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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Stratovarius - Visions of Europe - Live (1998/2016)


Stratovarius - Visions of Europe (1998/2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


CD1
01. Intro
02. Forever Free
03. Kiss Of Judas
04. Father Time
05. Distant Skies
06. Season Of Change
07. Speed Of Light
08. Twilight Symphony
09. Holy Solos

CD2 
01. Visions
02. Will The Sun Rise?
03. Forever
04. Black Diamond
05. Against The Wind
06. Paradise
07. Legions

O auge! É isso que Visions of Europe retrata, o Stratovarius em sua melhor forma, não só criativa como também em matéria de performance. Gravado nos dias 11 e 14 de setembro de 1997, nas cidades de Milão (Itália) e Atenas (Grécia), durante a turnê do clássico Visions (97), o trabalho mostra o ápice do quinteto formado por Timo Kotipelto (vocal), Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Jörg Michael (bateria) e Jens Johansson (teclado). E mais, ouso dizer que estamos diante do melhor trabalho ao vivo lançado por uma banda de Metal Melódico até hoje. Mas o que me leva a acreditar nisso?

Em primeiro lugar, a química que existia (ou parecia existir) entre os 5 membros do Stratovarius nesse momento. A entrada de Kotipelto na banda em 94 já havia causado uma pequena revolução na mesma, gerando o ótimo Fourth Dimension e no ano seguinte, com a chegada dos experientes  Jörg Michael (com passagens até então pelo Rage, Grave Digger, Running Wild e Axel Rudi Pell) e Jens Johansson (que “só” tinha tocado nas bandas de Dio, Ginger Baker e Malmsteen), tudo pareceu se encaixar perfeitamente. O resultado? Episode (96) e Visions (97), dois clássicos absolutos do estilo. Em segundo, o repertório de Visions of Europe beira a perfeição. Deixando completamente de lado a fase em que Tolkki era vocalista, se concentraram única e exclusivamente nos 3 últimos álbuns de estúdio até então, ou seja, retrata o melhor momento do grupo finlandês.

Uma coisa que já me despertava a atenção em 1998 e hoje, após o trabalho de remasterização, se reforça ainda mais, é a energia que emana do CD. Você consegue se imaginar no meio do público durante a audição do álbum e, em muitos momentos, se pega cantando junto com o mesmo, como se estivesse diante do palco em alguma das duas noites retratadas aqui. Como dito no início, o quinteto estava no auge em matéria de performance em cima de um palco e todos encontram espaço para brilhar aqui. Tolkki inspiradíssimo (como nunca mais tivemos oportunidade de ouvir) realiza ótimos duelos com Jens Johansson, enquanto Jari Kainulainen e Jörg Michael são simplesmente precisos. Já Kotipelto brilha, não só pela interpretação, superior até mesmo ao que escutávamos nos trabalhos de estúdio, como também por ser altamente participativo, dando espaço para o público durante todo o tempo.


O set list é covardia. Clássicos como “Forever Free”, “Kiss of Judas” “Speed of Light”, “Black Diamond” e “Paradise” vão fazer qualquer fã cantar junto, principalmente nos refrões para lá de grudentos, uma característica única do Stratovarius nesse período, mas que infelizmente parecem ter perdido nos dias de hoje. Isso sem esquecermos de grandes músicas como “Distant Skies”,  “Twilight Symphony”, “Will The Sun Rise?” e “Forever”, talvez a mais bela balada composta pelo Stratovarius. A produção já era ótima, com tudo bem claro, cristalino e bem equilibrado, mas ficou ainda melhor agora, com a remasterização de Mika Jussila (responsável pela masterização original).A parte gráfica foi toda refeita por Alexander Mertsch, que vem trabalhando nos últimos relançamentos da earMUSIC, como Gamma Ray, Savatage e os ao vivos do Deep Purple, com ótimos resultados. Aliás, o encarte vem recheado de fotos e notas.

Felizmente, para os fãs da banda e de Metal Melódico em geral, a Shinigami está lançando o material no Brasil, fazendo dessa uma aquisição obrigatória aos mesmos. O ápice da carreira do Stratovarius, sem sombra alguma de dúvida!

