quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Attractha - No Fear to Face What’s Buried Inside You


Attractha - No Fear to Face What’s Buried Inside You
(Shinigami Records/Dunna Records)


01. Bleeding in Silence
02. Unmasked Files (Revisited)
03. 231
04. Move On
05. Mistakes and Scars
06. No More Lies
07. Holy Journey
08. Victorious
09. Payback Time

A história do Attractha é a de muitas bandas brasileiras. Surgida no ano de 2007, através das mãos de Ricardo Oliveira (guitarra) e Humberto Zambrin (bateria). sofreu por anos com a instabilidade em sua formação, já que não conseguiam encontrar um vocalista ideal, até que optaram por encerrar as atividades em 2011. Mas felizmente no ano seguinte resolveram retornar com a banda, com Marcos de Canha no posto de vocalista e soltaram o elogiado EP Engraved, onde mostravam um potencial incrível.

Com a repercussão mais do que positiva, se prepararam para finalmente soltar o tão sonhado debut, mas em meio ao processo de produção do mesmo, a eterna sina do Attractha voltou a atacar e Marcos de Canha teve de sair por problemas pessoais. Lá foram novamente na busca de um novo vocalista e no final de 2014, Cleber Krichinak veio a ser efetivado no posto. E lá foram novamente ao trabalho, afinal, um álbum precisava ser composto e lançado.

Trocas de vocalistas costumam ser traumáticas, afinal é um posto chave na banda. E quando o antecessor possui qualidades de sobra, a tarefa se torna ainda mais espinhosa para quem o substitui. Mas o single “Unmasked Files”, lançado em 2015, mostrou que os fãs não tinham por que se preocupar, pois Cleber pode ser colocado facilmente entre os mais talentosos do meio no Brasil. E mais, sua versatilidade, sua capacidade de cantar tanto mais melódico quanto agressivo, agregou demais ao Attractha.

No Fear to Face What’s Buried Inside You é o passo à frente que se esperava do quarteto hoje formado por Cleber Krichinak (vocal), Ricardo Oliveira (guitarra), Guilherme Momesso (baixo) e Humberto Zambrin (bateria). Mais maduro e coeso, é também um álbum mais pesado, diversificado e enérgico que o anterior. Como já dito, os vocais soam muito mais versáteis, enquanto a guitarra é não só responsável por ótimos riffs, como também por solos muitíssimos bem encaixados. Já a parte rítmica se destaca pela técnica, pela diversidade e claro, pelo peso que impõem às canções.


Chama muito a atenção a forma equilibrada de fazer música do Attractha. Seu Heavy Metal Tradicional tem uma pegada bem moderna, mas não exclui os elementos mais tradicionais do estilo. Também soa muito agressivo, mas em momento algum abre mão das boas melodias, que surgem a todo momento durante a audição do álbum. O resultado disso é uma sonoridade carregada de personalidade, algo raro de se encontrar por ai. Também não soam repetitivas, já que momentos mais velozes alternam com outros mais cadenciados, até mesmo dentro de uma mesma faixa. “Bleeding in Silence” foi uma escolha acertadíssima para a abertura, já que é carregada de energia, além de possuir um refrão muito marcante. É daquelas faixas que ficam na cabeça do ouvinte por um bom tempo. “231” tem uma levada mais cadenciada e com bom groove, que a torna mais acessível, mas sem que perca a agressividade e o peso. Destaque para o ótimo trabalho da guitarra. “Mistakes and Scars” é outra faixa fortíssima, agressiva e com ótimo refrão. Aqui o destaque vai para a parte rítmica, que faz excelente trabalho. Já “No More Lies” é uma Power Ballad das mais belas que escutei nos últimos anos, com um ótimo desempenho de Cleber Krichinak e participação especial de Maitê Godin. “Payback Time” encerra os trabalhos da mesma forma que foram abertos, ou seja, de forma enérgica e marcante.

A produção é outro caso à parte. No Fear to Face What’s Buried Inside You foi produzido por Edu Falaschi e teve a mixagem e masterização feitas por Damien Rainaud, que já trabalhou com nomes como Fear Factory, Almah, DragonForce, dentre outros. Simplesmente uma das melhores produções que escutei neste ano. Clara, limpa, com ótimos timbres, mas pesada e muito agressiva. A parte gráfica também é outro espetáculo. Embalado em um digipack caprichadíssimo, teve a capa e a arte concebidas pelo baterista Humberto Zambrin, com execução do renomado João Duarte (http://www.jduartedesign.com/).

