sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Perc3ption - Once And For All (2016)


Perc3ption - Once And For All (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Persistence Makes The Difference
02. Oblivion's Gate
03. Rise
04. Immortality
05. Braving The Beast
06. Magnitude 666
- The Apocalypse Trilogy -
07. Welcome to The End
08. Extinction Level Event
09. Through The Invisible Horizons

Uma vez, o filósofo pré-socrático grego Heráclito de Éfeso afirmou que um homem nunca entrava duas vezes no mesmo rio, pelo simples fato de que na vez seguinte, nem o homem e nem o rio seriam mais os mesmos da vez anterior. Em resumo, da sua forma, afirmou que tudo na vida está em constante mudança. E convenhamos, evoluir como pessoa é algo muito importante.

Mas no meio do Rock/Metal a ideia de evolução costuma causar grandes arrepios nos fãs, já que na maioria das vezes o termo é utilizado para justificar mudanças drásticas de sonoridade, quase sempre erráticas. Mas existem aqueles casos em que o resultado é extremamente positivo, com a banda conseguindo dar um passo além em sua sonoridade. Esse é caso do Perc3ption, um dos principais nomes do Power/Prog Metal nacional e que já havia se destacado com um dos melhores trabalhos de estreia do estilo no Brasil, Reason and Faith, no ano de 2013.

O que ouvimos em Once And For All é uma banda que amadureceu demais nos últimos 3 anos, soando mais pesada, agressiva e diversificada do que no debut, mas sem abrir mão em momento algum da ótima técnica e das melodias que caracterizam seu som. A entrada do vocalista Dan Figueiredo ajudou demais nesse resultado, já que o mesmo mostra uma variedade muito maior do que seus antecessores no quesito vocal, abrindo assim um leque maior de opções para a música do grupo. Nada contra os vocalistas anteriores da banda, Luiz Poleto e Raphael Dantas, mas dificilmente esse álbum seria tão bom sem Dan.


A diversidade na parte vocal é um dos pontos altos, não só pela já citada qualidade de Dan, como também pelas participações especiais. Aqui ele conta com os apoios de Mariliane Brizzotti (em “Oblivion's Gate”, “Rise”, “Braving The Beast” e “Through The Invisible Horizons”), Rodrigo Ninrod (“Immortality”, “Magnitude 666”, “Persistence Makes The Difference”, “Braving The Beast” e “Through The Invisible Horizons”) e Rômulo Dias (“Persistence Makes The Difference”), o que dá uma riqueza nesse campo que inexistia em Reason and Faith. Mas seria injusto não citar os demais músicos do Perc3ption. Glauco Barros e Rick Leite estão afiadíssimos nas guitarras, despejando excelentes riffs e solos, além de soarem bem agressivos. Já a parte rítmica, com o baixista Wellington Consoli e o baterista Peferson Mendes, beiram a perfeição, tamanha a técnica e diversidade mostradas nas 9 canções aqui presentes. Glauco também foi o responsável pelos teclados, exceto em “Rise” e “Welcome to The End” (onde foram feitos por Edu Falaschi) e também pelos arranjos orquestrais. Saiu-se muitíssimo bem, já que em ambos os casos, não soa exagerado em momento algum, com as linhas de teclado e orquestrais surgindo muito bem e agregando em muito às músicas.

Nenhuma canção aqui soa fora do lugar e todas possuem muita qualidade, mas a sequência final, intitulada The Apocalypse Trilogy, soa realmente matadora. “Welcome to The End” dá o toque de acessibilidade necessário ao álbum, com suas ótimas melodias, enquanto “Extinction Level Event” tem um pé no Thrash, dado o peso e a agressividade das guitarras e vocais. Já “Through The Invisible Horizons” encerra magistralmente o trabalho, mesclando muito bem agressividade e melodia e deixando bem evidenciado o lado Prog do Perc3ption. Cabe também destacar a moderna “Immortality” e a diversificada “Oblivion's Gate”, onde o lado melódico acaba falando mais alto.

