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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Baroness – Purple (2015)



Baroness – Purple (2015)
(Abraxan Hymns - Importado)

01. Morningstar
02. Shock Me
03. Try to Disappear
04. Kerosene
05. Fugue
06. Chlorine & Wine
07. The Iron Bell
08. Desperation Burns
09. If I Have to Wake Up (Would You Stop the Rain)
10. Crossroads of Infinity

Eis que após o grave acidente ocorrido em 2012, durante a turnê do álbum Yellow & Green (12) e que quase custou não só a vida de integrantes, como também a continuidade da banda (John Baizley correu o risco de perder um braço), o Baroness reaparece com seu novo álbum de estúdio, Purple (coincidentemente, cor que resulta da mistura do vermelho com azul. Entenderam a referência?).

Mudanças ocorreram nesse tempo. Em virtude do acidente, Matt Maggioni (Baixo) e Allen Blickle (Bateria) saíram da banda e acabaram substituídos por Nick Jost (Baixo/Teclado) e Sebastian Thomson (Bateria). Felizmente isso em nada afetou a qualidade do Baroness, tanto ao vivo quanto em estúdio, como podemos comprovar agora.

Fica bem claro que tudo o que ocorreu nesse intervalo de tempo, serviu para deixar o Baroness mais forte. E digo isso em todos os sentidos, já que esse é possivelmente seu álbum mais pesado. Claro que aqui o ouvinte irá se deparar com aquele Rock/Metal psicodélico que sempre marcou a carreira dos americanos, carregados de ótimos riffs e belíssimas melodias, mas sua música está mais intensa. John Baizley, a força criativa por de trás de tudo, se mostra mis inspirado do que nunca.

Mas o outro lado da banda também foi reforçado aqui. Nick Jost prova ser uma ótima aquisição, já que além de ser ótimo baixista e fazer uma bela parte rítmica ao lado de Sebastian Thomson, faz um belo trabalho nos teclados, que se fazem muito mais presentes, dando uma dose extra de psicodelismo a música do Baroness. E o mais legal de tudo é que os experimentalismos de sempre continuam se fazendo presentes, mas soam coesos e em seu devido lugar. Nada aqui soa como um devaneio.

Em muitos momentos, a música aqui presente soa hipnótica e gruda com uma facilidade absurda na cabeça e dentre as 9 faixas (a 10ª é uma curta vinheta), os maiores destaques ficam com “Morningstar”, “Shock Me”, “Try to Disappear”, “Kerosene”, “The Iron Bell” e “Desperation Blues”.

Se mostrando renovado e apresentando seu trabalho mais forte até então, o Baroness mantém a sequência de grandes lançamentos com mais uma pequena obra prima. E Purple não é só seu melhor lançamento até hoje, como certamente um dos melhores trabalhos lançados nesse ano de 2015. Obrigatório para fãs de boa música!

NOTA: 9,5

Baroness é:
- John Baizley (Vocal/Guitarra)
- Peter Adams (Guitarra/Vocal)
- Nick Jost (Baixo/Teclado)
- Sebastian Thomson (Bateria)



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Piah Mater - Memories Of Inexistence (2014)




Piah Mater - Memories Of Inexistence (2014)
(Independente – Nacional)

