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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Nando Moraes – Ignited! (2015)




Nando Moraes – Ignited! (2015)
(Independente – Nacional)

01. Rite Of Passage (Staring The Flames)
02. Once In A Shuffle Time
03. The Voyager
04. In Fire
05. Here it Comes: The Machine
06. Ignited!
07. Worth Fighting For

Quem me conhece sabe que sempre tive uma opinião bem firme a respeito de discos solos de guitarristas: costumam ser um pé no saco. Quase sempre esses trabalhos, instrumentais, consistem em um cara achando que trabalha em lanchonete de rodoviária movimentada, ou seja, em uma fritação sem fim de seu instrumento ou então querendo provar a seus pares (sim, porque quase sempre são álbuns gravados com foco voltado para outros músicos e não para o publico “comum”) que consegue ser tão rápido tocando uma guitarra quanto o Usain Bolt correndo os 100 metros rasos. Na boa, nunca tive paciência para isso.

Mas às vezes (vejam vem, eu disse às vezes) surge um ou outro músico nesse meio que possuiu uma paradinha cada vez mais rara na música, um tal de feeling. Nando Moraes, ex-guitarrista do Lethal Fear e um desses caras e prova isso em seu trabalho de estréia, Ignited!. Seu foco é acima de tudo a musicalidade e o maior exemplo disso consiste no fato de que, por mais que a guitarra seja o elemento central das composições (sério, não diga!!!), ele abre espaço para todos os músicos que o acompanham (o baixista André Garcia, o baterista Bruno “Méba” e o tecladista Bruno Santos) terem seus momentos de brilho. A parte rítmica é responsável por criar bases que imprimem bom peso e o teclado faz incursões precisas e muito belas. As músicas, que seguem uma linha mais cadenciada e não abusam da velocidade, são variadas e trafegam por estilos diversos como Rock, Metal, Progressivo, Blues, Jazz e Pop, mas nunca abrindo mão da melodia e acima de tudo, da musicalidade já citada. Isso faz de Ignited! um álbum fácil de ouvir, mesmo para aquele ouvinte “comum” que seja apenas fã de boa música. É dentro desse panorama que ele mostra toda a sua competência e técnica através de ótimos riffs e solos. Destaques para “Rite Of Passage (Staring The Flames)”, “Once In A Shuffle Time”, “Here it Comes: The Machine” e a faixa título.

A produção e mixagem ficaram a cargo de Nando Moraes e Fabio Ferreira, que também foi o responsável pela masterização, enquanto a capa e todo o projeto gráfico foi obra de Lucas Aldi. Ignited! é mais do que um álbum solo de guitarrista voltado para músicos ou fãs de música instrumental, mas sim um belíssimo trabalho voltado para aqueles que gostam de música de qualidade. Como disse lá em cima, sempre achei esse tipo de proposta um saco, mas aqui sou obrigado a “pagar pau”, Nando Moraes é foda. Se curte Satriani e afins, pode ir sem medo.

NOTA: 8,5



domingo, 30 de março de 2014

Júlio Stotz – Suspended In Reverie (EP) (2014)





Júlio Stotz – Suspended In Reverie (EP) (2014)
(Independente - Nacional)

01. Essence of Thought
02. Dreamlike Perceptions
03. An Der Elbe
04. From a Restive Slumber

Sejamos sinceros, música instrumental não é algo lá de fácil consumo e assimilação. Além do mais, para fazê-la, é necessário um talento que poucos hoje em dia possuem. Na maioria esmagadora dos casos, essa proposta é um convite ao completo desastre. Sendo assim, era mais do que natural que antes de iniciar a audição de Suspended In Reverie, EP de estreia de Júlio Stotz, eu não esperasse muita coisa. Ou melhor, esperava algo chato, indulgente e enfadonho. Bem, para minha sorte, quebrei feio a cara.

Imagine uma música guiada por piano/teclado/sintetizador e guitarra, em uma fusão de Metal, Progressivo, Djent e música clássica. Pois é dessa combinação um tanto quanto distinta que surgiu um dos trabalhos mais interessantes e promissores que escutei em tempos. Júlio conseguiu equilibrar muito bem tais elementos em sua música, fazendo com que a mesma flua com muita naturalidade para o ouvinte. Talvez pese nisso o fato de que nenhuma das 4 faixas aqui presentes seja efetivamente longas, sendo que a de maior duração, pouco passa dos 5 minutos. Já na abertura, com “Essence of Thought”, temos um panorama do que iremos encontrar em Suspended in Reverie. Ótimas melodias de piano/teclado conduzindo a música, junto de uma guitarra que despeja riffs surpreendentemente pesados. Quando você se der conta, vai estar batendo o pé e a cabeça no ritmo da música. “Dreamlike Perceptions”, faixa seguinte, é a mais pesada de todas e melhor música do álbum. “Na Der Elbe” se diferencia das demais por ser a mais calma de todas as faixas, com uma belíssima melodia conduzida por piano/teclado. Encerrando o trabalho, temos “From a Restive Slumber”, que mantém o nível da demais.

A única coisa que me incomodou um pouco aqui foi a bateria, que me parece ser programada e um pouco monótona, mas nada que venha a comprometer o bom trabalho apresentado por Júlio. A produção é boa e está dentro da média do que é apresentado hoje em dia. No fim, o que temos são 4 boas músicas que acabam por nos deixar com um gosto de quero mais na boca e que vão agradar desde fãs de metal e progressivo até os amantes de música clássica. Que venha agora um álbum completo!

NOTA: 8,0


 


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Grande Ogro – O Grande Ogro (2013) (EP)




O Grande Ogro – O Grande Ogro (2013) (EP)
(Independente - Nacional)

01. Metal Frio
02. Sou mais esperto que a maioria dos ursos
03. Robert Garcia
04. Obcecado pela vida resolveu alimentar-se para não morrer

O Grande Ogro é um quarteto paulista, fundado no ano de 2011 e que se dedica a fazer Rock Instrumental. Em um primeiro momento isso pode causar calafrios à boa parte dos leitores, pois a maioria das pessoas comuns, ou pelo menos as que conheço, julgam música instrumental algo absurdamente chato. Mas não é o caso aqui.
O nome da banda foi tirado de um álbum do At The Drive In e isso dá uma pista do que você irá encontrar pessoalmente aqui. Outra referência que eu poderia dar aqui seria o The Mars Volta. Mas faço questão de frisar que a sonoridade da banda é bem original e não soa como cópia de nada que se encontra por ai. Composto de apenas 4 faixas, esse EP vai agradar aqueles que apreciam boa música. Fazendo um som instrumental, pesado, sujo e experimental, conseguem passar tranquilamente o que desejam com sua música, mesmo com a ausência de um vocalista, algo difícil de fazer. Todas as músicas são bem agradáveis e fluem com uma facilidade absurda, a ponto de o EP passar e você mal se dar conta disso, sendo obrigado a colocar o bendito para tocar novamente. Minhas preferidas aqui foram “Robert Garcia” e “Obcecado pela vida resolveu alimentar-se para não morrer”.
A arte do EP é muito legal e condizente com a proposta experimental do som da banda, tendo ficado a cargo do artista plástico Vermelho Ruber. Se você tem a cabeça aberta e passa longe do preconceito quando o assunto se trata música instrumental, precisa urgentemente conhecer o trabalho de O Grande Ogro.

NOTA: 8,0