Gravado no Perc3ption Studios/SP, Once And For All recebeu pré-produção de Edu Falaschi, com produção de Glauco Barros, que também foi o responsável pela masterização e mixagem ao lado de Rodrigo Ninrod. O resultado final não fica devendo nada a grandes produções vindas do exterior, mostrando o alto nível do trabalho que vem sendo feito no Brasil. O trabalho gráfico também é belíssimo, um dos mais bonitos que vi esse ano, com concepção idealizada pela banda e execução por parte do baixista Wellington Consoli.

Sem exagero, esse certamente é um dos melhores trabalhos de Power/Prog já lançados no Brasil. Pesado, agressivo, técnico, diversificado mas sem abrir mão em momento algum das ótimas melodias, Once And For All é uma aquisição obrigatória para os amantes do estilo e de nomes como Evergrey, Kamelot, Threshold ou Pain Of Salvation. Um dos melhores álbuns nacionais de 2016!

NOTA: 9,0

Perc3ption é:
- Dan Figueiredo (vocal);
- Rick Leite (guitarra);
- Glauco Barros (guitarra);
- Wellington Consoli (baixo); 
- Peferson Mendes (bateria).

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

As Dramatic Homage - Enlighten (2016) (EP)


As Dramatic Homage - Enlighten (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Advert
02. Astral Infernal
03. Praxis
04. Enlighten
05. Full Moon Madness (Moonspell Cover)

Surgido no ano de 1999, o As Dramatic Homage é um dos nomes mais tradicionais do cenário do Rio de Janeiro, já tendo nesse tempo lançado duas demos, A Deep Inner Recital (01) e Atmosphere of Pain/Anthemns of Hate (05), um websingle, Ominous force for Ascension (10) e um Full Lenght, Crown (12), além de ter participado do tributo aos portugueses do Moonspell, Em Nome do Medo, em 2014. Agora, procurando manter seu nome em evidência enquanto trabalham em seu segundo trabalho de estúdio, soltaram esse EP, Enlighten, que conta com material inédito, uma regravação e o cover do Moonspell.

Quem conhece o trabalho do As Dramatic Homage, sabe que sua sonoridade é muito abrangente, abarcando estilos como Black, Death, Doom e Progressivo, os aproximando daquilo que se convencionou chamar de Avantgarde-metal. Sendo assim, caso esteja no time dos que nunca tiveram contato com a música da banda, saiba que primam pela liberdade criativa, não fazendo parte da proposta se prender a esse ou aquele estilo.

Após uma breve introdução, com a climática “Advert”, temos “Astral Infernal”, faixa que foge um pouco das características da banda, já que originalmente estava presente na demo de 2005. Apesar de mais agressiva e menos melodiosa, conseguiram imprimir muito da sonoridade atual nela, mas sem perder seu clima original. A faixa seguinte, “Praxis”, soa bem introspectiva, com boas melodias, além de guitarras e vocais limpos. “Enlighten” vem em seguida, sendo o grande destaque do trabalho. Aqui conseguem unir com muita qualidade agressividade e melodia. Os vocais de Alexandre Pontes são versáteis, indo de tons mais melódicos aos mais extremos com muita facilidade. As guitarras também executam um ótimo trabalho e a parte rítmica se mostra muito coesa. Por fim, os teclados são muito bem encaixados e surgem sem qualquer exagero. Encerrando, temos o cover para “Full Moon Madness”, do Moonspell, onde conseguem manter o clima da original.


A produção, masterização e mixagem ficaram a cargo da própria banda, tendo sido realizados no Hcs Studio/RJ. Ficou dentro da média do que observamos nas produções nacionais atuais, com instrumentos bem timbrados e totalmente audíveis. A arte da capa, muito bonita, consegue traduzir todo o conceito por trás do trabalho.

Mostrando grande variação musical e evolução em relação ao seu debut, o As Dramatic Homage tem tudo para agradar aos fãs de nomes como Arcturus, Ulver e afins, estando no primeiro time do Avantgarde nacional. Agora é esperar pelo segundo álbum e torcer para que não demore muito, pois pelo que escutamos aqui, ele promete.

