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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Saxon – Thunderbolt (2018)


Saxon – Thunderbolt (2018)
(Silver Lining Music/Shinigami Records - Nacional)


01. Olympus Rising
02. Thunderbolt
03. The Secret of Flight
04. Nosferatu (The Vampires Waltz)
05. They Played Rock and Roll
06. Predator
07. Sons of Odin
08. Sniper
09. A Wizard’s Tale
10. Speed Merchants
11. Roadie’s Song
12. Nosferatu (Raw Version)

Uma verdadeira lenda do Heavy Metal. Quando falamos de Metal Inglês e de NWOBHM, a maioria dos mortais pensa primeiramente em Judas Priest e Iron Maiden. Nada de errado nisso, levando em conta a importância que ambos possuem para a história do Metal como um todo. Mas o Saxon, com seus 40 anos de estrada, não pode de forma alguma ser esquecido. Se não angariou, em matéria de vendagens, a mesma popularidade dos dois nomes citados, conseguiu algo mais importante e difícil do que isso, que é o respeito dos fãs do estilo. Isso é algo que disco de ouro ou platina algum paga. Saxon é sinônimo de Heavy Metal e ponto final.

Falar do Saxon tem algo de especial para mim. Para quem não sabe, foi com uma resenha de Sacrifice (13) que no dia 02/03/2013 abri os trabalhos do A Música Continua a Mesma. E não foi uma escolha aleatória, pois ela se deu motivada justamente por esse respeito citado acima. Pouco mais de 5 anos se passaram e o quinteto formado por Biff Byford (vocal), Paul Quinn (guitarra), Doug Scarratt (guitarra), Nibbs Carter (baixo) e Nigel Glockler (bateria) chega ao seu 22º trabalho de estúdio, vivendo talvez sua melhor fase desde os anos 80. E Thunderbolt não decepciona.


Impressiona-me como Biff Byford parece não sentir o efeito do tempo. Continua simplesmente monstruoso, soando em muitos momentos até melhor do que nos anos 80 e 90. Sua voz não perdeu nada da qualidade nesses 40 anos frente ao Saxon, e continua forte e marcante. É um dos grandes diferenciais aqui. Paul Quinn e Doug Scarratt também estão monstruosos. Os riffs que são apresentados não são apenas ótimos, mas típicos da NWOBHM, e os solos estão primorosos. As guitarras gêmeas não poderiam faltar, e dão as caras de forma muito harmoniosa, soando incríveis. Fora isso, precisamos falar do peso das mesmas. Nunca em toda a sua história, o Saxon soou tão pesado quanto agora. Enquanto a lógica das bandas de sua geração é tirar um pouco o pé do acelerador (algo justificável e aceitável), eles fazem justamente o contrário. E é justamente esse peso que deixa a música do grupo atual e moderna, sem que eles precisem abrir mão de qualquer das suas características. Quanto a Nibbs Carter e Nigel Glocker, ambos possuem seus momentos de brilho durante Thunderbolt. Realizam um belíssimo trabalho, soando fortes e coesos.

Após uma breve introdução com “Olympus Rising”, surge a faixa título, um dos grandes destaques do trabalho. Estrondosa, com riffs fortes e os vocais inconfundíveis de Biff, tem tudo para se tornar um clássico do Saxon. “The Secret of Flight” é outra que tem tudo para virar clássica. É uma aula de Heavy Metal, soando imponente e com riffs muito incisivos, além de ótimas melodias. “Nosferatu (The Vampires Waltz)” é mais cadenciada e muito pesada, possuindo um ar bem sombrio, enquanto a excelente “They Played Rock and Roll” é diametralmente oposta, já que é uma homenagem a Lemmy e ao Motorhead, sendo assim uma canção dura, pesada e rápida. “Predator” é outra que esbanja peso, e surpreende pela inclusão de vocais guturais, executados aqui por Johan Hegg, do Amon Amarth. Isso a deixou com um ar feroz e sombrio.


