Mostrando postagens com marcador Ambient. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ambient. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Darkher – Realms (2016)


Darkher – Realms (2016)
(Prophecy Productions - Importado)


01. Spirit Waker    
02. Hollow Veil     
03. Moths      
04. Wars     
05. The Dawn Brings A Saviour      
06. Buried Pt. I   
07. Buried Pt. II      
08. Foregone      
09. Lament

Normalmente, quando pensamos em uma música que soe sombria, claustrofóbica e que possua uma atmosfera de escuridão, já nos vem à cabeça guitarras pesadíssimas, vocais guturais assustadores e outras coisas do tipo. Mas nada pode ser mais equivocado do que esse tipo de pensamento, e Realms, primeiro álbum do Darkher, vem para provar isso de uma vez por todas. Para quem não conhece, o Darkher é um projeto da inglesa Jayn H. Wissenberg (vocal/guitarra), que é acompanhada de seu marido, o guitarrista/baixista Martin T Wissenberg  e do baterista Shaun 'Winter Taylor -Steels (ex-My Dying Bride, ex-Anathema).

Musicalmente, passei um tempo buscando uma forma de definir a sonoridade do Darkher. Cheguei a conclusão que me soa como se a Chelsea Wolfe se juntasse ao Sólstafir, mas com a Loreena McKennitt nos vocais. Mas ainda assim, por mais contraditória que minha fala possa parecer, o Darkher não se parece com nada disso, já que transpira identidade própria. Sua música mescla elementos de Folk, Gothic, Post Rock, Ambient e Doom Metal no mesmo caldeirão, fazendo surgir daí uma música sombria, emocional e no mínimo inquietante.

O maior destaque certamente é a voz de Jayn. Sinceramente, gostaria de descobrir seu segredo, pois ela consegue soar ao mesmo tempo frágil e sombria. Aliás, essa dicotomia permeia todas as 9 canções aqui presentes, já que conseguem despertar no ouvinte emoções totalmente díspares. Sentimentos como medo, melancolia, serenidade, êxtase, tudo vem à superfície durante a audição de Realms. O trabalho de Martin também ajuda muito nisso, já que não é exagero dizer que o contraste entre as guitarras e os vocais são o ponto central de várias composições.


O álbum abre com “Spirit Waker”, de clima bem sombrio e que serve de introdução para “Hollow Veil”. Aqui já temos a primeira amostra do que iremos encontrar. Guitarras suaves, atmosféricas, com riffs de pegada Doom, travando um embate com os vocais de Jayn. Some-se a isso o trabalho de bateria de Shaun e temos um clima para lá de sombrio. A faixa seguinte, “Moths”, mantém essa mesma pegada, com destaque para seu início, apenas com violão e voz. Já “Wars” faz jus ao título, mais uma vez repetindo o embate entre a voz e a guitarra, enquanto é guiada por uma bateria marcante. “The Dawn Brings A Saviour” vem para acalmar as coisas. Acústica, com um quê de Post Rock, tem um clima totalmente místico e esotérico. As duas partes de “Buried” trazem de volta o clima de escuridão ao trabalho, com bons riffs e uma atmosfera bem sombria. Mas o ponto mais alto de Realms se dá com suas duas últimas faixas. “Foregone”, presente no aclamado EP de 2014, The Kingdom Field, traz novamente o Post Rock à tona, além de possuir uma melodia dessas que ficam marcadas na memória do ouvinte. Já “Lament” é o encerramento perfeito, com toda a sua carga emocional e seu clima quase transcendental.

Confesso que poucas vezes tive a chance de escutar canções com tanta carga emocional quanto as que escutei aqui. Com uma melancolia perturbadora, e um lado espiritual muito aflorado, Realms é uma verdadeira viagem para a alma. Sua atmosfera intensa e inquietante é capaz de te levar da serenidade à angústia em questão de minutos, em um verdadeiro turbilhão de sentimentos. E convenhamos, quantos artistas possuem tal capacidade nos dias de hoje? Um dos melhores álbuns dos últimos anos e simplesmente essencial na coleção de qualquer fã de boa música.

