quinta-feira, 8 de junho de 2017

Skinlepsy - Dissolved (2017)


Skinlepsy - Dissolved (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Perfect Plan
02. The Mentor
03. Ask to Diablo
04. The Hate Remains the Same
05. Caustic Honor
06. Dissolved
07. Blood and Oil
08. Insomnia
09. A New Chance of Life
10. Murder

Em 2003, das cinzas do ótimo Siegrid Ingrid, surgiu o Skinlepsy, na época um quinteto. Lançaram uma demo, Reign of Chaos e logo após entraram em um hiato que só terminou no ano de 2011, quando 3 de seus integrantes originais, André Gubber (vocal/guitarra), Luiz Berenguer (baixo) e Evandro Junior (bateria), resolveram reativar a banda (na época, contando com Henrique Fogaça no vocal). Em 2013, já como trio, veio o tão esperado debut, Condemning the Empty Souls, onde apresentavam um Thrash/Death com altas doses de violência.

Após um hiato de 4 anos, finalmente retornam com seu segundo trabalho, Dissolved, e inevitavelmente algumas mudanças ocorreram. A primeira delas foi a saída do baixista Luiz Berenguer (o baixo aqui foi gravado por André) e a entrada de um segundo guitarrista, Leonardo Melgaço. A segunda é que o Death Metal se faz um pouco mais presente em sua sonoridade, o que acabou por tornar sua música ainda mais bruta e agressiva. A verdade é que estamos diante de um Skinlepsy que cresceu em todos os sentidos.

Chama a atenção o maior nível de maturidade aqui presente. As composições se mostram mais bem-arranjadas, o crescimento técnico é evidente e suas músicas soam mais refinadas, mas não menos violentas. Na verdade, diria que até mais que no debut. Os vocais de André Gubber estão verdadeiramente caóticos e agressivos, e ao lado de Leonardo, forma uma belíssima dupla nas guitarras, despejando alguns dos riffs mais fortes e ferozes que escutei neste ano. Os solos também surgem muito bem encaixados. Já Evandro é de uma precisão ímpar e destrói tudo com sua bateria. É de cair o queixo.


Em um trabalho que está nivelado por cima, destaco a bruta “Perfect Plan”, que abre o CD, a pesada e variada “The Mentor”, as ótimas “Ask to Diablo” e “The Hate Remains the Same”, essa última, especialmente violenta e “Blood and Oil”. Vale citar também a versão feita para “Murder”, do Siegrid Ingrid. A produção também merece ser destacada. Gravado no Estúdio 44 (os vocais foram feito no estúdio Dual Noise), com mixagem e masterização realizadas por Roberto Toledo (MX, Anthares, HellLight), o resultado final soa bem orgânico. A escolha dos timbres também foi muito feliz e, apesar de tudo audível e claro, aquelas doses de sujeira e brutalidade se fazem presentes.

Mais maduro, técnico e bruto, o Skinlepsy conseguiu dar aquele passo à frente que dele se esperava, resultando assim em um dos melhores álbuns de Thrash/Death que você terá a oportunidade de escutar esse ano. Dissolved é a prova de que no Brasil se faz Metal de muita qualidade sim, e que não fica devendo nada se colocado frente a frente com bandas estrangeiras.

NOTA: 8,5

Skinlepsy
- André Gubber (vocal/guitarra);
- Leonardo Melgaço (guitarra);
- Evandro Junior (bateria).

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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Battle Beast - Bringer of Pain (2017)


Battle Beast - Bringer of Pain (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Straight to the Heart
02. Bringer of Pain
03. King for a Day
04. Beyond the Burning Skies
05. Familiar Hell
06. Lost in Wars(feat. Tomi Joutsen)
07. Bastard Son of Odin
08. We Will Fight
09. Dancing with the Beast
10. Far from Heaven
11. God of War (Bonus Track)
12. The Eclipse (Bonus Track)
13. Rock Trash (Bonus Track)

Surgido na Finlândia no ano de 2005, o Battle Beast começou a chamar a atenção do meio metálico quando se sagrou vencedor do Wacken Metal Battle de 2010. No ano seguinte lançou seu debut, Steel, pelo selo finlandês Hype Productions e com a boa repercussão (7º lugar na parada finlandesa), além das comparações com nomes como Hammerfall, Sabaton e Accept, acabou ganhando um contrato com a toda poderosa Nuclear Blast, que relançou o trabalho em 2012. E então, quando tudo parecia estar indo muito bem, a vocalista Nitte Valo resolveu sair da banda e seguir novos caminhos, sendo então substituída por Noora Louhimo.