NOTA: 9,0

Stratovarius (gravação):
- Timo Kotipelto (vocal);
- Timo Tolkki (guitarra);
- Jari Kainulainen (baixo)
- Jörg Michael (bateria)
- Jens Johansson (teclado)

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Stratovarius - Destiny (1998/2016)


Stratovarius - Destiny (1998/2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


CD1
01. Destiny
02. S.O.S.
03. No Turning Back
04. 4000 Rainy Nights
05. Rebel
06. Years Go By
07. Playing With Fire
08. Venus In The Morning
09. Anthem Of The World
Bonus Tracks
10. Cold Winter Nights (European Edition Bonus Track)
11. Dream With Me (Japanese Edition Bonus Track)
12. Blackout (US Edition bonus track)

CD2 – Visions Of Destiny
01. Destiny
02. Paradise
03. Speed Of Light
04. S.O.S.
05. Anthem Of The World
06. Forever Free
07. Black Diamond
08. The Kiss Of Judas
09. Distant Skies
10. Forever

Definitivamente, a alemã earMusic vêm prestando um grande serviços aos amantes do Power Metal Melódico. Primeiro, vieram os relançamentos do Gamma Ray, remasterizados e recheados de materiais extras relevantes. Agora, chegou a vez de colocar no mercado todo o catálogo do Stratovarius, igualmente acompanhado de bônus e nova masterização. E bem, nada melhor do que começar isso lançando um dos grandes trabalhos do grupo finlandês, um álbum que fecha a sua era de ouro.

No período compreendido entre 1995 e 1998, o Stratovarius lançou 4 verdadeiras joias que marcaram seu auge criativo, Fourth Dimension (95), Episode (96), Visions (97) e Destiny (98). É justamente esse último que agora está sendo relançado, acompanhado do bootleg Visions Of Destiny, gravado na turnê de 1999 e que capta toda a força da banda naquele momento ímpar de sua carreira. Não soa como exagero dizer que também marca o fim de uma era. Por mais que Timo Kotipelto (vocal), Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Jörg Michael (bateria) e Jens Johansson (teclado) (os dois últimos não tocaram em Fourth Dimension, já que seus postos eram ocupados respectivamente por Tuomo Lassila e Antti Ikonen) ainda tenham gravado mais alguns álbuns juntos posteriormente a esse, algo já havia se quebrado, como em um prenúncio da crise que se abateria sobre os finlandeses anos depois e que quase decretou o fim da banda.

Destiny é um trabalho que chega perto da perfeição em matéria de Metal Melódico, tamanha sua qualidade. E só não a alcança por dois motivos, ter vindo depois de Visions, o auge criativo do Stratovarius, e exagerar no número de baladas presentes. Sim, porque por mais que o quinteto soubesse compor uma balada como poucos, acaba soando um pouco exagerado ter 3 delas em um álbum com 9 músicas. Ainda assim, aqui temos uma verdadeira aula de como mesclar Power Metal, passagens Prog, elementos sinfônicos, melodias grudentas e refrões marcantes.

Em sua versão original, Destiny possuía faixas verdadeiramente épicas em seu início e final. De cara, a faixa título, uma das composições mais fortes da história do Stratovarius. Um épico progressivo de mais de 10 minutos, com ótimos riffs e duetos da guitarra de Tolkki com o teclado de Johansson, elementos neoclássicos e um refrão marcante. Encerrando, tínhamos “Anthem Of The World”, com boas mudanças de andamento, melodias abundantes e um trabalho primoroso de Jens e seu instrumento. No quesito faixas rápidas, também não ficam devendo. “S.O.S.” possui riffs fortes, melodias cativantes, refrão marcante e um certo apelo pop. Já “No Turning Back” consegue ser quase tão boa quanto a clássica “Speed Of Light”, sendo possível traçar um paralelo entre as duas. Destaque para a bateria de Jörg Michael, que soa poderosa. Essas características também se fazem presentes em “Rebel” e suas ótimas melodias e duelos entre Tolkki e Johansson. A última da categoria “faixas rápidas” é “Playing With Fire”, enérgica, cativante e com uma pegada rocker.