NOTA: 9,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 64. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download: https://goo.gl/LTJDZm
Leitura Online: https://goo.gl/rlnyVA

Darkher é:
- Jayn H Wissenberg (vocal/guitarra)
- Martin T Wissenberg (guitarra/baixo)
Estúdio/Ao Vivo
- Shaun 'Winter Taylor -Steels (bateria)

Homepage
Facebook
Bandcamp
Twitter
Instagram



segunda-feira, 17 de junho de 2013

Burzum – Sôl Austan, Mâni Vestan (2013)




01. Sôl Austan
02. Rûnar Munt bû Finna
03. Sôlarrâs
04. Haugaeldr
05. Feôrahellir
06. Solarguôi
07. Ganga At Sôlu
08. Hiô
09. Heljarmyrkr
10. Mâni Vestan
11. Sôlbjörg

Bem, acho que posso chamar essa resenha de esquizofrênica, ou algo do tipo. Por quê? Em breve o prezado leitor irá entender. O Burzum é dessas bandas que dispensam muitas apresentações, já que qualquer banger que se preze e que saiba o que ocorreu na cena nos últimos 20 anos, em algum momento se deparou com questões sobre Inner Circle norueguês, incêndios criminosos em Igrejas e, principalmente, o assassinato de Euronymous, do Mayhem. Posto isso, irei pular a fase de apresentações e ir ao que realmente interessa, que é a música presente em Sôl Austan, Mâni Vestan.

O Burzum, por toda a sua história, sempre foi um nome que impressionou, fosse pelo radicalismo de seu líder, Varg Vikernes, fosse pela rispidez de seu Black Metal, o que fez com que angariasse uma legião de seguidores. Mas mesmo para o mais apaixonado dos fãs, era visível que no pós-prisão, o Black Metal havia se tornado algo um tanto vazio pra Varg e que seus lançamentos nesse período vinham decrescendo cada vez mais de qualidade. Sendo assim, talvez não tenha sido tão surpreendente a decisão de deixar o estilo de lado e investir na sonoridade atmosférica de álbuns do período em que esteve preso, como Daudi Baldrs e Hildskjalf. Por sinal, Sôl Austan, Mâni Vestan, começa do ponto onde este último parou. A música que temos aqui é de uma natureza quase cósmica, carregada de uma ampla gama de sons e emoções. Com um som simples, lúdico, cativante e misterioso, temos aqui algo tão sublime quanto o desabrochar de uma flor. O resultado disso tudo é uma música que hipnotiza e leva o ouvinte a uma experiência quase metafísica. Com um álbum relaxante e intrigante, Varg nos oferece um trabalho agradável de se ouvir em qualquer ambiente. No final, tudo acaba sendo uma questão de contexto em que se escuta o álbum.

O Burzum, por toda a sua história, sempre foi um nome que impressionou, fosse pelo radicalismo de seu líder, Varg Vikernes, fosse pela rispidez de seu Black Metal, o que fez com que angariasse uma legião de seguidores. Mas mesmo para o mais apaixonado dos fãs, era visível que no pós-prisão, o Black Metal havia se tornado algo um tanto vazio pra Varg e que seus lançamentos nesse período vinham decrescendo cada vez mais de qualidade. Sendo assim, talvez não tenha sido tão surpreendente a decisão de deixar o estilo de lado e investir na sonoridade atmosférica de álbuns do período em que esteve preso, como Daudi Baldrs e Hildskjalf. Por sinal, Sôl Austan, Mâni Vestan, começa do ponto onde este último parou. Sendo assim, o que temos aqui passa a milhares de quilômetros Black Metal radical, ríspido e de aura maléfica que marcou os primórdios do Burzum. Isso é ruim? Bem, depende da qualidade da música apresentada, e nesse caso específico, ela não é nada boa. Você, caro leitor, consegue imaginar uma música do Burzum sendo escutada em um momento de relaxamento em um Spa? Ou então termos como “meditativa”, “calma”, “singela” ou “sublime” sendo usados para se referir a uma música da banda? Ok, você pode alegar que tudo é uma questão de contexto em que se escuta o álbum, mas isso não vai mudar o fato de que falta variedade ao trabalho e que ficamos com a impressão que o mesmo é composto de uma única e interminável faixa. No final, o que resta é uma música chata pra caramba, mais desagradável que tratamento de canal. Um dia, o Burzum foi um nome que impôs respeito e significou música de qualidade. Hoje em dia, é apenas um nome que vive do passado e garante o sustento pós-prisão de Varg Vikernes.

NOTA: 8,5 ou 1,5