sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Suffocation - ...of the Dark Light (2017)


Suffocation - ...of the Dark Light (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Clarity Through Deprivation
02. The Warmth Within the Dark
03. Your Last Breaths
04. Return to the Abyss
05. The Violation
06. ...Of the Dark Light
07. Some Things Should Be Left Alone
08. Caught Between Two Worlds
09. Epitaph of the Credulous

Um dos nomes seminais do estilo. Inovadores e responsáveis pelo lançamento das bases do que podemos entender por Brutal Death Metal e Technical Death Metal. O Suffocation dispensa apresentações, afinal, são quase 30 anos de carreira (incluindo o hiato entre 1998 e 2002), nos quais deram uma contribuição inestimável ao Metal Extremo, além de, claro, terem lançado clássicos do porte de Effigy of the Forgotten (91), Breeding the Spawn (93) e Pierced from Within (95). Sua influência é algo incontestável.

Desde seu retorno em 2002, mesmo que não tenham alcançado a excelência de sua primeira fase, nunca lançaram algo decepcionante, já que trabalhos como Souls to Deny (04), Suffocation (06), Blood Oath (09) ou mesmo Pinnacle of Bedlam (13) estão muito acima da média do que ouvimos por aí. Para o lançamento de seu 8º álbum de estúdio, passaram por algumas mudanças de formação, já que do line-up que gravou o último álbum, tivemos as saídas de ninguém menos que o guitarrista Guy Marchais e do baterista Dave Culross (substituído por Kevin Talley, que também se retirou da banda posteriormente). Sendo assim, temos aqui duas estreias, Charlie Errigo (guitarra) e Eric Morotti (bateria). Uma curiosidade a respeito de tais mudanças é que ambos sequer eram nascidos quando o Suffocation estreou com o fantástico Effigy of the Forgotten.

E é justamente essa juventude que acabou por fazer um bem tremendo ao Suffocation, renovando o seu som. Mas calma, não estamos falando aqui que houve alguma mudança na sonoridade da banda, mas sim em matéria de energia. A entrada de 2 novos membros parece ter reacendido aquela chama inicial dos anos 90, já que sem qualquer tipo de exagero, ...of the Dark Light poderia ser o sucessor natural de Pierced from Within, o elo perdido entre os anos 90 e os 2000, já que em muitos momentos de suas 9 músicas somos remetidos à fase inicial do grupo, principalmente no trabalho das guitarras, onde o lendário Terrance Hobbs e o novato Errigo despejam riffs simplesmente incríveis. Na parte rítmica, o baixo de Derek Boyer soa simplesmente impactante, enquanto Morotti nos apresenta um trabalho de bateria intrincadíssimo. Quanto aos vocais, bem, é Frank Mullen cantando e não preciso dizer mais nada.


O álbum abre com a desoladora “Clarity Through Deprivation”, onde velocidade e cadência se misturam para gerar algo simplesmente brutal. A incrível sequência inicial ainda conta com “The Warmth Within the Dark” e seus riffs absurdamente cativantes e a técnica “Your Last Breaths”, onde o trabalho das guitarras e da bateria se sobressaem. Em “Return to the Abyss” é possível observarmos algumas melodias, mesmo que não abram mão da brutalidade em momento algum, enquanto “The Violation”, além de apresentar um ótimo trabalho vocal, transborda energia por todos os poros. “...Of the Dark Light” é outra que mescla com muita competência os momentos mais velozes com os mais cadenciados, e “Some Things Should Be Left Alone” apresenta um dos melhores riffs de todo o  trabalho. Na sequência final, temos “Caught Between Two Worlds”, que é outra que incorpora boas melodias mesmo sendo absurdamente agressiva e bruta, e uma ótima regravação para “Epitaph of the Credulous”, presente em Breeding the Spawn e que fecha o álbum de forma perfeita.

No quesito produção, repetiram o que vêm fazendo desde seu retorno, com a mesma ficando a cargo de Joe Cincotta. Já a mixagem e masterização, assim como no álbum anterior, foi realizada pelo renomado Zeuss (Carnifex, Crowbar, Kataklysm, Iced Earth, Queensrÿche, Municipal Waste, Soulfly). O resultado final é o melhor em anos, já que soa muito mais orgânica do que vínhamos observando anteriormente. Já a bela capa é obra de Colin Marks (Kataklysm, Exodus, Jeff Loomis, Nevermore, Fleshgod Apocalypse), saindo um pouco do padrão que estamos acostumados ver o Suffocation adotar.