NOTA: 8,0

As Dramatic Homage é:
- Alexandre Pontes (vocal/guitarra/programação);
- Alexandre Carreiro (guitarra)
- Leonardo Silva (teclado)
- Vinicius Rodrigues (bateria)

Gravação:
- Fabiano Medeiros (baixo)

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domingo, 13 de novembro de 2016

Metallica – Hardwired... to Self-Destruct (2016)


Metallica – Hardwired... to Self-Destruct (2016)
(Universal Music – Nacional)


CD 01
01. Hardwired
02. Atlas, Rise!
03. Now That We're Dead
04. Moth into Flame
05. Dream No More
06. Halo on Fire

CD 02
01. Confusion   
02. ManUNkind
03. Here Comes Revenge   
04. Am I Savage?   
05. Murder One
06. Spit Out the Bone

Você pode até discutir se o Metallica é ou não a maior banda da história do Heavy Metal, mas que definitivamente é a mais popular não está em discussão. São mais de 100 milhões de álbuns vendidos na carreira, o que os coloca entre os 40 artistas que mais venderam independentemente de estilo. Só o “Black Album” (91), que os alavancou de vez ao estrelato, vendeu algo entre 30 e 40 milhões de cópias desde seu lançamento. E bem, como qualquer nome que alcança tal status, os americanos hoje em dia despertam reações de amor e ódio entre seus fãs.

Tais reações são compreensíveis. Para um fã do Metallica que começou a escutar a banda com Kill ‘Em All (83), com seu Thrash básico e primal, não foi nada fácil ver a mesma cedendo às tentações do mainstream e abrindo espaço para um som mais melódico com Metallica (91) e mais ainda para a radical e contestada mudança de visual com a dobradinha Load (96)/Reload (97). Que me desculpem os que apreciam tais trabalhos, mas também não deve ter sido fácil ver a banda lançando logo em sequência um álbum abominável de tão ruim como St.Anger (03) e um documentário discutível como Some Kind of Monster (04). Ainda assim, mesmo o fã mais “das antigas”, lançamento após lançamento, continua nutrindo a esperança de um retorno aos velhos tempos.

Em Death Magnetic (08), o produtor Rick Rubin conseguiu, à sua maneira, empurrar a banda para um resgate de suas raízes Thrash, a aproximando mais de seu passado e agradando uma parte considerável dos fãs que desconsideravam o Metallica há algum tempo. Por sinal, Rick seria o produtor original de Hardwired... to Self-Destruct (inclusive com a banda e ele trabalhando em estúdio na composição de algum material nos anos que antecederam ao trabalho) e com Lars afirmando em 2013, para a Classic Rock, que o novo álbum soaria como uma continuação de DM. No final, a produção acabou ficando a cargo de Greg Fidelman, que havia realizado a gravação e mixagem deste.


Levando em conta todo esse panorama, somado também às faixas liberadas pelo Metallica antes do lançamento oficial, muitos se encheram de esperança de finalmente vermos em ação aquela banda que impressionou o mundo entre 1983 e 1988, com quatro dos trabalhos mais clássicos da história do Metal. Por bem, amigos, posso dizer que de certa forma tudo não passou de uma “Pegadinha do Mallandro”. Mas antes que você, caro “torcedor” do Metallica, comece a desferir impropérios contra minha pessoa, não estou dizendo de forma alguma que o material aqui não possui qualidade. O que quero falar é que, de forma alguma, estamos diante de um álbum de Thrash Metal. O que temos aqui é um material pesado, mas que privilegia muito a cadência em primeiro lugar, deixando a velocidade em segundo plano. Já em matéria de sonoridade, na maior parte do tempo Hardwired... to Self-Destruct remete àquele Metal mais melódico que a banda praticou nos anos 90, mas com uma influência maior de NWOBHM e uma pitada de Thrash que dá aquela dose maior de agressividade às canções. Ainda assim, esse é um trabalho um pouco inconstante, com momentos extremamente empolgantes, outros bons e alguns onde a banda se enfia em uma zona de conforto desnecessária e que acabam soando um pouco cansativos devido ao conservadorismo exacerbado.