O trabalho é complementado originalmente por mais 3 baladas. Ok, o Stratovarius sempre teve o dom para as mesmas, mas em um trabalho de 9 músicas, 33% das mesmas serem baladas soa um pouco exagerado. Ainda assim, é impossível questionar a qualidade de uma canção como “4000 Rainy Nights”, com um clima pomposo, uma ótima melodia e um refrão para lá de marcante. Uma das melhores de toda a carreira dos finlandeses. “Years Go By” é a faixa que eu tiraria de Destiny. Não, ela não é ruim, até possui um bom trabalho de guitarra, mas é indiscutivelmente a mais fraca das 3 baladas aqui presentes. Ainda temos “Venus In The Morning”, mais delicada, com um bom apelo progressivo e boa utilização de elementos sinfônicos.

Agora vamos ao material extra aqui presentes. No primeiro Cd, temos 3 canções que saíram de bônus respectivamente nas versões europeia, japonesa e americana. Dessas, “Cold Winter Nights” é certamente a melhor de todas. Rápida, melódica e cheia de energia, deveria ter entrado na versão padrão de Destiny, no lugar de “Years Go By”. “Dream With Me” é mais uma balada de qualidade, com destaque para sua bela linha de piano. Encerrando, temos uma versão para a clássica “Blackout”, do Scorpions, que ficou muito legal. Já no segundo Cd, temos o raro (até então) bootleg Visions Of Destiny, gravado no ano de 1999 durante a turnê de Destiny. Aqui temos uma mescla perfeita entre antigos clássicos, como “Paradise”, “Speed Of Light”, “Forever Free” ou “Black Diamond” e ótimas músicas presentes no álbum. Nele, podemos ouvir o Stratovarius em seu auge.

Felizmente a Shinigami nos presenteou com uma versão nacional desse clássico. A remasterização (realizada por Mika Jussila, o mesmo que masterizou o material original) fez muito bem ao álbum, o deixando ainda mais vibrante, e além de uma nova capa, o encarte ainda conta com notas abordando o período e muitas fotos. Em suma, um material imperdível, não só para os fãs da banda, como para qualquer um que aprecie Power Metal de qualidade. Realmente obrigatório!

NOTA: 9,0

Stratovarius (gravação):
- Timo Kotipelto (vocal);
- Timo Tolkki (guitarra);
- Jari Kainulainen (baixo);
- Jörg Michael (bateria);
- Jens Johansson (teclado).

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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Gamma Ray - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)

Gamma Ray - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


Disco 1:
01. Changes
02. Rich & Famous
03. As Time Goes By    
04. (We Won't) Stop the War    
05. Father and Son    
06. One with the World    
07. Start Running    
08. Countdown
09. Dream Healer
10. The Spirit
11. Sail On (Live)        
12. Changes (Live)

Disco 2:
01. One with the World (Live at Wacken 2011)    
02. Dream Healer (Live in Montreal 2006)    
03. Changes (Blast from the Past version)         
04. Rich and Famous (Blast from the Past version)         
05. One with the World (Blast from the Past version)         
06. Dream Healer (Blast from the Past version)        
07. Heroes (Preproduction)        
08. Dream Healer (Preproduction)        
09. As Times Goes By (Preproduction)         
10. (We Won’t) Stop the War (Preproduction)         
11. Dream Healer (Demo)        
12. Rich and Famous (Demo)    

Após sair do Helloween, Kai Hansen montou o Gamma Ray e começou a produzir freneticamente. Entre 1990 e 1991, soltou não só o elogiado debut da banda, Heading for Tomorrow, como também um EP (Heaven Can Wait), um vídeo da turnê de estreia (Heading for the East) e em seguida, já liberou seu 2º álbum, Sigh no More. Em um primeiro momento, não foi tão bem recebido, mas hoje, analisando de forma imparcial, podemos perceber como certas críticas foram injustas.

O maior “problema” de Sigh no More é não ser um típico álbum de Power Metal, como era esperado pelos fãs. Claro que temos presentes aqui canções com melodias, velozes, potentes, como manda a receita do estilo, mas na maior parte do tempo as influências de estilos como Metal Tradicional e Hard Rock ficam evidentes. Se isso por um lado o torna um trabalho menos típico do estilo, por outro dá a ele uma variedade maior.