Ao final, temos o seu trabalho mais forte nos últimos anos e seu melhor álbum desde o retorno em 2002. Com energia de sobra e composições agressivas, brutas, técnicas e complexas, mais uma vez o Suffocation vai fazer a alegria de seus fãs, mostrando a quem duvidava que ainda têm muita lenha para queimar e muita coisa boa para oferecer ao Death Metal. Um dos melhores trabalhos de Metal Extremo de 2017.

NOTA: 9,0

Suffocation é:
- Frank Mullen (vocal);
- Terrance Hobbs (guitarra);
- Charlie Errigo (guitarra);
- Derek Boyer (baixo);
- Eric Morotti (bateria).


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

The Night Flight Orchestra - Amber Galactic (2017)


The Night Flight Orchestra - Amber Galactic (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Midnight Flyer
02. Star of Rio
03. Gemini
04. Sad State Of Affairs
05. Jennie
06. Domino
07. Josephine
08. Space Whisperer
09. Something Mysterious
10. Saturn in Velvet
11. Just Another Night

Quando fiquei sabendo que o 3º álbum de estúdio do The Night Flight Orchestra sairia em versão nacional, não vou negar que abri um sorriso de orelha a orelha. Para quem não conhece o sexteto sueco, uma das bandas mais legais da atualidade, se trata de um daqueles projetos que chamamos de supergrupo. Sua formação conta com Björn “Speed” Strid (vocal/Soilwork), David Anderson (guitarra/Soilwork), Sebastian Forslund (guitarra), Sharlee D’Angelo (baixo/Arch Enemy, Spiritual Beggars, ex-King Diamond), Jonas Kälsbäck (bateria/Mean Streak) e Richard Larsson (teclado/Gathering Of Kings). Em resumo, só músicos do mais alto gabarito.

Quem escutou os dois excelentes trabalhos anteriores, Internal Affairs (12) e Skyline Whispers (15), sabe muito bem o que irá encontrar em Amber Galactic, mas se você desconhece por completo a banda e foca apenas nos grupos de origem dos músicos, se prepare para uma grande surpresa, pois a aposta aqui é no Classic Rock setentista, com grandes nuances de Rock Melódico/AOR/Rock de Arena. Saca aquela sonoridade típica da transição dos anos 70 para os 80, que consagrou nomes como Journey, Kansas, Boston, Foreigner, Styx, Toto, Survivor ou Eagles? É exatamente isso que você irá encontrar por aqui. E prezado leitor, isso é bom demais, acredite.

No The Night Flight Orchestra,  Björn “Speed” Strid tem a oportunidade rara de mostrar todo o seu talento como vocalista, comprovando de uma vez por todas que é sim, o melhor cantor daquela geração do Death Melódico surgida nos anos 90. Se não acredita, basta escutar o que ele faz por aqui. A dupla de guitarristas formada por David Anderson e Sebastian Forslund mostra uma competência impar, forjando ótimos riffs, enquanto a parte rítmica, com Sharlee e Jonas, esbanja talento, técnica e muito groove (e convenhamos, não podia ser diferente). Por último, cabe também destacar o excelente trabalho do tecladista Richard Larsson, que não só encaixa muito bem suas partes nas músicas, como faz solos inspiradíssimos. 


Já na abertura, o sexteto deixa bem claro a que veio. “Midnight Flyer” é uma faixa forte, que mescla algo de Prog Rock com Deep Purple, com bons riffs, ótimos vocais e solos. “Star of Rio” tem uma pegada mais Rock, novamente com as guitarras se destacando e um refrão bem marcante, enquanto “Gemini” é divertida, com uma melodia que cativa o ouvinte desde o primeiro segundo e um refrão simplesmente grudento, que você já se pega cantando de primeira. Vale deixar claro que sim, existe uma veia certa veia Pop na música do TNFO, que dá à sua música uma acessibilidade muito legal. Já “Sad State Of Affairs” soa como se o Kiss se encontrasse com o Rolling Stones, com ótimos resultados, e a balada “Jennie” tem muito de Supertramp nela, com destaque para o trabalho dos teclados.

