segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cannibal Corpse - Red Before Black (2017)


Cannibal Corpse - Red Before Black (2017)
(Metal Blade - Importado)


01. Only One Will Die    
02. Red Before Black
03. Code of the Slashers
04. Shedding My Human Skin   
05. Remaimed
06. Firestorm Vengeance   
07. Heads Shoveled Off
08. Corpus Delicti   
09. Scavenger Consuming Death   
10. In the Midst of Ruin
11. Destroyed Without a Trace
12. Hideous Ichor

Simplesmente o maior nome do Death Metal de todos os tempos. Em quase 30 anos de carreira, o Cannibal Corpse desafiou lógicas e convenções. Apresentando uma sonoridade brutal, violenta e agressiva, abordando temas gore e macabros para a maioria dos mortais e apostando em capas repulsivas, o que gerou problemas com a censura de muitos países, conseguiram vender mais de 2 milhões de álbuns em todo o mundo, algo impensável para uma banda de tal estilo e temática.

E isso se torna ainda mais impensável quando constatamos que, ao contrário do que se esperaria de uma banda que está na estrada há tanto tempo e com tal sucesso comercial, o Cannibal Corpse não fez concessões em seu som, não o deixou mais palatável e nem aderiu a modernidades e experimentos. Ao contrário, sempre mantiveram o pé enfiado no acelerador e nunca abandonaram aquele Death Metal selvagem, pútrido e esporrento de outrora. Claro, nesse meio tempo evoluíram no quesito técnica, mas a sua essência musical se manteve a mesma. São fiéis aos seus fãs, e estes são mais que fiéis à banda.

Red Before Black é seu 14º álbum de estúdio e vem suceder o não menos que clássico A Skeletal Domain, de 2014. E se esse último soava mais escuro e sombrio, aqui temos uma banda mais selvagem, implacável e um pouco menos preocupada com o quesito técnica, soando assim ainda mais feroz que de costume. Os vocais de George "Corpsegrinder" Fisher continuam brutais, enquanto as guitarras de Rob Barrett e Pat O'Brien despejam ótimos riffs, além de solos que esbanjam selvageria. Na parte rítmica, Alex Webster e Paul Mazurkiewicz esbanjam peso, boa técnica e bastante variedade. Em suma, tudo que o fã sempre espera.


Como sempre, estamos diante de um trabalho bem variado, onde partes velozes e agressivas se alternam muitíssimo bem com outras mais cadenciadas e brutas. “Only One Will Die”, com seu esmagador riff de abertura, se mostra uma escolha perfeita para a abertura. “Red Before Black” tem uma saudável pegada Thrash, enquanto a espetacular “Code of the Slashers”, com sua introdução cadenciada e brutalidade posterior, deve se tornar um clássico da banda. Ótimos momentos cadenciados também dão as caras em “Remaimed”, uma típica faixa do Cannibal Corpse, “Firestorm Vengeance”, “Corpus Delicti” e “Hideous Ichor”. Já “Scavenger Consuming Death” se destaca pela ótima linha de baixo de Alex, enquanto “In the Midst of Ruin” e “Destroyed Without a Trace” se mostram simplesmente esmagadoras.

A produção voltou a ficar nas mãos de ninguém menos que Erik Rutan e está excelente, com a bateria soando mais à frente que nos álbuns anteriores. Mantendo a tradição, a capa mais uma vez é obra de Vince Locke e é uma das mais legais da banda até hoje, saindo um pouco do usual. Pode uma banda lançar “o mesmo álbum” 14 vezes e ainda assim não se repetir e soar genial? Bem, com Red Before Black prova que sim. Violento, rápido, técnico e soando mais selvagem do que nunca, o Cannibal Corpse não mostra qualquer sinal de cansaço, e entrega aos fãs de Death Metal o provável melhor álbum do estilo em 2017.

NOTA: 9,0

- George "Corpsegrinder" Fisher (vocal);
- Rob Barrett (guitarra);
- Pat O'Brien (guitarra);
- Alex Webster (baixo);
- Paul Mazurkiewicz (bateria).