Antes de falar mais um pouco do lado musical, vale ressaltar que Sigh no More apresentas duas mudanças em relação à formação que gravou Heading for Tomorrow, uma delas bem marcante. No lugar do baterista Matthias Burchardt, entrou Uli Kusch, que tempos depois assumiria as baquetas do Helloween, e a principal, Dirk Schlächter assumiu a outra guitarra, posto em que se manteve até 1997, quando migrou para o baixo (para quem não sabe, tocou o instrumento em duas músicas do debut, como convidado), onde permanece até hoje.

A sequência inicial é simplesmente matadora. “Changes” abre os trabalhos causando um pouco de estranhamento a quem esperava uma faixa típica do estilo, já que começa mais lenta e foge da fórmula tradicional. Com seu andamento mais variado, tem como destaques o desempenho de Ralf e o ótimo trabalho de guitarras. Em seguida, duas canções mais rápidas e de ótima qualidade, “Rich & Famous”, com refrão cativante e ótimos solos e “As Time Goes By”, uma das mais rápidas de Sigh no More, sendo outra que possui um refrão marcante. As três podem entrar tranquilamente no hall das faixas clássicas da banda. O problema é que dai para frente a inconstância toma conta do álbum, alternando entre faixas medianas ou fracas, como “(We Won't) Stop the War”, “Father and Son” e “Countdown” e que se aproximam em muito do trio inicial, como as típicas “One with the World” e “Start Running”, que possuem a sonoridade clássica do Gamma Ray e a quase épica e variada “Dream Healer”, com suas boas melodias e ótimo trabalho da dupla Kai e Dirk.

Essa edição de aniversário possui um Cd bônus muito legal, contendo versões ao vivo, regravações, demos e versões de pré-produção. Material que certamente fará a alegria dos fãs do Gamma Ray. Originalmente, Sigh no More foi gravado no KARO Studios, com produção e mixagem de Tommy Newton (Helloween, Kreator, Kamelot). Aqui, passou por uma remasterização pelas mãos de Eike Freese (Dark Age, Deep Purple, Deadlock) no Chameleon Studios. Já a capa original, de Roger Gorman (Metallica, Queensrÿche), foi substituída por uma de Hervé Monjeaud (Iron Maiden, Silent Force, Persuader) e o encarte, além de contar um pouco sobre essa fase da banda, também vem recheado de fotos. Ou seja, capricharam no pacote.

O tempo passa, as pessoas vão amadurecendo e deixando certos radicalismos de lado. Recebido com ressalvas na época de seu lançamento, Sigh no More acabou envelhecendo bem e se mostra hoje um álbum bem mais interessante, que foge da fórmula tradicional de se fazer Power Metal. Variado, pesado, com ótimas melodias e desempenhos individuais brilhantes, principalmente do trio Ralf, Kai e Dirk, talvez seja o momento de darmos uma segunda chance ao mesmo. Pode não ser o melhor trabalho dos alemães, mas ainda sim merece muito o nosso respeito.

NOTA: 8,0

Gamma Ray (gravação)
- Ralf Scheepers (vocal)
- Kai Hansen (guitarra)
- Dirk Schlächter (guitarra)
- Uwe Wessel (baixo)
- Uli Kusch (bateria)

Participações especiais:
- Piet Sielck (teclado/backings vocals)
- Tommy Hansen (teclado)
- Fritz Randow (tarol militar na faixa 6)
- Tommy Newton (guitarra nas faixas 5 e 8/backings vocals)
- Rolf Köhler (backings vocals)

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Stratovarius – Eternal (2015)




Stratovarius – Eternal (2015)
(Ear Music/Voice Music – Nacional)

01. My Eternal Dream
02. Shine In The Dark
03. Rise Above It
04. Lost Without A Trace
05. Feeding The Fire
06. In My Line Of Work
07. Man In The Mirror
08. Few Are Those
09. Fire In Your Eyes
10. The Lost Saga

Voltemos uns 20 anos atrás. Segunda metade dos anos 90/ início dos anos 2000 e o Power Metal Melódico é provavelmente o estilo mais popular do momento. Bandas e mais bandas lançando trabalhos de qualidade, obtendo boas vendagens e fazendo grande quantidade de shows. Nomes como Rhapsody, Gamma Ray, Edguy, Blind Guardian e Sonata Arctica estão entre os principais nomes do estilo.