A cada audição de No Fear to Face What’s Buried Inside You, ele cresce mais aos ouvidos. Não tem muito o que se falar aqui. Simplesmente um dos melhores álbuns de Metal lançados nesse ano de 2016. E podemos afirmar sem medo, o Attractha está mais do que pronto para voos muito mais altos.

NOTA : 9,0

Attractha é:
Cleber Krichinak (vocal);
Ricardo Oliveira (guitarra);
Guilherme Momesso (baixo);
Humberto Zambrin (bateria).

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Vox Mortem - The Endless Karma (2014) (EP)


Vox Mortem - The Endless Karma (2014) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Endless Karma
02. Operation Condor
03. Spiral of Disilusion
04. The Agnostic
05. Vermins of Christ

Caso o leitor desconheça, o Vox Mortem está longe de ser um nome novo na cena. Surgido no Rio de Janeiro no ano de 2004, o grupo lançou 2 demos e no ano de 2008, seu álbum de estreia, o bom The Worst Creature. Após mudanças de formação, entraram em um hiato de 4 anos e, após seu retorno, soltaram em 2014 esse EP, intitulado The Endless Karma.

Musicalmente, o Vox Mortem tem tudo para agradar os apreciadores de uma sonoridade mais old school, já que aposta em um Thrash Metal, com um pezinho no Crossover, totalmente influenciado por bandas dos anos 80, tanto nacionais como as de fora. Nomes como MX, Attomica, Korzus, Slayer, Nuclear Assault e D.R.I., inevitavelmente virão à sua cabeça durante a audição do EP.

Mas não se enganem, não se trata de simples emulação musical, já que o quarteto formado por Eduardo Martins (vocal/baixo), Exaú Xavier (guitarra), Jean Rezende (guitarra, ex-Deterion, ex-Masmorra, Brutal, Malespero) e Flávio Monteiro (bateria), formam um time experiente a afiadíssimo, que consegue imprimir uma identidade à sua música.  


Os vocais de Eduardo Martins não escondem a influência daquele Crossover típico de bandas como o D.R.I., enquanto a guitarra de Exaú despeja ótimos riffs (Jean entrou em 2015 e por isso não gravou o EP), bem agressivos, além de solos interessantes. A parte rítmica de Eduardo e Flávio também se sai muito bem, mostrando boa técnica, variedade e coesão. Dentre as 5 canções aqui presentes, aponto como destaque a enérgica e feroz “Endless Karma”, a empolgante “Operation Condor” e “The Agnostic”, bem pesada e violenta.

A produção é boa, ficando dentro da média que escutamos por ai. Limpa, audível, mas sem exageros, deixando assim certa crueza e agressividade que fazem muito bem à música do quarteto. Mostrando um trabalho coeso, equilibrado e muito consistente, o Vox Mortem vai agradar em cheio o público mais old school, e claro, moer alguns pescoços por ai. Que venha logo o segundo álbum de estúdio.

NOTA: 8,0

Vox Mortem é:
- Eduardo Martins (vocal/baixo);
- Exaú Xavier (guitarra);
- Jean Rezende (guitarra);
- Flávio Monteiro (bateria).

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Noise Emission Control – Désordre et Mépris (2016) (EP)


Noise Emission Control – Désordre et Mépris (2016) (EP)
(Independente - Importado)


01. Hurlez
02. L’An Pire
03. Désordre et Mépris
04. Computer
05. Le Style

A França sempre gerou bons nomes quando tratamos de música pesada. E é de lá que vem o Noise Emission Control, surgido no ano de 2006 e contando em sua formação com Fredd Furious (vocal), Dany Gozet (guitarra), Violent Dave (baixo) e Toff Belleverge (bateria). Nesse tempo, lançaram duas demos (em 2006 e 2009) e um álbum de estúdio, que leva o nome da banda, no ano de 2012. E após um hiato de 4 anos, eis que retornam com o EP Désordre et Mépris.

O quarteto aposta em um som direto, reto e carregado de energia, que mescla estilos como Hard Rock, Metal Alternativo, Hardcore e Punk. Não é à toa que definem seu som como High Energy Rock, um rótulo que talvez defina sua música com perfeição. Vocais agressivos, bons riffs, simples, mas funcionais e uma parte rítmica que imprime diversidade às canções fazem parte da receita.