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Human - Sad Modern World (2016)


Human - Sad Modern World (2016)
(Headcrusher Produções/A Fronteira Produções/Insulto Produções/Ihells Productions/Bixo Grilo/Odicelaf/Holocaust Prod. - Nacional)


01. Beyond Good and Evil
02. Make Your Choice
03. Sad Modern World
04. Evolution at Any Cost
05. Checkmate
06. We Can Live Our Time
07. Sweet Home of Stars
08. Ideal Created, Reality Denied
09. Break The Chains of Your Mind

Oriundo de Feira de Santana/BA e com 10 anos de estrada, o Human tem aquela trajetória típica de boa parte das bandas de nosso underground. Começou fazendo covers de Black Sabbath e Dio, até que sentiu a necessidade de dar espaço às suas ideias próprias. Lançaram um EP no ano de 2012, Leaving the Shadows, e finalmente chegam ao seu tão esperado debut. E o que esperar da estreia do quarteto formado por Pedro Neto (vocal), Níass (guitarra), Rafael Sampaio (baixo) e Clauzio Maia (bateria)?

Musicalmente falando, estamos diante de uma banda que mescla o bom e velho Heavy Metal Tradicional de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e Iron Maiden, com o Prog Metal que nos acostumamos a escutar em bandas como Queensrÿche e Symphony X. Isso acaba por gerar uma música bem arranjada, com boa técnica, peso e coesão. Sua música mostra-se intrincada na medida certa, sem exageros masturbatórios, e com muitas mudanças de tempo, o que acaba por gerar uma saudável diversificação.

As linhas vocais de Pedro Neto são boas, fortes e responsáveis por melodias agradáveis, com o mérito de ele não exagerar nos tons mais altos, uma falha que muitos vocalistas por aí cometem. A guitarra de Níass não esconde a influência de Tony Iommi e nos presenteia com bons riffs, além de solos bem elegantes. Na parte rítmica, Rafael Sampaio imprime linhas de baixo fortes e marcantes, enquanto Clauzio Maia imprime peso e variedade com sua bateria.

São 9 músicas que mostram boa qualidade, com destaques maiores para “Beyond Good and Evil”, intensa e que reflete bem a mescla de estilos executada pelo Human, a sabbathica “Sad Modern World”, a Prog “Evolution at Any Cost”, onde se sobressai o belíssimo trabalho de guitarra, “Sweet Home of Stars”, que mescla de forma bem interessante aquele Classic Rock setentista com Heavy Metal Tradicional, cativando assim o ouvinte, e “Break The Chains of Your Mind”, com peso de sobra, boa técnica, e que encerra muito bem o trabalho.


Gravado no Revolution Studio (Salvador/BA) e produzido, mixado e masterizado por Marcos Franco, Sad Modern World tem seu calcanhar de Aquiles justamente na produção. Entendam, não é que ela seja ruim, está audível, clara e você consegue escutar os instrumentos com clareza, mas os timbres poderiam ter sido um pouco melhor escolhidos e, principalmente, poderia e deveria ser menos crua. A proposta musical do Human pede sim algo mais polido, mas bem trabalhado, e o excesso de crueza te deixa com aquela sensação incômoda de que o resultado final poderia ser superior ao que escutamos aqui. Quanto à parte gráfica, concebida por Alexandre Damas, ficou muito bem feita. E o mais legal é que colocaram as letras em inglês e português no encarte, mostrando uma preocupação pouco vista por aí com a questão da absorção da mensagem por parte do ouvinte (já que, convenhamos, nem todos entendem inglês).

Mostrando bom gosto, competência e técnica, e executando uma música pesada e enérgica, o Human se sai bem em seu primeiro álbum completo, mostrando um potencial muito grande que pode e merece ser explorado. É só fazerem alguns pequenos ajustes, principalmente no que tange à produção, e estarão mais do que prontos para voos bem mais altos.

NOTA: 7,5

Human é:
- Pedro Neto (vocal);
- Níass (guitarra);
- Rafael Sampaio (baixo);
- Clauzio Maia (bateria).