Em 2013 debutaram pela Nuclear Blast com Battle Beast, e as primeiras mudanças puderam ser sentidas. Aquele Heavy/Power competente, mas que não apresentava nada de novo, começou a ganhar ares mais melódicos e acessíveis, com o teclado de Janne Björkroth se fazendo bem presente e trazendo aquela pegada mais Glam/Hair Metal ao som tradicional do grupo. Isso se repetiu no álbum seguinte, Unholy Savior (15), onde se aprofundaram um pouco mais nessa fórmula. O resultado de tais mudanças foi positivo comercialmente falando, já que explodiram em seu país de origem, atingindo a 1ª colocação entre as bandas mais vendidas. E novamente, quando tudo parecia estar indo muito bem, outra bomba explode.

Em 2015, após o lançamento de Unholy Saviour e uma turnê com o Sabaton, o guitarrista e principal compositor do Battle Beast, Anton Kabanen, anuncia seu desligamento da banda, alegando divergências musicais e pessoais irremediáveis. O posto acaba sendo ocupado pelo irmão de Janne Björkroth, Joona, e logo começam a preparar seu 4º trabalho de estúdio. Mudanças de sonoridade ocorreriam? Bem, para aplacar um pouco a curiosidade dos fãs, adiantaram duas músicas que davam uma boa pista do que esperar, “King For A Day” e “Familar Hell”, até que no dia 17 de Fevereiro, saiu Bringer of Pain.

A sequência inicial pode dar uma falsa impressão sobre o álbum. De cara, a forte “Straight to the Heart”, que remete aos melhores momentos dos Metal oitentista e poderia estar sem muito drama em Steel. Ok, você pode notar uma presença um pouco maior dos teclados, mas nada exagerado. Em seguida entra a faixa título, um típico Heavy/Power que, inconscientemente, vai te remeter aos bons momentos do Accept. A conhecida “King For A Day” é cativante, tem bons coros, um refrão marcante e mescla de forma muito competente Hard, Heavy e AOR (tem algo de Survivor nela, sei lá). É a partir dela que tudo vai se tornando mais acessível (mas ainda excelente). “Beyond the Burning Skies” pode te remeter a alguns momentos do Sonata Arctica, mas com uma dose muito maior de acessibilidade, que vai te fazer lembrar do Amaranthe (com a diferença de ser muito melhor). Noora Louhimo também está excelente. Aliás, vale dizer, ela é o grande diferencial do Battle Beast, com sua voz forte e marcante. “Familiar Hell”, outra já conhecida, é dessas canções forjadas à base de superbonder, pois gruda de um jeito na cabeça que você demora dias para esquecer, principalmente do refrão da mesma. Poderia estar em qualquer grande álbum de Hard/Glam dos anos 80 sem fazer feio. E assim se encerra a ótima primeira metade de Bringer of Pain.


A segunda metade abre com a diferente “Lost in Wars”, que conta com vocais de Tomi Joutsen, do Amorphis. Tem uma pegada totalmente industrial e destoa de tudo que foi apresentado até então. Tem boas ideias aqui e ali, mas soa genérica demais. “Bastard Son of Odin” parece vir para colocar tudo em seu devido lugar, já que não nega sua veia Power Metal, com peso, ótimas guitarras e mais um belo trabalho vocal de Noora, e a ótima “We Will Fight” aparentemente surge para reforçar essa impressão ainda mais, já que remete aos melhores momentos de Steel com seu peso e ótimos riffs. Mas tudo acaba vindo abaixo com a sequência final. “Dancing with the Beast” é um Pop/Disco chinfrim e totalmente desnecessário, enquanto “Far from Heaven” é uma daquelas baladas melosas e rasteiras saídas de algum trabalho Pop dos anos 80, e que hoje em dia toca em algum programa tipo “Radio Romance” nas madrugadas de qualquer AM da vida. Bringer of Pain só não termina em baixa porque possui 3 bônus que olha, me pergunto o motivo de não terem entrado na versão padrão do álbum. “God of War” é um Heavy/Power de primeira, com aquela pegada típica do Sabaton, principalmente no ótimo refrão. Já “The Eclipse” soa como uma improvável mistura de Metal Sinfônico, Gothic Metal e Hard Rock, mas é incrivelmente legal. Encerrando, temos a ótima “Rock Trash”, um Hard da melhor estirpe.