“Sons of Odin” abre a segunda metade com uma levada mais cadenciada e soa simplesmente épica. Destaca-se não só pelas ótimas melodias, mas também pelo brilhante trabalho das guitarras e da bateria, que soa muito forte. Por algum motivo, me remeteu à fase de Dogs of War (95). Na sequência, temos “Sniper”, canção que soa bem bruta e enérgica, além de possuir um refrão muito legal. O tom mais épico volta a dar as caras em “A Wizard’s Tale”, outra que conta não só com boas melodias, como com riffs de muita qualidade, graças ao primoroso trabalho da dupla formada por Quinn e Sacarratt. “Speed Merchants” faz jus ao nome e esbanja energia, além de boas harmonias e melodias, sendo outro ponto alto do álbum. Se encaminhando para o final, temos “Roadie’s Song”, que é exatamente o que diz o nome, ou seja, uma homenagem aos roadies, peças fundamentais para que os shows aconteçam. É uma daquelas típicas canções do Saxon. Encerrando, temos uma outra versão para “Nosferatu”.

Toda a parte de produção ficou mais uma vez por conta de Andy Sneap, que já vem trabalhando com a banda desde Sacrifice. Nem preciso enaltecer a qualidade da mesma aqui. O legal de suas produções é que, mesmo que tudo fique claro e cristalino, as mesmas ainda assim soam bem pesadas e orgânicas, algo raro hoje em dia. Já a capa é obra de Paul Raymond Gregory, que já trabalhou inúmeras outras vezes com a banda, sendo responsável por trabalhos clássicos como Crusader (84), Dogs of War e Unleash the Beast (97). Mais uma vez o Saxon nos presenteia com um trabalho sólido, criativo e cativante, e que vai fazer a alegria dos fãs de Heavy Metal, que certamente baterão cabeça e erguerão os punhos para o ar durante a audição de Thunderbolt. Mais uma vez, o Saxon não decepciona!

NOTA: 93

Saxon é:
- Biff Byford (vocal);
- Paul Quinn (guitarra);
- Doug Scarratt (guitarra);
- Nibbs Carter (baixo);
- Nigel Glockler (bateria).

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Fire Strike - Slaves Of Fate (2017)


Fire Strike - Slaves Of Fate (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Reach For Your Life
02. Master of the Seas
03. Slave of Your Fate
04. Electric Sun
05. The Wolves Don’t Cry
06. Losing Control
07. Streets of Fire
08. Lust
09. Our Shout is Heavy Metal

Formado no ano de 2005, o Fire Strike viveu aquele processo que quase toda banda passa, de estabilizar uma formação e encontrar e amadurecer seu som. Isso resultou, no ano de 2013, no EP Lion and Tiger, onde apesar de alguns pequenos exageros e aspectos que poderiam ser maturados, mostraram muito potencial. Era apenas questão de acertar detalhes aqui e ali, e foi isso que fizeram nesses últimos 4 anos, já que fica visível o quanto evoluíram sua música nesse período quando finalizamos a execução de Slaves of Fate, seu primeiro trabalho completo de estúdio.

Para quem desconhece o trabalho do quinteto paulistano, trafegam com bastante naturalidade pelo Metal Tradicional e o Speed Metal, com alguns flertes com o Hard Rock aqui e ali, gerando uma sonoridade que invariavelmente remete o ouvinte a nomes mais que consagrados como Iron Maiden, Judas Priest, Saxon, Accept e Warlock. Sua música aposta na simplicidade, sem elementos muito intrincados, procurando ir direto ao ponto quando o assunto é Heavy Metal. O peso e a agressividade também se fazem presentes, mas de forma equilibrada, já que também temos ótimas melodias aqui.

Um dos destaque de Slaves of Fate é o trabalho vocal de Aline Nunes. Se exageros nesse sentido foram cometidos no EP de 2013, aqui eles foram sanados, e o que ficou foi uma voz potente, enérgica e que acaba sendo um belíssimo diferencial para a banda. A dupla de guitarristas, formada por Helywild Amaro e Henrique Schuindt, nos entrega ótimos riffs e solos (esses dotados de ótimas melodias), enquanto a parte rítmica, com Edivan Diamond (baixo) e Alan Caçador (bateria), mostra não só boa técnica e variedade, como também muita coesão. 