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sábado, 28 de outubro de 2017

Moonspell – 1755 (2017)


Moonspell – 1755 (2017)
(Napalm Records – Importado)


01. Em Nome do Medo
02. 1755
03. In Tremor Dei
04. Desastre
05. Abanão
06. Evento
07. 1 de Novembro
08. Ruínas
09. Todos os Santos
10. Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso Cover)

Lisboa, 1 de Novembro de 1755. Era a manhã do Dia de Todos os Santos, com Igrejas e ruas lotadas por sua população, extremamente devota ao catolicismo. E quando falamos de Lisboa dessa época, é de uma cidade que se diferenciava muito do que conhecemos hoje, pois tinha um aspecto tipicamente medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas. Sua população era estimada em 300 mil habitantes. Sendo assim, imaginem a aglomeração de pessoas nessas mesmas ruas, nessa manhã de feriado religioso. Eis então que entre 9:30 e 9:40 da manhã, o mundo pareceu acabar.

Um terremoto com epicentro no mar, que atingiu entre 8,7 e 9,0 na escala Richter (que vai até 10), caiu em cheio sobre a cidade. Estima-se que 1/3 de suas construções ruíram nesse momento. As réplicas foram sentidas por um período de mais de 2 horas. Uma parte dos sobreviventes correu para a zona portuária, para nela se abrigar, sem imaginar o que estava por vir. O mar se retraiu, a ponto de poder ser avistado seu fundo, além de destroços de navios e cargas perdidas, e pouco depois um tsunami, com ondas de até 20 metros, atingiu Lisboa, varrendo cidade adentro e inundando diversas áreas. Imaginem o tamanho do terror que se espalhou entre a devota população lisboeta enquanto tudo isso ocorria. E como se não bastasse, boa parte do que ficou em pé acabou consumida por incêndios que duraram cerca de 5 dias. Estudos modernos estimam que cerca de 85% das construções foram destruídas e que algo entre 70 mil e 90 mil pessoas tiveram suas vidas ceifadas.


O impacto que tal desastre teve na sociedade portuguesa foi profundo. Pode-se dizer que mudou a história do país. E foi desse acontecimento que o Moonspell resolveu tratar em seu 12º trabalho de estúdio, simplesmente intitulado 1755. E para aumentar a força de tal escolha, optaram por cantar todas as canções em seu idioma pátrio, o que adianto desde já, foi realmente a escolha mais correta. Cantar na língua portuguesa não é uma novidade para o grupo, já que em diversos momentos da carreira o fizeram, sempre obtendo ótimos resultados, e sendo assim, tal opção não deveria ser motivo de preocupação para os fãs. Ao contrário, é algo a ser louvado, visto que muitos já sonhavam com a oportunidade de escutar um álbum todo cantado em português.

Musicalmente, uma coisa é indiscutível. O Moonspell sempre prezou pela integridade, por fazer o que quis, mesmo que isso tenha tido resultado discutíveis em alguns momentos, como The Butterfly Effect (99) e Darkness and Hope (01). Também não dá para discutir que mesmo em seus momentos mais questionáveis, conseguiu manter uma identidade sua, que é a mescla de agressividade com boas melodias góticas, além de sempre buscar não se repetir. Diversidade é uma palavra que se encaixa bem em sua obra. E olhe, podemos dizer que também pode ser aplicada em 1755, seu trabalho mais variado e rico até hoje.


Eis um álbum fascinante, que a cada audição cresce aos nossos ouvidos, pois vamos captando cada detalhe existente nele (e que não são poucos). Temos aqui uma incrível junção de Doom, Gothic Metal e Metal Sinfônico, onde momentos agressivos convivem com passagens épicas e grandiosas, com grandes coros e orquestrações, além de claro, aquele goticismo inerente à música do Moonspell. Além disso, conseguem de uma forma simplesmente incrível transpor para as canções a dor dos que sofreram com a devastação de 1755. Sua música é profunda, altamente emocional e em muitas passagens, você consegue se sentir vivendo o acontecimento. Você sente o terror do momento. Quantas bandas por aí podem se gabar de conseguir alcançar tal resultado? Poucas, amigos, bem poucas.