São 12 músicas divididas em 2 cd’s e que beiram os 80 minutos de duração. Já na abertura do primeiro, temos um dos grandes momentos, com a conhecida “Hardwired”. Confesso que quando tive o primeiro contato com a mesma, semanas atrás, a considerei um pouco forçada e não havia me empolgado tanto, mas agora, dentro do contexto do álbum, me soou absurdamente empolgante. Veloz e agressiva, coloca um pé no passado remoto da banda, além de contar com um trabalho de guitarra muito bom. É também a canção mais curta de Hardwired... to Self-Destruct, passando por pouco dos 3 minutos de duração (as demais estão todas entre os 6 e 8 minutos, com pequenas variações). Simplesmente curta e grossa, um Thrash básico como havia muito tempo que não faziam. Em seguida, outra conhecida que agrada muito, “Atlas, Rise”. Mais cadenciada que a antecessora, tem riffs melódicos, um refrão que empolga e não nega as influências de NWOBHM. Preste atenção e vai escutar algo de Iron Maiden na mesma. Lembram quando falei a respeito desse ser um trabalho que remete mais à fase anos 90 do Metallica? Pois bem, “Now That We're Dead” é uma dessas canções que poderia estar em Load, por exemplo. Sua cadência reflete bem o que escutamos na maior parte do tempo e Lars, vejam só, consegue fazer um trabalho bem interessante na bateria. Entra no grupo das boas canções. “Moth into Flame” é outra das que haviam sido mostradas ao publico antecipadamente e era justamente a que mais tinha me agradado. Mais veloz que a maioria das músicas aqui presentes, é também a mais melódica de todas, primando pelos ótimos riffs e pelo refrão que empolga. Na sequência, temos a boa “Dream No More”, muito cadenciada, pesada e que pode ser considerada a “Sad But True” do álbum. Encerrando o primeiro cd, temos “Halo on Fire”, a maior das músicas aqui presentes. É daquelas canções do Metallica que vão crescendo de forma gradual até chegar em um final grandioso. Bons solos de Kirk e é o primeiro momento onde realmente escutamos o baixo de Trujillo fazer algo que se destaque, mas pode cansar alguns ouvintes enquanto não chega a seu melhor momento.


Vamos agora ao elo fraco de Hardwired... to Self-Destruct, que é o segundo cd. É aqui o momento onde a banda, como uma avestruz, enfia a cabeça no buraco da zona de conforto com vontade. As duas primeiras canções, as cadenciadas “Confusion” e “ManUNkind”, até possuem alguns momentos dignos aqui e ali, mas pecam pela duração que bate na casa dos 7 minutos. Se fossem um pouco mais curtas, soariam muito mais interessantes. A canção seguinte, “Here Comes Revenge”, até eleva novamente o nível, já que se trata de uma música bem sólida, com bom groove e guitarras com bom peso, mas a seguinte, “Am I Savage?” deixa a peteca cair novamente, apesar do bom pré-refrão.  “Murder One” é a homenagem da banda a uma de suas maiores influências, Lemmy Kilmister e seu Motörhead. Preste atenção na letra e encontrará diversas referências a “Deus”. Ainda assim, poderia ser uma música mais empolgante. Curiosamente, o ponto alto de todo o álbum está justamente nesse segundo cd e atende pelo nome de “Spit Out the Bone”. Ela não só é a melhor canção de Hardwired... to Self-Destruct, como também a melhor coisa lançada pela banda nos últimos 25 anos. Uma verdadeira pérola Thrash, enérgica, empolgante, com uma intensidade fora do normal e que já não ouvíamos há muito tempo vindo do Metallica. Todos brilham aqui, mas com destaque maior para as guitarras de James e Kirk e o baixo de Trujillo. Simplesmente matadora e que te deixa perguntando porque o álbum inteiro não segue essa pegada, já que é a prova definitiva de que eles ainda conseguem ser brilhantes.

No quesito produção, não tem muito o que falar, pois todos conhecemos o padrão Metallica de qualidade. Lars, James e Greg Fidelman (Black Sabbath, Bruce Dickinson, Slayer) foram os produtores, sendo que o último também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização ficou a cargo de Dave Collins (Bruce Dickinson, Sepultura, Mötley Crüe, Jason Becker, Sepultura). Quanto à capa, para mim simplesmente medonha, teve direção de arte a cargo de John Buttino (Black Label Society, Crowbar).