A segunda metade do álbum abre com a ótima “Domino”, carregada de elementos de AOR e que vai te remeter fortemente ao Toto. O refrão simples e pegajoso vai te pegar de cara. “Josephine” possui uma veia pop bem legal, que vai te remeter diretamente ao início dos anos 80, enquanto “Space Whisperer” tem uma pegada um pouco mais Rock, com belo trabalho tanto das guitarras quanto do teclado. “Something Mysterious” me fez pensar de cara em Survivor, com uma levada mais cadenciada e bastante melodia, e “Saturn in Velvet” tem grande influência de Prog Rock, sendo a faixa épica do trabalho. Encerrando, temos uma versão muito legal para “Just Another Night” (Mick Jagger), que coloca o astral lá em cima e te faz dar aquele mergulho de cabeça nos anos 80.

Gravado no Handsome Hard Studio e no Nordic Sound Lab, Amber Galactic teve produção da própria banda, com sua mixagem tendo sido feita por Sebastian Forslund. Já a masterização, realizada no The Panic Room, ficou nas mãos de Thomas “Plec” Johansson. O resultado final é ótimo, já que além de ficar tudo perfeitamente audível, conseguiu deixar bem no clima da época, mesmo soando como uma produção atual. Mantendo o altíssimo nível dos trabalhos anteriores, e provando que não precisa copiar Black Sabbath ou Led Zeppelin para fazer um som que remeta aos anos 70, o The Night Flight Orchestra não só lançou um dos melhores álbuns de 2017, como também um dos mais divertidos.

NOTA: 9,0

The Night Flight Orchestra é:
- Björn “Speed” Strid (vocal);
- David Anderson (guitarra);
- Sebastian Forslund (guitarra);
- Sharlee D’Angelo (baixo);
- Jonas Kälsbäck (bateria);
- Richard Larsson (teclado).

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

R.I.V. – Welcome To Prog-Core (2016) (Demo)


R.I.V. – Welcome To Prog-Core (2016) (Demo)
(Independente – Nacional)


01. Headache
02. Animal
03. Freaks in Action
04. No...P.A.S.

O R.I.V., ou Rhythms In Violence, não é uma banda novata. Surgida em Minas Gerais ainda nos anos 80, durou até o ano de 1996, quando encerraram as atividades. Mas é aquela coisa, quando se é picado pela mosca azul do Metal, é difícil ficar afastado do mesmo. Eis que 20 anos depois, retornaram à ativa contando com 2 membros originais, Helbert de Sá (vocal) e Cláudio Freitas (guitarra), o baterista Ricardo Parreiras, que já havia tocado com a banda em sua primeira encarnação, e o baixista Rodrigo Boechat. E para marcar bem esse momento, optaram por lançar uma demo, intitulada Welcome To Prog-Core.

Prog-Core? O prezado leitor deve estar se perguntando o que seria isso, já que em um primeiro momento a mescla de Progressivo e Hardcore parece algo bem improvável. Por isso, confesso que foi com curiosidade que coloquei esse trabalho para tocar no som. Deparei-me então com uma sonoridade que mescla Crossover, Thrash, Hardcore e, sim, Progressivo, gerando assim uma música que confesso, não é das mais simples, já que possui um nível de complexidade um pouco acima da média, além de, claro, gerar uma sonoridade um tanto inusitada em alguns momentos.

Em primeiro lugar, temos aqui uma música pesada e agressiva, e quanto a isso não cabe discussão. Também não cabe contestar que o R.I.V. procura sair do lugar comum e buscar novas saídas para sua música, algo que deve ser visto de forma positiva. Em uma realidade onde quase todo mundo procura apenas emular nomes do passado, é legal ver alguém tentando soar diferente. Suas canções são muito bem trabalhadas, com muitas mudanças de tempo ocorrendo em espaços curtos, já que a música mais longa aqui não passa dos 3 minutos e 29 segundos, e bateria bem quebrada (olha o lado Prog aqui). Os vocais são agressivos e temos bons riffs, além de uma velocidade que aproxima sua sonoridade do Hardcore. 