A produção ficou a cargo do tecladista Janne Björkroth, que também foi o responsável pela mixagem, mas essa ao lado de Viktor Gullichsen. Já a masterização ficou por conta do mais que renomado Mika Jussila (Angra, Doro, Amorphis, Edguy, Avantasia, Nightwish, Moonspell, Tarja, Stratovarius, Sonata Arctica). O resultado final foi excelente. A capa, fugindo do padrão das anteriores, mostrando que a ideia é realmente se renovar, é um trabalho de Jan "Örkki" Yrlund (Impaled Nazarene, Korpiklaani, Pyramaze, Manowar)

Ao final da audição, temos a certeza de que estamos diante do trabalho mais acessível e comercial da carreira do Battle Beast. Isso é ruim? De forma alguma, obstante alguns exageros aqui e ali. Os riffs de guitarra, apesar de simples, empolgam, os vocais são poderosos, as linhas de teclado cativam, as melodias viciam e a sonoridade, apesar de remeter aos anos 80, consegue soar moderna. Não é coincidência a ótima repercussão mundo afora, a ponto de excursionarem pela primeira vez pelos Estados Unidos (como banda de apoio do Sabaton) e Japão. Apesar de alguns altos e baixos, sem dúvida esse é um trabalho que vai divertir muito o ouvinte.

NOTA: 8,0

Battle Beast é:
- Noora Louhimo (vocal);
- Juuso Soinio (guitarra);
- Joona Björkroth (guitarra);
- Eero Sipilä (baixo);
- Pyry Vikki (bateria);
- Janne Björkroth (teclado).

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terça-feira, 6 de junho de 2017

Memoriam - For The Fallen (2017)


Memoriam - For The Fallen (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Memoriam
02. War Rages On
03. Reduced To Zero
04. Corrupted System
05. Flatline
06. Surrounded (By Death)
07. Resistance
08. Last Words

Em 2015, o mundo do Death Metal foi surpreendido com a repentina morte, aos 38 anos de idade, de Martin "Kiddie" Kearns, baterista do Bolt Thrower. Seguiu-se um período de silêncio total por parte da banda, até que no aniversário de 1 ano da morte do mesmo, soltaram uma nota anunciando o fim de suas atividades. A essa altura, em homenagem a Martin, o vocalista Karl Willetts já havia se juntado ao guitarrista Scott Fairfax (que toca ao vivo com o Benediction), ao baixista Frank Healy (Benediction, Sacrilege) e ao baterista original da banda, Andrew Whale, para formar o Memoriam.

Com um time desses reunido, não existe mistério a respeito da sonoridade adotada pelo Memoriam. É um Death/Doom clássico em sua essência, direto e tocado com paixão. Os vocais de Willetts podem não ser mais os mesmos de anos atrás, mas ainda assim conseguem impor muito respeito pela força que conseguem imprimir às canções. A Guitarra de Fairfax tem uma sonoridade bem suja, distorcida e despeja riffs verdadeiramente esmagadores, enquanto o baixo de Frank soa forte e a bateria de Andrew, poderosa. Uma parte rítmica de respeito, sem sombra alguma de dúvida. A brutalidade permeia todo o trabalho, que se mostra bem variado, já que temos tanto momentos mais arrastados, quanto mais velozes.

Já na abertura, com “Memoriam”, temos uma amostra do que vem pela frente. Uma levada carregada, mais arrastada e um riff fortíssimo. Na sequência, “War Rages One” tem início com um pequeno trecho do discurso de guerra do ex-primeiro ministro inglês Neville Chamberlain em 1939, logo após a Alemanha invadir a Polônia. Daí em diante, é brutalidade e agressividade em forma de música. Death Metal em seu estado puro. “Reduced to Zero” possui um riff simplesmente bombástico e uma pegada mais Doom. Em contrapartida, a faixa seguinte, “Corrupted System” é rápida, enérgica e com forte influência Punk. Uma paulada. “Flatline” soa bem agressiva e tem um riff que lhe dá um clima sombrio, enquanto “Surrounded (By Death)” surge com a brutalidade e violência de uma máquina de guerra. Alterna bem momentos mais arrastados com outros menos cadenciados, obtendo assim boa dinâmica. “Resistance” tem uma aura macabra e carrega nas influências Doom, enquanto “Last Words” soa épica com seus quase 9 minutos e suas melodias sombrias.