Ok, comparando com alguns de seus pares que lançaram álbuns esse ano, ainda perdem para o Testament, Death Angel e o Megadeth, mas ganham do Anthrax, o que não é pouca coisa, levando em conta o alto nível dos lançamentos. No final de tudo, posso afirmar que mesmo com alguns baixos da segunda metade em diante, Hardwired... to Self-Destruct é o melhor trabalho do Metallica nos últimos 25 anos. Simplesmente resolveram fazer o que fazem de melhor, Metal de qualidade, sem qualquer tipo de invenção ou tentativa de se adequar ao mercado. No final, isso é tudo que um fã realmente espera da banda. Só nos resta esperar que continuem assim.

NOTA: 8,0

Metallica é:
- James Hetfield (vocal/guitarra);
- Kirk Hammett (guitarra);
- Robert Trujillo (baixo);
- Lars Ulrich (bateria).

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Broken Jazz Society – Gas Station (2015) (EP)


Broken Jazz Society – Gas Station (2015) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Gas Station
02. Riot Spring
03. Mean Machine

NWOBHM, Thrash, Death, Power Melódico. Todos esses estilos, em maior ou menor grau, já estiveram no alto da roda gigante da popularidade do Rock/Metal. Hoje esse posto é certamente do Stoner, basta ver a quantidade de bandas que apostam no estilo brotando por todos os cantos mundo afora. Em Minas Gerais, um dos grandes celeiros de grandes bandas brasileiras, isso não poderia ser diferente.

É mais precisamente de Uberaba que vem o Broken Jazz Society, trio surgido em 2013 e que no ano seguinte lançou seu trabalho de estreia, o bom Tales From Purple Land, onde mostravam bom potencial de crescimento. Mas antes que você pense que se trata de mais uma banda que copia ipsis litteris a cartilha de riffs do Black Sabbath, saiba que os mineiros vão além disso, já que ao seu Stoner acrescentam doses de Hard, Rock Alternativo e algo de Grunge, gerando assim uma sonoridade mais abrangente do que a escutada na maioria de seus pares.

O peso dá o tom das músicas aqui presentes, mas sem abrir mão em momento algum de um certo ar acessível. Já na abertura, com “Gas Station”, podemos observar tal fato. Enérgica, a faixa começa com riffs arrastados, mas logo descamba para um refrão empolgante, tudo isso com boas guitarras e vocais de Mateus Graffunder e uma parte rítmica retona e eficiente, a cargo do baixista João Fernandes e do baterista Felipe Araújo. “Riot Spring”, faixa seguinte, se trata de uma regravação advinda do debut. Talvez por isso, se diferencie um pouco das demais, já que possui um clima mais sombrio. Aqui ela soa mais pesada, com destaque para o baixo de João e o bom refrão. O trabalho se encerra com a balada “Mean Machine”, um Classic Rock com evidentes influências de Southern Rock (principalmente Lynyrd Skynyrd), com bom peso das guitarras e, como nas canções anteriores, um refrão que se destaca.


Gravado por Ricardo Barbosa no 106Studio (Uberaba/MG) e com a mixagem e masterização a cargo de Gustavo Vazquez (Uganga, D.F.C., Miasthenia) no RockLab Studio (Goiânia/GO), o resultado final ficou muito bom. Tudo limpo, audível, pesado, bem timbrado e com a agressividade necessária. A bela capa foi obra de Rod Cauhi e consegue transpor para a mesma toda a sonoridade da música do trio.

Apresentando um trabalho mais maduro, coeso e enérgico que o debut, o Broken Jazz Society vai comprovando o potencial demonstrado no passado e se mostra mais do que pronto para um segundo álbum. E que esse não demore muito mais. Ah, aos interessados, tanto Gas Station quanto Tales From Purple Land estão disponíveis para audição no site da banda.

NOTA: 8,0

Broken Jazz Society é:
-  Mateus Graffunder (vocal/guitarra);
- João Fernandes (baixo);
-  Felipe Araújo (bateria).