Em resumo, não se trata de uma sonoridade de fácil digestão, e em alguns momentos, pode até soar um pouco confusa, precisando de um pouco mais de maturação. Nesse ponto, a produção um pouco deficitária tem total influência, já que em alguns momentos prejudica o trabalho do baixo e da bateria. Claro que essa linha mais crua e suja casa bem com a proposta sonora da banda, mas um pouco mais de clareza em todos os instrumentos ajudaria muito na compreensão. É um ajuste que vale a pena ser feito no trabalho vindouro da banda. Dentre as músicas aqui presentes, destacaria “Animal” (regravação de uma faixa antiga da banda) e “Freaks in Action”, que retratam bem a sonoridade do R.I.V. como um todo.

Cabe dizer que após a gravação desse trabalho, a formação foi alterada, e hoje conta com Helbert de Sá nos vocais e guitarra, Fabrício Soares no baixo e Ricardo Parreiras na bateria. É esse trio que está entrando em estúdio para a gravação do novo álbum, que será intitulado Progressive Core. Com alguns ajustes, definitivamente tem tudo para dar certo. Resta-nos agora esperar e ver se as expectativas por um bom trabalho se confirmam.

NOTA: 7,0

R.I.V. (gravação):
- Helbert de Sá (vocal);
- Cláudio Freitas (guitarra);
- Rodrigo Boechat (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria).

R.I.V. é:
- Helbert de Sá (vocal/guitarra);
- Fabrício Soares (baixo);
- Ricardo Parreiras (bateria)

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domingo, 3 de setembro de 2017

Melhores álbuns – Agosto de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de agosto na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
 
 
 
  
 
 
 
   

Menções Honrosas

Attic - Sanctimonious
 
 
 

 

sábado, 2 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Jorn - Life on Death Road (2017)
(Frontiers Records – Importado)
 

Que Jorn Lande é um dos vocalistas mais talentosos do Heavy Metal, isso não se discute. Mas por algum motivo, isso não significa que consiga manter uma constância em matéria de qualidade na sua carreira solo. Para seu 13º álbum de estúdio, Jorn cercou-se de músicos da atual formação do Voodoo Circle, Alex Beyrodt (guitarra/Primal Fear), Mat Sinner (baixo/Primal Fear, Sinner), Francesco Jovino (bateria/Primal Fear, Sinner) e Alessandro Del Vecchio (teclado/Hardline), além de contar com as participações especiais de Gus G (Firewind, ex-Ozzy Osbourne) e Craig Goldy (Dio Disciples, Resurrection Kings, ex-Dio) e o resultado foi simplesmente ótimo. Canções fortes, muita musicalidade, ótimas melodias e um vocal que beira a perfeição geraram não só um belíssimo álbum de Heavy Metal, como também o seu melhor trabalho desde o excelente The Duke (06). (8,0)

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Excalion - Dream Alive (2017)
(Scarlet Records – Importado)
 

A era de ouro do Power Metal Melódico pode até ter passado, mas muitos são os nomes que ainda se agarram ao mesmo com toda a força. Esse é o caso dos finlandeses do Excalion, que chegam ao seu 4º álbum após um hiato de 7 anos. Se você aprecia o trabalho de bandas como Stratovarius, Sonata Arctica e Freedom Call, certamente vai gostar muito de Dream Alive, já que aqui temos todos os elementos esperados em um bom CD do estilo. Um ótimo vocalista (o estreante Marcus Lång), guitarras pesadas e que nos entregam ótimas melodias, uma parte rítmica sólida, teclados bem encaixados, um pé de leve no Prog Metal e claro, ótimos refrões. Sim, não temos nada de novo aqui, mas é surpreendentemente legal. (8,0)

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Cortez - The Depths Below (2017)
(Salt of the Earth Records – Importado)
 

Sim, a cena Stoner/Doom está saturada e isso não é mistério para ninguém que a acompanha de perto. Mas mesmo dentro desse cenário, algumas bandas continuam a lançar bons trabalhos, como o caso dos americanos do Cortez. Ok, temos o básico aqui, ou seja, aquela mescla clássica de Stoner e Doom, com ótimos vocais e bom trabalho de guitarras com riffs chapados que te remetem aos anos 70, mas ainda assim o quinteto oriundo de Boston consegue dar à sua música certa diversidade que acaba por diferenciá-los um pouco dos emuladores que andam por ai. Nada revolucionário, mas certamente vai agradar aos fãs do estilo. (7,5)