São 5 faixas em menos de 14 minutos, o que faz com que o EP passe em um piscar de olhos. “Hurlez” abre os trabalhos com vocais bem agressivos e boa participação da parte rítmica. É possível detectar pequena influência de Stoner na mesma. Em seguida temos “L’An Pire”, enérgica e que resvala no Punk, além de possuir um refrão muito bom. “Désordre et Mépris” possui um bom groove e uma pegada mais alternativa, se destacando pelo peso. A abordagem Punk volta a dar as caras em “Computer”, única faixa cantada em inglês (as demais são em francês). Rápida e crua, possui riffs bem interessante. O encerramento se dá com “Le Style”, faixa bem sólida, onde se destaca a guitarra.

A produção é outro ponto positivo. A mixagem foi realizada por Phil Reinhalter, no Psykron Studio (Mercyless, Putrid Offal, Kaotoxin), enquanto a masterização ficou a cargo de Fred “Elmobo” Motte (Loudblast, Putrid Offal, ETHS), no Conkrete Studio. O resultado final é uma sonoridade clara, limpa, mas sem exageros, transbordando energia e peso. Já a parte gráfica foi elaborada pela dupla Rémi Delecroix e Cédric Duhez (MyOwnProd) e pela banda. Com um som nervoso, agressivo, direto e carregado de energia, o Noise Emission Control conseguiu forjar boas canções e que vão agradar em cheio a quem curte um som simples, pesado e descompromissado.

NOTA: 8,0

Noise Emission Control é:
- Fredd Furious (vocal);
- Dany Gozet (guitarra);
- Violent Dave (baixo);
- Toff Belleverge (bateria).

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Revanger - Gladiator (2015) (EP)


Revanger - Gladiator (2015) (EP)
(Rising Records - Nacional)

01. Enter Hades
02. Crazy Words
03. Hells Angels
04. The Evil Song
05. Gladiator
06. Chuva de Balas

O que nomes como Expose Your Hate, Outset, Sanctifier, Sodomizer, Son of a Witch, Kataphero, Primordium, Torment the Skies e Black Witch possuem em comum? Bem, além de fazerem parte do cenário nordestino, todas elas são oriundas do Rio Grande do Norte, um estado que a cada ano tem revelado mais e mais nomes promissores e de qualidade. A essa lista podemos acrescentar agora o Revanger, quinteto oriundo de Mossoró, surgido no ano de 2014 e que ano passado soltou seu EP de estreia.

Algo que me incomoda nos dias atuais é a urgência que algumas bandas possuem para soltar material logo, mas voltarei a esse assunto daqui a pouco. Antes, vamos falar um pouco da música contida em Gladiator. O quinteto mossoorense, na época formado por Patrick Raniery (vocal), Diego Miranda (guitarra), Diego Sampaio (guitarra), Guibyson Rodrigues (baixo) e Vicente Mad Butcher (bateria), aposta suas fichas naquele Heavy Metal Tradicional tipicamente oitentista, com alguns toques bem interessantes de Hard aqui e ali, remetendo assim a alguns nomes da NWOBHM do período citado.

Suas músicas, acima de tudo, se mostram honestas. Não procuram inventar e vão direto ao ponto, não faltando energia às canções, com destaque para a dupla de guitarristas, Diego Miranda e Diego Sampaio, que conseguem imprimir boas melodias durante a maior parte do tempo. O vocalista Patrick Raniery também se sai bem, procurando na maior parte do tempo evitar os agudos e respeitando o alcance da sua voz. O resultado é muito bom. Já a parte rítmica se mostra correta, com o baixista Guibyson Rodrigues se mostrando muito discreto durante todo o tempo, a ponto de em diversos momentos você até esquecer que existe um baixo aqui e o baterista Elison Duarte fazendo bem seu trabalho, obstante algumas pequenas falhas perceptíveis aos ouvidos mais exigentes.

Após uma introdução instrumental, entra “Crazy Words”, que possui um bom riff de guitarra, algumas melodias bem grudentas e um bom trabalho vocal. A faixa seguinte, “Hells Angels”, tem uma saudável influência de Hard e um refrão de fácil assimilação, daqueles que você pega em um piscar de olhos. Além disso, tem um solo bem interessante. “The Evil Song” não foge muito do esquema das anteriores, ou seja, Heavy Tradicional sem firulas, com bom trabalho de guitarras. A cadenciada “Gladiator” é o ponto alto do EP, com seu clima épico, peso e refrão feito sobre medida para se cantar junto. O encerramento se dá com “Chuva de Balas”, cantada em português e que remete diretamente aos primórdios da música pesada no Brasil.