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Inter Arma – Paradise Gallows (2016)


Inter Arma – Paradise Gallows (2016)
(Relapse Records - Importado)


01. Nomini    
02. An Archer in the Emptiness      
03. Transfiguration      
04. Primordial Wound      
05. The Summer Drones      
06. Potomac    
07. The Paradise Gallows      
08. Violent Constellations      
09. Where the Earth Meets the Sky

Uma das coisas mais legais do Heavy Metal é a sua capacidade de estar sempre se reinventando, mesmo contra a vontade dos mais tradicionalistas. Esse é o caso da música praticada pelo quinteto americano formado por Mike Paparo (vocal), Trey Dalton (guitarra), Steven Russell (guitarra), Joe Kerkes (baixo) e T.J. Childers (bateria). Quem acompanha a carreira do Inter Arma, sabe que não só estão sempre procurando inovar, ampliar seus limites, como também praticam uma música irrotulável. Doom, Post Metal, Black, Death, Sludge, Progressivo, Psicodélico, até mesmo Southern em alguns casos, tudo se encontra misturado no caldeirão de influências dos americanos.

Mas bem, inclassificável ou não, a música do Inter Arma é acima de tudo brutalmente pesada e desafiadora, e isso não é diferente em Paradise Gallows. Quem escutou seus dois últimos trabalhos,  Sky Burial (13) e principalmente o EP The Cavern (14), vai ter uma noção do que encontramos por aqui. Dando um passo à frente, eles vão mais a fundo em sua fusão de estilos, mas de uma forma absurdamente convincente e coerente, já que estamos diante de um trabalho coeso e não de uma mistura sem pé nem cabeça. Como bem li uma vez, são diferentes estilos em diferentes momentos.

Paradise Gallows é um dos trabalhos mais desafiadores que você vai escutar em 2016. Altamente denso e em muitos momentos, perturbador, pode assustar os menos acostumados com a proposta do Inter Arma, mas conquistará de cara os já familiarizados com a mesma. Aos primeiros, vos digo, esse álbum irá crescer a cada audição e quando menos esperarem, terão sido arrebatados por sua força. Seja por sua diversidade, por sua vibração, pelos seus riffs pantanosos e hipnóticos ou mesmo por sua ferocidade, quando menos notar terá sido conquistado pelo mesmo.


A abertura se dá com a instrumental “Nomini”, com suas guitarras melódicas, seguida por um dos destaques do trabalho, “An Archer in the Emptiness”, com seu acento Death, vocais infernais, riffs cortantes e bateria destruidora. Imagine uma batida de frente do Morbid Angel com o Neurosis e poderá ter uma vaga ideia da força dessa música. “Transfiguration” mantém a intensidade do álbum, com seus riffs Sludge.  É uma espécie de canção de transição, ligando os trabalhos anteriores com o novo, assim como ocorre com “Primordial Wound”, bem lenta e que pode remeter ao Neurosis. “The Summer Drones” é outro grande destaque, com seus elementos psicodélicos, pegada progressiva e belo desempenho de Paparo. “Potomac” é outra instrumental, também se destacando pelas melodias de guitarra, sendo seguida pela faixa título. Bem lenta, remete a trabalhos passados e tem como grande destaque o desempenho monstruoso de T.J. Childers. Por sinal, ele volta a se destacar na destruidora “Violent Constellations”, que chega a assustar por tamanho peso. Encerrando, temos a sombria e acústica “Where the Earth Meets the Sky”, com ótimos vocais limpos e que fecha o trabalho com chave de ouro.

Mixado e masterizado por Mikey Alfred, o resultado final da produção ficou muito legal, já que mesmo deixando todos os instrumentos audíveis, não abriu mão da sujeira que tal proposta musical pede. Já a belíssima capa feita por Orion Landau (uma das melhores de 2016), conseguiu prefigurar perfeitamente o conteúdo de Paradise Gallows. Tempestuosamente bela. Ao final de tudo, não é de se espantar que a popularidade do Inter Arma venha crescendo a cada lançamento, pois sua música, além de qualidade inegável, se mostra única e cada vez mais instigante, sem fronteiras. O que nos leva a uma pergunta básica: até onde o quinteto de Richmond pode chegar? Um dos melhores trabalhos do ano.