Gravado e masterizado por Ajeet Gill (Bode Preto, Dark Forest), teve a mixagem feita em parceria entre o mesmo e Scott Fairfax, no Hellfire Studios. O resultado final foi muito bom, já que deixou tudo audível, mas com uma dose de sujeira que faz bem à música do quarteto.  Quanto à parte gráfica, a belíssima capa ficou por conta de Dan Seagrave, responsável por trabalhos clássicos de lendas como Benediction, Dismember, Entombed, Edge Of Sanity, Hypocrisy, Morbid Angel, Malevolent Creation, dentre muitos outros, enquanto o layout foi obra do brasileiro Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Brujeria, Belphegor, Dark Funeral, Kreator, Testament).

Você poderia brincar e chamá-los de Benethrower ou Boltdiction, mas a verdade é que são o Memoriam, uma banda que surgiu de uma fusão simplesmente matadora e que dá uma verdadeira aula de como fazer o bom e velho Death Metal. Bruto e raivoso, como qualquer trabalho do estilo deveria ser e candidato a estar em muitas listas no final de 2017. Se curte, pode comprar sem medo.

NOTA: 9,0

Memoriam é:
- Karl Willetts (vocal);
- Scott Fairfax (guitarra);
- Frank Healy (baixo);
- Andrew Whale (bateria).

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Deep Purple - inFinite (2017)


Deep Purple - inFinite (2017)
(Shinigami Records/earMusic - Nacional)


01. Time For Bedlam
02. Hip Boots
03. All I Got Is You
04. One Night In Vegas
05. Get Me Outta Here
06. The Surprising
07. Johnny’s Band
08. On Top Of The World
09. Birds Of Prey
10. Roadhouse Blues

São 49 anos de carreira, alguns álbuns considerados como clássicos absolutos do Rock, casos de In Rock (70), Machine Head (72), Burn (74) e aquele que é o melhor trabalho ao vivo de todos os tempos, o magistral Made In Japan (72), apresentações incendiárias e lendárias, além de mais de 120 milhões de álbuns vendidos. Só isso já bastaria para colocar o Deep Purple no panteão dos nomes lendários da música. Mas de nada adiantaria se isso não fosse acompanhado de uma carreira consistente, apesar do hiato de alguns anos entre os anos 70 e 80 e algumas idas e vindas de membros importantes.

Você, fã mais ranzinza e saudoso do auge da banda nos anos 70, com a MK II e a MK III, pode reclamar dos deslizes cometidos em trabalhos como Slaves and Masters (90) e Abandon (98), talvez até mesmo de The House of Blue Light (87). Pode também reclamar da ausência de Blackmore, que se frise, saiu por escolha própria quase 25 anos atrás, ou de terem continuado após o saudoso Jon Lord optar pela aposentadoria em 2002 (algo que o mesmo aprovou, tanto que se apresentava esporadicamente com a banda em ocasiões especiais). Mas nesses casos, sinto lhe informar, isso faz de você apenas isso, um fã ranzinza e que provavelmente, pelo seu xiismo, perdeu muita coisa legal nos últimos 20 anos.

Sim, isso mesmo, porque é indiscutível que mesmo não repetindo a genialidade de décadas atrás, lançaram alguns trabalhos dignos de aplausos nesse período, como os ótimos Purpendicular (96), Rapture of the Deep (05) e Now What! (13). Fora isso, Steve Morse, prestes a completar 25 anos de Purple e Don Airey, já com 15, caíram como uma luva nessa que é a formação mais duradoura da história dos ingleses. E qualquer dúvida com relação a isso é vaporizada pela brilhante atuação de ambos em inFinite, o 20º trabalho de estúdio da banda, que apesar de não afirmarem e tampouco negarem, pode vir a ser o seu último.