Mas vamos voltar agora àquela urgência que comentei no início da resenha. Hoje em dia vejo muitas bandas com pressa para soltar seu material, não procurando amadurecer sua música antes, corrigir aquelas falhas que surgem aqui e ali e sem investir devidamente em produção. E bem, tudo isso pode ser percebido em Gladiator. Não dá para discutir o grande potencial que o Revanger possui, ele é latente, mas fechar os olhos para certas questões é maldade. Falta um pouco mais de originalidade à sua música, que é um tanto quanto simples e precisa ser melhor trabalhada em alguns aspectos, como por exemplo, nas partes de bateria (melhor utilização do bumbo, acertar o tempo de algumas viradas). O baixo também poderia se fazer mais presente. Não obstante, a banda sofreu mudanças justamente em sua parte rítmica após o lançamento, com as entradas de Rodrigo Fontes (baixo) e Elison Duarte (bateria).

Mas a produção é realmente o calcanhar de aquiles aqui. Eu sempre bato nessa tecla de que de nada adianta, no concorrido mercado atual, lançar material com produção “meia boca”, que isso soa mais como um desserviço à banda, já que com a facilidade de se conhecer novos nomes nos dias de hoje, bandas que não investem nesse quesito na maioria das vezes acabam descartadas na primeira audição, por uma geração de ouvintes cada vez mais preguiçosa de prestar atenção em aspectos positivos. Ela é crua em excesso, e para o próximo trabalho, algo mais refinado seria de bom tom. Além disso, a timbragem, principalmente da bateria, não ficou muito legal, outro aspecto que deve ser melhor trabalhado.

Ainda sim, ao final, entre mortos e feridos, temos uma banda que mostra grande potencial para os trabalhos futuros. São nítidas também a honestidade e a paixão com que tocam cada nota aqui presente. Aparando algumas arestas e com um pouco mais de rodagem, logo estarão no ponto para galgarem posições mais altas dentro do cenário metálico nacional.

NOTA: 7,0

Revanger é:
- Patrick Raniery (vocal);
- Diego Rosado (guitarra);
- Diego Nogueira (guitarra);
- Rodrigo Fontes (baixo);
- Elison Duarte (bateria).

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Darkher – Realms (2016)


Darkher – Realms (2016)
(Prophecy Productions - Importado)


01. Spirit Waker    
02. Hollow Veil     
03. Moths      
04. Wars     
05. The Dawn Brings A Saviour      
06. Buried Pt. I   
07. Buried Pt. II      
08. Foregone      
09. Lament

Normalmente, quando pensamos em uma música que soe sombria, claustrofóbica e que possua uma atmosfera de escuridão, já nos vem à cabeça guitarras pesadíssimas, vocais guturais assustadores e outras coisas do tipo. Mas nada pode ser mais equivocado do que esse tipo de pensamento, e Realms, primeiro álbum do Darkher, vem para provar isso de uma vez por todas. Para quem não conhece, o Darkher é um projeto da inglesa Jayn H. Wissenberg (vocal/guitarra), que é acompanhada de seu marido, o guitarrista/baixista Martin T Wissenberg  e do baterista Shaun 'Winter Taylor -Steels (ex-My Dying Bride, ex-Anathema).

Musicalmente, passei um tempo buscando uma forma de definir a sonoridade do Darkher. Cheguei a conclusão que me soa como se a Chelsea Wolfe se juntasse ao Sólstafir, mas com a Loreena McKennitt nos vocais. Mas ainda assim, por mais contraditória que minha fala possa parecer, o Darkher não se parece com nada disso, já que transpira identidade própria. Sua música mescla elementos de Folk, Gothic, Post Rock, Ambient e Doom Metal no mesmo caldeirão, fazendo surgir daí uma música sombria, emocional e no mínimo inquietante.

O maior destaque certamente é a voz de Jayn. Sinceramente, gostaria de descobrir seu segredo, pois ela consegue soar ao mesmo tempo frágil e sombria. Aliás, essa dicotomia permeia todas as 9 canções aqui presentes, já que conseguem despertar no ouvinte emoções totalmente díspares. Sentimentos como medo, melancolia, serenidade, êxtase, tudo vem à superfície durante a audição de Realms. O trabalho de Martin também ajuda muito nisso, já que não é exagero dizer que o contraste entre as guitarras e os vocais são o ponto central de várias composições.