Das 9 canções aqui presentes, 2 já haviam aparecido no EP e as demais são inéditas. A abertura se dá com a “maideniana” “Reach For Your Life”, veloz, enérgica e com um bom refrão. Na sequência, temos “Master of the Seas”, oriunda do EP, onde observamos um bom trabalho da parte rítmica, solos melódicos e ótimos vocais de Aline. “Slave of Your Fate” se mostra um pouco mais cadenciada em seu início, sendo outra onde os vocais de Aline se sobressaem. Em “Electric Sun”, o destaque vai para a dupla de guitarristas, assim como também na enérgica “The Wolves Don’t Cry”, que tem alguns dos melhores solos de todo o álbum. “Losing Control” se mostra bem variada, com partes mais lentas (próximas até de uma balada) e outras um pouco mais aceleradas, além de um refrão que te pega fácil, e “Streets of Fire”, a outra faixa oriunda de Lion and Tiger, tem bons riffs e vocais para lá de potentes. Para finalizar, uma ótima sequência formada pela acelerada “Lust” e por “Our Shout is Heavy Metal”, outra onde a influência de Iron Maiden se mostra um pouco mais perceptível nas guitarras.

Tanto a produção, quando a mixagem e masterização foram feitas por ninguém menos que Andria Busic (Dr.Sin), com um resultado muito bom, já que a mesma soa crua e orgânica na medida certa, sem exageros. Já a capa foi obra de Celso Mathias (que já havia feito a do EP), responsável pelas capas de bandas nacionais como Brothers of Sword e Hazy Hamlet. No geral, o quinteto não apresenta absolutamente nada de novo, mas a forma como trabalham as velhas fórmulas é bem interessante, fazendo com que não soem como simples emulação de nomes consagrados. Se mostrando mais maduro, o Fire Strike confirma o potencial mostrado 4 anos atrás e se mostra pronto para começar a sonhar mais alto daqui para frente.

NOTA: 8,0

Fire Strike é:
-  Aline Nunes (vocal);
- Helywild Amaro (guitarra);
- Henrique Schuindt (guitarra);
- Edivan Diamond (baixo);
- Alan Caçador (bateria).

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segunda-feira, 6 de março de 2017

Atlantis - Hotter Than A Burning Church (2016) (EP)


Atlantis - Hotter Than A Burning Church (2016) (EP)
(Cripta Discos/Sangue Frio Records - Nacional)


01. Hotter Than A Burning Church
02. Wandering Warrior
03. Stormbringer & Mournblade
04. Mistress of the Night

Surgido no ano de 2013, na cidade catarinense de Jaraguá do Sul, o Power Trio Atlantis estreou 2 anos depois com o EP Summoning the Witch (resenha aqui). Nele, apesar da fraca produção e de algumas arestas que precisavam ser aparadas, mostraram um bom potencial de crescimento. Eis que já no ano seguinte soltaram um novo EP, que originalmente foi lançado em fita cassete no mercado chileno (limitado a 60 cópias) e que posteriormente, ganhou sua versão física para o mercado brasileiro.

Bem, quem escutou o EP anterior, sabe exatamente o que encontrará aqui. É aquela sonoridade típica da NWOBHM, calcada principalmente em nomes como Angel Witch, Diamond Head e Iron Maiden (principalmente nos dois primeiros álbuns), mas sem deixar de lado nomes mais atuais que seguem essa linha, como o sueco Enforcer e o canadense Cauldron. Ou seja, se espera uma sonoridade mais moderna, não é escutando um trabalho do Atlantis que irá encontrá-la, até porque toda a estética aqui remete aos anos 80, desde a composição das músicas, até o visual dos músicos, a produção e a capa, naquele estilo “tosco” (ou como alguns amigos meus dizem, estilo Metal Faber-Castell), mas que é muito legal, pois você identifica o estilo da banda só de olhar para ela.