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Nargaroth - Era of Threnody (2017)
(Inter Arma Records – Importado)
 

Após o lançamento de seu último álbum de estúdio, Jahreszeiten (09) e do ao vivo Black Metal Manda Hijos de Puta (12) (contendo gravações feitas em turnês na América Latina entre 2008 e 2011), não se ouviu falar muito mais do Nargaroth. Aparentemente, Ash (ou Kanwulf, se preferir), seu mentor, saiu mundo afora em uma jornada de conhecimento pessoal. E o resultado disso é uma sonoridade renovada, que consegue soar mais acessível, mas, ao mesmo tempo, mais desafiadora. Guitarras limpas se alternam com guitarras distorcidas, que despejam riffs explosivos e furiosos, vocais bem diversificados e algumas passagens mais atmosféricas, que dão à música do Nargaroth um ar mais sofisticado e bem interessante. Belo e turbulento. (8,0)

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Royal Thunder - Wick (2017
(Spinefarm Records – Importado)
 

Decididamente, os americanos do Royal Thunder são uma das bandas mais legais dessa leva Stoner Rock que tomou a cena de assalto nos últimos tempos, já que não se limitam à simples emulação. Seu som tem como base aquele Hard Rock com os dois pés fincados nos anos 70, recebendo doses de Blues, Rock Progressivo/Psicodélico e Doom. Além disso, contam com a incrível voz de Mlny Parsonz, que dá um diferencial ainda maior à sua música. Além disso, é possível notarmos alguns toques daquele Rock Alternativo noventista, que acaba por reforçar ainda mais sua identidade musical. Mostrando-se cada vez mais maduro, o Royal Thunder entrega aos seus fãs mais um álbum de altíssimo nível. (8,5)

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Barathrum – Fanatiko (2017)
(Saturnal Records – Importado)
 

Doze anos. Esse foi o tempo que os fãs de Black Metal ficaram sem ouvir um trabalho de inéditas dos finlandeses do Barathrum. Mantendo sua particularidade de possuir dois baixos (o que o deixa ainda mais intenso), o sexteto não dá refresco em seu 9º álbum de estúdio, nos presenteando com um Black Metal bruto, pesado, insano e agressivo. Além disso, as influências de Doom continuam marcando forte presença nas partes mais arrastadas e cadenciadas de sua música. Cru, sujo, extremo e esmagador. Dá para pedir mais? Não mesmo. (8,0)

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Kadabra - Devastation's Songs (2017)


Kadabra - Devastation's Songs (2017)
(Independente - Nacional)


01. Introspective
02. The Cage
03. Rite of Disorder
04. Chosen Few
05. Back Home
06. Obliterate
07. Pay The Price
08. Devastation's Song
09. You Are a Lie
10. Death Penalty
11. Pictures of War

Normalmente, o ciclo padrão de uma banda após surgir é aquele já conhecido por muitos que militam no underground: estabilização de uma formação, amadurecimento de sua sonoridade e composições através de muitos ensaios e shows (quando se consegue estes), e aí, depois de alguns anos de muita luta, parte delas chega ao seu trabalho de estreia. E a verdade é que fugir disso, tentando apressar o ritmo natural das coisas, normalmente não dá muito certo. Mas claro que existem algumas exceções.

Quando fiquei sabendo que o Kadabra havia sido formado apenas nesse ano de 2017, na cidade de Vinhedo/SP, e que mesmo assim já estava soltando seu debut, confesso que fiquei com os 2 pés atrás. E nem é uma questão de preconceito com bandas novas, mas sim porque na maioria esmagadora das vezes em que me deparei com bandas que aceleravam de tal forma aquele ciclo citado acima, o resultado era desastroso. Mas eu havia me esquecido de um detalhe muito importante em toda essa equação, chamado experiência, e isso o trio formado por Paulo (vocal/guitarra), Danilo (baixo) e Marcos (bateria) já possui, pois tem participação ativa no cenário de sua região, tocando inclusive em algumas outras bandas.

Em matéria de sonoridade, apostam em uma mescla bem interessante de Heavy e Thrash, pendendo mais para esse segundo, e que soa surpreendentemente madura e coesa, levando-se em conta o pouco tempo entre a formação do Kadabra e o lançamento de Devastation's Songs. Claro que as referências da banda ficam um pouco mais evidentes em diversos momentos (nomes como Slayer e Anthrax virão à sua cabeça em diversas passagens), mas nada que soe como simples emulação. Essa maior identidade virá inevitavelmente com a passagem do tempo, os ensaios e shows, é um processo natural pelo qual o trio irá passar.

