpretação do vocalista Zaher Zorgati. Aliás, como canta cada vez melhor esse rapaz, é sem dúvida um dos grandes diferenciais do Myrath frente a concorrência.

Após uma breve introdução, temos de cara um dos grandes destaques de todo álbum, a ótima “Born to Survive”, canção forte e que mescla de forma primorosa elementos folclóricos e Metal Progressivo, além de um ótimo trabalho de guitarra e refrão marcante. Na sequência “You’ve Lost Yourself” tem bom trabalho percussivo, além de ótimos riffs e vocais. “Dance” é a epítome da estética kitsch adotada pelo Myrath. É exagerada, pomposa e acima de tudo, divertida. É impossível não se empolgar com ela e não sair dançando pela sala, cantarolando o refrão. Porque sim, você fará ambas as coisas durante a audição. Já “Wicked Dice” é a “versão má” da faixa anterior, já que deixam essa coisa meio brega totalmente de lado, com uma aposta maior no Prog – mas claro, com elementos Folk salpicados aqui e ali –, guitarra, baixo e teclados marcantes, além de boas melodias. A ótima “Monster In My Closet” também se encaixa nessa descrição, apesar de uma presença um pouco mais forte dos elementos folclóricos, principalmente no que se refere a percussão.


Do meu ponto de vista, a segunda metade do álbum dá uma ligeira caída, ainda que o alto nível das canções seja mantido. “Lili Twil” é um cover para uma canção do grupo de Rock marroquino Les Frères Mégri, que fez sucesso no mundo árabe na primeira metade dos anos 70. Mesclando trechos cantados em um dialeto marroquino, com partes cantadas em inglês, conseguiram deixar a canção com uma cara própria, sem descaracterizar a versão original. “No Holding Back” tem um clima mais épico, graças a boa utilização de elementos sinfônicos, mas possivelmente é a que menos empolga em todo trabalho, ainda que esteja longe de decepcionar. “Stardust” tem um ar mais sombrio, que destoa um pouco da atmosfera do restante do álbum, mas soa bem emocional e tem um ótimo trabalho tanto do baixo quanto do teclado. “Mersal” é outra que se destaca por esse ar emocional, e contra com a participação do renomado cantor e compositor tunisiano Lofti Bouchnak. A sequência final é composta pela pesada e moderna “Darkness Arise”, e pela sinfônica e bela faixa título.

Determinada a entregar um trabalho de qualidade em todos os sentidos, os tunisianos passaram por 4 estúdios e trabalhou com alguns nomes mais do que conhecidos no meio. A produção ficou a cargo do ex-tecladista do Adagio, Kévin Codfert, que já está com a banda desde o debut. Ele também foi o responsável por mixar 3 das canções aqui presentes. As mixagens e masterizações restantes foram realizadas por Eike Freese (Deep Purple, Gamma Ray, Hansen & Friends) e pelo onipresente, onisciente e onipotente Jens Bogren. Quanto a parte gráfica, foi dividida entre Perrine Perez Fuentes (Adagio e o próprio Myrath), Paul Thureau (Rhapsody of Fire) e Laura Billiau. Vivendo seu melhor momento, o Myrath entrega aos fãs um trabalho que solidifica de uma vez por todas, sua sonoridade, além de ser bem equilibrado, orgânico e divertido. Certamente um dos grandes álbuns de Metal Progressivo que você escutará em 2019! Se gosta do estilo, mas ainda desconhece o trabalho da banda, está mais que na hora de corrigir essa falha.

NOTA: 88

Myrath é:
- Zaher Zorgati (vocal);
- Malek Ben Arbia (guitarra).
- Anis Jouini (baixo);
- Elyes Bouchoucha (teclado);
- Morgan Berthet (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube


Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)



Coletânea Roadie Metal Vol. 11 (2019)
(Independente – Nacional)


CD 01
01. Death Chaos – Through the Eyes of Brutality
02. Ravenous Mob – The Enemy Undying
03. Living Louder – The Crow
04. Reffugo – Reffugo
05. Born To Kill – Goodbye Soldier
06. WarAge – Torture
07. Rhegia – Shadow Warrior
08. Lusferus – Luciférico Hino
09. Anguere – Cadeia
10. Tiberius Project – You Bitch!
11. Libertad – Closed Fists
12. Sentinelas do Rei – Rios do Deserto
13. Novo Chão – Terra Dos Homens
14. War Machine – A New Kind
15. War Eternal – Burning Alive