Musicalmente, fica meio complicado falar de Hotter Than A Burning Church. Confesso eu que imaginava a banda conseguindo chegar um degrau acima nesse trabalho, mas a sensação ao final da audição é que o Atlantis não evoluiu tanto quanto se esperava. Claro, alguns aspectos aqui são superiores ao da estreia, já que as composições amadureceram um pouco, apesar de ainda soarem excessivamente emuladas de suas maiores influências. Os refrões estão um pouco mais fortes, e os riffs e solos mostram mais qualidade, mas é só. 


A produção é terrível e isso prejudica enormemente o trabalho, já que em alguns momentos tudo fica um tanto quanto embolado, quase desconexo. Entendo que a ideia seja passar aquele clima bem oitentista, mas até para esse determinado período, a produção soa fraca. Bandas já citadas, como o Cauldron, Enforcer, assim como também o Skull Fist, já mostraram que é plenamente possível ter uma produção que soe oitentista, mas com qualidade. O vocal de Tino Barth, infelizmente carece de mais força. Isso já era um problema detectado em Summoning the Witch e que infelizmente aqui, incomoda ainda mais. Pior que ele se mostra muito bom guitarrista, sempre encontrando boas soluções, principalmente nos solos, bem agradáveis. Talvez seja o caso de ele assumir apenas a guitarra e buscarem um vocalista mais adequado à proposta sonora da banda.

Tudo isso é uma pena, pois músicas como a faixa título, bem rápida e com bom refrão, “Wandering Warrior”, com seu belo trabalho de guitarra e influência fortíssima de Iron Maiden e “Stormbringer & Mournblade”, com um pé no Speed/Thrash, certamente empolgariam muito com uma produção decente e vocais que soassem mais fortes. O Atlantis tem tudo para crescer e assumir um lugar no primeiro escalão do Metal nacional, já que seu potencial é evidente, mas para isso, precisa mesmo aparar as arestas que insiste em manter. Uma gravação mais profissional não é crime. Caso contrário, será apenas mais uma banda que poderia voar alto, mas que ficará relegada aos porões do nosso underground. E convenhamos, isso seria uma pena.

NOTA: 7,0

Atlantis é:
- Tino Barth (Vocal/Guitarra)
- Jonathan Odorizzi (Baixo)
- Bruno Eggert (Bateria)

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Saxon - Battering Ram (2015)




Saxon - Battering Ram (2015)
(UDR Music - Importado)

01. Battering Ram
02. The Devil’s Footprint
03. Queen Of Hearts
04. Destroyer
05. Hard And Fast
06. Eye Of The Storm
07. Stand Your Ground
08. Top Of The World
09. To The End
10. Kingdom Of The Cross

O Saxon dispensa apresentações. Verdadeira lenda da NWOBHM, com quase 40 anos de ótimos serviços prestados ao Metal e chegando ao seu 21º álbum de estúdio, o quinteto formado por Biff Byford, Paul Quinn, Doug Scarratt, Nibbs Carter e Nigel Glockler, juntos desde 1995 (Glocker saiu da banda em 1998, devido a problemas de saúde, mas continuou compondo material para a mesma até seu retorno definitivo em 2005), parece não estar nem um pouco disposto a arrefecer seu ritmo.

O Saxon faz parte da minha vida metálica há 25 anos e identifico algumas fases que considero brilhantes na história desses ingleses. A primeira, entre 1979 e 1984, com uma sequência simplesmente lendária de 6 álbuns de estúdio, Saxon (79), Wheels Of Steel (80), Strong Arm of the Law (80), Denin and Leather (81), Power and the Glory (83) e Crusader (84), enquanto a segunda, nos anos 90, abarcou 3 excelentes trabalhos, Forever Free (92), Dogs of War (95), Unleash the Beast (97) (na minha modesta visão, o melhor álbum da banda) e 2 muito bons, Solid Ball Of Rock (90) e Metalhead (99). Claro que não desmereço os demais álbuns, mas para mim esses trabalhos estão um patamar acima.