De cara, temos uma nova versão para “Em Nome do Medo”, uma das melhores canções de Alpha Noir, álbum de 2012. A letra se encaixa perfeitamente dentro do contexto do trabalho, e ganhou arranjos orquestrais simplesmente incríveis. Os vocais de Fernando, as orquestrações, os corais, tudo isso acabou por criar um clima de escuridão que soa perfeito para abrir um trabalho dessa magnitude. Na sequência, “1755” chega carregada de vigor e de força. Com uma diversidade impressionante, se destaca não só pelos riffs, como por suas partes sinfônicas, pelos coros e por uma saudável influência de sonoridades orientais. Em seguida, temos um dos pontos altos do álbum, a poderosa “In Tremor Dei”, canção recheada de detalhes, com um trabalho incrível do baixista Aires Pereira e participação mais do que especial do fadista Paulo Bragança, que terminou por dar grande profundidade e emoção à composição. “Desastre” chega intensa, escura e pesada, com ótimo trabalho vocal e um clima teatral que lhe faz profunda. Encerrando a primeira metade, temos “Abanão”, com boa dose de agressividade, ótimos coros e trabalho primoroso do baterista Miguel Gaspar.


A segunda metade abre com a ótima “Evento”, a mais diversificada de 1755. Aqui, além de ótimas melodias, temos uma alternância muito legal de passagens mais agressivas e velozes, com outras mais atmosféricas. As guitarras de Pedro Paixão e Ricardo Amorim também executam um belíssimo trabalho, com ótimos riffs e solo, algo que se repete na música seguinte, “1 de Novembro”. Aqui, temos boas melodias, ótimas orquestrações e mudanças de tempo interessantes. Já “Ruínas” possui uma forte carga emocional, com certa carga de melancolia e uma aura de desespero. Além disso, é outra que tem ótima utilização de elementos orientais. “Todos os Santos” é, sem sombra alguma, uma das mais fortes canções aqui presentes. É daquelas músicas onde o Moonspell mostra toda a sua capacidade de unir passagens mais agressivas com boas melodias e uma pegada gótica. Reflete perfeitamente o que é a banda. Encerrando o álbum, uma surpreendente versão para “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, uma música que nós brasileiros conhecemos muito bem. Peso e suavidade, características antagônicas em um primeiro momento, se unem para gerar uma aura triste, escura e melancólica, que se destaca principalmente pelas belíssimas orquestrações (o piano ficou perfeito aqui) e se mostra o encerramento perfeito para o álbum.

A produção ficou por conta do dinamarquês Tue Madsen, que já trabalhou com a banda no passado, e o resultado é simplesmente incrível. A forma como ele conseguiu deixar o som limpo e claro, a ponto de escutarmos cada detalhe, mas sem tirar a agressividade e o peso, foi simplesmente incrível. Uma das melhores produções que escutei em 2017. Já a bela capa é obra do português João Diogo e reflete perfeitamente o conteúdo lírico do álbum. Com um trabalho simplesmente fascinante e viciante, o Moonspell parece ter alcançado seu auge e conseguido o que parecia improvável, superar os clássicos Wolfheart (95) e Irreligious (96). Emocional, como o tema pede, 1755 se credencia como sério concorrente a melhor álbum de 2017. Não acredita? Então escute e tire suas próprias conclusões.

NOTA: 9,5

Moonspell é:
- Fernando Ribeiro (vocal);
- Pedro Paixão (guitarra/teclado);
- Ricardo Amorim (guitarra);
- Aires Pereira (baixo);
- Miguel Gaspar (bateria).

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Paradise Lost – Medusa (2017)


Paradise Lost – Medusa (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Fearless Sky
02. Gods of Ancient
03. From the Gallows
04. The Longest Winter
05. Medusa
06. No Passage for the Dead
07. Blood & Chaos
08. Until the Grave
09. Shrines
10. Symbolic Virtue

Com seu debut, Lost Paradise (90), o Paradise Lost assumiu a liderança do movimento Death/Doom. Com seu sucessor, Gothic (91), lançaram as bases do que viria a ser o Gothic Metal, estilo aperfeiçoado nos dois trabalhos seguintes, Shades of God (92) e Icon (93), e que encontrou a perfeição no irretocável Draconian Times. Com One Second (97), começaram um mergulho em suas raízes Goth/Synthpop oitentistas, o que acabou por resultar no melhor álbum do Depeche Mode não lançado pelo Depeche Mode, Host (99), incompreendido por boa parte dos fãs na época, mas hoje respeitado como um dos bons trabalhos de sua carreira. Ok, erraram a mão em Believe In Nothing (01), mas seu fraco resultado talvez tenha se dado muito mais pela interferência da EMI no processo de masterização (sem o conhecimento da banda) do que qualquer outra coisa.