O álbum abre com “Spirit Waker”, de clima bem sombrio e que serve de introdução para “Hollow Veil”. Aqui já temos a primeira amostra do que iremos encontrar. Guitarras suaves, atmosféricas, com riffs de pegada Doom, travando um embate com os vocais de Jayn. Some-se a isso o trabalho de bateria de Shaun e temos um clima para lá de sombrio. A faixa seguinte, “Moths”, mantém essa mesma pegada, com destaque para seu início, apenas com violão e voz. Já “Wars” faz jus ao título, mais uma vez repetindo o embate entre a voz e a guitarra, enquanto é guiada por uma bateria marcante. “The Dawn Brings A Saviour” vem para acalmar as coisas. Acústica, com um quê de Post Rock, tem um clima totalmente místico e esotérico. As duas partes de “Buried” trazem de volta o clima de escuridão ao trabalho, com bons riffs e uma atmosfera bem sombria. Mas o ponto mais alto de Realms se dá com suas duas últimas faixas. “Foregone”, presente no aclamado EP de 2014, The Kingdom Field, traz novamente o Post Rock à tona, além de possuir uma melodia dessas que ficam marcadas na memória do ouvinte. Já “Lament” é o encerramento perfeito, com toda a sua carga emocional e seu clima quase transcendental.

Confesso que poucas vezes tive a chance de escutar canções com tanta carga emocional quanto as que escutei aqui. Com uma melancolia perturbadora, e um lado espiritual muito aflorado, Realms é uma verdadeira viagem para a alma. Sua atmosfera intensa e inquietante é capaz de te levar da serenidade à angústia em questão de minutos, em um verdadeiro turbilhão de sentimentos. E convenhamos, quantos artistas possuem tal capacidade nos dias de hoje? Um dos melhores álbuns dos últimos anos e simplesmente essencial na coleção de qualquer fã de boa música.

NOTA: 9,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 64. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download: https://goo.gl/LTJDZm
Leitura Online: https://goo.gl/rlnyVA

Darkher é:
- Jayn H Wissenberg (vocal/guitarra)
- Martin T Wissenberg (guitarra/baixo)
Estúdio/Ao Vivo
- Shaun 'Winter Taylor -Steels (bateria)

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ENTREVISTA: DARKHER

Darkher: Sombrio, místico e espiritual
 

Não se deixe enganar pela frágil aparência de Jayn H. Wissenberg, o nome por detrás do Darkher. Essa falsa fragilidade esconde uma artista talentosíssima, capaz de compor músicas que despertam os mais profundos sentimentos nos ouvintes, graças à forte carga emocional e espiritual que as mesmas carregam. Após o magnífico EP de estreia, The Kingdom Field, lançado em 2014, Jayn está lançando o seu primeiro trabalho completo, Realms. e é sobre ele que tivemos a oportunidade de conversar.

01. Em 2014 você lançou o EP The Kingdom Field, que foi muito bem recebido pela imprensa especializada e pelo público. Isso causou algum tipo de pressão durante a composição de Relms?

Não, acho que se eu tentasse compor pensando nos outros, isso reprimiria qualquer inspiração que eu tivesse. Acho melhor ficar focada em fazer com que as faixas sejam o mais puras possíveis, sem influência do mundo exterior.

02. A crítica tem sido elogiosa com o novo álbum. Mas como tem sido a recepção do público a Realms?

Tem sido uma surpresa ouvir as reações ao álbum - da crítica e do público. Parece que ele foi recebido de um jeito bem positivo, depois de não sabermos muito bem o que esperar.

03. Poucas vezes escutei um trabalho com tamanha carga emocional e capaz de despertar tantos sentimentos durante sua audição. Essa era a sua intenção com Realms?

Sinto que o maior elogio que o álbum pode receber é quando uma pessoa me diz que ele se conectou aos seus sentimentos, portanto, muito obrigada. Não comecei a trabalhar no álbum com qualquer intenção que não fosse a de utilizar minhas composições como uma forma de expressar meus próprios pensamentos e sentimentos. Da mesma forma que alguém pode manter um diário ou escrever poesia, a criatividade é bem terapêutica. Essa é a razão pela qual faço música, para me sentir conectada à minha alma.