CD 02
01. Krakkenspit – Fear My Name
02. Medicine For Pain – Vendida Como Bonecas
03. Heavenless – The Reclaim
04. Torturizer – Slaughtersouse
05. DialHard – Now You’re Free
06. Epitah – Something Better Than God
07. Cromata – Resigned in Blood
08. Mamute – The End
09. The Damned Human Flash – Inferno
10. In Soulitary – Hollow
11. LoneHunter – Eternal Time
12. Zero Hora – Batina do Papa
13. CxDxM – Como Um Muro Inatingível
14. Obscured by The Clouds

Nem sempre, quando algo chega ao fim, significa que não tenha dado certo. Após 4 anos e 11 edições, a Coletânea Roadie Metal chega ao seu último volume, mas antes que você, fã de Metal Nacional, comece a se lamentar, adianto que esse fim se refere ao seu atual formato, que está sendo aposentado. Daqui para frente elas serão lançadas apenas digitalmente, e segmentada por regiões – a primeira delas foi voltada para o estado de Goiás –, o que vai permitir a mesma ampliar ainda mais o seu alcance, pois, mais bandas terão a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao público.

No primeiro Cd, algumas bandas dispensam muitas apresentações, pela qualidade demonstrada não só em volumes anteriores, como também por lançamentos próprios. São os casos do Death Chaos (Death Metal), Ravenous Mob (Thrash Metal), Living Louder (Hard Rock), Lusferus (Death/Black), Anguere (Hardcore) e Rhegia (Heavy Metal). Outros nomes que devem ser citados são Reffugo (Death Metal), Born To Kill (Thrash/Heavy) e WarAge (Heavy Metal). Estes se mostram mais do que prontos para voos mais altos, pois, apresentam um trabalho já maduro e com muita qualidade. Mostram a força que o Metal brasileiro possui, e que não ficamos devendo nada ao que é feito ao nível mundial. Um pouco abaixo desses nomes, mas apresentando um trabalho consistente, estão o Thrash Metal do Tiberius Project e do Libertad e o Heavy Metal do War Machine, por mais que esse último ainda emule um pouco além da conta o Iron Maiden. O Death Metal do War Eternal mostra boa qualidade, e com pequenos ajustes pode render ainda mais, enquanto o Heavy Metal do Sentinelas do Rei até tem bons momentos, mas o vocal não funciona muito bem em algumas passagens. O ponto fora da curva aqui é o Novo Chão, que precisa trabalhar melhor sua sonoridade e produção. Existe potencial ali, mas precisa ser melhor prospectado.

No segundo CD, de cara podemos destacar o Heavenless (Death Metal) e In Soulitary (Heavy Metal), duas das melhores bandas de Metal do país. Se destacam muito também Krakkenspit (Heavy Metal), Medicine For Pain (Thrash/Groove), Torturizer (Thrash Metal), DialHard (Hard Rock), Mamute (Doom Metal), The Damned Human Flash (Death Metal), LoneHunter (Symphonic Death Metal) e Zero Hora (Punk Rock). O Epitah (Heavy Metal) mostra um trabalho de qualidade, e podemos dizer que falta muito pouco para consolidar definitivamente seu som, enquanto o Cromata (Death Metal) e o CxDxM (Punk Rock) estão no caminho certo, e mostram possuir boas qualidades. Obscured by The Clouds, por mais que tenha potencial, precisa trabalhar muito, tanto produção quanto sonoridade, e assim lapidar mais o seu Psychodelic Metal, ainda mais se considerarmos o alto nível da cena, no Brasil e no exterior.

A parte gráfica, criada e concebida por Umberto Miller, é muito bem-feita, com destaque para a bela capa e o encarte, onde contam informações de todas as bandas presentes. Já no que tange a produção, por se tratar de uma coletânea, obviamente temos altos e baixos, mas vale dizer que nesse sentido, boa parte dos trabalhos se encontra em um nível bom, e poucos realmente ficam devendo nesse quesito. No fim, temos mais uma bela inciativa da Roadie Metal, que fecha essa etapa de sua história com chave de ouro. Só podemos agradecer pelas mais de 300 bandas apresentadas nesses últimos 4 anos, e desejar que continuem prestando esse belo serviço aos fãs do Metal feito no Brasil.

NOTA: 78

Roadie Metal
Facebook