01. Cathiard
02. Anticipation
03. Mother Soil
04. Inexistents
05. Young Rust
06. Immaculate
07. A Greater Freedom

O cenário brasileiro e sua capacidade inesgotável de gerar bandas de surpreendente qualidade. Surgido em 2010, o Piah Mater é um duo, composto por Luiz Felipe Netto na guitarra, baixo e locais e Igor Meira na guitarra. Apesar de no release afirmarem que consideram reducionismo os rótulos imprimidos a sua música, infelizmente os mesmos são necessários para que possamos situar o leitor.
Sendo assim, a música apresentada pela dupla pode ser categorizada por alguns como um Progressive Death Metal bastante técnico, onde alternam muito bem suas influências mais pesadas com as mais “leves”. Tudo aqui é muito bem feito. Em muitos momentos, podemos observar a veia progressiva do Piah Mater falando mais alto, com muita técnica, partes complexas e intrincadas, ótimos vocais limpos, além de diversas passagens acústicas e mais tranquilas. Em contraponto a isso, quando da voz a seu lado mais Death, nos deparamos com passagens pesadas, velozes e brutais, além dos vocais mais agressivos. Essa mescla acaba por dar grande variedade ao trabalho e impede que o mesmo se torne enjoativo em sua quase uma hora de duração. Alguns podem querer traçar um paralelo entre o Piah Mater e o Opeth, mas isso seria, como dito no início, reducionismo demais, até porque do meu ponto de vista, se aproximam muito mais das bandas de Atmospheric/Post Black Metal inglesas (esses malditos rótulos), como por exemplo o Fen ou dos suecos do Cult Of Luna com seu Sludge/Progressive (esses malditos rótulos, pt II), do que de Åkerfeldt e Cia. Destaques? O álbum inteiro é excelente e absurdamente homogêneo, mas se você quer ter uma ideia de todas as facetas do Piah Mater, experimente escutar “Cathiard”, “Mother Soil” ou “Young Rust” para ter uma idéia da música que a dupla se propõe a fazer.
O trabalho foi todo produzido no Home Studio de Luiz Felipe pela banda e por Matheus Ullmann, tendo sido masterizado por Tony Lindgren (Angra, Dragonforce, Katatonia, James LaBrie, Enslaved, dentre outros) no Fascination Street Studios, na Suécia e têm excelente qualidade, o que mostra todo o profissionalismo dos envolvidos. Apostando em um nicho praticamente inexplorado pelas bandas nacionais, o Piah Mater lança um trabalho que está em pé de igualdade com qualquer trabalho internacional que segue essa linha mais heterodoxa de se fazer Metal. Interessou? Saiba que está disponível no Bandcamp da banda. Rótulos? Para que? No fim, Memories Of Inexistence é um grande álbum de Heavy Metal e isso é o que realmente importa.

NOTA: 9,0



terça-feira, 17 de junho de 2014

Mastodon – Once More ‘Round the Sun (2014)




Mastodon – Once More ‘Round the Sun (2014)
(Reprise Records - Importado)

01. Tread Lightly
02. The Motherload
03. High Road
04. Once More ‘Round the Sun
05. Chimes at Midnight
06. Asleep in the Deep
07. Feast Your Eyes
08. Aunt Lisa
09. Ember City
10. Halloween
11. Diamond in the Witch House

Não vou negar que esse certamente era o álbum pelo qual eu esperava mais ansiosamente nesse ano de 2014. Hoje, se existe uma banda capaz de rivalizar com o Paradise Lost no posto de minha preferida, essa é o Mastodon (perde por pouco, mas muito pouco mesmo). E porque isso? Porque desde o seu surgimento, eles vêm se mostrando uma das bandas mais inovadoras e diferenciadas do cenário Heavy Metal em todo mundo, além de sempre nos presentear com trabalhos de qualidade inquestionável.
The Hunter (11), além de excelente, ajudou o Mastodon a expandir mais ainda seus horizontes, seja no campo musical, seja em matéria de número de fãs. Sendo assim, a missão de Once More ‘Round the Sun era das mais indigestas. Conseguiriam eles superar ou ao menos igualar o brilhantismo do seu trabalho anterior? A resposta para isso você já encontra logo na abertura, com a pesada “Tread Lightly”, onde vai perceber que aquela mistura de Classic Rock com Progressivo continua a toda, obstante estar um pouco mais acessível, já que alguns pequenos excessos foram limados. Daí em diante, são guitarras despejando riffs densos e intrincados, solos carregados de ótimas melodias, uma cozinha perfeita, com destaque para o ótimo trabalho de bateria e principalmente, as ótimas e fortes harmonias vocais que sempre marcaram o seu trabalho e fazem do Mastodon uma banda única. Sinceramente, o que o ouvinte irá encontrar aqui é de um nível altíssimo e não existe uma única musica que seja descartável, tornando a missão de apontar destaques algo quase impossível e fazendo de Once More ‘Round the Sun um álbum para ser ouvido como um todo e não em faixas isoladas. Ainda sim, fiz um esforço e aponto como as minhas preferidas “The Motherload” (com um refrão grudento), a faixa título, “Chimes at Midnight”, “Feast Your Eyes” e “Diamond in the Witch House”.
Como sempre, o Mastodon nos deu um álbum consistente, envolvente, pesado e que flui de uma forma absurdamente natural, a ponto de eu simplesmente não conseguir parar de escutar repetidamente o mesmo há dias. Com um clima setentista permeando todo o trabalho, Once More ‘Round the Sun é uma verdadeira viagem musical. E de muito bom gosto, diga-se de passagem. Até o momento, o melhor álbum de 2014.
                                             
NOTA: 9,5