04. Suas letras e músicas despertam uma vasta gama de emoções nos ouvintes. Realms em muitos momentos traz a tona o lado mais escuro de nossos sentimentos, e muito disso vêm da melancolia que ele emana, além do clima introspectivo. Sendo assim, é inevitável de perguntar. A solidão te inspira? É dela que tira forças para compor temas tão fortes?

Eu realmente passo bastante tempo sozinha e sempre gostei da solidão, mas nunca me senti lá muito solitária. Gosto de criar espaço para as ideias surgirem e se materializarem. Assim que as músicas passam do estágio de composição, tenho o prazer da companhia criativa no estúdio e, claro, também ao vivo, o que realmente é o melhor dos dois mundos.

05. Ainda sobre inspiração. - Assistindo a seus vídeos no YouTube, me chamou a atenção a forte ligação que você têm com a natureza. O quanto isso desperta sua criatividade?
A natureza em si e estar na presença dela é a maior inspiração para essa música, juntamente com as emoções - é por esse motivo que gosto de gravar clipes ao ar livre, já que isso dá mais vida às canções.

06. Em suas composições, podemos perceber estilos diversos, como Post-Rock, Doom, Gothic, Atmospheric e Folk, sendo difícil definir sua música. Como escrevi na crítica que fiz de Realms, sua música me soou como se Chelsea Wolfe se juntasse ao Sosltafir, mas com a Loreena McKennitt nos vocais. Quais artistas tiveram alguma influência na construção dessa sonoridade única e difícil de rotular que possui?

Nenhuma banda específica influenciou o meu som, apesar de eu estar certa de que absorvi muito desses estilos que você citou com o passar dos anos. Quanto à produção, a intenção foi mais a de criar climas e contrastes com os sons que achei que complementassem as músicas - como uma paisagem emocional. 


07. Realms se mostra um trabalho ainda mais intenso que The Kingdom Field. Essa intensidade se dá por agora trabalhar como um trio? Esse é o caminho a ser seguido no futuro do Darkher?

Nesse álbum, meu marido e guitarrista Martin T Wissenberg contribuiu bastante com as guitarras atmosféricas sobrepostas às minhas guitarras mais pesadas ou mais delicadamente dedilhadas, e essa junção tem sido uma união criativa perfeita. Considero o Martin uma parte permanente e vital da banda, entretanto, nem sempre tocamos com um baterista. Mas como parece que funcionamos bem como um trio, essa certamente é a direção que eu imagino para o futuro.

08. “Foregone” estava presente no EP de 2014. Porquê a opção de a incluir em Realms?

Quando eu compus as músicas para o EP, a intenção sempre foi a de que ela fosse parte do álbum. Ela foi escrita logo após uma enchente que ocorreu neste vale em 2012. Quando outra enchente atingiu o Vale novamente, mas em uma escala maior, pareceu adequado incluí-la no álbum, já que tinha uma relevância bem forte com o tema em evidência.

09. O componente pessoal em suas canções me parece bem nítido e tenho a impressão que suas experiências pessoais têm forte peso nas mesmas. “Moths” é uma das canções de Realms que mais desperta o lado espiritual de quem a escuta. Você acredita em vida pós-morte e em um mundo espiritual?
Sim, acredito, e muito. Sempre acreditei na vida após a morte ou no reino espiritual desde pequena. Talvez seja reconfortante pensar que exista vida após a morte porque a morte é realmente aterrorizante e a perda daqueles que amamos é arrasadora, mas a espiritualidade é muito importante para mim. 


10. “Lament”, apesar de surgir pela primeira vez em Realms, data de 2012, sendo anterior até mesmo a The Kingdom Field. Ainda existem canções inéditas desse período?

Não, a única outra música desse período, mais antiga, na verdade, era "The Wreckage", que é lá de 2010 e teve sua demo incluída no CD bônus da versão especial de Realms.

11. Ainda sobre “Lament”, ela contrasta com o clima sombrio de Realms, encerrando o trabalho de forma bela e positiva. Essa opção foi proposital?

No fim, depois que tudo foi mixado e finalizado, senti que essa era a melhor posição para a música, por ter um declínio natural. Também gostei da ideia de colocar a primeira música composta por último no álbum.

12. Recentemente tocaram pela Inglaterra com o SubRosa e abriram para o Wardruna agora em novembro, além das diversas participações em festivais. Como tem sido a recepção do Darkher ao vivo?