Curiosamente, daí para frente começaram a seguir o caminho inverso. Se Symbol of Life (02) soava quase como uma continuação de One Second, Paradise Lost (05) marcou o retorno dos ingleses ao Doom, ainda que com forte influência gótica, terreno no qual se mantiveram firmes nos álbuns seguintes, In Requiem (07) e o ótimo Faith Divides Us - Death Unites Us (09). Já Tragic Idol (12) deu um passo além e levou sua música de volta ao período da dobradinha Icon/Draconian Times (para muitos, sua melhor fase), impressionando os fãs com sua qualidade. Não satisfeitos, se aprofundaram ainda mais em sua história em The Plague Within (15), colocando um pé em seu passado Death/Doom, com momentos que poderiam estar sem esforço algum em Gothic ou Shades of God. 


Como é possível observar, o Paradise Lost sempre foi uma banda inquieta e que em momento algum se dobrou a pressões. Sempre fez o que quis, quando quis, mesmo que dessa forma tenha colocado sua carreira em risco em alguns momentos. Sua integridade é o seu maior patrimônio. Fora isso, independentemente da fase e da sonoridade adotada, sempre existiu um DNA que fazia com que nos fosse possível identificá-los. Existe uma melancolia em suas canções que só eles conseguem imprimir, algo inimitável. Esse acaba por ser o fio condutor que consegue unir álbuns tão díspares como Lost Paradise, Draconian Times e Host. Nesses quase 30 anos de carreira, optaram por ser uma banda de vanguarda, aquela que desbrava os caminhos que virão a ser seguidos por seus parceiros, e foram muito felizes nessa missão.

E sempre guiados pelo instinto e principalmente, soando absolutamente espontâneos, os ingleses de Halifax chegam a Medusa, seu 15º álbum de estúdio, mantendo os dois pés bem firmes em suas raízes mais pesadas, mas sem abrir mão daquelas melodias marcantes que marcaram toda a sua carreira. E ouso dizer que aqui temos um trabalho que consegue soar ainda mais pesado, escuro e melancólico que The Plague Within, em um mergulho ainda mais profundo no Death/Doom do passado (claro que de uma forma muito mais refinada), e se aprofundando ainda mais nas influências oriundas de Gothic e Shades of God observadas no CD anterior.

Apesar de boa parte das músicas ser arrastada e ter aquela aura desoladora, Medusa é um trabalho que prima pela diversidade, pela riqueza musical. Diversificado, nos permite observar muitas mudanças de estrutura nas canções, além de uma variedade vocal muito grande, já que Nick Holmes  vai desde os guturais típicos do Death/Doom, até os vocais mais melodiosos que marcaram os momentos mais góticos da banda. Outro foco de diversidade está no ótimo trabalho das guitarras de Gregor Mackintosh e Aaron Aedy, que mostram aqui a excelência que lhes é imputada. Riffs que estão entre os melhores já compostos pela banda, lentos, além de solos melodiosos, fazem parte do repertório da dupla. O baixo de Stephen Edmondson soa com aquela solidez de sempre, além de muito pesado, enquanto o estreante baterista Waltteri Väyrynen (que, com seus 23 anos, sequer era nascido quando o Paradise Lost surgiu), parece ter trazido mais vitalidade ao som da banda, realizando um belo trabalho e se mostrando um substituto mais que à altura de Adrian Erlandsson.


O álbum abre com “Fearless Sky”, que já mostra de cara qual vai ser a pegada de Medusa. Lenta, densa, forte e pesada, tem aquela melancolia que é inerente ao Paradise Lost, além de um trabalho diversificado de Nick nos vocais. “Gods of Ancient” tem um ar sombrio (principalmente no que tange o trabalho vocal), enquanto “From the Gallows” se destaca pelo belo trabalho de bateria. Já a excelente “The Longest Winter” certamente entrará para o hall das músicas clássicas do Paradise Lost, trazendo quele ar gótico típico do Draconian Times, com ótimos vocais limpos de Holmes, características que se repete na elegante “Medusa”. A arrastada “No Passage for the Dead” traz os vocais guturais de volta ao jogo, além de contar com ótimas melodias de guitarra e muito peso. “Blood & Chaos” é a faixa “diferentona” do álbum, já que é mais acelerada e tem o apelo gótico mais forte de todas aqui presentes. “Until the Grave” encerra a versão padrão de Medusa mantendo todas as qualidades inerentes ao álbum. Na versão nacional, temos mais duas músicas, “Shrines”, com suas ótimas melodias, e a fortíssima “Symbolic Virtue”, que merecia ser mais do que uma bônus, pela qualidade aqui apresentada.