A banda mostra boa técnica e apresenta um Thrash que, apesar das referências a nomes clássicos do estilo, não soa datado, tendo uma pegada mais atual que torna tudo bem interessante. Os vocais de Paulo se mostram bem variados, já que ele consegue alternar muito bem entre momentos mais melódicos e outros mais agressivos, sendo um dos pontos altos da audição. Seu trabalho de guitarra também é muito bom, sendo responsável por alguns riffs muito interessantes. Danilo e Marcos também se saem muito bem, o primeiro com linhas de baixo bem interessantes e o segundo, fazendo um ótimo trabalho durante todas as músicas. A verdade é que, individualmente, todos são muito bons no que se propõem a fazer.


Descontando-se a curta instrumental que serve como introdução para o álbum, temos 10 músicas que conseguem manter um bom nível, e mesmo com aqueles inevitáveis destaques, nenhuma delas ocupa espaço desnecessário no álbum. Valem ser citadas aqui a pesada “The Cage”, que alterna bem momentos mais acelerados com outros mais cadenciados, a veloz “Rite of Disorder”, com riffs fortes e ótimo desempenho da parte rítmica, a pesada “Obliterate”, “Devastation's Song”, bem diversificada e com bom trabalho de guitarra, e a melhor de todas, “Death Penalty”, bem agressiva, com bom trabalho vocal e refrão grudento.

No quesito produção, a mesma não compromete, já que está dentro da média, soando bem orgânica e seca, com todos os instrumentos perfeitamente audíveis. Mas ainda assim, um pouquinho menos de crueza, com algo um pouco mais refinado, cairia muito bem para o Kadabra, e é algo que deve ser mais trabalhado daqui para frente, já que hoje em dia, em uma realidade onde centenas de álbuns são lançados todos os meses e estão a um download ou streaming de distância, a produção, aliada à qualidade das músicas, separa quem fica de quem cai no esquecimento. Em uma realidade onde boa parte das pessoas consome músicas isoladas ao invés de álbuns completos, se sua canção não for capaz de se destacar em todos os sentidos diante do ouvinte, ela (e consequentemente o artista responsável pela mesma) tem 90% de chance de ser descartada de cara.

Não dá para negar que o Kadabra é uma agradável surpresa. Mostrando coesão e até mesmo boa maturidade para uma banda tão nova, se mostram praticamente prontos para voos mais altos. É questão de impor um pouco mais de identidade própria à sua música, e como já citado, trabalhar melhor a produção, e poderão sem sombra de dúvida entrar no primeiro time do Thrash Metal nacional. Um nome muito promissor e que deve ser acompanhado de muito perto daqui para frente.

NOTA: 7,5

Kadabra é:
- Paulo (guitarra/vocal);
- Danilo (baiixo/vocal);
- Marcos (bateria).

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sunroad - Wing Seven (2017)


Sunroad - Wing Seven (2017)
(Musik Records - Nacional)


01. Destiny Shadows
02. White Eclipse
03. In The Sand
04. Misspent Youth
05. Tempo (What Is Ever!)
06. Whatever
07. Skies Eyes
08. Day By Day (Delaying)
09. Craft Of Whirlwinds
10. Drifting Ships
11. Brighty Breakdown
12. Pilot Of Your Heart
13. Last Sunray In The Road

Quem acompanha com atenção o cenário do Hard Rock no Brasil, certamente já se deparou com os goianos do Sunroad, banda surgida no ano de 1996 e que, descontada uma coletânea e incluindo o EP Light Up the Sky (01), chega ao seu 7º trabalho de estúdio, intitulado Wing Seven. E se você conhece a carreira do quarteto, hoje formado por André Adonis (vocal/teclado), Netto Mello (guitarra), Akasio Angels (baixo) e Fred Mika (bateria, e único integrante original), já sabe que vai encontrar aqui um Hard Rock forte e enérgico, calcado na sonoridade oitentista do estilo e em bandas como Def Leppard, Europe, Stryper e Dokken, mas também capaz de trafegar com muita naturalidade entre polos opostos como o Heavy e o AOR. É essa mescla de melodia, peso e certa acessibilidade que torna a música deles tão interessante.