Mas dentre todas, um nome se destacava pela qualidade inegável de seus álbuns, os finlandeses do Stratovarius. A maior prova de todo esse talento talvez esteja na sequência incrível de 5 álbuns clássicos em um espaço de apenas 6 anos, Fourth Dimension (95), Episode (96), Visions (97), Destiny (98) e Infinite (00). Infelizmente, desse ponto em diante, assim como o Power Melódico, a banda entrou em uma descendente de qualidade, que culminou com a conturbada saída do seu até então líder, o talentosíssimo (mas altamente problemático) guitarrista Timo Tolkki. Para muita gente, a história da banda acaba aqui.

Mas a verdade é que a carreira seguiu em frente. Matias Kupiainen assumiu o posto de guitarrista e se seguiram a isso Polaris (09), Elysium (11), dois álbuns de qualidade bem discutível e o razoável Nemesis (13), que parecia querer colocar a banda de volta nos trilhos em matéria de qualidade musical. Mantendo a freqüência de lançamentos a cada dois anos, agora chega à vez de Eternal, 15° álbum de estúdio da banda e que tem a função de superar seu antecessor em qualidade. Então a pergunta que se coloca aqui é uma só: Eles conseguiram?

Bem, existem duas formas de se responder essa questão, mas exatamente com a mesma resposta. Nemesis soou como uma boa tentativa de reinvenção, já que procurou sair um pouco daquele clichê virtuosismo/velocidade típico do estilo. A lógica seria dar continuidade a tal proposta de músicas um pouco mais diretas, cadenciadas e com riffs mais pesados, mas por algum motivo, isso simplesmente não ocorre aqui, já que buscam, ao menos em parte, resgatar aquele espírito do período clássico já citado mais acima. Em resumo, a opção foi voltar à repetição do mais do mesmo, por mais que tenham mantido algo do último Cd aqui. Abordando desse ponto de vista, a resposta a pergunta feita é bem clara. Não, Eternal não supera seu antecessor em matéria de qualidade.

Por outro lado, os fãs do Stratovarius querem exatamente isso, um retorno a sonoridade clássica da banda. Sonham com um novo Visions, um novo Infinite. Nesse ponto, não posso negar, o quinteto conseguiu em parte recuperar essa velha energia. Muito disso pode ser responsabilidade do guitarrista Jani Liimatainen, ex-Sonata Arctica, que mesmo não sendo membro da banda, participa do processo de composição das músicas. Para quem não sabe, Jani toca ao lado de Timo Kotipelto e Jens Johansson no Cain’s Offering, que lançou talvez o melhor álbum de Metal Melódico de 2015, Stormcrow, que acaba sendo de importância vital aqui. Muito do clima épico e das melodias presentes em Eternal foram evidentemente “chupadas” desse lançamento, o que certamente vai agradar em cheio aos fãs tradicionalistas da banda. Olhando por esse lado, fica claro que a resposta a ser dada é que sim, Eternal é um álbum superior a Nemesis.

Certamente o ponto mais positivo a respeito da saída de Tolkki da banda foi o fato disso ter aberto a possibilidade real de todos os membros participarem do processo de composição das músicas. Como antes tudo era centrado exageradamente no mesmo, a possibilidade de um material altamente repetitivo era muito maior. Claro que a sensação de Deja Vu vai se fazer presente em diversos momentos aqui, afinal essa foi à opção que o Stratovarius escolheu em Eternal, mas ainda sim isso permite uma diversidade um pouco maior do que o normal as composições. Aponto como destaque aqui “My Eternal Dream”, “Rise Above It”, “Feeding The Fire”, “In My Line Of Work” e a épica “The Lost Saga”, com seus quase 12 minutos e que encerra o álbum.

Se você espera originalidade, certamente não será em Eternal que irá encontrar. Se você não é fã de Metal Melódico, esse também não será o álbum que mudará sua opinião. Agora, se você busca atmosferas épicas, refrões bombásticos, velocidade e muitas melodias, Eternal certamente é um trabalho que irá te agradar em cheio. Do ponto de vista do que os fãs esperam, um trabalho superior a todos os seus antecessores.