Provavelmente esse é o trabalho mais “vintage” do Purple desde o seu retorno nos anos 80, já que aquele clima setentista permeia todo o trabalho durante seus 45 minutos de duração. Ok, Ian Gillan não alcança mais notas tão altas, mas compensa isso cantando de forma bem mais variada. E convenhamos, estamos falando de um senhor de 71 anos de idade que, ainda assim, coloca 90% dos vocalistas da cena atual no bolso. A dupla formada por Steve Morse e Don Airey é talvez a principal responsável por esse clima citado e, sem exagero, são os dois grandes destaques aqui. E o que dizer de Roger Glover e Ian Paice? Soam simplesmente impecáveis, principalmente Paice, que imprime muito peso e variedade. Muito moleque de 20 anos que se acha por aí não consegue chegar sequer aos pés do desempenho dele aqui.


“Time for Bedlam” abre o álbum e é uma típica canção do Purple, com aquele clima setentista e um brilho especial para Morse e Airey. “Hip Boots” tem ótimo groove e uma pegada mais blues, sendo muito agradável de se escutar, enquanto “All I Got Is You” é possivelmente uma das melhores canções da banda desde os anos 80. Ótimo desempenho do trio Gillan/Morse/Airey e uma melancolia que dá um toque diferenciado à mesma. “One Night In Vegas” e “Get Me Outta Here” conseguem manter o bom nível, graças às ótimas melodias e a cativante “The Surprising” surpreende com uma pegada mais progressiva a partir de sua metade. As influências de blues dão as caras na direta “Johnny’s Band” (outra onde Morse e Airey brilham) e na boa “On Top Of The World”, com seu ótimo riff. Se encaminhando para o final, temos “Birds Of Prey”, facilmente a mais pesada do álbum, com aquele clima de Deep Purple antigo e um solo primoroso de Morse. Encerrando, uma ótima versão para “Roadhouse Blues”, do The Doors, que ouso dizer, supera a original em qualidade.

Toda a produção, assim como em Now What!, voltou a ficar nas mãos do experiente Bob Ezrin (Alice Cooper, Kiss, Pink Floyd, Aerosmith, Nine Inch Nails, Lou Reed, Peter Gabriel, dentre muitos outros), não sendo menos do que primorosa. Já a belíssima parte gráfica foi obra do Büro Dirk Rudolph (Apocalyptica, Iced Earth, Kreator, Paradise Lost, Tarja, Scorpions). inFinite pode não possuir a genialidade de um In Rock ou de um Machine Head, mas é um trabalho que agrada, cativa o ouvinte e mostra uma banda se divertindo fazendo o que mais gosta, ou seja, boa música.

NOTA: 8,5

Deep Purple é:
- Ian Gillan (vocal);
- Steve Morse (guitarra);
- Roger Glover (baixo);
- Ian Paice (bateria);
- Don Airey (teclado).

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domingo, 4 de junho de 2017

Melhores álbuns – Maio de 2017

 
No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de maio na opinião do A Música Continua a Mesma.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Chickenfoot - Best + Live (2017)


Chickenfoot - Best + Live (2017)
(Shinigami Records/earMusic - Nacional)


CD1  BEST OF
01. Divine Termination (NEW SONG)
02. Soap On A Rope
03. Sexy Little Thing
04. Oh Yeah
05. Get It Up
06. Future In The Past
07. Big Foot
08. Different Devil
09. Lighten Up
10. Dubai Blues
11. Something Going Wrong
Bonus LIVE TRACKS
12. Highway Star
13. Bad Motor Scooter
14. My Generation

CD2  LIVE
01. Avenida Revolution
02. Sexy Little Thing
03. Soap On A Rope
04. My Kinda Girl
05. Down The Drain
06. Bitten By The Wolf
07. Oh Yeah
08. Learning To Fall
09. Get It Up
10. Turnin’ Left
11. Future In The Past

Poucas vezes a definição de “Supergrupo” foi tão bem utilizada como no caso do Chickenfoot. Surgido no ano de 2008, uniu nada menos que o vocalista Sammy Hagar (Montrose, Van Halen), o guitarrista Joe Satriani, o baixista Michael Anthony (Van Halen) e o baterista Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), e já em debut tratou de conseguir não só reconhecimento da crítica, como também comercial, mostrando que o Hard Rock ainda estava muito vivo por aí. Depois disso, soltaram mais um DVD, Get Your Buzz On (10), um CD, Chickenfoot III (11) e um ao vivo, Chickenfoot LV (12), para então entrar em um hiato de alguns anos, devido aos muitos compromissos de seus músicos.