Gravado no Orgone Studios, mais uma vez, a produção, mixagem e masterização foram realizadas por Jaime Gomez Arellano (Cathedral, Ghost, Fen, Sólstafir), com ótimo resultado final. O trabalho de arte ficou por conta do Branca Studio, tendo ficado muito bom. Sombrio e desolador, Medusa é um pouco mais difícil que The Plague Within, não soa tão avassalador já na primeira audição, mas à medida que você vai escutando o mesmo, ele cresce de uma forma incrível e se torna único e poderoso. É um álbum que, acima de tudo, é capaz de despertar emoções profundas no ouvinte. Em resumo, um típico trabalho do Paradise Lost. Pode uma banda chegar ao auge de sua carreira mais de uma vez? Bem, aqui temos a prova que sim. Nasce mais um clássico!

NOTA: 9,0

Paradise Lost é:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria).

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Tupi Nambha - Invasão Alienígena (2016) (EP)


Tupi Nambha - Invasão Alienígena (2016) (EP)
(Independent - Nacional)


01. Invasão Alienígena
02. Antropofagia
03. Tribo em Guerra
04. Tupi Nambha
05. Galdino Pataxó
06. Feiticeiro
07. Ayahuasca

É louvável o crescimento de bandas brasileiras que optam por mesclar elementos tipicamente brasileiros (tanto na parte musical quanto na lírica) ao seu Heavy Metal. Em uma cultura tão rica quanto a nossa, esse tipo de fusão pode gerar resultados muito positivos. O Tupi Nambha é uma banda relativamente nova, surgida em Recanto das Emas/DF no ano de 2016 pelas mãos de Marcos Loiola (vocal) e Rogério Delevedove (guitarra), mas que, não disposta a perder tempo, já foi tratando de soltar seu EP de estreia.

A proposta aqui é muito clara. Sobre uma base que em muitos momentos remete ao Thrash/Groove Metal, incorporaram elementos musicais típicos de nossa cultura, com letras cantadas no idioma Tupi e que trata da etnia dos Tupinambás, que habitavam áreas do nosso litoral, na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo no período da chegada dos colonizadores portugueses no Brasil. E apesar do pouco tempo de estrada, mostram uma capacidade ímpar de equilibrar todos os elementos presentes em sua sonoridade de uma forma muito coesa, algo que não é lá muito simples de se fazer. Não é à toa que fazem parte do movimento Levante do Metal Nativo, ao lado de bandas como Tamuya Thrash Tribe, Armahda, Voodoopriest, Cangaço, Hate Embrace e MorrigaM.

Esse citado equilíbrio entre elementos étnicos, melodia e agressividade é decididamente o grande diferencial do Tupi Nambha. Abrem o EP com “Invasão Alienígena”, música onde os destaques ficam com os trabalhos vocal e percussivo. “Antropofagia” segue na mesma pegada, com a guitarra tendo seus momentos de destaque, graças aos ótimos riffs. Já “Tribo em Guerra” se mostra muito diversificada e com muitas mudanças de tempo, além de possuir um refrão que empolga, enquanto em “Tupi Nambha” a parte rítmica se destaca demais.
 

Já “Galdino Pataxó” é uma justa homenagem ao líder indígena Galdino Jesus dos Santos, que foi queimado vivo em Brasília no ano de 1997, por 5 jovens de classe alta da cidade que, apesar de condenados, acabaram não cumprindo sua sentença, já que possuíam pais muito influentes. É a mais tribal de todas as canções e não soa exagero afirmar que tem algo de Chico Science e Nação Zumbi na mesma. Encerrando o trabalho, temos uma bela sequência com “Feiticeiro”, cadenciada, pesada e com momentos que podem remeter ao Black Sabbath, e “Ayahuasca”, outra que abusa do peso e da intensidade.