NOTA: 7,5

Stratovarius é:

- Timo Kotipelto (Vocal)
- Matias Kupiainen (Guitarra)
- Lauri Porra (Baixo)
- Rolf Pilve (Bateria)
- Jens Johansson (Teclado)


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Borealis – Purgatory (2015)




Borealis – Purgatory (2015)
(AFM Records - Importado)

01. Past The Veil
02. From The Ashes
03. The Chosen One
04. Destiny
05. Darkest Sin
06. My Peace
07. Place Of Darkness
08. Welcome To Eternity
09. Sacrifice
10. Rest My Child
11. Purgatory
12. Revelation

Todo banger mais eclético tem suas fases dentro do Metal. Nesse momento, por exemplo, estou em uma de procurar escutar e conhecer bandas com uma pegada mais setentista, mas lá pela segunda metade dos anos 90, andei escutando muito Power Metal Melódico. Não que já não o fizesse antes ou não tenha continuado depois, mas era (é) algo feito com parcimônia. O que me incomoda demais no estilo hoje é a latente falta de criatividade de uma parte considerável das bandas, que se limitam a copiar ipsis literis o que já foi feito com mais qualidade por nomes consagrados do estilo. Falta criatividade.

Dentro desse panorama, a canadense Borealis já havia chamado a atenção de alguns fãs do estilo com seu debut, World of Silence (08), que mostrou uma banda com muito potencial de crescimento, algo que foi confirmado no trabalho seguinte, Fall From Grace (11). Esses álbuns acabaram gerando shows e turnês com nomes como Epica, Kamelot, Sonata Arctica, Evergrey e Saxon, além de uma participação no renomado festival americano ProgPower. Purgatory sem duvida vem para colocar o grupo em uma posição de destaque dentro do cenário Power Metal. Aqui o estilo é fundido com o Prog e o Metal Sinfônico, como têm sido comum nos dias atuais, mas acaba gerando uma sonoridade muito interessante e dando uma cara toda própria a banda. O ouvinte não fica com aquela sensação do “já ouvi isso antes” em nenhuma das 12 faixas presentes, por mais seja possível notar as bandas que serviram de referência para a construção da identidade da Borealis. O maior destaque aqui fica sem dúvida alguma por conta do ótimo vocalista (também guitarrista) Matt Marinelli, que possui um timbre absurdamente agradável e elegante, podendo ser colocado sem o mínimo esforço entre os grandes vocalistas do estilo da atualidade. As guitarras (Marinelli e Mike Briguglio) despejam riffs sólidos e pesados, mas que não abrem mão das ótimas melodias, enquanto a parte rítmica de Jamie Smith (Baixo) e Sean Dowell (Bateria) se mostra bem técnica e competente, sendo capaz de dar variedade as músicas. Já os teclados (Sean Werlick) surgem muito bem encaixados, gerando um clima sinfônico graças aos ótimos arranjos e enriquecendo o resultado final. Já os refrões são exatamente como devem ser, ou seja, grudentos. Destaques ficam por conta de “Past The Veil”, “From the Ashes” (onde rola um dueto com a vocalista Sarah Dee), “The Chosen One”, “Destiny”, “My Peace”, “Sacrifice” e “Purgatory”.

A produção é da melhor qualidade e consegue dar um ar moderno as guitarras, mas sem descaracterizar o estilo da banda. Isso ajuda muito no resultado final, já que em momento algum a música do grupo soa datada. Curte nomes como Nocturnal Rites, Kamelot, Evergrey, Savatage ou Symphony X? Então meu amigo, Purgatory é mais do que indicado para você, é simplesmente obrigatório, pois estamos diante de um clássico contemporâneo do Power Metal Melódico. Guarde bem esse nome, Borealis, pois ainda irá escutar falar muito deles. Duvido que um álbum do estilo bata esse em 2015.

NOTA: 9,0




quarta-feira, 3 de junho de 2015

Helloween - My God-Given Right (2015)




Helloween - My God-Given Right (2015)
(Nuclear Blast – Importado)

01. Heroes
02. Battle's Won
03. My God-Given Right
04. Stay Crazy
05. Lost In America
06. Russian Roulé
07. The Swing Of A Fallen World
08. Like Everybody Else
09. Creatures In Heaven
10. If God Loves Rock 'N' Roll
11. Living On The Edge
12. Claws
13. You, Still Of War

De unanimidade entre seus fãs no início da carreira até o ame ou odeie da fase Andi Deris, muita água passou por baixo da ponte no que tange ao Helloween. A verdade é que as viúvas de Kiske nunca irão aceitar plenamente Deris, independentemente de a banda ter lançado com o mesmo Master of the Rings (94), The Time of the Oath (96) e Better Than Raw (98), três álbuns de inegável qualidade. Até mesmo o controverso The Dark Ride (00) poderia entrar nessa lista, já que seus defensores são muitos. Agora, é inegável que de Rabbit Don't Come Easy (03) em diante a coisa começou a pender cada vez mais para trabalhos burocráticos, onde abusam de uma mesma fórmula que vêm mostrando fortes sinais de cansaço.