Antes de tudo, faço questão de deixar claro que sou muito, mas muito fã mesmo dos álbuns de estúdio lançados pela banda. A qualidade dos mesmos é indiscutível, mesmo para alguém como eu, que não é lá muito chegado em Hard Rock. Dito isso, posso afirmar que achei o lançamento de Best + Live algo extremamente questionável, com cheiro de caça níquel mesmo, com a diferença que nos dias atuais, a venda de cd’s é baixa demais para artifícios desse tipo. E vamos lá apresentar alguns argumentos para fundamentar tal afirmação.

Em primeiro lugar, estamos falando de uma banda que, obstante a qualidade inconteste, lançou apenas 2 álbuns, totalizando 21 músicas próprias. Com uma quantidade tão pequena de canções, o lançamento de um Best Of soa totalmente exagerado. No caso em questão aqui, foram pegas 5 músicas de cada um dos trabalhos de estúdio da banda. Em segundo lugar, o material ao vivo não apresenta absolutamente nada de novo para qualquer fã da banda. Tanto os 3 covers que aparecem como bônus no CD 1, como a apresentação ao vivo do CD 2, foram retiradas do já citado DVD Get Your Buzz On. Em resumo, o que temos aqui é apenas a versão em áudio do mesmo. Resta a música inédita aqui presente, que é até legal, tem peso e bom groove, mas confesso, está um nível abaixo de qualquer uma que tenha entrado no Best Of. E convenhamos, é um pouco desanimadora a ideia de se gastar dinheiro com um CD duplo apenas para ter uma faixa inédita.

A seleção das faixas de estúdio é inquestionável, afinal, músicas como “Sexy Little Thing”, “Oh Yeah”, “Get It Up”, “Big Foot” ou “Lighten Up” levantam o astral de qualquer um com sua energia e grooves contagiante. Mesmo as mais calmas, como as belas “Future In The Past” e “Different Devil”, acertam em cheio no alvo. Com relação às 3 faixas bônus, “Highway Star” (Deep Purple) está simplesmente matadora. Disparada a melhor delas. “Bad Motor Scooter”, do Montrose, foi a primeira música composta por Sammy Hagar e só isso já daria um peso diferenciado à mesma. É um clássico, mas aqui pesa por ter sido estendida além do recomendável, durando quase 12 minutos. Já a clássica “My Generation”, do The Who, tinha tudo para ter ficado simplesmente fantástica se Satriani e Hagar não tivessem inventado de inserir trechos do hino americano na mesma, estendendo-a e quebrando toda aquela energia que emanava dela.


No material ao vivo, até por ter sido gravado em setembro de 2009, não temos qualquer faixa do segundo álbum, que só seria lançado 2 anos depois. É a oportunidade que temos de escutar, por exemplo, as ótimas “Avenida Revolution” e “My Kinda Girl”, que poderiam ter entrado sem problema algum na seleção das faixas de estúdio. Não dá para discutir a energia que emana da apresentação, mas é possível questionar o fato de terem mais uma vez estendido algumas faixas além do recomendável, se comparadas com suas versões de estúdio. Mas nesse caso aqui (ao contrário dos covers do CD 1) é uma questão puramente de gosto pessoal.

Sendo realmente sincero com o prezado leitor, se você possui todo o material do Chickenfoot em casa (CD’s e DVD’s), essa não é aquela compra imprescindível para você, ainda mais em tempos de crise, a não ser que você seja um colecionador desses que faz questão de ter todo o material lançado por uma banda. Agora, se você curte o grupo, mas não se encaixa na descrição acima, ou está dando seus primeiros passos com relação ao mesmo, a aquisição de Best + Live acaba sendo uma ótima pedida, principalmente pelo material ao vivo aqui contido ser algo que você não encontrará nos materiais de estúdio ou a preços convidativos, caso queria adquirir material importado.

NOTA: 7,5

Chickenfoot é:
- Sammy Hagar (vocal);
- Joe Satriani (guitarra);
- Michael Anthony (baixo);
- Chad Smith (bateria).