Apesar de tudo, nos anos 2000 senti uma visível queda na qualidade dos lançamentos. Sei que álbuns como Lionheart (04), The Inner Sanctum (07) e Into The Labyrinth (09) possuem muitos apreciadores (para mim são só medianos), mas ainda sim considero a fase que vai de Killing Ground (01) (decididamente o melhor trabalho dessa fase) até Call To Arms (11) a mais “fraca” do Saxon. Esse último por sinal é para mim o ponto baixo de toda a sua carreira (sei que muitos por ai vão discordar dessa afirmação, afinal temos o Destiny (88) para contra-argumentar).

Pois bem, segundo o velho ditado, depois da tempestade se segue a bonança e essa no caso surgiu com o nome de Sacrifice (13), trabalho que parecia ter colocado o Saxon de volta aos trilhos. Traçando um paralelo com o passado, soou como uma espécie de Solid Ball Of Rock, já que assim como esse, veio após um trabalho que sofreu várias críticas. Dentro desse panorama, afirmo sem medo que Battering Ram seria uma espécie de Forever Free ou Dogs Of War, não só pelo momento que representa, mas pela qualidade inconteste.

Sim meus prezados leitores, esse é, desculpem o palavreado, um álbum “bom pra caralho”, como o Saxon não fazia desde 1997. Não, aqui eles não reinventam a roda, até porque não precisam disso, afinal, possuem algo que só as lendas têm, ou seja, um estilo próprio e único de fazer música. Ninguém soa como o Saxon, mesmo que tente imitá-lo de todas as formas, assim como nenhum vocalista consegue se aproximar da forma única de cantar de Biff Byford. Aliás, com 64 anos, esse respeitável senhor parece estar no auge de sua forma, cantando como nunca. Sua voz parece não sentir o efeito do tempo. Simplesmente incrível!

Heavy Metal inglês da melhor qualidade, épico e pesado. É isso que esperamos do Saxon e é isso que ele nos entrega. Como já dito, Biff está cantando como nunca, enquanto Paul Quinn e Doug Scarratt formam uma das melhores duplas de guitarristas da história do Metal. Um verdadeiro show de guitarras gêmeas, que despejam ótimos riffs e solos para lá de cativantes. Já Nibbs Carter e Nigel Glockler simplesmente brincam na parte rítmica e fazem com que tudo pareça simples e fácil de fazer. Aliás, sequer parece que Glockler teve que tratar de um aneurisma cerebral no ano passado. E sobre Scarratt (na banda desde 1995) e Carter (entrou em 1988), só digo o seguinte: esqueço por completo que Graham Oliver e Oliver Dawson eram os detentores originais desses postos.

Battering Ram é o trabalho mais pesado lançado pelo Saxon nos últimos 18 anos e além desse peso, essa carregado de refrães grudentos e marcantes, como há muito tempo não ocorria. E não é brincadeira, basta um ou duas audições para que você já os saia cantando por ai. A sequência inicial, com a faixa título, que possui potencial para se tornar clássica, a pesada “The Devil’s Footprint” (que trabalho de guitarras, que vocais de Biff!), “Queen Of Hearts” (umas dessas faixas mais cadenciadas que só o Saxon sabe fazer) e “Destroyer” (com aquela pegada bem Rock) é simplesmente primorosa e empolgante. “Hard And Fast”, “Eye Of The Storm” (bem pesada e mais cadenciada) e “Stand Your Ground” conseguem manter o pique lá em cima, enquanto “Top Of The World” e “To The End” (mais uma com cadência e peso) irão animar qualquer fã de Metal Tradicional. O encerramento se dá com a balada “Kingdom Of The Cross”, que mescla partes narradas com os vocais de Byford e que se não empolga tanto quanto as demais, ainda sim se mostra uma música de muita qualidade.