NOTA: 9,0

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine de Setembro. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

 
Inter Arma é:
- Mike Paparo (vocal);
- Trey Dalton (guitarra);
- Steven Russell (guitarra);
- Joe Kerkes (baixo)
- T.J. Childers (bateria).

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

HÅRD:ON - HÅRD:ON (2016)


HÅRD:ON - HÅRD:ON (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. We’re Not Going Home Tonight
02. Pole Dance
03. Jungle Girl
04. Devil Inside
05. Are You Afraid of the Dark?
06. Adrenaline
07. Liv' It Up (The Festival Song)
08. Here I Am
09. Between the Weed’n’Whisky

Se no passado não era algo comum encontrarmos boas bandas de Hard Rock no cenário brasileiro, esse panorama mudou, e muito, nos últimos anos. O estilo vem crescendo a olhos vistos em nosso underground, o que é algo para lá de positivo, pois quanto mais variedade estilística, mais forte ele se torna do ponto de vista musical. Formado em 2013 pelos experientes Alex Hoff (Exxotica) e Ricardo Bolão (SNAP), o HÅRD:ON finalmente chega a seu trabalho de estréia.

Contando ainda com o irmão de Alex nos vocais, Chris Hoff (que também canta no Rammstein Cover Brasil), HP Elliot na outra guitarra e Daniel Gohn na bateria, não é mistério o que encontraremos aqui. O bom e velho Hard/Glam oitentista, calcado em nomes como Mötley Crüe, Ratt e Twisted Sister (dentre outros nomes), enérgico e que se não apresenta nenhuma novidade, apresenta uma boa variedade, já que em alguns momentos flertam com estilos como AOR e o Heavy Metal. Ah, e claro, muita honestidade, energia e garra.

A capacidade que quinteto possui de forjar melodias grudentas é algo ímpar. Elas estão presentes em todas as músicas, assim como aquele clima festeiro e malicioso que se espera de um CD de Hard/Glam. Exemplos disso podem ser escutados “Pole Dance”, com um ótimo trabalho das guitarras e “Liv' It Up (The Festival Song)”, bem grudenta e melódica. Já a faixa de abertura, “We’re Not Going Home Tonight”, flerta levemente com o AOR, enquanto a intensa “Devil Inside” e a rápida e grudenta “Adrenaline” capricham no peso e possuem um pé no Heavy. Outra que capricha no peso é “Jungle Girl”, um Hard com pegada mais cadenciada e cheio da já citada malícia.


Agora vamos ao único porém do trabalho. Tendo seu instrumental sido gravado no Rocks Studio, em São Paulo e os vocais no Sound’n’Bulletproof, em Munique, Alemanha, o álbum foi produzido pela própria banda e teve masterização e mixagem realizados pelo renomado José “Heavy” Luiz Carrato (SP Metal, Patrulha do Espaço, Camisa de Vênus, Ira!, dentre muitos outros). Tinha tudo para ser uma produção de primeira, mas acabou um pouco abafada e crua além da conta. Ok, pode não comprometer tanto o resultado final, mas é um ponto no qual a banda deve avançar em seu próximo álbum. Já a capa, obra de Marcelo Calenda, é simples, funcional e deixa bem claro o que encontraremos quando o CD começar a rolar.

Apresentando um Hard/Glam de qualidade inconteste, calcado nos anos 80, direto, com melodias e refrões grudentos, mas que não abre mão do peso e de uma dose de agressividade, o HÅRD:ON já chega se credenciando para o primeiro escalão do Hard Rock brasileiro. É manter essa pegada e deixar que a estrada apare as arestas, pois o grande potencial aqui demonstrado os credencia para voos mais altos nos próximos anos.

NOTA: 8,0

HÅRD:ON é:
-  Chris Hoff (vocal);
-  Alex Hoff (guitarra);
-  HP Elliot (guitarra);
-  Ricardo Bolão (baixo);
-  Daniel Gohn (bateria).

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domingo, 6 de novembro de 2016

Melhores álbuns – Outubro de 2016


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de outubro na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
 
 
 
 

 


Menções Honrosas

Khemmis - Hunted