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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Stratovarius - Visions of Europe - Live (1998/2016)


Stratovarius - Visions of Europe (1998/2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


CD1
01. Intro
02. Forever Free
03. Kiss Of Judas
04. Father Time
05. Distant Skies
06. Season Of Change
07. Speed Of Light
08. Twilight Symphony
09. Holy Solos

CD2 
01. Visions
02. Will The Sun Rise?
03. Forever
04. Black Diamond
05. Against The Wind
06. Paradise
07. Legions

O auge! É isso que Visions of Europe retrata, o Stratovarius em sua melhor forma, não só criativa como também em matéria de performance. Gravado nos dias 11 e 14 de setembro de 1997, nas cidades de Milão (Itália) e Atenas (Grécia), durante a turnê do clássico Visions (97), o trabalho mostra o ápice do quinteto formado por Timo Kotipelto (vocal), Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Jörg Michael (bateria) e Jens Johansson (teclado). E mais, ouso dizer que estamos diante do melhor trabalho ao vivo lançado por uma banda de Metal Melódico até hoje. Mas o que me leva a acreditar nisso?

Em primeiro lugar, a química que existia (ou parecia existir) entre os 5 membros do Stratovarius nesse momento. A entrada de Kotipelto na banda em 94 já havia causado uma pequena revolução na mesma, gerando o ótimo Fourth Dimension e no ano seguinte, com a chegada dos experientes  Jörg Michael (com passagens até então pelo Rage, Grave Digger, Running Wild e Axel Rudi Pell) e Jens Johansson (que “só” tinha tocado nas bandas de Dio, Ginger Baker e Malmsteen), tudo pareceu se encaixar perfeitamente. O resultado? Episode (96) e Visions (97), dois clássicos absolutos do estilo. Em segundo, o repertório de Visions of Europe beira a perfeição. Deixando completamente de lado a fase em que Tolkki era vocalista, se concentraram única e exclusivamente nos 3 últimos álbuns de estúdio até então, ou seja, retrata o melhor momento do grupo finlandês.

Uma coisa que já me despertava a atenção em 1998 e hoje, após o trabalho de remasterização, se reforça ainda mais, é a energia que emana do CD. Você consegue se imaginar no meio do público durante a audição do álbum e, em muitos momentos, se pega cantando junto com o mesmo, como se estivesse diante do palco em alguma das duas noites retratadas aqui. Como dito no início, o quinteto estava no auge em matéria de performance em cima de um palco e todos encontram espaço para brilhar aqui. Tolkki inspiradíssimo (como nunca mais tivemos oportunidade de ouvir) realiza ótimos duelos com Jens Johansson, enquanto Jari Kainulainen e Jörg Michael são simplesmente precisos. Já Kotipelto brilha, não só pela interpretação, superior até mesmo ao que escutávamos nos trabalhos de estúdio, como também por ser altamente participativo, dando espaço para o público durante todo o tempo.


O set list é covardia. Clássicos como “Forever Free”, “Kiss of Judas” “Speed of Light”, “Black Diamond” e “Paradise” vão fazer qualquer fã cantar junto, principalmente nos refrões para lá de grudentos, uma característica única do Stratovarius nesse período, mas que infelizmente parecem ter perdido nos dias de hoje. Isso sem esquecermos de grandes músicas como “Distant Skies”,  “Twilight Symphony”, “Will The Sun Rise?” e “Forever”, talvez a mais bela balada composta pelo Stratovarius. A produção já era ótima, com tudo bem claro, cristalino e bem equilibrado, mas ficou ainda melhor agora, com a remasterização de Mika Jussila (responsável pela masterização original).A parte gráfica foi toda refeita por Alexander Mertsch, que vem trabalhando nos últimos relançamentos da earMUSIC, como Gamma Ray, Savatage e os ao vivos do Deep Purple, com ótimos resultados. Aliás, o encarte vem recheado de fotos e notas.

Felizmente, para os fãs da banda e de Metal Melódico em geral, a Shinigami está lançando o material no Brasil, fazendo dessa uma aquisição obrigatória aos mesmos. O ápice da carreira do Stratovarius, sem sombra alguma de dúvida!

NOTA: 9,0

Stratovarius (gravação):
- Timo Kotipelto (vocal);
- Timo Tolkki (guitarra);
- Jari Kainulainen (baixo)
- Jörg Michael (bateria)
- Jens Johansson (teclado)

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