A ótima produção foi realizada por Andy Sneap e dispensa comentários, já que sua capacidade e a qualidade de suas produções são mais do que conhecidas. Não tem o que tirar nem por. Mantendo a fidelidade ao seu estilo e história, o Saxon, como uma fênix, renasce mais uma vez em toda a sua força e esplendor. Battering Ram é Metal Tradicional sem frescura, de uma banda que mostra ter lenha para queimar por mais alguns anos. E me julgem, mas esse é um trabalho muito mais relevante que certo livro de certa Donzela. Um dos melhores álbuns de Metal lançados em 2015!

NOTA: 9,0

Saxon é:

- Biff Byford (Vocal)
- Paul Quinn (Guitarra)
- Doug Scarratt (Guitarra)
- Nibbs Carter (Baixo)
- Nigel Glockler (Bateria)

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Iron Maiden – The Book of Souls (2015)




Iron Maiden – The Book of Souls (2015)
(Warner Music – Nacional)

Disco 1
01. If Eternity Should Fail
02. Speed of Light
03. The Great Unknown
04. The Red and the Black
05. When the River Runs Deep
06. The Book of Souls

Disco 2
07. Death or Glory
08. Shadows of the Valley
09. Tears of a Clown
10. The Man of Sorrows
11. Empire of the Clouds

Não existe banda mais complicada de se escrever uma resenha do que o Iron Maiden. Por quê? Simplesmente por seus fãs serem os mais chatos da face da terra, para o bem e para o mal (não me excluo dessa lista, mas já sou chato naturalmente). Para eles é tudo bem 8 ou 80, principalmente no que tange a fase atual da banda, que se iniciou com o retorno de Bruce e Adrian a Donzela. Aqui as reações vão ser sempre apaixonadas e parciais.

Particularmente não aprecio essa fase mais “progressiva” do Iron Maiden e sinto uma falta monstruosa de quando eram bem mais diretos, mas entendo perfeitamente aqueles que a aprovam e principalmente, compreendo que não teria cabimento ficarem se repetindo álbum após álbum seus trabalhos oitentistas. Se eu não aprovo nada lançado pós – Brave New World, isso é um ponto de vista pessoal que não tenho qualquer direito de impor aos demais fãs minha opinião.

Mas deixemos de enrolação e vamos começar a falar do que interessa de verdade aqui, ou seja, The Book of Souls, o 16° álbum de estúdio dessa verdadeira lenda britânica. De início, abordemos um ponto que deve ter deixado muitos por ai preocupados, a voz de Bruce Dickinson. Lembremos que quando ele gravou seus vocais, estava sofrendo de um câncer não detectado na língua (mas hoje já tratado e curado), mas isso não afetou em absolutamente nada seu desempenho. Aliás, ouso dizer que seus vocais me agradaram bem mais aqui do que nos últimos lançamentos da banda. Mas e a música? Ah, a bendita música.....

Bem, digamos que nesse ponto, The Book of Souls também surpreende. Não que o Iron Maiden tivesse perdido a capacidade de forjar bons temas, mas era nítido que muitos dos fãs mais antigos ansiavam por um retorno da banda aquela sonoridade mais direta de outrora. Isso ocorre aqui? Bem, digamos que em parte sim, já que não soa exagero afirmarmos que nas 11 faixas que compõem o trabalho, mesclam o passado e o presente da banda. É nítida durante a audição a percepção de que os caras estão bem mais soltos e a vontade do que costumamos ver em seus últimos trabalhos de estúdio. Justamente por não terem forçado a barra, tudo aqui acaba soando natural como a muito não soava. Claro, temos muitas passagens “progressivas” aqui e ali, músicas com introduções mais longas e que vêm marcando o trabalho da Donzela nos últimos anos, mas mesmo nesses momentos, conseguem ser surpreendentemente mais diretos do que de costume.