Quem teve a oportunidade de escutar seu trabalho anterior, o bom Carved in Time (13), foi capaz de detectar duas pequenas falhas que felizmente foram corrigidas aqui. A primeira dela tinha a ver com o trabalho vocal. Não que fosse ruim, ao contrário, já que a voz de Harion Vex era agradabilíssima, mas faltava agressividade nos momentos em que as canções pediam algo assim. E como uma falha puxa outra, isso causou o inconveniente de, apesar de o álbum ter canções criativas e bem tocadas, ele não possuir aquela canção marcante e que grudasse na cabeça do ouvinte.

Em Wing Seven temos a estreia do novo vocalista da banda, André Adonis, e ele consegue justamente dar esse algo a mais que faltou no trabalho anterior. Sua voz é bem variada e ele consegue trafegar de forma bem natural entre tons mais melódicos e mais agressivos, trazendo junto consigo a música do quarteto, já que agora sim temos aqueles momentos bombásticos e grudentos que haviam ficado em falta.

Vale dizer que a música do Sunroad não é chegada a grandes arroubos de técnica, por mais que sim, todos sejam bons em suas funções. Mas é justamente nisso que está um dos pontos positivos dos goianos, já que suas músicas acabam soando bem diretas, indo sempre direto ao ponto, como deve ser todo Hard Rock. Os riffs são simples e precisos e os solos possuem qualidade. A parte rítmica possui boa técnica e imprime não só peso, como boa variação, enquanto os teclados não surgem de forma exagerada, estando sempre muito bem encaixados nas canções. Os refrões são de fácil memorização, e boa parte deles te pega de primeira e, além disso, conseguem equilibrar muito bem momentos mais pesados com outros mais melódicos e até mesmo mais acessíveis. Em suma, os caras sabem muito bem o que estão fazendo e são certeiros dentro do que propõem em matéria de sonoridade.

 

São 13 canções, incluindo aí uma vinheta que, sinceramente, soa totalmente desnecessária e poderia ser limada do tracklist sem dó alguma. Por mais que esse seja um trabalho deveras homogêneo, algumas faixas acabam se destacando mais que outras. A sequência inicial nos dá um belo panorama do que é o Sunroad. De cara, a pesada “Destiny Shadows” mostra o lado mais Heavy da banda, com ótimos riffs e um refrão pra lá de marcante. Em seguida, “White Eclipse” tem seus pés fincados no Hard Rock, com suas ótimas melodias e boas guitarras, assim como a cadenciada “In The Sand”, que se mostra muito cativante. E ambas tem aquele ar mais acessível, algo de AOR implícito. Vale citar também a variada “Craft Of Whirlwinds”, onde peso e acessibilidade se equilibram muito bem, além de possuir um bom refrão (duvido você não se lembrar do Scorpions nessa hora), “Brighty Breakdown”, moderna e com bom peso, e a belíssima balada “Last Sunray In The Road”, com um ótimo arranjo de piano.

A produção, mixagem e masterização ficaram por conta da dupla Fred Mika e Netto Mello, com bons resultados. Está clara, audível, enérgica e pesada, mas com uma dose de sujeira que ajuda demais no resultado final. Ainda assim, um pouquinho menos de crueza seria legal, mas isso parece ser uma tendência seguida por todas as bandas de Hard Rock nacionais que escutei nos últimos tempos, e não chega a comprometer o resultado final. Já a belíssima capa foi obra de Rogério Paulo Menezes, com a parte gráfica do encarte tendo sido criada com Fred Mika.

Mesclando com muita competência o peso do Heavy Metal com a melodia do Hard Rock, e conseguindo dar às suas canções um ar mais acessível mas sem soar exagerado, o Sunroad lançou um dos grandes álbuns de Hard Rock no Brasil nesse ano de 2017, e tem tudo para agradar em cheio aos fãs do estilo. É manter essa pegada nos próximos trabalhos e quem sabe, poder começar a sonhar com objetivos bem maiores.

NOTA: 8,0

Sunroad é:
- André Adonis (vocal/teclado);
- Netto Mello (guitarra);
- Akasio Angels (baixo);
- Fred Mika (bateria).

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