Produção moderna, muita melodia, bons riffs, linhas vocais que cativam o ouvinte, refrões pensados para grudar na cabeça e várias músicas naquele bom e velho esquema faixa pesada, rápida, guitarras cavalgadas, bateria veloz, que sempre marcou a carreira da banda. Mas apesar de já estar mais do que batida e cansada, surpreendentemente essa fórmula funciona muito bem no começo de My God-Given Right. Ouso dizer que a sequência inicial, que vai de “Heroes” até “Russian Roulé” é a melhor de um álbum do Helloween em muito, muito tempo. Mas então um problema que vem se arrastando há muito tempo no trabalho dos alemães, acaba por quase abater o trabalho em pleno voo: o excesso de faixas.

Juro que não entendo essa necessidade quase doentia de Weikath e Cia de nunca colocar menos de 60 minutos nos álbuns da banda. Na versão padrão entraram 13 faixas, mas fazendo um apanhado de todas as demais que saíram, chegamos ao número de 18 gravadas durante todo o processo. Será que é tão difícil assim, com uma quantidade tão grande de material, selecionar as 10 melhores e lançar um material enxuto, que fique na casa dos 45 minutos? O que existe de errado nisso? Bem, acho que nunca terei essa resposta, mas o que sei é que de “The Swing Of A Fallen World” em diante, os altos e baixos comuns nos últimos álbuns do Helloween aparecem com força. Resultado? Das 7 músicas restantes, as únicas que se encontram no mesmo nível da sequência inicial (ou próximo disso) são “If God Loves Rock 'N' Roll”, “Living On The Edge” e “Claws”. As demais, mesmo que não sejam ruins, estão nitidamente ocupando espaço, ou como costumamos falar por ai, são as tradicionais faixas de enchimento. Na versão Deluxe que escutei isso é ainda mais dramático, pois são 16 músicas e a partir de certo momento você começa realmente a rezar para que o Cd acabe, de tão cansativo que ele se torna.

Mas isso não significa que My God-Given Right não seja um álbum digno, afinal de contas, 8 em 13 é um belíssimo aproveitamento, não podemos negar. É nítido que aqui os alemães estão muito mais inspirados que em seus últimos lançamentos, sendo esse (do meu ponto de vista, ok?) seu melhor trabalho desde Better Than Raw. E olha que de lá para cá já se passaram 17 anos e 6 álbuns (sem contar o fraco Metal Jukebox (99) e o péssimo Unarmed (09)), um tempo considerável, ainda mais em se tratando de uma banda da categoria do Helloween. No final, o resultado aqui obtido acaba sendo uma das surpresas mais agradáveis de 2015 até esse momento, tendo como maiores destaques entre as faixas citadas, “Battle's Won”, “My God-Given Right”, “Lost In America”, “Russian Roulé” e “If God Loves Rock 'N' Roll”.

Sim, a produção mais uma vez foi realizada por Charles Bauerfind e como sempre não é menos do que primorosa, algo comum nos trabalhos da banda. Tudo limpo, claro, audível, moderno e pesado. Fiquei pensando em uma forma de finalizar essa resenha e resolvi então meu autoplagiar, repetindo aqui em boa parte o final da resenha de Straight Out Of Hell (13), uma das primeiras que escrevi para o A Música Continua a Mesma. O que temos aqui é um resumo da carreira do Helloween nos últimos anos. Um trabalho pesado, moderno, mas sem fugir ao estilo que os consagrou. Se tivéssemos aqui nove, no máximo dez faixas, teríamos um trabalho de excelente nível, mas ainda sim nos sobra um trabalho surpreendentemente bom. Se você curte a fase atual dessa lenda germânica, pode escutar esse trabalho sem medo. Já as viúvas do Kiske.....

NOTA: 8,0