Bem, vamos dar uma rápida pincelada música a música aqui. “If Eternity Should Fail” começa com uma daquelas introduções que parecem não ter fim, com a voz de Bruce criando um clima bem denso, mas depois de um minuto e meio, quando a música entra, nos deparamos com um Iron menos “sisudo” (para não dizer chato) que nos trabalhos passados. E ai não tem erro meus amigos, guitarras para lá de afiadas, despejando ótimas melodias e solos (finalmente Adrian, Dave e Janick acertaram a mão), Steve e Nicko dando show e tudo aquilo mais que estamos acostumados e esperamos escutar (e isso se repete em praticamente todas as canções). Chega à vez da conhecida “Speed of Light” e aqui não têm mistério, já que todos tiveram a oportunidade de escutar a música em questão. Direta, reta, com refrão grudento, como todos nós desejaríamos que o Maiden soasse sempre. Já a faixa seguinte, “The Great Unknown”, começa como qualquer outra música de qualquer trabalho pós 2000. Introdução sem fim, os instrumentos crescendo aos poucos até a música começar de verdade. Quem aprecia a fase atual vai gostar, mas para mim é uma música comum (apesar de estar longe de ser ruim). Quando você constata que “The Red and the Black” possui mais de 13 minutos, já se prepara para o pior, mas pasmem, apesar de se estender um pouco além do que deveria (uns 3 minutos a menos seriam de bom grado), ela acerta em cheio e não é menos que ótima. “When the River Runs Deep” é daquelas mais diretas, que alterna momentos mais rápidos com outros um pouco mais cadenciados e onde mostram toda a sua categoria. Encerrando o CD1, um dos grandes destaques do álbum, “The Book of Souls”, simplesmente épica do início ao fim, com seus 10 minutos que passam em 5.

O CD2 começa de forma surpreendente, com a matadora “Death or Glory”, que já inicia direta e reta, sem aquelas introduções monstruosas. Ok, beleza, apela para aquela fórmula manjada do título repetido varias vezes no refrão, mas e daí? Até parece que isso nos incomoda. Candidata fácil a próximo single. Em seguida temos Wasted Ye...ops, perdão, “Shadows of the Valley” (quando escutar a introdução, vai entender meu lapso). Essa é outra bem direta e empolgante, que poderia tranquilamente ter sido a faixa de trabalho, sendo mais uma das opções de single. Remete sem exagero algum a fase Somewhere in Time, sendo mais uma que se destaca sobre as demais e que certamente vai agradar aos saudosistas. Após esse início avassalador, temos o momento mais baixo de The Book of Souls. Não que “Tears of a Clown” e “The Man of Sorrows” sejam músicas ruins, longe disso, mas são as mais comuns de todas as 11 faixas presentes no álbum. Eis que então surge “Empire of the Clouds”. Assim como a abertura, essa é uma composição solo de Bruce e sinceramente, está entre as melhores coisas que ele já fez. São 18 minutos de duração? Sim, mas não se assustem. Ela começa com Bruce, no piano e voz e vai crescendo a cada minuto, até explodir em seu ápice. Mal comparando, seria uma espécie de “Rime of the Ancient Mariner” dos tempos atuais. Uma faixa épica como a muito o Iron não fazia.

A respeito da produção, irei me abster. Claro que está tudo limpo, perfeitamente audível, altíssimo nível, mas sinceramente, não gosto das produções de Kevin Shirley para o Iron Maiden. Já a capa de Mark Wilkinson é simples, mas funcional. Saudades de Derek Riggs e Martin Birch (sim, sou um fã chato e saudosista na maior parte do tempo).

Estamos diante de um novo clássico do Iron Maiden? Com todo respeito aos fãs da banda, não mesmo. Mas é indiscutível que em matéria de criatividade, esse é o melhor trabalho desde Seventh Son of a Seventh Son e olha que de lá para cá, se passaram 27 anos e 8 álbuns de estúdio. Se você é desses que espera o lançamento de um novo The Number of the Beast, Piece of Mind ou Powerslave, só posso lamentar. Isso nunca mais vai ocorrer, até porque tais álbuns já foram lançados e o Maiden não precisa fazer isso. Já os que curtem os trabalhos lançados nos últimos 15 anos irão ter orgasmos com a audição do Cd. Os ponderados como eu, que não esperavam nada muito relevante vindo do Iron atual, irão se surpreender com um belíssimo trabalho, mais do que digno da brilhante história do grupo britânico.