Semana passada, abrimos para o Wardruna na Union Chapel em Londres e o público foi maravilhoso. Na verdade, temos tido uma resposta incrível do público mesmo sendo um show acústico sem bateria. É bem legal saber que as músicas funcionam bem de ambos os jeitos ao vivo.


13. Antes de tudo, agradeço pela entrevista e espero ter a chance de um dia a ver tocando ao vivo no Brasil. E o espaço é todo seu para suas considerações finais.

Muito obrigada por apoiar a nossa música e esperamos ir ao Brasil e tocar aí um dia.

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 64. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download: https://goo.gl/LTJDZm
Leitura Online: https://goo.gl/rlnyVA

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Older Jack – Metal Über Alles (2015)


Older Jack – Metal Über Alles (2015)
(Independente - Nacional)


01. Öl und Blut
02. Metal über alles
03. Fosa
04. In Namen das Geldes
05. Luft
06. Macumba
07. Wahnsinn
08. Das Ende

Minha primeira reação ao pegar o CD de estreia do Older Jack foi soltar um “what the fuck?”. Excetuando-se o nome da banda, tudo aqui é voltado para o idioma alemão. Foi então que vi de onde a banda era, Pomerode/SC, e entendi o que estava acontecendo. Para quem não conhece, a mesma é conhecida como a cidade mais alemã do Brasil e tem a língua germânica como co-oficial secundária desde 2010. Eu sabia que assistir ao Globo Rural de vez em quando me serviria para algo um dia.

Formada no ano de 2004, como muitas bandas Brasil afora, com a intenção de tocar covers de grandes nomes do Metal, o Older Jack seguiu o caminho natural das coisas, sem dar um passo maior que a perna e nesses 12 anos, foi sofrendo as naturais mudanças de formação, até se estabilizar no ano de 2010. Esse tempo também foi ideal para amadurecerem mais e mais como músicos e ajudou na busca por uma identidade sonora ao decidirem partir para temas autorais. Isso ajuda muito no resultado final de Metal Über Alles, seu trabalho de estreia.

E a influência alemã aqui não se estende apenas aos nomes e letras das músicas. Temos também doses generosas daquele Metal alemão típico de bandas como Accept e U.D.O., além de doses generosas de Stoner e influências de nomes como Judas Priest e Motörhead, esse último sendo responsável pela veia mais Rock que observamos em diversos momentos durante a audição. As canções possuem força e o idioma adotado as deixou com um ar ainda mais agressivo, algo que certamente não ocorreria se adotassem o inglês, por exemplo. Esse acaba sendo um belo diferencial.


São 8 músicas que mantêm um mesmo nível de qualidade, com riffs grudentos, boas melodias e peso, mas que em vários momentos pecam pela falta de variação, já que em alguns casos bate aquela impressão de escutar uma mesma música. O fato de as mesmas em sua maioria terem uma duração que varia entre os 5 e os quase 8 minutos, ajuda nessa sensação, já que algumas partes se repetem em demasia e cansam um pouco. Encurtar um pouco as mesmas ajudaria em um futuro trabalho. Dentre os destaques, aponto aqui “Öl und Blut”, enérgica, pesada, com vocais bem agudos e boas doses de Stoner, “Metal über alles”, com um ótimo trabalho das guitarras, “In Namen das Geldes”, com bom groove e destaque para o baixo e “Macumba” (sim, Macumba!!!), que soa como uma mescla de Thrash com Stoner.

A produção foi realizada no DIGI Studio, e apesar de não soar brilhante, ficou com boa qualidade e dentro da média. A música do Older Jack precisa sim de uma dose de crueza e conseguiram equilibrar muito bem isso, aliando sujeira e clareza sem cometer grandes exageros nem para um lado e nem para o outro. A escolha dos timbres também foi bem feliz. Já a capa, simples e totalmente funcional, foi obra de Makila Crowley.

Ao final da audição, fica aquela sensação de que, aparadas algumas pequenas arestas, o Older Jack tem um futuro brilhante pela frente. Aliando boas melodias, peso, agressividade e o diferencial das letras em alemão, os caras possuem tudo para nos próximos anos, galgarem postos importantes nos mais altos escalões do Metal nacional. É esperar para ver.

NOTA: 7,5

Older Jack é:
- Carlos Curt Klitzke (vocal)
- Hermann Wamser (guitarra)
- Deived Wachholz (guitarra)
- César Rahn (baixo)
- Bruno Maas (bateria)

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