Gravado, mixado e masterizado no estúdio Broadband, com produção de Caio Cortonesi (Dynahead, Arandu Arakuaa, Omfalos Miasthenia), o resultado é muito bom, já que está limpo, audível e com uma dose certeira de crueza (algo em que muitas bandas por aí erram a mão). Já a parte gráfica ficou por conta de João Rafael e do estúdio Fábula Ilustrações, com resultados muito legais. No fim, temos uma banda que não tem medo de arriscar e inovar em busca de sua identidade, mostrando um potencial latente de estar entre os principais nomes do Metal no Brasil muito em breve.

NOTA: 8,0

Tupi Nambha é:
- Loiola (vocal);
- Rogério Delevedove (guitarra).

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Weakless Machine - Manipulation (2017)


Weakless Machine - Manipulation (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulation
02. Get Ready
03. Tarred With the Same Brush
04. Burning All
05. Death Knocks On My Door
06. Kill
07. Pain
08. Tribal Wars
09. Unbroken

O Weakless Machine surgiu em Porto Alegre/RS, no ano de 2015, mas apesar do pouquíssimo tempo de estrada, resolveu não perder tempo e já partir para a gravação do seu debut. E olha, depois de escutar os cerca de 32 minutos de Manipulation, posso dizer sem medo que estamos diante de uma banda diferenciada, já que esse é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns nacionais que escutei neste ano.

A surpresa já começa quanto à sonoridade adotada pelo Weakless Machine. Ao contrário do que possamos imaginar, não investem em um Death ou Thrash Metal de pegada mais tradicional, como muitos bons nomes oriundos do Rio Grande do Sul. O quarteto, na época formado por Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra), Gustavo Razia (baixo) e Luke Santos (bateria) (que veio a sair da banda após a gravação, sendo posteriormente substituído por Renato Siqueira), aposta suas fichas em um Modern Metal que flerta em muitos momentos com o Thrash, o Groove e o Metalcore, e que soa absurdamente pesado e agressivo, além de possuir melodias verdadeiramente contagiantes.

Durante a audição de Manipulation, nomes como Machine Head, Trivium, Lamb of God, Slipknot, Metallica (pós-Black Album) e Killswitch Engage certamente virão à sua cabeça. Mas não pense que estamos falando de emulação, de cópia, pois a música do Weakless passa longe disso. Influenciado pelos nomes já citados, conseguem fazer uma música de muita personalidade e acima de tudo muito forte. Os vocais de Jonathan são ótimos, enquanto a guitarra de Fernando faz um trabalho primoroso, esbanjando ótimos riffs e melodias definitivamente grudentas. A parte rítmica de Gustavo e Luke transborda qualidade, peso, técnica e muita diversidade.

São 9 canções que vão direto ao ponto, sem espaço para enrolação e com alto potencial de destruir pescoços. “Manipulation” abre os trabalhos com muito de Groove, agressividade de sobra e ótimo desempenho da dupla Gustavo/Luke. O ótimo trabalho da guitarra, que despeja riffs furiosos, é um dos pontos altos da faixa seguinte, “Get Ready”, que além disso possui um refrão marcante. Já “Tarred With the Same Brush” se mostra avassaladora, esbanjando modernidade e brutalidade. Em alguns momentos, os vocais de Jonathan remetem aos de James Hetfield, o que não é pouca coisa. Mantendo a adrenalina alta, “Burning All” chega com ótimas melodias e muito peso. É dessas canções grudentas por natureza.


Localizada cirurgicamente no meio do álbum, certamente com a intenção de dar um refresco para o pescoço alheio, temos a ótima e introspectiva “Death Knocks On My Door”, mas logo em seguida a porradaria volta a imperar, com a bruta “Kill”, outra onde o Groove fala mais alto e a enérgica “Pain”. Já “Tribal Wars” se destaca não só pelos ótimos riffs, como pelo desempenho da parte rítmica, enquanto “Unbroken” encerra o álbum não só com melodias verdadeiramente grudentas, como também com um refrão marcante e diversidade de sobra.