NOTA: 8,5



sexta-feira, 27 de março de 2015

Spartacus - Imperium Legis (2015)




Spartacus - Imperium Legis (2015)
(Independente - Nacional)

01. Encontro de Almas
02. Na Rota da Colisão 
03. Não Morra o Sentimento
04. Império da Lei 
05. Nas Trevas da Insanidade
06. Noite Sem Lua 
07. Nas Leis do Infinito 
08. Velho Rei 
09. Sob a Sentença, Um Carrasco 
10. Fruto da Criação
11. Prisioneiro do Alvorecer

Ah, o maravilhoso e por muitas vezes, injusto mundo do underground metálico brasileiro. Para muitos bangers, o gaúcho Spartacus pode soar como um nome novo na cena, mas a verdade é que entre idas e vindas, já são três décadas de serviços prestados ao Metal Nacional, participação na histórica coletânea Rock Garagem II (1985) e um álbum tardio de estúdio lançado, Libertae (2004).
Escutar Imperium Legis é entrar em uma máquina do tempo. A música do Spartacus é uma mescla de Hard/Heavy, com nítidas influências da NWOBHM e que viveu seu auge na primeira metade dos anos 80 (boa parte das músicas aqui presentes foram compostas nesse período). Outro fator de saudosismo aqui são as letras, todas cantadas em português, como era feito por boa parte dos grandes nomes do Metal nacional desse período (geração da qual o Spartacus faz parte). Em resumo, a audição desse trabalho é um verdadeiro mergulho nas raízes do Metal brasileiro, um retrato de uma época “romântica”, de uma era de desbravadores. Os vocais de M Canto são ótimos e possuem um timbre muito agradável, enquanto a guitarra de Victor Petroscki (também tecladista) é responsável por riffs que acertam direto no alvo. Já a cozinha, formada pelo baixista Marco Di Martino (fundador da banda) e o baterista Guilherme Oliveira se mostra diversificada, pesada e técnica, mas sem abusar desta última. E ao refrões, ah os refrões!!!!!! Que capacidade de forjar refrões grudentos o Spartacus possuiu. Quando me dei conta, estava dentro do ônibus, com os fones de ouvido, volume no talo, cantando o de “Nas Leis do Infinito” enquanto o demais passageiros me olhavam com aquele olhar de “esse cara é louco?”. E pior, tal fato se repetiu em outras músicas, como “Sob a Sentença, Um Carrasco” e “Prisioneiro do Alvorecer”. Só me restou olhar para todos e dizer, “Malditos ninjas dos refrões grudentos, mal posso ver seus movimentos!”. Além das três músicas já citadas acima, podemos destacar também “Na Rota da Colisão”, a épica “Nas Trevas da Insanidade” e “Noite Sem Lua”.
A produção ficou a cargo de Sebastian Carsin e conseguiu deixar a sonoridade do Spartacus com uma nítida cara oitentista, mas sem soar datado, como ocorre com muitas bandas novas por ai que se aventuram nesse estilo. Equilibrando de forma perfeita peso e melodia, Imperium Legis transborda honestidade, algo raro nos dias de hoje. Que a partir de agora Spartacus seja para essa geração mais nova de bangers, mais do que o nome de uma série legal da TV a cabo, mas também sinônimo de boa música, de Metal de qualidade. Que finalmente conquistem todo reconhecimento merecido, pois lançaram um álbum que tem tudo para estar entre os melhores de 2015! Recomendo a compra, mas se quiser escutar antes de adquirir, o mesmo esta disponível em streaming no Soundcloud da banda (só não faça a audição dentro do ônibus).

NOTA: 8,5