Outro ponto alto aqui se dá com relação à parte técnica. A produção ficou a cargo de Renato Osório (Hibria), com mixagem e masterização feitas por Benhur Lima (ex-Hibria). O resultado final é excepcional, já que o som está claro, totalmente audível, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Uma das melhores produções nacionais que escutei neste ano. Embalado em um digipack caprichado, conta com capa e parte gráfica feitas por Tiago Masseti (Daydream XI), em um trabalho de altíssimo nível. Aqui temos a prova de que, mesmo com toda a crise que vive o país, é possível sim fazer um trabalho altamente profissional e que é capaz de colocar a banda em lugar de destaque.

Aqui temos não só a principal revelação nacional de 2017 até o momento, como também um dos melhores álbuns lançados por uma banda brasileira nesse ano. Se gosta de Modern Metal, esse é um trabalho que você precisa ter na sua coleção. Surpreendente e imperdível.

NOTA: 8,5

Weakless Machine (gravação):
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Luke Santos (bateria).

Weakless Machine é:
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Renato Siqueira (bateria).

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Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)


Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)
(Las Brujas Records - Importado)


01. Night Hag
02. El Pacto

O cenário latino-americano de Heavy Metal é riquíssimo, com ótimas bandas por todos os cantos, mas por algum motivo boa parte dos bangers brasileiros o desconhece quase que totalmente. E olha, não sabem o que estão perdendo. Formado por músicos experientes dentro do cenário argentino, o Witchour já é conhecido de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, pois apareceram por aqui com seu EP de estreia, The Haunting (15), onde apresentaram 4 músicas nas quais podíamos escutar um Death Metal Melódico bem técnico e com muita qualidade.

Agora, preparando-se para finalmente soltarem seu álbum de estreia, lançam o single Night Hag/El Pacto, a partir do qual podemos ter uma ideia clara do que nos espera. E bem, evolução é uma palavra que se encaixa bem aqui. O som não mudou, permanece aquele Death Metal Melódico moderno, calcado em nomes como In Flames e Soilwork, mas conseguiram dar aquele passo evolutivo que se espera de toda banda, já que se mostram mais maduros, coesos, agressivos e sim, mais melódicos.

Os vocais de Alejandro Souza (ex-Frater) se destacam pela diversidade, com ele se saindo bem tanto nos tons mais agressivos quanto nos limpos (esses surgem nos refrões). A dupla de guitarristas formada por Ezequiel Catalano e Federico Rodrigues (ambos ex-Climatic Terra) nos apresenta um trabalho verdadeiramente primoroso, com ótimos riffs e solos melodiosos. Por último, temos a parte rítmica, com o estreante baixista Marco Ignacio Toba (ex-Thabu) e o baterista Javier Cuello (Anomalia), que se mostra muito variada, pesada e técnica.


São apenas 2 músicas, mas que cumprem bem o papel de nos deixar na expectativa pelo debut do quinteto. “Night Hag” esbanja peso e agressividade, soando bem enérgica e contando com riffs ótimos, cortesia de Ezequiel e Federico. Já “El Pacto”, cantada em espanhol (e provando que se saem bem cantando em qualquer idioma), se mostra bem variada, com várias mudanças de andamento (com destaque principal para o desempenho da dupla Marco/Javier) e melodias realmente excepcionais.

Gravado no La Cueva de las Brujas, com produção de Ezequiel Catalano, o trabalho teve mixagem e masterização realizados por Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. O resultado final foi ótimo, com tudo claro, audível, pesado e agressivo, não deixando nada a dever se comparado com produções de alguns nomes já consagrados no cenário. Já a bela arte da capa foi obra de Julian Ciceri e mostra todo o cuidado que possuem com sua música.

Mostrando solidez, energia, agressividade, peso e uma capacidade ímpar de moldar ótimas melodias, o Witchour se mostra mais do que pronto para alçar voos bem mais altos e quem sabe, conquistar um lugar de destaque no cenário do Death Metal Melódico mundial. E aos interessados,  Night Hag/El Pacto está disponível para download gratuito no Bandcamp da banda.

NOTA: 8,5

Witchour é:
- Alejandro Souza (vocal);
- Ezequiel Catalano (guitarra);
- Federico Rodriguez (guitarra);
- Marco Ignacio Toba (baixo);
- Javier Cuello (bateria).

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